“COMIGO NÃO, VIOLÃO!”:MUSICOTERAPIA COM MULHERES EM SITUAÇÃO DE             VIOLÊNCIA DOMÉSTICA                           ...
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3AbstractObjective - This research aims at investigating the applicability of music therapy inthe treatment of emotional d...
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17      Essa evolução foi percebida musicalmente através do canto, por exemplo.Nas primeiras sessões, as participantes apr...
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193 COHRE - Centre On Housing Rights and Evictions. Disponível em:http://www.cohre.org/view_page.php?page_id=435#i1311    ...
2012 RUUD, Even. Caminhos da Musicoterapia. Tradução: Vera Wrobel. – SãoPaulo: Summus, 1990.13 BENENZON, Rolando O. La Nue...
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24      2)     Você acha que a Musicoterapia auxiliou para amenizar os sintomasem relação à situação vivida?              ...
25           ANEXO III – RESPOSTAS QUESTIONÁRIO I                       Azaléia   Girassol   Lótus       Margarida   Orquí...
26     ANEXO IV – FREQUÊNCIA         Azaléia   Girassol   Lótus       Margarida Orquídea Suspiro11/03          X         X...
27ANEXO V
28ANEXO VI – RESPOSTAS QUESTIONÁRIO IISentimentos          Girassol   Margarida   Orquídea   SuspiroAnsiedade             ...
29     ANEXO VII – SINTOMAS EMOCIONAISObjetivos   Sentimentos        Questionário I   Questionário IIa)          Depressão...
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"Comigo não, violão!": Musicoterapia com Mulheres em Situação de Violência Doméstica

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"Comigo não, violão!": Musicoterapia com Mulheres em Situação de Violência Doméstica

  1. 1. “COMIGO NÃO, VIOLÃO!”:MUSICOTERAPIA COM MULHERES EM SITUAÇÃO DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA Daniéli Busanello Krob Bacharelanda em Musicoterapia – Faculdades EST Laura Franch Schmidt da Silva Orientadora – Coordenadora do Bacharelado de Musicoterapia Instituto Superior de Música de São Leopoldo – ISM, Faculdades EST Trabalho de Conclusão de Curso Telefone (51) 9162-6321 danielibusanello@gmail.com Musicoterapia e Violência doméstica 47

  2. 2. 2ResumoObjetivos - Esta pesquisa tem como objetivo geral investigar a aplicabilidade damusicoterapia no tratamento dos danos emocionais decorrentes da violênciadoméstica e na reabilitação emocional dessas mulheres, proporcionando assimuma melhora na condição e na qualidade de suas vidas. Estes danos emocionaissão aqui especificados como depressão, estados de ansiedade, estresse, baixaautoestima, isolamento e má qualidade de vida.Método - A pesquisa é de ordem qualitativa, atendendo as normasregulamentares de pesquisas envolvendo seres humanos, Resolução 196/96 doConselho Nacional da Saúde. Teve início em 11 de março de 2010, contando com16 encontros, até o dia 1º de julho de 2010. Participaram das sessões demusicoterapia 6 mulheres em situação de violência doméstica, consideradascapazes, com idades entre 25 e 53 anos. A configuração dos atendimentos foi desessões grupais de musicoterapia, com a periodicidade semanal e a duração de45 minutos. Como instrumentos de avaliação foram usadas as análises dagravação de áudio semanais das sessões de musicoterapia e 2 questionários.Resultados - Os seis objetivos específicos desta pesquisa obtiveram resultadospositivos. Os sintomas de depressão, de estados de ansiedade, de estresse e debaixa autoestima sofreram uma queda significativa. Além dos instrumentos deavaliação que apontam este progresso, podemos percebê-lo também nocomportamento das participantes.Conclusão - De acordo com os resultados obtidos nesta pesquisa, constatamosque a musicoterapia pode ser um método seguro, aceitável e eficaz para tratar osdanos emocionais que mulheres em situação de violência doméstica apresentam.Palavras-chave: Musicoterapia, mulheres, violência doméstica.
  3. 3. 3AbstractObjective - This research aims at investigating the applicability of music therapy inthe treatment of emotional damage resulting from domestic violence andemotional rehabilitation of these women, thereby providing an improvement in thecondition and quality of their lives. These emotional damages are specified hereas depression, anxiety states, stress, low self-esteem, isolation and poor quality oflife.Method - The research is of qualitative nature, given the regulations on researchinvolving humans, Resolution 196/96 of the National Health began in March 11,2010, with 16 meetings, until the 1st of July 2010. Participating in the musictherapy sessions six women in situations of domestic violence, consideredcapable, aged between 25 and 53 years. The configuration of the attendance wasof music therapy group sessions, with weekly and 45 minutes. Evaluation toolswere used the analysis of the audio recording of the weekly music therapysessions and two questionnaires.Results - The six specific objectives of this study showed positive results.Symptoms of depression, anxiety states, stress and low self-esteem suffered asignificant drop. In addition to the assessment tools that link this progress, we cansee it also in the behavior of participants.Conclusion: According to our results, we found that music therapy can be a safe,acceptable and effective for treating the emotional damage that women insituations of domestic violence present.Keywords: Music therapy, women, domestic violence.
  4. 4. 41 Introdução Ao longo de nossa história, desde a época da colonização do Brasil, vemoso sistema patriarcal(1)1 claramente retratado em muitas das canções brasileiras,onde à mulher cabe um lugar de inferioridade, vulgaridade, fragilidade edesrespeito. Esta pesquisa tem como finalidade investigar se a musicoterapia pode serefetivamente eficaz no tratamento dos danos emocionais decorrentes da violênciadoméstica(2)2 e na reabilitação emocional dessas mulheres, proporcionando assimuma melhora na condição e na qualidade de suas vidas. A motivação para arealização desta pesquisa deve-se ao fato de que não foi encontrado, até suaconclusão, nenhum achado na literatura brasileira sobre a aplicação damusicoterapia com mulheres em situação de violência doméstica. Outro fatomotivador é o índice estatístico. A Organização Não-Governamental Centro peloDireito à Moradia contra Despejos (COHRE)(3), divulgou no dia 16 de julho de2010 o estudo intitulado “Um Lugar no Mundo”, que revela os seguintes dados:segundo o COHRE, no Brasil, a cada quinze segundos uma mulher é agredida.Este estudo revela ainda que, em todo o país, uma em cada quatro mulheres jásofreu ou sofre algum tipo de violência doméstica.























































