Como utilizar a Internet
                                               na educação
    RELATOS DE
   EXPERIÊNCIAS




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Como utilizar a Internet na educação

tre tantas conexões possíveis, tendo         português e inglês sobre ensino à distâ...
Como utilizar a Internet na educação

e Arte, Observatório Estelar. Outros        Em inglês há muitos endereços estimu-   ...
Como utilizar a Internet na educação

Além das aulas, ocorre um estimu-            assinalando coincidências e divergên-  ...
Como utilizar a Internet na educação

Podemos coordenar pesquisas com             Pode-se também, ao final do período     ...
Como utilizar a Internet na educação

temas multimídia. O som não será um           As profissões ligadas à informação e à...
Como utilizar a Internet na educação

da. Em programas de IRC, de audiofo-        sem termos o controle do Estado ou de   ...
Como utilizar a Internet na educação

Compreendo perfeitamente que a Inter-            Nossa mente é a melhor tecnologia, ...
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Internet Na EducaçãO

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Internet Na EducaçãO

  1. 1. Como utilizar a Internet na educação RELATOS DE EXPERIÊNCIAS José Manuel Moran INTRODUÇÃO A educação presencial pode modificar- se significativamente com as redes ele- A Internet está explodindo como a mí- trônicas. As paredes das escolas e das dia mais promissora desde a implanta- universidades se abrem, as pessoas se ção da televisão. É a mídia mais aber- intercomunicam, trocam informações, ta, descentralizada, e, por isso mesmo, dados, pesquisas. A educação conti- mais ameaçadora para os grupos políti- nuada é otimizada pela possibilidade de cos e econômicos hegemônicos. Au- integração de várias mídias, acessando- menta o número de pessoas ou grupos as tanto em tempo real como assincro- que criam na Internet suas próprias re- nicamente, isto é, no horário favorável a vistas, emissoras de rádio ou de televi- cada indivíduo, e também pela facilida- são, sem pedir licença ao Estado ou ter de de pôr em contato educadores e edu- vínculo com setores econômicos tradi- candos. cionais. Cada um pode dizer nela o que quer, conversar com quem desejar, ofe- Na Internet, encontramos vários tipos de recer os serviços que considerar conve- aplicações educacionais: de divulgação, nientes. Como resultado, começamos de pesquisa, de apoio ao ensino e de a assistir a tentativas de controlá-la de comunicação. A divulgação pode ser forma clara ou sutil. institucional – a escola mostra o que faz – ou particular – grupos, professo- A distância hoje não é principalmente a res ou alunos criam suas home pages geográfica, mas a econômica (ricos e pessoais, com o que produzem de mais pobres), a cultural (acesso efetivo pela significativo. A pesquisa pode ser feita educação continuada), a ideológica (di- individualmente ou em grupo, ao vivo – ferentes formas de pensar e sentir) e a durante a aula – ou fora da aula, pode tecnológica (acesso e domínio ou não ser uma atividade obrigatória ou livre. das tecnologias de comunicação). Uma Nas atividades de apoio ao ensino, po- das expressões claras de democratiza- demos conseguir textos, imagens, sons ção digital se manifesta na possibilida- do tema específico do programa, utili- de de acesso à Internet e em dominar o zando-os como um elemento a mais, instrumental teórico para explorar todas junto com livros, revistas e vídeos. Resumo as suas potencialidades. A comunicação ocorre entre professo- res e alunos, entre professores e pro- Relato e análise de experiências pessoais e A Internet também está explodindo na fessores, entre alunos e outros colegas institucionais que utilizam a Internet na educação presencial como pesquisa, apoio educação. Universidades e escolas cor- da mesma ou de outras cidades e países. ao ensino e como comunicação. Avalia os rem para tornar-se visíveis, para não fi- A comunicação se dá com pessoas co- avanços e problemas que estão car para trás. Uns colocam páginas pa- nhecidas e desconhecidas, próximas e acontecendo atualmente e mostra que a dronizadas, previsíveis, em que mos- distantes, interagindo esporádica ou sis- Internet é mais eficaz, quando está inserida em processos de ensino-aprendizagem e de tram a sua filosofia, as atividades admi- tematicamente. comunicação que integram as dimensões nistrativas e pedagógicas. Outros criam pessoais, as comunitárias e as páginas atraentes, com projetos inova- As redes atraem os estudantes. Eles tecnológicas. dores e múltiplas conexões. gostam de navegar, de descobrir ende- Palavras-chave reços novos, de divulgar suas descober- tas, de comunicar-se com outros cole- Internet; Educação; Pesquisa; Comunicação. gas. Mas também podem perder-se en-
  2. 2. Como utilizar a Internet na educação tre tantas conexões possíveis, tendo português e inglês sobre ensino à distân- coleta de energia solar, transformando-a dificuldade em escolher o que é signifi- cia e muitos endereços de instituições em energia elétrica). Projeto de Plantas cativo, em fazer relações, em questio- que estão oferecendo programas de ensi- Carnívoras (em 1996, com 23 escolas). nar afirmações problemáticas. no à distância no mundo inteiro. O ende- Projeto Sky (observar o céu e trocar reço é: http://www.ibase.org.br/~ined/ informações com alunos do hemisfé- A INTERNET NA EDUCAÇÃO rio Norte). Projeto Brasil/Portugal CONTINUADA Neste artigo, vou concentrar-me em (Des)encontros de culturas (professores como utilizar a Internet no ensino pre- e alunos de geografia, história e portu- O artigo 80 da Nova LDB/96 incentiva sencial, no ensino que está organizado guês de duas escolas brasileiras e duas todas as modalidades de ensino à dis- para o encontro físico em salas de aula. portuguesas). Projeto Educando para a