SlideShare uma empresa Scribd logo
1 de 8
Baixar para ler offline
Medeiros et al. Estácio Saúde, volume 9, número 1, 2020
24
EFEITOS DO EXERCÍCIO DO MÉTODO PILATES NA
ESCOLIOSE NÃO ESTRUTURAL: UMA REVISÃO
SISTEMÁTICA DA LITERATURA
EFFECTS OF EXERCISE SOFTHE PILATES METHOD IN NON-STRUCTURAL SCOLIOSIS:
SYSTEMATIC REVIEW OF LITERATURE
Daniele da Rocha Medeiros1
, Ana Inês Gonzales2,3
, Marcelo Faria Silva4
1
Fisioterapeuta. Graduada pela Universidade Federal de Santa Catarina, Ararangua, SC, Brasil.
2
Doutora em Ciências do Movimento Humano - Universidade do Estado de Santa Catarina, UDESC, SC, Brasil.
3
Docente do Centro Universitário Estácio, São José, SC, Brasil.
4
Doutor em Ciências do Movimento Humano, professor adjunto da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, UFRGS, Porto
Alegre, RS,, Brasil.
Resumo
O método pilates é utilizado atualmente para recuperação do alinhamento postural, uma vez que vem se
mostrando capaz de porporcionar melhora nos parâmetros de flexibilidade, coordenação e força muscular.
Caracteriza-se pela utilização dos principios de cinesiologia e biomecânica, onde a resistência ao movimento é
gerada nos exercicios em solo contra a força da gravidade e, em aparelhos, utilizando-se também da resistência
de molas a fim de aumentar ou reduzir a força e/ou auxiliar na execução do movimento. Embora sendo
amplamente disseminado como método de intervenção fisioterapêutica, seu conhecimento científico encontra-se
limitado. Optou-se em realizar através deste trabalho, uma revisão sistemática, com o objetivo de identificar os
efeitos da pratica do método pilates na escoliose não estrutural de jovens e adultos. Para tal, foi realizada uma
busca nas bases PEDro, SciELO, MEDLINE e LILACS, desde o início das bases até janeiro de 2018. Sendo
estruturada e organizada na forma PICO, utilizando os descritores (Movement Techniques, Exercise OR Exercise
Movement Techniques OR Pilates-based exercises OR Exercises, pilates-Based OR Pilates based exercises/ OR
pilates training OR Training, pilates) AND Scoliosis). Foi realizada uma busca manual nas referências dos artigos
incluídos na pesquisa. O processo de seleção dos estudos, e avaliação da qualidade metodológica foram
realizados por dois avaliadores. Ao final do processo de seleção, dois estudos foram incluídos. Estes
evidenciaram que um programa de exercícios usando o método é capaz de reduzir o grau de escoliose medido
pelo ângulo de Cobb, aumentar a flexibilidade e reduzir dor. Apesar dos dados encontrados, uma análise
conclusiva não é possível, visto o número limitado de estudos e principalmente de indivíduos analisados no grupo
experimental.
Palavras-chave: Técnica de exercício e de movimento; Escoliose; Terapia por exercício.
Abstract
The pilates methodis currently used for recovery of postural alignment, since it hass how to be able to provide
improvement in de flexibility, coordination and muscle strength parameters. It is characterized by the use of the
principles of kinesiology and biomechanics in which the principles of gravity and the resistances imposed by the
springs can be used in order to increase or reduce the resistance and assist in the execution of the movement.
REVISTA ELETRÔNICA ESTÁCIO SAÚDE
ISSN1983-1617 (online)
http://revistaadmmade.estacio.br/index.php/saudesantacatarina
Medeiros et al. Estácio Saúde, volume 9, número 1, 2020
25
Although widely disseminated as a method of physiotherapeutic intervention for the population, its scientific
knowledge is limited. Because of this, it was decide the carry out a systematic review with the objective of
identifying the effects of the practice of the pilates method on non-structural adult’s scoliosis. For this purpose, a
search of the PEDro, SciELO, MEDLINE and LILACS databases was carried out from the beginning of the bases
until January of 2018. This is structured and organized in the PICO form using the descriptors (Movement
Techniques, Exercise OR Exercise Movement Techniques OR Pilates-based exercises OR Exercises, Pilates-
Based OR Pilates Exercises OR Pilates Training OR, Pilates) AND Scoliosis). In addition, a manual search was
performed on the references of the articles included in there search. Two evaluators carried out the process of
selection of studies, and evaluation of methodological quality. At the end of the selection process, only two studies
were included, both of which were of good methodological quality. These showed that an exercise program using
the pilates method was able to reduce the degree of scoliosis measured by the Cob bangle, increase flexibility and
reduce pain level. Despite the data found, a conclusive analysis is not possible to do, considering the limited
number of studies and mainly find visuals analyzed in the experimental group.
Keywords: Exercise movement techniques; scoliosis, Exercise Therapy.
Endereço para correspondência: Daniela da Rocha Medeiros
Endereço: Rua desembargador Pedro Silva, 540, Centro, Criciúma, SC,
Brasil.
CEP: 88802-300
E-mail: danieledarochamedeiros@yahoo.com.br
Medeiros et al. Estácio Saúde, volume 9, número 1, 2020
26
Introdução
A estrutura e a função do corpo permitem
todas as potencialidades para obter e manter
uma postura adequada (
¹)
. Porém existem
fatores intrínsecos e extrínsecos tais como
fatores genéticos, ambientais, físicos,
emocionais e socioeconômicos que podem
acarretar no desequilibrio do corpo sobre sua
base de suporte, dando origem aos desvios
posturais (
¹,
²)
.
Os desvios posturais são considerados um
problema de saúde pública, pois podem ser um
fator predisponente para as condições
degenerativas da coluna vertebral que se
manifestam na vida adulta. Dependendo da
gravidade pode comprometer as atividades de
vida diária do indivíduo (
³)
.
Dentre estes desvios, a escoliose é uma
deformidade tridimensional que pode ocorrer em
qualquer fase da vida, com desvio lateral no
plano frontal, rotação no plano transversal e
curvatura reduzida no plano sagital (4,5)
.
É clinicamente importante que se diferencie a
escoliose estrutural da escoliose não estrutural.
A não estrutural pode ser causada por maus
hábitos posturais e discrepância de membro,
entre outros; já a estrutural apresenta rotação
das vértebras e a coluna torna-se rígida devido
à anormalidade nesta estrutura, formando a
gibosidade (6)
.
Para o diagnóstico e acompanhamento da
escoliose convencionalmente se utiliza a
radiografia sendo considerado o método
padrão-ouro para a avaliação de desvios
posturais (
²)
.
Uma das abordagens utilizadas atualmente
para recuperação da postura é o método pilates,
que melhora a conciência corporal ao trabalhar
o corpo como um todo, nos exercicios em solo
por exemplo éutilizada a força dagravidade para
gerar resistência ao movimento e o pilates com
aparelhos tem-se a opção de resistir a
gravidadee as resistências impostas pelas
molas que podem ser utilizados a fim de
aumentar ou reduzir a força e/ou auxiliar na
execução do movimento. O métodoe os
aparelhos utilizados foram desenvolvidos por
Joseph Humbertos Pilates denominado a teoria
da contrologia ou arte do controle e apresentado
como o domínio consciente de todos os
movimentos musculares do corpo humano (7,8)
.
O método envolve exercícios que buscam
conexão entre corpo e mente9
, com base em
seis princípios específicos, que são:
concentração, controle, precisão, fluidez do
movimento, respiração e centro de força (Power
hause) (10,11)
.
A técnica é dividida em dois tipos: pilates em
solo (The Mat) e em aparelhos com resistência
de molas, envolvendo exercícios para melhorar
a saúde física (força muscular, resistência,
estabilidade do centro e respiração) e função
motora (controle muscular, controle postural
dinâmico, equilíbrio e coordenação) (7,8,11)
.
Os exercícios que fazem parte do método
abrangem contrações isotônicas (concêntricas e
excêntricas) e isométricas com importância no
recrutamento no centro de força, que é
composto pelos músculos abdominais, glúteos,
paravertebrais lombares e músculos do
assoalho pélvico (11, 12)
.
A partir do descrito anteriormente
quanto aos desvios posturais o método pilates
pode auxiliar na flexibilidade geral do corpo,
fortalecimento do centro de força melhorando a
postura e coordenação da respiração com os
exercícios realizados (13,14)
.
Sendo assim, o objetivo do presente
estudo é identificar os efeitos da pratica do
método pilates na escoliose não estrutural em
adultos, este trabalho de revisão sistemática
justifica-se pela necessidade de uma melhor
compreensão das evidencias cientificas atuais
pertinentes nas principais bases de dados.
Metodologia
A revisão sistemática foi conduzida conforme
as recomendações do Preferred Reporting
Intens for Systematic Reviewsand Meta-
