ZOOLÓGICOS: PROTEÇÃO OU PRISÃO?

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Os zoológicos estão no meio de uma polêmica> Os defensores consideram as instituições essenciais para a conservação da fauna silvestre e a educação ambiental. Para os críticos, são prisões de animais mentalmente doentes.

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ZOOLÓGICOS: PROTEÇÃO OU PRISÃO?

  1. 1. A AVENTURA DE DESCOBRIR A VIDA av' uwuvx-ráw-nHhLsxHIiKa-ulunil' A " AwmulemmamuiluilawBm m? :n14 SEUEIJÍUS ÍLX FUÍÍÍÍVEà A LfÍkgLlL= &tã @ia HGLUJPGLÉJ r . Llíâkê &flu-iii; ;as [guiêrtsí , ; manso são LFQÍÍllÉ-Sftaw w @citar ? A . x / A LÍÚ¡ tamo @Lv ÊFELQIÍÍÍM* . Í * : :uma EJUJ/ UÊÉÁYFE " ñ . g 32115.5 JLaQÍQéLiIErQ/ ur g9" _ ; fg guiar/ WQS Íêfhíigg; « P A, A A* . / 1 À 'J / v¡ “IF/ T” (-7 7 “í » / i 45// x_ a 1T f? 5 ; r I í 'U IL , #lllíííàlilíil 2: pàxgputagagv ilñfg-. ÍrifgrãlÍli 'íkíàt-ÍêÍ-rgíf' : n62 âíarñu iÉJ, «'í*”/ ; ; zfãlÍlÍAlf-Çkn íijms a 99,61%* 2111mb; Y: glisislãêfílg-¡Êà uíãíztiüiuacàílo _. .. . , 1 J b M*
  2. 2. o m( o < o _l 3 2 E O _J . ã , :L O w( m m o o LJ_ 8 _J O o N Lu 3 O n: É O -< o < D z : a u. ã CJ 9 ã n. CONSERVAÇÃO ZOOLÕGICOS: PROTEÇÃO ou PRISÃO? texto l DIMAS MARQUES Os Zoológicos estão no meio de uma polêmica. Os defensores consideram as instituições essenciais para a conservação da fauna silvestre e a educação ambiental. Para os críticos, são prisões de animais mentalmente doentes u” o o Brasil há 105 Zoológicos e 11 aquários que mantêm cerca de 60 mil animais. Por tradição, entretenimento é a função que mais chama a atenção de 20 milhões de visitantes anuais. No entanto, profissionais que atuam nesses locais destacam que o lazer é apenas mais uma das finalidades. Pesquisa, educação e conservação, segundo a zoóloga Yara de Melo Barros, são os outros pilares que definem a atuação de zoológicos e aquários não só no País, mas ao redor do mundo. Nem todas as instituições brasileiras, porém, estão aparelhadas para cumprir tais funções. Presidente da Sociedade de Zoológicos e Aquários do Brasil (SZB), Yara Barros ressalta a atual vocação tam¡ @Milla Flamingo-chileno (Phaenícnpterus chilensís) das instituições como centros de conservação. “Com a diminuição dos ambientes naturais, a manutenção de animais em cativeiro e' a maior esperança de sobrevivência para muitas espécies". afirma. Algumas experiências corroboram a opinião da zoóloga. Apartir do trabalho realizado no zoológico de San Diego (EUA), o condor-da-califórnia conquistou uma nova chance de sobreviver. No ápice do declínio populacional da espécie, em 1982, eram apenas 22 individuos em todo o Planeta. Um programa de reprodução, que se mostrou bem-sucedido em 1988, com o nascimento do primeiro ñlhote em cativeiro, resultou em animais reintroduzidos na natureza desde 1991. No habitat do Gymnogyps californianus, a taxa de nascimento permanece baixa.