tância e continuada, em todos os níveis. Nele, podemos introduzir formas de pes- Cidadania (com alunos da sexta série A utilização integrada de todas as mídias quisa e comunicação não presenciais, de vários colégios). eletrônicas e impressas pode ajudar-nos que nos ajudarão a renovar a forma de a criar todas as modalidades de curso dar aula, de investigar, de relacionar-nos Os projetos são coordenados por pro- necessárias para dar um salto qualitati- dentro e fora da sala de aula. fessores-pesquisadores, com bolsas de vo na educação continuada, na for- estudo. Começam com encontros pre- mação permanente de educadores, na PROJETOS DE INTERNET NA senciais para dominar as ferramentas reeducação dos desempregados. EDUCAÇÃO PRESENCIAL das redes, os conceitos fundamentais e as etapas do projeto. Os projetos en- Estamos em uma etapa de transição Na impossibilidade de descrever e ana- contram-se em fase final de avaliação. quantitativa e qualitativa das mídias ele- lisar, neste artigo, os muitos projetos Os resultados são desiguais. Aumen- trônicas. Estamos passando de uma que estão sendo desenvolvidos atual- tam a motivação dos alunos, o interes- fase de carência de canais para uma mente na Internet, trago alguns proje- se pela pesquisa e por participar em outra de superabundância. Na TV a Cabo tos da Grande São Paulo que tenho grupos. Há mais sensibilidade para uso e por Satélite, podemos aumentar o acompanhado com mais atenção e das novas tecnologias de comunicação. número de canais pela compressão di- aponto alguns endereços mais signifi- Ganha maior importância o ensino de gital até várias centenas. Mesmo a te- cativos de instituições educacionais inglês. Os alunos desenvolvem conta- levisão aberta (VHF) vai poder proxima- para consulta*. tos pessoais e amizades por meio da mente, com a TV digital, multiplicar por rede. As dificuldades maiores são a cinco o número de canais ofertados até A Escola do Futuro [http:// continuidade entre os professores, prin- agora. www.futuro.usp.br] – grupo de pesquisas cipalmente na rede pública. Também há, da Universidade de São Paulo – é pio- às vezes, dificuldade de contato com os Há uma clara aproximação da televisão, neira na implantação de uso de redes monitores dos projetos na USP. Algu- do computador e da Internet. O Netpu- eletrônicas no ensino fundamental e mé- mas escolas se queixam de falta de re- ter, a WEBTV, a tela em que trabalha- dio no Brasil. Desenvolve projetos de torno dos resultados finais de cada pro- mos e vemos televisão aproxima áreas ensino de ciências e de humanidades jeto ao seu término. tecnológicas que até agora estavam com redes telemáticas desde 1990. separadas. A chegada da Internet à TV Exemplos de projetos: Fast Plant (com- O Colégio Municipal Alcina de São a cabo sem dúvida é um marco decisivo paração do crescimento rápido das plan- Caetano do Sul, na Grande São Paulo para visualizar imagens em movimento tas em climas e com adubos diferen- [http://eu.ansp.br/~cimpadf/] começou e sons, integrando o audiovisual, a hi- tes). Projeto Ecologia das águas (cole- com dois computadores XT e atualmen- permídia, o texto “linkado” e a narrativa ta e análise de amostras de águas pró- te desenvolve 14 projetos, alguns na área do cinema e da TV. ximas às escolas conveniadas). Proje- de ciências vinculados à Escola do Fu- to Biogás (produção de mistura de ga- turo (Ecologia das Águas, Biogás, Fast- Estamos, em conseqüência, diante de ses; biodigestão com três temperatu- plant, Sky, Plantas Carnívoras). Outro um panorama poderoso para integrar ras diferentes). Projeto Energia Solar projeto é sobre o ensino de inglês com todas estas mídias no ensino à distân- (comparação do consumo de energia; escolas estaduais e particulares da cia e continuado. A Internet, ao tornar- mesma cidade. Também um projeto de se mais e mais hipermídia, começa a ensino da informática para alunos do * O leitor encontrará endereços comentados ser um meio privilegiado de comunica- sobre educação e comunicação no item links curso de magistério. E um projeto de ção de professores e alunos, já que per- ou endereços interessantes da minha home Livro Eletrônico com crianças do interior mite juntar a escrita, a fala e proxima- page: http://www.eca.usp.br/eca/prof/moran/ da Suécia, escrevendo capítulos alter- mente a imagem a um custo barato, mor.htm ou em http://www.geocities.com/ nados sobre como crianças das quin- TelevisionCity/7815/index.html. Os tópicos com rapidez, flexibilidade e interação até principais são os seguintes: Programas de tas e sextas séries vivem no Brasil e na há pouco tempo impossíveis. As gran- busca em Educação e Comunicação; Endereços Suécia. des universidades e instituições educa- Interessantes em Educação e Comunicação no cionais norte-americanas, canadenses Exterior e no Brasil; Links Gerais, Artes, Indico algumas instituições educacio- Ciências, Ensino à Distância, Mídias na e européias estão investindo maciça- Educação, Softwares e Vídeos na Educação, nais que vale a pena conhecer na Inter- mente em todo tipo de cursos que utili- Listas de discussão em Educação; net. Página do Colégio Magno de São zam também a Internet. A Home Page Comunicação, Jornais e Revistas em Educação Paulo [http://eu.ansp.br:80/~colmagno/]. do INED traz dezenas de artigos em e Comunicação, Televisão e Educação. Projetos na Internet, como Matemática
