Nas Fronteiras do Sentido: 
Conhecimento e Percepção no 
Debate Filosófico Contemporâneo 
Cristiano Junta
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Há diversos casos de ilusão e nem todos 
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Pontos Inexistentes
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Considerações sobre a natureza do 
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Bibliografia 
• Ayer, Alfred. The Foundations of Empirical 
Knowledge. Lodon: Macmillan, 1963. 
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Apresentação sobre as discussões em torno da natureza do conhecimento e da filosofia da percepção no debate filosófico do século XX. Tratamos em especial de discutir a filosofia de Ayer, Austin, Russell. Discutimos temas clássicos em filosofia da perceção como:
O que é uma Ilusão?
Como os sentidos podem nos ajudar a conhecer o mundo?
Além de tocar em tópicos gerais da filosofia como a compreensão dos problemas filosóficos e sua relação com o senso comum.

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  1. 1. Nas Fronteiras do Sentido: Conhecimento e Percepção no Debate Filosófico Contemporâneo Cristiano Junta
  2. 2. Aviso JUNTA, C. M. . Nas Fronteiras do Sentido: conhecimento e percepção no debate filosófico contemporâneo. 2012. Esta apresentação é uma versão preliminar. Não citar ou usar sem a anuência do autor;
  3. 3. O Problema de Russell em “Os Problemas da Filosofia” (1912) Qual é a relação entre os dados dos sentidos e nosso conhecimento sobre as propriedades dos objetos físicos?
  4. 4. Esquema da concepção de Russell sobre a percepção (1912)
  5. 5. Vimos que, se tomarmos um objeto comum qualquer, desses que supomos conhecer por meio dos sentidos, aquilo que os sentidos imediatamente nos mostram não é a verdade acerca do objeto, tal como ele é independentemente de nós, mas somente a verdade sobre certos dados dos sentidos que, tanto quanto podemos ver, dependem da relação entre nós e o objeto. The Problems of Philosophy, cap. 2
  6. 6. Conseqüentemente, o que vemos e tocamos de maneira direta não passa de mera “aparência”, sinal, supomos nós, de uma “realidade” que está por trás dela. Mas se a realidade não é o que aparece, temos algum meio de saber se de fato existe uma realidade? E, em caso afirmativo, temos algum meio de descobrir em que consiste? The Problems of Philosophy, cap. 2
  7. 7. Esquete do argumento idealista contra a existência da matéria Tudo o que pode ser pensado é uma idéia na mente da pessoa que pensa; portanto, só as idéias nas mentes podem ser pensadas; qualquer outra coisa é inconcebível, e o que é inconcebível não pode existir. The Problems of Philosophy, cap. 2
  8. 8. NOTA: O argumento de Berkeley contra as concepções representativas da percepção Imagem apresentada por Berkeley em “Ensaio para uma Nova Teoria da Visão”
  9. 9. Conclusão de Berkeley : O olho ou a mente não pode saber por uma inferência de tipo geométrica a distância de um objeto pelo ângulo de incidência dos raios de luz na retina.
  10. 10. O problema da relação entre objeto físico e dado sensorial – segundo Russell O problema que temos que considerar é este: admitindo que estamos certos dos nossos dados dos sentidos, temos alguma razão para considerá-los como sinais da existência de alguma outra coisa diferente, que podemos denominar de objeto físico?
  11. 11. Continuação: Quando tivermos enumerado todos os dados dos sentidos que podemos naturalmente considerar em conexão com a mesa, teremos dito tudo o que se pode dizer sobre a mesa, ou existe ainda algo a mais – algo que não é um dado dos sentidos e que persiste quando saímos do aposento? O senso comum, sem hesitação, responde de modo afirmativo. The Problems of Philosophy, cap. 3
  12. 12. Primeira parte da solução de Russell: a crença instintiva. É claro que originariamente não chegamos à crença em um mundo exterior, independente, por meio de argumentos. Percebemos em nós mesmos esta crença formada assim que começamos a refletir: é o que se poderia denominar de crença instintiva. The Problems of Philosophy, cap. 3
  13. 13. Segunda parte da solução de Russell: objetos como construções lógicas Há dois tipos de conhecimento: o conhecimento direto e o conhecimento por descrição
  14. 14. Conhecimento direto Diremos que temos conhecimento direto de alguma coisa da qual estamos diretamente conscientes, sem a intermediação de qualquer método de inferência ou de qualquer conhecimento de verdades. Assim, na presença de minha mesa conheço diretamente os dados dos sentidos que constituem a aparência de minha mesa: sua cor, forma, dureza, lisura, etc.; todas estas são coisas das quais tenho imediatamente consciência quando estou vendo e tocando minha mesa. The Problems of Philosophy, Cap.5
  15. 15. Conhecimento Por Descrição Para conhecer alguma coisa sobre a mesa, devemos conhecer verdades que a conectem com as coisas das quais temos um conhecimento direto: devemos saber que “tais e tais dados dos sentidos são causados por um objeto físico”. Não há um estado mental em que somos diretamente conscientes da mesa; todo nosso conhecimento da mesa é realmente um conhecimento de verdades, e a coisa mesma que constitui a mesa não nos é, estritamente falando, conhecida.
