VISITA DOMICILIAR: TECNOLOGIA PARA O CUIDADO, O ENSINO E A                                PESQUISA                        ...
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  1. 1. VISITA DOMICILIAR: TECNOLOGIA PARA O CUIDADO, O ENSINO E A PESQUISA Wanda de Oliveira Lopes* Rosita Saupe** Aline Massaroli***RESUMOA visita domiciliar é uma prática antiga na área da saúde, e atualmente, está sendo resgatada em função dasnovas políticas públicas, que incentivam maior mobilidade do profissional. Mobilidade quer dizer o profissionaldeixar de ficar esperando as pessoas adoecerem e procurarem recursos, e atuar em seu entorno, detectandonecessidades, promovendo saúde e cuidado. Nesta perspectiva a visita domiciliar pode ser considerada comoum dos eixos transversais do sistema de saúde brasileiro, que passa pela universalidade, integralidade eeqüidade. Pode ser compreendida como um método, uma técnica e um instrumento. Como método se inscrevenas possibilidades das abordagens qualitativas; como técnica requer a interação e a comunicação comofundamentos; e como instrumento faz uso do planejamento e do registro. Exige plena concordância do usuário eestabelecimento de relação fundamentalmente orientada pelo diálogo e pela ética. Este artigo, embasado naliteratura e na experiência das autoras, propõe um conceito, um método e um instrumento, e sustenta aspossibilidades de uso da visita domiciliar como tecnologia para o cuidado, o ensino e a pesquisa em saúde.Palavras-chave: Visita Domiciliar. Tecnologia. Pesquisa. Ensino. Assistência à Saúde. um conceito e um modelo para sua concretização. INTRODUÇÃO O interesse em elaborar este artigo partiu da FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICAproposição de um projeto de pesquisa, origináriode necessidade detectada no território de sua Os maiores problemas de saúde que osrealização, quando optamos por utilizar a visita homens têm enfrentado sempre estiveramdomiciliar como técnica para a coleta de dados. relacionados com a natureza da vida emEm meio à busca por literatura para comunidade. Na Grécia (443 a.C.) jáembasamento teórico sobre este tema, tão encontramos relatos de médicos que percorriamutilizada pelas mais diversas profissões, as cidades prestando assistência às famílias, deespecialmente na área da saúde, deparamo-nos casa em casa, orientando-as quanto ao controle ecom a carência de fontes específicas que dessem à melhoria do ambiente físico, provisão de água,conta de elucidar tal temática em todos os alimentos puros, alívio da incapacidade e doaspectos que necessitávamos esclarecer. Em face desamparo(1).deste quase-vazio detectado na literatura e de Entre os anos de 1854 e 1856, em Londres,nosso propósito de responder ao objetivo de anteriormente ao surgimento das enfermeirascontribuir para a construção de conhecimento visitadoras, a prática da visita domiciliar eraem relação ao tema, abordamos a visita realizada por mulheres da comunidade, semdomiciliar a partir da trajetória histórica do muita instrução, que recebiam um salário doconceito; seguimos evidenciando suas Estado para educar as famílias carentes sobre ospossibilidades como tecnologia para o cuidado, o cuidados de saúde. Elas eram chamadas deensino e a pesquisa, e concluímos apresentando visitadoras sanitárias e a Sociedade de________________*Assistente-Social. Mestranda do Programa de Mestrado Profissionalizante em Saúde e Gestão do Trabalho, da Universidade do Vale do Itajaí(UNIVALI).**Enfermeira. Doutora. Professora da UNIVALI.***Acadêmica de Enfermagem da UNIVALI. Bolsista PIBIC/2007/2008. Cienc Cuid Saude 2008 Abr/Jun; 7(2):241-247
