Contos que elevam a alma 2

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Contos que elevam a alma 2

  1. 1. CONTOS QUEELEVAMA ALMA Livro II Material recolhido no sitehttp://aeradoespirito.sites.uol.com.br por Antonio Celso
  2. 2. O ALFAIATE E O TESOURO DE BRESAO ANÚNCIOO ASNO EM PELE DE LEÃOO BAMBU AMADOO BOSQUEO CACHORROO CÃO E A OVELHAO CHINÊS LAILAIO CHORO DA ESTRELAO COBRADOR!O CONTRABANDISTAO CORVO COBIÇOSOO DESAFIO DA MONTANHAO FILHOTE DE BATATAO FORMIGUEIRO E O DRAGÃOO FRIO QUE VEIO DE DENTROO FURO NO BARCOO GAROTO, O PAI E A VASSOURAO GRANDE PRÍNCIPEO GUERREIRO E O MONGEO HOMEM E O RIOO INTELECTUAL E AS RESPOSTAS ZENO LADRÃO DE MACHADOO LADRÃO E O CÃO DE GUARDAO LIVRO DO DESTINOO LOBO E O CORDEIROO MAL EXISTE?O MENINO E O TELEFONEO MESTRE SUFI E O OVOO MITO DA CAVERNAO MONGE E O PADEIROO MOSQUITO E O TOUROO MUDO E O PAPAGAIOO OBSERVADORO PAVÃOO QUE MAIS?O RECADO DA DONA VIDA...O REI E O SÁBIOO REI MENDIGOO REI NARIGUDOO REI, O SUFI E O CIRURGIÃOO SERMÃOO TAPETINHO VERMELHOO TOLO QUE ERA SÁBIO
  3. 3. O VINHO E A ÁGUAOLHAI OS LÍRIOS DOS CAMPOSONDE COLOCAR O SAL?ONDE ESTÃO OS NOSSOS DEFEITOSORAÇÃOOS FILHOS DA TERRAOS LADRÕES DOS HOMENSOS MEDIADORES ENTRE O HOMEM E A VERDADEOS MELHORES CONSELHOSOS TRÊS BEDUÍNOSOS TRÊS CRIVOSPAGANDO TRÊS VEZES PELA MESMA COISAPAPAI ESTÁ NO LEMEPASSEIO DE BARCOPEDRA NO CAMINHOPOR QUE AS PESSOAS GRITAM?PRÍNCIPE DOS MENDIGOSQUE TIPO DE PESSOAS VIVEM NESTE LUGAR?QUEM NÃO TE CONHECE QUE TE COMPREREGRESSO AO LARSANTIDADESEJA A DIFERENÇASÃO AGNÓSTICOSECANDO FARINHA NO VARALSONS INAUDÍVEISTRÊS HOMENS, O GÊNIO E AS ROSASUM FILÓSOFO QUESTIONA BUDDHAUM SONHO DE BAILARINAUMA COLHEITA INESPERADAUMA FÁBULA JUDAICAUMA FÁBULA SOBRE A FÁBULAUMA FORÇA DESCONHECIDAUMA HISTÓRIA TURCAVENCER SIM, MAS NÃO SOZINHOVIVER COMO AS FLORESVÔO TURBULENTO
  4. 4. O ALFAIATE E O TESOURO DE BRESAConta-se que houve, outrora, na Babilônia - a famosa cidade dos Jardins Suspensos -um pobre e modesto Alfaiate, chamado Enedim. Homem inteligente e trabalhador,que, por suas boas qualidades e amor no coração, era muito querido no bairro em quemorava. Enedim passava o dia inteiro, de manhã à noite, cortando, costurando epreparando as roupas de seus numerosos fregueses, e, embora, muito pobre, nãoperdia a esperança de vir a ser muito rico, senhor de muitos Palácios e grandestesouros.Como conquistar, porém, essa tão ambicionada riqueza? - pensava o mísero alfaiate,passando e repassando a agulha grossa de seu ofício - Como descobrir um dessesfamosos tesouros que se acham escondidos na terra ou perdidos nas profundezas domar? Ouvira contar, em palestra com estrangeiros vindos do Egito, da Síria e da Grécia,histórias prodigiosas de aventureiros que haviam topado com cavernas imensas, cheiasde ouro... Grutas profundas crivadas de brilhantes... Caixas pesadíssimas a transbordarde pérolas. E não poderia ele, à semelhança desses aventureiros felizes, descobrir umtesouro fabuloso e tornar-se, assim, de um momento para o outro, o homem mais ricodaquelas terras? Ah! Se tal coisa acontecesse, ele seria, então, senhor de um imenso emagnífico palácio... Teria numerosos escravos e, todas as tardes, num grande carro deouro, tirado por mansos leões, passearia, de seu vagar, sobre as muralhas da Babilônia,cortejando amistosamente os Príncipes ilustres da casa Real.Assim meditava o bondoso Enedim, divagando por tão longínquas riquezas, quando lheparou à porta da casa um velho mercador da Grécia, que vendia tapetes, imagens,pedras coloridas e uma infinidade de outros objetos extravagantes tão apreciadospelos Babilônios. Por mera curiosidade, começou Enedim a examinar as bugigangas queo vendedor lhe oferecia, quando descobriu, entre elas, uma espécie de livro de muitasfolhas, onde se viam caracteres estranhos e desconhecidos. Era uma preciosidadeaquele livro, afirmava o mercador, passando as mãos ásperas pelas barbas que lhecaiam sobre o peito, e custava apenas três dinares. Três dinares. Era muito dinheiropara o pobre alfaiate. Para possuir um objeto tão curioso e raro, Enedim seria capaz degastar até os dois últimos dinares que possuía.- Está bem - concordou o mercador - fica-lhe o livro por dois dinares, mas esteja certode que lhe foi de graça!Afastou-se o vendedor e Enedim tratou, sem demora, de examinar cuidadosamente apreciosidade que havia adquirido. Qual não foi a sua surpresa quando conseguiudecifrar, na primeira página, a seguinte legenda, escrita em complicados caracterescaldaicos: "O segredo do tesouro de Bresa". Por Deus! Aquele livro maravilhoso, cheiode mistério, ensinava, com certeza, onde se encontrava algum tesouro fabuloso! OTESOURO DE BRESA! Mas, que tesouro seria esse? Enedim recordava-se vagamente, dejá ter ouvido qualquer referência a ele. Mas quando? Onde? E com o coração a baterdescompassadamente, decifrou ainda: "O tesouro de Bresa, enterrado pelo gênio domesmo nome entre as montanhas do Harbatol, foi ali esquecido, e ali se acha ainda,até que algum homem esforçado venha a encontrá-lo".Harbatol? Que montanhas seriam essas que encerravam todo o ouro fabuloso de umgênio? E o esforçado alfaiate, dispôs-se a decifrar todas as páginas daquele livro, e ver
  5. 5. se atinava, custasse o que custasse, com o segredo de Bresa, para apoderar-se dotesouro imenso que o capricho de seu possuidor fizera enterrar nalguma gruta perdidaentre as montanhas. As primeiras páginas eram escritas em caracteres de vários povos.Enedim foi obrigado a estudar os hieróglifos egípcios, a língua dos gregos, os dialetospersas, o complicado idioma dos judeus.Ao fim de três anos, deixava Enedim a antiga profissão de alfaiate, e passava a ser ointérprete do Rei, pois na cidade não havia quem soubesse tantos idiomasestrangeiros. O cargo de intérprete do Rei era bem rendoso. Ganhava Enedim, cemdinares por dia; ademais morava numa grande casa, tinha muitos criados e todos osnobres da corte o saudavam respeitosamente.Não desistiu, porém, o esforçado Enedim, de descobrir o grande mistério de Bresa.Continuando a ler o livro encantado, encontrou várias páginas cheias de cálculos,números e figuras. E, a fim de ir compreendendo o que lia, foi obrigado a estudarMatemática com calculistas da cidade, tornando-se, ao cabo de pouco tempo, grandeconhecedor das complicadas transformações aritméticas. Graças a esses novosconhecimentos adquiridos, pode Enedim calcular, desenhar e construir uma grandeponte sobre o Eufrates; esse trabalho agradou tanto ao Rei, que o monarca resolveunomear Enedim para exercer o cargo de Prefeito. O amigo e humilde alfaiate passava,assim, a ser um dos homens mais notáveis da cidade. Ativo e sempre empenhado emdesvendar o segredo do tal livro, foi compelido a estudar profundamente as leis, osprincípios religiosos de seu país e os do povo caldeu; com o auxilio desses novosconhecimentos, conseguiu Enedim dirimir uma velha pendência entre os doutores.- É um grande homem o Enedim! - declarou o Rei quando soube do fato - Vou nomeá-loPrimeiro Ministro. E assim fez. Foi o nosso esforçado herói, ocupar o elevado cargo dePrimeiro Ministro.Vivia, então, num suntuoso palácio, perto do jardim Real, tinha muitos criados erecebia visitas dos príncipes mais poderosos do mundo. Graças ao trabalho e ao grandesaber de Enedim, o reino progrediu rapidamente e a cidade ficou repleta deestrangeiros; ergueram-se grandes palácios, várias estradas se construíram para ligarBabilônia às cidades vizinhas. Enedim era o homem mais notável do seu tempo.Ganhava diariamente mais de mil moedas de ouro, e tinha em seu palácio de mármoree pedrarias, caixas cheias de jóias riquíssimas, e de pérolas de valor incalculável. Mas -coisa interessante! - Enedim não conhecia ainda o segredo do livro de Bresa, emboralhe tivesse lido e relido todas as páginas! Como poderia penetrar naquele mistério?E um dia, cavaqueando com um venerando sacerdote, teve a ocasião de referir-se àincógnita que o atormentava. Riu-se o bom religioso, ao ouvir a ingênua confissão dogrande vizir, e, afeito a decifrar os maiores enigmas da vida, assim falou:- "O tesouro de Bresa já está em vosso poder, meu senhor. Graças ao livro misterioso éque adquiristes um grande saber, e esse saber vos proporcionou os invejáveis bens quejá possuis". Bresa significa "saber". Harbatol quer dizer "trabalho". Com estudo etrabalho pode o homem conquistar tesouros maiores do que os que se ocultam no seioda terra ou sob os abismos do mar!Tinha razão o esclarecido sacerdote. Bresa, o gênio, guarda realmente um tesourovaliosíssimo, que qualquer pessoa, esforçada e inteligente pode conseguir; essa riquezaprodigiosa não se acha, porém perdida no seio da terra nem nas profundezas dos
  6. 6. mares; Encontrá-la-eis, sim, nos bons livros, nos estudos, na dedicação ao trabalho, queproporcionando saber às pessoas, abrem para aqueles que se dedicam as portasmaravilhosas de mil tesouros encantados! *** O ANÚNCIO Conto sufiNasrudin (*) postou-se na praça do mercado e dirigiu-se à multidão:- Ó povo deste lugar! Querem conhecimento sem dificuldade, verdade sem falsidade,realização sem esforço, progresso sem sacrifício?Logo juntou-se um grande número de pessoas, com todo mundo gritando:- Queremos, queremos!- Excelente! Era só para saber. Podem confiar em mim, que lhes contarei tudo arespeito, caso algum dia descubra algo assim. ***(*) Mulla Nasrudin (Khawajah Nasr Al-Din) viveu no século XIV. Contou e escreveuhistórias onde ele próprio era personagem. São histórias que atravessaram fronteirasdesde sua época, enraizando-se em várias culturas. Elas compõem um imenso conjuntoque integra a chamada Tradição Sufi, ou o Sufismo, filosofia de autoconhecimento deantiga tradição persa e que se espalha pelo mundo até hoje.O termo sufismo é utilizado para descrever um vasto grupo de correntes e práticas. Asordens sufis (Tariqas) podem estar associadas ao islã sunita, islã xiita, a umacombinação de várias correntes, ou a nenhuma delas. O pensamento sufi se fortaleceuno Médio Oriente no século VIII e encontra-se hoje por todo o mundo.De acordo com as grandes escolas de jurisprudência islâmica, o sufismo é consideradocomo um movimento herético, tendo sido, por isso, perseguido inúmeras vezes aolongo da história.Conhecido por muitos como o misticismo do Islã, o sufismo é uma filosofia deautoconhecimento e contato com o divino através de certas práticas as quais nemsempre seguem um padrão fixo e frequentemente parecem incompreensíveis a umobservador que esteja fora do contexto de trabalho. Estas práticas devem ser aplicadaspor um professor.Os sufis acreditam que Deus é amoroso e o contato com ele pode ser alcançado peloshomens através de uma união mística, independente da religião praticada. Por esteconceito de Deus, foram, muitas vezes, acusados de blasfêmia e perseguidos pelospróprios muçulmanos esotéricos, pois contrariavam a idéia convencional de Deus. Fontes: http://contoseparabolas.no.sapo.pt/03outros/sufin.htm e http://pt.wikipedia.org/wiki/Sufismo *** O ASNO EM PELE DE LEÃO
  7. 7. Um Asno, ao colocar sobre seu dorso uma pele de Leão, vagava pela florestadivertindo-se com o pavor que causava aos animais que ia encontrando pelo seucaminho.Por fim encontra uma Raposa e também tenta amedrontá-la. Mas a Raposa, tão logoescuta o som de sua voz, exclama com ironia:Eu certamente teria me assustado, se antes, não tivesse escutado o seu zurro. Esopo (*)Moral da História: Um tolo pode se esconder por trás das aparências, mas suaspalavras acabarão por revelar à todos quem na verdade ele é. ***(*) Esopo é um lendário autor grego. Teria vivido na Antigüidade, ao qual se atribui aorigem da fábula como gênero literário. Foi-lhe atribuído um conjunto de pequenashistórias, de caráter moral e alegórico, cujos papéis principais eram desenvolvidos poranimais. (Fonte: Wikipédia - http://pt.wikipedia.org/wiki/Esopo) *** O BAMBU AMADOEra uma vez um maravilhoso jardim, situado bem no centro de um grande campo. Odono costumava passear pelo jardim, ao clarão do luar, à noite... Um belo bambu erapara ele a mais bela e estimada de todas as árvores do seu jardim.Ao seu olhar carinhoso, esse bambu crescia e se tornava cada vez mais formoso. Elesabia que seu senhor o amava e que ele era sua alegria. Um dia, o dono, pensativo,aproximou-se do seu amado bambu e, num gesto de profunda veneração, o bambuinclinou sua cabeça imponente...O senhor disse a ele:– Querido bambu, eu preciso de você.O bambu estava feliz, parecia ter chegado a grande hora de sua vida. Ele respondeu:– Meu senhor, estou pronto, faze de mim o que quiseres!– Bambu! – a voz do senhor era grave – Bambu, só poderei usá-lo, se eu o podar.– Podar? A mim, senhor?! Por favor, não faças isso! Preserve a minha bela figura. Tuvês como todos me admiram, me elogiam!– Meu bambu amado – a voz do senhor tornou-se ainda mais grave – não importa queo papariquem ou não... seu não o podar não poderei usá-lo...No jardim tudo ficou silencioso. O vento segurou a respiração. Finalmente o lindobambu se inclinou e sussurrou:– Senhor, se não podes usar sem podar-me... então, faze comigo o que quiseres!– Meu querido bambu – tornou o senhor – devo também cortar as suas folhas!– Óh, senhor, se me amas, preserva-me de tal mal!! Podes destruir minha beleza, mas,por favor, deixa as minhas folhas!– Não o posso usar se não arrancar-lhe as folhas.
