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Coluna
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CopyrightÓSBR- Comissão de Coluna Vertebral, 2011
O conteúdo desta cartilha pode ser reproduzido
desde que citada a fonte.
CRIAÇÃO E DESENVOLVIMENTO:
EDITORAÇÃO:
Rian Narcizo Mariano
PRODUÇÃO:
www.letracapital.com.br
Comissão de Coluna Vertebral
CREDITO IMAGEM DA CAPA:
http://www.pptbackgrounds.net/spine-tag1255.html
Coluna
Cartilha para pacientes
Índice
Do que é feita a coluna?..........................................5
Onde dói quando há problema na coluna?..............6
Então dor no pescoço é problema na coluna?.........7
A dor na coluna é um problema grave?..................7
Que doenças da coluna são mais graves?...............8
O que é a hérnia de disco?......................................9
Porque a hérnia causa dor no ciático?.....................10
Hérnia de disco cervical
e lombar são a mesma coisa?..................................11
Que exames são necessários para diagnóstico
da hérnia de disco?..................................................12
É necessário fazer cirurgia para tratar
a hérnia de disco?....................................................13
Com tantas doenças que atacam a coluna
como fazer para descobrir qual é o problema?.......14
O travesseiro e o colchão influenciam
nos problemas de coluna?.......................................15
As doenças na coluna podem ser tratadas
sem remédios?.........................................................16
Toda pessoa que envelhece terá problema
na coluna?...............................................................19
Por que tantos trabalhadores se queixam
de dores nas costas?................................................21
Qual a relação entre o trabalho e o aparecimento
das lombalgias?.......................................................21
Os vícios de postura explicam todos os casos
de dores nas costas?................................................22
As hérnias de disco causam mais dor nos
trabalhadores?.........................................................23
O que se deve fazer para não ter lombalgia
ocupacional?...........................................................25
Já tenho lombalgia. O que posso fazer para ficar
livre dela?................................................................26
Qual é o melhor tratamento para essas dores nas
costas?.....................................................................26
O que se deve esperar do médico em uma consulta
por problema na coluna?.........................................27
7
Do que é feita a coluna?
A coluna vertebral é formada por ossos cha-
mados de vértebras, que estão alinhadas e fun-
cionam em conjunto como uma haste firme e
flexível, que se movimenta pelos seus encaixes
(as articulações) e que é estabilizada por vários
ligamentos e músculos ligados a essas vérte-
bras. A sua estrutura é bastante complexa para
permitir a sustentação e a movimentação do
corpo sem comprometer a função de proteção
da medula espinhal. Assim é comum nos refe-
rirmos à coluna ou a problemas que a acometem
pensando nesse conjunto de estruturas além da
parte óssea. A coluna divide-se em quatro seg-
mentos com 7 vértebras na região cervical, 12
na torácica, 5 na lombar e 5 vértebras que são
fundidas formando o osso sacro, que se apóia
sobre os dois ossos
ilíacos que formam a
bacia. Cada vértebra
então tem um nome
formado pela letra do
segmento a que per-
tence seguida de um
número que indica sua
posição de cima para
baixo. (Ilustração 1)
Ilustração 1:
Estrutura óssea
da coluna.
8
Onde dói quando há
problema na coluna?
Existem várias estruturas que podem causar
dor (ossos, articulações, ligamentos, músculos,
medula espinhal, nervos) (Ilustração 2) e mais de
70 doenças que podem se manifestar com dor na
coluna, como infecções, tumores, traumas súbitos
ou de repetição, contusões, luxações e fraturas, er-
ros posturais e sobrecargas, inflamações no local
ou sistêmicas.
Parafacilitarodiag-
nóstico, costuma-se ca-
racterizar o segmento
que é afetado. Assim,
cervicalgia e lombalgia
são dores que envol-
vem, respectivamente,
a parte de trás do pes-
coço e da região lombar
e podem irradiar para
o membro superior ou
para o membro inferior,
resultando na cervico-
braquialgia ou na lom-
bociatalgia. As regiões
cervical e lombar são
os segmentos mais mó-
veis e justamente onde
as dores se manifestam
com maior frequência,
mas também existe a
dorsalgia, que é a dor na
parte de trás do tórax e a
dor na parte mais baixa
da coluna, nas nádegas,
Ilustração 2:
Estruturas ligadas
à coluna.
Ilustração 3:
Região cervical
e estruturas do
pescoço.
9
que pode decorrer de problema nas articulações
sacroilíacas. Veja que as dores que são difusas
pelo corpo via de regra não podem ser explicadas
apenas por um problema na coluna.
Então dor no pescoço é pro-
blema na coluna?
Os problemas da coluna costumam dar sin-
tomas na parte de trás do pescoço, a chamada
cervicalgia. Esse termo costuma ser usado para
designar a dor que acomete a área acima dos
ombros e abaixo da cabeça, embora seja comum
que haja irradiação da dor cervical para essas
regiões. Pelas informações de história e exame
físico, habitualmente é possível descobrir se a
dor deve-se a um problema nas estruturas da co-
luna ou se há necessidade de investigar outras
doenças.
A dor na coluna é um
problema grave?
A gravidade da dor na coluna depende da
sua causa. A sua ocorrência é muito frequente;
mais de 60% das pessoas sentirão dor na região
cervical e mais de 80% sentirão dor na região
lombar em algum momento da vida, mas a maior
parte é benigna, de resolução em poucos dias,
mesmo de forma espontânea (sem tratamento).
Grande parte está associada a posturas inadequa-
das por tempo prolongado, falta de condiciona-
mento físico, problemas psicoafetivos que levam
a contraturas musculares dolorosas. No entanto,
10
há casos em que uma doença de maior impacto
ou gravidade, de causa específica, está presente
e deve ser diagnosticada sem atrasos, possibili-
tando tratamento próprio em tempo hábil, com
o devido acompanhamento. Alertam para essas
possibilidades os achados de febre, dor óssea lo-
calizada, perda de peso, deficiência neurológica
progressiva ou alterações no controle de urina
e fezes, e a presença de certas doenças prévias
como tumores e infecções.
Que doenças da coluna são
mais graves?
Doenças inflamatórias da coluna (espondiloar-
trites) frequentemente são crônicas ou recidivantes
e oferecem maior risco de degeneração óssea, de-
formidades progressivas e perda de movimentos,
mas há várias opções terapêuticas com boas res-
postas, sendo importante a detecção precoce.
Doenças infecciosas sistêmicas podem va-
riar de uma infecção viral leve como um quadro
gripal, ou outras de maior risco como no caso de
dengue, mas habitualmente se apresentam com
outros sintomas e as maiores preocupações não
são relacionadas à região cervical em si.
Doenças infeccio-
sas localizadas (espon-
dilodiscites) também
têm várias causas, seja
por bactérias como o
estafilococo ou mico-
bactérias como da tu-
berculose, necessitam
de diagnóstico sem
Ilustração 4:
Disco intervertebral.
11
demora e tratamento
prolongado para evitar
sequelas (alterações ir-
reversíveis).
Os tumores não são
causas comuns de dor
na coluna, mas depen-
dendo do histórico da
pessoa pode ser muito
importante investigá-
-los. Eles podem de-
senvolver-se a partir
de estruturas da coluna, de tecidos próximos
ou mais frequentemente de metástases (partes
de um tumor de outra região) e exigem rápido
diagnóstico, aumentando chances de tratamento
curativo em alguns casos e redução de danos em
outros.
Traumas agudos podem gerar herniação de
discos, fraturas e luxações de vértebras, cuja
maior preocupação deve-se principalmente à pos-
sibilidade de compressão de estruturas nervosas.
O que é a hérnia de disco?
Entre duas vértebras vizinhas na coluna
existe uma estrutura chamada disco interverte-
bral que funciona como um amortecedor, como
forma de diminuir o impacto e a sobrecarga de
uma vértebra sobre a outra. Na porção central do
disco há um material mole chamado de núcleo
pulposo e que é circundado por um tecido mais
resistente, que é o anel fibroso.
Em algumas situações em que o disco torna-se
enfraquecido ou quando ocorre uma sobrecarga
IlIlustração 5:
Hérnia discal
causando compressão
de uma raiz nervosa.