  2. 2. 242 Lopes WO, Saupe R, Massaroli AEpidemiologia de Londres era responsável por todo o país, os centros de saúde, os quais tinhamesse treinamento. Com o passar do tempo a como objetivo o tratamento da tuberculose e daexperiência mostrou que o sistema apresentava hanseníase e a diminuição da mortalidaderesultados positivos, o que levou os dirigentes infantil. Nesta assistência, desempenhavamdos distritos sanitários a considerarem que, se papel preponderante as visitas domiciliaresempregassem mulheres de educação superior - executadas por pessoal de nível médio(3).como médicas, enfermeiras e parteiras Como podemos observar, nos primórdios dadiplomadas - haveria uma otimização na visita domiciliar no mundo a preocupação estavaassistência aos pobres(2). mais centrada em evitar doenças e minimizar a No início do século XX, a enfermagem dor dos doentes do que propriamente emestava inserida em todas as instâncias promover a saúde, a valorização de seu contextoresponsáveis pela saúde pública nos Estados social e sua qualidade de vida. MaisUnidos. Essa tendência foi acompanhada pelos recentemente, no Brasil, usando da pesquisa-países da Europa e em menor grau por outros ação como método e o cuidado domiciliar comopaíses. No ano de 1951, nos Estados Unidos, técnica de coleta de dados, a visita domiciliarestavam em atividade 25.461 enfermeiras de passa a ser uma importante estratégia desaúde pública, das quais 12.556 trabalhavam cuidado, que mobiliza a participação da família ecom visitas domiciliares. As agências gera avanço do conhecimento(4).mantinham o trabalho das enfermeiras junto às Com a reorientação do modelo de atenção àcomunidades para atender aos seus problemas saúde preconizado pelo Sistema Único de Saúdecomo um todo, inclusive a prevenção da doença (SUS), podemos apontar a visita domiciliarmental(1). como um eixo transversal que passa pela No Brasil não foi muito diferente. Com a universalidade, integralidade e eqüidade. Écriação da Escola Profissional de Enfermeiros e também um espaço construtor de acesso àsEnfermeiras na cidade do Rio de Janeiro, a partir políticas públicas, através da relação que sedo Decreto n° 791, de 27 de setembro de 1890 estabelece entre os diferentes sujeitos dono Hospital de Alienados, as elites intelectuais processo. Para atingir este objetivo, tem-se nada época estavam convencidas de que, para prática da visita domiciliar um dos instrumentostransformar o Brasil em uma Nação, a única fundamentais para o entendimento da totalidadeestratégia possível seria a melhoria das dos condicionantes que afetam a vida docondições de saúde da população(3). Nesta cidadão(5).perspectiva, em 1918, Carlos Chagas, então Neste contexto, a visita domiciliar, entendidadiretor do Departamento Nacional de Saúde como método, técnica e instrumento, constitui-sePública, incentivou a criação de cursos e escolas, como um momento rico, no qual se estabelece oentre elas a de Enfermeiras Visitadoras, fundada movimento das relações, ou seja, a escutacom apoio da Fundação Rockefller em 1923(2). qualificada, o vínculo e o acolhimento, Em 1920, Amaury de Medeiros introduz, na favorecendo que os grupos familiares ouescola de enfermagem da Cruz Vermelha, um comunidades tenham melhores condições de securso de visitadoras sanitárias. Neste mesmo ano tornarem mais independentes na sua própriafoi criado o serviço de visitadoras como parte do produção de saúde. Importante ressaltar tambémserviço de profilaxia da tuberculose. Tal que a visita se estabelece in loco, permeando oiniciativa marca a inclusão da visita domiciliar lugar do seu cotidiano, do seu mundo vivido ecomo atividade de saúde pública, uma vez que o enfrentado, de acordo com sua visão de mundo.serviço fazia parte do Departamento Nacional de Atualmente, a visita domiciliar é utilizadaSaúde Pública. As visitadoras deveriam prestar pelos mais diversos profissionais, objetivandoassistência priorizando aspectos educativos de atender o indivíduo na sua integralidade. Daíhigiene e cuidado dos doentes. De acordo com decorre a importância de, nesta abordagem,os mesmos autores(3), o aparecimento do serviço trabalhar a interdisciplinaridade das profissõesde enfermeiras visitadoras no Brasil é marcado de forma fundamentada. É preciso desconstruir apelo objetivo da prevenção das doenças. imagem estereotipada de que visita é coisa deConcomitantemente, foram sendo criados, em leigos, cristalizada num empirismo desprovido Cienc Cuid Saude 2008 Abr/Jun; 7(2):241-247
