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Acidentes por Himenópteros
e Lepidópteros
Professor: Cleanto Santos Vieira
Himenópterismo
• Únicos insetos com ferrões verdadeiros.
• Três famílias de importância médica:
• Apidae(abelhas e mamangavas), Vespidae
(vespa amarela, vespão e marimbondo ou
caba) e Formicidae (formigas).
• Epidemiologia Incidência de acidentes
desconhecida. A hipersensibilidade
provocada por picada de insetos tem sido
estimada em 0,4-10%. As reações alérgicas
tendem a ocorrer em adultos e nos
indivíduos profissionalmente expostos. Os
relatos de acidentes graves e de mortes
pela picada de abelhas africanizadas são
conseqüência da maior agressividade
dessa espécie (ataques maciços) e não das
diferenças de composição da sua peçonha. Mamangava
Himenópterismo
• Abelhas:
• Ferrão dividido em uma estrutura muscular e quitinosa,
responsável pela introdução do ferrão e da peçonha e
outra glandular, que secreta e armazena a peçonha.
Padrão de utilização do ferrão: com autotomia e sem
autotomia. Com autotomia
• injetam mais peçonha e morrem. Sem autotomia
• o ferrão pode ser utilizado várias vezes.
• Abelhas Distribuição geográfica As abelhas de origem
alemã (Apis mellifera mellifera) foram introduzidas no
Brasil em 1839. Em 1870, foram trazidas as abelhas
italianas (Apis mellifera ligustica), principalmente ao sul
do Brasil. Em 1956, foram introduzidas as abelhas
africanas (Apis mellifera scutellata). As abelhas africanas
e seus híbridos com as abelhas européias são
responsáveis pela formação das chamadas abelhas
africanizadas que, hoje, dominam toda a América do
Sul, a América Central e parte da América do Norte. O
deslocamento destas abelhas foi mais rápido no
Nordeste do Brasil, onde o clima é tropical seco.
Himenópterismo
• Abelhas:
• Ações da peçonha Hialuronidases e PLAs, peptídeos
ativos como melitina e a apamina, aminas como
histamina e serotonina entre outras. PLA2 e melitina
(75% peçonha)
• Bloqueio neuromuscular, paralisia respiratória (2%).
• neurotoxina de ação motora.
• Cardiopeptídeo propriedades antiarrítmicas. Peptídeo
MCD (fator degranulador de mastócitos)
• liberação de histamina e 5HT.
• Quadro clínico:
• Manifestações clínicas: alérgicas (mesmo com uma
sópicada) e tóxicas (múltiplas picadas).
• Manifestações Locais:
• dor aguda local, que tende a desaparecer
espontaneamente em poucos minutos, deixando
vermelhidão, prurido e edema por várias horas ou dias.
A intensidade desta reação inicial causada por uma ou
múltiplas picadas deve alertar para um possível estado
de sensibilidade e exacerbação de resposta às picadas
subseqüentes.
Abelha africanizada
Himenópterismo
• Manifestações Regionais:
• Eritema, prurido e edema, este pode ser tão
exuberante a ponto de limitar a mobilidade do
membro.
• Manifestações Sistêmicas:
• Anafilaxia, cefaléia, vertigens e calafrios, agitação
psicomotora, sensação de opressão torácica,
prurido generalizado, eritema, urticária e
angioedema. Rinite, edema de laringe e pulmonar.
Náuseas, cólicas abdominais ou pélvicas, vômitos e
diarréia. Hipotensão. Palpitações e arritmias
cardíacas e, quando há lesões preexistentes
(arteriosclerose), infartos isquêmicos no coração
ou cérebro.
• Reações alérgicas tardias ocorrem vários dias após
a(s) picada(s).
• Manifestações tóxicas: Ataque múltiplo de
abelhas (+ 500 picadas) desenvolve-se um quadro
tóxico generalizado: síndrome de envenenamento.
Hemólise intravascular e rabdomiólise. Alterações
neurológicas como torpor e coma, hipotensão
arterial, oligúria/anúria e insuficiência renal aguda
podem ocorrer.
Himenópterismo
• Complicações:
• As reações de hipersensibilidade podem ser desencadeadas
por uma única picada e levar o acidentado à morte, em
virtude de edema de glote ou choque anafilático. Síndrome de
envenenamento
• distúrbios graves hidroeletrolíticos e do equilíbrio ácido-
básico, anemia aguda pela hemólise, depressão respiratória e
insuficiência renal aguda são as complicações mais
freqüentemente relatadas.
• Exames complementares Não há exames específicos para o
diagnóstico. Exame de urina e hemograma completo.
• Tratamento:
• Remoção dos ferrões
• raspagem com lâmina e não pelo pinçamento de cada um
deles, pois a compressão poderá espremer a glândula ligada
ao ferrão e inocular no paciente a peçonha ainda existente.
• Analgésicos e tratamento para reações alérgicas.
• Não há antiveneno de abelha. Choque anafilático, insuficiência
respiratória e insuficiência renal aguda devem ser tratados de
maneira rápida e vigorosa.
• Pacientes vítimas de enxames devem ser mantidos em
Unidades de Terapia Intensiva, em razão da alta mortalidade
observada.
Himenópterismo
• Vespa Synoeca cyanea
(marimbondo-tatu) e Pepsis
fabricius (marimbondo-cavalo)
em todo o território nacional.
Peçonha pouco conhecida.
Produzem hipersensibilidade.
Não deixam o ferrão no local da
picada. Efeitos locais e
sistêmicos semelhantes aos das
abelhas, porém menos
intensos.
