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CAPÍTULO IV
Terceira Parte
DATA: 27-06-2016
O Homem Velho 2
– Vida no mundo espiritual
– Trabalho e aprendizado
– Tomada de Consciência
– Lei de Progresso
“O sábio aprende com as exp...
“No intervalo de suas encarnações o Espírito progride
igualmente, no sentido em que se aplica ao seu
adiantamento os conhe...
Camilo e a Equipe voltaram à
Terra muitas vezes.
Múltiplos deveres ali os
chamavam. Era campo vasto
de experimentações, po...
Socorreram, junto às
caravanas, os infelizes
suicidas perdidos no
Invisível Inferior como nos
abismos terrestres.
Seguiram...
Visitaram frequentemente reuniões organizadas por
discípulos de Allan Kardec, com eles colaborando.
Acudiram a imperativos...
Penetraram até lares de
grandes da Terra, onde
haviam graves ocasiões para o
suicídio.
Iam a toda parte onde
existissem lá...
Indóceis aflições às vezes os
surpreendiam ao contato dessas
angústias alheias, no entanto,
mais vezes obtinham doces
cons...
Produziam peças vazadas em temas elevados e inspirados
no Evangelho, na Moral, como na ciência, romances,
poemas, noticiár...
Isto seria feito através da operosidade mediúnica, ou
inspirando mentalidades sérias capazes de captar-lhes as
ideias. Qua...
Luminares da Colônia, como
Teócrito, Ramiro de Guzman
e Aníbal de Silas se
revelaram artistas com dons
superiores na liter...
Vinham caravanas vizinhas que emprestavam brilho
artístico e confortativo às experimentações.
Nomes respeitosos da Terra a...
Vultos como Victor Hugo e Frédéric
Chopin (suicida inconsciente), que
traduziu sua música em imagens e
narrações.
O gênio ...
Ficaram sabendo ali que
Victor Hugo reencarnara na
Terra desde muitos séculos,
partindo da Grécia para a
Itália e a França...
Quanto a Chopin, alma
insatisfeita, que somente agora
compreendia que com Jesus
encontrará o segredo dos
sublimes ideais, ...
Os aprendizes deveriam igualmente traduzir suas
criações mentais em imagens e cenas como faziam seus
mentores com suas liç...
Seriam para eles (médiuns
encarnados) um estímulo ao
trabalho mediúnico a que se
comprometeram ao
reencarnar.
Daí o entusi...
Não contavam com o
pouco interesse dos
médiuns de se ativarem
em torno dos ideais
cristãos, que julgam
defender, mas são
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Tem o dever sagrado de defender
a si próprios e seus semelhantes
da ignorância relativa às causas
espirituais, uma vez que...
Com tristeza constatam esse
desinteresse dos médiuns, bem
como o apego aos atrativos e às
ociosidades do plano material,
e...
A humanidade braceja nas trevas
em pleno século das luzes, com
fome do pão espiritual, sedenta
daquela água viva que lhe
a...
As damas vigilantes, bondosas e caritativas, como toda
mulher que tem a educação moral inspirada ao ideal
divino, começara...
Criaram recantos dulcíssimos para a sensibilidade dos
habitantes, ambientes íntimos encantadores que os
levavam a recordaç...
Esses ambientes existiriam
provisoriamente, apenas
enquanto durassem nossas
necessidades de compreensão
e consolo.
Muitos ...
Um recanto de
sala, uma
varanda florida,
uma ponte
bucólica, uma
praia, uma
alameda
conhecida, por
onde muitas
vezes
camin...
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No cenário da casa que nasceu, Camilo teve
a inefável satisfação de rever a sua mãe
querida, que morreu quando ainda er...
De todos eles recebeu carinhosas
advertências, conselhos preciosos,
testemunhos de afeto perene.
Nenhum pedia-lhe contas d...
Eles mesmos, sem perceberem ,
forneciam elementos para que
tudo fosse realizado assim. Os
instrutores e educadores
examina...
