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Rua Frei Luis, 100
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Psicologia social parte 1
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Psicologia social parte 1

  1. 1. ~ :::::s EV") V") .,.......... V") ~ co '0 .~ a. ~ ~ E ~ V") co ~ Q) -~ ~ co a - :::::5 1/) ~ ~ ·:;: ~ ~ ~ Q) 1---J .... a :::::5 < 0 c.::: ~ :::S ~ /'""'. '-' -- a-., ~ ,..... .......... ~ --ICO .2" '0 w "" --.._ .._ - ~ --- ~ - ~ --""N - - -- -- --.,...._ ------
  2. 2. Psicologia Social cLllll manual consagrado, que deve seu grande sucesso a uma combina~ao feliz de duas caracterfsticas essenciais para toda obra que pretende tornar-se referencial em sua area: a fundamenta~ao te6rica e cientffica, de um lado, e a experiencia pratica academica, de outro. Desde as primeiras edi~oes - que inicialmente foram elaboradas apenas por Aroldo Rodrigues, e foram engrandecidas, em seguida, com a contribui~ao de dois ex- alunos seus, Eveline Maria Leal Assmar e BernardoJablonski, igualmente professores da disciplina de Psicologia Social- a obra apresentou-se com inegavel qualidade de conteudo, atendendo aos objetivos da disciplina e estruturando-se como um manual de enfoque l(~eido e objetivo, lido por milhares de estudantes no Brasil e nos pafses de lingua portuguesa e espanhola desde o inido dos anos J970. Apesar de suas muitas edi~oes, os autores souheram nao apenas manter a ohra atual, como inserir nela os r!'sultados das pesquisas mais n•t't'lll('S da cicncia psico16gica, de tnmlo qu(' os ldtores se IU"ndklitsst•m d(' uma obra sempre n·h·n'llrial. I'm outro lado, rom a utilita~ao tla~ t•tli~ot·s t'lll suas ,Hila~ , o~ anton·~ putlt•ranl ohst•rvar .tn·a~;lo tlo~ ah1110~ t' a .tpllt'ahilltlatlt• tlo lt',lo, ohtt•lulo Psicologia Social
  3. 3. Dados Internacionais de Cataloga~ao na Publica~ao (CIP) (Camara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Rodrigues, Aroldo, 1933- Psicologia Social I Aroldo Rodrigues, Eveline Maria Leal Assmar, Bernardo Jablonski.- 27. ed. revista e ampliada. Petr6polis, RJ :Vozes, 2009. Bibliografia. ISBN 978-85-326-0555-9 l. Psicologia Social I. Assmar, Eveline Maria Leal. II. Jablonski,Bernardo. Ill. Titulo. 99.5232 CDD.302 indices para catalogo sistematico: l. Psicologia Social 302 Aroldo Rodrigues, Ph.D. Eveline Mario Leal Assmor, Dr. Bernardo Jablonski, Dr. Psicologia Social lh EDITORA Y VOZES Petr6polis
  4. 4. © 1972, 2000, Editora Vozes Ltda. Rua Frei Luis, 100 25689-900 Petr6polis, RJ Internet: http://www.vozes.com.br Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta obra podeni ser reproduzida ou transmitida por qualquer forma e/ou quaisquer meios (eletronico ou mecanico, incluindo fotoc6pia e grava<;ao) ou arquivada em qualquer sistema ou banco de dados sem permissao escrita da Editora. Diretor editorial Frei Antonio Moser Editores Ana Paula Santos Matos jose Maria da Silva Udio Peretti Marilac Loraine Oleniki Secretario executive joao Batista Kreuch Editorar,;ao: Maria da Concei<;ao Borba de Sousa Projeto gnifico: AG.SR Desenv. Grafico Capa: Omar Santos ISBN 978-85-326-0555-9 Editado conforme o novo acordo ortognifico. Este livro foi composto e impresso pela Editora Vozes Ltda. Dedicat6rias A mcu pai ALBERICO DA CUNHA RODRIGUES, numa homenagem profundamente sin- ' na de admira<;ao e agradecimento por ele ter sido como foi. ro/do Rodrigues meu pai, EDUARDO ASSMAR, urn homem de visao, meu eterno admirador, porter sa- hldo antever meus caminhos na vida e me preparado para caminha-los. I vrline Assmar lllt'U pai PIOTR JABLONSKI, urn exemplo de persistencia e de amor avida, porter so- Ill t•vivido aos campos de concentra<;ao na Segunda Grande Guerra e porter recome<;a- dn do zero a vida no Brasil. llrr 11£11 do Jablonski
  5. 5. Sumario l'tt/llrlo, 9 1111 ' 1 - lntrodu~ao , 11 I l'..,icologia Social: conceito; Psicologia Social Cientifica, pllra~·~)cs da Psicologia Social e Tecnologia Social; Breve hist6rico, 13 1 Mctodos de investigar,;ao em Psicologia Social, 32 11 II' II - Entrando em contato como ambiente social, 51 < ogni<,;ao social, 53 A1i1uucs: conceito e formar,;ao, 81 '· Mudanr,;a de atitude, 113 11 It' Ill - Intcragindo com os outros, 133 f1 I'IITOnceito, estere6tipos e discriminar,;ao, 135 . <..onfonnidade e persuasao, 164 II Comportamento antissocial: a agressao, 188 11 < omportamento pro-social: o altrufsmo, 227 Hl 111..,1 ic.;a nas relar,;oes sociais, 269 I I i 1rac.;ao interpessoal, 306 11.. <.t~upos sociais, 345 1111 IY i plicar,;oes da Psicologia Social, 391 I I Algumas areas de aplicar,;ao da Psicologia Social, 393 lttlttdlrr Mcnsura~ao das atitudes, 419 11•/r rrttt/11 /Jihliograficas, 427
  6. 6. Prcfacio p11111Cira edi ~ao de Psicologia Social veio a lume em 1972. Sendo assim, ha mais •.It '1.UI<l'> C!>la obra tern sido prestigiada por professores de psicologia social em todo t' l1o~ •, ll t' mcsmo no estrangeiro, atraves da versao espanhola. Durante todos estes anos 111III Lu1·., de alunos tern encontrado em Psicologia Social sua principal fonte de infor- 11 1"1~ :11 .,ohrc cste setor da psicologia. Os autores sentem-se obviamente muito lisonjea- '·''''• plio ..,uccsso alcan~ado por sua obra, mas esse fato os leva a nao poupar esfor~os 1111 •.t nlldo de mante-la atualizada e de aperfei~oa-la e adapta-la mais e mais aos inte- ,,.., do.., alunos. Esta nova edi~ao reflete tais esfor~os e prop6sitos. I1m de tornar os capitulos mais especificos, alguns deles foram desmembrados. 1 I tllllgo capitulo l focaliza apenas o conceito de Psicologia Social, e a parte relativa a 1111tndo., constitui agora o capitulo 2. Tambem o longo capitulo 3 da edi~ao anterior '''"' .u11udes foi desmembrado. Conceito e forma~ao de atitudes sao tratados no capi- ltilll I dt•sta nova edi~ao eo capitulo 5 e inteiramente dedicado a processos e tecnicas ,,, 11t11danc;a de atitude. 0 capitulo sobre comportamento dos grupos foi totalmente re- lt•llllld;ldo. Iodos os capitulos foram atualizados e aperfei~oados . Esperamos que este manual i •llllilllll' a receber o apoio que tern recebido nestas varias decadas e que os que nele se lltiC i,ull em psicologia social obtenham uma visao precisa e atual da psicologia social o_kttlllica. Aroldo Rodrigues Eveline Assmar Bernardo Jablonski Rio de janeiro, maio de 2008 E eis aqui todo o prefacio. Estou completamente de acordo convosco que ele e superfiuo, mas, ja que esta escrito, deixemo-lo ficar. Dostoievski, F. Os Irmaos Karamazov. Q
  7. 7. UJ 1- c::: < - 0 tC lloJI) ::;) -c 0 --c:
  8. 8. 1 Psicologio Social: conceito; Psicologio Social Cientlfico, Aplico~oes do Psicologio Social eTecnologio Social; Breve hist6rico Uma pessoa e uma coisa muito complicada. Mais complicado do que uma pessoa, s6 duas. Tres, entao, e um caos, quando nao e um drama passional. Mas as pessoas s6 se definem no seu relacionamento com as outras. Ninguem eo que pensa que e, muito menos o que diz que e [...]. Ou seja, ninguem e nada sozinho, somas o nosso comportamento com o outro. Luiz Fernando Verissimo ctue e Psicologia Social? l''>irologia social e o estudo cientifico da influencia reciproca entre as pessoas ti111 r·r;u,;ao social) e do processo cognitivo gerado por esta interac;ao (pensamento so- riul) Aexcec;ao da figura legendaria de Robinson Crusoe e de eremitas, to@s os ser§ lrttlll.tiiOS vivemos em constante processo de dependencia e interdependencia em rela- ~il·• ,,11ossos semelhantes. Urn aperto de mao, uma reprimenda, urn elogio, urn sorriso, 11111 o.,tmples olhar de uma pessoa em direc;ao a outra suscitam nesta ultima uma respos-_ 1.1 qtH' caracterizamos como social. Por sua vez, a ~sposta emitida servira de estimulo ,, pr'>'>Oa que a provocou, gerando por seu turno urn outro comportamento desta ulti- !11,1, r·stabelecendo-se assim o processo de interac;ao social. Fsta ac;ao mutua afeta, de uma forma ou de outra, pensamentos, emoc;oes e com- 1"11 t.unentos das pessoas envolvidas. Seja diretamente, como no exemplo acima, seja IIHitretamente, como ocorre na midia, atraves de alguma campanha publicitaria. Aqui, tn rucas de persuasao sao empregadas para que o leitor (ouvinte ou telespectador) 11111de de marca de sabonete, se disponha a levar seus filhos a urn posto de vacinac;ao, 1111 ate, em periodos pre-eleitorais, incline-sea dar seu voto a determinado candidato. Mais interessante ainda e o fato de que a expectativa com relac;ao ao comporta- rurnto do outro (ou a seus pensamentos ou sentimentos) pode igualmente modificar nossas ac;oes. Os psic6logos clinicos costumam brincar, dizendo que seus pacientes ncur6ticos sofrem antecipad~ente por coisas que nunca lhes sucederao de fato. 1ssim, se voce espera uma reac;ao negativa de alguem, e bern possivel que voce inicie a tntcrac;ao de forma agres~. Vamos supor que voce tenha ido a uma butique, e que, ao 13
  9. 9. 1lu·g.u 1'1111.1'>.1, dt''>t lll)l.l 11111 pequt·no dl'letlo de lah11n u,;:to IIii IOil! HIro111prada. Nada ntal'> natural que voltar aloja c trocar o produto. Mas sc voc~ c tl111ido, ou acha que a vcndcdora tentou Ihe enganar de prop6sito, ou que nao acreditara que a roupa ja esta- va com defeito, voce exibira rea~oes bern diferentes. No caminho de volta aloja, voce podera fantasiar uma recep~ao negativa e ja chegar la adotando uma postura franca- mente aversiva. Mas, para sua surpresa, e bern capaz de a vendedora lhe pedir descul- pas pelo transtorno e amavelmente lhe oferecer outra pec;:a em troca. Este exemplo nos mostra que a expectativa pode ser tao ou mais importante em termos de influencia do que o comportamento real do outro. Simultaneamente a manifestac;:oes comportamentais, processos mentais superio- res (expectativa, pensamento,julgamento, processamento de informac;:ao, etc.) sao de- sencadeados pelo processo de interac;:ao e caracterizam o que se convencionou chamar de pensamento social, ou seja, os processos cognitivos decorrentes da interac;:ao so- cial. Nos capitulos 2 e 3 serao descritos os principais processos cognitivos derivados da interac;:ao entre as pessoas. lnterac;:ao humana e suas consequencias cognitivas e comportamentais consti- tuem, pois, o objeto material da Psicologia Social, ou seja, aquilo que a Psicologia So- cial estuda. 0 objeto formal da Psicologia Social, ou seja, a maneira pela qual ela estu- da seu objeto material, eo metoda cientifico. Metoda cientifico e toda atividade con- ducente adescoberta de urn fato novo orientada pelo seguinte paradigma: teoria -1- levantamento de hip6teses -1- teste empirico das hip6teses levantadas -1- analise dos dodos colhidos -1- confirmac;ao ou rejeic;ao das hip6teses -1- generalizac;ao ;f_Vimos ate agora que a Psicolog~ Social estuda os fen6menos sociais comporta- mentais e cognitivos decorrentes da interac;:ao entre pessoas, e que o faz atraves da uti- liza~ao do metodo cientifico. Para completar a conceituac;:ao do que seja Psicologia So- cial, convem acrescentar-se uma outra caracteristica: o caniter latitudinal ou situacio- 14 11111 d1tln1i11H 1111 Jl'>lni'>'>IH ul A1 11''>11 1111' .,,. .und.t qu(' tat'> laton·-. siluar ional'> dt•vcm 11 1 ,, 1.u.lrlt'll'>ltra dt• e-.ttnltdo.., '>Ol'l,1'>. 