População em situação de rua

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Tema apresentado e discutido no canal teórico da Residência de Medicina de Família e Comunidade do Hospital Santa Casa de Misericórdia de Vitória (parceria com a EMESCAM e Prefeitura de Vitória)

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População em situação de rua

  1. 1. Residência de Medicina de Família e Comunidade PMV / SEMUS Vitória EMESCAM / HSCMV 2016
  2. 2. POPULAÇÃO EM SITUAÇÃO DE RUA BIANCA LAZARINI FORREQUE 2016
  3. 3. CASO CLÍNICO J.R., 60 anos, negro, natural de Vitória. 1º grau completo. Em situação de rua há mais de 20 anos. Queixa-se de aparecimento de lesões eritemato- descamativas em braços e pernas há cerca de 3 semanas. Teme que seja câncer. Acredita que sua dependência alcoólica esteja causando tudo isso.
  4. 4. Lesão dermatológica
  5. 5. CASO CLÍNICO Começou a beber aos 35 anos, depois da morte de seu filho, que era envolvido com tráfico de drogas. O alcoolismo o levou ao divórcio da esposa e a sair de casa. Hoje tem residência fixa no território, mas passa a maior parte do tempo nas ruas, inclusive dorme nelas vários dias. Demonstra sentimento de culpa, arrependido de suas escolhas passadas.
  6. 6. CASO CLÍNICO Não sabe quantificar o consumo alcoólico. Bebe todos os dias: cerveja, cachaça, entre outros. É tabagista, cerca de 1 maço/dia. Nega uso de outras drogas. Sua renda advém de bicos: conserta produtos eletrônicos.
  7. 7. População em Situação de Rua Homem dorme na Av. Paulista
  8. 8. POPULAÇÃO EM SITUAÇÃO DE RUA “Existem as pessoas que ficam na rua, que estão na rua e que são da rua.” - Vieira, Bezerra e Rosa (1994) População de rua absoluta x população de rua relativa. - ONU
  9. 9. ““ QUEM SÃO? “Grupo populacional heterogêneo, caracterizado por sua condição de pobreza extrema, pela interrupção ou fragilidade dos vínculos familiares e pela falta de moradia convencional regular. São pessoas compelidas a habitar logradouros públicos (ruas, praças, cemitérios, etc), áreas degradadas (galpões e prédios abandonados, ruínas, etc) e, ocasionalmente, utilizar abrigos e albergues para pernoitar.” - Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome
  10. 10. QUEM SÃO? População heterogênea Múltiplas morbidades (dependências químicas, doenças infectocontagiosas e transtornos mentais) Mortalidade precoce
  11. 11. QUEM SÃO? Imigrantes recentes que vêm de outras cidades em busca de emprego ou tratamento; Vítimas de desastres (desabamentos, incêndios, inundações); Vítimas de violência e perseguição extrema, como os dependentes químicos expulsos pelos traficantes de suas casas e bairros; Mulheres que sofrem violência doméstica e são acolhidas em equipamentos da assistência social; Os que vivem em acomodações temporárias (albergues noturnos, abrigos de tempo integral); Ocupantes de áreas de moradia degradadas.
  12. 12. QUEM SÃO? Egressos de instituições de longa permanência; Pessoas que dormem nas ruas sob marquises, viadutos, pontes; Viajantes chamados de “trecheiros”, que rodam em busca de emprego ou acomodações provisórias; Pessoas com transtornos mentais graves em abandono; Pessoas com dependência química levando à perda dos vínculos familiares e de emprego Perda da capacidade de trabalho por desemprego ou doenças;
  13. 13. Quem são? Relacionam-se entre si e com os espaços públicos, formando uma “comunidade” à parte.
  14. 14. QUEM SÃO? Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. 2007 Estudo realizado em 71 municípios (23 capitais + 48 municípios com população igual ou superior a 300mil habitantes) no Brasil.
  15. 15. QUEM SÃO? Média de 0,061% da população em situação de rua; Predominantemente masculina (82%); 39,1% se declararam pardos; 52,6% recebe entre R$20 e R$80 semanais; Mais de 48% não concluíram o 1º grau; Quase 49% estão há mais de 2 anos nesta situação; A maioria (79,6%) consegue fazer pelo menos 1 refeição ao dia. Cerca de 19% não consegue se alimentar todos os dias.