Seus entes disseram que nada
podiam fazer em seu benefício,
devido a situação melindrosa que
criara com o suicídio, situaç...
E assim, debaixo de arvoredos
que lembravam os pomares e os
quintais da casa que viveu,
demorou-se em conversas com
muitos...
A Sra. Queiroz e Souza disse-lhe que dor
profunda e incontrolável a atingira com
a surpresa de vê-lo sucumbir com o
suicíd...
Em vão o procurava pelas sombrias
regiões por onde transitara com
funestas confusões, arrependida de
haver renegado o amor...
Para esse encontro, Dóris
Mary e Rita de Cássia,
prepararam o ambiente da
velha biblioteca da mansão
dos Queiroz e Souza, ...
O LIVRO DOS ESPÍRITOS
983 – Não experimenta sofrimentos materiais o Espírito
que expia suas faltas em nova existência? Ser...
990 – O arrependimento tem lugar no estado corporal e
espiritual?
991 – Qual é a consequência do arrependimento no
estado ...
998 – A expiação se cumpre no estado corporal ou no
estado de espírito?
R – Ela se cumpre durante a existência corporal pe...
Dois anos depois, outro
acontecimento marcou o espírito
de Camilo.
Chegou a hora de rever suas
encarnações passadas.
Sento...
Ninguém ignorava a espécie de
indivíduo orgulhoso e caráter
corrompido que encarnou em
Portugal, pois bagagem moral
ruim a...
Ele ficou frente a frente com o
Tribunal da Consciência.
Rodearam-no os Mestres,
desferindo poderosos
recursos fluídicos s...
Estava desesperado, se
tivesse corpo físico,
estaria banhado em
suores gelados. Quis
resistir por covardia,
prevendo a ver...
Suplicou. Epaminondas o
encorajou a marchar para a
glória! É a reabilitação que se
impõe todas as vezes que a
dor se acerc...
Sem ter muita consciência,
sentiu-se envolvido em
jatos de luz, ficou tonto e
viu se reanimar toda a
longa série de vidas
...
Então ouviu o instrutor:
“Eu te ordeno, Alma criada para
glória da eleição no Seio Divino:
Volta ao ponto de partida e est...
Assim, perdeu a lembrança do presente e mergulhou a
consciência no passado.
Não apenas recordava, como vivia naquela época...
Revendo esse passado, a consciência repudiava-o,
acusando-o violentamente. Pavor e agonia tomou-lhe a
fronte alucinada pel...
Pranto rescaldante
incendiou sua alma, mas o
instrutor o mandou seguir!
“Prossegue sem
esmorecimentos que da
leitura que o...
Sem outra alternativa, prosseguiu então.
Viu-se em frente ao Pretório, em atitude hostil. Proferiu
rodos os insultos contr...
Insultou e desrespeitou a sua Mãe sofredora e humilde,
anjo condutor de ternura para os homens degradados nos
sofrimentos ...
Continuou o
abominável papel de
algoz denunciando
cristãos ao Sinédrio,
perseguindo,
espionando,
flagelando quanto
podia, ...
Nem era filho de Israel, viera de longe, foragido de sua
tribo, onde fora condenado à morte por traição a Pátria e
homicíd...
Reencarnações se sucederam através dos séculos. Pertencia às
trevas, e durante o intervalo de uma existência a outra, apra...
Nem diferenciava a
encarnação e a estada no
Invisível, pois o seu modo de
ser era sempre a animalidade!
Hoje tinha consciê...
Criminoso impenitente, sofria, como é natural, o reverso
de suas ações, cujos efeitos em seu próprio estado se
refletiam. ...
Todas as suas renovações carnais
se realizavam entre povos
cristãos.
Tudo indica que na vida
disciplinada do Invisível, os...
O certo é que nunca se deslocou das
Gálias ou da Ibéria até o presente
momento.
A ideia da regeneração começou a se
insinu...
