História da Cidade - Benevólo

35.171 visualizações

Publicada em

0 comentários
52 gostaram
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
35.171
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
11
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
1.289
Comentários
0
Gostaram
52
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

História da Cidade - Benevólo

  1. 1. Titulo do origin:!.1 italianoSwr;o dtll(1 CiuclCopyrighl €} Gius. L:1lerza & Figli Spa, Roma-Ban3 EdiçãoDireitos cm língua portuguesa reserv::u.los i).EDITORA PERSPECTIVA S.A.Avenida Brigadeiro Lufs Antônio, 302501401-000 - São Paulo - SP - l]rasilTele[one: (011) 885-8388Fax: (011) 885-68781997
  2. 2. 2. A ORIGEM DA CIDADE NO ORIENTE PRÓXIMOA cidade -local de estabelecimento aparelhado,diferenciado e ao mesmo tempo privilegiado, sede daautoridade - nasce da aldeia, mas não é apenas umaaldeia que cresceu. Ela se forma, como pudemos ver,quandõ as indústrias e os serviços jã não são executa·dos pelas pessoas que cultivam a terra, mas por outrasque não têm esta obrigação, e que são mantidas pelasprimeiras com o excedente do produto total.Nasce, assim, o contraste entre dois grupos soociais, dominantes e subalternos: mas, entrementes, asindústrias e os serviços jã podem se desenvolver atra·vés da especialização, e a produção agricola pode cres·cer utilizando estes serviços e estes instrumentos. Asociedade se toma capaz de evoluir e de projetar a suaevolução.Figs. 27-18. Casas na aldeia neolltica de Hacilar. na Turquia;cerca de 5000 a.C. Toda casa compreende um amplo vila, susten­tado por colunas de madeira e dividido por tabiques leves. A es­cada à direita leva a um andar superior, destinado, talvez, a ser­vir de âgua-furtada ou terraço.j
  3. 3. " ,, 3500·3000 a. C.3000·2500 a. C.. . .. .. .Fig,. 29-32. O desenvolvimento da civilizaç40 urbana de 3500 tl1500 a.C.24L1m,�. .. II • •D:j�jj"""--[Tl7I II ,II•
  4. 4. ,,. . , .2500·2000 a. C.2Il00-1500 a. C.. . .. ""
  5. 5. A cidade, centro motor desta evolução, não só émaior do que a aldeia, mas se transforma com umavelocidade muito superior. Ela assinala o tempo danova história civil: as lentas transformações do cam­po (onde é produzido o excedente) documentam as mu­danças mais raras da estrutura económica; as rápidastransformações da cidade (onde é distribuído o exce­dente) mostram, ao contrário, as mudanças muitomais profundas da composição e das atividades daclasse dominante, que influem sobre toda a sGciedade.Tem início a aventura da "civilização", que corrigecontinuamente as suas formas provisórias.Este salto decisivo (a "revolução urbana", comose chamou) começa - segundo a documentação atual- no vasto território quase plano, em forma de meia­lua, entre os desertos da África e da Arábia e os montesque os encerram ao norte, do Mediterrâneo ao GolfoPérsico.Após a mudança de clima no fim da era glacial,esta zona se cobre de uma vegetação desigual, maisrala do que as florestas setentrionais mas contras­tante com o deserto meridional .(Fig. 33). A planície écultivável somente onde passa ou pode ser conduzidaa água de um rio ou de uma nascente; nela crescem, emestado selvagem, diversas plantas frutíferas (oliveira,videira, tamareira, figueira); os rios, os mares e o terre­no aberto às comunicações favorecem as trocas demercadorias e de notícias; os céus, quase sempre sere­nos, permitem ver, à noite, os movimentos regularesdos astros e facilitam a medição do tempo.Aqui algumas sociedades neolíticas - que jáconhecem os cereais cultiváveis, o trabalho dos me­tais, a roda, o carro puxado pelos bois, o burro decarga, as embarcações a remo ou a vela - encontramum ambiente mais dificil de aproveitar, mas capaz deproduzir, com um trabalho organizado em comum,recursos muito mais abundantes.O cultivo dos cereais e das árvores frutíferas nosricos terrenos úmidos proporciona colheitas excepcio­nais, e pode ser ampliado melhorando e irrigando ter­renos cada vez maiores. Parte dos viveres pode seracumulada para as trocas comerciais e os grandestrabalhos coletivos. Começa, assim, a espiral da novaeconomia: o aumento da produção agricola, a concen­tração do excedente nas cidades e ainda o aumento depopulação e de produtos garantido pelo domínio técni­co e militar da cidade sobre o campo.Na Mesopotâmia - a planície aluvial banhadapelo Tigre e pelo Eufrates - o excedente se concentranas màos dos governantes das cidades, representan-tes do deus local; nesta qualidade recebem os rendi-,� Conlferu• Floreetaa miataaO Semp�verdM. bot,qU8Io,SOO km!� Semi·6ridI», .tepea� Semidmer10• OúillerioeFig. 33. A vegetação natural do Oriente Pr6ximo, após o fim da eraglacial e antes da colonização agrícola. OSoásis ao longo do cursodo Nilo, do Tigre e do Eufrates tornar·se·ão as primeiras sedes daciuüização urbana, TU) IV milénio Q.C.Fig. 34. Outra tabuinha encontrada em Nipur, com a planimetria deuma parte do território.Casa de MarducHarnri BiktarNuskumentos de parte das terras comuns, a maior parte dos Q.tnudespojos de guerra, e administram estas riquezas acu­mulando as provisões alimentares para toda a popula-ção, fabricando ou importanto os utensilios de pedra ede metal para o trabalho e para a guerra, registrandoas informações e os números que dirigem a vida dacomunidade. Esta organização deixa seus sinais no26ali Centros Urbanos[illill] Campos� Colina dos 50 HomenO Canais
  6. 6. terreno: os canais que distribuem a água nas terrasmelhoradas e permitem transportar para toda parte,mesmo de longe:os produtos e as matérias-primas; osmuros circundantes que individualizam a área da ci­dade é a defendem dos inimigos; os armazéns, comsuaprovisão de tabuinhas escritas em caracteres cuneifor­mes; os templos dos deuses, que se erguem sobre onível uniforme da planície com seus terraços e as pi­râmides em degraus. Estas obras e as casas das pes­soas comuns são construídas de tijolos e de argila,como ainda hoje se faz no Oriente Próximo; O tempofá-las desmoronar e as incorpora novamente ao terre­no, mas dessa forma o terreno conserva, camada porcamada, os vestígios dos artefatos construidos em ca­da período histórico, e entre estes as preciosas tabui­nhas com as crônicas escritas, quea partir de 3000 a.C.temos condiçôes de ler com segurança; assim, as esca­vaçôes arqueológicas permitem reconstruir, passo apasso, a formação e as vicissitudes das cidades maisantigas construídas pelo homem, do IV milênio a.c.em diante.As cidades sumerianas, no inicio do II milênioa.C., já são muito grandes - Ur (Figs. 37-44) medecerca de 100 hectares - e abrigam várias dezenas demilhares de habitantes. São circundadas por um muroFigs. 35-36. Uma tabumha sumérla, com o planoda cidade fk �N,pur(""re. tk 1500 a.c.).e um fosso, que as defendem e que, pela primeira vez,excluem o ambiente aberto natural do ambiente fecha­do da cidade. Também o campo em torno é transforma­do pelo homem: em lugar do pântano e do deserto,encontramos uma paisagem artificial de campos. pas­tagens e pomares, percorrida pelos canais de irrigação_Na cidade os templos se distinguem das casas comun"por sua massa maior e mais elevada: compreendem defato, além do santuário e da torre-observatório (zig­gurat), laboratórios, armazéns, lojas onde vivem e tra­balham diversas categorias de especialistas.o terreno da cidade já é dividido em proprieda­des individuais entre os cidadãos, ao passo que o cam­po é administrado em comum por conta das divinda­des. Em Lagash, o campo é repartido nas posses deumas vinte divindades; uma destas, Bau, possui cercade 3250 hectares, dos quais três quartos atribuídos, umem lotes, a famílias singulares, um quarto cultivadopor assalariados, por arrendatários (que pagam umsétimo ou um oitavo do produto), ou pelo trabalhogratuito dos outros camponeses. Em seu templo traba­lham 21 padeiros auxiliados por 27 escravas, 25 cerve­jeiros com 6 escravos, 40 mulheres encarregadas dopreparo da lã, tiandeiras, tecelãs, um ferreiro, além dosfuncionários, dos escribas e dos sacerdotes.