  3. 3. Visita domiciliar: tecnologia para o cuidado, o ensino e a pesquisa 243de fundamentos. O ponto precípuo desta técnica de confiabilidade e esperança nos quais seé constituí-la e desenvolvê-la sobre bases éticas, produzem relações de vínculo e aceitação(7).humanas, mas também profissionais(6). A visita domiciliar reúne pelo menos três Usando um referencial que vem sendo tecnologias leves a serem aprendidas eincorporado na área da saúde(7), classificamos a desenvolvidas, as quais são: a observação,visita domiciliar como uma tecnologia leve-dura. indicando a atenção aos detalhes dos fatos eOs autores desta proposta, ao analisarem as relatos apresentados durante a visita; atecnologias em saúde, iniciam referindo que a entrevista, implicando o diálogo com a suapalavra tecnologia é comumente relacionada às devida finalidade e não apenas uma conversamáquinas e que este entendimento tem empírica; e o relato oral ou história, espaço ondedificultado bastante a nossa compreensão de que, as pessoas revelam como dão sentido às suasquando falamos em trabalho em saúde, não vidas, dentro dos limites e da liberdade que lhesestamos nos referindo apenas ao conjunto dos são concedidos(6).equipamentos ou tecnologias duras utilizadosnas intervenções diagnósticas ou terapêuticas. METODOLOGIAArgumentam ainda que é preciso olhar comatenção, pois o conjunto de intervenções O estudo compreendeu o desenvolvimento deassistenciais vai além das diversas máquinas três etapas sucessivas.utilizadas, como raios-x e instrumentos para Na primeira etapa se fez revisão darealizar exames de laboratório ou para examinar literatura(8-10), como subsídio para: ao paciente. Discursam que neste contexto compreensão da historicidade da visitavislumbra-se o saber profissional, seja este da domiciliar; sua classificação como tecnologiaclínica médica, da clínica do dentista, do usada na área da saúde; a delimitação deenfermeiro, do psicólogo, do assistente social ou subsídios para a fundamentar a proposição deoutros. Esta perspectiva nos permite dizer que há um conceito; e a identificação de descritoresuma tecnologia menos dura do que os aparelhos para a construção de um roteiro visando orientare equipamentos propriamente ditos, utilizados na a realização de visitas domiciliares. A segundaprática. etapa consistiu na proposição de um conceito de No conjunto de equipamentos, instrumentos e visita domiciliar. Na terceira etapa buscou-se asaberes profissionais está presente a tecnologia construção de um roteiro para visita domiciliar.leve-dura: leve por conter um saber que aspessoas adquiriram e que está inscrito na suaforma de pensar as situações de saúde e na sua RESULTADOSmaneira de organizar uma atuação sobre elas; edura na medida em que é um saber-fazer bem- Diante da inexistência de um conceito deestruturado, bem-normalizado e bem- visita domiciliar que atendesse às nossasprotocolado. Além destas duas situações necessidades e dos estudos que estamostecnológicas abordadas, ainda trabalhamos com realizando, propomos, com fundamento naa tecnologia leve, ou seja, aquela que se produz literatura consultada, que a visita domiciliar, naatravés do trabalho vivo, entendido como área da saúde, seja entendida como oprocesso das relações. Entende-se esta deslocamento do profissional até o domicílio dotecnologia como um encontro entre pessoas que usuário, com as finalidades de atenção à saúde,atuam umas sobre e com as outras, criando aprendizagem ou investigação. Pode serespaços de intersubjetividade, onde acontecem considerada como um método, uma tecnologia eos momentos das falas, escutas e interpretações, um