Apostila de Filosofia - Segundo Ano Regular e EJA - Ensino Médio

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Apostila para o Curso de Filosofia ministrado para o Segundo ano regular e EJA do Ensino Médio

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Apostila de Filosofia - Segundo Ano Regular e EJA - Ensino Médio

  1. 1. Curso de Filosofia 2º ano Ensino Médio Apostila para o Curso de Filosofia ministrado para o Segundo ano regular e EJA do Ensino Médio Professor Antonio Marques
  2. 2. Apostila de Filosofia – 2015 Prof. Antonio Marques Facebook: Antonio Marques Whatsapp: 9634.0288 E-mail: planedoenharmonio@gmail.com Blog: http://buscadacompreensao.blogspot.com.br/ 1 SUMÁRIO: UMA CONVERSA INICIAL  RESPEITO, SILÊNCIO E COOPERAÇÃO  Não nos distraiam  Pergunte sempre que preciso: OBJETIVOS DA MINHA PRÁTICA PEDAGÓGICA  COMPETÊNCIAS E HABILIDADES  METODOLOGIA / ESTRAGÉGIA DE AÇÃO  AVALIAÇÃO POR QUE FILOSOFIA? UM MODELO POSSÍVEL: GRÁFICO DA HISTÓRIA DA FILOSOFIA PROGRAMAÇÃO SIMPLIFICADA PROGRAMAÇÃO TEMÁTICA ATIVIDADE EXTRA 1: Contrato tácito entre as pessoas que se conformam ATIVIDADE EXTRA 2: O Direito de Sonhar - Eduardo Galeano ATIVIDADE EXTRA 3: O Último Discurso - Charles Chaplin ATIVIDADE EXTRA 4: REDAÇÃO: Assista ao filme Waking Life (2001), EUA, de Richard Linklater. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS SUGESTÕES DE VÍDEOS, FILMES, DOCUMENTÁRIOS, MÚSICAS CALENDÁRIO DE LUTAS Bibliografia Sugerida Filmografia Sugerida
  3. 3. Apostila de Filosofia – 2015 Prof. Antonio Marques Facebook: Antonio Marques Whatsapp: 9634.0288 E-mail: planedoenharmonio@gmail.com Blog: http://buscadacompreensao.blogspot.com.br/ 1 UMA CONVERSA INICIAL: Meu trabalho no estado de Minas Gerais é ser professor de filosofia. Recebo meu salário, pago por todos os contribuintes, com a condição de que eu ensine esta disciplina. Uma das maneiras de ensiná-la é apresentando algumas das dúvidas e reflexões que os filósofos ao longo da história da filosofia tiveram. Como são 2500 anos de história não é possível ver todos. Os critérios que utilizo para escolher um filósofo em detrimento de outro é a sua relevância e influência que pode ser percebida pelos livros didáticos, pelos programas de vestibulares e Enems e pelos parâmetros curriculares nacionais. A escolha de um filósofo não é pessoal. Não apresento para vocês apenas as ideias que eu concordo. Tento ser o máximo fiel às ideias de cada autor e cabe a cada um de nós, de modo independente, avaliá-las e aceitá- las ou não. Seria uma desonestidade da minha parte se eu apresentasse apenas os filósofos e/ou ideias que eu concordasse ou que os agradasse. A filosofia é muito mais um espaço para dúvidas do que para as certezas. Estas vocês devem procurar em outros espaços. O que mais há neste mundo são ―certezas‖. Também gostaria que compreendessem que apesar de haver liberdade de pensamento, de haver liberdade para cada um crer naquilo que quiser, as ideias não são todas iguais, muito menos são indiferentes ao nosso destino social, político, econômico, histórico, biológico,etc. Por exemplo: posso acreditar que tenho habilidade para voar, mas talvez ao pular do décimo andar de um prédio eu perceba que minha ideia não estava tão certa assim; posso acreditar que ao construir uma ponte, posso substituir o cimento por isopor, mas irei perceber que minhas crenças não terão a funcionalidade esperada; posso acreditar que aqueles que não creem no mesmo deus que eu, são infiéis e devem ser eliminados da face da terra, mas esta ideia teria uma consequência desagradável para muitas pessoas. Então, por favor, façam um pouquinho de esforço e tentem compreender que as ideias, não são apenas ideias e que tudo que há de concreto no mundo e que é feito e construído pelos humanos possuem relações diretas com as ideias. RESPEITO, SILÊNCIO E COOPERAÇÃO Prezados alunos e alunas,  Deixe os únicos 50 minutos por semana para a Filosofia para falarmos de Filosofia. Tenham calma, dediquem um pouco, leiam um pouco mais e entenderão que a Filosofia tem algo de importante a nos dizer.  As minhas aulas são o trabalho que presto para a sociedade, para você, sua família e toda a sociedade. Preciso e quero realizar minhas aulas cada vez melhor. Peço que cooperem para fazermos um bom trabalho. Isto é o melhor para todos nós.  Em toda e qualquer relação é preciso respeito, na relação professor-alun@s, não é diferente. É preciso respeito em sala, de todo e qualquer alun@, assim como também preciso respeitar.  Ao desrespeitar o professor, você está desrespeitando a tod@s. Isto entristece, superficializa e dificulta o Ensino. Não nos distraiam: • Deixe o celular por um momento. Deixe para usar a tecnologia de comunicação a distância quando não houver demanda por comunicação presencial. É isto que ocorre em sala de aula durante uma aula, ocorre um processo comunicacional. Participe dele. Ouvindo, compreendendo, complementando, perguntando, opinando. • Não fique virando ou virado para trás.
