COMPÊNDIO BOTÂNICA

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COMPÊNDIO BOTÂNICA

  1. 1. O SABOR da Laranja POR PATRICIA QUITERIA FACULDADE DE BELAS--ARTES N8068 DESIGN DE COMUNICACAO E METOLOGIA DE PROJETO
  2. 2. COMPENDIO BOTANICA
  3. 3. LISBOA: IMPRESSO POR PATRICIA QUITERIA, LARGO JOAO DAS REGRAS, AMADORA
  4. 4. COMPENDIO BOTANICA FORMATO: 16 X 24,4 CM LIVRO DA REFERENCIA: PORTUGAL ILUSTRATED, 1829 AUTOR: REV. W. M. KINSEY TIPOGRAFIA: BODONI HAND NOME DO FABRICANTE:: KARATE GRAPHICS Ltd.. PROCESSO DE IMPRESSAO: TRANSFER POR ACETATO
  5. 5. O SABOR da Laranja POR PATRICIA QUITERIA FACULDADE DE BELAS--ARTES N8068 DESIGN DE COMUNICACAO E METOLOGIA DE PROJETO
  6. 6. O SABOR DA LARANJA; EM COMPENDIO BOTANICA POR PATRICIA RAQUEL CARREIRA QUITERIA FACULDADE DE BELAS--ARTES LISBOA : PUBLICADO PELA EDITORA DA FACULDADE DE BELAS ARTES 2014
  7. 7. DEDICATORIA Dedico este compendio ao autor The Rev. W.M. Kinsey, B.D por me ter dado a possibilidade de seguir o mod- elo do seu livro, incluindo tipografias e as medidas de tipometro retiradas, com base no meu compendio de botanica. O meu trabalho so foi possivel devido ao contributo de diversas personalidades e a quem sao devidos mereci- dos agradecimentos. A todos os professores que disponibilizaram o seu temp o e esforco para que fosse possivel a recolha da infor- macao, nucleo central do projeto. A todos, o meu muito obrigado.
  8. 8. O patio da residencia dos meus pais tem duas laranjeiras, onde eu brincava quando era pequena. Desde muito cedo habituei-me a viver com as laranjas que eu livremente e com alegria colhia e comia diretamente da arvore. A sombra das laranjeiras e o cheiro das laranjas sempre me atrairam e quebravam a rotina do meu dia a dia. Estas laranjeiras ainda hoje sao o ornamento da nossa residencia. A cor da laranja e algo de belo que hoje associo ao ouro. Esta minha vivencia explica o gosto especial e diria carinho pessoal por este trabalho. P R E F A C I O
  9. 9. Neste trabalho, procurei falar um pouco do saber historico, do saber cientifico e do saber artistico sobre a laranja. Tive a preocupacao de alargar o meu horizonte num universo extenso dedicado a laranja. Fiz uma primeira abordagem a sua origem, a sua chegada a Europa ate a importancia, que lhe foi atribuida como arvore ornamental nos patios das casas abastadas ate aimportanciaqueassumenaeconomiadevarios paises,entre osquaisEspanha,Italia,RomeniaearegiaodoAlgarveemPortugal. Curioso, foi tambem a origem do nome e da cor de laranja. Vinda da Asia com o nome “narang”, o seu cultivo teve inicio na Franca, que manteve o mesmo nome, apenas, associou “or” a cor do ouro a cor da laranja, tendo ficado “orange”. Outra particularidade interessante e o fato de, quando o fruto esta maduro tem a cor alaranjada, mas existem algumas especies, que permanecem na cor verde. Como alimento e um fruto pouco calorico, com cerca de 40 calorias por 100 gramas e rico em vitamina C. Como objeto artistico surge associado a velas de cheiro e a certos objetos de uso doméstico que assumem a forma de uma laranja. INTRODUCAO
  10. 10. INDICE ILUSTRAÇÂO...........................................................1 I: HISTÒRIA DA LARANJA....................................2-3 PROPRIEDADES DA LARANJA.........................3-4 2 ILUSTRAÇOES......................................................5-6 II: DICIONARIO DA LARANJA.............................7 III: A LARANJA NA ESTÈTICA............................8 A LARANJA NOUTRAS LINGUAS..................8-9 IV: PROPRIEDADES ESPECIAIS .........................10-12 V: AS LARANJEIRAS DE LISBOA........................13-20 VI: A LARANJA NA ARTE.....................................21-26 VII: A LENDA DA LARANA..................................27-28 VIII: A POEMA DA LARANJA..............................29-31 IX: EXPERIENCIA SESNSORIAL..........................32-40 X: MANUAL DE INSTRUCOES DE DESCAMENTO DA MINHA LARANJA............................................41-43
  11. 11. COMPENDIO BOTANICA 1 “Sustento, uma natureza morta com laranjas e uma banana”, John Frederick Peto - óleo em painel