  16. 16. DO QUE SOFREM? Doenças dermatológicas dos pés; Escabiose, pediculose, impetigo, infecções por tinea, celulites, abscessos, verrugas, acne rosácea, dermatites, erupções eczematosas, xerose, prurido e miíases. Doenças infectoparasitárias: DSTs, parasitoses, doenças infecciosas respiratórias (pneumonia e tuberculose).
  17. 17. DO QUE SOFREM? Problemas de saúde bucal; Violências de uma forma geral Agressões físicas; Atropelamentos. Sequelas limitantes!
  18. 18. DO QUE SOFREM? Maior prevalência: dependência química (drogas lícitas e ilícitas) Importante dividir o acompanhamento com outros ramos da medicina, psicologia e assistência social.
  19. 19. POR QUE MORAM NA RUA? Diversos fatores motivadores: Estruturais; Biográficos; Desastres de massa e/ou naturais. Pelo estudo do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome: 35,5% Alcoolismo e/ou drogas; 29,8% Desemprego 29,1% Desavenças com pai/mãe/irmãos
  20. 20. COMO ATENDÊ-LOS? Visita Domiciliar X Abordagem de Rua Locais insalubres; Difícil acesso; Inseguros; Pouca ou nenhuma privacidade; Excesso de barulho ambiental.
  21. 21. COMO ATENDÊ-LOS? Não deixar de atentar: Condições gerais da pessoa; Onde se encontra; Nível de consciência; Sob efeito de drogas? Estado de higiene; Presença de feridas ou próteses; Sinais e sintomas aparentes; Se tem pertences consigo.
  22. 22. COMO ATENDÊ-LOS? Perguntar sobre o seu percurso; Onde costuma dormir? De onde veio? Tem família na cidade? Onde faz sua higiene? Onde se alimenta? Frequenta os equipamentos da prefeitura? Oferecer sempre o endereço da US – por escrito, se possível, e informar sobre os serviços disponíveis.
  23. 23. A SEGURANÇA DA EQUIPE CUIDADOS MÍNIMOS NO TRABALHO EXTERNO Usar camisa ou jaleco com o logotipo da instituição, sem escondê-lo; Roteiros previamente determinados; qualquer modificação deve ser comunicada; Retirar adornos de valor ou que atraiam atenção; Evitar utilizar bolsas próprias – usar equipamentos disponíveis pela secretaria de saúde; Pedir licença ao entrar no “território” da pessoa;
  24. 24. A SEGURANÇA DA EQUIPE CUIDADOS MÍNIMOS NO TRABALHO EXTERNO Apresentar-se, dizer onde trabalha e o objetivo da conversa; Observar se há “cães-de-guarda”; Qualquer situação anormal deve ser prontamente comunicada a toda a equipe; Em casos de violência, agir da forma mais tranquila possível – não tentar resistir a furtos; Evitar atuar quando houver ação da PM ou Guarda Municipal;
  25. 25. A SEGURANÇA DA EQUIPE CUIDADOS MÍNIMOS NO TRABALHO EXTERNO Cada profissional deve ter em sua prancheta os telefones celulares dos demais profissionais da US, da defesa civil, dos bombeiros, da central de polícia, SAMU... Nenhum profissional deve retornar aos locais de atendimento de maneira isolada – sem conhecimento e permissão do coordenador de equipe; Perguntar se pode retornar.
  26. 26. ““ POR QUE FAZER CONSULTÓRIO DE RUA? Desigualdes injustas. “A sociedade brasileira convive hoje com uma avançada construção legal que assegura o bem- estar da população por meio de políticas inclusivas e universais, ao lado de uma institucionalidade precária que não garante o acesso ou a utilização de serviços de qualidade na medida das necessidades da cidadania.” - Fleury, 2011
  27. 27. Desigualdades Injustas Essas pessoas, com diferentes condições sócio-econômicas – teriam as mesmas condições de acesso ao sistema de saúde?
  28. 28. POR QUE FAZER CONSULTÓRIO DE RUA? Desde o século XIX estudos já demonstram forte relação existente entre as condições sociais em que as pessoas vivem e sua saúde. 1976 – Assembleia da OMS – compromisso em alcançar “Saúde para todos no ano 2000”. 1977 – Conferência de Alma-ata – assume que a estratégia de APS é o melhor caminho para isso.
  29. 29. ““ POR QUE FAZER CONSULTÓRIO DE RUA? 1988 – Constituição brasileira de 1988 “(...) a saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação.”
