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CADERNO DE PAUTA
N A T A L / R N , 2 5 d e A b r i l d e 2 0 1 6 . A N O 1 - E D I Ç Ã O 0 0 4
Caderno de Pauta cadernodepauta www. cadernodepauta.blogspot.com.br
PASSOS LARGOS CONTRA A
DEMOCRACIA
Por Laís Di Lauro
	 Não existe neutralidade.
Não existe isenção ideológica. Não
há como fugir ou se esconder. Ex-
plosões de fanatismo partidário,
valorativo e ideológico, extrapolam
a discussão verbal, perpassando
por vários estratos sociais. O al-
cance é expandido a cada segundo.
	 A política está em todo
lugar. É um jogo de convencimento
que utiliza da argumentação como
ferramenta de persuasão. Sempre
há dois lados, duas verdades sendo
defendidas e debatidas ferrenha-
mente. Não há politicagem objetiva
e descompromissada. Para existir
política é necessária a divergência
de interesses.
	 O atual momento políti-
co no Brasil é de instabilidade e
tensão. As ruas tornaram-se palco
para vozes de milhares de manifes-
tantes que clamam pela democra-
cia. Centenas de pessoas, dos mais
variados extratos da sociedade,
romperam estruturas ideológicas
e, juntos, foram reivindicar seus di-
reitos, assegurados na constituição
de 1988 e fundamentos na sobera-
nia, na cidadania, na dignidade da
pessoa humana, nos valores sociais
do trabalho e da livre iniciativa e
no pluralismo político, como cons-
ta no Art. 1º, e que garante a igual-
dade perante a lei sem distinção
VVVVde qualquer natureza, con-
forme o Art. 5º.
	 Uma reforma política
foi idealizada. Sonhada e, muito
provavelmente, inalcançável.
	 No último domingo (17 de
Abril) durante a votação pela câ-
mara dos deputados do Impeach-
ment da atual presidente do país,
Dilma Rousseff, representantes
escolhidos democraticamente pela
população votaram contra ou a fa-
vor ao prosseguimento do processo
e decepcionaram a nação. Um mo-
mento crucial para o rumo futuro
do país virou um espetáculo tele-
visionado de forma escancarada-
mente manipulativa.
	 A conquista de dezenas de
gerações está se desintegrado em
nossa frente, se diluindo sobre nos-
sos olhos. Não há tempo pra par-
tidarismo, fanatismo e radicalismo.
O momento é de luta e resistência.
Não podemos deixar a democracia
morrer. Outra vez.
	 Esquerda e direita assum-
iram posturas extremas, em alguns
casos até utilizando-se do nome
de Deus, da religião, da família, e
de figuras líderes de movimentos
repressivos – como o diretor do
Doi Codi, que foi citado por um
dos deputados na hora da escol-
ha do voto. Voto este que revira o
caldeirão político brasileiro, onde
não há mais respeito, dignidade,
ética, boas condutas e intenções
louváveis.
	 No atual estado do país, não
é possível ver com nitidez ou ter
um discernimento através da
Foto: https://descortinarse.files.wordpress.com/2016/04/democracia.jpg?w=430&h=286
Grupo Permantente de Estudo da Entrevista / Universidade Federal do Rio Grande do Norte
N A T A L / R N , 2 5 d e A b r i l d e 2 0 1 6 . A N O 1 - E D I Ç Ã O 0 0 4
EXPEDIENTE Participaram desta edição: Sebastião Albano - coordenador; Thayane Guimarães - programação visual e
revisão; Laís Di Lauro e Luiz Henrique Gomes - Redação
EXPEDIENTE
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Veja mais conteúdo exclusi-
vo em artigos sobre política e
democracia no nosso blog!
névoa do cenário político. 		
	 A confusão alastrou-se em
meio a uma população predomi-
nante alienada pela possibilidade
de uma suposta “reforma política”
que, na verdade, não passa de um
desejo utópico – se realizado por
vias fora da legalidade.