Analyses (PRISMA).
A presente revisão incluiu ensaios clínicos
controlados e randomizados, ensaios
controlados quasi-randomizados, estudos
comparativos com ou sem controles
simultâneos, série de casos com 10 ou mais
casos consecutivos, tendo como intervenção os
exercícios do método pilates. A população dos
estudos selecionados composta por jovens
(idade entre 15 e 24 anos) e adultos (idade
maior ou igual a 18 anos); de ambos os sexos;
com diagnóstico de: escoliose. Estudos em
Português, inglês e espanhol e como critério de
exclusão foi considerada a falta de clareza
quanto à randomização, com a publicação
apenas do resumo ou com intervenções pouco
claras, mal descritas ou inadequadas. A Tabela
1 traz a síntese dos critérios de inclusão e
exclusão da presente revisão
Medeiros et al. Estácio Saúde, volume 9, número 1, 2020
27
Tabela 1. Critérios de inclusão e exclusão
Critérios de Inclusão
Delineamento
 Ensaios clínicos controlados e
randomizados
 Ensaios controlados quasi-
randomizados
 Estudos comparativos com ou
sem controles simultâneos
 Série de casos com 10 ou
mais casos consecutivos
Pacientes
 Jovens (idade entre 15 e 24
anos) e adultos (idade maior
ou igual a 18 anos)
 Ambos os sexos
 Diagnóstico de escoliose
Idioma
 Português, inglês e espanhol.
Critérios de Exclusão
Delineamento
 Carta ao editor
 Revisão sistemática e meta-
análise
 Estudos transversais
Método
 Intervenções pouco claras,
mal descritas ou inadequadas
Forma de
publicação
 Somente em resumos
Estratégias de busca
A busca por artigos científicos foi conduzida
por pesquisadores independentes nas bases de
dados eletrônicos Physiotherapy Evidence
Database (PEDro), Scientific Electronic Library
Online (SciELO), MEDLINE (via PubMed) e
LILACS (via BVS) desde o início das bases até
janeiro de 2018.Sendo está estruturada e
organizada na forma PICO que representa um
acrônimo para Paciente alvo, a Intervenção, o
Controle ou Comparação e “Outcomes”
(desfechos). Devido ao objetivo desta pesquisa,
os acrômios Paciente e Controle não serão
utilizados, por não demonstrarem relevância15
.
Para a seleção dos descritores de busca
serão utilizadas as palavras do dicionário
Medical Subject Heading Terms (MeSH), sendo
este um vocabulário controlado e fortemente
utilizado pela comunidade científica para a
indexação de artigos na base de dados
PubMed, sendo estas posteriormente
adequadas para as demais bases que serão
utilizadas nesta revisão sistemática. Em um
primeiro momento são propostas para as
buscas as seguintes palavras-chave e
operadores boleanos: (Movement Techniques,
Exercise OR Exercise Movement Techniques
OR Pilates-based exercises OR Exercises,
pilates-Based OR Pilates based exercises/ OR
pilates training OR Training, pilates) AND
Scoliosis). Para complementar, será realizada
uma busca manual nas referências dos artigos
incluídos na pesquisa.
Seleção dos estudos e qualidade metodológica
Dois examinadores independentes
analisaram os resultados de pesquisa para
encontrar estudos potencialmente elegíveis.
Inicialmente foram selecionados de acordo com
o título; em seguida, os resumos foram
analisados e apenas os que fossem
potencialmente elegíveis foram selecionados.
Com base nos resumos, artigos na íntegra
foram adquiridos para a finalização dos estudos
escolhidos. Em caso de desacordo entre
avaliadores, um terceiro avaliador tomou a
decisão sobre a elegibilidade do estudo em
questão.
A qualidade metodológica e risco de viés dos
estudos selecionados foi avaliada de acordo
com a escala PEDro16
. No qual é composta por
11 critérios destinados a avaliar a qualidade
metodológica – validade interna e informação
estatística – de ensaios clínicos randomizados.
O escore dessa escala varia de zero a 10.
Resultados
Um total de 290 artigos foram identificados na
pesquisa (Figura 1), 283 foram selecionados
para avaliação de acordo com o título e seus
respectivos resumos revisados. Com base nos
resumos, 12 artigos foram elegíveis para uma
revisão completa, e um total de 2 artigos
cumpriram todos os critérios de inclusão (Tabela
2).
Medeiros et al. Estácio Saúde, volume 9, número 1, 2020
28
Figura 1. Fluxograma do processo de busca
Tabela 2. Descrição dos estudos incluídos nesta revisão (valores de p para comparação entre grupos)
Autor, Ano Amostra Medidas de avaliação e Resultados
Kim et al., 2016
GS (N = 12)
3x/semana, 12 semanas, com sessões de
60 minutos
Ângulo de Cobb: ↓GP*
↓GS*a
GP (N = 12)
3x/semana, 12 semanas, com sessões de
60 minutos
Distribuição do Peso
convexidade: GS*a
concavidade: GS*a
Araújo et al.,
2012
GP (N =20) Ângulo de Cobb: ↓GPb
GC (N =11)
Sem intervenção
Goniometria
ADM para FX tronco: ↑GPd
EVA : ↓GPc
GS – grupo de exercícios Schroth; GP – grupo de exercícios com Pilates; GC – grupo controle; FX – flexão; EVA – escala
visual analógica para dor; * - diferença significativa de pré-teste, p < 0,05; a
– diferença significativa entre grupos p˂ 0,05; b
– o
teste de pos hoc detectou redução significativa de 38% no grau de escoliose para o grupo pilates pós intervenção; c
- o teste de
pos hoc detectou redução significativa de 60% no nível de dor para o grupo Pilates; d
- o teste de pos hoc detectou aumento
significativa de 80% na flexão de tronco para o grupo Pilates;
Medeiros et al. Estácio Saúde, volume 9, número 1, 2020
29
Análise da qualidade e risco de viés
A Classificação da qualidade metodológica
dos estudos incluídos está descrita abaixo
(Tabela 3):
Tabela 3. Classificação metodológica dos
artigos de acordo com a escala PEDro
PeDro Kim et al. 2016
Araújo et al.
2012
Critérios de
interpretabilidade
Não Sim
Seleção
Randomizada
Sim Sim
Alocação secreta Sim Sim
Homogeneidade
pré – tratamento
Sim Sim
Sujeitos cegos Não Sim
Terapeutas cegos Não Não
Avaliadores cegos Não Não
Acompanhamento
adequado
Não Não
Intenção de
tratamento
Sim Sim
Comparação entre
grupos
Sim Sim
Medidas pontuais
e de variabilidade
Sim Sim
Total 6/10 8/10
Discussão
Todos os estudos analisados nessa revisão
utilizaram como metodologia ensaio clinico
controlado randomizado, comparando duas
intervenções. Esse tipo de estudo permite
avaliar os efeitos da intervenção e mudanças
apresentadas nos participantes. Entretanto,
cabe ressaltar que não houve homogeneidade
entre os estudos quanto à amostra em relação
ao ângulo de Cobb avaliado inicialmente pré
intervenção, limitando uma análise comparativa.
Referente à amostra os dois estudos foram
conduzidos com jovens e adultos do sexo
feminino. Quanto à qualidade metodológica dos
estudos os artigos apresentaram qualidade
metodológica acima da média (> 5/10), portanto,
é relevante antes do início do estudo cientifico
que o método seja apropriado a resposta da
pergunta e, são necessários mais estudos com
a inserção de avaliadores cegos.
Em relação à intervenção o estudo Kim et al.
(17)
o método pilates aplicado não se encontra
bem descrito, neste estudo foi mencionado que
foram realizados exercícios de correção
postural, fortalecimento de centro de força
(Core), exercícios de equilíbrio e associado a
respiração, não sendo citado se os exercícios
foram realizados em solo ou aparelhos. Já no
estudo de Araújo et al. (18)
os exercícios em solo
e aparelhos foram claramente descritos,
mencionando todos os exercícios instruídos
baseados no método criado por Joseph Pilates
utilizando todos os princípios. Neste estudo, o
protocolo foi dividido em três etapas:
preparação (aquecimento, seguido de
exercícios de alongamento), parte principal e a
volta à calma. O aquecimento consistiu em
caminhada de 8 minutos de intensidade
confortável e seguido de exercícios de
alongamento. No momento de aplicabilidade
dos exercícios na etapa principal, os exercícios
específicos do método utilizados foram
desenvolvidos em aparelhos sendo executados
os planos frontal e sagital de forma equilibrada.
Neste estudo, exercícios no plano transversal
não foram utilizados.
A falta de descrição da intervenção realizada
no estudo Kim et al. (17)
prejudica a comparação
dos resultados encontrados nos artigos e
também para aplicar o protocolo em outros
estudos ou na tomada de decisão clínica.
A frequência das sessões no estudo Kim et
al. (17)
foram realizados três vezes por semana e
no estudo Araújo et al. (18)
duas vezes por
semana, com duração de ambos de 60 minutos
durante três meses. Ou seja, no estudo de Kim
et al17
foram realizadas 36 sessões de pilates e
no estudo de Araújo foram realizadas 24
sessões de pilates. Em um estudo piloto
realizado por Sinzato et al. (19)
. Não foram
encontradas mudanças significativas no
alinhamento postural, influenciadas pelo método
pilates após 10 semanas de intervenção, ou
seja, 20 sessões não foram suficientes para
apresentar mudanças na postura. No estudo de