  3. 3. Como utilizar a Internet na educação e Arte, Observatório Estelar. Outros Em inglês há muitos endereços estimu- O fato de ver o seu nome na Internet e a lugares interessantes: O Brasil na lantes, bem elaborados, com projetos, possibilidade de divulgar os seus traba- Internet, Viagem pelo mundo. Página aulas, atividades, artigos*. Destaco o lhos e pesquisas exerce forte motiva- do Colégio Magnum Agostiniano Institute for Learning Technologies ção nos alunos, estimula-os a partici- de Belo Horizonte: Projetos, Par- (ILT), da Columbia University [http:// par mais em todas as atividades do cur- cerias, páginas dos alunos [http:// www.ilt.columbia.edu], um dos melhores so. Enquanto preparam os trabalhos www.magnum.com.br]. Grupo Patnet, centros de pesquisa sobre tecnologias pessoais, vou desenvolvendo com eles vinculado à Faculdade de Educação da em educação, com um amplo elenco algumas atividades. USP, projetos em telemática na educa- de projetos. A Global Schoolhouse ção para crianças, principalmente pro- [http://www.gsh.org] com projetos e recur- Começamos com uma aula introdutória jetos para crianças do Kidlink [http:// sos avançados para educadores e o para os que não estão familiarizados eu.ansp.br:80/~educacao/]. O Kidlink AskERIC [http://ericir.syr.edu/], com pro- com a Internet. Nela, aprendemos a é pioneiro em desenvolver projetos pon- jetos, aulas, ferramentas, biblioteca vir- conhecer e a usar as principais ferra- tuais para crianças no mundo inteiro tual. Do Canadá vale a pena o Canada’s mentas. Fazemos pesquisa livre, em [http://www.kidlink.org] . Foi criado por Schoolnet [http://schoolnet2.carleton. ca], vários programas de busca. Cadastra- Odd de Presno, na Noruega. No Brasil, que mostra as principais redes eletrôni- mos cada aluno para que tenha o seu os projetos do Kidlink são coordenados cas na educação canadense (em francês e-mail pessoal (na própria universidade pela professora Marisa Lucena, do Rio e inglês), com destaque para os projetos ou em sites que oferecem endereços de Janeiro. Escola Comunitária, de de ciências, matemática e artes. eletrônicos gratuitamente). Campinas [http://www.ecc.br]:trabalhos de alunos em várias séries e matérias. EXPERIÊNCIAS PESSOAIS DE Em um segundo momento, todos pes- Projetos em diversas áreas, com outros ENSINO NA INTERNET quisamos o mesmo tópico do curso nos colégios. Estudos do Meio. Outros pro- programas de busca (como o Altavista, jetos interessantes no Brasil podem ser Venho desenvolvendo algumas expe- Yahoo, Lycos, Infoseek, Galaxy, Cadê). encontrados na Lista de Escolas co- riências no ensino de graduação e de Eles vão gravando os endereços, arti- nectadas na Internet, da Kanopus, pós-graduação na Escola de Comuni- gos e imagens mais interessantes em com destaque para ciências e humani- cações e Artes da Universidade de São disquete e também fazem anotações dades [http://www.kanopus.com.br/ Paulo. Criei uma página pessoal na In- escritas, com rápidos comentários so- ~educacao/]. Também o Centro Fede- ternet, com dois endereços: http:// bre o que estão salvando. As descober- ral de Educação Tecnológica do Paraná www.eca.usp.br/eca/prof/moran/ tas mais importantes são comunicadas (Cefet-PR), com projetos principalmen- mor.htm e http://www.geocities.com/Te- aos colegas. Os resultados são sociali- te na área de computação evolutiva levisionCity/7815/index.html. Nela cons- zados, discutidos, comparados. e também listas de discussão e pro- tam as disciplinas de pós-graduação gramas para educação [http:// (Redes Eletrônicas na Educação e No- O meu papel é o de acompanhar cada www.cefetpr.br/index-servicos.html]. vas Tecnologias para uma Nova Educa- aluno, incentivá-lo, resolver suas dúvi- Econet Brasil, com projetos sobre meio ção) e três de graduação ( Novas Fron- das, divulgar as melhores descobertas. ambiente [http://www.lsi.usp.br/econet]. teiras da Televisão, Legislação e Ética No fim da aula, fazemos um rápido ba- A Estação Ciência da USP [http:// do Radialismo e Mercadologia de Rádio lanço e peço que sintetizem o que foi www.usp.br/geral/cultura/EC/]. e Televisão),com o programa e alguns mais importante e que estudem com textos meus e dos meus alunos. O ro- mais calma o material gravado, para Em espanhol, recomendo o Programa teiro básico é o seguinte: no começo descobrir as principais coincidências e de Nuevas Tecnologías do Ministério de do semestre, cada aluno escolhe um divergências no material encontrado. Na Educação e Cultura da Espanha assunto específico dentro da matéria, aula seguinte, esse material é trocado, (PNTIC) [http://www.pntic.see.mec.es] vai pesquisando-o na Internet e na bi- discutido, junto com outros textos tra- com experiências telemáticas, bases de blioteca; ao mesmo tempo, pesqui- zidos pelo professor que são retirados dados, bibliotecas escolares. Também samos também temas básicos do cur- de revistas, livros e da própria Internet. o Programa de Informática Educati- so; o aluno apresenta os resultados da As aulas na Internet se alternam com va (PIE), da Catalunha, um programa sua pesquisa específica na classe e as aulas habituais. Posteriormente, da secretaria da Educação da região ca- depois pode divulgá-los, se quiser, atra- cada aluno desenvolve o seu tema es- talã, em Barcelona, um dos mais avan- vés da Internet. pecífico de pesquisa, sob a minha su- çados no uso de tecnologias no ensino pervisão. Estou junto com eles, dando público [http://www.xtec.es]. Recomen- Disponho de uma sala de aula com 10 dicas, tirando dúvidas, anotando desco- do também o Programa Rede de computadores ligados à Internet por fi- bertas. Esses temas específicos são Educação do Ministério da Educação bra ótica, para 20 alunos, em média. mais tarde apresentados em classe para do Chile (Enlaces), construído em Utilizamos essa sala a cada duas ou os colegas. O professor complementa, torno do software e metáfora da praça, três semanas. As outras aulas aconte- questiona, relaciona essas apresen- onde as pessoas se encontram [http:// cem na sala convencional. tações com a matéria como um todo. www.enlaces.ufro.cl]. Alguns alunos criam suas páginas pes- * Podem ser encontrados na minha página, em soais, e outros entregam somente os Endereços interessantes em Educação e resultados das suas pesquisas para Comunicação no exterior. colocá-los na minha página.
