PROGRAMA SÉRIE VIVACE 2012

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Em concerto da série Vivace, temporada 2012, Orquestra Filarmônica de Minas Gerais, interpreta peças de Leopoldo Miguez, Korngold, Guarnieri e Gershwin, no dia 13 de março, no Grande Teatro do Palácio das Artes, às 20h30, com regência do maestro Fabio Mechetti, diretor artístico e regente titular da Orquestra e a ilustre presença de Rachel Barton Pine, a violinista que além de se apresentar com as mais prestigiadas orquestras do mundo, ganhou prêmios importantes que vieram da Rainha Elisabeth (Bruxelas, 1993), Kreisler (Viena, 1992), Szigeti (Budapeste, 1992) e Montreal (1991).

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PROGRAMA SÉRIE VIVACE 2012

  1. 1. março 2012ministração moderna e o artístico consistente, Minas Gerais colhe os eto bem-sucedido que, anos, fez dela um dospos sinfônicos do país.”
  2. 2. A Orquestra Filarmônica de Minas Gerais é composta por músicos dos mais diversos lugares do Brasil e do exterior. Escolhidos por meio de um rigoroso processo de seleção A Filarmônica é toda sua. – as audições –, os músicos da Filarmônica têm a excelência artística como elemento orientador de seu trabalho. A Orquestra executa obras de todos os períodos, do barroco ao contemporâneo, que exigem maior número de músicos e maior variedade de instrumentos. Como todas as orquestras, a Filarmônica é composta por quatro famílias: cordas, madeiras, metais e percussão, que, por sua vez, dividem-se em naipes ou grupos de executantes do mesmo tipo de instrumento. Ao longo do ano, traremos algumas breves informações sobre cada um desses grupos, permitindo que você conheça melhor a sua Filarmônica.Camila FréscaRevista Concerto_OUT 2011 Estão falando sobre você. Sobre você que é o motivo da Orquestra Filarmônica existir. Sobre você que é exigente com o que ouve. Sobre você que às terças e quintas espera se surpreender. Estão falando sobre você. Você que colabora para que a Filarmônica seja uma das melhores orquestras do país. Você que faz diferença a cada concerto. Você é a razão disso tudo. Pode se orgulhar. Quando falam sobre a Orquestra Filarmônica estão falando de você. foto | Miguel Aun Receba cada aplauso. Você é a orquestra. A Filarmônica é toda sua. 3
  3. 3. Ministério da Cultura e Governo de Minas apresentam 20h30 1 março série allegro Grande Teatro do Palácio das Artes Fabio Mechetti REGente Eduardo Monteiro PIANO L. van BEETHOVEN Sinfonia nº 8 em Fá maior, op. 93 [26 min] Allegro vivace e con brio Allegretto scherzando Tempo di Menuetto Allegro vivace S. PROKOFI EFF Concerto para Piano e Orquestra nº 1, op. 10 [16 min] Allegro brioso Andante Allegro scherzando Eduardo Monteiro Solista I NTERVALO M. RAVEL Valsas Nobres e Sentimentais [16 min] P. I. TCHAI KOVSKY Abertura 1812, op. 49 [15 min] 1
  4. 4. 20h30 13 março série VIVACE Grande Teatro do Palácio das Artes Fabio Mechetti REGente Rachel Bar ton Pine VIOLINO Leopoldo MIGU EZ Ave, Libertas!, op. 18 [20 min] E. W. Korngold Concerto para Violino e Orquestra, op. 35 [24 min] Moderato nobile Romanze Allegro assai vivace Rachel Bar ton Pine Solista I NTERVALO Camargo GUARN I ERI Brasiliana [17 min] ilustrações compositores | Mariana Simões George Gershwin Porgy and Bess: Retrato Sinfônico [24 min] Versão de concerto por Robert Russell Bennett foto | Eugênio Sávio2 3
  5. 5. O Governo do Estado de Minas Gerais e a Secretaria de Estado de Cultura celebram mais um ano de atividades da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais. Projeto ambicioso, que se soma a inúmeras outras iniciativas do poder público estadual em favor do desenvolvimento da cultura mineira, a Filarmônica se consolida como uma ação contínua, que impulsiona a difusão de repertório sofisticado, a público amplo e heterogêneo. Além das séries regula- res, oferecidas a preços populares no Grande Teatro do Palácio das Artes, com a presença de solistas destacados mundialmente, o gru- po também realiza concertos didáticos para crianças e adolescentes, apresenta-se em parques e praças da capital e do interior e aposta no incremento da circulação por diferentes municípios mineiros, a fim de descentralizar a fruição de obras imprescindíveis e democra- tizar o acesso a este conteúdo, de valor inestimável. A Secretaria de Estado de Cultura se orgulha desta iniciativa, que re- afirma o compromisso do Governo de Minas com a potencialização da cultura nas mais diversas vertentes. Apostar na manutenção de um grupo de excelência, como um projeto ininterrupto, representa, para o Estado, investir na capacidade dos artistas locais, na impor- tância da interação com talentos de outras unidades da federação e internacionais, e, sobretudo, na oportunidade de oferecer aos cida- dãos acesso irrestrito a repertório de diferentes épocas, que muito tem a revelar sobre a própria identidade mineira e como ela se situa na universalidade inerente à literatura musical erudita de todos os tempos. Para a Secretaria de Estado de Cultura, a Orquestra Filarmônica de Minas Gerais não é tão somente um grupo de artistas preparados para a tarefa de executar repertório singular para público seleto. Antes, é uma maneira de celebrar a diversidade cultural deste Esta- do, suas infinitas possibilidades de manifestação e o indispensável valor da cultura no desenvolvimento social, econômico e humano de uma sociedade. E l i ane Parre i ras Secretária de Estado de Cultura de Minas Gerais foto | Eugênio Sávio4 5
