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Dedico a DeusCompanheiro fiel.
AGRADECIMENTOS:      Avante. Conhecimento a gente aplica na vida pública, na esfera profissional, enas próprias relações d...
“Há, contudo quem não veja civilidade como virtude”.                                    Kennedy (1998)
RESUMO:Verificamos se o programa de televisão “Que Venha o Povo” configura-se em uminstrumento estratégico de diálogo e vi...
ABSTRACT:We check that the television program "What the People Come" set in a strategicinstrument of dialogue and visibili...
LISTA DE ILUSTRAÇÕESFigura 1 - Imagens do Programa Que Venha o Povo. .................................................. 29...
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LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLASAPP      Associação dos Pescadores de ParipeAJP      Associação Jovem de ParipeAMP      Asso...
SUMÁRIOINTRODUÇÃO ...........................................................................................................
13INTRODUÇÃO      A emergência por cidadania e melhorias nas condições de vida da populaçãotraz consigo, segundo Peruzzo (...
14Verificamos o conceito, surgimento e importância da sociedade civil enquantoestrutura de regulação dos direitos e devere...
15barreiras a serem enfrentadas pela sociedade para a promoção da cidadania e dosdiálogos a partir dos meios de comunicaçã...
16 1. SOCIEDADE CIVIL E MEIOS DE COMUNICAÇÃO: UMA RELAÇÃO PARA A    CIDADANIA   1.1.   CIDADANIA      Para Santana (2004),...
17população      do    mundo1.      Conhecer       e   contemplar      todas     essas     demandas,transformando-as em po...
18administração estão envolvidas. Um bom representativo dessas desmotivações,para Dagnino (2002), são os partidos político...
19        Como vimos, ações de grupos da Sociedade Civil atuantes naquele períodoforam    importantes   na   conquista   d...
20meios de comunicação, “que gera conhecimento e conscientização e é capaz demobilizar se torna favorável ao processo de c...
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22problemáticas do cotidiano deveriam ser trazidos para a discussão na televisão, semque o Estado manifestasse censuras, p...
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24  1.4.2. TELEVISÃO: VISIBILIDADE      No estudo, daremos destaque ao modelo de televisão comercial.          O queperceb...
25perspectiva, tem destaque para Peruzzo (2002), a participação dos líderes eassociações comunitárias, também chamados de ...
26  2. JORNALISMO POPULAR E VISIBILIDADE       Segundo Amaral (2006),o Jornalismo popular possui diversas conceituações.Em...
27experimentações sociais. Visto que, no plano real, o jornalismo popular “pelo povo”e “para o povo” muitas vezes se confu...
28desnecessário à população de baixa renda. Se fossem assim concebidos, eles nãoapresentariam os altos índices de audiênci...
29num horário nobre, isto contribui para sua boa audiência entre as camadas de baixarenda.                                ...
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32       Segundo o Atlas do Desenvolvimento Humano da Região Metropolitana deSalvador, São Tomé de Paripe possui aproximad...
33      3.1.2. ASSOCIAÇÃO JOVEM DE PARIPE - (AJP)      A Associação Jovem de Paripe foi criada em 16 de Março de 2006, pos...
34ambiental para os pescadores e interessados na comunidade. Trabalha pormelhorias nas condições de trabalho da classe, be...
35    3.1.7. CENTRO COMUNITÁRIO DA IGREJA BATISTA DE PARIPE- (CECOP)      O CECOP foi criado em 02 de Março de 1993. Tem c...
36      Dessa forma exposta pelo Líder Altino Arantes, em que a comunidade deParipe e suas demandas ainda se mostram invis...
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39principalmente pela conduta editorial de abordagem sensacionalista e deespetacularização da notícia, a presença desse va...
40equivocada da sociedade, levando para os telespectadores do programa, aoscríticos da área de comunicação e a sociedade a...
41televisão. Pois, conhecendo esses elementos é possível traçar um planejamentosobre o caso a ser levado à visibilidade, f...
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44representando sua comunidade e falando sobre a situação? Decididas as formas deaparição da mobilização na primeira instâ...
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Paripe, ações comunitárias e visbilidade pública através do programa de tv que venha o povo
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Paripe, ações comunitárias e visbilidade pública através do programa de tv que venha o povo

  1. 1. UNIVERSIDADE ESTADUAL DA BAHIA MARIANA DE AZEVEDO PINTOParipe, Ações Comunitárias e Visibilidade Pública através do Programa de TV “Que Venha o Povo” Conceição do Coité, 2011.
  2. 2. MARIANA DE AZEVEDO PINTOParipe, Ações Comunitárias e Visibilidade pública através do Programa de TV Que Venha o Povo Trabalho de conclusão apresentado ao curso de Comunicação Social - Habilitação em Radialismo, da Universidade do Estado da Bahia, como requisito parcial para obtenção do grau de bacharel em Comunicação, sob a orientação da Professora: Patrícia Rocha de Araújo. Conceição do Coité, 2011
  3. 3. MARIANA DE AZEVEDO PINTOParipe, Ações Comunitárias e Visibilidade Pública através do Programa de TV “Que Venha o Povo” Trabalho de conclusão apresentado ao curso de Comunicação Social - Habilitação em Radialismo, da Universidade do Estado da Bahia, como requisito parcial para obtenção do grau de bacharel em Comunicação, sob a orientação da Professora: Patrícia Rocha de Araújo. Data:__________________________ Resultado:_____________________ BANCA EXAMINADORA Prof.(orientadora)_________________ Assinatura_______________________ Prof.(orientadora)_________________ Assinatura_______________________ Prof.____________________________ Assinatura________________________
  4. 4. Dedico a DeusCompanheiro fiel.
  5. 5. AGRADECIMENTOS: Avante. Conhecimento a gente aplica na vida pública, na esfera profissional, enas próprias relações da vida privada. Tanto quis que assim foi. Uma das etapas deconhecimento e aprendizado que se conclui. Feliz é aquele que abdica, porqueabdicar faz parte do processo de ser humano. Nessa caminhada muitos foramhumanos comigo: Inailde Azevedo, que sempre se mostrou atuante enquanto mãe,educadora e amiga; meu irmão Danilo Azevedo, que sempre abriu meus olhos paraas possibilidades da vida; meu pai Wilson Pinto, que sempre investiu na educaçãode seus filhos; Aloisio Ferreira, pela companhia e paz nos momentos de inquietude,aos amigos, em especial ao grupo de faculdade: Bela Almeida, Glécia Carneiro,Leandro Daniel, Maicon Emerson, Robson Silva que, aos trancos e barrancos,nunca deixaram de seguir em frente e ter confiança na vida. Aos demais colegas deturma, a minha orientadora Patrícia Rocha em aos que entraram no meio docaminho e acabaram por me dar base permitindo-me caminhar com foco, RaianeLopes, Duda, Juçara, meu muito obrigado. Fácil não foi, a cidade era desconhecida,repleta de peculiaridades, mas nada que a juventude não tirasse de letra. O melhorde tudo é que tivemos a oportunidade de nos conhecer e conviver com universosdiferenciados. Hoje parto para um novo retângulo de vida, mais conhecedora ecompletamente grata a todos que comigo estiveram, conviveram e que meensinaram. Muitíssimo obrigado.
  6. 6. “Há, contudo quem não veja civilidade como virtude”. Kennedy (1998)
  7. 7. RESUMO:Verificamos se o programa de televisão “Que Venha o Povo” configura-se em uminstrumento estratégico de diálogo e visibilidade para os problemas e anseios dacomunidade de Paripe, por meio do das ações desenvolvidas pelas liderançascomunitárias perante as autoridades do poder público. Foram verificadas também aspossíveis influências da linha editorial do programa nesse diálogo, através demateriais fornecidos pela própria produção do programa. Para tanto, adotamoscomo corpus de análise dados obtidos a partir da confecção de Grupos Focaisenvolvendo seis Associações comunitárias: o CECOP, Associação de Moradores,Associação de Pescadores, Centro dos Amigos de Paripe, Associação Jovem deParipe, Centro Comunitário da Igreja Católica de Paripe. Através dos dados obtidosjunto a esse corpus pudemos formular e compreender os procedimentos adotadospara visibilidade da comunidade junto ao programa QVP, bem como perceber oselementos, interesses e consequências que essa tentativa de visibilidadedesenvolve para a comunidade.Palavras-chave: Mobilização Comunitária,Paripe; Programa de TV QVP;Visibilidade.
  8. 8. ABSTRACT:We check that the television program "What the People Come" set in a strategicinstrument of dialogue and visibility to the problems and aspirations of communityParipe through the actions undertaken by community leaders, before the authoritiesof the government. We also noticed the possible influences of the editorial line of theprogram in such a dialogue, through materials provided by own production of theprogram. To this end, we adopted as corpus analysis, data obtained from theconstruction of six focus groups involving community associations: the CECOP,Residents Association, Fishermens Association, Friends of the Center Paripe, ParipeYouth Association, the Catholic Church Community Center of Paripe. Using dataobtained from this corpus we formulate and understand the procedures adopted forvisibility of the program QVP community together, and perceive the elements,interests and consequences that this attempt to develop visibility for the community.Keywords: Community Mobilization-Paripe; TV QVP; visibility.
