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GIL VICENTE
Gil Vicente
Contexto Cultural do séc. XVI
♦ Gil Vicente pensa-se ter nascido na cidade
 de Guimarães ou algures na Beira Alta,
 entre a década de 1460-1470. Segundo
 vários investigadores terá sido ouvires, e é-
 lhe atribuída a Custódia de Belém, ou
 ainda que terá sido mestre de retórica do
 rei D. Manuel. Foi casado duas vezes, do
 que resultou cinco filhos. Terá morrido,
 provavelmente, no ano de 1536.
♦ Foi o primeiro
      conhecido
     dramaturgo
 português e um dos
  maiores génios de
teatro do nosso país.
• Recitou a sua primeira peça ao serviço de D.
Leonor, no dia 7 de junho de 1502, intitulada O
Monólogo do Vaqueiro. O que faria assiduamente
por mais trinta e cinco anos da sua vida.
Vestuário
Durante os séculos XV e XVI a moda era
 influenciada por Espanha e França;
Usavam-se a grande mistura de cores intensas;
Tecidos grossos e aveludados;
Rasgões e cortes em áreas estratégicas para o
 realce das curvas e o destaque do forro
 (geralmente bordado);
Chapéus grandes e baixos com penas;
Fitas para prender as mangas e perneiras;
Cintos, fivelas, brasões e armas ricamente
 desenhados ao longo dos trajes.
Uma mulher da alta sociedade da
época e um colete ou espartilho
Vestuário do séc. XV na atualidade
 ♦ Nos nossos tempos
      continuam-se a
  representar as roupas
      deslumbrantes
     daquela época.
   ♦ Nesta imagem,
     Michael Jackson
    representa um rei.
Personagem de um filme alusivo à época
Vestuário da Alta Sociedade
♦ O traje habitual do
 rei,     rainha     e
 príncipes deveria ser
 o mais exuberante,
 carregado de brilhos
 e     formas     bem
 definidas,       com
 grandes pompas e
 chapéus enormes.
Vestuário Feminino
♦ As mulheres da alta sociedade vestiam-se de
  forma muito rica, seguindo sempre a moda
  vinda de França, Espanha e Itália.
♦ Durante estes dois séculos ditaram-se os
  grandes brilhos, veludos, cores carregadas e
  exageradas,     folhos,    golas,    brasões
  desenhados ao longo dos vestidos e corpetes
  e coroas simbólicas, sempre com a cintura e
  as suas formas muito vincadas.
Vestuário Masculino
♦ Os reis e príncipes usavam grandes mantos, e
  roupas cobertas de pedras preciosas vindas do
  oriente e das novas descobertas.
♦ As roupas eram muito ricas e coloridas, com
  grandes folhos e pompas, chapéus e adornos
  brilhantes, geralmente de pedras preciosas que
  simbolizavam riqueza.
♦ Era ainda moda as luvas e as capas, que
  simbolizavam o poder e acreditava-se que
  dariam sorte.
Vestuário Masculino
Vestuário do Clero
Os    membros pertencentes à ordem do
 Clero usavam hábitos próprios dessa ordem.
Os Dominicanos vestiam um hábito branco.
Os Franciscanos vestiam um hábito
 castanho.
O clero secular tinha, como hoje tem,
 paramentos especiais, ou seja, vestuário
 próprio para as diferentes cerimónias
 religiosas.
Vestuário do Povo
♦ O povo, alheio a modas
  vindas de outros países,
  usava apenas o fato de
  trabalho, com as cores
  vulgares e mortas de há
  muitos séculos atrás;
♦ Fazia as suas próprias
  roupas com os poucos
  recursos que dispunha.
Vestuário séc. XVI
♦ A partir dos finais do séc. XVI, perde-
 se a moda das roupas coloridas e
 começa-se a usar o preto, sobreposto
 de bordado de cores claras, ouro e
 prata. Usam-se os decotes horizontais e
 as golas mais altas e sóbrias, admitindo
 uma pose mais rígida e elegante.
Vestuário séc. XVI
Gastronomia
Durante o séculos XV e XVI vinham muitas
 especiarias da Índia, o que permitia uma
 maior variedade de alimentação na corte;
Concretizavam-se grandes banquetes, festas e
 espetáculos, tais como os autos de Gil
 Vicente, onde participavam todos os
 elementos da alta sociedade;
As duas refeições mais importantes eram o
 jantar e a ceia.