  6. 6. Prezados amigos e amigas, Caros amigos e amigas,Iniciamos, esta noite, a quinta temporada de apresentações da O início da Temporada 2012 tem um significado especial, poisOrquestra Filarmônica de Minas Gerais, que vem acumulando marca o quinto ano de vida da Filarmônica de Minas Gerais.surpreendentes resultados, como foi o caso no ano que findou. Uma curta história coroada de grandes êxitos, reconhecidos pelos mineiros através do crescente número de aficionados queEm 2011, mais de 25 mil pessoas brindaram a orquestra, regentes e abrilhantam nossos concertos com sua presença e pela críticasolistas convidados com calorosos aplausos nos concertos Allegro especializada, que nos posiciona como uma das mais importantese Vivace, no Palácio das Artes. Uma parceria com o novo teatro do orquestras brasileiras e certamente aquela que vem se revelandoSesc Palladium permitiu a realização, nas manhãs de domingo, e surpreendendo o meio musical nacional.dos Concertos para a Juventude, além de três concertos didáticosreunindo 3.280 crianças da rede pública de ensino e jovens Para festejar esse importante marco histórico, programamos paraparticipantes de programas sociais do Governo. Cerca de 14.000 este primeiro concerto um interessante repertório de obras quepessoas assistiram, no ano passado, à Filarmônica nas turnês foram compostas há cem ou duzentos anos (1812, 1912), além dapelo interior de Minas, contemplando oito municípios, entre os exuberante Abertura 1812 de Tchaikovsky.quais Ouro Preto, Mariana, São João del-Rei e Tiradentes, onde osconcertos foram realizados dentro de suas majestosas matrizes Em março receberemos com carinho a visita do reconhecidobarrocas. pianista brasileiro Eduardo Monteiro, assim como de uma das mais respeitadas violinistas da atualidade, Rachel Barton Pine,Continuando a meta de levar a orquestra mineira às várias regiões executando um dos mais belos concertos para violino escritosdo país, excursionamos pelo Sul do Brasil, com apresentações em no século passado.Porto Alegre, Florianópolis, Curitiba, Londrina e também Paulínia,no Estado de São Paulo. A Filarmônica foi, uma vez mais, ovacionada Ainda neste mês a Filarmônica fará sua primeira turnê estadualnos festivais de Campos do Jordão e de Juiz de Fora, além de ter se para dividir momentos de grande inspiração e beleza com aapresentado nos dois principais teatros do Brasil: o Teatro Municipal população de várias cidades do Sul do Estado.do Rio de Janeiro e o Teatro Municipal de São Paulo. A série Clássicosno Parque teve momentos igualmente memoráveis, contagiando Sejam bem-vindos a mais uma espetacular temporada damais de 17.000 pessoas em cinco parques de Belo Horizonte e região Filarmônica de Minas Gerais, uma orquestra de todos nós.metropolitana. O Festival Tinta Fresca e o Laboratório de Regênciacompletam a lista das realizações do ano passado. Fab i o M ec h ett i Diretor Artístico e Regente TitularAo Instituto Cultural Filarmônica cabe a tarefa de continuar seucompromisso de zelar pela eficiência e transparência na gestãoda coisa pública, contando com a parceria com a Secretaria deEstado de Cultura e a interveniência da Fundação Clóvis Salgado.Nossos patrocinadores e apoiadores se juntam a esse esforço,complementando os recursos necessários à programação.Neste seu quinto ano de vida, novos desafios e metas se apresentampara a Filarmônica, que desejamos seja cada vez mais abraçadapelos mineiros com orgulho e admiração. A todos vocês nossossinceros agradecimentos pelo apoio e colaboração.D i omar S i lve i raDiretor-Presidente do Instituto Cultural Filarmônica 6 7
  7. 7. FABIO Mechetti Diretor Artístico e Regente Titular Orquestra Filarmônica de Minas Gerais Natural de São Paulo, Fabio Mechetti é Regente Titular e Diretor Artístico da Orquestra Sinfônica de Jacksonville desde 1999. Foi também Regente Titular da Orquestra Sinfônica de Syracuse e da Orquestra Sinfônica de Spokane, da qual é, agora, Regente Emérito. Desde 2008 é Diretor Artístico e Regente Titular da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais, trabalho que lhe deu o XII Prêmio Carlos Gomes na categoria Melhor Regente brasileiro em 2008. Foi regente associado de Mstislav Rostropovich na Orquestra Sinfônica Nacional de Washington e com ela dirigiu concertos no Kennedy Center e no Capitólio norte-americano. Da Orquestra Sinfônica de San Diego foi Regente Residente. Fez sua estreia no Carnegie Hall de Nova York conduzindo a Orquestra Sinfô- nica de Nova Jersey e tem dirigido inúmeras orquestras norte-americanas, como as de Seattle, Buffalo, Utah, Rochester, Phoenix, Columbus, entre outras. É convidado frequente dos festivais de verão nos Estados Unidos, entre eles os de Grant Park em Chicago e Chautauqua em Nova York. Realizou diversos concertos no México, Espanha e Venezuela. No Japão dirigiu as Orquestras Sinfônicas de Tóquio, Sapporo e Hiroshima. Regeu também a Orquestra Sinfônica da BBC da Escócia, a Filarmônica de Auckland, Nova Zelândia, e a Orquestra Sinfônica de Quebec, Canadá. Vencedor do Concurso Internacional de Regência Nicolai Malko, na Dinamar- ca, Mechetti dirige regularmente na Escandinávia, particularmente a Orques- tra da Rádio Dinamarquesa e a de Helsingborg, Suécia. Recentemente fez sua estreia na Finlândia dirigindo a Filarmônica de Tampere. No Brasil foi convidado a dirigir a Sinfônica Brasileira, a Estadual de São Paulo, as orquestras de Porto Alegre e Brasília e as municipais de São Paulo e do Rio de Janeiro. Trabalhou com artistas como Alicia de Larrocha, Thomas Hampson, Frederica von Stade, Arnaldo Cohen, Nelson Freire, Emanuel Ax, Gil Shaham, Midori, Evelyn Glennie, Kathleen Battle, entre outros. Igualmente aclamado como regente de ópera, estreou nos Estados Unidos dirigindo a Ópera de Washington. No seu repertório destacam-se produções de Tosca, Turandot, Carmen, Don Giovanni, Cosi fan Tutte, Bohème, Butterfly, Barbeiro de Sevilha, La Traviata e As Alegres Comadres de Windsor.foto | Eugênio Sávio Fabio Mechetti recebeu títulos de mestrado em Regência e em Composição pela prestigiosa Juilliard School de Nova York. 9
  8. 8. sÉRIE ALLEGRO 1 marçoAos nove anos, Stephanietem pele era Daqueles casos raros em que se Jeonguma das mais jovens estudantes de concertista... Monteiro tem o poder deadmitidas no famoso Curtis Institute, eduardo sensibilizar o público através da epiderme,na Filadélfia, para estudar com o fazendo com que o espectador viva a música monteirorenomado violinista Aaron Rosand. com ele, em uma espécie de comunhão.