Himenópterismo
• Formigas:
• Algumas são portadoras de um
aguilhão abdominal ligado a glândulas
de peçonha. A picada pode ser muito
dolorosa e pode provocar anafilaxia,
necrose e infecção secundária.
• Formiga tocandira, cabo-verde vinte-
e-quatro horas(3 cm), negra,
• Distribuição: Norte e Centro-Oeste.
Picada muito dolorosa e pode
provocar edema e eritema local, e
ocasionalmente fenômenos
sistêmicos (calafrios, sudorese,
taquicardia).
• Formigas de correição, ocorrem na
selva amazônica. Picada é pouco
dolorosa.
Himenópterismo
• De interesse médico:
• formigas-de-fogo ou lava-pés (gênero Solenopsis) e as formigas saúvas
(gênero Atta).
• Formiga lava-pés
• Peçonha produzida em uma glândula conectada ao ferrão e cerca de 90%
constituída de alcalóides oleosos, onde a fração mais importante é a
Solenopsin A, de efeito citotóxico. A morte celular provocada pela
peçonha promove diapedese de neutrófilos no ponto de ferroada.
• Eritema, vesículas e pústulas em paciente picado por formiga Solenopsis
• Complicações:
• Processos alérgicos podem ocorrer, sendo inclusive causa de óbito.
• Diagnóstico:
• O diagnóstico é basicamente clínico.
• Tratamento:
• Uso imediato de compressas frias locais, seguido da aplicação de
corticóides tópicos. Analgesia e uso de anti- histamínicos por via oral.
Anafilaxia ou reações respiratórias do tipo asmático são emergências que
devem ser tratadas prontamente.
Eruscismo
• Taturanas.
• Forma larvária e adulta:
• Dermatite urticante:
• a) contato com lagartas urticantes de vários gêneros;
• b) contato com cerdas da mariposa Hylesia sp.
Periartrite falangeana, Síndrome hemorrágica por
Lonomia sp
• Epidemiologia Os acidentes por lepidópteros têm
sido, de modo geral, subnotificados.
• Formas larvárias Quase 100% acidentes: contato com
lagartas, recebendo esse tipo de acidente a
denominação de erucismo (erucae = larva), onde a
lagarta é também conhecida por taturana ou
tatarana, denominação tupi que significa semelhante
a fogo (tata = fogo, rana = semelhante).
• As principais famílias de lepidópteros causadoras de
erucismo são Megalopygidae, Saturniidaee Arctiidae.
Taturana Bezerra do Gênero Lomonia
Eruscismo
• Megalopygidae:
• Sauí, lagarta-de-fogo,
chapéu-armado, taturana
gatinho, taturana-de-flanela.
Cerdas verdadeiras,
pontiagudas contendo as
glândulas basais de peçonha.
Cerdas mais longas, coloridas
e inofensivas.
Eruscismo
• Saturniidae:
• “Espinhos”ramificados e
pontiagudos de aspecto
arbóreo, com glândulas de
peçonha nos ápices.
Apresentam tonalidades
esverdeadas, exibindo no
dorso e laterais, manchas e
listras, características de
gêneros e espécies. Muitas
vezes mimetizam as plantas
que habitam.
Automeris sp.
Eruscismo
• Saturnídeo-Lonomia
• Orugas ou rugas(Sul do
Brasil),
• beijus-de-tapuru-de-
seringueira(norte do
Brasil). Causadoras de
síndrome hemorrágica.
Eruscismo
• Arctiidae:
• Lagartas Premolis semirufa,
causadoras da pararamose
(inchaços até quadros graves,
como inflamação e perda dos
movimentos das mãos)
Eruscismo
• Formas adultas(mariposas-da-coceira)
• Somente fêmeas adultas do gênero
Hylesia sp (Saturniidae) apresentam
cerdas no abdome que, em contato com
a pele, causam dermatite papulo
pruriginosa.
• Dermatite urticante
• Lagartas de vários gêneros
• Acidente muito comum em todo o
Brasil, em geral, de curso agudo e
evolução benigna. Fazem exceção os
acidentes com Lonomia sp.
• Ações da peçonha Não se conhece
exatamente como agem as peçonhas
das lagartas. Atribui-se ação aos líquidos
da hemolinfa e da secreção das
espículas, tendo a histamina o principal
componente estudado até o momento.
Eruscismo
• Dermatite urticante
• Quadro clínico: Manifestações do tipo
dermatológico, dependendo da intensidade e
extensão do contato. Dor local intensa, edema,
eritema e, eventualmente, prurido local. Existe
infartamento ganglionar regional característico e
doloroso. Nas primeiras 24 h, a lesão pode evoluir
com vesiculação e, mais raramente, com formação
de bolhas e necrose na área do contato.
• Complicações:
• O quadro local de boa evolução, regredindo no
máximo em 2-3 dias sem maiores complicações ou
seqüelas.
• Tratamento: compressas frias; anestésico local;
elevação do membro acometido; corticosteroides
tópicos; anti-histamínico oral.
• Por causa da possibilidade de se tratar de acidente
hemorrágico por Lonomia sp, todo o paciente que
não trouxera lagarta para identificação deve ser
orientado para retorno, no caso de apresentar
sangramentos até48 h após contato.
Eruscismo
• Dermatite urticante por mariposa Hylesia sp
• Fêmeas de mariposas de Hylesia sp têm causado
surtos de dermatite papulo pruriginosa. As
mariposas, atraídas pela luz, invadem os domicílios
e, ao se debaterem, liberam no ambiente as
espículas que, atingindo a superfície cutânea,
podem causar quadros de dermatite aguda.
• Ações da peçonha Além do trauma mecânico
provocado pela introdução das espículas, postula-se
a presença de fatores tóxicos que, até agora,
praticamente não foram estudados.
