quarta parte

1.015 visualizações

Publicada em

Publicada em: Educação, Tecnologia, Espiritual
0 comentários
0 gostaram
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

  • Seja a primeira pessoa a gostar disto

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
1.015
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
3
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
23
Comentários
0
Gostaram
0
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

quarta parte

  1. 1. ELLEN:Mais tarde naquela manhã mesmo."Então, como está o namorado?" Sandra me pergunta.Eu estou descansando encostada no meu carro, com o meu roteiro na mão.Ainda temos um pouco de tempo até a leitura começar, então Sandra e eutomamos a decisão de só sair da calma do estacionamento para enfrentar umasala cheia de gente intrometida, somente na hora certa. Eu sei que assim queentrarmos lá, irão fazer perguntas como:"O que você fez no hiato de verão?"Minha resposta: "tive sonhos pornôs com o meu có-estrela, tanto que eu estavapensando seriamente em ir a uma reunião de viciados em sexo anônimos”.Daí a minha relutância em ir para lá.Mas, você não tem que realmente ter sexo, para ser considerado um viciadoem sexo? O que eu era. Na ocasião. Com Christopher! Quando ele me pedia.Mas e se eu lhe disser que um tempo, eu realmente fechei os olhos (vocêsabe), e imaginei .... Não, não quero ouvir sobre isso. Eu não quero lembrarque eu fiz isso! Só que, bem, eu sei que eu fiz. E o que exatamente issosignifica? Eu não quero nem pensar nisto.Por que Sandra tinha chegado aqui tão cedo, não tenho idéia. Por que eu tinhachegado aqui meia hora antes da reunião? Vamos apenas dizer que nãoconsegui dormir depois daquele sonho."Oh, você sabe, a mesma coisa de sempre." Eu respondi, enquanto olhavapara o meu script.A verdade é que as coisas estavam ... tipo enfadonhas. Não era como se ascoisas sempre tinham sido super emocionantes. Nosso amor nunca foi comorelâmpagos chovendo, uma espécie de paraíso, etc. Era mais como duaspessoas que cresceram no mesmo lugar, conheciam as mesmas pessoas,realmente se compreendiam um ao outro.Foi mais uma descoberta mútua de gostos e desgostos. Tínhamos sido amigospor uns bons seis meses antes de começar a sair. Apenas parecia natural queas coisas se transformassem em algo mais. Quer dizer, eu realmente não tinhaficado atraída por ele no início. Ao contrário de algumas outras pessoas que eunão vou mencionar. Ou até mesmo pensar. Os sonhos não significam nada.Só que talvez eu estivesse loucamente atraída pelo meu có-estrela. O que eujá sabia. Mas o que não faz qualquer diferença, porque em um pique de raiva,eu tinha dito a esta pessoa que ele nunca ia me ver de novo, como umamaneira de falar.
  2. 2. "Não vai ser Ellen nunca mais. Da próxima vez que você me vir, eu sereiMeredith. E toda vez após isto. "Exceto bem ... o que isso realmente significa ser Meredith agora? Meredithsentiu-se traída. Eu me senti traída. Derek tinha convenientemente esquecidode dizer a Meredith sobre Addison. Patrick não tinha escolhido dizer-metambém. Na vida real, eles não tinham nada a ver um com o outro, mas aomesmo tempo eles tinham. Tanto Patrick e Derek eram casados. Ambos iriamcontinuar casados. Por que eu estou pensando mesmo sobre isso?Então, o que isso realmente significa é que estou na merda. Você conhece estapessoa, Meredith? Meu alter ego? Bom, não há nada a modificar a esterespeito. Claro, eu não sou uma médica. Eu não estou dormindo com o meuchefe. Eu não tinha uma mãe com Alzheimer. Eu não ficava noites abastecidapor grandes quantidades de álcool. Mas do jeito que eu respondia a algumassituações? Seus maneirismos, suas emoções, sua reação? Todos eram meus.Por que não percebi isso antes? Paddy tentou me dizer."Eu acho que Meredith é você."Ele havia dito aquelas palavras exatas para mim quando estávamos ensaiandopara o terceiro episódio da segunda temporada. Ele havia dito que eu era suapequena garota da Nova Inglaterra, que eu era mandona, ele disse até que ....até que meus cabelos cheiravam bem."Eu apenas tento pensar se eu fosse esse cara, o que eu faria. Quais sãominhas motivações? Como eu iria reagir a isto?”Eu tinha levado essas palavras a sério. Eu tinha tentado fazer issonaturalmente, pensar em como eu reagiria se eu fosse Meredith. Talvez eutivesse conseguido fazer isso inteiramente muito bem."O que significa isso?" Sandra pergunta distraidamente enquanto marca algono texto com uma caneta marca-texto."Oh, você sabe um casal comum." Eu respondo vagamente. O que eu estavarealmente querendo dizer com isso? Chris, que recentemente tinha começadoa tornar-se tão grudento, que eu ficava realmente feliz por estar de volta aotrabalho? Talvez ele só precisasse de um emprego de verdade. E então eupercebo o que eu disse a Sandra. "Oh, me desculpe, eu não estava pensando."“Está tudo bem." Ela responde com um suspiro. Ela e o marido haviam seseparado no início do ano. Sandra tinha pensado que ia ser temporário, masele estava voltando a ser tudo, menos isso. Talvez essa fosse a razão para asua chegada antecipada."Então você está pronto para um pouco de pornô?" Eu pergunto com umarisadinha. Exceto que a meio caminho da minha risadinha, eu percebo que eupreciso de um pouco de pornô na minha vida.
  3. 3. "Será de onde é que eles tiram estas ideias?" Sandra prontamente responde, eacrescenta: "Se eu fosse a esposa do homem, eu diria que ele estava indopara o mundo de dor, se continuasse a assistir essa merda"."Eu sei!" Eu concordo. Embora eu não precise estar assistindo na televisão. Eutenho meu próprio sistema de replay em minha consciência.Estou prestes a fazer mais um comentário, mas eu sou distraída pelo carro queestá chegando no estacionamento. É Patrick ... só que não em algum tipo decarro prata vintage. Não é o Cadillac. Era algo mais velho e com mais curvas,com espaço apenas o suficiente para caber duas pessoas. Com assentos decouro vermelho. Com algum tipo de ornamento animal na frente. Um gatogrande. Uma onça-pintada.E não é apenas o carro que chama a minha atenção. É ... Patrick. Ele está comum visual ... diferente. Ele parece ... quente. O usual boné de beisebol estáfaltando, seu cabelo está perfeito, e há mesmo o indício de uma barba. Mas omelhor são os óculos de sol. Quem em nome de Deus fez esses óculos? Elessão ... do tipo europeu ... muito estrela."Não deixe as moscas entrarem”, Sandra comentou, ao mesmo tempo em queeu percebo que minha mandíbula está pendurada em algum lugar perto demeus tornozelos, de tanto que minha boca está aberta.Ele desliza o carro em um local diretamente na nossa diagonal pára, e desligao motor, de modo que eu tenho uma visão perfeita de seu corpo, quando ele selevanta para fora do carro e joga as pernas para o lado. Ele está usando umacamisa azul escura e calças jeans muito bonitas. Ouso dizer que ele está como olhar de Derek?Eu engulo em seco. Falo sério. Duas vezes. Ele vê Sandra e eu ali quase queimediatamente. Mas ele sorri? Será que ele vai fazer uma saudação? Tirar osóculos de sol? Não, ele não faz. Ele só abre seus lábios em um soberbosorriso. Um que me faz lembrar mais o neurocirurgião super sexy, do que meuPaddy. Ou pelo menos o Paddy que eu achava que conhecia.Por que ele não se aproxima, é uma surpresa para mim, que eu não consigodescrever adequadamente até agora para você como me senti. Num minuto euestou em pé lá esperando ele passar, e no momento seguinte eu sou viradapara trás por ele, e quando dou por mim estou na posição horizontal. Mesmoatravés das lentes escuras de seus óculos eu posso ver seus olhos brilhandopara mim.Ele me dá um firme, mas rápido, beijo em meus lábios, e diz: "Senti a suafalta".No próximo segundo estou virada para trás na posição vertical, mas com umaestabilidade menor. Ele me dá um último sorriso, pisca para Sandra, e segueem frente, fanfarrão por todo o caminho.Nem uma palavra é dita por uns bons trinta segundos.
  4. 4. Meu olhar ainda está na agora-porta fechada que Patrick atravessou quandoSandra pergunta, "O que foi?"Só que eu não posso responder a ela. Porque eu tenho um pressentimento. Eque cresce de um pressentimento para uma suspeita. A suspeita que me dizque eu possa ter criado um monstro.PATRICK:Ela está com as mesmas roupas que usava na última vez que filmamos juntos,mas de alguma maneira ela parece diferente. A mesma camisa azul escura eos mesmos olhos verdes penetrantes. Aqueles olhos que eu perdi. Na terra deGrey eles ainda não estão se beijando, mas o Derek na minha cabeça, sentefalta dela. E é isso que vou alegar para ela, quando ela vier me matar, porcausa desse beijo que eu dei nela. Eu não sei por que fiz isso. Eu devo terperdido minha cabeça por um segundo lá. Eu senti muito a falta dela.Eu sei que ela iria exigir o porquê de eu ter feito isto. Eu vi isso na forma comoos seus olhos tinham crescido de tamanho em seu rosto, quando eu tinhatorcido o seu pequeno corpo em direção ao chão. Ela havia sido surpreendida.Eu não sei porquê. Ela havia dito que eu tinha que ser Derek. Eu estava sendoDerek. Tudo bem, o Derek antes de Addison aparecer, mas ela disse que eupoderia ser isso também. Eu tinha o cabelo. Eu tinha as roupas. Eu tive aatitude. Eu mesmo tive a minha Meredith.Eu esperava que ela risse ou mordesse a minha cabeça, mas ela não tinhafeito nada. Porém, eu também não tinha exatamente dado a ela temposuficiente para responder o que quer que fosse. Melhor deixá-la querendo.Além disso, eu quase tinha me atrasado para a leitura, que, na verdade, nuncaaconteceu. Em vez disso, os produtores nos surpreenderam com uma festa deboas vindas de volta. E no tempo todo que nós ficamos ali, conversando nocafé da manhã temático, ela atirava punhais para mim com seus olhos,enquanto ela conversava secretamente com Sandra.A Meredith que estava até agora disparando adagas estava sentada agora, nacadeira de maquiagem. Mas isso era uma parte do script, de modo que estavabem. Meredith devia estar louca de raiva de mim. Eu não havia assinado ospapéis do divórcio. Eu era um homem indeciso. O que era exatamente o queeu tinha que escolher, eu não tinha idéia, mas é o que diz o script, de modoque é o que eu estava fazendo.O artista maquiador termina seu trabalho e Meredith se aproxima para se juntara mim na frente da entrada falsa para sua casa. Eles tinham construído estacoisa toda, e eu tinha que dizer que fiquei impressionado. Ela só não tinha amesma sensação da casa de Seattle-LA, a casa onde tínhamos compartilhadonosso primeiro beijo. Mas nada teria a mesma sensação do que o lugar ondealgo tão maravilhoso tinha acontecido.
  5. 5. Ela se junta a mim, em sua marca ao meu lado, e meu casaco deve esfregarcontra o dela, porque ela vira a cabeça para me enviar um brilho metálico.Seguro uma risada dentro de mim. Ela é uma gracinha quando ela está loucade raiva. Ok, eu tenho que ficar sério aqui. Eu ainda não assinei os papéis dodivórcio. Ela está louca de raiva. Estamos na casa dela. Onde ela estarádizendo-me que saia. Luz, câmera, ação."Não quero ter essa conversa de novo." Ela fala enquanto se movimenta emdireção a porta da frente.Eu a sigo e chamo-lhe com o suplicante, "Meredith...".Ela, porém, simplesmente me ignora. Ela balança a porta de tela na minha carae finge que vai destrancar a porta. "Não assinou os papéis do divórcio.Tudo bem. . Fim de papo". Diz com um pequeno vestígio de desgosto. Paramim. Sua voz é baixa, é ela balança a cabeça da mesma forma que faz quandoestá com raiva. Eu chamo isso de efeito Boston. Ellen riu quando eu lhe disseisso. Meredith não está nem um pouquinho perto de rir."Meredith...” Eu digo novamente, um pouco mais melancolicamente. Umapequena parte de mim está me pedindo para dizer um nome diferente. Eu asilencio com uma agitação mental."O que?" Ela pergunta um pouco mais vigorosa do que eu estou preparado.Eu paro e gaguejo, "Oh. Normalmente digo ‘Meredith’ e aí você gritacomigo. Nunca pensei além desse ponto."Se for possível seus olhos ficam ainda maiores, e eu estou com sorte que nãohá grandes objetos afiados perto dela. Eu sei qual é a minha fala seguinte, e eusei o que vai acontecer a seguir, mas tenho de dizer de qualquer maneira. "Naverdade não tinha nada planejado".A bolsa vem para cima de mim como eu sabia que ela viria, mas estousurpreso com a força que, ilusoriamente, está escondida nos braços esguios.
