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Falar sobre o futuro é uma das tarefasmais difíceis da vida! Na tradição cristã, aspessoas que se aventuraram à isso, como...
O teólogo Jürgen Moltmann, reconhecido como um homem devisão, já nos chamara a atenção em sua Teologia da Esperança:      ...
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Mas, eu também „sou do tempo‟ emque, seguindo Weber, se valorizava aimportância das instituições na produção dasidéias. As...
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Antes de tratar do futuro, vamos dar uma breve e panorâmica olhada emaspectos do passado e do presente...
Vinte anos atrás (1990) ...   Era a época do fortalecimento dos    reajustes econômicos neoliberais. No    campo ideológi...
Vinte anos atrás (1990) ...   Não havia ainda nas igrejas uma nitidez    das propostas de avivamento    religioso, como t...
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Dez anos atrás (2000)...   Houve um agravamento da crise    social, com o aumento da pobreza e da    violência urbana.  ...
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Dez anos atrás (2000)...   Havia certa insatisfação com a relação    entre teoria e prática ou, em outros    termos, entr...
Comparando esse dois quadros com a realidadeda educação teológica hoje, vemos que:    A conjuntura econômica e     social...
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   Em cada seminário ou faculdade de    Teologia há uma diversidade na afiliação    religiosa dos/as estudantes. O mesmo ...
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   Temas teológicos razoavelmente aceitos:    a responsabilidade social cristã, a relação    interativa entre igreja e   ...
   Temas teológicos conflitivos: ecumenismo    entre grupos cristãos, teologia    feminista, possibilidades litúrgicas qu...
Como será a educação teológica daqui adez anos (2020)?:   Antes de indicar algumas visões e desafios para a    educação t...
Gostaria também de enfatizar que tais  “visões e perspectivas” não são um desejo  pessoal, mas, sim, como eu vejo, a parti...
   Maior presença de pessoas de religiões não-    cristãs fazendo Teologia nas instituições    cristãs.   Fortalecimento...
   Popularização do estudo da Teologia devido    aos cursos na modalidade à distância (EAD)    e ao crescimento do intere...
   O número de mulheres e pessoas negras    nos corpos docentes continuará, a meu    ver, lamentavelmente reduzido. O mes...
   A insatisfação com as formas de mera    reprodução do    conhecimento, especialmente a não    valorização da diversida...
   As bases de uma teologia prática que foram    estabelecidas no contexto latino-    americano, especialmente a idéia qu...
   Temas teológicos que serão recorrentes:    teologia e direitos humanos, ecologia e    missão, ética e cidadania, missã...
   Temas como “teologia da prosperidade” e    “batalha espiritual” estão presentes no    debate teológico, mas perderão f...
E como será a educação teológicadaqui a vinte anos (2030)?:   Haverá uma assimilação da presença    conjunta de estudante...
   Os processos de aprendizagem serão    radicalmente alterados, especialmente    pelas formas de comunicação eletrônica....
   A relação entre teoria e prática será melhor    desenvolvida, tanto na relação da teologia    com o cotidiano das igre...
   Os temas relacionados à sexualidade humana    ganharão destaque. As instituições teológicas    e as igrejas precisarão...
   A teologia será mais integrada à    espiritualidade. Isso se dará como reação e    respostas aos desafios advindos das...
   Como referido, esse exercício não se    constitui em um “futurismo” ou em    projeções arbitrárias e artificiais, mas ...
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EDUCAÇÃO TEOLÓGICA - Como será o amanhã?

  1. 1. “COMO SERÁ O AMANHÃ?” Desafios, visões e perspectivas para a Educação Teológica nas próximas décadas. Claudio de Oliveira Ribeiro** Pastor metodista na Igreja de Jardim Santo André (Santo André-SP) e professor de teologia e ciências da religião da Universidade Metodista de São Paulo.
  2. 2. Uma meta serve para ser um alvo mas quando o poeta diz ‘meta’Pode estar querendo dizer o inatingível. (música popular brasileira) Não se conformeis com esse século, mas transformai-o pela renovação de vossas mentes. (Romanos 12. 2)
  3. 3. Falar sobre o futuro é uma das tarefasmais difíceis da vida! Na tradição cristã, aspessoas que se aventuraram à isso, comoos profetas por exemplo, foram duramentecriticadas, vistas, por vezes, comodesajustadas e, dependendo da visão quetiveram, foram mortas. O futuro éimplacável! Dele sabemos apenas que amorte nos espera. Tudo mais é:teologia, interpretação, apostasexistenciais, fé.