  7. 7. ,.,<"".,...c.-C-.,...c.vv.A I---,.,.... I---� .rj. 1 I 1ÚV f--1�tf:/ V- 11/�VV I.V-�t-i/1 V�. ILl.Ç/, �//.&11V I-�[}�IIII�d�ri1/ NtoeIIMriII0I l./.-v g1 I"IYiV,� ;--.�l:-r--� l.-Fig. 37·39. Ur. Planta da cidade, e axunometria da ziggurat 1 emdua. épocas Buce88waB.28h�IRI"�kiA "I IVI"� ��1:.�� 1/�.íL.<�Ult1IIj.-�V vI......(// t/ Vi!1..11/ V1/ vEB1/• •• COmj...; V 1 I 1r<v.:: V�V f.
  8. 8. pjgs. 40-41. Plantas - na mesma escala - do quarteirão 2 e domausoléu real 3 (que reproduz, em formato maior, aforma da casa).o 5 10mL-----"---"oI,I10mIFigs. 42�4. PlanUi do quartelrno 4; planf4 e secçno da casa em­baixo, d esquerda.
  9. 9. Fig. 45. Uma cidade suméria (detalluz da estátua de Gudéia. deTello: cerca de 2000 a.C.)Fig. 46. Estátua de um personagem sumeriano, de TeU Asmar.30Fig. 47. A fabricação dos tijolos de argila, amassados com palha ecozidos ao sol, que se usa no Oriente desde os tempos mais antigosaté hoje. Os tijolos são depois levados d parede recobertos comnovaargila, e formam um produto que se adapta a todas as formas, masque é degradáuel pelas intempéries; portanto dura somente se forsubmetido a uma manutenção continua.Fig. 48. Aspecto de uma aldeia construLda com os tijolos da figuraanterior, que existe e funciona na Pérsia moderna, nos a"edores deXiraz, mas é análoga a Ur e ds outras cidades antigas ilustradasneste capftulo.
  10. 10. , " . •• , � .,lIt· 1 " "I" " -.,.. "r " 1"" U,/!) .-, ����P���!��iI...., " ,":.:":1.·.;.II.�:i/l (.. ::...,.,I .� ,• •.,... . 11:,1: ·,;� -:-,.....r":�..: .. . o, ..• •I�: ;";1;·...",/:,:. " f"TV"",�.:,.;t·"..·:,;1,:,-,,,., " •IJ"., : .. "" l, . � I), . " .,:.�!;r..:., , ":I, .," JI, ...."1 ..• V-- _. ... � . ." IIr. I, .. , • " , II.. .. " ,; ..,� . .�-I", ,/j�../. Figs. 49-52. Imagens de cidade, nos baixos-relevos assírios.Fíg. 53. lista aérea da cidade de Arbela, na Me8opotá�ia. que temsido habitada continuamente há 5000 anos.3l
  11. 11. FIg. 54. Cabeça de bronze de um rei asslrio, taluez Sargão 1, deNíniue (cerca de 2500 a.C.).Até meados do III milênio, as cidades da Mesopo­tâmia formam outros tantos Estados independentes,que lutam entre si para repartir a planície irrigadapelos dois rios, entâo completamente colonizada_ Es­tes conflitos limitam O desenvolvimento econômico, esó terminam quando o chefe de uma cidade adquire talpoder que impõe seu domínio sobre toda a região. Oprimeiro fundador de um império estãvel (durante cer­ca de um século, por volta de 2500) é Sargão de Acad;mais tarde, sua tentativa é repetida pelos reis sumé­rios de Ur, por Hamurabi da Babilônia, pelos reisassírios e persas. As conseqüências tisicas de seusempreendimentos são:1) a fundação de novas cidades residenciais, ondea estrutura dominante não é o templo mas o palãcio dorei: a cidade-palãcio de Sargão II nos arredores deNinive (Figs. 55-61) e, mais tarde, os palãcios-cidadedos reis persas, Pasãrgada e Persépolis;2) a ampliação de algumas cidades que se tor­nam capitais de um império, e onde se concentram nãosó o poder politico, mas também os trãficos comerciaise o instrumental de um mundo muito maior: Ninive,Babilônia. São as primeiras supercidades, as metró­poles de dimensões comparãveis às modernas, que32durante muito tempo permaneceram com simbolos eprotótipos de toda grande concentração humana, comseus méritos e seus defeitos.Babilônia, a capital de Hamurabi, planíficadapor volta de 2000 a.C., é um grande retângulo de 2500por 1500 metros, dividido em duas metades pelo Eufra­tes (Figs. 64-69). A superficie contida pelos muros é decerca 400 hectares, e outro muro mais extenso com­preende quase o dobro da ãrea; mas toda a cidade, enão somente os templos e os palãcios, parece traçadacom regularidade geométrica: as ruas são retas e delargura constante, os muros se recortam em ângulosretos. Desaparece, assim, a distinção entre os monu­mentos e as zonas habitadas pelas pessoas comuns; acidade é formada por uma série de recintos, os maisexternos abertos a todos, os mais internos reservadosaos reis e aos sacerdotes. Estes personagens freqüen­tam as divindades - como se pode ver nas esculturas-e têm portanto um domínio absoluto sobre as coisasdeste mundo. As casas particulares - como a ilustra­da à pág. 35 - reproduzem em pequena escala a for­ma dos tempos e dos palácios, com pátios internos e asmuralhas estriadas.••�:Figs. 55-56. Khorsabad, a noua Cldud,/uf/duda por Sargão IInosarredores de Níniue (721-705 a.C.); pLulUmctna geral e planta dacidadela, com as casas senhoriais ao redor do palácio do rei.
  12. 12. -O�I____�____�5yomhR 5� VI.ta eM, alto da cuJad,-/a dP KJu,,.alJadoI10I20 JO TlI I
  13. 13. -,llrr1 •�r=eVIIIo 50 100m.________�L________�I-�---..--�.:-:-�:Figs. 59·61. O palácio de Sargdo 11 em Khorsabad. Vista do alto,num desenho do final do século XIX; planta geral; vista do alto daziggural
  14. 14. Fig. 62. Uma cidade conquistada por Sarg40 II num baixo-re/euodo Palácio de Khorsabad.i" n ;1...N$O 5 10 151mI I I IFig. 63. O apartamento parucular no palácIO aaCrw rh ArslanTash, na Slr&a:1,2: ti 3 pnme:J.n) qalrto de dormu. com Quarto de w.ut e banh."ro.2. 5 e 6: .egundo qual10 de dornul, mm quano de y..-lU. banbetro;1: ..I. de reeepçAo ti de .tar.8: lUlU de I"uard&oFIgs. 64-67. Babi16nia. Planta do núcleo mterno; ur.sta do casÚ!lo (oschamados Jardins suspensos"); planta t! vista de uma casa nosarredores do templo de Istar35
  15. 15. BQ(;AZKOY!IHATTU5A i ., ·f, �,f---�-�- /�" )"(d)-..�c-----­,_ " ,,__"M.--/••---Fig. 68. &bilônia. A estela de Marducapaüdina (714 a.C), quelembra a doação de um terreno a um vassalo babilónio pelos reisassírios.Fig. 69. Babilónia. Planta das escavações na zona oriental da cida·de; as posições do castelo eda casajunto ao templo de Istar(Astarté)são indicadas pelas letras A e 8.Figs.70-7I. Planta da cidade de Hatusa, capital do reinados H.ititas,e do templo principal.1. ° e.tabekcimento ma", anti/lO (cerca de 1900 o...CJ2. ° templo do deu. Hati e da cUu.. Atino (<<rca cU 1200 4.CJ3. a cidatkla principal (1300-1200 a.C.)4. a cidotkkJ meridional, o;nda n40 de.enterrada (1200 o..CJ5. um cculelo (1200 a.CJ6. a porta real (1400 a,C.)7·10. templo. (<<rco eh 1200 a.C.)11. a porta da úfinge (UOO a.CJ12. a porta do údo (UOO o..C)13. o crutelo nollO (1200 a.C.)U. o clUtelo amorelo (1:KJO a.CJA. ccfrnaros numerada. de I o 84 840 08 dep68It08 dos mertodonos Ir do te..aufO dotemplo, em tomo do santuário central, Ao 111011 do templo fOI eCilvoda URIG por(dO diJtecido urbono, quecompreellde catoru IlrUp08 de ambientes - Indicado$ ((1m ol4la".moi, romOllos - ao redor d« um pálio centrol; lralaua-u, tulut:�, de "abil(J� ou dctIaboratórWil do pe.,oal do templo, que comprffndlo 18padres, 29 m;IC(U, J9U<nbcud« tabuinhu de orgila. 33 escnbas de tabuinheude "uldeira,35 odulIIJto.,JOcontorr. (oeklco.e encontro n"ma tabuilho rnCOlltlOda /$O grupo XIV),
  16. 16. 3? 40 $0"10 ,QI IOIIIa---.".- �1--:1n.HTI�nU n��v�l"-::J, .,"1
  17. 17. I MOHEN]O-DAROv �.,3RSCALA.._ .... ____ 1,11..". � ......-,- -,,, "," ,, ,,. --,,,,,, . -- -.1; � ,,,,,",,"Figs. 72-74. Planta da cidadela de Mohenjo-Daro, no Vale do Indo(III milênio a.C.). Uma rua, e uma estátua de umapersonagem real.