  12. 12. A laranja e um citrino e, como a grande maio- ria dos citrinos, e originaria da Asia, a Sudeste dos Himalaias, onde ainda hoje podemos encontrar es- tas arvores em estado selvagem. Entre essas arvores estao os limoeiros, as limeiras, as cidreiras, as pome- leiras, laranjeiras amargas e doces e as toranjeiras. Mais tarde, foi trazida para a Europa pelos Portugueses, por volta do seculo XVI, tendo-se iniciado o seu cul- tivo em Franca, que passou a ser chamada de “orange”, um nome semelhante ao seu nome asiatico, “narange” mas iniciado com “or”, que significa ouro em frances. So passados tres seculos e que as laranjeiras passaram a ser consideradas como um excelente produto para com- ercializar e uma grande oportunidade de fazer negocio. Ainda hoje a comercializacao da laranja e muito impor- tante para a economia de varios paises, entre os quais Es- panha, Italia, Romenia e a regiao do Algarve em Portugal- assou a ser cultivada, principalmente no sul da Europa, . COMPENDIO BOTANICA CAPITULO I HISTORIA DA LARANJA 2
  13. 13. A laranja e um fruto citrico, cujo sabor pode vari- ar entre o doce e o acido leve, podendo conjugar os dois. um fruto rico em sais minerais, como o calcio e o fer- ro. A laranja e rica em vitamina C e tem, tambem vi- tamina A. Ao comer duas laranjas por dia, ja se esta a ingerir a quantidade diaria necessaria de vitami- na C. E um fruto pouco calorico, em cada 100 gramas de laranja existem 65 kcal, 0,6 g de proteinas, 1 g de gorduras, 45 mg de calcio, 36 mg de Potassio, 21 mg de Fosforo, 13 mg de Sodio, e ainda, em quantidades inferiores, Enxofre, Magnesio, Cloro, Silicio e Ferro. Em 100 g de laranja existem 48 mg de Vitamina C, ou acido ascorbico. Alem dessa vitamina, podemos ain- da encontrar na laranja as vitaminas A, B1, B2 e B3. Fruto rico em suco, muitos tem tambem o habito de a espremer para beber o seu sumo. onde havia excelentes condicoes climatericas para a producao e crescimento de novas variedades de citrinos. A laranjeira era usada na Asia e no Medio Oriente como arvore ornamental, sendo muito apreciada pelas suas be- las flores. Nas casas arabes abastadas era muito comum verem-seaslaranjeirasnospatiospertodefontesoulagos. PROPRIEDADES DA LARANJA COMPENDIO BOTANICA 3
  14. 14. A parte interna e formada por pequenas bolsin- has (gomos), onde se encontra o suco. Normalmente e comida ao natural, descascada e separada em gomos. Desconhecido, por muitos a camada branca que existe entre a casca e os gomos, tem um sabor ado- cicado, e podera ser usada para se mastigar apos se comer os gomos, de forma a tirar o sabor acido da boca. E muito utilizada para a producao de sucos e doces, aproveitando-se a casca da laranja tambem para ornamentar alguns pratos culinarios e a sua raspa e muitas vezes utilizada em muitas receitas. Quando esta madura tem a cor alaranjada e, em algumas especies, permanece com a cor verde. A laranja doce foi trazida para a Europa pelos por- tugueses, o primeiro povo europeu a chegar a China, pais de onde a laranja doce e originaria. Por esse motivo, em muitos paises a laranja doce e conhecida como laranja portuguesa, sendo que laranja em grego chama-se “portokali”; em turco “ portokal”; em romeno e “portocalla” e em italiano” portogallo”. E tambem em Portugal que se produz uma das laran- jas mais apreciadas da Europa: a laranja do Algarve. COMPENDIO BOTANICA 4
  15. 15. COMPENDIO BOTANICA 5 The Theater of Plantes por John Parkinson, Lon- dres, 1640
  16. 16. Raphaelle Peale, “Natureza morta com livro e laranja”, 1815 COMPENDIO BOTANICA 6
  17. 17. COMPENDIO BOTANICA 7 CAPITULO II DICIONARIO DA LARANJA A laranja corresponde por nome feminino e traduz-se botanica, que e um fruto (hesperidio) da lar- anjeira, arredondado, dividido em gomos sumarentos e coberto por uma casca cuja cor varia entre o am- arelo e a cor de laranja e por outrora, em botanica tambem, variedade de pereira cultivada em Portugal. Do persa narang, “laranja”, pelo arabe naranja, “idem” Portanto, e um fruto comestivel da laranjeira, de forma esferica, casca dura e polpa dividida em sec- coes, rodeadas por uma pelicula fina e em botanica, E uma arvore da familia das rutaceas: a laranjeira. E um substantivo masculino que indica a cor da casca desse fruto, entre o amarelo inten- so e o avermelhado que mostra a cor de laranja. Em Brasil em linguagem informal, significa que e uma pessoa simples ou ingenua e por out- rora, significa tambem uma pessoa usada como intermediaria em fraude e negocios suspeitos E um adjetivo de dois generos e de dois numeros que tem a cor do fruto da laranjeira, a cor da laranja.