  6. 6. "Ai! O que é isso? Ei. Pára!" Eu não acredito como uma bolsa, anteriormentebenigna, se torna um objeto capaz de ferir gravemente o braço. Eu quase corripara sair pela porta para fugir daquele braço. E então ela me bate de novo!“auuu”"Sério?! Sério!" Ela grita de sua porta, mais eriçada do que nunca. E euacredito nela. Estou com medo. E então a câmera se apaga.Eu acho que ficou perfeito. A raiva, a traição, a descrença: tudo está lá. Se eufosse o diretor, gostaria de manter a cena do jeito que estava e seguir emfrente. Mas eu não sou. Então nós a fazemos novamente. Repetidamente comdiferentes modos de entrada, arremesso de chaves diferentes, e ela mebatendo ainda mais. Muitas e muitas bolsadas. Esta é a Meredith, eu pensocomigo mesmo. Ellen nunca me atingiu desse jeito. Exceto por um dia em queela tinha me chutado na canela. Mas eu merecia isso. Sério, amanhã eu estariacom contusões.Ellen realmente se foi. Antes de a cena ser feita, eu poderia normalmentedetectar um pouco da minha Elly à espreita em algum lugar por trás daquelesolhos, mas agora não. Hoje, ela é Meredith. Estou triste com o pensamento deque ela tenha seguido com seu plano, mas isso talvez fosse melhor, ao mesmotempo. Bem, exceto pelo breve momento, quando ela passa por mim, saindodo set e sussurra o suficiente para eu ouvir: "Isso foi por causa do beijo nafrente de Sandra." Ela coloca sua bolsa/arma de pugilista de volta em seuombro e sorri maldosamente . Se eu tinha dúvidas quanto ao que ela estavafalando, elas tinham acabado.No dia seguinte ...ELLEN:Estúpido, doente, homem. Pensando que ele poderia se sair bem com essamerda. Ele teve sorte que eu só bati com a bolsa! O quê? Ele pensava que erarazoável se fingir de Derek que eu iria deixá-lo me beijar, ou algo assim? E nafrente de Sandra! Não é como se Meredith e Derek iriam realmente partilhar asaliva. Será que ele pensa que eu sou estúpida ou algo assim? Ele chega a meperturbar em meus sonhos. Bem, eu acho que o sonho realmente não foi culpadele, mas eu vou culpá-lo por isso também. Se ele não estivesse ... dentrodele, então eu não estaria tendo esse problema. Sim, é totalmente culpa dele.Ele está agora mesmo encostado com sua bunda sexy na estação deenfermeiros naquele uniforme cirúrgico maldito que faz sobressair a cor deseus olhos. Pergunto-me se o departamento de adereços faz isso de coisapensada. Fazer com que legiões de mulheres sonhem com um homem quenão poderiam ter? Ok, exatamente o que estou dizendo a mim mesma aqui? Oque não elas não podem ter? Isso era problema de Jill, não meu. Maldição.Isso é estúpido. Eu só preciso ir lá e falar com ele. Somos colegas de trabalho,devemos ser capazes de conversar um com o outro.
  7. 7. Eu chego timidamente a poucos metros de distância dele ao longo da estaçãode enfermeiros, percebendo que esta pode ser a primeira vez que me dirigia aele diretamente, desde que chegamos de volta do hiato. Ele está escrevendoalgo em um pedaço de papel. "O que você está fazendo?" Perguntocautelosamente.Sem olhar para cima, e continuando a escrever, ele responde "Pedindo umafolga do serviço”.“Hein?”"Alguma pequena lady me bateu com a bolsa tão forte na noite passada, queeu acho que minhas habilidades cirúrgicas podem ser dificultadas hoje"."Bem, se algumas pessoas pararem de brincar com a cabeça de uma certamulher, ela pode não sentir necessidade de tomar medidas com suas própriasmãos." Eu espondi."Talvez alguém precisa apenas de um pouco de tempo para descobrirexatamente o que ele está fazendo. Talvez ele está apenas tentando fazer oque uma certa pessoa pediu-lhe para fazer, mas está tendo problemas reaispara fazer este trabalho”. Ele se justifica.Ok, espera, agora fiquei confusa. Estamos falando sobre a assinatura dospapéis do divórcio, ou sobre o beijo, ou sobre ele sempre conversar comigocomo se fosse Derek?"Talvez uma certa pessoa esteja apenas tentando proteger-se." Saiu da minhaboca, antes mesmo de eu perceber o que eu tinha dito.Isso chamou sua atenção! Curiosos olhos azuis folheiam o meu rosto,procurando por algo. Eu nem sei o quê.O que ele iria me dizer de volta, eu não tenho nenhuma idéia.E eu nunca teria a chance de descobrir porque um assistente chega até nós ediz: "Estamos prontos quando vocês estiverem".
  8. 8. É evidente que de repente, a cena foi criada em torno de nós: os extras estãoem seus lugares, o camera man está pronto para agir, e só nós não estamosprontos. Ele quebra o meu olhar e caminha para o seu local designado. Eleparece pensativo. Eu só posso imaginar o que ele deve estar pensando.Eu ando para o meu pequeno X no chão e penso em Meredith. Eu souMeredith. O X marca meu lugar. O local onde Meredith e eu colidimos. Éassustador quando eu começo a falar como ela."Meredith"."Sua esposa está te procurando"."Oh, meu Deus, isso é difícil para mim Meredith.""Deixa eu simplificar. Não serei aquela mulher. A que destrói umcasamento ou que implora para que me queira. Pode assinar ou não ospapéis. A escolha é sua. De todo jeito, no que diz respeito a essa relação,estou fora. Agora onde está esse paciente com quem devo te ajudar? ""Lá." Ele sussurra e aponta um lugar no corredor.E no dia depois disto ...PATRICK:"Olha, fui casado por 11 anos." Eu digo em voz alta para mim. Ela sai muitofraca, porém. Ah, e por favor, passe o açúcar. Não, isso não está certo. Trata-se de onze anos aqui. Isso é muito tempo. Tente novamente.“Olha, fui casADO por anos." Eu digo tentando alongar as vogais paraadicionar algum significado."Addison é a minha família." Uma voz familiar me interrompe inesperadamenteda porta. Eu salto um pouco, mas depois relaxo quando eu reconheço a voz."Essa é a minha fala." Digo com um sorriso suave para deixá-la saber que ela ébem-vinda.Bem, este é o trailer dela também. Não que eu a tenha visto por ali nos últimosdois dias. Bem, não que eu tenha sido muito mais em mim. Mas velhos hábitossão difíceis de quebrar. Nós tínhamos praticado nossas falas aqui o tempotodo. Eu não tinha que estar aqui esta tarde, então ela provavelmente nãoestava esperando que eu estivesse aqui, mas estou tendo um momento difícilcom esta cena. Eu não sei porque, ela só não vem. É só ... ela simplesmentenão parece gostar de mim. Quero dizer, não soa como Derek."Eu não tenho nenhuma fala. Você acabou de gritar comigo, e eu revirei meusolhos para você." Ela comentou da porta. Eu observo que ela já está em seuuniforme cirúrgico e jaleco. Ela deve estar no intervalo. Ela não diminui a
  9. 9. distância da porta, quase como se ela estivesse pedindo a minha permissãopara entrar."Talvez você, que está revirando o olho para mim, poderia me ajudar comisso." Digo com um suspiro e olho para o preto minúsculo das letrasdatilografadas. Elas poderiam muito bem estar em chinês."O que parece ser o problema?" Ela pergunta quando ela finalmente sai daporta de entrada e vem se juntar a mim na mesa. Eu não respondoimediatamente. Acabei de vê-la subir para o seu lado da mesa. Seu lado.Quando fiz isso exatamente tornar-se seu lado?Nós sempre conversávamos sobre as nossas cenas, quando algum de nóstinha alguma dificuldade, era como se encarnássemos os personagens paraentendê-los e ficar mais fácil a atuação."Onze anos." É o que eu digo.Ela se encosta contra o lado do trailer e desloca suas pernas para sua frente.Ela sempre faz este ritual quando está dentro do trailer. Eu nunca me cansavade ver ela fazendo isso. Em seguida, ela tirou os tênis um por um. Então, elapuxa as pernas contra os joelhos e embrulha seus pequenos braços em tornodeles. Eu juro, isto nunca fica velho. É só quando ela finalmente se inclina devolta contra os caixilhos de janela que ela se vira para mim e diz: "Mhmm?""Mhmm?" Eu respondo em espécie, depois de ter esquecido completamente oque eu tinha acabado de dizer a ela."Onze anos?" Ela pergunta com um sorriso ligeiro."Oh, sim." Eu respondo. Humm ... como posso explicar isso? "É só isso ... onzeanos é muito tempo, certo?""Certo"."Mas então ela o traiu ... Quero dizer, me traiu?" Eu digo, habilmente tentandoencobrir minha gafe."Mhmm." Ela concorda com apenas uma palavra."Com o meu melhor amigo"."Sim"."Esse tipo de coisa nega a palavra ‘família’, você não acha?""Acho que sim.""Você acha que sim?"Ela simplesmente encolhe os ombros.
  10. 10. "E eu ainda estou hesitando em assinar os papéis. Estou ficando zangado comMeredith me pressionando para assiná-los. ""Sim". Ela concorda novamente.Mas eu tenho que perguntar: "Por quê?""Por quê?" Ela repete."Mhmm." Respondo com a mesma falta de palavras."Você não está zangado comigo." Ela responde de forma inesperada."Vamos de novo?"Ela começa a responder, mas decide, então, se levantar e colocar os sapatosde volta. O que eu disse? É só depois que ela desliza o primeiro que elaresponde: "Você está com raiva de si mesmo. Você não está zangado comigo,você está com raiva de si mesmo."Pequenas coisas começam a clicar em meu cérebro. Coisas como chutes naminha canela e objetos muito grandes usados como dispositivos de contusões.E o que ela falou ontem? Algo sobre como proteger a si mesma? Eu tinhavagas impressões de que algo importante havia sido dito, mas depois tinhapensado que ela falando como Meredith. Agora, eu não tinha tanta certeza. "Eeu estou com raiva de mim mesmo, por que?" Pergunto com muito cuidado."Porque você fez este compromisso com esta outra pessoa. Onze anos decompromisso. Bem, acho que os onze anos, não são importantes, mas vocêsabe o que eu quero dizer. Um compromisso que, obviamente, não significanada para a outra pessoa porque ela te enganou”. Ela responde sabiamente.Eu não consigo tirar meus olhos dela. Estamos definitivamente não falandosobre Meredith e Derek aqui.Seus sapatos estão calçados, ela está em pé ao lado da mesa, mas aindaassim ela não vai embora. "Eu não acho que isso não significa nada para ela.""Sim, bem, isso não vem ao caso agora, não é? Porque você está escolhendoela.""Eu estou". Eu digo lentamente.Ela me dá um meio-sorriso e então sai. Eu assisto a sua saída, com pequenospassos, até sua forma desaparecer por trás da porta fechada do trailer. Elaprovavelmente tinha ficado aqui pouco mais que cinco minutos, mas muitascoisas ficaram mais claras. Eu sei que o meu problema era: Eu estavapensando sobre isso como Patrick. Como Patrick, eu nunca queria ter de voltauma mulher que me traiu. Ele era um anátema para mim. Eu apenas nãopoderia fazer isso. Mas, como Derek, eu faria. Eu iria ter de volta uma mulher
  11. 11. que havia traído o nosso casamento da forma mais hedionda, e eu me odiavapor isso.E dois dias depois ...ELLEN:Um homem pequeno com um terno especialmente decorado senta-se ao ladode uma cama falsa, cantando um ritual real do Hmong. A paciente é uma atrizque está fingindo ser do povo Hmong e, consequentemente, precisa deencontrar a sua alma antes que ela possa fazer uma cirurgia para salvar suavida. Seus pais falsos ficam ao lado de sua cama, em um falso hospital, comseus médicos falsos (Derek e eu) de pé atrás de uma janela falsa. E aindaassim eu sinto, que de uma forma estranha, que eu talvez possa me encontrarnovamente.Eu sou Meredith.Palavras tão simples e tão difíceis de aceitar. Patrick está ao meu lado em seuuniforme cirúrgico azul escuro e jaleco. Como indicado, ele olha para a frente,para o que está acontecendo dentro do quarto da paciente. Temos estado aquicom os nossos ombros quase se tocando por um bom tempo. Quase, mas nãocompletamente. Nossos personagens olham para a frente. Eu olho para afrente. Eu estou no momento. A câmera captura isto. O tempo passa.A cena é cortada e a câmera se apaga. Algo não está certo. Eles querem que oShaman chegue mais para perto da cama. Eles querem mudar o ângulo dacâmera. Um milhão de coisas diferentes. E ainda assim, as coisaspermanecem as mesmas. Ficamos olhando pela janela durante tanto tempo,que o desejo de mudança foi dissipado. Talvez eu não queira mudar. Talvez euqueira ser Meredith um pouco mais.Quando eu o tinha encontrado lutando no trailer, lutando para ser Derek,algumas coisas tinham clicado no lugar. Ele estava se esforçando para ser algoque eu disse a ele que tinha que ser. Para mim. Lutando para ser alguém queficaria de novo com sua esposa depois que ela o traiu, após onze anos decasamento. Patrick nunca faria algo assim. Patrick passou por traições nocasamento anterior. Ele não queria ser essa pessoa. Ele não poderia ser essapessoa.