Segal et al. (20)
, foi realizado um protocolo
de Pilates, realizando-se 8 sessões sendo
verificados aumentos na flexibilidade, mas não
apresentou diferença no alinhamento postural.
Já no estudo de Nunes et al. (21)
apresentou
mudança significativa (p<0,05) no alinhamento
postural de indivíduos saudáveis após 36
Medeiros et al. Estácio Saúde, volume 9, número 1, 2020
30
sessões. Os efeitos posturais do Pilates podem
ser atribuídos ao aumento da força muscular,
melhor relação entre músculos agonistas e
antagonistas mantendo um equilíbrio postural e
articular (22)
. Não há evidencias cientificas
suficientes para direcionar os exercícios do
método pilates em indivíduos com escoliose não
estrutural, ou que direcionem especificamente o
protocolo de tratamento, quanto aos tipos de
exercícios ou tempo de intervenção.
Os estudos não realizaram períodos de
acompanhamento após aplicar os exercícios do
método pilates, sendo assim não é possível
saber se os efeitos adquiridos por meio do
pilates são mantidos após o termino da
intervenção.
E o estudo Kim et al. (17)
foi o único
que incluiu outra terapia para comparar com o
grupo pilates e no estudo Araújo et al. (18)
composto com grupo controle que não passou
por nenhuma intervenção. No estudo realizado
por Kim et al. (17)
, um grupo foi submetido à
pilates e o outro a exercícios do método de
Schroth. Foi observado na comparação intra-
grupo o ângulo de Cobb através de radiografias
apresentou mudanças significativas (p<0,05) em
ambos os grupos, porém não houve diferença
significativa no grupo pilates na distribuição de
peso ou pressão nos pés relacionados à
alteração postural. No estudo de Araújo et al. (18)
Foram avaliados grau de escoliose (ângulo de
Cobb), grau de flexibilidade padrão ouro e
escala de dor percebida usando o Borg CR10
para quantificar o nível de dor. O teste t
independente detectou uma diminuição
significativa no ângulo de Cobb (t= - 2.317,
p=0.028), um, aumento na flexão de tronco
(t=3,088, p=0,004) e uma redução significativa
da dor (t= 2.478, p= 0,019) no grupo pilates e
nenhuma diferença significativa no ângulo de
Cobb (t=0,430, p=0,676), flexão de tronco,
(t=0,938p=0,371) ou dor (t=0,896, p=0,391) foi
encontrado para o grupo controle.
O método de Cobb é aplicado tanto para
registro da progressão da curva como para
eleger e avaliar a eficácia do tratamento
realizado (23)
. Nos dois estudos o ângulo de
Cobb foi mensurado de acordo com Cunha
(2009) (23)
, tracejando uma linha vertical no platô
da vértebra mais inclinada, na vértebra limite
inferior e no platô da vértebra mais inclinada na
região superior, e assim adquirindo um
cruzamento das perpendiculares já traçadas.
Porém, o método de mensuração do ângulo de
Cobb está submetido a mudanças devido a
diversos fatores como: complexidade na
seleção das vértebras limítrofes das curvas
escolióticas; disparidade entre os valores
obtidos pelo mesmo observador ou por
examinadores opostos; erros intrínsecos dos
equipamentos empregados para a avaliação
angular e falhas relacionadas à qualidade da
imagem radiográfica (23)
.
Outro aspecto importante que deve ser
discutido é o número de participantes dos
estudos. As amostras são relativamente
pequenas (mínimo de 24 e o máximo de 31
participantes) divididos nos grupos experimento
e controle. Nenhum estudo foi feito calculo
amostral para composição da sua amostra.
Desta forma se mostra necessário que estudos
com tamanho de amostra adequado sejam
realizados para que o efeito do método pilates
seja de fato constatado.
Conclusão
O número de estudos relacionados aos
efeitos dos exercícios baseados no método
pilates na escoliose não estrutural é limitado.
Observaram evidencias que um programa de
exercícios usando o método pilates reduz o grau
de escoliose medido pelo ângulo de Cobb,
aumenta flexibilidade e reduz nível de dor. No
entanto, uma análise conclusiva não é possível,
visto o número limitado de estudos e
principalmente de indivíduos analisados no
grupo experimental. Desta forma, é
imprescindível a realização de mais estudos
com maior rigor metodológico enfatizando o
tamanho do efeito desta intervenção.
Referências
[1] Iunes DH, Castro FA, Salgado HS, Moura
IC, Oliveira AS, Bevilaqua-Grossi D.
Confiabilidade intra e interexaminadores e
repetibilidade da avaliação postural pela
fotogrametria. Rev Bras Fisioter. 2005; 9(3):327-
34.
[2] Sedrez JA, Rosa MIZ, Noll M, Medeiros FS,
Candotti CT. Fatores de risco associados a
alterações posturais estruturais da coluna
vertebral em crianças e adolescentes. Rev.
paul. Pediatr. 2015; 33(1): 72-81.
[3] Melo RS, Lemos A, Macky CFST, Raposo
MCF, Ferraz KM. Avaliação do controle postural
em escolares ouvintes e com perda auditiva
sensorioneural. Braz. j. otorhinolaryngol. 2015;
81(4): 431-438.
[4] Rosanova GCL, Camarini PMF, Gabriel BS,
Oliveira AS. Caracterização da qualidade de
vida de adolescentes com escoliose idiopática.
Fisioter. Mov. 2013; 26(1): 63-70.
Medeiros et al. Estácio Saúde, volume 9, número 1, 2020
31
[5] Trevisan ME, Portela LOC, Moraes EZC.
Ergoespirometria em indivíduos com escoliose
idiopática. Fisioter. Pesqui. 2010; 17( 2 ): 136-
140.
[6] Toledo PCV, Mello DB, Araújo ME, Daoud
R, Dantas EHM. Efeitos da Reeducação
Postural Global em escolares com escoliose.
Fisioter. Pesqui. 2011; 18(4 ): 329-334.
[7] Teixeira de Carvalho F, De Andrade
Mesquita LS, Pereira R, Neto OP, Amaro
Zangaro R. Pilates and Proprioceptive
Neuromuscular Facilitation Methods Induce
Similar Strength Gains but Different
Neuromuscular Adaptations in Elderly Women.
Experimental Aging Research. 2017;26(1):1-13.
[8] Souza JJV, Sampaio RMM, Aguiar JB, Pinto
FJM. Perfil dos desvios posturais da coluna
vertebral em adolescentes de escolas públicas
do município de Juazeiro do Norte - CE.
Fisioter. Pesqui. 2011; 18(4): 311-316.
[9] Mazzarino M, Kerr D, Wajswelner H, Morris
ME. Pilates Method for Women's Health:
Systematic Review of Randomized Controlled
Trials. Arch Phys Med Rehabil. 2015; 96(12):
2231-42.
[10] Welles C, Kolt GS, Bialocerkowski
A.Defining Pilates exercise: a systematic review.
Complementary Therapies in Medicine. 2012;
20(4): 253-262.
[11]Marés G, Oliveira KB, Piazza MC, Preis C,
Bertassoni NL. A importância da estabilização
central no método Pilates: uma revisão
sistemática. Fisioter. Mov. 2012; 25(2): 445-
451.
[12]Rodrigues BGS, Cader AS, Torres NVOB,
Oliveira EM, Dantas EHM. Pilates method in
personal autonomy, static balance and quality of
life of elderly females. J of body work movement
therapies, 2010:14(2): 195-202.
[13] Lee HT, Oh HO, Han HS Jin KY, Roh HL.
Effect of mat pilates exercise on postural
alignment and body composition of middle-aged
women. J. Phys. Ther. Sci. 2016; 28(6): 1691-
1695.
[14]Segura DCA, Nascimento FC, Guilherme
JH, Sotoriva P. Estudo Comparativo do
Tratamento da Escoliose Idiopática Adolescente
Através dos Métodos de RPG. Revista Saúde e
Pesquisa. 2011; 4(2): 200-206.
[15] Moher D, Liberati A, Tetzlaff J, Altman
DG; PRISMA Group. Preferred reporting items
for systematic reviews and meta-analyses: the
PRISMA statement. Ann Intern Med. 2009; 151
(4):264-269.
[16]Maher CG, Sherrington C, Herbert RD,
Moseley AM, Elkins M.Reliability of the PEDro
scale for rating quality of randomized controlled
trials. Phys Ther. 2003; 83 (8):713-721.
[17] Kim G, Hwangbo P. Effects of Schroth and
PilatesexercisesontheCobbangleandweightdistri
butionofpatientswithscoliosis. J. Phys. Ther.
Sci.2016; 28: 112-115.
[18]Araújo MEA, Silva EB, Mello DB, Cader SA,
Salgado ASI, Dantas EHM. The effectiveness of
the Pilates method: Reducing the degree of non-
structural scoliosis, and improving flexibility and
pain in female college students. Journal of Body
work & Movement Therapies. 2012; 16:191-198.
[19] Sinzato CR, Taciro C, Pio CA, Toledo AM,
Cardoso JR, Carregaro RL. Efeitos de 20
sessões do método Pilates no alinhamento
postural e flexibilidade de mulheres jovens:
estudo piloto. Fisioter. Pesqui. 2013; 20(2):
143-150.
[20] Segal NA, Hein J, Basford JR. The effects
of Pilates training on flexibility and body
composition: an observational study. Arch Phys
Med Rehabil. 2004; 85(12):1977-1981.
[21] Nunes Junior PC, Teixeira ALM, Gonçalves
CR, Monnerat E, Pereira JS. Os efeitos do
método pilates no alinhamento postural: estudo
piloto. Fisioter Ser. 2008;3(4):210-215.
[22]Ferreira CB, Aidar FJ, Novaes GS, Vianna
JM, Carneiro AL, Menezes LS. O método
Pilates® sobre a resistência muscular localizada
em mulheres adultas. Motricidade. 2007;3(4):76-
81.
[23]Unha ALL M, Rocha LEM, Cunha LAM.
Método de Cobb na escoliose idiopática do
adolescente: avaliação dos ângulos obtidos com
goniômetros articulados e fixos.
Coluna/Columna [Internet]. 2009; 8( 2 ): 161-
170.