Gastronomia
♦ Possuíam grandes mesas, com variedade
  e cor, serviços de mesa trabalhados à
  mão, muitas vezes de cristal, ouro, prata
  e outras pedras preciosas.
♦ Os elementos base eram o vinho (que
  simbolizava o sangue de Deus), o pão (a
  sua carne), e a carne de animais caçados
  recentemente (riqueza).
Gastronomia
♦Também       faziam     parte    da
 alimentação carnes como o cabrito,
 o carneiro, o porco, a vaca,
 galinha, pato, ganso, pombo,
 faisão, pavão, rola, coelho e as
 carnes da época. Servia-se assada,
 cozida, estufada ou em caldeirada
Gastronomia
  Os peixes mais
     comuns eram a
   sardinha, pescada,
      congro, sável,
 salmonete e lampreia;
A fruta passava pelas
   cerejas, pêssegos e
     limões, embora
  fossem considerados
      muito ácidos.
Inquisição
♦ A Inquisição é um tribunal católico que
  inicialmente foi utilizado para combater
  o sincretismo.
♦ A partir do séc. XI este tribunal
  começou a perseguir e a condenar os
  cristãos-novos, ou seja, aqueles que
  renegavam as suas religiões para
  aderirem ao cristianismo.
Inquisição
No decorrer do séc. XI foi criado o
 Index, uma lista de livros proibidos cuja
 circulação tinha sido controlada pela
 inquisição;
Também no meio destes
 acontecimentos começou a praticar-se a
 censura: antes que algum livro ou artigo
 fossem publicados a censura impunha a
 revisão do mesmo, e se preciso, a sua
 anulação.
Inquisição


♦ As peças teatrais de Gil
  Vicente, naquela altura
 obviamente iam ser alvo
 de censura, mas a rainha
  D. Leonor guardou-as,
     para evitar isso.
GIL VICENTE
♦ Não se sabe exatamente
 quando e onde Gil Vicente
 nasceu. Os poucos indícios
 históricos registram seu
 nascimento entre 1465 e 1470,
 possivelmente em Guimarães,
 cidade portuguesa rica em
 artistas e artesãos. Foi ai que,
 provavelmente, ele aprendeu o
 ofício de ourives.
GIL VICENTE
♦ Gil Vicente viveu a maior parte
 de sua vida em Lisboa, centro
 comercial e cultural de
 Portugal. De origem popular,
 não se sabe onde adquiriu a
 vasta e diferenciada cultura que
 marcou sua obra – todas, ou
 quase todas, afirmações sobre
 a vida do dramaturgo são
 suposições.
O teatro de Gil Vicente
♦ Em Portugal, o grande nome do
 teatro no Humanismo (Século
 XVI) é Gil Vicente. Em 71 anos
 de vida, estima-se que tenha
 escrito cerca de 44 peças.
 Escrita em 1502, sua primeira
 peça foi o Auto da visitação, em
 homenagem à rainha D. Maria
 pelo nascimento de seu filho, o
 futuro rei D. João III.
O teatro de Gil Vicente
♦ A obra de Gil Vicente não
 seguiu um padrão determinado.
 Não há sinal de que conhecesse
 o drama grego e não há registro
 histórico de um teatro leigo
 português pré-vicentino. Gil
 Vicente é, portanto,
 considerado o criador do teatro
 em Portugal.
Teatro, crítica e humor
♦ Rico e variado, o teatro de Gil
 Vicente compõe um painel da
 época e do mundo em que
 viveu, fazendo uma dramaturgia
 crítica, ao mesmo tempo
 satírica e moralizante. Ou seja,
 as peças de Gil Vicente têm
 caráter moralizante e procuram
 tematizar os comportamentos
 condenáveis e enaltecer as
 virtudes.
Teatro, crítica e humor
♦ A religião católica é tomada
 como referência para a
 identificação das virtudes e dos
 erros humanos. Mas, embora
 critique o comportamento
 mundano de membros da Igreja,
 a formação medieval faz com
 que as críticas de Gil Vicente
 sejam sempre voltadas para os
 indivíduos, jamais para as
 instituições religiosas.
Teatro, crítica e humor
♦ Crítico mordaz, Gil Vicente não
 se curvou ao seu tempo.
 Bombardeou praticamente
 todos os setores da sociedade,
 poupando apenas as abstratas
 noções de instituição. Criticou a
 hipocrisia do clero, em nome da
 fé cristã. Desbancou a tirania
 da nobreza, em nome da justiça
 social. Condenou a corrupção
 dos burocrata, em defesa do
 bem público.