  9. 9. LISTA DE ILUSTRAÇÕESFigura 1 - Imagens do Programa Que Venha o Povo. .................................................. 29Figura 2 - Localização de Paripe. ..................................................................................... 31
  10. 10. LISTA DE TABELASTabela 1 - Associações comunitárias, total de associados, líderes e tempo deatuação .................................................................................................................................... 32Tabela 2 - Relação das Pautas ........................................................................................... 43Tabela 3 - Relação das pautas de saúde .......................................................................... 44Tabela 4 - Relação das pautas de educação ................................................................... 45Tabela 5 - Relação das pautas de entretenimento .......................................................... 45Tabela 6 - Relação das pautas de violência ..................................................................... 46Tabela 7 - Relação das pautas de assistencialismo ....................................................... 46Tabela 8 - Relação das pautas de infraestrutura ............................................................. 46Tabela 9 - Relação das pautas de eventos....................................................................... 47Tabela 10 - Relação das pautas de saúde ....................................................................... 48Tabela 11 - Relação das pautas de educação ................................................................. 49Tabela 12 - Relação das pautas de entretenimento ........................................................ 50Tabela 13 - Relação das pautas de violência ................................................................... 51Tabela 14 - Relação das pautas de assistencialismo ..................................................... 51Tabela 15 - Relação das pautas de infraestrutura ........................................................... 52Tabela 16 - Relação das pautas de eventos .................................................................... 53
  11. 11. LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLASAPP Associação dos Pescadores de ParipeAJP Associação Jovem de ParipeAMP Associação dos Moradores de ParipeCAP Centro dos Amigos de ParipeCCICP Centro Comunitário da Igreja Católica de Paripe.CDI Comitê de Democratização da InformáticaCECOP Centro Comunitário da Igreja Batista de ParipeFHC Fernando Henrique CardosoGF Grupo de FocalIBGE Instituto Brasileiro de Geografia e EstatísticaIPEA Instituto de Pesquisa Econômica AplicadaMCM Meios de Comunicação de MassaPNUD Programa das Nações Unidas para o DesenvolvimentoPPNADL Projeto Nacional de Apoio ao Desenvolvimento LocalQVP Que Venha o PovoSAC Serviço de Atendimento ao ConsumidorSECULT Secretaria de Cultura da BahiaIDH Índice de Desenvolvimento HumanoIWG International Working Group
  12. 12. SUMÁRIOINTRODUÇÃO .......................................................................................................... 131. SOCIEDADE CIVIL E MEIOS DE COMUNICAÇÃO: UMA RELAÇÃO PARA ACIDADANIA. ............................................................................................................. 16 1.1. CIDADANIA .................................................................................................... 16 1.2. SOCIEDADE CIVIL. ........................................................................................ 17 1.3. MEIOS DE COMUNICAÇÃO DE MASSA E SEUS REFLEXOS NA CONTEMPORANEIDADE. .................................................................................... 19 1.4. MÍDIA TELEVISIVA NO BRASIL: HISTÓRIAS E PERSPECTIVAS ............... 21 1.4.1. MÍDIA TELEVISIVA NO BRASIL: UM BREVE HISTÓRICO. .................. 21 1.4.2. TELEVISÃO: MOBILIZAÇÃO E VISIBILIDADE. ...................................... 242. JORNALISMO POPULAR E VISIBILIDADE ..................................................... 26 2.1. O PROGRAMA DE TELEVISÃO “QUE VENHA O POVO” ............................. 283. PARIPE – MOBILIZAÇÕES COMUNITÁRIAS E VISIBILIDADE PÚBLICAATRAVÉS DO PROGRAMA DE TELEVISÃO QVP ................................................. 31 3.1. PARIPE........................................................................................................... 31 3.1.2. ASSOCIAÇÃO JOVEM DE PARIPE - (AJP) ............................................ 33 3.1.3. ASSOCIAÇÃO DOS MORADORES DE PARIPE– (AMP) ....................... 33 3.1.4. ASSOCIAÇÃO DOS PESCADORES DE PARIPE – (APP) ..................... 33 3.1.5. CENTRO DOS AMIGOS DE PARIPE- (CAP) .......................................... 34 3.1.6. CENTRO COMUNITÁRIO DA IGREJA CATÓLICA DE PARIPE – (CCICP) ........................................................................................................................... 34 3.1.7. CENTRO COMUNITÁRIO DA IGREJA BATISTA DE PARIPE-(CECOP) 35 3.2. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS ....................................................... 36 3.2.1. FASE 1: LIDERANÇAS COMUNITÁRIAS E SEU TRABALHO DE MOBILIZAÇÃO. .................................................................................................. 37 3.2.2. FASE 2: A VISIBILIDADE DAS MOBILIZAÇÕES E DAS DEMANDAS TRAZIDAS PELO LÍDER COMUNITÁRIO NO QVP .......................................... 41 3.2.3. DEMANDAS DA COMUNIDADE TRAZIDAS PELOS LÍDERES COMUNITÁRIOS QUE FORAM VISIBILIZADAS NO QVP ............................... 42 3.2.4. FASE 3: MOBILIZAÇÃO COMUNITÁRIA QUE EFETIVA OU NÃO A VISIBILIDADE DA AÇÃO NO PROGRAMA. ...................................................... 44 3.2.5. FASE 4: DE MOBILIZAÇÃO COMUNITÁRIA: QUE VERIFICA A POSSIBILIDADE DE INTERFERÊNCIA DA LINHA EDITORIAL DO PROGRAMA QVP. ............................................................................................. 47CONSIDERAÇÕES FINAIS ...................................................................................... 54REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................... 56
  13. 13. 13INTRODUÇÃO A emergência por cidadania e melhorias nas condições de vida da populaçãotraz consigo, segundo Peruzzo (2005), um forte esforço por reorganização social,principalmente das classes sociais que se vêem por caráter de ordem econômicaexcluídas do processo e da vida política do país. Aparentemente desamparadas peloEstado e por suas estruturas e utilizando-se da televisão como veículo devisibilidade, as populações de baixa renda tentam trabalhar por melhorias nascondições de vida de sua comunidade. Paripe é uma dessas comunidades de baixa renda de Salvador, quedesacreditadas por algumas instituições sociais, vão em busca de veículos decomunicação como forma de resolver seus problemas e alcançar para eles algumavisibilidade. Através de instituições representativas da comunidade como liderançascomunitárias e associações, Paripe tenta através do programa de Televisão QueVenha um Povo, buscar melhorias na infraestrutura, educação, saúde e habitaçãopara seu bairro e consequentemente para os seus moradores. Por compreender a importância dessas mobilizações com bases comunitáriase a fim de levantar instrumentos que possam contribuir com a valorização dessasações desenvolvidas pela comunidade de Paripe e suas lideranças, esse trabalho sejustifica. O nosso problema aqui é entender se o programa popular e sensacionalista“Que Venha o Povo” pode funcionar para as lideranças sociais de Paripe como uminstrumento de diálogo e visibilidade com as autoridades na busca da resolução dosproblemas da comunidade. Visando responder este problema, temos como objetivo central de pesquisaverificar se o programa de Televisão “Que Venha o Povo” pode configurar-se em uminstrumento estratégico de diálogo e visibilidade para as ações desenvolvidas pelacomunidade e lideranças comunitárias de Paripe, com as autoridades do poderpúblico. Para alcançar este objetivo maior, outros precisaram ser alcançados. Entrenossos objetivos específicos, estão: a verificação da importância atribuída pelacomunidade aos movimentos e lideranças comunitárias no que compete a garantia ebem estar coletivo da comunidade de Paripe e a verificação da interferência editorialdo programa nesse processo dialógico de visibilidade. O trabalho foi dividido em três capítulos. Temos no primeiro capítulo apromoção de uma reflexão conceitual acerca do termo e prática da cidadania.
  14. 14. 14Verificamos o conceito, surgimento e importância da sociedade civil enquantoestrutura de regulação dos direitos e deveres da sociedade junto as autoridadescompetentes e ao Estado. Debruçamos-nos em entender o papel e o poder devisibilidade dos meios de comunicação, em especial da televisão, no propósito dealcançar esses objetivos pela sociedade. No segundo capítulo, desenvolvemos uma abordagem conceitual acerca dojornalismo popular e do programa de Tv “Que Venha o Povo”, apontando ascaracterísticas que identificam as camadas populares com esse formato dejornalismo. No terceiro capítulo, enfocamos a comunidade de Paripe, apresentando- aassim como suas associações, intenções e demandas, destrinchando o processopara a visibilidade desenvolvido no programa, por meio da verificação das pautaslevadas pelas lideranças comunitárias ao programa de TV local “Que Venha o Povo”.Verificamos também a interferência da linha editorial do programa no processo devisibilidade junto ás autoridades locais. O trabalho utilizou como procedimento metodológico a pesquisa bibliográfica,levantamento e sistematização de informações sobre o tema abordado, promoçãode grupos focais (GF), reunindo lideranças comunitárias de seis associações, bemcomo a coleta de dados junto ao programa de TV QVP. Temas como cidadania,motivações para a mobilização comunitária, utilização de telejornal popular QVPcomo instrumento de visibilidade da comunidade com autoridades locais foramlevantamentos feitos junto às lideranças. Dentre o suporte teórico utilizado para entendimento e conceituação dacidadania, Estado e seus papéis estão autores como Santana (2004), Quintão(2001) e Silva (2002). Para compreender os meios de comunicação, especialmentea televisão, seu poder de alcance e configuração de visibilidade, foram utilizadosautores como Herz (2001); Thompson(2008) e Raboy (2005). Jambeiro (2002), Ortiz (2006), Zahar, (2001), Torres (2009) e Bayma (2010),nos permitiram compreender o papel de interação e disseminação dos valoressociais através dos veículos de comunicação de massa. A leitura de Jambeiro (2002)e Dagnino (2002) nos permitiu compreender as características estruturais queimpedem o acesso real das populações carentes aos veículos de comunicaçãotradicionais existentes, e como estas podem ser visualizadas na estrutura dasociedade civil. Ortiz (2006) complementa a análise nos iluminando sobre quais as
  15. 15. 15barreiras a serem enfrentadas pela sociedade para a promoção da cidadania e dosdiálogos a partir dos meios de comunicação. A noção necessária para entendimentodo trabalho e o conceito que envolve a sociedade civil, são trazidas por autorescomo Gomes (2002, 2004, 2007) e Dagnino (2002, 2005). As conceituações,análises e perspectivas envolvendo programas populares e sensacionalismo utilizou-se dos conceitos de Amaral(2006), Peruzzo (2002, 2005), Paiva(1998). Estasleituras ainda nos auxiliaram a perceber como as camadas populares enxergam,reconhecem seus valores e utilizam espaços alternativos na busca da visibilidade.