1
 Opatriarcalismo é o poder do masculino. Configura-se como uma organização social na qual asmulheres estão subordinadas aos homens e os homens jovens estão subordinados aos homensmais velhos.
2
 Conforme o Art. 5º da Lei 11.340/2006 (Lei Maria da Penha) configura-se como violênciadoméstica contra a mulher “qualquer ação ou omissão baseada no gênero que lhe cause morte,lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico e dano moral ou patrimonial”.

  5. 5. 5 De acordo com o artigo 29 da Lei 11.340/2006(2) as mulheres em situaçãode violência doméstica poderão contar com uma equipe de atendimentomultidisciplinar, integrada por profissionais das áreas psicossocial, jurídica e dasaúde. Com esta pesquisa, poderemos constatar se atendimentosmusicoterápicos podem integrar e contribuir com esta equipe de atendimentomultidisciplinar, reabilitando emocionalmente através da música mulheres que seencontram feridas e vulneráveis.2 A Pesquisa2.1 Objetivos Esta pesquisa tem como objetivo geral investigar a aplicabilidade damusicoterapia no tratamento dos danos emocionais decorrentes da violênciadoméstica e na reabilitação emocional dessas mulheres, proporcionando assimuma melhora na condição e na qualidade de suas vidas. Estes danos emocionais são aqui especificados como depressão, estadosde ansiedade, estresse, baixa autoestima, isolamento e má qualidade de vida.Sendo assim, temos os seguintes objetivos específicos: a) Investigar se técnicas musicoterapêuticas podem ser aplicadas paraminimizar ou curar a depressão de mulheres em situação de violência doméstica; b) Inventariar quais os recursos musicais com objetivos e técnicasterapêuticas podem ser aplicados para amenizar estados de ansiedade emmulheres em situação de violência doméstica;
  6. 6. 6 c) Averiguar se atendimentos musicoterápicos podem ser aplicados paradiminuir o estresse de mulheres em situação de violência doméstica; d) Investigar se técnicas musicoterapêuticas podem ser aplicadas paraelevar a autoestima da população alvo desta pesquisa; e) Investigar se recursos musicais com objetivos e técnicas terapêuticaspodem ser aplicados para que mulheres em situação de violência domésticasintam-se pertencentes à sua sociedade, voltando a participar de atividadescoletivas; f) Investigar em que medida a musicoterapia pode ser aplicada paramelhorar a qualidade de vida de mulheres em situação de violência doméstica.2.2 População Para a realização desta pesquisa foram pré-selecionadas pela equipe doCentro Jacobina de Atendimento e Apoio à Mulher(4)3 dezesseis mulheres,maiores de dezoito anos, consideradas capazes e em situação de violênciadoméstica. Destas dezesseis mulheres, foram entrevistadas oito. Para asparticipantes que faltaram no horário agendado para entrevista, foram remarcadosaté três vezes novos dias e horários. Mesmo assim, algumas mulheres nãocompareceram. Das oito mulheres entrevistadas, participaram das sessões demusicoterapia seis, com idades entre vinte e cinco e cinqüenta e três anos. Antes























