0 u>ntpoltaiiH.'IILO "procurar a sombra num 1llt d1 Ioiii' calor" c Llll1 comportamcnto c.litado por latorcs si tuacionais, mas dificil- JX 1111 1111 '>I' co n..,idcraria tal ativic.laclc como scndo um componamcnto social. Este mes- IIIIIIIIIIIJlOrLamcnto de cvitar o sole abrigar-se asombra de uma arvore poderia ser urn ••IIIIHIII.uncnto social caso os fatores situacionais por ele responsaveis fossem u~u 11111.1 l,onthi na<,;ao, dos scguintes: receio de que outras pessoas considerassem idiotice 11(i lll.llll'l'l'l" no sol quando havia uma confortavel sombra a dois metros de distancia; d• .1 1o de cv itar a transpirac;:ao que o sol suscitaria em virtude da necessidade de man- ti 1 ,, .l'>'>eado para urn encontro iminente; apreensao com a atribuic;:ao de frivolidade ol• .1 111 de cxibir uma cor bronzeada para efeitos esteticos) que pessoas observando a Ptllll.tiiC'Itcia do individuo ao sol poderiam fazer. Nestes ultimos casas, o-SQ_mporta- ilil'lllll de csquivar-se do sole dirigir-se para a sombra seria, sem duvida, urn compor- ltlittl 1110 -.ocial e nele se verificaria nitidamente a relevancia dos fatores situacionais a (!Ill till'> rdcrimos, fatores estes de caracteristica latitudinal ou horizontal, em vez de I• lllflllldi nat ou vertical. Nao quer isto dizer que fatores longitudinais (experiencias l'd'i'o.tda-., ratores hereditarios, caracteristicas de personalidade) nao influam no com- 1"nt.tllll'nto social da pessoa. Influem e muito. Quando o psic6logo social os conside- ' '' 111d.1via, o faz ciente de que esta utilizando uma variavel de personalidade que inte- lll!ll.t rom variaveis situacionais na explicac;:ao de urn determinado comportamento. i 111 11111 ras palavras, ele recorre a ensinamentos emanados do estudo do dinamismo da I" 1oiiiHtlidade individual a fim de verificar as interac;:oes das variaveis individuais com ti lolllll'l'S situacionais. 0 que caracteriza o aspecto social do comportamento estuda- h• lllllludo, e a influencia de fatores situacionais. I l e<;tudo de Zimbardo (1975) acerca das reac;:oes de individuos normais expostos a 11111.1..,,1ua~ao de encarceramento e urn excelente exemplo do poder de atuac;:ao das varia- "' -.11uacionais. Num dos mais famosos e controvertidos experimentos da hist6ria da 1'·.11 11logia Social, Zimbardo criou, em 1973, uma especie de prisao onde 24 participan- tI·• l111 am alocados, metade como prisioneiros, metade como policiais. Programado para I ' 1lia'>, o experimento nao chegou a durar uma semana: o que era para ser uma simula- "1I11 ncional transformou-se num verdadeiro drama, em que os atores perderam de vis- I ll '·I II'> papeis passando a atuar como prisioneiros ou guardas reais. Entre os resultados iit• .pnados, observaram-se casos de violencia, depressao, ameac;:as, distorc;:oes percepti- ';P• ll'mporais, sintomas psicossomaticos, abuso do poder e crueldade. Como rapazes de ' l.t••.,r media, sem antecedentes criminais ou alterac;:oes de personalidade - conforme o p11 1l11o por uma bateria de testes psicol6gicos aplicada- puderam em tao pouco tempo 111111l.1r pensamentos e sentimentos, alterando valores de toda uma existencia e deixando 111.1 luz o lado pior de suas personalidades? 15
  10. 10. l':tt•l /.llnlwdo (Ill"/ ()) a rcsposta esimples: se colocarmos pcssoas boas numa si- lll~H,;~o inlcrnal, a situa:iiO infernal vencera sempre. Para ele,"uma institui~ao como a prisao tern dentro de si for~as poderosas que poderao suplantar anos de socializa~ao, de tra~os pessoais ou de valores profundamente enraizados" (p. 419). Muitas vezes, em nosso cotidiano, responsabilizamos as pessoas, quando a culpa esta na situa~ao (Para maiores informa~oes sobre o estudo de Zimbardo o leitor interessado podera vi- sitar a pagina http://www.prisonexp.org). Aluz destas considera~oes poderfamos ampliar urn pouco mais a defini~ao de Psi- cologia Social apresentada na primeira frase deste capitulo dizendo que a Psicologia Social eo estudo cientifico de manifesta~oes comportamentais de caniter situacional suscitadas pela intera~iio de uma pessoa com outras pessoas ou pela mera expectati- va de tal intera~iio, bern como dos processos cognitivos e afetivos suscitados pelo processo de intera~iio social. Psicologia Social e setores afins do conhecimento Dificilmente urn professor de P_:;icologia Social deixa de ser interpelado pelos seus alunos em rela~ao ao problema da diferen~a entre Psicologia Social e outros setores afins do conhecimento, tais como Sociologia, Antropologia Cultural, Filosofia Social e a propria Psicologia tout court. lmpoe-se, assim, uma tentativa de clarifica~ao do as- sunto no primeiro capitulo desta obra. Psicologia Social e Sociologic Livros basicos de Sociologia consideram como objeto de estudo sociol6gico a so- ciedade, as institui~oes sociais e as rela~oes sociais (por exemplo, BROOM & SEL- ZNICK, 1958; INKLES, 1963; ZGOURIDES & ZGOURIDES, 2000). Dificilmente se encontra urn psic6logo social ou urn soci6logo que afirme, categoricamente, que Psi- cologia Social e Sociologia sao ramos totalmente distintos, ou seja, dois conjuntos se- parados sem qualquer interse~ao. A maioria se inclina para a posi~iio segundo a qual ambos estes setores do conhecimento tern, pelo menos, urn objeto formal distinto, po- rem reconhecem a existencia de uma area de interse~ao bastante nftida em seu objeto material. Esta e tambem a posi~iio dos autores deste manual. Uma representa~ao grafi- ca satisfat6ria do inter-relacionamento entre Psicologia Social e sociologia se apresen- taria mais ou menos como o que vai reproduzido na fig. 1 Os fenomenos sociais enu- merados na fig.1 sao meramente exemplificativos, nao sendo nossa inten~ao exaurir a gama de fenomenos tipicamente estudados pela Psicologia Social, pela sociologia ou por ambas. 16 Pslcologla Social Rolac;oos interpessoais, intordependencia, tornado de decisoes, comparac;ao social, atribuic;ao de causalidade, etc. .. Atitudes status delinquencia, comportamento grupal, etc. Soclologla ~-~ -lnstituic;oes sociais (familia, Estado, lgreja, partidos politicos), sociedade, classes sociais, etc. Figura 1 - Objetos de investigaljao tipicos e comuns da Psicologia Social e da Sociologia 1 pcsar de uma razoavel area de interse~ao entre estas duas disciplinas, a~ pergun- 1 ,., lotmuladas pelo psic6logo social e pelo soci6logo em suas investiga~oes do objeto tll.tlt'tial que lhes e comum variam.bastante. Tomemos o exemplo do fenomeno psi- ,,,.,•,ocial da delinquencia juvenil. lnumeros sao os livros encontrados na literatura l"itol11gica e sociol6gica sobre o assunto. Consideremos dois exemplos, urn de cada , .1111po. No campo da sociolo_gia~ o livro de Albert Cohe1_1 (1955) Delinquent Boys for- "''' t' 11111 excelente exemplo de uma teoria sociol6gica acerca do fenomeno da delin- '1"' IH'ia juvenil. Cohen salienta em seu estudo as caracterfsticas da cultura da gang e II ultra lrustra~oes decorrentes da diferen~a entre classes sociais e pressoes geradas pela III H ultura da gang delinquente como fatores primordiais na forma~ao do comporta- '"' 111 0 dclinquente entre os jovens. Freedman e Doob (l968l,_psirolGgos-so&iais,a.na~ lt •.un cm seu livro D~y o comportamento do indivfduo que se sente diferente do p.tii( Hl em que se encontra, tanto ao referir-se ao delinquente como ao considerar urn B' 1110 que se destaca de seus companheiros pela posse de uma intelig_encia sl!_PerioL A llt.dl ..,l' de Freedman e Doob ampara-se claramente em fatores situacionais de percep- t ,!! Ida cxcepcionalidade por parte da pessoa que se desyia do gr~po. As eventuais con- ·''l(lll'ncias para a sociedade do comportamento do desviante sao tratadas muito super- lid.dmcntc. Toda a enfase e posta no comportamento individual do desviante face a 11,,., pe rcep~oes relativas asua originalidade quando comparado com seus pares. Ve- Il lit., claramente nestes dois enfoques a diferen~a de modo de encarar urn mesmo pro- ltlt llta por parte de urn soci6logo e de urn psic6log_o. Para aquele, o indivfduo e consi- tlt 1.1do aIuz da cultura em que se insere e as causas de seu <:omportamento sao busca- _ t 1,,., nas caracterfsticas da entidade social a que pertence; para este, o indivfduo em si 1111 "'"o ccxaminado em fun~iio de suas rea~oes aos fatores ambientais que o circun- d .tlll. Num , a unidade de analise e o grupo; no outro, o indivfduo. Ilustra~oes adicio- 17
  11. 11. nais podem ser apresentadas. Tomemos, por exemplo, a instituic;;ao da familia. 0 so- ci6logo se ocupa em descrever a familia em termos da autoridade dominante (patriar- cal, matriarcal, equalitaria), em termos do mimero de pessoas unidas em matrimonio (monogamia, poligamia, poliandria), em termos do local de residencia do casal (patrilo- cal, matrilocal, neolocal), etc. 0 psic6logo parte do status quo e preocupa-se em observar como tais situac;;oes de fato influem no comportamento de um membro da familia diante, por exemplo, das novas opc;;oes de arranjos familiares disponiveis hoje em dia, tais como a coabitac;;ao, as facilidades na obtenc;;ao do div6rcio e suas consequencias, etc. Nao ha duvida de que no estudo da familia ha inumeras areas de interesse comum a ambos os profissionais (ex.: processo de socializac;;ao da crianc;;a, resoluc;;ao de conflitos familia- res, satisfac;;ao conjugal, relac;;oes de status, etc.). Eo que foi ilustrado na fig. 1. Em conclusao, diriamos que Psicologia Social e sociologia tern objeto material identico ou quase identico, porem diferem em relac;;ao ao metoda que utilizam (a Psi- cologia Social utiliza prioritariamente o metoda experimental e a sociologia, nao) e tambem no que concerne a unidade de analise (a Psicologia Social considera o indivi- duo em interac;;ao com outras pessoas, enquanto a sociologia da mais enfase a socieda- de e as instituic;;oes sociais). Salie_nte-se, todavia, que mesmo entre os psic6logos sociais ha diferenc;;as nos niveis de q :plicac;;ao do comportamento social, tal como propostos por Doise (1986). Se, porum lado, psic6logos sociais norte-americanos adotam predo- minantemente os niveis pessoais e interpessoais- que caracterizariam a chamada Psi- cologia Social psicologica -, por outro, psic6logos sociais europeus, embora fac;;am uso desses dois niveis, tendem a dispensar mais atenc;;ao aos niveis intergrupa!_s e coletivos, que corresponderiam a Psicologia Social sociol6gica. Em outras palavras, os primeiros preocupam-se em explicar como o individuo processa e organiza as informac;;oes e ex- periencias que tem em contato como mundo social (nivel pessoal) ou como a dinami- ca dessas interac;;oes afeta seus modos de agir, pensar e sentir (nivelinterpessoal). ]a os ultimos preocupam-se mais em estudar o comportamento do individuo e as relac;;oes entre os grupos, tomando por base a pertenc;;a ou posic;;ao grupal (nivel posicional) ou, ainda, as ideologias, as representac;;oes e os valores predominantes na sociedade (nivel societal ou ideol6gico). Psicologia Social e Antropologia Cultural A distinc;;ao entre Psicologia Social e Antropologia e bem mais nitida que a distin- c;;ao entre Psicologia Social e Sociologia. Nao ha duvida de que as descobertas antropo- l6gicas e as investigac;;oes que ensejam fornecem dados valiosos e interessantes para o entendimento do comportamento do individuo de diferentes culturas frente aos ou- tros individuos. Ao visitar-se o Museu de Antropologia da Cidade do Mexico, ou Le 18 ~'"" ' ' c/r I 'IIUIIIIIII' dr Pari-., ou o /111/1/r Mll1'11111 de I Olltlrcs, ou o Sllr it lr OIIiwr ln!>tllute d, Wo~-.hi~tgtoll , oh!-.l'l vast· urn manancial riqufssirno de inrormar;oes sobre as pro- ''" tll''o l' l':tral'lt'l f'>lit';ISde culturas de varias CpOCaS e locais que DOS permitem inferen- t. i!l ~ ~t• kvantes para cspeculac;;oes sobre a organizac;;ao sociol6gica e psicol6gica destas irll:.'•"'"" rulturas. A Antropologia laLo sensu, porem, estuda as produc;;oes humanas nas olll'u t:IIH''> culturas, as caracterfsticas etnicas dos varios povos, suas formas de expres- ''•t'l< , !-.Cill, contudo, considerar o individuo em si mesmo e seu comportamento ti- i•il:.. l'rt'lllt' aos estfmulos sociais contemporaneos (situacionais), tal como o faz a Psi- ,,J,,gi.r 'lot'ial. A clistinc;;ao entre os dois setores do conhecimento parece-nos nitida e, ,, Iii IIi •.1!