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Panorama do Teatro Ocidental Teatro Burguês Ópera Lírica Teatro Comercial Teatro de Arte – Direção Naturalismo Simbolismo Direção Stanislavsky Vanguarda Tetral Brecht Teatro americano Outros movimentos By Claudia Venturi
Teatro alla Scala - Milão
Ópera Lírica Falência das ilusões românticas Advento do naturalismo – tramas reais, montagens atentas e rigorosas Em 1800 não existia um teatro de prosa na Itália, o panorama era dominado pela Ópera. Edifício – Teatro Italiano – realçava as diferenças sociais – camarotes para nobres, platéia para militares, burgueses e estudantes
 
Giocchino Rossini  (1792 – 1868)  Giuseppe Verdi  (1813 – 1901) – Distanciou-se do melodrama amoroso e individualista do romantismo e colocou o povo como protagonista. Haviam poucas estruturas para colocar em cena obras tão grandiosas –  Nabuco, Rigoletto, Traviata, Aida Richard Wagner  (1813 – 1883) – Nova concepção do canto, livre do texto; possibilidade de mudança na tonalidade dos temas; a orquestra assume o papel do coro (tragédia grega), e se torna co-protagonista. Modifica o espaço teatral (aproximando ao modelo grego) – apresentação democrática, fim das subdivisões da platéia, esconde a orquestra no fosso em frente ao palco. – Tristão e Isolda
Teatro - Wagner
Espetáculo Comercial após 1850 Teatro assimilado pela burguesia mais como lugar de entretenimento do que de reflexão – divertimento puro Imperador Napoleão II – França – decreto (1853) de censura proibindo temas políticos Lógica visual – cenários ricos e elaborados, efeitos especiais, figurinos luxuosos, gestos marcadíssimos
Moulin Rouge por Toulouse-Lautrec
Opereta – gênero mais popular – interpretação, balé e cantos, ambientações geralmente míticas ou esóticas, jogando com o imaginário – Jacques Offenbach Café-concerto (café-chantant) – local onde se bebe e come escutando música e assistindo a apresentações de variedades, suntuosas e sofisticadas – Moulin Rouge (Paris) Vaudeville americano (diferente do Francês anterior) – divertimento fácil – pobres imigrantes com dificuldade no idioma – espetáculos interculturais - mais corpo, gags do que voz. Tony Pastor limpa o vaudeville de toda a vulgaridade e o torna acessível a todas as classes sociais. Declínio com o advento do cinema. Cabaret – mais popular e intelectual do que o café-chantant, sem programa preciso nem finalidade econômica. Se apresentavam a amigos e companheiros – quadros, músicas, poesias, improvisações etc.
Café Chantant in Paris – Richard Bloos
Naturalismo Surge uma nova disciplina – sociologia Nasce do pressuposto de representar a realidade como era, sem o filtro de uma sensibilidade artística, que em busca do belo, eliminava aspectos fundamentais da vida. Parada ideal da burguesia - Importância da família (verdadeira unidade da sociedade burguesa) e da casa (sala), onde se desenvolvem as histórias familiares. Base para o cinema e a televisão Introdução do diretor – garantia do realismo e do respeito ao texto Inglaterra – Oscar Wilde (1854 – 1900) – considerava a forte personalidade dos atores danosa para a interpretação (Diderot) –  Salomé, A importância de se chamar Ernesto
Oscar Wilde
Simbolismo Elementos dramáticos fundamentais frequentemente possuem função metafórica, dimensões alcançáveis somente pela arte. Teatro de arte procurou inclusive suprimir a função do ator. Maurice Maeterlinck (1862 – 1949) – Fatalismo e sentimento de morte. –  Os Cegos .
Fim do século e do drama burguês  Crise no teatro burguês assinala o início do Contemporâneo Busca do mundo interior dos personagens Henrik Ibsen  (1828 – 1906) – Norueguês – os laços entre a economia e os desejos individuais são indissolúveis. Precisão psicológica e histórica. A sala, em Ibsem, é descrita com longas didascalie – penumbra, nada permanece secreto, mas pouco é dito abertamente. Espelho crítico da sociedade, local de debate sobre questões de família, trabalho, psicológicas e ao inevitável embate entre os elementos masculino e feminino -  A Casa de Bonecas
Ibsen A Casa de Bonecas
August Strindberg (1849 – 1912) – sueco de origem humilde. Geralmente caracterizado por foscas esferas familiares, disputa entre o casal que acaba com o anulamento de um deles. A sensibilidade do indivíduo é a lente deformante através da qual o mundo é visto. –  O Pelicano George Bernard Shaw (1856 - 1950) – Irlandês. A 1ª grande guerra trouxe novidades para a dramaturgia britânica. Socialismo moderado.  O Pigmaleão .
George Bernard Shaw August Strindberg
Frank Wedekind (1864 – 1918) – Alemão. Crueza nas representações das relações. O  Despertar da Primavera . Anton Cechov (Tchecov) (1860 – 1904) – um dos principais escritores russos. Coloca em cena a vida cotidiana de pessoas normais, situações familiares nas quais as pessoas não se comunicam. Natureza profunda dos personagens, perene suspensão entre o passado (felicidade perdida) e o futuro (esperança de retomar o que se foi). Auto-exílio. Podem ser misturados dimensões líricas, psicológicas e sociais. Pouca aceitação até ser descoberto por Dancenko e Stanislavsky, que estudou a obra e descobriu que os personagens de Cechov não devem ser ‘representados”, mas sim “vividos”. –  A Gaivota, As três Irmãs, O Jardim das Cerejeiras.