  4. 4. O teólogo Jürgen Moltmann, reconhecido como um homem devisão, já nos chamara a atenção em sua Teologia da Esperança: “Mas como falar de um futuro que ainda não existe, e de acontecimentos vindouros aos quais ninguém assistiu? Não se trata de sonhos, especulações, desejos e temores, que todos necessariamente permanecem vagos e indecisos, já que ninguém os pode comprovar? (...) Não é possível haver logos [conhecimento] do futuro, a não ser que o futuro seja continuação ou o retorno periódico e regular do presente. Mas se o futuro traz algo de surpreendente e de novo, sobre ele nada podemos afirmar, nem conhecer (...), mas tão somente naquilo que é permanente e retoma regularmente. Aristóteles chama a esperança de „sonho de quem está acordado‟. (...). A escatologia cristã não fala do futuro. Ela toma seu ponto de partida numa determinada realidade histórica e prediz o futuro da mesma, suas possibilidades e sua eficácia futura”. (São Paulo-SP, Ed. Teológica, 2003, p. 23.)
  5. 5. Nessa mesma direção, nos estudosculturais, o destacado pensador HomiBhabha, na obra O Local da Cultura, afirmaque “residir „no além‟ é ainda... ser parte deum tempo revisionário, um retorno aopresente para redescrever nossacontemporaneidade cultural; reinscrevernossa comunidade humana, histórica; tocar ofuturo em seu lado de cá. Nessesentido, então, o espaço intermédio „além‟torna-se um espaço de intervenção no aqui eno agora”. (Belo Horizonte-MG, Ed. UFMG, 2001, p. 27.)
  6. 6. Passado, presente e futuro fazem parte de uma mesma„mistura‟, como a vida. São dimensões que requerem de nósconstantes interpretações, e revisões e tomadas de posição. „Sou ainda do tempo‟ em que se compreendia que as idéiassurgem, em última instância, a partir das condições econômicase infra-estruturais dos processos de produção e de reproduçãoda vida. Isso significa que o futuro da educação teológica noBrasil, em seu conjunto de idéias e deperspectivas, dependerá, pelo menos em parte, das condiçõeseconômicas que o nosso País terá nas próximas décadas. Secontinuarmos com o desenvolvimento atual, lento, mas feito sobuma ótica inclusiva, oferecendo as pessoas mais pobresmelhores condições de vida, haverá avanço na reflexãoteológica especialmente porque setores de igrejas pentecostaise outros grupos que atuarem em áreas periféricas terão quadrosadvindos desse contexto formados nas instituições de ensinoteológico, que por sua vez, sentirão desafiados à seestruturarem melhor para tais desafios.
  7. 7. Mas, eu também „sou do tempo‟ emque, seguindo Weber, se valorizava aimportância das instituições na produção dasidéias. Assim, se as igrejas continuarem ocontrole que historicamente fizeram à educaçãoteológica, mas reservarem uma certa margem deliberdade para os seminários, faculdades deteologia e centros de pós-graduação afins, comome parece ser o caso da maioria das igrejas, aeducação teológica poderá avançar e contribuirpara uma renovação metodológica ou temáticaem questões que hoje não são aceitas ouconsideradas “tabus”. Indicaremos adiantealgumas delas.
  8. 8. Minha proposição é que se não ocorrernos próximos vinte anos rupturas no processodemocrático brasileiro que cerceiem osavanços sociais e a liberdade dasinstituições, incluindo as igrejas e as deensino, e se as igrejas mantiveram o perfilconservador [mesmo com o aceleramentodas propostas intimistas, massificantes erefratárias ao pensamento crítico, comovemos hoje] mas não eliminarem o espaço dereflexão mais crítica, a educação teológica vaiser mais avançada nos próximos dez ou vinteanos do que ela é hoje.
  9. 9. Arrisco-me, portanto, a algumas “visões eperspectivas”, como nos foi solicitado. Elassão fortemente baseadas no contexto daeducação teológicametodista, especificamente no caso daFaculdade de Teologia em Rudge Ramos(FTIM). Todavia, cada um dos pontos podeser estendido à outros contextos como aeducação teológica metodista no Brasil, ou odas igrejas evangélicas em geral ou dasigrejas cristãs como um todo, incluindo acatólica. Como se trata de uma „visão‟;outras lentes podem ser colocadas.
  10. 10. Antes de tratar do futuro, vamos dar uma breve e panorâmica olhada emaspectos do passado e do presente...
  11. 11. Vinte anos atrás (1990) ... Era a época do fortalecimento dos reajustes econômicos neoliberais. No campo ideológico, era o início de uma nova etapa política com o declínio dos estados socialistas. Isso influenciou bastante a reflexão teológica gerando perplexidade e uma certa imobilização, especialmente para a teologia latino-americana, devido às suas bases utópicas.