  12. 12. Então o que isso dizia sobre mim? Por que eu estava tendo sonhos pornôscom o meu có-estrela? Porque eu estava tão brava com ele, porque ele estavafazendo o que eu lhe pedi para fazer? Bem, ele ainda tinha que reprimiralgumas bordas, e eu tinha que deixá-lo saber disto, mas essa realmente nãoera a verdadeira questão. Ele me disse que ele estava lutando. Lutando paraser Derek.Foi só no momento em que ele me perguntou por que Derek estava gritandocom Meredith, que eu tinha percebido a fonte da minha própria raiva. Eu nãoestava brava com ele. Eu estava com raiva de mim mesma. Louca com asituação em que eu mesma nos coloquei dentro Não que ele não tivesse culpa,ele tinha, mas porque eu tinha sido a única a pedir-lhe para me beijar. Sintoraiva de mim mesma por não ter visto os sinais. Eu estava louca de raiva demim mesma por me permitir ter estes sentimentos. Mas, principalmente ...louca de raiva porque ele tinha um alter-ego para se esconder atrás.Eu queria perguntar por que ele me beijou. Eu queria lhe perguntar se elerealmente errou. Mas eu não posso. Não seria justo. Não seria justo com ele enão seria justo comigo. Ele não ia me escolher. Ele nunca iria me escolher. Eletinha tomado a decisão há muito tempo atrás, quando ele colocou o anel nodedo de Jill. Patrick nunca poderia ter Addison de volta porque Patrick nuncapoderia ter de volta alguém que o enganou. Claramente, ele nunca seria comoAddison. Eu entendia isso. Eu o admirava por isso.Na próxima semana eu faria uma cena em que eu implorava para ele meescolher. Para escolher a mim. Para me amar. Eu estava indo fazer algo queera tão difícil para mim, eu tinha lutado contra aquilo toda a minha vida. Inferno,eu ainda estava lutando contra isso. Mas como eu fiquei aqui, assistindo a umritual de cura para ter de volta uma alma, eu encontro conforto na mesma. Paratoda a minha confusão, o meu questionamento, e sim, minha raiva, eu estavatentando separar as duas partes de mim. Como Ellen, eu provavelmente nuncairia dizer isso em voz alta. Bem, eu pensava assim. Ah, eu pensava assim, tudobem.Eu sou Meredith. As palavras se instalam em minha alma, e eu as aceito. Eusou Meredith. Palavras tão simples e tão difíceis de dizer. Eu sou Meredith.Uma inquietação que estava correndo por mim desde que esta confusão todacomeçou relaxa e desaparece. Eu sou Meredith. Escolha-me. Me ame.
  13. 13. PATRICK:Então, o que dizer sobre mim?"Nós estamos acabando?" Pergunto, em tom cortante à esteticista que foidesignada para arrumar o meu cabelo, há mais de uma hora. Jill nunca levatanto tempo. Se eu não soubesse o quão difícil era arrumá-los, eu pensaria quea mulher estava apenas brincando com ele."Oh, sim senhor." Ela responde com um pequeno tremor em sua voz. Eu seique estou sendo um idiota. Ela é apenas uma moça de cabelo loiro que pareceter acabado de sair da escola. Eles tinham uma casa cheia hoje, e eu tinha meoferecido para permitir que as mulheres tivessem mais experiência, mas agoraeu estava impaciente.Deus, eu estava em um desânimo. Eu só não sei como explicar isso de outromodo. Ela tira a toalha protetora de cima da minha roupa e eu pulo fora dobanco. Eu olho no espelho atrás de mim para verificar se o meu cabelo nãoestava parecido com uma lambida de vaca, mas realmente parece muito bom.Eu estou com a minha barba por fazer, o que é, aliás, minha marca registrada.O cabelo parece bom. Hora de ir.Eu deveria dizer adeus ou algo assim, mas eu não faço. Não estou compaciência hoje. Eu não sei o que está errado comigo. Normalmente, eu soumuito paciente e um cara flertador. Eu escuto histórias da vida doscabeleireiros, faço-lhes perguntas e, geralmente, tento ser tão charmoso
  14. 14. quanto possível. Não hoje. Hoje, estou ruminando alguma coisa. Ruminando oquê, porém?_____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________Eu sei que tem algo a ver com o trabalho. O trabalho estava sendo deprimente.Eu tinha que ser o cara que está lá e não diz nada, enquanto uma mulherderrama seu coração para mim. Me escolhe, me escolhe, me ame? Comohomem, eu me sinto lisonjeado, mas como um ser humano, sinto as palavrasno fundo da minha alma. Especialmente porque eu sabia que não ia escolherela. Nós dois sabíamos. Que eu tinha que ser o cara que estava sentado emuma cadeira estúpida a noite toda, congelado na minha indecisão, o que mefaz querer entrar no meu carro de corrida e correr em torno da pista, em altavelocidade. Qualquer merda que não o "se o amor fosse o suficiente" e chorarem elevadores, e eu estava pronto para ferir alguém!Eu já estou com a calça jeans e camisa branca abotoada, que o figurinista medeu, mas eu ainda preciso encontrar um casaco preto que me caiba bem.Todos os homens vão estar vestindo casacos. Algo sobre a composição doambiente. Eu vou ao departamento de guarda-roupa e pego o primeiro que euvejo no gancho. Eu tiro o plástico do cabide e ele cai quando a capa é liberada,e salta em outra direção."Está com alguma agressão reprimida aqui, Dempsey?" Isaiah diz atrás demim.Eu me viro e dou-lhe meu sorriso de menino que não fez nada de errado. Eunão tenho sido um ator por vinte e tantos anos, para nada, não é? Vamosapenas dizer que temos uma relação interessante. Nós dois experimentamospara ver quem seria Derek Shepherd. Menino, isto teria sido interessante:Minha pequena Elly com Dr. Burke? Com o namorado, às vezes mepergunto.... Mas não, não vou pensar nisso. O pensamento de Chris me dá umgosto ruim na boca. Normalmente eu apenas finjo que ele simplesmente nãoexiste de qualquer maneira. Porque no mundo do Derek Shepherd, ele nãoexiste._______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
  15. 15. "Deve ser um cabide com defeito." Eu digo, oh, tão inocente, o tempo todo,sabendo que foi a minha raiva que o tinha enviado ao chão da pequena sala.Ele apenas grunhi e pede: "Dê-me um desses aí, vai?"Claro que ele está falando sobre uma das jaquetas, mas precisa pedir assim?Não. Eu simplesmente ignoro seus maus modos. Ele é apenas um daquelescaras que tem um daqueles egos excessivamente inflados. Ele funciona muitobem para o personagem de Burke, mas agora eu não sei como lidar com ele.Eu lanço o casaco, ele pega, por isso me dirijo para a saída.Mas Jim Pickens está na porta. Ele já tem o seu casaco com uma camisavermelha brilhante. Ele ainda usa o botão de cima desabotoado feito umcafetão. Eu amo Jim Pickens. "Veja isto, você está bonito, Jim". Eu digo dandoum tapinha no ombro dele no meu caminho para fora.Ele pisca para mim como o jogador que eu sei que ele costumava ser, e mediz: "Não tão ruim, Shep".Ele me chama de Shep. O pensamento fica repercutindo em minha mentecomo uma bola de pino solto, enquanto eu caminho pelo corredor e entro noestúdio aberto criado para a sessão de fotos. Todo o elenco de Greys estásendo fotografado para uma emissora de televisão, e a foto vai ser publicadana Entertainment Weekly que sai em setembro. É uma grande honra, eestávamos todos animados sobre isto.Mas quando eu entro pela porta, por pouco eu dou gemidos no set-up. Umquarto de hospital. Oh, que adequado. Uma grande mesa de exames está nomeio, com várias cadeiras e equipamentos definidos aleatoriamente. Há atéuma cadeira de rodas! Não é como se eu não passasse o dia todo, todos osdias, durante três semanas em um falso hospital. Mas eu engulo. Isto é umahonra. Tenho que lidar com isso.Mas há uma grande animação hoje. Eu não tenho que choramingar, ficarindeciso, não escolher a mulher que é o seu sopro de ar fresco , e ela não temque ser a não escolhida. Eu já disse que vai ser mais um retratocomemorativo. Ellen e eu somos o casal que as pessoas estão em sintonia.Ninguém sabe de nossa separação ainda, exceto as pessoas no set. Nãocolocando-nos juntos nas fotos seria mais um indício de que havia algo errado,do que qualquer coisa que qualquer um poderia dizer. Então nós iríamos posarjuntos. Romanticamente. O neurocirurgião confiante sexy, o homem que seperde a beijar, que paquera, que rola na cama. O homem que sabe que,quando voltarmos para o set, vai ter que "trabalhar" o seu casamento. Hoje eutenho uma pausa. Hoje eu vou ser ... eu.E o que eu vejo no set me faz sorrir. Todos os internos já estão no set ebrincando. Katie tem um vestido cor de rosa apertado, Sandra está com umconjunto tomara-que-cai bege, e os dois meninos, jeans e jaquetas. Justin temuma camisa azul de colarinho por baixo do casaco, o que espelha o meu estiloe o de James, mas TR, olé, tinha de ser diferente. Seu casaco é de uma cor
  16. 16. selvagem que se assemelha a musgo fresco. Katie está sentada na cadeira derodas, enquanto os caras estão atrás da mesa de exame.Mas não é de qualquer um deles eu dou notícia. Nem mesmo o selvagemvermelho da gargantilha de Sandra pode distrair-me da visão da beleza que éMeredith. Ellen, eu quero dizer. Quando Katie parece rosa e borbulhante eSandra afável, Ellen está ... bem, Ellen está de tirar o fôlego. Ela se senta aolado de Sandra sobre a mesa de exames.O cabelo dela está penteado em cachos soltos pendurados e caindo pelosseus ombros. Sua maquiagem foi feita para chamar a atenção para os seusolhos de gato. O vestido de veludo azul trava em seus ombros. Parece tãosuave que me faz querer estender a mão e tocá-lo. Eu não vou nem falar sobreas panturrilhas bem torneadas que estão por baixo e por fim os delicadossapatos dela."Mhmm." Uma voz pequena que só pode ser de Chandra murmura atrás demim. É esse tipo de Mhmm que só as mães negras parecem ser capazes dedizer. Ele significa: "Eu sei o que você está fazendo, garoto." Significa que euestava parado na porta por muito tempo, com a boca aberta."E você está encantadora." Digo a ela quando eu me viro para falar com ela. Eeu quero dizer isso. Ela está linda e elegante em um terno todo preto com calçacombinando. Bem, exceto por alguns pingentes de prata que estão penduradostodos para baixo na sua frente, que estavam um pouco ridículos, mas por outrolado, adorável."Mhmm." É tudo o que ela diz de novo, quando passou por mim, mas depois riquando fica mais longe. Eu fui pego com a boca na botija. Por que outra razãoestaríamos aqui de qualquer maneira se não fosse para nos divertirmos umpouco? Tínhamos uma das séries de maior sucesso da televisão. Estávamossendo fotografados para a Entertainment Weekly. Minha Elly estavadeslumbrante em um vestido azul de meia-noite. Sim, a vida era boa.***ELLEN:Ai Jesus. Hoje vai ser um daqueles dias, não é? Potentes olhos azuis olhampara mim, e me capturam. Nem mesmo Chandra andando para frente e sesentando em um banquinho pequeno e encantador, pôde distrair-me do olharquase selvagem em seus olhos. Posso também dizer que ele fica maravilhosode smoking? Quando eu o encaro, parece ser o sinal para ele andar para afrente. A vibração dos meus companheiros de elenco desaparece, enquanto euo assisto vir pelo caminho balançando os quadris com confiança. Ele puxa ospunhos das mangas para baixo, mas tudo me mantém trancada em seu olhar.O que ele teria feito se tivesse chegado perto de mim, eu não tenho nenhumaidéia, pois uma muito mandona mulher de meia-idade com cabelos longos,loiros ondulados, chega subitamente na sala e grita, “Parem todos!"E, engraçado, é o que fazemos. Patrick pára a meio passo. Todas as