  18. 18. A Laranja nutre e tonifica de forma natural sua pele, unhas e cabelo, a fruta contem propriedades ad- stringentes otimos para melhorar a textura da pele e cabelo. A Laranja e uma rica fonte de vitamina C, que tem varias propriedades que fazem bem para pele. Quando usada como ingrediente de beleza, tem qualidade antienvelhecimento e age fa- zendo com a pele tenha mais elasticidade. A casca da Laranja tambem contem varios nutrientes e nao podem ser dispensados no tratamento caseiro da belezataoutilparaapelequantoopropriosumodafruta. CAPITULO III COMPENDIO BOTANICA 8 A LARANJA NA ESTETICA A LARANJA NOUTRAS LINGUAS As laranjas sao consideradas as ma- cas douradas noutras linguas. Por exemplo, o termo latim pomum au- rantium descrevem laranjas como macas..
  19. 19. COMPENDIO BOTANICA 9 Outras linguas como o alemao, finlandes, he- braico e o russo possuem etimologias mais complexas para a palavra laranja que possuem a mesma origem. Uma das razoes para se considerar a laranja como magica em tantas historias e o fato de dar flores e frutas simultaneamente, diferente de outras frutas. Frequentemente, o termo maca dourada e usado para se referir ao marmelo, um fruto do Oriente Medio. O tomate, desconhecido para os gregos an- tigos, E conhecido como pomodoro em italiano, significando maca de ouro (de pomo d’oro). “
  20. 20. CAPITULO IV PROPRIEDADES ESPECIAIS DA LARANJA COMPENDIO BOTANICA 10 Propriedades terapeuticas da Laranja Sabia que consumir uma laranja por dia pode impedir a manifestacao de certos tipos de can- cro, de acordo com um novo estudo australiano. O grupo do governo Organizacao de Pesquisa In- dustrial e Cientifica da Comunidade Britanica (CSIRO, na sigla em ingles) descobriu que con- sumir frutas citricas pode reduzir o risco de can- cro da boca, laringe e estomago em mais de 50%. Uma porcao extra de frutas citricas por dia, alem das cinco porcoes de frutas e vegetais recomendadas por dia , pode tambem reduzir o risco de um derrame em 19%. “As frutas citricas protegem o corpo pelas suas pro- priedades antioxidantes e por fortalecer o siste- ma imunologico, inibir o crescimento de tumores e normalizar as celulas tumorosas”, disse em um re- latorio Katrine Baghurst, pesquisadora da CSIRO.
  21. 21. COMPENDIO BOTANICA 11 “CITRUS NOBILIS”, aguarela, Elsie E.Lower, 1911
  22. 22. COMPENDIO BOTANICA 12 O estudo australiano, baseado em outras 48 pes- quisas internacionais sobre os beneficios das frutas citricas a saude, tambem descobriu “indicios convin- centes” de que esses alimentos podem reduzir o risco de doencas cardiovasculares, obesidade e diabete. Segundo Baghurst, a laranja e a fruta com o mais alto nivel de antioxidantes, com mais de 170 diferentes tipos de fitoquimicos, incluindo mais de 60 flavoni- ides, que apresentam propriedades antiinflamatorias, antitumor e inibe a formacao de coagulos no sangue. Propriedades medcinais da casca da laranja Quando comemos uma laranja suculenta, geral- mente deitamos fora a casca, sem saber pensarmos nas suas propriedades medicinais. A casca de lar- anja ajuda a digestao, diminui as infeccoes, reduz o colesterol e combate cancro da pele e da mama. E um bom repelente de insetos e gatos e pode ser us- ado para a limpeza e desodorizacao do ambiente. A casca da laranja tem mais fitonutrientes e flavonoides que a polpa, dotando-a de propriedades anti-inflama- torios que ajudam a fazer a digestao e aliviam os prob- lemas gastrointestinais, como a azia e a flatulencia.