• Quadro clínico Lesões papulo pruriginosas logo após
contato com as cerdas. Intenso prurido e cura após
7-14 dias . Tratamento Anti-histamínicos, via oral,
compressas frias, banhos de amido e,
eventualmente, cremes à base de corticosteróides.
Eruscismo
• Periartrite falangeana-pararama
• Pararamose ou reumatismo dos seringueiros→larva
da mariposa Premolis semirufa, “pararama”.
• Restritos à Amazônia(seringais) > 90% acidentes
comprometem as mãos, originando lesões crônicas
que comprometem as articulações falangeanas,
levando a deformidades com incapacidade funcional.
• Ações da peçonha: A reação granulomatosa e fibrose
do tecido cartilaginoso e bainhas do periósteo.
• Ação mecânica das cerdas e/ou à existência de
secreções protéicas no interior dessas cerdas.
• Tratamento: Não há conduta terapêutica específica.
Tratamento imediato, semelhante ao descrito para
dermatite por contato. Formas crônicas, com
artropatia, deverão ter acompanhamento
especializado.
Eruscismo
• Síndrome hemorrágica-Lonomia
• Principalmente na região Sul, atingindo principalmente
trabalhadores rurais. Há registros em SP e GO.
• Ações da peçonha: Mecanismo síndrome hemorrágica
não está esclarecido. PLA2, substância caseinolítica e
ativadora de complemento. Ação pró-coagulante
moderada. Diminuição dos níveis de fatorXIII,
responsável pela estabilização da fibrina e controle da
fibrinólise. Não se observa alteração nas plaquetas.
• Quadro clínico: Constitui a forma mais grave do
erucismo.
• Local→Dermatite urticante
• Geral→Cefaleia holocraniana, mal-estar geral, náuseas e
vômitos, ansiedade, mialgias, dores abdominais,
hipotermia, hipotensão. Equimoses, hematomas
espontâneos ou provocados por trauma ou em lesões
cicatrizadas, hemorragias de mucosas, hematúria
macroscópica, sangramento sem feridas recentes,
hemorragias intra-articulares, abdominais, pulmonares,
glandulares(tireóide, glândulas salivares) e hemorragia
intraparenquimatosa cerebral.
Eruscismo
Eruscismo
• Complicações: Insuficiência renal aguda (5% dos casos).
• Exames complementares: Coagulograma, diminuição
acentuada do fibrinogênio plasmático, elevação de
produtos de degradação do fibrinogênio e fibrina, Nº
plaquetas normal.
• Diagnóstico: Não existem métodos diagnósticos
específicos. O diagnóstico diferencial com as dermatites
urticantes provocadas por outros lepidópteros deve ser
feito pela história clínica, identificação do agente e
presença de distúrbios hemostáticos.
• Tratamento Local→ Semelhante a dermatite urticante.
• Manifestações hemorrágicas: →repouso, evitando-se
traumas mecânicos. Agentes antifibrinolíticos. Correção
da anemia por meio da administração de concentrado
de hemácias. Sangue total ou plasma fresco são contra-
indicados pois podem acentuar o quadro de coagulação
intravascular.
• Soro antilonômico(SALon) começa a ser produzido em
pequena escala, estando em fase de ensaios clínicos, de
utilização restrita.
Coleópteros
• Coleópteros de importância médica no Brasil:
• Acidentes por besouros do gênero Paederus
(Coleoptera, Staphylinidae) nas regiões Norte,
Nordeste e Centro-Oeste e pelo gênero Epicauta
(Coleoptera, Meloidae) no estado de SãoPaulo.
• Paederus (potó, trepa-moleque, péla-égua, fogo-
selvagem) compõe-se de pequenos besouros de
corpo alongado, medindo de 7-13 mm; possue
mélitros curtos, que deixam descoberta mais da
metade do abdome. Vivem em lugares úmidos,
arrozais, culturas de milho e algodão.
• Paederus amazonicus, P. brasiliensis, P. columbinus,
P. fuscipese P. goeldi. Predam outros insetos,
nematódeos e girinos. Defendem-se com as
mandíbulas, ao mesmo tempo em que encurvam o
abdome, provavelmente também para acionar a
secreção das glândulas pigidiais.
Paederus sp
Coleópteros
• Potó-grande, potó-pimenta,
papa-pimenta, caga-fogo e
caga-pimenta correspondem
ao gênero Epicauta, as
cantáridas do Novo Mundo,
também dotadas de
propriedades vesicantes
(atribuídas à cantaridina)
sendo causadoras de lesões
menos evidentes, que
regridem em cerca de 3 dias.
Coleópteros
• Ações do veneno: Hemolinfa e secreção glandular do potó→
potente toxina de contato, pederina, de ação cáustica e vesicante. Trata-se
de uma amida cristalina, de ação inibidora do DNA, bloqueando a mitose.
Adultos, ovos e larvas contêm a toxina.
• Quadro clínico: Sensação de ardor contínuo Os dedos que
friccionaram o inseto podem levar a toxina a outras áreas, inclusive à
mucosa conjuntival, provocando dano ocular (conjuntivite, blefarite,
ceratite esfoliativa, irite).
• Leve→discreto eritema.
• Moderado→marca do eritema, ardor e prurido, vesículas que se
alargam gradualmente(48h). Estágio escamoso, vesículas secam(8 dias),
deixando manchas pigmentadas(1 mês ou+).
• Grave →contato com vários espécimes. Febre, dor local, artralgia e
vômitos. O eritema pode persisti por meses. Infecção secundária
• Acidente por Epicauta sp.