-.SCillOS 0 rormato da fig. 1 para representar OS conjuntos pr6prios da Psicolo- 11 .,,H i:d e da Antropologia Cultural, a area de intersec;;ao seria bem mais reduzida. ~ ~~ •IIIII :h sim, os estudos do antrop6logo E.T. Hall (1977) sobre "espac;;o pessoal" it "'"" o lmpacto na interac;;ao social causado pela arrumac;;ao de m6veis de um ambi- 111• , pl'la!-> configurac;;oes espaciais arquitet6nicas ou pela distancia entre as pessoas ltil "'''' o alo da conversac;;ao, entre outros) tratam de influencias sobre o comporta- "'' 11111 .,ocial , aincla que examinados de um ponto de vista grupal, como na Sociologia. i '' '"''"111:1 forma , estudos acerca do comportamento dos consumidores, como os le- ,,j,,., ,,1 aho por Douglas e Isherwood (1996) ostentam curiosas interfaces com os es- '""":.. t:nr Psicologia Social. ' 11lcHIIO Social e Filosofia Social 11., .,,·torcs do conhecimento comparados anteriormente possuem uma caracteris- i it ,, '·· 1111111111 - toclos podem ser considerados como ciencias do primeiro grau de abs- i' '' ~(lll "'' rlassiricac;;ao aristotelica das formas de conhecimento. Todos estudam as ca- illl_: 1is 111 ,,., pr6prias de seu objeto material, variando apenas a maneira de faze-lo e a "i'''•l.' dilnencial que colocam nos aspectos considerados em suas investigac;;oes. Tal n.,; 11 11 'il 'oO quando se compara a Psicologia Social com a Filosofia Social. A Psicologia lit ilrl ,· 11111a cicncia empirica e nada tern aver com a Filosofia, a nao ser no que con- IIi 111 ;, • plo.,temologia e a orientac;;ao geral dos problemas metate6ricos como, por '"~'''' · 11 problema da relac;;ao corpo-alma ou da existencia do livre-arbitrio ou do.. ~ 1 1111d11 'l.t vida, que desempenham papel importante em algumas teorias psi~ol6gicas. l':.it ologia Social considera o dado objetivo e, quando especula, o faz em termos ldp!',ll :~,..., cmpiricamente testaveis. A Filosofia Social, por outro lado, especula e llili' !1'•H11 unpiricamente suas especulac;;oes, pois tal nao e seu mister. Seria um grave iII! 1Hlll iiiiiO, julgar-sc que a Psicologia Social tem que repousar numa Filosofia So- i~il I ,,l,vit' que cada psic61ogo tem suas convicc;;oes filos6ficas e, entre elas, muitas di- 1 i1i 11 .prilo :) natureza da ordcm social, da organizac;;ao social e da finalidade da vida 19
  12. 12. 1' 111 '>Olred.tdc. l'm cocrCncia com scus princ£pios filos6ficos pode ele orientar sua ativi- dadc em Psicologia para atingir determinados objetivos ditados por sua Filosofia So- cial. Em o fazendo, porem, ele estani apenas usando da psicologia para obtenc;ao de deter- minados fins, mas de nenhuma forma estani fazendo Psicologia Social. A Psicologia Social contemporanea, como tal, prescinde da Filosofia Social. Nao cabe ao psic6logo social especular qual seria a reac;ao de uma pessoa da classe openiria em termos de ni- vel de aspirac;ao, exercicio do poder, tendencia a associac;ao com outras, expressao de agressividade, e outros fenomenos psicossociais, caso ele vivesse numa ut6pica socie- dade sem classes. 0 psic6logo social, se quis~r fazer Psicologia Social e nao Filosofia, tern que partir do dado de que tal individuo pertence (e possivelmente se identifica) a classe trabalhadora numa sociedade em que existem outras classes. Este e o dado con- creto e o estudo cientifico do comportamento de tal individuo em face aos estimulos sociais horizontais que se lhe apresentam ha de ser feito a partir deste dado e somente deste dado. Nao raro se constata o anseio do estudante de Psicologia de inquirir indefi- nidamente acerca de possiveis antecedentes do status quo, e de engajar-se em especula- c;oes filos6ficas acerca do destino do homem e da formac;ao da sociedade ideal. Tais an- seios sao legitimos e devem ser encorajados, desde que se fac;a clara ao estudante que isto e Filosofia e nao Psicologia. Nenhum dos fenomenos psicossociais a serem estuda- dos neste compendia supoe tomada de posic;ao de natureza filos6fica. Sao eles total- mente desprovidos de conteudo filos6fico, embora nao sejam incompativeis com dife- rentes posic;oes filos6ficas. Enquanto nas ciencias do primeiro grau de abstrac;ao, que tern semelhanc;a com a Psicologia Social merce de seu objeto material, as diferenc;as verificadas sao nitida- mente de enfase em determinados t6picos e de maneira de focaliza-los, no caso da comparac;ao entre Psicologia Social e Filosofia Social estamos diante de uma diferen- c;a essencial de nivel de abstrac;ao do conhecimento. A diferenc;a entre estes dois seto-....,.r -- --.. res e nitida. Psicologia Social e outros setores da Psicologia Pela definic;ao de Psicologia Social dada anteriormente, constatamos que, a exce- c;ao da psicologia fisiol6gica, dos estudos experimentais de psicofisica, da psicologia comparada e da teoria dos testes mentais, todos os demais setores da psicologia lidam com situac;oes interpessoais que envolvem, portanto, situac;ao de dependencia, inter- dependencia, ou ambas. 0 psic6logo clinico, o psic6logo organizacional, o estudioso ~ do desen~olvimento da personalidade, o psic6logo educacional, enfim o psic6logo tout court, veem-se constantemente as voltas com o estudo de situac;oes em que a interac;ao humana e patente. . 20 t nr11o acontccc em outros selores do conhecimento (Fisica, Medicina, Engenharia, lllt f~ llo, etc.) trata-se aqui de diferenciar as areas de investigac;ao dentro de urn mesmo itll llll<tvrs cla maior ou menor enfase colocada em determinados aspectos dos feno- 'l!i]IHI.,I''>tudados, todas as areas, porem, conservando uma comunalidade que caracte- 1j ~ 111 '•I' lOr especffico do conhecimento. Assim, por analogia, digamos, com a Medici- iitt lluln-. os psic6logos tern que possuir conhecimentos basicos dos processos psicol6- j, 11·· dt· ">Cnsac;ao, percepc;ao, cognic;ao, motivac;ao, aprendizagem, etc., tal como todos ~~~ i111 dtros, seja qual for sua especialidade, necessitam de conhecimentos basicos de iiltl111111a, Biologia, Fisiologia, Fisica e Quimica. di-.tinc;ao, pois, entre Psicologia Social e outros setores da psicologia, parece-nos 1dklc ntt•mcnle clara, desde que atentemos para o fato de que o que identifica uma de- li '"'''"ula area da psicologia e a enfase posta no estudo de certos fenomenos psicol6gi- tl ~~n caso da Psicologia Social, o que a caracteriza e a enfase colocada na il!fluencia lr L1111tt''> situacionais do comportamento interpessoal. Urn exemplo clarificara defini- - 'li'r11111:111l' o assunto. Consideremos a interac;ao cliente!Rsic61Qgo. E, sem duvida, uma IJ,;~ n 111tcrpessoal na qual fatores situacionais desempenham relevante papel e se In ti ilic.tm sem esforc;o comportamentos de dependencia e interdependencia. Este eo I"' to da situac;ao que interessa ao psic6logo social Digamos que o psic6logo seja urn I"" ,,111)ll clfnico. Embora ele nao despreze (muito pelo contrario) os ensinamentos da jl;.lo otlngra Social no que tange a imporUincia da situac;ao interpessoal estabelecida, sua p!L'" 11p;H,;<lo maior estara em realizar urn estudo vertical da personalidade do cliente Itjill . III''>ICcaso, passa a se chamar paciente ou analisando), procurando verificar pos- !iTi; 111llucncias de experiencias passadas no comportamento atual de seu cliente, sua lillllllll.tgcm, seus objetivos, seus recalques, suas inseguranc;as, enfim, a dinamica de 11,1 I" 1-.onalidade. Ademais, estara ele as voltas com as tecnicas de diagn6stico desta llilllllllt .1 hem com aquelas que deverao ser usadas em prol de urn melhor ajustamento II' to~ t1 11acicnLe. Por ai seve (e rnais clara ainda ficara, para aqueles que apenas agora_1e lrtlillll.urzam com a Psicologia Social, quando chegarem ao final deste livro) a diferen- lt rnloquc e de objetivos que distinguem os especialistas das varias areas da psico- lliU'II, I111hora tenham urn denominador comum de conhecimentos e fac;am constantes pd""' ,,., dcscobertas dos especialistas em areas especificas para utiliza-las em sua in- f'; llp,.l ,(o ou pnLica profissional. M• uloulo Social e o senso comum I 1 lt•ttor cnconlrara frcquenLemenle neste manual descric;oes de achados cientifi- 11!'· !jill rllincidcm como scnso comum. Por exemplo: e mais provavel que pessoas ill I '.tln1 ,.., '>t'melhantcs '>t'jam mais amigas do que pessoas com valores conflitivos; I"'"'"" wna pi''>'>Oa ('OIIH'll' 11111 ato rcprovavel c cstava em seu poder evila-lo, ela se 'J I
  13. 13. l'lll ..,o< 1edade. 1'.111 coen.'nda com scus princfpios rilosMicos pode ele orientar sua ativi- dadc em Psicologia para atingir detcrminados objetivos ditados por sua Filosofia So- cial. Em o fazendo, porem, ele estani apenas usando da psicologia para obtenr;:ao de deter- minados fins, mas de nenhuma forma estara fazendo Psicologia Social. A Psicologia Social contemporanea, como tal, prescinde da Filosofia Social. Nao cabe ao psic6logo social especular qual seria a rear;:ao de uma pessoa da classe openiria em termos de nf- vel de aspirar;:ao, exercicio do poder, tendencia a associar;:ao com outros, expressao de agressividade, e outros fenomenos psicossociais, caso ele vivesse numa ut6pica socie- dade sem classes. 0 psic6logo social, se quis~r fazer Psicologia Social e nao Filosofia, tern que partir do dado de que tal individuo pertence (e possivelmente se identifica) a classe trabalhadora numa sociedade em que existem outras classes. Este eo dado con- creto e o estudo cientifico do comportamento de tal individuo em face aos estimulos sociais horizontais que se lhe apresentam ha de ser feito a partir deste dado e somente deste dado. Nao raro se constata o anseio do estudante de Psicologia de inquirir indefi- nidamente acerca de possiveis antecedentes do status quo, e de engajar-se em especula- r;:oes filos6ficas acerca do destino do homem e da formar;:ao da sociedade ideal. Tais an- seios sao legitimos e devem ser encorajados, desde que se far;:a claro ao estudante que istoe Filosofia e nao Psicologia. Nenhum dos fenomenos psicossociais a serem estuda- dos neste compendio supoe tomada de posir;:ao de natureza filos6fica. Sao eles total- mente desprovidos de conteudo filos6fico, embora nao sejam incompativeis com dife- rentes posir;:oes filos6ficas. Enquanto nas ciencias do primeiro grau de abstrar;:ao, que tern semelhanr;:a com a Psicologia Social merce de seu objeto material, as diferenr;:as verificadas sao nitida- mente de enfase em determinados t6picos e de maneira de focaliza-los, no caso da comparar;:ao entre Psicologia Social e Filosofia Social estamos diante de uma diferen- r;:a essencial de nivel de abstrar;:ao do conhecimento. A diferenr;:a entre estes dois seto- - -. res e nitida. Psicologia Social e outros setores da Psicologia Pela definir;:ao de Psicologia Social dada anteriormente, constatamos que, a exce- r;:ao da psicologia fisiol6gica, dos estudos experimentais de psicofisica, da psicologia comparada e da teoria dos testes mentais, todos os demais setores da psicologia lidam com situar;:oes interpessoais que envolvem, portanto, situar;:ao de dependencia, inter- , dependencia, ou ambas. 0 psic6logo clinico, o psic6logo organizacional, o estudioso "' . do desenvolvimento da personalidade, o psic6logo educacional, enfim o psic6logo tout court, veem-se constantemente as voltas com o estudo de situar;:oes em que a interar;:ao humana e patente. . 20 ( ()Ill() <lt'Oilll'l l' (' Ill !HII I0~ ~l'IOIC.., do Ulll hl'll IIH' IIIO ( l·i..,ll.l, Medil Ill;I, h lgl'll h:ula, Ilit I' ito, etc.) traw !>C aqui de dilercnciar as area'> de invc!