12
da coluna (exemplo: carregar peso) há uma rup-
tura do anel fibroso e o núcleo pulposo ultrapassa
os seus limites, sofrendo uma herniação. Surge aí
uma hérnia de disco.
Os locais mais frequentes são a região lombar
e a cervical, principalmente nas suas partes mais
baixas. A hérnia de disco é muito frequente, prin-
cipalmente na população adulta e idosa, embora
na maior parte das vezes não cause dor ou outra
queixa. Isso ocorre porque a maioria das hérnias
não causa compressão das raízes nervosas. Por-
tanto, a história e o exame físico bem feitos são
fundamentais para interpretar eventuais resultados
de tomografia e ressonância. Na pesquisa do diag-
nóstico, é preciso buscar a relação entre a clínica
e o exame de imagem para estabelecer se o acha-
do do exame corresponde à queixa do paciente e
justifica seu quadro. Não é incomum o indivíduo
apresentar uma hérnia no exame de imagem com
um quadro de dor que não é causado por ela ou até
mesmo sem ter sintomas.
Porque a hérnia causa dor
no ciático?
Amaior parte das hérnias manifesta-se por dor
local e sensação de travamento, pois não causam
compressão das raízes nervosas. No entanto, o
disco herniado e a inflamação que ocorre quando
ele é machucado podem comprimir algumas fibras
nervosas que saem da medula espinhal, causando
dor no território para onde vão essas estruturas.As
raízes da região cervical vão para os braços e as
da região lombar vão para as pernas. O ciático é
o principal nervo do membro inferior que é for-
13
mado por várias raízes
nervosas e distribui-se
pela parte do lado e da
trás da coxa e também
perna e pé. Quando al-
guma raiz nervosa que
forma o nervo ciático
fica apertada e infla-
mada, a dor decorrente
dessa compressão segue
o trajeto desse nervo no
membro, o que é cha-
mado de ciatalgia ou ciática.
Hérnia de disco cervical e
lombar são a mesma coisa?
As hérnias da região cervical e da região
lombar têm vários pontos em comum, mas tam-
bém têm diferenças com relação a fatores desen-
cadeantes e principalmente, manifestações.
A hérnia cervical tem maior relação com pos-
turas inadequadas da cabeça e dos ombros, com
esforços e movimentos impróprios em membros
superiores, enquanto a hérnia lombar tem grande
relação com os esforços de carregar pesos, na po-
sição de inclinação do tronco para a frente, com
rotação da coluna e sem o devido suporte.
Ambas as situações podem apresentar-se por
dor localizada, cervical ou lombar, com sensação
de travamento isoladamente, ou com dor irradia-
da para o membro (superior ou inferior), devido
à compressão de raízes nervosas. Quando a hér-
nia comprime a raiz do nervo o quadro é mais
característico e mais fácil de diagnosticar, mas
Ilustração 6:
Raízes nervosas
formando o nervo
ciático.
14
também há outras do-
enças que podem cau-
sar dor irradiada para o
membro.
A maior parte das
hérnias lombares ocor-
re na região mais in-
ferior, entre L4-L5 ou
L5-S1, níveis onde não
se encontra mais me-
dula espinhal dentro do
canal vertebral. As hér-
nias cervicais predomi-
nam entre C5-C6 e C6-C7, onde podem causar
compressão da medula espinhal resultando em
fraqueza também dos membros inferiores e al-
terações para o controle de eliminação da urina
e das fezes. Nesta última situação, felizmente
menos comum, há necessidade de intervenção
cirúrgica precoce.
Que exames são necessários
para diagnóstico da hérnia
de disco?
O diagnóstico da dor decorrente das hérnias
de disco na maioria das vezes se faz através da
história da dor e do exame físico do paciente, não
sendo necessário qualquer exame complementar.
Esses são necessários quando há dúvida do diag-
nóstico, quando não há melhora com o tratamen-
to ou em algumas situações que indicam maior
gravidade da doença. É comum encontrarmos
em exames sofisticados como a tomografia e a
ressonância magnética hérnias de disco que não
Ilustração 7:
Região cervical –
ossos e estruturas
nervosas.
15
provocam compressão da raiz do nervo e que
não justificam a dor do paciente. Desse modo,
elas estão apenas no exame e não são a causa
da dor naquele paciente. Por esse motivo esses
exames podem confundir o diagnóstico correto,
quando não são solicitados criteriosamente.
É necessário fazer cirurgia
para tratar a hérnia de disco?
O tratamento na grande maioria das vezes se
faz com uso de medicamentos analgésicos, anti-
-inflamatórios comuns, relaxantes musculares e
corticoides. Em alguns serviços médicos são re-
alizadas infiltrações na coluna. Como o processo
normalmente se resolve sozinho, um dos grandes
objetivos do tratamento é aliviar a dor e as limita-
ções. Quando não se obtêm melhora da dor após
dois a três meses com uso de medicações adequa-
das a cirurgia está indicada. Para aqueles com pro-
blemas de amplificações dolorosas e de dores mio-
fasciais, que decorrem de contraturas localizadas
nos músculos, pode ser importante evitar a cirur-
gia, pois ela pode ser um fator agravante de sinto-
mas. Algumas situações especiais, dependendo da
causa e gravidade do problema, podem necessitar
de uma abordagem cirúrgica imediata, o que deve
ser avaliado cuidadosamente pelo médico. A súbi-
ta compressão da medula espinhal, por exemplo,
pode ser indicativa de uma cirurgia de urgência.
16
Com tantas doenças que
atacam a coluna como
fazer para descobrir qual
é o problema?
Além das características da pessoa – idade,
sexo, hábitos, atividade de trabalho, doenças
prévias – procura-se identificar o padrão da
dor e a eventual presença de outros sintomas
associados. A maior parte das dores é chamada
de tipo mecânico-postural, pois se agravam com
movimentos, exercícios físicos ou determinadas
posições. Existe a dor inflamatória que é pior ao
repouso, acorda o indivíduo no meio da noite, e
tem algum alívio com os movimentos. Existem
também as dores tipo radicular que irradiam por
todo um membro (braço ou perna) e tipo visceral
que se devem a problemas em órgãos internos
e que muitas vezes se manifestam como uma
cólica que se irradia para o abdômen. Ou seja,
a melhor maneira de descobrir a causa é através
de uma consulta médica atenta que se inicia por
ouvir o paciente, levantando suas informações,
e se continua por um bom exame físico que
em grande parte orientará o diagnóstico e
determinará se existe necessidade de pedir
exames complementares para confirmar a
doença ou descartar a suspeita, para determinar a
gravidade ou detectar problemas e enfermidades
concomitantes.
17
O travesseiro e o colchão
influenciam nos problemas
de coluna?
A maneira como o indivíduo dorme pode ser
importante no desencadeamento ou agravamen-
to de dores na coluna, pois em média o sono ocu-
pa um terço de toda a vida. Devemos saber que a
coluna vertebral vista de frente ou de trás é reta
ou pode mostrar suaves curvaturas, mas vista de
lado exibe curvaturas normais mais acentuadas
que se desenvolvem ao longo da vida. Quando
se está dentro do útero a coluna fica toda curvada
para frente, como a letra C, mas logo na infância,
dois segmentos ganham uma curvatura com con-
cavidade para trás – a lordose. A região cervical
quando se adquire a sustentação da cabeça e a
região lombar ao se conseguir a postura em pé.
Assim, o travesseiro deve acomodar a lordo-
se cervical quando a pessoa se deita de costas,
mas deve manter o alinhamento quando a pessoa
se deita de lado. Em decúbito lateral (deitada de
lado), a pessoa ainda pode colocar outro traves-
seiro entre as pernas para que a coluna não fi-
que rodada com o peso da perna de cima. Não
se recomenda dormir na posição de barriga para
baixo. O colchão também deve acomodar as cur-
vaturas da coluna ou as saliências do corpo, de
modo que não esforce a coluna em curvaturas
excessivas ou desvios do seu alinhamento, nem
determine pressão demais em algumas áreas.
Para os colchões de espuma há tabelas de den-
sidade em função de peso e altura que auxiliam
muito; para os colchões de mola as especifica-
ções não são tão claras e o ideal é que se possa
18
experimentá-lo. O conforto logicamente deve
ser buscado, mas mantendo-se a percepção de
firmeza, pois os colchões que se sentem muito
macios no momento da compra comumente não
oferecem o apoio adequado, o que aliás é a prin-
cipal causa de troca do produto.