  16. 16. 16 1. SOCIEDADE CIVIL E MEIOS DE COMUNICAÇÃO: UMA RELAÇÃO PARA A CIDADANIA 1.1. CIDADANIA Para Santana (2004), quando falamos em promoção da igualdade de direitosentre indivíduos, logo nos remetemos à vida no âmbito das relações públicas epensamos em ações que primem pela garantia do bem estar coletivo e social. Aesse conjunto de ações e padrões de conduta a serem adotados damos o nome decidadania. A palavra cidadania aparece em muitas civilizações da antiguidade, comopor exemplo, a grega e a romana. O modelo de cidadania confeccionado por essasduas civilizações promovia uma diferenciação dos sujeitos a partir de sua posiçãosocial e econômica. Na atualidade, essa concepção de cidadania desenvolvida naantiguidade não é a pretendida. Segundo Santana (2004), o conceito de cidadaniapara a atualidade é um conceito ampliado, em que a cidadania representa aconstrução de uma sociedade e de consensos políticos organizados pelacoletividade, independente de sua posição econômica e social. O exercício da cidadania é inerente a todo indivíduo. A ausência de cidadaniapara um indivíduo resulta para ele, e para a sociedade em grandes preocupações deordem estrutural, pois submete esse sujeito à ficar a margem da sociedade.“Organizar uma comunidade para a vida cívica e dentro dos princípios da cidadania,evitando a existência dessa marginalização é uma atividade muito complexa.Demandadora da regulação de algumas estruturas” (QUINTÃO, 2001, p. 34). Opapel estrutural de manutenção dos direitos e deveres de um cidadão e dacoletividade na vida em sociedade é do Estado. Entenderemos aqui por Estado: [..]a organização político-jurídica de uma sociedade. Essa sociedade política é determinada por normas de direito positivo, é hierarquizada na forma de governantes e governados, e constitui essencialmente de um grupo de indivíduos unidos e organizados, permanentemente, para realizar um objetivo comum (AZAMBUJA, 2002, p. 6). Para governar e desenvolver uma cidade sob os princípios da igualdade, oEstado deve fornecer à sua população o suporte para atendimento de suasdemandas coletivas. Ocorre que, num país como o Brasil, que possui a quinta maior
  17. 17. 17população do mundo1. Conhecer e contemplar todas essas demandas,transformando-as em políticas públicas coletivas, torna-se uma atividade complexaaté para o Estado. SANTANA (2004). A extensão geográfica, o descomprometimentode estruturas confeccionadas pelo próprio governo apresentam-se como barreiras aserem enfrentadas pelo Estado e sociedade no alcance dessas politicas. Segundo Dagnino (2002), nesse contexto de complexidade administrativa dasdemandas coletivas, desenvolve-se como possível elemento de apoio para aadministração pública, estruturas próprias da sociedade, chamadas de SociedadeCivil. 1.2. SOCIEDADE CIVIL A Sociedade Civil “são organizações sociais voluntárias que a depender domomento histórico que ela vivencia, segundo Dagnino (2002), atuam ora, opondo-seao Estado, ora em conformidade com o Estado e ora à frente do Estado nodirecionamento de suas políticas”. Segundo Kaldor (2003), em todos essesmomentos a Sociedade Civil é sinônimo de uma sociedade moderna, que buscaarticular-se coletivamente para estabelecer um projeto de futuro que contemple asociedade e suas demandas em suas diferentes estruturas e grupos, possibilitandoassim, a igualdade. Para Gomes (2007, p. 56), “apesar da importância trazida por essasentidades sociais ao processo de cidadania, o desenvolvimento desse estímulo paraa participação política da sociedade nos processos do Estado ainda é difícil, tantopor variáveis econômicas, como pelas variáveis políticas.” a Educação no paíscontempla simultaneamente essas representações das variáveis econômicas epolítica. Segundo Dagnino (2002), e Gomes (2007), por desconhecer osconhecimentos técnicos e a burocracia que regem as políticas de administração doEstado, a maioria da sociedade exime-se de dialogar com a máquina pública. Ouainda quando esta tem determinado conhecimento sobre os possíveis lugares legaisde recorrência para a participação da vida pública, logo se desmotiva por conta dohistórico de irregularidades e corrupções nos quais estas estruturas da1 Segundo o censo 2011, do Instituto Brasileiro de Geografía Estatística (IBGE ), o Brasil possui 191milhabitantes, distribuidos em 5564 municipios brasileiros.
  18. 18. 18administração estão envolvidas. Um bom representativo dessas desmotivações,para Dagnino (2002), são os partidos políticos, que deixaram de utilizar daautoridade e de seus conhecimentos de representação social junto ao poder público.Esse fato promoveu um fechamento e isolamento da sociedade para com essasentidades e dificultou o processo de participação social, por vias normais derepresentação. Embora não seja a solução efetiva para essa brecha deixada pelospartidos políticos, e por outras instâncias de representação governamental, asociedade civil pode, para Dagnino (2002), fornecer uma pequena estrutura técnicae política para a participação da sociedade nos processo de construção do país. Esse poder de atuação e transformação existente na sociedade civil, atravésde representações como organizações comunitárias e sindicatos de classe pode serentendido a partir de um período histórico do Brasil. Entre os anos 1960 a 1970, por conta do projeto de desenvolvimentonacional e do golpe instituído ao governo de João Goulart, o país enfrentou umperíodo de descontentamentos na política de administração do governo. SegundoQuintão (2001), Vargas importava para o Brasil um modelo de desenvolvimentoeconômico baseado na modernização no país, principalmente das zonas agrícolas.Esse projeto trazido pelo governo e não planejado com a sociedade, promoveu umprocesso de migração desordenado dos trabalhadores do campo para os centrosurbanos, situação que alargou o contingente de trabalhadores urbanos e promoveunas cidades e na vida da sociedade grandes cenários de doenças sociais. Diversossetores das camadas populares descontentes com a situação que vivenciavammobilizaram-se em prol de melhorias nas condições de vida e dos interesses de suaclasse. Entidades da sociedade civil, como movimentos sociais, passaram a seorganizar em forma de sindicatos para traçar estratégias de negociação e buscarmelhorias nesse modelo de gestão junto ao Estado. Têm destaque para Dagnino(2002), os sindicatos dos trabalhadores. Estes, unidos por sua classe,confeccionaram um estatuto próprio, exigindo redução na carga horária de trabalho,férias, condições adequadas de segurança no trabalho, entre outros benefícios. Inspirados nesse grupo de trabalhadores, vários outros passaram a searticular no período. Minorias até então invisíveis da sociedade civil, a exemplo dosMovimentos feministas, anti-racistas, anti-homofobia, e vários outros movimentossurgem em níveis locais e trabalham pela livre exposição de suas preferências epela conquista dos seus direitos junto ao Estado, (QUINTÃO, 2001).
  19. 19. 19 Como vimos, ações de grupos da Sociedade Civil atuantes naquele períodoforam importantes na conquista de alguns direitos. Algumas ações ládesencadeadas ainda são desfrutadas na atualidade, como é o caso das conquistasenvolvendo o trabalhador. Todavia, para Perruzo (2003), não podemos negar quepor conta de suas limitações de atuação envolvendo questões como a de geografia,essas ações se viam impedidas de se tornar maiores e capazes de beneficiar asociedade como um todo. Nessa perspectiva de construção da cidadania para o alcance de todos, osmeios de comunicação de massa, em especial a televisão, segundo Peruzzo (2003)hoje deveriam servir como instrumentos para rompimento de algumas barreirasgeográficas, ideológicas e políticas presentes nos diálogos das sociedades e nodiálogo da sociedade com o Estado. Por conta disso, compreender a importância e opapel que estes exercem em nosso meio é uma tarefa de fato importante.1.3. MEIOS DE COMUNICAÇÃO DE MASSA E SEUS REFLEXOS NACONTEMPORANEIDADE Para Herz (2001), a importância dos meios de comunicação na construção eno desenvolvimento social, bem como sua intencionalidade e espontaneidade nageração dos efeitos sociais, é inegável. Por ser importante na construção edesenvolvimento social é que esses meios estão nas mãos de poucos. Essasconcentrações causam um desequilíbrio nas relações sociais, retardando o processode cidadania. A não utilização desses meios comunicacionais pela sociedade,impede a confecção de um cenário social e econômico mais igualitário, e impede orompimento das barreiras de ordem espacial e política tão necessárias para o efetivoprocesso de cidadania. “Possuir espaço num meio de comunicação é na atualidadepossuir um espaço de poder” (HERZ, 2001, p. 32). Esse poder existente nos meiosde comunicação, no âmbito das relações sociais e nas relações da sociedade paracom o Estado, pode efetuar-se como um poder de alienação ou ainda um poder deconhecimento e conscientização. O primeiro “modelo de poder, que aliena edesnivela economicamente e culturalmente as pessoas, já é muito utilizado nomodelo atual de governo, sendo, portanto, dispensável ao processo de cidadania e aSociedade Civil” (HERZ, 2001, p. 10). Já o segundo modelo de poder trazido pelos
  20. 20. 20meios de comunicação, “que gera conhecimento e conscientização e é capaz demobilizar se torna favorável ao processo de cidadania, sendo objeto de ambição daSociedade Civil” (HERZ, 2001, p. 10). Entenderemos aqui como mobilizar “o ato ouação de convocar vontades, para atuar num objetivo comum, buscando resultadoscotidianos para a coletividade” (TORO, WERNECK, 2005, p.13). Através dos meios de comunicação e do seu desenvolvimento técnico,podemos romper barreiras espaciais e temporais, conhecer a realidade do outro efazer o outro conhecer a nossa, bem como convocar vontades. Essa capacidade deromper barreiras espaço – temporais, proporcionadas por um meio técnico échamada por Thompson (2008) de “visibilidade mediada”. Sobre isso Thompsondiscorre: Visibilidade mediada diferente do ato de ver captado pelo olho é “sempre moldada por um espectro mais amplo de pressupostos e quadros culturais e pelas referências faladas ou escritas que geralmente acompanham a imagem visual e moldam a maneira como as imagens são vistas e compreendidas (THOMPSON, 2008, p.21). Para Medeiros (2011), a televisão enquanto meio técnico e no contexto deprodução do capital apresenta-se a sociedade civil como um importante instrumentode visibilidade e mobilização. Ao romper barreiras espaços-temporais, apossibilidade de disseminação de diferentes consciências e contextos culturaistorna-se uma realidade mais palpável. Mesmo a televisão sendo um importante elo de visibilidade e ligação derealidades, é uma estrutura que ainda encontra dificuldades em se tornar um objetolivre a utilidade pública. Essa compreensão que envolve a liberdade da televisãoenquanto veículo está associada à própria entrada do veículo no país. Como onosso trabalho envolve a utilização da televisão como instrumento de visibilidadepara as ações da Sociedade Civil, conhecer um pouco mais sobre este veículo e suaforma de implantação faz-se oportuno.