instrumento. O método se inscreve comonos quais há a produção de uma acolhida ou não possibilidade nas abordagens qualitativas; comodas intenções que estas pessoas colocam neste tecnologia leve-dura requer competênciaencontro. São momentos de possíveis (saberes, habilidades e atitudes)(11),cumplicidades, nos quais pode haver a produção especialmente quanto à interação, à observação ede uma responsabilização em torno do problema à comunicação; e como instrumento, faz uso doque vai ser enfrentado, ou mesmo de momentos planejamento e do registro, orientado por um roteiro. Exige plena concordância do usuário e o Cienc Cuid Saude 2008 Abr/Jun; 7(2):241-247
  4. 4. 244 Lopes WO, Saupe R, Massaroli Aestabelecimento de relação fundamentalmente profissionais comprometidos com aalicerçada pela ética. consolidação do SUS, que o resgate histórico e Podemos afirmar que planejamento, roteiro conceitual com fundamentação na literaturade orientação e registro do conteúdo da visita apresente uma proposta que possa contribuirdomiciliar são considerados procedimentos também com a prática, integrada ao ensino e àimportante pelos autores consultados(6,12). A pesquisa.sistematização dos relatos orais, das Partimos do modelo que temos utilizadoobservações, encaminhamentos e conclusões como diário de campo, pois o domicílio, quandoobtidas deve estar presente no registro da visita e disponibilizado pela família, representa, emser incluída entre os documentos que historiam o nosso entendimento, uma continuidade doatendimento da família ou das pessoas campo de trabalho, de ensino-aprendizagem e deindividualmente. A importância e eficácia da pesquisa. O diário de campo é “o relato escritovisita domiciliar para o desenvolvimento da daquilo que o investigador OUVE, VÊ,saúde da família incluem obrigatoriamente o EXPERIENCIA E PENSA no decurso daregistro detalhado da mesma(12). recolha e refletindo sobre os dados de um estudo Não há consenso quanto ao tipo de qualitativo”(14:150).instrumento a ser utilizado, independentemente O guia para orientação dos registros emda finalidade da visita domiciliar. Encontramos diário de campo da visita domiciliar, a seguirindicação que considera a simplificação como apresentado, deve ser ajustado a cada situaçãofundamental - uma prancheta, um bloco de notas particular, excluindo ou ampliando o número dee uma caneta seriam suficientes(12); mas itens a serem abordados. Basicamente precisaencontramos também a defesa rigorosa de que, incluir(6,12,14):além do instrumento sistematizado, é importante 1. dados de identificação: data; hora de inícioa existência de um guia para sua utilização(13). e de término da visita; nome e registro do Nossa experiência nos encaminha para uma usuário ou família; endereço completo composição intermediária. Nos casos de visitas que ponto de referência no bairro, podendo incluirse constituem rotina dos serviços de saúde, o uso mapa indicativo e descrição detalhada do motivode instrumentos com muitos itens e da visita;detalhamento excessivo conduz, com freqüência, 2. planejamento da visita: objetivos esomente ao desperdício, pois inúmeras atividades a serem desenvolvidas;informações não são preenchidas, gerando um 3. a parte descritiva, compreendendo:vazio de dados necessários à discussão com os 3.1. retratos dos sujeitos: aparência física;usuários do sistema de saúde, para tomada de maneira de vestir; maneirismos; estilo de falar edecisão de condutas sobre suas vidas e também a agir (procurar aspectos particulares das pessoasvalidade de se manter um serviço tão que as diferenciem);dispendioso. Por outro lado, quando a visita 3.2. reconstrução dos diálogos: conversas edomiciliar tem uma função de aprendizagem, depoimentos (usar paráfrases e citações nasendo realizada por alunos, ou quando os dados íntegra);serão utilizados em pesquisa, consideramos 3.3. descrição do espaço físico: usar desenhosnecessária a