3
Criadono dia 19 de outubro de 2006, atende mulheres vítimas de agressão e é o instrumento domunicípio de São Leopoldo/RS para combater a violência fazendo o acompanhamento dasagredidas e encaminhando para profissionais da psicologia e assistência social.
  7. 7. 7do primeiro atendimento, as participantes assinaram o termo de consentimentolivre e esclarecido, o qual informa das condições de participação na pesquisa. Com o intuito de preservar a identidade das participantes, seus nomesserão aqui substituídos por flores – “Azaléia”, “Girassol”, “Lótus”, “Margarida”,“Orquídea” e “Suspiro”. As participantes “Azaléia” e “Lótus” não compareceram mais às sessões apartir do terceiro encontro (25 de março de 2010), segundo elas, por motivo detrabalho.2.3 Método Primeiramente, no semestre II de 2009, foi encaminhado o projeto deacordo com a resolução 196/96, referente à pesquisa com seres humanos, para oComitê de Ética em Pesquisa (CEP) da Faculdades EST. Devidamente autorizadapelo CEP, a pesquisa teve início em 11 de março de 2010 e seu término deu-seno dia 1º de julho de 2010. Os dezesseis atendimentos realizados, tiveram como configuraçãosessões grupais de musicoterapia, com a periodicidade semanal e a duração de45 minutos. A pesquisadora, como musicoterapeuta, contou com o auxílio de umaestagiária como co-terapeuta4. Como instrumentos de avaliação foram usadas as análises da gravação deáudio semanais das sessões de musicoterapia e dois questionários (anexo I e II).O primeiro questionário foi entregue às participantes antes do primeiro























































4
Josiani Irigoyen Camejo.

  8. 8. 8atendimento (11 de março de 2010), e o segundo, entregue às participantes apósa última sessão de musicoterapia (1º de julho de 2010). Na sessão de número 7, foi apresentado ao grupo um recorte de cartolinabranca, sobre o qual elas expressaram seus desejos e queixas através depinturas individuais e coletivas, motivadas pela técnica de audição(5) de umacanção5 de seu repertório trabalhada anteriormente com a técnica de re-criação(5). Na sessão de número 11, devido a identificação do grupo estar vinculadacom a prática de artesanato em patchwork, foi oferecida uma atividade na qual asparticipantes deveriam escrever expressões sobre pedaços de pano, revelandocomo estavam se sentindo enquanto ouviam determinadas canções de seurepertório6. Para encerrar esta atividade, na sessão de número 15, através daaudição das mesmas canções, as pacientes foram convocadas a costurar estesrecortes de pano, re-significando assim, escolhas e sentimentos.3 Contextualização: Música e violência contra a mulher A música revela formas de comportamentos humanos. Através de cadacanção podemos visualizar cenários, contextos histórico-sociais e a forma do serhumano se relacionar intra e interpessoalmente. Através dos versos e prosas























