	 Até o momento, a discussão
acerca a legalidade do processo de
impeachment contra a presidente
Dilma Rousseff não foi concluída,
embora o processo esteja em an-
damento. A grande mídia tem re-
alizado uma cobertura parcial dos
fatos, e, em nenhum momento,
houve uma apuração maior das in-
formações a fim de divulgar a pop-
ulação, que sofrerá diretamente as
consequências das escolhas políti-
cas sendo tomadas no momen-
to. Discussões entre especialistas
em direito também não ajudam
a esclarecer a situação; resta-nos
apelar aos nossos instintos e ir em
busca do que acreditarmos ser o
melhor a nação brasileira.
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to tempo foi sufocada com lençóis
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DESCRENÇA E BARBÁRIE
Por Luiz Henrique Gomes
	 A descrença nas instituições e a distância dos nossos represent-
antes políticos levam o povo brasileiro à barbárie. Na capital potiguar, os
fatos dos últimos dias deixam evidentes o quanto perdemos a crença na
justiça do Estado e o senso de civilização. Seja qual forem os caminhos
tomados pelo cenário político, a tarefa de recuperar a confiança da socie-
dade não será fácil.
	 Aqui em Natal, pareceu mais justo e efetivo humilhar dois
adolescentes, deixando-os nus e amarrados um ao outro para forçar uma
corrida numa das principais avenidas da cidade, e tentar matá-los de for-
ma cruel, jogando-os da ponte de Igapó amarrados em pedras, do que
procurar as autoridades competentes que cuidam da segurança pública.
O absurdo continuou na repercussão do caso: parte dos potiguares acei-
tou o crime como justo e bem pregado.
	 Mas como cobrar da população confiança nas instituições? O
número de assaltos cresce em Natal dia após dia, a crise do sistema pri-
sional se agrava com o crime organizado tomando conta dos presídios,
assassinatos são cada vez mais frequentes, seja execuções da PM, latrocí-
nio, ou guerra entre facções. Isso aliado a outras ineficiências institucio-
nais: afinal, a situação da saúde, educação e transporte público da cidade
também não é das melhores. O que não está desmoronando é porque já
desabou.
	 É nesse cenário que o nosso povo assiste aos fatos do Planalto
Central. Mesmo que o processo do impeachment seja reprovado e nos-
sa democracia respeitada, restando resquícios da moral política do país,
é difícil imaginar que deixarão Dilma governar. Além disso, não faltam
oportunistas no congresso nacional que estejam transformando seu voto
no processo como moeda de troca por cargos e posições importantes
num futuro governo, seja ele peemedebista ou petista. O discurso que
ganha o apoio dos principais jornais do país, a convocação de eleições
gerais, também tem seus perigos para o Brasil. Visto pela mídia, tudo
parece mais ficção que realidade.
	 Quem vai ganhando espaço com isso é o fascismo. Nas ruas e
nas mídias. A imprensa também vive sua crise de credibilidade, e quem
se sobressai é o jornalismo sensacionalista que atiça e bestializa a pop-
ulação. Crimes cometidos em nome de uma justiça são aclamados nos
jornais do meio-dia. Para eles, quanto mais violento, melhor.
	 Portanto, quem mais necessita do Estado é alimentado pela raiva
desses jornais e assiste os fatos políticos nacionais sem sentir que o re-
sultado da confusão e da incerteza vai afetar seu futuro. Prova disso é a
saída às ruas, pelo impeachment ou pela defesa da democracia, que não
abraçou essa parcela da sociedade. Para eles, Brasília virou um simula-
cro que não tange as suas vidas. Por isso, o que aconteceu em Natal, in-
felizmente, não é um caso isolado: a sensação de falência das instituições
levam essas atitudes para todos os cantos do país.