Mais conteúdo relacionado

Semelhante a Efeitos do Pilates na Escoliose

Pilates and low back pain: a systematic review
Pilates and low back pain: a systematic reviewPilates and low back pain: a systematic review
Pilates and low back pain: a systematic reviewDra. Welker Fisioterapeuta
 
Plugin diego%20 alano%20carvalho-%20lombalgia%20-%20pilates
Plugin diego%20 alano%20carvalho-%20lombalgia%20-%20pilatesPlugin diego%20 alano%20carvalho-%20lombalgia%20-%20pilates
Plugin diego%20 alano%20carvalho-%20lombalgia%20-%20pilatesDra. Welker Fisioterapeuta
 
Rbcdh 2000 qualidade_de_vida_e_flexibilidade
Rbcdh 2000 qualidade_de_vida_e_flexibilidadeRbcdh 2000 qualidade_de_vida_e_flexibilidade
Rbcdh 2000 qualidade_de_vida_e_flexibilidadeAlexandra Nurhan
 
Pilates na Lombalgia crônica - relato de casos
Pilates na Lombalgia crônica - relato de casosPilates na Lombalgia crônica - relato de casos
Pilates na Lombalgia crônica - relato de casosDra. Welker Fisioterapeuta
 
Avaliação isocinética da musculatura envolvida na flexao de tronco
Avaliação isocinética da musculatura envolvida na flexao de troncoAvaliação isocinética da musculatura envolvida na flexao de tronco
Avaliação isocinética da musculatura envolvida na flexao de troncoDra. Welker Fisioterapeuta
 
Atividades Físicas e Esportivas para Pessoas com Deficiência Física.pptx
Atividades Físicas e Esportivas para Pessoas com Deficiência Física.pptxAtividades Físicas e Esportivas para Pessoas com Deficiência Física.pptx
Atividades Físicas e Esportivas para Pessoas com Deficiência Física.pptxMirian Bovi Borba
 
Efeitos do RPG na Correção Postural e Reequilíbrio Muscular
Efeitos do RPG na Correção Postural e Reequilíbrio MuscularEfeitos do RPG na Correção Postural e Reequilíbrio Muscular
Efeitos do RPG na Correção Postural e Reequilíbrio MuscularDra. Welker Fisioterapeuta
 
126373742 sacco-2005-biomecanica-na-reestruturacao-postural
126373742 sacco-2005-biomecanica-na-reestruturacao-postural126373742 sacco-2005-biomecanica-na-reestruturacao-postural
126373742 sacco-2005-biomecanica-na-reestruturacao-posturalCleber Kanofre
 
Adesão e Aderência a Musculação.pdf
Adesão e Aderência a Musculação.pdfAdesão e Aderência a Musculação.pdf
Adesão e Aderência a Musculação.pdfFrancisco de Sousa
 
Alongamento muscular suas implicacoes na performance e na prevencao de lesoes
Alongamento muscular   suas implicacoes na performance e na prevencao de lesoesAlongamento muscular   suas implicacoes na performance e na prevencao de lesoes
Alongamento muscular suas implicacoes na performance e na prevencao de lesoesAlexandra Nurhan
 
Alongamento e prev lesoes
Alongamento e prev lesoesAlongamento e prev lesoes
Alongamento e prev lesoesjuuliacarolina
 

Semelhante a Efeitos do Pilates na Escoliose (20)

Comparativo entre RPG e Alongamento Segmentar
Comparativo entre RPG e Alongamento SegmentarComparativo entre RPG e Alongamento Segmentar
Comparativo entre RPG e Alongamento Segmentar
 
Efeito metodo pilates
Efeito metodo pilatesEfeito metodo pilates
Efeito metodo pilates
 
364411401 livro-cinesioterapia
364411401 livro-cinesioterapia364411401 livro-cinesioterapia
364411401 livro-cinesioterapia
 
Slide TCC - Eliomar.pptx
Slide TCC - Eliomar.pptxSlide TCC - Eliomar.pptx
Slide TCC - Eliomar.pptx
 
Pilates and low back pain: a systematic review
Pilates and low back pain: a systematic reviewPilates and low back pain: a systematic review
Pilates and low back pain: a systematic review
 
Pilates na Lombalgia
Pilates na LombalgiaPilates na Lombalgia
Pilates na Lombalgia
 
Plugin diego%20 alano%20carvalho-%20lombalgia%20-%20pilates
Plugin diego%20 alano%20carvalho-%20lombalgia%20-%20pilatesPlugin diego%20 alano%20carvalho-%20lombalgia%20-%20pilates
Plugin diego%20 alano%20carvalho-%20lombalgia%20-%20pilates
 
Rbcdh 2000 qualidade_de_vida_e_flexibilidade
Rbcdh 2000 qualidade_de_vida_e_flexibilidadeRbcdh 2000 qualidade_de_vida_e_flexibilidade
Rbcdh 2000 qualidade_de_vida_e_flexibilidade
 
12
1212
12
 
Pilates na Lombalgia crônica - relato de casos
Pilates na Lombalgia crônica - relato de casosPilates na Lombalgia crônica - relato de casos
Pilates na Lombalgia crônica - relato de casos
 
Avaliação isocinética da musculatura envolvida na flexao de tronco
Avaliação isocinética da musculatura envolvida na flexao de troncoAvaliação isocinética da musculatura envolvida na flexao de tronco
Avaliação isocinética da musculatura envolvida na flexao de tronco
 
Avaliação isocinética com o Pilates
Avaliação isocinética com o PilatesAvaliação isocinética com o Pilates
Avaliação isocinética com o Pilates
 