  8. 8. A lua e as estrelas, confusas, escondem-se atrás das nuvens... Algumas borboletas epássaros, que por ali brincavam, afastaram-se assustados. O bambu, meio trêmulo, àmeia voz, disse:– Senhor, corta-as!Mas o senhor disse:– Ainda não basta meu querido bambu. Devo cortá-lo pelo meio e tomar também seucoração. Se não fizer isso não poderá ser-me útil.– Por favor, Senhor – disse o bambu – eu não poderei mais viver... Como viver sem ocoração?– Devo tirar seu coração, caso contrário não me serás útil.Então o bambu inclinou-se até o chão e disse:– Corta-me e divide-me se assim o desejares!O senhor desfolhou o bambu... decepou os seus galhos... partiu-o em duas partes...tirou-lhe o coração. Depois, levou-o para o meio do campo ressequido, a uma fonteonde jorrava água fresca. Lá o senhor deitou cuidadosamente o seu querido bambu nochão. Ligou uma das extremidades do tronco decepado à fonte e a outra ele levou parao campo. E a fonte cantou as boas vindas.As águas cristalinas precipitaram-se alegres pelo corpo dilacerado do bambu, correramsobre os campos tórridos e áridos, que por elas tanto tinham suplicado...Ali plantou-se o trigo, o arroz, o milho, rosas... e outras flores das mais variadasespécies e cores.Os dias passaram, a sementeira brotou, cresceu e veio o tempo da colheita... farta eabundante. Assim, o maravilhoso e esbelto bambu. No seu aniquilamento e humildade,transformou-se numa benção especial.Quando ele era belo e jovem, crescia somente para si e se alegrava com sua própriaformosura. Agora, no seu despojamento, ele se tornou o canal do qual o senhor seserviu para tornar fecundas as suas terras... e muitos, muitos passaram a viver dopródigo tronco do bambu amado. *** O BOSQUETempos atrás eu era vizinho de um médico cujo "hobby" era plantar árvores no enormequintal de sua casa. Às vezes, observava da minha janela o seu esforço para plantarárvores e mais árvores, todos os dias. O que mais chamava a atenção, entretanto, era ofato de que ele jamais regava as mudas que plantava.Passei a notar, depois de algum tempo, que suas árvores estavam demorando muitopara crescer. Certo dia, resolvi então aproximar-me do médico e perguntei se ele nãotinha receio de que as árvores não crescessem, pois percebia que ele nunca as regava.Foi quando, com um ar orgulhoso, ele me descreveu sua fantástica teoria.Disse-me que, se regasse suas plantas, as raízes se acomodariam na superfície eficariam sempre esperando pela água mais fácil, vinda de cima. Como ele não asregava, as árvores demorariam mais para crescer, mas suas raízes tenderiam a migrarpara o fundo, em busca da água e das várias fontes nutrientes encontradas nascamadas mais inferiores do solo. Assim, segundo ele, as árvores teriam raízes
  9. 9. profundas e seriam mais resistentes às intempéries, essa foi a única conversa que tive com aquele meu vizinho. Logo depois fui morar em outro país, e nunca mais o encontrei. Vários anos depois, ao retornar do exterior fui dar uma olhada na minha antiga residência. Ao aproximar-me, notei um bosque que não existia antes. Meu antigo vizinho havia realizado seu sonho! O curioso é que aquele era um dia de um vento muito forte e gelado, em que as árvores da rua estavam arqueadas, como se não estivessem resistindo ao rigor do inverno, entretanto, ao aproximar-me do quintal do médico, notei como estavam sólidas as suas árvores: praticamente não se moviam, resistindo implacavelmente àquela ventania toda. Que efeito curioso, pensei eu... As adversidades pela qual aquelas árvores tinham passado, tendo sido privadas de água, pareciam tê-las beneficiado de um modo que o conforto o tratamento mais fácil jamais conseguiriam. Todas as noites, antes de ir me deitar, dou sempre uma olhada em meus filhos, debruço-me sobre suas camas e observo como têm crescido. Freqüentemente, oro por eles. Na maioria das vezes, peço para que suas vidas sejam fáceis: "Meu Deus, livre meus filhos de todas as dificuldades e agressões desse mundo". Tenho pensado, entretanto, que é hora de alterar minhas orações. Essa mudança tem a ver com o fato de que é inevitável que os ventos gelados e fortes nos atinjam e aos nossos filhos. Sei que eles encontrarão inúmeros problemas e que, portanto, minhas orações para que as dificuldades não ocorram, têm sido ingênuas demais. Sempre haverá uma tempestade, ocorrendo em algum lugar, portanto, pretendo mudar minhas orações. Farei isso porque, quer nós queiramos ou não, a vida não é muito fácil. Ao contrário do que tenho feito, passarei a orar para que meus filhos cresçam com raízes profundas, de tal forma que possam retirar energia das melhores fontes, das mais divinas, que se encontram nos locais mais remotos. Oramos demais para termos facilidades, mas na verdade o que precisamos fazer é pedir para desenvolver raízes fortes e profundas, de tal modo que quando as tempestades chegarem e os ventos gelados soprarem, resistiremos bravamente, ao invés de sermos subjugados e varridos para longe.REFLEXÕES: UMA PÉROLA É FORMADA LENTAMENTE, PELO ACRÉSCIMO DE CAMADASUma enciclopédia descreve a formação de uma pérola da seguinte maneira:Pérola (do latim pirula = pequena pêra), corpo redondo de madrepérola que se forma nointerior de algumas conchas marinhas ou de água doce em conseqüência de um tumorepitelial. Durante o alastramento das células epiteliais, elas segregam, inicialmente, comona formação da casca, uma substância córnea (conchina) e depois a madrepérola(carbonato de cálcio ortorrômbico = aragonita) em calotas concêntricas.UMA PÉROLA É FORMADA COM DORESQuando um corpo estranho (“grão de areia”, etc.) entra na ostra, provocando atrito comseu corpo e o ferindo, a ostra, a ostra libera uma secreção que encapsula o corpoestranho e aos poucos se forma uma preciosa pérola. PARÁBOLAS PROFÉTICAS: Uma pérola é formada com dores, pág. 101, A pérola é formada lentamente pelo acréscimo de camadas, pág. 104, Leith, Norbert ***
  10. 10. O CACHORROUm açougueiro estava tomando conta de sua loja e ficou realmente surpreso quandoum cachorro entrou. Ele espantou o cachorro mas, logo em seguida o cachorro voltou.Novamente ele tentou espantar o cachorro quando viu que o cachorro trazia umbilhete na boca. Ele pegou o bilhete e leu:"Pode me mandar 12 salsichas e uma perna de carneiro, por favor."O cachorro trazia dinheiro na boca também. Ele olhou e viu que dentro da boca docachorro tinha uma nota de 50 Reais. Então ele pegou o dinheiro, e pôs as salsichas e aperna de carneiro na boca do cachorro.O açougueiro ficou impressionado e como já era mesmo hora de fechar o açougue, eledecidiu fechar e seguir o cachorro. E foi o que ele fez.O cachorro começou a descer a rua quando chegou ao cruzamento.O cachorro depositou a bolsa no chão pulou e apertou o botão para fechar o sinal.Então esperou pacientemente com o saco na boca que o sinal fechasse e ele pudesseatravessar.Ele atravessou a rua e caminhou até uma parada de ônibus, com o açougueiroseguindo ele. No ponto de ônibus o cão olhou para a tabela de horário e então sentouno banco para esperar o ônibus.Quando o ônibus chegou o cachorro foi até a frente pára conferir o número e voltoupara o seu lugar. Outro ônibus chegou e ele tornou a olhar, viu que aquele era o ônibuscerto e entrou. O açougueiro boquiaberto seguiu o cão.De repente o cão se levantou e ficou em pé nas duas patas traseiras e apertou o botãopara saltar, tudo isso com as compras ainda na boca. Bem, o açougueiro e o cão foramcaminhando pela rua quando o cão parou em uma casa e pôs as compras na calçada.Então ele voltou um pouco e correu e se atirou contra a porta. Tornou a fazer isso.Ninguém respondeu na casa.Então o cachorro circundou a casa, pulou um muro baixo e foi até a janela e começou abater com a cabeça no vidro várias vezes. Caminhou de volta para a porta quando umcara enorme a abriu a porta e começou a espancar o cachorro. O açougueiro correu atéo homem e o impediu dizendo:"Por Deus do céu homem, o que você está fazendo? O seu cachorro é um gênio!"O homem respondeu:"Um gênio? Esta já é a segunda vez esta semana que este cachorro esquece a chave."Moral da estória:Você pode continuar excedendo as expectativas mas aos olhos de algumas pessoas istoestará sempre abaixo do esperado... ***
  11. 11. O CÃO E A OVELHAUm cão pôs demanda (discussão) a uma ovelha, dizendo que lhe havia emprestado, paramatar-lhe a fome, um belo osso. A ovelha respondia que nunca lhe pedira emprestadacoisa alguma, e ainda menos ossos, pois nem seus dentes nem seu estômago preferiamsemelhante alimento, pois era herbívora e não carnívora. Mas, pobre dela! O cão achoupor testemunha um lobo, um urubu e um gavião e, mancomunados, jurando os trêsterem visto a ovelha receber o osso do cão e roê-lo faminta, ela foi condenada.MORAL DA HISTÓRIA: Por mais razão que tenhas, fuja de demandas (brigas, discussõesbestas); contra o pobre, ao rico e ao poderoso nunca falta apoio de testemunhas venais(testemunhas corruptas) capazes de tudo. *** O CHINÊS LAILAI Um certo dia, um chinês chamado Lailai resolveu dedicar a sua vida à meditação. Decidiu que iria para um mosteiro no alto de uma grande montanha, com objetivo de encontrar a iluminação. Viajou muitos dias e ao chegar em frente ao portão principal do mosteiro, encontrou aquele que seria o seu Mestre. Lailai foi recebido com muito amor pelos monges que há muitos anos viviam por lá. E dizia a todos: - Vim para buscar minha iluminação. Passados alguns anos, o monge Lailai começou a ficar descontente com a sua situação, pois não conseguia encontrar o caminho da luz. Procurou o mestre, e disse-lhe: - Amado Mestre, me ensinastes muitas coisas belas e importantes nesta minha caminhada, mas ainda não consegui alcançar a iluminação em minha vida. Quero desistir da vida de monge e voltar para a minha aldeia. E o Mestre respondeu: - Tudo bem Lailai. Já que você está desistindo desta vida de meditação, quero lhe acompanhar na descida da montanha. Amanhã, às 4 horas da manhã, estarei lhe esperando no portão principal do mosteiro. No horário marcado, Lailai encontrou o seu Mestre. Ao sair do mosteiro o Mestre perguntou ao Lailai: - Querido filho, o que estás vendo neste momento ? Respondeu Lailai. - Mestre vejo o orvalho da madrugada, o cheiro das flores, o céu estrelado e uma lua maravilhosa. Continuaram descendo a montanha. Passada uma hora de caminhada, o Mestre pergunta: - E nesta parte da montanha, o que está vendo ? Respondeu Lailai.