existência de guias e instrumentos a lápis do espaço e do arranjo da mobília;que dêem conta também destes objetivos. Temos descrição usando TODOS os sentidos;observado que, por não se tratar de uma rotina 3.4. relato de acontecimentos particulares;em seu cotidiano, diferentemente dos listagem de quem esteve envolvido notrabalhadores vinculados aos serviços de saúde, acontecimento, de que maneira e qual a naturezaos alunos, independentemente do nível do curso da ação;- graduação ou pós-graduação -, apresentam 3.5. descrição detalhada de atividades e designificativas dificuldades. “O que devo anotar?” comportamentos;- é a pergunta que emerge com insistência. 3.6. comportamento do observador, que Por outro lado, sendo a visita domiciliar uma também é objeto de investigação; modo dedas tecnologias que dão sustentação à estratégia vestir, ações e conversa com os sujeitos; atençãode saúde da família, é importante para nós, como ao seu comportamento, suposições e tudo que Cienc Cuid Saude 2008 Abr/Jun; 7(2):241-247
  5. 5. Visita domiciliar: tecnologia para o cuidado, o ensino e a pesquisa 245possa afetar os dados que são recolhidos e se pensa estar aprendendo, que se pretende fazeranalisados. a seguir e qual o resultado do estudo que se está Aqui fazemos uma observação referente à realizando;reconstrução dos diálogos, no sentido de que, 4.1. reflexões sobre a análise: deve-semesmo sendo constituídos de depoimentos especular sobre o que se está aprendendo, ossigilosos, eles precisam ser registrados, até para temas que estejam emergindo, padrões quenão se perderem de vista todas as informações podem estar presentes, conexões entre pedaçosnecessárias para o acompanhamento da família de dados, adição de idéias e pensamentos que lhepela equipe de saúde. Só assim os profissionais ocorrem;envolvidos poderão programar as intervenções 4.2. reflexões sobre o método: abordarde modo mais efetivo e resolutivo. A clareza e a procedimentos e estratégias empregadas nodescrição das informações são primordiais para estudo e decisões tomadas sobre o plano deo sucesso destas intervenções. À medida que a estudo;visita vai se desenrolando, seu conteúdo vai 4.3. reflexões sobre conflitos e dilemasganhando detalhamento e profundidade, vínculos éticos: preocupações relacionadas com a vidavão se estreitando, as falas vão surgindo e o dos sujeitos e seus valores;registro é necessário(6). Pressupomos que o 4.4. reflexões sobre o ponto de vista doacesso às informações fornecidas pelas famílias observador: preconceitos e rupturas;seja possibilitado à equipe de profissionais que 4.5. pontos de clarificação: outrosestão inseridos no trabalho da visita domiciliar, comentários;desde que respeitado o cuidado, que deve estar 5. memorandos: fragmentos de pensamentospresente em cada história e contexto familiar. que, de tempos em tempos, e não como parte deEnfatizamos também que a ética profissional um conjunto particular de notas, o investigadordeve fazer parte do cotidiano de trabalho de cada escreverá como reflexões adicionais;profissional, aspecto que não é diferente nesta 6. Avaliação da visita: aspectos objetivos esituação. subjetivos; informações para planejamento da A descrição do espaço físico na visita próxima visita.domiciliar é, de igual forma, um aspecto O registro destas informações, reflexões eimportante para fazermos constar nos nossos ações deve ser efetuado em instrumento próprio.registros, afinal, “tudo na visita fala”(6:38). É Este instrumento pode ser oficial, quandonecessário que durante a visita façamos um institucionalizado, ou construído conforme a“retrato” do local, para que depois possamos necessidade de sua aplicação e como orefletir sobre esta realidade, pois nem sempre profissional que vai aplicar o instrumento seserá possível lembrar-nos de detalhes que sentir mais confortável, no caso de ensino ouaparentemente podem parecer pequenos, mas