O Despertar da Primavera Frank Wedekind Anton Cechov As Três Irmãs
Teatro do Diretor Afirmação definitiva da figura do diretor – nova concepção de espetáculo. Antes – dramaturgia e composição do texto / Agora – objetivos, funções e características da montagem teatral. Sempre maior liberdade de ação em relação ao texto – releituras e modificações – Embora mantendo uma estreita ligação com esse. Maior controle da representação – o trabalho do ator, em busca de popularidade e fácil aplaudo normalmente atentava contra a coerência do espetáculo – deveria ser disciplinado, criar limites para a sua ação.
Adolphe Appia (1862 – 1928) - Suíço. Drama Wagner. Revolucionária concepção de espaço, cenografia tridimensional superando os painéis pintados. Inventor da cenografia moderna. Espaços vazios para permitir aos atores de se moverem. Émile Jaques-Dalcroze (1865 – 1950) – euritmia (novo sistema de movimento rítmico), modelo para a interpretação do futuro. Interpretação se fundamenta em três elementos essenciais: o corpo em movimento, o espaço tridimensional que o determina e a iluminação que valoriza a expressão e os demais componentes. Edward Gordon Craig (1872 – 1966) – ator – elemento mais difícil de controlar. Ator super-marionete – O teatro deve ser uma arte universal, o corpo é único, uma limitação. A marionete não tem individualidade, atuação mecânica, impessoal. A ausência da figura humana favorece o estranhamento.
Adolphe Appia Émile Jaques-Dalcroze Cenário de Appia para coreografia de Dalcroze Edward Gordon Craig
Konstantin Stanislavskij (1863- 1938) Filho de rico industrial, começa a interpretar cedo, junto aos irmãos e amigos Em 1897 se une a  Vladimir Ivanovic Nemirovic-Dancenko  e decidem de fundar um teatro com base nas novas práticas. Dancenko se responsabiliza pela administração e cuidados com o texto e Stanislavsky da montagem dos espetáculos. No  Teatro de Arte de Moscou , o ambiente deveria ser acolhedor e com aquecimento até para os atores. Cada um deles deveria ter o próprio camarim já que os ensaios seriam mais longos do que era feito até então.
Stanislavsky e Danchenko Teatro de Arte de Moscou
Espetáculos deveriam ser estudados nos mínimos detalhes e fruto de um trabalho de equipe (técnicos, atores, diretor) Interpretação, figurino e cenário inspirados no naturalismo Obras de todos os tempos Declínio após a revolução de Outubro (1917) na qual ele é considerado comprometido com valores burgueses. Supera com turnês internacionais Estados Unidos – Actors Studio
Hamlet – Stanislavsky e Gordon Craig
A interpretação envolve processos físico e psicológicos. Ator deve ter um domínio completo do corpo e uma capacidade extraordinária de concentração – exercícios Circunstâncias dadas – indicações que emergem do texto, contexto histórico, direção, tipo de montagem etc. – Compreensão total do personagem que deve existir além do texto.  O ator deve dar vida ao personagem para resolver o problema da verdade cênica. Coloca em jogo a própria interioridade -  Memória Emotiva.  Ações originadas de um processo interior. Sua perspectiva de trabalho sofre alterações em seus últimos anos. Incentiva os atores a entrar no personagem a partir das ações físicas que os caracterizam – 1º - processo do interno para o externo / 2º - processo do externo para o interno – a memória do corpo a inflamar a alma.
 
Jacques Copeau (1879 – 1949) – Teatro a serviço da comunidade. Aquele que se dedica ao teatro deve estar consciente de realizar uma missão a serviço da sociedade. A formação do ator deve ser fruto de um processo de desenvolvimento do homem e do grupo.
Vanguarda Teatral No início do século, a crise no teatro de prosa desenvolveu formas cômicas populares que resultaram no surgimento de novas modalidades de expressão. Mesmo escrevendo um teatro comercial, tentaram renová-lo, repensando a representação e, as vezes, desenvolvendo soluções elaboradas por grandes autores do século Teatro de participação  Karl Valentin  (1882 – 1948) – alemão. Cabaré – estilo escandaloso e anti-conformista, vital na Europa até os anos 30, quando inicia a sua decadência. Alfred Jarry  (1873 – 1907) – movimento simbolista, revolucionário. –  Ubu Rei  –tom distante do “espiritualismo” simbolista, crítica ao mundo burguês e ao senso comum.
Karl Valentin Alfred Jarry
A utopia revolucionária fez nascer uma geração de artistas sem precedentes Vsevolod Emil’evic Meyerchol’d (1874 – 1940) – a pedido de Stanislavsky começa a trabalhar uma forma de interpretação alternativa, formalizado e físico, aprofundando a improvisação e a linguagem gestual. No direção do Teatro de Petesburgo, continua as experimentações. Biomecânica (funcionamento do corpo enquanto máquina) – graças a uma preparação muito dura, como a de um atleta, o ator deve ser capaz de reduzir ao mínimo o papel da palavra, expressando emoções e desejos através dos gestos e ações físicas – um pouco como os Cômicos Del’arte. Funda um teatro em Moscou (1921) para se opor ao Teatro de Arte, considerado por ele “decrépito”.
Meyerhold
Luigi Pirandello (1867 – 1936) – Maior autor teatral italiano do século. Não pode ser associado a vanguarda, embora também tivesse uma posição de forte crítica sobre as modalidades de representação tradicionais e aos valores da sociedade burguesa transmitidos por elas. Teatro grotesco. –  Seis Personagens a Procura de um Autor, Assim é (se lhe parece) Eugene O’Neill (1888 – 1953) – Primeiro grande autor dramático dos EUA. Experimentações contínuas na tentativa de adaptar as formas características clássicas do teatro europeu a realidade americana do seu tempo. Naturalismo com tendência ao simbolismo. Federico García Lorca (1898 – 1936) – Espanhol. Um dos maiores poetas do século. Começou a escrever baseado em um tradicional teatro de bonecos espanhol. Mulheres condenadas a infelicidade.  Bodas de Sangue, A Casa de Bernarda Alba .