É um dom muito especial...Albert Mallofré, La Vanguardia, Espanha O carioca Eduardo Monteiro é WDR, Hessincher Rundfunk, considerado um dos expoentes do Süddeustcher Rundfunk (Alemanha) piano no Brasil. Sua sólida formação e Rádio Telefis Eireann (Irlanda), foi adquirida através de estudos em entre outras. diferentes países – Brasil, França, Itália e Estados Unidos. Ainda muito Desde 2002 é professor de Piano jovem, conquistou as principais do Departamento de Música da premiações de piano no Brasil. Escola de Comunicação e Artes da No exterior, alcançou, por Universidade de São Paulo, onde unanimidade, o primeiro lugar desenvolve um trabalho de formação no III Concurso Internacional de com jovens pianistas. Foi agraciado Piano de Colônia, Alemanha, em com o Prêmio Carlos Gomes em 1989, obtendo também o prêmio 2004 e 2005. Em 2007 lançou CD de Melhor Intérprete de Beethoven de música brasileira pela Meridian por sua versão do Concerto n°4. Records no Wigmore Hall de Londres Foi laureado ainda no II Concurso e foi Diretor Artístico da Série de Internacional de piano de Dublin, Concertos Piano Solo, realizada na Irlanda, em 1991, e no ano seguinte, Sala Cecília Meireles do Rio de Janeiro no IX Concurso Internacional de e no Teatro Municipal e Sala Promon Piano de Santander, Espanha. de São Paulo. Em 2008 passou a integrar a Câmara Consultiva de Foi solista das filarmônicas de São Música do Conselho Estadual de Petersburgo, Moscou, Munique, Cultura de São Paulo. Em 2009 Bremen, Sinfônica de Novosibirsky, tornou-se Livre Docente da USP. Em Nacional da Irlanda, Orquestra de 2010 foi professor convidado do 41º Câmara de Viena, da RTV Espanhola, Festival Internacional de Música de Osesp, OSB, OSPA, OSBA, OPES, entre Campos do Jordão. outras. Dentre os maestros com os quais já atuou, destacam-se Yuri Temirkanov, Mariss Jansons, Dimitri Kitayenko, Philippe Entremont, Arnold Katz, Sergiu Comisiona, Emil Tabakov, Kirk Trevor, John Neschling, Roberto Minczuk, foto | Julio Acevedo Isaac Karabitchevsky e Roberto Tibiriçá. Realizou gravações para as rádios Bayerischer Rundfunk, NDR, 10 11
  9. 9. sÉRIE ALLEGRO 1 março Ludwig van Beethoven Alemanha, 1770 Áustria, 1827 Beethoven começou a fazer os pri- na medida do crescendo e, na hora A Sinfonia no 8 não possui um meiros esboços da Sinfonia no 8 em do forte, ele pulava no ar.” movimento lento. Muitas vezes seSinfonia nº 8 em 1811, enquanto ainda compunha sua disse que o segundo movimentoFá maior, op. 93 Sétima Sinfonia. Mas foi apenas no A Sinfonia no 8, infelizmente, não (Allegretto scherzando) teria sido verão de 1812 que ele pôde realmente foi recebida com entusiasmo na escrito em homenagem a Johann se dedicar à composição da nova época. Acostumado com as obras Nepomuk Mälzel, amigo de obra. A Sinfonia no 8 ficou pronta grandiosas de Beethoven, o público Beethoven e conhecido pelo aperfei- em outubro, e a estreia só aconte- a via como um retorno aos padrões çoamento do metrônomo. Mas, o ceria dois anos mais tarde, em 27 sinfônicos clássicos. Mas ela guarda tique-taque das madeiras e a leveza de fevereiro de 1814, em um con- tesouros inestimáveis escondidos do tema das cordas são quase umaA Sinfonia no8 guarda certo em Viena regido pelo próprio em cada movimento, difíceis de citação do segundo movimento da compositor. Beethoven já estava com ser percebidos quando se procura Sinfonia nº 101 de Haydn. O terceirotesouros inestimáveis a surdez avançada e tinha dificulda- um Beethoven heroico. Sob vários movimento é, curiosamente, umescondidos em cada des em reger suas obras. Em trechos aspectos a Sinfonia no 8 nos remete minueto (Tempo di Menuetto). Desde complexos os músicos preferiam às sinfonias de Haydn, especialmen- sua Sinfonia no 2 Beethoven substi-movimento, difíceis de seguir o spalla a acompanhar o re- te à Sinfonia no 101 (“O relógio”): nas tuíra o minueto, tão comum emser percebidos quando gente. O compositor Louis Spohr, que dimensões, no colorido e, principal- Haydn e Mozart, pelo scherzo. foi assistente de spalla em alguns mente, no tratamento temático. Tra- E o quarto movimento (Allegrose procura um concertos regidos por Beethoven ta-se da mais curta de suas sinfonias vivace) mais parece uma brincadeiraBeethoven heroico. nessa época, conta que “o pobre e, talvez, a mais descompromissada musical à moda de Haydn. Nesse compositor não conseguia ouvir os de todas. movimento, após expor os doisPARA OUVIR momentos delicados das peças”. temas, Beethoven apresenta comCD Beethoven – Symphonies no 6 & no O espírito de Haydn pode ser sentido muita clareza cada uma de suas8, King Stephen Overture – New York Nessas horas, como o som desapa- por toda a Sinfonia. O primeiro mo- reaparições, como que desejandoPhilharmonic – Leonard Bernstein, regente recia de seus ouvidos, Beethoven vimento (Allegro vivace e con brio) é, que o ouvinte não se perca ao longoSony Classical – 1998 fitava os instrumentos com atenção curiosamente, em ritmo ternário, as- do caminho. Uma longa coda nos para certificar-se de que os músicos sim como a Sinfonia no 101 de Haydn leva a um final brilhante.PARA LER ainda tocavam. Não obstante, sua (em Beethoven, apenas as SinfoniasBarry Cooper (org.) Beethoven, umcompêndio – Jorge Zahar Editor – 1996 maneira de reger era ímpar: nos 2 e 3 contêm, além da Oitava, oMaynard Solomon – Beethoven: “Em passagens delicadas ele aga- primeiro movimento em ternário). Guilherme Nascimentovida e obra – Jorge Zahar Editor – 1987 chava-se cada vez mais, de acordo A forma com que Beethoven expõe Compositor, Mestre em Comunicação e Semiótica pela PUC São Paulo, professor na Universidade do com o grau de leveza que desejava as seções é extremamente clara: Estado de Minas Gerais e na Fundação de Educação Artística, autor do livro Música menor. da orquestra. Para indicar um o início da obra marca o início do pianissimo escondia-se atrás da primeiro tema, e um compasso de partitura. Se um crescendo aparecia, silêncio marca a entrada do segun- ele surgia novamente de trás da es- do. O movimento termina, inespera- tante, levantando-se gradualmente damente, em pianissimo. 12 13
  10. 10. sÉRIE ALLEGRO 1 março Sergei PROKOFIEFF Rússia, 1891 – 1953 Desde que, em 1855, Wilhelm em 1911 e estreou no ano seguinte na tema de notas repetidas, martelado von Lenz escreveu a biografia de cidade de Moscou. Em 1914, Prokofieff e galopante, apresentado tambémConcerto para piano Beethoven, em que – baseando-se ganhou o Prêmio Rubinstein execu- em solo de piano. O tema das notasnº 1 em Ré bemol no musicólogo François-Joseph Fétis tando novamente este concerto. repetidas participa do desfile demaior, op. 10 – considerava na obra do compositor três estilos musicais corresponden- Embora alguns juízes desaprovas- sem a música, eles ficaram extasia- ideias musicais que irão estruturar o primeiro movimento, reaparecendo do a três períodos, tornou-se praxe dos com a técnica do jovem pianista. no último e contribuindo para dar aplicar essa divisão à obra de outros A revista Muzyka Miaskovsky defen- ao concerto a característica de obra autores. Ultrapassada, no que se deu o compositor, enquanto A Voz de cíclica, interligada e sem interrup-Segundo Prokofieff, refere a Beethoven, a divisão em três Moscou