Atividades Físicas e Esportivas para Pessoas com Deficiência Física.pptx
Atividades Físicas e Esportivas para Pessoas com Deficiência Física.pptxAtividades Físicas e Esportivas para Pessoas com Deficiência Física.pptx
Atividades Físicas e Esportivas para Pessoas com Deficiência Física.pptx
 
Efeitos do RPG na Correção Postural e Reequilíbrio Muscular
Efeitos do RPG na Correção Postural e Reequilíbrio MuscularEfeitos do RPG na Correção Postural e Reequilíbrio Muscular
Efeitos do RPG na Correção Postural e Reequilíbrio Muscular
 
126373742 sacco-2005-biomecanica-na-reestruturacao-postural
126373742 sacco-2005-biomecanica-na-reestruturacao-postural126373742 sacco-2005-biomecanica-na-reestruturacao-postural
126373742 sacco-2005-biomecanica-na-reestruturacao-postural
 
2655 10034-3-pb
2655 10034-3-pb2655 10034-3-pb
2655 10034-3-pb
 
Adesão e Aderência a Musculação.pdf
Adesão e Aderência a Musculação.pdfAdesão e Aderência a Musculação.pdf
Adesão e Aderência a Musculação.pdf
 
Rpg e Alongamento Segmentar - tese
Rpg e Alongamento Segmentar  - teseRpg e Alongamento Segmentar  - tese
Rpg e Alongamento Segmentar - tese
 
Alongamento muscular suas implicacoes na performance e na prevencao de lesoes
Alongamento muscular   suas implicacoes na performance e na prevencao de lesoesAlongamento muscular   suas implicacoes na performance e na prevencao de lesoes
Alongamento muscular suas implicacoes na performance e na prevencao de lesoes
 
Alongamento e prev lesoes
Alongamento e prev lesoesAlongamento e prev lesoes
Alongamento e prev lesoes
 

Último

PSORÍASE-Resumido.Diagnostico E Tratamento- aula.ppt
PSORÍASE-Resumido.Diagnostico E Tratamento- aula.pptPSORÍASE-Resumido.Diagnostico E Tratamento- aula.ppt
PSORÍASE-Resumido.Diagnostico E Tratamento- aula.pptAlberto205764
 
Primeiros Socorros - Sinais vitais e Anatomia
Primeiros Socorros - Sinais vitais e AnatomiaPrimeiros Socorros - Sinais vitais e Anatomia
Primeiros Socorros - Sinais vitais e AnatomiaCristianodaRosa5
 
Enhanced recovery after surgery in neurosurgery
Enhanced recovery  after surgery in neurosurgeryEnhanced recovery  after surgery in neurosurgery
Enhanced recovery after surgery in neurosurgeryCarlos D A Bersot
 
Anatomopatologico HU UFGD sobre CA gástrico
Anatomopatologico HU UFGD sobre CA gástricoAnatomopatologico HU UFGD sobre CA gástrico
Anatomopatologico HU UFGD sobre CA gástricoMarianaAnglicaMirand
 
AULA SOBRE SAMU, CONCEITOS E CARACTERICAS
AULA SOBRE SAMU, CONCEITOS E CARACTERICASAULA SOBRE SAMU, CONCEITOS E CARACTERICAS
AULA SOBRE SAMU, CONCEITOS E CARACTERICASArtthurPereira2
 
eMulti_Estratégia APRRESENTAÇÃO PARA DIVULGAÇÃO
eMulti_Estratégia APRRESENTAÇÃO PARA DIVULGAÇÃOeMulti_Estratégia APRRESENTAÇÃO PARA DIVULGAÇÃO
eMulti_Estratégia APRRESENTAÇÃO PARA DIVULGAÇÃOMayaraDayube
 
ParasitosesDeformaResumida.finalissima.ppt
ParasitosesDeformaResumida.finalissima.pptParasitosesDeformaResumida.finalissima.ppt
ParasitosesDeformaResumida.finalissima.pptAlberto205764
 
O mundo secreto dos desenhos - Gregg M. Furth.pdf
O mundo secreto dos desenhos - Gregg M. Furth.pdfO mundo secreto dos desenhos - Gregg M. Furth.pdf
O mundo secreto dos desenhos - Gregg M. Furth.pdfNelmo Pinto
 
Sistema endocrino anatomia humana slide.pdf
Sistema endocrino anatomia humana slide.pdfSistema endocrino anatomia humana slide.pdf
Sistema endocrino anatomia humana slide.pdfGustavoWallaceAlvesd
 

Último (10)

PSORÍASE-Resumido.Diagnostico E Tratamento- aula.ppt
PSORÍASE-Resumido.Diagnostico E Tratamento- aula.pptPSORÍASE-Resumido.Diagnostico E Tratamento- aula.ppt
PSORÍASE-Resumido.Diagnostico E Tratamento- aula.ppt
 
Primeiros Socorros - Sinais vitais e Anatomia
Primeiros Socorros - Sinais vitais e AnatomiaPrimeiros Socorros - Sinais vitais e Anatomia
Primeiros Socorros - Sinais vitais e Anatomia
 
Enhanced recovery after surgery in neurosurgery
Enhanced recovery  after surgery in neurosurgeryEnhanced recovery  after surgery in neurosurgery
Enhanced recovery after surgery in neurosurgery
 
Anatomopatologico HU UFGD sobre CA gástrico
Anatomopatologico HU UFGD sobre CA gástricoAnatomopatologico HU UFGD sobre CA gástrico
Anatomopatologico HU UFGD sobre CA gástrico
 
AULA SOBRE SAMU, CONCEITOS E CARACTERICAS
AULA SOBRE SAMU, CONCEITOS E CARACTERICASAULA SOBRE SAMU, CONCEITOS E CARACTERICAS
AULA SOBRE SAMU, CONCEITOS E CARACTERICAS
 
eMulti_Estratégia APRRESENTAÇÃO PARA DIVULGAÇÃO
eMulti_Estratégia APRRESENTAÇÃO PARA DIVULGAÇÃOeMulti_Estratégia APRRESENTAÇÃO PARA DIVULGAÇÃO
eMulti_Estratégia APRRESENTAÇÃO PARA DIVULGAÇÃO
 
ParasitosesDeformaResumida.finalissima.ppt
ParasitosesDeformaResumida.finalissima.pptParasitosesDeformaResumida.finalissima.ppt
ParasitosesDeformaResumida.finalissima.ppt
 
O mundo secreto dos desenhos - Gregg M. Furth.pdf
O mundo secreto dos desenhos - Gregg M. Furth.pdfO mundo secreto dos desenhos - Gregg M. Furth.pdf
O mundo secreto dos desenhos - Gregg M. Furth.pdf
 
Sistema endocrino anatomia humana slide.pdf
Sistema endocrino anatomia humana slide.pdfSistema endocrino anatomia humana slide.pdf
Sistema endocrino anatomia humana slide.pdf
 
Aplicativo aleitamento: apoio na palma das mãos
Aplicativo aleitamento: apoio na palma das mãosAplicativo aleitamento: apoio na palma das mãos
Aplicativo aleitamento: apoio na palma das mãos
 

