Os maias

511 visualizações

Publicada em

0 comentários
2 gostaram
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
511
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
3
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
8
Comentários
0
Gostaram
2
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

Os maias

  1. 1. ObraAÇÃOPERSONAGENSESPAÇOTEMPOCRÍTICA SOCIALEducaçãoMensagem dOsMaiasPortuguêsFeito por:Bruno SoaresDaniel PintoPaulo Semedo
  2. 2.  http://www.youtube.com/watch?v=okxCTznbbUI
  3. 3.  Passa-se em Lisboa, na segundametade dos séc. XIX. Conta-nos ahistória de três gerações da famíliaMaia.
  4. 4. Inicia-se no Outono de 1875, altura em queAfonso da Maia, nobre e rico proprietário, seinstala no Ramalhete.O seu único filho – Pedro da Maia;De carácter fraco, resultante de um educaçãoextremamente religiosa e protecionista, casa-se,contra a vontade do pai, com a negreira MariaMonforte, de quem tem dois filhos – um meninoe uma menina.Mas a esposa acabaria por o abandonar parafugir com um Napolitano, levando consigo afilha, de quem nunca mais se soube o paradeiro.O filho – Carlos da Maia – viria a ser entregueaos cuidados do avô, após o suicídio de Pedroda Maia.
  5. 5.  Carlos passa a infância com o avô. Formando-se depois, em Medicina em Coimbra. Carlos regressa a Lisboa, ao Ramalhete, após a sua formatura, onde se vairodear de alguns amigos, como o João da Ega, Alencar, Dâmaso Salcede,Palma de Cavalão, Euzébiozinho, o maestro Cruges, entre outros. Seguindo os hábitos daqueles que o rodeavam, Carlos envolve-se com aCondessa de Gouvarinho, que depois o iria abandonar. Um dia fica deslumbrado ao conhecer Maria Eduarda, que julgava sermulher do brasileiro Castro Gomes. Carlos seguiu-a algum tempos sem êxito, mas acaba por conseguir umaaproximação, quando é chamado Maria Eduarda para visitar, como médicoa governanta. Começam então os seus encontros com Maria Eduarda, visto que CastroGomes estava ausente. Carlos chega mesmo a comprar uma casa onde instala a amante.
  6. 6.  Castro Gomes descobre o sucedido eprocura Carlos, dizendo que MariaEduarda não era sua mulher, mas simsua amante, portanto podia ficar comela.
  7. 7.  Entretanto, chega de Paris, um emigranteque diz ter conhecido a mãe de MariaEduarda. Procura então para lhe entregar um cofredesta que segundo ela lhe disse, continhadocumentos que identificariam egarantiriam para a filha uma boa herança. Essa mulher era Maria Mão Forte – a mãede Maria Eduarda era, portanto, também amães de Carlos. Os amantes eram irmãos...
  8. 8.  Contudo, Carlos não aceita este facto emantém abertamente, a relação –incestuosa – com a irmã. Afonso da Maia, o velho avô, aoreceber a notícia morre desgosto.
  9. 9.  Ao tomar conhecimento, Maria Eduarda,agora rica, parte para o estrangeiro eCarlos, para se distrair, vai correr omundo. O romance termina com o regresso deCarlos a Lisboa, passados 10 anos, e oseu reencontro com Portugal e comEga, que lhe diz: - "falhamos a vida,menino!".
  10. 10.  http://www.youtube.com/watch?v=MZZooy06COU
  11. 11. Personagens Centrais: Afonso da Maia Pedro da Maia Carlos da Maia Maria Eduarda Maria Monforte
  12. 12.  Afonso da Maia Caracterização Física Afonso era baixo, maciço, de ombros quadrados e fortes. A sua caralarga, o nariz aquilino e a pele corada. O cabelo era branco, muito curto e a barba branca e comprida. Como dizia Carlos: "lembrava um varão esforçado das idasheroicas, um D. Duarte Meneses ou um Afonso de Albuquerque".
