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Baixar para ler offline
O jor nalista Paiva Netto saúda 2007 com o artigo: Ano-Novo! Ano-Bom?

Saudades de

Tributo a

Adoniran Barbosa

Tom Jobim

Pontos de vista
de

duas

gerações
do jornalismo
Guilherme Fiuza e Carlos Chagas
opinam sobre o papel da mídia,
analisam fatos históricos
do País e revelam um
pouco de suas vidas.

Um coração que pulsa pelo Brasil

57 anos

• Após distribuir 410 toneladas de alimentos no Natal, a Legião da Boa Vontade já iniciou,
em 2007, a campanha de arrecadação para a entrega de milhares de kits escolares às
crianças carentes de nosso País.
• LBV supera metas socioeducacionais em 2006 e celebra 57 anos de permanentes
realizações em benefício de milhões de brasileiros em situação de risco social.
Coelce: A Melhor Distribuidora
de Energia Elétrica do Nordeste.

Prêmio ABRADEE 2006
Melhor Distribuidora
de Energia Elétrica do Nordeste.
Prêmio Associação Brasileira
de Distribuidores de Energia
Elétrica / Vox Populi.

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das 150 melhores
empresas do Brasil
para trabalhar.

Clientes e Colaboradores: estes prêmios também são seus.
E uma das 150 Melhores Empresas
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Por isso, fazemos questão de bater palmas pra vocês. Parabéns e Obrigado.
Sumário
8 Editorial
12 Cartas
18 Esporte é Vida!
19 Coluna Esportiva
20 Política e Economia
22 Perfil
26 Frases
28 Entrevista
33 Acontece
34 Samba e História
36 Abrindo o Coração
40 Destaque
42 In memoriam
44 Memória
46 Opinião — Mídia
Alternativa
49 Esperanto
50 Saúde
55 Melhor Idade
56 Gastronomia
58 Espírito e Ciência
62 Atualidades
63 Meio Ambiente
66 Arte na Tela
69 Ação Jovem LBV
70 Soldadinhos de Deus
72 Especial
82 Notícias
	

Ao Leitor
A primeira edição do
ano de 2007 da BOAVONTADE abre com o expressivo editorial do jornalista e
escritor Paiva Netto: AnoNovo! Ano-Bom?
Não foi por acaso que,
no raiar de um 1º de janeiro, Dia Mundial da
Paz, há 57 anos nascia a
Legião da Boa Vontade, com o objetivo de lutar por um Brasil melhor
e uma Humanidade mais feliz. E desde
seus primórdios até hoje, a Obra voltou
suas ações para os sofrimentos do corpo
e da Alma, superando metas, como a
entrega no último mês de dezembro de
410 toneladas de alimentos, organizadas em cestas, resultado da Campanha
Natal Permanente da LBV — Jesus, o
Pão Nosso de cada dia!, realizada em
dezenas de cidades brasileiras e registrada aqui na seção “Especial”. Este
heróico trabalho de soerguimento das
populações vem demonstrar o sentido
prático do que registrou Paiva Netto
em sua palestra “Administrar Sob a
Proteção de Deus”: “A empreitada a
que se dispõe a LBV é um desafio incomensurável e os seus resultados sempre
exigem, pelo menos, uma geração para

amadurecimento. E esse fato
aumenta a nossa garra, porque estamos acostumados a
sobrepujar grandes e dificultosas marchas nos não sempre
previsíveis caminhos da Alma
humana. Em nosso incentivo,
vem o conhecido ensinamento
de Rui Barbosa (1849-1923),
a respeito do plantio da couve
para a alimentação imediata, e do carvalho, para a segurança da civilização
futura”.
A história da mídia, o amor à arte de
comunicar e a revolução que a internet
tem provocado nessa área são as pautas
desenvolvidas nas entrevistas com os
jornalistas Guilherme Fiuza e Carlos
Chagas; ambos com longa experiência
em diversos meios de comunicação,
também falam dos bastidores da profissão.
Em “Samba e História”, o leitor conhecerá um pouco da biografia de um
patrimônio do samba, o saudoso Adoniran Barbosa (1910-1982). Ainda no
âmbito cultural, a homenagem ao grande
maestro, cantor e compositor Antonio
Carlos Jobim (1927-1994), que se estivesse entre nós completaria, em 25 de
janeiro, 80 anos.  Boa leitura!

	

8
Editorial
Paiva Netto escreve:
Ano-Novo! AnoBom?

19

Coluna Esportiva
O Brasil de olho na
Copa da África do
Sul

20

Política e
Economia
Lula lança o PAC
— Programa de
Aceleração do
Crescimento

22

Perfil
Homenagem a Tom
Jobim, sinônimo de
Bossa Nova.

28

Entrevista
Jornalista Carlos
Chagas
BOA VONTADE

ANO 51 • N 216 • dezembro de 2006/ janeiro de 2007
º

BOA VONTADE é uma publicação mensal das IBVs, editada pela Editora Elevação.
Registrada sob o nº 18166, em 16/03/2006, no livro “B” do 9º Cartório de Registro de
Títulos e Documentos de São Paulo.

Diretor e Editor-responsável
Francisco de Assis Periotto
MTE/DRTE/RJ 19.916 JP
Coordenador Geral
Gerdeilson Botelho
Repórteres Especiais
Carlos Arthur Pitombeira, Hilton Abi-Rihan, José Carlos Araújo e
Mario de Moraes.
Repórter-Fotográfico
Jurivelson Salomão Santana
Equipe Elevação
Adriane Schirmer, Alexandre Rueda, Ana Paula de Oliveira, Angélica Beck,
Cristina de Fátima Fernandes, Daniel Trevisan, Débora Verdan, Flávio de Oliveira,
Isabela Ribeiro, João Miguel Neto, Joilson Nogueira, Leila Marco, Leilla Tonin,
Lícia Curvello, Maria Aparecida da Silva, Neuza Alves, Nino Santos, Rita Silvestre,
Rodrigo Oliveira, Simone Barreto, Sônia Sabatine, Stella Souza, Walter Periotto,
Wanderly Albieri Baptista e William Luz.
Projeto Gráfico
Alziro Braga, Felipe Tonin e Helen Winkler
Fotos de Capa
Tom Jobim: Ana Jobim/ Guilherme Fiuza: Divulgação/ Carlos Chagas: Domingos
Tadeu (Palácio do Planalto)/ Adoniran Barbosa: Acervo da família
Produção
Endereço para correspondência:
Rua Doraci, 90 — Bom Retiro — CEP 01134-050 — São Paulo/SP Tel.: (11)
3358-6868 — Caixa Postal 13.833-9 — CEP 01216-970
Internet: www.boavontade.com / E-mail: info@boavontade.com
Impressão: Editora Parma
A revista BOA VONTADE não se responsabiliza por conceitos emitidos
em seus artigos assinados.

36

Abrindo o Coração
Guilherme
Fiuza

58

Espírito e Ciência
Estudos científicos registram a energia humana

Reflexão de BOA VONTADE:
Disse o Cristo Ecumênico*: “Novo Mandamento
vos dou: Amai-vos como Eu vos amei. Somente assim
podereis ser reconhecidos como meus discípulos, se
tiverdes o mesmo Amor uns pelos outros. (...) O meu
Mandamento é este: que vos ameis uns aos outros
como Eu vos tenho amado. Não há maior Amor do
que este: dar a sua própria Vida pelos seus amigos.
E vós sereis meus amigos se fizerdes o que Eu vos
mando. E Eu vos mando isto: amai-vos como Eu vos
amei. Já não mais vos chamo servos, porque o servo
não sabe o que faz o seu senhor. Mas tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai
vos tenho dado a conhecer. Não fostes vós que me
escolhestes; pelo contrário, fui Eu que vos escolhi
e vos designei para que vades e deis bons frutos,
de modo que o vosso fruto permaneça, a fim de que
tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, Ele vos
conceda. E isto Eu vos mando: que vos ameis uns aos
outros como Eu vos tenho amado. (...) Porquanto,
da mesma forma como o Pai me ama, Eu também
vos amo. Permanecei no meu Amor”.
(Evangelho de Jesus, segundo João, 13:34 e
35; 15:12 a 17 e 9).
*Jesus, o Cristo Ecumênico — Esta definição nasceu durante entrevista concedida
por Paiva Netto ao jornalista e produtor de documentários da TV polonesa, então VicePresidente da Associação Universal de Esperanto, Roman Dobrzy´ ski, ao ser perguntado
n
como podia pregar o Ecumenismo Irrestrito falando em Jesus. Ao que o líder da Instituição
respondeu ser a grande tarefa da LBV e da Religião Divina dessectarizá-Lo e concluiu:
“O Divino Mestre não é sectarismo. Ele é uma idéia extraordinária de
Humanidade, Amor, Fraternidade e Justiça”.

63 72

Meio Ambiente
As conseqüências
do aquecimento
global

Especial

LBV supera metas
socioeducacionais em 2006 e
celebra 57 anos
Editorial
Nada melhor do que
falar com Deus. Quem
não sofre ou padece
da privação de alguma
coisa que as satisfações
terrenas mais sofisticadas
não suprem a falta?

Ano-Novo!

Ano-Bom?

João Preda

É

José de Paiva Netto, jornalista, radialista
e escritor. É Diretor-Presidente da LBV.



| BOA VONTADE

costume exclamarem ao raiar
de cada primeiro de janeiro:
“Ano-Novo! Ano-Bom!”. Não
sou nenhum Catão, mas há
quem o faça movido por cosas que
no se hablan... Depois vem a ressaca.
E depois do depois, quando o fígado
reclama, a turma põe a culpa em
Deus, no diabo e no mundo... E, azar
dos que estiverem perto... Enquanto
isso, cerca de um bilhão de pessoas
diariamente vão dormir com fome.
Daí a necessidade do Natal Permanente de Jesus, como a expansão
da Fraternidade, o Ecumenismo
que se comove com a dor alheia e
atua pelo fim dela.
Ano-Bom? Depende de nós! E

da compreensão de que — sem a
consciência de ser a Vida Espiritual
uma realidade — a material poderá
tornar-se um transtorno, se não soubermos de fato fazer uso acertado
do livre-arbítrio, principalmente
na Democracia, que é o regime da
responsabilidade.

Orar é amar e agir

A Prece não é o refúgio dos
covardes nem dos ociosos. Ela nos
eleva, o trabalho nos realiza. O Papa
reza, o Dalai-Lama medita, Chico
Xavier orava, os rabinos entoam
suas súplicas, os evangélicos cantam
seus louvores a Deus, os islâmicos
recitam o Corão Sagrado... O que é
RioTur
Arquivo BV

Mais de dois milhões presenciaram
a tradicional queima de fogos no
Réveillon de Copacabana, no Rio de
Janeiro/RJ. O espetáculo coloriu o céu
durante 22 minutos.

Para evitar o vômito das
nações

Nestes tempos de mundialização, em que muitas fronteiras
caem preferentemente sobre as
cabeças das populações mais
pobres, o Povo procura um rumo
seguro para a existência, até
agora essencialmente regida por
forças discrepantes. Nem sempre
é o melhor de todos o destino
que lhe oferecem. E a História se
repete no somatório de enganos
que podem desembocar num movimento incontrolável de massas.
As nações também vomitam.
Buscam, então, alento para
suas dores na violência ou no

A Prece não é
o refúgio dos
covardes nem dos
ociosos. Ela nos
eleva, o trabalho
nos realiza.

Photos.com

a Prece senão o Amor que se dispõe
para grandes feitos? Um irmão ateu,
quando medita e pratica um ato que
beneficia a coletividade, está orando.
Em Crônicas e Entrevistas, escrevi
que orar e meditar se assemelham.
Rezar não é uma ação simplesmente
figurativa. É o mais forte instrumental que a essência humana, o Capital
Divino, possui. O
monge alemão
Tomás de Kempis (1380-1471)
grafou, em Imitação de Cristo:
“Sublime é a arte
de conversar com
Tomás de Kempis
Deus”.

BOA VONTADE |
Editorial
Invisível. No entanto, como diversos se acostumaram a uma visão
restritiva do Poder Espiritual,
muita vez erguem sua prece a um
deus antropomórfico, que não lhes
responde, pois nem existe. E aí se
frustram.

Orar fortalece

Ao deitar-me, no amanhecer de
um 1o de janeiro longínquo, data
aniversária da LBV, elevei uma

tância, porque Jesus ensina que “o
Reino de Deus está dentro de vós”.
(Evangelho de Jesus, segundo Lucas, capítulo 17:21).

A Prece

Ó Deus, que sois o meu refúgio, a Vós, outra vez, ergo o meu
pensamento e encontro resposta
aos meus propósitos.
Longe de mim as cassandras
do desânimo, que proclamam um

em subsistir, apesar das muitas
ciladas que lhe são dispostas no
caminho.
Esta é a minha Fé Realizante,
que vive em Paz com as outras; o
meu ideal ecumênico de Boa Vontade, que se esforça pela confraternização de todas as nações, por serem
formadas por criaturas Vossas, ó
Criador Único de Céus e Terra!
Sois a Fraternidade Suprema, o
abrigo dos corações. (...) Achei-

Busquemos na Fé a Esperança
para nossa sustentação física,
mental e espiritual. Que Fé?!
Escolha a sua. O espírito
democrático deve também
imperar no campo religioso

10

| BOA VONTADE

me a mim porque me identifiquei
no Vosso Amor. Sois o auxílio
conclusivo à minha Alma.
Sinto o meu ser transbordar
de alegria. Em Vosso Espírito,
reconheço-me como irmão dos
meus irmãos em Humanidade.
Nesse Éden, que é o Vosso Sublime Afeto, não
me vejo como expatriado, abatido
pelas procelas do
desalento. Enfim,
me encontrei, ó
Deus!, porque Vos
encontrei.
João XXIII

Arquivo BV

Juízo Final sem remissão, quando
sois Vós — em tudo — o Princípio Eterno da permanência pujante de vida. De Vós não escuto o
abismo; todavia, a redenção.
Creio no Amor Universal,
que conduz à sobrevivência o
gênero humano, que é teimoso
Arquivo BV

Arquivo BV

oração a Deus, na esperança filial
de merecer Sua piedosa atenção.
Lembrei-me, naquele momento, do
grande esforço empreendido por
Alziro Zarur (1914-1979) pela vitória da Boa Vontade; do bom senso
de Melanchton (1497-1560), e do
notável pontificado de João XXIII
(1881-1963). Ao elevar minha Alma ao
Pai Celeste, senti
Sua compassiva influência vibrando
em meu Espírito.
E não há nesta afirmativa qualquer jac- Alziro Zarur

Melanchton
Vossa Majestosa Luz, que baixa a
nós indistintamente, mesmo que não
o percebamos.
Confiante em Vosso Critério
Sobrenatural, entrego-Vos meu
destino, porque a minha segurança
de filho consiste na Vossa Sabedoria
de Pai!
Que assim seja!

Fé e espírito democrático

Nada melhor do que falar com

Deus.  Quem não sofre ou padece
da privação de alguma coisa que as
satisfações terrenas mais sofisticadas
não suprem a falta? Busquemos
na Fé a Esperança para nossa sustentação física, mental e espiritual.
Que Fé?! Escolha a sua. O espírito
democrático deve também imperar
no campo religioso.
Que o Ano-Novo seja um AnoBom, realmente. Contudo, isso
depende de nós. Todos nós.

Lucian Fagundes

(...) No Vosso Divino Seio, achei
guarida; sob Vosso Amor, meu seguro teto; no Vosso Colo, descanso
para a Alma.
Graças Vos dou, Pai Magnânimo,
por me ouvirdes!
Sois integralmente Amor; portanto, Caridade, Mãe e Pai da verdadeira Justiça.
Em Vós habita, com fartura, a
genialidade pela qual tantos almejam, pois dela o Planeta carece: a

Ao centro, o Presidente da Rede Pampa
de Comunicação, Dr. Otávio Gadret, e o
Diretor-Presidente da LBV, o jornalista
Paiva Netto, com alguns dos guris do
Lar e Parque Alziro Zarur, da LBV, em
Glorinha/RS. Na ocasião, registrou seu
apreço pela Obra: “É um privilégio
para o Rio Grande do Sul contar
com o exemplo da LBV. Sem dúvida,
precisamos que ela se expanda ainda
mais, não só aqui, mas em todo o Brasil.
A LBV é uma entidade modelar, um
exemplo para todos os brasileiros!”.

Com o artigo Ano-Novo! AnoBom?, republicado neste espaço
pela revista BOA VONTADE,
o jornalista Paiva Netto iniciou,
no último 1o de janeiro, a série
de artigos que estará escrevendo
para o conceituado jornal O Sul,
de Porto Alegre/RS. O gentil
convite para integrar a equipe
de articulistas veio do Dr. Otávio Gadret, Presidente da Rede
Pampa de Comunicação, da qual
faz parte o periódico. A escritora

e radialista Beatriz Fagundes,
apresentadora do programa que
leva seu nome na Rádio Pampa
AM e também colunista do O Sul,
foi uma das primeiras a saudar a
presença do dirigente da LBV na
publicação, sempre às segundasfeiras. Disse ela: “Sou grande
admiradora do trabalho de Paiva
Netto. Considero-me uma amiga da Legião da Boa Vontade e
com muito prazer, alegria mesmo, sei que teremos no O Sul  a

Da Redação

palavra amiga, de
incentivo, Amor, Fé,
do grande líder espiritual José de Paiva
Netto.  Fiquei muito
feliz!  Quero mandar
um grande abraço Beatriz Fagundes
especialmente para
ele e agradecer a Deus pela
existência de pessoas como as
que trabalham na LBV, que estão
construindo um mundo melhor.
Bem-vindo!”.
BOA VONTADE |

11

Arquivo BV

Escritos que enriquecem a Vida
Ricardo Oliveira

Portugal

De A-ha a U2,
experiências musicais
de Zeca Camargo

Daniel Trevisan

Destaque
internacional

.............................................................................................................................................................................................................................

Cartas, e-mails e literatura

12

| BOA VONTADE

Daniel Trevisan

Chega às livrarias um novo
título que se destaca pela maneira
original de abordar a música num
todo. Falamos De A-ha a U2, do
jornalista, crítico musical, editorchefe, repórter e apresentador do
Fantástico, Zeca Camargo.
A obra privilegia o leitor com um
olhar diferenciado sobre o universo
Agradecemos ao Primeiro-Minis- pop brasileiro e internacional.
tro de Portugal, o Excelentíssimo
Para o trabalho, o autor usou
senhor José Sócrates (foto), que, 53 entrevistas colhidas por ele em
por ocasião dos festejos de fim de suas reportagens, mostrando os
ano, encaminhou a Paiva Netto bastidores, a criatividade e  — por
um belo postal com os votos de que não — a emoção, o frisson
festas felizes.
que um repórter-fã passa também,
...................................................... a exemplo do que o próprio Zeca
experimentou ao conversar com a
A revista BOA VONTADE foi   Banda U2 e, até por isso, a escolha
destaque internacional, na edição
do nome do grupo para figurar no
título.
de 13 de dezembro, pelo Jornal
Aliás, o autor não esconde a
Luso-Americano, um dos mais
admiração por outras áreas.  Ao
conceituados veículos de comunicação de língua portuguesa
nos Estados Unidos. O repórter fotográfico Orlando
Norberto
Kessler, Diretor do caderno Brasil,
ressaltou a
capa da re- Chico Audi, fotógrafo
vista, com o BOA VONTADE:
seguinte co- Bem-editada!
mentário:
Li a edição da revista BOA
“Esta edição VONTADE número 214. Vocês
(nº 214) fala sobre Esporte, a estão de parabéns! Ela está bem
festa do Brazilian Day, de Nova editada, bem formatada, bem esYork, culinária, o futuro da apo- crita; e o conteúdo é muito rico. Só
sentadoria e outras importantes tenho de parabenizar. Eu me orguinformações”. 
lho muito de participar dessa pu-

@

se encontrar com a equipe da
BOA VONTADE, que representava o jornalista Paiva Netto,
foi logo dizendo: “Eu adoro
ele. É uma honra mandar um
livro meu. Fico muito feliz”. E
relembrando outra obra, A Fantástica volta ao mundo: Registros
e bastidores de viagem (2004),
que havia também encaminhado
ao dirigente da LBV, arrematou
na dedicatória: “Paiva Netto,
embarque comigo nessa outra
viagem... pelo mundo da música!
Abraço forte. Paz. Zeca”.
[L.S.M.]
blicação. (Chico
Audi, fotógrafo,
São Paulo/SP)
Sou jornalista e radialista em Brasília,
também faço
parte das ações
da LBV como Reprodução da capa da
BOA VONTADE, edição
voluntário, esno 214, que trouxe
p e c i a l m e n t e matéria sobre os males da
gordura trans.
através das ondas da Super
Rede Boa Vontade. É um orgulho
colocar minha voz a serviço da
LBV, essa entidade que, por intermédio de seu líder, vem semeando,
ao longo de mais de meio século,
Armando Kitamura

João Preda

Lar e Parque Alziro Zarur, da LBV,
RS 030, km 19, parada 119, Glorinha/RS

Sebastião Nery:
Obra social das mais
belas do País.
Arquivo pessoal

O jornalista
Sebastião Nery,
veterano amigo
da Legião da
Boa Vontade,
publicou em sua
coluna, de 23 de
novembro, no
jornal Tribuna
da Imprensa,  do
RJ, nota sobre o Lar e Parque
Alziro Zarur, da LBV, no Rio
Grande do Sul, e do dirigente
da Instituição:
LBV
“(...) Há uma obra social
das mais belas do País: um larescola onde entram crianças
desamparadas e saem jovens
formados prontos para enfrentar a vida, que ali funciona há
46 anos, fundado, mantido e
dirigido pela LBV, sob a liderança generosa do jornalista e
escritor Paiva Netto (...)”.
Paz e Esperança. Desejo a todos
um Feliz Ano-Novo, de Saúde e
Paz com o Cristo. (Nilson Gonçalves, jornalista e radialista,
Brasília/DF)

Vice-Presidente da República recebe o
Carolina Dutra
carinho das crianças da LBV
O Vice-Presidente da República, o Excelentíssimo senhor
José Alencar, emocionou-se com
a visita das crianças atendidas
pela Escola de Educação Infantil Alziro Zarur (QSD 08, Área
Especial 11, Taguatinga/DF), da
LBV, em seu gabinete no Palácio
do Planalto, em Brasília, no dia
14 de dezembro. Recebeu flores
e um cartão confeccionado pelos
pequenos que desejaram a ele o
pleno restabelecimento da cirurgia
à qual se submetera dias antes.
Na ocasião, agradeceu a presença da Legião da Boa Vontade,
as preces e as manifestações de carinho de todo o Povo brasileiro.
Olá, Anjos Protetores
do mundo! Feliz Natal e
continuem trabalhando
pelas Almas que precisam ser protegidas. Felicidades! (Ionara Alves
Sousa, colaboradora da
LBV, via e-mail)
Todos os dias assisto ao Programa Vida Plena, da Boa Vontade TV,
pela RBTI Internacional, às 7 horas
da manhã. Estou escrevendo porque
me senti muito emocionada ao ver
no programa a distribuição das ces-

Em entrevista à Super Rede
Boa Vontade de Comunicação
(rádio, TV, internet e revista),
comentou: “É com a maior satisfação que transmito a vocês da
LBV os votos de que tenham muito
sucesso e os parabenizo pela forma
como têm educado essas crianças.
É muito bonito ver um trabalho
dessa natureza. Aproveito para desejar a todos um Feliz Natal e um
próspero Ano-Novo, próspero em
todo sentido, para que possamos
fazer do Brasil um país melhor.
Pela fisionomia das crianças que
estão aqui, a gente só pode fazer
crescer o entusiasmo em relação
ao futuro de nossa nação”.
tas de Natal da LBV, em
São Paulo/SP, e também
em Teresina/PI. Na reportagem, vi uma senhora
chamada Rita Maria que
estava levando sua cesta
para casa. Ela falou com
tanta força e alegria que
me alimentou o coração.
O povo do Nordeste é um
povo forte mesmo. Abençoada LBV
por promover um Natal feliz para
tantas famílias em todo o Brasil e no
Exterior. (Conceição de Albuquerque, educadora, Nova York/EUA)
BOA VONTADE |

13
O Senador Pedro Simon lançou,
recentemente, a obra literária Do
Regime Militar ao Mensalão — Minhas lutas pela dignidade humana,
em que retoma o último quarto do
século da História do Brasil. Enfoca
também sua produção legislativa,
desde a chegada ao Senado Federal,
em 1979.
Em entrevista, falou da amizade
que tem pela LBV: “Meus amigos da
Legião da Boa Vontade, por quem tenho tanto carinho, respeito, e, de um
modo muito especial, ao Paiva Netto
que tem uma atividade tão intensa e
positiva. Meu abraço, meu afeto, por
estarem aqui neste momento. Muito
obrigado, meu carinho de sempre
ao Paiva Netto”. Em seguida, o
Senador Pedro Simon escreveu em
um exemplar ao líder da Instituição:
“Ao Irmão Paiva Netto, o abraço e
a lembrança do Pedro Simon”.
Parabéns — Vale ainda registrar  
o aniversário do ilustre Senador,
completado no último dia 31 de
janeiro, e o desejo de que sua existência seja sempre iluminada pela
Paz e o Amor de Deus.
14

| BOA VONTADE

Ozires Silva, ex-Engenheiro
Aeronáutico do ITA (Instituto
Tecnológico de Aeronáutica), exPresidente da Embraer (Empresa
Brasileira de Aeronáutica), membro
da equipe do CTA (Comando-Geral de Tecnologia Aeroespacial) e
escritor, conta a história de um visionário brasileiro que viveu muito
à frente de seu tempo. O livro Casimiro Montenegro Filho nasceu
da parceria com Décio Fischetti
(Engenheiro também graduado
pelo ITA). A obra mergulha na história de um homem que marcou a
aviação brasileira e também conta
curiosidades sobre aquele que idealizou a criação do ITA e do CTA, o
Marechal Montenegro Filho. Uma
dessas curiosidades é o fato de o
Marechal ter conseguido alterar o
traçado original da via Dutra, já

Clayton Ferreira

@

Ozires Silva traz um pouco
da trajetória da aviação

Ozires
Silva com
as revistas
BOA
VONTADE

aprovado pelo DNER, de forma
que a via não mais dividisse o CTA
em duas áreas.
Durante o lançamento do título,
em São José dos Campos/SP, Ozires, ao se encontrar com representantes da LBV, logo disse: “Dê um
grande abraço meu a Paiva Netto.
(...) Eu tenho uma grande admiração por ele”. Em sua dedicatória,
anotou: “Ao admirado Paiva
Netto, um grande abraço. (a.)
Ozires Silva”. E Décio escreveu:
“Ao Paiva Netto, oferecemos uma
história de um grande brasileiro.
(a.) Décio Fischetti”.
[A.R.]