Ele não podia compreender, absorto
no seu mundo inferior, o alto alcance
moral e filosófico de tais conselhos ou
convites ...
Era concludente que sua
inteligência e seus
conhecimentos intelectuais
se robusteciam ao embate
das lutas pela existência ...
Desencarnou na metade do século XVII, surpreendendo-se
em confusões deploráveis, em um cárcere envolvido em
trevas, tal qu...
Passou a refletir:
“Que odiosa série de feitos criminosos, porém,
ocasionara tão amarga repressão para a dignidade de
um E...
Obrigada!!!
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Seminário Memórias de Um Suicida - Terceira Parte - Capítulo IV - O Homem Velho - 27062016

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Visita de familiares. Encontro de Camilo com os pais. Encontro de Belarmino com a mãe. Reencarnações de Camilo. Sua encarnação à época de Jesus. Perseguição aos cristãos.

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  • Só recordando. As causas do suicídio, além da saciedade, ociosidade, é a pouca fé, a fraqueza. Porque Jesus falou: “Conhecereis a verdade e ela vos libertará.” Estamos conhecendo um pouco dessa verdade... Quando assimilarmos de verdade que temos que enfrentar os nossos sofrimentos nesta, ou em outras encarnações, nos resignaremos e talvez não nos suicidaremos mais...
  • Mecanismo de instalação dos processo de cólera/ raiva/discussões.
  • Mecanismo de instalação dos processo de cólera/ raiva/discussões.
  • Seminário Memórias de Um Suicida - Terceira Parte - Capítulo IV - O Homem Velho - 27062016

    1. 1. www.geemgrupo.blogspot.com.br 1
    2. 2. CAPÍTULO IV Terceira Parte DATA: 27-06-2016 O Homem Velho 2
    3. 3. – Vida no mundo espiritual – Trabalho e aprendizado – Tomada de Consciência – Lei de Progresso “O sábio aprende com as experiências dos outros, o tolo, com suas próprias experiências!” Provérbio Chinês 3
    4. 4. “No intervalo de suas encarnações o Espírito progride igualmente, no sentido em que se aplica ao seu adiantamento os conhecimentos e as experiências que alcançou no decorrer da vida corporal; examina o que fez enquanto habitou a Terra, passa em revista o que aprendeu, reconhece suas faltas, traça planos e toma resoluções pelas quais conta guiar-se em nova existência, com a ideia de melhor se conduzir. Desse jeito, cada existência representa um passo para a frente no caminho do progresso, uma espécie de escola de aplicação.” A Gênese – Cap. XI, item 25, § 2º 4
    5. 5. Camilo e a Equipe voltaram à Terra muitas vezes. Múltiplos deveres ali os chamavam. Era campo vasto de experimentações, pois iriam reviver muitas vezes em suas arenas e podiam exercitar os conhecimentos adquiridos na espiritualidade. Serviram nos postos de Emergência da Colônia, no Hospital Maria de Nazaré e suas filiais. 5
    6. 6. Socorreram, junto às caravanas, os infelizes suicidas perdidos no Invisível Inferior como nos abismos terrestres. Seguiram no rastro da Vigilância, aprendendo com eles a caça a chefes temíveis de falanges mistificadoras que induziam infelizes ao suicídio. 6
    7. 7. Visitaram frequentemente reuniões organizadas por discípulos de Allan Kardec, com eles colaborando. Acudiram a imperativos de muitos sofredores alheios às ideias espirituais, mas carecedores de socorro. Devassaram prisões e hospitais a fim de prover socorro material e fortalecer o ânimo a desgraçados de um mau passado espiritual, desfigurados pela lepra, pela demência ou mutilados. 7