  13. 13.  Caracterização Psicológica Provavelmente o personagem mais simpático do romance eaquele que o autor mais valorizou.Não se lhe conhecem defeitos.É um homem de carácter culto e requintado nos gostos.Enquanto jovem adere aos ideais do Liberalismo e é obrigado, peloseu pai, a sair de casa; instala-se em Inglaterra mas, falecido opai, regressa a Lisboa para casar com Maria Eduarda Runa.Dedica a sua vida ao neto Carlos. Já velho passa o tempo emconversas com os amigos, lendo com o seu gato – ReverendoBonifácio – aos pés, opinando sobre a necessidade derenovação do país.É generoso para com os amigos e os necessitados. Ama anatureza e o que é pobre e fraco. Tem altos e firmes princípiosmorais. Morre de uma apoplexia, quando descobre os amoresincestuosos dos seus netos.É o símbolo do velho Portugal que contrasta com o novo Portugal– o da Regeneração – cheio de defeitos. É os sonho de umPortugal impossível por falta de homens capazes.
  14. 14.  Pedro da Maia Caracterização Física Era pequenino, face oval de "um trigueirocálido", olhos belos – "assemelhavam-no a umbelo árabe". Valentia física. Caracterização Psicológica Pedro da Maia apresentava um temperamentonervoso, fraco e de grande instabilidadeemocional. Tinha assiduamente crises de"melancolia negra que o traziam dias edias, murcho, amarelo, com as olheiras fundas ejá velho". O autor dá grande importância à vinculação destapersonagem ao ramo familiar dos Runa e à suasemelhança psicológica com estes. Pedro é vítima do meio baixo lisboeta e de umaeducação retrograda. O seu único sentimento vivoe intenso fora a paixão pela mãe. Apesar da robustez física é de uma enormecobardia moral (como demonstra a reação dosuicídio face à fuga da mulher). Falha nocasamento e falha como homem.
  15. 15.  Carlos da Maia Caracterização Física Carlos era um belo e magnífico rapaz.Era alto, bem constituído, de ombroslargos, olhos negros, pele branca, cabelosnegros e ondulados. Tinha barbafina, castanha escura, pequena e aguçadano queixo. O bigode era arqueado aoscantos da boca. Com diz Eça, ele tinhauma fisionomia de "belo cavaleiro daRenascença". Caracterização Psicológica Carlos era culto, bem educado, de gostosrequintados. Ao contrário do seu pai, é frutode uma educação à Inglesa. É corajoso efrontal. Amigo do seu amigo e generoso.Destaca-se na sua personalidade ocosmopolitismo, a sensualidade, o gostopelo luxo, e diletantismo (incapacidade dese fixar num projeto sério).
  16. 16.  Todavia, apesar da educação, Carlos fracassou. Não foi devido a esta mas falhou, em parte, porcausa do meio onde se instalou – uma sociedadeparasita, ociosa, fútil e sem estímulos e tambémdevido a aspetos hereditários – a fraqueza e acobardia do pai, o egoísmo, o futilidade e o espíritoboémio da mãe. Eça quis personificar em Carlos a idade da suajuventude, a que fez a questão Coimbrã eas Conferências do Casino e que acabou no grupodos Vencidos da Vida, de que Carlos é um bomexemplo.
  17. 17.  http://www.youtube.com/watch?v=1SHc4FHMMxw
  18. 18.  Maria Eduarda Maria Eduarda era uma bela mulher:alta, loira, bem feita, sensual masdelicada, "com um passo soberano dedeusa".
  19. 19.  Maria Monforte Caracterização Física É extremamente bela e sensual. Tinha os cabelos loiros, "a testa curta eclássica, o colo ebúrneo".
