Coagulação sanguínea

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Coagulação sanguínea

  1. 1. Coagulação sanguíneaOrigem: Wikipédia, a enciclopédia livre.A coagulação sanguínea é uma sequência complexa de reações químicas que resultam naformação de um coágulo de fibrina. É uma parte importante da hemostasia (o cessamento da perdade sangue de um vaso danificado), na qual a parede de vaso sanguíneo danificado é coberta por umcoágulo de fibrina para parar o sangramento e ajudar a reparar o tecido danificado. Desordens nacoagulação podem levar a um aumento no risco de hemorragia, trombose ou embolismo.A coagulação é semelhante nas várias espécies de mamíferos. Em todos eles o processo envolveum mecanismo combinado de células (plaquetas) e proteínas (fatores de coagulação). Esse sistemanos humanos é o mais extensamente pesquisado e consequentemente o mais bem conhecido. Esseartigo é focado na coagulação sanguínea humana. Índice [esconder]1 Visão geral2 Hemostasia Primária3 Hemostasia Secundária o 3.1 Cascata de Coagulação  3.1.1 Vía intrínseca  3.1.2 Vía Extrínseca  3.1.3 Formação da Trombina o 3.2 Co-fatores da coagulação o 3.3 Inibidores da Coagulação4 Distúrbios da hemostasia5 Fatores de Coagulação6 Fibrinólise7 História o 7.1 Descobertas iniciais o 7.2 Fatores de coagulação o 7.3 Nomenclatura8 Bibliografia9 Referências10 Ligações externas[editar]Visão geral
  2. 2. Em um indivíduo normal, a coagulação é iniciada dentro de 20 segundos após a lesão ocorrer aovaso sanguíneo causando dano às células endoteliais. As plaquetas formam imediatamente umtampão plaquetário no local da lesão. Essa é a chamada hemostasia primária. A hemostasiasecundária acontece quando os componentes do plasmachamados fatores decoagulação respondem (em uma completa cascata de reações) para formar fios de fibrina, quefortalecem o tampão plaquetário. Ao contrário da crença comum, a coagulação a partir de um cortena pele não é iniciada pelo ar ou através da secagem da área, na verdade ocorre através dasplaquetas que se aderem e que são ativadas pelo colágeno do endotélio do vaso sanguíneo que ficaexposto, quando cortado o vaso. As plaquetas ativadas então liberam o conteúdo de seus grânulos,que contém uma grande variedade de substâncias que estimulam uma ativação ainda maior deoutras plaquetas e melhoram o processo hemostásico..[editar]Hemostasia Primária Vasoconstrição: primeiramente o vaso lesado se contrai. Adesão: Inicia-se quando as plaquetas se aderem ao endotélio vascular. Essa aderência acontece com uma ligação entre a glicoproteína Ib/IX/V na superfície das plaquetas e colágeno exposto durante a lesão do endotélio. Essa ligação é mediada pelo fator de von Willebrand que funciona como uma "ponte" entre a superfície da plaqueta e o colágeno. Quando ocorre uma desordem qualitativa ou quantitativa deste fator ocorre a Doença de von Willebrand. A aderência leva a ativação plaquetária. Quando ocorre falta da glicoproteína Ib ocorre a Síndrome de Bernard-Soulier. Ativação Plaquetária: Quando ocorre a ativação das plaquetas, elas mudam de forma e liberam conteúdos dos seus grânulos no plasma entre eles produtos de oxidação do ácido araquidônico pela via cicloxigenase (PGH2 e seu produto, o tromboxane), ADP, fator de ativação plaquetária (PAF). Quando ocorre uso de aspirina por um indivíduo, ocorre a inativação da enzima cicloxigenase evitando a síntese de PGH2 e tromboxane e ocorre um prolongamento do tempo de sangramento. Agregação plaquetária: as plaquetas se agregam uma às outras, formando o chamado "trombo branco".[editar]Hemostasia Secundária[editar]Cascata de Coagulação
