Trabalho de sociologia

4.881 visualizações

Publicada em

0 comentários
1 gostou
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
4.881
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
2
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
46
Comentários
0
Gostaram
1
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

Trabalho de sociologia

  1. 1. RACISMONos Dias Atuais
  2. 2. INTRODUÇÃO O racismo no Brasil é uma instituição. Apresenta-se nas atitudes, nolinguajar, nos gestos, nas políticas, na religião e no modo de pensar do brasileiro. A tentativa de omitir o racismo, baseada no argumento de que somos um povo miscigenado e, portanto, vivemos em uma democracia racial, é mais uma forma de racismo que pretende excluir a diferença racial, excluindo o negro enquanto etnia. Nesse sentido, a formação daidentidade do afrodescendente e sua cultura sofrem abusos da mídia e das instituições brasileiras. O Movimento Negro, enquanto militância política vem lutando e ganhando forma neste processo, buscando, através de ações afirmativas, a democracia racial.
  3. 3. No Brasil, a história de seus conflitos e problemas envolveu bem mais do que a formação de classes sociais distintas por sua condição material. Nas origens da sociedade colonial, o nosso país ficou marcado pela questão do racismo e, especificamente, pela exclusão dos negros. Mais que uma simples herança de nosso passado, essa problemática racialtoca o nosso dia a dia de diferentes formas. Em nossa culturapoderíamos enumerar o vasto número de piadas e termos que mostram como a distinção racial é algo corrente em nosso cotidiano. Quando alguém auto define que sua pele é negra,muitos se sentem deslocados. Parece ter sido dito algum tipo de termo extremista. Talvez chegassem a pensar que alguém só é negro quando tem pele “muito escura”.
  4. 4. Com certeza, esse tipo de estranhamento e pensamento não é misteriosamente inexplicável. O desconforto, na verdade, denuncia nossa indefinição mediante a ideia da diversidade racial. É bem verdade que o conceito de raça em si é inconsistente, já que do ponto de vista científiconenhum indivíduo da mesma espécie possui características biológicas (ou psicológicas) singulares. Porém, o saber racional nem sempre controla nossos valores e práticas culturais. A fenotípica do indivíduo acaba formando uma série de distinções que surgem no movimento de experiências históricas que se configuraram ao longo dos anos. Seja no Brasil ou em qualquer sociedade, os valoresda nossa cultura não reproduzem integralmente as ideias da nossa ciência.
  5. 5. Dessa maneira, é no passado onde podemos levantar as questões sobre como o brasileiro lida com a questão racial. A escravidão africana instituída em solo brasileiro, mesmo sendo justificada por preceitos de ordem religiosa, perpetuou uma ideia corrente onde às tarefas braçais e subalternas são de responsabilidadedos negros. O branco, europeu e civilizado, tinha como papel, no ambiente colonial, liderar e conduzir as ações a seremdesenvolvidas. Em outras palavras, uns (brancos) nasceram para o mando, e outros (negros) para a obediência. No entanto, também devemos levar em consideração que o nosso racismo veio acompanhado de seu contraditório: a miscigenação. Colocada por uns como uma estratégia de ocupação, amiscigenação questiona se realmente somos ou não pertencentes a uma cultura racista.
  6. 6. Para outros, o mestiço definitivamente comprova que o enlace sexual entre os diferentes atesta que nosso país não é racista. Surge então o mito da chamada democracia racial. Sistematizado na obra “Casa Grande & Senzala”, de Gilberto Freyre, o conceito de democracia racial coloca a escravidão para fora da simples ótica da dominação. A condição do escravo, nessa obra, é historicamente articulada com relatos edados onde os escravos vivem situações diferentes do trabalho compulsório nas casas e lavouras. De fato, muitos escravos viveram situações em que desfrutavam de certo conforto material ou ocupavam posições de confiança e prestígio na hierarquia da sociedade colonial.
  7. 7. Os próprios documentos utilizados na obra de Freyre apontam essa tendência. Porém, a miscigenação não exclui os preconceitos. Nossa última constituição coloca a discriminação racial como um crime inafiançável. Entre nossas discussões proferimos, ao mesmo tempo, horror ao racismo e admitimos publicamente que o Brasil é um país racista. Tal contradição indica quenosso racismo é velado e, nem por isso, pulsante. Queremoster um discurso sobre o negro, mas não vemos a urgência de algum tipo de mobilização a favor da resolução desse problema.
  8. 8. Ultimamente, os sistemas de cotas e a criação de umministério voltado para essa única questão demonstram o tamanho do nosso problema. Ainda aceitamosdistinguir o negro do moreno, em uma aquarela de tons onde o último ocupa uma situação melhor que a do primeiro. Desta maneira, criamos a estranha situaçãoonde “todos os outros podem ser racistas, menos eu...é claro!”. Isso nos indica que o alcance da democracia é um assunto tão difícil e complexo como a nossa relação com o negro no Brasil.
  9. 9. CONCLUSÃO O racismo institucionalizado no Brasil é escancarado nas atitudes cotidianas, nos gestos, na mídia – outra instituiçãosocial. O processo de construção de uma suposta democraciaracial, formada pela miscigenação, acabou por despolitizar osgrupos de minorias - étnicas ou não –, sendo assim, estratégia de controle político na luta de classes pela igualdade demobilidade social e respeito às diferenças. Dizer que o Brasil éo país da democracia racial é, no mínimo, alimentar o racismo e a desigualdade, camuflando-os.
  10. 10. Fim

×