  20. 20.  Caracterização Psicológica É vítima da literatura romântica e daqui deriva o seu carácterpobre, excêntrico e excessivo. Costumavam chamar-lhe negreira porque o seu pai levara,noutros tempos, cargas de negros para o Brasil, Havana eNova Orleans. Apaixonou-se por Pedro e casou com ele. Desse casamentonasceram dois filhos. Mais tarde foge com o napolitano, Tancredo, levando consigo afilha, Maria Eduarda, e abandonando o marido e o filho - CarlosEduardo. Leviana e imoral, é, em parte, a culpada de todas as desgraçasda família Maia. Fê-lo por amor, não por maldade. MortoTancredo, num duelo, leva uma vida dissipada e morre quasena miséria. Deixa um cofre a um conhecido português - o democrataGuimarães - com documentos que poderiam identificar a filha aquem nunca revelou as origens.
  21. 21. Personagens Planas João da Ega Eusébiozinho Alencar Conde de Gouvarinho Sousa Neto Palma Cavalão Dâmaso Salcede Steinbroken Cohen Craft Condessa de Gouvarinho Cruges Tancredo Sr. Guimarães Rufino
  22. 22.  http://www.youtube.com/watch?v=3QCiHFrsavI
  23. 23. Os Maias podemos distinguirdois níveis de ação: Crónica de costumes - ação aberta; Intriga - ação fechada, que se divide emintriga principal e intriga secundária.
  24. 24.  O título - Os Maias - corresponde àintriga; Enquanto que o subtítulo - Episódios daVida Romântica - corresponde à crónicade costumes.
  25. 25.  Intriga secundária temos: a história deAfonso da Maia - época de reação doLiberalismo ao Absolutismo; A história de Pedro da Maia e MariaMonforte - época de instauração doLiberalismo e consequentescontradições internas.
  26. 26.  Na intriga principal são retratados osamores incestuosos de Carlos e MariaEduarda que terminam com adesagregação da família - morte deAfonso e separação de Carlos e MariaEduarda.
  27. 27.  Carlos é o protagonista daintriga principal. A ação principal d OsMaias, desenvolve-sesegundo os moldes datragédia clássica -peripécia, reconhecimento e catástrofe.A peripéciaverificou-secom asrevelaçõescasuais deGuimarães aEga sobre aidentidade deMariaEduarda.O reconhecimento, acarretadopelas revelações deGuimarães, torna a relaçãoentre Carlos e Maria Eduardauma relação incestuosa,provocando a catástrofeconsumada pela morte do avôe a separação definitiva dosdois amantes.
  28. 28. Estrutura Global:
  29. 29. Estrutura paralela, secundaria eação principal:
  30. 30. Espaço: Nos Maias podemos encontrar 3 tiposde espaço: Espaço Físico, Espaço Social e EspaçoPsicológico
  31. 31. Espaço Físico: Exteriores: passasse em Portugal, maisconcretamente em Lisboa e arredores. Em Coimbra passam-se os estudos deCarlos e as suas primeiras aventurasamorosas. Em Lisboa que se dão os acontecimentosque levam Afonso da Maia ao exílio,também em lisboa sucedem osacontecimentos capitais da vida de Pedroda Maia, lá decorre a vida de Carlos quejustifica o romance - a sua relaçãoincestuosa com a irmã.
  32. 32.  O estrangeiro surge-nos como umrecurso para resolver problemas. Afonso exila-se em Inglaterra para fugirà intolerância Miguelista
  33. 33.  Pedro e Maria vivem em Itália e emParis devido à recusa deste casamentopelo pai de Pedro.
  34. 34.  Maria Eduarda segue para Paris quandodescobre a sua relação incestuosa comCarlos. O próprio resolve a sua vida falhadacom a fixação definitiva em Paris.