  30. 30. ““ POR QUE FAZER CONSULTÓRIO DE RUA? 1988 – Lei que regulamenta o funcionamento do SUS “O dever do Estado de garantir a saúde consiste na formulação e execução de políticas econômicas e sociais que visem à redução de riscos de doenças e outros agravos e no estabelecimento de condições que assegurem acesso universal e igualitário às ações e aos serviços para a sua promoção, proteção e recuperação.”
  31. 31. ““ POR QUE FAZER CONSULTÓRIO DE RUA? 1988 – Lei que regulamenta o funcionamento do SUS “O dever do Estado de garantir a saúde consiste na formulação e execução de políticas econômicas e sociais que visem à redução de riscos de doenças e outros agravos e no estabelecimento de condições que assegurem acesso universal e igualitário às ações e aos serviços para a sua promoção, proteção e recuperação.”
  32. 32. POR QUE FAZER CONSULTÓRIO DE RUA? 1994 – PSF Programa Saúde da Família – estratégia da APS do SUS. Aliado a Esbarra na forma itinerante de viver das pessoas em situação de rua. Diversas Discriminações
  33. 33. “ “ DISCRIMINAÇÕES SOCIAIS Diversos estudos demonstram evidências de iniquidades na saúde: “Evidências apontam que as chances de utilização dos serviços de saúde estão fortemente associadas a variáveis sócio- econômicas, tais como raça, anos de estudo, ocupação, acesso a serviços públicos.” - Neri & Soares, 2002
  34. 34. DISCRIMINAÇÕES SOCIAIS Mulheres que se identificavam como pretas ou pardas... ...tiveram menos acesso a exames de Papani- colau. (Amorim, Barros, Cesar, Carandina & Goldbaum, 2006) ...tiveram menos acesso à assistência ao pré- parto e ao parto; ...tiveram menos acesso à escolha e aos serviços de qualidade; ...receberam menos anestesia durante o parto. (Leal, Gama & Cunha, 2005)
  35. 35. DISCRIMINAÇÕES SOCIAIS Generalizações imprecisas da população em situação de rua: Alienados; Drogados; Violentos; Antissociais; “Indignos” de apoio ou investimentos.
  36. 36. POR QUE FAZER CONSULTÓRIO DE RUA? OMS : para superar essas barreiras, a criação de novos modelos assistenciais diferenciados em prestação de cuidados em saúde é necessária. Belo Horizonte 2002 Primeira equipe de Estratégia da Saúde da Família para população em situação de rua do Brasil Porto Alegre 2004 Segunda equipe de Estratégia da Saúde da Família para população em situação de rua do Brasil
  37. 37. POR QUE FAZER CONSULTÓRIO DE RUA? Porque se trata de uma população com particularidades que demanda uma organização dos processos de trabalho que crie portas de acesso específicas, que promova a equidade do acesso: ampliando a justiça social. Desafio futuro: envolver as pessoas desabrigadas como participantes e responsáveis pelos seus cuidados de saúde e retomando-as como cidadãs, estimulando a inclusão social e autonomia das pessoas.
  38. 38. Realidade na Rede de Vitória CONSULTÓRIO DE RUA Existe essa modalidade, mas é limitada aos seguintes profissionais: 1. Enfermeiro 2. Assistente social 3. Psicólogo clínico 4. Auxiliar de enfermagem
  39. 39. “““Ausência sistemática, mas potencialmente remediável, de diferenças em um ou mais aspectos do estado de saúde, sejam elas sociais, demográficas ou geográficas às populações ou aos subgrupos da população.” Barbara Starfield e seu conceito de equidade em saúde.
  40. 40. Referências CONSULTÓRIO DE RUA 1. GUSSO, G.; LOPES, J. M. C. Tratado de medicina de família e comunidade: princípios, formação e prática. Porto Alegre: Artmed, 2012. Vol 1, 469-474. 2. FLEURY, S. Desigualdades injustas: o contradireito à saúde. Psicologia e Sociedade, 2011; 23 (n. spe.), 45-52. 3. Prefeitura de Vitória – SEMUS. Nota Técnica: Códigos internos para registro na rede bem estar de procedimentos realizados pelos profissionais que atuam no Consultório de Rua. Vitória, 2016. 4. MACKENBACH, J.P.; STIRBU, I.; ROSKAM, A.R.; SCHAAP, M.M.; et al. Socioeconomic inequalities in health in 22 european countries. N Engl J Med 2008; 358:2468-81
  41. 41. Obrigada pela atenção!

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