  17. 17. conversas param. Mesmo James e Isaiah param do outro lado da porta. Eusilenciosamente sorrio para Patrick e seus olhos brilham para mim. Masnenhum de nós se move."Ok, nós temos um monte de gente, então eu preciso que vocês não se movame apenas prestem atenção!" Ela diz com um sotaque definitivamente europeu.Todo mundo faz o que ela diz. Todos nós nos encontramos ainda naexpectativa de que ela quer que façamos. Ela olha ao redor para os muitoshabitantes da sala, coloca suas mãos em oração sob o queixo, e depois dealguns instantes, ela começa a ordenar-nos coisas como, "Katie, sim? Vocêfica lá. Basta lembrar de manter as pernas cruzadas, tá bom? "Katie imediatamente cruza as pernas e senta-se um pouco mais reta. Afotógrafa, então, olha entre Sandra e eu, e diz: "Eu planejo tirar esta foto comosendo uma introdução de sua série. Há esta cortina de hospital e, em seguida,voilá, um sapato sexy vermelho. Isso é o que a série mostra, não é? Sexo emtodo o hospital?" Ela diz isso com um gesto de seu braço como se não fosseinteresse dela.Não posso deixar de sorrir. Patrick compartilha da piada e sorri comigo. Minhaatenção está de volta para a fotógrafa, porém, quando ela aponta para mim,aponta para Patrick, e então ordena, “Quentes amantes que colocam fogo natela, vão até lá."Sua mão aponta para um lugar à minha esquerda (sua direita), e eu salto parafora da mesa de exame a seguir. Minhas pernas estão um pouco inseguras porcausa dos saltos dos sapatos. Eles estão me fazendo sentir como se euestivesse me equilibrando sobre pinos. Patrick dá-me o braço como ocavalheiro que é. Eu pego, e vamos para o canto.“Quente asiática chique, você deita em cima da mesa." São as próximasordens da fotógrafa. As mulheres estão na frente mostrando suas penas(palavras dela, não minhas) e os homens ficam por trás apoiando.Acho que preciso de um pouco de apoio agora. Meus saltos podem serprecários, mas acho que minha sanidade pode ser o que está mais em perigo.Pois quando eu deslizo minha mão em torno do cotovelo de Patrick, é como seum pedaço de eletricidade viajasse entre nós. Algo que havia acontecido antes,eu tenho certeza, mas eu não tinha conhecimento de seu significado. Eu seique ele também sente. O brilho em seus olhos diz que sim. E ele não deixar ir.Não, enquanto todos os outros vão para seus lugares, ele mantém a minhamão segura em seu lado. E é só quando prestamos atenção de volta àfotógrafa, que eu percebo que o cotovelo era a menor das minhaspreocupações.Simone, que é o nome dela, ergue-se friamente na nossa frente, olhandoatentamente as nossas posições. Um braço vem repousar sobre o outro e elaacaricia o queixo no pensamento. Patrick e eu esperamos por sua edição comum conforto divertido. E então ela sorri. Oh, ela sorri, tudo bem. Um sorrisomaligno."Vocês dois estão ambos muito tensos. Muito separados. Amantes supõem-se
  18. 18. estar mais perto um do outro. Você o olha como ele estivesse te conduzindo aum baile de debutantes. Você (Patrick), você tem mostrar a ela o quanto vocêgosta dela."Patrick tira seu braço do meu e o desliza para minha cintura. Ele puxa-meapertado em seu quadril, e eu oscilo um pouco em meus sapatos. Eu aindadevo estar fazendo algo errado, porque ela se vira para mim e diz: "Você vê,ele entendeu. Mas você ainda está resistindo a ele. Você deve se inclinar paraele, você deve abraçá-lo".Enquanto ela está dizendo isso, ela vira o meu corpo no dele. Ele aperta aindamais seu abraço, e eu tenho que agarrar o seu ombro para ficar de pé. Ametade da frente do meu corpo encontra-se contra todo o seu lado e formiga.Eu quero afastá-lo. Eu quero colocar tanta diferença entre o formigamento eeu, mas algo me impede. Todos os incorretos, todos aqueles sentimentos queeu estava lutando contra ... ... me impedem. Eles dizem que isso é o que vocêestá sendo paga para fazer. Eles dizem para eu relaxar. Então, eu faço isso.Eu sinto meus ombros, tão tensos, desenhando e relaxando contra a mão deapoio. Os músculos em minha parte traseira me deixam ir, correndo o meucorpo para a frente contra o seu descanso. Minha perna direitainvoluntariamente sobe para dar maior contato entre a minha perna e a dele.Simone bate palmas com alegria e corre para trás da câmera novamente.Patrick se inclina e sussurra em meu ouvido: "E agora belezinha, o que vocêacha que está fazendo?"Eu estou de frente para ele, sorrindo de orelha a orelha. "O que eu tenho dito."Respondo. E isso é tudo que ele vai conseguir em resposta. E ele sabe disso.A câmera começa a clicar. Martini e taças de champanhe são introduzidos eainda ficamos onde estamos. Meus pés começam a doer, mas ele me mantémapertada a ele. Seus lábios estão a poucos centímetros do meu, mas eu nãome importo. Eu sorrio para a câmera. Eu relaxo.
  19. 19. ***PATRICK:Oh Deus, o que ela está fazendo? O resto do elenco foi enviado para casa,Ellen trocou sua roupa e colocou um vestido de colante vermelho que nãodeixa muito à imaginação, e eu estou querendo saber exatamente onde eutenho me metido. Eu tinha me esquecido, oh, eu tinha me esquecido, sério, oque era segurá-la nos meus braços."Certo." Simone diz com sua afetação. "Antes era a dança. Este é o momentoonde vocês se deslocam juntos. Levante-a, garoto amante".Nós dois em pé no meio do estúdio. A mesa de exame que Sandra estavadeitada atrás de Ellen. Onde eu deveria colocá-la. Meus já excessivamentebraços sensibilizados formigam quando eu a levanto rapidamente para cima e,em seguida, dou um passo para trás. Eu só passei uma boa hora, se não mais,com ela firmemente pressionada contra o meu lado. Persistência não era umaboa idéia. Ela ri para mim com os olhos. Ela faz outra coisa com os olhostambém, mas eu acho melhor ignorar isso. Mas uma parte de mim não. Umaparte de mim aprecia isto. Uma parte de mim quer mais.Eu deixo cair as minhas mãos ao meu lado na expectativa de saber o que vouser convidado para fazer. Meus pés estão apertados dentro dos sapatos. Eu sóquero rasgá-los fora. O algodão preto da minha camisa já está sensível e a
  20. 20. minha pele está formigando. Um assistente enrolou suas mangas. Eu sou gratopelo ar frio na minha pele exposta.Simone pára de remexer sua câmera para olhar para nós. "Patrick, vocêacabou de fazer o que parece natural." Ela diz. Oh, ela aprendeu o meu nome,não foi?Tudo bem, aqui vai, eu acho que é melhor eu seguir em frente e tentar decidir oque vou fazer com as minhas mãos. Ela está sentada em cima da mesa comas mãos atrás dela e se inclinando para trás. Seu sorriso diz que ela está sedivertindo com o meu comportamento. O corpo dela diz para eu ir buscá-la.Então, eu vou.Eu a alcanço por trás e puxo seu corpo pela cintura. A seda de seu vestidodesliza por baixo de meus dedos. Mas ela está muito longe. Eu dou um levepuxão nela novamente, de modo que seu corpo inteiro está pressionado contrao meu. Eu gostava disso. Ela inclina-se, com a mão descansando levementesobre meu peito. Minha mão se estende para ficar em sua perna. Eu gostavadisso também. Eu posso sentir a rigidez de sua coluna embaixo do meu braço.As pontas de seus seios contra a minha camisa. A câmera clica na distância.***ELLEN:O último clique da câmera ressoa na sala, enquanto os assistentes correm pararecolher todos os filmes. A fotógrafa está vendo o produto acabado em umatela maior. Eu diria que eu estou relaxada, mas isso seria uma mentira. Estoulonge disso. A mão no meu quadril está quente. Minha perna exposta sentefrio, exceto nos lugares onde está o aquecedor gigante, que é lado ondePatrick está pressionado contra mim. Eu não vou nem falar sobre o todo o restodele que está pressionado junto de mim.Meu cabelo pode ter sido enfeitado e meu vestido trocado e disposto emdobras lisonjeiras, mas esses não foram os toques que eu senti. Não é o toqueque eu sinto agora. A fotógrafa está reunindo todos os seus materiais em umaconversa animada, e eu deveria afastar-me. Patrick deveria ter se afastado. Sóque ele não faz isso. Nem eu.Simone e sua assistente saem, a porta bate por trás delas. A sala de repenteparece cavernosa. Um lugar só recentemente preenchido com ruído e luz e doclique da câmera, só que agora leva o som da nossa respiração gêmea. Elemove sua cabeça para que seus lábios descansem em um fio de cabelo acimada minha orelha. Eu não o impedi. A mão na minha coxa começa a subir.Minha respiração fica presa. Ele pára o movimento.
  21. 21. Alguns minutos passam, durante todo o tempo eu sinto sua respiraçãosuperficial sobre a minha orelha. Sua mão fica onde está, mas ele me perguntaalgo que eu não estou de modo algum preparada para responder."O que você acha que teria acontecido se eu tivesse escolhido você?" Elepergunta em voz baixa.Primeiro, eu fico chocada. Eu não tenho idéia do que dizer. Mas, então, umponto branco quente de raiva sobe em meu peito, e eu o afasto. Eu pulo forada mesa, quando rios de raiva rolam através de cada parte de meu corpo."Bem, nós nunca vamos descobrir agora, não é?" Eu digo e vou em direção àporta.***********Eu coloquei minha chave na porta mais tarde naquela noite, e eu sinto minhasmãos tremerem. Agitam tanto que deixo cair minhas chaves no chão, com umbarulho das peças metálicas moldadas. Eu me inclino para pegá-las, masminha mente não está naquilo. Não consigo pegá-las na primeira tentativa.Será que estou bêbada ou algo assim? Eu posso fazer isso. Eu posso pegar asminhas malditas chaves! Eu posso sentir as lágrimas nos meus olhos pingandoquando eu prendo a minha respiração e penosamente me abaixo para recolheras chaves. Desta vez, eu consigo. Mas eu não as vejo. Eu estou bêbada. Estoubêbada de sensação e mãos e emoções.