• Tratamento Lavar imediatamente as áreas atingidas, com abundante água
corrente e sabão. Nas lesões instaladas, utilizar banhos anti- sépticos com
permanganato e antimicrobianos tópicos. A tintura de iodo destrói a
pederina, mas deve ser empregada precocemente. Em caso de contato
com os olhos, deve-se lavar o local com água limpa e abundante.
Ictismo
• Peixes marinhos ou fluviais.
• Acidentes acantotóxicos(arraias, O
veneno das arraias é composto de
polipeptídeos de alto peso
molecular)
• Em sua composição já foram
identificadas a serotonina, a
fosfodiesterase.
• É um veneno termolábil que
ocorre na maioria desse grupo.
• →caráter necrosante e a dor é o
sintoma proeminente. Peçonha das
arraias: 5-HT e peptídeos de alta
MW, como fosfodiesterase e 5-
nucleotidase.
Ictismo
• Acidentes sarcotóxicos→ Ingestão de
peixes e frutos do mar. Os baiacus
possuem TTX, podendo provocar
paralisia consciente e óbito por falência
respiratória. Peixes que se alimentam
do dinoflagelado Gambierdiscus toxicus
podem ter acúmulo progressivo de
ciguatoxina nos tecidos, provocando o
quadro denominado ciguatera.
Ictismo
• Manifestações neurológicas e
gastrintestinais.
• Neurológicas: Sensação de formigamento
da face, lábios, dedos das mãos e pés,
fraqueza muscular, mialgias, vertigens,
insônia, dificuldade de marcha e distúrbios
visuais.
• Agravamento: convulsões, dispnéia,
parada respiratória e morte, que pode
ocorrer nas primeiras 24 horas.
• Gastrintestinal: Náuseas, vômitos, dores
abdominais e diarréia. A recuperação
clínica do envenenamento por peixes pode
se estender de semanas a meses.
Ictismo
• Tratamento:
• Acidente traumatogênico ou
acantotóxico: objetivo alívio da dor, o
combate dos efeitos da peçonha e a
prevenção de infecção secundária.
• Acidente por ingestão de peixes
tóxicos: Tratamento de suporte.
Lavagem gástrica e laxante. Insuficiência
respiratória e o choque devem ser
tratados com medidas convencionais.
Nos acidentes escombróticos está
indicado o uso de anti-histamínico.
• Prognóstico: Acidentes acantotóxicos e
traumatogênicos→favorável, mesmo
nos casos com demorada cicatrização,
com exceção dos acidentes provocados
por arraias e peixes escorpião, cujo
prognóstico pode ser desfavorável.
Ictismo
• Acidentes
escombróticos→acontecem
quando bactérias provocam
descarboxilação da histidina na
carne de peixes mal conservados,
produzindo a toxina saurina, capaz
de liberar histamina em seres
humanos. Acúmulo de metil-
mercúrio em peixes pescados em
águas contaminadas podem
produzir quadros neurológicos em
humanos, quando houver ingestão
crônica. Doença de Minamata.
Em 1956, pescadores dessa baía japonesa começaram a ter uma doença batizada de mal de Minamata,
que causava paralisias e podia matar. Logo ficou claro que os casos surgiram porque uma indústria de
fertilizantes, a Chisso Corporation, lançou durante quatro décadas 27 toneladas de mercúrio no oceano,
contaminando peixes e frutos do mar. Mais de 3 mil pessoas adoeceram e centenas morreram. A região
só foi declarada livre de mercúrio em 1997, quando as redes que impediam os peixes contaminados de
nadar para outras águas foram retiradas.
Ictismo
• Ictismo-peixes acantotóxicos: Os peixes acantotóxicos possuem espinhos
ou ferrões pontiagudos e retrosserrilhados, envolvidos por bainha de
tegumento sob a qual estão as glândulas de peçonha existentes nas
nadadeiras dorsais, peitorais ou na cauda, com exceção do niquim, cujas
glândulas estão na base dos ferrões. Bagres(Bagre bagre, B. marinus, etc),
mandi(Genidens genidens, Pimelodellabrasiliensis), peixe escorpião,
beatinha ou mangangá (Scorpaena brasiliensis, S. plumeri), niquim ou
peixe sapo(Thalassophrynenatterreri, T. amazonica)e arraias.
• Arraias marinhas (Dasyatisguttatus, D. americana, Gymnura micrura, etc)
• Arraias fluviais (Potamotrygon hystrix, P. motoro)
Ictismo
• Acidente acantotóxico:
• Quadro clínico: Ferimento, dor
imediata e intensa. Eritema e edema
regionais. Casos graves: linfangite,
reação ganglionar, abscedação e
necrose tecidual no local.
• Lesões não tratadas: infeção
bacteriana.
• Manifestações gerais: fraqueza,
sudorese, náuseas, vômitos,
vertigens, hipotensão, choque e até
óbito.
Ictismo
• Ictismo- acidentes traumáticos:
• Os candirus(Vandellia cirrhosa)
são peixes pequenos e que podem
penetrar em qualquer orifício
natural de banhistas nos rios da
Amazônia. Acidentes por descarga
elétrica são provocados por
contato com peixes que possuem
órgãos capazes de produzir
eletricidade.
• Exemplos: Poraquê (Electrophorus
electricus) e Arraia treme-treme
(Narcine brasiliensis).
Ictismo
• Acidente tetrodontóxico e
ciguatóxico.
• Baiacus(Tetraodontidae):
Colomesuspsittacus,
Lagocephalus laevigatus, Diodon
hystrix, etc.).
• Garoupa (Cephalopholis argus).
• →prognóstico é reservado e a
taxa de letalidade pode
ultrapassar 50% e 12%,
respectivamente.