  18. 18. Fig. 76. As pirâmides de Gizé na paisagem do drl;t>rto.Ftg. 75. PLanta de um bairro resuiencuú d� MohenJrrDaro. Aqwtambém as casas são organizadas ao redor de um pátJ() central
  19. 19. ELJSIOHERAKlE""" �,",BENt tMSANHERMOPOl BERSHAHOrASIOIOAKHLAcAStOLELII.HARGAH•TEll Et.AMÂRNMoÁSIUT (SYUt)EL-8ADÃRI.QAW EL./EBIR• GIRGA.fIIAQA ED .DEIRBEf IIHALli.F: OENOERAH UAOI�:lle�L.BALLAS KOPTOS HA".MATNAQAO....H MEOAMUO ...lESE J,.UXOR QOSELRERMENT 100úEBELEIN MIALLAHIERAKONPOUS EL.MBEOFUGEBEL EI.!_SIlSILEHJKÕM OMBO�:::/NII "::NAJ- mt.BATIASEf El_W.... U.ANISA ERRIKII,URVKOROSMOABU SIMBELSECQNOACATERA!!ASEMNEH."MArlASOUBSESEBITOMBOi TER?"CATERMIAKERMA, �RGOMWASES!A CAJERATT...llI!!ru.CAlfRAITAF,um� ALb;HoIMEROE •NAGA,Fig. 77. Mapa do Egito antigo.40Fig. 78. O hieróglifo egípcio que indica a cidade.No Egito, a origem da civilização urbana nãopode ser estudada como na Mesopotãmia: os estabele­cimentos mais antigos foram eliminados pelas en­chentes anuais do Nilo, e as grandes cidades maisrecentes, como Mênfis e Tebas, se caracterizam pormonumentos de pedra, tumbas e templos, não pelascasas e pelos palácios nivelados sob os campos e ashabitações modernas.A documentação arqueológica revela a civiliza­ção egipcia já plenamente formada depois da unifica·ção do pais, no final do IV milênio a.C. Os documentosencontrados nas primeiras tumbas reais explicam queo soberano no poder conquistou as aldeias precedentese absorveu os poderes mágicos das divindades locais.Não é ele o representante de um deus, como os gover­nantes sumérios, mas ele mesmo um deus, que garantea fecundidade da terra e especialmente a grande inun­dação do Nilo que ocorre com regularidade num perío­do determinado do ano. Assim, o faraó tem o dominiopreeminente sobre o pais inteiro, e recebe um exceden­te de produtos bem maior que o dos sacerdotes asiáti­cos. Com estes recursos, ele constrói as obras públicas,as cidades, os templos dos deuses locais e nacionais,mas sobretudo sua tumba monumental, que simbolizaa sua sobrevivência além da morte e garante, com aconservação do seu corpo, a continuação de seu poderem proveito da comunidade.No III milênio, à medida que o Egito se tornamais populoso e mais rico, estas tumbas aumentam deimponência, embora sua forma externa permaneçabastante simples, uma pirâmide quadrangular. Amaior, a de Quéops da IV Dinastia, mede 225 metrosde lado e quase 150 metros de altura; é um dos símbo­los mais impressionantes que o homem deixou na su­perfície terrestre, e segundo uma tradição lembradapor Heródoto, a que os estudiosos modernos costu­mam dar crédito, exigiu o trabalho de 100.000 pessoasdurante vinte anos. Como se coloca semelhante obrana paisagem habitada no vale inferior do Nilo?
  20. 20. (IP",m"d" d,•Templo "alar.:lI! ",,"uW::(n.·•o..o •I ..•o •/í...•CaIroMemlif-i.g�_ 79·X(), As plrâm,dfJs c/e (hzé; u..:;la aér(a ( um desenhu que a...f(cUl/isll{U/ há uns Cf>m aI/o." alrlÚi.Fl!- XI Mapa da zona de Ue,,{a;,Sabemos que Menés, o primeiro faraó, funda acidade de Mênfis nas proximidades do vértice do delta,e cerca-a com um "branco muro". Otemplodadivinda­de local, Ftã, não fica na cidade, mas "ao sul do muro";ao redor, nas fímbrias do deserto, surgem as pirâmidesdos reis das primeiras quatro dinastias (Figs. 7�4) eos templos solares da quinta (Figs. 87-88). A forma deconjunto do estabelecimento permanece desconheci­da, e não é fãcil imaginar a relação entre estes monu­mentos colossais e os locais de habitação dos vivos.com certeza bastante diferente da relação entre temploe cidade na Mesopotâmia.�l•
  21. 21. o 10 20 sp 100mL! -L!__-L_______--11Figs. 82-83. Planta do comjunto das pirâmides de Gizé (empontilha­do as três pirâmtdes de Quéops, Quéfren e Miquerinos, em preto asconstruções menores); secção da grandepirâmide de Quéops.42�-------JJ/ I •. I ·0 I� .;tI1.,1.. "M{!ll·u,. • lIII,.ijfo-� .-__�--"P • I "1"_1,.#.... 1l,.lIlIn. :., r,..,....,�. !. lI.nlI •• a u.... "C.. .m:n�llrI_ í .lI......:..- , ;1L.===;A.;�I:::t."s......,...."i ,,!"""""",,.",•,,rL.....J·r-_TJ•Fig. 84. Vista de uma aresta da grande pirâmide de Quéops.Fig. 85. Cabeça colossal de um faraó da /11dmastia (cerca de 2750a. C.J.
  22. 22. •Fig. 86. Planta de uma casa da TV dma�tla em C/zé (cerca de 2600a.C.)1. entrada 3. di.pen.. 5. vfttlbulo2. itno 4 aala 6. quarto de donnlTFigs. 87-88. O templo solar de Horo em Abusir, da �dtnastla (cercade 2500 a.C.); planta e vesta reconstltwdura.rtiCUlturãode mUl"Ol -", 1 Barcosolar>:remplo dovale,- ,->, .,,Rampa deacesso, . ,.."