  12. 12. - Vejo os primeiros raios de sol, escuto o canto dos pássaros e sinto a doce brisa damanhã penetrando em todo o meu ser.E assim continuavam a descer a grande montanha. Passado algumas horas, o Mestrevoltou com a mesma pergunta e Lailai assim respondeu:- Mestre, neste trecho da montanha sinto o calor do sol, o som do riacho, o orvalhoevaporando e os animais silvestres em harmonia com toda a natureza.Seguiram a caminhada.Chegaram ao pé da montanha ao meio dia. E mais uma vez, o Mestre fez a mesmapergunta e teve como resposta:- Mestre, vejo como a montanha é bela, as árvores da floresta, o riacho doce quecircunda o vale, o camponês cuidando da plantação de arroz. Vejo também mestre,uma criança feliz brincando com os seus amigos.Então o Mestre lhe falou:- Agora você já poderá voltar para o mosteiro.Espantado, Lailai perguntou qual seria a razão da volta ao mosteiro.Respondeu o Mestre:- Porque você já encontrou a Iluminação.- Como, Mestre ?- Muito simples. Em cada etapa da descida da montanha você percebeu a importânciade cada detalhe da natureza, compreendendo os seus sons, seus cheiros, suas imagens,as suas cores e suas vidas. Assim é que devemos ver e interpretar esta longacaminhada.A isto tudo, nós chamados de iluminação.A cada degrau da vida veja a beleza que ela nos oferece. *** O CHORO DA ESTRELAEstava Deus, a caminhar, sossegadamente, pelo universo...Contemplava sua criação, e, aproveitando o passeio, verificava se tudo estava correndobem.Em certo ponto de sua caminhada, deparou-se com uma de suas estrelas, num chorocompulsivo...Com certa tristeza, aproximou-se e perguntou docemente:- Por que choras, minha filha?A pobre estrela, aos prantos, mal conseguia falar:- Sabe, meu Pai... Estou triste... não consigo achar uma razão para a minha existência...O sol, com toda a sua magnitude, fornece calor, luz e energia às pessoas... As estrelascadentes, incentivam paixões e sonhos... Os cometas, geram dúvidas e mistérios... E eu,aqui... parada...Deus ouviu tudo atentamente... com doçura e paciência, decidiu explicar à estrela osporquês, porém, foi interrompido por uma voz, que vinha de longe...Era uma criança, que caminhava com sua mãe, em um dos planetas da região...A criança dizia à sua mãe:- Veja mamãe! O dia já vai nascer!
  13. 13. A mãe ficou meio confusa... como podia, uma criança, que mal sabia as horas, saberque o sol já nasceria, mesmo estando tão escuro?- Como você sabe disso, meu filho?- Veja aquela estrela! Papai me disse que ela anuncia o novo dia. Ela sempre aparecepouco antes do sol, e aponta o lugar de onde o sol vai sair...Ouvindo aquilo, a estrela pôs-se a chorar...Deus, calmamente lhe falou:- Podes ver? Sabes agora, o motivo de tua existência? Tudo o que criei, fiz por algumarazão de ser. És a estrela que anuncia o novo dia... E com o novo dia, renovam-se asesperanças, os sonhos... E serves para orientar os homens, para onde caminhar. Ao tever, sabem que não estão perdidos, pois sabem qual o seu destino.A estrela ouviu tudo atentamente... Sentiu uma alegria celestial invadindo sua vida...A partir de então, ela brilhou cada vez mais, pois sabia que era importante eindispensável ao ciclo da vida.Todos nós temos uma razão para estarmos aqui... Mesmo se não soubermos qual éexatamente esta razão, devemos viver a vida intensamente, semeando amor eespalhando alegrias... Só assim, a estrela que habita em nossos corações brilhará maisforte, iluminando a todos que estão à nossa volta. Fazendo isso, estaremos iluminandonossas próprias vidas. (Geremias Estevão) http://recantodapazdeespirito.blogspot.com/2010/02/o-choro-da-estrela.html *** O COBRADOR!Depois de um dia de caminhada pela mata, mestre e discípulo retornavam ao casebreseguindo por uma longa estrada.Ao passar próximo a uma moita de samambaia ouviram um gemido, verificaram edescobriram caído um homem.Estava pálido e com uma grande mancha de sangue próximo ao coração. O homemtinha sido ferido e já estava próximo da inconsciência e da morte.Com muita dificuldade, mestre e discípulo carregaram o homem para o casebre rústicoonde o trataram do ferimento.Uma semana depois já restabelecido o homem contou que havia sido assaltado e queao reagir fora ferido por uma faca.Disse que conhecia seu agressor e que não descansaria enquanto não se vingasse.Disposto a partir o homem disse ao mestre:"Senhor, muito lhe agradeço por ter salvado a minha vida, tenho que partir e levocomigo a gratidão por sua bondade. Vou ao encontro daquele que me atacou, voufazer com que ele sinta a mesma dor que eu senti".O mestre olhou fixo para o homem e disse:"Vá, faça o que deseja. Entretanto devo informá-lo de que você me deve 3.000 moedasde ouro como pagamento pelo tratamento que lhe fiz".O homem ficou assustado e disse:
  14. 14. "Mas senhor, é muito dinheiro! Sou um trabalhador e não tenho como lhe pagar essevalor"."Se não podes pagar pelo bem que recebestes, com que direito queres cobrar o mal quelhe fizeram?"O homem ficou confuso e o mestre concluiu:"Antes de cobrar alguma coisa procure saber quanto você deve. Não faça cobrançapelas coisas ruins que te aconteceram nesta vida, pois esta vida pode lhe cobrar tudoque você deve, e com certeza você vai pagar muito mais caro. Pense nisso! *** O CONTRABANDISTA Conto sufiVolta e meia, Nasrudin atravessava a fronteira entre a Pérsia e a Grécia montado nolombo de um burro. Toda vez passava com dois cestos cheios de palha e voltava semeles, arrastando-se a pé. Toda vez o guarda procurava por contrabando. Nunca oencontrou.- O que é que você transporta, Nasrudin?- Sou contrabandista.Anos mais tarde, com uma aparência cada vez mais próspera, Nasrudin mudou-se parao Egito. Lá encontrou um daqueles guardas de fronteira.- Diga-me, Mullá, agora que você está fora da jurisdição grega e persa, instalado poraqui nesta vida boa - o que é que você contrabandeava, que nunca conseguimos pegar?- Burros. ***(*) Mulla Nasrudin (Khawajah Nasr Al-Din) viveu no século XIV. Contou e escreveuhistórias onde ele próprio era personagem. São histórias que atravessaram fronteirasdesde sua época, enraizando-se em várias culturas. Elas compõem um imenso conjuntoque integra a chamada Tradição Sufi, ou o Sufismo, filosofia de autoconhecimento deantiga tradição persa e que se espalha pelo mundo até hoje.O termo sufismo é utilizado para descrever um vasto grupo de correntes e práticas. Asordens sufis (Tariqas) podem estar associadas ao islã sunita, islã xiita, a umacombinação de várias correntes, ou a nenhuma delas. O pensamento sufi se fortaleceuno Médio Oriente no século VIII e encontra-se hoje por todo o mundo.De acordo com as grandes escolas de jurisprudência islâmica, o sufismo é consideradocomo um movimento herético, tendo sido, por isso, perseguido inúmeras vezes aolongo da história.Conhecido por muitos como o misticismo do Islã, o sufismo é uma filosofia deautoconhecimento e contato com o divino através de certas práticas as quais nemsempre seguem um padrão fixo e frequentemente parecem incompreensíveis a um
  15. 15. observador que esteja fora do contexto de trabalho. Estas práticas devem ser aplicadaspor um professor.Os sufis acreditam que Deus é amoroso e o contato com ele pode ser alcançado peloshomens através de uma união mística, independente da religião praticada. Por esteconceito de Deus, foram, muitas vezes, acusados de blasfêmia e perseguidos pelospróprios muçulmanos esotéricos, pois contrariavam a idéia convencional de Deus. Fontes: http://contoseparabolas.no.sapo.pt/03outros/sufin.htm e http://pt.wikipedia.org/wiki/Sufismo *** O CORVO COBIÇOSOEra uma vez uma linda pomba que costumava viver em um ninho perto de umacozinha. Os cozinheiros gostavam muito dela e freqüentemente lhe davam grãos. Elagostava do lugar e tinha uma boa vida.Um dia, um corvo viu a pomba e percebeu como ela estava recebendo ótimas refeiçõesda cozinha. Então, numa ocasião o corvo fez amizade com a pomba, e sob o pretextode amizade, de alguma forma conseguiu fazer com que a pomba dividisse o seu ninhocom ele. A pomba então lhe disse que poderiam passar o tempo juntos discutindopolítica, religião, etc., mas que em se tratando de comida cada um teria seu meiopróprio. Dessa forma ela sugeriu que o corvo buscasse sua própria comida. Mas o corvoestava impaciente e sua única razão para fazer amizade com a pomba era pela comida.Ele queria carne e tudo o que a pomba ganhava da cozinha eram grãos.Ela não podia esperar mais e finalmente decidiu visitar a cozinha diretamente paraobter comida. Assim pensando, ela furtivamente se arrastou pela chaminé abaixo eentrou na cozinha. Ela sentiu o cheiro de um peixe temperado que estava numa panela.Cobiçoso, ele adiantou-se e tentou pegar o peixe, porém ao fazer isto ele tropeçounuma concha de sopa e fez um barulho. Isto alertou o cozinheiro que estava na salavizinha e apanhou o corvo e o matou.Moral da história: A cobiça paralisa a Inteligência.A tradução deste texto é uma preciosa colaboração de Teresinha Medeiros dos Santos - Felppondd@aol.comReferências bibliográficasAs Mais Belas Histórias Budistas - http://www.maisbelashistoriasbudistas.com *** O DESAFIO DA MONTANHANuma cidade havia uma montanha bastante íngreme e pedregosa, jamais escalada.Três amigos decidiram fazer a sua subida e, para isto, prepararam-se durante algunsdias. Muniram-se de todo o equipamento necessário, como cordas, alimentos e
  16. 16. materiais de primeiros socorros. No dia estabelecido, iniciaram a aventura, que seriaobservada por várias pessoas.Um deles, o mais jovem, iniciou a subida fazendo grande alarde, concedendoentrevistas e se declarando, por antecipação, como o mais preparado para atingir oobjetivo. Partiu eufórico e venceu os primeiros obstáculos com relativa facilidade.Prosseguiu na escalada e, quando já atingia uma determinada altura, em torno de 10%do desafio a percorrer, parou para descansar. Já sentia forte cansaço e em seu corpo jáse percebiam as marcas de alguns ferimentos, resultantes do contato com a vegetaçãonativa e espinhosa que encobria a montanha.Do ponto em que se encontrava, olhou para o alto... e sentiu um frio percorrer-lhe aespinha. Estava ainda muito distante do ponto de chegada. Teve medo. O desafio eramaior do que suas forças. A distância que faltava percorrer era gigantesca. Desistiu.Acabrunhado, retornou ao ponto de partida, deixando no exato ponto onde parou umaplaca com os dizeres: “E difícil!”O outro, igualmente jovem, porém mais determinado, foi muito mais além. Enfrentoubarreiras e espinhos, expôs-se ao vento que era mais forte, feriu pés e mãos,despendeu grandes esforços e atingiu a metade do monte. Só aí parou para descansar.Estava esgotado e bastante maltratado.Olhou para baixo... e sentiu calafrios. Era aterrorizador olhar para baixo e ver a alturaem que se encontrava. Entristeceu. Já fizera todo aquele esforço e ainda não lograra oêxito desejado. Qualquer deslize ali poderia ser fatal. Sentiu medo. O desafio era maiordo que suas forças. Desistiu. Acabrunhado, retornou ao ponto de partida, deixando noexato ponto onde parou, uma placa com os dizeres: “É difícil acreditar que chegueiaqui.”O terceiro deles, mais amadurecido e reservado, nada disse nem prometeu. Iniciou suacaminhada de forma obstinada e segura. Atravessou barreiras e espinhos; superoudesafios e dificuldades; expôs-se a situações desconfortáveis e dolorosas;experimentou ferimentos nos pés e nas mãos, mas prosseguiu em seu intento.Acreditava que poderia chegar.Não olhou para cima, nem olhou para baixo. Apenas prosseguiu. De formadeterminada e gradual, foi alcançando, passo a passo, seu objetivo. Via apenas umacoisa: o objetivo traçado.Estava com a mente colocada bem adiante, no lugar da chegada. E, com este ânimo, foisuperando os obstáculos que surgiam, sem se deixar abater por eles.Após muito esforço e determinação, chegou ao topo da montanha. O desafio estavavencido. Lá em cima, radiante com a conquista realizada, escreveu: “É difícil acreditarque cheguei aqui, porém, mais difícil foi acreditar que poderia chegar.” APONTAMENTOS: * Aprenda a querer e a procurar. O desejo é uma força no homem, mas, para que produza seu efeito, exige determinação e ação. * O sucesso somente chega para aqueles que se dispõem a alcançá-lo, com firmeza e persistência.