Referências Bibliográficas
• Elisabeth Ferroni Schwartz Laboratório de Toxinologia Departamento
de Ciências Fisiológicas Instituto de Ciências Biológicas –UnB
• MI acidentes por animais peçonhentos. Bra .
• SEB Brasília, 1996.
• SEC SAÚDE. Manual de vigilância epidemiológica acidentes pó animais
peç São Paulo: CVE, lnstituto Butantan, 1993. SC avier, 1992.

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  • 1. Acidentes por Himenópteros e Lepidópteros Professor: Cleanto Santos Vieira
  • 2. Himenópterismo • Únicos insetos com ferrões verdadeiros. • Três famílias de importância médica: • Apidae(abelhas e mamangavas), Vespidae (vespa amarela, vespão e marimbondo ou caba) e Formicidae (formigas). • Epidemiologia Incidência de acidentes desconhecida. A hipersensibilidade provocada por picada de insetos tem sido estimada em 0,4-10%. As reações alérgicas tendem a ocorrer em adultos e nos indivíduos profissionalmente expostos. Os relatos de acidentes graves e de mortes pela picada de abelhas africanizadas são conseqüência da maior agressividade dessa espécie (ataques maciços) e não das diferenças de composição da sua peçonha. Mamangava
  • 3. Himenópterismo • Abelhas: • Ferrão dividido em uma estrutura muscular e quitinosa, responsável pela introdução do ferrão e da peçonha e outra glandular, que secreta e armazena a peçonha. Padrão de utilização do ferrão: com autotomia e sem autotomia. Com autotomia • injetam mais peçonha e morrem. Sem autotomia • o ferrão pode ser utilizado várias vezes. • Abelhas Distribuição geográfica As abelhas de origem alemã (Apis mellifera mellifera) foram introduzidas no Brasil em 1839. Em 1870, foram trazidas as abelhas italianas (Apis mellifera ligustica), principalmente ao sul do Brasil. Em 1956, foram introduzidas as abelhas africanas (Apis mellifera scutellata). As abelhas africanas e seus híbridos com as abelhas européias são responsáveis pela formação das chamadas abelhas africanizadas que, hoje, dominam toda a América do Sul, a América Central e parte da América do Norte. O deslocamento destas abelhas foi mais rápido no Nordeste do Brasil, onde o clima é tropical seco.
  • 4. Himenópterismo • Abelhas: • Ações da peçonha Hialuronidases e PLAs, peptídeos ativos como melitina e a apamina, aminas como histamina e serotonina entre outras. PLA2 e melitina (75% peçonha) • Bloqueio neuromuscular, paralisia respiratória (2%). • neurotoxina de ação motora. • Cardiopeptídeo propriedades antiarrítmicas. Peptídeo MCD (fator degranulador de mastócitos) • liberação de histamina e 5HT. • Quadro clínico: • Manifestações clínicas: alérgicas (mesmo com uma sópicada) e tóxicas (múltiplas picadas). • Manifestações Locais: • dor aguda local, que tende a desaparecer espontaneamente em poucos minutos, deixando vermelhidão, prurido e edema por várias horas ou dias. A intensidade desta reação inicial causada por uma ou múltiplas picadas deve alertar para um possível estado de sensibilidade e exacerbação de resposta às picadas subseqüentes. Abelha africanizada
  • 5. Himenópterismo • Manifestações Regionais: • Eritema, prurido e edema, este pode ser tão exuberante a ponto de limitar a mobilidade do membro. • Manifestações Sistêmicas: • Anafilaxia, cefaléia, vertigens e calafrios, agitação psicomotora, sensação de opressão torácica, prurido generalizado, eritema, urticária e angioedema. Rinite, edema de laringe e pulmonar. Náuseas, cólicas abdominais ou pélvicas, vômitos e diarréia. Hipotensão. Palpitações e arritmias cardíacas e, quando há lesões preexistentes (arteriosclerose), infartos isquêmicos no coração ou cérebro. • Reações alérgicas tardias ocorrem vários dias após a(s) picada(s). • Manifestações tóxicas: Ataque múltiplo de abelhas (+ 500 picadas) desenvolve-se um quadro tóxico generalizado: síndrome de envenenamento. Hemólise intravascular e rabdomiólise. Alterações neurológicas como torpor e coma, hipotensão arterial, oligúria/anúria e insuficiência renal aguda podem ocorrer.
  • 6. Himenópterismo • Complicações: • As reações de hipersensibilidade podem ser desencadeadas por uma única picada e levar o acidentado à morte, em virtude de edema de glote ou choque anafilático. Síndrome de envenenamento • distúrbios graves hidroeletrolíticos e do equilíbrio ácido- básico, anemia aguda pela hemólise, depressão respiratória e insuficiência renal aguda são as complicações mais freqüentemente relatadas. • Exames complementares Não há exames específicos para o diagnóstico. Exame de urina e hemograma completo. • Tratamento: • Remoção dos ferrões • raspagem com lâmina e não pelo pinçamento de cada um deles, pois a compressão poderá espremer a glândula ligada ao ferrão e inocular no paciente a peçonha ainda existente. • Analgésicos e tratamento para reações alérgicas. • Não há antiveneno de abelha. Choque anafilático, insuficiência respiratória e insuficiência renal aguda devem ser tratados de maneira rápida e vigorosa. • Pacientes vítimas de enxames devem ser mantidos em Unidades de Terapia Intensiva, em razão da alta mortalidade observada.
  • 7. Himenópterismo • Vespa Synoeca cyanea (marimbondo-tatu) e Pepsis fabricius (marimbondo-cavalo) em todo o território nacional. Peçonha pouco conhecida. Produzem hipersensibilidade. Não deixam o ferrão no local da picada. Efeitos locais e sistêmicos semelhantes aos das abelhas, porém menos intensos.