  23. 23. COMPENDIO BOTANICA 13 O metro faz parte da minha rotina diaria desde 9 ano, vivo na Linha Azul e quando vou para a es- cola ou outro sitio, estou sempre atravessar metade da linha e sempre passei na estacao das Laranjeiras. A primeira vez que aprendi a andar de metro foi quando andava na primaria e o meu irmao mais vel- ho vinha me buscar no metro das Laranjeiras, pois e onde ficava a minha escola que se chama escola basica das Laranjeiras. E engracado porque agora es- tou crescida e estou na faculdade no curso de Design de Comunicacao e a tema e sobre tudo que tenha a ver com Laranja e eu andei na primaria das Laran- jeiras que faz parte do tema, E mesmo engracado. E foi a partir dai que pus os pes, no metro pela primeira vez foi na estacao das Laranjeiras. Ia sempre com meu irmao e ficava sempre a ob- servar os azulejos que continham as fotografi- as da Laranja e davam me sempre muita sede. . CAPITULO V AS LARANJEIRAS DE LISBOA
  24. 24. COMPENDIO BOTANICA 14 Por isso a cor da Laranja estimula o apetite, influencia nos na parte do cerebro criando um siste- ma de recompensa, quer responder pelo prazer e ne- cessidade de repeticao quer da experiencia prazerosa. Quando chegava a casa, comia sempre as laranjas peque- nas com cascas secas, que sao faceis de tirar e eram sempre muito doces e trazem-me uma boa recordacao. Um dia destes, ao regressar de faculdade, senta- da no metro pensativa, a pensar sobre a Laranja e, de repente ouvi uma voz a informar que esta- vamos a chegar a estacao das Laranjeiras e fez-se luz na minha cabeca, fiquei ansiosa de escrever so- bre esta estacao entao sai e fui tirar fotografias. Depois fui investigar a historia da estacao referida. A estacao de metro das Laranjeiras, (Linha Azul) situa se na Estrada da Luz na Rua Xavier de Araujo de Lisboa, com freguesia Sao Domingos de Benfica e fica entre as es- tacoes Alto dos Moinhos e Jardim Zoologico da linha azul. Foi aberta ao publico a 14 de Outubro de 1988 depois de ser construida na zona de Benfica.
  25. 25. COMPENDIO BOTANICA Neste mesmo dia, teve lugar a inauguracao do prolongamento que fez ligacao com Sete Rios e Co- legio Militar/Luz com tres novas estacoes, as Laran- jeiras, Alto dos moinhos, assinada por Julio Pomar, e Colegio Militar/Luz na qual interveio Manuel Cargaleiro. Tambem abriu ao publico a estacao da Cidade Universitaria, com intervencoes artisticas da autoria de Vieira da Silva, e inserida no prolon- gamento que ligou Entre Campos ao Campo Grande. Estas novas 4 estacoes foram as primeiras a ser construidas de raiz com um cais, com 105 metros de extensao e obedeciam tambem a uma filoso- fia que levava as intervencoes plasticas ate ao seu cais. A rede aumentou assim 3,8 quilometros. Por curiosidade, a ideia do metro surgiu desde 1888 como um sistema de caminhos-de-ferro subterraneo, na cidade de Lisboa, a semelhanca das que ja existiam em Londres e Paris e essa ideia foi do engenheiro militar Henrique de Lima e Cunha, que criou o projeto de uma rede com varias linhas que poderia servir a capital portugue- sa e que publicou na Revista Obras Publicas e Minas. 15
  26. 26. COMPENDIO BOTANICA 16 Mais tarde, no seculo 20, Lanoel d Aussenac e Abel Coelho em 1923 e Jose Manteca Roger e Juan Luque Argenti em 1924 apresentaram projetos para um sis- tema metropolitano em Lisboa, mas foram rejeitados. Depois da Segunda Guerra Mundial, com a retoma da economia nacional e a ajuda financeira do Plano Mar- shall, conhecido oficialmente como Programa de Recu- peracao Europeia, foi o principal plano dos Estados Uni- dos para a reconstrucao dos paises aliados da Europa, contribuiram fortemente o inicio da construcao do met- ro e fundou-se uma sociedade em 1948 tendo como obje- tivo o estudo da viabilidade tecnica e economica de um sistema de transporte publico subterraneo na capital. Os trabalhos de construcao iniciaram-se em 7 de ago- sto de 1955 e, 4 anos depois, em 29 de Dezembro de 1959, o novo sistema de transporte foi inaugurado. Retomando da estacao Laranjeiras, o seu projeto ar- quitetonico foi da autoria do arquiteto Antonio J. Mendes com intervencoes plasticas do pintor Rolando Sa Nogueira, no que diz respeito ao revestimento azule- jar, com a colaboracao do escultor Fernando Conduto.