As doenças na coluna podem
ser tratadas sem remédios?
Isso depende diretamente do tipo de proble-
ma. Conforme a causa, os remédios podem ser
fundamentais para tratar a doença subjacente ou
podem colaborar muito para o alívio da dor. Em
alguns casos em que não há uma doença espe-
cífica causando a dor, é possível que o paciente
use o medicamento conforme sua necessidade ou
intensidade de dor. Nessas situações proteger a
coluna de posturas e movimentos inadequados é
um recurso de tratamento muito importante que
diminui tempo e intensidade de sintomas, além de
prevenir novos episódios. Muitos outros recursos
não-farmacológicos têm sido disponibilizados –
como dispositivos para dar suporte para coluna ou
restringir temporariamente seus movimentos, vá-
rias técnicas de exercícios, aparelhos que utilizam
meios físicos (calor, correntes elétricas), tração,
Ilustração 8: Pessoa deitada mostrando as
curvaturas da região cervical e da lombar
(lordoses) que devem ser apoiadas pelo colchão
e pelo travesseiro.
19
massagem, manipula-
ção vertebral – embora
nem todos tenham sido
devidamente estudados
para se saber quanto
funcionam e serem in-
dicados com segurança.
O repouso pode
aliviar sintomas, mas
deve ser de curto pra-
zo, pois quando se
prolonga predispõe a
fraqueza (atrofia) da
musculatura ao redor
da coluna o que favo-
rece o surgimento de
novas lesões e dores.
Os colares cervicais
e coletes são chamados
de órteses, que são dis-
positivos habitualmente
indicados para alívio da
dor por restrição da am-
plitude de movimentos,
portanto não devem ser
utilizados sem critérios, pois podem facilitar o
enfraquecimento dos músculos estabilizadores da
coluna e agravar o problema. Nos casos de fratura
podem ser prescritos por maior tempo para auxi-
liar a consolidação do osso vertebral.
Massagem pode oferecer alívio da dor, mas
o resultado varia consideravelmente de paciente
para paciente e depende da técnica e do terapeuta.
Cuidado especial deve-se ter com relação à ma-
nipulação vertebral; ela pode funcionar bem em
curto prazo, mas requer identificação do diagnós-
Ilustração 9: Colete
para a região
cervical.bivalvado -
exemplo de órtese
para a região
toracolombar.
Ilustração 10: Colar
de espuma - exemplo
de órtese para
a região cervical.
20
tico, exclusão de contraindicações e consideração
dos riscos, além de ser realizada por profissional
com devida formação, o que é bastante variável
em nosso meio. É um mito dizer que “a coluna
precisa ser colocada no lugar”; o procedimento de
“estalar a coluna” em contexto errado, especial-
mente por indivíduo sem capacitação pode resul-
tar em fraturas ou acidentes vasculares graves.
Meios físicos como ultrassom, estímulo elé-
trico, aparelhos que aquecem a região, embora
sejam frequentemente utilizados, não têm suporte
em estudos científicos, podem consumir tempo,
dinheiro e desviar o paciente do tratamento mais
efetivo. A tração tem sido apreciada por muitos
profissionais, mas também não tem comprovação
científica de que funcione.
Como a maior parte dos que sofrem de cervi-
calgia e lombalgia apresenta causa inespecífica,
as orientações de proteção articular (ajuste de
posturas e movimentos), adaptações, exercício
físico localizado para ganho de amplitude de mo-
vimentos e fortalecimento muscular costumam
ser os recursos mais importantes do tratamento.
Inclusive a prática de exercícios aeróbios, como
a caminhada, deve oferecer bons resultados na
redução das dores. Na fase aguda de uma hér-
nia discal, por exemplo, evitam-se exercícios de
modo geral, mantendo-se o ritmo de vida dentro
dos limites toleráveis, mas após o alívio desta
fase a prática regular e contínua de exercícios
evita repetição das crises e novos problemas.
Com relação ao trabalho, é recomendável para
aqueles que permanecem tempo prolongado em
uma mesma posição a realização de pausas em
que o indivíduo pode fazer movimentos de alon-
gamento e relaxamento. Ajustes do espaço, equi-
21
pamento, mobiliário e
posicão do trabalhador
são importantes para
garantir boa ergonomia
(trabalho com bom de-
sempenho e em condi-
ções saudáveis).
Com essa aborda-
gem, pode-se evitar a
cronificação da dor, a
progressão de lesões e
a incapacidade.
Toda pessoa que envelhece
terá problema na coluna?
O envelhecimento implica alterações em
várias estruturas do corpo, incluindo a coluna
vertebral. Potencialmente todo indivíduo deverá
apresentar osteoartrite (artrose) na coluna, vista
por algum exame de imagem, quando se torna
mais velho, emboranem sempre isso cause sin-
tomas. Os discos intervertebrais vão perdendo
suas propriedades viscoelásticas que permitem
absorver as cargas e os impactos, as vértebras fi-
cam sujeitas a maior pressão e “enrijecem” suas
bordas, desenvolvendo espículas de osso conhe-
cidas como “bicos de papagaio” que, dependen-
do da localização, podem gerar compressões.
O processo degenerativo também acomete
as juntas posteriores da coluna (articulações fa-
cetárias) e são muito comuns em pessoas acima
de 60 anos, podendo levar à estenose do canal
vertebral. Esse estreitamento de locais onde
passam a medula espinhal e suas raízes pode
Ilustração 11:
Exercício simples
de alongamento
da musculatura
cervicobraquial.
22
causar dor que comu-
mente vai aumentando
à medida que o sujeito
anda, tende a restrin-
gir movimentos e pode
levar até a alterações
do controle de urina e
fezes. A osteoporose
também tem risco au-
mentado com o passar
dos anos e acaba por
levar a fraturas ver-
tebrais que causam
achatamento da colu-
na e seu encurvamen-
to para a frente. Essas
fraturas que achatam a
vértebra podem cau-
sar bastante dor, mas
cerca de metade delas
não causa sintomas.
Como a expectati-
va de vida das pessoas
tem aumentado, natu-
ralmente se tem visto
mais casos de dores e
deformidades, mas é
bom lembrar que mui-
tos idosos terão alte-
ração em exames sem
jamais se queixarem de
problemas nas costas.
12. Ilustração:
Processo
degenerativo
(artrose) em região
lombar com
osteófitos
(bicos de papagaio).
13. Ilustração:
Esqueleto com
curvamento do
tronco para frente
devido
a osteoporose
com fraturas
na coluna.
23
Por que tantos trabalhadores
se queixam de dores nas
costas?
As dores nas costas estão entre os principais
motivos de consultas ao médico e também entre
as principais causas de afastamento do trabalho.
Embora possam estar relacionadas a diversas
enfermidades as dores lombares surgem, prin-
cipalmente, em indivíduos sem qualquer outra
doença e, muitas vezes, são associadas ao estilo
de vida de cada um, incluindo as atividades no
trabalho. Quando estão associadas às atividades
profissionais e pode-se estabelecer uma relação
de causa e efeito entre o trabalho e a dor são cha-
madas de lombalgias ocupacionais.
Qual a relação entre o tra-
balho e o aparecimento das
lombalgias?
A atividade profissional pode, muitas vezes,
exigir longas horas seguidas em uma mesma po-
sição, quase sempre inadequada para a saúde da
coluna. Essas posições podem levar à sobrecarga
dos discos intervertebrais (discos da coluna) e de
outras articulações da coluna, causando ou ace-
lerando seu desgaste (conhecido como artrose da
coluna ou espondiloartrose). Tal sobrecarga pode
ser tolerada por longos anos, pela ação de meca-
nismos de adaptação da coluna e da musculatura
que a envolve, mas chega o momento em que es-
ses mecanismos cedem e as dores nas costas sur-
gem. Vícios de postura e posturas mantidas por
24
longo tempo são muito
comuns em profissões
que exigem a posição
sentada (secretárias,
digitadores, programa-
dores, professores, etc.)
ou até mesmo de pé
(montadores, catadores,
pintores, etc).
Os vícios de postura
explicam todos os casos de
dores nas costas?