5 “Aquarela” – Toquinho / Vinicius de Moraes / G.Morra / M. Fabrizio.6 “A banda” (Chico Buarque); “Agora eu já sei” (Ivete Sangalo / Gigi); “Borboletas” (VictorChaves); “Canção das crianças” (Renê Bittencourt / Francisco Alves); “Carinhoso” (Pixinguinha/ João de Barro); “Debaixo dos caracóis dos seus cabelos” (Roberto Carlos); “Maria dePenha” (Paulinho Resende / Evandro Lima); “Me adora” (Pitty / Derrick Green / Andreas Kisser);“My immortal” (Ben Moody / Amy Lee); “O que é, o que é?” (Gonzaguinha); “Pássaro de fogo”(Paula Fernandes); “Podia ser” (Deia, Millah, Nath, Beta e Loma); “Telefone mudo” (Franco /Peão Carreiro); “Vida boa” (Victor Chaves); “Você” (Tim Maia).
  9. 9. 9encontrados no repertório das canções populares brasileiras identificamos amulher retratada de muitas formas. Ressalta-se aqui o grande número de canções que banalizam e fazem daviolência contra a mulher uma forma aceitável de agir, construindo assim, umaimagem estereotipada do feminino. Denunciam um cenário de desvalorização,preconceito e violência de gênero(6)7. Na década de 1940, a dupla decompositores Ataulfo Alves e Mário Lago, através da canção “Ai que saudadesda Amélia”, descreve uma parceira ideal, sem vontade própria, sem voz e vez,submissa às necessidades do universo masculino. Em contraponto, há a mulherque não agrada ao homem, pois tem vontades e as manifesta, exigindo umaatenção diferenciada: “Eu nunca vi fazer tanta exigência / Nem fazer o que você me faz / Você não sabe o que é consciência / Nem vê que eu sou um pobre rapaz / Você só pensa em luxo e riqueza / Tudo que você vê você quer / Ai meu (7) Deus que saudades da Amélia / Aquilo sim é que era mulher” A partir desta canção, muitas mulheres passaram a se identificar e seremidentificadas por “Amélias”. Cria-se um padrão feminino que representa alguémque abre mão de seus desejos, disposta a subjugar-se em prol da felicidade ebem-estar de seu companheiro. Muitas gerações cresceram ouvindo, cantando ereproduzindo no cotidiano esta canção. Passados 70 anos, ainda encontramos noséculo XXI muitas “Amélias” felizes e infelizes. Com o fim da censura impressa pela Ditadura Militar, com as mudanças decomportamentos, e a inserção da mulher no mercado de trabalho, encontramos























































7
Padrão específico de violência que visa a preservação social de gênero, fundada na hierarquia edesigualdade de lugares sociais sexuados que subalternizam o gênero feminino.

  10. 10. 10uma diversidade de estereótipos femininos cantados em versos e prosas pormulheres e homens. Se, de um lado, espera-se que novas formas de tratamentopara com a mulher fossem apresentadas nas canções, ainda encontra-se aviolência e o preconceito de gênero. Ao invés de ser respeitada, depois de muitoser descrita como submissa, encontramos, além da submissão, a vulgaridade e abanalização da violência, como na canção “Tapinha no bumbum” (2006), dabanda norte rio-grandense Saia Rodada: “Olha que ela é safada mas gosta de apanhar / E diz que é gostoso na hora de amar / Apanha pra dormir, apanha pra acordar / Apanha todo (8) dia, toda hora sem parar / Eu tenho que bater pra ela não brigar” Uma variedade de canções surge como espaços musicais para quehomens e mulheres anunciem a sua forma peculiar de pensar sobre ocomportamento feminino e de se relacionar com as mulheres. Cria-se umaimagem da mulher como se esta fosse incapaz, desprovida de inteligência,vulnerável e frágil. Cantando, transmite-se e sublinha-se a ideia de que ela “pede”e “gosta” de ser subjugada. Além de vítima, a mulher passa a ser “culpada” porsuas escolhas. O homem apenas atende seus desejos, dando-lhe o que esta“pediu” e “mereceu”, como na canção “Morocha” (1984), do compositor Telmo deLima Freitas: “Não te boleia, que o cabresto é forte / O palanque é grosso, senta e te arrepende / Sou carinhoso, mas incompreendido / Isso é para o teu bem, (9) vê se tu me entende” A sociedade brasileira, em sua maioria, ao cantar acolhe esse tipo decomportamento expresso nas nossas canções. Mais do que anunciar desafetosentre casais, amores impossíveis, traições e promiscuidades, o mercado da
  11. 11. 11música popular contribui para a disseminação da violência doméstica contra amulher ao proporcionar ao público acesso a tais canções. O repertório musicalinfantil, até então composto de canções folclóricas e pedagógicas, incorporoutextos erotizados que passaram a ser cantados e coreografados por crianças atéem escolas. Cf. “Na boquinha da garrafa” (Cia do Pagode/1995): “Vai ralando na boquinha da garrafa / É na boca da garrafa / Vai descendo na boquinha da garrafa / É na boca da garrafa / Desce mais, (10) desce mais um pouquinho / Desce mais, desce devagarzinho...” Sem critérios, da criança ao(a) idoso(a), todas as gerações cantamcanções com este cunho. A melodia e o ritmo podem mascarar a mensagem dotexto de tal forma que as pessoas não percebam e muito menos questionem oque realmente estão cantando. Se cantam, incorporam ideias e as aceitam. Seaceitam, permitem que elas se estabeleçam. Padrões de comportamentos estereotipados configuram-se em patologias.Assim como a música pode ser uma forma de construção dessescomportamentos, também pode ser um recurso estético para aumentar tratar ereabilitar os diversos danos emocionais decorrentes da violência doméstica a quemuitas mulheres foram submetidas. A música possibilita elevar a autoestima,posto que experiências positivas estimulam a aprendizagem, a tomada deiniciativa, desenvolve a versatilidade entre outras habilidades.(11)