publicou que era inadmissí- ções. Segundo Prokofieff, este concer-este concerto é a sua fases se aplica bem ao compositor vel definir como música uma to é a sua “primeira obra mais ou russo Sergei Prokofieff, que compôs partitura tão dura, enérgica, rítmica menos madura pelo fato de se tratar“primeira obra mais ao todo oito concertos: cinco para e grosseira. Para confundir ainda de uma nova ideia de som e de umaou menos madura pelo piano, sendo o quarto para a mão es- mais os pobres ouvidos conservado- modificação da forma”. A forma foi querda; dois para violino e um para res, Prokofieff inventivamente vagamente definida por ele comofato de se tratar de uma violoncelo. Os dois primeiros concer- embaralhou os componentes da um resultado abstrato, uma “conse-nova ideia de som e tos para piano datam do “período estrutura formal do concerto e fez quência de episódios isolados com russo”, ou seja, dos anos de Prokofieff com que a obra parecesse ter sido estreita relação entre si”. Paradoxos àde uma modificação como estudante do Conservatório de concebida de trás para frente. Ela parte, sendo novidade ou não, a obrada forma” . São Petersburgo nos quais era visto começa com o tutti orquestral é fruto tanto do seu horror à imita- como enfant terrible. No “período dobrado pelo piano num hino ção quanto da herança deixadaPara ouvir ocidental”, entre 1835 e 1918, viveu grandiloquente típico dos finais por compositores como Liszt eCD Sviatoslav Richter – The Early entre a Europa e os Estados Unidos arrebatadores dos famosos concer- Mussorgsky.Recordings (1948-1952) – Prokofieff – e compôs todos os outros concertos tos de Grieg, Rachmaninoff ePiano Concerto N. 1 – Moscow Youth para piano, assim como seus balés Tchaikovsky. Poulenc, amigo doOrchestra – Kirill Kondrashin, regente – mais famosos. No “período soviéti- compositor, definiu a vigorosa Marcelo CorrêaUrania – 2002 co”, após o retorno definitivo à sua introdução como “uma espécie de Pianista, Mestre em Piano pela Universidade Federal de Minas Gerais e professor na Universidade doPara ler pátria, sua música se tornou menos canto jubiloso atlético” que, aliás, Estado de Minas Gerais.Attila Csampai e Dietmar Holland – chocante e extravagante até atingir reaparece para encerrar o movimen-Guia Básico dos Concertos – Civilização uma “nova simplicidade”, julgada to e, oportunamente, também oBrasileira – 1995 inofensiva pelos censores de Stálin. concerto. Em seguida, vislumbramos a figura do enfant terrible num solo Esse período é marcado também virtuosístico semelhante a uma pela composição de trilhas sonoras cadenza finale que irrompe com a para os filmes de Eisenstein e a mú- linha melódica inicial, mas que sica para a história de Pedro e o Lobo. servirá de material temático para o O Concerto para Piano nº 1 foi escrito último movimento. Só então surge o 14 15
  11. 11. sÉRIE ALLEGRO 1 março Maurice RAVEL França, 1875-1937 Embora frequentemente se associe amostragem disso. Também com obra faz referência a duas coleções a obra, a pessoa e a linguagem de as novas linguagens, com que trava de pequenas valsas compostas porValsas Nobres e Ravel à de Debussy numa amálgama contato na Exposição Universal de Schubert, entre 1823 e 1827: as ValsasSentimentais “impressionista”, e embora Ravel Paris, Ravel assume atitude seme- Nobres (op. 77, D. 969) e as Valsas admirasse Debussy, treze anos mais lhante: a ele encantam o novo e o Sentimentais (op. 50, D.779). “Músi- velho que ele, é de se marcar que exótico, os modalismos orientais, a ca de Salão”, embora nas mãos de a orientação estética do primeiro liberdade melódica e harmônica do Schubert tenham se tornado peque- tem tamanha originalidade, que Jazz. Deste último, Ravel se aproveita nas obras-primas, o destino dessas aponta para caminhos da música do ora explicitamente, como na Sonata peças não era senão o de entreter osEmbora o esquema século XX cuja importância se iguala para Violino, ora como possibilidade saraus da sociedade vienense e dasrítmico da valsa talvez à do próprio Debussy. É quase criativa, como no Concerto em Sol reuniões de que o próprio Schubert inevitável – e, portanto, legítima – a para piano e orquestra. Acessível aos participava.permaneça vívido comparação que habitualmente se novos elementos, mas sem ideiasnas oito seções da estabelece entre ambos, mas se mui- preconcebidas, neles encontra cami- É evidente, portanto, que Ravel tem tos aspectos os aproximam, muitos nhos para manter-se original. em Schubert, para as Valsas Nobres eobra de Ravel, o que outros os separam. Sentimentais, seu primeiro modelo.se percebe não é a Também de sua herança, através No entanto, ele não toma as valsas Em certo sentido, pode-se observar de Fauré (seu professor) e de um de Schubert como paradigmas, masonipresença da dança, em Ravel um contínuo processo Romantismo francês agonizante, como exemplos de um gênero quemas sua evocação. de releitura. Ele parece tomar por Ravel tira partido, relendo-os à sua ele ironiza e desconstrói. O modelo desafio as formas e modelos antigos maneira, sempre com um toque principal desse processo, porém,Para ouvir para retrabalhá-los à sua maneira, de fina e velada ironia. La Valse, por não são exatamente as valsas deMaurice Ravel – Valses Nobles et num processo de recriação e de exemplo, obra de 1920, parece ser a Schubert, mas as de Strauss e a valsaSentimentales – Robert Casadesus, piano – estilização extremos, que o acaba metáfora da glória e destruição da francesa dos salões elegantes deSony – 1991 afastando de qualquer preceito Valsa Vienense, em seu significado Paris. Embora o esquema rítmicoMaurice Ravel – Valses Nobles et escolástico ou formalista. Ele é um não apenas musical, mas também da valsa permaneça sempre vívidoSentimentales – Cleveland Orchestra construtor criterioso, que conhece simbólico e social. nas oito pequenas seções de que– Pierre Boulez, regente – DeutscheGrammophon a fundo o material com que traba- se constitui a obra de Ravel, o que lha, e cujo preciosismo revela uma Nove anos antes, porém, Ravel já ha- se percebe não é a onipresença daPara ler ciência precisa e exata. A despeito via feito investidas sobre esse gênero dança, mas sua evocação. A harmo-Igor Stravinski e Robert Craft – Conversas disso, porém, ele nunca deixa de ser “elegante”, numa obra que frequen- nia é a de um Ravel já totalmentecom Igor Stravinski – Stella Rodrigo Octavio original: todo o domínio da técnica temente é negligenciada em função vinculado ao século XX, que nãoMoutinho, tradução – Perspectiva – 1984 ( o e de seus materiais lhe dá a possibi- de outras, mais “vistosas”, por assim tem medo de libertar a dissonâncialivro faz várias referências a Ravel, Debussye à música do início do século XX) lidade de transcender o previsível... dizer. Data de 1911 a versão original, e que dela não faz apenas colori-Roland de Candé – História Universal da Basta um relance de olhos sobre para piano solo, das Valsas Nobres do, mas sonoridade em si mesmaMúsica – Eduardo Brandão, tradução – v. II seus caminhos no campo da orques- e Sentimentais. A versão orquestral dotada de significado, o que levou o– p. 194-216 – Martins Fontes – 1994 tração para que se tenha uma leve data do ano seguinte. O título da próprio Debussy a declarar, antes de 16 17