Luigi Pirandello Seis Personagens a procura de um autor Eugene O’Neill Federico García Lorca As Bodas de Sangue
Erwin Piscator (1893 – 1966) – Situação social e política da Alemanha colocava em discussão também o debate intelectual. Manifestações artísticas fortemente politizadas.  Agit-prop  – atores representavam nas praças e ruas, sem se apresentar como tais, estimulando a discussão política e misturando ficção com realidade. Nova forma de teatro com fins didáticos que se propõem a explicar para o público as motivações sociais e políticas que levaram a Alemanha a tal situação. O uso propagandístico do teatro deixou descontente os socialistas moderados.
Bertolt Brecht (1898 – 1956) Desenvolve um sistema teórico e coerente que em pouco tempo se tornou o ponto central dos debates sobre a relação teatro/ideologia. Adere ao marxismo desenvolvendo uma idéia de teatro didático em oposição ao psicologismo Injustiças sociais e conflitos de classe Teatro épico em oposição ao dramático (baseado na poética de Aristóteles)
Bertolt Brecht
Catarse e identificação impedem o espectador de raciocinar e tomar consciência dos mecanismos econômicos que governam os acontecimentos sociais Transformar o espectador em  sujeito crítico e político Estranhamento / distanciamento emotivo Filmes, cartazes, slides – didascálico e elemento “anti-realista”, além de canções que interrompem o fluxo dramático. Interpretação destacada e irônica. Ruptura com a ilusão de realidade, separação entre ator e personagem. Narração de eventos e terceira pessoa A Ópera dos Três Vinténs, A Exceção e a Regra, O Círculo de Giz Caucasiano
Aquele que diz sim, aquele que diz não
Diferenças entre dramático e épico Palco personifica evento Envolve o espectador Possibilita sentimentos Transmite vivências Espectador imerso na ação Tensão voltada para o desfecho Cenas interligadas Pensamento determina a existência Ação em primeira pessoa Ele o narra Torna-o observador Exige decisões Transmite conhecimento É confrontado com ela Tensão voltada para o processo Cenas independentes Existência social determina o pensamento Terceira pessoa
O Círculo de Giz Caucasiano Berliner Esemble
Antonin Artaud (1896 – 1948) Toda a vanguarda teatral se baseia no  seu trabalho. Sua importância foi revelada apenas após a sua morte. Desde a infância sofre de problemas nervosos que o fazem viver sempre no limite da loucura Surrealismo Ataque a mentalidade e convenções do teatro e da vida burguesa – provocação Teatro pensado mais como uma experiência de vida do que como uma ficção Palavra subordinada a corporeidade – o nível de comunicação ator/espectador vem mais da empatia do que da palavra Espectador não é mais subalterno, no espaço teatral O Teatro e o seu Duplo (1938)
Antonin Artaud
O teatro é comparado à peste – o efeito revolucionário que deve produzir seria aquele das celebres epidemias da história – dissolvem as convenções sociais e constringem os homens a se confrontar com o mistério da vida e da morte, induzindo-os a tomar decisões fatais e comportamentos contrários a sua existência. Descoberta do componente corpóreo e ritual da performance teatral que não deve ser o espelho de uma existência vazia, mas encarar as temáticas ligadas aos grandes mistérios da vida (o duplo) Crueldade – na história do teatro (piedade e terror – catarse) – O espectador deve ser chocado, o teatro deve ser uma experiência vital, só assim pode iniciar o processo de transformação. O espectador deve viver o rito. O teatro deve transformar o espectador. Ataque a ditadura do texto
 
Dramaturgia do Pós-guerra São consolidados, em grande parte dos países ocidentais, circuitos comerciais e teatros subvencionados por entes públicos. Ajuda a criar uma estrutura e público, agora mais crítico devido a afirmação da TV. Neste período a vanguarda vem definida como Teatro do Absurdo – restituir o absurdo da vida contemporânea através de uma linguagem tanto mais expressiva e dramática quanto inadequada. Estreita ligação com o teatro existencialista Francês – Jean Paul Sartre (1905 – 1985), Albert Camus (1913 – 1960)
Jean Genet As Criadas
Jean Genet (1910 – 1986) – Escândalos pela ambigüidade moral de seus textos e evidentes referências a sua vida privada. Sartre – mantenedor. Um dos melhores exemplos da crueldade artaudiana.  As Criadas . Eugène Ionesco (1912 – 1994) – desconstrução da linguagem. Desolação caracteriza a existência dos personagens. Obviedade, frases feitas dignas de manual de língua estrangeira, banalidade situação priva de nexo lógico – constrói um monumento a vacuidade da vida burguesa.  A Cantora Careca . Samuel Beckett (1906 – 1989) – o mais célebre. Irlandês. Escrita em uma língua que não a sua – preferência por soluções básicas e essenciais, fugindo da tentação do “estilo belo”. Elementos cômicos – figurino, situações grotescas, gags – sublinham a desolação dos personagens e potencializam os aspectos simbólicos do texto.  Esperando Godot .
A Cantora Careca Eugène Ionesco Samuel Beckett Esperando Godot
Nova dramaturgia americana Após a segunda guerra a dramaturgia assume um caráter pessimista e crítico em relação a sociedade. Tennessee Williams (1911 – 1983) – releitura americana do simbolismo realista. Restos de uma sociedade aparentemente moderna, mas em crise de identidade entre um passado glorioso e um futuro fosco.  Um bonde chamado desejo, o zoológico de vidro . Arthur Miller (1915 – 2005) – segue o modelo de Ibsen. Crítica política e social integrados com um preciso estudo psicológico dos personagens.  Morte de um Caixeiro Viajante.