A posição em que as atividades são realizadas
é de grande importância para poupar a coluna de
esforços excessivos. Algumas atividades ocorrem
em posicionamentos difíceis ou por tempo muito
prolongado; muitas vezes a carga deve ser apa-
nhada no chão e o trabalhador tem que se rodar
para colocá-la em outro local, porém não recebe
qualquer orientação ergonômica, nem dispõe de
intervalos de descanso. É comum vermos essas
pessoas trabalhando com os joelhos esticados,
fazendo todo o movimento à custa da região lom-
bar que sofre com esse esforço. Movimentos mal
orientados infelizmente são comuns, assim como
as subsequentes dores lombares que podem ser
resultado de estiramento dos músculos ou de sua
contratura que ocorre como um mecanismo de
14. Ilustração:
Carga sobre a coluna
resultando em
aumento da
pressão no disco
intervertebral.
25
defesa contra o mau uso
dessa região.
Há profissões que
exigem o levantamento
de objetos muito pesa-
dos ou a sua sustenta-
ção, o que pode ser um
grande desafio. Em cer-
tas situações há neces-
sidade de equipamentos
de auxílio e proteção
ou de fortalecimento da
musculatura daquele in-
divíduo para que se tor-
ne preparado para aque-
la tarefa.
Mas nem tudo é vício de postura; além disso as
condições prévias de saúde física e mental do tra-
balhador e seu estado emocional fazem muita di-
ferença, talvez especialmente sua relação de satis-
fação com as tarefas que exerce e com o ambiente
de trabalho, o que muitas vezes não é considerado.
As hérnias de disco causam
mais dor nos trabalhadores?
As hérnias discais são hiperestimadas como
causa de dor nas costas, mas merecem maior
destaque no caso das lombalgias ocupacionais.
Os trabalhos braçais frequentemente implicam
maior estresse sobre a coluna, não apenas so-
bre músculos e ligamentos, como também sobre
os discos intervertebrais que ficam sujeitos a
variações de pressão que são importantes para o
surgimento das hérnias.
15. Ilustração:
Maneira incorreta de
apanhar um objeto
do chão - com os
joelhos esticados o
esforço recai sobre
a coluna.
26
Logicamente, busca-
-se evitar fatores desen-
cadeantes do problema,
mas não se deve perder a
noção sobre a importân-
cia do trabalho na vida
das pessoas, como fonte
de satisfação, de reali-
zação pessoal, de recur-
sos financeiros, como
contribuinte de autoes-
tima, como aspecto so-
cial, que são elementos
determinantes da saúde
como um todo. Além
dos aspectos pessoais
o atendimento do indi-
víduo deve abranger as
questões específicas do
seu trabalho, o que pode
exigir o envolvimento
de profissional especializado para examinar as
tarefas e o próprio ambiente de trabalho. O reco-
nhecimento do sofrimento e das limitações do tra-
balhador é muito importante, mas sempre visando
sua funcionalidade, sua reabilitação e reinserção
laboral. As questões litigiosas podem ser impor-
tantes em determinados casos, mas deve-se evitar
que assumam importância maior que o próprio
bem-estar e a saúde da pessoa.
16. Ilustração:
Maneira correta
de apanhar um
objeto do chão
- os joelhos são
dobrados para
se reduzir o esforço
e a pressão sobre a
coluna.
27
O que se deve fazer para não
ter lombalgia ocupacional?
Prevenção é a melhor estratégia quando o as-
sunto é lombalgia, particularmente as que se as-
sociam ao trabalho (tipo ocupacional). A adesão
às práticas da boa ergonomia no trabalho é fun-
damental para evitar o aparecimento ou a croni-
ficação da lombalgia ocupacionais, mas vale a
pena ressaltar que problemas próprios do indiví-
duo, como obesidade, sedentarismo, fatores psi-
coafetivos têm grande interferência e devem ser
combatidos com a adoção de hábitos saudáveis
dentro e fora do trabalho.
Cada profissional deve desempenhar ativida-
des ajustadas para seu biotipo. É comum vermos
indivíduos dos mais variados pesos e estaturas
realizando a mesma tarefa, com a mesma carga
e pelo mesmo tempo. O uso de equipamentos
adequados, períodos de repouso intercalados com
os de atividade, e mudança de funções durante o
turno também contribuem para que se evitem as
posturas mantidas e as sobrecargas. Atividades
educativas e recreacionais no ambiente de traba-
lho têm efeito em reduzir o estresse físico e emo-
cional, em promover estilo de vida mais saudável,
além de aumentar a satisfação dos trabalhadores.
28
Já tenho lombalgia. O que
posso fazer para ficar livre
dela?
Se as dores lombares já apareceram, pode
ser o momento de procurar o reumatologista ou
outro médico habilitado. Após avaliação médi-
ca, pode ser muito importante o acionamento de
uma equipe multidisciplinar com fisioterapeuta,
terapeuta ocupacional, educador físico. Limitar-
-se a procurar auxílio no pronto-socorro nos perí-
odos de dor, ficar afastado do trabalho por alguns
dias e retornar ao mesmo modelo de mau uso da
região lombar só agrava o problema e reduz a
chance de resolvê-lo. Nós, reumatologistas, não
temos dúvida sobre o fato de que as medicações
nas lombalgias de modo geral são a parte menos
importante do tratamento. Prevenção, orientação
e exercícios físicos regulares (alongamentos,
fortalecimento, condicionamento aeróbio, exer-
cícios orientados por terapeuta) são as estraté-
gias mais importantes em longo prazo.
Qual é o melhor tratamento
para essas dores nas costas?
Uma parte importante do tratamento é a
orientação do paciente em relação às atividades
cotidianas, explicando-lhe noções de postura e er-
gonomia e solicitando que evite carregar peso. O
emagrecimento auxilia a diminuir a carga sobre a
região lombar. Durante a fase aguda, na presença de
dor intensa, o repouso pode ser indicado, mas não é
obrigatório e nem interfere sobre o resultado final.
29
Anti-inflamatórios comuns, miorrelaxantes,
manutenção da atividade física e reabilitação têm
efeitos comprovados na fase aguda. Medicamen-
tosanalgésicoseanti-inflamatóriosnão-hormonais
são as drogas de escolha para iniciar o tratamento,
sempre observando os possíveis efeitos adver-
sos, levando em consideração que esses pacien-
tes são em grande parte idosos, mais suscetíveis
a complicações gastrintestinais e renais. O uso de
corticosteroide tem evidência limitada nesta fase.
Os analgésicos narcóticos podem ser uti-
lizados em pacientes com dor intensa, sendo
necessário cuidado com dependência, constipação
intestinal e retenção urinária. Para dores crônicas
muitas vezes se associa antidepressivos, mesmo
sem haver a depressão propriamente dita, mas
para buscar o efeito analgésico.
Quanto ao uso de injeções em pontos-gatilho,
injeções facetárias e técnicas de manipulação
não há comprovação muito evidente de melhora.
O que se deve esperar do
médico em uma consulta por
problema na coluna?
No primeiro momento é necessário que o
médico levante a história do paciente caracteri-
zando-se a dor (duração, local, irradiação, tipo,
intensidade, desencadeantes) e a ocorrência de
sintomas sistêmicos (febre, perda de peso, aco-
metimento de outros órgãos e sistemas) para, a
seguir, proceder ao exame físico, incluindo ob-
servação da postura e dos movimentos do pa-
ciente, palpação e realização de manobras que
30
permitem, em conjunto, elaborar as possibili-
dades de diagnóstico. Só depois disso o médico
tem condições de determinar a necessidade de
maior investigação com exames subsidiários de
sangue ou de imagem.
Em alguns casos o diagnóstico será possível
nesse instante, bem como a orientação do trata-
mento; em outras situações pode ser feito um tra-
tamento sintomático enquanto se aguarda o escla-
recimento da doença causadora ou de condições
associadas que interferem no caso e na sua reso-
lução. Portanto, o desejo frequente de solicitar
exames, comumente uma imagem de radiografia
ou algo mais sofisticado como ressonância mag-
nética, não deve ser mais importante que a busca
pelo bom atendimento médico, que junta os da-
dos contados pelo indivíduo, familiar ou acompa-
nhante com o exame físico abrangente de quem
realmente vê e coloca a mão no paciente.