  21. 21. 211.4. MÍDIA TELEVISIVA NO BRASIL: HISTÓRIAS E PERSPECTIVAS 1.4.1. MÍDIA TELEVISIVA NO BRASIL: UM BREVE HISTÓRICO Segundo Zahar (2001), a televisão chegou ao país em 1939, com EdgarRoquete Pinto e, diferente da tv norte-americana, que teve como influência aindústria cinematográfica, a brasileira submeteu-se à influência do rádio. Apesar deRoquete Pinto ter realizado algumas experiências com o novo veículo, foi nasdécadas de 1940 e 1950, já com Assis Chateaubriand, que começaram a entrar nascasas brasileiras as primeiras trasmissões televisivas. A partir da sua entrada nopaís, a televisão passa a ser vista como um instrumento de desenvolvimentonacional e uma importante fonte de informação e construção da opinião pública,principalmente quando esta construção de opinião pública centrava-se na divulgaçãoou consolidação da imagem política de governos e regimes autoritários. Segundo Mattos (2000, p.29), a Escola Superior de Guerra (ESG) foi umainstituição criada por um pequeno grupo de militares que tinha como propósitoutilizar a televisão nos quatro campos de governo: 1)no campo militar: mobilizandoas forças armadas do território nacional a fim de cuidar de forças emergenciaisiminentes e cooperar com empreendimentos ligados ao desenvolvimento e àsegurança nacional, 2) no campo político: melhorando o processo administrativo dopaís; 3) no campo econômico: estimulando a produtividade dos setores industriais; e4) no campo psicossocial: promovendo o fortalecimento do interesse nacional pelosvalores espirituais, morais e cívicos da nação. Ainda para Mattos (2005), a televisão transformou-se num veículo por meiodo qual o regime poderia persuadir, impor e difundir seus posicionamentos. Por atelevisão ser vista como agente de modernização e como ferramenta para amanutenção da integração nacional, da segurança e da paz, o governo também sepreocupava com o conteúdo transmitido pelas emissoras de televisão. Os governosde Médici até Geisel estipularam um “padrão cultural” na televisão. Produções comotelenovelas, telemusicais ou qualquer manifestação popular que fosse de encontro aesse padrão cultural estaria impedida de ser transmitida na televisão. Esseimpedimento de produção de conteúdo do governo culminou em fortes críticas porparte da população sobre a tutela do Estado a televisão. Por ser um bem público,
  22. 22. 22problemáticas do cotidiano deveriam ser trazidos para a discussão na televisão, semque o Estado manifestasse censuras, pois enquanto instituição reguladora, deveriapermitir a livre expressão do pensamento individual e coletivo e não coibi-lo. As manifestações envolvendo a participação e a visibilidade dos contéudosda população dentro do espaço de televisão tornaram-se uma constante de luta paraa sociedade. A situação obrigou o Estado a redefinir os rumos da televisão, a fim depromover espaços para a produção e a discussão social. As televisões públicas eeducativas surgiram como uma possível resposta às demandas da sociedade. Estaspermitiriam uma diversificação na programação que poderia oferecer cultura,ciência, informação e visibilidade a diferentes públicos, sem se preocupar com asquestões da publicidade financiada, presentes nas televisões comerciais. Apesar daimportância visualizada e dos grandes avanços sociais que este modelo de televisãoimportado da Europa poderia trazer para o Brasil, a utilização desse modelo tambémfoi equivocada, visto que com o passar do tempo, em especial no governo deFernando Henrique Cardoso (FHC) - (1995-2002) e Luís Inácio da Silva (2003-2010), o uso dessas concessões de televisão educativas também passaram pelasmesmas práticas existentes nas televisões comerciais, como a prática denominadade “coronelismo eletrônico”. Bayma define: A literatura política brasileira tem utilizado o termo coronelismo como uma forma peculiar de manifestação do poder privado, com base no compromisso e na troca de proveitos com o poder público. A ciência política trata como coronelismo a relação entre os coronéis locais, líderes das oligarquias regionais, que buscavam tirar proveito do poder público, no século 19 e início do século 20. Hoje, não há como deixar de se associar esse termo aos atuais impérios de comunicação mantidos por chefes políticos oligárquicos, que têm, inclusive, forte influência nacional. O compadrio, a patronagem, o clientelismo, e o patrimonialismo ganharam, assim, no Brasil, a companhia dos mais sofisticados meios de extensão do poder da fala até então inventados pelo homem: o rádio e a televisão. (BAYMA, 2010, p. 95) Diante desse quadro, Torres (2009) presume, que parte significativa dessasemissoras de TV estão a serviço de interesses particulares e distantes de suafinalidade de utilidade pública. Inexiste, segundo Ortiz (2006), ação até entãodesencadeada pelo governo que tente desvincular a iniciativa pública da privada,quando o assunto é televisão. Pelo contrário, as ações desenroladas aproximammais as emissoras dessa lógica mercadológica. Ilustra:
  23. 23. 23 Praticamente as TVs Públicas funcionavam nos moldes de uma empresa privada. Seus programas (música popular, radio teatro, programas de auditório) em nada diferem dos outros levados ao ar pelas emissoras privadas. [...] quando se olha a porcentagem da programação dedicada aos chamados “programas culturais” observa-se que eles não ultrapassam 4,5. Ao que tudo indica, a acomodação dos interesses privados e estatais se realiza no seio de uma mesma instituição sem maiores problemas (ORTIZ, 2006, p. 53). A intervenção do Estado para promover seus aliados políticos; as execuçõesadversas aos princípios e fundamentações da televisão pública, tudo isso esbarradona dependência financeira impedem a independência das emissoras e consequenteindependência do cidadão. Contudo, não há, segundo Torres (2009, p. 52), para oquesito financeiro, justificativa aceitável. Embora o custo para a produção deconteúdos seja para o governo muito alto, existe uma verba federal mínima anual de430 milhões, destinada ao serviço de radiodifusão, verba que se chegasse de fatoao seu destino daria para manter, bem como ampliar, a rede de televisão pública nopaís. Para ele, o próprio governo utiliza-se dessa verba para a produção de suaspublicidades e de seus parceiros na televisão, privando a população da verbadestinada a produção de seus conteúdos. Segundo Torres (2009), o cenário que temos com o surgimento da televisãopública e educativa não se distancia muito do que tínhamos antes da sua existência.A televisão pública criada sobre base educativa para promover a igualdade deinformação para a população não incorpora as demandas sociais e por isso, perdesua autoridade política diante dessas classes. Por outro lado, as televisõescomerciais, criadas para incorporar propaganda em suas programações, vêem-sepreocupadas em atender demandas de responsabilidade do poder público e setornam fortalecidas e respaldadas pela sociedade. Assim, se transformam no maiorinstrumento de comunicação com o poder público na atualidade. “Vemos umainversão de papéis. TV pública produzindo em nome de minorias e dialogando comminorias, e televisões comerciais sendo procuradas pela sociedade comoinstrumento de diálogo e visibilidade, (TORRES, 2009, p.54).
  24. 24. 24 1.4.2. TELEVISÃO: VISIBILIDADE No estudo, daremos destaque ao modelo de televisão comercial. O quepercebemos a respeito de um conjunto de televisões comerciais que seremodelaram e conseguiram alcançar grandes públicos. É importante mencionarque a atitude adotada por essas TVs não é resultado somente de uma preocupaçãocom o direito de pequenos grupos, estão aí embutidos elementos mercadológicos deinteresse da cúpula administrativa. “Esses interesses econômicos, independente daadaptação que forem feitas nesse modelo de televisão, sempre acabam por impedirque a televisão atue em seu melhor propósito, que é estar a serviço do público”.(GOMES, 2007, p.52). A remodelação que estas televisões sofreram assemelha-se a uma estruturade rede. Vários pontos distintos produzem e recebem informação em níveis locais enacionais. Essa nova estrutura de mídia televisiva, “descentralizada” de pólos deprodução nacional e alcançada pela iniciativa privada que se baseia no local, tem semostrado um espaço interessante para que as populações geograficamente eculturalmente afastadas tentem se comunicar umas com as outras e com asautoridades da região em busca da resolução de suas problemáticas. Essasituação, segundo França (2005), embora querida pelas TVs educativas, ainda nãose processou. Tem-se nessa experiência de abordagem e produção de conteúdo apartir do local uma boa saída e modelo para investidura de visibilidade,principalmente paras as comunidades de baixa renda. A televisão, como já vimos, é uma ferramenta importante de visibilidadeTHOMPSON (2008). Cerca de 96% da população tem o aparato técnico de televisãoem casa (IBGE-2010). Segundo Medeiros (2009), é muito comum falarmos eassistirmos comunidades carentes em veículos televisivos, de forma a associarsomente questões ligadas à violência. Segundo ela, todos sabem quando umaescola é invadida, um morador foi afastado por assassinato ou se envolveu nomundo das drogas, porém é muito difícil termos o conhecimento sobre o que aspessoas fazem para melhorar suas vidas, através de um programa de televisão. Dentro desse contexto de sociedade civil que comentamos há pouco, vamosneste trabalho enfocar na sociedade civil atuante em uma esfera local. Nessa
  25. 25. 25perspectiva, tem destaque para Peruzzo (2002), a participação dos líderes eassociações comunitárias, também chamados de líderes cidadãos. O líder cidadão se destaca pela forma de organização que implementa na comunidade, buscando sempre criar um nível de consciência critica junto à população, para que ela cobre seus direitos, dentro de um planejamento feito de forma coletiva, vendo os problemas, analisando e agindo com a população, junto a quem de direito resolver o problema. Ë uma pessoa que pensa, está mais informado que os demais da comunidade participam de grupos de estudos, pesquisas e se torna um comunicador educador. Eles fazem questão que as pessoas participem e que nasçam novas lideranças, capazes de ampliar a ação da comunidade , no campo das reivindicações estruturais e da cultura. (SAMPAIO ,1998, p. 32) Para Peruzzo (2002), com poder de articulação, conhecimento dos problemase horizontes de suas comunidades favorecidos pelo aparato da televisão, esseslíderes promovem de forma conjunta com sua comunidade o exercício político e auma tentativa de diálogo com a máquina pública. Por conta da relação de confiançanesses líderes eles conseguem mobilizar sua comunidade e desenvolver junto comela um trabalho político. “Essa tentativa de diálogo dentro de veículos facilitada pela televisão só podeser efetiva quando espaços estão abertos para que os públicos efetivem umaconversação.” (GOMES, 2008, p.203) Alguns programas da televisão na cidade deSalvador têm sido procurados como possíveis substitutos das Instituições sociais,como a delegacia e o tribunal, por exemplo. Justamente por ser um espaço devisibilidade. França (2006) destaca os programas de televisão populares.