  23. 23. Fig. 89. Modelo de um barco de transporte. encontrado numa tumbada XII dinastia !cerca de 1800 a.c.).No Egito, sobretudo nos primeiros tempos, nãoencontramos uma ligação, mas um contraste entreestas duas realidades, realçado de todas as maneiraspossíveis. Os monumentos não formam o centro dacidade, mas são dispostos de per si como uma cidadeindependente, divina e eterna, que domina e tornainsignificante a cidade transitória dos homens. A cida­de ilivina é construída de pedra, para permanecer imu­tável no curso do tempo; é povoada de formas geomé­tricas simples: prismas, pirãmides, obeliscos, ouestátuas gigantescas como a grande esfinge, que nãoobservam proporção com as meilidas do homem e seaproximam, pela grandeza, dos elementos da paisa­gem natural; é habitada pelos mortos, que repousamcercados de todo o necessário para a vida eterna, mas éfeita para ser vista de longe, como o fundo semprepresente da cidade dos vivos. Esta, ao contrário é cons­truída de tijolos, inclusive os palácios dos faraós nopoder; será logo destruída e continua uma moradatemporária, a ser abandonada mais cedo ou mais tar­de. Uma parte consistente da população - os operá­rios empregados na construção das pirâmides e dosFig. 90. A aldeia de EI Lahun, realizada por Ses6stri,s 11(cerca de1800 a.C.;, para os operários agregados à construçdo de uma pirâ­mide. Planta do conjunto e de uma casa típica.templos, com suas famílias - tinham de morar nosacampamentos que os arqueólogos encontraram jun­to aos grandes monumentos, e que eram abandonadostão logo terminassem o trabalho (Figs. 90 e 92-95).o SOmL___--.J"I:.....I :I "i0•-.
  24. 24. Por outros aspectos, a cidade divina - a úni�aque podemos ver e estudar hoje - ê uma cópia fiel dacidade humana, onde todos os personagens e os obje­tos da vida cotidiana sào reproduzidos e mantidosimutáveis. As maravilhosas esculturas reproduzemcom realismo as fisionomias dos modelos, e os imobili.zam numa tentativa de encerrar para sempre tambémos aspectos fugazes da vida (Figs. 85 e 91).Este intento de Con truir uma cópia perfeita eestável da vida humana � de acumular os recursos no. além, em vez de acumulá-los no mundo presente - nãoprosseguiu sempre com a mesma intensidade. A eco­nomia assim orientada entrou em crise em meado doIII milênio; quando ela se reorganizou - sob o médi"império, no II milênio a.C. -, o contraste entre os doismundos aparece atenuado, e as duas cidades separa·las tendem a se fundir numa cidade única.Fig. 91. Estátua de madeira de um defunto da XIIdmastia (cerca de1800 a.c.).o 10 20m,-I_�I_�IFlgS. 92-95. A aldeia de ne,r-eI·Medina. construido por Tutm6sIs J(cerca dp I.J(}() a. c.J para os operáriOS do Vale dos ReiS nas prOXlml­dar/I"" d. /; },u � j fl mpJlada em seguula. Plonlmetraase desenhos dede uma casa tipica.
  25. 25. Fig. 96. Um baixo-relevo do Império Médio que representa o trans­porte de uma estátua colossal sobre um carro sem rodas.Fig. 97. Planimetria geral da zona de Tebas. Os templos na margemdireita do Nilo, as tumbas na margem esquerda.4GA capital do médio império, Tebas, ainda estádividida em dois setores: o povoado na margem direitado Nilo, e a necrópole nos vales da margem esquerda(Fig. 97); mas agora os edifícios dominantes são osgrandes templos construídos na cidade dos vivos -Camac, Lúxor (Figs. 9!H02); as tumbas estão escondi­das nas rochas (Figs. 103-104) e permanecem visíveissomente os templos de acesso, semelhantes aos ante­riores (Figs. 1 12-113). Entre estes marcos monumen­tais devemos imaginar as habitações e os arrabaldes,que hospedam uma sociedade mais variada, onde ariqueza é mais difundida. O faraó ocupa o cume destahierarquía social, e seu poder se manifesta porquepode escolher, para seus palácios ou sua tumba, osprodutos mais ricos e acabados; as roupas, asjóias e osmóveis encontrados nas tumbas reais, fabricados comum trabalho de altíssima qualidade, fazem pensar nu­ma produção ampla e abundante, da qual foram sele­cionados estes objetos.L9 ___---.:::J090 ".,
  26. 26. Fig. 98-99. Os templos de Carnac em Tebas; plammelria geral.planta e secção do Templo de Khonsu. Os algarismos romanosindicam os dez pares de pilares.:::=;:;;=---:::::J 17" -.-:_0-::_ __tllII•,t= z=>�<m··. . TEMPlODI FTA:....õo���wCZfi/ :: iI.. -<�c.... .....I•• iii�.•••••0 ••til@��@-.iII.@���L��-:lI II TEMPlO O. KHONSUUl....I�- ,;" :�: I"I ===d�L__ :_----_.f1-____...JHfO m
  27. 27. 48Fig. 100-101. DetaLhes da grande sala colunada do Templo de Amouem Carnae, entre o segundo e o terceiro pilar.
  28. 28. SarcófagoPara o exteriorFig. 102·103. Planta da tumba de AmenoU!p Illcerca de 1380 a.c.)no Vale dos Rei$, e um detalhe das pinturas nas parede : ofaroocom a de�a Hátor.F,g 104 Uma €.tttátua de Amenotep IV, onde o personagem real er(»tratooo com realismo Incomum.Fig. 105. Planimetrw de Tel-e/.Amarna, a nova capLtalfundadaporAmenotep IV (cerca de 1370·1350 a.c.) e abandonada depois debreue perlodo. &ta cidade lal eSCQuada e estudada melhor que asoutras cidades egipe,as; os palácios. os templos e as casas sdoestreitamente l,gados entre 8 eformam para MS um Quadro maLSfamiltar.• H �Q ,•...,s
  29. 29. 50GRANDE TEMPlOc.s..Hlle Inter" ......,: lavole: oe le otterte,,,,,,,,,, ,:. . .......•��CaH�d.II·...cltorJfr��!Qlfi,o �300m1N----� 1"_"t .1 .1"NI,I,.....-.dei tempio�L.,... Plccoto temploo cappelle ,eale
  30. 30. o!STRAOA REALELIMIT! DECLt SCAVIf-STRAOA REALE• o •• ••••••••• • o ••• ••••••• o. o••••••· ..... ....... ....•••••• ••• • o••••••o ................• o •••••••• •••••••!--�..............· .............· . . . .......... .· .. ..... .......L:.;.���:-I..............":::::::::::::::::· ....... .. . . . . . . .· .......... .. . . , .· ................• ••••••••••• • • • o.· ..... . . . ....... .· . . . . . . ..........· ... .... ... , . . ...Fig 106-109. TeJ-eI-Amarna, detalhe. do batrro central: planta ge·rol; planta do palácio ao longo da estrada real; uista da ponte entreo palácw e a casa do re,; planta da casa do funcwnãrio Nakht.r-�IIII•!K mIIIb�IJ® ® ® til • I® (j ® •Y ® ®i==ê® ® ® ®�® o ® ® ®r ® ®-�-H
  31. 31. Fig. 110. Mapa do império persa.Fig. 111. Vista das rulnas de Persépolis.52Do VI ao IV século a.C., todo o Oriente Médio éunificado no Império Persa (Fig. 1 1 0). O território exa·minado até aqui - desde o Egito até o Vale do Indo­goza assim de um longo periodo de paz e de administra­ção uniforme, que permite a circulação doe homens,das mercadorias e das idéias de uma extremidade àoutra. Na residência monumental dos reis persas­conhecida pelo nome grego de Persépolis - osmodelosarquitetônicos dos vários países do império são com­binados entre si dentro de um rigido esquema cerim<rnial (Figs. 1 11 -1 1 4).