  27. 27. COMPENDIO BOTANICA 17 O tratamento plastico desta estacao integra se na trajetoria criadora em que passou a determina- da altura a recorrer a fotografia, enquanto metodo possivel de obter uma representacao hiper-realista. Na arte dos espacos publicos e costume os artistas atenderem as especificidades dos locais para dai ex- trairem os temas para elaborarem os seus trabal- hos. Neste caso, houve uma interpretacao literal do nome da estacao, ou seja, o artista prestou aten- cao as especificidades das Laranjeiras, que e o nome que a toponimia conservou a heranca do local, onde continha a estacao que era a area de quintas de recreio, com jardins, arvores de fruto e pomares. Para elaborar a tematica decorativa, interpretou lit- eralmente o nome da estacao, na medida em que surgem composicoes de laranjas e folhas de laranjeiras reproduzidas nos azulejos de revestimento portanto o Sa Nogueira realizou este trabalho na Fabrica de Ce- ramica Rugo, onde recorreu ao processo serigrafico para conseguir a transcricao de fotografia que e a tec- nica habitualmente utilizada na producao industrial.
  28. 28. COMPENDIO BOTANICA 18 Laranja, “citrus sinenis”
  29. 29. COMPENDIO BOTANICA 19 Em geral, Laranjeiras e um bairro de Lisboa que pertence a freguesia de Sao Domingos de Ben- fica e sobre a origem desta freguesia, ninguem tem certeza, porque se atribuem varias teorias, pois a his- toria da formacao desta freguesia e mais antiga, mas dizem que ja existia no seculo XIII e consideram que ja fora uma freguesia rural, embora com poucas pes- soas, que ali viviam e que era de secundaria impor- tancia economico-social para Lisboa. Sao Domingos de Benfica tem as suas origens ligadas a uma lenda. O rei D. Joao I doou a ordem religiosa dos dominicanos, a pedido do doutor Joao das Regras, os terrenos onde em tempos se erguera um palacio conhecido por Paco de Ben- fica,moradadeVeraodetodosossoberanos,desdeD.Dinis, Segundoalenda,oreiaovisitarolocal,destacoueelogioua suabelezanaturalafirmando:“Aquibem-ficaoconvento”. A antiga povoacao de Benfica era um dos locais mais bonitos merecendo assim esta denominacao nao so pela sua privilegiada situacao como pela abundan- cia de agua e arvoredo que a tornavam num dos mais deliciosos e poéticos lugares do Termo de Lisboa.