    8. 8. Penetraram até lares de grandes da Terra, onde haviam graves ocasiões para o suicídio. Iam a toda parte onde existissem lágrimas a enxugar, corações a reanimar. Aníbal levava-os aos ensinamentos do Mestre Modelar. Estas atividades de ajuda multiplicaram-se durante muitos anos nos diferentes setores da caridade. 8
    9. 9. Indóceis aflições às vezes os surpreendiam ao contato dessas angústias alheias, no entanto, mais vezes obtinham doces consolações ao constatarem que, com sua boa vontade, contribuíam para gerar consolo e esperança. Todo esse “trabalho” era avaliado através de temas que deveriam desenvolver e apresentar a uma junta examinadora, a qual verificaria o seu aproveitamento e compreensão da matéria. 9
    10. 10. Produziam peças vazadas em temas elevados e inspirados no Evangelho, na Moral, como na ciência, romances, poemas, noticiários, etc, etc. Uma vez aprovados, estes trabalhos poderiam ser ditados ou revelados aos homens, que seriam convenientes à sua regeneração. 10
    11. 11. Isto seria feito através da operosidade mediúnica, ou inspirando mentalidades sérias capazes de captar-lhes as ideias. Quando eram reprovados, repetiam a experiência até concordar plenamente o tema com a verdade. Os dias destes exames eram festivos para todo o Burgo da Esperança. Legítimos certames de uma Arte Sagrada, a do Bem. 11
    12. 12. Luminares da Colônia, como Teócrito, Ramiro de Guzman e Aníbal de Silas se revelaram artistas com dons superiores na literatura como na música e oratória descritiva, isto é, na expressão mental, através de imagens das produções próprias. 12
    13. 13. Vinham caravanas vizinhas que emprestavam brilho artístico e confortativo às experimentações. Nomes respeitosos da Terra acorriam bondosamente e os reanimavam para o progresso, ativando-lhes o desejo de prosseguir nas pelejas promissoras. 13
    14. 14. Vultos como Victor Hugo e Frédéric Chopin (suicida inconsciente), que traduziu sua música em imagens e narrações. O gênio Victor Hugo mostrava em lições de beleza e instrução a realidade mental de suas criações literárias, deslumbrando a sensibilidade de todos até as lágrimas, atraindo-os à adoração de Deus. O pensamento de Hugo era vivificado pela ação da realidade concretizado de forma a poderem conhecer as nuanças do Espírito através de migrações terrenas e estágios do Invisível. 14
    15. 15. Ficaram sabendo ali que Victor Hugo reencarnara na Terra desde muitos séculos, partindo da Grécia para a Itália e a França, sempre deixando após si um rastro luminoso de cultura superior e de Arte. Seu espírito tem sido venerado por muitas gerações. 15
    16. 16. Quanto a Chopin, alma insatisfeita, que somente agora compreendia que com Jesus encontrará o segredo dos sublimes ideais, em miríficas (admiráveis) expansões de música arrebatadora. Transportava da magia dos sons para o deslumbramento da expressão real, ofereceu aos presentes o dramático poema das suas migrações terrenas. 16
    17. 17. Os aprendizes deveriam igualmente traduzir suas criações mentais em imagens e cenas como faziam seus mentores com suas lições e os visitantes com sua gentileza. Havia o concurso de técnicos para o melindroso serviço, eram cientistas, senhores do segredo da captação do pensamento para os aparelhamentos transcendentes. Alguns médiuns da confiança do Instituto eram atraídos a essas reuniões sob a tutela de seus Guardiães e aí entreviam dificultosamente o que para eles se revelava com todo esplendor. 17