Efeitos do Pilates na Escoliose

  • 1. Medeiros et al. Estácio Saúde, volume 9, número 1, 2020 24 EFEITOS DO EXERCÍCIO DO MÉTODO PILATES NA ESCOLIOSE NÃO ESTRUTURAL: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA DA LITERATURA EFFECTS OF EXERCISE SOFTHE PILATES METHOD IN NON-STRUCTURAL SCOLIOSIS: SYSTEMATIC REVIEW OF LITERATURE Daniele da Rocha Medeiros1 , Ana Inês Gonzales2,3 , Marcelo Faria Silva4 1 Fisioterapeuta. Graduada pela Universidade Federal de Santa Catarina, Ararangua, SC, Brasil. 2 Doutora em Ciências do Movimento Humano - Universidade do Estado de Santa Catarina, UDESC, SC, Brasil. 3 Docente do Centro Universitário Estácio, São José, SC, Brasil. 4 Doutor em Ciências do Movimento Humano, professor adjunto da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, UFRGS, Porto Alegre, RS,, Brasil. Resumo O método pilates é utilizado atualmente para recuperação do alinhamento postural, uma vez que vem se mostrando capaz de porporcionar melhora nos parâmetros de flexibilidade, coordenação e força muscular. Caracteriza-se pela utilização dos principios de cinesiologia e biomecânica, onde a resistência ao movimento é gerada nos exercicios em solo contra a força da gravidade e, em aparelhos, utilizando-se também da resistência de molas a fim de aumentar ou reduzir a força e/ou auxiliar na execução do movimento. Embora sendo amplamente disseminado como método de intervenção fisioterapêutica, seu conhecimento científico encontra-se limitado. Optou-se em realizar através deste trabalho, uma revisão sistemática, com o objetivo de identificar os efeitos da pratica do método pilates na escoliose não estrutural de jovens e adultos. Para tal, foi realizada uma busca nas bases PEDro, SciELO, MEDLINE e LILACS, desde o início das bases até janeiro de 2018. Sendo estruturada e organizada na forma PICO, utilizando os descritores (Movement Techniques, Exercise OR Exercise Movement Techniques OR Pilates-based exercises OR Exercises, pilates-Based OR Pilates based exercises/ OR pilates training OR Training, pilates) AND Scoliosis). Foi realizada uma busca manual nas referências dos artigos incluídos na pesquisa. O processo de seleção dos estudos, e avaliação da qualidade metodológica foram realizados por dois avaliadores. Ao final do processo de seleção, dois estudos foram incluídos. Estes evidenciaram que um programa de exercícios usando o método é capaz de reduzir o grau de escoliose medido pelo ângulo de Cobb, aumentar a flexibilidade e reduzir dor. Apesar dos dados encontrados, uma análise conclusiva não é possível, visto o número limitado de estudos e principalmente de indivíduos analisados no grupo experimental. Palavras-chave: Técnica de exercício e de movimento; Escoliose; Terapia por exercício. Abstract The pilates methodis currently used for recovery of postural alignment, since it hass how to be able to provide improvement in de flexibility, coordination and muscle strength parameters. It is characterized by the use of the principles of kinesiology and biomechanics in which the principles of gravity and the resistances imposed by the springs can be used in order to increase or reduce the resistance and assist in the execution of the movement. REVISTA ELETRÔNICA ESTÁCIO SAÚDE ISSN1983-1617 (online) http://revistaadmmade.estacio.br/index.php/saudesantacatarina
  • 2. Medeiros et al. Estácio Saúde, volume 9, número 1, 2020 25 Although widely disseminated as a method of physiotherapeutic intervention for the population, its scientific knowledge is limited. Because of this, it was decide the carry out a systematic review with the objective of identifying the effects of the practice of the pilates method on non-structural adult’s scoliosis. For this purpose, a search of the PEDro, SciELO, MEDLINE and LILACS databases was carried out from the beginning of the bases until January of 2018. This is structured and organized in the PICO form using the descriptors (Movement Techniques, Exercise OR Exercise Movement Techniques OR Pilates-based exercises OR Exercises, Pilates- Based OR Pilates Exercises OR Pilates Training OR, Pilates) AND Scoliosis). In addition, a manual search was performed on the references of the articles included in there search. Two evaluators carried out the process of selection of studies, and evaluation of methodological quality. At the end of the selection process, only two studies were included, both of which were of good methodological quality. These showed that an exercise program using the pilates method was able to reduce the degree of scoliosis measured by the Cob bangle, increase flexibility and reduce pain level. Despite the data found, a conclusive analysis is not possible to do, considering the limited number of studies and mainly find visuals analyzed in the experimental group. Keywords: Exercise movement techniques; scoliosis, Exercise Therapy. Endereço para correspondência: Daniela da Rocha Medeiros Endereço: Rua desembargador Pedro Silva, 540, Centro, Criciúma, SC, Brasil. CEP: 88802-300 E-mail: danieledarochamedeiros@yahoo.com.br
  • 3. Medeiros et al. Estácio Saúde, volume 9, número 1, 2020 26 Introdução A estrutura e a função do corpo permitem todas as potencialidades para obter e manter uma postura adequada ( ¹) . Porém existem fatores intrínsecos e extrínsecos tais como fatores genéticos, ambientais, físicos, emocionais e socioeconômicos que podem acarretar no desequilibrio do corpo sobre sua base de suporte, dando origem aos desvios posturais ( ¹, ²) . Os desvios posturais são considerados um problema de saúde pública, pois podem ser um fator predisponente para as condições degenerativas da coluna vertebral que se manifestam na vida adulta. Dependendo da gravidade pode comprometer as atividades de vida diária do indivíduo ( ³) . Dentre estes desvios, a escoliose é uma deformidade tridimensional que pode ocorrer em qualquer fase da vida, com desvio lateral no plano frontal, rotação no plano transversal e curvatura reduzida no plano sagital (4,5) . É clinicamente importante que se diferencie a escoliose estrutural da escoliose não estrutural. A não estrutural pode ser causada por maus hábitos posturais e discrepância de membro, entre outros; já a estrutural apresenta rotação das vértebras e a coluna torna-se rígida devido à anormalidade nesta estrutura, formando a gibosidade (6) . Para o diagnóstico e acompanhamento da escoliose convencionalmente se utiliza a radiografia sendo considerado o método padrão-ouro para a avaliação de desvios posturais ( ²) . Uma das abordagens utilizadas atualmente para recuperação da postura é o método pilates, que melhora a conciência corporal ao trabalhar o corpo como um todo, nos exercicios em solo por exemplo éutilizada a força dagravidade para gerar resistência ao movimento e o pilates com aparelhos tem-se a opção de resistir a gravidadee as resistências impostas pelas molas que podem ser utilizados a fim de aumentar ou reduzir a força e/ou auxiliar na execução do movimento. O métodoe os aparelhos utilizados foram desenvolvidos por Joseph Humbertos Pilates denominado a teoria da contrologia ou arte do controle e apresentado como o domínio consciente de todos os movimentos musculares do corpo humano (7,8) . O método envolve exercícios que buscam conexão entre corpo e mente9 , com base em seis princípios específicos, que são: concentração, controle, precisão, fluidez do movimento, respiração e centro de força (Power hause) (10,11) . A técnica é dividida em dois tipos: pilates em solo (The Mat) e em aparelhos com resistência de molas, envolvendo exercícios para melhorar a saúde física (força muscular, resistência, estabilidade do centro e respiração) e função motora (controle muscular, controle postural dinâmico, equilíbrio e coordenação) (7,8,11) . Os exercícios que fazem parte do método abrangem contrações isotônicas (concêntricas e excêntricas) e isométricas com importância no recrutamento no centro de força, que é composto pelos músculos abdominais, glúteos, paravertebrais lombares e músculos do assoalho pélvico (11, 12) . A partir do descrito anteriormente quanto aos desvios posturais o método pilates pode auxiliar na flexibilidade geral do corpo, fortalecimento do centro de força melhorando a postura e coordenação da respiração com os exercícios realizados (13,14) . Sendo assim, o objetivo do presente estudo é identificar os efeitos da pratica do método pilates na escoliose não estrutural em adultos, este trabalho de revisão sistemática justifica-se pela necessidade de uma melhor compreensão das evidencias cientificas atuais pertinentes nas principais bases de dados. Metodologia A revisão sistemática foi conduzida conforme as recomendações do Preferred Reporting Intens for Systematic Reviewsand Meta- Analyses (PRISMA). A presente revisão incluiu ensaios clínicos controlados e randomizados, ensaios controlados quasi-randomizados, estudos comparativos com ou sem controles simultâneos, série de casos com 10 ou mais casos consecutivos, tendo como intervenção os exercícios do método pilates. A população dos estudos selecionados composta por jovens (idade entre 15 e 24 anos) e adultos (idade maior ou igual a 18 anos); de ambos os sexos; com diagnóstico de: escoliose. Estudos em Português, inglês e espanhol e como critério de exclusão foi considerada a falta de clareza quanto à randomização, com a publicação apenas do resumo ou com intervenções pouco claras, mal descritas ou inadequadas. A Tabela 1 traz a síntese dos critérios de inclusão e exclusão da presente revisão