  22. 22. "O que você acha que teria acontecido se eu tivesse escolhido você?"Por que diabos ele tinha que dizer isso? Eu puxo a chave de casa longe dasoutras e a seguro com cuidado. A chave entra na fechadura e permanece lá.Viro-a lentamente para a esquerda e ouço o clique da fechadura. Eu dou umafungadinha com o alívio.A porta se abre silenciosamente para uma casa tranquila. É tarde. É muito maistarde do que eu mesmo estava ciente. Chris tinha deixado a luz frontal e apequena lâmpada na cozinha acesas, mas tudo estava escuro. Assim comocostuma fazer. Quando ele tinha começado a fazer isso? Esta se tornou aminha vida ultimamente: sair da casa antes que o sol tivesse nascido, paraentrar na maquiagem, e chegando em casa muito tempo depois que ele haviase posto."O que você acha que teria acontecido se eu tivesse escolhido você?"Será que ele acha que eu não fiz a mim mesma esta mesma pergunta o tempotodo? Bem, talvez não em voz alta. Não nos momentos de lucidez. Mas emmomentos como hoje, quando estávamos tão perto um do outro, que era difícilnão se perguntar. O que teria acontecido se aquela cena de quarto natemporada passada não tivesse sido a última? O que teria acontecido se aesposa não tivesse aparecido?"Bem, nós nunca vamos descobrir isso agora, não é?"Por que eu disse isso? Porque eu reajo assim? É melhor não se perguntarperguntas que você não quer a resposta à pergunta, Ellen. Eu viajo pelocorredor até a cozinha e abro a geladeira. Sorrio para o pequeno pedaço depapel dobrado ao meio, com apenas um maiúsculo E escrito no topo. Eu viro opapel para cima e leio:Saudades,CEu sorrio e alcanço a caixa que está em cima da geladeira. Está certo, elehavia saído com os rapazes hoje à noite. Ele deve ter trazido algo para mim navolta do restaurante. Eu desembrulho o saco de plástico da caixa e a abro.Bolo de queijo.Bolo de queijo costumava ser uma das minhas sobremesas favoritas. Visõesde Meredith pedindo para Derek escolhê-la vai, para sempre estar, associado abolo de queijo. Eu não posso comê-lo. Eu simplesmente não posso. Coloco atampa de volta, envolvo-o no plástico e o coloco de volta na geladeira. Eudeixo o bilhetinho onde ele estava anteriormente, como se eu nunca o tivessevisto. Posso dizer que eu nunca vi.Eu ando furtivamente até meu quarto, com cuidado para não fazer qualquerbarulho. Eu duvido que irei acordá-lo de qualquer maneira. Eu posso ouvir obaixo ritmo constante de seu ronco vindo do corredor. Quando ele começaassim, nada menos do que uma bomba atômica vai acordá-lo. Eu ainda,cuidadosamente, giro a maçaneta da minha porta, para não fazer barulho. Eu
  23. 23. estou tão cansada que nem sequer tiro a minha roupa completamente. Ossapatos e as calças sim, mas todo o resto permanece. Minha bolsa fica caídana cadeira mais próxima."O que você acha que teria acontecido se eu tivesse escolhido você?"A cama é quente e o acolchoado é confortável, mas eu levo muito tempo paradormir. Estou assombrada por suas palavras. Estou assombrada pelasensação de suas mãos. Eu viro e reviro na cama, para escapar da sensaçãodelas em meus quadris. Eu acordei várias vezes com a memória delasespalmadas nas minhas costas. As minhas mãos que ficaram em seus ombrose que descansaram tão friamente contra seu peito, não vão encontrar um lugarde descanso no meu travesseiro. Mas, principalmente, estou assombrada porminhas próprias palavras."Bem, nós nunca vamos descobrir isso agora, não é?"Pois quando eu o tinha deixado assim, de repente, o meu único pensamento foichegar o mais longe dele possível. Como ele ousava dizer isso para mim?!Quem ele pensava que era?! Quem ele pensava que eu era?! Mas algo tinhame parado. No momento em que o meu pé tinha pisado para fora daquelaporta, algo me fez olhar para trás.Ele não tinha se movido. Ele ficou congelado no lugar em que eu o tinhaempurrado; polegadas de onde ele tinha me levantado. Eu não podia ver seurosto. Estava muito longe. Mas isso não importava. Ele não tinha se movido eele estava olhando para suas mãos. Ele olhava para aquelas mãos que haviamfeito muitas coisas maravilhosas em mim o dia todo. Ele estava segurando-asna frente dele como se ele nunca as tinha visto antes. Ele estava olhando paraelas como se fossem estrangeiras para ele de alguma forma. E então eusoube. Ele não estava me perguntando nada. Ele estava perguntando a simesmo.PATRICK:Ok, estou sendo o maldito Derek. Quer dizer, eu sabia que estava indo meferrar depois de toda aquela coisa ela é minha esposa’, mas eu não percebique a minha interação com Meredith estava literalmente fora do radar. Nóstrabalhamos no mesmo hospital. Eu calculei que haveria algum embaraço. Masnão, estas são algumas das poucas interações que tive com ela:1. Eu estou brigando com Addie quando saio do elevador e continuo discutindocom ela pelos corredores do hospital, a mesma mulher que me traiu com meumelhor amigo. Eu ainda não entendi essa coisa toda de escolher a esposa.2. Eu começo a perguntar a Meredith se podemos conversar. Ela nem sequerme responde. Suas amigas a levam embora e dizem não, e é isso. E eu tenhoque ficar assim? Patrick zomba isso.3. Percebo todos embaraçados quando vou à galeria para assistir a umacirurgia e ela está lá. Quando eu tomei esta decisão sobre a escolha da
  24. 24. esposa, não estava pensando sobre o fato de que nós trabalhamos no mesmohospital?4. E a parte da resistência. Eu consigo vê-la preenchendo uma papelada,quando Bailey me diz para "ir embora e deixar ela se recuperar”. Alguém jáouviu falar de oclusão?5. Oh, espere. Esqueci sobre ela ter gritado comigo. Para ser justo,aparentemente, em apareci em sua vista, no final de um discurso retórico sobreum paciente grávido. Ela se sentiu bem.6. E agora, como uma maneira maravilhosa de terminar a minha semana, eutenho que fingir que estou em aconselhamento matrimonial.Jill não estava exatamente feliz com meu horário de trabalho, e não pareciaque iria melhorar em breve, assim que Derek poderia muito bem ser eu na vidareal. Não que ela não estivesse sendo paciente com tudo. Mas eu vi as costasda camisola demasiadas vezes no mês passado, para saber que ela se sentiamenosprezada. Talvez eu possa levá-la para sair este fim de semana. Masentão teríamos que encontrar uma babá para T e o prazo é curto. Ela está indopara NY na próxima semana para alguma coisa da Avon e eu vou estar emSeattle no outro final de semana. E depois tem o Emmy. Hum.Eu estou, agora, em uma cadeira retrô hippie, supondo estar trabalhando ocasamento com minha outra ‘esposa’. Oh, alegria."O que você precisa para fazer esse casamento dar certo?" O terapeutapergunta.Não ser um casamento onde minha mulher vai acabar se enroscando com omeu melhor amigo."Preciso que ela se mude para Seattle." Derek diz."Isso é exa…." Addison começa, mas é interrompida pelo terapeuta."Addison, o que você precisa?"Por que é que Addison precisa de alguma coisa? O terapeuta não foi informadode toda a coisa sobre a traição?"Que ele pare de falar com a Meredith”.“É o meu... trabalho com ela”.Você quer que eu largue meus pacientes e me mude para cá? Tudo bem!Eu quero que desista da sua namorada." Addison contra-ataca."Eu desisti da minha namorada. Me pediu pra te aceitar de volta. Fiz isso.Mas em Seattle”. Derek diz.O episódio passado não foi sobre isso tudo? Toda aquela coisa de eu escolher
  25. 25. a esposa? Se eu me mudar para Nova York, então eu estaria fora do show, porisso é bastante óbvio onde isso vai dar.O resto da conversa foi apenas uma chatice. Derek falava alguma coisa,Addison retrucava. Não tenho que trabalhar muito duro para fingir que sei comoter uma briga conjugal.Deus, eu sinto falta de Ellen. E essa é a dificuldade real. Se nós não temosnenhuma cena juntos ou cenas em que nenhuma ou praticamente nenhumapalavra é trocada, então não temos que ensaiar juntos. Não há longas tardesno trailer praticando nossas falas. Não há as conversas de lado entre astomadas.Não que haveria de qualquer maneira. Ellen tem deixado isso muito claro. Euperdi Ellen muito antes de eu voltar para a esposa. Ela apareceu como umamiragem no deserto, na sessão de fotos na semana passada e olha o que tinhaacontecido então.Isso não significa que eu ainda não podia perdê-la. Não era precisamente aatração física. Eu sinto falta da camaradagem, da amizade. A maneira que eu afazia rir como ninguém podia. O jeito como ela não leva desaforo de ninguém,especialmente, não de mim. A forma como ela firmemente abaixa meu ego, umdegrau de cada vez, com brincadeiras sobre o topete do meu cabelo ou comoos produtos químicos afetam meu cérebro.Bem, isso foi antes. Agora estou casado em ambas as frentes. Agora eucomeço a ser o imbecil que esmagou o seu coração em pedaços pequenos. Ascoisas estão melhores desse jeito. Isso não significa que eu não posso sentirfalta dela. E eu sinto falta dela. Sinto falta das suas risadinhas; sinto falta deseu sorriso, sinto a falta dela. Como eu disse, estou sendo o maldito Derek.ELLEN:Tudo bem, eu sinto falta de Patrick. Ok, eu disse que tudo bem? Eu sei que soaestúpido, sabendo que tudo é minha culpa. Mas eu simplesmente não possoremediar isso. Eu sou como um maldito camelo que há muito, muito tempo nãoencontra água para beber. O que eu tenho que beber, não tenho idéia, masbem ... hum, bem, eu só tinha um pensamento ruim. Essa era uma idéiarealmente muito ruim. Não pense sobre isso. O que eu estava dizendo é que ...merda, eu estava prestes a comparar Patrick com um oásis, não estava? *suspiros *Não é como se nós não tivéssemos que trabalhar no mesmo local todos osdias. Só que ele está, bem, fazendo aquela coisa de ‘trabalhar seu casamento’acho, e eu estou presa sendo patética, com o coração partido e esta merdatoda.Não que eu não tenha tido algum divertimento no trabalho. Deixe-me dizer-lhe,um cara grávido? Hilário. Eu não sabia que havia tantas coisas que você
  26. 26. poderia fazer com uma barriga protética. Quando a câmera não estava rolando,Shane (o ator Joe), esfregava a barriga sugestivamente e dizia coisas como:"Só um homem real pode engravidar" ou fingir ser Buda e dizer "Essa falsabarriga pode lhe dar sorte”. Rachava de rir. Todos os outros também. Eu quasefiz xixi nas calças. Juro.Mas algo estava faltando. Na temporada passada, Patrick teria ficado conosco.Ele teria provocado o cara, encorajando-o a novos patamares de bobagem, oucontando piadas de sua autoria. Sinto falta dele. Eu sinto falta da amizade quecompartilhamos. Porque merdas estúpidas sempre têm que atravessar ocaminho dos relacionamentos?Pelo menos esta semana nós conseguimos passar pelo menos um dia filmandocenas juntos. Todas as nossas discussões da semana passada tinhamacontecido através de outras pessoas. Acho que tive de falar talvez umas 10palavras a ele, e metade delas eu tinha gritado. Não que eu não culpe Meredithpor isso. Ele merece isso, mas eu sou a única que está sofrendo. Bem, ela estádefinitivamente em demasiado sofrimento ... é que .. bem ... caramba, eu nãosei o que estou dizendo.Hoje nós estamos filmando uma série de cenas de elevador que eu chamo dasérie de "diminuir as pessoas".Esta manhã fizemos uma cena com um elevador cheio de gente. Ele tinhaficado, naturalmente, no fundo do elevador, com cerca de uma dúzia depessoas entre nós. Não houve um diálogo direto. Mas tivemos que olhar umpara o outro. Grande coisa.Em seguida, na próxima cena, eu estava no elevador com George e Derekentra e diz um par de coisas sem noção ("Gosto do esparadrapo por sinal. Bemrosa. Bem alegre", que merda é essa?), Mas não digo nada de volta.Na próxima cena, Derek realmente disse algo significativo para mim ("Vocêpoderia ao menos admitir que eu existo."), mas Addison entra no elevadorantes que eu possa dizer qualquer coisa. De modo que, em cada cena, temcada vez menos pessoas dentro do elevador.Até esta. A cena que estamos prestes a filmar é provavelmente o maispróximos em que ficaremos por um tempo. Eu não vi o roteiro do próximoepisódio, porém, isso nunca se sabe. Sou eu e ele no elevador. Sozinhos pelaprimeira vez, nem eu poderia dizer quanto tempo. Ninguém vai nosinterromper, ninguém fica no nosso caminho. Ele já está dentro dele, então euespero do lado de fora a porta do elevador se abrir.A porta do elevador falso se abre, e lá está ele em toda a sua glória no seuuniforme cirúrgico azul. Seus braços estão cruzados e ele se inclina na derrotacontra o outro lado do elevador. Um momento de fraqueza? Estouaparentemente interrompendo um momento reflexivo. Estica a cabeça quandoeu entro no elevador. Ele me olha, cansado. Eu fico de costas para ele.Eu não tenho idéia do que ele está fazendo atrás de mim, mas eu deixei uma
  27. 27. quantidade de silêncio constrangedor, tanto quanto posso, antes de dizer o querealmente está em meu coração. "Eu sinto sua falta." Quatro pequenaspalavras escritas para Meredith, mas poderia ser dita para qualquer uma denós, Meredith ou Ellen.Eu sei que ele devia vir atrás de mim. Eu posso ouvi-lo movendo-se atrás demim. Eu tenho que olhar tudo com abandono, então eu olho para a frente efinjo que sou patética. Isto não é muito difícil de fazer. Eu, Ellen, sou patética.Tenho saudades do meu amigo por causa de alguma necessidade estúpida deme proteger de sentimentos que, ambos sabemos, não podem ir a nenhumlugar. Somos adultos. Podemos ser amigos. Não podemos?Os minutos passam e Patrick anda atrás de mim; os pêlos na parte de trás daminha cabeça ficam arrepiados em atenção. Ele está atrás de mim, fazendoDeus sabe o que (basta olhar para mim? Seus olhos estão fechados? O que?),E eu só tenho que ficar ali. Se eu me mover para trás uma polegada, nós nostocaríamos. Eu o sinto mais próximo, o que é minha sugestão para elevar meusombros. Ele sussurra: "Não posso" em meu ouvido, e as palavras seespalham como um vento em meu pescoço e orelha. E então ele se foi.Nós filmamos a cena várias vezes. Patrick tenta diferentes áreas do elevador,tentamos diferentes comprimentos de distância entre nós, mas a primeirafilmagem acaba por ser a melhor. Ele anda atrás de mim tantas vezes que euperco a conta. Eu digo que eu sinto falta dele muitas vezes, o queprovavelmente é apenas metade de um milhão de vezes menos do que eusinto falta de Patrick.Estamos quase acabando, o diretor chama para gravar a cena uma última vez,quando, naquele momento de silêncio demorado, eu viro a cabeça e digodiretamente a ele. Eu olho em seus olhos. Eu digo a ele. Ele olha para mimcom aqueles olhos que bem poderiam ser uma janela para a alma. Nós jáimprovisamos antes, mas posso dizer que isto o surpreende. Eu me surpreendi.Dirijo-me de volta ao meu lugar no elevador rapidamente antes que ele possadizer que realmente fui eu, Ellen, quem disse aquelas palavras.Ele fica atrás de mim novamente, tão perto, que eu sinto sua respiração nomeu pescoço. A única coisa que posso fazer é fechar meus olhos e esperar elefalar comigo. Meus os ombros sobem, ele sussurra a frase novamente e destavez eu sinto um formigamento desde meu pescoço até os dedos do meu pé. Aporta do elevador se fecha, e eu estou sozinha novamente.Quando a porta se abre novamente, ele está desaparecido. Ele deve ter quefilmar uma outra cena. Temos muito a fazer antes da viagem para Seattle etodas as interrupções do Emmy. Mas eu sinto a sua falta o tempo todo.Eu vou para o trailer e tomo um banho. Neste momento, a noite caiu. Ainda éinício de setembro, assim os dias são quentes. Mas esta noite eu posso sentirum frio leve no ar. Eu coloco minha bolsa em meu ombro, preparando-me paraa longa viagem para casa e, em seguida, meu telefone emite um sinal. Não otoque de uma chamada telefônica, mas sim o rápido bip de uma mensagem detexto.