  3. 3. É o«o<o. _:>_aco. _n<m (m um ooõoaoou msomã 04.5322". , . : , .. , . , llíil 1.1.1. rnwíí: lumãwlaaw. . A! " a , , t. .. . ..íf/ .Íüzk. xv t. . _z P . na . féñanwpúi WHWúWnfJ/ «uv . . a . ..loc. nl. ;nn. .w, . . i. ¡Pa! Temualiem _a . k 9 e. m 7 : lei H!
  4. 4. FLÁVIA BUENO/ FUNDAÇÃO PARQUE ZOOLOG4CO DE SÃO PAULO/ DIVULGAÇÃO MODELO § (? s_ila¡ni¡rg'us U as araras ' são algumas das ' uíruijzivs no zoo du São Pauli¡ (gnigs. murcriorcs). 3 grau ofertar czmplas ' indução : _para os VÍSÍUZHÍCS c rcrivzíios mmgiaiíveis É com tudu espécie ' alcuncdus de (I ÍHIHIÍÍIÊEIIÍB l conservação Porém, a população de condores aumenta com as solturas regulares realizadas pelo zoológico. A sobrevivência do mico-leão-dourado, espécie endêmica do Brasil e exclusiva da Mata Atlântica, também passa por Zoológicos. Um programa iniciado em 1984 pela Associação Mico-Leão-Dourado, Smithsonian Zoological Park e Ong WWF partiu da reprodução dos primatas em cativeiro para posterior reintrodução na natureza. Em três décadas, informa a Associação Micoleão-Dourado, 153 animais nascidos em zoológicos foram devolvidos ao habitat. Atualmente, 148 instituições distribuídas em vários países contribuem para a manutenção da população em cativeiro. Em 1969, havia menos de 150 indivíduos no bioma de origem. Referência nacional, o Zoológico de São Paulo participa de vários programas de conservação. Bióloga do zoo, Mara Cristina Marques enumera trabalhos realizados para preservar o mico-leão- preto, a arara-azul-de-lear, a onça-pardal, o tatu-canastra, os pequenos felinos sul-americanos e alguns mamíferos do Cerrado. Contribui ainda com os Planos de Ação Nacional para a conservação de animais da Mata Atlântica Central. Coordenadora do projeto Papagaio- verdadeiro, da Fundação Neotrópica do Brasil, Gláucia Helena Fernandes Seixas desenvolve no Pantanal do Mato Grosso do Sul pesquisas sobre a espécie com a proposta de conserva-la e combater o tráfico que faz diminuir as populações
  5. 5. do psitacídeo em território nacional. O local de educação ambiental düitíle O projeto tem entre os parceiros o Parque das Aves, que mantém mais de mil animais de 150 espécies em Foz do Iguaçu (PR). Para a doutora em Ecologia e Conservação da Natureza, informações obtidas nas pesquisas sobre as aves em vida livre contribuem para melhorar as condições para os papagaios-verdadeiros em cativeiro. De acordo com a SZB, programas de educação ambiental têm se mostrado essenciais na estratégia conservacionista de várias espécies. Entre outras ações, destaca-se novamente o trabalho realizado pelo projeto Papagaio-verdadeiro, que oferece uma exposição fotográfica com a finalidade de combater o tráfico do psitacídeo. Lançada pela pesquisadora opiniões: deve ser com animais em cativeiro ou no hábiizai: Patrícia Medici, do Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ), a campanha "Minha amiga é uma anta” volta atenções para o mamífero, cujo estado de conservação é considerado vulnerável pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês). CATIVEIRO Como instituições, os Zoológicos não são Vistos apenas com bons olhos. Filósofa corn pós-doutorado em Bioética Animal, Sônia Teresinha Felipe afirma que os Zoológicos não evoluíram, mas revestiram a prática do cativeiro para exposição com cle catia um? conservação | ÍBIIMIEÉBIIÍG 'FLÁVIA BUENO/ FUNDAÇÃO PAlRQUE zootoenco n¡ sAo PAULOIDIVULGAÇÃÓ