  4. 4. Como utilizar a Internet na educação Além das aulas, ocorre um estimu- assinalando coincidências e divergên- A PESQUISA NA INTERNET lante processo de comunicação virtual, cias. Por outro lado, isso reforça uma junto com o presencial. Eles podem atitude consumista dos jovens diante da A Internet está trazendo inúmeras pos- pesquisar em uma sala especial em produção cultural audiovisual. Ver sibilidades de pesquisa para professo- qualquer horário, se houver máquinas eqüivale, na cabeça de muitos, a com- res e alunos, dentro e fora da sala de livres. Os alunos me procuram mais preender e há um certo ver superficial, aula. A facilidade de, digitando duas ou para atendimento específico na minha rápido, guloso, sem o devido tempo de três palavras nos serviços de busca, sala e também enviam mensagens ele- reflexão, de aprofundamento, de coteja- encontrar múltiplas respostas para qual- trônicas. Como todos têm e-mail, de vez mento com outras leituras. Os alunos quer tema é uma facilidade deslumbran- em quando envio sugestões pela rede, se impressionam primeiro com as pági- te, impossível de ser imaginada há bem lembro-os de datas de leituras de tex- nas mais bonitas, que exibem mais ima- pouco tempo. Isso traz grandes vanta- tos. Estou começando a enviar alguns gens, animações, sons. As imagens gens e também alguns problemas. artigos pela própria rede. Na pós- animadas exercem um fascínio seme- graduação, estou fazendo algumas lhante às do cinema, vídeo e televisão. Podemos partir, na pesquisa, do geral experiências de discussões virtuais com Os lugares menos atraentes visualmen- para o específico, dos grandes tópicos programas em tempo real, escrevendo te costumam ser deixados em segundo para os subtópicos. Em um primeiro ao mesmo tempo (programas em IRC plano, o que acarreta, às vezes, perda momento, procuramos nos programas como o Mirc). Neste momento, também de informações de grande valor. de busca as palavras-chave mais abran- estamos começando a experimentar gentes, mais amplas. Por exemplo, te- programas de som e de imagem, inte- É importante que o professor fique atento levisão, televisão e educação. As pala- ragindo com outras pessoas – fora ao ritmo de cada aluno, às suas formas vras podem ser buscadas em serviços da Universidade –, em tempo real, dis- pessoais de navegação. O professor não norte-americanos como o Altavista, cutindo assuntos da matéria. impõe; acompanha, sugere, incentiva, digitando-as, além de em inglês, em por- questiona, aprende junto com o aluno. tuguês ou em espanhol, o que apontará Adapto esse processo também aos os endereços predominantemente nes- meus orientandos de graduação (traba- Ensinar utilizando a Internet pressupõe sas línguas. As primeiras buscas mos- lhos de conclusão de curso), de mes- uma atitude do professor diferente da trarão milhares de resultados. Escolhe- trado e de doutorado. Os que não mo- convencional. O professor não é o remos alguns das primeiras páginas. ram em São Paulo se comunicam com “informador”, o que centraliza a informa- Gravamos alguns endereços, anotamos mais freqüência comigo pela Internet, ção. A informação está em inúmeros por escrito também as observações enviam-me capítulos das suas teses bancos de dados, em revistas, livros, principais. O estudante iniciante na eletronicamente e eu as devolvo da mes- textos, endereços de todo o mundo. O Internet se deixa, primeiramente, des- ma forma. Os que já terminaram têm professor é o coordenador do processo, lumbrar quando vê que uma pesquisa uma página na rede com o resumo da o responsável na sala de aula. Sua pri- apresenta 100 mil resultados. Depois tese e outras informações que julguem meira tarefa é sensibilizar os alunos, desanima, ao constatar que não pode convenientes. motivá-los para a importância da maté- esgotá-la, que há inúmeras repetições, ria, mostrando entusiasmo, ligação da muitas indicações equivocadas. Con- Ensinar utilizando a Internet exige uma matéria com os interesses dos alunos, vém procurar mais de um programa de forte dose de atenção do professor. com a totalidade da habilitação esco- busca, porque os resultados não são Diante de tantas possibilidades de bus- lhida. idênticos. ca, a própria navegação se torna mais sedutora do que o necessário trabalho A Internet é uma tecnologia que facilita Em um segundo momento, dirigimos de interpretação. Os alunos tendem a a motivação dos alunos, pela novidade mais a busca para temas específicos, dispersar-se diante de tantas conexões e pelas possibilidades inesgotáveis de por exemplo, televisão por cabo, televi- possíveis, de endereços dentro de ou- pesquisa que oferece. Essa motivação são de acesso público, televisão comu- tros endereços, de imagens e textos que aumenta, se o professor a faz em um nitária, televisão interativa. Fazemos se sucedem ininterruptamente. Tendem clima de confiança, de abertura, de cor- essa pesquisa em vários programas de a acumular muitos textos, lugares, idéias, dialidade com os alunos. Mais que a busca. Vamos abrindo alguns endere- que ficam gravados, impressos, anota- tecnologia, o que facilita o processo de ços. Com a prática, desenvolvemos a dos. Colocam os dados em seqüência ensino-aprendizagem é a capacidade de habilidade de descobrir onde estão os mais do que em confronto. Copiam os comunicação autêntica do professor, de melhores endereços, aqueles nos quais endereços, os artigos uns ao lado dos estabelecer relações de confiança com vale a pena aprofundar-se. Fazemo-lo, outros, sem a devida triagem. os seus alunos, pelo equilíbrio, compe- observando a organização dos tópi- tência e simpatia com que atua. cos, a riqueza e variedade de artigos, a Creio que isso se deve a uma primeira respeitabilidade da instituição e dos pes- etapa de deslumbramento diante de tan- quisadores. tas possibilidades que a Internet ofere- ce. É mais atraente navegar, descobrir coisas novas do que analisá-las, com- pará-las, separando o que é essencial do acidental, hierarquizando idéias,