  28. 28. Eu pego o telefone da minha bolsa e clico para abri-lo.Para: MeredithDe: DerekEu sinto sua falta também.Eu sorrio todo o caminho de volta para casa.
  29. 29. *************Eu posso ouvi-lo murmurando seu boa noite para Jill e T, em sua poltrona atrásde mim. O baixo tom da sua voz viaja até mim. Sua voz é baixa e melodiosa equase me coloca para dormir. Eu não posso ouvir as palavras exatas, mas osignificado é claro: boa noite e não deixe os insetos te picarem na cama. Ele éum pai tão bom. Que outro pai gastaria seu tempo para ligar para a filha nahora de dormir, mesmo que ele já tenha tido um dia estafante de trabalho eagora ainda estava voando para outra cidade, por três dias para fazer umtrabalho em Seattle? Eu sorrio apenas escutando seus sussurros de boa noite.Eu estou tão confortável, deitada em meu próprio assento especial, em umpequeno avião a jato alugado. Eu tirei meu tênis, e coloquei algumasalmofadas atrás da minha cabeça, e estou tentando pegar no sono. As luzesestão apagadas em toda a cabine, com a luz do teto ocasionalmente irradiandopara baixo. Na poltrona da outra fileira do meu lado, Justin já está dormindo, eKatie está lendo um livro atrás dele. Eu desejava ter trazido um livro para ler.
  30. 30. Eu pensei que eu dormiria rápido como Justin, mas o destino decretou ocontrário.A voz de Patrick se cala. O único som é o farfalhar ocasional de um livro ouum rearranjo de partes do corpo, mais o barulho do avião. Eu posso ver quePatrick ainda está com a sua luz acesa. Ele sentiu minha falta também. Isso é oque ele tinha dito. Bem, ele tinha dito que Derek sentiu minha falta, mas eu seio que ele realmente queria dizer.Foi como um código ou algo assim. Ele não poderia dizer que ele sentiu aminha falta, porque eu disse a ele que não podia. Eu não poderia dizer a eleque eu senti a falta dele, por causa das minhas próprias auto-impostas regras.Mas de algum modo, tínhamos atravessado isto. Pelo menos eu pensavaassim.E agora aqui eu estava tentando dormir, mas não consigo. Eu sinto falta domeu amigo. Eu sinto falta das brincadeiras que estávamos habituados a fazerjuntos, antes de tudo ter sido torcido e desarrumado por causa desses outrossentimentos. Se fosse sido antes, eu iria sentar a minha bunda ao lado dapoltrona dele e iniciaria uma conversa.Mas agora seria tudo estranho. E eu simplesmente não podia voltar atrás noque eu disse, porque eu disse isso por uma razão. A razão é que estessentimentos ainda estão lá, o ensaio fotográfico da Entertainement Week haviadeixado isso claro.Mas ei ... espera um minuto ... há uma coisa que podemos falar. Eu curvo-me,pego o meu script para fora da minha mala e meu travesseiro e disparo para ocorredor antes que eu possa mudar de idéia. Eu me sento ao seu lado, com otravesseiro no meu colo e o script por cima. Existe um assento vazio entre nós,mas eu quero evitar um contato mais próximo. Ele está com um dedo napágina do roteiro que ele estava lendo. Nós ambos tentamos falar ao mesmotempo."O que ...", "Então ..."Mas eu sou mais rápida e tenho o elemento surpresa. "Portanto, esta é umaviagem de avião muito longa." Eu digo enquanto eu assisto o feixe de luz emsua cabeça, em seus cabelos despenteados. Ele parece muito amarrotado ecansado, e posso dizer que ele não sabe o que fazer com a minha chegada."Sim". Ele concorda com um sorriso divertido.“E nós temos um monte de cenas juntos neste episódio." Eu exponho."Ah, uh." Ele concorda enquanto resolve ir um pouco mais para trás em seuassento. Ele não vai fazer isso mais fácil, não é?"Então você quer ensaiar ou o quê?" Eu pergunto um pouco mais irritada doque eu tinha originalmente planejado.
  31. 31. Isso só faz o seu sorriso aumentar ainda mais, porém, e então ele mesurpreende com estas palavras: "Com uma condição.""E o que seria essa condição?" Eu digo pretendendo ser relutante. Realmente,eu estou apenas feliz por estar sentada aonde estou."Você tem que ir no ferryboat comigo."Eu faço uma cara. "Quer dizer, o ferryboat onde você estará conversandosobre jantares chineses com Addison?"Ele ri. Um peso que estava pressionando meu coração desde que cortamosnosso relacionamento, sai de cima de meu peito. Mas eu ainda tenho que serprofissional. "E por que eu iria querer assistir a esta recém-felicidade conjugal?"Nós dois sabemos que estou sendo sarcástica. Acho que a cena termina comele, deixando em um huff. Eu não posso remediar, mas sim, provocá-lo. Masele não morde."Para o desenvolvimento do personagem." Diz ele. "Isto iria ajudar Derek a seconhecer melhor como um personagem.""E por que eu iria querer fazer isso? Você está com sua mulher agora, comidachinesa e tudo o mais. Eu sou a ex-amante doente e suja. Nunca mais os doisse encontrarão."Nesta altura estamos ambos sorrindo. Eu não posso apagar o sorriso estúpidoda minha cara. Nem ele."Nunca diga nunca." Ele diz com um certo brilho no olhar. Um brilho que dizque ele seria tão feliz se isso acontecesse, e eu rezo fervorosamente para queele esteja certo. Eu abro o meu script e começo a ler. Ele junta-se a mim nosmomentos adequados. É quase como nos velhos tempos. Quase. Há mais e hámenos entre nós, que não havia antes. Estamos Meredith. Estamos Derek.Estamos Ellen. Estamos Patrick. Onde os quatro se conheceram?PATRICK:Ela sente a minha falta também. Ela sente falta de mim. Ela me disse isso. Eladisse-me através de Meredith, mas eu senti que foi Ellen. Um conceito tãosimples, com tão poucas palavras, mas significa o mundo para mim. Ela queriaensaiar comigo. Na verdade tínhamos cenas juntos. Cenas que tínhamosensaiado juntos por todo o caminho para Seattle na noite passada. Meu mundode repente parece um pouco mais brilhante. Não vou questionar a minhafelicidade, vou ficar só sentindo. Ou talvez investir nela um pouco. Eu não seriaeu, se não fizesse isso.O sol está nascendo ao longo dos ferry-boats. Bem, sobre o nosso barco. Oque nos fez viajar com a finalidade de filmar com a ajuda da Seattle Water
  32. 32. Authority. Não que eles nos deram o barco. Eles apenas não podem parar osistema de ferry-boat para uma série de televisão. Mas nós temos autorizaçãopara filmar e filmar nós vamos. Acabo de filmar uma cena muito interessantecom Addison. A mulher quer fazer sexo comigo! Você pode acreditar nisso?!Queremos fazer apenas o certo, por isso vamos tentar filmar a cena novamenteno caminho de volta. Eu tenho cerca de uma hora até que a viagem deregresso termine. Apenas tempo suficiente para irritar uma pequena criaturaque insiste em que eu só fale com ela através do meu alter-ego.Eu tinha uma idéia sobre a noite passada, enquanto estava lendo nossas falasnos limites apertados do avião. Este era o jogo dela, não meu. Na verdade, eudecidi fazer algumas regras do meu próprio jogo. Acho que isso poderia serdivertido.Eu dou uma volta pelas escadas da balsa pintadas de verde, para encontrarEllen de pé ao longo dos trilhos no primeiro andar da balsa. Seu cabelo estáesvoaçando por causa do vento. Tenho certeza de que o meu não está muitomelhor. Devo estar parecendo o John Travolta em Grease. Suas mãospequenas estão dentro dos bolsos de uma longa jaqueta. Eu sei que ela me viuchegar, mas ela ainda está olhando para a água."Como você está?" Eu pergunto, enquanto eu me planto ao longo dos trilhosà sua esquerda.Ela inclina a cabeça uma fração acusando a minha presença. Minhaintromissão em seu espaço privado não parece surpreendê-la um pouco. Meuscotovelos automaticamente fazem o contato com a parte superior da grade dabalsa, pois eles são feitos para inclinar. "Estou indo, e você? "Ela diz com umbrilho decididamente feliz em seu olho."Era para você dizer Estou bem." Eu a repreendo suavemente enquanto eutento segurar um sorriso."Ahn?""Sua fala é: Eu estou bem. Como você está? "Suas sobrancelhas estão erguidas em sua testa. Quando ela vê o meu sorrisode menino, ele reconhece o meu jogo."Estou bem. Como você está?" Ela disse depois de uma longa pausa, mas aexpressão divertida nunca deixa seus olhos."Bem." Eu respondo de volta a minha próxima fala, mesmo que eu estejamuito mais do que bem."Bom". Ela responde de volta, incapaz de reprimir o riso, que está ameaçandosair. "Eu e você estamos neste limbo estranho. Isto vai durar para sempre, nãoé?"