  16. 16. Continuação Conhecemos uma descrição e sabemos que há um objeto ao qual esta descrição se aplica exatamente, embora o próprio objeto não nos seja diretamente conhecido. Neste caso, dizemos que nosso conhecimento do objeto é um conhecimento por descrição. The Problems of Philosophy, Cap.5
  17. 17. Ayer sobre a terminologia da informação sensorial Segundo Alfred J. Ayer a terminologia da informação-sensorial é designada para distingui-se do modo ordinário de expressão sobre os objetos físicos. Pois, é um aspecto importante a determinação de uma oposição entre o modo “filosófico” de se referir as experiências perceptivas e o modo “ordinário” de fazê-lo.
  18. 18. O modo ordinário e o modo filosófico de se referir as percepções (Ayer) Modo Ordinário: Aqui está uma cadeira Modo Filosófico: Isto parece-me uma cadeira. A diferença entre o modo “ordinário” e modo “filosófico” é que no primeiro não se hesita em afirmar a existência de um objeto, quando na verdade poderia afirmar com certeza apenas a existência de dados sensoriais de tal ou qual tipo.
  19. 19. O “Argumento da Ilusão” Um mesmo objeto pode parecer possuir diferentes propriedades em diferentes condições ambientais (de luz, imerso na água, à distancia, etc.) que são contraditórias uma com a outra. Há casos em que somos “enganados por nossos sentidos”.
  20. 20. A crítica de Austin, parte 1 A linha de ataque de Austin nesse contexto concentra-se sob a artificialidade, por assim dizer, própria do par de expressões “objeto material” e “dados sensoriais”. Se observamos que não podemos encontrar nenhum emprego ordinária para a expressão “objetos materiais” , pois, não poderia ter ocorrido jamais a ninguém “tentar representar com um único tipo de coisas a coisa que as pessoas comuns dizem “perceber”.
  21. 21. Continuação Logo, Austin conclui que “O problema é que a expressão “objeto material” funciona já desde o princípio como um condutor para “dados sensoriais”. Sense and Sensibilia, Sec. II
  22. 22. Crítica ao “Argumento da Ilusão” Há diversos casos de ilusão e nem todos podem ser caracterizados como a co-existência de propriedades contraditórias em um mesmo objeto.
  23. 23. Cabeça pato-coelho
  24. 24. Pontos Inexistentes
  25. 25. Cubo impossível
  26. 26. Crítica de Austin: Segunda Parte Um ponto fundamental de Austin a esse respeito é compreender a natureza da expressão “enganados por nossos sentidos”. Enquanto tal ela não pode passar de uma mera metáfora.
  27. 27. Continuação Para Austin a questão é que não podemos considerar os sentidos, per se, como evidências para proposições empíricas, ou de qualquer outro tipo. De fato, os sentidos ou afirmações sobre as nossas experiências sensoriais não poderiam desempenhar um papel especial em nossa linguagem como “testemunho”, ou mesmo como “evidência” para quais quer afirmações.
  28. 28. Exemplo: As diferentes funções de “aparecer” • Me parece que há aqui uma cadeira. • Este homem parece com raiva. • Pedro apareceu em casa tarde da noite. • Essa mulher parece elegante.
  29. 29. As três faces da mesma teoria
  30. 30. A lição da crítica de Austin Austin tem um desacordo, desde o princípio, com a posição epistemológica de Ayer. Esse desacordo reside na consideração de que não poderíamos tentar construir uma teoria do conhecimento a partir da concepção que certas proposições, por assim dizer, de base poderiam ser tomadas como possuindo uma certeza incorrigível.
  31. 31. Continuação • Uma vez que, a verdade de uma sentença não pode ser determinada independentemente da ocasião da sua enunciação, tão logo, nada nos asseguraria, desde o começo, que haverá sentenças certas em quaisquer ocasiões.
  32. 32. Considerações sobre a natureza do empreendimento filosófico – parte 1 • A critica geral de Austin se dirige contra essa “fraqueza dos filósofos” de simplificar excessivamente, esquematizar e de “repetição obsessivamente” de uma série de exemplos. • O ponto central reside em saber se essas discussões são capazes de justificar o emprego de uma terminologia particular qualquer restrita ao trabalho filosófico independente da linguagem ordinária.
  33. 33. Considerações sobre a natureza do empreendimento filosófico – parte 2 "Quando eu uso uma palavra", disse Humpty Dumpty em tom bastante desdenhoso, "ela significa o que eu quiser que ela signifique . Nem mais nem menos." "A questão é", disse Alice, "se você pode fazer as palavras significarem tantas coisas diferentes." "A questão é", disse Humpty Dumpty, "quem é o mestre, isso é tudo.“ Alice Através do Espelho, cap. 6
  34. 34. Bibliografia • Ayer, Alfred. The Foundations of Empirical Knowledge. Lodon: Macmillan, 1963. • Ayer, Alfred. “Has Austin Refuted the sense-datum Theory?” Synthese, n° 17 117-140, 1967. • Austin, John L. 1964. Sense and Sensibilia. Oxford: Oxford University Press, 1964. • Russell, Bertrand. The Problems of Philosophy. London: Williams and Norgate, 1912.

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