  5. 5. Como utilizar a Internet na educação Podemos coordenar pesquisas com Pode-se também, ao final do período e texto. Principalmente para os alunos, objetivos bem específicos, monitorando da aula-pesquisa, pedir aos alunos que o estético é uma qualidade fundamen- de perto cada etapa da busca, pedindo relatem a síntese do que encontraram tal de atração. Uma página bem apre- que anotem os dados mais importantes de mais significativo. Os alunos terão sentada, com recursos atraentes, é ime- e que reconstruam ao final os resulta- gravadas as principais páginas, junto diatamente selecionada, pesquisada. dos. É importante sensibilizar o alu- com um roteiro de anotações, para es- no antes para o que se quer conseguir clarecer a navegação feita e encontrar Com freqüência, encontram-se assun- neste momento, neste tópico. Se o melhores relações, ao final. Um apro- tos novos, diferentes dos buscados e aluno tem claro ou encontra valor no fundamento dos resultados pesquisados que também podem interessar a alguém que vai pesquisar, procederá com mais pode ser deixado para a próxima aula. em particular. O educador não deve rapidez e eficiência. O professor preci- Os alunos fazem, fora da aula, a análi- simplesmente dizer ao aluno que aquele sa estar atento, porque a tendência se das páginas encontradas. Procuram assunto não faz parte da aula. Pode pe- na Internet é para a dispersão fácil. o que houve demais significativo. Esses dir-lhe que grave rapidamente o que O intercâmbio constante de resultados dados são colocados em comum na achar mais importante e que deixe para e a supervisão do professor podem aju- aula seguinte. Professor e alunos rela- outro momento o aprofundamento des- dar a obter melhores resultados. cionam as coincidências e divergên- se novo assunto, para voltar mais que cias entre os resultados encontrados e logo ao tema específico da aula. Na pesquisa com objetivos bem es- as informações já conhecidas em refle- pecíficos, podemos fazer uma busca xões anteriores, em livros e revistas. Não podemos deslumbrar-nos com a “uniforme”, isto é, todos pesquisam os Essa discussão maior é importante, pesquisa na Internet e deixar de lado mesmos endereços previamente indica- para que a Internet não se torne só uma outras tecnologias. A chave do suces- dos pelo professor ou fazem uma bus- bela diversão e que esse tempo de pes- so está em integrar a Internet com as ca mais aberta sobre o mesmo assun- quisa se multiplique pela difusão em outras tecnologias – vídeo, televisão, jor- to. Vale a pena alternar as duas formas. comum, pela troca, discussão, síntese nal, computador. Integrar o mais avan- Na primeira, há menos variedade de lu- final. A comunicação dos resultados ao çado com as técnicas já conhecidas, gares pesquisados, mas podem-se grupo é cada vez mais relevante pela dentro de uma visão pedagógica nova, aprofundar mais os resultados. Na se- quantidade, variedade e desigualdade de criativa, aberta. gunda, ao deixar menos definidos os dados, informações contidas nas pági- lugares, e sim o tema, as possibilida- nas da Internet. Há muitos pontos de A COMUNICAÇÃO NA INTERNET des de encontrar resultados inespera- vista diferentes explicitados. A colocação dos aumentam. em comum facilita a comparação, a sele- Todos procuram na rede seus seme- ção, a organização hierárquica de idéias, lhantes, seus interesses. Cada um Podemos fazer pesquisas de temas di- conceitos, valores. A tendência dos alu- busca a sua “turma”; busca pessoas ferentes, individualmente ou em peque- nos é a de quantificar, mais do que ana- que tenham gostos, valores, expectati- nos grupos. É interessante que os alu- lisar. Juntam inúmeras páginas. Se não vas parecidos; pessoas fisicamente pró- nos escolham algum assunto dentro do programa que esteja mais próximo do estivermos atentos, não explorarão to- ximas e distantes, conhecidas e des- que eles valorizam mais. Essas pesqui- das as possibilidades nelas contidas. conhecidas. sas podem ser realizadas dentro e fora do período de aula. Durante a aula, o A pesquisa na Internet requer uma ha- Uma das características mais interes- professor acompanha cada aluno, tira bilidade especial devido à rapidez com santes da Internet é a possibilidade de dúvidas, dá sugestões, incentiva, com- que são modificadas as informações nas descobrir lugares inesperados, de en- plementa os resultados, aprende com páginas e à diversidade de pessoas e contrar materiais valiosos, endereços as informações que os alunos passam. pontos de vista envolvidos. A navega- curiosos, programas úteis, pessoas di- Essas pesquisas são depois apresen- ção precisa de bom senso, gosto vertidas, informações relevantes. São tan- tadas para os demais colegas e para o estético e intuição. Bom senso para tas as conexões possíveis, que a viagem professor. Este complementa, problema- não deter-se, diante de tantas possibi- vale por si mesma. Viajar na rede preci- tiza, adapta à realidade local, os resul- lidades, em todas elas, sabendo selecio- sa de intuição acurada, de estarmos tados trazidos pelos alunos. nar, em rápidas comparações, as mais atentos para fazer tentativas no escuro, importantes. A intuição é um radar que para acertar e errar. A pesquisa nos leva Como há tantas possibilidades de pes- vamos desenvolvendo ao “clicar” o mouse a garimpar jóias entre um monte de ba- quisa e facilidade de dispersão, o edu- nos links que nos levarão mais perto nalidades, a descobrir pedras preciosas cador estará atento, na aula-pesquisa, do que procuramos. A intuição nos leva escondidas no meio de inúmeros sites a escolher o melhor momento de cada a aprender por tentativa, acerto e erro. publicitários. aluno comunicar os seus resultados para Às vezes, passaremos bastante tempo a classe. A comunicação de resultados sem achar algo importante e, de repe- A comunicação torna-se mais e mais pode ser espontânea: o professor pede tente, se estivermos atentos, consegui- sensorial, mais e mais multidimensio- que, quando alguém encontre algo sig- remos um artigo fundamental, uma pá- nal, mais e mais não-linear. As técni- nificativo, que o comunique a todos. Isso gina esclarecedora. O gosto estético cas de apresentação são mais fáceis ajuda a que os colegas possam avan- nos ajuda a reconhecer e a apreciar hoje e mais atraentes do que anos atrás, çar mais, aprofundar os melhores sites, páginas elaboradas com cuidado, com o que aumentará o padrão de exigência os mesmos assuntos. bom gosto, com integração de imagem para mostrar qualquer trabalho pelos sis-