4 Resultados No questionário 1 foram apontados dois sentimentos em comum entre asseis participantes: “ansiedade” e “tristeza”. “Baixa autoestima” e “insegurança”
  12. 12. 12foram assinaladas por cinco participantes; “medo” e “tensão” por quatro; trêsparticipantes marcaram “culpa”, “depressão” e “vergonha”; duas marcaram“pânico” e “raiva” e apenas uma participante assinalou “outros”, ao qual descreveucomo “timidez”. Vide anexo III. Na questão dissertativa relacionada a sentimentos, além de reforçarem asquestões assinaladas, apareceram respostas como a de “Orquídea”: “ – Estouaprendendo dia a dia, a cada situação uma nova experiência para sersuperada”(sic). Suas respostas também revelaram a importância do que asociedade pensa a respeito. “Suspiro” respondeu: “ – Agora me sinto bem poisestou conseguindo meus objetivos e ser alguém na vida e estou conseguindomostrar a sociedade que mudei”(sic). Nas questões relacionadas aos tipos de auxílios, as seis participantesforam unânimes em responder que receberam auxílio da instituição queprocuraram, no caso, o Centro Jacobina de Atendimento e Apoio à Mulher. Entreos tipos de auxílios recebidos citaram assistente social, psicólogo eencaminhamento para psiquiatra. A análise dos resultados após a sessão de número 3 (25 de março de2010) baseia-se nas respostas das quatro participantes que permaneceram até ofinal da pesquisa. Algumas participantes demonstraram ter dificuldades em manter afreqüência, conforme mostra o anexo IV. O choro esteve presente em todas assessões, evocado pela escuta ou execução de alguma canção oferecida pelasmusicoterapeutas, ou de escolha das próprias pacientes. Este choro, na maioriadas vezes, era sucedido pela expressão verbal. A intensidade e a periodicidade
  13. 13. 13do choro foram gradativamente diminuindo no decorrer dos atendimentos. Aspacientes não realizavam escolhas, tendo dificuldades para selecionar cançõesde seu repertório predileto. Como resultado das experiências com patchwork e pintura, observamosque da expressão coletiva com tintas e papel surgiu uma figura que muito seassemelha a um rosto com duas mãos espalmadas. Vide anexo V. No questionário II, os sentimentos “vergonha”, “medo” e “ansiedade” foramassinalados por duas participantes. “Outros” também foi apontado por duasparticipantes, definido por “humor”, “fé” e “esperança”. “Culpa”, “depressão” e“tensão” foram individualmente citados. “Insegurança”, “pânico”, “raiva” e “tristeza”não obtiveram nenhuma pontuação, conforme podemos observar no anexo VI. Na questão dissertativa relacionada a sentimentos, as pacientesapontaram a descoberta da própria força e potencial. Vejamos a resposta de“Margarida”: “ – Sinto-me bem, pois a mudança veio do interior e o que estáfaltando vou buscar dentro de mim mesma com ajuda da parte exterior”(sic).Vejamos também a resposta de “Girassol”: “ – Bem, acho que aprendi que o serhumano é uma mina que a cada dia se descobre algo de interessante e bomdentro de si e eu estou me descobrindo e superando! Igual a um campo de fase!Hoje mais uma fase!”(sic). Nas questões sobre a avaliação das sessões de musicoterapia, as quatropacientes responderam positivamente. Vejamos a resposta de “Girassol”: “ – Fuiouvida e com a música e através das pessoas me sinto outra pessoa”(sic). Conforme podemos observar no anexo VII, os sintomas de depressão queas participantes apresentaram no início da pesquisa somavam um total de cinco
  14. 14. 14marcações, enquanto que no final, obteve uma. Os sintomas relativos a estadosde ansiedade totalizavam sete marcações e encerraram com duas. Já ossintomas relacionados ao estresse obtiveram cinco marcações no início e uma nofinal. Os sintomas relacionados a baixa autoestima somavam seis marcações efinalizaram com três. Os sintomas que caracterizam o isolamento social somavamquatro marcações e no final duas. E finalmente, caracterizando uma melhora naqualidade de vida das participantes, o total de marcações passou de vinte e setepara nove.5 Discussão dos resultados Nas triagens realizadas com as participantes, todas relataram terdificuldade e resistência em verbalizar a situação traumática, tanto por medo,vergonha, culpa ou até mesmo para não reviver a dor de episódios pregressos.Diante deste fato, temos a possibilidade de acessar as demandas de outra forma,sendo um dos padrões de comunicação da música em musicoterapia a suadefinição como "linguagem não-verbal". Segundo Ruud: “Ela (a música) é considerada como uma espécie de linguagem emocional, capaz de atingir áreas de nossa psique que processam informação e que nós, por vários motivos, não comunicamos com (11) clareza a nós mesmos.” (p. 89) Os seis objetivos específicos desta pesquisa obtiveram resultadospositivos. Os sintomas de depressão, de estados de ansiedade, de estresse e debaixa autoestima sofreram uma queda significativa. Além dos instrumentos de avaliação – questionários e análise das sessões– que apontam este progresso, podemos percebê-lo também no comportamento
  15. 15. 15das participantes. Ao final da pesquisa, elas já apresentavam uma nova posturacorporal – andam de cabeça erguida, olham nos olhos – passaram a dar maiorimportância aos cuidados pessoais, descobriram o potencial que cada uma tempara mudar sua situação e buscar uma vida digna e saudável. O objetivo de promover a re-socialização destas mulheres também foi bemsucedido. O trabalho em grupo contribuiu para isto.
 Para pensarmos em grupo,antes devemos lembrar que este é constituído por uma diversidade, por pessoasque são diferentes entre si, apesar de terem histórias de vida e queixassemelhantes. Segundo Benenzon, cada indivíduo possui a sua Identidade Sonora(ISO): “Defino o princípio de ISO como o conjunto infinito de energias sonoras, acústicas e de movimento que pertencem a um indivíduo e que o (13) caracterizam.” (p. 71) Cada pessoa possui uma identidade única e é a soma dessas identidadesque resultará na identidade do grupo(13)8. Ao perceberem que havia outrasmulheres em situação semelhante, conseguiram libertar-se da vergonha e daculpa, trocaram experiências e conselhos e puderam sentir-se pertencentes àsociedade. Uma fortaleceu-se e encorajou-se na outra. Criou-se um vínculo sólidocom o grupo e com as musicoterapeutas. A música pode ser considerada um caminho eficaz para estabelecer aempatia(5)9 no ambiente terapêutico, pois no fazer musical, musicoterapeuta epaciente compartilham a mesma melodia, o mesmo ritmo, o mesmo centro tonal e























