  32. 32. N(I)A ronidc� onentai.B. IeeoUIVC. hatémO edinno em núnalE fntroad. monumentalF pe.I.cio df X..rxelG t>dJncio em rulnasH pali4clo aio identificado1. ptlUem de Dano JJ_ .ala de audimcial de Dario IK. ve.tlbulo de XWXHL. NCadana para o terT&o,;oM.. ..Ia do trono de XerllHN OUtrofI e�:hncioa pan::I.I�nte Meavada.O (oruficaçõea ktentnona..i.P_ tumba realQ wtemaX rua entre o hat," _ o ""lOUroFig. 112. Mapa do cOnjunto monumental de Persépolis.Fig J/3 U"", t/Rroraçllo rw palLirl<J dR Dar", I<•-..),)
  33. 33. F,g. 114. As tumbas dos reis persas. esculpidas na parede rochosade Naksh-;-Rustam, nos arredores de PersépoÜs.
  34. 34. 4. A CIDADE LIVRE NA GRÉCIAFig. 176. Uma e,cultura grega arcaica. no Museu Nacional de Ate­nlU.Na Idade do Bronze, a Grécia se encontra naperiferia do mundo civil; a região montanhosa e desi­gual não se presta ã formação de um grande Estado, eé dividida num grande número de pequenos principa­dos independentes. Em cada um deles. uma famíliaguerreira, a partir de uma fortaleza empoleirada numponto elevado, domina um pequeno território abertopara o mar.Estes Estados permanecem bastante ricos en­quanto participam do intenso comércio marítimodo IImilénio, e cultivam várias espécies de indústria; ostesouros encontrados nas tumbas reais de Micenas ede Tirinto documentam o modesto excedente acumula­do por uma classe dominante restrita. Mas o colapsoda economia do bronze e as invasões dos bárbaros pelonorte, no início da Idade do Ferro, truncam esta civili­zação e fazem regredir as cidades, por alguns séculos,quase ao nível da autarcia neolítica.O desenvolvimento subseqüente tira proveitodas inovações típicas da nova economia: o ferro, oalfabeto, a moeda cunhada; a posição geográfica favo­rável ao tráfico marítimo e a falta de instituições pro­venientes da Idade do Bronze permitem desenvolveras possibilidades destes instrumentos numa direçãooriginal. A cidade principesca se transforma na polisaristocrática ou democrática; a economia hierárquicatradicional se torna a nova economia monetária que,após o século IV, irá estender-se a toda a bacia orientaldo Mediterrãneo. Neste ambiente se forma uma nova
  35. 35. cultura, que ainda hoje permanece base da nossa tradi­ção intelectual.É necessário recordar sucintamente a organiza­ção da polis, a cidade-Estado, que tornou possiveis osextraordinários resultados da literatura, da ciência eda arte.A origem é uma colina, onde se refugiam os habi­tantes do campo para defender-se dos inimigos; maistarde, o povoado se estende pela planície vizinha, egeralmente é fortificado por um cinturão de muros.Distingue-se então a cidade alta (a acrópole, onde fi­cam os templos dos deuses, e onde os habitantes dacidade ainda podem refugiar-se para uma última defe­sa), e a cidade baixa ( a astu, onde se desenvolvem oscomércios e as relações civis); mas ambas são partesde um único organismo, pois a comunidade citadinafunciona como um todo único, qualquer que seja seuregime politico.Os órgãos necessários a este funcionamento são:1) O lar comum, consagrado ao deus protetor dacidade, onde se oferecem os sacrificios, se realizam osbanquetes rituais e se recebem os hóspedes estrangei­ros. Na origem era o lar do palácio do rei, depois toma­se um lugar simbólico, anexo ao edifício onde residemos primeiros dignitários da cidade (os pritanes) e sechama pritaneu. Compreende um altar com um fossocheio de brasas, uma cozinha e uma ou mais salas derefeição. O fogo deve ser mantido sempre aceso, equando os emigrantes partem para fundar uma novacolõnia, tomam do lar da pátria o fogo que deve arderno pritaneu da nova cidade.2) O conselho (bulé) dos nobres ou dos funcioná­rios que representam a assembléia dos cidadãos, emandam seus representantes ao pritaneu. &úne-senuma sala coberta que se chama buleutérion.3) A assembléia dos cidadãos (ágora) que se re·úne para ouvir as decisões dos chefes ou para delibe­rar. O local de reunião é usualmente a praça do merca­do (que também se chama ágora), ou então, nas cida­des maiores, um local ao ar livre expressamente apres­tado para tal (em Atenas, a colina de Pnice). Nas7(jcidades democráticas o pritaneu e o buleutérion seencontram nas próximas da ágora.Cada cidade domina um território mais ou me­nos grande, do qual retira seus meios de vida. Aquipodem existir centros habitados menores, que man­têm uma certa autonomia e suas próprias assem­bléias, mas um único pritaneu e um único buleutérionna cidade capital. O território é limitado pelas monta­nhas, e compreende quase sempre um porto (a certadistância da cidade, porque esta geralmente se encon­tra longe da costa, para não se expor ao ataque dospiratas); as comunicações com o mundo exterior serealizam principalmente por via marítima.Este território podeser aumentado pelasconquis­tas, ou pelos acordos entre cidades limitrofes. Espartachega a dominar Quase a metade do Peloponeso, isto é,8.400 km; Atenas possui a Ática e a Ilhade Salamina,ao todo 2.650 km. Entre as colõnias sicilianas, Siracu­sa chega a ter 4.700 km e Agrigento, 4.300. Mas asoutras cidades têm um território muito menor, e porvezes bastante �ueno: Tebas tem cerca de 1.000 kme Corinto, 880 km . Entre as ilhas, algumas menorestêm uma única cidade (Egina, 85 km; Nasso e Samos,cerca de 450 km). Mas entre as maiores somente R0-des ( 1.460 km) chega a unificar suas três cidades nofim do século V; Lesbos (1.740 km) está dividida emcinco cidades; Creta (8.600 km) compreende mais decinqüenta.A população (excluídos os escravos e os estran­geiros) é sempre reduzida, não só pela pobreza dosrecursos mas por uma opção política: quando crescealém de certo limite, organiza·se uma expedição paraformar uma colõnia longinqua. Atenas no tempo dePéricles tem cerca de 40.000 habitantes, e somente trêsoutras cidades, Siracusa, Agrigento e Argos, superamos 20.000. Siracusa, no século IV, concentra forçada·mente as populações das cidades conquistadas, e che­ga então a cerca de 50.000 habitantes (Fig. 278). Ascidades com cerca de 10.000 habitantes (este número éconsiderado normal para uma grande cidade, e osteóricos aconselham não superá-lo) não passam deFig. 177. O mundo egeu.Fig. 178. Uma moeda da cidade de Nass. com asfigurasde Dioniso ede Sileno.Fig. 1 79. Uma escultura do século V a.C.. no Museu Nacwnal dAtenas.