Como é que chama o nome disso, por Arnaldo Antunes
Quem já se apaixonou pelas
letras e composições do músico
Arnaldo Antunes tem agora
uma oportunidade incrível de
navegar por estes e outros gêneros criativos visitados por ele com
maestria. Em todas
as livrarias do País,
os fãs de seu texto
leve e irreverente
podem encontrar
sua mais recente
obra Como é que
chama o nome disso, uma antologia
que reúne poemas,
ensaios, letras de música, desenhos e caligrafias do músico,
Arquivo pessoal

Pedro Simon e a
história política do Brasil

.............................................................................................................................................................................................................................

Ricardo Stricher

Cartas, e-mails e literatura

escolhidos pelo próprio autor.
Além disso, há no trabalho o
livro inédito de poemas Nada de
DNA, uma entrevista (com Arthur
Nestrovski, Francisco Bosco e
José Miguel Wisnik)
e o ensaio introdutório
assinado por Antonio
Medina Rodrigues.
O artista, que recebeu com simpatia a
reportagem da revista
BOA VONTADE, autografou o título para o
dirigente da LBV, com
as seguintes palavras:
“Para o José de Paiva
Netto, com o abraço do Arnaldo
Antunes”.	
	
[L.S.M.]
Daniel Trevisan

Tânia Carvalho (E) e Eva Wilma (C) ao lado da jovem Letícia e de Leilla Tonin, da LBV.

Livro registra a carreira do saudoso Carlos Zara

O jornalista, escritor e produtor
de TV Marcel Souto Maior lançou o Almanaque da TV Globo,
no último 13 de dezembro, na
capital fluminense. Antigo amigo
da Legião da Boa Vontade e de
seu dirigente, além de Conselheiro
do Fórum Mundial Permanente
Espírito e Ciência (FOMPEC), da
LBV, deixou gravada sua emoção

exemplo da Record, Excelsior, Tupi
e Globo.
A escritora contou com a ajuda
da companheira de 25 anos de Zara,
a atriz Eva Wilma, que esteve presente na noite de autógrafos, em 18
de dezembro, na capital paulista.
A atriz foi homenageada pela neta
do dirigente da LBV, Letícia de
Paiva Tonin, que entregou em
nome do avô um buquê de flores,

Nova obra de Marcel Souto Maior
no momento: “Que bom que vocês
estão aqui hoje! Eu gosto muito
do Paiva Netto, admiro o trabalho da LBV, adoro o Templo da
Boa Vontade. Sempre que vou a
Brasília, passo lá para recarregar
as baterias”.
Marcel falou um pouco de sua nova obra literária: “Esse livro é um
painel histórico, organizado em décadas, ano a
ano, desde a estréia da
emissora (em 1965) até
hoje”.
O autor ainda saudou,
mais uma vez, a presença
da Instituição. “Muito obrigado e
parabéns pelo trabalho. Em geral,
nos eventos que faço sempre tem
Alexandre Avelino

Simone Barreto

Carlos Zara: paixão em quatro atos é o título da biografia
lançada ao público pela jornalista
Tânia Carvalho, que mostra
como o teatro, a televisão, a arte
de encenar e dirigir fizeram parte
da vida do brasileiro Antônio
Carlos Zarattini (1930-2002). Foram 50 anos de profícua carreira:
grandes sucessos nos palcos e na
telinha, percorrendo emissoras a

felicitando-a também
pela passagem de seu
aniversário, quatro
dias antes. “A LBV
sempre me acompanha”, agradeceu Eva
Wilma, emocionada,
em ocasião especial,
na qual ela e seu sau- Capaoda BOA VONTADE, n 190, que homedoso esposo foram nageou a talentosa Eva
homenageados.
e seu saudoso marido.
Tânia e a atriz registraram ainda em
um dos exemplares da obra:
“Paiva Netto, seu trabalho é
sempre essencial para a Humanidade. Toda minha admiração
e meus agradecimentos pelas
flores. Eva Wilma (P.S.: A neta
é linda!)”.
“José de Paiva Netto, espero que você goste! Tânia
Carvalho”. 	
[L.S.M.]

a presença da LBV. Eu até espero
que venham, pois me dá sorte.
Muito obrigado, um forte abraço
a todos”, concluiu. Ele aproveitou
para autografar um exemplar de
seu livro ao amigo: “Ao prezadíssimo Paiva Netto, que faz este
trabalho tão importante
à frente da LBV, o abraço e a admiração do
Marcel”.
Silvio de Abreu, autor de novelas, ao ser
cumprimentado pela
equipe da LBV assim se
expressou: “É um prazer
falar com vocês! (...)
Obrigado, Paiva Netto, um grande
abraço e um ano bom para todos
[S.B.]
nós”. 			
BOA VONTADE |

15
Boa Vontade em alta

A Legião da Boa Vontade e seu
dirigente agradecem aos inúmeros
cartões, e-mails e cartas recebidos
do Brasil e Exterior por ocasião das
festividades de fim de ano, com manifestações de carinho e apreço pelo
trabalho desenvolvido pela Obra. A
revista BOA VONTADE publicará,
na medida do possível, a lista dos
nomes desses caros amigos, colaboradores e voluntários da Instituição.
Entre eles estão:
Aguaí/SP – Rafael Alves Mora, Equipe Legionária Solidária de Aguaí;
Americana/SP – Judite Inácio Tavares; Aracaju/SE – José Claudinei Prana, Rosane Rodrigues e família; Araraquara/SP – Ataíde Alves e família,
Paulo Roberto Furtado; Araruama/
RJ – Lúcia Silveira, Maria Marlene
de Moura Soares; Arceburgo/MG
– Alziro de Castro Silva, Isaías Cagnoni Luz e família; Atalaia/PR – Aurani de Oliveira, Francisco Raposo de
Medeiros; Batatais/SP –  Maria José
Anhenzini e família; Belém/PA – Raimunda Nonata de Melo; Belo Horizonte/MG – Alex Salvador Prates,
Edison Geraldo da Silva, Helen Sueli
Araújo Silveira, Helena Sueli Araújo,
Isabel da Conceição e família, Jaqueline Piedade Silva; Belford Roxo/RJ
– Iara Rodrigues; Blumenau/SC
– Rosemeri de Oliveira; Brasília/DF
– Andréia Aparecida Carvalho Rossi,
Alexandre Herculano Cruzeiro Rueda
e família, Armando Colli, Carmelita de
Oliveira Dourado, Enaildo Viana, Espedita Pereira, Iara Braga, Deputado
Federal Lobbe Neto, Neide Lira, Paulo
Medeiros, Sônia Sabatine, Zinaldo
Rezende; Biguaçu/SC – Divino João
Dias; Buenos Aires/Argentina – Luci
Teixeira e família; Cachoeirinha/RS –
Dielca Magali Silva, Lucian Fagundes
e família; Campinas/SP – Arilene
Rodrigues e família, Azarias Carvalho Bento e família, Daniel Alonso,
Elisa Helena Alonso e família, Io16

| BOA VONTADE

A Senhora das Velas, por
Walcyr Carrasco

@

Euler F. Dias

Divulgação

Cartas, e-mails e literatura

Percival de Souza
analisa a criminalidade
em livro

Conhecido do público pelas
novelas de grande sucesso, o
jornalista, cronista e dramaturgo
Walcyr Carrasco lançou recentemente seu primeiro romance: A
Senhora das Velas, no qual ele
conta a história de Felipe, um menino que realiza uma comovente
viagem em busca da guardiã da
vida. Há na trama, que mistura
elementos mitológicos e da realidade, sobretudo uma intenção de
levar ao leitor uma mensagem de
confiança e amor.
Durante a sessão de autógrafos, o autor deixou registrado seu
carinho à causa da LBV e de seu
dirigente nesta mensagem: “José
de Paiva Netto, que a chama que
você acendeu para o próximo
brilhe sempre mais! Sucesso!
Walcyr Carrasco”.

O Sindicato do Crime — PCC
e outros grupos é uma contundente obra literária do escritor
e jornalista Percival de Souza,
que trata de um dos maiores
problemas vividos em nosso
País na atualidade: a violência.
Graças a entrevistas, pesquisas
e um trabalho investigativopolicial que fez em São Paulo,
em outros Estados brasileiros e
no Paraguai, o autor explica a
hierarquia do crime organizado, de que maneira surge e se
movimenta.
Em sua dedicatória ao dirigente da LBV, escreveu: “Para
José de Paiva Netto, com as homenagens do Percival”.

landa Risolfi de Toledo, Marco Aurélio Santos, Paulo Esgalha, Waldemar
Domingues Alonso; Campo Grande/
MT – Mário de Paula; Carapicuíba/
SP – Aparecida Tereza do Vale, João
Felício Câner, José Maria de Oliveira,
Waldemar Alonso e família; Castro/
PR – Adriane Betim de Almeida; Caxias do Sul/RS – Maria do Carmo Carvalho Bonela; Cravinhos/SP – Isailda
Campos Zílio; Cuiabá/MT – Paulo
Bitencourt; Edealina/GO – Cleide
Aparecida Francisco, Robson Rosa da
Silva e família; Esteio/RS – Terezinha
Medeiros Peazambuja; Florianópolis/
SC – Cenira Marquiza Moreno, Rob-

son Aquino de Lima; Fortaleza/CE –
Cristiani Ranolfi e família; Franca/SP
– Luiz Antônio Tardivo, Luiz Carlos
Goulart e família, Margarida Cândido
Rosa, Nilva Goulart Tardivo e família; Glorinha/RS – Edivaldo, Helena
Caetano e família, Henrique Nonnemacher, José Marcos Franqui, Mário
Augusto Brandão e Santos; Goiânia/GO – Maria Helena de Almeida
Santos, Mauro Rodrigues e família;
Gravataí/RS – Gloreci Furtado de Almeida, Maria Lúcia do Nascimento e
família; Guaranésia/MG – Carlos Jacinto de Oliveira; Guarujá/SP – José
Carlos; Guarulhos/SP – Geni Bertolin
Agenda:
Cultura paulista
na visão de grandes
escritores e literatos
Leilla Tonin
Dr. Ives Gandra Martins

No dia 7 de dezembro, a Academia Paulista de Letras (APL) foi
palco do lançamento de mais um
bom título: o livro Cultura Paulista. A obra reúne o pensamento dos
ocupantes das 40 cadeiras da APL,
sob a coordenação dos acadêmicos
Célio Debes (advogado e Mestre
em História), Hernâni Donato
(escritor) e do jurista e Presidente
da APL, Ives Gandra da Silva
Martins.
Para o Dr. Ives Gandra, “é uma
visão do que é a cultura paulista
atual, porque é a casa de cultura
por excelência em São Paulo. É a
primeira vez em 97 anos de história
que todos os acadêmicos, de acordo
com a sua especialidade cultural,
escrevem. Temos um livro de 40
cadeiras expondo”.
O Presidente da Academia Paulista de Letras, que também é

Professor-Doutor em Direito e
Economia, músico e autor de mais
de cem livros, ao se encontrar com
representantes da Legião da
Boa Vontade no evento recordou
as grandes batalhas enfrentadas
por defender o direito à vida e o
apoio que recebeu do dirigente da
LBV: “Todos sabem da amizade
de nós dois há muitos anos. Temos
uma bandeira contra o aborto, pelo
direito à Vida, desde a concepção.
Eu tenho um querer-bem, a melhor
expressão que se pode usar para
Paiva Netto, que vem de priscas
eras, razão pela qual quero mandar para ele um grande abraço,
um abraço de fraterna amizade”,
afirmou.
Em um exemplar do trabalho registrou seu sentimento: “Ao querido
amigo e mestre Paiva Netto, com o
carinho do Ives”.

e família, Maria Maximiano da Silva;
Itaquaquecetuba/SP – Guiomar Ramos de Macedo; Iturama/MG – Lindomar Mathias Silva e família; José
Bonifácio/SP – Neusa Maria de Jesus Carrasco e família; Jundiaí/SP
­– Albis Silvestre Junior, Archanjo
Pereira Jorge, Ana Paula Silvestre,
Deise Raquel Rosa, Douglas Ricardo Lopes Moreira, Lucí Andréa,	
Rafael Odone, Rita de Cássia Picchi Silvestre; Leme/SP
– Alessandra Beck e família,
Moacir Beck e família; Londrina/PR – Fernando Sales,	
Marlene Pereira Batista e família,

Odete Miranda e família; Manaus/
AM – Elisene de Oliveira Santos,
Penha de Oliveira Gonçalves;
Marabá/PA – Sérgio Donizeti Farias;
Maricá/RJ – Luiz Otávio Silva;
Marília/SP – Adriano Alves
Pereira, Esmeralda Sabatine
Sales, Roberto Escobosa e família; Maringá/PR – Aurora Barbosa
Verdan e família, Equipe Legionária
Solidária de Maringá/PR, Genésio
Braga e família, Nilton Bortolin e
família; Matinhos/PR – Ivo José
da Silva; Natal/RN – Dilma Pinto
Bezerra de Medeiros, Wilma Bezerra de Medeiros.

Congresso
discute os rumos
e desafios das
fundações
O movimento fundacional
reúne-se na capital paulista para
refletir o caminho percorrido e
os novos rumos a serem abraçados. A iniciativa visa trazer
mais bem-estar à sociedade,
especialmente à parcela mais
carente em benefícios, em cultura, em ensino com qualidade
e em facilidades, fruto do desenvolvimento tecnológico. Por
isso, no próximo 9 de março,
sexta-feira, das 8 às 18 horas,
realizam-se o “I Congresso
Brasileiro de Fundações em
São Paulo” e o “II Encontro
Nacional Confies-Profis”, no
auditório da Fundação Cásper
Líbero (Av. Paulista, 900, 3o
andar).
O evento contará com a
presença de autoridades, formadores de opinião, dirigentes
e colaboradores de fundações e
de entidades de interesse social,
além de estudiosos da matéria
para debater temas de grande
interesse nacional. Entre os conferencistas estão a antropóloga
Ruth Cardoso, o jurista Ives
Gandra da Silva Martins, o
advogado Francisco de Assis
Alves (especializado em Direito Público), Belchior Melo
de Souza (Representante da
Receita Federal em Alagoas) e
o Promotor de Justiça Cível de
Fundações da cidade de São
Paulo, Airton Grazzioli.
BOA VONTADE |

17
Esporte é Vida!

Rumo ao

Pan

Maior evento do Pré-Pan, a Travessia dos Fortes movimenta o Rio de Janeiro e o Coral Ecumênico
Infantil LBV (de azul nos lados do palco) abre a cerimônia.
Aneliése de Oliveira
Fotos: Felipe Freitas

E

m meados de 2007, a Cidade Maravilhosa ficará
ainda mais bela e movimentada, com a presença
de diversos esportistas que participarão dos Jogos Pan-Americanos, de 13 a 29 de junho. Um
calendário de atividades antecipa
essa festa esportiva das Américas
e um de seus maiores eventos
ocorreu no fim do ano, a Travessia dos Fortes, edição 2006.
Na ocasião, o Coral Ecumênico Infantil LBV interpretou a
música Tema Olímpico, saudando
os atletas, o público e as autoridades presentes.
A performance da garotada
ganhou destaque nas palavras
do Gerente Geral de Marketing
do Comitê Olímpico Brasileiro
(COB), Vitório Moraes. “Ti-

Vitório Moraes

18

| BOA VONTADE

Denise Mattioli

vemos momentos de muita emoção. A LBV soube somar, apoiar
e aparecer de forma impactante,
emocionante, com a meninada
muito bem preparada e essa
música que realmente soube
contagiar o pessoal que estava
presente”, pontuou Vitório.
O Presidente da Confederação
Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA), Coaracy Nunes,
também comentou a apresentação: “Tenho um prazer e uma
honra muito grande em falar da
LBV, esse movimento universal
pela Paz e harmonia entre todos.
Estou muito feliz, principalmente pela presença do Coral. Esses
meninos maravilhosos vieram
emoldurar a nossa festa”. Sobre
o consistente trabalho que a Legião da Boa Vontade realiza com
a comunidade, Coaracy disse:
“O Doutor Paiva Netto é um
grande benemérito do Brasil. E
a Legião da Boa Vontade é uma
Entidade que faz bem às pessoas
e muitas vezes anonimamente, o
que é muito importante. Quero
ressaltar que é excelente para a
Confederação e para a Travessia

dos Fortes receber a LBV aqui.
Sinceramente, é uma congregação maravilhosa que orgulha o
Brasil. Vocês estão de parabéns.
Esse trabalho é maravilhoso”,
finalizou Nunes.
A Secretária Estadual de Esportes, Denise Mattioli, registrou: “Fico muito feliz com a
receptividade que eu tive com
vocês da LBV e esse Coral maravilhoso”. O pentacampeão
da prova Luiz Lima elogiou o
canto das crianças da LBV: “É
um trabalho maravilhoso que a
Legião da Boa Von­tade faz há 57
anos servindo o nosso País. É um
exemplo! Eu já estive na Supercreche Jesus em São Paulo, o que
para mim foi um grande prazer.
Muito obrigado por essa homenagem”, disse o maratonista.

Coaracy Nunes

Luiz Lima
Felipe Freitas

Coluna do Garotinho

José Carlos Araújo é comunicador
esportivo da Rádio Globo do Rio de
Janeiro/RJ.

O

ga, que começou uma renovação
na Seleção Brasileira, convocando
jogadores que estavam esquecidos
em países de pouca tradição no
futebol.
Porém, creio que não devemos
formar uma nova seleção a cada
jogo. É importante ter uma base
e insistir com ela até a Copa do
Mundo de 2010, para que cheguemos à competição com uma equipe
entrosada e não como a do último
mundial, cheia de grandes talentos
individuais, mas longe de mostrar
conjunto em campo.
Não será um trabalho fácil para o
Dunga, já que o Brasil não revelou,
nos últimos anos, jogadores fora de
série, capazes de substituir os craques que já não estarão na próxima
Copa do Mundo. Temos tido algumas promessas, como Alexandre
Pato, alguns outros bons profissionais, mas nenhum que entusiasme a
ponto de apostarmos que chegará ao
nível dos Ronaldinhos, do Kaká ou
do Roberto Carlos e do Cafu dos
bons tempos.
Por sorte, o tempo está a nosso
favor. As eliminatórias começam
este ano e, na longa caminhada até a Copa do
2010 na África do
Sul, não tenho dúvida de que o Brasil

revelará os craques necessários,
como sempre fez, e terá uma representação bastante forte para apagar
o fiasco de 2006 e trazer o sonhado
hexacampeonato mundial.
Não podemos apenas ficar convencidos de que somos os melhores.
Ter os jogadores mais talentosos não
é tudo. É fundamental que mostrem
a genialidade em campo, que sejam humildes a ponto de colocar a
equipe acima do brilho individual.
Aí, sim, estaremos prontos para
conquistar para o Brasil a sua sexta
Copa do Mundo.
Feliz 2007
para todos!
Que seja um
ano de paz,
de harmonia
e  vitórias para
nós, brasileiros,
em todos os setores, na família,
no Esporte, na
política e na sociedade!

BOA VONTADE |

19

Fotomontagem

ano de 2006 ficou para trás
e, com ele, a frustração da
perda da Copa do Mundo.
Com certeza, tínhamos a
seleção mais forte, a mais espetacular, e o título parecia uma questão
de tempo. Só que, como todos sabemos, o desfecho não foi bem assim.
Doeu, mas ficou — mais uma vez
— a lição de que, no futebol, nem
sempre ganha quem tem os melhores jogadores, mas, sim, quem tem
a melhor equipe.
Prova disso foi o título de campeão mundial interclubes conquistado brilhantemente pelo Internacional. O favorito era o Barcelona,
de Ronaldinho. Mas, novamente,
a seleção de estrelas foi batida pelo
time de mais conjunto, de mais
obediência tática e de mais vontade
de vencer.
O ano de 2006 já é passado, mas
não podemos tirar da cabeça as lições que nos deixou. Especialmente
em 2007, quando teremos os Jogos
Pan-americanos do Rio de Janeiro
e o início das eliminatórias para a
Copa de 2010, na África do Sul.
Precisamos analisar tudo o que
foi feito para a Copa de 2006, principalmente o que deu errado, para
que não nos reencontremos com o
fracasso. Por sinal, esse trabalho já
teve início, com o comando de Dun-

2010
é agora
Política e Economia

PAC

prevê

crescimento

de 4,5% neste ano e 5% a partir de 2008

20

| BOA VONTADE

Ricardo Stuckert/PR

O

Programa de Aceleração do Crescimento
(PAC), anunciado no
último 22 de janeiro,
pelo governo federal, prevê que a
economia vai crescer 5% a partir
do ano que vem e manter o ritmo
até 2010, no final do segundo
mandato do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
De acordo com o cenário previsto no PAC, a taxa de crescimento real do Produto Interno
Bruto (PIB) será de 4,5% ao
ano em 2007 e de 5% em 2008,
2009 e 2010. O crescimento estimado de 2006 é 2,8%, segundo
a Comissão Econômica para
América Latina e Caribe (Cepal),
contra 5,3% de toda esta região.	
Para a taxa de inflação, o plano
também espera uma estabilização
a partir de 2008, em 4,5% — contra 4,1% em 2007. Em relação à
taxa básica de juros (Selic), determinada pelo Comitê de Política

Julio Cruz Neto e André Deak
Fonte: Agência Brasil

O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursa durante cerimônia de apresentação do
Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
Ricardo Stuckert/PR
Foto: Ricardo Stuckert/PR

Brasília — O Presidente Luiz Inácio Lula da
Silva, a Primeira-Dama,
Marisa Letícia, o VicePresidente, José Alencar
(à direita da foto); a
Ministra-Chefe da Casa
Civil, Dilma Rousseff; o
Presidente do Senado,
Renan Calheiros; e o
Ministro da Fazenda,
Guido Mantega (à
frente), durante o
lançamento do Programa de Aceleração do
Crescimento (PAC).

Frentes do Programa
Transporte

Monetária (Copom), a expectativa
é de que seja de 12,2% no final de
2007, 11,4% em 2008, 10,5% em
2009 e 10,1% em 2010.
O PAC se divide em duas
partes. Uma se refere à infra-estrutura para o desenvolvimento
propriamente dita e destrincha
a previsão de investimento de
R$ 503,9 bilhões, ao longo dos
próximos quatro anos. Do total,
86,54%, ou seja, R$ 436,1 bilhões, virão de estatais federais e
do setor privado, enquanto os restantes R$ 67,8 bilhões sairão do
orçamento do governo central.
A outra apresenta uma série
de medidas econômicas para o
crescimento, em que se encontram
os dados acima e ainda 37 itens
referentes a crédito, investimento,
impostos, gestão e outros pontos.
Destes, 16 se referem a matérias
que já foram implementadas ou
estão em fase de implementação/
tramitação no Congresso.

Os investimentos serão pesados em infra-estrutura logística,
que engloba as rodovias, portos, ferrovias, aeroportos e hidrovias, facilitando o transporte de cargas e mercadorias, de forma
a ter um impacto positivo no custo dos produtos.

Saneamento e habitação
O pacote prevê o fornecimento de água, esgoto tratado
e destinação adequada de lixo a 23,2 milhões de domicílios
neste e nos próximos três anos. Para a habitação, o objetivo é
atender pelo menos quatro milhões de famílias com recursos
públicos e da caderneta de poupança.

Recursos hídricos
Os programas contemplados são a integração da bacia do
Rio São Francisco, a revitalização das bacias dos rios São Francisco e Parnaíba, os sistemas de abastecimento de água bruta
e projetos de irrigação. O Nordeste vai receber a maior parte
dos investimentos.

Energia
Os sete Estados da Região Norte receberão, de 2007 a 2010,
investimentos de R$ 32,7 bilhões em infra-estrutura energética. Em todo o país, serão aplicados R$ 274,8 bilhões no setor e
R$ 65,9 bilhões em energia elétrica.
BOA VONTADE |

21
Perfil

Bossa Nova

emTOM
maior

Mario de Moraes
(especial para a revista BOA VONTADE)

Ana Jobim

“Não pensei em trote porque ninguém ia fazer
uma brincadeira cara dessas, ligando dos Estados
Unidos pra mim. Meus ouvidos conheciam bem
as vozes das ligações internacionais, como eram
feitas naquele tempo. Sinatra foi falando, depois
de se identificar com simplicidade: ‘Quero fazer
um disco com você e quero saber se você acha
isso interessante’. Acrescentou que pagaria todas
as despesas e que eu ficaria hospedado com ele.
Soube depois que esse tipo de convite, de interesse
profissional, ele sempre faz pessoalmente. Pega
o telefone e vai direto ao assunto. No meu inglês
precário, lembro que respondi: ‘Perfeitamente,
é uma honra’. Sinatra me perguntou: ‘Você me
acompanha no violão?’. Respondi que não era
violonista, mas que aceitava. O fato é que me
sentiria mais à vontade no piano.” Esse depoimento se encontra no livro Cancioneiro Jobim e
descreve o início da parceria de Antonio Carlos
Jobim com Francis Albert Sinatra, que resultou
num álbum de muito sucesso, gravado em 1967,
nos Estados Unidos.

Só perdeu para os Beatles

A notável carreira conferiu a Jobim inúmeras homenagens, entre
elas, os títulos de doutor honoris causa, da Universidade do Rio de
Janeiro (1990) e da Universidade Nova de Lisboa (1993).

22

| BOA VONTADE

O álbum da famosa dupla agradou ao público, sendo eleito o melhor do ano pela crítica
norte-americana. Ele só perdeu em vendas para
Arquivo pessoal

o álbum dos Beatles, Sgt. Pepper’s
Lonely Hearts Club Band. A primeira música de Tom, gravada por
Sinatra, foi Dindi. Sobre a perfeição
com que Sinatra gravou essa faixa,
disse Will Friedwald, seu biógrafo:
“Com tamanha delicadeza que a poderiam ter posto num comercial de
lenço de papel”. O próprio Sinatra
reconheceu que nunca tinha cantado
tão macio em sua vida. E pilheriou:
“A última vez em que cantei assim
foi quando tive uma laringite”.
Embora já conhecido e famoso
internacionalmente, é inegável que
o álbum Francis Albert Sinatra 
Antonio Carlos Jobim foi um marco
na vida do compositor brasileiro.
Nos últimos tempos Tom Jobim
vem sendo muito justamente lembrado, principalmente porque, se
vivo fosse, ele teria comemorado 80
anos no último dia 25 de janeiro.

Photos.com

Mario de Moraes,
jornalista.