>tiga<,;ao dcntro de lllll mesmo ,, tor at raves da maior oumcnor !:nfasc colocada em detcrminados aspectos dos fen0- 1111 nos cstudados, todas as areas, porem, conservando uma comunalidade que caracte- 11 ,, o setor especffico do conhecimento. Assim, por analogia, digamos, com a Medici- ILl, todos os psic61ogos U~m que possuir conhecimentos basicos dos processos psicol6- gi•o.., de sensar;ao,percepr;ao, cognir;ao, motivar;ao, aprendizagem, etc., tal como todos 11"' •ncdicos, seja qual for sua especialidade, necessitam de conhecimentos basicos de 11.1tomia, Biologia, Fisiologia, Fisica e Quimica. A distinr;ao,pois, entre Psicologia Social e outros setores da psicologia, parece-nos tdh H'ntemente clara, desde que atentemos para o fato de que o que identifica uma de- ll.lllllllada area da psicologia e a enfase posta no estudo de certos fenomenos psicol6gi- ' ,,., No caso da Psicologia Social, o que a caracteriza e a enfase colocada na if!fluencia ,j, l.1tores situacionais do comportamento interpessoal. Ul!,l exemplo clarificara defini- 'h ,Ulll'llte o assunto. Consideremos a interar;:ao client~sic6logo. E, sem duvida, uma 11 1,,~, ,o interpessoal na qual fatores situacionais desempenham relevante papel e se "h.nt iiicam sem esfon;:o comportamentos de dependencia e interdependencia. Este eo 111 1 to da situar;:ao que interessa ao psic6logo socia1 Digamos que o psic6logo seja urn 11·11nlogo clinico. Embora ele nao despreze (muito pelo contrario) os ensinamentos da !; llnlogia Social no que tange a importancia da situar;:ao interpessoal estabelecida, sua i'"'uttpar;ao maior estara em realizar urn estudo vertical da personalidade do cliente •1111 , neste caso, passa a se chamar paciente ou analisando), procurando verificar pos- il 1 , ., mfluencias de experiencias passadas no comportamento atual de seu cliente, sua lllttlllmgem, seus objetivos, seus recalques, suas inseguranr;:as, enfim, a dinamica de 111 pt rsonahdade. Ademais, estara ele as voltas com as tecnicas de diagn6stico desta lllt.IIIIICa bern com aquelas que deverao ser usadas em prol de urn melhor ajustamento tiP1,111 paciente. Por ai seve (e mais claro ainda ficara, para aqueles que apenas agora ~e Lli!illi.u izam com a Psicologia Social, quando chegarem ao final deste livro) a diferen- ltlt l'tdoque e de objetivos que distinguem os especialistas das varias areas da psico- lill.1.1 , I'Ill bora tenham urn denominador comum de conhecimentos e far;:am constantes •litI"" ;).., dcscobertas dos especialistas em areas especificas para utiliza-las em sua in- 1tp,.u,;:o ou pratica profissional. I• ulogio Social e o senso comum <.)lt•llor encontrara frcqucntemente neste manual descrir;oes de achados cientifi- i l!li qw coincidem com o scnso comum. Por cxemplo: emais provavel que pessoas !Jill '.don·.., scmdhantcs st·jam mais amigas do que pessoas com valorcs conflitivos; tll·lllllll 11111a pt·~soa comt'lt' lllll ato rcprovavd l' cstava em seu podcr cvila-lo, cia sc 71
  14. 14. "I'llII' t ulp.ul.l, "~' unta COIIIllllit'a<;tlo persuasiva cmana de uma fonte tida como compe- ll'nle, ela tcndc a scr mais cficaz do que a mesma comunicar;:ao quando feita por uma {ontc com baixa reputar;:ao; e assim por diante. Poder-se-a entao perguntar qual a ne- cessidade da condur;:ao de sofisticados experimentos cientificos para demonstrar o que todos sabemos por mera intuir;:ao ou senso comurn. A resposta esta no fato de que nem sempre o que no~ parece 6bvio e verdadeiro. Por exemplo: parece 6bvio que se quiser- mos fazer uma pessoa mudar de atitude, devemos oferecer-lhe uma grande recompen- sa ou amear;:a-la com urn grande castigo para que ela passe a exibir a atitude que deseja- mos. Como veremos no capitulo 4, dentro de certas circunstiincias, o oposto e verdadei- ro. Alem disso, nao e tarefa da Psicologia Social ir de encontro ao senso comum, mas confirmar sua validade e sistematiza-lo para permitir ir mais alem do simples conheci- mento dele derivado. Por exemplo, no capitulo 3, no estudo do fenomeno de atribui- r;:ao de causalidade, veremos que a nor;:ao relativamente 6bvia de que as causas de nos-.... sos comportamentos podem ser classificadas em intemas (localizadas em n6s mes- mos) ou extemas (localizadas fora de n6s mesmos), estaveis (isto e, duradouras e pouco suscetiveis amudanr;:a) ou instaveis (temporarias e cambiaveis), e controlaveis (ou seja, sob o controle de alguem) ou incontrolaveis (totalmente aleat6rias), nor;:ao esta de acordo com o senso comum, nos leva a predir;:6es e a sistematizar;:oes que vao muito alem do mero conhecimento baseado no senso comum. 'f Por esses motivos, a Psicologia Social se utiliza do senso comum, mas, atraves da ~ l~esquisa cientifica, vai mais alem enos permite sistematizar;:oes do conhecimento exis- tente e predir;:ao de conhecimento novo. Consequentemente, as especular;:oes de poe- tas, romancistas e fil6sofos acerca das constancias do comportamento social humano, embora muitas vezes corretas, nao dispensam a necessidade de conhecer-se cientifica- mente a dinamica das relar;:oes interpessoais e dos processos cognitivos que as acompa- nham. Em sua atividade de pesquisa o psic6logo social utiliza, predominantemente, a pesquisa experimental de laborat6rio descrita no capitulo 2. Psicologia Social Cientifica, aplicaCjoes da Psicologia Social e Tecnologia Social Segundo o grande cientista frances Louis Pasteur, e inadequada a distinr;:ao entre ciencia basica e aplicada; para ele o que existe e ciencia e aplicar;:oes da ciencia, uni- das como a arvore eo fruto que produz. Este etambem o entendimento dos autores deste livro. A Psicologia Social euma ciencia e seus achados podem ser aplicados na resolur;:ao de problemas especfficos. Neste manual o leitor encontrara uma razoavel quantidade de descobertas cientificas que sao fruto da atividade de pesquisa dos psi- c6logos sociais e, sempre que possivel, serao indicadas aplicar;:oes decorrentes destes conhecimentos. 22 th IIIII'' dr IIIVI'"Iig.li,'IW... llltHhtzHia-. 1101 1'-.lloltl)..lol ~~~~ t.d cil:lltilll .II "" 11jHl., dl' t!tlit ,h 111 ., tlltlltlltll'llll' 'IICOiltrado~ pmkm -.er vi-.w-. no (~uadm I. llllllllltn-.lt•l o t~uadto I, o-. p~icologos ~ociai-. dcdicam st' a pt·-.qui-.a-. tk-.llll.ula-. pritlltll 1 • 11v~uu,;os tt•o• icos (por ex.: te~te de hip()te~cs derivada-. de ll'Otia-.; apt••kt ti;Ptlllll'' d11 ptHkt prcditivo de teorias), ou a lan<;ar luz sobre um prohkma e~pt•t•fll i I'"' ' , vt ttltcar ~t· a dcn~idade populacional influi no comportamcnto de :quda llti'J • id oil.,, vt:ttltcar ~l' uma lidcran<;a dcmocratica cmais ou meno~ dkaz qut' uma 1lt" 11111 ,t),llll a promover um rcfinamento mctodol6gico (por ex.: verificar Sl' ""' i'' 11 IIIII'• '•' romportam de forma dikrente de sujeitos nao univcr~it<ll ios; dctectar I! Hoi• "' lll'•ldlttk., na coleta de dados), ou a avaliar a eficacia de uma intcrven~·ao (pot 1.1iltt .11 -.r uma tentativa de mudanr;:a de alitude tcve exito ou nao; avaliar a l.'lira 1111 ti P 11111 ptllgrama dcstinado a diminuir o preconceito racial num dcterminado g•u Jii tf,m·ial) .1111 , linalmcntc, apenas verificar a estabilidade e a generalidadc de achados i•HI' •itIll' .1tmvcs da condu~;ao de replicas (por ex.: verificar se uma teoria p~icos-.o 1 ilil ,~ tt'l'"" hi-.torica c/ou transcultural). Quodro 1 - Tipos de pesquiso e de oplicoCjoes em Psicologio Sociol lc;ologlo Soclol Cientifico puhquho to6rico run qubo contrada num problema IHI'•Ciui~o motodol6gico pn~quiso do ovoliac;oo pn, quiso de replica Apllcoc;oes do Psicologio Sociol upliwc;6os simples upltwc;oos complexes (Tecnologio Social) IPdP-. estes tipos de pesquisa integram a Psicologia Social dentifica e fot nt't'l'"' lllt·.tdtll.., para sua aplicar;:ao a problemas psicossociais concretos. Quando sc hu~<;.• 1it;h1 drum achado especifico para a solur;:ao de um problema determinado (por ex .. li11ttll.ll o ~cntimcnto de frustra~;ao de urn grupo com o objetivo de diminuir sua 'I'" .,..,tvtdadc; utilizar um determinado tipo de podcr social para lograr uma nHldan<,..l t ""'IHlll:unental c~pccifica) estamos tratanclo de aplicar;:oes simples; se, todavia, rom ltln,tiiHl" arhados existcntcs para utiliza-los na solu~;ao de um problema social, e-.ta iltll:• pt ,lltr<llldo o que )arobo Varela (1971) denomina Tecnologia Social. ?3
  15. 15. V,ul'1.1 (I tJ 7'>) dd'int· .1'>'>1111 a It'Cnologia ~ocial: "I: a alividade que conduz ao pla- nrjamcnlo de solw,;ocs de problemas sociais atraves de combinac;oes de achados deri- vados de di[crentcs areas das ciencias sociais" (p. 160). A primeira distinc;ao que se impoe na compreensao do que seja Tecnologia Social e a que se refere adiferenc;a de objetivos do cientista social (seja ele psic6logo social ou nao, basico ou aplicado) e do tecn6logo social. 0 cientista nao orienta sua atividade para a soluc;ao de problemas. Dizem Reyes e Varela (1980): Frequentemente, achados cientfficos foram feitos por alguem que nao tinha a menor ideia de que eles iriam ser utilizados para algo de uti! ou de uma deter- minada maneira. A progressao do telegrafo para o telefone e para o radio e urn exemplo. Mas Morse e Bell eram inventores. Os cientistas atras deles foram Faraday, Henry, Maxwell, Hertz e outros. Sem as descobertas puramen- te cientfficas, as invenc;6es que as seguiram nao teriam sido possfveis. Mas o cientista sozinho nao poderia ter-nos legado as comunicac;6es modernas. Nao era esta sua preocupac;ao. Os tecn6logos foram necessarios para dar os passos necessarios. Maxwell e os demais nao estavam interessados em saber como suas descobertas seriam usadas. Sua ocupac;ao era bern distinta dade Bell ou de Marconi (p. 49). Reyes e Varela (1980) salientam ainda que os cientistas sociais, no afa de atende- rem apressao social que clama pela relevancia de suas pesquisas, criam "programas aplicados". Acontece, porem, que pesquisa aplicada continua sendo pesquisa, isto e, a preocupac;ao e a de descobrir a realidade em ambientes naturais e continuar pesqui- sando ate que se obtenha urn conhecimento satisfat6rio e fidedigno desta realidade. 0 tecn6logo social nao se preocupa em descobrir a realidade; ele deixa isto para os cien- tistas e, baseado em seus achados, procura resolver problemas. No cap. 7, ao tratarmos do fen6meno de Influencia Social, mostraremos a Tecno- logia Social em ac;ao. Grandes marcos historicos da Psicologia Social cientifica A hist6ria eurna coisa que nunca aconteceu, escrita por alguem que nao estava Ia. Anonimo Manuais contemporaneos de Psicologia Social diferem consideravelmente no que diz respeito aenfase dada ao hist6rico da Psicologia Social. Alguns, talvez levando por demais a serio a espirituosa critica contida na epigrafe acima, simplesmente ignoram o assunto (SECORJ? & BACKMAN, 1964; BROWN, 1965; NEWCOMB, TURNER & 24 1·p•;1' , I%'>, 1·RI ·I·I>MAN , CAI~I ',M ill I 1J ", I · AI~",, ll) 70, 1I ·RIOWII /., ll)n, I li N I II ll J.' , l'l 7H, RAVI ·N N RUIIIN , ll)H l; ~AlWIN, 1095, MYERS, 2005; BARON ViLJ I 100 J., I·RAN/.01, 200'5; BARON, BYRNE; 13RANSCOM13E, 2006; KENRICK & I IIIII It« '• < IAI I>I NI, 2005; TAYLOR & PEPI AU, SEA RS, 2006); outros dedicam 111111iij llllt:t tot ~.lo de um capitulo ao assunto (BARON & BYRNE, 2002; BREHM & 005; FELDMAN, 2000; HARVEY & SMITH, 1977; JONES & 1{1 1% 7, 1RI ·CII , CRUTCIIFI ELD &BALLACHIE, 1962; SMITH&MACKIE, ,!111111 "'" 1,..,,.,vam um apcndice para a materia (SHELLENBERG, 1969); e outros IIHLt d1 dh .1111 um dos primciros capftulos ao t6pico em questao (HOLLANDER, IY1III .W'-1 ION I:, STROEBE & STEPHENSON , 1996). l1tl11 1· 11., q1H' considcram a materia, alguns salientam a evoluc;ao da Psicologia So- IiiId•''i1l1 ""''" ralzcs fi los6ficas acerca da natureza social do homem e da formac;ao da H wd:ul1 (A I I PORT, 1968); outros [ocalizam principalmente os fatos mais relevan- llil l'··i111logaa Social no final do seculo passado e durante este seculo (KRECH, It! IIt Ill II ·I I) &: BALLACHlE, 1962; JONES & GERARD, 1967); e outros ainda p1111 11111111 11111 1•quilibrio entre as informac;oes hist6ricas referentes afase pre-cientifica h1>;1' paoptiamentc psicol6gica deste setor da investigac;ao (HOLLANDER, 1967; lli ·Vi., lt >Nl ·, ~C IIROEBE & STEPHENSON, 1996). 1pH~.,, lll.lJTmos a scguir alguns marcos hist6ricos da Psicologia Social do final do !tid,, XI 1' 111 diantc. III1J', C uslave Le Bon publica seu livro La psychologie des Joules que, apesar de 111111111 11npregnado de conceitos nao-empiricamente testaveis, suscitou o estudo •11 1111IH o dos processos grupais e, principalmente, dos movimentos de massa. lll1lH Norman Triplett conduz o primeiro experimento relativo a fen6menos psi- Ll''•'•lll 1:11-., comparando o desempenho de meninos no exercicio de uma atividade n:to., tlllldic,;<)CS de isolamento ou juntamente com outros, fen6meno este que ficou '""lu·c ado como "facilitac,;ao social". 11HlH William McDougall e Edward A. Ross publicam, no mesmo ano, os primei- '"'• liv•os intitulaclos Psicologia Social. Apesar do mesmo titulo, a abordagem dos lllllllt''> cdistinta: McDougall defende uma posic;ao instintivista e Ross salienta o p.qwl da cultura c da sociedade no comportamento humano. l'l ) I Morton Prince inicia a publicac;ao do journal of Abnormal and Social I'we lwlogy,o qual se eonstitui, ate 1965, na principal fonte de publicac;ao de expe- ''""·Htos em Psicologia Social. 25