    18. 18. Seriam para eles (médiuns encarnados) um estímulo ao trabalho mediúnico a que se comprometeram ao reencarnar. Daí o entusiasmo dos nossos atores, por julgarem fácil tarefa o inteirar os homens das novidades que iam se apossando, certos de que seriam imediatamente aceitos seus esforços para bem informar. 18
    19. 19. Não contavam com o pouco interesse dos médiuns de se ativarem em torno dos ideais cristãos, que julgam defender, mas são incapazes de uma só renúncia, avessos aos altos estudos a que será obrigado todo aquele que se julgar iniciado. 19
    20. 20. Tem o dever sagrado de defender a si próprios e seus semelhantes da ignorância relativa às causas espirituais, uma vez que são dotados para isso, no entanto, desarmonizados consigo próprios e com as esferas iluminadas, traduzem efeitos mentais, conceitos pessoais, pensam que interpretam o pensamento dos espíritos, quando na verdade, nada fizeram a fim de merecer o alto mandato. 20
    21. 21. Com tristeza constatam esse desinteresse dos médiuns, bem como o apego aos atrativos e às ociosidades do plano material, esquivando-se do dever urgente de se despojarem de atitudes nocivas ao mandato sublime da mediunidade. Isto dificulta a ação dos Espíritos instrutores do planeta, porquanto, muitos aparelhos mediúnicos excelentes em suas disposições físico-psíquicas, resvalam para o ostracismo e a improdutividade. 21
    22. 22. A humanidade braceja nas trevas em pleno século das luzes, com fome do pão espiritual, sedenta daquela água viva que lhe alteraria a alma e entristecida pelo acúmulo de desgraça. Havia também na Colônia, dias festivos franqueados às visitações. Foram prevenidos de que receberiam visitas de seus “mortos” queridos. Pensavam que tal fato seria apenas concedido aos mais antigos, por isso limitaram-se a esperar a vez de rever os seus. 22
    23. 23. As damas vigilantes, bondosas e caritativas, como toda mulher que tem a educação moral inspirada ao ideal divino, começaram a preparar os parques para a grande recepção que aconteceria no dia seguinte. 23
    24. 24. Criaram recantos dulcíssimos para a sensibilidade dos habitantes, ambientes íntimos encantadores que os levavam a recordações da infância e juventude. Eram agradáveis surpresas a fim de receberem a parentela e amigos. Criados ao ar livre, à beira dos lagos serenos, sobre as encostas das colinas graciosas. 24
    25. 25. Esses ambientes existiriam provisoriamente, apenas enquanto durassem nossas necessidades de compreensão e consolo. Muitos traduziam o lar paterno, tão saudoso e ardentemente recordado por aqueles que apenas trevas e desespero depararam ao se transportar para o Além. Outros ambientes lembrariam cenários da afeição conjugal. 25
    26. 26. Um recanto de sala, uma varanda florida, uma ponte bucólica, uma praia, uma alameda conhecida, por onde muitas vezes caminharam com suas mães. 26
    27. 27. 27 No cenário da casa que nasceu, Camilo teve a inefável satisfação de rever a sua mãe querida, que morreu quando ainda era criança. Beijou-lhe as mãos como outrora e atirou-se soluçando nos braços protetores de seu pai, aliviando o coração de uma saudade que jamais se esfumara do seu coração, torturado sempre pela incompreensão e mil razões adversas. Reviu a esposa que morreu em pleno sonho de um matrimônio venturoso, e à qual ele poderia ter reencontrado no Invisível, não fosse a rebeldia do seu gesto nefasto!