  4. 4. Apostila de Filosofia – 2015 Prof. Antonio Marques Facebook: Antonio Marques Whatsapp: 9634.0288 E-mail: planedoenharmonio@gmail.com Blog: http://buscadacompreensao.blogspot.com.br/ 2 • Não saia da sala sem antes comunicar. Estas atitudes impedem que o ambiente seja o mais adequado para a realização do propósito, que é o processo-de-tentar- ensinar-filosofar-estudar-aprender... • Quem não quer cooperar e ainda assim quer ficar em sala de aula: dormindo ou estudando, não é adequado, mas desde que ―não‖ faça barulho, nem movimento, eu compreendo, mas ficar em sala, no coletivo e sabotar o coletivo, atrapalhar e dificultar a aula...Isto não! Conto com todos vocês! Pergunte sempre que preciso: • Pergunte, mas não fale em particular. A conversa em aula é coletiva. Tente isto! • Pergunte sempre que estiver com uma dúvida verdadeira. • Evite perguntas que fuja do assunto em pauta no momento. • Pergunte em sala, pergunte pessoalmente, pelo face (no grupo ou inbox), por e-mail e pelo whatsapp. Sugestão de Música: Fala – Secos e Molhados
  5. 5. Apostila de Filosofia – 2015 Prof. Antonio Marques Facebook: Antonio Marques Whatsapp: 9634.0288 E-mail: planedoenharmonio@gmail.com Blog: http://buscadacompreensao.blogspot.com.br/ 3 OBJETIVOS DA MINHA PRÁTICA PEDAGÓGICA:  Ministrar um curso da história do pensamento filosófico;  Preparar os estudantes para os exames: Enem, Vestibular e avaliações internas;  Pautar assuntos relevantes para os estudantes;  Estimular a reflexão filosófica, o questionamento das próprias ideias e valores e o contínuo exame e consideração dos dados disponíveis;  Estimular a reflexão em torno de todas as formas de discriminação – sexual, étnica, racial, por orientação sexual.  Fazer da sala de aula e da sociedade como um todo um espaço de troca de saberes e fazeres;  Ter no diálogo o instrumento de humanização ao comprometer-se com a libertação dos sujeitos da condição de ―seres para o outros‖ passando a condição de ―seres para si‖;  Desenvolvimento da autonomia individual como sujeitos de direitos. Os sujeitos de direito são indivíduos que se reconhecem nos demais seres humanos como iguais também como sujeitos que devem ter sua autonomia e diversidade respeitadas, valorizam a solidariedade e são pessoas que estão preparadas para estar em permanente vigilância em defesa da dignidade humana.  Construção de um espaço pedagógico democrático capaz de formar cidadãos e cidadãs ativas;  Preocupação com a consolidação da democracia resultante de projetos coletivos e lutas por justiça e paz.  Recuperar a alegria em ser-humano e a ―utopia possível‖.  Norteiar a reflexão sobre a experiência tomando como pressuposto a ideia de totalidade e do materialismo histórico dialético, articulada a estudos sobre os modos de produção, antagonismos sociais e relações de poder.  Analisar as demandas pautadas pela ação dos movimentos sociais contemporâneos que, pelo processo civilizatório que desencadeiam, indagam a história em busca das causas estruturantes dos problemas hoje vivenciados.  Dar um sentido ético e político ao trabalho, à formação escolar e à atuação profissional.  Empregar o tempo da vida e o espaço da formação para capacitar atores sociais que ajudem a construir outra realidade possível. COMPETÊNCIAS E HABILIDADES:  Refletir criticamente os problemas do mundo contemporâneo;  Desenvolver a compreensão de si mesmo como um bem social, histórico e em processo de autoprodução;  Ler de maneira filosófica, textos de diferentes estruturas e registros;  Elaborar textos reflexivos;  Debater, assumindo uma posição, defendendo-a através de argumentos significativos e mudando de posição diante de argumentos mais consistentes;  Articular conhecimentos filosóficos e diferentes conhecimentos presentes nas ciências naturais e humanas, nas artes e em outras produções culturais;  Contextualizar conhecimentos filosóficos, nos planos de sua origem específica, sócio-política, histórica, cultural e científico tecnológico;  Diferenciar a filosofia de outros tipos de conhecimento, apontando para sua utilidade, compreender que o seu surgimento se dá a partir do pensamento crítico;  Dialogar sobre os filósofos, buscando perceber seus questionamentos, bem como suas características essenciais;