  16. 16. I 924 - 0 primciro manual de Psicologia Social, comcndo expcrimentos relativos a fenomcnos psicossociais e possuindo uma orienta~ao nitidamente psicol6gica, e publicado por Floyd H. Allport. 1927- Louis L. Thurstone inicia seus estudos relativos a mensura~ao das atitudes em seu artigo "Atitudes Can Be Measured". 1936- Cria-se nos Estados Unidos a Sociedade para o Estudo Psicol6gico de Ques- t6es Sociais, a qual passou a constituir-se numa das Divis6es da American Psycho- logical Association e que patrocina a publica~ao de uma revista trimestral, ojournal ofSocial Issues. 1936- Kurt Lewin e seus associados dedicam-se com afinco a aplica~ao de princf- pios te6ricos na resolu~ao de problemas sociais, caracterizando o que ficou consa- grado no termo action research. A influencia de Lewin em Psicologia Social e de tal ordem que Leon Festinger, comentando urn livro recente sobre a obra de Kurt Le- win, declarou que 95% da Psicologia Social contemporanea revelam a influencia lewiniana. 1936- George Gallup inicia o movimento de medida de opiniao publica em bases amplas tornando tal atividade uma realiza~ao de notavel repercussao e alcance em psicologia, sociologia e ciencia politica. Ele previu (corretamente) que o candida- to Franklin Roosevelt seria reeleito presidente dos Estados Unidos a partir da son- dagem de opiniao de 3.000 leitores. Sua equipe de pesquisadores procurou ouvir a opiniao de representantes de diversos segmentos sociais, urbanos e rurais, de ho- mens e mulheres, etc. 1936- Muzafer Sherif mostra experimentalmentre como se formam as normas so- dais, atraves de seus estudos sobre o efeito autocinetico. 1939- Kurt Lewin, Ron Lippit e Ralph White publicam os resultados de seus estu- dos relativos a conduta de grupos funcionando em diferentes atmosferas no que concerne ao tipo de lideran~a exercida. 1943- Theodore M. Newcomb reporta seu estudo de quatro anos no Bennington College, mostrando como as atitudes podem se modificar em fun~ao da adesao a diferentes grupos de referenda. 1946- Fritz Heider publica seu artigo Attitudes and Cognitive Organization, consi- derado o ber~o das teorias de consistencia cognitiva que floresceram na decada de 1950, e que continuam a ter relevante papel na Psicologia Social contemporanea. 26 Ill l(i ~ololllOil A'>rh rdor~·a o ponto ante 1i<ll mente salicntado por Muzafcr She- ' tl .u r rra do papel d c~c mpcnhado pcla prcssao grupal (ver experimento resumido 1111 ( .tp. 7). I '~'> 3 Carlllovland, Irving Janis e Harold H. Kelley publicam os resultados dos estu- do., do Grupo de Yale accrca dos fatores influentes na modifica~ao de atitudes. I<)')'I - Gardner Lindzey coordena o Handbook ofSocial Psychology, obra em dois 1 '( ll'nsos volumes, que passou a ser fonte obrigat6ria de referenda durante toda a th'r:tda de 1950 e grande parte dade 1960. 1'1'>7 - Leon Festinger apresenta a sua teoria da dissonancia cognitiva que, scm q11:dqucr dtivida, constitui a teoria de maior valor heuristico em Psicologia Social, tn.,pirando ha 50 anos uma infinidade de testes empfricos de suas proposi~6es. 11165- Dois novos peri6dicos destinados a artigos de Psicologia Social aparecem 1111., Estados Unidos: 0 journal of Personality and Social Psychology eo journal of hpcrimental Social Psychology. 1%8 - G. Lindzey e E. Aronson coordenam a 2. edi~ao do Handbook of Social 11ychology, apresentado agora em cinco volumes. 1970 - Atraves dos trabalhos de Edward E. Jones, Harold H. Kelley, Keith E. Da- vt.,, Richard Nisbett, Bernard Weiner,John Harvey, etc., extraordinario impulso e dado ao estudo do fenomeno de atribui~ao de causalidade em Psicologia Social 1 uja origem remonta aos estudos de Fritz Heider. 1970 - Ganha grande propor~ao o movimento que se tornou conhecido como a "crise da Psicologia Social", durante o qual fortes ataques foram dirigidos as pes- quisas de laborat6rio, aos procedimentos metodol6gicos e eticos e a falta de apli- ra~ao da Psicologia Social aos problemas sociais. 1981 -Harry C. Triandis e colaboradores editam a obra Handbook of Cross-Cul- ltl ral Psychology em seis volumes. 1985 -Gardner Lindzey e Elliot Aronson editam mais uma edi~ao do Handbook of Social Psychology. 1986-0 pensamento atribuicional em Psicologia Social serve de base para a Teo- ria Atribuicional de Motiva~ao e Emo~ao proposta por Bernard Weiner. 27
  17. 17. 1991 - Susan Fiske e Shelley Taylor lan~am a segunda edi~ao da obra Social Cog- nition, livro que poderia servir como urn marco da influencia da abordagem cog- nitiva, coroando urn movimento que veio se expandindo ao longo dos anos e que hoje constitui a moldura que enquadra os principais estudos dentro da Psicolo- gia Social. 1998- Nova edi~ao do Handbook ofSocial Psychology epublicada, agora organiza- da por Gardner Lindzey, Susan T. Fiske e Daniel T. Gilbert. Entre as mudan~as significativas, capitulos inteiros dedicados a questoes que antes apareciam apenas como subt6picos, como, por exemplo, self, emo~oes, linguagem nao-verbal, estig- ma, memoria e justi~a. 1999 - Grandes expoentes da Psicologia Social (Elliot Aronson, Leonard Berko- witz, Morton Deutsch, Harold B. Gerard, Harold H. Kelley, Albert Pepitone, Ber- tram H. Raven, Robert B. Zajonc e Philip G. Zimbardo) refletem sobre 100 anos de Psicologia Social experimental em livro editado por Aroldo Rodrigues e Robert V. Levine. Ao finalizar a apresenta~ao daquilo que, na opiniao dos autores, constitui urn acer- vo de grandes marcos em Psicologia Social cientffica reiteramos que a sele~ao de acon- tecimentos acima listados dificilmente fani absoluta justi~a ahist6ria da Psicologia So- cial cientffica; ela reflete as tendenciosidades dos autores e nao seria surpresa encon- trar-se razoavel divergencia de opinioes no que concerne ainclusao de alguns aconte- cimentos e omissao de outros. Deve, pois, o leitor considerar esta se~ao acerca dos grandes marcos da Psicologia Social cientffica com as reservas que estes esclarecimen- tos impoem. Revisao do conceito de Psicologia Social A fim de rever as no~oes basicas do Conceito de Psicologia Social, apresentado neste capitulo, solicitamos ao leitor que circule, ap6s cada afirma~ao contida no qua- dro abaixo, a letra V ou F (Verdadeira ou Falsa). As respostas aos itens sao apresenta- clas no fim do capitulo. 28 A Pslcologla Social -------------------r----~ I) I •,tudo o sociododo (suo estruturo, sou funcionomento, suos instituic.;oes). 2) htudo principolmonte o comportamento das multidoes e dos grupos. o ostudo do influencia recfproca entre as pessoas. t) I studa etapas do desenvolvimento social do crianc;a e do adolescente. m por finalidade encontrar soluc;ao para os problemas sociais. •) r~tuda a culturo e suas produc;oes. ) I studo o individuo em interac;ao com os outros. II) I ~tuda como o situac;ao social influencia comportomentos e pensomentos. 'I) htuda pesquisos de levantamento e estudos de campo mais l~ttquontemente do que quolquer outro tipo de pesquiso. I 0) Utilize pesquisas de laborat6rio mois do que quolquer outro tipo de pn~.quisa. II) Visa a propiciar mudonc;as de natureza politico. I·J) Estudo a dependencio e a interdependencio entre as pessoas. I 1) Efundamentalmente urn setor aplicodo do conhecimento. 14) Considera mois importante o realidade percebido que a reolidade "hjotivo. I'•) Considera o individuo como suo unidode de analise. I fl) E o estudo cientifico do interoc;ao social e do pensomento social. I/) Pode ser aplicado para melhor entender os fenomenos sociois. Ill) Pode ajudor a plonejar soluc;oes para problemas sociois. I'I) Ehist6rica em seu enfoque, ou seja, considero como os eventos que "' orrem em estodos onteriores do desenvolvimento influenciom o •urnportamento social. JO) Tern urn Iongo passado, mas apenas uma curta historic (pouco mais de 100 anos). umo V F V F V F V F V F V F V F V F V F V F V F V F V F V F V F V F V F V F V F V F Neste capftulo a Psicologia Social foi conceituada como sendo uma atividade ' 1ontlfica cujo objetivo eentender a interac.;ao humana e os processos cognitivos e
  18. 18. afetivos a ela re levantes. Foi ressaltado o carater situacional dos estudos psicosso- ciais e a enfase no estudo do individuo em suas relo~j6es com outros individuos. Para melhor entendimento do que seja Psicologia Social foram apresentadas neste capitulo os pontos distintivos entre ela e setores afins do conhecimento (sociologic, antropologia, Filosofia Social, etc.). Uma distinljao entre Psicologia Social cientffica (com seus v6rios tipos de pesquisa) e aplico~j6es do Psicologia Social foi assinala- da. No que se refere a aplico~j6es do Psicologia Social foi destacado o relevante papel do Tecnologia Social, atraves do qual as descobertas do Psicologia Social e das outras ciencias sociais sao combinadas com a finalidade de resolver urn pro- blema social especifico. 0 capitulo termina com uma breve listagem de alguns marcos hist6ricos importantes. Sugestoes de leituras relativas ao assunto deste capitulo ARONSON, E. (2004). The social animal. 9° ed. Nova York: Freeman & Company. ARONSON, E., WILSON, T. & AKERT, R. (2007). Social psychology. Nova York: Prenti- ce-Hall. BARON, R. & BYRNE, D. (2002). Social psychology. Nova York: Allyn & Bacon. BERKOWITZ, L. (1975).A survey ofsocial psychology. Hindale: The Dryden Press, cap. 1. DEUTSCH, M. (1969). Socially relevant science: Reflections on some studies of inter- personal conflict. American Psychologist, 12, p. 1076-1092. DEUTSCH, M. & HORNSTEIN, H. (1975). Applying social psychology. Nova York: Erlbaum. MYERS, D.C. (2005). Social psychology. Nova York: McGraw-Hill. REYES, H. & VARELA, J.A. (1980). Conditions required for a technology of the social sci- ences. In: KIDD, R.F. & SAKS, M.J. (orgs.). Advances in applied social psychology. Nova York; Erlbaum. RODRIGUES, A. (1983). Aplica~oes do psicologia social. Petr6polis: Vozes. ___ (1978). A crise de identidade do psicologia social. Arquivos Brasileiros de Psico- logia Aplicada, 30, p. 3-11. __ (1977). Algumas consideralj6es sabre os problemas eticos do experimentaljao em psicologia social. Arquivos Brasileiros de Psicologia Aplicada, 29, p. 3-16. ZIMBARDO, P. (1976). Uma entrevista. In: EVANS, R. (org.). Construtores do psicologia. Sao Paulo: Summus/Edusp. Sugestoes para trabalhos individuals ou em grupo 1) Caracterizar Psicologia Social e Tecnologia Social, salientando as diferen~jas en- tre elas. 30 ) (JIItllu difo,onc;a ont1 o P~icologio Sociul o Sociologic? ) [,11·.• 11li1 o lorna: a Psicologia Social o a rolov6ncio social do suas doscoborto i 0 l"icolouo social 6 urn cientista ou urn tocn61ogo? Justifique sua resposta. j 1:111 """ opinioo, a Psicologia Social e uma ciencia ? Justifique sua resposta. ) Quulu diforonljo entre pesquisa "basica", pesquisa "aplicada" e Tecnologia So- Cifll ~ Corno elas se inter-relacionam? j [!111 'IIIII opiniao 0 tentative de reprodu~jaO de achados anteriores (replica) e util (Itt dll'.onvolvimento do Psicologia Social? Quais as vantagens e as desvanta- lt'" " do'> r6plicas? Sera perda de tempo tentar repetir o que j6 foi feito antes? 1t11 oos itens de revisao do conceito de Psicologia Social I I 1 I , IV; 4 F; 5 F; 6 F; 7 V; 8 V; 9 F; 10 V; ll F; l2 V; l3 F; 14 V; 15 V; 16 V; 17 Ill', l'l t·, 10 V. 31