Tom perdeu o pai, Jorge de Oliveira Jobim, e, dois anos depois, sua
mãe, Nilza Brasileiro de Almeida
Jobim, casou-se com Celso Frota
Pessoa.
Tom Jobim, um gênio musical,
não estava entre os alunos mais
aplicados. Só a música o interessava. Em 1941, aos 14 anos, iniciou
os estudos de piano com o maestro
alemão radicado na Bahia, HansJoachim Koellreuter, de quem
era amigo, e com a professora Lúcia
Branco. Violão aprendeu a tocar
com Tomás Terán. Aos 22 anos,
no dia 15 de outubro de 1949, Tom
casou-se com Theresa Hermanny.
Da união nasceram dois filhos: Paulo, em 1950, e Elizabeth (Betinha),
em 1957. Em 1978 Tom casou-se
pela segunda vez com Ana Beatriz
Lontra, com quem teve mais
dois filhos:

João Francisco (1979), morto aos
18 anos num acidente no Rio de
Janeiro, e Maria Luiza Helena
(1987).

Amizades de veia musical

Maestro, arranjador, compositor,
pianista, cantor, para ganhar a vida
Tom Jobim chegou a tocar em casas
noturnas. Amigo de maestros como
Lirio Panicali, Radamés Gnatali
e Leo Peracchi, Tom freqüentava
as boates da Zona Sul e, por coincidência, foi numa delas que ouviu
o violonista João Gilberto apresentar sua batida diferente, que se
tornaria marca registrada da Bossa
Nova, um dos movimentos mais
importantes da música popular
brasileira.
As primeiras músicas compostas por Tom Jobim foram

Vinícius, Dorival e Tom:
os amigos se encontram em julho de 1967.
Estreitos laços uniam
Caymmi à mais famosa
dupla de compositores
da Bossa Nova.

Caymmi e Tom Jobim,
durante a entrevista
para o Jornal do Brasil,
em 1994. A matéria era
uma homenagem aos
80 anos do compositor
baiano.

Um mau estudante

Antonio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim nasceu na Rua Conde
de Bonfim, 634, no bairro carioca da
Tijuca, na noite do dia 25 de janeiro
de 1927. Sua única irmã, Helena,
veio ao mundo quatro anos mais
tarde. Ela viria a ser professora e
autora de diversos livros, entre os
quais Antonio Carlos Jobim, Um
Homem Iluminado.  Aos 8 anos,

Caymmi visita Tom e
leva seus filhos Nana,
Dori e Danilo. Neste LP,
Tom e Dorival oferecem
ao público um dos mais
belos momentos da nossa
música.
*As fotos acima são do interessante livro biográfico Dorival
Caymmi — O mar e o tempo, da jornalista Stella Caymmi.
BOA VONTADE |

23
Leilla Tonin

Cultura
Perfil

Tom Jobim em cena de um clipe gravado
para a TV, em sua última aparição pública,
no qual registrava seu apoio à construção
do Parlamento da Legião da Boa Vontade.

Jobim: “O ParlaMundi
da LBV é a Sinfonia
da Solidariedade
Universal.”
______________
Alexandre Rueda

Tom Jobim, grande amigo
da LBV, sempre apoiou as iniciativas da Instituição. Em certa
ocasião, o genial músico registrou seu carinho pela causa da
Boa Vontade ao gravar um clipe
para a TV (sua última aparição
pública), que foi especialmente
produzido para a inauguração
do ParlaMundi da LBV em
Brasília/DF, ocorrida em 25 de
dezembro de 1994: “Eu acredito
na Vida e gosto de viver. Isso aparece nas minhas composições.
Mas agora eu quero convidar
Você para cantar uma canção
diferente. O Parlamento Mundial da Fraternidade Ecumênica
é a Sinfonia da Solidariedade
Universal”. E o querido Tom
finalizou fazendo um convite
às pessoas a colaborarem com
a LBV dizendo: “Eu conto com
Você!”.
24

| BOA VONTADE

gravadas em 1953 pelo cantor Ernani Filho: Pensando em você e Faz
uma Semana (em parceria com João
Stockler). Em 1954 Tom lançou
um LP, Sinfonia do Rio de Janeiro,
com Billy Blanco. No mesmo ano,
o primeiro e grande sucesso veio
com Teresa da praia (samba-canção
cuja autoria também fez com Billy
Blanco), gravado pela dupla Dick
Farney — Lúcio Alves. Ainda em
1954 conheceu o poeta Vinícius de
Moraes, com o qual formaria uma
parceria de sucesso. Em 1956, Tom
musicou a peça Orfeu da Conceição,
de Vinícius, apresentada no Teatro
Municipal do Rio de Janeiro, e lançou um LP com o mesmo nome.
São dessa época algumas canções que compôs com Dolores
Duran (Estrada do sol e Por causa
de você)  e com Vinícius de Moraes
(Eu não existo sem você, Eu sei que
vou te amar e Chega de saudade).
Ainda em 1958, Tom compôs sua
primeira trilha sonora para o filme
Pista de Grama, de Haroldo Costa.
A música Eu não existo sem você,
ainda inédita, foi cantada por Elizete
Cardoso, com acompanhamento de
João Gilberto no violão e Tom Jobim
no piano.

Década de muitos sucessos

A década de 1960 foi, possivelmente, a mais profícua e importante
na vida do maestro. Nela ele compôs, entre outros e diversos sucessos,
Corcovado, Desafinado, Samba de
uma nota só (as duas últimas com
Newton Mendonça), Dindi, Água
de beber, Insensatez, Ela é carioca,
a antológica Garota de Ipanema
(com Vinícius de Moraes), Retrato
em branco e preto e Sabiá (com
Chico Buarque de Holanda). Esta
última ganhou, em 1968, o primeiro
lugar no III Festival Internacional da

Canção, no Rio de Janeiro.
Em agosto de 1962, aconteceu
o histórico show no restaurante Au
Bon Gourmet, em Copacabana, com
Tom, Vinícius, João Gilberto e Os
Cariocas. Foi um tremendo sucesso,
com o acompanhamento de Otávio
Bailly, no baixo, e Milton Banana,
na bateria. Algumas músicas que se
tornariam famosas internacionalmente, como Só danço samba (Tom
e Vinícius), Samba do avião e Garota de Ipanema (Tom e Vinícius),
foram apresentadas pela primeira
vez nesse espetáculo. Garota de
Ipanema, inclusive, ganhou uma
introdução especial, em forma de
diálogo cantado por Tom, Vinícius
e João Gilberto.

Bossa Nova nos EUA

Em 22 de novembro de 1962,
Tom Jobim viajou para os Estados
Unidos, para participar do show de
Bossa Nova no Carnegie Hall, de
Nova York. Após sua apresentação
e posterior lançamento do álbum
com Frank Sinatra, Tom passou
a ser solicitado para gravar com
vários e importantes músicos norteamericanos, como Stan Getz, Andy
Williams, Nelson Riddle e Claus
Ogermann.
Em 1971, Frank Sinatra gravou
o LP “Sinatra  Cia”, com cinco
músicas de Tom Jobim e arranjos de
Eumir Deodato. Além disso, Tom
compôs músicas para concertos e
trilhas para o cinema.
Em 1984, Tom Jobim criou Nova
Banda, com o filho Paulo (violão),
Danilo Caymmi (flauta e voz),	
Jacques Morelenbaum (violoncelo), Tião Neto (baixo), Paulo
Braga (bateria) e coro, formado
por Ana Jobim, Elizabeth Jobim,
Paula Morelenbaum, Maúcha
Adnet e Simone Caymmi. Nos dias
29 e 30 de março de 1985, a banda
apresentou-se no Carnegie Hall,
de Nova York. E em 7 de julho do
mesmo ano, com João Gilberto, na
abertura do Festival de Montreux,
na Suíça.

Destaque do Grammy

Tom Jobim escreveu dois livros:
Ensaio poético (1988) e Visão do
paraíso — A Mata Atlântica (concluído em 1994 e publicado após
seu falecimento). Os textos são de
Tom; as fotos, de sua esposa, Ana
Jobim. Da imensa discografia do
consagrado músico, devem ser
citados Wave (1968); Matita Perê
(1973); Elis e Tom (1974); Urubu
(1976); Tom Jobim (1987) e Antonio Brasileiro, seu último disco,
lançado em 1994, que recebeu

uma música de cada lado. Depois
passou para o LP, de 33 1/3 RPM,
participando dos discos não só como
artista principal, mas como compositor, orquestrador e arranjador
de LPs de inúmeros cantores. As
edições internacionais, as reedições
— inclusive em forma de coletâneas
— e as inúmeras e novas gravações
em CD têm de ser levadas em conta
para se ter uma idéia ainda maior da
fabulosa bagagem musical de Tom
Jobim.
Em agosto de 2001, a Academia
de Gravações Latinas (Latin Recording Academy, em inglês) anunciou
as 17 gravações selecionadas para
inaugurar a Galeria da Fama do
Grammy Latino. Entre elas, Garota
de Ipanema, a música brasileira
mais popular de todos os tempos. A

e um ritmo. Só um indivíduo como
Vinícius, que conhece a música da
palavra, que poderia ter sido um
músico profissional, poderia ter feito
as letras que fez. (...).
“A versatilidade do meu amigo é
espantosa: tanto compõe um samba
de morro (Eu e o meu amor) como
uma valsa romântica e sinfônica
(Eurídice) ou ainda uma Serenata do
Adeus, tanto escreve um soneto (de
fidelidade ou de separação) como
uma História Passional, Hollywood,
Califórnia. Faz cinema, faz teatro
e escreve crônicas deliciosas. Tem
o sentimento nato da forma que
transcende o que possa ser ou foi
aprendido.
“Estas são umas poucas facetas
do poliedro cujo número de faces
tende para o infinito e que se chama

É praticamente impossível registrar
toda a discografia de Tom Jobim.
Em 45 anos de carreira ele compôs
mais de 500 músicas.
Photos.com

postumamente o Prêmio Grammy,
como destaque na categoria Jazz
Latino.
Em 1993, Tom gravou um especial com Milton Nascimento
e em abril de 1994 apresentou-se
novamente no Carnegie Hall. Em
maio viajou para Paris e da capital
francesa foi para Jerusalém, onde fez
um show com a Nova Banda.
É praticamente impossível registrar toda a discografia de Tom
Jobim. Em 45 anos de carreira ele
compôs mais de 500 músicas. Tom
iniciou gravando no formato 78
RPM, nas chamadas bolachas, com

galeria foi criada para prestigiar as
gravações de qualidade e relevância duradouras, ou de significado
histórico.

Eterno Vinícius

Na apresentação do histórico
disco Por toda minha vida, com
músicas de Tom Jobim e letras de
Vinícius de Moraes, Tom faz uma
verdadeira apologia ao seu maior
parceiro: “Vinícius de Moraes é
um grande poeta. No entanto, isto
não é condição para se fazer uma
bela letra. Uma palavra, além do
sentido verbal, tem uma sonoridade

Marcus Vinícius da Cruz de Mello
Moraes”.

O avô que se foi

Em 23 de fevereiro de 1973,
Tom Jobim teve a felicidade de
ver nascer seu primeiro neto,
Daniel, filho de Paulo Jobim,
atualmente um excelente pianista como o avô. A segunda neta,
Dora, nasceu no dia 6 de maio
de 1976. Tom Jobim faleceu na
manhã do dia 8 de dezembro
de 1994, de parada cardíaca, no
Mount Sinai Center Medical, em
Nova York.
BOA VONTADE |

25
F R A S E S

Amigos

da

Boa Vontade

Comentário da
cantora Ivete
Sangalo¸ ao
receber flores e
um quadro com a
estampa do Cristo
Ecumênico das
crianças atendidas
pela LBV em
Salvador/BA.

João Preda

“A LBV é uma obra muito
especial, principalmente,
na ajuda à sociedade, aos
necessitados e aos órfãos.
É um trabalho fantástico,
exemplar para o Brasil.”

Emerson Fittipaldi, bicampeão
mundial de Fórmula I e
campeão mundial de Fórmula Indy, durante visita ao Parlamento
Mundial da Fraternidade Ecumênica, o ParlaMundi da LBV.

Clayton Ferreira

“A LBV é o
máximo! E
sempre tem
meu carinho
e atenção
especial.”

Divulgação/cacodetelha.com.br

Visite, apaixone-se e ajude a LBV!

“O que a LBV faz é de
tirar o chapéu. Eu tenho
certeza de que quanto
mais o Brasil conhecer a
Legião da Boa Vontade,
mais o Brasil vai querer
participar dela.”
Cristina Carvalho, Presidente do
grupo Full Jazz, de São Paulo/SP.

Chico Audi

“Tenho um relacionamento muito bom e velho com a
LBV. É muito bom você participar de uma coisa que dá
certo (...) e poder ceder aquilo que tem de mais precioso.
No meu caso é a minha imagem que construí com a
minha carreira. Cedo minha imagem para que a gente
possa fazer, ajudar para que a LBV seja cada vez maior.”
Oscar Schmidt, o segundo cestinha da história do basquete mundial
e campeão Pan-Americano pela Seleção Brasileira, considerado uma
das maiores estrelas desse esporte de todos os tempos.

26

| BOA VONTADE
Turismo
“Que a LBV prossiga, porque é
um trabalho sem fronteiras e sem
calendários.”

Divulgação Rede Record

Um beijo às crianças da
LBV, adoro vocês. Podem
me convidar mais vezes
que eu vou aí, tá?

Simone Barreto

Frase da apresentadora de TV
Eliana, durante lançamento
de seu livro Os segredos dos
golfinhos.

Liliane Cardoso

Simone Barreto

Marcos Vilaça, Presidente reeleito da
Academia Brasileira de Letras — ABL, durante
a solenidade que o empossou na nova diretoria
da Casa da Cultura para o ano de 2007.

“É sempre um prazer estar
com as crianças e parabenizar
a LBV pelo trabalho que
realiza. (...) É um ótimo
trabalho o da Legião da
Boa Vontade, basta ver a
postura desses meninos.”
Depoimento do técnico da Seleção
Brasileira de Futebol, Dunga,
ao receber, em Gravataí/RS, a
homenagem das crianças atendidas
pela LBV.

Alô, Paiva Netto, sabe que eu sou seu amigo. Você faz
um trabalho inteligente, que eu respeito, e que me
encanta, à frente da LBV. Espero que seja muito feliz
e continue a ajudar a construir um século, um milênio
melhor, para esta nação.
Registro do cartunista e escritor Ziraldo.
Clayton Ferreira

“Eu, meu pai, meu irmão e minha mãe ajudamos a LBV
há muitos anos. Fiquei feliz em saber o que a Legião da
Boa Vontade faz em conjunto com as Nações Unidas.
(...) A LBV é uma Instituição séria! (...) É sempre um
prazer trabalhar com esse pessoal maravilhoso daqui e
com as crianças da LBV.”
Cantora Luciana Mello, durante gravação de vídeo institucional da
Legião da Boa Vontade, para a qual ela doou os direitos e cachês.

BOA VONTADE |

27
Entrevista

Aula de

Carlos Chagas
fala da
experiência
acumulada em
décadas de
profissão

jornalismo
A

Arlindo Filho

pós conhecer mais de perto
um pouco de sua vida e de
sua dedicação ao trabalho
é que se entende o porquê
da carreira de sucesso do jornalista
Carlos Chagas. Este mineiro de
Três Pontas participa ativamente da
mídia impressa e da televisão por
quase cinco décadas, atuando durante 12 anos no jornal O Globo, em que
foi editor político, 16 como Diretor
da Sucursal do jornal O Estado de S.
Paulo no Distrito Federal e mais 12
na direção do antigo Grupo Manchete, também na capital
brasileira, a convite do
saudoso Adolfo Bloch
(1908-1995). Além disso, lecionou Ética e História do Jornalismo, por
25 anos, na UniversidaAdolfo Bloch
de de Brasília (UnB), da
Adolfo Bloch
qual se aposentou em 2005.
O longo tempo na capital do País
permitiu a ele um convívio estreito
com os bastidores do poder e com
28

| BOA VONTADE

Enaildo Viana

fatos relevantes da história recente
do Brasil.
Casado com a advogada e psicóloga Enila Chagas, que foi sua
colega na Faculdade de Direito, justificou o velho ditado de que “filho
de peixe, peixinho é”, transmitindo
para as duas filhas talvez a maior
herança que os pais podem deixar:
a correção de caráter. A primogênita,
Helena Chagas, é Diretora do SBT
de Brasília e colunista política do
Jornal do Brasil; a caçula, a advogada Cláudia Chagas, seguiu a outra
vertente da família, tornando-se
promotora pública, com brilhante
passagem pelo Ministério da Justiça.
E quatro netos completam a família
mineira, carioca e candanga.
Em seu escritório no prédio do
setor comercial sul, o professor Carlos Chagas recebeu nossa equipe, em
meio aos afazeres que incluem quatro comentários políticos na Rádio
Jovem Pan e um artigo diário, que
é publicado em 18 jornais do País.

No gabinete, o número de aparelhos
de TV, todos ligados em telejornais,
além dos vários jornais impressos,
dão uma noção de como este veterano está sempre bem informado e
atento, e foi desta central de notícias
que ele nos concedeu a entrevista a
seguir:
BOA VONTADE: Professor, obrigado por ter aceitado o nosso
convite.
Carlos Chagas — O prazer
é meu, principalmente porque eu
tenho também a honra de ser do
Conselho da Ordem do Mérito da
Fraternidade Ecumênica do ParlaMundi da LBV.
BV — O senhor é de uma família
de médicos, mas decidiu-se pela
imprensa. Como foi essa história?
Carlos Chagas — Eu sou de
Três Pontas. A família dos médicos
é da parte dos Oliveiras, um pouco
afastada, ainda porque tudo é assim
“A nossa função é
comunicar tudo o
que se passa de bom,
de mal, de feio, de
bonito, de certo, de
errado, eu sou da
escola da humildade.”

Domingos Tadeu/
Palácio do Planalto

em Minas Gerais. Eu detesto esse
negócio de hospital, operação, tudo.
Além disso, saí pequeno de Minas,
meus pais mudaram-se para o Rio
de Janeiro quando tinha 4 ou 5
anos, e lá fui encaminhado para o
que era minha tendência. Estudei
em colégio de padres durante praticamente a vida inteira e fui para a
Pontifícia Universidade Católica de
Direito-RJ, mas tinha de trabalhar,
jovem, com 18 anos, para ajudar a
família e pagar os estudos. Metade
do dia era na faculdade, a outra
ficava livre. Qual a ocupação
que podia ser compatibilizada? Era a de
repórter de jornal.
Então, pedi emprego no O Globo e consegui.
Comecei como
repórter ainda
no segundo ano
da faculdade.
Formei-me
afinal. Digo
isso, pois foi
interessante: aconteceu

BOA VONTADE |

29
Arquivo

pessoal

O jornalista Carlos Chagas no
Palácio das Laranjeiras, no Rio
de Janeiro/RJ, antiga sede do
Governo Federal, onde costumava falar à imprensa.

Em Paris/França, no
canto esquerdo, o jornalista
Paulo César Ferreira (na época da TV Continental), ao centro Carlos Chagas, então
Secretário de Imprensa da Presidência da
República, o Presidente Costa e Silva e sua
esposa, Iolanda, durante viagem empreendida pelo chefe do governo brasileiro a
diversos países.

no ano em que Jânio
Quadros (1917-1992)
fez a campanha para
Presidente da República.
BV — Em 1960?
Carlos Chagas
— Sim. O chefe de reportagem
disse: “Preciso de um repórter para
viajar com Jânio Quadros, mas é
viajar mesmo, passar meses fora do
Rio”. Eu já era noivo, pensando em
casamento, mas tudo bem. Estava
no quinto ano da faculdade, e fiquei
naquela dúvida: “Será que eu perco
um ano por causa da presença? Mas
vou conhecer o Brasil inteiro com
o Jânio, que é uma belíssima expe­
riência”. Ele viajava em um DC-3,
alugado da Varig, e os jornalistas iam
no mesmo avião dele, e descia em
qualquer campo de futebol. Eram

Jânio Quadros

30

| BOA VONTADE

Arquivo pessoal

Entrevista
“Vim ser porta-voz do Presidente Costa
e Silva (1902-1969), que já estava no
Governo e tinha assinado o AI-5. Ele
me conhecia como jornalista, e em um
belo dia me chama e diz: ‘Eu quero que
você seja o meu porta-voz, porque vou
acabar com o AI-5, não passo à história
como ditador’.”

três, quatro, cinco cidades por dia
e sempre terminando na capital.
Candidatei-me e fui escolhido. Tive
uma grata surpresa, pois apesar de ir
ao Rio de Janeiro de mês em mês,
quando Jânio parava a campanha ou
viajava mesmo ao Rio, aproveitava
para estar na faculdade. Chegou
o fim do ano e eu tive a presença
necessária. Todos os meus professores eram janistas e viam as minhas reportagens: “Carlos Chagas,
especial para O Globo, de Casco
Bobó das Farinhas...”. Consegui
ser aprovado, entrei na reportagem
política, que era o que gostava. Já
formado, fiz um concurso, fui Promotor Público durante um ano numa
pequena cidade, Mendes, no Rio de
Janeiro, ia de manhã e voltava à noite
e ainda trabalhava para o jornal.
Em 1962, O Globo ofereceu-me a
oportunidade de ser editor político,
então larguei da advocacia e estou
na imprensa até hoje.
BV — Como foi sua ida para a
Manchete?
Carlos Chagas — Quando eu
saí do Estadão, no dia seguinte o
Adolfo Bloch soube e disse: “Você
é meu diretor em Brasília”. Viajei
para o Rio, acertei as coisas e fiquei
na Manchete 12 anos, até ela acabar.
E até algumas semanas atrás estava

na CNT, fiquei cinco anos lá como
comentarista político. Escrevo um
artigo diário, de cem linhas, que
está sendo publicado hoje em 18
jornais do País. E trabalho também
na emissora de rádio Jovem Pan, na
qual faço quatro comentários políticos diários.
BV — Como fica a família nesse
contexto de tantas atividades?
Carlos Chagas — A minha
mulher tem um laço interessante
comigo, ela era minha colega na
Faculdade de Direito, na PUC Rio,
e era a primeira da sala. Nós nos
conhecemos durante um período em
que eu trabalhava no O Globo até as
23 horas, meia-noite, e a aula começava na PUC às 7h30. Ninguém é de
ferro, eu chegava atrasado, às vezes
não ia. E um dia havia uma prova
dificílima, creio de Filosofia do
Direito, alguma coisa que devia ter
estudado muito e não fiz. Perguntei
a um colega: “Olha, eu estou ruim.
Quem é um bom aluno, que eu vou
sentar atrás”. E era ela! Falei para
Enila: “Deixe-me olhar a sua prova”. Ela deixou, e eu fui colando,
colando, e colou! Ficamos noivos e
casamos (risos). Tive duas filhas e,
por incrível que pareça, uma delas é
Promotora Pública e a outra, jornalista. As duas profissões que escolhi.
Arquivo
pes

soal

Arquivo pessoal

“Eu vejo, dentro de todas essas atividades da LBV, uma que, como
jornalista, me parece a principal: a LBV debate os problemas
nacionais, tenta conscientizar o cidadão para os seus deveres.
Outras entidades depois vieram, (...) mas quem começou foi a
Legião da Boa Vontade, e afirma aquele provérbio árabe:
‘Bebe água limpa quem chega primeiro à fonte’. Vocês, ou
melhor, nós, porque eu sou Conselheiro da LBV, chegamos
primeiro à fonte. Ótimo, tomara que isso se multiplique.”
São quatro netos. A mais velha está
com 24 anos, formou-se na UnB
em Psicologia, a profissão da avó.
A minha mulher, depois de muito
tempo no Direito, quando viemos
para Brasília, entrou na faculdade de
Psicologia, formou-se e hoje tem um
belo consultório. Os outros três estão
estudando, um entrou na UnB este
ano. Imagina para que curso! Comunicação. E os outros dois acredito
que um vá ser advogado e a outra
também jornalista.