  12. 12. conhecer-lhe a autoria, que se tra- Na ironia e no tratamento pessoaltava de obra composta “pelo ouvido que Ravel confere à valsa, na propos-mais refinado que jamais poderia ta de desintegração de um gêneroter existido” (fato interessante foi a que efetiva e simbolicamente jáprimeira apresentação dessa obra: agonizava nas primeiras décadas doela foi tocada pelo pianista Louis século XX, na harmonia francamenteAubert, a quem fora dedicada, em moderna, que o afasta da tonalida-um concerto da Sociedade Musical de, na orquestração sempre originalIndependente. Nesse concerto, foi e surpreendente, as Valsas Nobres edada à audiência a tarefa de adivi- Sentimentais atestam a importâncianhar os autores do programa. Para a de Ravel na música do século XX e deobra de Ravel, o nome do compositor novos caminhos que ela há de tomar.foi indicado pela grande maioria!).A versão orquestral, publicada noano seguinte, foi feita com vistas a Moacyr Laterza Filhoum balé intitulado “Adelaide, ou a Pianista e cravista, Doutor em Literaturas de Língua Portuguesa pela PUC Minas, professor na Universi-linguagem das flores”. dade do Estado de Minas Gerais e na Fundação de Educação Artística. foto | Rafael Mota 18 19
  13. 13. sÉRIE ALLEGRO 1 março Piotr Ilitch TCHAIKOVSKY Rússia, 1840–1893 O diretor dos Concertos da Socieda- a vitória francesa. Napoleão não e franceses. Sinos, canhões e Deus de Imperial Russa, Nikolai esperava que, como os antigos salve o Czar expulsam A MarselhesaO ano de 1812: Rubinstein, convidou Tchaikovsky cavaleiros citas, os russos deixassem na apoteose final.Abertura solene para compor uma obra sinfônica em Moscou completamente devastadaem mi bemol 1880. Embora criticado por mesclar e em chamas, usando a tática da Igor Reyner a cultura folclórica russa com a terra arrasada. Sem mantimentosmaior, op. 49 tradição europeia ocidental, numa e sem capacidade de se recuperar, Pianista, Mestre em Música pela Universidade Federal de Minas Gerais. relação ambígua com o Grupo dos as tropas napoleônicas batem em Cinco, Tchaikovsky era um compo- retirada, destruídas pelo frio inten- sitor reconhecido. Rubinstein tinha so e por milícias ligadas à Armada em vista três eventos: a consagração Imperial Russa. da Catedral de Cristo Salvador, a co-Tchaikovsky concebeu memoração dos 25 anos do reinado A Abertura solene 1812 foi compostaa Abertura 1812 para de Alexandre II ou a abertura da Ex- entre setembro e novembro de 1880. posição Industrial e Artística de 1881. O adiamento da Exposição deu aque fosse estreada com Tchaikovsky optou pelo terceiro, de- Tchaikovsky mais um ano para tra-orquestra, banda de clarando em carta a Nadezhda von balhar na peça. Ele a concebeu para Meck, sua protetora, a repugnância que fosse estreada com orquestra,metais, coro e canhões que sentia por esse tipo de composi- banda de metais, coro e canhões nana Praça Vermelha. ção: “nada me é mais antipático que Praça Vermelha. Uma salva de 16 compor em função de festividades tiros de canhão encerraria a obra aoPara ouvir e afins. Imagine, cara amiga! O que repique dos sinos do Kremlin e daCD O ano de 1912 – Abertura Solene, op. 49* se poderia por exemplo escrever por Catedral de Cristo Salvador. Mas a– Minneapolis Symphony Orchestra – Antal ocasião da abertura de uma exposi- primeira execução, regida por IppolitDoráti, regente – Mercury Living Presence/ ção senão banalidades e passagens Al’tani em agosto de 1882, ocor-Phillips – gravação de 1954 quase sempre barulhentas?”. A aber- reu num pavilhão. Supostamente tura é hoje uma de suas obras mais programática, a abertura expõe nas conhecidas e gravadas. cordas – os russos? – o coral ortodo- xo Deus, salva teu povo. Segue-se nas O ano de 1812 marca o início da madeiras a dança folclórica No meu derrocada do império napoleônico. A portão, no meu portão. Os metais Grande Armada Francesa de Napo- anunciam o hino francês. No desen- leão I, até então invencível, invade a volvimento, o tema russo nas cordas Rússia para dominar toda a Europa duela com o francês nos metais. continental. Sua vitória na Batalha O folclore russo reaparece entre- de Borodino e a invasão de Moscou, cortando com nostálgicas melodias em setembro, parecem confirmar populares o embate entre russos 20 21
  14. 14. sÉRIE VIVACE 13 marçoPoucos podem tocar tão lindamentequanto Barton… a facilidade de comando rachelcom que ela usou os dedos e o arco, as barton pineroulades sem fôlego e o trabalho depassagem foram suficientes para colocara multidão aos seus pés, como se eles nãofossem ainda seus fãs. A violinista norte-americana Rachel Barton Pine apresentou-se como Rachel Pine foi a primeira norte-americana e a artista mais jo- solista com as mais prestigiadas vem a ganhar, aos 17 anos, a medalhaChicago Tribune orquestras do mundo, incluindo as de ouro no J. S. Bach International sinfônicas de Chicago, Atlanta, St. Violin Competition em Leipzig (1992). Louis, Dallas, Baltimore, Montreal, Outros prêmios importantes vieram Viena, New Zealand, Iceland e a da Rainha Elisabeth (Bruxelas, 1993), Philadelphia Orchestra. Trabalhou Kreisler (Viena, 1992), Szigeti (Buda- com regentes como Charles Dutoit, peste, 1992) e Montreal (1991). Zubin Mehta, Erich Leinsdorf, Marin Alsop, Neeme Järvi e Placido Do- A artista escreve as próprias caden- mingo, tendo colaborado também zas para muitos dos trabalhos que com Daniel Barenboim, Christoph executa, incluindo concertos de Eschenbach, William Warfield, Chris- Beethoven, Brahms, Mozart e Paga- topher O’Riley e Mark O’Connor. Em nini. Ela está