  6. 6. Apostila de Filosofia – 2015 Prof. Antonio Marques Facebook: Antonio Marques Whatsapp: 9634.0288 E-mail: planedoenharmonio@gmail.com Blog: http://buscadacompreensao.blogspot.com.br/ 4 METODOLOGIA / ESTRAGÉGIA DE AÇÃO  Exposição oral e sistemática das ideias dos filósofos;  Leitura e análise de textos em sala;  Elaboração de estudos dirigidos e pesquisas extra-sala;  Fazer uso de vídeos e músicas,  Preocupação com a coerência entre discurso e prática;  Metodologia de investigação participativa em que a pergunta é utilizada como meio de descoberta conjunta;  O Processo educativo não é para os/as estudantes, mas com as/os estudantes;  Apresentar o contexto sócio-histórico de constituição, formação e desenvolvimento das ideias filosóficas;  Apresentar visão globalizante dos problemas, pela perspectiva multidisciplinar;  Facilitar a aprendizagem, inter- relacionando conteúdos;  Deixar claro os objetivos da aula;  Estruturar o tempo conforme a relevância e complexidade do assunto;  Abordar os principais elementos da temática em questão;  Consolidar ideias principais;  Utilizar exemplos relevantes;  Facilitar a síntese do conteúdo;  Reflexão associada à prática. A reflexão deve se dar por uma participação democrática dos sujeitos refletindo a legítima organização social para a liberdade;  Enfoque pedagógico problematizador e crítico;  Apresentação de seminários;  Participação em projetos e eventos extra-classe; AVALIAÇÃO: A avaliação será contínua e permanente e para todas as aulas será atribuído nota. O processo avaliativo retroalimentará o processo de ensino- aprendizado, servindo como um diagnóstico, que possibilite a correção das falhas e como parâmetro para prognósticos que vise prever novas.
  7. 7. Apostila de Filosofia – 2015 Prof. Antonio Marques Facebook: Antonio Marques Whatsapp: 9634.0288 E-mail: planedoenharmonio@gmail.com Blog: http://buscadacompreensao.blogspot.com.br/ 5 POR QUE FILOSOFIA? ―Se abandonar a ingenuidade e os preconceitos do senso comum for útil; se não se deixar guiar pela submissão às ideias dominantes e aos poderes estabelecidos for útil; se buscar compreender a significação do mundo, da cultura, da história for útil; se conhecer o sentido das criações humanas nas artes, nas ciências e na política for útil; se dar a cada um de nós e à nossa sociedade os meios para serem conscientes de si e de suas ações numa prática que deseja a liberdade a felicidade para todos for útil, então podemos dizer que a Filosofia é o mais útil de todos os saberes de que os seres humanos são capazes.‖ Marilena Chauí ―Do que você precisa, acima de tudo, é de não se lembrar do que eu lhe disse; nunca pense por mim, pense sempre por você; fique certo de que mais valem todos os erros se forem cometidos segundo o que pensou e decidiu do que todos os acertos, se eles foram meus, não seus. Se o criador o tivesse querido juntar muito a mim não teríamos talvez dois corpos distintos ou duas cabeças também distintas. Os meus conselhos devem servir para que você se lhes oponha. É possível que depois da oposição venha a pensar o mesmo que eu; mas nessa altura já o pensamento lhe pertence. São meus discípulos, se alguns tenho, os que estão contra mim; porque esses guardaram no fundo da alma a força que verdadeiramente me anima e que mais desejaria transmitir-lhes: a de não se conformarem‖. Agostinho da Silva, Sete Cartas a um Jovem Filósofo, 1945 ―O que é um filósofo? É alguém que pratica a filosofia, que se serve da razão para tentar pensar o mundo e a sua própria vida, a fim de se aproximar da sabedoria ou da felicidade. E isso se aprende na escola? Tem de ser aprendido, já que ninguém nasce filósofo e já que a filosofia é, antes de mais nada, um trabalho. Tanto melhor, se ele começar na escola. O importante é começar, e não parar mais. Nunca é cedo demais nem tarde demais para filosofar, dizia Epicuro [...]. Digamos que só é tarde demais quando já não é possível pensar de modo algum.‖ COMTE-SPONVILLE, André. Dicionário Filosófico. São Paulo: Martins Fontes, 1991. p.79. "A tarefa da filosofia não é fornecer respostas ou soluções, mas sim submeter as próprias perguntas ao exame crítico; de nos fazer ver como a própria forma pela qual percebemos um problema é um o bstáculo para sua solução. Assim, pode-se dizer que a principal função do intelectual público hoje é fazer com que as pessoas façam as perguntas certas."— Slavoj Žižek