Teatro, crítica e humor
♦ Gil Vicente foi um dramaturgo
 privilegiado. Desenvolveu sua
 arte com liberdade, sem se
 preocupar com a sobrevivência
 diária. Viveu com certa
 tranqüilidade, protegido e
 incentivado sob o regime de
 mecenato pelas Cortes dos reis
 de Portugal.
Teatro, crítica e humor
♦ Sem fazer distinção entre os
 segmentos da sociedade, o
 teatro vicentino coloca no
 centro da cena erros de ricos e
 pobres, nobres e plebeus. O
 autor denuncia os exploradores
 do povo, como o fidalgo, o
 sapateiro e o agiota do Auto da
 barca do inferno; ridiculariza os
 velhos que se interessam por
 mulheres mais jovens, na farsa
 O velho da horta.
Teatro, crítica e humor


♦ Enfim, o teatro vicentino traça
 um quadro animado da
 sociedade portuguesa do século
 XVI, procurando sempre, além
 de divertir, estimular um
 comportamento virtuoso.
Teatro, crítica e humor

♦ O objetivo do teatro crítico e
 moralizante de Gil Vicente era
 demonstrar como o ser humano
 – independente de classe social,
 raça, sexo ou religião – é
 egoísta, falso, mentiroso,
 orgulhoso e frágil diante dos
 apelos da carne e do dinheiro.
Teatro, crítica e humor

♦ Um recurso muito explorado por
 Gil Vicente é o uso de alegorias,
 ou seja, de representações , por
 meio de personagens ou
 objetos, de idéias abstratas,
 geralmente relacionadas aos
 vícios e virtudes humanas.
As alegorias no teatro
        vicentino
♦ As alegorias facilitam o
 reconhecimento, por parte da
 platéia, do vício ou da virtude a
 que o texto quer fazer
 referência. Assim, no Auto da
 barca do inferno, o agiota traz
 consigo uma bolsa cheia de
 moedas que representa,
 alegoricamente, a sua
 ganância.
Um teatro poético
♦ A linguagem da obra vicentina
 apresenta uma fusão do teatro
 com a poesia. Seus
 personagens expressam-se em
 versos. O padrão é a redondilha
 maior, verso (7 sílabas) típico
 de sua época. Sua rede textual
 é formada, ainda, por
 metáforas, trocadilhos, ironias,
 rimas e metrificação
 tradicionais.
Temas sacros e profanos
♦ O teatro de Gil Vicente reflete
 tanto os costumes da época,
 como na Farsa de Inês Pereira;
 quanto o religioso alegórico,
 como no Auto da Barca do
 Inferno. Essa divisão
 caracteriza a idéia de um
 mundo em transição, própria do
 período Humanista, pois é
 centrada ora no homem, ora na
 religião (Idade Média X
 Renascimento).
A obra de Gil Vicente
♦ AUTOS PASTORIS (ÉCLOGAS):
 Gênero a que pertence algumas
 das primeiras obras do autor.
 Algumas dessas peças têm
 caráter religioso, como o Auto
 pastoril português; outras,
 profano, como o Auto pastoril
 da serra da Estrela.
A obra de Gil Vicente
♦ AUTOS DE MORALIDADE:
♦ Gênero em que Gil Vicente se
 celebrizou. Suas peças mais
 conhecidas são autos de
 moralidade, como é o caso da
 Trilogia das barcas (Auto da
 barca do inferno, Auto da barca
 do purgatório e Auto da barca
 da glória) e do Auto da alma.
A obra de Gil Vicente
♦ FARSAS:
♦ Peças de caráter crítico,
 utilizam como personagens
 tipos populares e desenvolvem-
 se em torno de problemas da
 sociedade. As mais populares
 são a Farsa de Inês Pereira e a
 Farsa do velho da horta.
OS COSTUMES

♦ Preocupado com a correção dos
 costumes, Gil Vicente adotava
 como lema uma famosa frase de
 Plauto, dramaturgo latino:
 “rindo, corrigem-se os
 costumes”.
OS COSTUMES
♦ Gil Vicente escolhia como
 argumento para uma peça uma
 situação facilmente
 reconhecida pela platéia, como
 a do velho que se apaixona por
 uma mulher muito jovem (O
 velho da horta), para
 ridicularizar o comportamento
 condenado pelos valores da
 época.