  • 8. Himenópterismo • Formigas: • Algumas são portadoras de um aguilhão abdominal ligado a glândulas de peçonha. A picada pode ser muito dolorosa e pode provocar anafilaxia, necrose e infecção secundária. • Formiga tocandira, cabo-verde vinte- e-quatro horas(3 cm), negra, • Distribuição: Norte e Centro-Oeste. Picada muito dolorosa e pode provocar edema e eritema local, e ocasionalmente fenômenos sistêmicos (calafrios, sudorese, taquicardia). • Formigas de correição, ocorrem na selva amazônica. Picada é pouco dolorosa.
  • 9. Himenópterismo • De interesse médico: • formigas-de-fogo ou lava-pés (gênero Solenopsis) e as formigas saúvas (gênero Atta). • Formiga lava-pés • Peçonha produzida em uma glândula conectada ao ferrão e cerca de 90% constituída de alcalóides oleosos, onde a fração mais importante é a Solenopsin A, de efeito citotóxico. A morte celular provocada pela peçonha promove diapedese de neutrófilos no ponto de ferroada. • Eritema, vesículas e pústulas em paciente picado por formiga Solenopsis • Complicações: • Processos alérgicos podem ocorrer, sendo inclusive causa de óbito. • Diagnóstico: • O diagnóstico é basicamente clínico. • Tratamento: • Uso imediato de compressas frias locais, seguido da aplicação de corticóides tópicos. Analgesia e uso de anti- histamínicos por via oral. Anafilaxia ou reações respiratórias do tipo asmático são emergências que devem ser tratadas prontamente.
  • 10. Eruscismo • Taturanas. • Forma larvária e adulta: • Dermatite urticante: • a) contato com lagartas urticantes de vários gêneros; • b) contato com cerdas da mariposa Hylesia sp. Periartrite falangeana, Síndrome hemorrágica por Lonomia sp • Epidemiologia Os acidentes por lepidópteros têm sido, de modo geral, subnotificados. • Formas larvárias Quase 100% acidentes: contato com lagartas, recebendo esse tipo de acidente a denominação de erucismo (erucae = larva), onde a lagarta é também conhecida por taturana ou tatarana, denominação tupi que significa semelhante a fogo (tata = fogo, rana = semelhante). • As principais famílias de lepidópteros causadoras de erucismo são Megalopygidae, Saturniidaee Arctiidae. Taturana Bezerra do Gênero Lomonia
  • 11. Eruscismo • Megalopygidae: • Sauí, lagarta-de-fogo, chapéu-armado, taturana gatinho, taturana-de-flanela. Cerdas verdadeiras, pontiagudas contendo as glândulas basais de peçonha. Cerdas mais longas, coloridas e inofensivas.
  • 12. Eruscismo • Saturniidae: • “Espinhos”ramificados e pontiagudos de aspecto arbóreo, com glândulas de peçonha nos ápices. Apresentam tonalidades esverdeadas, exibindo no dorso e laterais, manchas e listras, características de gêneros e espécies. Muitas vezes mimetizam as plantas que habitam. Automeris sp.
  • 13. Eruscismo • Saturnídeo-Lonomia • Orugas ou rugas(Sul do Brasil), • beijus-de-tapuru-de- seringueira(norte do Brasil). Causadoras de síndrome hemorrágica.
  • 14. Eruscismo • Arctiidae: • Lagartas Premolis semirufa, causadoras da pararamose (inchaços até quadros graves, como inflamação e perda dos movimentos das mãos)
  • 15. Eruscismo • Formas adultas(mariposas-da-coceira) • Somente fêmeas adultas do gênero Hylesia sp (Saturniidae) apresentam cerdas no abdome que, em contato com a pele, causam dermatite papulo pruriginosa. • Dermatite urticante • Lagartas de vários gêneros • Acidente muito comum em todo o Brasil, em geral, de curso agudo e evolução benigna. Fazem exceção os acidentes com Lonomia sp. • Ações da peçonha Não se conhece exatamente como agem as peçonhas das lagartas. Atribui-se ação aos líquidos da hemolinfa e da secreção das espículas, tendo a histamina o principal componente estudado até o momento.
  • 16. Eruscismo • Dermatite urticante • Quadro clínico: Manifestações do tipo dermatológico, dependendo da intensidade e extensão do contato. Dor local intensa, edema, eritema e, eventualmente, prurido local. Existe infartamento ganglionar regional característico e doloroso. Nas primeiras 24 h, a lesão pode evoluir com vesiculação e, mais raramente, com formação de bolhas e necrose na área do contato. • Complicações: • O quadro local de boa evolução, regredindo no máximo em 2-3 dias sem maiores complicações ou seqüelas. • Tratamento: compressas frias; anestésico local; elevação do membro acometido; corticosteroides tópicos; anti-histamínico oral. • Por causa da possibilidade de se tratar de acidente hemorrágico por Lonomia sp, todo o paciente que não trouxera lagarta para identificação deve ser orientado para retorno, no caso de apresentar sangramentos até48 h após contato.
  • 17. Eruscismo • Dermatite urticante por mariposa Hylesia sp • Fêmeas de mariposas de Hylesia sp têm causado surtos de dermatite papulo pruriginosa. As mariposas, atraídas pela luz, invadem os domicílios e, ao se debaterem, liberam no ambiente as espículas que, atingindo a superfície cutânea, podem causar quadros de dermatite aguda. • Ações da peçonha Além do trauma mecânico provocado pela introdução das espículas, postula-se a presença de fatores tóxicos que, até agora, praticamente não foram estudados. • Quadro clínico Lesões papulo pruriginosas logo após contato com as cerdas. Intenso prurido e cura após 7-14 dias . Tratamento Anti-histamínicos, via oral, compressas frias, banhos de amido e, eventualmente, cremes à base de corticosteróides.