Pedro Aleixo

João Figueiredo

General Euclides
Figueiredo

BV — Há quanto
tempo o senhor está
em Brasília?
Carlos Chagas
— Estou em Brasília
desde 1969, porque
nessa época me licenciei por quatro meses
de O Globo e vim ser
porta-voz do Presidente Costa e Silva
(1902-1969), que já
estava no Governo e
tinha assinado o AI5. Ele me conhecia
como jornalista, e em
um belo dia me chama e diz: “Eu quero
que você seja o meu
porta-voz, porque
vou acabar com o

AI-5, não passo à história
como ditador”. Fiquei naquela
dúvida terrível, gosto demais
do mar, sempre morei no Rio,
desde pequenininho, nunca
pensei em sair de lá, mas quando ele
falou: “Venha ser o meu porta-voz,
porque os políticos o conhecem e
você poderá dar a notícia lentamente para não assustar ninguém,
de que vai acabar o AI-5 e começar
a constitucionalização, o primeiro
passo da democratização”, eu
aceitei, não me arrependo até hoje.
Quando faltava uma semana para
ele terminar com o Ato Institucional nº 5, reabrir o Congresso que
estava fechado e dar o primeiro
passo para a democratização,
cai doente, tem uma trombose,
gerada por aquela pressão em
cima dele. Em vez de assumir
o Vice-Presidente da República,
Pedro Aleixo (1901-1975), toma
posse uma junta militar; nessa
hora pedi demissão e voltei para
o jornal, mas retornei completamente destroçado. “Esse aí é
porta-voz da ditadura”, porque
afinal não se consumou a volta
da democracia. Eu pensei: só tem
uma saída, vou escrever tudo o
que vi. Em seguida, vim para o
Estadão, em Brasília. (...) Só que
quem acabou com a ditadura foi

Chagas aparece em duas fotos
históricas. Na segunda imagem, durante
posse na Secretaria de Imprensa da Presidência da República, em maio de 1969.

o João Figueiredo (1918-1999),
justiça se faça a ele.
BV — O Presidente João Figueiredo tinha essa índole?
Carlos Chagas — O Figueiredo tinha essa índole, afinal, o pai
dele, o General Euclides Figueiredo (1883-1963), foi perseguido
e teve de se exilar em Portugal e
na Argentina, passou mal, apertado financeiramente. E ele viveu
aquilo tudo como menino. Então,
tinha a índole democrática. Afinal,
deu a anistia ampla, geral, irrestrita, levantou essa censura total
da imprensa escrita, da televisão
e do rádio, que era o principal,
permitiu o aparecimento de mais
partidos, não apenas a Arena e o
MDB.
BV — Voltando à questão profissional, o senhor aconselharia os
jovens a cursar Jornalismo?
BOA VONTADE |

31
Entrevista
Melhor Idade

João Preda

Carlos Chagas — Dinheiro não foi apenas um fenômeno brasileiro, BV — O jornalista Paiva Netto,
dá. Estou com 69 anos e tenho de mas mundial. O que é mais impor- há 50 anos, luta para desentrabalhar até hoje duro, pesado, mas tante ler no dia seguinte? O que os volver as atividades da LBV
depende da inclinação. O jornalismo grandes jornais fizeram? Pararam em prol dos mais necessitaserá um negócio, um trampolim ou para pensar: o jornal tem de se reci- dos. Outro destaque é que a
uma profissão. Um negócio para clar, precisa oferecer algo a mais que Instituição tem representado o
muitos que querem enriquecer e, às a televisão não dá, ser diferente, dar Brasil nas Nações Unidas desde
vezes, ganham dinheiro travestindo o background da notícia, o que pode 1994. Como o senhor vê esse
a notícia, omitindo, inventando-a, acontecer. No planeta todo, começa- trabalho?
isso existe infelizmente. Será uma ram a seguir essa linha, a contratar
Carlos Chagas — Olha, a
ocupação, trampolim, para outros. grandes professores, literatos, histo- LBV saiu na frente. Desde os
Quantos políticos nós vemos que co- riadores, tê-los à sua disposição, para tempos do saudoso Alziro Zameçaram como jornalistas? Há uma melhorar a qualidade. No Brasil, por rur (1914-1979), que a gente
terceira vertente, o jornalisescutava muito na Rádio
mo é uma profissão imporMundial, que foi tão
tante, nobre, que ensina que
bem sucedido pelo meu
quem não tiver aquela conamigo Paiva Netto. Para
cepção de que ser jornalista
quê? Para fazer o bem,
não é ser, com o perdão da
levar comida a quem
palavra, formador de opinão tem, levar educanião, como grandes amigos
ção aos meninos que
nossos: “Eu sou formador
não podiam freqüentar
de opinião”, de nariz em
a escola, ensinar o trapé. Somos informadores,
balho principalmente.
quem se forma é a própria
Mas eu vejo, dentro de
sociedade estando bem
todas essas atividades
informada. A nossa função Enaildo Viana, apresentador da Boa Vontade TV, no bate-papo da LBV, uma que, como
é comunicar tudo o que se com o jornalista Carlos Chagas.
jornalista, me parece a
passa de bom, de mal, de
principal: a LBV debate
feio, de bonito, de certo, de errado, dificuldades financeiras, apelaram os problemas nacionais, tenta
para derivativos que não eram éticos conscientizar o cidadão para os
eu sou da escola da humildade.
como gostaríamos que fossem. Um seus deveres. Outras entidades
BV — Fala-se muito no denuncis- deles foi o denuncismo: todo político depois vieram, tem muitas aí,
mo. O senhor acredita que isso é ladrão, todo funcionário público é mas quem começou foi a Legião
tem sido utilizado pela impren- preguiçoso. Muita honra foi enxo- da Boa Vontade, e afirma aquele
sa?
valhada, sem que houvesse motivo provérbio árabe: “Bebe água limCarlos Chagas — Continua para aquilo. Para quê? Para vender pa quem chega primeiro à fonte”.
sendo usado, agora menos do que jornal, captar leitores. Isso melhorou Vocês, ou melhor, nós, porque eu
era no passado. (...) Quando volta bastante, mas ainda existe.
sou Conselheiro da LBV, chea democracia no Brasil, os jornais
gamos primeiro à fonte. Ótimo,
começam a se recuperar, porém BV — E às vezes não há o direito tomara que isso se multiplique,
numa época difícil, no fim da década de resposta adequadamente.
porque muitas vezes o Poder PúCarlos Chagas — Ou publicam blico, quando se omite, tem de ser
de 1970, começo de 1980, quando
a televisão passou, formalmente, a na seção carta dos leitores um pe- substituído pela sociedade e eis aí
substituir o meio impresso como dacinho de resposta e todo mundo um exemplo fundamental disso!
veículo transmissor de notícia. Até fica com medo dos jornais ou das E o Paiva Netto está na LBV há  
então, o cidadão escutava no rádio, revistas, e afirmam: “Não, deixa por 50 anos. Que ele renove isso por
mas queria ver nos jornais. Isso não isso mesmo”.
vários outros 50 anos!
32

| BOA VONTADE
Acontece

Criança Nota 10
LBV — Sem Educação não há Futuro!
Marta Trigueiro

O que os alunos encontram
no kit escolar da LBV?

família, beneficiando economicamente os pais que não têm
recursos para a compra do material; proporcionar às crianças
motivação para o estudo; e reduzir os índices de evasão escolar e
de analfabetismo.
As doações serão entregues no
começo do ano letivo a meninos
e meninas que estudam da 1a à 4a
série do ensino fundamental em
estabelecimentos da rede pública
as quais participam, no período
inverso ao da escola, do progra-

ma LBV — Criança: Futuro no
Presente!.
Para colaborar com a campanha pode-se fazer donativo por
intermédio do Banco Itaú, agência
0237, conta corrente 73.700-2. Em
São Paulo, o endereço da LBV é
Av. Rudge, 908, Bom Retiro. Para
mais informações, basta entrar em
contato pelo tel. (11) 3225-4500 ou
acessar o site www.lbv.org.br. Na
próxima edição da BOA VONTADE, a cobertura completa da entrega
dos kits escolares pelo Brasil.

Fotos: Arquivo BV

A

Legião da Boa Vontade
iniciou no dia dois de janeiro, em todo o Brasil,
uma grande mobilização
social em prol da edição 2007
da Campanha Criança Nota 10
— Sem Educação não há Futuro!,
que distribuirá material escolar a
milhares de crianças provenientes de famílias em situação de
pobreza.
A iniciativa da LBV visa pro­
mover a melhoria de vida e a
auto-estima da criança e de sua

Uma mochila, com oito cadernos (cinco de brochura, dois
de desenho e um de recados),
seis lápis pretos, uma caixa de
lápis de cor com 12 unidades e
uma de giz de cera, duas canetas
esferográficas, duas borrachas,
um apontador com depósito,
dois tubos de cola,
uma tesoura sem
ponta, uma régua de 30 cm,
um estojo e
um jogo pedagógico.
BOA VONTADE |

33
Samba e História

Adoniran

Barbosa
a voz que canta São Paulo
Francisco Trombino

Hilton Abi-Rihan

O radialista e jornalista Hilton Abi-Rihan
entrevista grandes nomes da cultura nacional no programa Samba e História. Na
Super Rede Boa Vontade de Rádio (Super
RBV), você pode acompanhar essas entrevistas aos domingos, às 5, 14 e 20 horas.
Pela Boa Vontade TV, o telespectador pode
assisti-las aos sábados, às 23 horas. Outra
opção para acompanhar o programa é aos
domingos, às 15 ou 23 horas. Pela Rede
Mundial de Televisão, confira o bate-papo
aos domingos, às 12 horas.

“Não posso ficar nem mais um
minuto com você/ sinto muito, amor,
mas não pode ser./ Moro em Jaçanã,/ se eu perder esse trem,/ que sai
agora às onze horas,/ só amanhã
de manhã (...)”. Com esses versos,
a coluna “Samba e História” presta
uma homenagem dupla: primeiramente aos 453 anos de São Paulo/SP
(comemorados em 25 de janeiro); e
também ao autor dessa canção (Trem
das onze) e de tantas outras que eternizam o samba paulistano.
Estamos falando de Adoniran
Barbosa (1910-1982), o paulista
de Valinhos, nascido em 6 de agosto de 1910 e sétimo filho do casal
de imigrantes italianos Fernando
e Ema Rubinato. Seu nome verdadeiro é João. Mas em 1933, em
homenagem a um amigo, adotou o
primeiro nome; o sobrenome foi um
reconhecimento ao sambista Luiz
Barbosa. Dessa mistura, surge o
nome que o consagrou.
Morador do Bixiga, tradicional
bairro italiano da capital, Adoniran
sabia como ninguém expressar a

realidade de sua gente nos versos.
O escritor, historiador e biógrafo de
cantores de samba, choro e chorões,
André Diniz, entrevistado pelo programa Samba e História, afirma que
“a obra do Adoniran sintetiza três
aspectos importantes na história da
música de São Paulo: a geografia da
cidade, a linguagem do paulistano
pobre e a fixação desse gênero musical riquíssimo”.
O bom humor e o forte sotaque
italiano também são características marcantes nos sambas dele.
Em suas obras há alguns detalhes
curiosos e engraçados. Na música
Prova de carinho, por exemplo,
que compôs para Matilde, sua
segunda esposa e com quem
viveu até o falecimento, escreveu: “Com a corda mi,/ Do meu
cavaquinho/ Fiz uma aliança pra
ela,/ Prova de carinho (...)”. O
artista, para encaixar seus versos,
usou de uma característica que lhe
era bem peculiar: a brincadeira,
uma vez que cavaquinho não tem
corda mi.

Vista do bairro do Bixiga, no
fim do século XIX.

34

| BOA VONTADE
“Adoniran foi
inovador com
suas construções
lingüísticas,
uma pontuação
que imitava
exatamente o
ritmo da fala
paulistana.”

Pouca gente sabe, mas o músico paulistano, antes de iniciar sua
carreira no samba, trabalhava como
radioator. Em 1941, foi para a Rádio Record, onde fez humorismo
e radioteatro. Nessa época, criou
tipos inesquecíveis como Pernafina
e Jean Rubinet. Foi no programa
de rádio História das Malocas que
criou Charutinho, um de seus personagens mais famosos. Atuou nas
primeiras telenovelas da TV Tupi,
como A pensão de Dona Isaura. O
talento do artista também pôde ser
visto no cinema. Iniciou nas telas em
1945 com o filme Pif-Paf. Seu melhor desempenho no cinema foi em
O Cangaceiro (1953), com a direção
e roteiro de Lima Barreto.
Trabalhando como radioator,
Adoniran, que já escrevera vários
sambas, sonhava mesmo em fazer
sucesso como cantor e compositor.
A grande chance surgiu no programa
de calouros de Jorge Amaral, na
Rádio Cruzeiro do Sul. Após muitos
gongos, apresentou Filosofia, de
Noel Rosa (1910-1937), e acabou
ganhando o prêmio do dia. “Mas
seus sambas só fizeram sucesso
nacional a partir das gravações dos
Demônios da Garoa, em 1955. Na
época, ele já tinha mais ou menos
uns 50 anos”, conta o historiador
Diniz. Apesar da paixão pela cidade
de São Paulo, é no Rio de Janeiro
que começa a despontar para o
sucesso. Com um jeito especial de
compor sambas paulistas, projetase no Brasil inteiro com Trem das
onze, cantado até hoje nas rodas de
samba.
O sétimo filho da família Rubinato foi inovador com suas construções
lingüísticas, uma pontuação que
imitava exatamente o ritmo da fala
paulistana, o que era exatamente

Acervo da família

Teatro, cinema, Jaçanã e
Arnesto

o oposto do que se via na história
do samba. Tal inovação lingüística
é observada também em Samba
do Arnesto, composição que, em
1973, deu nome ao seu primeiro
LP. Entretanto, a canção foi vetada
pela censura, sob o pretexto de
não ser gramaticalmente correta.
No entanto, no mesmo ano, com a
interpretação do grupo Originais do
Samba, a composição passou despercebida pela censura. Isso fez com
que a música voltasse às paradas de
sucesso.
Colaborando de forma expressiva para que o samba se fixasse em
São Paulo, a lembrança do saudoso
artista não ficou somente em suas
músicas. No bairro do Bixiga, Adoniran também é uma rua famosa; em
Jaçanã encontramos uma ruazinha
que, como não poderia deixar de ser,
leva o nome de Trem das onze.
Adoniran deixou cerca de noventa letras inéditas. Graças ao
amigo e estudioso da MPB, Juvenal
Fernandes, foram musicadas por

compositores de grande expressão
como Zé Keti, Tom Zé, Luiz Vieira, Paulinho Nogueira, Mario
Albaneze e outros. Não há dúvida
de que o samba de Adoniran é a
fotografia de uma São Paulo que
começava a despontar neste estilo
musical.
Nossos agradecimentos aos familiares do cantor e ao Museu da
Imagem e do Som (MIS) por ceder
a foto do saudoso sambista para a
publicação. Vale dizer que o MIS
abriga uma exposição permanente com filmes, discos, fotografias,
partituras e scripts de programas
de rádio do artista e compositor
brasileiro Adoniran Barbosa.
Colaboração: Isabela Ribeiro
Serviço — Espaço Expositivo
Adoniran Barbosa
Museu da Imagem e do Som
Av. Europa, 158, Jd. Europa, São Paulo/SP
Tels.: (11) 3085-1498/ 3062-9197
Funcionamento: de 3a a domingo, das 10 às
18 horas.
BOA VONTADE |

35
Abrindo o Coração

Mídia em

evolução
Divulgação

O talentoso jornalista Guilherme
Fiuza alça vôo como escritor e fala da
revolução que a internet tem provocado

G

uilherme Fiuza tem
se mostrado cada vez
mais um autor literário
diverso, o que o notabiliza — além de jornalista, crítico e
polêmico. De sua lavra, destaque
para dois livros: Meu nome não é
Johnny (transformado em filme) e
3.000 dias no bunker.
Este carioca trabalhou como repórter, redator e editor em veículos
como Jornal do Brasil, O Globo
e No.com, passando ainda por
assessorias políticas. Atualmente
é colunista do site jornalístico
NoMínimo. Sobre a experiência no
mercado editorial conta: “Lancei
Meu nome não é Johnny há dois
anos: é a história de um filho da
classe média brasileira que se
torna traficante de drogas e tem
toda uma trajetória no submundo,
36

| BOA VONTADE

Leila Marco e Simone Barreto

mas no final consegue se regenerar. Esse filme, no qual eu tenho
contribuído para a realização do
roteiro, está sendo rodado com
Selton Mello como protagonista e
será lançado em 2007. E neste ano
de 2006, publiquei outro livro, de
reportagem sobre política, chamado 3.000 dias no bunker, que vem
a ser a história da equipe que fez
o Plano Real e outras reformas.
Ele mostra todo um aspecto de
desafio aventureiro no exercício
do poder. Esse título caminha
para a segunda edição e mostra
bastante os bastidores do poder
no Brasil”.

Nascia o jornalista

A facilidade para escrever como
que nasceu com ele; bem novo,
ainda na infância, já demonstrava
ão
Divulgaç

Arquivo BV

Fiuza na noite de autógrafos de seu livro 3.000 mil dias no bunker

o pendor, mas a grande descoberta
do talento veio por acaso. “Desde
a escola, das primeiras classes
no curso primário, tive bastantes
sinais e reconhecimentos por
parte dos professores sobre esta
vocação, mas eu não prestei muita
atenção. Na época de escolher a
carreira fiz vestibular para a área
de administração de empresas,
cheguei a cursá-la quase por completo. Num dado momento, fazia
Administração e havia uma cadeira de Comunicação Empresarial;
nela uma série de exercícios sobre
comunicar, passar mensagem ao
público por texto. Um professor
desse curso, na PUC do Rio de
Janeiro, era o jornalista chamado
Vitor Iorio, que depois de ler o
meu terceiro trabalho, me chamou
em particular e falou: ‘Olha, tenho

que dizer que você
está no curso errado. Seu lugar é no
Jornalismo’”.
Essas palavras lhe
causaram um certo impacto e
Fiuza começou a pensar que o professor poderia ter razão. “Aquele
gosto pela escrita seria um meio
de vida, de sobrevivência?”. E
assim a idéia foi amadurecendo:
“Já quase me formando em Administração de Empresas, iniciei
o curso de Jornalismo na mesma
faculdade e me senti muito mais à
vontade, não só no ambiente como
na atividade em si”.

Um produto chamado
notícia

Em 1987, entra definitivamente
para a profissão, exercendo-a nas

Imagem do setting de gravação do filme
“Meu nome não é Johnny”. Na foto,
Selton Mello, ao lado da atriz Cléo Pires.

mais variadas formas e em diferentes veículos. Nestes quase 20
anos, adquiriu a experiência que
lhe confere uma análise dos gêneros midiáticos. “A informação
é uma indústria, mas isso não significa um sentido pejorativo como
um todo. Indústria porque é um
produto que se vende, que precisa
de uma linha de montagem.” Ele
explica que várias fontes formam
a cultura de massa, na qual estão
BOA VONTADE |

37
“A informação deve ser
consumida como uma
matéria-prima para formar
o seu julgamento, sua
cultura. O espectador,
o leitor, tem de olhar
de forma crítica para
a informação que
recebe, até para poder
desconfiar e filtrar as que
eventualmente sejam
tendenciosas.”

Simone Barreto

Abrindo o Coração

incluídas, “não só a grande mídia
como outras formas também de
comunicação, os livros, os meios
familiares, espetáculos artísticos,
os meios impressos”.

Notícia não é uma verdade
pronta

Outra análise que faz é do ponto de vista do público, lembrando
que a notícia não é um produto
acabado, portanto, “não deve ser
absorvida pelo leitor, pelo espectador como uma verdade pronta
para ele instalar na consciência.
Ela é um instrumento. A informação deve ser consumida como uma
matéria-prima para formar o seu
julgamento, sua cultura. O espectador, o leitor, tem de olhar de forma crítica para a informação que
recebe, até para poder desconfiar
e filtrar as que eventualmente
sejam tendenciosas”.
38

| BOA VONTADE

Guilherme Fiuza folheia a revista BOA VONTADE

Quanto à postura dos meios de
comunicação em nosso País, para
ele houve um avanço considerável
e, hoje, eles são “bastante arejados, livres”. Guilherme considera
que há, claro, os interesses, afinal
são empresas, “mas dentro da
reserva que precisa haver de liberdade no trato da informação, de
responsabilidade com a verdade,
com o rigor, com a busca de isenção, que nunca é completa, mas
se há a busca severa, cumpre-se a
finalidade de informar. No Brasil,
há uma razoável credibilidade
e um exercício da liberdade de
maneira satisfatória. Tem de melhorar, sempre melhorar”.

Revolução digital

O jornalista falou ainda da
concorrência crescente dos meios
impressos e os virtuais. Segundo
levantamento do Ministério da

Ciência e Tecnologia, 30 milhões
de pessoas possuem computador
em casa, e isso é apenas o início
de uma revolução que está em
andamento, um dos negócios que
mais crescem no mundo. O que
altera a vida dos jornais, revistas e
livros publicados. Fiuza diz que já
conhece “jovens que não lêem jornal em papel, só na internet”. Para
ele, o maior desafio neste mercado
é o financeiro: “A venda de assinatura, esse negócio é assustador.
Porque o público consumidor do
veículo impresso, que paga por
aquilo, ele certamente tem se reduzido. A internet é um meio que
não se sabe direito o impacto que
terá e como se venderá. Tem de se
aprender, viabilizar como vendedor de publicidade, atrair anunciantes para se financiar. É muito
bonita a idéia de gratuidade total,
mas é inviável. Já dizia Newton
Freedman: ‘Não existe almoço
grátis’, alguém tem de pagar. Essa
cultura de que na internet tudo
pode ser replicado, cita a fonte e
cola, recorta e copia, isso não tem
futuro, porque o conteúdo precisa
vir de algum lugar. Tem de existir
gente paga para fazer isso direito,
senão é fechar a birosca e sair
para vender sanduíche”.

Demarcando o território
virtual

No caminho para sobreviver a
essa tecnologia, os veículos impressos demarcam seu território
na internet. “Todos os grandes
jornais têm os seus portais nos
quais tentam usar a marca que é
popular no meio digital, tentando
que ela resulte na formação de um
público. Tem até aquela briga do
impresso com o digital na mesma

empresa. Algum repórter consegue
um furo de reportagem, e aí? Esse
furo vai para o noticiário on-line,
tempo real, ou é guardado para o
jornal impresso no dia seguinte?
Há grandes discussões dentro das
redações. Esse é um terreno onde
as pessoas ainda estão tateando
e sem saber exatamente o que
fazer”.
Guilherme, que acredita na
força da emulação das boas coisas para a melhoria da qualidade
de vida das pessoas, manifestou
sua alegria pela oportunidade de
expor suas idéias aos leitores da
BOA VONTADE: “Eu agradeço ao Paiva Netto, que é um
brasileiro batalhador, como todo
mundo sabe, um realizador. É
muito importante esse aspecto de
circulação de informações. Para
mim, é um grande prazer estar

falando com vocês e devo dizer
que estou sempre à disposição
para conversar, para contribuir
no que for possível”.
E finalizou deixando sua mensagem para 2007. “Vamos acreditar na força do indivíduo. Muitas
vezes o que o noticiário nos traz
— as guerras, os flagelos, a corrupção, os males da sociedade
— nos assusta, nos impressiona
e pode nos tirar o ânimo, mas é
importante pensar que a solução
está sempre na força amorosa do
indivíduo, na possibilidade incomum que cada um tem de realizar,
de fazer o Bem, de construir. Cada
um tem muito poder para isso se
não se deixar anular, nem abater
pelas adversidades cotidianas.
Minha mensagem é de fé no trabalho, na capacidade de ser feliz”,
conclui.
Destaque

Entusiasmado, o
Diretor Financeiro
da ABI, jornalista
Domingos Meirelles,
saudou, juntamente
com a comitiva do
Órgão, os idosos
amparados pelo Lar
da LBV.

Comitiva da ABI

visita Lar da LBV
Simone Barreto
Fonte: ABI On-line

Fotos: Jurivelson Salomão Santana

Com este título a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) saudou na
página principal de seu site (www.
abi.org.br) a visita de destacados
membros da Associação — Domingos Meirelles, Diretor Financeiro;
Paulo Jerônimo de Sousa, Diretor
de Assistência Social; Maria Vitarelli, médica e Conselheira da Casa
do Jornalista — ao Lar da Legião da
Boa Vontade para a Terceira Idade
em Volta Redonda/RJ (Av. Nossa
Senhora do Amparo, 5.079, Santa
Rita do Zarur), em 12 de janeiro.
O local dispõe 33 mil m² de muito
verde, paz e harmonia.
40

| BOA VONTADE

Os diretores e a conselheira da
ABI conheceram todas as dependências da Casa, construídas de
forma a oferecer as condições necessárias a uma velhice sadia. São
elas: a sala de fisioterapia, serviço
social, terapia ocupacional, enfermaria, solário, Espaço Ecumênico
(onde são realizadas as orações),
a ala do regime de Longa Permanência e do atendimento CentroDia. Este último foi estabelecido,
atendendo à proposta do Estatuto do
Idoso, que prioriza o fortalecimento
dos vínculos familiares dos mais
velhos. Eles chegam pela manhã

ao Lar da LBV, participam de todas
as refeições oferecidas (café da
manhã, almoço, lanche da tarde e
jantar) e das atividades: trabalhos
manuais, curso de alfabetização,
incentivo à leitura, além de momentos de interação com os voluntários
e profissionais.
A cada ambiente percorrido, os
convidados observavam os cuidados com os Irmãos da Melhor
Idade, com a integridade física
deles, a exemplo dos corrimões
colocados em banheiros, corredores
e rampas de acesso e o plantão de
enfermeiros 24 horas, atendendo,
assim, às determinações do Presidente da Instituição quanto ao trato
dos idosos, tanto os que ficam no
regime Longa Permanência quanto
aqueles que recebem o atendimento
Centro-Dia.
No livro de depoimentos, a comitiva da ABI deixou registradas as
seguintes mensagens:
“Que Obra maravilhosa, inspirada na suprema caridade cristã,
no verdadeiro Amor ao próximo.
Este é o único sentido para nossa
vida. Somos todos irmãos e amigos. As bênçãos de Deus permaneçam neste Lar”.
Maria Vitarelli

o que a Instituição faz é ímpar: “Eu
fiquei muito impressionado com
o padrão de atendimento, com a
maneira com que a LBV acolhe
as pessoas na Terceira Idade, as
instalações. (...) As pessoas quando
atingem uma faixa etária ficam
muito esquecidas pelos homens e
um trabalho dessa natureza e com
essa dimensão é digno de elogios e
da nossa admiração e respeito”.
Ao tomar conhecimento dos regimes de Longa Permanência e do
Centro-Dia, Meirelles destacou: “Os
idosos que não são internos chegam
de manhã, passam o dia aqui e retornam para a família na parte da

meus parabéns à LBV, a todos
os funcionários pela dedicação
e por tudo o que vi. Eu almocei
aqui, a comidinha caseira, bem
temperada, os produtos da horta,
uma maravilha. Saio impressionado e vou propor à diretoria
que firmemos um convênio com a
LBV para que possamos encaminhar os velhos companheiros que
necessitam de internação para
cá. (...) A LBV colabora muito
com a nossa Diretoria, atende
mais de 50 jornalistas carentes,
idosos, aposentados, com renda
pequena, com cestas básicas por
mês, consultório dentário, é uma
contribuição inestimável. A ABI
tem uma dívida de gratidão muito
grande com a Instituição”.

Antiga parceria

Os Diretores da ABI Paulo Jerônimo (E)
e Domingos Meirelles conversam com
idosa amparada pelo Lar da LBV.