  12. 12. Vinte anos atrás (1990) ... Não havia ainda nas igrejas uma nitidez das propostas de avivamento religioso, como temos hoje. Elas eram incipientes, mas já falavam sobre o poder e já se distanciavam das formas de espiritualidade mais singelas e despojadas que marcaram as experiências de avivamento religioso no passado, e começavam a se interessar pelos espaços de poder, incluindo a disputa pela gestão das instituições de ensino secular e teológico.
  13. 13. Vinte anos atrás (1990) ... O número de estudantes de Teologia era reduzido, tanto na Faculdade de Teologia da Igreja Metodista como nos demais centros teológicos. O curso de Teologia não era reconhecido pelos órgãos federais de educação. No caso da FTIM, não havia vínculo direto com a Universidade em temos de gestão acadêmica.
  14. 14. Vinte anos atrás (1990) ... A inserção dos docentes na vida das igrejas não era intensa, embora esse seja um elemento de difícil medição, até porque os grupos contrários à reflexão teológica mais crítica, em geral, não valorizam o tipo de inserção eclesial ou o tipo de trabalho pastoral desenvolvido pelos integrantes dos corpos docentes dos cursos de teologia.
  15. 15. Vinte anos atrás (1990) ... O número de mulheres e de pessoas negras nos corpos docentes era reduzidíssimo. O mesmo se dava com pessoas leigas.
  16. 16. Dez anos atrás (2000)... Houve um agravamento da crise social, com o aumento da pobreza e da violência urbana. Sentia-se mais de perto, em diferentes áreas do conhecimento, os efeitos do que se chamou “crise de paradigmas”.
  17. 17. Dez anos atrás (2000)... Mesmo assim, a perplexidade, e até mesmo apatia, dos movimentos sociais de corte ideológico mais “à esquerda” deu lugar à uma boa mobilização mundial [logo em seguida ocorrem os Fóruns Sociais Mundiais] e nacional, com as posteriores eleições de governos populares no Brasil e em outros países da América Latina.
  18. 18. Dez anos atrás (2000)... As igrejas, não obstante a maior visibilidade de seus programas religiosos, vivenciavam internamente diferentes tensões, explícitas ou veladas, que geraram disputas políticas nos anos seguintes. Em alguns casos, com implicação direta na formação teológica.
  19. 19. Dez anos atrás (2000)... O curso de Teologia foi reconhecido pelo Ministério da Educação. No caso da FTIM, houve uma integração com a Universidade, especialmente nas áreas de gestão acadêmica e de pesquisa. O mesmo ocorreu em outros centros.
  20. 20. Dez anos atrás (2000)... Participação majoritária de estudantes da mesma denominação. No caso da FTIM, os estudantes eram basicamente metodistas. O número de estudantes se tornou maior do que na década anterior, mas ainda não era expressivo. O número de leigos/as, mulheres e de pessoas negras nos corpos docentes manteve-se reduzido.
  21. 21. Dez anos atrás (2000)... Havia certa insatisfação com a relação entre teoria e prática ou, em outros termos, entre teologia e pastoral. A segunda dimensão parecia estar sempre desprezada ou não devidamente valorizada.
  22. 22. Comparando esse dois quadros com a realidadeda educação teológica hoje, vemos que:  A conjuntura econômica e social, mesmo sendo contraditório e de difícil análise, nos mostra um quadro de mudanças, tanto no Brasil como em outros países latino-americanos, com propostas de inclusão social, a partir de projetos de distribuição de renda e de acesso à educação como o Prouni.
  23. 23.  As denominações cristãs, incluindo a Igreja Católica revelam forte crise de identidade e refluxo nos projetos evangelizadores de cunhos proféticos e libertadores. Há um aumento considerável no número de estudantes de teologia. Foi instituído o Ensino à Distância para a Teologia (EAD), mobilizando milhares de pessoas nos diferentes estados do Brasil.
  24. 24.  Em cada seminário ou faculdade de Teologia há uma diversidade na afiliação religiosa dos/as estudantes. O mesmo acontece nos Programas de Pós- Graduação em Teologia e Ciências da Religião. No caso da FTIM (ou FaTeo, como se passou a denominar), o número de estudantes pentecostais é expressivo, além de católicos/as. Tal convivência é pacífica, mas não isenta de tensões. Já há estudantes de religiões não- cristãs e/ou sem vínculo religioso formal.