  19. 19. 2 Metodos de investigo~oo em Psicologio Social Enquanto um homem individualmente t um quebra-cabe(a insoluvel, no conjunto ele se torna uma certeza matematica. Voce nunca pode prever o que um homem fara, mas voce pode dizer com precisiio o que, em media, um deles fa ret. lndividualmente eles variam, mas, em media, se mantem constantes. Conan Doyle, escritor, criador de Sherlock Holmes Varios metodos de investiga(:ao se acham adisposi(:ao do psic6logo social. Consi- deraremos aqui 0 metodo de observa(:ao, 0 metodo correlacional, dois tipos de meto- dos ex postfacto (estudo de campo e pesquisa de levantamento), e dois metodos expe- rimentais (experimento de campo e experimento de laborat6rio). Todos estes metodos tern vantagens e desvantagens, como veremos a seguir. 0 metodo de observa~ao Caracteristicas- Quando o psic6logo social simplesmente observa urn comporta- mento social ou consulta arquivos que contern informa(:oes relevantes ao objeto de seu cstudo, diz-se que ele utiliza o metodo de observa(:ao. Consulta a censos demografi- cos, a arquivos (jornais, diarios, etc.), bern como a observa(:ao direta do desenrolar de urn comportamento social constituem exemplos de metodo observacional. As vezes, em sua atividade de observa(:ao, o pesquisador interage diretamente com as pessoas cujo comportamento esta sendo observado (observac;ao participante); outras vezes, a observa(:aO e feita de fora, isto e, sem que OS observados tenham conhecimento de que alguem os observa (observac;ao direta ou ni'io participante). Vantagens- A principal vantagem do metodo observacional e que o fenomeno social e observado no ambiente natural em que se desenrola. Na observa(:ao nao-par- Licipante, o comportamento observado ocorre livre e espontaneamente, sem qual- quer interferencia capaz de influencia-lo. Na observa(:ao participante, cabe ao pes- quisador justificar sua presen(:a e minimizar sua possfvel influencia sobre o compor- lamcnto social que esta sendo observado. Em ambos os casos, o fato de o fenomeno social cstudado ocorrer de forma bastante natural constitui uma vantagem importan- 32 tl' 1111 1odo sobre aquclcs em que o comportamento social ocorre em ambientes llh 111 . nu em rea(:ao a solicita(:6es do pesquisador. Outra vantagem do metodo II :rl 11 lllll,tlc que, em certos casos, constitui a unica maneira de estudar determi- lw. It tll)llll'nos sociais. Ik ;, .u1tagcns - 0 metodo observacional e mais descritivo do que explicativo, ou I"" h lmnccer importantes esclarecimentos sobre o fenomeno social em estudo, ''·' 11.111 pcnnite que se estabele(:am rela(:oes de causae efeito tao claramente quan- 1111'1 Jlltlllltl'm os metodos experimentais. Ademais, cuidados especiais sao necessa- 1111 o'il'.ll de observa(:aO participante, pois a presen(:a do pesquisador pode ter in- it , 111'111 scmpre suscetfveis de serem neutralizadas por ele. I "' IIIJIIO de uma pesquisa observacional- Robert Levine, Norenzayan e Philbrick IIIII) '11111luziram urn estudo como objetivo de observar o comportamento altruista tu .t. • td.uks em varias partes do mundo. As pessoas nestas cidades foram observadas tttlll'"l i.lltt.tc,.·('Jcs: (a) ajuda a uma pessoa usando umajoelheira e mancando que tenta It Itt 11111.1 pilha de revistas que deixou cair no chao; (b) ajuda a uma pessoa que dei- llttiit 11111,1 caneta no chao sem percebe-lo; e (c) ajuda a uma pessoa usando 6culos es- 11111.1 hcngala a atravessar uma rua na faixa de pedestres. Embora as pessoas que llthlltl ,_..,Irs comportamentos (mancar e deixar cair as revistas no chao, deixar cair sem 1 o'~IIH'ta, e simular urn cego tentando atravessar uma rua) fossem aliados do pes- hn', lll"Omportamento de ajuda ou nao exibido pelos transeuntes era inteiramente jlltllt(lltt'll l' desinibido. Este comportamento era observado por pessoas encarregadas Itt ·r Itt ' quc se misturavam com os demais transeuntes. Foi calculada a porcentagem ,-,.1.., que, amesma hora do dia e em situa(:6es semelhantes (lugares movimenta- • 1" o'•.t,lvam ajuda apessoa necessitada. Diga-se de passagem que a cidade do Rio de lttlil liP -'JIIl'scntou o maior indice de ajuda (93%) seguida de San jose, na Costa Rica l'~oi s ttllimas colocadas foram Nova York (45%) e Kuala Lumpur, na Malasia fll'j,,l Jll''>quisa de Levine et al. (2001) e urn exemplo magnifico de utiliza(:ao precisa lttliii ''"'" observacional. 11•todo correlacional ( .u.tr1cristicas - Este tipo de pesquisa consiste na obten(:ao de medidas de duas it iit:tl'o v:u iavcis e no estabelecimento (atraves do metodo estatistico apropriado) da It l.!~lhtt' l'>lcntc entre elas. Assim, quando se quer, por exemplo, descobrir uma possf- ' Ii1l.1 .It1 en1rc quantidacle de exposi~ao a programas violentos na televisao e intensi- lotdo ,j. 'omponamcnto agrcs'>ivo, podcmos lan<;ar mao deste metodo.
  20. 20. V.1111.1g('ll'i /.., v:lll l<tg('lh do~ e~tudo~ co1relacionai.., ~ao, principalmente, as se- gui ntes: perm item o estudo de situa~ocs onde uma intcrvcn~ao experimental seria ina- dequada ou impossfvel; permitem a coleta de grandes quantidades de informa~ao; uti- lizam metodos estatisticos de facil aplica~ao; seus resultados sao facilmente comunica- veis e de facil entendimento. Desvantagens- Dois problemas exigem aten~ao especial quando se utiliza o me- todo correlacional. Sao eles: • 0 problema da terceira variavel- As vezes duas variaveis co-variam, isto e, ao au- mento de intensidade em uma corresponde urn aumento de intensidade na outra, ou o contrario, mas esta covariancia e devida ao efeito de uma terceira variavel que afeta am- bas. Urn exemplo seria a existencia de uma correla~ao positiva entre quantidade de ex- posi~ao a filmes violentos e quantidade de agressividade em crian~as que sao educadas em ambientes muito violentos. Neste caso, o ambiente de violencia e que seria o respon- savel pela preferencia por filmes violentos e tambem pelo comportamento agressivo. Alguns exemplos de correla~oes encontradas sao bern curiosos, isto porque nao se de- vern as rela~6es entre as variaveis em si, mas a a~ao de uma terceira variavel. Assim, por exemplo, tatuagens correlacionam-se com acidentes de moto, pessoas que tomam cafe acima da media sao mais sujeitas a ataques cardiacos e casados vivern mais do que soltei- ros. Evidentemente, estes pares de variaveis apenas co-variam em fun~ao de uma tercei- ra variavel: uma tendencia a correr mais riscos, fruto de certos tra~os de personalidade, no primeiro caso; a fumar ou a nao se exercitar adequadamente, no segundo; e a fatores relacionados a cuidar mais da saude, menor exposi~ao a riscos e urn estilo de vida, no todo, mais saudavel, no terceiro. • 0 problema da causalidade reversa- As vezes nao se poder determinar com segu- ran~a a rela~ao de causalidade entre as variaveis que covariam. Por exemplo, ainda mantendo o exemplo da possivel correla~ao entre quantidade de exposi~ao a filmes vio- lentos e agressividade, poder-se-ia indagar see o fato de ver filmes violentos que con- duz ao comportamento agressivo, ou se o fato de uma crian~a ser agressiva por proble- mas de personalidade faz com que ela prefira programas violentos na TV. Exemplo de uma pesquisa correlacional- Para nos atermos ao campo dos efeitos da televisao, que vimos abordando ate agora, podemos citar urn estudo de Gerbner e Gross (1976), que nao difere muito de outras pesquisas realizadas sobre a influencia da televisao no comportamento das pessoas (a grande maioria delas costuma ser do tipo correlacional). Estes autores registraram primeiramente o tempo que adultos des- pendem em media na frente de seus televisores assistindo a programas diversos, divi- dindo-os em seguida em fun~ao do tempo passado diante da TV (espectadores assiduos: grupo de pessoas que viam muitas horas diarias de TV versus espectadores nao-as- , 34 hhil lli 1IIIIHl <k lll'..,..,o,,.., qw• viam pouca.., ho1 ,,.., tli:111:1.., de IV) . Iomaram o c.:uidado ·h'i..it""", l'llll"l' o~ parti<:ipantes da pc~quisa, pcssoas que viam tclevisao clesde a l!t 'Jlil! 1111u .1, para cvitar eventuais di{eren~as de cfeito cumulativo, uma vez que o tljll' 111111 cknt(' passado diante da TV poderia ter algum tipo de efeito que, de outra lti111 1,;111 podt•t ia ser detectado. Ptli'idd.lllH'Illl' a isto, sondaram estes mesmos telespectadores quanto as suas cren- 1! !'It'll da possfvcl similaridade entre o que viam na TV eo que acontecia de fato no lllliitdll 11 .d, com especial aten~ao ao nfvel de agressividade existente nas ruas de suas ldiltk .1 pos..,ibiliclade de serem vftimas de assaltos ou a de estarem expostos a situa- , II tit Ill :I..,. lsto porque, como se sabe atraves de inumeros outros estudos observa- ltiii.ll"' ,1 IV costuma exibir nfveis de agressividade quantitativamente bern superiores tjt~;dlt,lllvamcnte distintos) aqueles realmente detectaveis no dia-a-dia. (I II •;tdtadO desta pesquisa mOStrOU que existe Uilla COrrela~aO linear poSitiVa en- Itt tl i! IIIIHl de cxposi~ao diaria a TV e a cren~a de que o mundo real e similar aquele 1'1111 11 1 IV. Isto incluia uma distor~ao perceptiva, no sentido de superestimar o nivel h •i(oll 111 1:1 existente nas ruas, a probabilidade de vir a ser molestado de alguma for- Ill•! , I.' 1 tttllvic.:r;ao da necessidade do aumento do policiamento ostensivo e de puni~oes I!Uih .1 '1 1,,.., as pessoas que cometem delitos. Em outras palavras, ver TV e achar o llliii1il11 1111 igoso sao duas variaveis que se relacionam na mesma dire~ao ("correla~ao hili 1i1 pP.,il iva"). Como vimos anteriormente, tal metodo, por sua natureza, nao per- tlllt l' 1 11.11,;1o de outras certezas. De outro lado, sabe-se, por exemplo, que pessoas que !iii 1111mas de assaltos ou sofreram algum tipo de violencia na rua tendem a ficar ttHt': 1'" rasa, e, por conseguinte, a assistir mais programas de TV. Aqui poderiamos 1111111•1 I11m pressupor igualmente a ac;ao de uma terceira variavel responsavel pela cor- lrl~,lll dt·.,coberta: o medo. lndividuos mais medrosos, por quaisquer razoes, tanto- llt11:1111 ~air de casa como passariam a assistir mais programas de TV. N11 111ais, e interessante atentar para urn dos principais efeitos desta correla~ao: tl!tlliltl lllais uma pessoa ve TV e acha o mundo perigoso, menos sai de casa (o que po- lt 11 1 It V<l Ia a corrigir esta percep~ao distorcida) e, por conseguinte, mais assistira a p!ill!t.lllt.l.., de TV, num perverso circulo vicioso. motodos ex post facto 11... mctodos ex post facto caracterizam-se por estudar uma situac;ao onde as varia- n : 11ukpcndentes e dependentes ja ocorreram. 0 pesquisador, atraves de diferentes 1111 111do.., de coleta de dados, obtem informac;oes acerca da variavel dependente e, em 1 )!lld.t, procura inferir a variavel ou as variaveis independentes responsaveis pela !!Lilli t:11cia do renomeno verificado. Seria o caso, por exemplo, de verificar, em uma 35