  30. 30. COMPENDIO BOTANICA 20 Fotografias do Metro da estacao LARAN- JEIRAS
  31. 31. ALaranjaeumobjetoformadoporumaseriede contentores modelados em forma de gomo, dispostos circularmente em torno de um eixo central, ao qual cada elemento apoia o seu lado retilineo, enquanto todos os lados curvos, voltados par ao exterior, produzem como forma global uma especie de esfera. O conjunto destes gomos esta envolvido por uma embalagem bem carateristica, tanto do ponto de vista da materia como da cor: dura na superficie externa e revestida no interior de um acolchoado fofo, que serve para proteger do exterior o conjunto dos contentores. Todo este material e na sua origem da mesma natureza, mas diferencia-se necessariamente segundo a funcao. Cada contentor, por sua vez, e formado por uma pelicula plastica, suficiente para conter sumo, mas bastante maleavel quando da sua decomposicao da forma global. COMPENDIO BOTANICA CAPITULO VI A LARANJA NA ARTE 21
  32. 32. COMPENDIO BOTANICA 22 Cada gomo mantem-se ligado aos outros por um adesivo muito fragil. A embalagem, como e hoje corrente, nao tem de ser devolvida ao fabricante. Cada gomo tem exatamente a forma da disposi- cao dos dentes na boca humana e, uma vez extrai- do da embalagem pode ser encostado aos dentes que, com uma ligeira pressao, o rompe, e dele extraem o seu sumo. Os gomos contem, alem do sumo, pequenas sementes da mesma planta que engendrou o fruto: uma pequena homenagem da producao ao consumidor, no caso de este desejar ter uma producao pessoal desses objetos. Observe-se o desinteresse economico dessa ideia e, por outro lado, a ligacao psicologica que se estabelece entre consumo e producao: ninguem, ou muito poucos, semearao laranjas, mas esta concessao, altamente altruista, a ideia de se poder faze-lo, liberta o con- sumidor do complexo de castracao e estabelece uma relacao de confianca autonoma reciproca. Por isso a laranja e um objeto quase per- feito, encontrando-se nele uma total co- erencia entre forma, funcao e consumo..
  33. 33. COMPENDIO BOTANICA 23 GOOD DESIGN, Bruno Munari Tambem a cor e exata; se fosse azul, estaria completamente errado.A unica concessao decorativa, se assim se pode dizer, consiste na pesquisa “materia” da superfecie da embalagem, tratada como “casca de laranja” Talvez para evocar a polpa interna dos gomos. Por vezes e admissivel um minimo de decoracao, se perfeitamente justificado
  34. 34. COMPENDIO BOTANICA 24 ILUSTRACOES DO GOOD DESIGN
  35. 35. COMPENDIO BOTANICA 25 Catalogo de Armando Alves, Ernesto de Sousa (1964, “Artes Graficas, Veiculo de Intimidade, As Artes Graficas e a Cidade” O que e uma laranja? Suponhamos que devo fazer compreender a alguem o que e uma laranja; e forcosamente, o que e uma laranja para mim. Como e obvio, posso fazer duas ordens de coisas, distintas, mas que porventura se completam e se exigem mutuamente. Proporciono a esse alguem a experiencia da laranja. Explico-lhe o que e a laranja. Os termos daquela experiencia porem podem ser diversos, e variados os seus limites: comprei a laranja, ou fui colhe-la a um pomar? Ensinei ou nao a descasca-la? Ha um numero infinito de coisas que uma laranja e, experimentalmente. Por outro lado, que terei dito para explicar que coisa e a laranja, limitado como e obvio, pelo que eu proprio sei? Que eumfrutodetalespeciedearvore;detaletalfamilia botanica Que contem vitamina C, que se colhe em determinada epoca do ano, em determinadas regioes. A sua importancia economica, cultural...
  36. 36. COMPENDIO BOTANICA 26 Enfim, a verdade e que com estas duas opera- coes, nao terei dito ou feito experimentar tudo o que a laranja e para mim. O cha de laranja, a flor da laranjeira, as laranjas de certo quadro de Manet, e as laranjas pintadas de branco do ultimo filme de Anto- nioni, tambem sao para mim, a laranja. “Un bar aux Folies-Bergeres, Eduard Manet, 1882
  37. 37. COMPENDIO BOTANICA CAPITULO VII A LENDA DA LARANJA 27 Esta lenda portuguesa ”A Lenda da Rapariga das Laranjas” e contada nos Acores.. Segundo a lenda, a ra- pariga era uma jovem que vivia perdida na solidao, no e nos sonhos. Esta rapariga passava os dias a espera de um dia reencontrar o seu querido principe encantado, que as adversidades da vida um dia lho levaram para longe. Dada a sua tristeza, os deuses tiveram pena dela e fizeram com que ela fosse consultar um oraculo para a aconselhar e ajudar. Durante a consulta a sibila con- seguiu, com a sua sabedoria e simpatia, leva-la para um local bonito e cheio de luz, onde a Menina das Laranjas poderia reerguer-se, com o nascer de uma obra de arte. Depois de ter saido da tristeza em que se encontrava, a Rapariga das Laranjas percebeu que nenhuma das por- tas, que a rodeavam e que pensava estarem fechadas para sempre, nao tinham qualquer tipo de fechadura. As portas abriam-se quando ela se aproximava.