  3. 3. Cascata de Coagulação. Legenda: HMWK =Cininogênio de Alto Peso Molecular, PK= Precalicreína, TFPI=Inibidor do Fator Tissular. Seta preta= conversão/ativação de fatores. Seta vermelha=ação dos inibidores. SetaAzul= reações catalisadas por fatores ativados. Seta Cinza= várias funções da trombina.Possui duas vías: intrínseca (vía da ativação de contato) e extrínseca (vía do fator tissular). Ambasvías tem grande importância e acabam se juntando para formação do coágulo de fibrina. Os fatoresde coagulação são numerados por algarismos romanos e a adição da letra aindica que eles estãoem sua forma ativada. Os fatores de coagulação são geralmente enzimas (serino proteases) comexceção dos fatores V e VIII que são glicoproteínas e do fator XIII que é uma transglutaminase. Asserino proteases agem clivando outras proteínas.[editar]Vía intrínseca Necessita dos factores de coagulação VIII, IX, X, XI e XII além das proteínas pré-calicreína (PK), cininogênio de alto peso molecular (HWHK) e íons cálcio. Começa quando a PK, o HWHK, factor XI e XII são expostos a cargas negativas do vaso lesado, isso é chamado de "fase de contacto". A pré-calicreína então converte-se em calicreína e esta activa o fator XII. O fator XII activado acaba convertendo mais prekalicreína em calicreína e activando o factor XI. Na presença de íos cálcio, o fator XI ativado ativa o IX. Por sua vez o factor IX activado junto com o factor VIII activado, levam à activação do factor X. Deste modo, o complexo enzimático
  4. 4. constituído pelo factor X activado, juntamente com o factor V activado e Ca++, denomina-se de Protrombinase.[editar]Vía Extrínseca Após a lesão vascular, o fator tecidual (fator III) é lançado e forma junto ao fator VII ativado um complexo (Complexo FT-FVIIa) que irá ativar os fatores IX e X. O fator X ativado junto ao fator V ativado formam um complexo (Complexo protrombinase) que irá ativar a protrombina em trombina. A trombina ativa outros componentes da coagulação entre eles os fatores V e VII (que ativa o fator XI que por sua vez ativa o fator IX). Os fatores VII, juntamente com o factor tecidual e Ca++ ativados formam o Complexo Tenase Extrínseco que por sua vez ativa o fator X.[editar]Formação da TrombinaO ponto comum entre as duas vías é a ativação do fator X em fator Xa. Por sua vez, o Fator Xaconverte a protrombina em trombina. A trombina tem várias funções: A principal é a conversão do fibrinogênio em fibrina. O fibrinogênio é uma molécula constituída por dois pares de três cadeias diferentes de polipeptídeos. A trombina converte o fibrinogênio em monômeros de fibrina e ativa o fator XIII. Por sua vez, o fator XIIIa liga de forma cruzada a fibrina à fibronectina e esta ao colágeno. Ativação dos fatores VIII e V e seus inibidores, a proteína C (na presença de trombomodulina). Ativação do Fator XIII.[editar]Co-fatores da coagulação Cálcio: Age mediando a ligação do Fatores IXa e Xa junto as plaquetas através da ligação terminal dos resíduos gamma-carboxi dos fatores IXa e Xa junto a fosfolípideos da membrana das plaquetas. O cálcio também está presente em vários pontos da cascata da coagulação. Vitamina K: Adiciona um carboxil ao ácido glutâmico residual dos fatores II, VII, IX e X e também as proteínas C, S e Z.[editar]Inibidores da CoagulaçãoTrês substâncias mantêm a cascata da coagulação em equilíbrio. Defeitos quantitativos equalitativos destas susbstâncias podem aumentar a tendência a trombose. Proteína C: Age degradando os fators Va e VIIIa. É ativado pela trombina em presença da trombomodulina e da co-enzima proteína S. Antitrombina: Age degradando as serino proteases (trombina, FXa, FXIIa e FIXa) Inibidor do Fator Tissular: Inibe o FVIIa relacionado com a ativação do FIX e FX.Exemplos de anticoagulantes farmacológicos:
  5. 5.  Heparina Varfarina[editar]Distúrbios da hemostasia Distúrbios das plaquetas e da parede do vaso  Púrpura trombocitopênica imune (ITP)  Púrpura trombocitopênica trombótica (TTP)  Síndrome hemolítica-urêmica (HUS)  Trombastenia de Glanzmann  Síndrome de Bernard-Soulier (complexo gricoprotéico Ib-IX-V anormal)  Storage pool disorders  Hemoglobinúria paroxística noturna  Síndrome da plaqueta cinza: deficiência de grânulos alfa.  Síndrome de Hermansky-Pudlak: deficiência de grânulos densos. Distúrbios da coagulação e trombose  Coagulação intravascular disseminada  Deficiências de fatores  Hemofilia A (deficiência do Fator VIII)  Hemofilia B (deficiência de Fator IX, "Christmas disease")  Hemofilia C (deficiência de Fator XI, tendência de sangramento suave)  Doença de Von Willebrand (o distúrbio de sangramento mais comum)  Inibidores de fator  Disfunção plaquetária Distúrbios de predisposição a trombose (veja: hipercoagulabilidade)  Trombocitopenia induzida por heparina e trombose ("síndrome do coágulo branco")  Síndrome antifosfolípide  Lúpus anticoagulante  Anticorpo anticardiolipina  Fator V de Leiden e resistência à proteína C ativada  Mutação da protrombina  Deficiência de proteína C  Deficiência de proteína S  Deficiência de antitrombina III  Níveis aumentados anormalmente dos fatores VIII e XI[editar]Fatores de Coagulação
  6. 6. Fatores de Coagulação e Substâncias Relacionadas Número ou Nome FunçãoI (Fibrinogênio) Formação do coágulo (fibrina) Sua forma ativada (IIa) ativa os fatores I, V, VIII, XIII, proteína C eII (Protrombina) plaquetasFator tissular fator III Necessário aos fatores de coagulação para estes se ligarem aosCálcio fosfolipídios (antigamente conhecido como fator IV)V (pró-acelerina, fator lábil) Co-fator do X com o qual forma o complexo protrombinaseVII (Fator Estável ou Pró- Ativa os fatores IX e Xconvertina)VIII (Fator Anti-hemofílico) Co-fator do IX com o qual forma o complexo tenaseIX (Fator de Christmas) Ativa o fator X e forma complexo tenase com o VIIIX (Fator de Stuart-Prower) Ativa o II e forma complexo protrombinase com o VXI (Antecedente Tromboplastina Ativa o XII, IX e pré-calicreínaPlasmática )XII (Fator de Hageman) Ativa a pré-calicreína e p fator XIXIII (Fator estabilizante de Fibrina) Fibrina com ligação cruzadaFator de von Willebrand Liga-se ao fator VIII e ajuda na adesão plaquetária
  7. 7. Ativa o XII e a pré-calicreína. Cliva o clininogênio de alto pesoPré-calicreína molecular.Cininogênio de alto peso Ajuda na ativação do XII, XI, e pré-calicreínamolecular (HMWK)Fibronectina Ajuda na adesão celularAntitrombina III Inibe o fator IIa, Xa, e outras proteases;Co-fator heparina II Inibe o IIa, co-fator para heparinaProteína C Inativa o Va e VIIIaProteína S Co-fator para ativação da proteína C Ajuda na adesão da trombina aos fosfolipideos e estimula aProteína Z degradação do fator X pelo ZPIProteína Z-relacionada ao inibidor Degrada fatores X (na presença da proteína Z) e XIde protease (ZPI) (independentemente)Plasminogênio Converte-se em plasmina, lisa a fibrina e outras proteínasAlfa 2-antiplasmina Inibe a plasminaAtivador do plasminogênio Ativa o plasminogêniotissular (tPA)Uroquinase Ativa o plasminogênio[editar]FibrinóliseÉ uma resposta ao depósito de fibrina formado no organismo de um indivíduo. O plasminogênioliberado pelas células endoteliais é ativado em plasmina cuja função é degradar a fibrina formada.[editar]História