  36. 36. quinze; Esparta, na época das Guerras Persas, temcerca de 8.000 habitantes; Egina, rica e famosa, temapenas 2.000.Esta medida não é considerada um obstáculo,mas, antes, a condição necessária para um organiza­do desenvolvimento da vida civil. A população deveser suficientemente numerosa para formar um exérci­to na guerra, mas não tanto que impeça o funciona­mento da assembléia, isto é, que permita aos cidadãosconhecerem-se entre si e escolherem seus magistrados.Se ficar por demais reduzida, é de temer a carência dehomens; se crescer demais, não é mais uma comunida­de ordenada, mas uma massa inerte, que não podegovernar-se por si mesma. Os gregos se distinguemdos bárbaros do Oriente porque vivem como homensem cidades proporcionadas, não como escravos emenormes multidões. Têm consciência de sua comumcivilização, porém não aspiram à unificação politica,porque sua superioridade depende justamente do con­ceito da polis, onde se realiza a liberdade coletiva docorpo social (pode existir a liberdade individual, masnão é indispensável).A pátria -como diz a palavra, que herdamos dosgregos - é a habitação comum dos decendentes de umúnico chefe de família, de um mesmo pai. O patriotis­mo é um sentimento tão intenso porque seu objeto élimitado e concreto:Um pequeno territ6rio, nas encostas dR uma montanha, atra­vessado por um riacho, escavado por alguma bala. De todos oslados, a poucos quilómetros de distância, uma elevação do terrenoserve de limite. Basta subir d ocr6pole para abarcá-la por mUlTOcom um olhar. ta terra sagrada da pátria.: o recinto da (ami/aa. astumbas dos antepassados. os campos CUJOS proprietáriOS a todos seI I
  37. 37. fl",h(("("m. a montanha flndfl �( 10; cnrtar hnha . .�P {PI(" {/8 "h"nhos O pastar ou se apanha o mel. os templos onde se assiste aossocrCficlOS. a acrópole aonde �e lal em proclssdo. Mesmo a menorcidad, � aquela JXla Qual Heitor corre ao etlco"tro da morte. osespartanos consIderam honroso " caar na primeira fila ", os romba·lentes di! Salam;,to se lançam d abordagem cantando o peã eSócrates �be a cicuta para não desobedecer àlei. (G. Glotz, introdu·ç40 a A Cidade Grega (1928), traduçdo italiana, Turim, 1955, par.1lI).Analisemos agora o organismo da cidade. O no­vo caráter da convivência civil se revela por quatrofatos:1)A cidade é um todo único, onde não existemzonas fechadas e independentes. Pode ser circundadapor muros, mas não subdividida em recintos secundá­rios, como as cidades orientais já examinadas. As ca­sas de moradia são todas do mesmo tipo, e são diferen­tes pelo tamanho, não pela estrutura arquitetônica;são distribuidas livremente na cidade, e não formambairros reservados a classes ou a estirpes diversas.Em algumas áreas adrede aparelhadas - a ágora,o teatro - toda a população ou grande parte dela pÓdereunir-se e reconhecer-se como uma comunidade or­gãnica.Fig. 180. Um templo do século Va.c. (o templo de Netuno em Pesto)7R2) O espaço da cidade se divide em três zonas: aliáreas privadas ocupadas pelas casas de moradia, asáreas sagradas - os recintos com ostemplos dosdeuses- e as áreas públicas, destinadas às reuniões politicas,ao comércio, ao teatro, aos jogos desportivos etc. OEstado, que personifica os interesses gerais da comu­nidade, administra diretamente as áreas públicas, in­tervém nas áreas sagradas e nas particulares. As dife­renças de função entre estes três tipos de áreaspredominam nitidamente sobre qualquer outra dife­rença tradicional ou de fato. No panorama da cidadeos templos se sobressaem sobre tudo o mais, porémmais pela qualidade do que por seu tamanho. Surgemem posição dominante, afastados dos outros edificios,e seguem algunsmodelos simples erigorosos - a ordemdórica, a ordem jónica - aperfeiçoados em muitasrepe­tições sucessivas; são realizados com um sistema cons­trutivo propositadamente simples - muros e colunasde pedra, que sustentam as arquitraves e as traves decobertura (Fig. 182) - de modo que as exigências técni­cas impeçam o menos possível o controle da forma(outros sistemas construtivos mais complicados, como
  38. 38. f)g. 181. A estrutura cm arco da passagem Inferior paro entrar nOEstád.o d. Ollmpia.Figs. /82·183. A estrutura em arquitraves de um templo dóricogrego do século V a.C. Cada parte, embora secundária, tem umnome e uma configuração estável:A. PLANTA: 1. rampa; 2. perlltale; 3. YNtibulo (pronao); 4. cela; 5. epiet6domo. B.ELEVADO: 6. Mtil6bata: 7. oolchetea; 8. fuste de coluna; 9. colarinho; 10. capitel; 11.armilu; 12. .,quino: 13. !baco; 14. ortoatatoa; 15. arquluavM: 16.(r1.o: 17. rquaeJOtas:18. liatel: 19. tna1i(o; 20. mêlope: 21. goteira; 22. m�tulOl com gotal; 23. telhado; 24.telhaado beiral; �. frontAo; 26. nicho do úontAo; 27. oomijahorilontal; 28. timpano; 29.oornlja obliqua; 30. antefual; 31. ac:rotêrio angular; 32. acrothio tenninal.BB-2-· • • • �I,A. ._�
  39. 39. os arcos - Fig. 181 - são reservados aosediJicios menosimportantes).3) A cidade, no seu conjunto, forma um organis­mo artificial inserido no ambiente natural, e ligado aeste ambiente por uma relação delicada; respeita aslinhas gerais da paisagem natural, que em muitospontos significativos é deixada intacta, interpreta-a eintegra-a com os manufaturados arquitetônicos. A re­gularidade dos templos (que têm uma planta perfeita­mente simétrica, e têm um acabamento igual de todosos lados devido à sucessão das colunas) é quase sem­pre compensada pela irregularidade dos arranjos cir­cunstantes, que se reduz depois na desordem da paisa-NFig. �84. PLanta do recinto sagrado de Olimpia, no fim da idadeclásslca.Justamente por estes quatro caracteres - a uni­dade, a articulação, o equilíbrio com a natureza, olimite de crescimento - a cidade grega vale doravantecomo modelo universal; dá à idéia da convivência hu­mana uma fisionomia precisa e duradoura no tempo.ROgem natural (Fig. 184-191). A medida deste equilíbrioentre natureza e arte dá a cada cidade um caráterindividual e reconhecível.4) O organismo da cidade se desenvolve no tem­po, mas alcança, de certo momento em diante, umadisposição estável, que é preferível não perturbar commodificações parciais. O crescimento da populaçãonão produz uma ampliação gradativa, mas a adiçãode um outro organismo equivalente ou mesmo maiorque o primitivo (chama-se paleópole, a cidade velha;n.eápole, a cidade nova; Fig. 250), ou então a partida deuma colônia para uma região longinqua9L____.:.Js90"1. muJOI grelo. do Altia; 2. mUf1» romanoll do Altia; 3. povoado hel.tmco; ... templo deHera e ZeUII; 5. ninfeu de Hercd811 Atic:o; 6. terraço do. tMIOUroi: .) Gela; b) Mepr&; c:)Metaponto; d) Selinunte; e) altar de 01; f) Cirene; ,) SibaN; b) BizAnao; i) Epldauro;j)Samo. (1); k) Siracua; I) Sicilo; 7. Metroon; 8. Mtll.dio; 9. •ntila .toa; 10. too d. EchOl;II. rodapfl com u baNe d.. colun.. de IUltentaçl0 du NtttU" de Aninoe • dePtolomeu II; 12. templo de ZeILl; 13. altar de Zeu. (?); 14. Pelopilo; 15. murodotern.Ço;16. Philipption; 17. pritaneu: 18. ainuio; 19. palMIra; 20. Theokoleon; 21. banhojTqo;22. term..; 23. Ha.pitium; 24. cua romana; 25. i,-reja bizantina; 26. ErcUU.riOD d.F1.diu; 27. Leonidaion; 2S. .too meridional; 29. bukutirion; 30. entrada neroniana; 31Hellanodikeion; 32. cua de Nero; 33. cua do octÓl�o.
  40. 40. 5. ROMA: A CIDADE E O IMPÉRIO MUNDIALNo Estado romano, que realiza a unificação polí­tica de todo o mundo mediterrânico, devemos distin­guir:1) o ambiente originário no qual nasce o poderioromano, isto é, a civilização etrusca que entre os sécu­los VII e VI aC_ se estende na Itália desde a Planície doPó até a Campânia;2) a exepcional sorte de Roma, que começd comouma pequena cidade sem importância, na fronteiraentre o território etrusco e o colonizado pelos gregos;desenvolve-se depois até se transformar na urbe, acidade por excelência, capital do império;3) os métodos de colonização usados pelos roma­nos em todo o território do império; em nosso campoiremos descrever três grupos de modificações do territõ-no:a) as "infra Ostruturas": estradas, pontes, aque­dutos, linhas fortificadas;b) a divisão dos terrenos agrlcolas em quintascultiváveis;c) a fundação de novas cidades;4) a descentralização das funções políticas no fi­nai do império; daí as novas capitais regionais, e acapital do Oriente, Constantinopla, onde o governoimperial continua por mais dez séculos_Constantinopla torna-se posteriormente Istam­bul, a capital do império turco, e continua uma dasprincipais cidades do mundo ocidental até a épocamoderna.. ",. . .�D i ._. .-,._ --.. --_ ......_. .. - .o-L- ________.. .... .Fig. :">90. Tumba em forma de pOfoda ldade do Bronze, da Via Sacrade Roma1 ,)".).)