“Saio daqui profundamente
impressionado com tudo que vi e
ouvi. Meus parabéns à LBV, aos
diretores e funcionários pela Obra
maravilhosa que mantêm em Santa
Rita do Zarur. Em meu nome, do
Domingos Meirelles e de toda a ABI,
nossos agradecimentos por tudo que
a LBV tem feito pela entidade dos
jornalistas”.
Paulo Jerônimo de Sousa
      
Para o jornalista e escritor Domingos Meirelles, apresentador do
programa Linha Direta (TV Globo),

A LBV e a ABI são antigas
parceiras, desde a década de 1950,
quando o saudoso Fundador da
Obra, Alziro Zarur (1914-1979),
realizou a primeira Reunião Ecumênica, em sua Cruzada de Religiões
Irmanadas, no Salão Nobre da Casa
do Jornalista. “Nós temos muito orPaulo Jerônimo, durante a visita: “Eu almogulho porque a LBV nasceu dentro
cei aqui, a comidinha caseira, bem temperada ABI. A Associação Brasileira de
da, os produtos da horta, uma maravilha”.
Imprensa é uma entidade histórica
tarde. Isso foi uma solução muito e esse fato engrandece ainda mais
criativa e não há distinção entre os a nossa história, que completa 100
que moram na Casa e esses que se anos em 2007. Paiva Netto tem
nossa eterna gratidão”, finalizou
hospedam por um período”.
Paulo Sousa.
O jornalista recebeu ainda o
A geriatra e jornalista Maria
abraço fraterno do líder da LBV,
Vitarelli, encantada com tudo o que
colega seu do tempo do Colégio
Pedro II, por meio dos represen- viu, concluiu pelos colegas: “Estou
tantes da Obra. “Eu é que agra- impressionadíssima com a beleza
deço e ao nosso Presidente as mi- da Organização. É verdadeiramente
nhas homenagens mais uma vez”.	 um Lar, um centro de Paz, alegria,
   A exemplo de Domingos Mei- Solidariedade Humana, um exemplo
relles, o Diretor Social da ABI, para todos nós. Diante de tudo o que
Paulo Jerônimo, também falou da vi, vale a pena envelhecer, envelheexcelência do lugar: “Quero dar cer sorrindo”.
BOA VONTADE |

41
In memoriam

Homenagem a

Leila Marco

P

olêmico, sensível, carismático, estas são algumas
das características do saudoso Pastor presbiteriano
Nehemias Marien (1933-2007).
Mas para falar de Nehemias, que
faleceu no último 18 de janeiro, é
preciso destacar que era, acima de
tudo, um homem temente a Deus,
estudioso da Bíblia Sagrada, não
aceitava a intolerância e o preconceito, de qualquer natureza. É fácil
entender por que, ao tomar conhecimento do Ecumenismo Irrestrito
e Total pregado e exemplificado
pela Legião da Boa Vontade e de
seu trabalho solidário, apaixonouse de imediato pela causa e cerrou
fileira com seus ideais.
Uma das obras que aprendeu a
amar foi o Templo da Boa Vontade
(TBV), em Brasília/DF, e quando
Paiva Netto anunciou a construção,
ao lado do TBV, do Parlamento
Mundial da Fraternidade Ecumênica, o ParlaMundi da LBV, tornouse Conselheiro deste Parlamento,
inaugurado em 25 de dezembro
de 1994.
42

| BOA VONTADE

Sempre presente às iniciativas
da Organização, Marien também
se juntou ao grupo de artistas e
personalidades que estiveram,
em 6 de julho de 1994, no terreno das futuras instalações do
Centro Educacional, Cultural e
Comunitário da LBV, na capital fluminense. Neste dia, Paiva
Netto, em um ato simbólico, ligou a
máquina de terraplanagem que daria
início às obras.
Impressionado com o empreendimento que surgia, ele diria àquela
data: “Juscelino Kubitschek (19021976)*1, um dos maiores estadistas
do Brasil e grande amigo da LBV,
quando Brasília era apenas um
ermo, um descampado, um cerrado,
disse uma frase que está hoje em um
lugar privilegiado da capital federal, numa placa de bronze: ‘no alto
desta planície ergo os meus olhos e
antevejo o futuro desse País’”.
Após a recordação, fez uma
analogia com aquele terreno bruto,
onde se começava a erguer o Centro
Comunitário da Instituição, na zona
Norte do Rio: “Parafraseando esse

Filho

Marien
Arlindo

João Preda

Nehemias

Os veteranos
amigos Nehemias Marien
e Paiva Netto nas obras da unidade
educacional da LBV, do Rio de Janeiro,
em 7 de julho de 1995.

grande homem público ao pisarmos
esta terra sagrada, o bom mesmo
seria fazermos como lá no nosso
Templo*2, em Brasília, com os pés
descalços, como Moisés, o grande
líder hebreu, ao subir o Monte Horebe, como fazemos aqui, subindo
este monte Horebe, para visualizar
o futuro grandioso que antevemos
nessa hora. Como afirmou Bertolt
Brecht (1898-1956)*3: ‘Há homens
que lutam um dia, e são bons. Há
outros que lutam um ano, e são
melhores. Há os que lutam muitos
anos, e são muito bons. Mas somente
aqueles que lutam toda a sua vida,
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Revista Boa Vontade, edição 216

