Relações de Gênero

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Esse material foi elaborado para uma aula especial, pelos professores Claudney S. dos Santos e Everton Lima, na perspectiva de Abordar a temática Questões de Gênero no que tange as habilidades e competências para o ENEM

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Relações de Gênero

  1. 1. Questão de gênero e identidade sexual: conceituações básicas A identidade de gênero, é um constructo constituído por vários componentes estruturados em diferentes épocas e por várias influências. Para Grossi (2005), gênero é uma construção cultural, processado na educação formal e informal de homens e mulheres, contrariamente do senso comum, que compreende que biologicamente o sexo, por si só, determina os comportamentos masculinos e femininos.
  2. 2. Gênero: Maneira que as diferenças entre mulheres e homens assumem nas diferentes sociedades, no transcorrer da história. Sexo: Diferenças anátomo-fisiológicas existentes entre os homens e as mulheres. Identidade Sexual: conjunto de características sexuais que diferenciam cada pessoa das demais e que se expressam pelas preferências sexuais, sentimentos ou atitudes em relação ao sexo. É o sentimento de masculinidade ou feminilidade que acompanha a pessoa ao longo da vida. Nem sempre está de acordo com o sexo biológico ou com a genitália da pessoa.
  3. 3. Diversidade Sexual Homossexuais – indivíduos que têm orientação sexual e afetiva por pessoas do mesmo sexo. Gays – indivíduos que, além de se relacionarem afetiva e sexualmente com o mesmo sexo, têm estilo de vida de acordo com essa preferência, vivendo sua sexualidade abertamente. Bissexuais – relacionam-se com qualquer dos sexos. Alguns assumem publicamente, outros não. Lésbicas – homossexuais femininas. Transgêneros – engloba travestis e transexuais. É homem no sentido fisiológico, mas se relaciona com o mundo como mulher. Transexuais – pessoas que não aceitam o sexo que ostentam anatomicamente, sendo o fato psicológico predominante (geralmente fazem cirurgia de mudança de sexo).
  4. 4. PERFIL DA HOMOFOBIA Em relação à identidade de gênero, entre as vítimas das denúncias 60,44% foram identificadas como gays, 37,59% como lésbicas, 1,47% das vítimas foram identificadas como travestis e 0,49% como transsexuais. Dentre os tipos mais reportados de violência psicológica encontram‐se as humilhações (35,32%), as hostilizações (32,27%) e as ameaças (15,78%). Calúnia, injúria e difamação contaram com 8,56% das respostas. As violências físicas, tipo mais evidente das violações de direitos humanos, as lesões corporais 59,35% do total de violências físicas, seguidas por maus tratos, com 33,54% , tentativas de homicídios 3,1% , com 41 ocorrências.
  5. 5. VAMOS CONFERIR COMO APARECEU? (Enem 2010) Pecado nefando” era expressão correntemente utilizada pelos inquisidores para a sodomia. Nefandus: o que não pode ser dito. A Assembleia de clérigos reunida em Salvador, em 1707, considerou a sodomia “tão péssimo e horrendo crime”, tao contrário à lei da natureza, que “era indigno de ser nomeado” e, por isso mesmo, nefando. NOVAIS, F.; MELLO E SOUZA L. História da vida privada no Brasil. V. 1. São Paulo: Companhia das Letras. 1997 (adaptado). O número de homossexuais assassinados no Brasil bateu o recorde histórico em 2009. De acordo com o Relatório Anual de Assassinato de Homossexuais (LGBT – Lés - bicas, Gays, Bissexuais e Travestis), nesse ano foram registrados 195 mortos por motivação homofóbica no País. Disponível em: www.alemdanoticia.com.br/utimas_noticias.php?codnoticia=3871. Acesso em: 29 abr. 2010 (adaptado). A homofobia é a rejeição e menosprezo à orientação sexual do outro e, muitas vezes, expressa-se sob a forma de comportamentos violentos. Os textos indicam que as condenações públicas, perseguições e assassinatos de homossexuais no país estão associadas
  6. 6. a) à baixa representatividade política de grupos organizados que defendem os direitos de cidadania dos homossexuais. b) à falência da democracia no país, que torna impeditiva a divulgação de estatísticas relacionadas à violência contra homossexuais. c) à Constituição de 1988, que exclui do tecido social os homossexuais, além de impedi-los de exercer seus direitos políticos. d) a um passado histórico marcado pela demonização do corpo e por formas recorrentes de tabus e intolerância. e) a uma política eugênica desenvolvida pelo Estado, justificada a partir dos posicionamentos de correntes filosófico-científicas. RESPOSTA LETRA D
  7. 7. Mito e gênero: Pandora e Eva em perspectiva histórica comparada
  8. 8. Em agosto de 2002, na Cidade do Cabo, aconteceu o funeral solene de Saartjie Baartman, a quem foram reservadas todas as honrarias de um chefe de Estado. Saartjie morreu em 1815, mas só em 2002 o que restava dela foi levado para sua terra natal, a África do Sul: um esqueleto e dois frascos de vidro, um contendo o seu cérebro, o outro seus órgãos sexuais, conservados em formol. Durante quase dois séculos esses restos ficaram expostos no Museu do Homem, em Paris, depois que, em dezembro de 1815, o médico Georges Couvier fez a autópsia da mulher que, em vida, ficou conhecida como a “Vênus Hotentote”.