  25. 25.  É bastante reduzido o número de mulheres e pessoas negras nos corpos docentes. Além de ser bastante tímida a presença leiga. A relação entre teoria e prática tornou-se uma preocupação mais efetiva do que nos últimos vinte anos. O perfil docente hoje é composto de pessoas com maior interação com o cotidiano das igrejas.
  26. 26.  Temas teológicos razoavelmente aceitos: a responsabilidade social cristã, a relação interativa entre igreja e sociedade, responsabilidade ecológica como fruto da ação social das igrejas.
  27. 27.  Temas teológicos conflitivos: ecumenismo entre grupos cristãos, teologia feminista, possibilidades litúrgicas que considerem elementos da cultura negra e indígena. Temas teológicos em geral refutados ou não aceitos: diálogo inter- religioso, sexualidade e homossexualidade.
  28. 28. Como será a educação teológica daqui adez anos (2020)?: Antes de indicar algumas visões e desafios para a educação teológica, ainda que feito sumariamente, quero retomar uma proposição anteriormente apresentada. Trata-se da pressuposição de que tais perspectivas devem se dar caso não ocorra nos próximos vinte anos rupturas no processo democrático brasileiro que cerceiem os avanços sociais e a liberdade das instituições, incluindo as igrejas e as de ensino, e se as igrejas razoavelmente mantiveram o perfil, ainda que seja de caráter conservador, mas não eliminarem, como já referido, o espaço para uma reflexão teológica mais crítica.
  29. 29. Gostaria também de enfatizar que tais “visões e perspectivas” não são um desejo pessoal, mas, sim, como eu vejo, a partir de certa sensibilidade histórica e intuição teológica, o que irá acontecer no futuro. Haverá uma assimilação nos diferentes seminários e faculdades de Teologia da presença conjunta de estudantes e docentes procedentes de grupos cristãos distintos. No caso da FaTeo, haverá uma convivência harmoniosa entre pessoas das igrejas evangélicas históricas, católicos e pentecostais.
  30. 30.  Maior presença de pessoas de religiões não- cristãs fazendo Teologia nas instituições cristãs. Fortalecimento acadêmico e institucional dos seminários e faculdades de Teologia no campo pentecostal e evangelical, fruto da participação de várias lideranças desses dois ramos nos vários Programas de Pós- Graduação em Teologia e Ciências da Religião no Brasil.
  31. 31.  Popularização do estudo da Teologia devido aos cursos na modalidade à distância (EAD) e ao crescimento do interesse pela Teologia no campo pentecostal e evangelical. Mais pessoas pobres estarão participando dos processo de formação teológica. Isso poderá redundar em um revigoramento da Teologia da Libertação, talvez em bases menos politizadas.
  32. 32.  O número de mulheres e pessoas negras nos corpos docentes continuará, a meu ver, lamentavelmente reduzido. O mesmo se dará em relação a presença leiga na docência teológica. Ainda que haja um bom número de mulheres e pessoas negras que tenham passado pelos processos de formação nas últimas décadas ou que passarão nos próximos anos, as instituições não criaram formas objetivas para responder esse grande desafio que o século XX nos gerou.
  33. 33.  A insatisfação com as formas de mera reprodução do conhecimento, especialmente a não valorização da diversidade cultural brasileira – marcas especialmente das igrejas evangélicas – gerará, ainda que não satisfatoriamente, a busca de uma teologia inculturada, que leve em conta a realidade concreta da vida, seus desafios e possibilidades. Essa foi a marca que, desde a década de 1960, esteve presente na Teologia Latino-Americana, será retomada nos próximos anos.
  34. 34.  As bases de uma teologia prática que foram estabelecidas no contexto latino- americano, especialmente a idéia que o/a professor/a de teologia ou teólogo/a precisa também ser pastor/a ou padre, serão aprofundadas. Essa inovação produzida pela Teologia da Libertação, que hoje procura ser implementada em boa parte das instituições de ensino, dará frutos. A reflexão teológica deixará de ser firmada meramente em conceitos e priorizará as práticas eclesiais e sociais cotidianas, tanto aquelas que expressam perspectivas políticas de cunho libertador como aquelas mais simples, gratuitas e que regem o dia-a-dia das pessoas, especialmente as mais pobres.
  35. 35.  Temas teológicos que serão recorrentes: teologia e direitos humanos, ecologia e missão, ética e cidadania, missão no mundo urbano e outras dimensões de uma teologia pública e cidadã.. Isso se dará pela confluência de, pelo menos, três fatores: (a) as respostas dos movimentos sociais e dos órgãos governamentais ao quadro social [hoje, por exemplo, a propaganda da defesa dos direitos humanos já aparece na televisão, feita pelo governo federal], (b) a manutenção da preocupação social nos círculos teológicos, e (c) a maior participação de pessoas das camadas populares na educação teológica.