8 ISO Grupal.9 Empatia é a capacidade de compreender ou de se identificar com o que outra pessoa estávivendo.
  16. 16. 16o mesmo texto da canção. Isso faz com que o(a) paciente obtenha como retornode sua ação, um simulacro sonoro da experiência vivida, recebendo na mesmaintensidade e proporção aquilo que está produzindo(5)10. Referente aos resultados das experiências com patchwork e pintura,unindo-se as falas das mulheres com os sentimentos escritos sobre os retalhosde pano, infere-se que a imagem construída (anexo V) lembra um rosto tentandoproteger-se com as mãos. A pintura ficou exposta até o final das pesquisa, masas participantes, em nenhum momento, tomaram consciência de suarepresentação. O choro, presente em todas as sessões, veio sempre precedido do verbal.Se a queixa das participantes é que têm dificuldade e resistência em falar sobre,podemos constatar aqui que a música serve de impulsão e encorajamento paratal. Susan C. Gardstrom apresenta o recurso verbal na ótica de quando pode equando se deve incluí-lo em atendimentos musicoterápicos grupais. Segundo aautora, pode haver vantagens com a inclusão do verbal em cada fase da terapia –Acolhimento, Tratamento, Avaliação e Encerramento(14)11. Consequentemente, com os resultados positivos anteriormentemencionados, o objetivo sexto – melhora da qualidade de vida – foi alcançado.Bruscia descreve modalidades de mudanças consideradas de origem terapêuticaque a musicoterapia pode proporcionar. Dentre estas modalidades, buscamosembasamento em Reconstrutivo, Apoio e Reabilitação(5)12.























