TEATRO EDUCATIVO
♦ O riso desencadeado pelas
 cenas revelava que o público
 identificava e censurava uma
 conduta socialmente
 inadequada. Assim, ao mesmo
 tempo que as peças vicentinas
 divertiam a nobreza, também
 contribuíam para educá-la.
O Auto da barca do inferno
O Auto da barca do inferno
♦ No Auto da barca do inferno,
 percebemos uma galeria de
 tipos humanos satirizados por
 Gil Vicente. Esses tipos são
 passageiros de duas barcas:
 uma delas é comandada pelo
 Diabo, e a outra, por um Anjo.
 Os passageiros, que estão
 mortos, são submetidos a um
 interrogatório, após o qual
 embarcarão rumo ao Inferno ou
 ao Paraíso (simulando o Juízo
 Final).
O Auto da barca do inferno
♦ A maioria deles, condenada por
 seu comportamento, vai para a
 barca do Diabo, superlotando-a.
 São eles: um fidalgo, um
 sapateiro, uma alcoviteira, um
 padre e sua amante, um judeu,
 um enforcado, um agiota, um
 corregedor e um procurador.
O Auto da barca do Inferno
♦ Apenas cinco passageiros – um
 parvo (indivíduo tolo, simplório)
 e quatro cavaleiros
 (representando um único tipo) –
 embarcam em companhia do
 Anjo. O parvo foi aceito pelo
 Anjo porque, se pecou em vida,
 o fez sem consciência, sem
 maldade. Já os quatro
 cavaleiros irão para o Paraíso
 porque morreram “pelejando por
 Cristo”.
A farsa de Inês Pereira
A farsa de Inês Pereira
♦ O mote (tema) da Farsa de Inês
 Pereira é dado pelo seguinte
 provérbio: “Mais quero asno que
 me leve, que cavalo que me
 derrube”.   A    heroína,  Inês
 Pereira, embora pertença à
 classe popular, sonha com um
 marido “discreto”. Repele Pêro
 Marques, filho dum camponês
 rico, e casa com um escudeiro
 pobre, mas pretensioso, que a
 maltrata.
A farsa de Inês Pereira
♦O   marido, porém, morre na
 África, e Inês, ensinada desta
 vez pela dura experiência,
 desposa    Pêro   Marques     e
 depressa aceita a corte dum
 falso ermitão (monge). Para
 cúmulo do embuste, é o novo
 marido que a leva ao eremitério
 e atravessa um rio com ela às
 costas.
Farsa de Inês Pereira
 “Ficha Técnica”


 Tema: a ambição pessoal, a eleição de valores e as lições da
 experiência.

 Classificação: Farsa, isto é, forma cômica do teatro, com origem no
 teatro medieval, com certo tom burlesco e caricatural. É, normalmente,
 a pintura satírica da realidade quotidiana.
Farsa de Inês Pereira
Estrutura externa:
    A semelhança da maior parte das peças vicentinas, a Farsa de Inês Pereira não possui
    divisão cênica. No entanto, o andamento da intriga pressupõe duas grandes partes: Inês
    solteira e Inês casada, que por sua vez se subdividem em unidades mais pequenas.

 Base temática:
   A ação da farsa decorre dentro de uma coação temática, ou seja, a farsa resulta de um
   desafio instaurado a Gil Vicente por aqueles que duvidavam da sua originalidade. No
   entanto, a condicionante temática não prejudica a espontaneidade, o humor e a lógica.
Farsa de Inês Pereira
Inês Pereira:
   Inês pode ser tipificada como uma jovem casadoira, , ambiciosa e rebelde,
   que arremessa a costura com revolta e escolhe um marido “discreto” e bem-
   falante, que sabe cantar e tocar.

  No entanto, a vertente de personagem plana em breve será desconstruída,
  quando Inês se vê dominada por um marido tirânico, que a impede de cantar,
  falar ou ir à janela, dizendo: “Vós não haveis de mandar/ em casa somente um
  pêlo”.

  Inês reconhece que errou e estabelece um plano a que os acontecimentos irão
  dar realização. A viragem psicológica de Inês é extremamente expressiva e
  mostra a personagem em situação, que sabe reconsiderar, sem abatimentos ou
  queixumes, e que aprende as lições da experiência. Inês reage, aguardando o
  momento da vingança, que surge quando, morto o escudeiro, resolve casar
  com o pretendente que havia rejeitado, Pêro Marques, o asno que a leva onde
  ela quer…
Farsa de Inês Pereira
 Inês Pereira (cont.):

 No entanto, se as personagens vicentinas não são senão disfarces
 particularizados de situações humanas generalizáveis, Inês já não é
 Inês. É alguém sem rosto, sem nome, sem idade e sem época que, por
 imprudência e ambição, cai na desgraça; que sabe esperar, que
 finalmente mostra que aprendeu a lição de vida, reconsidera e não
 repete o erro, pois “Sobre quantos mestres são/ experiência dá lição”.