pesquisa. Recomendamos um modelo do tipopossuem grandes significados. Nesta direção, a quadro ou tabela, que concentre cada aspecto emmobília da casa, as falas e emoções manifestas um campo próprio. Fundamentalmente, deveou veladas, carregam mensagens que devem ser conter todos os aspectos incluídos no guia paraobservadas e consideradas na interpretação e orientação dos registros em diário de campo daanálise que se desenvolverão a partir da visita. visita domiciliar, mas adaptado a cada situação,Destarte, construir a memória da visita, em todos seja de cuidado, seja como componente doos sentidos, é primordial para o estudo, avaliação processo formativo de estudantes ou pesquisa ee abordagem de cada situação(6). investigação. Continuando a enumerar os itens que devemconstar no registro, temos: CONSIDERAÇÕES FINAIS 4. parte reflexiva: relato pessoal; ênfase naespeculação, sentimentos, problemas, idéias, O resgate histórico da visita domiciliar comopalpites, impressões e preconceitos; a tecnologia leve-dura de ampla utilização na áreaimportância de confessar os próprios erros, as da saúde, detectou a necessidade desuas inadequações, os seus preconceitos, os seus desenvolvimento de estudos que ofereçamgostos e aversões e especular acerca daquilo que maior suporte científico, tanto conceitual quanto Cienc Cuid Saude 2008 Abr/Jun; 7(2):241-247
  6. 6. 246 Lopes WO, Saupe R, Massaroli Ametodológico. Sua indicação enquanto método, operacionalização da prática profissional, indotanto educacional (formação dos profissionais e ao encontro do novo modelo de atenção à saúde,educação em saúde) quanto de assistência proposto pelo SUS.(diagnóstico de demandas e cuidados das É considerável o desafio de implementar epessoas e famílias) e pesquisa (investigação e consolidar um novo olhar e redirecionamentoavaliação de programas junto à comunidade), para a prática da visita domiciliar estruturada sobevidencia a importância de sistematização e uma visão mais crítica e reflexiva de trabalho. Édivulgação dos resultados obtidos. Esta neste movimento - de ensino e aprendizagem,revitalização da visibilidade da visita domiciliar instrumentalização, modos de trabalhar,mobilizou as autoras a contribuírem para este investigação - que vimos ser extremamenteprocesso, sugerindo um conceito e um modelo necessário que os profissionais de saúde separa planejamento e registro, que agora pode ser proponham a rever e repensar a visita domiciliartestado e revisto, conforme seu uso vá como uma tecnologia de trabalho na qual semostrando suas possibilidades e limites. desvelam e se vislumbram diferentes modos de Buscamos ressignificar a visita domiciliar se organizar os processos de nosso agir empara a prática dos serviços de saúde e valorizá-la saúde.como estratégia fundamental na consolidação eHOME VISIT: TECHNOLOGY FOR CARE, TEACHING AND RESEARCHABSTRACTHome visit is an ancient practice in the health area that is nowadays being rescued in view of new state policiesthat promote higher mobility from the professional. Within this perspective, home visit can be considered as thetraversal axis of the Brazilian health system that goes through the universality, integrality and equity. It can beunderstood as a method, a technique and an instrument. As a method, it inscribes itself within the possibilities ofqualitative approaches; as a technique, it requires interaction and communication as fundaments; and, asinstrument, it makes use of planning and registers. It requires full agreement from the user and the establishmentof a relation which is essentially guided by dialogue and by ethics. This article, based on the literature and on theexperience of the authors, proposes a concept, a method and an instrument; besides, it supports the possibilitiesof use of home visit as a technology for care, teaching and research on health.Key words: Home Visit. Technology. Research. Teaching. Delivery of Health