    28. 28. De todos eles recebeu carinhosas advertências, conselhos preciosos, testemunhos de afeto perene. Nenhum pedia-lhe contas do desbarato em que as paixões e as desditas lhe haviam transformado a vida! Era como se estivessem no antigo lar terreno. Os mesmos móveis, a mesma decoração interna, porque Ritinha de Cássia e Dóris Mary tudo haviam preparado para que em seu coração fossem perpetuadas as impressões sacrossantas dos veros laços de família. 28
    29. 29. Eles mesmos, sem perceberem , forneciam elementos para que tudo fosse realizado assim. Os instrutores e educadores examinavam seus pensamentos e impressões mentais mais caras e transmitiam através de mapas e visões equivalentes, pois necessitavam do maior estado de placidez mental possível para que muitos aproveitassem da aprendizagem a fazer. 29
    30. 30. Seus entes disseram que nada podiam fazer em seu benefício, devido a situação melindrosa que criara com o suicídio, situação como o prisioneiro da Terra que as leis impõem método de vida à parte dos demais cidadãos. Muitas lágrimas derramou com o rosto no seio da sua mãe, cujos conselhos salutares reanimaram suas forças, reavivando a esperança de dias menos acres para a consciência. 30
    31. 31. E assim, debaixo de arvoredos que lembravam os pomares e os quintais da casa que viveu, demorou-se em conversas com muitos membros da família que, como ele, eram falecidos. Seu companheiros de infortúnios tinham direitos idênticos, pois existia rigorosa justiça, vazada nas leis de atração e afinidade. Belarmino de Queiroz pôde finalmente ver sua mãe, a quem amava com todas as forças do seu coração. 31
    32. 32. A Sra. Queiroz e Souza disse-lhe que dor profunda e incontrolável a atingira com a surpresa de vê-lo sucumbir com o suicídio, afetando-lhe a saúde irremediavelmente, sucumbindo ela também 6 meses depois, sem se resignar jamais à desventura de perdê- lo tão tragicamente. Ficou decepcionada ao constatar que a morte não a fez esquecer o supremo sofrimento no seio da natureza, pois se encontrava viva após a morte e ralada de desgosto, visto não possuir capacidades mentais e espirituais que a levasse às regiões felizes ou consoladoras do invisível. 32
    33. 33. Em vão o procurava pelas sombrias regiões por onde transitara com funestas confusões, arrependida de haver renegado o amor de Deus pelo domínio exclusivo da Ciência Materialista. Sentia-se culpada pelo desastre do filho, pois que fora ela que modelara o caráter que os levara a tão deploráveis quedas morais. Porém, no espaço, sofrera resignadamente, converteu-se à verdade existente na idéia de Deus e suas leis e levado em conta seu ardente desejo de emenda e progresso, foi permitido rever o filho, dádiva do ser supremo, agora reconhecido com respeito e compunção! 33
    34. 34. Para esse encontro, Dóris Mary e Rita de Cássia, prepararam o ambiente da velha biblioteca da mansão dos Queiroz e Souza, a lareira crepitando, a cadeira de balanço, a pequena poltrona de Belarmino, como no tempo de infância. 34
    35. 35. O LIVRO DOS ESPÍRITOS 983 – Não experimenta sofrimentos materiais o Espírito que expia suas faltas em nova existência? Será então exato dizer-se que, depois da morte, só há para a alma sofrimentos morais? 35 R – (...) Como espírito, ela não tem mais dores físicas, mas segundo as faltas que cometeu, pode ter dores morais mais pungentes e, numa nova existência, pode ser ainda mais infeliz. (...)
    36. 36. 990 – O arrependimento tem lugar no estado corporal e espiritual? 991 – Qual é a consequência do arrependimento no estado espiritual? 36 R – No estado espiritual; mas ele pode também ter lugar no estado corporal, quando compreendeis bem a distinção entre o bem e o mal. R – O desejo de uma nova encarnação para se purificar. (...)