  38. 38. COMPENDIO BOTANICA 28 Pos-se a deambular por detras das portas, ate que ao chegar a uma dessas portas encontrou caida no chao uma bela laranja coberta de ouro. Depois disso, a Rapariga das Laranjas nunca mais parou de procurar o laranjal referido pela sibila durante a consulta ao oraculo que lhe revelara existir um esplendido laranjal, local de onde teria vindo a laranja que encontrara. A Rapariga das Laranjas deu inicio a um longo caminho na tentativa de encontrar o laranjal, que era tido por ser o mais paradisiaco lugar que alguma vez imaginara ou sonhara encontrar. Quando finalmente o encontrou, sentiu-se livre da laranja de ouro, que sempre conservara na mao. Esta imanou uma luz, que lhe permitiu ver a presenca do seu amado principe, que ha muito se tinha ausentado. Foi, assim, que pode de novo e finalmente voltar a acreditar no amor.
  39. 39. COMPENDIO BOTANICA CAPITULO VIII A POEMA DA LARANJA 29 Diz uma lenda antiga, que o criador um dia, Depois de muito estudo, e dum pensar profundo, Teve esta original, estranha fantasia, P’ra dar a felicidade, o amor e a paz ao mundo. Cortou muitas laranjas. Depois arremessou Com tudo ca p’ra baixo, e satisfeito diz: “Metade sao do homem, e aquele que acertou achar outra metade, sera muito feliz”. E assim passamos nos a vida a procurar Onde para a ideal, a terna companheira, Que tem essa metade que deve completar Com aquela que temos, a tal laranja inteira. E, quanta, quanta vez, em dias bons, serenos, Nos julgamos por fim ter atingido a meta. Depois surge o engano, uma ilusao a menos,
  40. 40. COMPENDIO BOTANICA 30 Uma laranja mais que nao se completa. Porem na minha vida um dia tu surgiste E tudo se mudou a minha volta, amor. Passou a ser alegre o que antes fora triste, O sol brilhou mais alto e o ceu teve mais cor. E consegui por fim a tal laranja inteira, Essas duas metades perfeitamente unidas. E desde entao para ca, o terna companheira, A mesma perfeicao fundiu as nossas vidas. E hoje, ao ver que e certa essa tal lenda antiga, Eu quero perguntar-te, aqui, muito em segredo, Porque tardaste tanto, o minha doce amiga? A vida e tao pequena, devias ter vindo mais cedo. Fernando Vieira, in “Poesias”, edicaoo de Autor
  41. 41. COMPENDIO BOTANICA 31 “Anthropomorphic fruit”, autor desconhecido
  42. 42. COMPENDIO BOTANICA CAPITULO IX EXPERIENCIA SENSORIAL 32 Tapo os olhos, oico alguns barulhos desconhecidos e oico algum a posar sobre a mesa a minha frente. Sinto o cheiro de algo natural, e comeco a pousar as maos sobre a mesa procurando sentir algo, por fim, acabei por tocar em qualquer coisa, com textura macia, curvas e concavidades, ainda com mais rigidez externa, ao tocar as minhas maos que se fecharam diante aquele objeto desconhecido como se fosse pegar uma esfera, entao peguei-o depois cheirei. Com aquele cheiro perfumante, que era um cheiro citrico inconfundivel com a sua forma esferica. Logo percebi que era uma laranja, Vejo uma laranja... Uma esfera perfeita sem principio nem fim, toda continua, e o interior equilibrado e organizado, sem imperfeicoes.... com o seu brilho da cor laranja cuja palavra e a mesma do fruto, tem a cor do proprio nome, e unica, original, pura e verdadeira.
  43. 43. COMPENDIO BOTANICA 33 Vemos que a volta da laranja ha uma casca rugosa e fina que rodeia e protege a laranja toda. Nao vemos o que esta por dentro porque esta escondida pela camada protetora. Na sua pele grossa ao mesmo tempo fina, e facil de tirar e de arrancar, mas ao mesmo tempo temos de utilizar a nossa forca. Quando arrancamos a casca, solta-se o som de tique, de arrancar, e suave mas sente-se. Estou a procura de algo belo que maravilhe a minha alma e eleve o meu espirito com a nova descoberta. Assim como a laranja e macia e terna, solida e firme, assim gostaria que fosse o mundo, para a Humanidade, seriamos mais felizes. Ao tocar esta camada grossa, sentimos a sua pele grossa, escamada e rugosa ou seja forte. So com toque sentimos vontade de arrancar e tirar a camada. A sua casca protege-a como a mae protege um filho. Pega-se na laranja na palma da mao que a acolhe como se fosse protege-la pois e um fruto inocente e ingenuo. Nada como o amor pela laranja.