  41. 41. ,-...., ," -"-" , .. 7· "_,;.:..J., - ,----, "1-1- "l -,.-_, • ,. I L..... " ..- ..... . . . . . . .., ,..,--.... t" .. . "•• •. .. ., ., ,,,, ,, , ,, , .. �L::::::i• •. .• •• •• •� , :... - . .171--;;",,..L..-1fn/,-,-,=-:J .• •.. .• • •",r.".,,�::...:. " , , , ", I"�--------J-__ 1s�--r-�___ , E J---___ , .. ...._.. .. - ..,.I " - - - ,-- -------------------------�--Nesta cidade viveram, até o século III d.C., de700.000 a 1.000.000 de habitantes; a maior concentra­ção humana até agora realizada no mundo ocidental.Devemos imaginar, em volta dos monumentos públi­cos, a multidão das casas, e analisar o funcionamentotDtal deste grande organismo.Os Catálogos Regionais fornecem, no fim do sé­culo III, os seguintes dados estatísticos: 1.790 domuse 44.300 insulae. As domus (Fig. 342) são as casasindividuais tipicas das cidades mediterrânicas, oom umou dois andares. fechadas naparte externa eabertasparaos espaços internos; compreendem uma série de locaisde destinação fixa, agrupados ao redor do atrium e doperistüium, e cobrem uma superficie de 8()O.1.000 me­tros quadrados, corno as bem conhecidas casas dePompêia e de Herculana (Figs. 347-368); são reserva·das para as familias mais ricas, que ocupam, por si só,um terreno precioso. As insulae (Fig. 345) são oonstru­çôe8 coletivas de muitos andares, cobrem uma superfi-Fig. 342. Um fragmento da fonna urbis, onde se vêem (d esquerda)três "domus " uma ao lado da outra.cie de 30Ó4oo metros quadrados e compreendem umgrande número de cômados iguais, que olham para oexterior com janelas e balcões; os andares térreos sãodestinados às lojas (tabemae) ou a habitações maisnobres (que são igualmente chamadas de domus); osandares superiores são divididos em apartamentos (ce­nacula) de vários tamanhos para as classes médias einferiores. Os exemplos escavados em Óstia (Figs. 374-376) dão uma idéia bastante precisa dessas casas.As insulae nasceram por volta do século IVa.C.,para hospedar dentro dos muros sérvios uma popula­ção crescente, e se tornaram cada vez mais altas, atéque Augusto estabelece o limite mâximo de 21 metros,isto é, de 6 a 7 andares, e mais tarde, Trajano fixa olimite em 18 metros, istD é, de 5 a 6 andares. Os murossão de madeira: portantD, desabam com facilidade. Oscenacula não tém água corrente (que chega somenteaos locais do ardar térreo); não têm privadas (os habi-163
  42. 42. 164tantes esvaziam seus urinóis num recipiente comum- dolium - no patamar das escadas, ou como narrammuitos escritores, diretamente pelas janelas na rua);não têm aquecimento nem chaminés (para cozi­nhar ou para se defender do frio são usados braseirosportáteis, que aumentam os perigos de incêndio); asjanelas não têm vidraças, mas apenas cortinas oupersianas de madeira, que excluem da mesma forma oar e a luz. Apesar destas limitações, os alojamentos nacapital são alugados a preços muito altos: no tempo deCésar por uma domus pagam-se 30.000 sestércios porano, e para o pior cenaculum, pelo menos 2.000 sestêr­cios: a importância necessãria para adquirir uma pro­priedade agrícola no interior. Ascasas são construídaspor empresãrios privados, que fazem especulação, detodas as maneiras, com os terrenos e as construções:todos se lamentam por isso, desde os tempos republica­no. O Estado impõe proibições e regulamentos, masnão consegue corrigir as dificuldades da grande maio­ria dos cidadãos.Fig•. 34�.346. Fragmento. da (orma urbia com planta. d� inau­lae, t dOll elemento. do equipamento m6uel do. cenacula.: umalanterna e um fogareiro portátil.
  43. 43. AS ESTKADAS E AS PONTESA construção das estradas segue pari passu ãconquista das provincias; serve para o movimento dosexércitos, depois para o tráfego comercial e as regula­res comunicações administrativas.A estrada repousa sobre um calçamento artificialde pedras batidas (rudus) coberto com saibro cada vezmais fino e revestido por um manto de pedras chataspoligonais (gremiwn) (Fig. 388). A largura é limitada a4-6 metros, o bastante para permitir a passagem dospedestres (iter) e dos carros (actus); mas o pelfil longitu­dinal, isto é, a sucessão das curvas e dos declives, étratado de modo a tornar o trânsito mais fácil e maisrápido. Onde não existem obstáculos naturais são pre­feridos os traçados retilineos mesmo que bastante lon-Fig6. 390-391. A Via Ama nas proximidades de Roma, flanqueadapelos b(puú:ros, e o Ponte Mílvio sobre (J Tibre, 10 início da ViaF1ominia.1 f:lfigos (como o da Via Ápia ao longo dos pântanos ponti·nos, com 60 quilõmetros); onde existe um relevo pordemais acidentado cortam·se as rochas, de modo que aestrada possa correr o mais reta e plana possível (oMonte Rachado entre Pozzuolj e Cápua; o Passo doI<"rlo onde a Via F1amínia atravessa o Apenino; oPisco Montano de Terracina, cortado por 40 metros dealtura a fim deixar passar a Via Ápia entre a �crópolee o mar); escavam-se galerias (a Gruta da Paz entre olago do Averno e Cuma, com 900 metros e iluminadapor poços de luz).A passagem dos cursos de água exige a construoção de numerosas pontes de pedra ou de madeira; mujotas destas pontes ainda estão funcionando, como ascinco em Roma (Ponte Mílvio, Fig. 391, Ponte Hélio,PonteSisto, e as duas da IlhaTiberina), as duas na Via
  44. 44. Fig. 392. Modelo da ponte romana sobre o Tejo em Alcântara.dedicada a Trajano.Ftl(. 394. O aqueduto romalIo dp sPg6uia, derwmmado "ponte dodtabo",---:..-.;;;F;.._ _ _ _-, -.� ,. -n•,..--------
  45. 45. F1amlnia em Narni e Rímini, a de Ascoli sobre o Tron­to, a ponte de Pedra em Verona. A largura é semprelimitada - no máximo 7-8 metros - enquanto existemexemplos de comprimento considerável (a ponte deMérida na Espanha, com 60 arcadas, chega a quase800 metros); o vão das arcadas chega a 35 metros naponte sobre o Tejo em Alcântara (Fig. 392).Na rede de estradas romana funciona, a partir deAugusto, um serviço regular de correio (cursus publi-OS AQUEDUTOSOs aq uedutos, como as estradas, também sãoconsiderados um serviço público; são construídos emtodas as cidades pelo Estado ou pelas administraçõeslocais para satisfazer os usos coletivos, e apenas secun­dariamente os usos individuais.Os romanos utilizam, de preferência, água denascente, ou água fluvial filtrada; canalizam-na numconduto retangular (specus) revestido com reboco detijolos em pó (apus signinum) coberto mas passível deser inspecionado e arejado, com declive o mais cons­tante possível (de 10 a 0,2 por mil, segundo as caracte­rísticas do percurso) de maneira que a água flua livre­mente (Fig. 397). Os romanos, como os gregos, conhe­cem o uso do sifão e o aplicam em certos casos comvirtuosismo técnico (no antigo aqueduto de Alatri, de1 :34 a.C., se alcança a pressão de 10 atmosferas e foramusados encanamentos de alta resistência; no aquedutode Lião existe um tríplice sifão com tubulações dechumbo). Mas preferem que a água chegue na cidade apressão reduzida, para não superar o limite de resistên­cia das tubulações de distribuição; por isso o aqueduto,quando atravessa um vale, é elevado sobre uma oumais séries da arcadas.CUS), com estações secundárias (mutatiaMs, para