presente nas Coleções festivais, apresentou-se em Ravinia, Masters de Carl Fischer, que publi- Marlboro e Salzburg. Gravou 16 cou composições originais, arranjos, álbuns aclamados pela crítica para cadenzas e edições escritas ou orga- os selos Cedille, Dorian e Cacophony. nizadas por ela, sendo a única artista Entre eles, destacam-se o Concertos viva e primeira mulher a participar para Violino de Brahms e Joachim da publicação. com a Orquestra Sinfônica de Chi- cago e o regente Carlos Kalmar; o Exerce atividades educativas e álbum Fantasias Escocesas para Vio- filantrópicas no Music Institute of lino e Orquestra com a Orquestra de Chicago e na Rachel Elizabeth Barton Câmara da Escócia, Alexander Platt Foundation. Rachel Pine também como regente e o violinista escocês é uma ávida executora de inter- Alasdair Fraser; e a gravação dos pretações do barroco, renascença e Concertos de Violino de Beethoven & música medieval no violino barroco, Clement, com José Serebrier e a Royal viola d’amore, violino renascentista Philharmonic. e rabeca. Sua experiência musical alcança ainda o rock e o heavy metal. Ela se apresenta com um Joseph Guarnerius del Gesu (Cremona 1742), foto | Andrew Eccles conhecido como “ex-Soldat,” genero- samente cedido pelo seu patrono. 23
  15. 15. sÉRIE VIVACE 13 março Leopoldo MIGUEZ Brasil, 1850 – 1902 Nascido e falecido no Estado do Rio sem sucessor direto não impediria visão otimista sobre o progresso. de Janeiro, Leopoldo Miguez, filho de a iminente ascensão do sentimento Brilhante orquestrador, ele pode ser“Ave, Libertas!”: pai espanhol e mãe brasileira, viveu republicano aliado à questão aboli- considerado um de nossos melhoresPoema Sinfônico, até os 21 anos em Portugal. Iniciou cionista. Com a Lei Áurea, em 1888, o sinfonistas.op. 18 os estudos musicais no Porto, cidade natal do pianista português Arthur império perdeu os últimos apoiado- res, os proprietários rurais, que logo Ave, Libertas! é exemplo disso: o cur- Napoleão, com o qual se associou aderiram aos insurgentes. Em 1889 to tema introduzido pelas trompas eA ave da liberdade em 1878, no Rio de Janeiro, fundando foi proclamada a República dos Esta- repetido pelas violas acompanhadas a Casa Arthur Napoleão & Miguez, dos Unidos do Brasil e o Imperador por duas harpas foi suficiente parasimbolizada por a mais importante loja de pianos e buscou exílio na Europa. desenvolver metade da obra, inspira-Miguez abriu as asas música da capital do Império. Em da no tratamento temático esta- 1881, abandonou as atividades co- Em 1890, após vencer o concurso de belecido por Liszt em seus poemassobre a aurora do merciais e retornou à Europa composição do Hino à Proclamação sinfônicos. Tal tema, desdobrado enacionalismo e o para aperfeiçoar-se como músico. da República (destinado a ser o novo transformado, retorna no triunfante O contato com importantes per- Hino Nacional Brasileiro), Miguez desfecho, após uma marcha iniciadainício do modernismo sonalidades e novas tendências compôs uma magnífica obra or- com solo de trompete. Mais que amusical, arquitetando musicais não foi tão marcante para questral cujo frontispício da edição letra do hino musicado por Miguez, o compositor brasileiro quanto o im- alemã possui as seguintes palavras a poesia republicana homônima,uma visão otimista pacto da morte de Richard Wagner, em francês: Avè, Libertas! Poème escrita posteriormente por Augustosobre o progresso. ocorrida em 1883. Em 1884, Miguez symphonique pour grand orchestre dos Anjos, reflete a essência desta retornou ao Brasil e fundou o Centro commemoratif du 1er anniversaire música: Esplende, pois, oh RedentoraPara ouvir Artístico, a fim de promover a “mú- de la proclamation de la République d’alma, Oh! Liberdade, essa bendi-LP D. Pedro I, Credo/Miguez, Ave Libertas! sica do futuro”, égide carregada por des États Unis du Brésil par Leopoldo ta e branca luz que os negrores daOrquestra Sinfônica Nacional Berlioz, Wagner e Liszt e da qual se Miguéz. Hommage au Maréchal Ma- opressão espanca, essa luz eterealHenrique Morelembaum, regente tornou defensor convicto. nuel Deodoro da Fonseca, proclama- bendita e calma. Vós, oh Pátria, fazeiPhillips – 1972 teur de la République brésilienne. que destes brilhos, caia do Santuário Sua mente aberta e progressista lá da História, fulgente do valor daPara ler o fez defensor também dos ideais Em 1897 a obra foi apresentada vossa glória, a Bênção do valor dosVasco Mariz – História da Música no Brasil republicanos, fomentados pelos no Salão Gil Vicente do Palácio vossos filhos!Nova Fronteira – 2000 ideólogos positivistas inspirados de Cristal, no Porto, em Portugal, por Tiradentes. Miguez cegamente ao lado da Sinfonia à Pátria do se transformou em inconfidente, pianista português Viana da Mota Marcelo Corrêa visto que, ao apoiar Deodoro, traiu a e do Prelúdio de Lohengrin de Wagner. Pianista, Mestre em Piano pela Universidade Federal de Minas Gerais e professor na Universidade do confiança de D. Pedro II que genero- A ave da liberdade simbolizada por Estado de Minas Gerais. samente lhe havia recomendado em Miguez abriu as asas sobre a aurora carta ao Conservatório de Paris. Mas, do nacionalismo e o início do moder- de fato, a boa imagem do Imperador nismo musical, arquitetando uma 24 25
  16. 16. sÉRIE VIVACE 13 março Erich Wolfgang KORNGOLD Morávia, 1897 EUA, 1957 Filho do eminente crítico musical de diretor e produtor teatral que parcialmente paralisado, vindo fale- Julius Korngold, sucessor de Eduard revolucionou a cenografia e exerceu cer em novembro de 1957. Hoje, nu-Concerto para Hanslick na Neue freie Presse, forte influência na cinematografia merosas gravações e apresentaçõesViolino e Orquestra o austríaco Erich Korngold já era no- europeia – necessita adaptar ao vivo vêm assegurando a memóriaem Ré maior, op. 35 tável na Europa quando partiu para Mendelssohn para o filme Sonho de suas obras. Hollywood em 1934. Criança ainda, de uma noite de verão, chama Erich impressionara Richard Strauss, Korngold para Hollywood. O convite O Concerto para Violino em Ré maior,Korngold passa a Puccini, Sibelius, Bruno Walter, muda a direção da vida do composi- iniciado em 1937 por incentivo do Nikisch e outros grandes músicos tor. Passa a desenvolver um gênero amigo Bronislaw Huberman (ilustredesenvolver um da época. próprio – a composição sinfônica violinista emigrado também) e dedi-gênero próprio – a cinematográfica – que o tornaria cado a Alma Mahler, foi revisado em Quando Gustav Mahler ouviu o reconhecido como um dos fundado- 1945. Jascha Heifetz estreou-o com acomposição sinfônica menino de nove anos tocar ao piano res da música para cinema. Concebe Saint Louis Symphony Orchestra, sobcinematográfica – que sua própria cantata Gold, recomen- cada filme como uma “ópera sem a batuta de Vladimir Golschmann, dou-o a Alexander von Zemlinsky, canto”, desejando que a música em 1947.o tornaria reconhecido renomado professor, compositor e possa ser executada em salas decomo um dos regente com quem Schoenberg e concerto, sem o filme. Conquista No moderato nobile o violino apre- Alban Berg se relacionaram. Oscars de melhor trilha sonora com senta um tema do filme Outra Au-fundadores da música Zemlinsky foi praticamente o único Adversidades em 1936 e com As rora (1937), o segundo tema vem depara cinema. mestre de Korngold, e mesmo assim aventuras de Robin Hood, de Michael Juarez (1939), Adversidades fornece por um curto período. Tinha quator- Curtiz, em 1938. Enquanto trabalha a melodia da romanze. O finale, umPara ouvir ze anos de idade quando escreveu a em Hollywood mantém-se ligado à virtuosístico allegro assai vivace, levaCD Erich Korngold – Concerto para Schauspiel Ouverture, sua primeira Europa pelo trabalho e pela família. dos staccati do primeiro tema aosViolino em Ré maior – London Symphony obra orquestral. legati da melodia inspirada emOrchestra – André Previn, regente – Após a anexação da Áustria, exila-se O príncipe e o mendigo (1937). Com-Anne-Sophie Mutter, violino – Deutsche No ano de 1913, em Viena, enquanto nos Estados Unidos tornando-se posto “mais para um Caruso queGrammophon – 2003 a Academia de Literatura e Música cidadão norte-americano em 1943. para um Paganini” e impregnado dePara visitar divulga novas pequenas peças de Retorna à Áustria ao final da guerra melodias de cinema, o Concerto parawww.korngold-society.org Webern, o célebre Felix Weingartner com a intenção de retomar a música Violino em Ré maior tipifica a ópera dirige a Sinfonieta de Korngold. de concerto e afastar-se do cinema. sem canto de Erich Korngold. Internacionalmente aclamado A criação do Concerto para Violino pela ópera Die tote Stadt, torna-se marca esse retorno, mas toma de reconhecido operista aos vinte e três empréstimo música composta para Igor Reyner anos. No final dos anos 1920, já lecio- Hollywood. Decepcionado e sentin- Pianista, Mestre em Música pela Universidade Federal de Minas Gerais. nava composição e ópera na Acade- do-se esquecido, Korngold volta para mia Estatal de Música de Viena. a América onde, em 1956, sofre um Quando Max Reinhardt – o gran- acidente cardiovascular que o deixa 26 27
  17. 17. sÉRIE VIVACE 13 março Mozart Camargo GUARNIERI Brasil, 1907 – 1993 Em uma conjuntura de afirmação podemos apreciar, no primeiro foi coreografada por Vaslav Veltchek dos elementos caracteristicamente movimento (incisivo e ritmado), um e apresentada em um bailado no Te-Brasiliana brasileiros na produção musical, tema sincopado e brilhante, inicial- atro Municipal do Rio de Janeiro com Camargo Guarnieri compôs, no ano mente apresentado pelas madeiras cenários de Mário Conde e figurinos de 1950, a suíte Brasiliana. Esta obra e posteriormente desenvolvido pelo criados pelo artista plástico Carybé. constitui-se em expressão emblemá- flautim. Já no segundo movimento, tica do nacionalismo musical intitulado Moda (terno, dolcissimo), enfatizado por Camargo Guarnieri uma linha melódica suave e sensível César Buscacio em sua Carta Aberta aos Músicos e executada pelo clarinete é acompa- Pianista, Mestre em Música e Educação pela Unirio,A Brasiliana constitui- Críticos do Brasil, escrita em novem- nhada pelas cordas, remetendo às Doutor em História Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, professor na Universidade Federal de Ouro Preto.se em expressão bro de 1950. Nesse documento modas de viola – canções populares histórico que causou grande polêmi- oriundas dos meios rurais do inte-emblemática do ca no meio musical, Camargo rior do Brasil. No terceiro movimen-nacionalismo musical Guarnieri ressaltava que o folclore to, Dança (moderato scherzando), o brasileiro é dos mais ricos do mundo tema é apresentado inicialmenteenfatizado por e alertava, ainda, para as influências pelo fagote, com destaque às linhasGuarnieri em sua Carta que ameaçavam a cultura musical vibrantes e ritmadas dos instrumen- brasileira junto aos jovens composi- tos de percussão. Neste movimento,Aberta aos Músicos e tores e intérpretes. Assim, a Brasiliana a obra é concluída de maneira en-Críticos do Brasil. revela a “afinidade com a alma do fática, com a indicação “Grandioso” povo” mencionada pelo compositor e a utilização de todo o conjuntoPara ouvir paulista no referido documento. orquestral.LP – Orquestra Sinfônica Brasileira – Note-se que em um contexto deCamargo Guarnieri, regente – Sinter SLP-10 grandes embates pela questão iden- A Brasiliana foi composta a partir– 1956 titária nacional, como nas décadas da encomenda feita pela Funda- de 1940-1950, Camargo Guarnieri ção norte-americana KoussevitskiPara ler colocava-se na difícil posição de Music Foundation. A obra foi dedi-Cesar Maia Buscacio – Americanismo e defender e traduzir as expressões cada à memória da fundadora danacionalismo musicais na correspondênciade Curt Lange e Camargo Guarnieri (1934- da cultura brasileira através de suas mencionada instituição, Nathalie1956) – Editora UFOP – 2010 composições. Koussevitski, falecida no ano de 1942,Flávio Silva (org.) – Camargo Guarnieri: o esposa do regente e compositortempo e a música. RJ Funarte/SP Imprensa Os três movimentos que compõem a russo Sergei Koussevitski (1874-1951),Oficial – 2001 Brasiliana – Entrada, Moda e Dança – grande amigo de Camargo Guarnie-Marion Verhaalen – Camargo Guarnieri: contrastam entre si no que concerne ri. Esta Suíte teve sua estreia no Te-Expressões de uma vida – Editora daUniversidade de São Paulo/Imprensa ao caráter e ao andamento. Os dois atro Municipal do Rio de Janeiro emOficial – 2001 movimentos rápidos são intercala- 1951, sob a regência do próprio com- dos por um movimento lento. Assim, positor. No ano seguinte, a Brasiliana 28 29