  • 1. O jor nalista Paiva Netto saúda 2007 com o artigo: Ano-Novo! Ano-Bom? Saudades de Tributo a Adoniran Barbosa Tom Jobim Pontos de vista de duas gerações do jornalismo Guilherme Fiuza e Carlos Chagas opinam sobre o papel da mídia, analisam fatos históricos do País e revelam um pouco de suas vidas. Um coração que pulsa pelo Brasil 57 anos • Após distribuir 410 toneladas de alimentos no Natal, a Legião da Boa Vontade já iniciou, em 2007, a campanha de arrecadação para a entrega de milhares de kits escolares às crianças carentes de nosso País. • LBV supera metas socioeducacionais em 2006 e celebra 57 anos de permanentes realizações em benefício de milhões de brasileiros em situação de risco social.
  • 2. Coelce: A Melhor Distribuidora de Energia Elétrica do Nordeste. Prêmio ABRADEE 2006 Melhor Distribuidora de Energia Elétrica do Nordeste. Prêmio Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica / Vox Populi. Guia Você S/A e Revista Exame das 150 melhores empresas do Brasil para trabalhar. Clientes e Colaboradores: estes prêmios também são seus.
  • 3. E uma das 150 Melhores Empresas do Brasil para Trabalhar. Por isso, fazemos questão de bater palmas pra vocês. Parabéns e Obrigado.
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  • 6. Sumário 8 Editorial 12 Cartas 18 Esporte é Vida! 19 Coluna Esportiva 20 Política e Economia 22 Perfil 26 Frases 28 Entrevista 33 Acontece 34 Samba e História 36 Abrindo o Coração 40 Destaque 42 In memoriam 44 Memória 46 Opinião — Mídia Alternativa 49 Esperanto 50 Saúde 55 Melhor Idade 56 Gastronomia 58 Espírito e Ciência 62 Atualidades 63 Meio Ambiente 66 Arte na Tela 69 Ação Jovem LBV 70 Soldadinhos de Deus 72 Especial 82 Notícias Ao Leitor A primeira edição do ano de 2007 da BOAVONTADE abre com o expressivo editorial do jornalista e escritor Paiva Netto: AnoNovo! Ano-Bom? Não foi por acaso que, no raiar de um 1º de janeiro, Dia Mundial da Paz, há 57 anos nascia a Legião da Boa Vontade, com o objetivo de lutar por um Brasil melhor e uma Humanidade mais feliz. E desde seus primórdios até hoje, a Obra voltou suas ações para os sofrimentos do corpo e da Alma, superando metas, como a entrega no último mês de dezembro de 410 toneladas de alimentos, organizadas em cestas, resultado da Campanha Natal Permanente da LBV — Jesus, o Pão Nosso de cada dia!, realizada em dezenas de cidades brasileiras e registrada aqui na seção “Especial”. Este heróico trabalho de soerguimento das populações vem demonstrar o sentido prático do que registrou Paiva Netto em sua palestra “Administrar Sob a Proteção de Deus”: “A empreitada a que se dispõe a LBV é um desafio incomensurável e os seus resultados sempre exigem, pelo menos, uma geração para amadurecimento. E esse fato aumenta a nossa garra, porque estamos acostumados a sobrepujar grandes e dificultosas marchas nos não sempre previsíveis caminhos da Alma humana. Em nosso incentivo, vem o conhecido ensinamento de Rui Barbosa (1849-1923), a respeito do plantio da couve para a alimentação imediata, e do carvalho, para a segurança da civilização futura”. A história da mídia, o amor à arte de comunicar e a revolução que a internet tem provocado nessa área são as pautas desenvolvidas nas entrevistas com os jornalistas Guilherme Fiuza e Carlos Chagas; ambos com longa experiência em diversos meios de comunicação, também falam dos bastidores da profissão. Em “Samba e História”, o leitor conhecerá um pouco da biografia de um patrimônio do samba, o saudoso Adoniran Barbosa (1910-1982). Ainda no âmbito cultural, a homenagem ao grande maestro, cantor e compositor Antonio Carlos Jobim (1927-1994), que se estivesse entre nós completaria, em 25 de janeiro, 80 anos. Boa leitura! 8 Editorial Paiva Netto escreve: Ano-Novo! AnoBom? 19 Coluna Esportiva O Brasil de olho na Copa da África do Sul 20 Política e Economia Lula lança o PAC — Programa de Aceleração do Crescimento 22 Perfil Homenagem a Tom Jobim, sinônimo de Bossa Nova. 28 Entrevista Jornalista Carlos Chagas
  • 7. BOA VONTADE ANO 51 • N 216 • dezembro de 2006/ janeiro de 2007 º BOA VONTADE é uma publicação mensal das IBVs, editada pela Editora Elevação. Registrada sob o nº 18166, em 16/03/2006, no livro “B” do 9º Cartório de Registro de Títulos e Documentos de São Paulo. Diretor e Editor-responsável Francisco de Assis Periotto MTE/DRTE/RJ 19.916 JP Coordenador Geral Gerdeilson Botelho Repórteres Especiais Carlos Arthur Pitombeira, Hilton Abi-Rihan, José Carlos Araújo e Mario de Moraes. Repórter-Fotográfico Jurivelson Salomão Santana Equipe Elevação Adriane Schirmer, Alexandre Rueda, Ana Paula de Oliveira, Angélica Beck, Cristina de Fátima Fernandes, Daniel Trevisan, Débora Verdan, Flávio de Oliveira, Isabela Ribeiro, João Miguel Neto, Joilson Nogueira, Leila Marco, Leilla Tonin, Lícia Curvello, Maria Aparecida da Silva, Neuza Alves, Nino Santos, Rita Silvestre, Rodrigo Oliveira, Simone Barreto, Sônia Sabatine, Stella Souza, Walter Periotto, Wanderly Albieri Baptista e William Luz. Projeto Gráfico Alziro Braga, Felipe Tonin e Helen Winkler Fotos de Capa Tom Jobim: Ana Jobim/ Guilherme Fiuza: Divulgação/ Carlos Chagas: Domingos Tadeu (Palácio do Planalto)/ Adoniran Barbosa: Acervo da família Produção Endereço para correspondência: Rua Doraci, 90 — Bom Retiro — CEP 01134-050 — São Paulo/SP Tel.: (11) 3358-6868 — Caixa Postal 13.833-9 — CEP 01216-970 Internet: www.boavontade.com / E-mail: info@boavontade.com Impressão: Editora Parma A revista BOA VONTADE não se responsabiliza por conceitos emitidos em seus artigos assinados. 36 Abrindo o Coração Guilherme Fiuza 58 Espírito e Ciência Estudos científicos registram a energia humana Reflexão de BOA VONTADE: Disse o Cristo Ecumênico*: “Novo Mandamento vos dou: Amai-vos como Eu vos amei. Somente assim podereis ser reconhecidos como meus discípulos, se tiverdes o mesmo Amor uns pelos outros. (...) O meu Mandamento é este: que vos ameis uns aos outros como Eu vos tenho amado. Não há maior Amor do que este: dar a sua própria Vida pelos seus amigos. E vós sereis meus amigos se fizerdes o que Eu vos mando. E Eu vos mando isto: amai-vos como Eu vos amei. Já não mais vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor. Mas tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho dado a conhecer. Não fostes vós que me escolhestes; pelo contrário, fui Eu que vos escolhi e vos designei para que vades e deis bons frutos, de modo que o vosso fruto permaneça, a fim de que tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, Ele vos conceda. E isto Eu vos mando: que vos ameis uns aos outros como Eu vos tenho amado. (...) Porquanto, da mesma forma como o Pai me ama, Eu também vos amo. Permanecei no meu Amor”. (Evangelho de Jesus, segundo João, 13:34 e 35; 15:12 a 17 e 9). *Jesus, o Cristo Ecumênico — Esta definição nasceu durante entrevista concedida por Paiva Netto ao jornalista e produtor de documentários da TV polonesa, então VicePresidente da Associação Universal de Esperanto, Roman Dobrzy´ ski, ao ser perguntado n como podia pregar o Ecumenismo Irrestrito falando em Jesus. Ao que o líder da Instituição respondeu ser a grande tarefa da LBV e da Religião Divina dessectarizá-Lo e concluiu: “O Divino Mestre não é sectarismo. Ele é uma idéia extraordinária de Humanidade, Amor, Fraternidade e Justiça”. 63 72 Meio Ambiente As conseqüências do aquecimento global Especial LBV supera metas socioeducacionais em 2006 e celebra 57 anos
  • 8. Editorial Nada melhor do que falar com Deus. Quem não sofre ou padece da privação de alguma coisa que as satisfações terrenas mais sofisticadas não suprem a falta? Ano-Novo! Ano-Bom? João Preda É José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor. É Diretor-Presidente da LBV. | BOA VONTADE costume exclamarem ao raiar de cada primeiro de janeiro: “Ano-Novo! Ano-Bom!”. Não sou nenhum Catão, mas há quem o faça movido por cosas que no se hablan... Depois vem a ressaca. E depois do depois, quando o fígado reclama, a turma põe a culpa em Deus, no diabo e no mundo... E, azar dos que estiverem perto... Enquanto isso, cerca de um bilhão de pessoas diariamente vão dormir com fome. Daí a necessidade do Natal Permanente de Jesus, como a expansão da Fraternidade, o Ecumenismo que se comove com a dor alheia e atua pelo fim dela. Ano-Bom? Depende de nós! E da compreensão de que — sem a consciência de ser a Vida Espiritual uma realidade — a material poderá tornar-se um transtorno, se não soubermos de fato fazer uso acertado do livre-arbítrio, principalmente na Democracia, que é o regime da responsabilidade. Orar é amar e agir A Prece não é o refúgio dos covardes nem dos ociosos. Ela nos eleva, o trabalho nos realiza. O Papa reza, o Dalai-Lama medita, Chico Xavier orava, os rabinos entoam suas súplicas, os evangélicos cantam seus louvores a Deus, os islâmicos recitam o Corão Sagrado... O que é
  • 9. RioTur Arquivo BV Mais de dois milhões presenciaram a tradicional queima de fogos no Réveillon de Copacabana, no Rio de Janeiro/RJ. O espetáculo coloriu o céu durante 22 minutos. Para evitar o vômito das nações Nestes tempos de mundialização, em que muitas fronteiras caem preferentemente sobre as cabeças das populações mais pobres, o Povo procura um rumo seguro para a existência, até agora essencialmente regida por forças discrepantes. Nem sempre é o melhor de todos o destino que lhe oferecem. E a História se repete no somatório de enganos que podem desembocar num movimento incontrolável de massas. As nações também vomitam. Buscam, então, alento para suas dores na violência ou no A Prece não é o refúgio dos covardes nem dos ociosos. Ela nos eleva, o trabalho nos realiza. Photos.com a Prece senão o Amor que se dispõe para grandes feitos? Um irmão ateu, quando medita e pratica um ato que beneficia a coletividade, está orando. Em Crônicas e Entrevistas, escrevi que orar e meditar se assemelham. Rezar não é uma ação simplesmente figurativa. É o mais forte instrumental que a essência humana, o Capital Divino, possui. O monge alemão Tomás de Kempis (1380-1471) grafou, em Imitação de Cristo: “Sublime é a arte de conversar com Tomás de Kempis Deus”. BOA VONTADE |
  • 10. Editorial Invisível. No entanto, como diversos se acostumaram a uma visão restritiva do Poder Espiritual, muita vez erguem sua prece a um deus antropomórfico, que não lhes responde, pois nem existe. E aí se frustram. Orar fortalece Ao deitar-me, no amanhecer de um 1o de janeiro longínquo, data aniversária da LBV, elevei uma tância, porque Jesus ensina que “o Reino de Deus está dentro de vós”. (Evangelho de Jesus, segundo Lucas, capítulo 17:21). A Prece Ó Deus, que sois o meu refúgio, a Vós, outra vez, ergo o meu pensamento e encontro resposta aos meus propósitos. Longe de mim as cassandras do desânimo, que proclamam um em subsistir, apesar das muitas ciladas que lhe são dispostas no caminho. Esta é a minha Fé Realizante, que vive em Paz com as outras; o meu ideal ecumênico de Boa Vontade, que se esforça pela confraternização de todas as nações, por serem formadas por criaturas Vossas, ó Criador Único de Céus e Terra! Sois a Fraternidade Suprema, o abrigo dos corações. (...) Achei- Busquemos na Fé a Esperança para nossa sustentação física, mental e espiritual. Que Fé?! Escolha a sua. O espírito democrático deve também imperar no campo religioso 10 | BOA VONTADE me a mim porque me identifiquei no Vosso Amor. Sois o auxílio conclusivo à minha Alma. Sinto o meu ser transbordar de alegria. Em Vosso Espírito, reconheço-me como irmão dos meus irmãos em Humanidade. Nesse Éden, que é o Vosso Sublime Afeto, não me vejo como expatriado, abatido pelas procelas do desalento. Enfim, me encontrei, ó Deus!, porque Vos encontrei. João XXIII Arquivo BV Juízo Final sem remissão, quando sois Vós — em tudo — o Princípio Eterno da permanência pujante de vida. De Vós não escuto o abismo; todavia, a redenção. Creio no Amor Universal, que conduz à sobrevivência o gênero humano, que é teimoso Arquivo BV Arquivo BV oração a Deus, na esperança filial de merecer Sua piedosa atenção. Lembrei-me, naquele momento, do grande esforço empreendido por Alziro Zarur (1914-1979) pela vitória da Boa Vontade; do bom senso de Melanchton (1497-1560), e do notável pontificado de João XXIII (1881-1963). Ao elevar minha Alma ao Pai Celeste, senti Sua compassiva influência vibrando em meu Espírito. E não há nesta afirmativa qualquer jac- Alziro Zarur Melanchton
  • 11. Vossa Majestosa Luz, que baixa a nós indistintamente, mesmo que não o percebamos. Confiante em Vosso Critério Sobrenatural, entrego-Vos meu destino, porque a minha segurança de filho consiste na Vossa Sabedoria de Pai! Que assim seja! Fé e espírito democrático Nada melhor do que falar com Deus. Quem não sofre ou padece da privação de alguma coisa que as satisfações terrenas mais sofisticadas não suprem a falta? Busquemos na Fé a Esperança para nossa sustentação física, mental e espiritual. Que Fé?! Escolha a sua. O espírito democrático deve também imperar no campo religioso. Que o Ano-Novo seja um AnoBom, realmente. Contudo, isso depende de nós. Todos nós. Lucian Fagundes (...) No Vosso Divino Seio, achei guarida; sob Vosso Amor, meu seguro teto; no Vosso Colo, descanso para a Alma. Graças Vos dou, Pai Magnânimo, por me ouvirdes! Sois integralmente Amor; portanto, Caridade, Mãe e Pai da verdadeira Justiça. Em Vós habita, com fartura, a genialidade pela qual tantos almejam, pois dela o Planeta carece: a Ao centro, o Presidente da Rede Pampa de Comunicação, Dr. Otávio Gadret, e o Diretor-Presidente da LBV, o jornalista Paiva Netto, com alguns dos guris do Lar e Parque Alziro Zarur, da LBV, em Glorinha/RS. Na ocasião, registrou seu apreço pela Obra: “É um privilégio para o Rio Grande do Sul contar com o exemplo da LBV. Sem dúvida, precisamos que ela se expanda ainda mais, não só aqui, mas em todo o Brasil. A LBV é uma entidade modelar, um exemplo para todos os brasileiros!”. Com o artigo Ano-Novo! AnoBom?, republicado neste espaço pela revista BOA VONTADE, o jornalista Paiva Netto iniciou, no último 1o de janeiro, a série de artigos que estará escrevendo para o conceituado jornal O Sul, de Porto Alegre/RS. O gentil convite para integrar a equipe de articulistas veio do Dr. Otávio Gadret, Presidente da Rede Pampa de Comunicação, da qual faz parte o periódico. A escritora e radialista Beatriz Fagundes, apresentadora do programa que leva seu nome na Rádio Pampa AM e também colunista do O Sul, foi uma das primeiras a saudar a presença do dirigente da LBV na publicação, sempre às segundasfeiras. Disse ela: “Sou grande admiradora do trabalho de Paiva Netto. Considero-me uma amiga da Legião da Boa Vontade e com muito prazer, alegria mesmo, sei que teremos no O Sul  a Da Redação palavra amiga, de incentivo, Amor, Fé, do grande líder espiritual José de Paiva Netto.  Fiquei muito feliz!  Quero mandar um grande abraço Beatriz Fagundes especialmente para ele e agradecer a Deus pela existência de pessoas como as que trabalham na LBV, que estão construindo um mundo melhor. Bem-vindo!”. BOA VONTADE | 11 Arquivo BV Escritos que enriquecem a Vida
  • 12. Ricardo Oliveira Portugal De A-ha a U2, experiências musicais de Zeca Camargo Daniel Trevisan Destaque internacional ............................................................................................................................................................................................................................. Cartas, e-mails e literatura 12 | BOA VONTADE Daniel Trevisan Chega às livrarias um novo título que se destaca pela maneira original de abordar a música num todo. Falamos De A-ha a U2, do jornalista, crítico musical, editorchefe, repórter e apresentador do Fantástico, Zeca Camargo. A obra privilegia o leitor com um olhar diferenciado sobre o universo Agradecemos ao Primeiro-Minis- pop brasileiro e internacional. tro de Portugal, o Excelentíssimo Para o trabalho, o autor usou senhor José Sócrates (foto), que, 53 entrevistas colhidas por ele em por ocasião dos festejos de fim de suas reportagens, mostrando os ano, encaminhou a Paiva Netto bastidores, a criatividade e — por um belo postal com os votos de que não — a emoção, o frisson festas felizes. que um repórter-fã passa também, ...................................................... a exemplo do que o próprio Zeca experimentou ao conversar com a A revista BOA VONTADE foi Banda U2 e, até por isso, a escolha destaque internacional, na edição do nome do grupo para figurar no título. de 13 de dezembro, pelo Jornal Aliás, o autor não esconde a Luso-Americano, um dos mais admiração por outras áreas. Ao conceituados veículos de comunicação de língua portuguesa nos Estados Unidos. O repórter fotográfico Orlando Norberto Kessler, Diretor do caderno Brasil, ressaltou a capa da re- Chico Audi, fotógrafo vista, com o BOA VONTADE: seguinte co- Bem-editada! mentário: Li a edição da revista BOA “Esta edição VONTADE número 214. Vocês (nº 214) fala sobre Esporte, a estão de parabéns! Ela está bem festa do Brazilian Day, de Nova editada, bem formatada, bem esYork, culinária, o futuro da apo- crita; e o conteúdo é muito rico. Só sentadoria e outras importantes tenho de parabenizar. Eu me orguinformações”.  lho muito de participar dessa pu- @ se encontrar com a equipe da BOA VONTADE, que representava o jornalista Paiva Netto, foi logo dizendo: “Eu adoro ele. É uma honra mandar um livro meu. Fico muito feliz”. E relembrando outra obra, A Fantástica volta ao mundo: Registros e bastidores de viagem (2004), que havia também encaminhado ao dirigente da LBV, arrematou na dedicatória: “Paiva Netto, embarque comigo nessa outra viagem... pelo mundo da música! Abraço forte. Paz. Zeca”. [L.S.M.] blicação. (Chico Audi, fotógrafo, São Paulo/SP) Sou jornalista e radialista em Brasília, também faço parte das ações da LBV como Reprodução da capa da BOA VONTADE, edição voluntário, esno 214, que trouxe p e c i a l m e n t e matéria sobre os males da gordura trans. através das ondas da Super Rede Boa Vontade. É um orgulho colocar minha voz a serviço da LBV, essa entidade que, por intermédio de seu líder, vem semeando, ao longo de mais de meio século,
  • 13. Armando Kitamura João Preda Lar e Parque Alziro Zarur, da LBV, RS 030, km 19, parada 119, Glorinha/RS Sebastião Nery: Obra social das mais belas do País. Arquivo pessoal O jornalista Sebastião Nery, veterano amigo da Legião da Boa Vontade, publicou em sua coluna, de 23 de novembro, no jornal Tribuna da Imprensa, do RJ, nota sobre o Lar e Parque Alziro Zarur, da LBV, no Rio Grande do Sul, e do dirigente da Instituição: LBV “(...) Há uma obra social das mais belas do País: um larescola onde entram crianças desamparadas e saem jovens formados prontos para enfrentar a vida, que ali funciona há 46 anos, fundado, mantido e dirigido pela LBV, sob a liderança generosa do jornalista e escritor Paiva Netto (...)”. Paz e Esperança. Desejo a todos um Feliz Ano-Novo, de Saúde e Paz com o Cristo. (Nilson Gonçalves, jornalista e radialista, Brasília/DF) Vice-Presidente da República recebe o Carolina Dutra carinho das crianças da LBV O Vice-Presidente da República, o Excelentíssimo senhor José Alencar, emocionou-se com a visita das crianças atendidas pela Escola de Educação Infantil Alziro Zarur (QSD 08, Área Especial 11, Taguatinga/DF), da LBV, em seu gabinete no Palácio do Planalto, em Brasília, no dia 14 de dezembro. Recebeu flores e um cartão confeccionado pelos pequenos que desejaram a ele o pleno restabelecimento da cirurgia à qual se submetera dias antes. Na ocasião, agradeceu a presença da Legião da Boa Vontade, as preces e as manifestações de carinho de todo o Povo brasileiro. Olá, Anjos Protetores do mundo! Feliz Natal e continuem trabalhando pelas Almas que precisam ser protegidas. Felicidades! (Ionara Alves Sousa, colaboradora da LBV, via e-mail) Todos os dias assisto ao Programa Vida Plena, da Boa Vontade TV, pela RBTI Internacional, às 7 horas da manhã. Estou escrevendo porque me senti muito emocionada ao ver no programa a distribuição das ces- Em entrevista à Super Rede Boa Vontade de Comunicação (rádio, TV, internet e revista), comentou: “É com a maior satisfação que transmito a vocês da LBV os votos de que tenham muito sucesso e os parabenizo pela forma como têm educado essas crianças. É muito bonito ver um trabalho dessa natureza. Aproveito para desejar a todos um Feliz Natal e um próspero Ano-Novo, próspero em todo sentido, para que possamos fazer do Brasil um país melhor. Pela fisionomia das crianças que estão aqui, a gente só pode fazer crescer o entusiasmo em relação ao futuro de nossa nação”. tas de Natal da LBV, em São Paulo/SP, e também em Teresina/PI. Na reportagem, vi uma senhora chamada Rita Maria que estava levando sua cesta para casa. Ela falou com tanta força e alegria que me alimentou o coração. O povo do Nordeste é um povo forte mesmo. Abençoada LBV por promover um Natal feliz para tantas famílias em todo o Brasil e no Exterior. (Conceição de Albuquerque, educadora, Nova York/EUA) BOA VONTADE | 13
  • 14. O Senador Pedro Simon lançou, recentemente, a obra literária Do Regime Militar ao Mensalão — Minhas lutas pela dignidade humana, em que retoma o último quarto do século da História do Brasil. Enfoca também sua produção legislativa, desde a chegada ao Senado Federal, em 1979. Em entrevista, falou da amizade que tem pela LBV: “Meus amigos da Legião da Boa Vontade, por quem tenho tanto carinho, respeito, e, de um modo muito especial, ao Paiva Netto que tem uma atividade tão intensa e positiva. Meu abraço, meu afeto, por estarem aqui neste momento. Muito obrigado, meu carinho de sempre ao Paiva Netto”. Em seguida, o Senador Pedro Simon escreveu em um exemplar ao líder da Instituição: “Ao Irmão Paiva Netto, o abraço e a lembrança do Pedro Simon”. Parabéns — Vale ainda registrar o aniversário do ilustre Senador, completado no último dia 31 de janeiro, e o desejo de que sua existência seja sempre iluminada pela Paz e o Amor de Deus. 14 | BOA VONTADE Ozires Silva, ex-Engenheiro Aeronáutico do ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), exPresidente da Embraer (Empresa Brasileira de Aeronáutica), membro da equipe do CTA (Comando-Geral de Tecnologia Aeroespacial) e escritor, conta a história de um visionário brasileiro que viveu muito à frente de seu tempo. O livro Casimiro Montenegro Filho nasceu da parceria com Décio Fischetti (Engenheiro também graduado pelo ITA). A obra mergulha na história de um homem que marcou a aviação brasileira e também conta curiosidades sobre aquele que idealizou a criação do ITA e do CTA, o Marechal Montenegro Filho. Uma dessas curiosidades é o fato de o Marechal ter conseguido alterar o traçado original da via Dutra, já Clayton Ferreira @ Ozires Silva traz um pouco da trajetória da aviação Ozires Silva com as revistas BOA VONTADE aprovado pelo DNER, de forma que a via não mais dividisse o CTA em duas áreas. Durante o lançamento do título, em São José dos Campos/SP, Ozires, ao se encontrar com representantes da LBV, logo disse: “Dê um grande abraço meu a Paiva Netto. (...) Eu tenho uma grande admiração por ele”. Em sua dedicatória, anotou: “Ao admirado Paiva Netto, um grande abraço. (a.) Ozires Silva”. E Décio escreveu: “Ao Paiva Netto, oferecemos uma história de um grande brasileiro. (a.) Décio Fischetti”. [A.R.] Como é que chama o nome disso, por Arnaldo Antunes Quem já se apaixonou pelas letras e composições do músico Arnaldo Antunes tem agora uma oportunidade incrível de navegar por estes e outros gêneros criativos visitados por ele com maestria. Em todas as livrarias do País, os fãs de seu texto leve e irreverente podem encontrar sua mais recente obra Como é que chama o nome disso, uma antologia que reúne poemas, ensaios, letras de música, desenhos e caligrafias do músico, Arquivo pessoal Pedro Simon e a história política do Brasil ............................................................................................................................................................................................................................. Ricardo Stricher Cartas, e-mails e literatura escolhidos pelo próprio autor. Além disso, há no trabalho o livro inédito de poemas Nada de DNA, uma entrevista (com Arthur Nestrovski, Francisco Bosco e José Miguel Wisnik) e o ensaio introdutório assinado por Antonio Medina Rodrigues. O artista, que recebeu com simpatia a reportagem da revista BOA VONTADE, autografou o título para o dirigente da LBV, com as seguintes palavras: “Para o José de Paiva Netto, com o abraço do Arnaldo Antunes”. [L.S.M.]
  • 15. Daniel Trevisan Tânia Carvalho (E) e Eva Wilma (C) ao lado da jovem Letícia e de Leilla Tonin, da LBV. Livro registra a carreira do saudoso Carlos Zara O jornalista, escritor e produtor de TV Marcel Souto Maior lançou o Almanaque da TV Globo, no último 13 de dezembro, na capital fluminense. Antigo amigo da Legião da Boa Vontade e de seu dirigente, além de Conselheiro do Fórum Mundial Permanente Espírito e Ciência (FOMPEC), da LBV, deixou gravada sua emoção exemplo da Record, Excelsior, Tupi e Globo. A escritora contou com a ajuda da companheira de 25 anos de Zara, a atriz Eva Wilma, que esteve presente na noite de autógrafos, em 18 de dezembro, na capital paulista. A atriz foi homenageada pela neta do dirigente da LBV, Letícia de Paiva Tonin, que entregou em nome do avô um buquê de flores, Nova obra de Marcel Souto Maior no momento: “Que bom que vocês estão aqui hoje! Eu gosto muito do Paiva Netto, admiro o trabalho da LBV, adoro o Templo da Boa Vontade. Sempre que vou a Brasília, passo lá para recarregar as baterias”. Marcel falou um pouco de sua nova obra literária: “Esse livro é um painel histórico, organizado em décadas, ano a ano, desde a estréia da emissora (em 1965) até hoje”. O autor ainda saudou, mais uma vez, a presença da Instituição. “Muito obrigado e parabéns pelo trabalho. Em geral, nos eventos que faço sempre tem Alexandre Avelino Simone Barreto Carlos Zara: paixão em quatro atos é o título da biografia lançada ao público pela jornalista Tânia Carvalho, que mostra como o teatro, a televisão, a arte de encenar e dirigir fizeram parte da vida do brasileiro Antônio Carlos Zarattini (1930-2002). Foram 50 anos de profícua carreira: grandes sucessos nos palcos e na telinha, percorrendo emissoras a felicitando-a também pela passagem de seu aniversário, quatro dias antes. “A LBV sempre me acompanha”, agradeceu Eva Wilma, emocionada, em ocasião especial, na qual ela e seu sau- Capaoda BOA VONTADE, n 190, que homedoso esposo foram nageou a talentosa Eva homenageados. e seu saudoso marido. Tânia e a atriz registraram ainda em um dos exemplares da obra: “Paiva Netto, seu trabalho é sempre essencial para a Humanidade. Toda minha admiração e meus agradecimentos pelas flores. Eva Wilma (P.S.: A neta é linda!)”. “José de Paiva Netto, espero que você goste! Tânia Carvalho”. [L.S.M.] a presença da LBV. Eu até espero que venham, pois me dá sorte. Muito obrigado, um forte abraço a todos”, concluiu. Ele aproveitou para autografar um exemplar de seu livro ao amigo: “Ao prezadíssimo Paiva Netto, que faz este trabalho tão importante à frente da LBV, o abraço e a admiração do Marcel”. Silvio de Abreu, autor de novelas, ao ser cumprimentado pela equipe da LBV assim se expressou: “É um prazer falar com vocês! (...) Obrigado, Paiva Netto, um grande abraço e um ano bom para todos [S.B.] nós”. BOA VONTADE | 15
  • 16. Boa Vontade em alta A Legião da Boa Vontade e seu dirigente agradecem aos inúmeros cartões, e-mails e cartas recebidos do Brasil e Exterior por ocasião das festividades de fim de ano, com manifestações de carinho e apreço pelo trabalho desenvolvido pela Obra. A revista BOA VONTADE publicará, na medida do possível, a lista dos nomes desses caros amigos, colaboradores e voluntários da Instituição. Entre eles estão: Aguaí/SP – Rafael Alves Mora, Equipe Legionária Solidária de Aguaí; Americana/SP – Judite Inácio Tavares; Aracaju/SE – José Claudinei Prana, Rosane Rodrigues e família; Araraquara/SP – Ataíde Alves e família, Paulo Roberto Furtado; Araruama/ RJ – Lúcia Silveira, Maria Marlene de Moura Soares; Arceburgo/MG – Alziro de Castro Silva, Isaías Cagnoni Luz e família; Atalaia/PR – Aurani de Oliveira, Francisco Raposo de Medeiros; Batatais/SP – Maria José Anhenzini e família; Belém/PA – Raimunda Nonata de Melo; Belo Horizonte/MG – Alex Salvador Prates, Edison Geraldo da Silva, Helen Sueli Araújo Silveira, Helena Sueli Araújo, Isabel da Conceição e família, Jaqueline Piedade Silva; Belford Roxo/RJ – Iara Rodrigues; Blumenau/SC – Rosemeri de Oliveira; Brasília/DF – Andréia Aparecida Carvalho Rossi, Alexandre Herculano Cruzeiro Rueda e família, Armando Colli, Carmelita de Oliveira Dourado, Enaildo Viana, Espedita Pereira, Iara Braga, Deputado Federal Lobbe Neto, Neide Lira, Paulo Medeiros, Sônia Sabatine, Zinaldo Rezende; Biguaçu/SC – Divino João Dias; Buenos Aires/Argentina – Luci Teixeira e família; Cachoeirinha/RS – Dielca Magali Silva, Lucian Fagundes e família; Campinas/SP – Arilene Rodrigues e família, Azarias Carvalho Bento e família, Daniel Alonso, Elisa Helena Alonso e família, Io16 | BOA VONTADE A Senhora das Velas, por Walcyr Carrasco @ Euler F. Dias Divulgação Cartas, e-mails e literatura Percival de Souza analisa a criminalidade em livro Conhecido do público pelas novelas de grande sucesso, o jornalista, cronista e dramaturgo Walcyr Carrasco lançou recentemente seu primeiro romance: A Senhora das Velas, no qual ele conta a história de Felipe, um menino que realiza uma comovente viagem em busca da guardiã da vida. Há na trama, que mistura elementos mitológicos e da realidade, sobretudo uma intenção de levar ao leitor uma mensagem de confiança e amor. Durante a sessão de autógrafos, o autor deixou registrado seu carinho à causa da LBV e de seu dirigente nesta mensagem: “José de Paiva Netto, que a chama que você acendeu para o próximo brilhe sempre mais! Sucesso! Walcyr Carrasco”. O Sindicato do Crime — PCC e outros grupos é uma contundente obra literária do escritor e jornalista Percival de Souza, que trata de um dos maiores problemas vividos em nosso País na atualidade: a violência. Graças a entrevistas, pesquisas e um trabalho investigativopolicial que fez em São Paulo, em outros Estados brasileiros e no Paraguai, o autor explica a hierarquia do crime organizado, de que maneira surge e se movimenta. Em sua dedicatória ao dirigente da LBV, escreveu: “Para José de Paiva Netto, com as homenagens do Percival”. landa Risolfi de Toledo, Marco Aurélio Santos, Paulo Esgalha, Waldemar Domingues Alonso; Campo Grande/ MT – Mário de Paula; Carapicuíba/ SP – Aparecida Tereza do Vale, João Felício Câner, José Maria de Oliveira, Waldemar Alonso e família; Castro/ PR – Adriane Betim de Almeida; Caxias do Sul/RS – Maria do Carmo Carvalho Bonela; Cravinhos/SP – Isailda Campos Zílio; Cuiabá/MT – Paulo Bitencourt; Edealina/GO – Cleide Aparecida Francisco, Robson Rosa da Silva e família; Esteio/RS – Terezinha Medeiros Peazambuja; Florianópolis/ SC – Cenira Marquiza Moreno, Rob- son Aquino de Lima; Fortaleza/CE – Cristiani Ranolfi e família; Franca/SP – Luiz Antônio Tardivo, Luiz Carlos Goulart e família, Margarida Cândido Rosa, Nilva Goulart Tardivo e família; Glorinha/RS – Edivaldo, Helena Caetano e família, Henrique Nonnemacher, José Marcos Franqui, Mário Augusto Brandão e Santos; Goiânia/GO – Maria Helena de Almeida Santos, Mauro Rodrigues e família; Gravataí/RS – Gloreci Furtado de Almeida, Maria Lúcia do Nascimento e família; Guaranésia/MG – Carlos Jacinto de Oliveira; Guarujá/SP – José Carlos; Guarulhos/SP – Geni Bertolin