  6. 6. UE _zooLOoICo DE sÃo FAyLO/ DIVULGQCÃO - e', ~ v' . www, « Ma» q¡ _ ~ EtAFVI/ l BUENO/ EAUNDAÇÃO FARO ESPAÇOS líizw no : ou g)tzzilz'stlzixt: ' zw Parque DN no lQc-t'z'_fc. llxjnftítllfsl<t ugmnãtz instalacjórs llltltltfljllllílrJS J. um çmrstixpztrytcíri, tlnimais csíxwsslialos no : ao poi'mzwnlvuctzizzl ÍHIBIÊÉHIÍB | conservação um conceito pedagógico. “Educação ambiental não pode ser feita mostrando-se animais encarcerados, condição essa que não existe na natureza. Os Zoológicos deseducam justamente por manter em confinamento seres sencientes que evoluíram para cuidar de si, cada um a seu próprio modo, sem depender de humanos para obtenção de água, comida e abrigo", afirma. “Essa prática é aberrante, para não dizer, Obscena. Portanto, imoral. " Presidente internacional do Projeto (GAP), Pedro Ynterian também e' enfático ao definir dos Grandes Primatas os Zoológicos como “prisões de animais doentes mentalmente, que em hipótese nenhuma representam a realidade das espécies em vida livre. ” No Brasil, o GAP tem quatro santuários ñliados destinados principalmente a receber grandes primatas, com destaque aos chimpanzés. Cada indivíduo chega a ter no mínimo mil metros quadrados na unidade de Sorocaba, no interior paulista. De acordo com Ynterian, chimpanzés acolhidos de Zoológicos apresentam perturbações que requerem tratamentos complexos alterados, como automutilações. Caco, contra comportamentos um chimpanzé de 24 anos, criado até os 12 anos por uma família e entregue ao Zoológico de Curitiba (PR) é um exemplo dessa situação. Transferido para o Parque Zoológico Municipal Quinzinho de Barros, em Sorocaba (SP), permaneceu isolado por 6 anos e começou a se automutilar. Com a ineficácia dos tratamentos, o animal foi ! P1 "o, .vu . V 1 ' m' o' *sf
  7. 7. ' 1_ _ › »amv . .. ol-aus. .. . N _ - . w a. - Í-w . s e -s xa-: uçímmi: nuxuuu. ... .a__ _ . . . ... ... ... .,. - . ..a a_ . .lama-num . m : .- entregue ao GAP em 2001. Caco não se automutila há 4 anos, mas ainda precisa tomar doses mínimas de antidepressivos, añrma Ynterian. Diretor do Parque Zoológico Municipal de Bauru (SP), Luiz Antonio da Silva Pires considera que os movimentos de oposição aos Zoológicos "ainda não compreenderam a necessidade da conservação ex situ (fora do habitat de origem) como uma ferramenta de auxilio à conservação in situ (no habitat original)". GESTÃO O Zoológico de São Paulo garante 80% da receita própria, proveniente, em parte, dos ingressos pagos pelos visitantes. Entre janeiro e setembro deste ano, 1.700.271 pessoas estiveram no Zoo. Tal realidade contrasta com a da maioria das instituições destinadas a preservar animais. Dos 105 Zoológicos no Brasil, 56% são municipais e 82% não cobram ingresso. "Essas instituições dependem totalmente dos governos e tornam-se reféns da vontade política do prefeito da vez", observa Yara Barros, presidente da SZB. Os problemas de gestão e de destinação de verbas influenciam diretamente na qualidade de vida dos animais em cativeiro. A maioria das instituições foi aberta antes de 1989, ano em que foi regulamentada a lei 7.173/1983 que criou a (lili) 0 ideal é que os Zoológicos tenham autonomia financeira e operacional para não depender de governantes @um uni-seca a . ..a l conservação | 'ÍGIIBMEBIIÍB »zeca l 425w: : IGOR MOHMS/ DWULGAÇÀO . ~ «› › . . -