Muitas vezes a causa da cervicalgia ou da
lombalgia, por exemplo, pode ser relevada por
sintomas ou alterações de exame físico em lo-
cais distantes. Essa avaliação bem feita também
permite detectar situações mais urgentes e a ne-
cessidade de solicitar exames precocemente.
Traumas agudos frequentemente exigem inves-
tigação com exames de imagem, assim como
a suspeita de inflamação ou tumor na coluna.
Exames de sangue podem ajudar na investiga-
ção de algumas causas de dor, na determinação
da gravidade da doença, no planejamento do
uso de medicações e no seguimento do pacien-
te, avaliando atividade da doença e segurança
do tratamento.
32
Sociedade Brasileira de Reumatologia
www. reumatologia.org.br
Av. Brigadeiro Luis Antonio, 2.466 gr. 93-94
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Cartilha coluna

  • 2. 2 CopyrightÓSBR- Comissão de Coluna Vertebral, 2011 O conteúdo desta cartilha pode ser reproduzido desde que citada a fonte. CRIAÇÃO E DESENVOLVIMENTO: EDITORAÇÃO: Rian Narcizo Mariano PRODUÇÃO: www.letracapital.com.br Comissão de Coluna Vertebral CREDITO IMAGEM DA CAPA: http://www.pptbackgrounds.net/spine-tag1255.html
  • 4.
  • 5. Índice Do que é feita a coluna?..........................................5 Onde dói quando há problema na coluna?..............6 Então dor no pescoço é problema na coluna?.........7 A dor na coluna é um problema grave?..................7 Que doenças da coluna são mais graves?...............8 O que é a hérnia de disco?......................................9 Porque a hérnia causa dor no ciático?.....................10 Hérnia de disco cervical e lombar são a mesma coisa?..................................11 Que exames são necessários para diagnóstico da hérnia de disco?..................................................12 É necessário fazer cirurgia para tratar a hérnia de disco?....................................................13 Com tantas doenças que atacam a coluna como fazer para descobrir qual é o problema?.......14 O travesseiro e o colchão influenciam nos problemas de coluna?.......................................15 As doenças na coluna podem ser tratadas sem remédios?.........................................................16 Toda pessoa que envelhece terá problema na coluna?...............................................................19 Por que tantos trabalhadores se queixam de dores nas costas?................................................21
  • 6. Qual a relação entre o trabalho e o aparecimento das lombalgias?.......................................................21 Os vícios de postura explicam todos os casos de dores nas costas?................................................22 As hérnias de disco causam mais dor nos trabalhadores?.........................................................23 O que se deve fazer para não ter lombalgia ocupacional?...........................................................25 Já tenho lombalgia. O que posso fazer para ficar livre dela?................................................................26 Qual é o melhor tratamento para essas dores nas costas?.....................................................................26 O que se deve esperar do médico em uma consulta por problema na coluna?.........................................27
  • 7. 7 Do que é feita a coluna? A coluna vertebral é formada por ossos cha- mados de vértebras, que estão alinhadas e fun- cionam em conjunto como uma haste firme e flexível, que se movimenta pelos seus encaixes (as articulações) e que é estabilizada por vários ligamentos e músculos ligados a essas vérte- bras. A sua estrutura é bastante complexa para permitir a sustentação e a movimentação do corpo sem comprometer a função de proteção da medula espinhal. Assim é comum nos refe- rirmos à coluna ou a problemas que a acometem pensando nesse conjunto de estruturas além da parte óssea. A coluna divide-se em quatro seg- mentos com 7 vértebras na região cervical, 12 na torácica, 5 na lombar e 5 vértebras que são fundidas formando o osso sacro, que se apóia sobre os dois ossos ilíacos que formam a bacia. Cada vértebra então tem um nome formado pela letra do segmento a que per- tence seguida de um número que indica sua posição de cima para baixo. (Ilustração 1) Ilustração 1: Estrutura óssea da coluna.
  • 8. 8 Onde dói quando há problema na coluna? Existem várias estruturas que podem causar dor (ossos, articulações, ligamentos, músculos, medula espinhal, nervos) (Ilustração 2) e mais de 70 doenças que podem se manifestar com dor na coluna, como infecções, tumores, traumas súbitos ou de repetição, contusões, luxações e fraturas, er- ros posturais e sobrecargas, inflamações no local ou sistêmicas. Parafacilitarodiag- nóstico, costuma-se ca- racterizar o segmento que é afetado. Assim, cervicalgia e lombalgia são dores que envol- vem, respectivamente, a parte de trás do pes- coço e da região lombar e podem irradiar para o membro superior ou para o membro inferior, resultando na cervico- braquialgia ou na lom- bociatalgia. As regiões cervical e lombar são os segmentos mais mó- veis e justamente onde as dores se manifestam com maior frequência, mas também existe a dorsalgia, que é a dor na parte de trás do tórax e a dor na parte mais baixa da coluna, nas nádegas, Ilustração 2: Estruturas ligadas à coluna. Ilustração 3: Região cervical e estruturas do pescoço.
  • 9. 9 que pode decorrer de problema nas articulações sacroilíacas. Veja que as dores que são difusas pelo corpo via de regra não podem ser explicadas apenas por um problema na coluna. Então dor no pescoço é pro- blema na coluna? Os problemas da coluna costumam dar sin- tomas na parte de trás do pescoço, a chamada cervicalgia. Esse termo costuma ser usado para designar a dor que acomete a área acima dos ombros e abaixo da cabeça, embora seja comum que haja irradiação da dor cervical para essas regiões. Pelas informações de história e exame físico, habitualmente é possível descobrir se a dor deve-se a um problema nas estruturas da co- luna ou se há necessidade de investigar outras doenças. A dor na coluna é um problema grave? A gravidade da dor na coluna depende da sua causa. A sua ocorrência é muito frequente; mais de 60% das pessoas sentirão dor na região cervical e mais de 80% sentirão dor na região lombar em algum momento da vida, mas a maior parte é benigna, de resolução em poucos dias, mesmo de forma espontânea (sem tratamento). Grande parte está associada a posturas inadequa- das por tempo prolongado, falta de condiciona- mento físico, problemas psicoafetivos que levam a contraturas musculares dolorosas. No entanto,
  • 10. 10 há casos em que uma doença de maior impacto ou gravidade, de causa específica, está presente e deve ser diagnosticada sem atrasos, possibili- tando tratamento próprio em tempo hábil, com o devido acompanhamento. Alertam para essas possibilidades os achados de febre, dor óssea lo- calizada, perda de peso, deficiência neurológica progressiva ou alterações no controle de urina e fezes, e a presença de certas doenças prévias como tumores e infecções. Que doenças da coluna são mais graves? Doenças inflamatórias da coluna (espondiloar- trites) frequentemente são crônicas ou recidivantes e oferecem maior risco de degeneração óssea, de- formidades progressivas e perda de movimentos, mas há várias opções terapêuticas com boas res- postas, sendo importante a detecção precoce. Doenças infecciosas sistêmicas podem va- riar de uma infecção viral leve como um quadro gripal, ou outras de maior risco como no caso de dengue, mas habitualmente se apresentam com outros sintomas e as maiores preocupações não são relacionadas à região cervical em si. Doenças infeccio- sas localizadas (espon- dilodiscites) também têm várias causas, seja por bactérias como o estafilococo ou mico- bactérias como da tu- berculose, necessitam de diagnóstico sem Ilustração 4: Disco intervertebral.
  • 11. 11 demora e tratamento prolongado para evitar sequelas (alterações ir- reversíveis). Os tumores não são causas comuns de dor na coluna, mas depen- dendo do histórico da pessoa pode ser muito importante investigá- -los. Eles podem de- senvolver-se a partir de estruturas da coluna, de tecidos próximos ou mais frequentemente de metástases (partes de um tumor de outra região) e exigem rápido diagnóstico, aumentando chances de tratamento curativo em alguns casos e redução de danos em outros. Traumas agudos podem gerar herniação de discos, fraturas e luxações de vértebras, cuja maior preocupação deve-se principalmente à pos- sibilidade de compressão de estruturas nervosas. O que é a hérnia de disco? Entre duas vértebras vizinhas na coluna existe uma estrutura chamada disco interverte- bral que funciona como um amortecedor, como forma de diminuir o impacto e a sobrecarga de uma vértebra sobre a outra. Na porção central do disco há um material mole chamado de núcleo pulposo e que é circundado por um tecido mais resistente, que é o anel fibroso. Em algumas situações em que o disco torna-se enfraquecido ou quando ocorre uma sobrecarga IlIlustração 5: Hérnia discal causando compressão de uma raiz nervosa.