  • 17. Agenda: Cultura paulista na visão de grandes escritores e literatos Leilla Tonin Dr. Ives Gandra Martins No dia 7 de dezembro, a Academia Paulista de Letras (APL) foi palco do lançamento de mais um bom título: o livro Cultura Paulista. A obra reúne o pensamento dos ocupantes das 40 cadeiras da APL, sob a coordenação dos acadêmicos Célio Debes (advogado e Mestre em História), Hernâni Donato (escritor) e do jurista e Presidente da APL, Ives Gandra da Silva Martins. Para o Dr. Ives Gandra, “é uma visão do que é a cultura paulista atual, porque é a casa de cultura por excelência em São Paulo. É a primeira vez em 97 anos de história que todos os acadêmicos, de acordo com a sua especialidade cultural, escrevem. Temos um livro de 40 cadeiras expondo”. O Presidente da Academia Paulista de Letras, que também é Professor-Doutor em Direito e Economia, músico e autor de mais de cem livros, ao se encontrar com representantes da Legião da Boa Vontade no evento recordou as grandes batalhas enfrentadas por defender o direito à vida e o apoio que recebeu do dirigente da LBV: “Todos sabem da amizade de nós dois há muitos anos. Temos uma bandeira contra o aborto, pelo direito à Vida, desde a concepção. Eu tenho um querer-bem, a melhor expressão que se pode usar para Paiva Netto, que vem de priscas eras, razão pela qual quero mandar para ele um grande abraço, um abraço de fraterna amizade”, afirmou. Em um exemplar do trabalho registrou seu sentimento: “Ao querido amigo e mestre Paiva Netto, com o carinho do Ives”. e família, Maria Maximiano da Silva; Itaquaquecetuba/SP – Guiomar Ramos de Macedo; Iturama/MG – Lindomar Mathias Silva e família; José Bonifácio/SP – Neusa Maria de Jesus Carrasco e família; Jundiaí/SP ­– Albis Silvestre Junior, Archanjo Pereira Jorge, Ana Paula Silvestre, Deise Raquel Rosa, Douglas Ricardo Lopes Moreira, Lucí Andréa, Rafael Odone, Rita de Cássia Picchi Silvestre; Leme/SP – Alessandra Beck e família, Moacir Beck e família; Londrina/PR – Fernando Sales, Marlene Pereira Batista e família, Odete Miranda e família; Manaus/ AM – Elisene de Oliveira Santos, Penha de Oliveira Gonçalves; Marabá/PA – Sérgio Donizeti Farias; Maricá/RJ – Luiz Otávio Silva; Marília/SP – Adriano Alves Pereira, Esmeralda Sabatine Sales, Roberto Escobosa e família; Maringá/PR – Aurora Barbosa Verdan e família, Equipe Legionária Solidária de Maringá/PR, Genésio Braga e família, Nilton Bortolin e família; Matinhos/PR – Ivo José da Silva; Natal/RN – Dilma Pinto Bezerra de Medeiros, Wilma Bezerra de Medeiros. Congresso discute os rumos e desafios das fundações O movimento fundacional reúne-se na capital paulista para refletir o caminho percorrido e os novos rumos a serem abraçados. A iniciativa visa trazer mais bem-estar à sociedade, especialmente à parcela mais carente em benefícios, em cultura, em ensino com qualidade e em facilidades, fruto do desenvolvimento tecnológico. Por isso, no próximo 9 de março, sexta-feira, das 8 às 18 horas, realizam-se o “I Congresso Brasileiro de Fundações em São Paulo” e o “II Encontro Nacional Confies-Profis”, no auditório da Fundação Cásper Líbero (Av. Paulista, 900, 3o andar). O evento contará com a presença de autoridades, formadores de opinião, dirigentes e colaboradores de fundações e de entidades de interesse social, além de estudiosos da matéria para debater temas de grande interesse nacional. Entre os conferencistas estão a antropóloga Ruth Cardoso, o jurista Ives Gandra da Silva Martins, o advogado Francisco de Assis Alves (especializado em Direito Público), Belchior Melo de Souza (Representante da Receita Federal em Alagoas) e o Promotor de Justiça Cível de Fundações da cidade de São Paulo, Airton Grazzioli. BOA VONTADE | 17
  • 18. Esporte é Vida! Rumo ao Pan Maior evento do Pré-Pan, a Travessia dos Fortes movimenta o Rio de Janeiro e o Coral Ecumênico Infantil LBV (de azul nos lados do palco) abre a cerimônia. Aneliése de Oliveira Fotos: Felipe Freitas E m meados de 2007, a Cidade Maravilhosa ficará ainda mais bela e movimentada, com a presença de diversos esportistas que participarão dos Jogos Pan-Americanos, de 13 a 29 de junho. Um calendário de atividades antecipa essa festa esportiva das Américas e um de seus maiores eventos ocorreu no fim do ano, a Travessia dos Fortes, edição 2006. Na ocasião, o Coral Ecumênico Infantil LBV interpretou a música Tema Olímpico, saudando os atletas, o público e as autoridades presentes. A performance da garotada ganhou destaque nas palavras do Gerente Geral de Marketing do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Vitório Moraes. “Ti- Vitório Moraes 18 | BOA VONTADE Denise Mattioli vemos momentos de muita emoção. A LBV soube somar, apoiar e aparecer de forma impactante, emocionante, com a meninada muito bem preparada e essa música que realmente soube contagiar o pessoal que estava presente”, pontuou Vitório. O Presidente da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA), Coaracy Nunes, também comentou a apresentação: “Tenho um prazer e uma honra muito grande em falar da LBV, esse movimento universal pela Paz e harmonia entre todos. Estou muito feliz, principalmente pela presença do Coral. Esses meninos maravilhosos vieram emoldurar a nossa festa”. Sobre o consistente trabalho que a Legião da Boa Vontade realiza com a comunidade, Coaracy disse: “O Doutor Paiva Netto é um grande benemérito do Brasil. E a Legião da Boa Vontade é uma Entidade que faz bem às pessoas e muitas vezes anonimamente, o que é muito importante. Quero ressaltar que é excelente para a Confederação e para a Travessia dos Fortes receber a LBV aqui. Sinceramente, é uma congregação maravilhosa que orgulha o Brasil. Vocês estão de parabéns. Esse trabalho é maravilhoso”, finalizou Nunes. A Secretária Estadual de Esportes, Denise Mattioli, registrou: “Fico muito feliz com a receptividade que eu tive com vocês da LBV e esse Coral maravilhoso”. O pentacampeão da prova Luiz Lima elogiou o canto das crianças da LBV: “É um trabalho maravilhoso que a Legião da Boa Von­tade faz há 57 anos servindo o nosso País. É um exemplo! Eu já estive na Supercreche Jesus em São Paulo, o que para mim foi um grande prazer. Muito obrigado por essa homenagem”, disse o maratonista. Coaracy Nunes Luiz Lima
  • 19. Felipe Freitas Coluna do Garotinho José Carlos Araújo é comunicador esportivo da Rádio Globo do Rio de Janeiro/RJ. O ga, que começou uma renovação na Seleção Brasileira, convocando jogadores que estavam esquecidos em países de pouca tradição no futebol. Porém, creio que não devemos formar uma nova seleção a cada jogo. É importante ter uma base e insistir com ela até a Copa do Mundo de 2010, para que cheguemos à competição com uma equipe entrosada e não como a do último mundial, cheia de grandes talentos individuais, mas longe de mostrar conjunto em campo. Não será um trabalho fácil para o Dunga, já que o Brasil não revelou, nos últimos anos, jogadores fora de série, capazes de substituir os craques que já não estarão na próxima Copa do Mundo. Temos tido algumas promessas, como Alexandre Pato, alguns outros bons profissionais, mas nenhum que entusiasme a ponto de apostarmos que chegará ao nível dos Ronaldinhos, do Kaká ou do Roberto Carlos e do Cafu dos bons tempos. Por sorte, o tempo está a nosso favor. As eliminatórias começam este ano e, na longa caminhada até a Copa do 2010 na África do Sul, não tenho dúvida de que o Brasil revelará os craques necessários, como sempre fez, e terá uma representação bastante forte para apagar o fiasco de 2006 e trazer o sonhado hexacampeonato mundial. Não podemos apenas ficar convencidos de que somos os melhores. Ter os jogadores mais talentosos não é tudo. É fundamental que mostrem a genialidade em campo, que sejam humildes a ponto de colocar a equipe acima do brilho individual. Aí, sim, estaremos prontos para conquistar para o Brasil a sua sexta Copa do Mundo. Feliz 2007 para todos! Que seja um ano de paz, de harmonia e vitórias para nós, brasileiros, em todos os setores, na família, no Esporte, na política e na sociedade! BOA VONTADE | 19 Fotomontagem ano de 2006 ficou para trás e, com ele, a frustração da perda da Copa do Mundo. Com certeza, tínhamos a seleção mais forte, a mais espetacular, e o título parecia uma questão de tempo. Só que, como todos sabemos, o desfecho não foi bem assim. Doeu, mas ficou — mais uma vez — a lição de que, no futebol, nem sempre ganha quem tem os melhores jogadores, mas, sim, quem tem a melhor equipe. Prova disso foi o título de campeão mundial interclubes conquistado brilhantemente pelo Internacional. O favorito era o Barcelona, de Ronaldinho. Mas, novamente, a seleção de estrelas foi batida pelo time de mais conjunto, de mais obediência tática e de mais vontade de vencer. O ano de 2006 já é passado, mas não podemos tirar da cabeça as lições que nos deixou. Especialmente em 2007, quando teremos os Jogos Pan-americanos do Rio de Janeiro e o início das eliminatórias para a Copa de 2010, na África do Sul. Precisamos analisar tudo o que foi feito para a Copa de 2006, principalmente o que deu errado, para que não nos reencontremos com o fracasso. Por sinal, esse trabalho já teve início, com o comando de Dun- 2010 é agora
  • 20. Política e Economia PAC prevê crescimento de 4,5% neste ano e 5% a partir de 2008 20 | BOA VONTADE Ricardo Stuckert/PR O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), anunciado no último 22 de janeiro, pelo governo federal, prevê que a economia vai crescer 5% a partir do ano que vem e manter o ritmo até 2010, no final do segundo mandato do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva. De acordo com o cenário previsto no PAC, a taxa de crescimento real do Produto Interno Bruto (PIB) será de 4,5% ao ano em 2007 e de 5% em 2008, 2009 e 2010. O crescimento estimado de 2006 é 2,8%, segundo a Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal), contra 5,3% de toda esta região. Para a taxa de inflação, o plano também espera uma estabilização a partir de 2008, em 4,5% — contra 4,1% em 2007. Em relação à taxa básica de juros (Selic), determinada pelo Comitê de Política Julio Cruz Neto e André Deak Fonte: Agência Brasil O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursa durante cerimônia de apresentação do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
  • 21. Ricardo Stuckert/PR Foto: Ricardo Stuckert/PR Brasília — O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a Primeira-Dama, Marisa Letícia, o VicePresidente, José Alencar (à direita da foto); a Ministra-Chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff; o Presidente do Senado, Renan Calheiros; e o Ministro da Fazenda, Guido Mantega (à frente), durante o lançamento do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Frentes do Programa Transporte Monetária (Copom), a expectativa é de que seja de 12,2% no final de 2007, 11,4% em 2008, 10,5% em 2009 e 10,1% em 2010. O PAC se divide em duas partes. Uma se refere à infra-estrutura para o desenvolvimento propriamente dita e destrincha a previsão de investimento de R$ 503,9 bilhões, ao longo dos próximos quatro anos. Do total, 86,54%, ou seja, R$ 436,1 bilhões, virão de estatais federais e do setor privado, enquanto os restantes R$ 67,8 bilhões sairão do orçamento do governo central. A outra apresenta uma série de medidas econômicas para o crescimento, em que se encontram os dados acima e ainda 37 itens referentes a crédito, investimento, impostos, gestão e outros pontos. Destes, 16 se referem a matérias que já foram implementadas ou estão em fase de implementação/ tramitação no Congresso. Os investimentos serão pesados em infra-estrutura logística, que engloba as rodovias, portos, ferrovias, aeroportos e hidrovias, facilitando o transporte de cargas e mercadorias, de forma a ter um impacto positivo no custo dos produtos. Saneamento e habitação O pacote prevê o fornecimento de água, esgoto tratado e destinação adequada de lixo a 23,2 milhões de domicílios neste e nos próximos três anos. Para a habitação, o objetivo é atender pelo menos quatro milhões de famílias com recursos públicos e da caderneta de poupança. Recursos hídricos Os programas contemplados são a integração da bacia do Rio São Francisco, a revitalização das bacias dos rios São Francisco e Parnaíba, os sistemas de abastecimento de água bruta e projetos de irrigação. O Nordeste vai receber a maior parte dos investimentos. Energia Os sete Estados da Região Norte receberão, de 2007 a 2010, investimentos de R$ 32,7 bilhões em infra-estrutura energética. Em todo o país, serão aplicados R$ 274,8 bilhões no setor e R$ 65,9 bilhões em energia elétrica. BOA VONTADE | 21
  • 22. Perfil Bossa Nova emTOM maior Mario de Moraes (especial para a revista BOA VONTADE) Ana Jobim “Não pensei em trote porque ninguém ia fazer uma brincadeira cara dessas, ligando dos Estados Unidos pra mim. Meus ouvidos conheciam bem as vozes das ligações internacionais, como eram feitas naquele tempo. Sinatra foi falando, depois de se identificar com simplicidade: ‘Quero fazer um disco com você e quero saber se você acha isso interessante’. Acrescentou que pagaria todas as despesas e que eu ficaria hospedado com ele. Soube depois que esse tipo de convite, de interesse profissional, ele sempre faz pessoalmente. Pega o telefone e vai direto ao assunto. No meu inglês precário, lembro que respondi: ‘Perfeitamente, é uma honra’. Sinatra me perguntou: ‘Você me acompanha no violão?’. Respondi que não era violonista, mas que aceitava. O fato é que me sentiria mais à vontade no piano.” Esse depoimento se encontra no livro Cancioneiro Jobim e descreve o início da parceria de Antonio Carlos Jobim com Francis Albert Sinatra, que resultou num álbum de muito sucesso, gravado em 1967, nos Estados Unidos. Só perdeu para os Beatles A notável carreira conferiu a Jobim inúmeras homenagens, entre elas, os títulos de doutor honoris causa, da Universidade do Rio de Janeiro (1990) e da Universidade Nova de Lisboa (1993). 22 | BOA VONTADE O álbum da famosa dupla agradou ao público, sendo eleito o melhor do ano pela crítica norte-americana. Ele só perdeu em vendas para
  • 23. Arquivo pessoal o álbum dos Beatles, Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band. A primeira música de Tom, gravada por Sinatra, foi Dindi. Sobre a perfeição com que Sinatra gravou essa faixa, disse Will Friedwald, seu biógrafo: “Com tamanha delicadeza que a poderiam ter posto num comercial de lenço de papel”. O próprio Sinatra reconheceu que nunca tinha cantado tão macio em sua vida. E pilheriou: “A última vez em que cantei assim foi quando tive uma laringite”. Embora já conhecido e famoso internacionalmente, é inegável que o álbum Francis Albert Sinatra Antonio Carlos Jobim foi um marco na vida do compositor brasileiro. Nos últimos tempos Tom Jobim vem sendo muito justamente lembrado, principalmente porque, se vivo fosse, ele teria comemorado 80 anos no último dia 25 de janeiro. Photos.com Mario de Moraes, jornalista. Tom perdeu o pai, Jorge de Oliveira Jobim, e, dois anos depois, sua mãe, Nilza Brasileiro de Almeida Jobim, casou-se com Celso Frota Pessoa. Tom Jobim, um gênio musical, não estava entre os alunos mais aplicados. Só a música o interessava. Em 1941, aos 14 anos, iniciou os estudos de piano com o maestro alemão radicado na Bahia, HansJoachim Koellreuter, de quem era amigo, e com a professora Lúcia Branco. Violão aprendeu a tocar com Tomás Terán. Aos 22 anos, no dia 15 de outubro de 1949, Tom casou-se com Theresa Hermanny. Da união nasceram dois filhos: Paulo, em 1950, e Elizabeth (Betinha), em 1957. Em 1978 Tom casou-se pela segunda vez com Ana Beatriz Lontra, com quem teve mais dois filhos: João Francisco (1979), morto aos 18 anos num acidente no Rio de Janeiro, e Maria Luiza Helena (1987). Amizades de veia musical Maestro, arranjador, compositor, pianista, cantor, para ganhar a vida Tom Jobim chegou a tocar em casas noturnas. Amigo de maestros como Lirio Panicali, Radamés Gnatali e Leo Peracchi, Tom freqüentava as boates da Zona Sul e, por coincidência, foi numa delas que ouviu o violonista João Gilberto apresentar sua batida diferente, que se tornaria marca registrada da Bossa Nova, um dos movimentos mais importantes da música popular brasileira. As primeiras músicas compostas por Tom Jobim foram Vinícius, Dorival e Tom: os amigos se encontram em julho de 1967. Estreitos laços uniam Caymmi à mais famosa dupla de compositores da Bossa Nova. Caymmi e Tom Jobim, durante a entrevista para o Jornal do Brasil, em 1994. A matéria era uma homenagem aos 80 anos do compositor baiano. Um mau estudante Antonio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim nasceu na Rua Conde de Bonfim, 634, no bairro carioca da Tijuca, na noite do dia 25 de janeiro de 1927. Sua única irmã, Helena, veio ao mundo quatro anos mais tarde. Ela viria a ser professora e autora de diversos livros, entre os quais Antonio Carlos Jobim, Um Homem Iluminado. Aos 8 anos, Caymmi visita Tom e leva seus filhos Nana, Dori e Danilo. Neste LP, Tom e Dorival oferecem ao público um dos mais belos momentos da nossa música. *As fotos acima são do interessante livro biográfico Dorival Caymmi — O mar e o tempo, da jornalista Stella Caymmi. BOA VONTADE | 23
  • 24. Leilla Tonin Cultura Perfil Tom Jobim em cena de um clipe gravado para a TV, em sua última aparição pública, no qual registrava seu apoio à construção do Parlamento da Legião da Boa Vontade. Jobim: “O ParlaMundi da LBV é a Sinfonia da Solidariedade Universal.” ______________ Alexandre Rueda Tom Jobim, grande amigo da LBV, sempre apoiou as iniciativas da Instituição. Em certa ocasião, o genial músico registrou seu carinho pela causa da Boa Vontade ao gravar um clipe para a TV (sua última aparição pública), que foi especialmente produzido para a inauguração do ParlaMundi da LBV em Brasília/DF, ocorrida em 25 de dezembro de 1994: “Eu acredito na Vida e gosto de viver. Isso aparece nas minhas composições. Mas agora eu quero convidar Você para cantar uma canção diferente. O Parlamento Mundial da Fraternidade Ecumênica é a Sinfonia da Solidariedade Universal”. E o querido Tom finalizou fazendo um convite às pessoas a colaborarem com a LBV dizendo: “Eu conto com Você!”. 24 | BOA VONTADE gravadas em 1953 pelo cantor Ernani Filho: Pensando em você e Faz uma Semana (em parceria com João Stockler). Em 1954 Tom lançou um LP, Sinfonia do Rio de Janeiro, com Billy Blanco. No mesmo ano, o primeiro e grande sucesso veio com Teresa da praia (samba-canção cuja autoria também fez com Billy Blanco), gravado pela dupla Dick Farney — Lúcio Alves. Ainda em 1954 conheceu o poeta Vinícius de Moraes, com o qual formaria uma parceria de sucesso. Em 1956, Tom musicou a peça Orfeu da Conceição, de Vinícius, apresentada no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, e lançou um LP com o mesmo nome. São dessa época algumas canções que compôs com Dolores Duran (Estrada do sol e Por causa de você) e com Vinícius de Moraes (Eu não existo sem você, Eu sei que vou te amar e Chega de saudade). Ainda em 1958, Tom compôs sua primeira trilha sonora para o filme Pista de Grama, de Haroldo Costa. A música Eu não existo sem você, ainda inédita, foi cantada por Elizete Cardoso, com acompanhamento de João Gilberto no violão e Tom Jobim no piano. Década de muitos sucessos A década de 1960 foi, possivelmente, a mais profícua e importante na vida do maestro. Nela ele compôs, entre outros e diversos sucessos, Corcovado, Desafinado, Samba de uma nota só (as duas últimas com Newton Mendonça), Dindi, Água de beber, Insensatez, Ela é carioca, a antológica Garota de Ipanema (com Vinícius de Moraes), Retrato em branco e preto e Sabiá (com Chico Buarque de Holanda). Esta última ganhou, em 1968, o primeiro lugar no III Festival Internacional da Canção, no Rio de Janeiro. Em agosto de 1962, aconteceu o histórico show no restaurante Au Bon Gourmet, em Copacabana, com Tom, Vinícius, João Gilberto e Os Cariocas. Foi um tremendo sucesso, com o acompanhamento de Otávio Bailly, no baixo, e Milton Banana, na bateria. Algumas músicas que se tornariam famosas internacionalmente, como Só danço samba (Tom e Vinícius), Samba do avião e Garota de Ipanema (Tom e Vinícius), foram apresentadas pela primeira vez nesse espetáculo. Garota de Ipanema, inclusive, ganhou uma introdução especial, em forma de diálogo cantado por Tom, Vinícius e João Gilberto. Bossa Nova nos EUA Em 22 de novembro de 1962, Tom Jobim viajou para os Estados Unidos, para participar do show de Bossa Nova no Carnegie Hall, de Nova York. Após sua apresentação e posterior lançamento do álbum com Frank Sinatra, Tom passou a ser solicitado para gravar com vários e importantes músicos norteamericanos, como Stan Getz, Andy Williams, Nelson Riddle e Claus Ogermann. Em 1971, Frank Sinatra gravou o LP “Sinatra Cia”, com cinco músicas de Tom Jobim e arranjos de Eumir Deodato. Além disso, Tom compôs músicas para concertos e trilhas para o cinema. Em 1984, Tom Jobim criou Nova Banda, com o filho Paulo (violão), Danilo Caymmi (flauta e voz), Jacques Morelenbaum (violoncelo), Tião Neto (baixo), Paulo Braga (bateria) e coro, formado por Ana Jobim, Elizabeth Jobim, Paula Morelenbaum, Maúcha Adnet e Simone Caymmi. Nos dias
  • 25. 29 e 30 de março de 1985, a banda apresentou-se no Carnegie Hall, de Nova York. E em 7 de julho do mesmo ano, com João Gilberto, na abertura do Festival de Montreux, na Suíça. Destaque do Grammy Tom Jobim escreveu dois livros: Ensaio poético (1988) e Visão do paraíso — A Mata Atlântica (concluído em 1994 e publicado após seu falecimento). Os textos são de Tom; as fotos, de sua esposa, Ana Jobim. Da imensa discografia do consagrado músico, devem ser citados Wave (1968); Matita Perê (1973); Elis e Tom (1974); Urubu (1976); Tom Jobim (1987) e Antonio Brasileiro, seu último disco, lançado em 1994, que recebeu uma música de cada lado. Depois passou para o LP, de 33 1/3 RPM, participando dos discos não só como artista principal, mas como compositor, orquestrador e arranjador de LPs de inúmeros cantores. As edições internacionais, as reedições — inclusive em forma de coletâneas — e as inúmeras e novas gravações em CD têm de ser levadas em conta para se ter uma idéia ainda maior da fabulosa bagagem musical de Tom Jobim. Em agosto de 2001, a Academia de Gravações Latinas (Latin Recording Academy, em inglês) anunciou as 17 gravações selecionadas para inaugurar a Galeria da Fama do Grammy Latino. Entre elas, Garota de Ipanema, a música brasileira mais popular de todos os tempos. A e um ritmo. Só um indivíduo como Vinícius, que conhece a música da palavra, que poderia ter sido um músico profissional, poderia ter feito as letras que fez. (...). “A versatilidade do meu amigo é espantosa: tanto compõe um samba de morro (Eu e o meu amor) como uma valsa romântica e sinfônica (Eurídice) ou ainda uma Serenata do Adeus, tanto escreve um soneto (de fidelidade ou de separação) como uma História Passional, Hollywood, Califórnia. Faz cinema, faz teatro e escreve crônicas deliciosas. Tem o sentimento nato da forma que transcende o que possa ser ou foi aprendido. “Estas são umas poucas facetas do poliedro cujo número de faces tende para o infinito e que se chama É praticamente impossível registrar toda a discografia de Tom Jobim. Em 45 anos de carreira ele compôs mais de 500 músicas. Photos.com postumamente o Prêmio Grammy, como destaque na categoria Jazz Latino. Em 1993, Tom gravou um especial com Milton Nascimento e em abril de 1994 apresentou-se novamente no Carnegie Hall. Em maio viajou para Paris e da capital francesa foi para Jerusalém, onde fez um show com a Nova Banda. É praticamente impossível registrar toda a discografia de Tom Jobim. Em 45 anos de carreira ele compôs mais de 500 músicas. Tom iniciou gravando no formato 78 RPM, nas chamadas bolachas, com galeria foi criada para prestigiar as gravações de qualidade e relevância duradouras, ou de significado histórico. Eterno Vinícius Na apresentação do histórico disco Por toda minha vida, com músicas de Tom Jobim e letras de Vinícius de Moraes, Tom faz uma verdadeira apologia ao seu maior parceiro: “Vinícius de Moraes é um grande poeta. No entanto, isto não é condição para se fazer uma bela letra. Uma palavra, além do sentido verbal, tem uma sonoridade Marcus Vinícius da Cruz de Mello Moraes”. O avô que se foi Em 23 de fevereiro de 1973, Tom Jobim teve a felicidade de ver nascer seu primeiro neto, Daniel, filho de Paulo Jobim, atualmente um excelente pianista como o avô. A segunda neta, Dora, nasceu no dia 6 de maio de 1976. Tom Jobim faleceu na manhã do dia 8 de dezembro de 1994, de parada cardíaca, no Mount Sinai Center Medical, em Nova York. BOA VONTADE | 25
  • 26. F R A S E S Amigos da Boa Vontade Comentário da cantora Ivete Sangalo¸ ao receber flores e um quadro com a estampa do Cristo Ecumênico das crianças atendidas pela LBV em Salvador/BA. João Preda “A LBV é uma obra muito especial, principalmente, na ajuda à sociedade, aos necessitados e aos órfãos. É um trabalho fantástico, exemplar para o Brasil.” Emerson Fittipaldi, bicampeão mundial de Fórmula I e campeão mundial de Fórmula Indy, durante visita ao Parlamento Mundial da Fraternidade Ecumênica, o ParlaMundi da LBV. Clayton Ferreira “A LBV é o máximo! E sempre tem meu carinho e atenção especial.” Divulgação/cacodetelha.com.br Visite, apaixone-se e ajude a LBV! “O que a LBV faz é de tirar o chapéu. Eu tenho certeza de que quanto mais o Brasil conhecer a Legião da Boa Vontade, mais o Brasil vai querer participar dela.” Cristina Carvalho, Presidente do grupo Full Jazz, de São Paulo/SP. Chico Audi “Tenho um relacionamento muito bom e velho com a LBV. É muito bom você participar de uma coisa que dá certo (...) e poder ceder aquilo que tem de mais precioso. No meu caso é a minha imagem que construí com a minha carreira. Cedo minha imagem para que a gente possa fazer, ajudar para que a LBV seja cada vez maior.” Oscar Schmidt, o segundo cestinha da história do basquete mundial e campeão Pan-Americano pela Seleção Brasileira, considerado uma das maiores estrelas desse esporte de todos os tempos. 26 | BOA VONTADE
  • 27. Turismo “Que a LBV prossiga, porque é um trabalho sem fronteiras e sem calendários.” Divulgação Rede Record Um beijo às crianças da LBV, adoro vocês. Podem me convidar mais vezes que eu vou aí, tá? Simone Barreto Frase da apresentadora de TV Eliana, durante lançamento de seu livro Os segredos dos golfinhos. Liliane Cardoso Simone Barreto Marcos Vilaça, Presidente reeleito da Academia Brasileira de Letras — ABL, durante a solenidade que o empossou na nova diretoria da Casa da Cultura para o ano de 2007. “É sempre um prazer estar com as crianças e parabenizar a LBV pelo trabalho que realiza. (...) É um ótimo trabalho o da Legião da Boa Vontade, basta ver a postura desses meninos.” Depoimento do técnico da Seleção Brasileira de Futebol, Dunga, ao receber, em Gravataí/RS, a homenagem das crianças atendidas pela LBV. Alô, Paiva Netto, sabe que eu sou seu amigo. Você faz um trabalho inteligente, que eu respeito, e que me encanta, à frente da LBV. Espero que seja muito feliz e continue a ajudar a construir um século, um milênio melhor, para esta nação. Registro do cartunista e escritor Ziraldo. Clayton Ferreira “Eu, meu pai, meu irmão e minha mãe ajudamos a LBV há muitos anos. Fiquei feliz em saber o que a Legião da Boa Vontade faz em conjunto com as Nações Unidas. (...) A LBV é uma Instituição séria! (...) É sempre um prazer trabalhar com esse pessoal maravilhoso daqui e com as crianças da LBV.” Cantora Luciana Mello, durante gravação de vídeo institucional da Legião da Boa Vontade, para a qual ela doou os direitos e cachês. BOA VONTADE | 27
  • 28. Entrevista Aula de Carlos Chagas fala da experiência acumulada em décadas de profissão jornalismo A Arlindo Filho pós conhecer mais de perto um pouco de sua vida e de sua dedicação ao trabalho é que se entende o porquê da carreira de sucesso do jornalista Carlos Chagas. Este mineiro de Três Pontas participa ativamente da mídia impressa e da televisão por quase cinco décadas, atuando durante 12 anos no jornal O Globo, em que foi editor político, 16 como Diretor da Sucursal do jornal O Estado de S. Paulo no Distrito Federal e mais 12 na direção do antigo Grupo Manchete, também na capital brasileira, a convite do saudoso Adolfo Bloch (1908-1995). Além disso, lecionou Ética e História do Jornalismo, por 25 anos, na UniversidaAdolfo Bloch de de Brasília (UnB), da Adolfo Bloch qual se aposentou em 2005. O longo tempo na capital do País permitiu a ele um convívio estreito com os bastidores do poder e com 28 | BOA VONTADE Enaildo Viana fatos relevantes da história recente do Brasil. Casado com a advogada e psicóloga Enila Chagas, que foi sua colega na Faculdade de Direito, justificou o velho ditado de que “filho de peixe, peixinho é”, transmitindo para as duas filhas talvez a maior herança que os pais podem deixar: a correção de caráter. A primogênita, Helena Chagas, é Diretora do SBT de Brasília e colunista política do Jornal do Brasil; a caçula, a advogada Cláudia Chagas, seguiu a outra vertente da família, tornando-se promotora pública, com brilhante passagem pelo Ministério da Justiça. E quatro netos completam a família mineira, carioca e candanga. Em seu escritório no prédio do setor comercial sul, o professor Carlos Chagas recebeu nossa equipe, em meio aos afazeres que incluem quatro comentários políticos na Rádio Jovem Pan e um artigo diário, que é publicado em 18 jornais do País. No gabinete, o número de aparelhos de TV, todos ligados em telejornais, além dos vários jornais impressos, dão uma noção de como este veterano está sempre bem informado e atento, e foi desta central de notícias que ele nos concedeu a entrevista a seguir: BOA VONTADE: Professor, obrigado por ter aceitado o nosso convite. Carlos Chagas — O prazer é meu, principalmente porque eu tenho também a honra de ser do Conselho da Ordem do Mérito da Fraternidade Ecumênica do ParlaMundi da LBV. BV — O senhor é de uma família de médicos, mas decidiu-se pela imprensa. Como foi essa história? Carlos Chagas — Eu sou de Três Pontas. A família dos médicos é da parte dos Oliveiras, um pouco afastada, ainda porque tudo é assim
  • 29. “A nossa função é comunicar tudo o que se passa de bom, de mal, de feio, de bonito, de certo, de errado, eu sou da escola da humildade.” Domingos Tadeu/ Palácio do Planalto em Minas Gerais. Eu detesto esse negócio de hospital, operação, tudo. Além disso, saí pequeno de Minas, meus pais mudaram-se para o Rio de Janeiro quando tinha 4 ou 5 anos, e lá fui encaminhado para o que era minha tendência. Estudei em colégio de padres durante praticamente a vida inteira e fui para a Pontifícia Universidade Católica de Direito-RJ, mas tinha de trabalhar, jovem, com 18 anos, para ajudar a família e pagar os estudos. Metade do dia era na faculdade, a outra ficava livre. Qual a ocupação que podia ser compatibilizada? Era a de repórter de jornal. Então, pedi emprego no O Globo e consegui. Comecei como repórter ainda no segundo ano da faculdade. Formei-me afinal. Digo isso, pois foi interessante: aconteceu BOA VONTADE | 29
  • 30. Arquivo pessoal O jornalista Carlos Chagas no Palácio das Laranjeiras, no Rio de Janeiro/RJ, antiga sede do Governo Federal, onde costumava falar à imprensa. Em Paris/França, no canto esquerdo, o jornalista Paulo César Ferreira (na época da TV Continental), ao centro Carlos Chagas, então Secretário de Imprensa da Presidência da República, o Presidente Costa e Silva e sua esposa, Iolanda, durante viagem empreendida pelo chefe do governo brasileiro a diversos países. no ano em que Jânio Quadros (1917-1992) fez a campanha para Presidente da República. BV — Em 1960? Carlos Chagas — Sim. O chefe de reportagem disse: “Preciso de um repórter para viajar com Jânio Quadros, mas é viajar mesmo, passar meses fora do Rio”. Eu já era noivo, pensando em casamento, mas tudo bem. Estava no quinto ano da faculdade, e fiquei naquela dúvida: “Será que eu perco um ano por causa da presença? Mas vou conhecer o Brasil inteiro com o Jânio, que é uma belíssima expe­ riência”. Ele viajava em um DC-3, alugado da Varig, e os jornalistas iam no mesmo avião dele, e descia em qualquer campo de futebol. Eram Jânio Quadros 30 | BOA VONTADE Arquivo pessoal Entrevista “Vim ser porta-voz do Presidente Costa e Silva (1902-1969), que já estava no Governo e tinha assinado o AI-5. Ele me conhecia como jornalista, e em um belo dia me chama e diz: ‘Eu quero que você seja o meu porta-voz, porque vou acabar com o AI-5, não passo à história como ditador’.” três, quatro, cinco cidades por dia e sempre terminando na capital. Candidatei-me e fui escolhido. Tive uma grata surpresa, pois apesar de ir ao Rio de Janeiro de mês em mês, quando Jânio parava a campanha ou viajava mesmo ao Rio, aproveitava para estar na faculdade. Chegou o fim do ano e eu tive a presença necessária. Todos os meus professores eram janistas e viam as minhas reportagens: “Carlos Chagas, especial para O Globo, de Casco Bobó das Farinhas...”. Consegui ser aprovado, entrei na reportagem política, que era o que gostava. Já formado, fiz um concurso, fui Promotor Público durante um ano numa pequena cidade, Mendes, no Rio de Janeiro, ia de manhã e voltava à noite e ainda trabalhava para o jornal. Em 1962, O Globo ofereceu-me a oportunidade de ser editor político, então larguei da advocacia e estou na imprensa até hoje. BV — Como foi sua ida para a Manchete? Carlos Chagas — Quando eu saí do Estadão, no dia seguinte o Adolfo Bloch soube e disse: “Você é meu diretor em Brasília”. Viajei para o Rio, acertei as coisas e fiquei na Manchete 12 anos, até ela acabar. E até algumas semanas atrás estava na CNT, fiquei cinco anos lá como comentarista político. Escrevo um artigo diário, de cem linhas, que está sendo publicado hoje em 18 jornais do País. E trabalho também na emissora de rádio Jovem Pan, na qual faço quatro comentários políticos diários. BV — Como fica a família nesse contexto de tantas atividades? Carlos Chagas — A minha mulher tem um laço interessante comigo, ela era minha colega na Faculdade de Direito, na PUC Rio, e era a primeira da sala. Nós nos conhecemos durante um período em que eu trabalhava no O Globo até as 23 horas, meia-noite, e a aula começava na PUC às 7h30. Ninguém é de ferro, eu chegava atrasado, às vezes não ia. E um dia havia uma prova dificílima, creio de Filosofia do Direito, alguma coisa que devia ter estudado muito e não fiz. Perguntei a um colega: “Olha, eu estou ruim. Quem é um bom aluno, que eu vou sentar atrás”. E era ela! Falei para Enila: “Deixe-me olhar a sua prova”. Ela deixou, e eu fui colando, colando, e colou! Ficamos noivos e casamos (risos). Tive duas filhas e, por incrível que pareça, uma delas é Promotora Pública e a outra, jornalista. As duas profissões que escolhi.