  36. 36.  Temas como “teologia da prosperidade” e “batalha espiritual” estão presentes no debate teológico, mas perderão força nas igrejas e, consequentemente, na Teologia. O tema da ecologia será uma das prioridades. Ele será tratado não como “teologia social”, como nos dias de hoje, mas como teologia escatológica, ao associar preocupação ecológica à questão da salvação. Em outros termos: se o ecossistema é destruído somos [ou deveríamos nos sentir] menos salvos.
  37. 37. E como será a educação teológicadaqui a vinte anos (2030)?: Haverá uma assimilação da presença conjunta de estudantes e docentes, nos diferentes seminários e faculdades de Teologia, procedentes de diferentes religiões. Isso, entre outros motivos, irá requerer o aprofundamento de uma teologia ecumênica das religiões. Isso não será feito sem tensões, mas será um tema recorrente na educação teológica.
  38. 38.  Os processos de aprendizagem serão radicalmente alterados, especialmente pelas formas de comunicação eletrônica. Isso envolverá a educação teológica e a dinâmica dos cursos de teologia. Com isso, a teologia ficará mais “antenada” com os temas da atualidade e com questões multiculturais, próprias do mundo globalizado.
  39. 39.  A relação entre teoria e prática será melhor desenvolvida, tanto na relação da teologia com o cotidiano das igrejas como a relação da teologia com a sociedade e com a vida em geral. Isso se dará em função da conjugação de, ao menos, dois fatores. O primeiro é a herança que a Teologia Latino-Americana consolidou ao propor uma teologia prática que valoriza a comunidade eclesial e a articulação entre a fé e a política. O segundo é o zelo das igrejas em não permitir que a teologia „caia‟ em um academicismo ou em um secularismo teológico.
  40. 40.  Os temas relacionados à sexualidade humana ganharão destaque. As instituições teológicas e as igrejas precisarão refletir e responder as questões e demandas que surgirão nessa área, em especial a da homossexualidade. Isso se dará pelo fato do crescente número de cristãos, incluindo pastores, pastoras, padres e demais lideranças eclesiais assumirem a homossexualidade e terem os seus ministérios reconhecidos. Tal reflexão será tensa e poderá gerar divisões nas instituições de educação teológica e nas igrejas.
  41. 41.  A teologia será mais integrada à espiritualidade. Isso se dará como reação e respostas aos desafios advindos das mais diversas de vivência espiritual que se despertaram na passagem para o Século XXI. Estão inclusas aí a espiritualidade da libertação com sua dimensão profética, política e ecumênica, assim como as expressões religiosas de caráter mais individualista e avivalista, passando também pelas influências, que serão crescentes, das formas de espiritualidade das religiões não cristãs.
  42. 42.  Como referido, esse exercício não se constitui em um “futurismo” ou em projeções arbitrárias e artificiais, mas trata- se de uma interpretação da história, que reúne preocupações com o futuro, análises do passado e uma pauta para o presente. O futuro é de Deus, mas revelado para nós em “desafios, visões e perspectivas”, como solicitado para esse trabalho.
  43. 43.  Daqui a vinte anos, em 2030, estarei com 68 anos de idade. Espero em Deus estar vivo, mesmo que seja apenas literalmente, aposentado das minhas tarefas pastorais e docentes. Independentemente dos processos descritos, posso testemunhar no aqui e agora minha profunda gratidão a Deus de servir à Igreja, como pastor nesses últimos 25 anos, e como professor, nos últimos 15. Para mim, é tão gratificante testemunhar o fato de ter podido pregar e ensinar na igreja as mesmas coisas, obviamente com linguagens distintas, do que ensino nas aulas de teologia.
  44. 44.  Aos estudantes de teologia que se preparam para o ministério pastoral ou àqueles/as que já o exercem, digo que tal tarefa para mim foi e é o que de mais importante existe para mim. Da mesma forma, tenho a maior paixão em lecionar Teologia.
  45. 45.  Portanto, amem à igreja, mesmo que vejamos nela alguma contradição. Amem a teologia, mesmo que ela seja “curta”, “indigesta”, “inconfessa”. Amem o mundo e tudo o que Deus criou, porque fora do amor não há salvação. Essa pode ser, ainda que insuficientemente, a resposta humana, amorosa e responsável, ao amor incondicional de Deus.
  46. 46.  Espiritualidade Utopia Missão/inculturação Internet/comunicação eletrônica/mídia Método Shaull (onde Deus está agindo hoje?) Textos da simpósio e anteriores Globalização Exclusão Recriar a teologia

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