  35. 35. Espaço Físico Interiores No Ramalhete podemos encontrar: O salão de convívio e de lazer, oescritório de Afonso, que tem o aspetode uma "severa câmara de prelado", oquarto de Carlos, "como um ar dequarto de bailarina", e os jardins
  36. 36.  Desenrola-se também navila Balzac, que reflete asensualidade de João daEga. Carlos que revela o seudiletantismo e apredisposição para asensualidade.Glossário:Modo amador do fazer artístico.Qualidade do diletante - o que faz arte por amor.
  37. 37.  A Toca é também um espaço interiorcarregado de simbolismo, que revelaamores ilícitos.
  38. 38.  Outros espaços interiores de menorimportância como o apartamento deMaria Eduarda, o Teatro da Trindade, acasa dos Condes de Gouvarinho, oGrémio, o Hotel Central os hotéis deSintra, a redação d A Tarde e d ACorneta do Diabo, etc
  39. 39. Espaço Social Comporta os ambientes (jantares, chás,soirés, bailes, espetáculos). O espaço social cumpre um papelpuramente crítico.
  40. 40.  Com destaque para ojantar no Hotel Central, osjantares em casa dosGouvarinho, SantaOlávia, a Toca, ascorridas do Hipódromo, asreuniões na redação de ATarde, o Sarau Literáriono Teatro da Trindade -ambientes fechados depreferência, por razões deelitismo.Sintra
  41. 41.  http://www.youtube.com/watch?v=E4X_3W0YGzc
  42. 42. Espaço Psicológico O espaço psicológico é constituído pelaconsciência das personagens emanifesta-se em momentos de maiordensidade dramática.
  43. 43.  Sobretudo Carlos, que desvenda osmeandros da suaconsciência, ocupandoEga, também, um lugar de relevo. Destaque no espaço psicológico:O sonho de Carlos no qual evoca a figurade Maria Eduarda; nova evocação delaem Sintra
  44. 44.  Reflexões de Carlos sobre o parentescoque o liga a Maria Eduarda; visão doRamalhete e do avô, após o incesto;contemplação de Afonso morto, nojardim. Quanto a Ega, reflexões e inquietaçõesapós a descoberta da identidade deMaria Eduarda.
  45. 45.  O espaço psicológico permite definirestas personagens como personagensmodeladas.
  46. 46. TEMPO: Este romance não apresenta umseguimento temporal linear, mas, pelocontrário, uma estrutura complexa naqual se integram vários "tipos" detempos: Tempo Histórico Tempo do Discurso Tempo Psicológico
  47. 47. Tempo Histórico Entende-se por tempo histórico aqueleque se desdobra em dias, meses e anosvividos pelas personagens.
  48. 48.  NOs Maias, o tempo histórico édominado pelo encadeamento de trêsgerações de uma família, cujo últimomembro (Carlos), se destacarelativamente aos outros.
  49. 49.  A fronteira cronológica situa-se entre1820 e 1887, aproximadamente. Assim, o tempo concreto da intrigacompreende cerca de 70 anos.
  50. 50. Tempo do Discurso Entende-se aquele que se deteta nopróprio texto organizado pelo narrador,ordenado ou alterado logicamente,alargado ou resumido.
  51. 51.  Inicia-se no Outono de 1875, data emque Carlos, concluída a sua viagem deum ano pela Europa, após a formatura,veio, com o avô, instalar-sedefinitivamente em Lisboa
  52. 52.  Pelo processo de analepse, o narrador vai, atéparte do capítulo IV, referir-se aosantepassados do protagonista (juventude eexílio de Afonso da Maia(avô), educação, casamento e suicídio dePedro (pai), e à educação de Carlos da Maia esua formatura em Coimbra) para recuperar opresente da história que havia referido nasprimeiras linhas do livro. Esta primeira partepode considerar-se uma novela introdutóriaque dura quase 60 anos. Esta analepse ocupaapenas 90 páginas, apresentadas por meio deresumos e elipses.