 Ver técnicas empáticas – p. 67.
1011 Ver Verbal Processing, p. 136. Ver Mudança com Melhora da Condição de Saúde, p. 163.
12
  17. 17. 17 Essa evolução foi percebida musicalmente através do canto, por exemplo.Nas primeiras sessões, as participantes apresentaram um cantar tímido, comintensidade fraca e geralmente abaixo do tom sugerido pelas musicoterapeutas.Elas não apresentavam autonomia no canto, ou seja, só cantavam se pelo menosuma das musicoterapeutas cantasse junto. Entretanto, no decorrer dos encontros,este cantar passou a ser melhor projetado, numa intensidade mais adequada, otom começava a acompanhar o proposto pelas musicoterapeutas e já haviamomentos de autonomia vocal. Silva & Steffen afirmam que
 “Sendo o cantar um meio expressivo e comunicativo, o(a) paciente revela-se como um todo através dele, nos âmbitos físico, psicológico, social, cultural e espiritual, denunciando seu estado emocional, (15) autoestima, personalidade, entre outros”. (p. 8) Mulheres que caminhavam olhando para o chão, que não conversavam eque muito menos cantavam, que não sorriam e que deixavam os cuidados com aaparência física em segundo plano, ao final das dezesseis sessões demusicoterapia, criaram vínculo, demonstrando musical e verbalmente, queestavam mais confiantes, autônomas e vaidosas.6 Conclusão De acordo com os resultados obtidos nesta pesquisa, constatamos que amusicoterapia pode ser um método seguro, aceitável e eficaz para tratar os danosemocionais que mulheres em situação de violência doméstica apresentam. Para este público, o trabalho em grupo realizado através da músicaenriquece o processo terapêutico, pois proporciona uma identificação, ou seja,
  18. 18. 18esta mulher percebe que não está sozinha, é ouvida e ouve seus pares, fala edialoga promovendo assim a re-socialização e a troca de experiências. Contudo, o tema musicoterapia e violência doméstica é bastante amplo.Novas pesquisas podem ser realizadas, com amostras maiores e objetivosdiferenciados. Há também outros públicos alvo relacionados à violência domésticaque poderiam ser temas de novas pesquisas com a musicoterapia: as criançasque presenciam e vivenciam a violência doméstica e também os homens comcomportamento agressivo. A violência doméstica é uma realidade no nosso país. As estatísticas nosmostram que a demanda de pessoas envolvidas e prejudicadas por ela éconsideravelmente grande. Além de tratar os danos já causados, devemostambém nos preocupar com a sua prevenção, para que cada vez menos famíliassejam estigmatizadas e destruídas por esta forma de violência.REFERÊNCIAS1 NARVAZ, Martha (2006). A história das desigualdades de gênero. In T.Negrão (Org.), Violência contra a mulher: As políticas públicas de âmbitomunicipal (pp.23-28). Cachoeirinha: Prefeitura Municipal: CoordenadoriaMunicipal da Mulher.2 Lei nº 11.340. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2006/lei/l11340.htm. Acesso em 03 outubro 2010.
  19. 19. 193 COHRE - Centre On Housing Rights and Evictions. Disponível em:http://www.cohre.org/view_page.php?page_id=435#i1311 . Acesso em: 03outubro 2010.4 Jornal NH. Disponível em: http://www.jornalnh.com.br/site/noticias/geral,canal-8,ed-60,ct-194,cd-264746.htm. Acesso em: 16 novembro 2010.5 BRUSCIA, Kenneth E. Definindo Musicoterapia. Tradução: Mariza VellosoFernandez Conde. – 2 ed. – Rio de Janeiro: Enelivros, 2000.6 SAFFIOTI, Heleieth I. B.; ALMEIDA, Suely Souza de. Violência de Gênero:poder e impotência. Rio de Janeiro: Revinter, 1996.7 Cifra Club. Disponível em: http://www.cifraclub.com.br/ataulfo-alves/ai-que-saudades-da-amelia/. Acesso em: 09 setembro 2010.8 Cifra Club. Disponível em: http://www.cifraclub.com.br/saia-rodada/tapinha-no-bumbum/. Acesso em 09 setembro 2010.9 Cifra Club. Disponível em: http://www.cifraclub.com.br/os-serranos/morocha/.Acesso em: 09 setembro 2010.10 Cifras. Disponível em: http://www.cifras.com.br/cifra/cia-do-pagode/na-boquinha-da-garrafa. Acesso em: 09 setembro 2010.11 GASTON, Thayer E. Tratado de Musicoterapia. Buenos Aires: Paidos, 1968.