  26. 26. 26 2. JORNALISMO POPULAR E VISIBILIDADE Segundo Amaral (2006),o Jornalismo popular possui diversas conceituações.Em um momento é entendido como o jornalismo feito “pelo povo”, em outros,compreendido como jornalismo feito “para o povo”. Na primeira direção do conceitode Jornalismo Popular, conseguimos identificar um direcionamento positivo para ofazer notícia. Nessa lógica de trabalhar pelo povo, o jornalismo popular atua deforma desinteressada e inclusiva, permitindo a participação social através do espaçoe da confecção do conteúdo que vai ser visível. Dentro desse modelo de jornalismoestão o jornalismo comunitário, o jornalismo cidadão e o jornalismo cívico. O outromodelo de jornalismo feito “para o povo”, não permite participação. Finge permitir,França (2005). Este jornalismo vincula-se a uma pseudo participação, uma vez queestão embutidos nessa abertura para a participação interesses mercadológicos e deespetacularização da notícia. Configuram-se como esse segundo modelo deJornalismo popular os tablóides, os programas de TV populares e veículossensacionalistas. Independente dessas duas vertentes e de suas intencionalidades, ojornalismo popular tem como público as classes sociais de menor poder econômico.Nas duas linhas de jornalismo popular o povo é quem vai ser visto e visibilizado.Essa visibilidade imbrica-se, segundo THOMPSON (2008, p. 21), “no ato do olho vera partir de um meio técnico e no ato de ser visto e construído a partir de perspectivasimbólica.” Na primeira forma de jornalismo popular, a visibilidade acontece a partir deuma natureza positiva. Pois se entende que pessoas produzem seus próprios meiostécnicos e construções simbólicas de seus lugares para fazer visíveis a si e a suasações. Neste sentido, o Popular ganha uma conotação de respeitabilidade e não setem indícios de espetacularização. Na segunda modalidade de jornalismo popular,em que o jornalismo é feito “para o povo”, o popular é tido como um ser ridículo epassível de alienação, pois se submete a uma visibilidade ridicularizante emercadológica, de uma linha editoralista, (FRANÇA, 2005). Essas duas determinações trazidas isoladamente para o jornalismo no planoconceitual são muito difíceis de acontecer, segundo França (2005), no plano das
  27. 27. 27experimentações sociais. Visto que, no plano real, o jornalismo popular “pelo povo”e “para o povo” muitas vezes se confundem. “O povo negocia a busca por um espaço de visibilidade para seus problemas e ações. Enquanto que os telejornais de jornalismo popular que são ou deveriam ser naturalmente instrumentos legítimos de poder da população no enfrentamento de suas questões negociam o que esta visibilidade do povo pode promover financeiramente aos seus donos.” (AMARAL, 2006, p. 23). Segundo França (2005), por negociar e ao negociar com o povo a exposiçãode sua realidade, o jornalismo popular tende a adotar uma postura mais liberal eagressiva para com as estruturas a que se opõe. Essa ação agressiva pode ou nãofuncionar como um instrumento de pressão para autoridades, fazendo com queestas se tornem ou não mais atuantes. Essa pressão no jornalismo populardesenvolve-se na linguagem. O texto verbal desenvolvido pelo apresentador dá aentender um caráter condenatório e desafiador das autoridades públicas, poisdelega para si o papel de fiscalizador da atuação dos poderes públicos e issorepresenta junto à audiência um sentimento de partilha quanto aos problemas edificuldades vividas pela maioria da população.” (AGRIMALDI, 1995, 20). Esse textoverbal adotado pelo apresentador caracteriza-se pela forte tendência aosensacionalismo. Sensacionalismo, caracteriza-se pelo exagero, pelo apelo emotivo, pelo uso de imagens fortes na cobertura de um fato jornalístico, pela manipulação da informação de forma incompleta ou parcial apresentando essa informação num formato exagerado. Sensacionalismo é, enfim, fazer apelo às reações mais ligadas à emoção do que na razão, trazendo sentimentos primários â tona, simplificando polêmicas em vez de fornecer elementos que permitam pensar, compreender, formar opinião.( DEBORD 2004, p. 101) Essa pressão com base no sensacionalismo para Debord (2004), gera nasociedade e nos críticos da área um sentimento e olhar negativos sobre essa formade confeccionar notícia e informação. E isto decorre da visualização das camadassociais de baixa renda, que sem espaço nos veículos de linguagem tradicional enecessitados de buscar esses formatos de programa e jornalismo para recorrer aestruturas do poder, vêem-se ridicularizadas. Esse olhar negativo, possível de ser criado sobre a sociedade que procura osprogramas populares, para Ferin (2002), não quer atestar um descompromisso porparte dos jornais populares, ou ainda enquadrá-los como um tipo de jornalismo
  28. 28. 28desnecessário à população de baixa renda. Se fossem assim concebidos, eles nãoapresentariam os altos índices de audiência que possuem. [..]o que se quer é aproveitar desse formato e de sua linguagem mais acessível, (lê-se acessível sem as características grotescas e de ridicularização), para promover caminhos saudáveis de negociação das populações carentes com a sociedade e autoridades para que essas consigam alcançar seus propósitos, e ainda auxiliar as autoridades na confecção de suas politicas, sem necessariamente parecer ridículas a estas estruturas” (FERIN,2002, p.74 ) No contexto de Salvador, quatros jornais disputam a audiência e o mercado,apostando nessa linha e linguagem populares. São eles o “Se Liga Bocão” e“Balanço Gera”l, da TV Itapoan e o Que Venha o Povo e Na Mira, da TV Aratu. O programa sobre o qual esse trabalho se debruçou para entender as açõessociais de comunidades de baixa renda em busca de resolução dos seus problemase um olhar mais enérgico da sociedade e das autoridades é um programa dejornalismo popular. Outros formatos dentro da vasta grade de programação deSalvador executam essa missão de negociar interesses por espaços com apopulação. Porém pelos motivos que acima citamos, são esses jornais auto-intitulados populares que ganham um maior destaque, entre comunidades de baixarenda. (AMARAL,2006). O jornal popular participante na pesquisa intitula-se Que Venha o Povo (QVP)e embora tenha-se comentado levemente sobre sua matriz jornalística, esta não é oobjeto de estudo. Apesar de não ser objeto de nosso estudo, a linha editorial podeprovocar interferências no processo de visibilidade das ações desenvolvidas pelaslideranças comunitárias do bairro, dessa forma situá-la também fez-se necessário.2.1. O PROGRAMA DE TELEVISÃO “QUE VENHA O POVO” O “Que Venha o Povo (QVP)” é um programa de jornalismo popularsensacionalista transmitido pela TV Aratu, no horário do meio dia. O programa dizatender comunidades de bairros periféricos da capital. Tem como âncora o jornalistaCasimiro Neto, antigo âncora do Bahia Meio – Dia, um telejornal concorrente e comuma postura de jornalismo mais clássico. O programa tem como principais atrativosquadros que trabalham a prestação de serviço público e o assistencialismo. Oprograma popular adota uma linguagem fácil, é veiculado numa televisão aberta,
  29. 29. 29num horário nobre, isto contribui para sua boa audiência entre as camadas de baixarenda. Figura 1 - Imagens do Programa Que Venha o Povo. Embora seja transmitido para todo o Estado, a cobertura do QVP éessencialmente local. A cidade de Salvador e tudo o que ocorre a população debaixa renda é o principal ponto das discussões nesse telejornal. Segundo o censoIBGE; 2010, Salvador representa a quarta capital do país em númerospopulacionais, possui 2.675. 656 (dois milhões, seiscentos e setenta e cinco mil,seiscentos e cinquenta e seis) habitantes, distribuídos em 858.887 domicíliosurbanos e rurais. Desse total de residências 634.521, mais de 73 % tem como somade renda per capita de ¼ a 1 salário mínimo. Estes dados retratam para Furtado(2010), cenários sociais onde prevalece a concentração em detrimento dadistribuição de renda. Entende-se por concentração de renda como o processo deacumulação de capitais nas mãos de poucos, esse processo é proveniente de lucrode fontes diversas, como salário, aluguéis e de outros rendimentos. Segundo o censo IBGE 2011, Salvador apresenta a segunda pior distribuiçãode renda do mundo. Atrás apenas da Namíbia. Em linhas gerais, esses númerosrepresentam uma distribuição desigual dos recursos financeiros arrecadados pelogoverno para promover qualidade de vida à população. Áreas como educação,saúde, habitação, defesa pública, defesa social, meio ambiente, causas cíveis e
  30. 30. 30criminais não são contempladas proporcionalmente bairro a bairro, por estas formasde distribuição de renda. Os Resultados dessa canalização dos recursos do Estadosegundo Furtado (1997), reflete na má formatação social da cidade e de suapopulação, pois influência no não pleno exercício da cidadania para classeseconomicamente desprivilegiadas. Apesar de Salvador e sua situação ser abrangida, existe ainda um recorte“territorial” do programa sobre os bairros periféricos e mais pobres. Bairros comoNarandiba, Mussurunga, Calabetão, Alto do Coqueirinho, Paripe e Periperi. Compõeas principais matérias do programa. “Dessa forma, percebemos que quanto mais empobrecida a população, maiordificuldade que esta tem de ocupar espaços de informação, conscientização, naimprensa tradicional”. (FRANÇA, 2005, p.52) No programa Que Venha o Povo é muito comum encontrarmos pessoasbuscando o atendimento de necessidades individuais. Essas pessoas são produtosdessa má distribuição de renda, o que elas solicitam são serviços básicos como umtratamento de saúde, melhoria na rede de esgoto e saneamento, melhorias notransporte público e outras tantas melhorias. Ocorre que essas melhorias e tentativas de tornarem visíveis seus problemastrazidos no plano da individualidade, são dramas particulares e por assim seremtendem mais a espetacularização e abuso do sensacionalismo, Peruzzo (2006). Mesmo diante do sensacionalismo embutido na produção das pautas podeocorrer para Simeone (2007), a partir de um trabalhado de seriedade e açãoconjunta desses sujeitos e comunidades a possibilidade ainda que pequena destesburlarem esses olhares pejorativos, alcançando seus propósitos. Para entendermos como a comunicação de uma comunidade com asautoridades desenrola-se através da utilização programa de TV e sociedade,partiremos para uma análise mais especifica: tomaremos como referencial acomunidade de Paripe, subúrbio de Salvador.
  31. 31. 31 3 PARIPE – MOBILIZAÇÕES COMUNITÁRIAS E VISIBILIDADE PÚBLICA ATRAVÉS DO PROGRAMA DE TELEVISÃO QVP 3.1. PARIPE Paripe é um bairro do subúrbio ferroviário de Salvador que apresenta uma áreade 1,32 Km2. Possui como base econômica o comércio. Segundo o Atlas doDesenvolvimento Humano da Região Metropolitana de Salvador, em um trabalhofruto da parceria PNUD (Programa Das Nações Unidas para o Desenvolvimento),IPEA, (Instituto de pesquisa econômica aplicada) e que utiliza de alguns dadosproduzidos pelo IBGE, Paripe divide-se em 10 localidades: Tubarão, Estrada daCocisa, Gameleira, Escola de menor , ladeira Almirante Tamandaré, Tororó,Muribeca, Nova Canaã, Vila Naval da Barragem e São Tomé de Paripe. Essas dezlocalidades totalizam uma população de trezentos mil habitantes (300.000habitantes). Para efeito de pesquisa e pela impossibilidade da pesquisadora empercorrer todas as localidades, tomaremos Paripe apenas pela localidade de SãoTomé de Paripe. Figura 2 - Localização de Paripe.
  32. 32. 32 Segundo o Atlas do Desenvolvimento Humano da Região Metropolitana deSalvador, São Tomé de Paripe possui aproximadamente 16.000 mil habitantes,apresenta índice Gini 0,5.2 Indicador econômico e social que reflete baixos índicesna educação, precária saúde pública, infra- estrutura e uma baixa expectativa devida da população de aproximadamente 60 anos. A escolha pela comunidade deSão Tomé de Paripe como o objeto de estudo acontece por três razões: audiência 3da comunidade pelo programa popular “Que Venha o Povo”, o enquadramento destacomunidade no perfil de comunidade de baixa renda e a presença e atuação delideranças e associações comunitárias no bairro. Dezesseis (16) associações comunitárias atuam na comunidade de Paripe.No entanto nossa pesquisa só utilizará informações fornecidas por seis delas:CECOP - Centro Comunitário da Igreja Batista de Paripe; APP - Associação dosPescadores de Paripe, CAP – Centro dos Amigos de Paripe, AJP - AssociaçãoJovem de Paripe, AMP - Associação dos Moradores de Paripe e CCICP - CentroComunitário da Igreja Católica de Paripe. A participação dessas seis associaçõesestá associada a disponibilidade de agenda das lideranças comunitárias, bem comoo tempo de atuação enquanto associação4. TOTAL DE TEMPO DEASSOCIAÇÃO ASSOCIADOS LIDER COMUNITÁRIO ATUAÇÃO AJP 92 Marcelo Ribas 5 ANOS AMP 234 Altino Arantes 27 ANOS APP 75 Jairo Batista Reis 29 ANOS CAP 176 Maria Silva 18 ANOS CCICP 154 Leandro Lima 12 ANOS CECOP 226 Israel Nascimento 18 ANOS Tabela 1 - Associações comunitárias, total de associados, líderes e tempo de atuação Explicadas as razões pela participação dessas associações comunitárias,iremos agora partir para uma breve apresentação do trabalho desenvolvido por cadauma delas. 2- O índice ou coeficiente de Gini é uma medida de concentração ou desigualdade. É comumenteutilizada para calcular a desigualdade da distribuição de renda. O índice de Gini aponta a diferençaentre os rendimentos dos mais pobres e dos mais ricos. Numericamente, varia de "0 a 1", onde o zerocorresponde a completa igualdade de renda e 1 que corresponde à completa desigualdade e 1 quecorresponde à completa desigualdade.3 A audiência do programa foi obtida junto ao anuário de mídia e publicidade televisiva de Salvador2010.4 As demais lideranças quando convidadas para participar da pesquisa, explicaram que suasassociações estavam em fase de estruturação e tecendo ainda seus projetos políticos para acomunidade de Paripe e por conta desse processo de iniciação política não se viam tecnicamenterespaldadas a dar contribuições com a pesquisa.