 Então, podemos dizer que Inês deixa de ser a personagem para voltar a
 ser tipo de uma situação humana.


                         Adaptado de F. Torrinha e A. Pires de Lima, Farsa de Inês Pereira de Gil Vicente, (…)

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Gil Vicente, o pai do teatro português

  • 3. ♦ Gil Vicente pensa-se ter nascido na cidade de Guimarães ou algures na Beira Alta, entre a década de 1460-1470. Segundo vários investigadores terá sido ouvires, e é- lhe atribuída a Custódia de Belém, ou ainda que terá sido mestre de retórica do rei D. Manuel. Foi casado duas vezes, do que resultou cinco filhos. Terá morrido, provavelmente, no ano de 1536.
  • 4. ♦ Foi o primeiro conhecido dramaturgo português e um dos maiores génios de teatro do nosso país.
  • 5. • Recitou a sua primeira peça ao serviço de D. Leonor, no dia 7 de junho de 1502, intitulada O Monólogo do Vaqueiro. O que faria assiduamente por mais trinta e cinco anos da sua vida.
  • 6. Vestuário Durante os séculos XV e XVI a moda era influenciada por Espanha e França; Usavam-se a grande mistura de cores intensas; Tecidos grossos e aveludados; Rasgões e cortes em áreas estratégicas para o realce das curvas e o destaque do forro (geralmente bordado); Chapéus grandes e baixos com penas; Fitas para prender as mangas e perneiras; Cintos, fivelas, brasões e armas ricamente desenhados ao longo dos trajes.
  • 7. Uma mulher da alta sociedade da época e um colete ou espartilho
  • 8. Vestuário do séc. XV na atualidade ♦ Nos nossos tempos continuam-se a representar as roupas deslumbrantes daquela época. ♦ Nesta imagem, Michael Jackson representa um rei.
  • 9. Personagem de um filme alusivo à época
  • 10. Vestuário da Alta Sociedade ♦ O traje habitual do rei, rainha e príncipes deveria ser o mais exuberante, carregado de brilhos e formas bem definidas, com grandes pompas e chapéus enormes.
  • 11.
  • 12. Vestuário Feminino ♦ As mulheres da alta sociedade vestiam-se de forma muito rica, seguindo sempre a moda vinda de França, Espanha e Itália. ♦ Durante estes dois séculos ditaram-se os grandes brilhos, veludos, cores carregadas e exageradas, folhos, golas, brasões desenhados ao longo dos vestidos e corpetes e coroas simbólicas, sempre com a cintura e as suas formas muito vincadas.
  • 13.
  • 14. Vestuário Masculino ♦ Os reis e príncipes usavam grandes mantos, e roupas cobertas de pedras preciosas vindas do oriente e das novas descobertas. ♦ As roupas eram muito ricas e coloridas, com grandes folhos e pompas, chapéus e adornos brilhantes, geralmente de pedras preciosas que simbolizavam riqueza. ♦ Era ainda moda as luvas e as capas, que simbolizavam o poder e acreditava-se que dariam sorte.
  • 16. Vestuário do Clero Os membros pertencentes à ordem do Clero usavam hábitos próprios dessa ordem. Os Dominicanos vestiam um hábito branco. Os Franciscanos vestiam um hábito castanho. O clero secular tinha, como hoje tem, paramentos especiais, ou seja, vestuário próprio para as diferentes cerimónias religiosas.
  • 17.
  • 18. Vestuário do Povo ♦ O povo, alheio a modas vindas de outros países, usava apenas o fato de trabalho, com as cores vulgares e mortas de há muitos séculos atrás; ♦ Fazia as suas próprias roupas com os poucos recursos que dispunha.
  • 19. Vestuário séc. XVI ♦ A partir dos finais do séc. XVI, perde- se a moda das roupas coloridas e começa-se a usar o preto, sobreposto de bordado de cores claras, ouro e prata. Usam-se os decotes horizontais e as golas mais altas e sóbrias, admitindo uma pose mais rígida e elegante.