  8. 8. [editar]Descobertas iniciaisTeorias sobre a coagulação do sangue já existiam desde a antiguidade, mas foi no século XIX queas primeiras substâncias químicas foram descobertas. O fisiologista alemãoJohannes Müller (1801-1858) descreveu a fibrina, a substância que compõem o trombo. Seu precursor solúvel,o fibrinogênio, foi assim batizado por Rudolf Virchow (1821-1902), e isolado quimicamentepor Prosper Sylvain Denis (1799-1863). Alexander Schmidt sugeriu que a conversão de fibrinogênioem fibrina é o resultado de uma processo enzimático, e rotulou a enzima hipotética de "trombina" eseu precursor "protrombina".[1][2] Nicolas Maurice Arthus descobriu em 1890 que o cálcio é essencialna coagulação.[3][4] As plaquetasforam identificadas em 1865, e sua função foi elucidada por GiulioBizzozero em 1882.[5]A teoria do que a trombina é gerada pela presença de fator tecidual foi consolidada por PaulMorawitz em 1905.[6] Nesta época, sabia-se que o fator III é liberado pelos tecidos lesados, reagindocom a protrombina (II), que, juntamente com cálcio (IV), forma a trombina, que por sua vez converteo fibrinogênio em fibrina (I).[7][editar]Fatores de coagulaçãoO restante dos fatores bioquímicos no processo de coagulação foram amplamente descobertosno século XX.Um primeiro indício quanto à própria complexidade do sistema de coagulação foi a descobertade proacelerina (mais tarde chamada de Fator V) por Paul Owren (1905-1990) em 1947. Eletambém postula que esta substância era precursora da acelerina (Fator VI), que mais tarde tornou-se a forma ativada de fator V (ou Va), daí, o VI não está em uso ativo.[7]O fator VII (também conhecido como acelerador da conversão sérica deprotrombina ou proconvertina, precipitada por sulfato de bário) foi descoberto em um paciente jovemdo sexo feminino em 1949 e 1951 por diferentes grupos.Factor VIII acabou por ser deficiente no clinicamente reconhecido mas etiologicamenteindescritível hemofilia A, foi identificado em 1950 e é também conhecida como globulinaanti-hemofílica, devido à sua capacidade de corrigir hemofilia A.[7]O Fator IX foi descoberto em 1952, em um paciente jovem com hemofilia B chamado StephenChristmas (1947-1993). Sua deficiência foi descrito pelo Dr. Rosemary Biggs e pelo professor R.G.MacFarlane em Oxford, no Reino Unido. O fator é, portanto, chamado Fator de Christmas.Christmas vive no Canadá, e fez campanha para a segurança das transfusões de sangue, atésucumbir à transfusão relacionadas com AIDS aos 46 anos. Um nome alternativo para o fator deplasma é componente tromboplastina, dado por um grupo independente, na Califórnia.[7]O Fator Hageman, agora conhecido como fator XII, foi identificado em 1955 em um pacienteassintomático com um tempo de sangramento prolongado chamado John Hageman. O fator X, oufator Stuart-Prower, foi descoberto no ano seguinte, em 1956. Esta proteína foi identificada na Sra.
  9. 9. Audrey Prower de Londres, que tinha tendência ao sangramento ao longo de toda a sua vida. Em1957, um grupo americano identificou o mesmo fator em Sr. Rufus Stuart. Já os fatores XI e XIIIforam identificados em 1953 e 1961, respectivamente.[7]A visão de que o processo de coagulação é uma "cascata" ou "cachoeira" foi enunciada quasesimultaneamente por MacFarlane[8] no Reino Unido e por Davie e Ratnoff[9] nosEstados Unidos.

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