  33. 33. 33 3.1.2. ASSOCIAÇÃO JOVEM DE PARIPE - (AJP) A Associação Jovem de Paripe foi criada em 16 de Março de 2006, possui 92associados, tem como intenção fornecer a Jovens e adolescentes um espaço esuporte para sua capacitação profissional e cidadã. Opera no plano técnicooferecendo cursos profissionalizantes, palestras e desenvolvendo oficinas defomento ao desenvolvimento local na comunidade. Tem como líder comunitário otambém morador Marcelo Ribas. De acordo com Marcelo, a intenção maior desseassociativismo é promover a difusão e aplicação desse conhecimento técnico esocial aprendido pelos jovens de Paripe e vizinhança dentro da AJP, na comunidade,promovendo soluções para um melhor convívio social e diminuição dos problemasenvolvendo violência, educação e sustentabilidade do bairro. 3.1.3. ASSOCIAÇÃO DOS MORADORES DE PARIPE – (AMP) A Associação dos moradores de Paripe foi criada há 27 anos, possui 234associados, e tem como objetivo situar-se como um canal de diálogo e colaboraçãoentre a comunidade e Poder Público, desenvolvendo ações que abranjam o campoda gestão e das relações sociais. Tem como liderança comunitária o Sr. AltinoArantes, morador há 50 anos do bairro. Segundo Altino todas as açõesdesenvolvidas no âmbito da associação tem como finalidade centralizar osproblemas da comunidade em seus diversos níveis estruturais como; saúde,educação, meio ambiente e encaminhá-los aos setores responsáveis da esferaexecutiva, fiscalizando e cobrando deles as providências devidas. 3.1.4. ASSOCIAÇÃO DOS PESCADORES DE PARIPE – (APP) A Associação dos Pescadores e Marisqueiras de Paripe, surgiu a partir davontade de um pequeno grupo de marisqueiras e pescadores que sentiram anecessidade de se organizarem como profissionais, para buscar direitos equalificações para a classe. No dia 13 de Fevereiro de 1982, foi fundada APP,atualmente a associação conta com 75 associados, tem como gestor Jairo BatistaReis. A APP promove reuniões mensais, cursos e palestras de preservação
  34. 34. 34ambiental para os pescadores e interessados na comunidade. Trabalha pormelhorias nas condições de trabalho da classe, bem como a valorização daprofissão junto aos orgãos do poder municipal. 3.1.5. CENTRO DOS AMIGOS DE PARIPE- (CAP) A Associação dos Amigos de Paripe foi criada em 20 Setembro de 1993.Atua, há 18 anos no combate a criminalidade e desigualdade social na região deParipe. Oferta cursos profissionalizantes em diversas áreas como informática,Administração e artes. Através de um trabalho na área de educação econscientização social, tem como meta segundo a gestora Maria Silva, inserir acomunidade num contexto social cidadão, fornecendo aos seus associados e acomunidade, ferramentas técnicas e políticas para se buscar esses propósitosjunto as autoridades competentes. 3.1.6. CENTRO COMUNITÁRIO DA IGREJA CATÓLICA DE PARIPE –(CCICP) O Centro Comunitário da Igreja de Paripe é uma entidade religiosa, que atuadesde 22 de Agosto de 1999. Atualmente conta com 154 associados, tem comoobjetivo segundo padre e líder comunitário Leandro Lima, promover um papel socialde preservação e disseminação de valores morais e éticos em instituições familiares,nas escolas, bem como promover o assistencialismo na comunidade carente deParipe, através do fornecimento de cestas básicas, solidariedade social aosdependentes químicos, aos presidiários e suas famílias, diminuindo a intolerânciaentre grupos e auxiliando numa convivência pacífica e sadia entre os membros dacomunidade.
  35. 35. 35 3.1.7. CENTRO COMUNITÁRIO DA IGREJA BATISTA DE PARIPE- (CECOP) O CECOP foi criado em 02 de Março de 1993. Tem como objetivo trabalharpara atender as demandas e necessidades da população de Paripe, fornecendo acada pessoa um direcionamento em diversas atividades, para que estas possamsurgir como uma fonte de renda, aumentando assim a auto estima, a dignidade e acondição social dos indivíduos na comunidade. O CECOP mantém parceria com oComitê de Democratização da Informática (CDI) que trabalha pela inclusão digital esocial de jovens e adolescentes, oferecendo suporte técnico, pedagógico e cidadão.O centro Comunitário segundo Israel Nascimento, também mantém convênio anualcom IWG- International Working Group (uma organização não governamental,composta por Jovens norte-americanos que visitam o Brasil para construir casaspara crianças carentes que frequentam as escolas públicas adotadas pelo CECOP).A organização também realiza palestras de educação oral, sexual e algumascampanhas de promoção da saúde para a comunidade de Paripe e vizinhança. Juntas, essas seis associações apresentam um total de quase milassociados. É importante frisar que nenhum valor é cobrado para a associação, comexceção da associação de pescadores, que cobra uma taxa de R$ 3,00 reaismensais por associado para custear as despesas com a instalação e limpeza dasede. Como vimos a partir da tabela, essas associações já atuam na comunidade háum bom tempo, sendo o menor tempo 5 anos e o maior 29 anos. Dentro desseperíodo de atuação, várias conquistas se processaram para a comunidade.Conquistas que envolvem áreas específicas de atuação como é o caso dacertificação do pescador e de seu pescado pela prefeitura municipal, ou outrasconquistas maiores que se estenderam a sociedade soteropolitana como um todo, aexemplo da educação, com o fornecimento de cursos profissionalizantes gratuitos eoficinas de inclusão social. O fato é que apesar dos importantes avanços jáconquistados por essas associações e lideranças comunitárias, ainda há muito paraser feito pela comunidade. Segundo os líderes Altino Arantes e Israel Nascimento“Paripe, por ser uma comunidade de baixa renda ainda se encontra numa situaçãode muito forte de invisibilidade junto as autoridades”, nós lideres comunitários eenquanto formadores de opinião e conhecedores da realidade de nosso bairro,devemos trabalhar para promover visibilidade e melhorias em Paripe.”
  36. 36. 36 Dessa forma exposta pelo Líder Altino Arantes, em que a comunidade deParipe e suas demandas ainda se mostram invisíveis as autoridades e aos demaissetores da sociedade, a televisão em seu nível local pode se mostrar para essacomunidade e seus líderes como um possível instrumento de visibilidade naconquista de melhores condições de vida para a população de Paripe. 3.2. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS O trabalho de pesquisa nessa comunidade consistiu na promoção de gruposfocais (GF), reunindo lideranças comunitárias dessas seis associações. A confecçãodesse grupo aconteceu na Igreja Batista de Paripe, no dia 08 Julho de 2011. O grupofocal consiste em entender a partir da interação entre os participantes, suaspercepções sobre temas relacionados ao trabalho de pesquisa como cidadania,motivações para a mobilização comunitária e utilização de telejornal popular “QVP”como um possível instrumento de visibilidade da comunidade com autoridadeslocais. Todas as conversações foram gravadas e a análise dessas informaçõesobtidas nos GF passaram por um plano descritivo, onde foram extraídas todas asideias relevantes ao tema. O trabalho também se utiliza de material e informaçõescoletadas junto ao programa de televisão “Que Venha o Povo”. Esse material serviude apoio as verificações obtidas nos Grupos Focais. A partir dessas informaçõescoletadas poderemos formular nossas considerações e perceber causas, condiçõese elementos que evidenciam o uso ou não do programa QVP como instrumento devisibilidade por lideranças comunitárias de Paripe, e o papel das lideranças em cadaetapa desse diálogo. Os tópicos subsequentes se dividiram da seguinte forma:Fase 1: Mobilização Comunitária que antecede a tentativade visibilidade noprograma.Fase 2: Mobilização Comunitária em que se configura a transmissão das demandas(pautas) no programa;Fase 3: Mobilização Comunitária que efetiva ou não a visibilidade das açõesdesenvolvidas pelas lideranças através programa;
  37. 37. 37Fase 4: Mobilização Comunitária que verifica a possibilidade de interferência da linhaeditorial do Programa QVP na obtenção da efetiva visibilidade das mobilizações deParipe. Entenderemos aqui como visibilidade a partir do conceito trazido porThompson (2008) onde a ação de tornar público a partir da transmissão dos meiosnão se configura como uma efetiva visibilidade. A efetiva visibilidade só se processaquando ela alcança os níveis e objetivos pretendidos do ato.Esquematizando esse conceito para o nosso trabalho de pesquisa:1. A ação de tornar público o acontecimento ou o ato das lideranças comunitárias apartir da transmissão pelo veículo de televisão, repercutirá na primeira instância devisibilidade, porém não efetivará a visibilidade. 2. A obtenção de um retorno das autoridades ou da sociedade para a açãomobilizadora desencadeada pela comunidade de Paripe. Configurará a segundainstância e efetivará a visibilidade. Seguiremos agora para a verificação de nosso problema a partir daverificação das fases de mobilização para visibilidade. 3.2.1. FASE 1: LIDERANÇAS COMUNITÁRIAS E SEU TRABALHO DEMOBILIZAÇÃO Nessa primeira etapa, pretendemos mostrar o papel de mobilização daslideranças comunitárias, que antecede a apropriação do programa QVP, oplanejamento que isso envolve por parte do líder e de sua comunidade. Segundo os líderes comunitários, o processo de mobilização parte dacomunidade. Cada associação traz as demandas de seus associados para reuniõesque acontecem semanalmente na sede da Igreja Batista de Paripe. Vejamos comoisso ocorre a partir do relato do líder Israel Nascimento, líder comunitário do CECOP. “Trabalhamos em conformidade com nossa comunidade. As pessoas deParipe nos conhecem por conta do nosso trabalho de mobilização quando estãodemandando algo, seja esse algo de natureza individual ou coletiva nos procuram,seja em nossas associações ou em nossos centros e nos comunicam sobre suasdemandas, fazemos uma sondagem das necessidades coletivas e tentamos juntoaos órgãos competentes conseguir soluções, quando vemos que isso é improvável