  53. 53.  Assim, como vemos, o tempo histórico émuito mais longo do que o tempo dodiscurso. Do Outono de 1875 a Janeiro de 1877 -data em que Carlos abandona oRamalhete - existe uma tentativa para queo tempo histórico (pouco mais de um anoda vida de Carlos) seja idêntico ao tempodo discurso - cerca de 600 páginas - paratal Eça serve-se muitas vezes da cenadialogada.
  54. 54.  O último capítulo é uma elipse (salto notempo) onde, passados 10 anos, Ega seencontra com Carlos em Lisboa.
  55. 55.  http://www.youtube.com/watch?v=VJ52rYpGie8
  56. 56. Tempo PsicológicoO tempo psicológico é o tempo que apersonagem assume interiormente; é otempo filtrado pelas suas vivênciassubjetivas, muitas vezes carregado dedensidade dramática. É o tempo que sealarga ou se encurta conforme o estadode espírito em que se encontra.
  57. 57.  No romance, embora não muito frequente, épossível evidenciar alguns momentos detempo psicológico nalgumas personagens: Pedro da Maia, por exemplo, na noite em quese deu o desaparecimento de Maria Monfortee o comunica a seu pai; Carlos, quandorecorda o primeiro beijo que lhe deu aCondessa de Gouvarinho, ou, na companhiade João da Ega, contempla, já no final delivro, após a sua chegada de Paris, o velhoRamalhete abandonado e ambos recordam opassado com nostalgia. Uma visão pessimistado Mundo e das coisas.
  58. 58.  É o caso de "agora o seu dia estavafindo: mas, passadas as longas horas,terminada a longa noite, ele penetravaoutra vez naquela sala de repesvermelhos...". O tempo psicológico introduz asubjetividade, o que põe em causa asleis do naturalismo.
  59. 59. A CRÍTICA SOCIAL A crónica de costumes da vidalisboeta da Segunda metade do séc.XIX desenvolve-se num certotempo, projeta-se num determinadoespaço e é ilustrada por meio deinúmeras personagens intervenientesem diferentes episódios.
  60. 60.  http://www.youtube.com/watch?v=MtpMSDxgZYY Neste jantar, desfilam as principais figurasproporcionando a Carlos um primeirocontacto com o meio social lisboeta. Estejantar, pretende homenagear o banqueiroJ. Cohen; apresentar a visão crítica dealguns problemas; e proporcionar a Carlosa visão de Maria Eduarda.
  61. 61. http://www.youtube.com/watch?v=BDauv-eHY50 Contacto de Carlos com a altasociedade lisboeta, incluindo o rei; umavisão panorâmica desta sociedadesobre o olhar crítico de Carlos; tentativafrustrada de igualar Lisboa às demaiscapitais europeias; denunciar ocosmopolitismo postiço da sociedade.
  62. 62.  http://www.youtube.com/watch?v=V_eRy8JnzxQ
  63. 63.  http://www.youtube.com/watch?v=uD6FtyQLcwM O Jantar dos Gouvarinhos. O objetivo deste jantar é reunir a altaburguesia e aristocracia, apresentando aignorância das classes dirigentes querevelam incapacidade de diálogo pormanifesta falta de cultura.
  64. 64. A Imprensa É também largamente criticada por meiode vários sucedidos. Eça pretendedescrever a situação do jornalismoportuguês, confrontando-a com asituação do país.
  65. 65.  Dois jornais são alvo de crítica - A Tardee A Corneta do Diabo. Esta última, cujodiretor é o imoral Palma Cavalão, temuma redação imunda. É este jornal, quepublica o artigo de Dâmaso pordinheiro, mas acaba por vender todoesse n.º do jornal a Carlos, também pordinheiro. As suas publicaçõessão, assim, de baixo nível.
  66. 66.  A Tarde, cujo diretor é o deputadoNeves, serve-se da carta de retrataçãode Dâmaso, como meio de vingançacontra o inimigo político. Este jornalpública apenas artigos dos seuscorreligionários políticos. Assim, Eça pretende denunciar o baixonível, a intriga suja, o compadriopolítico, desses jornais que consideraespelhos do país.