  • 21. Gastronomia Durante o séculos XV e XVI vinham muitas especiarias da Índia, o que permitia uma maior variedade de alimentação na corte; Concretizavam-se grandes banquetes, festas e espetáculos, tais como os autos de Gil Vicente, onde participavam todos os elementos da alta sociedade; As duas refeições mais importantes eram o jantar e a ceia.
  • 22.
  • 23. Gastronomia ♦ Possuíam grandes mesas, com variedade e cor, serviços de mesa trabalhados à mão, muitas vezes de cristal, ouro, prata e outras pedras preciosas. ♦ Os elementos base eram o vinho (que simbolizava o sangue de Deus), o pão (a sua carne), e a carne de animais caçados recentemente (riqueza).
  • 24.
  • 25. Gastronomia ♦Também faziam parte da alimentação carnes como o cabrito, o carneiro, o porco, a vaca, galinha, pato, ganso, pombo, faisão, pavão, rola, coelho e as carnes da época. Servia-se assada, cozida, estufada ou em caldeirada
  • 26. Gastronomia Os peixes mais comuns eram a sardinha, pescada, congro, sável, salmonete e lampreia; A fruta passava pelas cerejas, pêssegos e limões, embora fossem considerados muito ácidos.
  • 27. Inquisição ♦ A Inquisição é um tribunal católico que inicialmente foi utilizado para combater o sincretismo. ♦ A partir do séc. XI este tribunal começou a perseguir e a condenar os cristãos-novos, ou seja, aqueles que renegavam as suas religiões para aderirem ao cristianismo.
  • 28. Inquisição No decorrer do séc. XI foi criado o Index, uma lista de livros proibidos cuja circulação tinha sido controlada pela inquisição; Também no meio destes acontecimentos começou a praticar-se a censura: antes que algum livro ou artigo fossem publicados a censura impunha a revisão do mesmo, e se preciso, a sua anulação.
  • 29. Inquisição ♦ As peças teatrais de Gil Vicente, naquela altura obviamente iam ser alvo de censura, mas a rainha D. Leonor guardou-as, para evitar isso.
  • 30. GIL VICENTE ♦ Não se sabe exatamente quando e onde Gil Vicente nasceu. Os poucos indícios históricos registram seu nascimento entre 1465 e 1470, possivelmente em Guimarães, cidade portuguesa rica em artistas e artesãos. Foi ai que, provavelmente, ele aprendeu o ofício de ourives.
  • 31. GIL VICENTE ♦ Gil Vicente viveu a maior parte de sua vida em Lisboa, centro comercial e cultural de Portugal. De origem popular, não se sabe onde adquiriu a vasta e diferenciada cultura que marcou sua obra – todas, ou quase todas, afirmações sobre a vida do dramaturgo são suposições.
  • 32. O teatro de Gil Vicente ♦ Em Portugal, o grande nome do teatro no Humanismo (Século XVI) é Gil Vicente. Em 71 anos de vida, estima-se que tenha escrito cerca de 44 peças. Escrita em 1502, sua primeira peça foi o Auto da visitação, em homenagem à rainha D. Maria pelo nascimento de seu filho, o futuro rei D. João III.
  • 33. O teatro de Gil Vicente ♦ A obra de Gil Vicente não seguiu um padrão determinado. Não há sinal de que conhecesse o drama grego e não há registro histórico de um teatro leigo português pré-vicentino. Gil Vicente é, portanto, considerado o criador do teatro em Portugal.
  • 34. Teatro, crítica e humor ♦ Rico e variado, o teatro de Gil Vicente compõe um painel da época e do mundo em que viveu, fazendo uma dramaturgia crítica, ao mesmo tempo satírica e moralizante. Ou seja, as peças de Gil Vicente têm caráter moralizante e procuram tematizar os comportamentos condenáveis e enaltecer as virtudes.
  • 35. Teatro, crítica e humor ♦ A religião católica é tomada como referência para a identificação das virtudes e dos erros humanos. Mas, embora critique o comportamento mundano de membros da Igreja, a formação medieval faz com que as críticas de Gil Vicente sejam sempre voltadas para os indivíduos, jamais para as instituições religiosas.
  • 36. Teatro, crítica e humor ♦ Crítico mordaz, Gil Vicente não se curvou ao seu tempo. Bombardeou praticamente todos os setores da sociedade, poupando apenas as abstratas noções de instituição. Criticou a hipocrisia do clero, em nome da fé cristã. Desbancou a tirania da nobreza, em nome da justiça social. Condenou a corrupção dos burocrata, em defesa do bem público.