Arthur Miller Tennessee Williams O Zoologico de Vidro
Corpo como pesquisa A segunda metade do século vê uma releitura de temáticas características da vanguarda. Trabalhos interessantes nascem da negação de um texto anterior a montagem – deve nascer de um trabalho no qual a dimensão humana e corpórea esteja no centro. Supera a barreira que divide o público, colocando-o ao interno – performativo – tocar o estômago e o coração do público, não só o intelecto.  Allan Kaprow  (1927 - 2006) – happening – forma expressiva eficaz, capaz de conjugar aspectos lúdicos, conceituais e de crítica política e social. Performers iniciam uma ação coletiva, o público não sabe do que se trata, ao menos no início. Não necessita ter objetivo político, pode simplesmente estimular o espectador a reencontrar o gosto por determinada ação ou gesto.
“ What is a Happening? A game, an adventure, a number of activities engaged in by participants for the sake of playing.” –Allan Kaprow
Living Theatre OFF-Broadway - New York – movimento que compreende todos os dramaturgos, companhias e teatros que se propunham a produzir alternativas aos espetáculos com única finalidade a econômica .  Living – fundado por Julian Beck (1925 – 1985) e Judith Malina (1926) – teatro político e crítico a sociedade americana.Texto como ponto de partida para o trabalho de improvisação dos atores. Performance baseada essencialmente sobre uma série de ações físicas obsessivas, as vezes no limite da violência. Com o exílio iniciaram um vida itinerante. Ainda ativo, principalmente em Nova York.  The Brig, Paradise Now.
 
Jerzy Grotowski (1933 – 1999) Polonês – estudou na Cracóvia, Moscou (interpretação = ciência do homem) e China (disciplina do corpo). Companhia com base comunitária, ritmo de trabalho intenso. Teatr laboratorium. Pesquisava soluções para o impasse pela concorrência com outros meios de comunicação. Busca pela força original do teatro, perdida no período burguês. Esta força pode ser atingida só se o teatro se livrar dos elementos não essenciais (truques), supérfluos, que são a força do cinema.  Por um teatro pobre .  Fundamental uma comunhão de vida entre ator e espectador. Graças a sua arte (duríssimo trabalho) os atores podem criar o rito, essa comunhão e o público viver experiências ignoradas ou esquecidas. Público obstáculo para atingir a verdade absoluta – fundou Workcenter – atores performances baseadas exclusivamente nas ações físicas, só podem assistir poucos selecionados – “testemunhas”.
Príncipe Constante Jerzy Grotowski
Eugênio Barba (1936) Italiano residente na Noruega, aluno de Grotowsky. Odin Teatret, na Dinamarca – grupo multinacional. Ensaios aparentemente sem objetivo preciso. A atividade do ator requer um exercício cotidiano, independente de estar preparando um espetáculo, semelhante ao trabalho do dançarino ou do atleta. Sem turnês comerciais, leva seus espetáculos a um mundo “privo” de teatro. Temas relacionados as relações entre diversas culturas. Teatro como objeto de troca. Culturas primitivas, danças, cantos e linguagem gestual – teatro antropológico. Teatro é um instrumento de transformação de si e do outro. Exigência de contagiar a realidade que o circunda.
Eugenio Barba Performer – Augusto Omolú
Outros nomes Peter Brook  (1925) – Londrino. Corpo assume importância preponderante. Para fazer teatro basta um ator, um espectador e um espaço vazio. Engajamento político. Diferente de Grotowski e Barba, permanece um diretor que prepara para um espetáculo, os atores se exibem na frente de um público.  Marat/Sade, Mahabharata Tadeusz Kantor  – Cracovia - abandono da lógica ligada ao acaso e a improvisação. “Teatro da Morte” – restituir, através da memória, a dimensão de um passado que se revela um não-lugar, onde a identidade é colocada em crise até a sua dissolução.  A Classe Morta .
Tadeusz Kantor Mahabharata Peter Brook A Classe Morta Kantor – happening
Robert “Bob” Wilson  (1941) – Americano. Reflexão na vanguarda, elementos autobiográficos. Criança se curou de um problema nervoso e gagueira através de técnicas de dança com a Prof. Byrd Hoffman, que fazia movimentos muito lentos e harmoniosos, dissolvendo a tensão de seu corpo. Seu grupo, com o nome da professora, dá vida a performances realizadas na sede ou nas ruas. Teatro imagem – controle da componente visual, personagens ligados a gestos e componentes coreográficos.  O Olhar do Surdo  – silêncio e lenteza. Philippine “Pina” Bausch (1940 – 2009) – Alemã. Teatro-dança (iniciado com Laban) – elementos de descontinuidade com a dança propriamente dita. Emancipação do corpo feminino, da dupla prisão – “angélico”, sem sensualidade, do balé classico / “prostituto” danças que reduzem a mulher a objeto sexual. Dança possa expressar a identidade do indivíduo resgatando-o da opressão, preconceito e constrições da vida moderna. Até o gesto mais banal pode ser significativo, seja como unidade, seja como conjunto de elementos
Pina Baush Bob Wilson
Composição e Tradução:  Claudia Venturi Atriz, Diretora e Professora de Teatro www.agape.art.br [email_address] Bibliografia: Bernardi, C. e Susa, C. Storia Essenziale del Teatro. Vita e Pensiero. Milano.