  6. 6. Como utilizar a Internet na educação temas multimídia. O som não será um As profissões ligadas à informação e à porque se comunica e conhece pes- acessório, mas uma parte integral da comunicação estão experimentando um soas próximas e distantes, da sua ida- narrativa. O texto na tela aumentará de grande desenvolvimento. Cada vez te- de e de outras idades, on-line e off line. importância, pela sua maleabilidade, mos menos tempo para procurar tantas facilidade de correção, de cópia, de des- informações necessárias. Por isso, pre- O aluno desenvolve a aprendizagem locamento e de transmissão. cisamos de mediadores, de pessoas cooperativa, a pesquisa em grupo, a tro- que saibam escolher o que é mais im- ca de resultados. A interação bem-su- Na educação, professores e alunos pra- portante para cada um de nós em todas cedida aumenta a aprendizagem. Em ticam formas de comunicação novas. as áreas da nossa vida, que garimpem alguns casos, há uma competição ex- Encontram colegas com os quais po- o essencial, que nos orientem sobre as cessiva, monopólio de determinados alu- dem comunicar-se facilmente por cor- suas conseqüências, que traduzam os nos sobre o grupo. Mas, no conjunto, a reio eletrônico, por listas de discussão, dados técnicos em linguagem acessí- cooperação prevalece. por comunicação instantânea em IRC. vel e contextualizada. Atualmente começam a comunicar-se A Internet ajuda a desenvolver a intui- por intermédio de voz (programas como Avaliação da utilização da Internet ção, a flexibilidade mental, a adaptação o Iphone) e também de imagem (pro- na educação presencial a ritmos diferentes. A intuição, porque gramas como o CuSeeme ou a última as informações vão sendo descobertas versão do Iphone). Nos projetos brasileiros que temos por acerto e erro, por conexões “escon- acompanhado, podemos observar algu- didas”. As conexões não são lineares, Aumenta a procura pelos chats ou bate- mas dimensões positivas e alguns pro- vão “linkando-se” por hipertextos, tex- papos. Muitos estudantes passam ho- blemas. Aumenta a motivação, o inte- tos interconectados, mas ocultos, com ras seguidas em conversas aleatórias, resse dos alunos pelas aulas, pela pes- inúmeras possibilidades diferentes de fragmentadas, em um autêntico jogo de quisa, pelos projetos. Motivação ligada navegação. Desenvolve a flexibilidade, cena, de camuflagem de identidade, de à curiosidade pelas novas possibilida- porque a maior parte das seqüências é meias-verdades. Mas o chat tem um des, à modernidade que representa a imprevisível, aberta. A mesma pessoa grande potencial democrático, por ser Internet. Há uma primeira etapa de des- costuma ter dificuldades em refazer a aberto, multidimensional. Nessas tro- lumbramento, de curiosidade, de fascí- mesma navegação duas vezes. Ajuda cas, realizam-se encontros virtuais, nio diante de tantas possibilidades no- na adaptação a ritmos diferentes: a In- criam-se amizades, relacionamentos vas. Depois vem a etapa de domínio da ternet permite a pesquisa individual, em inesperados que começam virtualmen- tecnologia, de escolha das preferên- que cada aluno vai no seu próprio ritmo, te e muitas vezes levam a contatos pre- cias. Mais tarde, começa-se a enxer- e a pesquisa em grupo, em que se de- senciais. gar os defeitos, os problemas, as difi- senvolve a aprendizagem colaborativa. culdades de conexão, as repetições, a Começamos a ser nossos próprios edi- demora. Na Internet, também desenvolvemos tores de textos e diretores de imagens formas novas de comunicação, prin- na Internet. Há centenas de jornais es- Comparando as minhas aulas, agora e cipalmente escrita. Escrevemos de for- colares na rede. Quem tem algo a dizer antes da Internet, posso afirmar que ma mais aberta, hipertextual, conecta- pode fazê-lo sem depender da autoriza- aumentou significativamente a motiva- da, multilingüística, aproximando texto ção de emissoras, jornais ou conselhos ção, o interesse e a comunicação com e imagem. Agora começamos a incor- editoriais; basta colocá-lo na sua pági- os alunos e a deles entre si. Estão mais porar sons e imagens em movimento. na pessoal. Os estudantes podem mos- abertos, confiantes. Intercambiamos A possibilidade de divulgar páginas pes- trar sua capacidade on-line, ao vivo, mais materiais, sugestões, dúvidas. Tra- soais e grupais na Internet gera uma sem ter de esperar anos pelo ingresso zem-me muitas novidades. Já me acon- grande motivação, visibilidade, respon- formal dentro do mercado de trabalho. teceu de, em alguns seminários, apre- sabilidade para professores e alunos. O artista está podendo divulgar suas sentarem resultados com informações Todos se esforçam por escrever bem, por obras para o mundo inteiro imediata- que eu desconhecia sobre tópicos do comunicar melhor as suas idéias, para mente. O pesquisador consegue publi- meu programa, por estarem extrema- serem bem aceitos, para “não fazer feio”. car na rede os resultados do seu traba- mente atualizadas, o que traz novas Alguns dos endereços mais interessan- lho instantaneamente, sem depender do perspectivas para a matéria. tes ou visitados da Internet no Brasil são julgamento de especialistas e sem de- feitos por adolescentes ou jovens. mora na publicação. Isso torna mais di- O aluno aumenta as conexões lin- fícil a seleção do que vale ou não vale a güísticas, as geográficas e as inter- O interesse pelo estudo de línguas pena ser lido. Nem sempre há um con- pessoais. As lingüísticas, porque inte- aumenta. A aprendizagem de línguas, selho editorial de notáveis para filtrar os rage com inúmeros textos, imagens, principalmente do inglês, é um dos mo- melhores artigos. Com isso, há muito narrativas, formas coloquiais e formas tivos principais para o sucesso dos pro- lixo cultural, mas também se amplia elaboradas, com textos sisudos e tex- jetos. Os alunos enviam e recebem imensamente o número e a variedade tos populares. As geográficas, porque mensagens, o que exige uma boa fluên- de pessoas que se expõem ao julga- se desloca continuamente em diferen- cia em língua estrangeira. Com progra- mento público. tes espaços, culturas, tempos e adqui- mas de comunicação na Internet em re uma visão mais ecológica sobre os tempo real, a necessidade de domínio problemas da cidade. As interpessoais, de línguas estrangeiras é mais percebi-