  33. 33. Eu diria que é mais um exílio auto-imposto, mas a minha fala seguinte é:"Espero que não, mas eu penso assim.""Sim, eu também." Ela diz, mas onde a cena diz injustiçada e desajeitada, elaestá bem perto de rir. Estou muito perto também, mas esmago este sentimento."Mer." Digo com uma longa pausa inábil. Eu sou suposto estar querendo dizeralgo para ela, mas nada me vem à mente. É suposto que represente todas ascoisas que queremos dizer um ao outro, mas não pode ser. Eu possoidentificar.Eu fico apoiado na grade, todo o meu corpo repousando sobre dois cotovelos.Eu sorrio com todo o charme que possuo. Eu poderia ter dito "Ellen", quesignificaria a mesma coisa. Ela tira as mãos de dentro dos bolsos e espelhaminha postura. O vento quebra todo o silêncio e fala por nós dois.Seus olhos brilham como ela diz: "Eu mudei Holden de quarto, então ...""Você e eu vamos seguir em frente". Eu digo."Vamos ao Gasworks Park depois da minha cena com TR?"Aceno que sim e empurro-me para fora dos trilhos. Partilhamos um sorriso e eucorro até as escadas. Voltar para a mulher que quer fazer sexo comigo estanoite. Eu prefiro ficar encostado naquele parapeito para sempre. Mas o deverme chama. Por agora.ELLEN:Patrick e eu nos sentamos no parapeito de um pequeno parque ao norte docentro de Seattle. Peter tinha se lembrado da melhor parte do parque. Érealmente apenas um terraço panorâmico com uma peça de esculturaimplantada no meio, mas só a vista vale a pena. A Space Needle está bem emfrente e no centro, e é tão perto que é quase como se você pudesse chegar etocar-lhe. Na realidade, está provavelmente a uma milha de distância. O restodo horizonte da cidade se reúne para trás. Dá para ver as montanhas ao longe.O sol fica baixo no céu atrás de nós, fazendo uma sombra de tudo.A filmagem tinha demorado. TR e eu estávamos no parque desde cedo, masPeter tinha decidido que só no final da tarde faria as filmagens. Era suposto serno final do dia. Eu pensei que não importava o tempo, porque os internos não
  34. 34. têm exatamente um horário normal. Peter disse muitas palavras sobre acomposição e o tom, e Patrick acabou me mandando um bilhete dizendo que jáera muito mais tarde do que eu pensava. Ele escreveu que precisava de umaducha depois de passar o dia inteiro nas balsas de qualquer maneira, e quedepois vinha ao parque. Então me resignei a mais algumas horas de filmagem,o que me fez não pensar sobre a coisa no chuveiro com Patrick.Meu estômago estava reclamando de fome. Toda a equipe já tinha embaladoos equipamentos e os colocado no caminhão, e estavam a caminho de seupróprio jantar quando o táxi tinha aparecido. Dentro dele estava um có-estrelamuito sexy carregando dois grandes sacos de sanduíches."Você é um salva-vidas, você sabe disso?" Eu digo entre as mordidas em meusanduíche.Ele sorri para mim diz: "Se eu soubesse que um cheeseburger faria você feliz,eu o teria dado a você há um tempão atrás.""Eu estava com fome." Eu digo com a boca cheia.Patrick definitivamente ri. De mim. Ele tem que manter a boca fechada paranão vomitar o gole de coca, que ele engoliu. Eu ri com a forma que a boca delefica enquanto tenta segurar o líquido dentro. Mas eu não tinha engolidointeiramente a minha comida ainda, então eu tenho que mastigar e rir aomesmo tempo. Não é uma proeza fácil de se fazer.Quando o riso morre e minha mastigação é concluída, eu digo: "Sério, vocênão tem idéia. Eu estava com tanta fome, que não sei se agüentaria chegar nohotel e esperar pelo serviço de quarto, ou esperar até que a gente encontrasseum lugar para comer. Sério, muito obrigada."Vale a pena vê-la sorrir." Diz ele. Eu ainda estou prestando atenção no meuestômago, as necessidades alimentares ainda estão falando, por isso nãoestou olhando para ele quando ele diz isso. Mas quando eu escuto suaspalavras, eu levanto, automaticamente, meu rosto em sua direção. O que eledisse?Eu não sei o que eu espero ver, mas um lampejo de paz é o que eu recebo.Não é uma centelha de imediato, mas um brilho opaco. A confiança relaxadaque está desaparecida desde ... Deus, não me lembro quanto tempo tinha. Euprocuro em minha memória, mas o mais próximo que posso chegar é a noiteem que estávamos sentados perto do fogo em sua casa; duas cervejas namão. Ele tem o mesmo ar de relaxamento, a mesma atitude humilde. Masentão ele arruína isto, com suas palavras seguintes."Eu não a vejo sorrir assim, desde que Addison apareceu na série." Ele dizquando ele olha para o céu de Seattle. Ele parou como se estivesseprocurando algo, que saía de sua visão. Ou talvez ele não queria olhar paramim. Mas então ele deve encontrar o que ele estava procurando, porque elediz, "Desde que ela apareceu, você ainda não abriu um sorriso. Sinto falta doseu sorriso. "
  35. 35. Então, ele olha para mim. Mas a paz foi embora. Ela pode nunca ter estado lá.Supreso com o meu olhar ele pergunta, “O que está acontecendo aqui?”"O quê? Eu deveria estar feliz que o meu namorado escolheu sua mulher emvez de mim? Era para eu pular de alegria que trabalhamos no mesmo hospitale existem alguns limbos estranhos de evasão e de saudade? Há algum motivopara sorrir? Me diga você! "A veemência de minha resposta o surpreendeu. Eu posso dizer. Ele parececongelado. Então pisca; duas vezes. Ele coloca seu sanduíchecuidadosamente para baixo e diz: "Não foi o que eu quis dizer.""Então o que você quis dizer?" Eu pergunto com raiva. Eu não sei porque euestou com raiva, mas estou com raiva. Eu pensei que era sobre isso.Seus olhos brilham, e posso dizer que ele está tão bravo quanto eu. "Olha, esteé o seu jogo, não o meu." Ele diz com o rosto tenso."Isto não é um jogo!" Eu quase grito."Então o que é isso? Isso de nós somente conversarmos através de nossospersonagens de merda! Que porra é essa?" Ele grita de volta. O sol estádesaparecendo, fazendo o céu ficar roxo e rosa, mas nós não percebemos.Eu realmente não tenho nada a dizer. Bem, eu tenho um monte de coisas queeu poderia dizer, mas nada em voz alta. Coisas que eu digo para mim mesma,mais tarde, no silêncio do meu quarto de hotel. Talvez quando eu estivertomando um banho longo e relaxante. Talvez eu admita algumas coisas paramim, no momento antes de adormecer. Mas não agora.Fiquei de boca fechada. O silêncio o acalmou. Gritar não funciona se a outrapessoa não grita junto. Ele suspira e diz simplesmente: "Por que não possoapenas falar com VOCÊ? Eu sinto falta de falar com VOCÊ. Não Meredith,VOCÊ!"Mas isso tudo parece incongruente para mim, porque na maioria das vezes eusou ela. Eu não consigo explicar-lhe em palavras, assim eu me abaixo, tiro omeu script de mala e o abro na minha frente. Ele suspira vendo aquilo."Você a ama?" Eu pergunto. Eu olho fixamente para ele quando eu pergunto.Pergunto-lhe como se fosse Meredith.Ele olha para cima, não querendo jogar este jogo mais. Porém eu não medesvio do que eu quero fazer. Meu olhar fixo deseja que ele jogue comigo. Elenão tem que pegar o seu roteiro para conhecer suas falas. Com a dislexia, amaior parte do tempo ele as tem memorizadas muito antes de eu conseguir.Ele tem que fazer. Ele suspira novamente e, na extremidade da cauda dosuspiro, diz: "Eu não sei."E por alguma razão aquilo me irrita. Eu pego o meu maldito script e o jogo dooutro lado do muro. Ela vibra por um tempo, as páginas se agitando na brisa e,
  36. 36. em seguida, bate no chão em uma pilha de poeira e folhas. Posso vê-lo lá embaixo, mas agora é uma pilha de destroços quebrados. Nós dois ficamosolhando para ele.Então ele olha para mim, e eu estou fervendo. "Você deveria dizer ‘sim’maldito! Você devia dizer ‘sim’! Você tem que me falar comigo como se eufosse Meredith, porque se você dissesse esta merda choramingando para mim,eu iria chutar o seu traseiro todo o caminho de volta para Nova York!"Seu rosto está congelado em chocada surpresa. E depois um pouco decontração inicia-se nos cantos de sua boca. Uma pequena contração viaja paraseus olhos, onde o azul começa a brilhar. Um riso estrangulado escapa de suagarganta e antes que eu me dou conta, ele se dobra de tanto rir. E eu estourindo com ele. Eu ri tanto que quase me divido em duas.Eu não sei quanto tempo mais tarde, ele coloca o riso um pouco sob controle,então ele compartilha comigo, "Eu não quero fazer sexo com ela.""O que?" Eu pergunto quando eu não entendo o que ele diz."Addison. Eu não quero fazer sexo com ela. No ferryboat, hoje, cada vez queela me dizia isso, eu queria sair correndo gritando na outra direção. ""Você deveria ter feito isso." Eu respondo com uma onda de risos, quando oimagino realmente fazendo isto. Ele correndo para longe da escada da balsa,com um olhar assustado em seu rosto."Uma vez eu me imaginei jogando-me no mar. Alguém teria que me pescar devolta, ou eu iria me afogar, mas teria valido a pena." Diz-me com os olhosbrilhando."Oh, pobre Derek, tem que ter sexo com a pobre mulher que ele escolheu emvez de mim. Eu me sinto tão triste por você agora." Digo fazendo beicinho."Cale-se." Ele diz e me dá uma pancadinha no ombro.E isso é quando eu sei que as coisas vão ficar bem. Ele me dá umapancadinha, e eu não sinto nada. Bem, não "nada". Eu não vou nunca dizer"nada". Mas é um sinal de amizade. É o primeiro gesto de amizade que euposso me dar desde aquele beijo horrível. E eu o saboreio. Não que o beijofosse horrível de qualquer forma, de fato, muito pelo contrário, o que erahorrível foi a mudança que ele causou. A pancadinha no meu ombrosignificava que nós poderíamos ser amigos.Talvez eu tivesse percebido o que estava por vir, se eu tivesse me lembrado deum velho ditado de Jeremy Irons: Amor é uma amizade incendiada.PATRICK:"Sabe, hoje, na sala de espera, como sabia que a Cheryl era a esposa deHolden?"
  37. 37. Ela está sorrindo. Ela está dando risada. Seus olhos verdes brilham com humorreprimido. Normalmente, eu acho que verde é uma cor suave e tranquila. Não éhoje. Hoje, o verde significa faíscas."Você está pronta?" Pergunto brincando."Pronta para quê?" Ela pergunta de volta, também brincando.O fim de semana em Seattle foi bom para nós. Ainda não estávamosexatamente amigos, eu ainda só podia falar com ela como Derek ou sobre ocaráter de Derek, mas as coisas estavam melhores. Melhores porque que elaestava realmente sorrindo para mim. Pode ser porque nós tínhamos cenasjuntos que não envolviam desgosto ou traição. Ou talvez ela estivesse ficandodo meu lado. O que quer que fosse. Era um bom sinal de que ela estavadisposta a relaxar um pouco sobre as regras. Quais eram as regras para umdia como este, eu não tinha idéia."Pronta para eu rasgar sua roupa?" Eu brinco, com uma risada maligna."Salas de espera estão sempre cheias de pessoas torcendo por boasnotícias. Ela era a única que parecia ter desistido completamente."ELLEN:Ele não precisava dizer isso."Não precisa dizer isso." Digo com outra risadinha enquanto eu observo o jeansmuito lisonjeiro, combinando com sua camisa. A camisa é verde e tem mangaslongas; de colarinho mesmo. Não que eu realmente possa dizer a cor exata naluz baixa.Estamos em lados opostos de um corredor escuro que é suposto levar para omeu quarto e meu banheiro. Quer dizer, o quarto de Meredith e seu banheiro.Estamos filmando uma cena onde estamos fantasiando um com o outro,enquanto, na verdade, estamos com outras pessoas, exceto que a platéia nãovai saber disso até o final da cena."Ei, você tem que começar a tirar minha roupa também." Ele diz mexendo assobrancelhas.Eu sei que ele está apenas brincando, mas isso não me impede de lamber oslábios. Mesmo na baixa iluminação eu posso ver seus olhos brilhando. Suaspupilas estão tão grandes que o azul foi substituído por preto. Sua expressão éperniciosa. É a mesma de um menino pequeno esgueirando sua mão no potede biscoitos. Eu me sinto como se eu estivesse prestes a mergulhar em umbolo de chocolate de lava derretida, o chocolate quente, pronto para escoarpara fora. Eu já posso saborear a doçura amarga em meus lábios."Sim".