  38. 38. 38de resolução por vias normais, ai entramos em contato com a produção dostelejornais locais. Nessa situação podemos construir uma visualização de como seinicia a mobilização na estrutura da comunidade, e já se observa o papel demediador exercido pelo líder dentro desse processo inicial.A sociedade observa seuentorno, visualiza o seu papel na modificação do que acontece e busca alternativaspara contribuir com sua comunidade, através do coletivo e de uma figurarepresentativa do coletivo (seu líder comunitário). O líder, por sua vez, atuamediando essas demandas nos órgãos de competência. Quando estes não sãoatuantes, esses líderes buscam vias as quais consideram eficazes, neste caso atelevisão, para exigir atuação. Nessa situação, trazida pelo líder, podemoscompreender a importância que é atribuída ao veículo de televisão pela sociedade,tanto por seu poder de alcance, como por conta de sua capacidade de formação daopinião e consensos públicos. A televisão deve dessa forma utilizar e direcionar seupoder para a confecção de uma atmosfera pública capaz de estimular a reflexão e aparticipação dos sujeitos sociais, auxiliando na construção do processo decidadania, em lugar de utilizá-lo na confecção de uma atmosfera política meramentemercadológica tão comumente fabricada pela televisão na atualidade. Retornando ao processo de mobilização comunitária para a visibilidade eselecionadas as demandas de interesse coletivo, ocorre, segundo o líder JairoBatista a busca pelo lugar possível de visibilidade: “Quando pensamos nessasações, tentamos levá-las aos telejornais da grande mídia, justamente pelo poder devisibilidade desses veículos. Ocorre que a televisão promove visibilidade, mas nemsempre quem está por trás dela deixa que essa visibilidade ocorra. Levamos nossasdemandas a três telejornais do meio dia, só alcançamos espaços em apenas um,justamente o popular QVP. Deduzimos desse relato o contexto de um veículo de comunicação comerciale da grande mídia que, apesar de suas intenções intrinsecamente mercadológicas,tenta aparentemente cumprir o seu papel de utilidade pública. Surge nesse mesmomomento uma brecha (ou talvez pseudo brecha) para as comunidades tornarem-semais visíveis nesse espaço. Apontamos aqui como pseudo brecha o espaço“fornecido” pelo programa. Esse fornecimento de espaço irá depender decaracterísticas e enfoques próprios da linha editorial adotada pelo QVP e o valor demercado visualizado por essa possível transmissão pelo programa. É inegável,
  39. 39. 39principalmente pela conduta editorial de abordagem sensacionalista e deespetacularização da notícia, a presença desse valor mercadológico, Com a intenção ainda de verificar a informação dada acima pelo lídercomunitário, e por entendermos relevante essa verificação para nossa pesquisa,entramos em contato com a produção do telejornal Bahia – Meio dia, para nosinformar sobre o processo de geração de pauta (a qual consideraremos umainvestidura na visibilidade). Esse contato tentou se processar a partir de contato feito por telefone ecorreio eletrônico. Até o fechamento deste trabalho de pesquisa, só recebemos oretorno de um desses telejornais: O “Que Venha o Povo”. Essa atitude reforça a falada liderança comunitária. Quando esta acrescenta “A televisão promove visibilidade,mas nem sempre quem está por trás dela (deduz-se produção, proprietários doveículo, formato de programa) deixa que essa visibilidade ocorra. Não queremoscom isso atestar um descompromisso dos outros telejornais para com a sociedadeque os procura, até porque a permissão ou não desse espaço está relacionada ainteresses próprios de cada formato de programa de TV. No entanto, essa ausênciade retorno dos outros programas pode nos levar a inferir uma dificuldade de diálogoentre esses meios de comunicação e sociedade local, em especial as de baixarenda. Esse fato promove um distanciamento dessas classes e uma ruptura naideia de que meios de comunicação devem auxiliar na difusão de interessescoletivos. Como toda mobilização destina-se a um público, procuramos nos informarcom esses líderes acerca do público-alvo a ser atingido no processo de visibilidade:Segundo o líder comunitário Israel Nascimento “O público-alvo de nossasmobilizações é a sociedade, a gente espera que a sociedade se pronuncie, isso éfato, por que ninguém pode ser insensível à situação do outro.” E a sociedade não é!Portanto ela se pronuncia, e se pronunciando ela acaba forçando as autoridades ase pronunciarem também” . Temos nessa situação uma aparente lógica do processode mobilização: sensibilizar mais mobilizadores para alcançar o objetivo comumpretendido. Ocorre que o lugar possível de visibilidade encontrado pelas liderançaspode não se configurar como um espaço de prospecção de mobilizadores numanatureza positiva, estando suscetível a provocar o efeito inverso pretendido peloslíderes, justamente por conta de sua linha editorial sensacionalista. Essa tentativade visibilidade pode conduzir a ação dessas lideranças a uma interpretação
  40. 40. 40equivocada da sociedade, levando para os telespectadores do programa, aoscríticos da área de comunicação e a sociedade as ações da comunidade de Paripeaos patamares de ridicularização e do grotesco. Há por outro lado uma chance nãodescartável, porém muito reduzida de que essa tentativa de visibilidade realmentepromova uma sensibilidade positiva nos telespectadores e estes acabem de algumaforma trabalhando para dar um retorno a essas ações para a comunidade. Todaação de mobilização é resultado de um objetivo. Nessa situação, sabemos que o objetivo é obter da sociedade e dasautoridades municipais e responsáveis através da televisão um olhar mais ativo paraa realidade da comunidade de Paripe. Vamos então entender qual é essa realidadea partir do olhar e relato de seu líder. Segundo Israel Nascimento: “O tempo todo aspessoas chegam nos nossos centros, pedindo para viver, porque moram nosbarracos e palafitas com menos de 2 metros quadrados, e impedidas de procurar umemprego de verdade porque não tem formação, então eu não vejo outro caminhopara esses sujeitos a não ser a marginalização, a todo momento nossa comunidadevive o prejuízo aos valores sociais de cidadania. O que percebemos é que aspessoas querem participar da vida social, elas trabalham para isso quando nosprocuram para auxiliar nessa conquista. Essa ação não só se relaciona com apobreza não, é geral. As pessoas daqui, mesmo pobres fiscalizam tudo. Se amerenda escolar não vem, se a escola não esta fornecendo condições necessáriasao aprendizado dos seus filhos, se a gestão não está satisfatória, se faltamremédios, médicos, se o dinheiro está sendo aplicado para o propósito que foidestinado, por vezes a gente traça planos de desenvolvimento para o bairro juntocom a comunidade. Não vou dizer que é todo mundo aqui da comunidade queparticipa, por que não é todos, nem todo mundo vive miséria e se preocupa com ocoletivo, mas enquanto morador há 50 anos posso dizer a maioria da comunidadeé pobre, mas já foi-se o tempo que o pobre deixava que a situação de descasocorrer, eu sinto que o pobre daqui se politizou, e por ser assim politizado ele pensano trabalho coletivo e vias alternativas de resolução como chance de modificar suarealidade de descaso” O trecho nos permite perceber a noção que o líder tem em relação a suarealidade e dos componentes (atores, estrutura) que a cerca. Esse conhecimento deseu universo e de suas eficiências e deficiências é importante, e se define comofundamental para o processo de visibilidade que se quer promover através da
  41. 41. 41televisão. Pois, conhecendo esses elementos é possível traçar um planejamentosobre o caso a ser levado à visibilidade, fazendo com que a ação desenrolada poreles tenha maiores chances de obter o objetivo pretendido. Temos então nessa primeira Fase: 1 A identificação dos interesses epreocupações da comunidade, pela comunidade; 2. A análise desses interesses,preocupações e de suas condições de enfrentamento; 3. A organização dapopulação e o planejamento das suas ações.Partiremos agora para a etapa seguinte de averiguação da visibilidade. 3.2.2. FASE 2: A VISIBILIDADE DAS MOBILIZAÇÕES E DASDEMANDAS TRAZIDAS PELO LÍDER COMUNITÁRIO NO QVP Essa fase visa verificar a continuidade da primeira ação de investidura para avisibilidade. De acordo com os líderes, após manter contato com a produção doprograma para expor a necessidade que a comunidade tem de um espaço noprograma, para expor seus problemas e solicitar para eles uma solução dasautoridades, esse programa se vê suscetível a duas ações. A primeira delas épermitir a visibilidade e a segunda, inibi-la. Como vimos na primeira fase, esseprograma aparentemente “permitiu” a utilização do espaço, embora tenhamos vistotambém que a permissão não se configura como a concretização de visibilidade damobilização. Veremos como ocorre essa concretização: Segundo o líder Marcelo Ribas, o processo de visibilidade acontece em seuplanejamento em duas instâncias: 1.Quando a ação se torna pública aos telespectadores (remete-se à transmissão de TV, enquanto meio propagador da ação desenvolvida pela comunidade); 2.Quando a ação de mobilização repercute nos receptores de destino e estesvisibilizam a ação dando a ela um retorno (remete-se à chegada da açãodesenvolvida pelas lideranças e comunidades, até as autoridades competentes paraquais a ação foi direcionada. Em níveis de ilustração: Ao encaminharem um repórter para confeccionar a pauta na comunidade ouainda “permitirem” que a própria comunidade seja o reportador da matéria, temos
  42. 42. 42um potencial de visibilidade, porém esse potencial não significa que o programapermita a participação e cidadania. É sempre bom pensar, nessas situações degeração de pauta, sobre o que está por trás dessa abertura para uma pseudoparticipação, contudo, há nessa contrapartida de intencionalidade (justificada ouinjustificada) fornecida pelo programa, um possível espaço de visibilidade para asações de Paripe. Ao serem levados ao ar, têm-se a primeira visibilidade (visibilidade entendidacomo a transmissão, telejornal enquanto meio propagador). Ao receberem um retorno sobre o que foi propagado no telejornal ,tem-se aí aefetiva visibilidade, pois a ação de mobilização planejada pelas lideranças alcançouos níveis pretendidos de resolução. Faremos agora um recorte sobre demandas disponibilizadas pelacomunidade de Paripe no QVP. Essas demandas em forma de pautas nospermitiram observar em qual instância se afirma a apropriação do QVP enquantoinstrumento de visibilidade. 3.2.3. DEMANDAS DA COMUNIDADE TRAZIDAS PELOS LÍDERESCOMUNITÁRIOS QUE FORAM VISIBILIZADAS NO QVP No período de janeiro a julho de 2011, segundo informação da assessoria decomunicação do programa QVP, deram entrada no programa através da associaçãode moradores e membros da comunidade, 23 pedidos de pautas sobre situaçõesexistentes no bairro de Paripe. Destes, segue tabela : TEMÁTICA ESPECIFICIDADES TOTAL 3 pautas Denúncia nos serviços de saúde; SAÚDE Falta de medicamentos; Campanhas de vacinação.