  20. 20. 2012 RUUD, Even. Caminhos da Musicoterapia. Tradução: Vera Wrobel. – SãoPaulo: Summus, 1990.13 BENENZON, Rolando O. La Nueva Musicoterapia. – 2 ed. – Buenos Aires:Lúmen, 2008.14 GARDSTROM, Susan C. Music Therapy Improvisation for Groups:Essential Leadership Competencies. USA: Barcelona Publishers, 2007.15 SILVA, Laura F. S. da; STEFFEN, Luciana. Cantar: Elementos não verbais eestados de humor no processo musicoterapêutico. São Leopoldo: FaculdadesEST, 2010.
  21. 21. 21ANEXO I Questionário Prezada participante! Para atender os objetivos delineados para esta pesquisa, responda oquestionário abaixo: 1) Quais os sintomas emocionais que você passou a apresentar apósesse evento na sua vida: ( ) Ansiedade ( ) Baixa autoestima ( ) Culpa ( ) Depressão ( ) Insegurança ( ) Medo ( ) Pânico ( ) Raiva ( ) Tensão ( ) Tristeza ( ) Vergonha ( ) Outro (identifique): _________________________
  22. 22. 22 2) A instituição que você procurou para denúncia/ajuda lheencaminhou para auxiliar com relação aos sintomas citados acima? Sim Não 3) Que auxílios você recebeu?___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 4) Como você se sente agora para superar a situação vivida?___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ __________________________________ Participante: São Leopoldo, 11 de março de 2010.
  23. 23. 23 ANEXO II Questionário Prezada participante! Para atender os objetivos delineados para esta pesquisa, responda oquestionário abaixo: 1) Quais os sintomas emocionais que você apresenta neste momentoda sua vida com relação à situação vivida: ( ) Ansiedade ( ) Baixa autoestima ( ) Culpa ( ) Depressão ( ) Insegurança ( ) Medo ( ) Pânico ( ) Raiva ( ) Tensão ( ) Tristeza ( ) Vergonha ( ) Outro (identifique): _________________________
  24. 24. 24 2) Você acha que a Musicoterapia auxiliou para amenizar os sintomasem relação à situação vivida? Sim Não 3) Que auxílios você recebeu?__________________________________________________________________________________________________________________________________Como você se sente agora para superar a situação vivida?___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ Participante: São Leopoldo, 1º de julho de 2010.
  25. 25. 25 ANEXO III – RESPOSTAS QUESTIONÁRIO I Azaléia Girassol Lótus Margarida Orquídea SuspiroAnsiedade X X X X X XBaixa autoestima X X X X XCulpa X X XDepressão X X XInsegurança X X X X XMedo X X X XPânico X XRaiva X XTensão X X X XTristeza X X X X X XVergonha X X XOutro X * * Timidez
  26. 26. 26 ANEXO IV – FREQUÊNCIA Azaléia Girassol Lótus Margarida Orquídea Suspiro11/03 X X X X18/03 X X X X25/03 X X X01/04 X X X08/04 X X X15/04 X X X22/04 X X X29/04 X X X06/05 X X X13/05 X X20/05 X X X X27/05 X X X03/06 Feriado Feriado Feriado Feriado Feriado Feriado10/06 X X X17/06 X X X24/06 X X X X01/07 X X X XTotal: 2 15 1 11 14 9
  27. 27. 27ANEXO V
  28. 28. 28ANEXO VI – RESPOSTAS QUESTIONÁRIO IISentimentos Girassol Margarida Orquídea SuspiroAnsiedade X XBaixa autoestima X*Culpa XDepressão XInsegurançaMedo X XPânicoRaivaTensão XTristezaVergonha X XOutro X** X**** Não tanto quanto antes** Humor*** Fé e esperança
  29. 29. 29 ANEXO VII – SINTOMAS EMOCIONAISObjetivos Sentimentos Questionário I Questionário IIa) Depressão 1 1 Tristeza 4 0b) Ansiedade 4 2 Insegurança 3 0c) Raiva 2 0 Tensão 3 1d) Baixa autoestima 3 1 Vergonha 3 2e) Medo 3 2 Pânico 1 0f) Total 27 9

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