A Democratização da Inovação Tecnológica e o Conceito de PivôRuy José Guerra Barretto de Queiroz, Professor Associado, Cen...
de prototipagem rápida, e uma nunca dantes vista facilidade e capacidade de ajustar novosprodutos para o mercado.É justame...
O termo pivô vem do fato de que quando empreendedores obstinados descobrem algo erradoem sua idéia original, eles não simp...
Próximos SlideShares
Carregando em…5
×

A democratização da inovação tecnológica e o conceito de pivô

439 visualizações

Publicada em

0 comentários
0 gostaram
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

  • Seja a primeira pessoa a gostar disto

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
439
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
42
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
1
Comentários
0
Gostaram
0
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

A democratização da inovação tecnológica e o conceito de pivô

  1. 1. A Democratização da Inovação Tecnológica e o Conceito de PivôRuy José Guerra Barretto de Queiroz, Professor Associado, Centro de Informática da UFPEMuito além de um ecossistema de ferramentas de comunicação e de troca de informações, ainternet tem se mostrado um extraordinário instrumento de democratização da capacidade deproduzir inovação tecnológica. Desde a sua concepção no final dos anos 1960’s que a internetfoi projetada para servir tanto como um meio de estabelecer uma rede no sentido abstrato dotermo, como um instrumento para abrigar redes heterogêneas ao mesmo tempo em quepermitisse que essas redes funcionassem independentemente, isto é, tanto como um conjuntode componentes quanto como a própria entidade que agrega esses componentes. Acapacidade generativa de audiências que não se conhecem e, não necessariamente gozam demútua credibilidade, de construir e distribuir código executável através da internet paramilhões de computadores pessoais transformou-se no estopim de um crescimento e umturbilhão de inovações em tecnologia da informação, ao mesmo tempo que propiciou terrenofértil para a criatividade e o empreendedorismo. A bem da verdade, tantas são as inovações jáacalentadas pela internet que não seria exagero admitir que os impactos da rede na história dahumanidade se situam no mesmo diapasão que os do carro Modelo T da Ford e os da prensade Gutemberg.Abertura tem sido, desde o início, uma das características fundamentais da internet: qualquercomputador ou dispositivo de processamento de informações poderia fazer parte da rede,desde que houvesse uma interface apropriada, o que, via de regra, não era difícil de montar.Reproduzindo e, ao mesmo tempo, ampliando o crescimento explosivo da internet, apopularização de um dispositivo multifuncional e facilmente reconfigurável como ocomputador pessoal permitiu que o universo de usuários que escrevem software para essedispositivo viesse a atingir larga escala e um alto grau de diversidade. Não obstante a maisrecente tendência de criação de sistemas fechados sobre a rede aberta (veja-se o exemplo dossítios de aplicativos dedicados a plataformas específicas), a diversidade e a escala têm levado auma ampla variedade de aplicações responsáveis por inovações em áreas as mais diversas taiscomo política, entretenimento, jornalismo, educação, publicidade, economia.O fato é que os baixos custos da inovação na forma de aplicação (software) sob umaarquitetura aberta permitem o surgimento de inovações sob os mais diversos modelos definanciamento. Dado que, regra geral, uma nova aplicação nem sempre demanda grandesinvestimentos em capital, o inovador pode buscar implementar sua idéia apenas durante seutempo livre, sem ter que abandonar seu emprego ou ocupação atual. Trata-se de aspecto degrande valia, sobretudo se ainda há dúvida sobre sua viabilidade técnica ou mesmo sobre aexistência de uma demanda. Além do mais, a queda de preços nos produtos de tecnologia, adisponibilidade de software de código aberto, a comoditização da tecnologia, o fácil acesso aserviços terceirizados de tecnologia (crowd-sourcing), e a computação em nuvem, todos essesfatores têm reduzido os custos necessários para a construção de novos produtos. Em palestrarecente ao Stanford Technology Ventures Program (“Funding Thunder Lizard Entrepreneurs”,27/10/10), a investidora Ann Miura-Ko, parceira da empresa de investimentos de riscoFloodgate, destaca que esses elementos têm contribuído para criar uma grande flexibilidade