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Panorama Do Teatro Ocidental Stan

  • 1. Panorama do Teatro Ocidental Teatro Burguês Ópera Lírica Teatro Comercial Teatro de Arte – Direção Naturalismo Simbolismo Direção Stanislavsky Vanguarda Tetral Brecht Teatro americano Outros movimentos By Claudia Venturi
  • 2. Teatro alla Scala - Milão
  • 3. Ópera Lírica Falência das ilusões românticas Advento do naturalismo – tramas reais, montagens atentas e rigorosas Em 1800 não existia um teatro de prosa na Itália, o panorama era dominado pela Ópera. Edifício – Teatro Italiano – realçava as diferenças sociais – camarotes para nobres, platéia para militares, burgueses e estudantes
  • 4.  
  • 5. Giocchino Rossini (1792 – 1868) Giuseppe Verdi (1813 – 1901) – Distanciou-se do melodrama amoroso e individualista do romantismo e colocou o povo como protagonista. Haviam poucas estruturas para colocar em cena obras tão grandiosas – Nabuco, Rigoletto, Traviata, Aida Richard Wagner (1813 – 1883) – Nova concepção do canto, livre do texto; possibilidade de mudança na tonalidade dos temas; a orquestra assume o papel do coro (tragédia grega), e se torna co-protagonista. Modifica o espaço teatral (aproximando ao modelo grego) – apresentação democrática, fim das subdivisões da platéia, esconde a orquestra no fosso em frente ao palco. – Tristão e Isolda
  • 7. Espetáculo Comercial após 1850 Teatro assimilado pela burguesia mais como lugar de entretenimento do que de reflexão – divertimento puro Imperador Napoleão II – França – decreto (1853) de censura proibindo temas políticos Lógica visual – cenários ricos e elaborados, efeitos especiais, figurinos luxuosos, gestos marcadíssimos
  • 8. Moulin Rouge por Toulouse-Lautrec
  • 9. Opereta – gênero mais popular – interpretação, balé e cantos, ambientações geralmente míticas ou esóticas, jogando com o imaginário – Jacques Offenbach Café-concerto (café-chantant) – local onde se bebe e come escutando música e assistindo a apresentações de variedades, suntuosas e sofisticadas – Moulin Rouge (Paris) Vaudeville americano (diferente do Francês anterior) – divertimento fácil – pobres imigrantes com dificuldade no idioma – espetáculos interculturais - mais corpo, gags do que voz. Tony Pastor limpa o vaudeville de toda a vulgaridade e o torna acessível a todas as classes sociais. Declínio com o advento do cinema. Cabaret – mais popular e intelectual do que o café-chantant, sem programa preciso nem finalidade econômica. Se apresentavam a amigos e companheiros – quadros, músicas, poesias, improvisações etc.
  • 10. Café Chantant in Paris – Richard Bloos
  • 11. Naturalismo Surge uma nova disciplina – sociologia Nasce do pressuposto de representar a realidade como era, sem o filtro de uma sensibilidade artística, que em busca do belo, eliminava aspectos fundamentais da vida. Parada ideal da burguesia - Importância da família (verdadeira unidade da sociedade burguesa) e da casa (sala), onde se desenvolvem as histórias familiares. Base para o cinema e a televisão Introdução do diretor – garantia do realismo e do respeito ao texto Inglaterra – Oscar Wilde (1854 – 1900) – considerava a forte personalidade dos atores danosa para a interpretação (Diderot) – Salomé, A importância de se chamar Ernesto
  • 13. Simbolismo Elementos dramáticos fundamentais frequentemente possuem função metafórica, dimensões alcançáveis somente pela arte. Teatro de arte procurou inclusive suprimir a função do ator. Maurice Maeterlinck (1862 – 1949) – Fatalismo e sentimento de morte. – Os Cegos .
  • 14. Fim do século e do drama burguês Crise no teatro burguês assinala o início do Contemporâneo Busca do mundo interior dos personagens Henrik Ibsen (1828 – 1906) – Norueguês – os laços entre a economia e os desejos individuais são indissolúveis. Precisão psicológica e histórica. A sala, em Ibsem, é descrita com longas didascalie – penumbra, nada permanece secreto, mas pouco é dito abertamente. Espelho crítico da sociedade, local de debate sobre questões de família, trabalho, psicológicas e ao inevitável embate entre os elementos masculino e feminino - A Casa de Bonecas
  • 15. Ibsen A Casa de Bonecas
  • 16. August Strindberg (1849 – 1912) – sueco de origem humilde. Geralmente caracterizado por foscas esferas familiares, disputa entre o casal que acaba com o anulamento de um deles. A sensibilidade do indivíduo é a lente deformante através da qual o mundo é visto. – O Pelicano George Bernard Shaw (1856 - 1950) – Irlandês. A 1ª grande guerra trouxe novidades para a dramaturgia britânica. Socialismo moderado. O Pigmaleão .
  • 17. George Bernard Shaw August Strindberg
  • 18. Frank Wedekind (1864 – 1918) – Alemão. Crueza nas representações das relações. O Despertar da Primavera . Anton Cechov (Tchecov) (1860 – 1904) – um dos principais escritores russos. Coloca em cena a vida cotidiana de pessoas normais, situações familiares nas quais as pessoas não se comunicam. Natureza profunda dos personagens, perene suspensão entre o passado (felicidade perdida) e o futuro (esperança de retomar o que se foi). Auto-exílio. Podem ser misturados dimensões líricas, psicológicas e sociais. Pouca aceitação até ser descoberto por Dancenko e Stanislavsky, que estudou a obra e descobriu que os personagens de Cechov não devem ser ‘representados”, mas sim “vividos”. – A Gaivota, As três Irmãs, O Jardim das Cerejeiras.