  • 37. Teatro, crítica e humor ♦ Gil Vicente foi um dramaturgo privilegiado. Desenvolveu sua arte com liberdade, sem se preocupar com a sobrevivência diária. Viveu com certa tranqüilidade, protegido e incentivado sob o regime de mecenato pelas Cortes dos reis de Portugal.
  • 38. Teatro, crítica e humor ♦ Sem fazer distinção entre os segmentos da sociedade, o teatro vicentino coloca no centro da cena erros de ricos e pobres, nobres e plebeus. O autor denuncia os exploradores do povo, como o fidalgo, o sapateiro e o agiota do Auto da barca do inferno; ridiculariza os velhos que se interessam por mulheres mais jovens, na farsa O velho da horta.
  • 39. Teatro, crítica e humor ♦ Enfim, o teatro vicentino traça um quadro animado da sociedade portuguesa do século XVI, procurando sempre, além de divertir, estimular um comportamento virtuoso.
  • 40. Teatro, crítica e humor ♦ O objetivo do teatro crítico e moralizante de Gil Vicente era demonstrar como o ser humano – independente de classe social, raça, sexo ou religião – é egoísta, falso, mentiroso, orgulhoso e frágil diante dos apelos da carne e do dinheiro.
  • 41. Teatro, crítica e humor ♦ Um recurso muito explorado por Gil Vicente é o uso de alegorias, ou seja, de representações , por meio de personagens ou objetos, de idéias abstratas, geralmente relacionadas aos vícios e virtudes humanas.
  • 42. As alegorias no teatro vicentino ♦ As alegorias facilitam o reconhecimento, por parte da platéia, do vício ou da virtude a que o texto quer fazer referência. Assim, no Auto da barca do inferno, o agiota traz consigo uma bolsa cheia de moedas que representa, alegoricamente, a sua ganância.
  • 43. Um teatro poético ♦ A linguagem da obra vicentina apresenta uma fusão do teatro com a poesia. Seus personagens expressam-se em versos. O padrão é a redondilha maior, verso (7 sílabas) típico de sua época. Sua rede textual é formada, ainda, por metáforas, trocadilhos, ironias, rimas e metrificação tradicionais.
  • 44. Temas sacros e profanos ♦ O teatro de Gil Vicente reflete tanto os costumes da época, como na Farsa de Inês Pereira; quanto o religioso alegórico, como no Auto da Barca do Inferno. Essa divisão caracteriza a idéia de um mundo em transição, própria do período Humanista, pois é centrada ora no homem, ora na religião (Idade Média X Renascimento).
  • 45. A obra de Gil Vicente ♦ AUTOS PASTORIS (ÉCLOGAS): Gênero a que pertence algumas das primeiras obras do autor. Algumas dessas peças têm caráter religioso, como o Auto pastoril português; outras, profano, como o Auto pastoril da serra da Estrela.
  • 46. A obra de Gil Vicente ♦ AUTOS DE MORALIDADE: ♦ Gênero em que Gil Vicente se celebrizou. Suas peças mais conhecidas são autos de moralidade, como é o caso da Trilogia das barcas (Auto da barca do inferno, Auto da barca do purgatório e Auto da barca da glória) e do Auto da alma.
  • 47. A obra de Gil Vicente ♦ FARSAS: ♦ Peças de caráter crítico, utilizam como personagens tipos populares e desenvolvem- se em torno de problemas da sociedade. As mais populares são a Farsa de Inês Pereira e a Farsa do velho da horta.
  • 48. OS COSTUMES ♦ Preocupado com a correção dos costumes, Gil Vicente adotava como lema uma famosa frase de Plauto, dramaturgo latino: “rindo, corrigem-se os costumes”.
  • 49. OS COSTUMES ♦ Gil Vicente escolhia como argumento para uma peça uma situação facilmente reconhecida pela platéia, como a do velho que se apaixona por uma mulher muito jovem (O velho da horta), para ridicularizar o comportamento condenado pelos valores da época.
  • 50. TEATRO EDUCATIVO ♦ O riso desencadeado pelas cenas revelava que o público identificava e censurava uma conduta socialmente inadequada. Assim, ao mesmo tempo que as peças vicentinas divertiam a nobreza, também contribuíam para educá-la.