atroca de cavalos) e estações principais (mansianes, pa­ra o pernoite, distantes um dia de viagem, com seis ousete mutatianes intermediárias). O cursus é reservadoaos funcionários públicos e utiliza correios a cavalo(speculatares), �arros leves ou pesados para as merca­dorias. Os particulares podem organizar nas estradasum serviço postal próprio, com tabel/ari (carteiros) a péou a cavalo.Fig. 395. O Castellum de distribuiçdo do aqueduto de NifM;pl6.t�co de 1939.Ao longo do percurso e na chegada dos aquedu­tos se encontram os reservatórios de decantação (pisci­nae úmarzae), onde a água deposita as impurezas; ems�gUlda passa pelos tanques de distribuiçào (castel/a,Fig. 395) onde é medida passando através dos calicesde bronze, e daí às tubulações da cidade, feitas depedaços de tubos de chumbo (fistulae) com 10 pés emmédi":,, .ou seja, cerca de 3 metros. Para alguns usosesp�clalS eXl�tem reservatórios maiores (a Piscina Ad­mlravel de Miseno, para as necessidades do porto mili­tar, pode conter 1 2.600 m).As obras de arte construídas na província - co­mo as pontes de várias ordens de ", �adas tlus aquedu­tos de Terragona e de Segóvia, na Espanha, e de Ni­mes na França (Figs. 394 e 398-399) - parecem serdevidas, em certos casos, não a neces idades técnicasmas á vontade de deixar obras monumentais e impres­sionantes; de fato, na Idade Média, quando será impos­sível construir manufaturados deste gênero, as popula­ções continuarão a chamá-Ias de "pontes do diabo" e aconsiderá-Ias obras de um poder sobrenatural.a
  46. 46. Fig. 396. As ruinas do aqueduto de Cláudio; pode-se ver, ao alto, aseção do conduto para a água.Fig. 397. Axonometria do conduto do aqueduto Anio Vetus emRoma.1 I)
  47. 47. p--� ---- ___ • __r. . ,_� """ .-- ..... .-. ----- --�-�-._..........., .....----r.�......���iI!"I"lieU, /" ,.:�,..,.,... .... - - -- - -- .- - "-...; " .-...: _-. . - • .• ., ,):.... .... _"":- .; (" � to q. . _ __ ___ . _ - _ _ ___ . __ _• .""1 ..... - , ........ ....... ..._�,-=;>..�"_�,J,-"-FIl:s. .198-.199. A Pont du Gard nas proximidades de Nimes, na. Gáliamerldionol: lista pm perspectiva, prospecto e secções.I !IO
  48. 48. AS LINHAS FORTIFICADASNos confins do império, onde os romanos renun­ciam a estender suas conquistas, consolidam as fron­teiras alcançadas, construindo os limites, que são umconjunto de , benfeitorias espalhadas em uma faixamais ou menos profunda,O elemento essencial do limes é uma estrada,aberta em zonas de matagal, ou sobrelevada em zonaspantanosas, a fim de permitir a passagem dos exérci­tos, A fronteira é reforçada com um fossatum (umaescavação artificial, onde não existe a defesa naturalde um rio) e com um valium (um muro continuo demadeira, de terra, ou de pedra), Ao longo de seu percur­so ou mais recuadas se acham as instalações militares:acampamentos (castra), presídios menores (castella),bases fortificadas (burgi e turres); com o sistema dedefesa colaboram as cidades fortificadas nas retaguar­das (oppida),leala R�___ Estradas........ Canais . . .• Cidades secundArias.• Cidades principaiso�OO_"I!B.�I!!0"""!!!!..gob��",,,;;.o....�ml.o 50 100 200 ]00 km.Os limites mais importantes dizem respeito asfronteiras setentrionais do império: o limes germânicoconstruído além do Reno e do Danúbio por Tibério,Germânico e Domiciano, que é antes um caminho dedefesa ao longo de uma fronteira aberta (Fig, 402); olimes de Adriano, entre a Inglaterra e a Escócia, que éao contrrno uma fortificação guarnecida (Fig, 400), Oprimeiro tem mais de 500 quilômetros, o segundo cercade 1 10, Vistos dentro do quadro geral, devem ser consi­derados como complementos artificiais para realizar acontinuidade da fronteira marcada pelos mares, peloReno e pelo Danúbio; fica assim confirmada a analo­gia do império com a cidade, do orbe com a urbe, Oimpél;o também tem suas estradas, seus muros, seusserviços em escala geográfica, como os da cidade emescala topogrâfica,Fig. 400. As obras públicas romanas na Britânia: estradas. canaIS,cidades, e o vale de Adriano na fronteira com a Escócia.Fig. 401. O palácio dos tribunos, no acampamento de Xanten (Cas­tra Vetem), na Alemanha.I !/1
  49. 49. ,..I !J:.!no século II Fig. 4U2. O limes romano na Alemanha, entre o Reno e o Danúbwsob Domiciano51-96Csstellaestradas mUitaresem grifo: nomes modernosFigs. 403-404. Os sinais da coloniza<�ào romana na paisagem dehoje: o limes romano nas proximidades de Vel.zhelm. no Württem­berg, e a centuriatio romana na campanha emiliana.
  50. 50. A COLONIZAÇÃO DOS TERl}ENOS AGRÍCOLASOs traçados retílineos das estradas principaisservem de linhas de referência para a divisão racionaldo território cultivãvel (a centuriatio), onde este é atri­buido aos colonos romanos ou latinos enviados aosterritórios de conquista.A centuriatio está baseada numa grade de estra­das secundárias (também chamadas limites): os decu­mani, paralelos ã dimensão maior do territólio ou àestrada Plincipal; os cardines, perpendiculares a estese mais cUltoS. Uns e outros têm entre si 20 actus dedistância (o actus é a unidade de medida agrária, iguala cerca de 35 metros), isto é, uns 700 metros, e determi­nam outros tantos lotes quadrados chamados centu­riae, que têm a superfície de 200 jugeri. cerca de.50hectares. Cada uma pode ser altibuída a um úmcoproprietário, a 2, a 4 ou a um número maior; num �as,o(na colônia de Terracina de 329 a.C.), a 100 propneta­rios.Esta operação é executada por técnicos especiais,os agrimensori ou gromatici, com um instrumentocha-Fig. 405. A groma, que serviapara traçaro� alirlha,�entosperpel1di­cuiares da centuriatío e dos planos das CIdades. J:..ra for,mada porquatro listéis de madeira. com cerca de 45 cm de comprimento, osquais sustinham quatro fios de prumos; a haste Q,ue os sustent� vaera fincada no terreno de maneira que o centro estwesse na verticaldo aro grauado na pedra.FIg. 406. A centuriatio di Minturno. como é repreSefttada no livrodos Gromatici veteree..mado grama (Fig. 405). Os textos � re�acion�m com aciência augurai etrusca, e com a diVlsao do ceu segu�­do as direçôes dos pontos cardeais. Mas a onentaça?dos decumani e dos cardines não segue, nonnalmente,os pontos cardeais, e é inclinada para aproveitar damelhor maneira a forma do território. Da zona aSSimdividida, preparava-se uma planta de bronze, da qu�uma cópia permanecia na capital do distnto da colo­nia e outra era enviada para Roma.Os limites, como dissemos, são ao mesmo tempofronteiras cadastrais e estradas públicas: realizam as­sim um imponente sistema de vias secundárias, quenào tem precedentes no mundo antigo e que garantema penetração capilar do sistema agrário, econômico eadministrativo romano.O quad.iiculado de centuriatio romana ainda éperfeitamente legível em muitas zonas plana� do imp�rio e sobretudo na Itália Setentrional (Emlha e Ve­neto), nos arredores de Florença. na Planície de Cápua,na Tunísia, na França Meridional (Figs. 404 e 407408)De fato, os limites de propriedades, as estradas e oscanais continuaram imitando esta trama mesmo de­pois do desaparecimento do sistema agrícola antigo.193

×