  17. 17. * Não desanime diante dos primeiros embates. Mantenha sempre elevada a sua auto-estima, seja constante em seus ideais e saiba esperar. * As barreiras, os problemas e as crises, são indicativos do nosso grau de comprometimento com as leis de Deus. receba suas provas com serenidade, entendendo que, por maior que seja o problema, o mundo não vai se acabar se as coisas não acontecerem da maneira que você deseja. * Seu corpo é um universo de células que você administra. Cada pensamento positivo é um ato novo que agrada e conquista seus comandados. * Assimile a lição do tempo. Não há noite que não seja substituída pelo esplendor de um novo dia. * A perseverança é tão definidora de nossa sorte futura que Jesus, ao mostrar como se conquista o Reino de Deus, afirmou: “Aquele que perseverar até o fim será salvo” (Mateus 10-22) *** O FILHOTE DE BATATA (Suzanne Boyce)Meu filho de quatro anos, Shane, há mais de um mês vem pedindo por um filhote decachorro, mas seu pai sempre diz:- Nada de cachorro! Um cachorro vai fazer buracos pelo jardim e perseguirá os patos ematará os coelhos. Nada de cachorro e ponto final!Toda noite Shane reza para ter um filhote de cachorro, e toda manhã ficadecepcionado quando não encontra nenhum filhote de cachorro lhe esperando.Eu descascava batatas para o jantar, e ele estava sentado no chão aos meus pésperguntando pela milésima vez:- Por que papai não me deixa ter um filhote de cachorro?- Porque cães trazem muitos problemas. Não chore. Talvez seu pai, algum dia, mude deidéia.- Não, ele não vai mudar de idéia, e eu nunca terei um filhote de cachorro em ummilhão de anos. Shane lamentou.Eu olhei sua carinha suja, com alguma lágrimas rolando. Como poderíamos lhe negarum desejo? Assim eu disse:- Sei de uma maneira para fazer o papai mudar de idéia!- Jura! Shane exclamou limpando as lágrimas.Eu lhe entreguei uma batata.- Pegue isto e carregue com você até que vire um filhote de cachorro. - sussurrei -Nuncadeixe longe de você, nem por um minuto. Mantenha-o com você o tempo todo e noterceiro dia, amarre uma corda em torno dela e arraste pelo jardim e vamos ver o queacontece!Shane agarrou a batata com ambas as mãos.- Mãe, como você vai fazer uma batata virar um filhote de cachorro? Perguntou girandoa batata em suas pequenas mãos.
  18. 18. - Shh! É um segredo! Eu sussurrei.- Senhor, você sabe que é uma obrigação da mulher manter a paz em seu lar! Eu rezei.Shane carregou fielmente sua batata por dois dias; dormiu com ela, banhou-se com elae lhe falava.No terceiro dia eu disse a meu marido:- Acho que devemos arranjar um animal de estimação para Shane.- O que a faz pensar que ele precisa de um animal de estimação? Meu maridoperguntou inclinando-se ao meu encontro.- Bem, ele anda carregando uma batata pra todo lado, há dias. Chama-a de Wally e dizque é seu animal de estimação. Dorme com ela em sua cama, e agora tem uma cordaamarrada nela e fica arrastando a batata em torno do jardim. Eu respondi.- Uma batata? Meu marido perguntou e olhou pela janela, observando Shane levar suabatata para uma caminhada.- Vai quebrar seu coração quando a batata começar a apodrecer. Eu disse - Além disso,toda vez que eu tento descascar batatas para o jantar, Shane grita perguntando porque eu faço isto com a família de Wally.- Uma batata? Meu marido perguntou, incrédulo. Meu filho tem uma batata comoanimal de estimação?- Bem, - Eu disse encolhendo os ombros - você disse que ele não poderia ter um filhotede cachorro. Então, decepcionado, decidiu ter um outro animal de estimação...- Que loucura! Meu marido disse.Meu marido observou nosso filho por mais alguns minutos.- Hoje à noite eu trago um filhote de cachorro para ele. Depois do trabalho eu paronuma loja e compro. Acho que um filhote de cachorro não pode trazer tantoproblema... e é melhor do que uma batata. Ele disse, suspirando.À noite, meu marido trouxe para Shane um filhote de cachorro e uma gata brancagrávida da qual ele teve pena ao vê-la na loja.Todos ficaram felizes.Meu marido acreditando ter afastado seu filho de uma crise nervosa. Shane tinha umfilhote de cachorro, uma gata e cinco gatinhos e acreditava que sua mãe tinha poderesmágicos que poderiam transformar uma batata em um filhote de cachorro. E eu fiqueifeliz porque eu tomei de volta a minha batata e a cozinhei para o jantar.Tudo estava perfeito até um dia, quando eu cozinhava o jantar, Shane puxou meuvestido e perguntou:- Mãe, o que você acha, eu poderia ganhar um pônei em meu aniversário?Eu olhei em sua pequena e doce carinha e disse:- Bem, primeiro nós temos que conseguir uma melancia... *** O FORMIGUEIRO E O DRAGÃOUma fábula nos dá conta de que um homem encontrou um formigueiro que sequeimava durante o dia e fumegava à noite.Curioso e intrigado foi ter junto a um sábio homem e lhe pediu conselhos a respeito doque fazer com o achado. O sábio lhe disse para revolver o formigueiro com uma
  19. 19. espada.Assim fazendo, o homem encontrou uma trava de porta, algumas bolhas de água, umforcado, uma caixa, uma carapaça de tartaruga, uma faca de açougueiro, um pedaço decarne e, finalmente, um dragão.Retornando ao sábio, contou-lhe o que havia encontrado. O sábio explicou-lhe então osignificado de suas descobertas e lhe disse: "Jogue tudo fora, exceto o dragão; deixe-osozinho e não o moleste."Nesta fábula, o formigueiro representa o corpo humano. Sua queima durante o diasimboliza o fato de que, durante o dia, os homens fazem as coisas que pensaram nanoite precedente. Fumegar à noite indica o fato de que os homens, durante a noite,recordam-se, com prazer ou tristeza, das coisas certas ou erradas que fizeram duranteo dia.Na mesma fábula, o homem simboliza a pessoa que busca a iluminação. O sábio é umBuda. A espada simboliza a pura sabedoria. Revolver o formigueiro simboliza o esforçoque se deve fazer para alcançar a iluminação.A trava da porta representa a ignorância; as bolhas de água são os bafejos dosofrimento e da ira; o forcado sugere a hesitação e o desconforto; a caixa é onde seacumulam a cobiça, a ira, a indolência, a volubilidade, o arrependimento e a ilusão; acarapaça de tartaruga simboliza a mente; a faca de açougueiro significa a síntese doscinco sentidos; e o pedaço de carne simboliza o desejo que surge desses sentidos e queleva o homem a ansiar por sua satisfação.Ainda na fábula, o dragão indica a mente que eliminou todas as paixões mundanas e astransformou em iluminação. Se um homem revolver as coisas ao seu redor com aespada da sabedoria, encontrará o dragão e a maneira certa de agir. "Deixe o dragãosozinho e não o moleste" significa procurar e trazer à luz a mente livre dos desejosmundanos. (Sutra Vammika) *** O FRIO QUE VEIO DE DENTROSeis homens ficaram bloqueados numa caverna por uma avalanche de neve.Teriam que esperar até o amanhecer para poderem receber socorro.Cada um deles trazia um pouco de lenha e havia uma pequena fogueira ao redor daqual eles se aqueciam. Se o fogo apagasse – eles o sabiam, todos morreriam de frioantes que o dia clareasse. Chegou a hora de cada um colocar sua lenha na fogueira. Eraa única maneira de poderem sobreviver.O primeiro homem era um racista. Ele olhou demoradamente para os outros cinco edescobriu que um deles tinha a pele escura. Então ele raciocinou consigo mesmo:– Aquele negro! Jamais darei minha lenha para aquecer um negro.E guardou-as protegendo-as dos olhares dos demais.O segundo homem era um rico avarento. Ele estava ali porque esperava receber osjuros de uma dívida. Olhou ao redor e viu um círculo em torno do fogo bruxuleante, umhomem da montanha, que trazia sua pobreza no aspecto rude do semblante e nas
  20. 20. roupas velhas e remendadas. Ele fez as contas do valor da sua lenha e enquantomentalmente sonhava com o seu lucro, pensou:– Eu, dar a minha lenha para aquecer um preguiçoso?O terceiro homem era o negro. Seus olhos faiscavam de ira e ressentimento.Não havia qualquer sinal de perdão ou mesmo aquela superioridade moral que osofrimento ensinava. Seu pensamento era muito prático:– É bem provável que eu precise desta lenha para me defender. Além disso, eu jamaisdaria minha lenha para salvar aqueles que me oprimem.E guardou suas lenhas com cuidado.O quarto homem era o pobre da montanha. Ele conhecia mais do que os outros oscaminhos, os perigos e os segredos da neve.Ele pensou:– Esta nevasca pode durar vários dias. Vou guardar minha lenha.O quinto homem parecia alheio a tudo. Era um sonhador. Olhando fixamente para asbrasas. Nem lhe passou pela cabeça oferecer da lenha que carregava.Ele estava preocupado demais com suas próprias visões (ou alucinações?) para pensarem ser útil.O último homem trazia nos vincos da testa e nas palmas calosa das mãos, os sinais deuma vida de trabalho. Seu raciocínio era curto e rápido.– Esta lenha é minha. Custou o meu trabalho. Não darei a ninguém nem mesmo omenor dos meus gravetos.Com estes pensamentos, os seis homens permaneceram imóveis. A última brasa dafogueira se cobriu de cinzas e finalmente apagou.Ao alvorecer do dia, quando os homens do Socorro chegaram à caverna encontraramseis cadáveres congelados, cada qual segurando um feixe de lenha. Olhando paraaquele triste quadro, o chefe da equipe de Socorro disse:– O frio que os matou não foi o frio de fora, mas o frio de dentro. *** O FURO NO BARCOUm homem foi chamado à praia para pintar um barco. Trouxe com ele tinta e pincéis ecomeçou a pintar o barco de um vermelho brilhante, como fora contratado para fazer.Enquanto pintava, percebeu que a tinta estava passando pelo fundo do barco.Percebeu que havia um vazamento e decidiu consertá-lo.Quando terminou a pintura, recebeu seu dinheiro e se foi.No dia seguinte, o proprietário do barco procurou o pintor e presenteou-o com umbelo cheque. O pintor ficou surpreso:- O senhor já me pagou pela pintura do barco - disse ele.- Mas isto não é pelo trabalho de pintura. É por ter consertado o vazamento do barco.- Foi um serviço tão pequeno que não quis cobrar. Certamente, não está me pagandouma quantia tão alta por algo tão insignificante!- Meu caro amigo, você não compreendeu, deixe-me contar-lhe o que aconteceu:quando pedi a você que pintasse o barco, esqueci de mencionar o vazamento. Quando obarco secou, meus filhos o pegaram e saíram para uma pescaria. Eu não estava em