  • 4. Medeiros et al. Estácio Saúde, volume 9, número 1, 2020 27 Tabela 1. Critérios de inclusão e exclusão Critérios de Inclusão Delineamento  Ensaios clínicos controlados e randomizados  Ensaios controlados quasi- randomizados  Estudos comparativos com ou sem controles simultâneos  Série de casos com 10 ou mais casos consecutivos Pacientes  Jovens (idade entre 15 e 24 anos) e adultos (idade maior ou igual a 18 anos)  Ambos os sexos  Diagnóstico de escoliose Idioma  Português, inglês e espanhol. Critérios de Exclusão Delineamento  Carta ao editor  Revisão sistemática e meta- análise  Estudos transversais Método  Intervenções pouco claras, mal descritas ou inadequadas Forma de publicação  Somente em resumos Estratégias de busca A busca por artigos científicos foi conduzida por pesquisadores independentes nas bases de dados eletrônicos Physiotherapy Evidence Database (PEDro), Scientific Electronic Library Online (SciELO), MEDLINE (via PubMed) e LILACS (via BVS) desde o início das bases até janeiro de 2018.Sendo está estruturada e organizada na forma PICO que representa um acrônimo para Paciente alvo, a Intervenção, o Controle ou Comparação e “Outcomes” (desfechos). Devido ao objetivo desta pesquisa, os acrômios Paciente e Controle não serão utilizados, por não demonstrarem relevância15 . Para a seleção dos descritores de busca serão utilizadas as palavras do dicionário Medical Subject Heading Terms (MeSH), sendo este um vocabulário controlado e fortemente utilizado pela comunidade científica para a indexação de artigos na base de dados PubMed, sendo estas posteriormente adequadas para as demais bases que serão utilizadas nesta revisão sistemática. Em um primeiro momento são propostas para as buscas as seguintes palavras-chave e operadores boleanos: (Movement Techniques, Exercise OR Exercise Movement Techniques OR Pilates-based exercises OR Exercises, pilates-Based OR Pilates based exercises/ OR pilates training OR Training, pilates) AND Scoliosis). Para complementar, será realizada uma busca manual nas referências dos artigos incluídos na pesquisa. Seleção dos estudos e qualidade metodológica Dois examinadores independentes analisaram os resultados de pesquisa para encontrar estudos potencialmente elegíveis. Inicialmente foram selecionados de acordo com o título; em seguida, os resumos foram analisados e apenas os que fossem potencialmente elegíveis foram selecionados. Com base nos resumos, artigos na íntegra foram adquiridos para a finalização dos estudos escolhidos. Em caso de desacordo entre avaliadores, um terceiro avaliador tomou a decisão sobre a elegibilidade do estudo em questão. A qualidade metodológica e risco de viés dos estudos selecionados foi avaliada de acordo com a escala PEDro16 . No qual é composta por 11 critérios destinados a avaliar a qualidade metodológica – validade interna e informação estatística – de ensaios clínicos randomizados. O escore dessa escala varia de zero a 10. Resultados Um total de 290 artigos foram identificados na pesquisa (Figura 1), 283 foram selecionados para avaliação de acordo com o título e seus respectivos resumos revisados. Com base nos resumos, 12 artigos foram elegíveis para uma revisão completa, e um total de 2 artigos cumpriram todos os critérios de inclusão (Tabela 2).
  • 5. Medeiros et al. Estácio Saúde, volume 9, número 1, 2020 28 Figura 1. Fluxograma do processo de busca Tabela 2. Descrição dos estudos incluídos nesta revisão (valores de p para comparação entre grupos) Autor, Ano Amostra Medidas de avaliação e Resultados Kim et al., 2016 GS (N = 12) 3x/semana, 12 semanas, com sessões de 60 minutos Ângulo de Cobb: ↓GP* ↓GS*a GP (N = 12) 3x/semana, 12 semanas, com sessões de 60 minutos Distribuição do Peso convexidade: GS*a concavidade: GS*a Araújo et al., 2012 GP (N =20) Ângulo de Cobb: ↓GPb GC (N =11) Sem intervenção Goniometria ADM para FX tronco: ↑GPd EVA : ↓GPc GS – grupo de exercícios Schroth; GP – grupo de exercícios com Pilates; GC – grupo controle; FX – flexão; EVA – escala visual analógica para dor; * - diferença significativa de pré-teste, p < 0,05; a – diferença significativa entre grupos p˂ 0,05; b – o teste de pos hoc detectou redução significativa de 38% no grau de escoliose para o grupo pilates pós intervenção; c - o teste de pos hoc detectou redução significativa de 60% no nível de dor para o grupo Pilates; d - o teste de pos hoc detectou aumento significativa de 80% na flexão de tronco para o grupo Pilates;
  • 6. Medeiros et al. Estácio Saúde, volume 9, número 1, 2020 29 Análise da qualidade e risco de viés A Classificação da qualidade metodológica dos estudos incluídos está descrita abaixo (Tabela 3): Tabela 3. Classificação metodológica dos artigos de acordo com a escala PEDro PeDro Kim et al. 2016 Araújo et al. 2012 Critérios de interpretabilidade Não Sim Seleção Randomizada Sim Sim Alocação secreta Sim Sim Homogeneidade pré – tratamento Sim Sim Sujeitos cegos Não Sim Terapeutas cegos Não Não Avaliadores cegos Não Não Acompanhamento adequado Não Não Intenção de tratamento Sim Sim Comparação entre grupos Sim Sim Medidas pontuais e de variabilidade Sim Sim Total 6/10 8/10 Discussão Todos os estudos analisados nessa revisão utilizaram como metodologia ensaio clinico controlado randomizado, comparando duas intervenções. Esse tipo de estudo permite avaliar os efeitos da intervenção e mudanças apresentadas nos participantes. Entretanto, cabe ressaltar que não houve homogeneidade entre os estudos quanto à amostra em relação ao ângulo de Cobb avaliado inicialmente pré intervenção, limitando uma análise comparativa. Referente à amostra os dois estudos foram conduzidos com jovens e adultos do sexo feminino. Quanto à qualidade metodológica dos estudos os artigos apresentaram qualidade metodológica acima da média (> 5/10), portanto, é relevante antes do início do estudo cientifico que o método seja apropriado a resposta da pergunta e, são necessários mais estudos com a inserção de avaliadores cegos. Em relação à intervenção o estudo Kim et al. (17) o método pilates aplicado não se encontra bem descrito, neste estudo foi mencionado que foram realizados exercícios de correção postural, fortalecimento de centro de força (Core), exercícios de equilíbrio e associado a respiração, não sendo citado se os exercícios foram realizados em solo ou aparelhos. Já no estudo de Araújo et al. (18) os exercícios em solo e aparelhos foram claramente descritos, mencionando todos os exercícios instruídos baseados no método criado por Joseph Pilates utilizando todos os princípios. Neste estudo, o protocolo foi dividido em três etapas: preparação (aquecimento, seguido de exercícios de alongamento), parte principal e a volta à calma. O aquecimento consistiu em caminhada de 8 minutos de intensidade confortável e seguido de exercícios de alongamento. No momento de aplicabilidade dos exercícios na etapa principal, os exercícios específicos do método utilizados foram desenvolvidos em aparelhos sendo executados os planos frontal e sagital de forma equilibrada. Neste estudo, exercícios no plano transversal não foram utilizados. A falta de descrição da intervenção realizada no estudo Kim et al. (17) prejudica a comparação dos resultados encontrados nos artigos e também para aplicar o protocolo em outros estudos ou na tomada de decisão clínica. A frequência das sessões no estudo Kim et al. (17) foram realizados três vezes por semana e no estudo Araújo et al. (18) duas vezes por semana, com duração de ambos de 60 minutos durante três meses. Ou seja, no estudo de Kim et al17 foram realizadas 36 sessões de pilates e no estudo de Araújo foram realizadas 24 sessões de pilates. Em um estudo piloto realizado por Sinzato et al. (19) . Não foram encontradas mudanças significativas no alinhamento postural, influenciadas pelo método pilates após 10 semanas de intervenção, ou seja, 20 sessões não foram suficientes para apresentar mudanças na postura. No estudo de Segal et al. (20) , foi realizado um protocolo de Pilates, realizando-se 8 sessões sendo verificados aumentos na flexibilidade, mas não apresentou diferença no alinhamento postural. Já no estudo de Nunes et al. (21) apresentou mudança significativa (p<0,05) no alinhamento postural de indivíduos saudáveis após 36