  21. 21. dr1.1o, l'lll qul'lll un1,1 IH'..,..,o,t votou c dcpois rcmontar as causas explicadoras destc comportamcnLO ~ocial. As pesquisas ex posLfacto podem ser de dois tipos: pesquisas de levantamento e es- tudos de campo. Vejamos, a seguir, as caracteristicas, as vantagens e as desvantagens de cada um dos dois tipos de metodos ex post facto mencionados. A pesquiso de levontomento Caracteristicas- Em geral, as pesquisas de levantamento utilizam urn mimero ele- vado de pessoas, apesar de, na quase totalidade dos casos, constitufrem estas pessoas apenas uma amostra do universo pesquisado. A coleta dos dados e feita mediante a utili- za;ao de questiomirios que sao aplicados na situa;ao de entrevista de pessoa a pessoa, ou enviados aos integrantes da amostra para que respondam e posteriormente os devolvam ao condutor da pesquisa. Perguntas atraves do telefone sao igualmente utilizadas para obten;ao de informa;ao relativa ao objeto da pesquisa, quando o questionario e com- posto de urn pequeno numero de perguntas. A tecnica de painel, em que uma amostra de pessoas e selecionada e entrevistada periodicamente, e tambem muito utilizada quando se quer estudar a evolu;ao da opiniao publica em rela;ao a algum evento ou situa;ao que se estende por razoavel perfodo de tempo (nas telenovelas brasileiras, que sao assistidas diariamente por mais de 50 milhoes de pessoas, costuma-se utilizar este metodo para sondar o gosto do publico, que eventualmente conduz a modifica;6es na trama e no de- senvolvimento de certas personagens). Os componentes da amostra sao selecionados atraves de cuidadosos processos de amostragem, quer probabilistica, quer nao-pro- babilistica. Apesar das vantagens do uso de tipos de amostragem probabilfstica (aqueles em que os integrantes do universo tern a mesma probabilidade de serem sorteados para integrar a amostra), por vezes as limita;6es de tempo e de disponibilidade financeira obrigam o pesquisador a utilizar metodos de sele;ao de amostra menos precisos, porem possiveis de serem utilizados dentro das limita;6es que lhe sao impostas. Em todos os casos e possivel determinar-se estatisticamente a margem de erro associada aamostra se- lecionada. A sequencia de passos a serem seguidos numa pesquisa de levantamento e a se- guinte: • determina;ao dos objetos gerais; • determina;ao dos objetivos especfficos e possfvel formula;ao de hip6teses; • escolha da amostra; • confec;ao do instrumento de coleta de dados; • trabalho de campo (coleta de dados como instrumento escolhido); 36 p;lilii .1ohl do.., d.ulo..,); it.tli•.1 do.., dado..,; H'lttllltln l1nal. Vi!IIHtgrn.., As pcsquisas de levantamento permitem a obten;ao de informa;6es ltlilt,tl~ '•' 11<1111 obtidas por outros metodos de pesquisa social. Por exemplo, ap6s a 1It "'' l't1..,1dentc Kennedy nos Estados Unidos em 1963, um grupo de pesquisado- llit'lllll d.tdos relativos area;aO do povo americana ao assassinato de seu presiden- ltit Ill It ,,.., 72 horas que seguiram atragedia. Foi-lhes possivel, assim, comparar are- ttltt jHIVIl logo ap6s o impacto emocional do tragico epis6dio e a rea;ao posterior, 1. d1 .tl~uns meses da ocorrencia. Foi-lhes possivel tambem avaliar a rea;aO es- 11llt 1 do povo enquanto ainda vivia o impacto do acontecimento. Alem disso, as I'd·,,., 1k lcvantamento permitem o estudo de grandes areas (atitudes de urn povo, 111111" 111 1.1 do eleitorado, etc.). Urn exemplo nacional pode ser visto na elei;aO para ttll '!hlt nil' em 1994. Na ocasiao, Fernando Henrique Cardoso estava em campanha, p1t!tll.lttllllll1CS de setembro o entao Ministro da Fazenda, Rubens Ricupero, teve vaza- hl'l l"'la tdcvisao trechos de uma conversa supostamente em off, em que o Ministro l'·'iill.t ;l .1 acerca da conveniencia de o Governo (aliado da candidatura de Fernando lit illl'lll' Cardoso) omitir certas informa;6es e divulgar outras, conforme seu interes- ,tr.lltrcvista, que o Ministro supunha nao estar indo ao ar, ele dizia nao "ter escru- llllhi~·· 1m selecionar as informa;6es para uso publico. Ap6s a repercussao do fato na tlldht, .trompanhado do pedido de demissao de Ricupero, o comite de campanha de n11111lo ll. Cardoso, prevendo urn possivel impacto negativo junto aopiniao publi- i'ilt 11mendou imediatamente uma pesquisa de levantamento para saber quao dano-· ,,-,,,11n sido aquelas declara;6es aelei;ao de seu candidato. Na epoca, os dados ob- llil; ,., IIHlstraram que o abalo junto ao eleitorado nao foi tao grande quanto se supos em 11tl l''tmeiro momento, principalmente entre os eleitores das classes C e D. Iksvantagens- As pesquisas de levantamento sao demoradas e, de maneira geral, l1 I" ndiosas. Requerem coopera;aO das pessoas entrevistadas e treinamento adequa- 1·• tl1 entrevistadores para que nao introduzam distor;6es nos dados coletados. Epre- ',,, ruidado especial na constru;aO do instrumento de coleta de dados e verifica;aO da ,,,,,ll..,lidade das muitas pessoas em geral contratadas para servirem como entrevista- tl•" ,...,. Requerem precau;ao especial na elimina;ao de possiveis tendenciosidades dos t'lllll'Vistadores e dos efeitos que certas caracteristicas dos mesmos podem desempe- iill.ll na ocasiao da entrevista (por exemplo, um entrevistador requintadamente vesti- "" pock inibir um entrevistado de nfvel economico inferior; um entrevistador de cor l111trionando numa pcsquisa de levantamento relativa a preconceito racial, etc.). 31
  22. 22. Fxrmplo dt: uma pt:~quisa de kvantamcnto - Scars, Maccoby e Levin (1957) con- duzirarn 379 cntrcvistas com macs da area mctropolitana da cidade de Boston que ti- vcssem nthos de cinco anos de idade matriculados em jardins-de-infancia. A finalidade destes investigadores era a de verificar a influencia que o comportamento dos pais, ao lidarem com manifesta.;;oes agressivas de seus filhos, exercia no comportamento agres- sivo destes ultimos. Para este fim escolheram uma amostra de maes tal como especifi- cada acima, e conduziram entrevistas com cada uma delas visando a obten.;;ao de da- dos relativos a: 1) maneira de elas lidarem com as manifesta.;;oes agressivas de seus fi- lhos, no que concerne apermissao ou puni<;:ao de tais manifesta.;;oes; 2) depoimento das maes em rela.;;ao aagressividade exibida por seus filhos. Analisando os resultados obtidos, verificaram que a maior porcentagem de crian.;;as agressivas vivia em famflias onde predominava o comportamento permissive e altamente punitivo de manifesta- .;;oes agressivas, isto e, famflias que permitiam manifesta.;;oes agressivas por parte das crian.;;as, mas que, ao mesmo tempo, reagiam de forma extremamente punitiva diante de tais manifesta.;;oes. A menor porcentagem de crian.;;as agressivas foi encontrada nas famflias que procuravam impedir as manifesta.;;oes agressivas das crian.;;as em dire.;;ao aos pais, mas que o faziam de forma pouco punitiva. 42% dos meninos e 38% das me- ninas considerados muito agressivos numa escala avaliadora de sua agressividade per- tenciam a famflias altamente permissivas e altamente punitivas; apenas 4% dos meni- nos e 13% das meninas considerados muito agressivos foram encontrados em famflias em que predominavam pouca permissividade e pouca puni.;;ao. 0 estudo de campo Caracterfsticas - Mais restritivas em escopo que as pesquisas de levantamento, as pesquisas do tipo estudo de campo permitem ao pesquisador um exame mais aprofun- dado do t6pico da pesquisa. 0 estudo e conduzido num ambiente determinado no qual ocorre o fenomeno psicossocial cujo estudo constitui o objeto da pesquisa. Vantagens- A principal vantagem do estudo de campo eo fato de ser conduzido no ambiente natural em que se desenrola o fenomeno estudado. Permite o estudo deta- lhado de um problema especffico, sugerindo etapas posteriores de estudo em que ou- tra estrategia de pesquisa seja mais aconselhavel (por exemplo, um experimento de campo). Finalmente, o estudo de campo tem a vantagem de possibilitar a descoberta da importancia de variaveis inicialmente negligenciadas pelo pesquisador, mas cuja relevancia vem atona pelo fato de o estudo ser conduzido num ambiente natural, no qual uma serie de variaveis atua de forma concomitante. Desvantagens- Um dos problemas praticos de maior importancia na condu.;;ao de estudos de campo ~ ode obter a colabora.;;ao dos responsaveis pelos locais onde o mes- 38 111111'1'11jllll, II"ll '>I llljlll '11' l lll'>l)!.lll' .t i OI.thtll oiC,.<(ll dt: IIIII lttt hi[' ilr IIIII I ok )!.ll pat<! t OIllliZII 1111 t''>ltHIOdt• taltqHl, 0 l do '>lljll'llll l'lldt•lltt' tk Ill• dr ""'·' ro1npanltia, ou do din:tor dt• '"" ho-.pllal. I t't'lllt'<lllH'Illt', a'> dt'W<11 · 1"1 il• >'i ' •.tttdll'> de campo '><ill aquela-. comun-. <'> pt''>qui'>a~ ex pc>1fmto ,ou '>t' ja, tli tltinde t'lll t vtt.u·cxplica<;t)t'~ altc1nativas c.k vidn a(alta de controlc da variavd indc it•h ill!' ,_, dt ptl..,'>IVI'i'> in!lu(·ncia~ do fator autosselc.;;ao. 0 fator autossclcc,;ao diz reo., ll•ttl pi> •.thtltdndc de uma variavcl dcsconhecida scr rcsponsavcl pcla composi<;ao 'I'L'' '•illtl.tdn como, por cxcmplo, intcrcsscs poltticos lcvarcmumlocal a tcr uma 111 ilptu t tic indivl(.luos c tal variavcl scr rcsponsavcl dircta por [cn6mcnos ,ilit.u ltl'> No exemplo que sc segue, scrao fcitos comcntarios cspccifi cos acerca It~ pi' .-;~v,_ l tllllll('ncia de autossclcr;ao num cstudo de campo, hem como acerca das ve qm .,,. lazem ncccssarias por parte do pesquisador a fim de certificar-sc de t• luliiVl' ,1llOSSCict,;aO. i "'"'I'",de um cstudo de campo - Deutsch e Collins (1951) realizaram um estudo Il l( "'' 111 dnio., projctos residenciais, um nas proximidades e outro na cidade de Nova tl· i' .twlo tinha por objetivo principal verificar a influencia exercida pelo fato de llllt..:lt , ]lllllt'IOS scr segregado eo outro integrado racialmente, na eventual mudanc;a lilt~>I> P" n mceituosa de brancos em relar;ao a negros. Foram conduzidas cerca de itt II-,,.,,,,.., com clonas-de-casa moradoras em ambos os projetos residenciais, a'> il •!•'''"" -.d cdonadas atraves de um procedimento de escolha aleat6ria. .'' ' " 111..,.10 mais importantc da pesquisa foi a de que a convivencia inter-racial no I' Ill tlll rgl;tclo (azia com que os brancos tivessem atitudes mais favoraveis aos m• 1 1 tl >H,tltl ia apcnas no projeto residencial integrado. Como dizem Deutsch c Col Iil'i I ), lllllll cxperimento ex post facto, como o que estamos descrevendo aqui, ha scmpre a necessidade de sermos cautelosos ao fazer inferencias causais. Tc mosque enfrentar, inevitavelmente, a pergunta: "0 que veio primeiro?" lsto t, as diferen~as de atitudes entre as donas-de-casa do projeto integrado e da~ do projcto segregado birracial existiam antes de elas residirem em tais projc lOS c talvez tenham causado o fato de elas residi.rem num ou noutro tipo de pro jcto residcncial? Ou as difercn<;as em atitude resultaram do fato de clas vi vt•rcm nos dois projctos diferentcs? (p. 6 l5). l i'"'' tt'<0 do uso do tcrmo "expcrimcnto ex posLfaao" de que os autorcs dcste hllithtl ,1, ,, onlam, a citac;ao acima cinteiramcntc pcrtinente. Faz-se mister dctcrmi 1111 i Pill I" u .t...ao st', antes de Ia residirem, havia ou nao uma atiwde pclo menos mai'> ft ,h 1 1,li_lpll'l'lliH't'ito contra pes~oas da rac,;a negra por parte daquclas donas-de casa I"' ;:dut itV.tllt no projeto rcsidencial intcgrado. Sc isto nao for csclarccido, o probk lht d,t '"''"""dn;ao tk que lalamos anteriormente pa~saria a dcscmpcnhar papd pre 39
