Sumidouro ou Padre Viegas?
Parte 4
O Colégio Osório

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narrativa do ex-aluno e morador, Pedro Ad’víncula Moreira. No prédio, havia também
uma grande cozinha. É possível também q...
na sociedade marianense no período pode ser percebida diante da publicação do seu
falecimento no jornal da época, no ano d...
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Sumidouro ou padre viegas parte 4

  1. 1. Sumidouro ou Padre Viegas? Parte 4 O Colégio Osório Surgiu no arraial de Sumidouro, do Termo de Mariana, o Colégio Osório, conhecido também como Colégio dos Padres Osório ou Colégio dos Osórios. A instituição foi fundada por Manuel da Cunha Osório, em 25 de Janeiro de 1742. Manoel da Cunha Osório, residiu no casarão que hoje pertence à família Balbi. Porém, o prédio que abrigou a instituição, localizava-se atrás da igreja. Foto da fachada do Colégio Osório do Sumidouro- Ano e autor desconhecidos O prédio contava com pelo menos três grandes salões em seu interior. Segundo alguns moradores mais antigos do Sumidouro, em um desses salões, havia uma pintura de um enorme anjo ao centro, tocando uma trombeta. Querubins nos quatro cantos do desse teto, completavam o trabalho. Esse cenário também é descrito pelo professor Waldemar de Moura Santos, em seu artigo “O Fabuloso Sumidouro”, através da
  2. 2. narrativa do ex-aluno e morador, Pedro Ad’víncula Moreira. No prédio, havia também uma grande cozinha. É possível também que, um dos maiores salões era usado como refeitório para os alunos, já que o Colégio chegou a abrigar 250 discentes. O abastecimento de água era por um enorme tanque atrás da edificação1. Uma bica d’água chegava até a cozinha, com a queda d’agua em um enorme bojo de pedra. A água escoava por um duto que ficava na parte de trás do prédio e seguia para a parte baixa do terreno, até encontrar um pequeno rio, que deságua no córrego do Crasto, segundo relatava o morador Morais Guido de Lima. É possível observar ainda, através de um relato sobre a vida do Padre Viegas publicado no “Correio Official de Minas” em 1879, que, enquanto aluno do Colégio Osório, o mesmo se refugiava durante os intervalos do recreio em “seu cubículo”, onde fazia suas criações de desenhos. Temos aí a alusão de que seja um dos quartos da edificação, que contava com pelo menos vinte e dois cômodos, de acordo com D. Maria Gomes do Nascimento, ou “D. Maria do Estudo” como ficou popularmente conhecida, que foi moradora do sobrado2. Em sua estrutura funcional, o Colégio Osório contava com 12 professores. Todos eram Padres, ainda segundo o professor Waldemar de Moura Santos, em seu artigo “O Fabuloso Sumidouro”. A vocação da família Cunha Osório para a educação e a vida religiosa possibilitou a criação do Colégio Osório, transformando-o em grande referência em educação em Minas Gerais no século XVIII. Dois filhos de Manuel da Cunha Osório, integraram o corpo docente, onde além de professores, foram diretores da instituição: o Padre Francisco da Cunha Osório, que foi também vigário na Freguesia do Sumidouro, sendo grande articulador político e incansável provedor para obras de reparos na Igreja de Nossa Senhora do Rosário, e o padre Joaquim da Cunha Osório, professor de latim, tendo como aluno José Joaquim Viegas de Menezes, o Padre Viegas. Padre Egídio da Cunha Osório, primo dos padres Joaquim e Francisco, também foi professor mestre de Latim e lecionou no Seminário de Mariana. Permito-me citar aqui também a importância do Padre mestre Egídio da Cunha Osório, como ex-aluno do colégio e ex-professor da instituição, foi um dos candidatos (quase eleito) a Juiz de Facto, da cidade de Mariana, segundo ata da sessão eleitoral de 1830. Sua importância 1 Nos dias de hoje, é possível localizar as ruínas desse tanque, em meio à vegetação que tomou conta do terreno. 2 Ainda segundo ela, o seu avô João Vitor Gomes, adquiriu o casarão após ser desativado como Colégio, para servir de morada para sua família. O termo “Estudo” ainda foi, durante muitos anos, a referência ao local onde ficava a edificação. E aos moradores do sobrado, como o caso de Maria Gomes do Nascimento, a referência veio acompanhando o nome, ou seja, Maria do Estudo.
  3. 3. na sociedade marianense no período pode ser percebida diante da publicação do seu falecimento no jornal da época, no ano de 1832: NECROLOGIA A sociedade Patriótica Mariannense vem de perder um de seus Sócios. No dia 21 do corrente ano, falleceo repentinamente o P. Egídio da Cunha Ozório. A sua exactidão no cumprimento de seus deveres, como Professor de Latim, os seus bons costumes grangearao a estima de seus concidadãos. O comitê o acompanhou até a Igreja e assitio até as últimas exéquias, observando o Artigo 22 dos Estatutos3. Das disciplinas aplicadas aos alunos do Colégio Osório, encontramos as disciplinas de Língua Latina (Latim) e Poética, ambas extremamente essenciais na formação do aluno no período. Mas, é possível que houvesse oferta de outras disciplinas para integralização do curso, as quais ainda exige mais pesquisa. O uso da palmatória pelos professores do Colégio como ferramenta pedagógica, mostra a rigidez do sistema de ensino na época. Alguns dos alunos do Colégio Osório, se tornaram grandes políticos e personalidades em Minas Gerais e no Brasil, além do Padre José Joaquim Viegas de Menezes. O professor Waldermar de Moura Santos, cita Vicente Coelho Seabra, Desembargador Manuel Ignacio de Melo e Souza, Cônego Francisco Pereira de Santa Apollonia, Manuel Joaquim Ribeiro, o médico e músico Dr. Lucindo dos Passos Filho, professor João Nunes da Cruz e Antônio Pedro Luiz que, segundo o artigo, foi professor de várias línguas no Colégio, o que nos sugere que a instituição chegou a oferecer outros idiomas como disciplinas, além do Latim. Segundo alguns moradores, após o Colégio Osório ser desativado, na segunda metade do século XIX, surgiu outra escola em Sumidouro, que funcionou em algumas casas do arraial, por não haver ainda um prédio próprio. Na maioria das vezes, a escola funcionava em uma única sala que abrigava todos os alunos de forma multi seriada, onde cada fileira representava uma série, e assim, à medida que o aluno vencia uma etapa, mudava de fileira, até concluir o curso fundamental em quatro anos. Uma dessas casas onde funcionou como escola, é o atual casarão da família Balbi. Tempos depois, o 3 Transcrição na íntegra da publicação da morte do Padre mestre Egídio da Cunha Osório- Jornal Estrela Mariannense, 1832.
  4. 4. prédio da escola, já de responsabilidade do governo, volta a se localizar no largo da matriz, porém em outra construção próxima às ruínas do Colégio Osório. A atual escola, a “Escola Estadual Padre Viegas”, à qual eu e tantos outros, aprendemos as primeiras letras com a professora Cleusa Fátima dos Santos, e seguimos pela competente professora Sumidourense Ilza da Silva, além de tantas outras, tem o desafio de seguir esse legado de não só formar homens e mulheres de bem, mas projetar grandes cidadãos para o mundo. Júnior Eduardo Nonato Sumidourense Padrevieguense, Professor, Maestro e Produtor Musical Em Agosto de 2013

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