  7. 7. Como utilizar a Internet na educação da. Em programas de IRC, de audiofo- sem termos o controle do Estado ou de INTEGRAR A INTERNET EM UM NOVO ne (como o Iphone), de videoconferên- outras instituições, que, em outras mí- PARADIGMA EDUCACIONAL cia, os alunos escrevem ou falam ao dias, sempre estão “orientando-nos”, ofe- vivo, com rapidez. recendo-nos os “melhores” produtos Ensinar na e com a Internet atinge resul- econômicos e culturais. tados significativos quando se está in- Outro resultado comum à maior parte tegrado em um contexto estrutural de dos projetos na Internet confirma a ri- Constato também a impaciência de mudança do processo de ensino-apren- queza de interações que surgem, os muitos alunos por mudar de um en- dizagem, no qual professores e alunos contatos virtuais, as amizades, as tro- dereço para outro. Essa impaciência vivenciam formas de comunicação aber- cas constantes com outros colegas, os leva a aprofundar pouco as possibili- tas, de participação interpessoal e gru- tanto por parte de professores como dos dades que há em cada página encon- pal efetivas. Caso contrário, a Internet será alunos. Os contatos virtuais se trans- trada. Os alunos, principalmente os uma tecnologia a mais, que reforçará as formam, quando é possível, em presen- mais jovens, “passeiam” pelas páginas formas tradicionais de ensino. A Internet ciais. A comunicação afetiva, a criação da Internet, descobrindo muitas coisas não modifica, sozinha, o processo de de amigos em diferentes países se interessantes, enquanto deixam por afo- ensinar e aprender, mas a atitude básica transforma em um grande resultado in- bação outras tantas, tão ou mais im- pessoal e institucional diante da vida, do dividual e coletivo dos projetos. portantes, de lado. mundo, de si mesmo e do outro. ALGUNS PROBLEMAS É difícil avaliar rapidamente o valor de A palavra-chave é integrar. Integrar cada página, porque há muita semelhan- a Internet com as outras tecnologias na Criam-se todos os dias mais de 140 mil ça estética na sua apresentação, há educação – vídeo, televisão, jornal, compu- novas páginas de informações e servi- muita cópia da forma e do conteúdo: tador. Integrar o mais avançado com as ços na rede. Há informações demais e copiam-se os mesmos sites, os mes- técnicas convencionais, integrar o hu- conhecimento de menos no uso da In- mos gráficos, animações, links. mano e o tecnológico, dentro de uma ternet na educação. E há uma certa visão pedagógica nova, criativa, aberta. Nem sempre é fácil conciliar os dife- confusão entre informação e conhe- rentes tempos dos alunos. Uns res- cimento. Temos muitos dados, muitas Há um pouco de confusão entre tecno- pondem imediatamente. Outros demo- informações disponíveis. Na informação, logias interativas – que permitem parti- ram mais, são mais lentos. A lentidão organizamos os dados dentro de uma cipação – e processos interativos. Uma pode permitir maior aprofundamento. Na lógica, de um código, de uma estrutura tecnologia pode ser profundamente in- pesquisa individual, esses ritmos dife- determinada. Conhecer é integrar a in- terativa, como, por exemplo, o telefone, rentes podem ser respeitados. Nos pro- formação no nosso referencial, no nos- que permite o intercâmbio constante jetos de grupo, depende muito da forma so paradigma, apropriando-a, tornando-a entre quem fala e quem responde. Isso de coordenar e do respeito entre seus significativa para nós. O conhecimento não significa que automaticamente a membros. não se passa, o conhecimento se cria, comunicação entre pessoas, pelo tele- constrói-se. A participação dos professores é fone, seja interativa no sentido profun- desigual. Alguns se dedicam a domi- do. As pessoas podem manter formas Há facilidade de dispersão. Muitos nar a Internet, a acompanhar e supervi- de interação autoritárias, dependentes, alunos se perdem no emaranhado de sionar os projetos. Outros, às vezes por contraditórias, abertas. O telefone faci- possibilidades de navegação. Não pro- estarem sobrecarregados, acompa- lita a troca, não a realiza sempre. Isso curam o que está combinado, deixan- nham à distância o que os alunos fa- depende das pessoas envolvidas. do-se arrastar para áreas de interesse zem e vão ficando para trás no domínio pessoal. É fácil perder tempo com in- das ferramentas da Internet. Esses pro- A mesma situação acontece com a In- formações pouco significativas, ficando fessores terminam pedindo aos alunos ternet. Fala-se das inúmeras possibili- na periferia dos assuntos, sem aprofun- as informações essenciais. Em avalia- dades de interação, de troca, de pes- dá-los, sem integrá-los em um paradig- ções dos projetos educacionais que uti- quisa. Elas existem. Mas, na prática, ma consistente. Conhecer se dá ao fil- lizam a Internet, há queixas de que mui- se uma escola mantém um projeto trar, selecionar, comparar, avaliar, sin- tos professores vão deixando de estar educacional autoritário, controlador, tetizar, contextualizar o que é mais re- atentos aos projetos dos alunos, que não a Internet não irá modificar o processo levante, significativo. se atualizam, não mexem no compu- já instalado. A Internet será uma ferra- tador e empregam mal o tempo de aula menta a mais que reforçará o autorita- Há informações que distraem, que pou- e de pesquisa. rismo existente: a escola fará tudo para co acrescentam ao que já sabemos, controlar o processo de pesquisa dos mas que ocupam muito tempo de nave- Professores e alunos se relacionam com alunos, os resultados esperados, a for- gação. Perde-se muito tempo na a Internet, como se relacionam com to- ma impositiva de avaliação. Os alunos, rede. Onde mais se percebe isso é das as outras tecnologias. Se são curio- eventualmente, ou alguns professores ao observar a variedade de listas de dis- sos, descobrem inúmeras novidades poderão estabelecer formas de comuni- cussão e newsgroups sobre qualquer nela como em outras mídias. Se são cação menos autoritárias, mas, para tipo de assunto banal. Mas, em contra- acomodados, só falam dos problemas isso, precisam contrariar a filosofia da partida, a Internet espelha nessas lis- da lentidão, das dificuldades de cone- escola, mudando-a por conta própria, tas os desejos reais de cada um de nós, xão, do lixo inútil, de que nada muda. sem o endosso institucional.