  • 19. O Despertar da Primavera Frank Wedekind Anton Cechov As Três Irmãs
  • 20. Teatro do Diretor Afirmação definitiva da figura do diretor – nova concepção de espetáculo. Antes – dramaturgia e composição do texto / Agora – objetivos, funções e características da montagem teatral. Sempre maior liberdade de ação em relação ao texto – releituras e modificações – Embora mantendo uma estreita ligação com esse. Maior controle da representação – o trabalho do ator, em busca de popularidade e fácil aplaudo normalmente atentava contra a coerência do espetáculo – deveria ser disciplinado, criar limites para a sua ação.
  • 21. Adolphe Appia (1862 – 1928) - Suíço. Drama Wagner. Revolucionária concepção de espaço, cenografia tridimensional superando os painéis pintados. Inventor da cenografia moderna. Espaços vazios para permitir aos atores de se moverem. Émile Jaques-Dalcroze (1865 – 1950) – euritmia (novo sistema de movimento rítmico), modelo para a interpretação do futuro. Interpretação se fundamenta em três elementos essenciais: o corpo em movimento, o espaço tridimensional que o determina e a iluminação que valoriza a expressão e os demais componentes. Edward Gordon Craig (1872 – 1966) – ator – elemento mais difícil de controlar. Ator super-marionete – O teatro deve ser uma arte universal, o corpo é único, uma limitação. A marionete não tem individualidade, atuação mecânica, impessoal. A ausência da figura humana favorece o estranhamento.
  • 22. Adolphe Appia Émile Jaques-Dalcroze Cenário de Appia para coreografia de Dalcroze Edward Gordon Craig
  • 23. Konstantin Stanislavskij (1863- 1938) Filho de rico industrial, começa a interpretar cedo, junto aos irmãos e amigos Em 1897 se une a Vladimir Ivanovic Nemirovic-Dancenko e decidem de fundar um teatro com base nas novas práticas. Dancenko se responsabiliza pela administração e cuidados com o texto e Stanislavsky da montagem dos espetáculos. No Teatro de Arte de Moscou , o ambiente deveria ser acolhedor e com aquecimento até para os atores. Cada um deles deveria ter o próprio camarim já que os ensaios seriam mais longos do que era feito até então.
  • 24. Stanislavsky e Danchenko Teatro de Arte de Moscou
  • 25. Espetáculos deveriam ser estudados nos mínimos detalhes e fruto de um trabalho de equipe (técnicos, atores, diretor) Interpretação, figurino e cenário inspirados no naturalismo Obras de todos os tempos Declínio após a revolução de Outubro (1917) na qual ele é considerado comprometido com valores burgueses. Supera com turnês internacionais Estados Unidos – Actors Studio
  • 26. Hamlet – Stanislavsky e Gordon Craig
  • 27. A interpretação envolve processos físico e psicológicos. Ator deve ter um domínio completo do corpo e uma capacidade extraordinária de concentração – exercícios Circunstâncias dadas – indicações que emergem do texto, contexto histórico, direção, tipo de montagem etc. – Compreensão total do personagem que deve existir além do texto. O ator deve dar vida ao personagem para resolver o problema da verdade cênica. Coloca em jogo a própria interioridade - Memória Emotiva. Ações originadas de um processo interior. Sua perspectiva de trabalho sofre alterações em seus últimos anos. Incentiva os atores a entrar no personagem a partir das ações físicas que os caracterizam – 1º - processo do interno para o externo / 2º - processo do externo para o interno – a memória do corpo a inflamar a alma.
  • 28.  
  • 29. Jacques Copeau (1879 – 1949) – Teatro a serviço da comunidade. Aquele que se dedica ao teatro deve estar consciente de realizar uma missão a serviço da sociedade. A formação do ator deve ser fruto de um processo de desenvolvimento do homem e do grupo.
  • 30. Vanguarda Teatral No início do século, a crise no teatro de prosa desenvolveu formas cômicas populares que resultaram no surgimento de novas modalidades de expressão. Mesmo escrevendo um teatro comercial, tentaram renová-lo, repensando a representação e, as vezes, desenvolvendo soluções elaboradas por grandes autores do século Teatro de participação Karl Valentin (1882 – 1948) – alemão. Cabaré – estilo escandaloso e anti-conformista, vital na Europa até os anos 30, quando inicia a sua decadência. Alfred Jarry (1873 – 1907) – movimento simbolista, revolucionário. – Ubu Rei –tom distante do “espiritualismo” simbolista, crítica ao mundo burguês e ao senso comum.
  • 32. A utopia revolucionária fez nascer uma geração de artistas sem precedentes Vsevolod Emil’evic Meyerchol’d (1874 – 1940) – a pedido de Stanislavsky começa a trabalhar uma forma de interpretação alternativa, formalizado e físico, aprofundando a improvisação e a linguagem gestual. No direção do Teatro de Petesburgo, continua as experimentações. Biomecânica (funcionamento do corpo enquanto máquina) – graças a uma preparação muito dura, como a de um atleta, o ator deve ser capaz de reduzir ao mínimo o papel da palavra, expressando emoções e desejos através dos gestos e ações físicas – um pouco como os Cômicos Del’arte. Funda um teatro em Moscou (1921) para se opor ao Teatro de Arte, considerado por ele “decrépito”.
  • 34. Luigi Pirandello (1867 – 1936) – Maior autor teatral italiano do século. Não pode ser associado a vanguarda, embora também tivesse uma posição de forte crítica sobre as modalidades de representação tradicionais e aos valores da sociedade burguesa transmitidos por elas. Teatro grotesco. – Seis Personagens a Procura de um Autor, Assim é (se lhe parece) Eugene O’Neill (1888 – 1953) – Primeiro grande autor dramático dos EUA. Experimentações contínuas na tentativa de adaptar as formas características clássicas do teatro europeu a realidade americana do seu tempo. Naturalismo com tendência ao simbolismo. Federico García Lorca (1898 – 1936) – Espanhol. Um dos maiores poetas do século. Começou a escrever baseado em um tradicional teatro de bonecos espanhol. Mulheres condenadas a infelicidade. Bodas de Sangue, A Casa de Bernarda Alba .