  43. 43. 43 Denúncia sobre a falta de merenda 3 pautas escolar na rede pública de ensino; Solicitação de material didático, de EDUCAÇÃO higiene pessoal e material de limpeza para a estrutura das escolas; Normalização do calendário acadêmico da rede pública de ensino de Paripe. Exposição de artista da comunidade; 2 pautas ENTRETENIMENTO solicitação de investimento no esporte local. 3 pautas Denúncia de criminalidade; VIOLÊNCIA solicitação de assistência a casa do dependente químico de Paripe. 2 pautas Solicitação de documentação: RG,CPF, carteira de trabalho; ASSISTENCIALISMO solicitação de políticas e melhorias para Associação dos Pescadores de Paripe. 5 pautas Pavimentação de ruas, rede de esgoto, INFRAESTRUTURA saneamento básico. Divulgação de produção artística de 5 pautas Paripe; EVENTOS realização de campanhas de empreendedorismo, palestras saúde e meio ambiente. Tabela 2 - Relação das Pautas Deste total de 23 pautas, podemos dizer que todas foram visibilizadas emprimeira instância (foram levadas ao ar através do telejornal). Porém, paraverificarmos se efetivamente a utilização do QVP surge como um instrumentoestratégico de visibilidade para as lideranças sociais de Paripe, precisaremosverificar se a segunda instância de visibilidade da mobilização se processou. Antes,porém, é nessa etapa, à produção do programa irá orientar como vai se processara visibilidade da ação. (Quem será o repórter? a população? Ou uma pessoaenviada pela produção? A mobilização acontecerá ao vivo, será uma nota, teráparticipação de populares, ou somente do líder que estará no programa
  44. 44. 44representando sua comunidade e falando sobre a situação? Decididas as formas deaparição da mobilização na primeira instância de visibilidade partiremos agora paraa terceira fase. 3.2.4. FASE 3: MOBILIZAÇÃO COMUNITÁRIA QUE EFETIVA OU NÃO AVISIBILIDADE DA AÇÃO NO PROGRAMA Essa é a fase de constatação, onde podemos observar se as pautas levadaspelas lideranças obterão ou não um retorno e visibilidade. Separaremos por temática: TEMÁTICA ESPECIFICIDADES TOTAL Denúncia nos serviços de SAÚDE saúde; 3 PAUTAS Falta de medicamentos; Campanhas de vacinação. Tabela 3 - Relação das pautas de saúde Destas 3 pautas apresentas pelas lideranças comunitárias e transmitidas peloQVP, duas obtiveram um retorno das autoridades competentes. A questão dos remédios, segundo os líderes, foi solucionada, A Prefeitura,através da Secretária de Saúde comprometeu-se a enviar os medicamentosnecessários aos postos de saúde da comunidade, bem como abriu edital parapreenchimento das especialidades médicas apontadas como deficientes. Temos então para duas destas pautas envolvendo a temática de saúde, umretorno efetivo.
  45. 45. 45 TEMÁTICA ESPECIFICIDADES TOTAL Denúncia sobre a falta de merenda escolar na rede pública de ensino, solicitação de material didático, de higiene EDUCAÇÃO pessoal e material de limpeza 3 PAUTAS para a estrutura das escolas, normalização do calendário acadêmico da rede pública de ensino de Paripe Tabela 4 - Relação das pautas de educação Das temáticas envolvendo educação, apenas uma pauta obteve o retornodesejado pelas lideranças e pela comunidade: a que se refere ao material didático. Asecretária de Educação do Estado solicitou junto às diretorias escolares a relaçãodesses materiais e dias depois, os encaminhou às escolas. Quanto à merendaescolar e o reajuste do calendário acadêmico, estes permaneceram segundo aslideranças sem nenhum retorno. TEMÁTICA ESPECIFICIDADES TOTAL Exposição de artistas, solicitação de ENTRETENIMENTO 2 pautas investimento no esporte local Tabela 5 - Relação das pautas de entretenimento Das 2 pautas envolvendo entretenimento, o retorno aconteceu para todas.Segundo as lideranças, a cultura local recebeu um incentivo financeiro através daSecult (Secretária de Cultura do Estado da Bahia). Enquanto o esporte local recebeuapós três meses uma quadra poliesportiva.
  46. 46. 46 TEMÁTICA ESPECIFICIDADES TOTAL Denúncia de criminalidade, solicitação VIOLÊNCIA 3 pautas de assistência a casa do dependente químico Tabela 6 - Relação das pautas de violência Das 3 pautas visibilizadas em primeira instância, nenhuma, segundo aslideranças obtiveram o retorno esperado pela ação de mobilização. Por não ocorrerum retorno por parte de quem se pretendia. A ação configura-se como nãovisibilizada. TEMÁTICA ESPECIFICIDADES TOTAL Solicitação de documentação: RG,CPF, carteira de trabalho, ASSISTENCIALISMO solicitação de políticas e 2 pautas melhorias para a Associação dos Pescadores de Paripe. Tabela 7 - Relação das pautas de assistencialismo Todas as duas pautas envolvendo assistencialismo, segundo as liderançasforam visibilizadas em primeira instância obtiveram o retorno por parte dasautoridades. Um pequeno posto do SAC (Serviço Atendimento ao Consumidor) foiimplantado na região e a Associação dos Pescadores recebeu a regulamentação daprefeitura para o seu pescado. TEMÁTICA ESPECIFICIDADES TOTAL Pavimentação ruas, rede INFRAESTRUTURA de esgoto, saneamento 5 pautas básico. Tabela 8 - Relação das pautas de infraestrutura
  47. 47. 47 As pautas envolvendo infraestrutura não obtiveram os resultados esperadospelas lideranças comunitárias, portanto a ação de mobilização no programa QVPnão se efetivou como visível em segunda instância. TEMÁTICA ESPECIFICIDADES TOTAL Divulgação de produção artística de Paripe, realização de campanhas EVENTOS 5 pautas de empreendedorismo, palestras saúde e meio ambiente. Tabela 9 - Relação das pautas de eventos Para a temática de eventos, segundo os líderes comunitários, a averiguação doretorno é um tanto subjetiva, porém exclusivamente para a campanha deempreendedorismo eles consideraram a partir do número de presentes no eventoque a visibilidade ocorreu. Como vimos, nem todas as tentativas de visibilidade em segunda instânciaforam efetivas para a comunidade, portanto propomos a criação de uma quarta fase,a fim de verificar as possíveis interferências e barreiras causadas pela linha editorialdo programa em relação a utilização de sensacionalismo na confecção dasmatérias. Adotaremos como critérios para enquadrar a postura do programa comosensacionalista: a voz do apresentador, sua postura em frente as câmeras, a criaçãode dramas pessoais, personagens, apelo a emoção, citação direta de pessoasenvolvidas, avaliando se esses elementos presentes ou não nas matérias puderamgerar uma ação efetiva do poder público. 3.2.5. FASE 4: DE MOBILIZAÇÃO COMUNITÁRIA: QUE VERIFICA APOSSIBILIDADE DE INTERFERÊNCIA DA LINHA EDITORIAL DO PROGRAMAQVP. Essa fase da pesquisa pretende promover uma avaliação das matériasgeradas pelas pautas, identificando como elas puderam, ou não, gerar uma açãoefetiva dos poderes públicos. Essa fase pretende também verificar se o tratamento
  48. 48. 48editorial dado pelo programa às informações interferiram no processo de visibilidadeem segunda instância. TEMÁTICA ESPECIFICIDADES TOTAL Denúncia nos serviços de SAÚDE saúde; 3 PAUTAS Falta de medicamentos; Campanhas de vacinação. Tabela 10 - Relação das pautas de saúdePautas que obtiveram retorno – Denúncia nos serviços de saúde em Paripe eFalta de medicamentos. As 2 pautas que obtiveram um retorno das autoridades competentes foramlevadas ao ar da seguinte forma: moradores aparecem se queixando sobre da faltade médicos e de uma melhor estrutura para o atendimento aos pacientes. A matériaé transmitida ao vivo e ocorre no interior do hospital, imagens de pacientes noscorredores são exibidas e o repórter tece críticas à administração do hospital,citando alguns nomes dentro dessa administração. O tratamento dado à pauta pelo programa remete á espetacularização dainformação, o fato de se transmitir ao vivo e trazer imagens do ambiente de hospital,bem como apontar nomes de pessoas ligadas a administração, aponta um possívelinteresse do programa em visibilizar a pauta solicitada pela comunidade. Nessasituação, podemos atribuir o retorno dado pelas autoridades à exposição trazida peloprograma dos Administradores.Pautas que não obtiveram retorno – Solicitação da campanha de vacinaçãocontra meningite no bairro. Em nota lida no programa, os moradores de Paripe pediram o aumento nonúmero de vacinas contra a meningite, segundo eles a quantidade enviada pelaSecretária de Saúde era insuficiente para a quantidade de moradores. O tratamentodado a essa informação pelo programa não foi considerado espetacular, visto que oapresentador apenas fez a leitura em tom normal, dessa nota no programa. Como aação dos moradores não obteve retorno, podemos inferir que a falta de uma leituramais enérgica e sensacional foi o fator responsável pelo não posicionamento dasautoridades responsáveis.
  49. 49. 49 TEMÁTICA ESPECIFICIDADES TOTAL Denúncia sobre a falta de merenda escolar na rede pública de ensino, solicitação de material didático, de higiene EDUCAÇÃO pessoal e material de limpeza 3 PAUTAS para a estrutura das escolas, normalização do calendário acadêmico da rede pública de ensino de Paripe Tabela 11 - Relação das pautas de educaçãoPautas que obtiveram retorno - Solicitação de material didático Em participação ao vivo no programa, a líder comunitária, Maria Silva,solicitou junto à Secretaria de Educação do Estado e a Prefeitura Municipal aentrega do material didático para os alunos da rede pública municipal ela comentouque desde o começo do ano letivo os alunos estavam impedidos de acompanharcorretamente as aulas pela ausência desse material. A postura do apresentador emrelação a essa solicitação não pareceu espetacular, com mesmo tom de voz ele queele apresentou a informação, ele conduziu a finalização dela. Em nota, no final doprograma a Assessoria entrou em contato com a produção informando sobre essereal atraso e se comprometeu a encaminhar esse material as escolas. Nessasituação o retorno ocorreu, por conta do conhecimento que já existia da Secretariade Educação acerca dessa situação. A exposição só veio nessa situação, darceleridade ao processo de entrega desse material.Pautas que não obtiveram retorno – Denúncia sobre a falta de merenda escolarna rede pública de ensino; falta de material de higiene pessoal e de limpeza, para aestrutura das escolas; normalização do calendário acadêmico da rede pública deensino de Paripe. Com exceção da pauta solicitando a normalização do calendárioacadêmico, que foi transmitida através de nota corrida, as outras foram levadas aoar através de matérias gravadas nas instituições escolares. E em todas o tratamentoatribuído à informação pode ser considerado sensacional, tanto pelas imagensmostradas, quanto pelos relatos trazidos pelos estudantes. Ocorreu uma exploração

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