  44. 44. COMPENDIO BOTANICA 34 Ao por a laranja na palma da mao, ao observa- la tem uma silhueta perfeita, uma estrutura firme, saudavel, estavel, nutritiva e deliciosa. Ao arrancar a casca com certa espessura que e branca por dentro e cor-de-laranja por fora e era tao brilhante que parecia o vidro a brilhar e depois solta-se o cheiro agradavel, penetrante e intenso. Mas ao tirar esta camada protetora, estamos a desfazer as defesas da laranja, e como se estivissemos a desvendar um tesouro escondido a espera de ser descoberto. Depois de tirar a casca, vemos a forma da sua alma interior, admiramos a beleza da polpa simetrica, pois esta divida em secoes como se soubesse que nos a iriamos comer e e estranho e curioso. Temos mesmo tantas perguntas que e quase impossivel de obter as respostas. Ao sentir na laranja nua cheia de veias brancas nas maos, aperto o fruto e solta se o sumo saboroso, e retiro um dos gomos fofos, e como-o, nao ha palavras que consigam transmitir vos o que eu senti na lingua. E muito saborosa e doce, no mais puro dos sentidos.
  45. 45. COMPENDIO BOTANICA 35 ORANGE TREE, Botanical
  46. 46. COMPENDIO BOTANICA 36 Tiramos a pequena parte fragil da polpa, escorre- se na mao o sumo refrescante trazendo um cheiro natural. A laranja e magica e com sabor intenso e incorporado, afeta sensitivamente o nosso olfato e tato e enche- nos de sensasoes suaves. O sabor e fantastico, satisfaz maravilhosamente a nossa saciedade. E sensacional e vivido quando sentimos o sabor da laranja. E nutritiva e faz parte da natureza. Aquele sabor vem do natural e e unico, pois surge naturalmente e por mais que tentemos e impossivel criar um sabor igual aquele. E um dos frutos maravilhosos da Natureza. O sabor e desconhecido, misterioso, muito curiosa pois nem sabemos como nasceram, a planta e a arvore. Como surgiram?e um misterio. E refrescante e hidrata- nos. E boa e positiva. E agradavel para aos sentidos, e quando provamos e acida e incorporada, ha sempre um momento em que relaxamos e apreciamos o seu sabor e a sua textura, aprendemos como viver melhor, saborear a vida. Construi-se com base no nosso tato.
  47. 47. COMPENDIO BOTANICA 37 Mas tudo que eu sei e sinto sobre a laranja nao passa simplesmente para o universo de palavras, portanto o melhor e sentir e deixar-nos invadir pela sua totalidade, porque nao ha palavras exatas. E saudavel e apetitosa, ajuda-nos a seguir em frente com mais forca, o seu acido escorre na nossa lingua refrescando-nos e nos saboreamos-lho e sentimo-nos, curiosos e exploradores. Aguca a nossa curiosidade e o nosso espirito analatico, sentimo-nos a caminhar para o infinito celestial. Direciona-nos no sentido sensacional e excecional, onde vemos um pequeno mundo, dentro do mundo, faz-nos um convite para realcar o bom e o belo. A laranja e algo de belo e inacessivel que podemos utilizar e que tem inspirado muitas empresas. Utilizando a textura da laranja para pintar o quarto com um piso escuro e os objetos decorativos cor de marfim, esquecemos o feio e mau e parece que o Sol esta sempre radiante junto de nos a inspirar-nos e iluminar os nossos atos.
  48. 48. COMPENDIO BOTANICA 38 ILUSTRACAO, Laranja, ROTTALER
  49. 49. COMPENDIO BOTANICA 39 1893, “Orange original antique botanical fruit”
  50. 50. COMPENDIO BOTANICA 40 Por fim, esta experiencia, a minha perspetiva sobre laranjas mudou e abri os olhos e comecei a aprender para saborear melhor e foi apaixonante. Quando se abre os olhos, abre a mente e fica mais leve e mais aberto e termino o texto da prova de contacto com um ditado “A beleza esta nos olhos de quem a ve”. Botanical Fruit -Oranges, SATSMA
  51. 51. COMPENDIO BOTANICA CAPITULO X MANUAL DAS INSTRUCOES DA MINHA LARANJA 41
  52. 52. COMPENDIO BOTANICA 42
  53. 53. COMPENDIO BOTANICA 43

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