  21. 21. casa naquele momento. Quando voltei e notei que haviam saído com o barco, fiqueidesesperado, pois lembrei-me de que o barco tinha um furo. Imagine meu alívio ealegria quando os vi retornando sãos e salvos. Então, examinei o barco e constatei quevocê o havia consertado! Percebe, agora, o que fez? Salvou a vida de meus filhos! Nãotenho dinheiro suficiente para pagar-lhe pela sua "pequena" boa ação...REFLEXÃO:Não importa para quem, quando, de que maneira... Ajude! Ampare!Enxugue as lágrimas! Conserte os vazamentos... SEMPRE! *** O GAROTO, O PAI E A VASSOURAUm garoto caminhava pela rua junto dos amigos em direção a Escola jogar futebol. Derepente, ao longe, avista seu pai varrendo a rua, pois, recentemente conseguira oemprego de Gari ou Faxineiro Público. Profundamente envergonhado, o garoto mudade rua para que seus amigos não visem seu pai com a Vassoura nas mãos varrendoruas."- Que Vergonha!!!" Sentiu.Chegando na escola, foi logo para o vestuário colocar seu uniforme esportivo. OProfessor, vendo que o garoto estava sentado sozinho e tristonho, aproxima-se epergunta:Como vai?... Parece que você está triste hoje!O garoto relutou um pouco em falar, e vendo que não havia mais ninguém novestuário, além dele e do Professor, desabafa em lágrimas:- Eu estava vindo para escola e vi meu Pai no seu novo emprego.- Mas que bom, seu Pai conseguiu emprego!!!Disse o Professor expressando seu contentamento.- Bom nada! Trabalhar como Gari, isso é ter um emprego?A 4 meses atrás ele era um empresário e agora fica varrendo ruas da cidade.... Veja osmeus amigos, os pais deles estão desempregados e nem por isso se sujeitam a varrerruas...Após ouvir o que disse o garoto, o Professor sentou-se ao lado dele e para surpresa dogaroto, falou seriamente:- Você é um garoto muito ingrato e está cometendo uma grande injustiça com seu pai,sabia?Surpreso e assustado com as palavras duras do professor, o garoto se calou e ouviu:- Você deveria agradecer a Deus pelo Pai que você tem, pois enquanto os Pais de seusamigos ficam em casa se embebedando e engordando em frente da TV, e devendo paratodos os credores, seu Pai, de quem você agora se envergonha, neste tempo de muitacrise e desempregos, consegue sustentar você, seus irmãos e sua mãe com esteemprego de gari e está conseguindo, aos poucos, sanar as dívidas com seus credores.....Você deveria se orgulhar de seu pai, pois ele está vencendo AS DIFICULDADES com umaVassoura!O Professor levantou-se e sai do vestuário.
  22. 22. O garoto ficou ali por alguns minutos.Depois, levantou-se e foi para sua casa. Ao chegar em casa, viu seu Pai descansando nosofá da sala e chegou perto dele e o acordou, dizendo:-Oi Pai?- Oi meu filho. Você não foi jogar futebol na escola? Indagou o Pai.- Não Pai, eu perdi a vontade de jogar hoje.... ah, o senhor quer um copo d’água? Eupego pro senhor.- Não meu filho, obrigado!- Olha, a mãe fez café, o senhor quer que eu pegue para o senhor?Embora surpreso, o pai nota que o filho estava disposto a agradá-lo... Então disse:- Não meu filho, obrigado!... Eu só quero que você volte pra escola e vai jogar seufutebol. Tá bom?O Garoto abriu um sorriso e correu. Ao chegar até a porta da sala, antes de sair, olhoupara o Pai e disse:- Olha Pai, prometo que no sábado eu vou engraxar as botas de seu trabalho, viu? *** O GRANDE PRÍNCIPEHavia um rei, muito bom, que tinha dois filhos. Como já estava velho, precisavaescolher um deles para ajudá-lo nas tarefas de governar e, mais tarde, substituí-lo,naquele país.A fim de experimentar qual dos dois estaria melhor indicado para aquela tarefa,chamou os moços, entregou a cada um deles, uma carruagem contendo ouro, dinheiroe jóias, dizendo:- Percorram o reino e procurem empregar estes tesouros da forma que julgarem maisconvenientemente ao futuro rei deste país. Dentro de três meses, deverão regressar econtar-me o que tiverem feito; dependendo de suas ações, escolherei aquele que há deme ajudar no governo deste país.Findo os três meses, um dos filhos chegou ao palácio, alegre e bem vestido, o rei orecebeu contente, abençoou-o e pediu que narrasse o que havia feito.O moço fez uma reverência e disse:- Meu pai e soberano, viajei por todo o país e comprei, para teu descanso ummaravilhoso e enorme palácio: comprei escravos fortes, para te servirem e reuni nestecastelo as riquezas maravilhosas do nosso tempo. No palácio, poderás vivertranqüilamente, feliz e seguro de todos os teus bens, vigiados pelos teus servos.O velho rei agradeceu amorosamente, as atitudes do filho que pensou muito nele e emseu futuro. Convidou o filho a esperar pelo outro príncipe Que ainda não chegara.Certo dia, estando pai e filho em agradável conversa, eis que chega o outro filho. Opríncipe entrou na sala real e ao contrário do irmão, vinha cansado, abatido e malvestido. Não havia comprado roupas novas.Aproximando-se do rei, falou:- Querido pai, viajei por todas as terras, de norte a sul, de leste a oeste. Em algunslugares o povo vivia em paz, em bem estar, mas nas montanhas encontrei muitos sememprego, doentes, famintos e muitas mulheres e crianças sem casa para morar.
  23. 23. Com parte do dinheiro e dos tesouros que me destes, arranjei médicos e remédios em favor daqueles que sofriam. Mandei construir oficinas de trabalho e dei emprego a todos. Com alimentos e com forças readquiridas, cada família construiu sua casa com o material que doei em seu nome. Ao norte, verifiquei jovens e crianças sem escolas, instalei várias salas de aula e contratei professores. O jovem parou de falar e em seguida comentou: - Perdoe-me pai, nada fiz para te enriquecer e gastei tudo o que me deste. Voltei pobre! O rei olhou para o filho e com um gesto carinhoso perguntou: - Fizeste o que achavas que era certo? - Sim, – respondeu o filho – jamais descansarei enquanto houver sofrimento nestas terras, porque aprendi contigo que as necessidades dos filhos do povo são iguais às dos filhos do rei... Diante destas palavras, o rei, trêmulo de emoção, desceu do trono, abraçou demoradamente o filho e exclamou: - Grande príncipe, abençoado sejas para sempre. É a ti que compete o direito de governar ao meu lado, pois foste tu que melhor soube aplicar o dinheiro que lhe confiei. Multiplicastes nossos bens. O povo trabalhando, produzirá mais e haverá mais o que vender e assim, melhorarão suas condições de vida e saúde, e com as escolas o povo compreenderá o valor da liberdade e do conhecimento engrandecendo o meu reino. Deus te abençoe meu filho! *** O GUERREIRO E O MONGEHavia, certa vez, um guerreiro que estava sempre desafiando e medindo forças comoutros homens.Um dia foi a um mosteiro e disse que queria falar com o mestre. Sem hesitação, este foiao seu encontro.O guerreiro, dirigindo-se a ele, disse:- Há quem creia que a inteligência é mais poderosa que a força, mas para mim é fácilmostrar o inferno a alguém; basta espancá-lo.O mestre respondeu:- Não discuto com gente suja como você.O guerreiro sentiu tanto ódio naquele instante, que seu rosto ficou vermelho e seus olhospareciam saltar das órbitas.- Isto é o inferno, disse o mestre sorrindo.O guerreiro entendeu e admirou sua coragem.- Isto é o céu, continuou o mestre, e convidou-o para entrar no mosteiro. ***
  24. 24. O HOMEM E O RIOHavia um homem apaixonado por um rio... Gastava longas horas vendo suas águas apassar, carregando em seu dorso suave, folhas e histórias das cidades acima e isto lhedava felicidade...Sua grande alegria era quando chegava a tarde, depois do trabalho. Ele ia correndopara o rio, pulava uma cerca e ficava lá em uma prainha, com os pés mexendo nasareias grossas, bem embaixo de um velho ingá...Falava muito, confidenciava segredos, dava gargalhadas, nunca ia embora, enquantohouvesse luz... E por muitas vezes só se deu conta que era noite quando a lualadrilhava de prata as águas do rio...Ficava lá, remoendo lembranças, indo para o futuro em sonhos...Seus olhos eram rio. O rio passeava com suas águas amigas em seus olhos, como emnenhum outro. Ambos pareciam ter nascido para ser daquele jeito, nunca sem o outro,a unidade de almas...Dizia o homem:- Amor pra toda vida...Consentia o rio...Porém, um dia, o céu escureceu. Nuvens cobriram a terra a chuva desabou sobre omundo. A cabeceira do rio foi enchendo e logo tudo virou correnteza.Árvores foram arrancadas, folhas deram lugar aos galhos pesados, estes arranhavamtudo o que encontravam, as barrancas desmaiavam e sumiam devoradas pela fúria daságuas.O rio cresceu, ultrapassou as margens, derrubou cercas, foi crescendo até chegar nacasa do homem...Avançou o jardim... Margaridas e rosas desapareceram...Quando veio o sol, veio também a desolação. Tinha que recomeçar e como é difícilrecomeçar. Fez o que pôde, sem olhar em direção ao rio. Seu peito era uma amargurasó. Sua cabeça não ficava em silêncio. Só pensava no que iria dizer.Então falou:- Por quê? Por que fez isto? Eu confiava em você, tinha certeza que isto não iriaacontecer... Não conosco... Havia muito amor entre nós... Amor que não mereciaacabar assim. Não é só a lama que está no jardim, é a confiança que nunca mais seráconfiança, o amor que nunca mais será amor, é o adeus que será para sempre adeus...Foi inútil o rio tentar explicar. Nunca mais se encontraram.Nunca mais a lua cantou naquele lugar... E as águas daquele rio, como o coraçãodaquele homem, nunca mais foram os mesmos...O homem mudou-se para muito longe e o rio, quando passava por lá, tentava nãoolhar... Mas sonhava, bem dentro, em suas águas mais profundas, um dia ver ali,debaixo do ingá, quem nunca deveria ter ido embora... ***Estas palavras falam por si... Temos tendência a esquecer fácil os bons momentos edamos uma eternidade para as lembranças negativas...