  8. 8. IGOR MOHAIS/ DNULGAÇÃO DIFERENÇAS ÚSI1l'). 'lÚllli'(>lÍH ' : lu munmonilz sun¡ Uilllvtjlltfllllcllln ambiental. nulãuc_ , _ diitrmncrlzcíztt* (los chfnzpuvizcsd: . 2 ; unzlislunu qu. : icrr¡ f ¡winqizctlos tofurítitvs ; mm se tiixtniiztwez I THÍÊÍÍHÊBMB l Conservação ñgura dos Zoológicos no Brasil. A legislação definiu os primeiros parâmetros técnicos para o funcionamento das instituições, a começar pelo tamanho dos recintos. Por isso, boa parte dos zoos brasileiros tem de passar por reformas e adaptações, o que requer investimentos do poder público que nem sempre são liberados. Em Taboão da Serra, no interior de São Paulo, os 210 animais do zoológico municipal Parque das Hortênsias são vítimas desse contexto. A instituição foi inaugurada em 1978, portanto fora dos parâmetros previstos pela lei, e se deteriorou a tal ponto que o Ibama não permitiu mais o recebimento de animais. Em 2013, uma jaguatirica, um leão e dois tigres morreram. Ativistas pelos direitos dos animais realizam manifestações pelo fechamento do Zoológico, agora em reforma. Urso-pardo (Ursus araras) A advogada Antilia da Monteira Reis, que preside a Comissão de Proteção e Defesa Animal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-São Bernardo do Campo) e ajudou a organizar as mobilizações, solicitou à bióloga Elizabeth Teodorov, professora da Universidade Federal do ABC, um laudo sobre as condições do Zoológico Parque das Hortênsias. “Confirmei o que já haviam relatado. Gaiolas ou recintos legislação demasiadamente inadequados, Êonfoime a vigente, estressados, particularmente o felino de animais grande porte (uma leoa), as araras e as aves de rapina", afirma a bióloga. Membro do Comitê de Bem-Estar da SZB, Igor Oliveira Braga de Morais aponta instalações animais estressados no Parque Dois Irmãos, no Recife. Mantido pelo governo inadequadas e pernambucano o jardim Zoobotânico foi
  9. 9. 4.4›4¡»4q» , R) . ç. V - . '“ ' ru aaa. - . gm a». f ' . › , ã g' _ ' V' . L ) r- «v-r-n _Jumdx q# _ _ u v* 'l ug n' " i' -* I . - '* _ , . » . d, › __ >chnmpanze(Pantrogludytes)r , __ › FLÁVIA ÊUENO/ FUNDAÇÃO PARQUE ZOOLÓÓICO DE SÃO PAULO/ DIVULGAÇÃO , _ -. A ~' . . -nankí a. _a criado em 1939. Morais destaca entre outras situações a dos ursos-pardos. “Os com adaptações na estrutura física e incorporação de novas "funções, os Zoológicos não precisam ser extintos animais apresentavam o comportamento denominado pacing, uma estereotipia que consiste no movimento de ir e vir sem sentido algum", explica. O Ministério Público considera ingressar com ação civil pública e o governo do estado informa que iniciou uma reforma para transformar o Zoo em bioparque. Para Elizabeth Mac Gregor, diretora de Educação do Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal (FNPDA), é necessária uma profunda revisão das funções e dos propósitos básicos das instituições, com o fechamento dos Zoológicos cujo objetivo se limita à exposição de animais ou simplesmente à conservação de espécies como patrimônio genético. A transformação dos Zoológicos em “centros de acolhimento" de espécies silvestres e exóticas provenientes de locais e situações que coloquem em risco o bem-estar do animal é uma das propostas defendidas por Elizabeth. A diretora do FNPDA considera ainda o desenvolvimento de programas de reprodução para espécies em risco de extinção e reintrodução em ambientes naturais para que não haja a perpetuação do cativeiro. Yara Barros e Luiz Pires acreditam que os Zoológicos sempre existirão, com funções cada vez mais importantes na conservação das espécies e na educação dos visitantes. Ao redor do mundo, as instituições atraem 700 milhões de pessoas todos os anos. conservação J ÍIIÍBÚBÉBIIÍB

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