  2. 2. de prototipagem rápida, e uma nunca dantes vista facilidade e capacidade de ajustar novosprodutos para o mercado.É justamente nesse sentido que Eric Ries, autor do blog “StartupLessonsLearned.com” econhecido defensor do método “The Lean Startup” de desenvolvimento de produtos nocontexto de tecnologia para inovação, defende que o paradigma “inovação através daexperimentação” se aplica perfeitamente ao universo de startups (empresas recentementecriadas), principalmente, mas não apenas, as de serviços de internet. Segundo Ries, a maioriadas startups fracassa, uma grande parte por razões que poderiam ser evitadas, e portanto nãodeveríamos nos acomodar e aceitar passivamente o baixo nível de sucesso que se observa naindústria do capital de risco. É preciso renunciar a alguns preciosos mitos doempreendedorismo como se pratica nos dias de hoje, e mudar a forma de operar no mercadode investimento em inovação tecnológica. Ries começa definindo: “uma startup é umainstituição humana desenhada para entregar um novo produto ou serviço sob condições deextrema incerteza”. O que diferencia uma startup bem sucedida é a capacidade de trazer àtona as melhores idéias sob extrema dificuldade, ou seja, a capacidade de encontrar o “pivô” –o ponto de reinvenção no qual a startup se dá conta de que suas idéias originais carecem deuma reinstrumentalização. E, mais importante, a startup bem sucedida é aquela que consegueencontrar seu mercado antes que o dinheiro acabe.Conforme defende Miura-Ko, uma startup bem sucedida não floresce unicamente de umagrande idéia: o sucesso decorre da capacidade de fazer crescer um negócio em torno dagrande idéia. O ecossistema do capital de risco, uma razoável base de clientes, canais dedistribuição e fabricação acessíveis, todos esses fatores acabam convergindo para um modelode negócios que se revela viável e escalável. Justamente, a internet serve de laboratório deexperimentação no qual os empreendimentos podem testar com agilidade seus modelos denegócio, usando, por exemplo, mídia social alavancada por uma criação de demanda eestruturas de preço flexíveis.Com base na premissa de que uma idéia inovadora não necessariamente tem um mercado queesteja pronto para absorvê-la, a proposta de Ries é que o desenvolvimento de um produto sejafeito incremental e interativamente em parceria com o suposto universo de clientes, para quese minimize o tempo entre os pivôs. Ainda que correndo o risco de mal comparar, olançamento de alguns produtos da Google, por exemplo, se dão por um método de espíritosemelhante: através de versões “alfa”, “beta”, etc., o produto vai sendo experimentado eajustado conforme a satisfação da eventual clientela, que aliás não era exatamente conhecidano início do processo. Daí, uma startup “lean” (“enxuta”) opera com um plano de negócios quepode ser dinamicamente reformulado até que um modelo de negócios bem sucedido possa serencontrado. Através de uma rápida mudança de pivô com base na realimentação fornecidapela clientela, uma startup pode estender seu espaço de manobra sem que sofra diluiçãosignificativa decorrente de uma nova rodada de financiamento. No laço de realimentação“Construir-Medir-Aprender”, considerado como “uma unidade de progresso”, um pivô é umciclo completo, e o crescimento da startup se dá através de uma aprendizagem validada pormeio de uma série de pivôs.
  3. 3. O termo pivô vem do fato de que quando empreendedores obstinados descobrem algo erradoem sua idéia original, eles não simplesmente abandonam tudo. Ao contrário, mantêm um péfirme sobre o que aprenderam com a experiência anterior, e avançam com o outro pé na novadireção. Segundo as estatísticas, esse padrão de comportamento “zigue-zague” predominaentre as startups bem sucedidas.

×