  9. 9. Fontes históricas sobre nossa conversa A inferioridade da mulher e da sua posição pode ser atestada pela Política de Aristóteles que a justificava em virtude da não plenitude na mulher da parte racional da alma, o logos. Observamos inclusive no texto aristotélico, que para tanto faz uso das palavras de Sófocles, que as mulheres deviam, por sua graça natural, permanecer em silêncio, o que é por demais significativo de sua condição numa comunidade democrática, na qual a participação isonômica na política Moisés Romanazzi Tôrres Inclusive, Aristóteles na Política, ao criticar as falhas do regime espartano, tratava, logo após a ameaça dos hilotas, a das mulheres. Segundo ele, as espartanas eram até licenciosas, depravadas e luxuriosas. Acusava-as, principalmente, de mandarem nos maridos, deixando subentendido que o motivo disto estava no fato de muitas viúvas casarem novamente, levando consigo os direitos sobre o lote de terra (kléros) cultivado pelos hilotas. O homossexualismo masculino, inicialmente favorecido por uma camaradagem militar tal como se praticava em Esparta e Tebas ainda na Idade Clássica, em Atenas significava mais uma iniciação do jovem pelo adulto em todos os domínios, assim sendo a ligação entre erastós (amante) e erômenos (amado) devia cessar assim que adviessem os pêlos, quando o jovem se tornava adulto e devia se preparar para casar (por volta de 18 anos ou mais); normalmente as relações homossexuais masculinas entre adultos eram mal vistas em Atenas. Ainda que a prostituição feminina, bem ao contrário da masculina, fosse não apenas tolerada, mas até mesmo sacralizada em alguns casos (em Corinto havia, no santuário de Afrodite, as hierodulas, escravas sagradas que vendiam muito caro os seus encantos), não devemos nos deixar levar por considerações baseadas numa visão atual das coisas, é certamente questionável que a condição social das cortesãs (mesmo das hetairas) fosse superior à das mulheres casadas. Moisés Romanazzi Tôrres. Considerações sobre a condição da mulher na Grécia Clássica
  10. 10. VAMOS CONFERIR COMO APARECEU? Leda serenidade deleitosa, Que representa em terra um paraíso; Entre rubis e perlas doce riso; Debaixo de ouro e neve cor-de-rosa; Presença moderada e graciosa, Onde ensinando estão despejo e siso Que se pode por arte e por aviso, Como por natureza, ser formosa; Fala de quem a morte e a vida pende, Rara, suave; enfim, Senhora, vossa; Repouso nela alegre e comedido: Estas as armas são com que me rende E me cativa Amor; mas não que possa Despojar-me da glória de rendido. (CAMÕES, L. Obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2008)SANZIO, R. (1483-1520) - A mulher com o unicórnio. Roma, Galleria Borghese. Crédito: Reprodução (Enem2012)
  11. 11. A pintura e o poema, embora sendo produtos de duas linguagens artísticas diferentes, participaram do mesmo contexto social e cultural de produção pelo fato de ambos: A) apresentarem um retrato realista, evidenciado pelo unicórnio presente na pintura e pelos adjetivos usados no poema. B) valorizarem o excesso de enfeites na apresentação pessoal e na variação de atitudes da mulher, evidenciadas pelos adjetivos do poema. C) apresentarem um retrato ideal de mulher marcado pela sobriedade e o equilíbrio, evidenciados pela postura, expressão e vestimenta da moça e os adjetivos usados no poema. D) desprezarem o conceito medieval da idealização da mulher como base da produção artística, evidenciado pelos adjetivos usados no poema. E) apresentarem um retrato ideal de mulher marcado pela emotividade e o conflito interior, evidenciados pela expressão da moça e pelos adjetivos do poema. RESPOSTA LETRA C
  12. 12. • O mundo em transformação:
  13. 13. 1534-1634 • Brasil colonial – período açucareiro • Modelo família patriarcal Séc. XVII - XVIII • Expansão territorial • Religião concebe o índio como o bom selvagem, e o negro como demoníaco. Séc. XVIII - XIX • Brasil colonial – período do ouro • Aumento da miscigenação
  14. 14. Na Colônia o sacramento do matrimônio era...