Fique ligado nas nossas re-
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  • 2. Grupo Permantente de Estudo da Entrevista / Universidade Federal do Rio Grande do Norte N A T A L / R N , 2 5 d e A b r i l d e 2 0 1 6 . A N O 1 - E D I Ç Ã O 0 0 4 EXPEDIENTE Participaram desta edição: Sebastião Albano - coordenador; Thayane Guimarães - programação visual e revisão; Laís Di Lauro e Luiz Henrique Gomes - Redação EXPEDIENTE Caderno de Pauta cadernodepauta www. cadernodepauta.blogspot.com.br Veja mais conteúdo exclusi- vo em artigos sobre política e democracia no nosso blog! névoa do cenário político. A confusão alastrou-se em meio a uma população predomi- nante alienada pela possibilidade de uma suposta “reforma política” que, na verdade, não passa de um desejo utópico – se realizado por vias fora da legalidade. Até o momento, a discussão acerca a legalidade do processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff não foi concluída, embora o processo esteja em an- damento. A grande mídia tem re- alizado uma cobertura parcial dos fatos, e, em nenhum momento, houve uma apuração maior das in- formações a fim de divulgar a pop- ulação, que sofrerá diretamente as consequências das escolhas políti- cas sendo tomadas no momen- to. Discussões entre especialistas em direito também não ajudam a esclarecer a situação; resta-nos apelar aos nossos instintos e ir em busca do que acreditarmos ser o melhor a nação brasileira. A democracia, que por tan- to tempo foi sufocada com lençóis de sangue, está, novamente, sendo ameaçadas por visionários dentro de um sistema corrupto e instável. O tão almejado equilíbrio nacional no atual cenário está cada vez mais distante de ser conquista- do. A sociedade está caminhando a passos largos em direção contrária à democracia. DESCRENÇA E BARBÁRIE Por Luiz Henrique Gomes A descrença nas instituições e a distância dos nossos represent- antes políticos levam o povo brasileiro à barbárie. Na capital potiguar, os fatos dos últimos dias deixam evidentes o quanto perdemos a crença na justiça do Estado e o senso de civilização. Seja qual forem os caminhos tomados pelo cenário político, a tarefa de recuperar a confiança da socie- dade não será fácil. Aqui em Natal, pareceu mais justo e efetivo humilhar dois adolescentes, deixando-os nus e amarrados um ao outro para forçar uma corrida numa das principais avenidas da cidade, e tentar matá-los de for- ma cruel, jogando-os da ponte de Igapó amarrados em pedras, do que procurar as autoridades competentes que cuidam da segurança pública. O absurdo continuou na repercussão do caso: parte dos potiguares acei- tou o crime como justo e bem pregado. Mas como cobrar da população confiança nas instituições? O número de assaltos cresce em Natal dia após dia, a crise do sistema pri- sional se agrava com o crime organizado tomando conta dos presídios, assassinatos são cada vez mais frequentes, seja execuções da PM, latrocí- nio, ou guerra entre facções. Isso aliado a outras ineficiências institucio- nais: afinal, a situação da saúde, educação e transporte público da cidade também não é das melhores. O que não está desmoronando é porque já desabou. É nesse cenário que o nosso povo assiste aos fatos do Planalto Central. Mesmo que o processo do impeachment seja reprovado e nos- sa democracia respeitada, restando resquícios da moral política do país, é difícil imaginar que deixarão Dilma governar. Além disso, não faltam oportunistas no congresso nacional que estejam transformando seu voto no processo como moeda de troca por cargos e posições importantes num futuro governo, seja ele peemedebista ou petista. O discurso que ganha o apoio dos principais jornais do país, a convocação de eleições gerais, também tem seus perigos para o Brasil. Visto pela mídia, tudo parece mais ficção que realidade. Quem vai ganhando espaço com isso é o fascismo. Nas ruas e nas mídias. A imprensa também vive sua crise de credibilidade, e quem se sobressai é o jornalismo sensacionalista que atiça e bestializa a pop- ulação. Crimes cometidos em nome de uma justiça são aclamados nos jornais do meio-dia. Para eles, quanto mais violento, melhor. Portanto, quem mais necessita do Estado é alimentado pela raiva desses jornais e assiste os fatos políticos nacionais sem sentir que o re- sultado da confusão e da incerteza vai afetar seu futuro. Prova disso é a saída às ruas, pelo impeachment ou pela defesa da democracia, que não abraçou essa parcela da sociedade. Para eles, Brasília virou um simula- cro que não tange as suas vidas. Por isso, o que aconteceu em Natal, in- felizmente, não é um caso isolado: a sensação de falência das instituições levam essas atitudes para todos os cantos do país. Fique ligado nas nossas re- des sociais para mais infor- mações sobre o GRUPERT