  23. 23. pondt•t;Illt,. , 111v:d td.tndn "" l onrlu!->IW~ da pe!->quisa. Em outras palavras poclcr-sc-ia cli- zcr que as duas amostras 11~10 cram scmclhantcs ao ingrcssarem nos projetos residenci- ais. Elas sc tcriam autosselecionado no sentido de que, em face da diferenc;a de atitudc em relac;ao a preto preexistente, as pessoas integrantes das amostras escolheram seleti- vamente um ou outro tipo de projeto residencial. Deutsche Collins (1951) apresentam, no entanto, uma serie de indicios de que nao havia diferenc;a em atitudes antes de as pessoas ingressarem nos projetos residen- ciais. Vejamos aqui alguns deles. Os pesquisadores salientam que na ocasiao em que os moradores ingressaram no projeto havia uma desesperada procura de habitac;ao. Acre- ditam eles que esta motivac;ao seria superior a qualquer desejo de evitar contato com pessoas de outra cor, levando-os, por conseguinte, a acreditar que nao houve selec;ao previa, pois a necessidade de obter moradia era premente. Alem disso, na ocasiao em que ingressaram, os moradores nao tinham opc;ao entre projeto segregado ou integra- do, pois todos os projetos segregados ja estavam completamente lotados. Buscando mais indicios de que nao houve autosselec;ao, os pesquisadores verificaram a porcenta- gem de pessoas que se recusaram a morar nos projetos residenciais estudados quando lhes foi oferecida a oportunidade. Houve apenas 5% de recusas e, dentre estes, apenas alguns alegaram motives relacionados com problema racial. De outro lado, a maioria das pessoas entrevistadas revelou que sabia, anteriormente asua mudanc;a para os con- juntos residenciais, que eles eram integrados ou segregados. Indicac;ao adicional em favor de nao haver atitudes previas favoraveis aos negros entre as donas-de-casa resi- dentes nos dois projetos eo fato de uma amostra de crianc;as em ambos os projetos ter sido entrevistada. Os resultados confirmaram a menor ocorrencia de preconceito con- tra negros entre as crianc;as do projeto integrado. Ora, e improvavel que as crianc;as ti- vessem exercido qualquer participac;ao relevante na decisao tomada pelos pais de mo- rarem neste ou naquele projeto. Elas simplesmente seguiram o que foi decidido. 0 fato de constatar-se tambem entre as crianc;as uma diferenc;a entre os moradores dos dois projetos aumenta a certeza de que a convivencia favorece a diminuic;ao do preconcei- to. Alem de todos estes indicios, Deutsche Collins fizeram perguntas especificamente destinadas a verificar como as donas-de-casa entrevistadas se sentiam antes de mora- rem nos conjuntos residenciais no que concerne ao preconceito. Atraves de perguntas retrospectivas, foi verificado o quanto elas haviam mudado em suas ideias acerca de negros antes e depois de habitarem no projeto, qual a quantidade de contato que elas haviam tido com negros antes de se mudarem, etc. As respostas a estas perguntas indi- caram que as donas-de-casa do projeto integrado reconheciam uma significante mu- danc;a nas suas ideias acerca dos negros; quanto aquantidade de contato mantido antes da mudanc;a, nao se verificou diferenc;a entre os dois projetos, diminuindo assim a pos- sibilidade de as moradoras do projeto integrado terem, inicialmente, menos precon- 40 1d 1111 t'dtllliOlll<IIIIO dl' (jill' il I llH u..,l0 do.., ;lUI Oil'S l'Sia l'OI l'l'la: C0111paran- 11Hiit1ol1111 ., do pllljt'll 11lll'gtado que e~tavam neil' ha muito~ anos com os que tl1dii1 11.1jHllllll tl'lllpo, vcrilicou sc que os primciros tinham atitudes menos ~~~ 1illl! itllh q111' o.., ultimo~. o que dcmonstra a inOuencia do convfvio indepen- 1111 ili i' "'' l'll""'v'''" <llltudcs iniciais. II tl;i' '''' (Ill' IHit· do cxcmplo aduzido, o estudo ex postfacto pode permitir o es- 11111'11111 dr H l.u,;m·.., entre variavcis em termos da ordem sequencial das mesmas, lito' 1111111.1 .llgucia do pcsquisador para apresentar conclusoes convincentes. xporlmentais qttl•:,l'i q11c utilizam o metodo experimental, ao contnirio das que lanc;am ti ltllk,-; n fW1 facto ou correlacionais, destinam-se a encontrar e confirmar h' , lll'i,1' deito entre variaveis, em condic;oes especificadas de forma estrita, tllillild•• I'"' ncdcncia, um metodo de investigac;ao te6rica. Nesse sentido, con- Ill ti Ill o1111.111.1a da variavel ou das variaveis independentes e, posteriormente, ob- III •·t.'ll'' 1''i nt uais dcitos na variavel ou nas variaveis dependentes. Assim, por tpl11 11111 'd111 ,1dor pocle submeter duas turmas a dois metodos de ensino diversos 1·1 1 ltlldt (H ndcnte) c ao tennino do semestre verificar se houve diferenc;a no ren- llltl d•• ,.dlllHl.., (variavel dependente). As pesquisas experimentais tambem po- '''' 1tlid,,., '111 dois grupos: experimentos de campo e experimentos de labora- ·t i! "'""· .t o,cguir, as caracteristicas, vantagens e desvantagens de cada um des- h 11(111~ d1 pt'!'>((lliSa que Utilizam 0 metodo experimental. '"''"'o de campo 1 1,,.,,,,t~t kas - Assemelhando-se aoestudo de campo no que tange aobservac;ao l1tllloio'lllt 1o,tudado em seu ambiente natural, o experimento de campo dele difere pt 1iililll Ill' pco,quisador a manipulac;ao da variavel independente cujo efeito pre- . H'tllit 'HI Po~sui , pois, as caracteristicas ja mencionadas quando nos referimos Ilid" d•' t::unpo, porcm apresenta esta crucial diferenc;a capaz de distinguir nitida- tl1 P i lil'i tl11,1., co,tratcgias de pesquisa. Nao ha como negar que haja algumas restri- lll!poi!lloi'•pda situac;ao real em relac;ao amanipulac;ao de variaveis independentes. 1 1''"1' , pn1 excmplo, alterar avontade a rotina de um hospital, de uma institui- h" !'111.ll,l n11 de uma industria. Pode-se, porem, dentro de um raio de ac;ao estabe- td"l't'l''' ,·;uactntsticas do ambiente onde sera executado o experimento, criar dife- 111 ·1 • """ 1~ ,·H•.., ex peri mcntais antes das observac;oes relativas avariavel dependente. ''', ••I, 11 ,llll'lto,li<.:a marcantc do experimento de campo: manipulac;ao de variaveis 41
  24. 24. lltdqH'tHil'llll'" pl'lo pl·..,qubador c obscrvar;ao de seus efeitos na variavel dependente numa ~itua<;;<O natural. Vantagens- 0 experimento de campo tern todas as vantagens do estudo de campo e quase todas as do experimento de laborat6rio (ver mais adiante). Dentre os metodos de pesquisa vistos ate agorae o que apresenta maiores beneficios, pois nao tern as dificulda- des inerentes aos metodos ex postfacto e tern a vantagem de analisar o fen6meno em es- tudo tal como ele ocorre no ambiente natural. Nao ha duvida de que experimentos de campo sao considerados, pela maioria dos autores, como a forma mais desejavel de pes- quisa em Psicologia Social, a nao ser em certas circunstancias especiais em que se faz in- dispensavel o recurso ao experimento de laborat6rio. Desvantagens- Entre as desvantagens do experimento de campo se encontra a difi- culdade em obter cooperac;:ao (ja visto acima em relac;:ao as desvantagens do estudo de campo). Alem disso, o experimentador ve-se urn tanto limitado em sua liberdade de tes- tar as variaveis que julga ser importantes em face as restric;:6es inerentes a estrutura rues- rna do ambiente natural onde se desenrola o estudo. Uma terceira desvantagem de tal tipo de pesquisa e a possfvel apreensao quanto a uma possfvel avaliac;:ao que os sujeitos da experiencia possam exibir. Mais explicitamente, digamos que, em determinada fabri- ca, urn pesquisador teste dois tipos de incentives para verificar qual deles surte maior efeito. Pode ser que os sujeitos da experiencia, ao perceberem que seu comportamento esta sendo observado e medido, comecem a levantar hip6teses acerca do que se pretende com aquela atividade. Podera ocorrer aos sujeitos, por exemplo, que eles estao correndo o risco de serem despedidos e por isso estao sendo rnais cuidadosamente observados. Tal apreensao podera leva-los a esforc;:os inusitados para evidenciar maior rendimento, o que, por si s6, constitui uma variavel nao controlada pelo experimentador, podendo le- va-loa conclus6es erroneas relativas aos efeitos das variaveis manipuladas. Tal situac;:ao ocorreu em experimentos de campo realizados em Hawthorne (ROETHLISBERGER & DICKSON, 1939), onde as operarias de uma fabrica passaram a demonstrar rendimento inesperado devido ao fato de perceberem que estavam sendo avaliadas de alguma forma. Urn dado curioso acerca deste estudo e que ele tornou famosa a expressao Efeito Hawthorne, aplicada a fatores sociais em ac;:ao em ambientes de trabalho- de como tra- balhadores sao sensfveis ao comportamento de seus colegas e de como regras infor- mais de conduta podem suplantar aquelas mais formais que regem a companhia- ou, no campo da metodologia, a ac;:ao de variaveis independentes insuspeitadas e invisfveis quando da montagem de urn experimento. No estudo original (1924-1932), numa fa- brica de telefones da Western Electric Company, chamada Hawthorne, os psic6logos su- puseram inicialmente que a alterac;:ao da iluminac;:ao ambiente provocaria mudanc;:as positivas no dese~penho dos trabalhadores, o que foi a princfpio confirmado. Adian- 42 li ', r!IIIIH.llillllllllldanc,;a... nos iiiii'IVilll'i p.llil c;d,·· ,. 1111... PI'IIOdll., .,('111:llill'i dt• lt,dla lhu,.- 111.ls : lrcntc, tudo isto, ~() qul' l'"' M'lllidOIIIVl'ti'>O illl':tliz.tdo illlll'tllltiiH'Illl' iH'illll' l11minosidadc, menos intctvalos, t'll'. ). 1'.111 suma, obsctvou st· que, indcpt•n iH• tlltllll' da ar;ao dos pesquisadorcs, a produtividadc continuava a subir! i"•'vt rdade era a presenc;:a dos psin'llogos na fabrica que funcionava como a verda- It illl I oiii<IVcl independente. Atenc;:ao pcrsonalizada, ser observado e supor que seu lhtlt 1 dlt11 I' dip;no de considerac;:ao foram , nesse caso, os principais fatores responsaveis lh h•l 111111lanr;as obtidas. 1'••··1''' ionnente, a metodologia entao empregada, bem como os resultados obtidos, lt!l ittlllltt qucstionada (ADAIR, 1984; PARSONS, 1974; RICE, 1982). See verdade o que 1111 h ,,., acima citados afirmam, ao negar que tenha havido urn aumento real da pro- lliil· 1tl.11k da maneira como foi, e que continua sendo divulgado pelos manuais de Psi- ttl!•!''' ">ncial, para n6s vale a ressalva de que o que se convencionou chamar de Efeito ll·nl tl111111l' funciona ao menos como uma especie de alerta para os muitos cuidados que '! 111 .,,.r tornados ao se criar urn experimento de campo. 1 ,,·mplo de urn experimento de campo- Coch e French (1948) realizaram urn llt'tltm·nto de campo com a finalidade de verificar a forma mais eficaz de veneer as 1 ·.hi• lll'tas a mudanc;:a geralmente encontradas toda vez que se mudam os habitos das I'' .,.,,,,,.., romaram como ambiente natural para teste de suas hip6teses uma fabrica de l'lltIILI''• onde as funcionarias exerciam diferentes atividades e ganhavam urn sala tl!i j,,,..,, e uma gratificac;:ao correspondente ao desempenho apresentado.Verificava-se I''' ljlt.lndo uma funcionaria era transferida de uma sec;:ao para outra a novidade data 11 l.t dttava seu rendimento o que, consequentemente, acarretava uma diminuic;:ao de 11 1 1 11 tllunerac;:ao mensal, de vez que a parte variavel proporcional ao seu rendimento Iii I'" 1udicada pela falta de experiencia na nova modalidade de trabalho. As conse- •!1CIIt ,,,.., dai decorrentes eram pessimas. 0 nivel de absentefsmo aumentava, abando- th! ,,htl'mprego ocorria com maior (requencia, muitas nao recuperavam sua eficiencia ••!ij•ilt.d , enfim, graves consequencias para as funciomirias e para a fabrica decorriam t•;l.t tncdida que, por outro lado, sejustificava sob outros aspectos. lmpunha-se, por- ''"'"'·dcscobrir a forma que possibilitasse a obtenc;:ao das vantagens como revezamen- lll itfll'xercicio das diferentes func;:oes, e evitasse as maleficas consequencias que tal re- f· .ulll'nto estava acarretando. Baseados em proposic;:oes da teoria lewiniana relativas a tt•,hlt'ncia a mudanc;:a, Coch e French criaram tres condic;:oes em seu experimento: llrtul.utr,;a de func;:ao das funcionarias sem qualquer participac;:ao das mesmas na deci- 11 tomada pela direc;:ao da fabrica; mudanc;:a com participac;:ao das funcionarias atra- ,,'., d1· representac;:ao; e uma terceira condic;:ao em que a mudanc;:a era (eita com total p.11111 tpac;:ao de todos os membros que iriam ser transferidos. Caracteriza-se, ncstc p1111 l'dimento, o experimento de campo. Um grupo que poderia ser chamado de grupo 43

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