  • 35. Luigi Pirandello Seis Personagens a procura de um autor Eugene O’Neill Federico García Lorca As Bodas de Sangue
  • 36. Erwin Piscator (1893 – 1966) – Situação social e política da Alemanha colocava em discussão também o debate intelectual. Manifestações artísticas fortemente politizadas. Agit-prop – atores representavam nas praças e ruas, sem se apresentar como tais, estimulando a discussão política e misturando ficção com realidade. Nova forma de teatro com fins didáticos que se propõem a explicar para o público as motivações sociais e políticas que levaram a Alemanha a tal situação. O uso propagandístico do teatro deixou descontente os socialistas moderados.
  • 37. Bertolt Brecht (1898 – 1956) Desenvolve um sistema teórico e coerente que em pouco tempo se tornou o ponto central dos debates sobre a relação teatro/ideologia. Adere ao marxismo desenvolvendo uma idéia de teatro didático em oposição ao psicologismo Injustiças sociais e conflitos de classe Teatro épico em oposição ao dramático (baseado na poética de Aristóteles)
  • 39. Catarse e identificação impedem o espectador de raciocinar e tomar consciência dos mecanismos econômicos que governam os acontecimentos sociais Transformar o espectador em sujeito crítico e político Estranhamento / distanciamento emotivo Filmes, cartazes, slides – didascálico e elemento “anti-realista”, além de canções que interrompem o fluxo dramático. Interpretação destacada e irônica. Ruptura com a ilusão de realidade, separação entre ator e personagem. Narração de eventos e terceira pessoa A Ópera dos Três Vinténs, A Exceção e a Regra, O Círculo de Giz Caucasiano
  • 40. Aquele que diz sim, aquele que diz não
  • 41. Diferenças entre dramático e épico Palco personifica evento Envolve o espectador Possibilita sentimentos Transmite vivências Espectador imerso na ação Tensão voltada para o desfecho Cenas interligadas Pensamento determina a existência Ação em primeira pessoa Ele o narra Torna-o observador Exige decisões Transmite conhecimento É confrontado com ela Tensão voltada para o processo Cenas independentes Existência social determina o pensamento Terceira pessoa
  • 42. O Círculo de Giz Caucasiano Berliner Esemble
  • 43. Antonin Artaud (1896 – 1948) Toda a vanguarda teatral se baseia no seu trabalho. Sua importância foi revelada apenas após a sua morte. Desde a infância sofre de problemas nervosos que o fazem viver sempre no limite da loucura Surrealismo Ataque a mentalidade e convenções do teatro e da vida burguesa – provocação Teatro pensado mais como uma experiência de vida do que como uma ficção Palavra subordinada a corporeidade – o nível de comunicação ator/espectador vem mais da empatia do que da palavra Espectador não é mais subalterno, no espaço teatral O Teatro e o seu Duplo (1938)
  • 45. O teatro é comparado à peste – o efeito revolucionário que deve produzir seria aquele das celebres epidemias da história – dissolvem as convenções sociais e constringem os homens a se confrontar com o mistério da vida e da morte, induzindo-os a tomar decisões fatais e comportamentos contrários a sua existência. Descoberta do componente corpóreo e ritual da performance teatral que não deve ser o espelho de uma existência vazia, mas encarar as temáticas ligadas aos grandes mistérios da vida (o duplo) Crueldade – na história do teatro (piedade e terror – catarse) – O espectador deve ser chocado, o teatro deve ser uma experiência vital, só assim pode iniciar o processo de transformação. O espectador deve viver o rito. O teatro deve transformar o espectador. Ataque a ditadura do texto
  • 46.  
  • 47. Dramaturgia do Pós-guerra São consolidados, em grande parte dos países ocidentais, circuitos comerciais e teatros subvencionados por entes públicos. Ajuda a criar uma estrutura e público, agora mais crítico devido a afirmação da TV. Neste período a vanguarda vem definida como Teatro do Absurdo – restituir o absurdo da vida contemporânea através de uma linguagem tanto mais expressiva e dramática quanto inadequada. Estreita ligação com o teatro existencialista Francês – Jean Paul Sartre (1905 – 1985), Albert Camus (1913 – 1960)
  • 48. Jean Genet As Criadas
  • 49. Jean Genet (1910 – 1986) – Escândalos pela ambigüidade moral de seus textos e evidentes referências a sua vida privada. Sartre – mantenedor. Um dos melhores exemplos da crueldade artaudiana. As Criadas . Eugène Ionesco (1912 – 1994) – desconstrução da linguagem. Desolação caracteriza a existência dos personagens. Obviedade, frases feitas dignas de manual de língua estrangeira, banalidade situação priva de nexo lógico – constrói um monumento a vacuidade da vida burguesa. A Cantora Careca . Samuel Beckett (1906 – 1989) – o mais célebre. Irlandês. Escrita em uma língua que não a sua – preferência por soluções básicas e essenciais, fugindo da tentação do “estilo belo”. Elementos cômicos – figurino, situações grotescas, gags – sublinham a desolação dos personagens e potencializam os aspectos simbólicos do texto. Esperando Godot .
  • 50. A Cantora Careca Eugène Ionesco Samuel Beckett Esperando Godot
  • 51. Nova dramaturgia americana Após a segunda guerra a dramaturgia assume um caráter pessimista e crítico em relação a sociedade. Tennessee Williams (1911 – 1983) – releitura americana do simbolismo realista. Restos de uma sociedade aparentemente moderna, mas em crise de identidade entre um passado glorioso e um futuro fosco. Um bonde chamado desejo, o zoológico de vidro . Arthur Miller (1915 – 2005) – segue o modelo de Ibsen. Crítica política e social integrados com um preciso estudo psicológico dos personagens. Morte de um Caixeiro Viajante.