  • 31. Arquivo pes soal Arquivo pessoal “Eu vejo, dentro de todas essas atividades da LBV, uma que, como jornalista, me parece a principal: a LBV debate os problemas nacionais, tenta conscientizar o cidadão para os seus deveres. Outras entidades depois vieram, (...) mas quem começou foi a Legião da Boa Vontade, e afirma aquele provérbio árabe: ‘Bebe água limpa quem chega primeiro à fonte’. Vocês, ou melhor, nós, porque eu sou Conselheiro da LBV, chegamos primeiro à fonte. Ótimo, tomara que isso se multiplique.” São quatro netos. A mais velha está com 24 anos, formou-se na UnB em Psicologia, a profissão da avó. A minha mulher, depois de muito tempo no Direito, quando viemos para Brasília, entrou na faculdade de Psicologia, formou-se e hoje tem um belo consultório. Os outros três estão estudando, um entrou na UnB este ano. Imagina para que curso! Comunicação. E os outros dois acredito que um vá ser advogado e a outra também jornalista. Pedro Aleixo João Figueiredo General Euclides Figueiredo BV — Há quanto tempo o senhor está em Brasília? Carlos Chagas — Estou em Brasília desde 1969, porque nessa época me licenciei por quatro meses de O Globo e vim ser porta-voz do Presidente Costa e Silva (1902-1969), que já estava no Governo e tinha assinado o AI5. Ele me conhecia como jornalista, e em um belo dia me chama e diz: “Eu quero que você seja o meu porta-voz, porque vou acabar com o AI-5, não passo à história como ditador”. Fiquei naquela dúvida terrível, gosto demais do mar, sempre morei no Rio, desde pequenininho, nunca pensei em sair de lá, mas quando ele falou: “Venha ser o meu porta-voz, porque os políticos o conhecem e você poderá dar a notícia lentamente para não assustar ninguém, de que vai acabar o AI-5 e começar a constitucionalização, o primeiro passo da democratização”, eu aceitei, não me arrependo até hoje. Quando faltava uma semana para ele terminar com o Ato Institucional nº 5, reabrir o Congresso que estava fechado e dar o primeiro passo para a democratização, cai doente, tem uma trombose, gerada por aquela pressão em cima dele. Em vez de assumir o Vice-Presidente da República, Pedro Aleixo (1901-1975), toma posse uma junta militar; nessa hora pedi demissão e voltei para o jornal, mas retornei completamente destroçado. “Esse aí é porta-voz da ditadura”, porque afinal não se consumou a volta da democracia. Eu pensei: só tem uma saída, vou escrever tudo o que vi. Em seguida, vim para o Estadão, em Brasília. (...) Só que quem acabou com a ditadura foi Chagas aparece em duas fotos históricas. Na segunda imagem, durante posse na Secretaria de Imprensa da Presidência da República, em maio de 1969. o João Figueiredo (1918-1999), justiça se faça a ele. BV — O Presidente João Figueiredo tinha essa índole? Carlos Chagas — O Figueiredo tinha essa índole, afinal, o pai dele, o General Euclides Figueiredo (1883-1963), foi perseguido e teve de se exilar em Portugal e na Argentina, passou mal, apertado financeiramente. E ele viveu aquilo tudo como menino. Então, tinha a índole democrática. Afinal, deu a anistia ampla, geral, irrestrita, levantou essa censura total da imprensa escrita, da televisão e do rádio, que era o principal, permitiu o aparecimento de mais partidos, não apenas a Arena e o MDB. BV — Voltando à questão profissional, o senhor aconselharia os jovens a cursar Jornalismo? BOA VONTADE | 31
  • 32. Entrevista Melhor Idade João Preda Carlos Chagas — Dinheiro não foi apenas um fenômeno brasileiro, BV — O jornalista Paiva Netto, dá. Estou com 69 anos e tenho de mas mundial. O que é mais impor- há 50 anos, luta para desentrabalhar até hoje duro, pesado, mas tante ler no dia seguinte? O que os volver as atividades da LBV depende da inclinação. O jornalismo grandes jornais fizeram? Pararam em prol dos mais necessitaserá um negócio, um trampolim ou para pensar: o jornal tem de se reci- dos. Outro destaque é que a uma profissão. Um negócio para clar, precisa oferecer algo a mais que Instituição tem representado o muitos que querem enriquecer e, às a televisão não dá, ser diferente, dar Brasil nas Nações Unidas desde vezes, ganham dinheiro travestindo o background da notícia, o que pode 1994. Como o senhor vê esse a notícia, omitindo, inventando-a, acontecer. No planeta todo, começa- trabalho? isso existe infelizmente. Será uma ram a seguir essa linha, a contratar Carlos Chagas — Olha, a ocupação, trampolim, para outros. grandes professores, literatos, histo- LBV saiu na frente. Desde os Quantos políticos nós vemos que co- riadores, tê-los à sua disposição, para tempos do saudoso Alziro Zameçaram como jornalistas? Há uma melhorar a qualidade. No Brasil, por rur (1914-1979), que a gente terceira vertente, o jornalisescutava muito na Rádio mo é uma profissão imporMundial, que foi tão tante, nobre, que ensina que bem sucedido pelo meu quem não tiver aquela conamigo Paiva Netto. Para cepção de que ser jornalista quê? Para fazer o bem, não é ser, com o perdão da levar comida a quem palavra, formador de opinão tem, levar educanião, como grandes amigos ção aos meninos que nossos: “Eu sou formador não podiam freqüentar de opinião”, de nariz em a escola, ensinar o trapé. Somos informadores, balho principalmente. quem se forma é a própria Mas eu vejo, dentro de sociedade estando bem todas essas atividades informada. A nossa função Enaildo Viana, apresentador da Boa Vontade TV, no bate-papo da LBV, uma que, como é comunicar tudo o que se com o jornalista Carlos Chagas. jornalista, me parece a passa de bom, de mal, de principal: a LBV debate feio, de bonito, de certo, de errado, dificuldades financeiras, apelaram os problemas nacionais, tenta para derivativos que não eram éticos conscientizar o cidadão para os eu sou da escola da humildade. como gostaríamos que fossem. Um seus deveres. Outras entidades BV — Fala-se muito no denuncis- deles foi o denuncismo: todo político depois vieram, tem muitas aí, mo. O senhor acredita que isso é ladrão, todo funcionário público é mas quem começou foi a Legião tem sido utilizado pela impren- preguiçoso. Muita honra foi enxo- da Boa Vontade, e afirma aquele sa? valhada, sem que houvesse motivo provérbio árabe: “Bebe água limCarlos Chagas — Continua para aquilo. Para quê? Para vender pa quem chega primeiro à fonte”. sendo usado, agora menos do que jornal, captar leitores. Isso melhorou Vocês, ou melhor, nós, porque eu era no passado. (...) Quando volta bastante, mas ainda existe. sou Conselheiro da LBV, chea democracia no Brasil, os jornais gamos primeiro à fonte. Ótimo, começam a se recuperar, porém BV — E às vezes não há o direito tomara que isso se multiplique, numa época difícil, no fim da década de resposta adequadamente. porque muitas vezes o Poder PúCarlos Chagas — Ou publicam blico, quando se omite, tem de ser de 1970, começo de 1980, quando a televisão passou, formalmente, a na seção carta dos leitores um pe- substituído pela sociedade e eis aí substituir o meio impresso como dacinho de resposta e todo mundo um exemplo fundamental disso! veículo transmissor de notícia. Até fica com medo dos jornais ou das E o Paiva Netto está na LBV há então, o cidadão escutava no rádio, revistas, e afirmam: “Não, deixa por 50 anos. Que ele renove isso por mas queria ver nos jornais. Isso não isso mesmo”. vários outros 50 anos! 32 | BOA VONTADE
  • 33. Acontece Criança Nota 10 LBV — Sem Educação não há Futuro! Marta Trigueiro O que os alunos encontram no kit escolar da LBV? família, beneficiando economicamente os pais que não têm recursos para a compra do material; proporcionar às crianças motivação para o estudo; e reduzir os índices de evasão escolar e de analfabetismo. As doações serão entregues no começo do ano letivo a meninos e meninas que estudam da 1a à 4a série do ensino fundamental em estabelecimentos da rede pública as quais participam, no período inverso ao da escola, do progra- ma LBV — Criança: Futuro no Presente!. Para colaborar com a campanha pode-se fazer donativo por intermédio do Banco Itaú, agência 0237, conta corrente 73.700-2. Em São Paulo, o endereço da LBV é Av. Rudge, 908, Bom Retiro. Para mais informações, basta entrar em contato pelo tel. (11) 3225-4500 ou acessar o site www.lbv.org.br. Na próxima edição da BOA VONTADE, a cobertura completa da entrega dos kits escolares pelo Brasil. Fotos: Arquivo BV A Legião da Boa Vontade iniciou no dia dois de janeiro, em todo o Brasil, uma grande mobilização social em prol da edição 2007 da Campanha Criança Nota 10 — Sem Educação não há Futuro!, que distribuirá material escolar a milhares de crianças provenientes de famílias em situação de pobreza. A iniciativa da LBV visa pro­ mover a melhoria de vida e a auto-estima da criança e de sua Uma mochila, com oito cadernos (cinco de brochura, dois de desenho e um de recados), seis lápis pretos, uma caixa de lápis de cor com 12 unidades e uma de giz de cera, duas canetas esferográficas, duas borrachas, um apontador com depósito, dois tubos de cola, uma tesoura sem ponta, uma régua de 30 cm, um estojo e um jogo pedagógico. BOA VONTADE | 33
  • 34. Samba e História Adoniran Barbosa a voz que canta São Paulo Francisco Trombino Hilton Abi-Rihan O radialista e jornalista Hilton Abi-Rihan entrevista grandes nomes da cultura nacional no programa Samba e História. Na Super Rede Boa Vontade de Rádio (Super RBV), você pode acompanhar essas entrevistas aos domingos, às 5, 14 e 20 horas. Pela Boa Vontade TV, o telespectador pode assisti-las aos sábados, às 23 horas. Outra opção para acompanhar o programa é aos domingos, às 15 ou 23 horas. Pela Rede Mundial de Televisão, confira o bate-papo aos domingos, às 12 horas. “Não posso ficar nem mais um minuto com você/ sinto muito, amor, mas não pode ser./ Moro em Jaçanã,/ se eu perder esse trem,/ que sai agora às onze horas,/ só amanhã de manhã (...)”. Com esses versos, a coluna “Samba e História” presta uma homenagem dupla: primeiramente aos 453 anos de São Paulo/SP (comemorados em 25 de janeiro); e também ao autor dessa canção (Trem das onze) e de tantas outras que eternizam o samba paulistano. Estamos falando de Adoniran Barbosa (1910-1982), o paulista de Valinhos, nascido em 6 de agosto de 1910 e sétimo filho do casal de imigrantes italianos Fernando e Ema Rubinato. Seu nome verdadeiro é João. Mas em 1933, em homenagem a um amigo, adotou o primeiro nome; o sobrenome foi um reconhecimento ao sambista Luiz Barbosa. Dessa mistura, surge o nome que o consagrou. Morador do Bixiga, tradicional bairro italiano da capital, Adoniran sabia como ninguém expressar a realidade de sua gente nos versos. O escritor, historiador e biógrafo de cantores de samba, choro e chorões, André Diniz, entrevistado pelo programa Samba e História, afirma que “a obra do Adoniran sintetiza três aspectos importantes na história da música de São Paulo: a geografia da cidade, a linguagem do paulistano pobre e a fixação desse gênero musical riquíssimo”. O bom humor e o forte sotaque italiano também são características marcantes nos sambas dele. Em suas obras há alguns detalhes curiosos e engraçados. Na música Prova de carinho, por exemplo, que compôs para Matilde, sua segunda esposa e com quem viveu até o falecimento, escreveu: “Com a corda mi,/ Do meu cavaquinho/ Fiz uma aliança pra ela,/ Prova de carinho (...)”. O artista, para encaixar seus versos, usou de uma característica que lhe era bem peculiar: a brincadeira, uma vez que cavaquinho não tem corda mi. Vista do bairro do Bixiga, no fim do século XIX. 34 | BOA VONTADE
  • 35. “Adoniran foi inovador com suas construções lingüísticas, uma pontuação que imitava exatamente o ritmo da fala paulistana.” Pouca gente sabe, mas o músico paulistano, antes de iniciar sua carreira no samba, trabalhava como radioator. Em 1941, foi para a Rádio Record, onde fez humorismo e radioteatro. Nessa época, criou tipos inesquecíveis como Pernafina e Jean Rubinet. Foi no programa de rádio História das Malocas que criou Charutinho, um de seus personagens mais famosos. Atuou nas primeiras telenovelas da TV Tupi, como A pensão de Dona Isaura. O talento do artista também pôde ser visto no cinema. Iniciou nas telas em 1945 com o filme Pif-Paf. Seu melhor desempenho no cinema foi em O Cangaceiro (1953), com a direção e roteiro de Lima Barreto. Trabalhando como radioator, Adoniran, que já escrevera vários sambas, sonhava mesmo em fazer sucesso como cantor e compositor. A grande chance surgiu no programa de calouros de Jorge Amaral, na Rádio Cruzeiro do Sul. Após muitos gongos, apresentou Filosofia, de Noel Rosa (1910-1937), e acabou ganhando o prêmio do dia. “Mas seus sambas só fizeram sucesso nacional a partir das gravações dos Demônios da Garoa, em 1955. Na época, ele já tinha mais ou menos uns 50 anos”, conta o historiador Diniz. Apesar da paixão pela cidade de São Paulo, é no Rio de Janeiro que começa a despontar para o sucesso. Com um jeito especial de compor sambas paulistas, projetase no Brasil inteiro com Trem das onze, cantado até hoje nas rodas de samba. O sétimo filho da família Rubinato foi inovador com suas construções lingüísticas, uma pontuação que imitava exatamente o ritmo da fala paulistana, o que era exatamente Acervo da família Teatro, cinema, Jaçanã e Arnesto o oposto do que se via na história do samba. Tal inovação lingüística é observada também em Samba do Arnesto, composição que, em 1973, deu nome ao seu primeiro LP. Entretanto, a canção foi vetada pela censura, sob o pretexto de não ser gramaticalmente correta. No entanto, no mesmo ano, com a interpretação do grupo Originais do Samba, a composição passou despercebida pela censura. Isso fez com que a música voltasse às paradas de sucesso. Colaborando de forma expressiva para que o samba se fixasse em São Paulo, a lembrança do saudoso artista não ficou somente em suas músicas. No bairro do Bixiga, Adoniran também é uma rua famosa; em Jaçanã encontramos uma ruazinha que, como não poderia deixar de ser, leva o nome de Trem das onze. Adoniran deixou cerca de noventa letras inéditas. Graças ao amigo e estudioso da MPB, Juvenal Fernandes, foram musicadas por compositores de grande expressão como Zé Keti, Tom Zé, Luiz Vieira, Paulinho Nogueira, Mario Albaneze e outros. Não há dúvida de que o samba de Adoniran é a fotografia de uma São Paulo que começava a despontar neste estilo musical. Nossos agradecimentos aos familiares do cantor e ao Museu da Imagem e do Som (MIS) por ceder a foto do saudoso sambista para a publicação. Vale dizer que o MIS abriga uma exposição permanente com filmes, discos, fotografias, partituras e scripts de programas de rádio do artista e compositor brasileiro Adoniran Barbosa. Colaboração: Isabela Ribeiro Serviço — Espaço Expositivo Adoniran Barbosa Museu da Imagem e do Som Av. Europa, 158, Jd. Europa, São Paulo/SP Tels.: (11) 3085-1498/ 3062-9197 Funcionamento: de 3a a domingo, das 10 às 18 horas. BOA VONTADE | 35
  • 36. Abrindo o Coração Mídia em evolução Divulgação O talentoso jornalista Guilherme Fiuza alça vôo como escritor e fala da revolução que a internet tem provocado G uilherme Fiuza tem se mostrado cada vez mais um autor literário diverso, o que o notabiliza — além de jornalista, crítico e polêmico. De sua lavra, destaque para dois livros: Meu nome não é Johnny (transformado em filme) e 3.000 dias no bunker. Este carioca trabalhou como repórter, redator e editor em veículos como Jornal do Brasil, O Globo e No.com, passando ainda por assessorias políticas. Atualmente é colunista do site jornalístico NoMínimo. Sobre a experiência no mercado editorial conta: “Lancei Meu nome não é Johnny há dois anos: é a história de um filho da classe média brasileira que se torna traficante de drogas e tem toda uma trajetória no submundo, 36 | BOA VONTADE Leila Marco e Simone Barreto mas no final consegue se regenerar. Esse filme, no qual eu tenho contribuído para a realização do roteiro, está sendo rodado com Selton Mello como protagonista e será lançado em 2007. E neste ano de 2006, publiquei outro livro, de reportagem sobre política, chamado 3.000 dias no bunker, que vem a ser a história da equipe que fez o Plano Real e outras reformas. Ele mostra todo um aspecto de desafio aventureiro no exercício do poder. Esse título caminha para a segunda edição e mostra bastante os bastidores do poder no Brasil”. Nascia o jornalista A facilidade para escrever como que nasceu com ele; bem novo, ainda na infância, já demonstrava
  • 37. ão Divulgaç Arquivo BV Fiuza na noite de autógrafos de seu livro 3.000 mil dias no bunker o pendor, mas a grande descoberta do talento veio por acaso. “Desde a escola, das primeiras classes no curso primário, tive bastantes sinais e reconhecimentos por parte dos professores sobre esta vocação, mas eu não prestei muita atenção. Na época de escolher a carreira fiz vestibular para a área de administração de empresas, cheguei a cursá-la quase por completo. Num dado momento, fazia Administração e havia uma cadeira de Comunicação Empresarial; nela uma série de exercícios sobre comunicar, passar mensagem ao público por texto. Um professor desse curso, na PUC do Rio de Janeiro, era o jornalista chamado Vitor Iorio, que depois de ler o meu terceiro trabalho, me chamou em particular e falou: ‘Olha, tenho que dizer que você está no curso errado. Seu lugar é no Jornalismo’”. Essas palavras lhe causaram um certo impacto e Fiuza começou a pensar que o professor poderia ter razão. “Aquele gosto pela escrita seria um meio de vida, de sobrevivência?”. E assim a idéia foi amadurecendo: “Já quase me formando em Administração de Empresas, iniciei o curso de Jornalismo na mesma faculdade e me senti muito mais à vontade, não só no ambiente como na atividade em si”. Um produto chamado notícia Em 1987, entra definitivamente para a profissão, exercendo-a nas Imagem do setting de gravação do filme “Meu nome não é Johnny”. Na foto, Selton Mello, ao lado da atriz Cléo Pires. mais variadas formas e em diferentes veículos. Nestes quase 20 anos, adquiriu a experiência que lhe confere uma análise dos gêneros midiáticos. “A informação é uma indústria, mas isso não significa um sentido pejorativo como um todo. Indústria porque é um produto que se vende, que precisa de uma linha de montagem.” Ele explica que várias fontes formam a cultura de massa, na qual estão BOA VONTADE | 37
  • 38. “A informação deve ser consumida como uma matéria-prima para formar o seu julgamento, sua cultura. O espectador, o leitor, tem de olhar de forma crítica para a informação que recebe, até para poder desconfiar e filtrar as que eventualmente sejam tendenciosas.” Simone Barreto Abrindo o Coração incluídas, “não só a grande mídia como outras formas também de comunicação, os livros, os meios familiares, espetáculos artísticos, os meios impressos”. Notícia não é uma verdade pronta Outra análise que faz é do ponto de vista do público, lembrando que a notícia não é um produto acabado, portanto, “não deve ser absorvida pelo leitor, pelo espectador como uma verdade pronta para ele instalar na consciência. Ela é um instrumento. A informação deve ser consumida como uma matéria-prima para formar o seu julgamento, sua cultura. O espectador, o leitor, tem de olhar de forma crítica para a informação que recebe, até para poder desconfiar e filtrar as que eventualmente sejam tendenciosas”. 38 | BOA VONTADE Guilherme Fiuza folheia a revista BOA VONTADE Quanto à postura dos meios de comunicação em nosso País, para ele houve um avanço considerável e, hoje, eles são “bastante arejados, livres”. Guilherme considera que há, claro, os interesses, afinal são empresas, “mas dentro da reserva que precisa haver de liberdade no trato da informação, de responsabilidade com a verdade, com o rigor, com a busca de isenção, que nunca é completa, mas se há a busca severa, cumpre-se a finalidade de informar. No Brasil, há uma razoável credibilidade e um exercício da liberdade de maneira satisfatória. Tem de melhorar, sempre melhorar”. Revolução digital O jornalista falou ainda da concorrência crescente dos meios impressos e os virtuais. Segundo levantamento do Ministério da Ciência e Tecnologia, 30 milhões de pessoas possuem computador em casa, e isso é apenas o início de uma revolução que está em andamento, um dos negócios que mais crescem no mundo. O que altera a vida dos jornais, revistas e livros publicados. Fiuza diz que já conhece “jovens que não lêem jornal em papel, só na internet”. Para ele, o maior desafio neste mercado é o financeiro: “A venda de assinatura, esse negócio é assustador. Porque o público consumidor do veículo impresso, que paga por aquilo, ele certamente tem se reduzido. A internet é um meio que não se sabe direito o impacto que terá e como se venderá. Tem de se aprender, viabilizar como vendedor de publicidade, atrair anunciantes para se financiar. É muito bonita a idéia de gratuidade total, mas é inviável. Já dizia Newton
  • 39. Freedman: ‘Não existe almoço grátis’, alguém tem de pagar. Essa cultura de que na internet tudo pode ser replicado, cita a fonte e cola, recorta e copia, isso não tem futuro, porque o conteúdo precisa vir de algum lugar. Tem de existir gente paga para fazer isso direito, senão é fechar a birosca e sair para vender sanduíche”. Demarcando o território virtual No caminho para sobreviver a essa tecnologia, os veículos impressos demarcam seu território na internet. “Todos os grandes jornais têm os seus portais nos quais tentam usar a marca que é popular no meio digital, tentando que ela resulte na formação de um público. Tem até aquela briga do impresso com o digital na mesma empresa. Algum repórter consegue um furo de reportagem, e aí? Esse furo vai para o noticiário on-line, tempo real, ou é guardado para o jornal impresso no dia seguinte? Há grandes discussões dentro das redações. Esse é um terreno onde as pessoas ainda estão tateando e sem saber exatamente o que fazer”. Guilherme, que acredita na força da emulação das boas coisas para a melhoria da qualidade de vida das pessoas, manifestou sua alegria pela oportunidade de expor suas idéias aos leitores da BOA VONTADE: “Eu agradeço ao Paiva Netto, que é um brasileiro batalhador, como todo mundo sabe, um realizador. É muito importante esse aspecto de circulação de informações. Para mim, é um grande prazer estar falando com vocês e devo dizer que estou sempre à disposição para conversar, para contribuir no que for possível”. E finalizou deixando sua mensagem para 2007. “Vamos acreditar na força do indivíduo. Muitas vezes o que o noticiário nos traz — as guerras, os flagelos, a corrupção, os males da sociedade — nos assusta, nos impressiona e pode nos tirar o ânimo, mas é importante pensar que a solução está sempre na força amorosa do indivíduo, na possibilidade incomum que cada um tem de realizar, de fazer o Bem, de construir. Cada um tem muito poder para isso se não se deixar anular, nem abater pelas adversidades cotidianas. Minha mensagem é de fé no trabalho, na capacidade de ser feliz”, conclui.
  • 40. Destaque Entusiasmado, o Diretor Financeiro da ABI, jornalista Domingos Meirelles, saudou, juntamente com a comitiva do Órgão, os idosos amparados pelo Lar da LBV. Comitiva da ABI visita Lar da LBV Simone Barreto Fonte: ABI On-line Fotos: Jurivelson Salomão Santana Com este título a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) saudou na página principal de seu site (www. abi.org.br) a visita de destacados membros da Associação — Domingos Meirelles, Diretor Financeiro; Paulo Jerônimo de Sousa, Diretor de Assistência Social; Maria Vitarelli, médica e Conselheira da Casa do Jornalista — ao Lar da Legião da Boa Vontade para a Terceira Idade em Volta Redonda/RJ (Av. Nossa Senhora do Amparo, 5.079, Santa Rita do Zarur), em 12 de janeiro. O local dispõe 33 mil m² de muito verde, paz e harmonia. 40 | BOA VONTADE Os diretores e a conselheira da ABI conheceram todas as dependências da Casa, construídas de forma a oferecer as condições necessárias a uma velhice sadia. São elas: a sala de fisioterapia, serviço social, terapia ocupacional, enfermaria, solário, Espaço Ecumênico (onde são realizadas as orações), a ala do regime de Longa Permanência e do atendimento CentroDia. Este último foi estabelecido, atendendo à proposta do Estatuto do Idoso, que prioriza o fortalecimento dos vínculos familiares dos mais velhos. Eles chegam pela manhã ao Lar da LBV, participam de todas as refeições oferecidas (café da manhã, almoço, lanche da tarde e jantar) e das atividades: trabalhos manuais, curso de alfabetização, incentivo à leitura, além de momentos de interação com os voluntários e profissionais. A cada ambiente percorrido, os convidados observavam os cuidados com os Irmãos da Melhor Idade, com a integridade física deles, a exemplo dos corrimões colocados em banheiros, corredores e rampas de acesso e o plantão de enfermeiros 24 horas, atendendo,
  • 41. assim, às determinações do Presidente da Instituição quanto ao trato dos idosos, tanto os que ficam no regime Longa Permanência quanto aqueles que recebem o atendimento Centro-Dia. No livro de depoimentos, a comitiva da ABI deixou registradas as seguintes mensagens: “Que Obra maravilhosa, inspirada na suprema caridade cristã, no verdadeiro Amor ao próximo. Este é o único sentido para nossa vida. Somos todos irmãos e amigos. As bênçãos de Deus permaneçam neste Lar”. Maria Vitarelli o que a Instituição faz é ímpar: “Eu fiquei muito impressionado com o padrão de atendimento, com a maneira com que a LBV acolhe as pessoas na Terceira Idade, as instalações. (...) As pessoas quando atingem uma faixa etária ficam muito esquecidas pelos homens e um trabalho dessa natureza e com essa dimensão é digno de elogios e da nossa admiração e respeito”. Ao tomar conhecimento dos regimes de Longa Permanência e do Centro-Dia, Meirelles destacou: “Os idosos que não são internos chegam de manhã, passam o dia aqui e retornam para a família na parte da meus parabéns à LBV, a todos os funcionários pela dedicação e por tudo o que vi. Eu almocei aqui, a comidinha caseira, bem temperada, os produtos da horta, uma maravilha. Saio impressionado e vou propor à diretoria que firmemos um convênio com a LBV para que possamos encaminhar os velhos companheiros que necessitam de internação para cá. (...) A LBV colabora muito com a nossa Diretoria, atende mais de 50 jornalistas carentes, idosos, aposentados, com renda pequena, com cestas básicas por mês, consultório dentário, é uma contribuição inestimável. A ABI tem uma dívida de gratidão muito grande com a Instituição”. Antiga parceria Os Diretores da ABI Paulo Jerônimo (E) e Domingos Meirelles conversam com idosa amparada pelo Lar da LBV. “Saio daqui profundamente impressionado com tudo que vi e ouvi. Meus parabéns à LBV, aos diretores e funcionários pela Obra maravilhosa que mantêm em Santa Rita do Zarur. Em meu nome, do Domingos Meirelles e de toda a ABI, nossos agradecimentos por tudo que a LBV tem feito pela entidade dos jornalistas”. Paulo Jerônimo de Sousa Para o jornalista e escritor Domingos Meirelles, apresentador do programa Linha Direta (TV Globo), A LBV e a ABI são antigas parceiras, desde a década de 1950, quando o saudoso Fundador da Obra, Alziro Zarur (1914-1979), realizou a primeira Reunião Ecumênica, em sua Cruzada de Religiões Irmanadas, no Salão Nobre da Casa do Jornalista. “Nós temos muito orPaulo Jerônimo, durante a visita: “Eu almogulho porque a LBV nasceu dentro cei aqui, a comidinha caseira, bem temperada ABI. A Associação Brasileira de da, os produtos da horta, uma maravilha”. Imprensa é uma entidade histórica tarde. Isso foi uma solução muito e esse fato engrandece ainda mais criativa e não há distinção entre os a nossa história, que completa 100 que moram na Casa e esses que se anos em 2007. Paiva Netto tem nossa eterna gratidão”, finalizou hospedam por um período”. Paulo Sousa. O jornalista recebeu ainda o A geriatra e jornalista Maria abraço fraterno do líder da LBV, Vitarelli, encantada com tudo o que colega seu do tempo do Colégio Pedro II, por meio dos represen- viu, concluiu pelos colegas: “Estou tantes da Obra. “Eu é que agra- impressionadíssima com a beleza deço e ao nosso Presidente as mi- da Organização. É verdadeiramente nhas homenagens mais uma vez”. um Lar, um centro de Paz, alegria, A exemplo de Domingos Mei- Solidariedade Humana, um exemplo relles, o Diretor Social da ABI, para todos nós. Diante de tudo o que Paulo Jerônimo, também falou da vi, vale a pena envelhecer, envelheexcelência do lugar: “Quero dar cer sorrindo”. BOA VONTADE | 41
  • 42. In memoriam Homenagem a Leila Marco P olêmico, sensível, carismático, estas são algumas das características do saudoso Pastor presbiteriano Nehemias Marien (1933-2007). Mas para falar de Nehemias, que faleceu no último 18 de janeiro, é preciso destacar que era, acima de tudo, um homem temente a Deus, estudioso da Bíblia Sagrada, não aceitava a intolerância e o preconceito, de qualquer natureza. É fácil entender por que, ao tomar conhecimento do Ecumenismo Irrestrito e Total pregado e exemplificado pela Legião da Boa Vontade e de seu trabalho solidário, apaixonouse de imediato pela causa e cerrou fileira com seus ideais. Uma das obras que aprendeu a amar foi o Templo da Boa Vontade (TBV), em Brasília/DF, e quando Paiva Netto anunciou a construção, ao lado do TBV, do Parlamento Mundial da Fraternidade Ecumênica, o ParlaMundi da LBV, tornouse Conselheiro deste Parlamento, inaugurado em 25 de dezembro de 1994. 42 | BOA VONTADE Sempre presente às iniciativas da Organização, Marien também se juntou ao grupo de artistas e personalidades que estiveram, em 6 de julho de 1994, no terreno das futuras instalações do Centro Educacional, Cultural e Comunitário da LBV, na capital fluminense. Neste dia, Paiva Netto, em um ato simbólico, ligou a máquina de terraplanagem que daria início às obras. Impressionado com o empreendimento que surgia, ele diria àquela data: “Juscelino Kubitschek (19021976)*1, um dos maiores estadistas do Brasil e grande amigo da LBV, quando Brasília era apenas um ermo, um descampado, um cerrado, disse uma frase que está hoje em um lugar privilegiado da capital federal, numa placa de bronze: ‘no alto desta planície ergo os meus olhos e antevejo o futuro desse País’”. Após a recordação, fez uma analogia com aquele terreno bruto, onde se começava a erguer o Centro Comunitário da Instituição, na zona Norte do Rio: “Parafraseando esse Filho Marien Arlindo João Preda Nehemias Os veteranos amigos Nehemias Marien e Paiva Netto nas obras da unidade educacional da LBV, do Rio de Janeiro, em 7 de julho de 1995. grande homem público ao pisarmos esta terra sagrada, o bom mesmo seria fazermos como lá no nosso Templo*2, em Brasília, com os pés descalços, como Moisés, o grande líder hebreu, ao subir o Monte Horebe, como fazemos aqui, subindo este monte Horebe, para visualizar o futuro grandioso que antevemos nessa hora. Como afirmou Bertolt Brecht (1898-1956)*3: ‘Há homens que lutam um dia, e são bons. Há outros que lutam um ano, e são melhores. Há os que lutam muitos anos, e são muito bons. Mas somente aqueles que lutam toda a sua vida,