  • 18. Eruscismo • Periartrite falangeana-pararama • Pararamose ou reumatismo dos seringueiros→larva da mariposa Premolis semirufa, “pararama”. • Restritos à Amazônia(seringais) > 90% acidentes comprometem as mãos, originando lesões crônicas que comprometem as articulações falangeanas, levando a deformidades com incapacidade funcional. • Ações da peçonha: A reação granulomatosa e fibrose do tecido cartilaginoso e bainhas do periósteo. • Ação mecânica das cerdas e/ou à existência de secreções protéicas no interior dessas cerdas. • Tratamento: Não há conduta terapêutica específica. Tratamento imediato, semelhante ao descrito para dermatite por contato. Formas crônicas, com artropatia, deverão ter acompanhamento especializado.
  • 19. Eruscismo • Síndrome hemorrágica-Lonomia • Principalmente na região Sul, atingindo principalmente trabalhadores rurais. Há registros em SP e GO. • Ações da peçonha: Mecanismo síndrome hemorrágica não está esclarecido. PLA2, substância caseinolítica e ativadora de complemento. Ação pró-coagulante moderada. Diminuição dos níveis de fatorXIII, responsável pela estabilização da fibrina e controle da fibrinólise. Não se observa alteração nas plaquetas. • Quadro clínico: Constitui a forma mais grave do erucismo. • Local→Dermatite urticante • Geral→Cefaleia holocraniana, mal-estar geral, náuseas e vômitos, ansiedade, mialgias, dores abdominais, hipotermia, hipotensão. Equimoses, hematomas espontâneos ou provocados por trauma ou em lesões cicatrizadas, hemorragias de mucosas, hematúria macroscópica, sangramento sem feridas recentes, hemorragias intra-articulares, abdominais, pulmonares, glandulares(tireóide, glândulas salivares) e hemorragia intraparenquimatosa cerebral.
  • 21. Eruscismo • Complicações: Insuficiência renal aguda (5% dos casos). • Exames complementares: Coagulograma, diminuição acentuada do fibrinogênio plasmático, elevação de produtos de degradação do fibrinogênio e fibrina, Nº plaquetas normal. • Diagnóstico: Não existem métodos diagnósticos específicos. O diagnóstico diferencial com as dermatites urticantes provocadas por outros lepidópteros deve ser feito pela história clínica, identificação do agente e presença de distúrbios hemostáticos. • Tratamento Local→ Semelhante a dermatite urticante. • Manifestações hemorrágicas: →repouso, evitando-se traumas mecânicos. Agentes antifibrinolíticos. Correção da anemia por meio da administração de concentrado de hemácias. Sangue total ou plasma fresco são contra- indicados pois podem acentuar o quadro de coagulação intravascular. • Soro antilonômico(SALon) começa a ser produzido em pequena escala, estando em fase de ensaios clínicos, de utilização restrita.
  • 22. Coleópteros • Coleópteros de importância médica no Brasil: • Acidentes por besouros do gênero Paederus (Coleoptera, Staphylinidae) nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste e pelo gênero Epicauta (Coleoptera, Meloidae) no estado de SãoPaulo. • Paederus (potó, trepa-moleque, péla-égua, fogo- selvagem) compõe-se de pequenos besouros de corpo alongado, medindo de 7-13 mm; possue mélitros curtos, que deixam descoberta mais da metade do abdome. Vivem em lugares úmidos, arrozais, culturas de milho e algodão. • Paederus amazonicus, P. brasiliensis, P. columbinus, P. fuscipese P. goeldi. Predam outros insetos, nematódeos e girinos. Defendem-se com as mandíbulas, ao mesmo tempo em que encurvam o abdome, provavelmente também para acionar a secreção das glândulas pigidiais. Paederus sp
  • 23. Coleópteros • Potó-grande, potó-pimenta, papa-pimenta, caga-fogo e caga-pimenta correspondem ao gênero Epicauta, as cantáridas do Novo Mundo, também dotadas de propriedades vesicantes (atribuídas à cantaridina) sendo causadoras de lesões menos evidentes, que regridem em cerca de 3 dias.
  • 24. Coleópteros • Ações do veneno: Hemolinfa e secreção glandular do potó→ potente toxina de contato, pederina, de ação cáustica e vesicante. Trata-se de uma amida cristalina, de ação inibidora do DNA, bloqueando a mitose. Adultos, ovos e larvas contêm a toxina. • Quadro clínico: Sensação de ardor contínuo Os dedos que friccionaram o inseto podem levar a toxina a outras áreas, inclusive à mucosa conjuntival, provocando dano ocular (conjuntivite, blefarite, ceratite esfoliativa, irite). • Leve→discreto eritema. • Moderado→marca do eritema, ardor e prurido, vesículas que se alargam gradualmente(48h). Estágio escamoso, vesículas secam(8 dias), deixando manchas pigmentadas(1 mês ou+). • Grave →contato com vários espécimes. Febre, dor local, artralgia e vômitos. O eritema pode persisti por meses. Infecção secundária • Acidente por Epicauta sp. • Tratamento Lavar imediatamente as áreas atingidas, com abundante água corrente e sabão. Nas lesões instaladas, utilizar banhos anti- sépticos com permanganato e antimicrobianos tópicos. A tintura de iodo destrói a pederina, mas deve ser empregada precocemente. Em caso de contato com os olhos, deve-se lavar o local com água limpa e abundante.