  • 7. Medeiros et al. Estácio Saúde, volume 9, número 1, 2020 30 sessões. Os efeitos posturais do Pilates podem ser atribuídos ao aumento da força muscular, melhor relação entre músculos agonistas e antagonistas mantendo um equilíbrio postural e articular (22) . Não há evidencias cientificas suficientes para direcionar os exercícios do método pilates em indivíduos com escoliose não estrutural, ou que direcionem especificamente o protocolo de tratamento, quanto aos tipos de exercícios ou tempo de intervenção. Os estudos não realizaram períodos de acompanhamento após aplicar os exercícios do método pilates, sendo assim não é possível saber se os efeitos adquiridos por meio do pilates são mantidos após o termino da intervenção. E o estudo Kim et al. (17) foi o único que incluiu outra terapia para comparar com o grupo pilates e no estudo Araújo et al. (18) composto com grupo controle que não passou por nenhuma intervenção. No estudo realizado por Kim et al. (17) , um grupo foi submetido à pilates e o outro a exercícios do método de Schroth. Foi observado na comparação intra- grupo o ângulo de Cobb através de radiografias apresentou mudanças significativas (p<0,05) em ambos os grupos, porém não houve diferença significativa no grupo pilates na distribuição de peso ou pressão nos pés relacionados à alteração postural. No estudo de Araújo et al. (18) Foram avaliados grau de escoliose (ângulo de Cobb), grau de flexibilidade padrão ouro e escala de dor percebida usando o Borg CR10 para quantificar o nível de dor. O teste t independente detectou uma diminuição significativa no ângulo de Cobb (t= - 2.317, p=0.028), um, aumento na flexão de tronco (t=3,088, p=0,004) e uma redução significativa da dor (t= 2.478, p= 0,019) no grupo pilates e nenhuma diferença significativa no ângulo de Cobb (t=0,430, p=0,676), flexão de tronco, (t=0,938p=0,371) ou dor (t=0,896, p=0,391) foi encontrado para o grupo controle. O método de Cobb é aplicado tanto para registro da progressão da curva como para eleger e avaliar a eficácia do tratamento realizado (23) . Nos dois estudos o ângulo de Cobb foi mensurado de acordo com Cunha (2009) (23) , tracejando uma linha vertical no platô da vértebra mais inclinada, na vértebra limite inferior e no platô da vértebra mais inclinada na região superior, e assim adquirindo um cruzamento das perpendiculares já traçadas. Porém, o método de mensuração do ângulo de Cobb está submetido a mudanças devido a diversos fatores como: complexidade na seleção das vértebras limítrofes das curvas escolióticas; disparidade entre os valores obtidos pelo mesmo observador ou por examinadores opostos; erros intrínsecos dos equipamentos empregados para a avaliação angular e falhas relacionadas à qualidade da imagem radiográfica (23) . Outro aspecto importante que deve ser discutido é o número de participantes dos estudos. As amostras são relativamente pequenas (mínimo de 24 e o máximo de 31 participantes) divididos nos grupos experimento e controle. Nenhum estudo foi feito calculo amostral para composição da sua amostra. Desta forma se mostra necessário que estudos com tamanho de amostra adequado sejam realizados para que o efeito do método pilates seja de fato constatado. Conclusão O número de estudos relacionados aos efeitos dos exercícios baseados no método pilates na escoliose não estrutural é limitado. Observaram evidencias que um programa de exercícios usando o método pilates reduz o grau de escoliose medido pelo ângulo de Cobb, aumenta flexibilidade e reduz nível de dor. No entanto, uma análise conclusiva não é possível, visto o número limitado de estudos e principalmente de indivíduos analisados no grupo experimental. Desta forma, é imprescindível a realização de mais estudos com maior rigor metodológico enfatizando o tamanho do efeito desta intervenção. Referências [1] Iunes DH, Castro FA, Salgado HS, Moura IC, Oliveira AS, Bevilaqua-Grossi D. Confiabilidade intra e interexaminadores e repetibilidade da avaliação postural pela fotogrametria. Rev Bras Fisioter. 2005; 9(3):327- 34. [2] Sedrez JA, Rosa MIZ, Noll M, Medeiros FS, Candotti CT. Fatores de risco associados a alterações posturais estruturais da coluna vertebral em crianças e adolescentes. Rev. paul. Pediatr. 2015; 33(1): 72-81. [3] Melo RS, Lemos A, Macky CFST, Raposo MCF, Ferraz KM. Avaliação do controle postural em escolares ouvintes e com perda auditiva sensorioneural. Braz. j. otorhinolaryngol. 2015; 81(4): 431-438. [4] Rosanova GCL, Camarini PMF, Gabriel BS, Oliveira AS. Caracterização da qualidade de vida de adolescentes com escoliose idiopática. Fisioter. Mov. 2013; 26(1): 63-70.
  • 8. Medeiros et al. Estácio Saúde, volume 9, número 1, 2020 31 [5] Trevisan ME, Portela LOC, Moraes EZC. Ergoespirometria em indivíduos com escoliose idiopática. Fisioter. Pesqui. 2010; 17( 2 ): 136- 140. [6] Toledo PCV, Mello DB, Araújo ME, Daoud R, Dantas EHM. Efeitos da Reeducação Postural Global em escolares com escoliose. Fisioter. Pesqui. 2011; 18(4 ): 329-334. [7] Teixeira de Carvalho F, De Andrade Mesquita LS, Pereira R, Neto OP, Amaro Zangaro R. Pilates and Proprioceptive Neuromuscular Facilitation Methods Induce Similar Strength Gains but Different Neuromuscular Adaptations in Elderly Women. Experimental Aging Research. 2017;26(1):1-13. [8] Souza JJV, Sampaio RMM, Aguiar JB, Pinto FJM. Perfil dos desvios posturais da coluna vertebral em adolescentes de escolas públicas do município de Juazeiro do Norte - CE. Fisioter. Pesqui. 2011; 18(4): 311-316. [9] Mazzarino M, Kerr D, Wajswelner H, Morris ME. Pilates Method for Women's Health: Systematic Review of Randomized Controlled Trials. Arch Phys Med Rehabil. 2015; 96(12): 2231-42. [10] Welles C, Kolt GS, Bialocerkowski A.Defining Pilates exercise: a systematic review. Complementary Therapies in Medicine. 2012; 20(4): 253-262. [11]Marés G, Oliveira KB, Piazza MC, Preis C, Bertassoni NL. A importância da estabilização central no método Pilates: uma revisão sistemática. Fisioter. Mov. 2012; 25(2): 445- 451. [12]Rodrigues BGS, Cader AS, Torres NVOB, Oliveira EM, Dantas EHM. Pilates method in personal autonomy, static balance and quality of life of elderly females. J of body work movement therapies, 2010:14(2): 195-202. [13] Lee HT, Oh HO, Han HS Jin KY, Roh HL. Effect of mat pilates exercise on postural alignment and body composition of middle-aged women. J. Phys. Ther. Sci. 2016; 28(6): 1691- 1695. [14]Segura DCA, Nascimento FC, Guilherme JH, Sotoriva P. Estudo Comparativo do Tratamento da Escoliose Idiopática Adolescente Através dos Métodos de RPG. Revista Saúde e Pesquisa. 2011; 4(2): 200-206. [15] Moher D, Liberati A, Tetzlaff J, Altman DG; PRISMA Group. Preferred reporting items for systematic reviews and meta-analyses: the PRISMA statement. Ann Intern Med. 2009; 151 (4):264-269. [16]Maher CG, Sherrington C, Herbert RD, Moseley AM, Elkins M.Reliability of the PEDro scale for rating quality of randomized controlled trials. Phys Ther. 2003; 83 (8):713-721. [17] Kim G, Hwangbo P. Effects of Schroth and PilatesexercisesontheCobbangleandweightdistri butionofpatientswithscoliosis. J. Phys. Ther. Sci.2016; 28: 112-115. [18]Araújo MEA, Silva EB, Mello DB, Cader SA, Salgado ASI, Dantas EHM. The effectiveness of the Pilates method: Reducing the degree of non- structural scoliosis, and improving flexibility and pain in female college students. Journal of Body work & Movement Therapies. 2012; 16:191-198. [19] Sinzato CR, Taciro C, Pio CA, Toledo AM, Cardoso JR, Carregaro RL. Efeitos de 20 sessões do método Pilates no alinhamento postural e flexibilidade de mulheres jovens: estudo piloto. Fisioter. Pesqui. 2013; 20(2): 143-150. [20] Segal NA, Hein J, Basford JR. The effects of Pilates training on flexibility and body composition: an observational study. Arch Phys Med Rehabil. 2004; 85(12):1977-1981. [21] Nunes Junior PC, Teixeira ALM, Gonçalves CR, Monnerat E, Pereira JS. Os efeitos do método pilates no alinhamento postural: estudo piloto. Fisioter Ser. 2008;3(4):210-215. [22]Ferreira CB, Aidar FJ, Novaes GS, Vianna JM, Carneiro AL, Menezes LS. O método Pilates® sobre a resistência muscular localizada em mulheres adultas. Motricidade. 2007;3(4):76- 81. [23]Unha ALL M, Rocha LEM, Cunha LAM. Método de Cobb na escoliose idiopática do adolescente: avaliação dos ângulos obtidos com goniômetros articulados e fixos. Coluna/Columna [Internet]. 2009; 8( 2 ): 161- 170.