  18. 18. sÉRIE VIVACE 13 março George GERSHWIN EUA, 1898 – 1937 Por sua fusão de elementos sinfôni- A moça tenta escapar, mas acaba era um arranjador da Broadway e de cos europeus com o jazz americano, rendendo-se e permanece na ilha. Hollywood, tendo trabalhado, dentrePorgy and Bess: Porgy and Bess é uma ópera que Após alguns dias, muito doente, Bess outros, com Irving Berlin e Cole Por-um retrato sinfônico sempre transitou entre o erudito e retorna a Catfish Row. Porgy a recebe ter. Em 1937, último ano de vida deVersão de Robert Russell Bennett o popular. Em sua grande lista de e a abriga. Crown reaparece, salva Gershwin, Bennett foi seu assistente apresentações, ela já foi montada os pescadores de uma tempestade e na orquestração da música para o como ópera, musical, teatro musica- exige a volta de Bess. Porgy o mata. musical de Hollywood Vamos dançarEsta versão para do e filme para televisão e cinema. Preso como suspeito de assassinato, (Shall we dance), com Fred Astaire e Suas canções foram gravadas pelos é liberado na semana seguinte. Volta Ginger Rogers. Em 1942, através deconcerto, de grandes nomes da música popular a Catfish Row, mas, para sua tristeza, uma encomenda de Fritz Reiner, re-orquestração muito americana, tais como Ella Fitzgerald, descobre que Bess fugira para Nova gente da Orquestra Sinfônica de Pit- Billie Holiday, Sarah Vaughan, Louis York com Sportin’ Life. Porgy parte tsburgh, Bennett criou uma versãopróxima do original, Armstrong, Miles Davis, John em busca de Bess em sua carroça. de concerto da ópera de Gershwin,foi um dos grandes Coltrane e Janis Joplin. intitulada Porgy and Bess: um retrato Composta em 1934-35, a ópera teve sinfônico. A versão de Bennett incluiesforços para tornar A história se passa na favela de sua estreia no Colonial Theatre, em a maioria das canções de Gershwin,a música de Gershwin Catfish Row, nas imediações de Boston, em 30 de setembro de 1935. embora não exatamente na ordem Charleston, Carolina do Sul. Bess Desde sua inauguração, em 1900, o em que aparecem na ópera. Esta ver-conhecida do é uma prostituta cujo amante, o Colonial Theatre tem sido um espaço são para concerto, que possui umagrande público. estivador Crown, homem desonesto em que os produtores da Broadway orquestração muito próxima do e violento, comete um assassinato e testam suas montagens, geralmente original, foi um dos grandes esforçosPara ouvir foge, deixando Bess entregue à pró- por uma temporada de poucos dias, para tornar a música de GershwinCD George Gershwin: Porgy and Bess (a pria sorte. Sportin’ Life, traficante de antes de levá-las a Nova York. Porgy conhecida do grande público.symphonic picture), 2nd Rhapsody, Concerto drogas, a convida para ir a Nova York, and Bess foi também uma mon-in F – London Symphony Orchestra – Andre mas ela o rejeita. Sem casa, Bess bate tagem destinada à Broadway. SuaPrevin, regente – Cristina Ortiz, piano – EMI de porta em porta pedindo ajuda, estreia em Nova York se deu em 10 Guilherme NascimentoClassics – 2009 mas é rejeitada por todos, menos de outubro de 1935, no Alvin Theater Compositor, Mestre em Comunicação e Semiótica pela PUC São Paulo, professor na Universidade doPara ler por Porgy, mendigo e deficiente físi- (hoje Neil Simon Theatre). Estado de Minas Gerais e na Fundação de Educação Artística, autor do livro Música menor.William G. Hyland – George Gershwin: a new co que a recebe e lhe dá abrigo. Osbiography – Praeger Publishers – 2008 dois se apaixonam. Um dia, indo a A cultura dos teatros musicais ame-Walter Rimler – George Gershwin: an intimate um piquenique na ilha Kittiwah com ricanos é baseada em trabalho deportrait – University of Illinois Press – 2009 toda a comunidade de sua favela, equipe. Uma vez que a demanda por Bess deixa para trás Porgy, que não novos musicais sempre foi frenética,Para assistir conseguira embarcar. Crown, que se os compositores precisavam recorrerDVD George Gershwin: Porgy and Bess – escondia na ilha, surpreende Bess. aos arranjadores, que orquestravamGlyndebourne Opera – Sir Simon Rattle,regente – EMI Classics – 2001 (ópera completa) as músicas e as deixavam prontas para o palco. Robert Russell Bennett 30 31
  19. 19. ACOMPANHE A FILARMÔNICA EM OUTRAS SÉRIES DE CONCERTOSConcertos para a Juventude jovens da rede escolar pública e particu-Realizados em manhãs de domingo, lar e instituições sociais. Serão realizadossão concertos dedicados aos jovens e às três grandes concertos no auditório dofamílias, buscando ampliar e formar pú- Sesc Palladium.blico para a música clássica. As apresen- Festivaistações têm ingressos a preços populares O Festival Tinta Fresca procura identificare contam com a participação de jovens e promover novos compositores brasi-solistas. leiros. O concerto de encerramento seráLocal: Teatro Sesc Palladium realizado no Sesc Palladium no dia 20 deHorário: 11 horas da manhã setembro. O Laboratório de Regência temDatas: por finalidade dar oportunidade a jovens25 de março 27 de maio 12 de agosto regentes brasileiros, de comprovada30 de setembro 21 de outubro experiência, de desenvolver, na prática, a11 de novembro habilidade de lidar com uma orquestraClássicos no Parque profissional. Concerto no Sesc Palladium,Realizados em parques e praças da dia 8 de dezembro.RMBH, proporcionam momentos de des- Turnês Estaduaiscontração e entretenimento, buscando As turnês estaduais levam a música dedemocratizar o acesso da população em concerto a diferentes cidades e regiõesgeral à música clássica. Em 2012 serão de Minas Gerais, possibilitando que orealizados os seguintes concertos: público do interior do Estado tenha o6 de maio contato direto com música sinfônica dePraça do Papa, Mangabeiras, 19 horas excelência.20 de maio Nove municípios serão contempladosPraça Floriano Peixoto, em 2012.Santa Efigênia, 11 horas Turnês Nacionais e19 de agosto InternacionaisPraça Duque de Caxias, Com essas turnês, a OrquestraSanta Tereza, 11 horas Filarmônica de Minas Gerais busca colo-2 de setembro car o Estado de Minas dentro do circuitoPraça da Liberdade, Funcionários, nacional e internacional da música clás-11 horas sica. Em 2012, a Orquestra se apresentará16 de setembro no Festival de Campos de Jordão e faráInhotim, Brumadinho, 15h30 sua primeira turnê internacional para o Cone Sul, com concertos na ArgentinaConcertos Didáticos (Buenos Aires, Rosário e Córdoba), no Chi-De caráter educativo, não são concer- le (Santiago) e no Uruguai (Montevideo).tos abertos ao público, mas destinadosexclusivamente a grupos de crianças e 32

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