    37. 37. 998 – A expiação se cumpre no estado corporal ou no estado de espírito? R – Ela se cumpre durante a existência corporal pelas provas às quais o espírito está submetido, e na vida espiritual, pelos sofrimentos morais ligados ao estado de inferioridade do espírito. Ler também: Duração das penas futuras – Questões 1003 a 1008 37
    38. 38. Dois anos depois, outro acontecimento marcou o espírito de Camilo. Chegou a hora de rever suas encarnações passadas. Sentou-se na cadeira que se afigurava um Tribunal de Suprema Justiça. Silêncio total. Apenas as vibrações mentais de Epaminondas, traduzidas em vocabulário perfeito, enchiam a atmosfera respeitável onde sacrossantos mistérios da Ciência Celeste se desvendavam. 38
    39. 39. Ninguém ignorava a espécie de indivíduo orgulhoso e caráter corrompido que encarnou em Portugal, pois bagagem moral ruim ainda lhe rondava os passos. Camilo diz uma coisa que nem todos sabiam devido ao seu orgulho: fora paupérrimo de fortuna e isso o fez lutar contra a adversidade de uma pobreza desorientadora, o que o reduziu à indigência mais desapiedada que, para seu conceito, o mundo poderia abrigar, e isso o levou ao suicídio. 39
    40. 40. Ele ficou frente a frente com o Tribunal da Consciência. Rodearam-no os Mestres, desferindo poderosos recursos fluídicos sobre o seu ser inferiorizado, para ajudar. Eram como médicos que lhe operassem a alma, descobrindo sua anatomia para que ele mesmo a examinasse, descobrindo a origem dos males ferrenhos que o perseguiam, sem mais acusar a Providência. 40
    41. 41. Estava desesperado, se tivesse corpo físico, estaria banhado em suores gelados. Quis resistir por covardia, prevendo a vergonhosa situação e, em lágrimas, pediu para ser ouvido apenas por Epaminondas. 41
    42. 42. Suplicou. Epaminondas o encorajou a marchar para a glória! É a reabilitação que se impõe todas as vezes que a dor se acerca de ti, sempre que o sofrimento faz, vibrar doridamente seu ser. Conformou-se, invocando intimamente o auxílio de Maria de Nazaré, a quem aprendera a venerar, harmonizando suas vontades com as dos tutelares que o dirigiam. 42
    43. 43. Sem ter muita consciência, sentiu-se envolvido em jatos de luz, ficou tonto e viu se reanimar toda a longa série de vidas planetárias que tivera. Achou-se diante do seu próprio “eu”, tal qual se à frente de um espelho estivesse. 43
    44. 44. Então ouviu o instrutor: “Eu te ordeno, Alma criada para glória da eleição no Seio Divino: Volta ao ponto de partida e estuda no livro que trazes dentro de ti mesma as lições que as experiências proporcionam! E contigo mesma aprende o cumprimento do dever e o respeito à Lei d'Aquele que te criou! Traça, depois, tu mesma, os programas de resgates e edificação que te convém , a fim de que a ti mesma devas a glória que edificares para alçares voos redentores até o seio eterno de onde partiste!...” 44
    45. 45. Assim, perdeu a lembrança do presente e mergulhou a consciência no passado. Não apenas recordava, como vivia naquela época, no ano 33, em Jerusalém. Era miserável, pobre e mau. Ovacionou Barrabás. Parecia um demônio enfurecido.... 45
    46. 46. Revendo esse passado, a consciência repudiava-o, acusando-o violentamente. Pavor e agonia tomou-lhe a fronte alucinada pelo remorso e bradou enlouquecido: “Oh, Jesus Nazareno! Meu Salvador e meu Mestre! Não fui eu Senhor! Eu estava louco! Perdão Jesus! Perdão Jesus!” 46
    47. 47. Pranto rescaldante incendiou sua alma, mas o instrutor o mandou seguir! “Prossegue sem esmorecimentos que da leitura que ora fazes em ti mesmo será preciso que saias convertido ao serviço desse Mestre que ontem apedrejastes.” 47
    48. 48. Sem outra alternativa, prosseguiu então. Viu-se em frente ao Pretório, em atitude hostil. Proferiu rodos os insultos contra o Nazareno e só não o agrediu a pedradas porque seu braço não alcançou. Nutria inveja e ódio a tudo que considerasse superior a ele. Feio, áspero, intratável, mutilado, ambicioso, maldizia e perseguia tudo. 48