  • 25. Ictismo • Peixes marinhos ou fluviais. • Acidentes acantotóxicos(arraias, O veneno das arraias é composto de polipeptídeos de alto peso molecular) • Em sua composição já foram identificadas a serotonina, a fosfodiesterase. • É um veneno termolábil que ocorre na maioria desse grupo. • →caráter necrosante e a dor é o sintoma proeminente. Peçonha das arraias: 5-HT e peptídeos de alta MW, como fosfodiesterase e 5- nucleotidase.
  • 26. Ictismo • Acidentes sarcotóxicos→ Ingestão de peixes e frutos do mar. Os baiacus possuem TTX, podendo provocar paralisia consciente e óbito por falência respiratória. Peixes que se alimentam do dinoflagelado Gambierdiscus toxicus podem ter acúmulo progressivo de ciguatoxina nos tecidos, provocando o quadro denominado ciguatera.
  • 27. Ictismo • Manifestações neurológicas e gastrintestinais. • Neurológicas: Sensação de formigamento da face, lábios, dedos das mãos e pés, fraqueza muscular, mialgias, vertigens, insônia, dificuldade de marcha e distúrbios visuais. • Agravamento: convulsões, dispnéia, parada respiratória e morte, que pode ocorrer nas primeiras 24 horas. • Gastrintestinal: Náuseas, vômitos, dores abdominais e diarréia. A recuperação clínica do envenenamento por peixes pode se estender de semanas a meses.
  • 28. Ictismo • Tratamento: • Acidente traumatogênico ou acantotóxico: objetivo alívio da dor, o combate dos efeitos da peçonha e a prevenção de infecção secundária. • Acidente por ingestão de peixes tóxicos: Tratamento de suporte. Lavagem gástrica e laxante. Insuficiência respiratória e o choque devem ser tratados com medidas convencionais. Nos acidentes escombróticos está indicado o uso de anti-histamínico. • Prognóstico: Acidentes acantotóxicos e traumatogênicos→favorável, mesmo nos casos com demorada cicatrização, com exceção dos acidentes provocados por arraias e peixes escorpião, cujo prognóstico pode ser desfavorável.
  • 29. Ictismo • Acidentes escombróticos→acontecem quando bactérias provocam descarboxilação da histidina na carne de peixes mal conservados, produzindo a toxina saurina, capaz de liberar histamina em seres humanos. Acúmulo de metil- mercúrio em peixes pescados em águas contaminadas podem produzir quadros neurológicos em humanos, quando houver ingestão crônica. Doença de Minamata. Em 1956, pescadores dessa baía japonesa começaram a ter uma doença batizada de mal de Minamata, que causava paralisias e podia matar. Logo ficou claro que os casos surgiram porque uma indústria de fertilizantes, a Chisso Corporation, lançou durante quatro décadas 27 toneladas de mercúrio no oceano, contaminando peixes e frutos do mar. Mais de 3 mil pessoas adoeceram e centenas morreram. A região só foi declarada livre de mercúrio em 1997, quando as redes que impediam os peixes contaminados de nadar para outras águas foram retiradas.
  • 30. Ictismo • Ictismo-peixes acantotóxicos: Os peixes acantotóxicos possuem espinhos ou ferrões pontiagudos e retrosserrilhados, envolvidos por bainha de tegumento sob a qual estão as glândulas de peçonha existentes nas nadadeiras dorsais, peitorais ou na cauda, com exceção do niquim, cujas glândulas estão na base dos ferrões. Bagres(Bagre bagre, B. marinus, etc), mandi(Genidens genidens, Pimelodellabrasiliensis), peixe escorpião, beatinha ou mangangá (Scorpaena brasiliensis, S. plumeri), niquim ou peixe sapo(Thalassophrynenatterreri, T. amazonica)e arraias. • Arraias marinhas (Dasyatisguttatus, D. americana, Gymnura micrura, etc) • Arraias fluviais (Potamotrygon hystrix, P. motoro)
  • 31. Ictismo • Acidente acantotóxico: • Quadro clínico: Ferimento, dor imediata e intensa. Eritema e edema regionais. Casos graves: linfangite, reação ganglionar, abscedação e necrose tecidual no local. • Lesões não tratadas: infeção bacteriana. • Manifestações gerais: fraqueza, sudorese, náuseas, vômitos, vertigens, hipotensão, choque e até óbito.
  • 32. Ictismo • Ictismo- acidentes traumáticos: • Os candirus(Vandellia cirrhosa) são peixes pequenos e que podem penetrar em qualquer orifício natural de banhistas nos rios da Amazônia. Acidentes por descarga elétrica são provocados por contato com peixes que possuem órgãos capazes de produzir eletricidade. • Exemplos: Poraquê (Electrophorus electricus) e Arraia treme-treme (Narcine brasiliensis).
  • 33. Ictismo • Acidente tetrodontóxico e ciguatóxico. • Baiacus(Tetraodontidae): Colomesuspsittacus, Lagocephalus laevigatus, Diodon hystrix, etc.). • Garoupa (Cephalopholis argus). • →prognóstico é reservado e a taxa de letalidade pode ultrapassar 50% e 12%, respectivamente.
  • 34. Referências Bibliográficas • Elisabeth Ferroni Schwartz Laboratório de Toxinologia Departamento de Ciências Fisiológicas Instituto de Ciências Biológicas –UnB • MI acidentes por animais peçonhentos. Bra . • SEB Brasília, 1996. • SEC SAÚDE. Manual de vigilância epidemiológica acidentes pó animais peç São Paulo: CVE, lnstituto Butantan, 1993. SC avier, 1992.