  38. 38. "Tudo bem, imaginem que este é o auge antes de Addison aparecer. Vocêsainda estão juntos. Você acabou de vir de algum lugar e estão prontos pararasgar as roupas um do outro. Literalmente." Peter diz quando ele caminha aténós dois.Partilhamos um olhar, antes de eu sorrir maldosamente e pedir a Peter: "Comoé que ele começa a tirar minha calça e minha blusa e eu só tiro suas calças?Isso não é um pouco machista? Não deveríamos agitar as coisas?""Mas você estará com um sutiã." Patrick diz como se fosse a coisa mais lógicado mundo, mas ainda não fazia sentido para mim."E um sutiã é igual a uma camisa como?" Eu pergunto."De qualquer forma, a gente não vai ver nada." Ele argumenta.Sim, você vai ver. Não há como esconder tudo dentro do sutiã." Eu contradigocom gestos sem maiores intenções, com minhas mãos em volta do meu peito,como se minhas mãos fossem necessárias para enfatizar as minhas palavras,sem deixar-me saber que eles estavam olhando para elas.Tanto Peter como Patrick estão com os olhos cravados no que minhas mãosestavam delineando."Tirem os olhos, por favor."Tanto os homens moveram os olhos para cima, um mortificado e o outrosafado. O que eu devo dizer?Ainda corando, Peter oferece: "Vamos tentar um monte de coisas e depoisescolhemos as melhores. Basta fazer com que pareça natural.” Ele caminha,mas depois volta. "Exceto as roupas íntimas, aquelas vocês mantêm. Nãopodemos ser processados pela rede”.Você ouviu isso? Não tentar dar uma olhada. As jóias da família precisam ficaronde estão." Patrick graceja. Minha resposta é apenas um olhar mortal deproporções magníficas. Eu não sei porque eu sequer tento. Isto somente o fazvangloriar-se. É, de certa forma, um comportamento varonil. Eu odeio tanto ele."Você a ama?”PATRICK:"A câmera vai começar pelos seus pés. Tente ficar de pé, segurar o outro, echute seus sapatos quando você estiver indo ao fundo do corredor." Peterdirige.Minhas mãos estão sob os cotovelos dela, mantendo-a apertada. Suas mãosestão enroladas ao redor do meu antebraço. Estamos no nosso X, como se
  39. 39. prestes a decolar para uma dança. De certa forma, eu acho que é, a maisantiga dança no mundo. Eu sorrio para ela. Ela tenta segurar o riso, queameaça sair para fora dela. Já posso ver seus lábios se contraindo. Alguns diaseu vivo para esse riso. Depois de meses de silêncio, é um bálsamo para minhaalma.Então você está fantasiando sobre mim ou eu estou fantasiando sobre você?"Ela pergunta, sabendo muito bem a resposta, apenas instigando-me para dizeralguma coisa atroz.Eu não posso decepcioná-la: "Você quer fantasiar sobre mim?" Eu pergunto,em voz baixa. Ela tem um olhar muito interessante em seu rosto. Eu nem querotentar interpretar isso."Tudo bem .... Vai!" Peter grita.Eu imediatamente empurro o meu pé direito à frente, pressionando a pernaesquerda dela ara trás no corredor. Meu movimento catalisa seu corpo nadireção correta. Ela tenta chutar seu sapato, mas o movimento é muito para elae ela cai para trás. Minhas mãos apertam seus cotovelos, impedindo-a de cair.Ela ri. E a câmera se apaga."Acho que talvez seja necessário praticar esta cena." Estou começando aperceber o quão difícil isso pode ser. Ela está muito tensa em meus braços. Eupreciso que ela relaxe."Não seria mais natural, se eu caísse?" Ela pergunta quando voltamos aonosso lugar de partida."Apenas me deixe levá-la. Relaxe em meus braços." Digo a ela."Eu estou calma." Ela diz, mas o riso sai forçado."Não sei".ELLEN:Relaxe. Isso é fácil para ele dizer. Eu sou a parte sem sorte nesta relação.Rachaduras nas calçadas e gotas de café vêm me procurar. Mas eu olho paraele. Eu olho para o seu sorriso. Eu sinto seus braços fortes em meus cotovelos.E eu tento relaxar. Eu realmente faço. Não é fácil quando ele está tão perto.A cena inicia-se novamente e sua perna direita empurra suavemente para trása minha perna esquerda. Eu empurro para trás, deixando-me segurar dandoum pontapé com sucesso em um sapato. Ele puxa-me para ele e tira uma botapara fora do seu pé. Meu corpo atinge o seu e depois salta fora. O outro sapatosai. Ele cai um pouco em mim até que a gravidade o puxa de volta. É quandoele se choca contra uma parede.
  40. 40. "Ai!""Corta!""Eu acho que você precisa se apoiar em mim também." Digo-lhe, enquanto eurio da sua expressão chateada. Eu sei que você não deveria rir quando alguémse machuca, mas é muito divertido quando ele o faz. Ele também riu de mimquando eu caí. Não com a boca, com os olhos porém. Mas isto ainda conta.Nós fazemos a cena várias e várias vezes. Ele sempre começa com a pernadireita que se desloca entre a minha perna esquerda. Eu me inclino para trás econfio nele para me manter na posição vertical quando eu tiro meus sapatos.Então ele vai nos puxar para trás e ao redor do corredor, onde ele vai me puxarde volta para ele poder tirar seus sapatos também. Eu puxo de volta e ele mepuxa para a frente. Eu pulo nele e a energia volta. O ritmo puxa-nos bem.Trabalhamos em momentos em que podemos ajudar um ao outro. Ele dá umsorriso para mim como para me lembrar para não tocar as jóias da família. Euposso ter encostado minhas mãos nelas uma vez, duas vezes."É bom que esteja tentando. Você não seria você se não fosse o tipo depessoa que tenta fazer o casamento dar certo."PATRICK:Até o momento em que fazemos a cena do banheiro, minhas mãos ficamenroladas firmemente ao seu redor. Eu tenho que abrir a porta com uma mão,e depois continuar a nossa dança circular. Tenho-na completamente. Uma deminhas mãos abre a porta, a outra puxa Ellen em torno de um círculo completo.Quando voltamos ao redor, minhas mãos trabalham em conjunto para libertá-lada sua blusa.Nossos lábios estão trancados o tempo inteiro. Nossos corpos estão ligadospelo quadril. Estou perdido na sensação. Estou perdido na mulher. Estouperdido em Meredith."Acha mesmo?"ELLEN:Uma hora depois e nós estamos frente a frente em uma ducha fria. Patrick temsobre ele o que é chamado de ‘cinto de dança, uma engenhoca cor de carneque esconde tudo e nada ao mesmo tempo. Estou vestindo apenas um biquínicor-da-pele. Nosso cabelo estava molhado. Assistentes chegam e espreiamágua engarrafada em nossa pele. Estamos perto o suficiente para quepossamos nos tocar, mas nós não fazemos. O chuveiro é um espaço pequeno.Eu sinto frio e calor de uma só vez. Patrick dá um sorriso para mim."Em nossa primeira cena de amor você estava nua." Ele diz, o sorrisotornando-se um elemento permanente.
  41. 41. "Assim como você." Eu digo com um sorriso."Mas, somente apareceu a parte de trás.""Isso é o que você pensa." Eu brinco, mesmo sendo verdade o que ele diz. Issonão significa que eu não posso fazê-lo pensar de outra maneira.Ele sabe que eu estou brincando com ele, embora, assim ele ignora a minhagracinha. Ao contrário, ele olha para baixo e diz: "Você está com frio?""Você não está? Por quê?"O sorriso só cresce mais. Ele tenta desviar o olhar, mas eu vejo o que ele estáolhando."Você está olhando para meu peito?""Não." Ele nega, mas agora ele está definitivamente tentando não olhar para oque ele estava olhando antes. Mas ele não pode remediar o riso que estálutando para sair de sua garganta. Seu rosto só está a seis centímetros domeu, porém, ele não pode escondê-lo."Bem, então você deve estar com muito frio." Digo divertida.Ele parece confuso e pergunta: "Por quê?" Então ele olha para baixo e vê seuspróprios mamilos rígidos e eretos. Ele ri."Sim. (sorrisos) Isso significa que eu não estava errada sobre você."(olhos cheios de lágrimas)PATRICK:Minhas mãos estão ao meu lado. Se eu subi-las vão ficar na frente da câmera.Elas coçam para se enterrar nos cabelos dela. Em vez disso, apenas esperamali, por Peter chamar a ação. Sua boca está a apenas alguns centímetros daminha. A pele dela brilha no meio da multidão de gotas pulverizadas. Com ocabelo puxado para trás, seu rosto de elfo e a pequenez de seus ouvidos émais aparente. Minha pele está úmida, mas seu sorriso me mantém aquecido."Obrigado."ELLEN:A ação é chamada. Ele sorri um sorriso que ilumina seu rosto inteiro. Seu corpose inclina para a frente e seus lábios são meus. Tinha se passado muito tempo.
  42. 42. Meses. Uma eternidade. Eles ainda têm a mesma suavidade. A mesma firmezaembaixo. A eletricidade passa entre nós. E no entanto ... é diferente. Ninguémse afasta. Ninguém tem nada a esconder. Esta é a Meredith beijando Derek. Éo sonho dele. É o meu sonho. Eu estou sendo paga para ficar quase nua emum chuveiro e beijar esse homem. A câmera captura tudo e mesmo assim àsvezes eu esqueço que ela está lá."Adeus, Derek."DEREK:Ação é chamada de novo e de novo. Eu sorrio para ela muitas vezes e demuitas maneiras. No início, eu penso nisso como Derek beijando Meredith.Esta é a sua fantasia sobre ela, enquanto ele está tentando fazer sexo comAddison. Ela está fantasiando sobre mim ao ter sexo com alguém. Mas entãoos lábios dela são meus. O atrito inebriante, a química tentadora que aparececada vez que ficamos juntos e tudo se mistura. Eu repito uma e outra vez,usando o ângulo da câmera como uma desculpa. Às vezes eu bagunçava depropósito."Adeus, Meredith."ELLEN:A porta do chuveiro foi fechada. O vapor do chuveiro é permitido se infiltrar eembaça o vidro. A câmera está fora e a um mundo de distância. Minhas costasestão contra a parede. A frieza dos azulejos está nas minhas costas, e o calordo corpo dele na minha frente. Meus olhos estão fechados. Meus braços estãoem volta do pescoço, os braços dele em volta da minha cintura. Meu peito épressionado contra o seu, o dele contra o meu. Seu corpo pressiona o meu,sua língua faz o mesmo. Eu deixo meus dedos se entrelaçarem em seuscabelos. Eu não estou mais com frio. Eu não penso, eu só sinto. E eu penso:não é com freqüência que somos pagos para viver a nossa fantasia.**********************************PATRICK:O interior em couro preto da limusine alugada é quase um jogo para o meuterno. O tédio tomou definitivamente conta de mim enquanto eu espero na filapara desembarcar para a pré-festa que a Entertainment Weekly dá, antes doEmmy. O Emmy real só aconteceria amanhã à noite, mas é claro que nãopodemos faltar às festividades agora, podemos? Este é mais um evento detrabalho, de modo que Jill está em casa dando os últimos retoques no que elavai usar amanhã e conseguir algum ‘descanso de beleza . Eu estava filmandoaté as primeiras horas da manhã, então eu dormi a maior parte do dia. Todos
  43. 43. nós jantamos em família, mas eu estava tão cansado que eu nem me lembrodo que falamos.Minha mente não estava realmente sobre as questões de família de qualquermaneira. Eu deveria estar pensando se vamos ou não vamos ganhar amanhã.Nós somos uma série nova, e séries novas geralmente não ganham nada, e éuma honra mesmo ser nomeado, então eu não vou contar com isso.Talvez eu devesse pensar sobre o que vamos fazer na próxima semana. Coma viagem a Seattle e as coisas do Emmy neste fim de semana, na próximasemana vai ser realmente o meu primeiro dia de folga em muito tempo.Devemos fazer uma excursão da família de algum tipo. Talvez algo apenascom Jill e eu. Ela vai estar comigo amanhã, mas na verdade não é a mesmacoisa. Ela é uma pessoa muito reservada e ficar de pé na frente de todasaquelas câmeras e luzes a deixam doente.Eu posso ver os flashes das câmeras à frente quando a minha limusine seaproxima da entrada do Cabana Club. Há uma multidão lá em cima. No escurotudo o que eu vejo é uma massa de pessoas atrás das cordas gritando etirando fotos das celebridades do outro lado da corda. Todas as luzes estãocentradas nas pessoas sendo fotografadas, porém, para os fotógrafos elasparecem ser uma bolha gigante amorfa de membros nas trevas.As luzes das câmeras piscam incessantemente, criando uma oscilaçãoconstante da luz. A limusine atenua o ruído, mas já posso ouvir o barulhoensurdecedor de pessoas chamando nomes e pedindo autógrafos às pessoasaqui ou ali.Mas agora, ainda estou trancado na privacidade do meu transporte, pensandoa mesma coisa que tenho pensado desde que eu achei que a coisa tinhaacabado. Aqueles beijos. Aquela cena de ontem. Eu sei que foi Derek a dar obeijo, e que era Meredith que estava beijando, mas então porque é que são osmeus lÀ

×