  • 12. 12 da coluna (exemplo: carregar peso) há uma rup- tura do anel fibroso e o núcleo pulposo ultrapassa os seus limites, sofrendo uma herniação. Surge aí uma hérnia de disco. Os locais mais frequentes são a região lombar e a cervical, principalmente nas suas partes mais baixas. A hérnia de disco é muito frequente, prin- cipalmente na população adulta e idosa, embora na maior parte das vezes não cause dor ou outra queixa. Isso ocorre porque a maioria das hérnias não causa compressão das raízes nervosas. Por- tanto, a história e o exame físico bem feitos são fundamentais para interpretar eventuais resultados de tomografia e ressonância. Na pesquisa do diag- nóstico, é preciso buscar a relação entre a clínica e o exame de imagem para estabelecer se o acha- do do exame corresponde à queixa do paciente e justifica seu quadro. Não é incomum o indivíduo apresentar uma hérnia no exame de imagem com um quadro de dor que não é causado por ela ou até mesmo sem ter sintomas. Porque a hérnia causa dor no ciático? Amaior parte das hérnias manifesta-se por dor local e sensação de travamento, pois não causam compressão das raízes nervosas. No entanto, o disco herniado e a inflamação que ocorre quando ele é machucado podem comprimir algumas fibras nervosas que saem da medula espinhal, causando dor no território para onde vão essas estruturas.As raízes da região cervical vão para os braços e as da região lombar vão para as pernas. O ciático é o principal nervo do membro inferior que é for-
  • 13. 13 mado por várias raízes nervosas e distribui-se pela parte do lado e da trás da coxa e também perna e pé. Quando al- guma raiz nervosa que forma o nervo ciático fica apertada e infla- mada, a dor decorrente dessa compressão segue o trajeto desse nervo no membro, o que é cha- mado de ciatalgia ou ciática. Hérnia de disco cervical e lombar são a mesma coisa? As hérnias da região cervical e da região lombar têm vários pontos em comum, mas tam- bém têm diferenças com relação a fatores desen- cadeantes e principalmente, manifestações. A hérnia cervical tem maior relação com pos- turas inadequadas da cabeça e dos ombros, com esforços e movimentos impróprios em membros superiores, enquanto a hérnia lombar tem grande relação com os esforços de carregar pesos, na po- sição de inclinação do tronco para a frente, com rotação da coluna e sem o devido suporte. Ambas as situações podem apresentar-se por dor localizada, cervical ou lombar, com sensação de travamento isoladamente, ou com dor irradia- da para o membro (superior ou inferior), devido à compressão de raízes nervosas. Quando a hér- nia comprime a raiz do nervo o quadro é mais característico e mais fácil de diagnosticar, mas Ilustração 6: Raízes nervosas formando o nervo ciático.
  • 14. 14 também há outras do- enças que podem cau- sar dor irradiada para o membro. A maior parte das hérnias lombares ocor- re na região mais in- ferior, entre L4-L5 ou L5-S1, níveis onde não se encontra mais me- dula espinhal dentro do canal vertebral. As hér- nias cervicais predomi- nam entre C5-C6 e C6-C7, onde podem causar compressão da medula espinhal resultando em fraqueza também dos membros inferiores e al- terações para o controle de eliminação da urina e das fezes. Nesta última situação, felizmente menos comum, há necessidade de intervenção cirúrgica precoce. Que exames são necessários para diagnóstico da hérnia de disco? O diagnóstico da dor decorrente das hérnias de disco na maioria das vezes se faz através da história da dor e do exame físico do paciente, não sendo necessário qualquer exame complementar. Esses são necessários quando há dúvida do diag- nóstico, quando não há melhora com o tratamen- to ou em algumas situações que indicam maior gravidade da doença. É comum encontrarmos em exames sofisticados como a tomografia e a ressonância magnética hérnias de disco que não Ilustração 7: Região cervical – ossos e estruturas nervosas.
  • 15. 15 provocam compressão da raiz do nervo e que não justificam a dor do paciente. Desse modo, elas estão apenas no exame e não são a causa da dor naquele paciente. Por esse motivo esses exames podem confundir o diagnóstico correto, quando não são solicitados criteriosamente. É necessário fazer cirurgia para tratar a hérnia de disco? O tratamento na grande maioria das vezes se faz com uso de medicamentos analgésicos, anti- -inflamatórios comuns, relaxantes musculares e corticoides. Em alguns serviços médicos são re- alizadas infiltrações na coluna. Como o processo normalmente se resolve sozinho, um dos grandes objetivos do tratamento é aliviar a dor e as limita- ções. Quando não se obtêm melhora da dor após dois a três meses com uso de medicações adequa- das a cirurgia está indicada. Para aqueles com pro- blemas de amplificações dolorosas e de dores mio- fasciais, que decorrem de contraturas localizadas nos músculos, pode ser importante evitar a cirur- gia, pois ela pode ser um fator agravante de sinto- mas. Algumas situações especiais, dependendo da causa e gravidade do problema, podem necessitar de uma abordagem cirúrgica imediata, o que deve ser avaliado cuidadosamente pelo médico. A súbi- ta compressão da medula espinhal, por exemplo, pode ser indicativa de uma cirurgia de urgência.
  • 16. 16 Com tantas doenças que atacam a coluna como fazer para descobrir qual é o problema? Além das características da pessoa – idade, sexo, hábitos, atividade de trabalho, doenças prévias – procura-se identificar o padrão da dor e a eventual presença de outros sintomas associados. A maior parte das dores é chamada de tipo mecânico-postural, pois se agravam com movimentos, exercícios físicos ou determinadas posições. Existe a dor inflamatória que é pior ao repouso, acorda o indivíduo no meio da noite, e tem algum alívio com os movimentos. Existem também as dores tipo radicular que irradiam por todo um membro (braço ou perna) e tipo visceral que se devem a problemas em órgãos internos e que muitas vezes se manifestam como uma cólica que se irradia para o abdômen. Ou seja, a melhor maneira de descobrir a causa é através de uma consulta médica atenta que se inicia por ouvir o paciente, levantando suas informações, e se continua por um bom exame físico que em grande parte orientará o diagnóstico e determinará se existe necessidade de pedir exames complementares para confirmar a doença ou descartar a suspeita, para determinar a gravidade ou detectar problemas e enfermidades concomitantes.
  • 17. 17 O travesseiro e o colchão influenciam nos problemas de coluna? A maneira como o indivíduo dorme pode ser importante no desencadeamento ou agravamen- to de dores na coluna, pois em média o sono ocu- pa um terço de toda a vida. Devemos saber que a coluna vertebral vista de frente ou de trás é reta ou pode mostrar suaves curvaturas, mas vista de lado exibe curvaturas normais mais acentuadas que se desenvolvem ao longo da vida. Quando se está dentro do útero a coluna fica toda curvada para frente, como a letra C, mas logo na infância, dois segmentos ganham uma curvatura com con- cavidade para trás – a lordose. A região cervical quando se adquire a sustentação da cabeça e a região lombar ao se conseguir a postura em pé. Assim, o travesseiro deve acomodar a lordo- se cervical quando a pessoa se deita de costas, mas deve manter o alinhamento quando a pessoa se deita de lado. Em decúbito lateral (deitada de lado), a pessoa ainda pode colocar outro traves- seiro entre as pernas para que a coluna não fi- que rodada com o peso da perna de cima. Não se recomenda dormir na posição de barriga para baixo. O colchão também deve acomodar as cur- vaturas da coluna ou as saliências do corpo, de modo que não esforce a coluna em curvaturas excessivas ou desvios do seu alinhamento, nem determine pressão demais em algumas áreas. Para os colchões de espuma há tabelas de den- sidade em função de peso e altura que auxiliam muito; para os colchões de mola as especifica- ções não são tão claras e o ideal é que se possa
  • 18. 18 experimentá-lo. O conforto logicamente deve ser buscado, mas mantendo-se a percepção de firmeza, pois os colchões que se sentem muito macios no momento da compra comumente não oferecem o apoio adequado, o que aliás é a prin- cipal causa de troca do produto. As doenças na coluna podem ser tratadas sem remédios? Isso depende diretamente do tipo de proble- ma. Conforme a causa, os remédios podem ser fundamentais para tratar a doença subjacente ou podem colaborar muito para o alívio da dor. Em alguns casos em que não há uma doença espe- cífica causando a dor, é possível que o paciente use o medicamento conforme sua necessidade ou intensidade de dor. Nessas situações proteger a coluna de posturas e movimentos inadequados é um recurso de tratamento muito importante que diminui tempo e intensidade de sintomas, além de prevenir novos episódios. Muitos outros recursos não-farmacológicos têm sido disponibilizados – como dispositivos para dar suporte para coluna ou restringir temporariamente seus movimentos, vá- rias técnicas de exercícios, aparelhos que utilizam meios físicos (calor, correntes elétricas), tração, Ilustração 8: Pessoa deitada mostrando as curvaturas da região cervical e da lombar (lordoses) que devem ser apoiadas pelo colchão e pelo travesseiro.