  • 52. Arthur Miller Tennessee Williams O Zoologico de Vidro
  • 53. Corpo como pesquisa A segunda metade do século vê uma releitura de temáticas características da vanguarda. Trabalhos interessantes nascem da negação de um texto anterior a montagem – deve nascer de um trabalho no qual a dimensão humana e corpórea esteja no centro. Supera a barreira que divide o público, colocando-o ao interno – performativo – tocar o estômago e o coração do público, não só o intelecto. Allan Kaprow (1927 - 2006) – happening – forma expressiva eficaz, capaz de conjugar aspectos lúdicos, conceituais e de crítica política e social. Performers iniciam uma ação coletiva, o público não sabe do que se trata, ao menos no início. Não necessita ter objetivo político, pode simplesmente estimular o espectador a reencontrar o gosto por determinada ação ou gesto.
  • 54. “ What is a Happening? A game, an adventure, a number of activities engaged in by participants for the sake of playing.” –Allan Kaprow
  • 55. Living Theatre OFF-Broadway - New York – movimento que compreende todos os dramaturgos, companhias e teatros que se propunham a produzir alternativas aos espetáculos com única finalidade a econômica . Living – fundado por Julian Beck (1925 – 1985) e Judith Malina (1926) – teatro político e crítico a sociedade americana.Texto como ponto de partida para o trabalho de improvisação dos atores. Performance baseada essencialmente sobre uma série de ações físicas obsessivas, as vezes no limite da violência. Com o exílio iniciaram um vida itinerante. Ainda ativo, principalmente em Nova York. The Brig, Paradise Now.
  • 56.  
  • 57. Jerzy Grotowski (1933 – 1999) Polonês – estudou na Cracóvia, Moscou (interpretação = ciência do homem) e China (disciplina do corpo). Companhia com base comunitária, ritmo de trabalho intenso. Teatr laboratorium. Pesquisava soluções para o impasse pela concorrência com outros meios de comunicação. Busca pela força original do teatro, perdida no período burguês. Esta força pode ser atingida só se o teatro se livrar dos elementos não essenciais (truques), supérfluos, que são a força do cinema. Por um teatro pobre . Fundamental uma comunhão de vida entre ator e espectador. Graças a sua arte (duríssimo trabalho) os atores podem criar o rito, essa comunhão e o público viver experiências ignoradas ou esquecidas. Público obstáculo para atingir a verdade absoluta – fundou Workcenter – atores performances baseadas exclusivamente nas ações físicas, só podem assistir poucos selecionados – “testemunhas”.
  • 59. Eugênio Barba (1936) Italiano residente na Noruega, aluno de Grotowsky. Odin Teatret, na Dinamarca – grupo multinacional. Ensaios aparentemente sem objetivo preciso. A atividade do ator requer um exercício cotidiano, independente de estar preparando um espetáculo, semelhante ao trabalho do dançarino ou do atleta. Sem turnês comerciais, leva seus espetáculos a um mundo “privo” de teatro. Temas relacionados as relações entre diversas culturas. Teatro como objeto de troca. Culturas primitivas, danças, cantos e linguagem gestual – teatro antropológico. Teatro é um instrumento de transformação de si e do outro. Exigência de contagiar a realidade que o circunda.
  • 60. Eugenio Barba Performer – Augusto Omolú
  • 61. Outros nomes Peter Brook (1925) – Londrino. Corpo assume importância preponderante. Para fazer teatro basta um ator, um espectador e um espaço vazio. Engajamento político. Diferente de Grotowski e Barba, permanece um diretor que prepara para um espetáculo, os atores se exibem na frente de um público. Marat/Sade, Mahabharata Tadeusz Kantor – Cracovia - abandono da lógica ligada ao acaso e a improvisação. “Teatro da Morte” – restituir, através da memória, a dimensão de um passado que se revela um não-lugar, onde a identidade é colocada em crise até a sua dissolução. A Classe Morta .
  • 62. Tadeusz Kantor Mahabharata Peter Brook A Classe Morta Kantor – happening
  • 63. Robert “Bob” Wilson (1941) – Americano. Reflexão na vanguarda, elementos autobiográficos. Criança se curou de um problema nervoso e gagueira através de técnicas de dança com a Prof. Byrd Hoffman, que fazia movimentos muito lentos e harmoniosos, dissolvendo a tensão de seu corpo. Seu grupo, com o nome da professora, dá vida a performances realizadas na sede ou nas ruas. Teatro imagem – controle da componente visual, personagens ligados a gestos e componentes coreográficos. O Olhar do Surdo – silêncio e lenteza. Philippine “Pina” Bausch (1940 – 2009) – Alemã. Teatro-dança (iniciado com Laban) – elementos de descontinuidade com a dança propriamente dita. Emancipação do corpo feminino, da dupla prisão – “angélico”, sem sensualidade, do balé classico / “prostituto” danças que reduzem a mulher a objeto sexual. Dança possa expressar a identidade do indivíduo resgatando-o da opressão, preconceito e constrições da vida moderna. Até o gesto mais banal pode ser significativo, seja como unidade, seja como conjunto de elementos
  • 64. Pina Baush Bob Wilson
  • 65. Composição e Tradução: Claudia Venturi Atriz, Diretora e Professora de Teatro www.agape.art.br [email_address] Bibliografia: Bernardi, C. e Susa, C. Storia Essenziale del Teatro. Vita e Pensiero. Milano.