    49. 49. Insultou e desrespeitou a sua Mãe sofredora e humilde, anjo condutor de ternura para os homens degradados nos sofrimentos terrenos, a mesma Maria que agora o albergava piedosamente. 49
    50. 50. Continuou o abominável papel de algoz denunciando cristãos ao Sinédrio, perseguindo, espionando, flagelando quanto podia, apedrejando Estevão, atraiçoando os “Santos do Senhor”, pelo simples prazer de praticar o mal. 50
    51. 51. Nem era filho de Israel, viera de longe, foragido de sua tribo, onde fora condenado à morte por traição a Pátria e homicídio. Não aproveitou a oportunidade máxima de regeneração, insurgindo-se contra a luz que brilhou no meio das trevas... 51
    52. 52. Reencarnações se sucederam através dos séculos. Pertencia às trevas, e durante o intervalo de uma existência a outra, aprazia-o permanecer nas inferiores camadas da animalidade. Fazia-se surdo aos convites para os trabalhos de regeneração, fosse na condição de homem ou espírito despido das vestes carnais, porquanto nas regiões astrais inferiores ecoam as doçuras do Evangelho e a figura de Jesus é apontada como modelo a imitar. 52
    53. 53. Nem diferenciava a encarnação e a estada no Invisível, pois o seu modo de ser era sempre a animalidade! Hoje tinha consciência que a Lei do Progresso o impelia para as reencarnações, sob orientação de devotados obreiros do Senhor, para que expiasse e desenvolvesse as potências da alma embrutecida pela inferioridade. Na época, as duas existências se confundiam. 53
    54. 54. Criminoso impenitente, sofria, como é natural, o reverso de suas ações, cujos efeitos em seu próprio estado se refletiam. Subia, por vezes a alturas famosas da escala social terrena, fato esse que não implica a posse de virtudes. Sofria quedas morais redundantes, criando responsabilidades atordoadoras. 54
    55. 55. Todas as suas renovações carnais se realizavam entre povos cristãos. Tudo indica que na vida disciplinada do Invisível, os Espíritos são registrados em falanges e colônias e, sob seus auspícios é que se educam e evolvem, sem se desagregarem, senão quando completado o ciclo evolutivo normal, isto é, quando adquirem mudanças úteis ao bem próprio e alheio. 55
    56. 56. O certo é que nunca se deslocou das Gálias ou da Ibéria até o presente momento. A ideia da regeneração começou a se insinuar como sussurro aos seus ouvidos através da fieira dos tempos, quer se encontrasse encarnado ou desencarnado. Aceitou-a calculada e interesseiramente, pensando em solucionar as pesadas adversidades do seu destino, nessa doutrina cristã que afirmavam tantos benefícios àqueles que à sua tutela se confiassem. 56
    57. 57. Ele não podia compreender, absorto no seu mundo inferior, o alto alcance moral e filosófico de tais conselhos ou convites repetidos sempre em quaisquer locais terrenos ou astrais a que a vida o levasse. Esperava da Grande Doutrina apenas vantagens pessoais, poderes que o levassem a satisfação de caprichos e paixões. As referências àquele Mestre Nazareno, provocavam nele súbito mal estar, alucinando-o, vibrando em seu íntimo, debatendo com sua consciência. 57
    58. 58. Era concludente que sua inteligência e seus conhecimentos intelectuais se robusteciam ao embate das lutas pela existência e dos infortúnios sob o impulso do esforço próprio, como até das ambições, mas o coração se fazia inativo, a alma embrutecida para o Bem, a Moral e a Justiça. 58
    59. 59. Desencarnou na metade do século XVII, surpreendendo-se em confusões deploráveis, em um cárcere envolvido em trevas, tal qual uma prisão terrena. 59
    60. 60. Passou a refletir: “Que odiosa série de feitos criminosos, porém, ocasionara tão amarga repressão para a dignidade de um Espírito liberto das cadeias da carne?... Que abomináveis razões haveria eu dado à lei de atração e afinidades para que meu estado mental e consciencial apenas se afinasse com as trevas de uma masmorra de prisão terrena, infecta e martirizante?... Convém que te inteires do que fiz por aquele tempo, leitor...” 60
    61. 61. Obrigada!!! 61

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