  8. 8. Como utilizar a Internet na educação Compreendo perfeitamente que a Inter- Nossa mente é a melhor tecnologia, REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS net é uma ferramenta fantástica para infinitamente superior em comple- 1. DODGE, Bernis. WebQuests: a technique for buscar caminhos novos, para abrir a xidade ao melhor computador, por- Internet-based learning. The Distance escola para o mundo, para trazer inú- que pensa, relaciona, sente, intui e Educator. San Diego, vol 1, n.2, p.10-13, meras formas de contato com as pes- pode surpreender. Faremos com as Summer 1995. soas. Mas essas possibilidades só se tecnologias mais avançadas o mesmo 2. GILDER, George. Vida após a televisão; ven- concretizam, se, na prática, elas estão que fazemos conosco, com os outros, cendo na revolução digital. Rio de Janei- atentas, preparadas, motivadas para com a vida. Se somos pessoas aber- ro, Ediouro, 1996. querer saber, aprofundar, avançar na tas, nós as utilizaremos para comu- 3. ELLSWORTH, Jill. Education on the Internet. pesquisa, na compreensão do mundo. nicar-nos mais, para interagir melhor. Indianápolis, Sams Publishing, 1994. Quem está acomodado em uma atitude Se somos pessoas fechadas, descon- superficial diante das coisas pesquisa- fiadas, utilizaremos as tecnologias de 4. ESTABROOK, Noel et al. Using UseNet News- groups. Indianopolis, Que, 1995. rá de forma superficial. forma defensiva, superficial. Se somos pessoas autoritárias, utilizaremos as 5. FERREIRA, Sueli Mara. Introdução às Redes Vejo muitas pessoas adultas e jovens tecnologias para controlar, para aumen- Eletrônicas. Ciência da Informação. Bra- sília, v.23, n.2, p. 258-263, maio/ago,1994. que se aborrecem com a Internet. tar o nosso poder. O poder de interação Acham só problemas ao pesquisar. Re- não está fundamentalmente nas tecno- 6. HOINEFF, Nelson. A nova televisão; desmas- clamam de que aparecem milhares de logias, mas nas nossas mentes. sificação e o impasse das grandes re- sites, que em muitos só há propagan- des. Rio de Janeiro. Delume Dumará, 1996. da, que, com freqüência, os endereços Ensinar com a Internet será uma revolu- 7. LASMAR, Tereza Jorge. Usos educacionais da não entram, que nunca acham o que ção, se mudarmos simultaneamente os Internet: A contribuição das redes eletrôni- procuram e que o que encontram está paradigmas do ensino. Caso contrário, cas para o desenvolvimento de programas educacionais. Brasília, Faculdade de Edu- em inglês. Colocam desculpas para não servirá somente como um verniz, um cação, 1995. Dissertação de mestrado. pesquisar mais, porque realmente para paliativo ou uma jogada de marketing elas pesquisar é um problema. Enquanto para dizer que o nosso ensino é moder- 8. LINARD, Monique & BELISLE, Claire. Comp’act: new competencies of training isso, ficam horas seguidas, provavel- no e cobrar preços mais caros nas já actors with new information and commu- mente, em programas de bate-papo, de salgadas mensalidades. A profissão nication technologies. Ecully, CNRS, 1995 “conversa” superficial, interminável e fundamental do presente e do futu- pouco produtiva, para quem olha de fora. ro é educar para saber compreender, 9. MORAN, José Manuel. Novos caminhos do en- sino à distância. Informe CEAD - Centro de sentir, comunicar-se e agir melhor, in- Educação à Distância. SENAI. Rio de Ja- tegrando a comunicação pessoal, a neiro, Ano 1, n. 5, out/nov/dez 1994, p. 1-3. comunitária e a tecnológica. 10. _________________.Novas Tecnologias e o Reencantamento do Mundo. Tecnologia Educacional. Rio de Janeiro, vol. 23, n.126, setembro-outubro 1995, p. 24-26. 11. PAPERT, Seymour. A máquina das crianças: repensando a escola na era da informáti- ca. Porto Alegre, Artes Médicas, 1994. 12. POSTMANN, Neil. Tecnopolio. São Paulo, Nobel, 1994. 13. SEABRA, Carlos. Usos da telemática na educação. In Acesso; Revista de Educa- ção e Informática. São Paulo, v.5, n.10, p.4-11, julho, 1995. How to use the Internet in education field 14. SPROULL, Lee & KIESLER, Sara. Connections; New ways of working in the networked environment. Cambridge, Mass: MIT Press, Abstract 1991. Report and analysis of personal and institutional experiences that use Internet in education as research, support to teaching José Manuel Moran and as communication. This article evaluate the advances and problems that are taking Doutor em comunicação pela Universidade de place and shows that Internet has more São Paulo efficiency when is introduced with processes Professor de Novas Tecnologias no Curso de of teaching, learning and of communication Televisão da USP that try to integrate the personal, social and technological dimensions. E mail: jmmoran@usp.br. Home Page sobre Comunicação e Educação: http:// Keywords www.eca.usp.br/eca/prof/moran/mor.htm e http://www.geocities.com/TelevisionCity/ Internet; Education; Research; 7815/index.html Communication.

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