  25. 25. Esquecemos as conversas onde só o coração fala e perdemos tardes lindas de amor...Abraços apertados, aconchego... Por não querer relevar. Não querer lutar um poucomais.Às vezes temos 100% e por causa de 1% perdemos 99%... Já viram como sempreficamos presos a este 1%?Guardamos sempre a imagem da casa destruída, mas, negamos dar vida ao rioiluminado... *** O INTELECTUAL E AS RESPOSTAS ZENCerta vez Tao-kwang, um intelectual budista e estudioso do Vijñaptimara (idealismoabsoluto), aproximou-se de um mestre Zen e perguntou:"Com que atitude mental deve um indivíduo disciplinar-se para alcançar a Verdade?"Respondeu o mestre Zen: "Não há nenhuma mente a ser disciplinada, nem qualquerverdade na qual nós devemos nos disciplinar."Replicou o intelectual:"Se não há nenhuma mente para ser controlada e nenhuma Verdade para ser ensinada,por que vos reunis todos os dias aos monges? Se não tenho língua, como será possívelaconselhar a outrem a virem até mim?""Eu não possuo nem uma polegada de espaço para dar, portanto onde posso conseguiruma reunião de monges? Eu não possuo língua, como posso aconselhar a outrem virema mim?" respondeu o mestre.O Intelectual então exclamou:"Como podeis proferir uma tal mentira na minha cara!?!!""Se não tenho língua," retorquiu o mestre, "para aconselhar os outros como é possívelpregar uma mentira?"Desesperado em confusão, disse Tao-kwang:"NÃO POSSO SEGUIR VOSSO RACIOCÍNIO!!!""Nem eu tampouco..." concluiu o mestre. Conto Zen *** O LADRÃO DE MACHADO Do livro OS MESTRES DO TAO, Editora Cultrix, São PauloUm homem perdeu seu machado. Ele suspeitou do filho do vizinho e se pôs a observá-lo. Seu jeito era o de um ladrão de machado; a expressão de seu rosto era a de umladrão de machado; seu modo de falar era exatamente o de um ladrão um ladrão demachado. Todos os seus movimentos, todo o seu ser eram a expressão exata de umladrão de machado. Ora aconteceu que o homem que havia perdido o machado, aocavar, por acaso, a terra no vale, encontrou sua ferramenta.No dia seguinte, ele tornou a olhar para o filho do vizinho. Todos os seus movimentos,todo o seu ser nada mais tinham de um ladrão de machado.
  26. 26. *** O LADRÃO E O CÃO DE GUARDAUm ladrão veio à noite para assaltar uma casa. Ele trouxe consigo vários pedaços decarne, para que pudesse acalmar um feroz Cão de Guarda que vigiava o local. A carneserviria para distraí-lo, de modo que não chamasse a atenção do seu dono com latidos.Assim que o ladrão jogou os pedaços de carne aos pés do cão, disse-lhe então o animal:- Se você estava querendo calar minha boca, cometeu um grande erro. Tão inesperadagentileza vinda de suas mãos, apenas serviram para me deixar ainda mais atento. Seique por trás dessa cortesia sem motivo, você deve ter algum interesse oculto, de modoa beneficiar a si mesmo e prejudicar o meu dono.Moral da História:Gentilezas inesperadas é a principal característica de alguém com más, ou segundasintenções. Autor: Esopo *** O LIVRO DO DESTINOCerta vez, quando voltava de Bagdá, encontrei um velho árabe que me chamou aatenção. Falando agitado com os mercadores, dizia:- Eu já fui poderoso! Já tive o destino nesta mão!Procurei aproximar-me dele discretamente e, logo depois já lhe havia captado aconfiança. O desconhecido, sem perceber os meus sustos, continuou:- Segundo ensina o alcorão - a nossa vida está escrita - MAKTUB - no livro do destino.Temos uma página, com tudo o que de bom ou de mal nos vai acontecer.E sem esperar que o interrogasse, prosseguiu:- Recebi, das mãos de um xeique, um talismã raríssimo, encontrado dentro do túmulode um santo mulçumano. E essa pedra permitia a entrada livre na famosa gruta dafatalidade, onde se acha o livro do destino. Viajei longos anos até alcançar a grutaencantada. Um gênio bondoso que estava de sentinela à porta, deixou-me entrar,avisando-me que só poderia permanecer na gruta por espaços de poucos minutos. Eraminha intenção alterar o que estava escrito na página de minha vida e fazer de mim umhomem rico e feliz. Bastava acrescentar com a caneta que eu já levava: "Será umhomem feliz e estimado por todos; terá muita saúde e muito dinheiro."- Lembrei-me, porém, de meus inimigos. Poderia, naquele momento, fazer um grandemal a todos eles. Movido pelo ódio, abri a página de Hiamir, vi o que ia suceder nodesenrolar de sua vida e acrescentei embaixo: "Morrerá pobre, sofrendo os maiorestormentos." Na página de Farid gravei, impetuoso, alterando-lhe a vidainteira: "Perderá todos os haveres; ficará cego e morrerá de fome."E assim, sem piedade, desgracei a vida de meus inimigos.
  27. 27. - E na tua vida? - indaguei - Que fizeste da página que o Destino dedicara a tua própria existência? - Ah! Meu amigo! - atalhou o desconhecido - Nada fiz em meu favor. - Preocupado em fazer mal aos outros, esqueci de fazer o bem a mim mesmo. Quando pensei em tornar feliz a minha vida, estava terminado o meu tempo. Sem que eu esperasse, me surgiu pela frente um Gênio feroz que me agarrou fortemente e, depois de arrancar-me das mãos o talismã, me atirou fora da gruta. Caí e perdi os sentidos. Quando recuperei a razão me achei muito longe da gruta e sem o talismã precioso, então, nunca mais pude descobrir o caminho da gruta encantada. E concluiu com voz cada vez mais rouca e baixa: - Perdi a única oportunidade que tive de ser rico, estimado e feliz. ***Seria verdade essa estranha aventura?Até hoje ignoro. O certo é que este caso nos traz grande ensinamento.Quantos homens há, no mundo, que preocupados em levar o mal a seus semelhantes, seesquecem do bem que podem trazer a si próprios. (Malba Tahan) *** O LOBO E O CORDEIROEstava um cordeiro bebendo água na parte inferior de um rio; chegou um lobo, na partede cima, e cravando nele os olhos famintos, disse-lhe com voz cheia de ameaça:- Quem lhe deu o atrevimento de turvar (sujar) a água que pretendo beber?- Senhor, respondeu humilde o cordeiro, repare que a água desce para mim: assim não aposso turvar...E ainda é bocudo e insolente! redarguiu o lobo arreganhando os dentes;- Ouvi dizer que no ano passado você falou mal de mim.- Como o faria, se só tenho seis meses de vida e ainda não tinha nascido...- Pois se não foi você deve ter sido seu pai, seu irmão ou algum dos seus parentes e poreles você vai pagar.Dito isto, atirou-se sobre ele e o foi devorandoMORALIDADE: Foge do mau, com ele não argumentes: as melhores razões te não poderãolivrar da sua fúria. Evita-o fugindo. *** O MAL EXISTE?Um professor ateu desafiou seus alunos com esta pergunta:- Deus fez tudo que existe?Um estudante respondeu corajosamente:- "Sim, fez!"- Deus fez tudo, mesmo?
  28. 28. - Sim, professor - respondeu o jovem.O professor replicou:- Se Deus fez todas as coisas, então Deus fez o mal, pois o mal existe, e considerando-seque nossas ações são um reflexo de nós mesmos, então Deus é mal.O estudante calou-se diante de tal resposta e o professor, feliz, se vangloriava de haverprovado uma vez mais que a Fé era um mito.Outro estudante levantou sua mão e disse:- Posso lhe fazer uma pergunta, professor?- Sem dúvida, respondeu-lhe o professor.O jovem ficou de pé e perguntou:- Professor, o frio existe?- Mas que pergunta é essa? Claro que existe você por acaso nunca sentiu frio?O rapaz respondeu:- Na verdade, professor, o frio não existe. Segundo as leis da Física, o que consideramosfrio, na realidade é ausência de calor. Todo corpo ou objeto pode ser estudado quandotem ou transmite energia, mas é o calor e não o frio que faz com que tal corpo tenha outransmita energia. O zero absoluto é a ausência total e absoluta de calor, todos os corposficam inertes, incapazes de reagir, mas o frio não existe. Criamos esse termo paradescrever como nos sentimos quando nos falta o calor.- E a escuridão, existe? - continuou o estudante.O professor respondeu:- Mas é claro que sim.O estudante respondeu:- Novamente o senhor se engana, a escuridão tampouco existe. A escuridão é na verdadea ausência de luz. Podemos estudar a luz, mas a escuridão não. O prisma de Newtondecompõe a luz branca nas varias cores de que se compõe, com seus diferentescomprimentos de onda. A escuridão não. Um simples raio de luz rasga as trevas e iluminaa superfície que a luz toca. Como se faz para determinar quão escuro está umdeterminado local do espaço? Apenas com base na quantidade de luz presente nesse local,não é mesmo? Escuridão é um termo que o homem criou para descrever o que acontecequando não há luz presente.Finalmente, o jovem estudante perguntou ao professor:- Diga, professor, o mal existe?Ele respondeu:- Claro que existe. Como eu disse no início da aula, vemos roubos, crimes e violênciadiariamente em todas as partes do mundo, essas coisas são o mal.Então o estudante respondeu:- O mal não existe, professor, ou ao menos não existe por si só. O mal é simplesmente aausência de Deus. É, como nos casos anteriores, um termo que o homem criou paradescrever essa ausência de Deus. Deus não criou o mal. Não é como a Fé ou o Amor, queexistem como existe a Luz e o Calor. O mal resulta de que a humanidade não tenha Deuspresente em seus corações. “É como o frio que surge quando não há calor, ou a escuridãoque acontece quando não há luz." ***
  29. 29. O MENINO E O TELEFONEQuando eu era criança, bem novinho, meu pai comprou o primeiro telefone da nossavizinhança. Eu ainda me lembro daquele aparelho preto e brilhante que ficava nacômoda da sala.Eu era muito pequeno para alcançar o telefone, mas ficava ouvindo fascinadoenquanto minha mãe falava com alguém.Então, um dia eu descobri que dentro daquele objeto maravilhoso morava uma pessoalegal. O nome dela era "Uma informação, por favor" e não havia nada que ela nãosoubesse."Uma informação, por favor" poderia fornecer qualquer número de telefone e até ahora certa.Minha primeira experiência pessoal com esse gênio-na-garrafa veio num dia em queminha mãe estava fora, na casa de um vizinho. Eu estava na garagem mexendo na caixade ferramentas quando bati em meu dedo com um martelo. A dor era terrível mas nãohavia motivo para chorar, uma vez que não tinha ninguém em casa para me oferecer asua simpatia. Eu andava pela casa, chupando o dedo dolorido ate que pensei: Otelefone!Rapidamente fui ate o porão, peguei uma pequena escada que coloquei em frente acômoda da sala. Subi na escada, tirei o fone do gancho e segurei contra o ouvido.Alguém atendeu e eu disse:- Uma informação, por favor.Ouvi uns dois ou três cliques e uma voz suave e nítida falou em meu ouvido.- Informações.- Eu machuquei meu dedo..., disse, e as lagrimas vieram facilmente, agora que eu tinhaaudiência.- A sua mãe não esta em casa?, ela perguntou.- Não tem ninguém aqui..., eu soluçava.- Está sangrando?- Não, respondi.- Eu machuquei o dedo com o martelo, mas tá doendo...- Você consegue abrir o congelador?, ela perguntou.Eu respondi que sim.- Então pegue um cubo de gelo e passe no seu dedo, disse a voz.Depois daquele dia, eu ligava para "Uma informação, por favor" por qualquer motivo.Ela me ajudou com as minhas dúvidas de geografia e me ensinou onde ficava aPhiladelphia. Ela me ajudou com os exercícios de matemática. Ela me ensinou que opequeno esquilo que eu trouxe do bosque deveria comer nozes e frutinhas.Então, um dia, Petey, meu canário, morreu. Eu liguei para "Uma informação, porfavor" e contei o ocorrido. Ela escutou e começou a falar aquelas coisas que se dizempara uma criança que está crescendo. Mas eu estava inconsolável. Eu perguntava:- Por que é que os passarinhos cantam tão lindamente e trazem tanta alegria pra gentepara, no fim, acabar como um monte de penas no fundo de uma gaiola?Ela deve ter compreendido a minha preocupação, porque acrescentou mansamente:- Paul, sempre lembre que existem outros mundos onde a gente pode cantar também...