Care.VISITA DOMICILIARIA: TECNOLOGÍA PARA EL CUIDADO, LA ENSEÑANZA Y LAINVESTIGACIÓNRESUMENLa visita domiciliaria es una práctica antigua en el área de la salud, y que, hoy día, está siendo rescatada enfunción de nuevas políticas públicas que incentivan mayor movilidad del profesional. Movilidad quiere decir, elprofesional deja de quedar esperando que las personas se enfermen y buscam recursos, y actúan en su entorno,detectando necesidades, promoviendo salud y cuidado. En esta perspectiva, la visita domiciliaria puede serconsiderada como uno de los ejes transversales del sistema de salud brasileño, que pasa por la universalidad,integridad y equidad. Puede ser comprendida como un método, una técnica y un instrumento. Como método, seinscribe en las posibilidades de los abordajes cualitativos; como técnica, requiere la interacción y la comunicacióncomo fundamentos; y, como instrumento, hace uso del planeamiento y del registro. Exige plena concordancia delusuario y el establecimiento de relación fundamentalmente orientada por el diálogo y por la ética. Este artículo,fundamentado en la literatura y en la experiencia de las autoras, propone un concepto, un método y uninstrumento, y sustenta las posibilidades de uso de la visita domiciliaria como tecnología para el cuidado, laenseñanza y la investigación en salud.Palabras clave: Visita Domiciliaria. Tecnología. Investigación. Enseñanza. Prestación de Atención de Salud. Rev Eletr de Enferm [serial on the Internet]. 2002; [cited REFERÊNCIAS 2007 May 29]; 4(2);36-41. Disponível em: http://www.fen.ufg.br/revista/revista4_2/pdf/visita.pdf.1 Reinaldo MAS, Rocha RM. Visita Domiciliar deenfermagem em saúde mental: idéias para hoje e amanhã. Cienc Cuid Saude 2008 Abr/Jun; 7(2):241-247
  7. 7. Visita domiciliar: tecnologia para o cuidado, o ensino e a pesquisa 2472 Rosen G. Uma história da saúde pública. São Paulo: 8 Cervo AL, Bervian PA. Metodologia científica: para usoHucitec; 1994. dos estudantes universitários. São Paulo: McGraw-Hill;3 Souza CR, Lopes SCF, Barbosa, MAA. A contribuição do 1986.enfermeiro no contexto de promoção à saúde através da 9 Pimentel A. O método da análise documental: seu usovisita domiciliar. Rev UFG [serial on the Intenet]. 2004; numa pesquisa historiográfica. Cad Pesquisa.[cited 2007 May 29]; 6(esp). Disponível em 2002;(114):179-195.http://www.proec.ufg.br/revista_ufg/familia/G_contexto.ht 10 Salvador AD. Métodos e técnicas de pesquisaml. bibliográfica: elaboração de relatórios de estudos4 Andrade OG, Apda R, Rodrigues P. Abordagem holística científicos. 6a ed. Porto Alegre: Sulina; 1977.do sistema de cuidado familiar do idoso com acidente 11 Saupe R, Benito GAV, Wendhausen ALP, Cutolo LRA.vascular cerebral. Ciênc Cuid Saúde. 2002;1(1):193-199. Conceito de competência: validação por profissionais de5 França SP, Pessoto UC, Gomes JO. Capacitação no saúde. Saúde Rev. 2006;8(18):31-37.Programa Saúde da Família: divergências sobre o conceito 12 Queiroz VM, Egry EY. Modelo de plano de visitade visita domiciliar nas equipes de Presidente Epitácio, São domiciliária. Rev Esc Enferm USP. 1983;17(3):205-11.Paulo. Trab Educ Saúde. 2006;4(1):93-108. 13 Amaro S. Visita domiciliar: uma técnica de revelação da6 Amaro S. Visita Domiciliar: guia para uma abordagem realidade. [online]. 2007 [cited 2007 May 29]. Disponívelcompleta. Porto Alegre: AGE; 2003. em: www.pucrs.br/eventos/sbpc/uergs/ficina/001.doc7 Merhy EE, Onoko R, editores. Agir em saúde: um desafio 14 Bogdan RC, Biklen SK. Investigação qualitativa empara o público. São Paulo: Hucitec; 2007. educação. Porto (Portugal): Porto; 1991.Endereço para correspondência: Wanda de Oliveira Lopes - Rua Marechal Floriano Peixoto, 780, apto 22 -Jardim Blumenau - Blumenau/SC. E-mail: wanda_ol@yahoo.com.brRecebido em: 07/04/2008Aprovado em: 29/05/2008 Cienc Cuid Saude 2008 Abr/Jun; 7(2):241-247

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