  • 19. 19 massagem, manipula- ção vertebral – embora nem todos tenham sido devidamente estudados para se saber quanto funcionam e serem in- dicados com segurança. O repouso pode aliviar sintomas, mas deve ser de curto pra- zo, pois quando se prolonga predispõe a fraqueza (atrofia) da musculatura ao redor da coluna o que favo- rece o surgimento de novas lesões e dores. Os colares cervicais e coletes são chamados de órteses, que são dis- positivos habitualmente indicados para alívio da dor por restrição da am- plitude de movimentos, portanto não devem ser utilizados sem critérios, pois podem facilitar o enfraquecimento dos músculos estabilizadores da coluna e agravar o problema. Nos casos de fratura podem ser prescritos por maior tempo para auxi- liar a consolidação do osso vertebral. Massagem pode oferecer alívio da dor, mas o resultado varia consideravelmente de paciente para paciente e depende da técnica e do terapeuta. Cuidado especial deve-se ter com relação à ma- nipulação vertebral; ela pode funcionar bem em curto prazo, mas requer identificação do diagnós- Ilustração 9: Colete para a região cervical.bivalvado - exemplo de órtese para a região toracolombar. Ilustração 10: Colar de espuma - exemplo de órtese para a região cervical.
  • 20. 20 tico, exclusão de contraindicações e consideração dos riscos, além de ser realizada por profissional com devida formação, o que é bastante variável em nosso meio. É um mito dizer que “a coluna precisa ser colocada no lugar”; o procedimento de “estalar a coluna” em contexto errado, especial- mente por indivíduo sem capacitação pode resul- tar em fraturas ou acidentes vasculares graves. Meios físicos como ultrassom, estímulo elé- trico, aparelhos que aquecem a região, embora sejam frequentemente utilizados, não têm suporte em estudos científicos, podem consumir tempo, dinheiro e desviar o paciente do tratamento mais efetivo. A tração tem sido apreciada por muitos profissionais, mas também não tem comprovação científica de que funcione. Como a maior parte dos que sofrem de cervi- calgia e lombalgia apresenta causa inespecífica, as orientações de proteção articular (ajuste de posturas e movimentos), adaptações, exercício físico localizado para ganho de amplitude de mo- vimentos e fortalecimento muscular costumam ser os recursos mais importantes do tratamento. Inclusive a prática de exercícios aeróbios, como a caminhada, deve oferecer bons resultados na redução das dores. Na fase aguda de uma hér- nia discal, por exemplo, evitam-se exercícios de modo geral, mantendo-se o ritmo de vida dentro dos limites toleráveis, mas após o alívio desta fase a prática regular e contínua de exercícios evita repetição das crises e novos problemas. Com relação ao trabalho, é recomendável para aqueles que permanecem tempo prolongado em uma mesma posição a realização de pausas em que o indivíduo pode fazer movimentos de alon- gamento e relaxamento. Ajustes do espaço, equi-
  • 21. 21 pamento, mobiliário e posicão do trabalhador são importantes para garantir boa ergonomia (trabalho com bom de- sempenho e em condi- ções saudáveis). Com essa aborda- gem, pode-se evitar a cronificação da dor, a progressão de lesões e a incapacidade. Toda pessoa que envelhece terá problema na coluna? O envelhecimento implica alterações em várias estruturas do corpo, incluindo a coluna vertebral. Potencialmente todo indivíduo deverá apresentar osteoartrite (artrose) na coluna, vista por algum exame de imagem, quando se torna mais velho, emboranem sempre isso cause sin- tomas. Os discos intervertebrais vão perdendo suas propriedades viscoelásticas que permitem absorver as cargas e os impactos, as vértebras fi- cam sujeitas a maior pressão e “enrijecem” suas bordas, desenvolvendo espículas de osso conhe- cidas como “bicos de papagaio” que, dependen- do da localização, podem gerar compressões. O processo degenerativo também acomete as juntas posteriores da coluna (articulações fa- cetárias) e são muito comuns em pessoas acima de 60 anos, podendo levar à estenose do canal vertebral. Esse estreitamento de locais onde passam a medula espinhal e suas raízes pode Ilustração 11: Exercício simples de alongamento da musculatura cervicobraquial.
  • 22. 22 causar dor que comu- mente vai aumentando à medida que o sujeito anda, tende a restrin- gir movimentos e pode levar até a alterações do controle de urina e fezes. A osteoporose também tem risco au- mentado com o passar dos anos e acaba por levar a fraturas ver- tebrais que causam achatamento da colu- na e seu encurvamen- to para a frente. Essas fraturas que achatam a vértebra podem cau- sar bastante dor, mas cerca de metade delas não causa sintomas. Como a expectati- va de vida das pessoas tem aumentado, natu- ralmente se tem visto mais casos de dores e deformidades, mas é bom lembrar que mui- tos idosos terão alte- ração em exames sem jamais se queixarem de problemas nas costas. 12. Ilustração: Processo degenerativo (artrose) em região lombar com osteófitos (bicos de papagaio). 13. Ilustração: Esqueleto com curvamento do tronco para frente devido a osteoporose com fraturas na coluna.
  • 23. 23 Por que tantos trabalhadores se queixam de dores nas costas? As dores nas costas estão entre os principais motivos de consultas ao médico e também entre as principais causas de afastamento do trabalho. Embora possam estar relacionadas a diversas enfermidades as dores lombares surgem, prin- cipalmente, em indivíduos sem qualquer outra doença e, muitas vezes, são associadas ao estilo de vida de cada um, incluindo as atividades no trabalho. Quando estão associadas às atividades profissionais e pode-se estabelecer uma relação de causa e efeito entre o trabalho e a dor são cha- madas de lombalgias ocupacionais. Qual a relação entre o tra- balho e o aparecimento das lombalgias? A atividade profissional pode, muitas vezes, exigir longas horas seguidas em uma mesma po- sição, quase sempre inadequada para a saúde da coluna. Essas posições podem levar à sobrecarga dos discos intervertebrais (discos da coluna) e de outras articulações da coluna, causando ou ace- lerando seu desgaste (conhecido como artrose da coluna ou espondiloartrose). Tal sobrecarga pode ser tolerada por longos anos, pela ação de meca- nismos de adaptação da coluna e da musculatura que a envolve, mas chega o momento em que es- ses mecanismos cedem e as dores nas costas sur- gem. Vícios de postura e posturas mantidas por
  • 24. 24 longo tempo são muito comuns em profissões que exigem a posição sentada (secretárias, digitadores, programa- dores, professores, etc.) ou até mesmo de pé (montadores, catadores, pintores, etc). Os vícios de postura explicam todos os casos de dores nas costas? A posição em que as atividades são realizadas é de grande importância para poupar a coluna de esforços excessivos. Algumas atividades ocorrem em posicionamentos difíceis ou por tempo muito prolongado; muitas vezes a carga deve ser apa- nhada no chão e o trabalhador tem que se rodar para colocá-la em outro local, porém não recebe qualquer orientação ergonômica, nem dispõe de intervalos de descanso. É comum vermos essas pessoas trabalhando com os joelhos esticados, fazendo todo o movimento à custa da região lom- bar que sofre com esse esforço. Movimentos mal orientados infelizmente são comuns, assim como as subsequentes dores lombares que podem ser resultado de estiramento dos músculos ou de sua contratura que ocorre como um mecanismo de 14. Ilustração: Carga sobre a coluna resultando em aumento da pressão no disco intervertebral.