  30. 30. De alguma maneira, depois disso eu me senti melhor.No outro dia, lá estava eu de novo.- Informações, disse a voz já tão familiar.- Você sabe como se escreve exceção?Tudo isso aconteceu na minha cidade natal ao norte do Pacífico. Quando eu tinha 9anos, nós nos mudamos para Boston. Eu sentia muita falta da minha amiga."Uma informação, por favor" pertencia aquele velho aparelho telefônico preto e eunão sentia nenhuma atração pelo nosso novo aparelho telefônico branquinho queficava na nova cômoda na nova sala. Conforme eu crescia, as lembranças daquelasconversas infantis nunca saiam da minha memória.Freqüentemente, em momentos de dúvida ou perplexidade, eu tentava recuperar osentimento calmo de segurança que eu tinha naquele tempo. Hoje eu entendo comoela era paciente, compreensiva e gentil ao perder tempo atendendo as ligações de ummenininho.Alguns anos depois, quando estava indo para a faculdade, meu avião teve uma escalaem Seattle. Eu teria mais ou menos meia hora entre os dois vôos. Falei ao telefone comminha irmã, que morava lá, por 15 minutos. Então, sem nem mesmo sentir que estavafazendo isso, disquei o número da operadora daquela minha cidade natal e pedi:- Uma informação, por favor.Como num milagre, eu ouvi a mesma voz doce e clara que conhecia tão bem, dizendo:- Informações.Eu não tinha planejado isso, mas me peguei perguntando:- Você sabe como se escreve exceção?Houve uma longa pausa. Então, veio uma resposta suave:- Eu acho que o seu dedo já melhorou, Paul.Eu ri e disse:- Então, é você mesma! Você não imagina como era importante para mim naqueletempo.- Eu imagino, ela disse.- E você não sabe o quanto significavam para mim aquelas ligações. Eu não tenho filhose ficava esperando todos os dias que você ligasse.Eu contei para ela o quanto pensei nela todos esses anos e perguntei se poderia visitá-la quando fosse encontrar a minha irmã.- É claro!, ela respondeu.- Venha até aqui e chame a Sally.Três meses depois eu fui a Seattle visitar minha irmã.Quando liguei, uma voz diferente respondeu:- Informações.Eu pedi para chamar a Sally.- Você é amigo dela?, a voz perguntou.- Sou, um velho amigo. O meu nome é Paul.- Eu sinto muito, mas a Sally estava trabalhando aqui apenas meio período porqueestava doente. Infelizmente, ela morreu há cinco semanas.Antes que eu pudesse desligar, a voz perguntou:- Espere um pouco. Você disse que o seu nome é Paul?
  31. 31. - Sim.- A Sally deixou uma mensagem para você. Ela escreveu e pediu para eu guardar casovocê ligasse. Eu vou ler pra você.A mensagem dizia:"Diga a ele que eu ainda acredito que existem outros mundos onde a gente pode cantartambém. Ele vai entender."Eu agradeci e desliguei.Eu entendi... *** O MESTRE SUFI E O OVO Conto sufiCerta manhã, Nasrudin (*) colocou um ovo embrulhado num lenço, foi para o meio dapraça da sua cidade, e chamou aqueles que estavam ali.- Hoje vamos ter um importante concurso! A quem descobrir o que está embrulhadoneste lenço eu dou de presente o ovo que está dentro!As pessoas se olharam, intrigadas, e responderam:- Como podemos saber? Ninguém aqui é capaz de fazer esse tipo de previsões!Nasrudin insistiu:- O que está neste lenço tem um centro que é amarelo como uma gema, cercado de umlíquido da cor da clara, que por sua vez está contido dentro de uma casca que se partefacilmente. É um símbolo de fertilidade, e lembra-nos dos pássaros que voam para seusninhos. Então, quem é que me pode dizer o que está aqui escondido?Todos os habitantes pensavam que Nasrudin tinha nas suas mãos um ovo, mas aresposta era tão óbvia, que ninguém resolveu passar vergonha diante dos outros. E senão fosse um ovo, mas algo muito importante, produto da fértil imaginação mística dossufis? Um centro amarelo podia significar algo do sol, o líquido em seu redor talvezfosse um preparado alquímico. Não, aquele louco estava a querer fazer alguém passarpor ridículo. Nasrudin perguntou mais duas vezes, e ninguém respondeu. ***(*) Mulla Nasrudin (Khawajah Nasr Al-Din) viveu no século XIV. Contou e escreveuhistórias onde ele próprio era personagem. São histórias que atravessaram fronteirasdesde sua época, enraizando-se em várias culturas. Elas compõem um imenso conjuntoque integra a chamada Tradição Sufi, ou o Sufismo, filosofia de autoconhecimento deantiga tradição persa e que se espalha pelo mundo até hoje.O termo sufismo é utilizado para descrever um vasto grupo de correntes e práticas. Asordens sufis (Tariqas) podem estar associadas ao islã sunita, islã xiita, a umacombinação de várias correntes, ou a nenhuma delas. O pensamento sufi se fortaleceuno Médio Oriente no século VIII e encontra-se hoje por todo o mundo.De acordo com as grandes escolas de jurisprudência islâmica, o sufismo é consideradocomo um movimento herético, tendo sido, por isso, perseguido inúmeras vezes aolongo da história.Conhecido por muitos como o misticismo do Islã, o sufismo é uma filosofia deautoconhecimento e contato com o divino através de certas práticas as quais nem
  32. 32. sempre seguem um padrão fixo e frequentemente parecem incompreensíveis a umobservador que esteja fora do contexto de trabalho. Estas práticas devem ser aplicadaspor um professor.Os sufis acreditam que Deus é amoroso e o contato com ele pode ser alcançado peloshomens através de uma união mística, independente da religião praticada. Por esteconceito de Deus, foram, muitas vezes, acusados de blasfêmia e perseguidos pelospróprios muçulmanos esotéricos, pois contrariavam a idéia convencional de Deus. Fontes: http://contoseparabolas.no.sapo.pt/03outros/sufin.htm e http://pt.wikipedia.org/wiki/Sufismo *** O MITO DA CAVERNA Extraído de "A República" de PlatãoImaginemos uma caverna subterrânea onde, desde a infância, geração após geração,seres humanos estão aprisionados. Suas pernas e seus pescoços estão algemados de talmodo que são forçados a permanecer sempre no mesmo lugar e a olhar apenas afrente, não podendo girar a cabaça nem para trás nem para os lados. A entrada dacaverna permite que alguma luz exterior ali penetre, de modo que se possa, na semi-obscuridade, enxergar o que se passa no interior.A luz que ali entra provém de uma imensa a alta fogueira externa. Entre ele e osprisioneiros - no exterior, portanto - há um caminho ascendente ao longo do qual foierguida uma mureta, como se fosse a parte fronteira de um palco de marionetes. Aolongo dessa mureta-palco, homens transportam estatuetas de todo tipo, com figurasde seres humanos, animais e todas as coisas.Por causa da luz da fogueira e da posição ocupada por ela os prisioneiros enxergam naparede no fundo da caverna as sombras das estatuetas transportadas, mas sempoderem ver as próprias estatuetas, nem os homens que as transportam.Como jamais viram outra coisa, os prisioneiros imaginavam que as sombras vistas sãoas próprias coisas. Ou seja, não podem saber que são sombras, nem podem saber quesão imagens (estatuetas de coisas), nem que há outros seres humanos reais fora dacaverna. Também não podem saber que enxergam porque há a fogueira e a luz noexterior e imaginam que toda a luminosidade possível é a que reina na caverna.Que aconteceria, indaga Platão, se alguém libertasse os prisioneiros? Que faria umprisioneiro libertado? Em primeiro lugar, olharia toda a caverna, veria os outros sereshumanos, a mureta, as estatuetas e a fogueira. Embora dolorido pelos anos deimobilidade, começaria a caminhar, dirigindo-se à entrada da caverna e, deparandocom o caminho ascendente, nele adentraria.Num primeiro momento ficaria completamente cego, pois a fogueira na verdade é a luzdo sol e ele ficaria inteiramente ofuscado por ela. Depois, acostumando-se com aclaridade, veria os homens que transportam as estatuetas e, prosseguindo no caminho,enxergaria as próprias coisas, descobrindo que, durante toda a sua vida, não vira senãosombra de imagens (as sombras das estatuetas projetadas no fundo da caverna) e quesomente agora está contemplando a própria realidade.
  33. 33. Libertado e conhecedor do mundo, o prisioneiro regressaria à caverna, ficariadesnorteado pela escuridão, contaria aos outros o que viu e tentaria libertá-los.Que lhe aconteceria nesse retorno? Os demais prisioneiros zombariam dele, nãoacreditariam em suas palavras e, se não conseguissem silenciá-lo com suas caçoadas,tentariam fazê-lo espancando-o e, se mesmo assim, ele teimasse em afirmar o que viue os convidasse a sair da caverna, certamente acabariam por matá-lo. Mas, quem sabealguns poderiam ouvi-lo e, contra a vontade dos demais, também decidissem sair dacaverna rumo à realidade.O que é a caverna?Que são as sombras das estatuetas?Quem é o prisioneiro que se liberta e sai da caverna?O que é a luz exterior do sol?O que é o mundo exterior?Qual o instrumento que liberta o filósofo e com o qual ele deseja libertar os outrosprisioneiros?O que é a visão do mundo real iluminado?Por que os prisioneiros zombam, espancam e matam o filósofo? (Platão está sereferindo à condenação de Sócrates à morte pela assembléia ateniense) *** O MONGE E O PADEIROHavia uma padaria em frente a um templo budista. O monge do lugar precisou viajar epediu que o dono da padaria cuidasse de tudo na sua ausência, e atendesse as visitasetc.Antigamente, os monges viajavam, numa espécie de treinamento monástico, visitandooutros monges, mestres e mosteiros. Desafiavam os mais fortes no Dharma (*) emantinham-se treinando.O visitante praticava da seguinte maneira: eram batalhas sobre o Dharma, comperguntas e respostas, quem perdia era obrigado a deixar o templo; quem ganhavapodia ficar como responsável.Uma batalha do Dharma era algo muito sério. Não era uma batalha de luta, mas deconhecimento, de experiências, de linguagem.Certo dia souberam que ia chegar um monge para desafiar o Mestre. Quanto maispróxima a data, mais o dono da padaria, preocupadíssimo, ouvia a sugestão do chefeda aldeia: "Raspe a cabeça, coloque o manto e apenas sente-se diante da parede comose estivesse meditando. Faça como se estivesse em treinamento de silêncio, nada fale,nem escute e nem responda."O dono da padaria se animou: "Ah, é fácil, isso eu posso fazer."Raspou a cabeça, colocou o manto e sentou-se voltado para a parede.Nisso chegou o monge visitante e começou a fazer perguntas sobre o Dharma. O donoda padaria assumiu um tom grave e fez "Shhh".O monge entendeu, "Ah, ele está fazendo muitos dias de treinamento em silêncio, masjá que estou aqui depois de tão longa caminhada nas montanhas, vou aproveitar e
  34. 34. perguntar com gestos, assim ele também pode responder com gestos, sem quebrar ovoto de silêncio."Fazendo gestos com os dedos e a mão, o monge perguntou, "Como é o seu coração,seu espírito?"O dono da padaria respondeu com um grande gesto para todas as direções.O monge compreendeu que ele mostrava as dez direções: ele se refere: aos quatropontos cardeais, aos quatro pontos médios, para cima e para baixo: "Diz que seucoração é como o oceano".Veio a segunda pergunta, o monge mostrou seus dez dedos que queriam dizer:"Comoviver neste mundo?", e o dono da padaria mostrou os cinco dedos da mão.O monge interpretou como os cinco preceitos: não matar, não roubar, não cometeradultério, não conduzir os outros a erros, não usar intoxicantes.O monge sentiu-se tocado, "Ah, que sabedoria magnífica!"A seguir mostrou três dedos da mão, perguntando, "Onde estão as três jóias, o Buddha,o Dharma, a Sangha (**)?"Ao que o dono da padaria respondeu com o punho fechado. O monge interpretanovamente: "Não procure longe de ti, está aqui muito perto, perto do olho, está aqui."Impressionado, o monge viajante foi embora.Vendo isso, o chefe da aldeia correu até o padeiro querendo saber o que acontecera eperguntou: "Ele foi embora muito impressionado, me conta o que aconteceu?";E o dono da padaria explicou, "Aquele monge é muito estúpido. Primeiro, fez um gestocom as mãos, perguntando quanto custava o pão, e se ele era muito pequeno; e eu abribem os braços, mostrando que meu pão é bem grande. A seguir ele perguntou quantocustavam dez pães e eu mostrei-lhe cinco dedos, dizendo cinco moedas, mas ele memostrou três dedos, pedindo que vendesse por três, e eu pensei: "mas que sem-vergonha!", e por pouco não lhe acertei um soco no olho!"Conto Zen(*) Darma ou Dharma significa "Lei Natural" ou "Realidade". Com respeito ao seusignificado espiritual, pode ser considerado como o "Caminho para a VerdadeSuperior". O darma é a base das filosofias, crenças e práticas que se originaram naÍndia.O Darma também se refere aos ensinamentos e doutrinas de diversos fundadores detradições, como Siddhartha Gautama no budismo e Mahavira no jainismo. Comodoutrina moral sobre os direitos e deveres de cada um, o Dharma se refere geralmenteao exercício de uma tarefa espiritual, mas também significa ordem social, conduta retaou, simplesmente, virtude.Para algumas seitas e alguns pensadores o darma tambémpode ser interpretado como ações virtuosas feitas tanto em vidas passadas(encarnação anteriores), como na vida atual, e irá receber tudo de novo do universotambém com boas ações, assim como o carma pode ser considerado umaconsequência ruim que se teve, tem ou terá, sendo consequências de todas as açõesruins que se teve, também nessa ou em vidas passadas.