  • 51. O Auto da barca do inferno
  • 52. O Auto da barca do inferno ♦ No Auto da barca do inferno, percebemos uma galeria de tipos humanos satirizados por Gil Vicente. Esses tipos são passageiros de duas barcas: uma delas é comandada pelo Diabo, e a outra, por um Anjo. Os passageiros, que estão mortos, são submetidos a um interrogatório, após o qual embarcarão rumo ao Inferno ou ao Paraíso (simulando o Juízo Final).
  • 53. O Auto da barca do inferno ♦ A maioria deles, condenada por seu comportamento, vai para a barca do Diabo, superlotando-a. São eles: um fidalgo, um sapateiro, uma alcoviteira, um padre e sua amante, um judeu, um enforcado, um agiota, um corregedor e um procurador.
  • 54. O Auto da barca do Inferno ♦ Apenas cinco passageiros – um parvo (indivíduo tolo, simplório) e quatro cavaleiros (representando um único tipo) – embarcam em companhia do Anjo. O parvo foi aceito pelo Anjo porque, se pecou em vida, o fez sem consciência, sem maldade. Já os quatro cavaleiros irão para o Paraíso porque morreram “pelejando por Cristo”.
  • 55. A farsa de Inês Pereira
  • 56. A farsa de Inês Pereira ♦ O mote (tema) da Farsa de Inês Pereira é dado pelo seguinte provérbio: “Mais quero asno que me leve, que cavalo que me derrube”. A heroína, Inês Pereira, embora pertença à classe popular, sonha com um marido “discreto”. Repele Pêro Marques, filho dum camponês rico, e casa com um escudeiro pobre, mas pretensioso, que a maltrata.
  • 57. A farsa de Inês Pereira ♦O marido, porém, morre na África, e Inês, ensinada desta vez pela dura experiência, desposa Pêro Marques e depressa aceita a corte dum falso ermitão (monge). Para cúmulo do embuste, é o novo marido que a leva ao eremitério e atravessa um rio com ela às costas.
  • 58.
  • 59. Farsa de Inês Pereira “Ficha Técnica” Tema: a ambição pessoal, a eleição de valores e as lições da experiência. Classificação: Farsa, isto é, forma cômica do teatro, com origem no teatro medieval, com certo tom burlesco e caricatural. É, normalmente, a pintura satírica da realidade quotidiana.
  • 60. Farsa de Inês Pereira Estrutura externa: A semelhança da maior parte das peças vicentinas, a Farsa de Inês Pereira não possui divisão cênica. No entanto, o andamento da intriga pressupõe duas grandes partes: Inês solteira e Inês casada, que por sua vez se subdividem em unidades mais pequenas. Base temática: A ação da farsa decorre dentro de uma coação temática, ou seja, a farsa resulta de um desafio instaurado a Gil Vicente por aqueles que duvidavam da sua originalidade. No entanto, a condicionante temática não prejudica a espontaneidade, o humor e a lógica.
  • 61. Farsa de Inês Pereira Inês Pereira: Inês pode ser tipificada como uma jovem casadoira, , ambiciosa e rebelde, que arremessa a costura com revolta e escolhe um marido “discreto” e bem- falante, que sabe cantar e tocar. No entanto, a vertente de personagem plana em breve será desconstruída, quando Inês se vê dominada por um marido tirânico, que a impede de cantar, falar ou ir à janela, dizendo: “Vós não haveis de mandar/ em casa somente um pêlo”. Inês reconhece que errou e estabelece um plano a que os acontecimentos irão dar realização. A viragem psicológica de Inês é extremamente expressiva e mostra a personagem em situação, que sabe reconsiderar, sem abatimentos ou queixumes, e que aprende as lições da experiência. Inês reage, aguardando o momento da vingança, que surge quando, morto o escudeiro, resolve casar com o pretendente que havia rejeitado, Pêro Marques, o asno que a leva onde ela quer…
  • 62. Farsa de Inês Pereira Inês Pereira (cont.): No entanto, se as personagens vicentinas não são senão disfarces particularizados de situações humanas generalizáveis, Inês já não é Inês. É alguém sem rosto, sem nome, sem idade e sem época que, por imprudência e ambição, cai na desgraça; que sabe esperar, que finalmente mostra que aprendeu a lição de vida, reconsidera e não repete o erro, pois “Sobre quantos mestres são/ experiência dá lição”. Então, podemos dizer que Inês deixa de ser a personagem para voltar a ser tipo de uma situação humana. Adaptado de F. Torrinha e A. Pires de Lima, Farsa de Inês Pereira de Gil Vicente, (…)