  67. 67. O Passeio de Carlos e Joãoda Ega http://www.youtube.com/watch?v=QHEIkSMFcbY
  68. 68. Educação A crítica à educaçãoé feita através doparalelismo entretrês personagens -Pedro da Maia,recetor de umaeducação àportuguesa,retrograda e comuma imposiçãorígida de devoção.A crítica à educação é feitaatravés do paralelismo entretrês personagens - Pedro daMaia, recetor de umaeducação àportuguesa, retrograda e comuma imposição rígida dedevoção.
  69. 69. SIMBOLISMO Os Maias estão incrivelmente repletos de símbolos. Afonso da Maia é uma figura simbólica - o seu nome ésimbólico, tal como o de Carlos - o nome do últimoStuart, escolhido pela mãe. Carlos irá ser o último Maia - note-se a ironia em forma de presságio. No Ramalhete, esta designação e o emblema (o ramo degirassóis) mostram a importância "da terra e da província" nopassado da família Maia. A "gravidade clerical do edifício"demonstra a influência que o clero teve no passado da famíliae em Portugal. Por oposição, as obras de restauro, levadas a cabo porCarlos, introduziram o luxo e a decoraçãocosmopolita, simbolizam uma nova oportunidade, uma reformada casa (ou do país) para uma nova etapa - é o reflexo do idealreformista da Geração de Carlos. Carlos é um símbolo daGeração de 70, tal como o é Ega. Tal como o país, tambémeles caíram no "vencidismo".
  70. 70.  No último capítulo, a imagem deixada pelo Ramalhete,abandonado e tristonho, cheio de recordações de um passadode tragédia e frustrações, está muito relacionado com o modocomo Eça via o país, em plena crise do regime. O quintal do Ramalhete, também sofre uma evolução. O fio deágua da cascata é símbolo da eterna melancolia do tempo quepassa, dos sentimentos que leva e traz. A estátua de Vénusque, enegrece com a fuga de Maria Monforte, no final a suapresença obscura na quintal é uma vaga premonição datragédia. Ela marca o início e o fim da ação principal. No quarto de Maria Eduarda, na Toca, o quadro com a cabeçadegolada é um símbolo e presságio de desgraça. Os seusaposentos simbolizam o carácter trágico, a profanação das leishumanas e cristãs. Também o armário do salão nobre da Toca, tem umasimbologia trágica. Os guerreiros simbolizam a heroicidade, osevangelistas, a religião e os trofeus agrícolas o trabalho:qualidades que existiram um dia na família (e no Portugal daepopeia). Os dois faunos simbolizam os dois amantes numaatitude hedonista e desprezadora de tudo e todos. No final umpartiu o seu pé de cabra e o outro a flauta bucólica, pormenorque parece simbolizar o desafio sacrílego dos faunos a tudoquanto era excelso e sublimado na tradição dos antepassados.
  71. 71.  Os aposentos de Maria Eduarda simbolizam o carácter trágico,a profanação das leis humanas e cristãs. Os Maias estão também, povoados de símbolos cromáticos: acor vermelha tem um carácter duplo, Maria Monforte e MariaEduarda são portadoras de um vermelho feminino, despertama sensibilidade à sua volta; espalham a morte. O vermelho é,portanto, o símbolo da paixão excessiva e destruidora. O vermelho da vila Balzac é muito intenso, indicando adimensão essencialmente carnal e efémera dos encontros deamor de Ega e Raquel Cohen O tom dourado está também presente, indicando a paixãoardente; anunciando a velhice (o Outono), a proximidade damorte. Morte prefigurada pela cor negra, símbolo de umapaixão possessiva e destruidora. Mãe e filha conjugam em si estas três cores: elas são, portanto,vida e morte, o divino e o humano, a aparência e a realidade, aforça que se torna fraqueza. Constatamos que a simbologia dOs Maias possui uma funçãoclaramente pressagiosa da tragédia.