  35. 35. (**) Shanga: No Budismo, o Buda(o Iluminado), o dharma e a sangha são conhecidos como os três tesouros do budismo que lhes certas características. Esses recursos são encenados diariamente nos dias de Uposatha, de acordo com a escola budista. Na tradição de Theravada fazem parte da prática diária. *** O MOSQUITO E O TOURO Um Mosquito que estava voando, a zunir em volta da cabeça de um Touro, depois de um longo tempo, pousou em seu chifre, e pedindo perdão pelo incômodo que supostamente lhe causava, disse: "Mas, se, no entanto, meu peso incomoda o senhor, por favor é só dizer, e eu irei imediatamente embora!" Ao que lhe respondeu o Touro: "Oh, nenhum incômodo há para mim! Tanto faz você ir ou ficar, e, para falar a verdade, nem sabia que você estava em meu chifre." Com frequência, diante de nossos olhos, julgamo-nos o centro das atenções e deveras importantes, bem mais do que realmente somos diante dos olhos do outros. Moral da História: Quanto menor a mente, maior a presunção. Autor: Esopo *** O MUDO E O PAPAGAIOUm jovem monge foi até o mestre Ji-shou e perguntou:"Como chamamos uma pessoa que entende uma verdade mas não pode explicá-la empalavras?"Disse o mestre:"Uma pessoa muda comendo mel"."E como chamamos uma pessoa que não entende a verdade, mas fala muito sobre ela?""Um papagaio imitando as palavras de uma outra pessoa". *** O OBSERVADOR Certo dia um rei chamou ao seu palácio o mestre zen Muhak - que viveu de 1317 a 1405 - e lhe disse que, para afastar o cansaço e a tensão do trabalho administrativo, queria ter uma conversa completamente informal com ele. Em seguida, o rei comentou que Muhak parecia um grande porco faminto procurando comida. - E você, excelência parece o Buda Sakiamuni meditando, sobre um pico elevado dos Himalaias. O rei ficou surpreso com a resposta de Muhak. - Comparei você a um porco, e você me compara ao Buda?
  36. 36. - É que um porco só pode ver porco, excelência, e um Buda só pode ver Buda. *** O PAVÃO O CORVO E O PAVÃO (fábula de Esopo recontada por Monteiro Lobato)O pavão, de roda aberta em forma de leque, dizia com desprezo para o corvo:“Repare como sou belo! Que cauda, hein? Que cores, que maravilhosa plumagem! Soudas aves a mais formosa, a mais perfeita, não?”“Não há dúvida de que você é um belo bicho”, disse o corvo. “Mas, perfeito? Alto lá!”“Quem quer criticar-me! Um bicho preto, capenga, desengraçado e, além disso, ave demau agouro... Que falha você vê em mim, ó tição de penas?”O corvo respondeu:“Noto que para abater o orgulho dos pavões a natureza lhe deu um par de patas que,faça-me o favor, envergonharia até a um pobre diabo como eu...”O pavão, que nunca tinha reparado nos próprios pés, abaixou-se e contemplou-oslongamente. E, desapontado, foi andando o seu caminho sem replicar coisa nenhuma.Tinha razão o corvo: não há beleza sem senão. *** O PAVÃOO fazendeiro saiu e fechou a porteira do terreiro.Tencionava voltar logo, mas passaram-se dias e ele não aparecia.Os animais do terreiro estavam com fome e com sede. Até mesmo o galo deixou decantar.Todos mantiveram-se imóveis, à sombra de uma árvore, para não desperdiçarem suasforças.Apenas o pavão pôs-se de pé, cambaleante, abriu como um leque sua cauda multicor epôs-se a andar de um lado para o outro.- Mamãe - perguntou um pintinho para a galinha - por que o pavão abre a cauda assim,todos os dias?- Porque ele é vaidoso, filhinho. E a vaidade é um defeito que só desaparece com amorte. *** O PAVÃO E DEUSUm formoso pavão excitava com a beleza das suas penas a curiosa atenção de algunshomens que o estavam admirando, e que lhe não poupavam elogios. Súbito ouviramestes o cantar de um rouxinol (pássaro europeu de canto mui lindo), e logo tudoesquecendo, procuram chegar-se para o lugar de onde partia tão suave melodia.Abandonado, o pavão encheu-se de raiva, e queixoso foi ter com Deus.
  37. 37. - Por que há de um passarinho, feio e sem graça, cantar melhor do que eu? Por que menão deste a voz do rouxinol? perguntou.Não sejas ingrato, respondeu-lhe Deus. Cada animal tem suas prendas, nenhum temtudo; à águia coube a força, ao rouxinol o canto, a ti essa plumagem recamada deestrelas e de esmeraldas; não és dos mais mal aquinhoados.- Sim, mas eu queria cantar como um rouxinol, retrucou o pavão.Moral da História: Poucos se contentam com o que têm, todos invejam o alheio, eassim se fazem desgraçados. *** O QUE MAIS?Um monge perguntou ao mestre:"Faz muito tempo que venho a vós diariamente, a fim de ser instruído no santo caminhode Buddha, mas até hoje jamais vós me destes nenhuma palavra a este respeito. Eu vosimploro, mestre, sejais mais caridoso."O velho mestre olhou-o com surpresa:"O que quereis dizer com isso, meu rapaz? Todas as manhãs vós me saudais e eu vosrespondo. Quando me trazeis uma xícara de chá, eu a aceito, agradeço-vos e me deliciocom vossa solicitude. O que mais desejais que eu lhe ensine?" Conto Zen *** O RECADO DA DONA VIDA... Wagner Borges mestre de nada e discípulo de coisa alguma. São Paulo, 11 de março de 2012.A semente disse no seio da terra:"Um dia eu serei uma grande árvore e beijarei a luz do sol em minhas folhas."Encerrado dentro das pétalas fechadas do botão de flor, o perfume falou:"Em breve, quando as pétalas desabrocharem, eu perfumarei tudo em volta."De dentro do fim do inverno, a primavera riu e disse:"Estou chegando cheia de luz!"De dentro do casulo, a lagarta exultou e asseverou:"Em breve eu rasgarei as trevas em volta e me tornarei uma linda borboleta - e voareicomo nunca!"E também foi assim que a Vida emergiu do grande vazio...Como a semente, o perfume, a primavera e a lagarta, Ela riu, e bradou:"Meu Pai emanou o Grande Verbo e afirmou: “Faça-se a Luz!”Então, Eu fiz como a semente: brotei.E fiz igual ao perfume: desabrochei junto e perfumei tudo...E me tornei a primavera da existência primeira.
  38. 38. E, como a lagarta, rompi as trevas do grande mistério e realizei a grande metamorfose.Agora, sou a borboleta do Criador, voando e existindo em Seu Coração Primevo.E Eu digo aos homens o que sei: de dentro de seus corações está emergindo umaGrande Luz. E, como a semente, o perfume, a primavera, a lagarta, e Eu mesma, nomomento certo, o Amor eclodirá de dentro das trevas da grande dúvida.Então, os homens descobrirão o grande segredo: não há morte!Porque, de dentro deles mesmos, a Luz lhes dirá: `Vocês não nascem nem morrem, sóentram e saem dos corpos perecíveis.E Eu também digo: vocês são imortais - e voarão como nunca...“Porque é só o Amor que nos leva..." ***P.S.:Esse texto foi escrito nos estúdios da Rádio Mundial, um pouco antes do início doprograma "Viagem Espiritual"*. Ali, num impulso espiritual, lembrei-me do grande poeta hinduRabindranath Tagore** (de quem sou grande admirador), e escrevi essas linhas rapidamente.Logo depois, ainda sob a emoção do momento, compartilhei os escritos com os ouvintes e os lipara eles. E, agora, estou disponibilizando-os em aberto para todos.Notas:* O programa "Viagem Espiritual" é apresentado aos domingos, das 12h30min às 13h,na Rádio Mundial de São Paulo, 95.7 FM.OBS.: O programa pode ser ouvido diretamente pelo site da Rádio Mundial, no mesmodia e horário. O site da rádio é: www.radiomundial.com.br.As gravações dos programas ficam disponibilizadas dentro da seção de multimídia dosite do IPPB -http://multimidia.ippb.org/ ***Rabindranath Tagore - escritor indiano, nasceu em Calcutá em 1861 e desencarnou emBengala em 1941. Depois de educação tradicional na Índia, completou a formação naInglaterra entre os anos de 1878 e 1880. Começou sua carreira poética com volumes deversos em língua bengali. Em 1913, recebeu o prêmio Nobel de literatura. Desde então,traduziu seus livros para o inglês, a fim de lhes garantir maior difusão. Em suas poesias,Tagore oferece ao mundo uma mensagem humanitária e universalista. Seu maisfamoso volume de poesias é Gitânjali (Oferenda poética). Fundou, em 1901, umaescola de filosofia em Santiniketan, que, em 1921, foi transformada em universidade. ***
  39. 39. O REI E O SÁBIOA história aconteceu num país distante, muitos séculos atrás. Pressentindo seu fim o reichamou seus súditos pedindo que respondessem a três perguntas fundamentais.Seria premiado com fortunas e honrarias quem melhor respondesse:1º - Qual é o lugar mais importante do mundo?2º - Qual é a tarefa mais importante do mundo?3º - Quem é o homem mais importante do mundo?Sábios e ignorantes, ricos e pobres, crianças e adultos, desfilaram tentando responderàs três perguntas. Para desconsolo do rei, nenhuma resposta o satisfez plenamente.Restava um único homem, em todo território, que se recusava a falar. Ele guardavasilêncio e distância, porque não lhe interessavam honras e nem fortunas. Era umcidadão com fama de sábio.Emissários do rei foram enviados a ele para colher sua opinião. E, do alto de suasabedoria, o velho falou:“- O lugar mais importante do mundo é aquele onde você está. A tarefa maisimportante é aquela que você faz. E o homem mais importante do mundo é aquele queprecisa de você, porque é ele que lhe possibilita exercitar o mais belo dos sentimentos:O AMOR.” *** O REI MENDIGOHouve um tempo que a Irlanda era governada por um rei que não tinha nenhum filho.O rei mandou que os mensageiros postassem avisos em todas as cidades do reino.Os avisos diziam que todo jovem qualificado deveria se apresentar para uma entrevistacom o rei como um possível sucessor para o trono.Porém, todos os candidatos deveriam ter estas duas qualificações:(1) Eles devem amar a Deus e(2) amar os seres humanos de todas as classes e raças.Um jovem leu o aviso e refletiu que ele amava a Deus e, também, os vizinhos dele.Uma coisa porém o desanimava, ele era tão pobre que não tinha nenhuma roupa quepudesse ser apresentável à vista do rei.Nem tinha fundos para comprar o necessário para a longa viagem até o castelo.Assim o jovem implorou aqui, e pediu emprestado ali, até conseguir o bastante para asroupas apropriadas e os materiais necessários.Corretamente vestido e bem vestido, o jovem partiu, e tinha quase completado aviagem quando encontrou um pobre mendigo ao lado da estrada.O mendigo estava sentado, tremendo de frio, coberto apenas por trapos esfarrapados.Ele estendeu o braço implorando por ajuda.Sua voz fraca coaxou:- "Tenho fome e frio. Por favor me ajude... Por favor..."

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