  • 25. 25 defesa contra o mau uso dessa região. Há profissões que exigem o levantamento de objetos muito pesa- dos ou a sua sustenta- ção, o que pode ser um grande desafio. Em cer- tas situações há neces- sidade de equipamentos de auxílio e proteção ou de fortalecimento da musculatura daquele in- divíduo para que se tor- ne preparado para aque- la tarefa. Mas nem tudo é vício de postura; além disso as condições prévias de saúde física e mental do tra- balhador e seu estado emocional fazem muita di- ferença, talvez especialmente sua relação de satis- fação com as tarefas que exerce e com o ambiente de trabalho, o que muitas vezes não é considerado. As hérnias de disco causam mais dor nos trabalhadores? As hérnias discais são hiperestimadas como causa de dor nas costas, mas merecem maior destaque no caso das lombalgias ocupacionais. Os trabalhos braçais frequentemente implicam maior estresse sobre a coluna, não apenas so- bre músculos e ligamentos, como também sobre os discos intervertebrais que ficam sujeitos a variações de pressão que são importantes para o surgimento das hérnias. 15. Ilustração: Maneira incorreta de apanhar um objeto do chão - com os joelhos esticados o esforço recai sobre a coluna.
  • 26. 26 Logicamente, busca- -se evitar fatores desen- cadeantes do problema, mas não se deve perder a noção sobre a importân- cia do trabalho na vida das pessoas, como fonte de satisfação, de reali- zação pessoal, de recur- sos financeiros, como contribuinte de autoes- tima, como aspecto so- cial, que são elementos determinantes da saúde como um todo. Além dos aspectos pessoais o atendimento do indi- víduo deve abranger as questões específicas do seu trabalho, o que pode exigir o envolvimento de profissional especializado para examinar as tarefas e o próprio ambiente de trabalho. O reco- nhecimento do sofrimento e das limitações do tra- balhador é muito importante, mas sempre visando sua funcionalidade, sua reabilitação e reinserção laboral. As questões litigiosas podem ser impor- tantes em determinados casos, mas deve-se evitar que assumam importância maior que o próprio bem-estar e a saúde da pessoa. 16. Ilustração: Maneira correta de apanhar um objeto do chão - os joelhos são dobrados para se reduzir o esforço e a pressão sobre a coluna.
  • 27. 27 O que se deve fazer para não ter lombalgia ocupacional? Prevenção é a melhor estratégia quando o as- sunto é lombalgia, particularmente as que se as- sociam ao trabalho (tipo ocupacional). A adesão às práticas da boa ergonomia no trabalho é fun- damental para evitar o aparecimento ou a croni- ficação da lombalgia ocupacionais, mas vale a pena ressaltar que problemas próprios do indiví- duo, como obesidade, sedentarismo, fatores psi- coafetivos têm grande interferência e devem ser combatidos com a adoção de hábitos saudáveis dentro e fora do trabalho. Cada profissional deve desempenhar ativida- des ajustadas para seu biotipo. É comum vermos indivíduos dos mais variados pesos e estaturas realizando a mesma tarefa, com a mesma carga e pelo mesmo tempo. O uso de equipamentos adequados, períodos de repouso intercalados com os de atividade, e mudança de funções durante o turno também contribuem para que se evitem as posturas mantidas e as sobrecargas. Atividades educativas e recreacionais no ambiente de traba- lho têm efeito em reduzir o estresse físico e emo- cional, em promover estilo de vida mais saudável, além de aumentar a satisfação dos trabalhadores.
  • 28. 28 Já tenho lombalgia. O que posso fazer para ficar livre dela? Se as dores lombares já apareceram, pode ser o momento de procurar o reumatologista ou outro médico habilitado. Após avaliação médi- ca, pode ser muito importante o acionamento de uma equipe multidisciplinar com fisioterapeuta, terapeuta ocupacional, educador físico. Limitar- -se a procurar auxílio no pronto-socorro nos perí- odos de dor, ficar afastado do trabalho por alguns dias e retornar ao mesmo modelo de mau uso da região lombar só agrava o problema e reduz a chance de resolvê-lo. Nós, reumatologistas, não temos dúvida sobre o fato de que as medicações nas lombalgias de modo geral são a parte menos importante do tratamento. Prevenção, orientação e exercícios físicos regulares (alongamentos, fortalecimento, condicionamento aeróbio, exer- cícios orientados por terapeuta) são as estraté- gias mais importantes em longo prazo. Qual é o melhor tratamento para essas dores nas costas? Uma parte importante do tratamento é a orientação do paciente em relação às atividades cotidianas, explicando-lhe noções de postura e er- gonomia e solicitando que evite carregar peso. O emagrecimento auxilia a diminuir a carga sobre a região lombar. Durante a fase aguda, na presença de dor intensa, o repouso pode ser indicado, mas não é obrigatório e nem interfere sobre o resultado final.
  • 29. 29 Anti-inflamatórios comuns, miorrelaxantes, manutenção da atividade física e reabilitação têm efeitos comprovados na fase aguda. Medicamen- tosanalgésicoseanti-inflamatóriosnão-hormonais são as drogas de escolha para iniciar o tratamento, sempre observando os possíveis efeitos adver- sos, levando em consideração que esses pacien- tes são em grande parte idosos, mais suscetíveis a complicações gastrintestinais e renais. O uso de corticosteroide tem evidência limitada nesta fase. Os analgésicos narcóticos podem ser uti- lizados em pacientes com dor intensa, sendo necessário cuidado com dependência, constipação intestinal e retenção urinária. Para dores crônicas muitas vezes se associa antidepressivos, mesmo sem haver a depressão propriamente dita, mas para buscar o efeito analgésico. Quanto ao uso de injeções em pontos-gatilho, injeções facetárias e técnicas de manipulação não há comprovação muito evidente de melhora. O que se deve esperar do médico em uma consulta por problema na coluna? No primeiro momento é necessário que o médico levante a história do paciente caracteri- zando-se a dor (duração, local, irradiação, tipo, intensidade, desencadeantes) e a ocorrência de sintomas sistêmicos (febre, perda de peso, aco- metimento de outros órgãos e sistemas) para, a seguir, proceder ao exame físico, incluindo ob- servação da postura e dos movimentos do pa- ciente, palpação e realização de manobras que
  • 30. 30 permitem, em conjunto, elaborar as possibili- dades de diagnóstico. Só depois disso o médico tem condições de determinar a necessidade de maior investigação com exames subsidiários de sangue ou de imagem. Em alguns casos o diagnóstico será possível nesse instante, bem como a orientação do trata- mento; em outras situações pode ser feito um tra- tamento sintomático enquanto se aguarda o escla- recimento da doença causadora ou de condições associadas que interferem no caso e na sua reso- lução. Portanto, o desejo frequente de solicitar exames, comumente uma imagem de radiografia ou algo mais sofisticado como ressonância mag- nética, não deve ser mais importante que a busca pelo bom atendimento médico, que junta os da- dos contados pelo indivíduo, familiar ou acompa- nhante com o exame físico abrangente de quem realmente vê e coloca a mão no paciente. Muitas vezes a causa da cervicalgia ou da lombalgia, por exemplo, pode ser relevada por sintomas ou alterações de exame físico em lo- cais distantes. Essa avaliação bem feita também permite detectar situações mais urgentes e a ne- cessidade de solicitar exames precocemente. Traumas agudos frequentemente exigem inves- tigação com exames de imagem, assim como a suspeita de inflamação ou tumor na coluna. Exames de sangue podem ajudar na investiga- ção de algumas causas de dor, na determinação da gravidade da doença, no planejamento do uso de medicações e no seguimento do pacien- te, avaliando atividade da doença e segurança do tratamento.
  • 31.
  • 32. 32 Sociedade Brasileira de Reumatologia www. reumatologia.org.br Av. Brigadeiro Luis Antonio, 2.466 gr. 93-94 CEP 01402-000 – São Paulo – SP Fone/fax: 55 11 3289 7165 www.letracapital.com.br