  72. 72. A Mensagem dOs Maias A mensagem que o autor pretende deixar com estaobra, tem uma intenção iminentemente crítica. É através do paralelo entre duas personagens -Pedro e Carlos da Maia -, que Eça concretiza a suaintenção. Note-se que ambos, apesar de terem tidoeducações totalmente diferentes, falharam na vida.Pedro falha com um casamento desastroso, que oleva ao suicídio; Carlos falha com uma ligaçãoincestuosa, da qual sai para se deixar afundar numavida estéril e apagada, sem qualquer projetoseriamente útil, em Paris.
  73. 73.  Por outro lado, estas duaspersonagens, representam tambémépocas históricas e políticas diferentes.Pedro, a época do Romantismo, e seufilho, a Geração de 70 e das Conferênciasdo Casino, geração potencialmentedestinada ao sucesso.. Mas não foi issoque sucedeu e é este facto que o escritorpretende evidenciar com o episódio final -o fracasso da Geração dos Vencidos daVida.
  74. 74.  Assim, estas personagens representam osmales de Portugal e o fracasso sucessivo dasdiferentes correntes estético-literárias.Fracasso este que parece dever-se, não àscorrentes em si, mas às características dopovo português - a predileção pela forma emdetrimento do conteúdo, o diletantismo queimpede a fixação num trabalho sério einteressante, a atitude "romântica" perante avida, que consiste em desculparsistematicamente, os próprios erros e falhas, edizer "Tudo culpa da sociedade".
  75. 75.  http://www.youtube.com/watch?v=RAXlsjIUCIE
  76. 76. Estética Os Maias distinguem-se no quadro daliteratura nacional, não só pelaoriginalidade do tema, mas tambémpela destreza e mestria com que oautor conta o romance. De facto,tanto a crítica social, como a intrigaamorosa são valorizadas pelo rigor ebeleza dos vocábulos utilizados.
  77. 77.  Por exemplo, o impressionismo, bempatente, caracteriza-se pela frequência deconstruções impessoais, uma vez que oefeito é percecionado independentementeda causa, ficando, portanto, o sujeito parasegundo plano; perceções de tipo diferentetraduzindo ironia; frequência da hipálage(transposição de um atributo de gente para aação). Relativamente aos substantivos eadjetivos, a obra de Eça contem muito maisadjetivos do que substantivos.
  78. 78.  É frequente o contraste substantivoconcreto qualificado com um adjetivoabstrato ou vice-versa. Os adjetivos tem uma função musicale rítmica completando a linhamelódica da frase. O advérbio toma, em Eça, funções deatributo e a sua ação alcança osujeito ou o objeto.
  79. 79.  Eça ampliou o número de advérbios de modo que alinguagem proporcionava, derivando-os dos adjetivos. O verbo oferece a alternância dos seus sentidos - próprioou figurado, e o escritor tem de escolher um ou outro.Estes podem invocar conceitos subjetivos múltiplos semdeixarem, por isso, de descrever aspetos das coisas. Eça utiliza o estilo indireto livre. Este tipo de discursopermitia-lhe: libertar a frase dos verbos muito utilizados eda correspondente conjugação integrante (ex.: disseque); permitia-lhe, também, aproximar a prosa literária dalinguagem falada; conseguia impersonalizar a prosanarrativa dissimulando-se por detrás das suaspersonagens. N Os Maias, existem em maior ou menor grau todos osníveis de linguagem. Da linguagem familiar à linguageminfantil, popular e também neologismos (ex.:Gouvarinhar). Esta obra é muito rica em figuras deestilo, o que lhe concede um cunho particularmentequeirosiano.Aliterações, adjetivações, comparações, personificações,enchem Os Maias do início ao final da obra.
  80. 80.  http://www.youtube.com/watch?v=XE3lS8w08Ac

×