  15. 15. Literatura como fonte histórica • A filha de Dona Isabel “era a flor do cortiço. (...) Bonita, posto que infermiça e nervosa ao último ponto; Loura, muito pálida, com uns modos de menina de boa família” (Idem, p. 66). Entretanto, o contato sexual com Léonie faz com que Pombinha “abra os olhos” para o mundo, especialmente o mundo dos homens, tirando desta a sua aura de santa. “[Léonie] Arrancou-lhe até a última vestimenta e precipitou-se contra ela, a beijar- lhe todo o corpo, a empogar-lhe os lábios, o róseo do peito (...), deixando ver preciosidades de nudez fresca e virginal” (AZEVEDO, 2007, p. 85).
  16. 16. 1934 no Brasil...
  17. 17. VAMOS CONFERIR COMO APARECEU? PEDERNEIRAS, R. Revista da Semana, ano 35, n. 40, 15 set. 1934. In: LEMOS, R. (Org.). Uma história do Brasil através das caricaturas (1840– 2001). Rio de Janeiro. Bom Texto, Letras e Expressões, 2001. (Foto: Reprodução) (Enem2013)
  18. 18. Na imagem, da década de 1930, há uma crítica à conquista de um direito pelas mulheres, relacionado com a a) redivisão do trabalho doméstico b) liberdade de orientação sexual c) garantia da equiparação d) aprovação do direito ao divórcio e) obtenção da participação eleitoral RESPOSTA LETRA E
  19. 19. A MULHER DO SÉCULO XXI: quebrando paradigmas
  20. 20. A partir da década de 70 até os dias de hoje, a participação das mulheres no mercado de trabalho tem apresentado uma espantosa progressão. Se em 1970 apenas 18% das mulheres brasileiras trabalhavam, chega-se a 2007 com mais da metade delas ( 52,4%) em atividade.
  21. 21. VAMOS CONFERIR COMO APARECEU? (Enem 2012) Lugar de mulher também é na oficina. Pelo menos nas oficinas dos cursos da área automotiva fornecidos pela Prefeitura, a presença feminina tem aumentado ano a ano. De cinco mulheres matriculadas em 2005, a quantidade saltou para 79 alunas inscritas neste ano nos cursos de mecânica automotiva, eletricidade veicular, injeção eletrônica, repintura e funilaria. A presença feminina nos cursos automotivos da Prefeitura — que são gratuitos — cresceu 1 480% nos últimos sete anos e tem aumentado ano a ano. Disponível em: www.correiodeuberlandia.com.br. Acesso em: 27 fev. 2012 (adaptado).
  22. 22. Na produção de um texto, são feitas escolhas referentes a sua estrutura, que possibilitam inferir o objetivo do autor. Nesse sentido, no trecho apresentado, o enunciado “Lugar de mulher também é na oficina” corrobora o objetivo textual de a) demonstrar que a situação das mulheres mudou na sociedade contemporânea. b) defender a participação da mulher na sociedade atual. c) comparar esse enunciado com outro: “lugar de mulher é na cozinha”. d) criticar a presença de mulheres nas oficinas dos cursos da área automotiva. e) distorcer o sentido da frase “lugar de mulher é na cozinha”. RESPOSTA LETRA A
  23. 23. VAMOS CONFERIR COMO APARECEU? (Enem2013)
  24. 24. O processo registrado no gráfico gerou a seguinte consequência demográfica: a) Decréscimo da população absoluta. b) Redução do crescimento vegetativo. c) Diminuição da proporção de adultos. d) Expansão de políticas de controle da natalidade. e) Aumento da renovação da população economicamente ativa.
  25. 25. Então... LUGAR DE MULHER É...
  26. 26. No espaço social.
  27. 27. Referências • Foucault e a História da Sexualidade: dispositivos de sexualidade e patologias sociais • Foucault e a Microfísica do poder. • http://www.unicap.br/coloquiodehistoria/wp-content/uploads/2013/11/4Col-p.353.pdf • Mito e gênero: Pandora e Eva em perspectiva histórica comparada. Andréia Cristina Lopes Frazão da SilvaI; Marta Mega de AndradeII • Moisés Romanazzi Tôrres. Considerações sobre a condição da mulher na Grécia Clássica • Oliveira, CAROLINA DOS ANJOS NUNES. VIDAS MAL-DITAS: PRÁTICAS E TRÂNSITOS DAS TRABALHADORAS DO SEXO NA CIDADE DE ITABUNA (BA) – 1930-1950 • Organização Mundial do Trabalho • Organização Mundial de saúde

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