  8. 8. Apostila de Filosofia – 2015 Prof. Antonio Marques Facebook: Antonio Marques Whatsapp: 9634.0288 E-mail: planedoenharmonio@gmail.com Blog: http://buscadacompreensao.blogspot.com.br/ 6 UM MODELO POSSÍVEL: GRÁFICO DA HISTÓRIA DA FILOSOFIA
  9. 9. Apostila de Filosofia – 2015 Prof. Antonio Marques Facebook: Antonio Marques Whatsapp: 9634.0288 E-mail: planedoenharmonio@gmail.com Blog: http://buscadacompreensao.blogspot.com.br/ 7 PROGRAMAÇÃO: Segue abaixo, de modo simplificado os Filósofos que pretendo apresentar-ensinar-aprender em 2015. A proposta está aberta para sugestões. Tem algum outro filósofo ou filósofa, deste período, que você gostaria que fosse incluído na lista? Com poucas exceções, os Filósofos estão organizados em ordem cronológica por ser a mais simples, facilitando as convergências de compreensão. A apresentação nesta ordem não impede de estabelecer o máximo de conexões, tanto com os pensadores do futuro, quanto do passado. PROGRAMAÇÃO SIMPLIFICADA - 2015 PERÍODO HISTÓRICO TEMA OU FILÓSOFO DATA IDADE MÉDIA (Séc. V a XV) Santo Agostinho 354 – 430 Tomás de Aquino 1225 – 1274 IDADE MODERNA (1453 – 1789) Maquiavel 1469 - 1527 Thomas Hobbes 1588 - 1679 John Locke 1632 - 1704 Rousseau 1712 - 1778 Francis Bacon 1561 - 1626 Descartes 1596 - 1650 Hume 1711 - 1776
  10. 10. Apostila de Filosofia – 2015 Prof. Antonio Marques Facebook: Antonio Marques Whatsapp: 9634.0288 E-mail: planedoenharmonio@gmail.com Blog: http://buscadacompreensao.blogspot.com.br/ 8 PROGRAMAÇÃO TEMÁTICA FILOSOFIA MEDIEVAL PATRÍSTICA (séculos I ao V d. C.) E SANTO AGOSTINHO (354 - 430 d. C.)  Hegemonia da Igreja Católica;  A Patrística - significado;  Influências: neoplatonismo e estoicismo  Relação entre Razão Natural e Fé Cristã: as verdades da fé que ultrapassam a razão;  A questão dos universais: realismo, conceitualismo, nominalismo;  Santo Agostinho: Biografia;  O problema do mal, o maniqueísmo e o livre-arbítrio;  Crítica ao Ceticismo;  Relação alma e corpo;  A vontade;  Teoria da Iluminação Divina. ESCOLÁSTICA E SÃO TOMÁS DE AQUINO  Artes ensinadas:Trivium (gramática, retórica e dialéctica) e Quadrivium (aritmética, geometria, astronomia e música);  Influências: neoplatonismo e Aristóteles;  Harmonização da fé e da razão;  Principais representantes;  Neoescolástica;  São Tomás de Aquino: Vida e Obra;  Influências, FILOSOFIA POLÍTICA MAQUIAVEL  Biografia  Contexto Histórico  A Natureza Humana  Virtú e Fortuna  Realismo Político  Ética e Política: uma nova ética  O Príncipe  Maquiavelismo  Técnica IDADE MODERNA (1453 – 1789)  Do Renascimento, no século XV e XVI ao Iluminismo, no século XVIII.  Contexto histórico e características gerais O RENASCIMENTO (séculos XV e XVI) THOMAS HOBBES (1588 – 1679)  Teoria do Direito Divino dos Reis  Do Direito Divino ao Contrato Social  As teorias contratualistas  Estado de Natureza  Transição Estado de Natureza – Sociedade Civil  Soberania JOHN LOCKE (1632 – 1704)  Direito Natural  Estado de Natureza  Contrato social  Liberalismo e Estado JEAN JACQUES ROUSSEAU (1712 – 1778)  Biografia  Alguns princípios da filosofia rousseauniana  Estado de natureza  Teoria da Vontade Geral  O Contrato Social  Liberdade em Rousseau  Liberdade natural  Transição do estado de natureza para o estado civil  Liberdade civil  Principais obras  Bibliografia FRANCIS BACON (1561 – 1626)  Biografia  Filosofia  Classificação das ciências  Ídolos  O método
  11. 11. Apostila de Filosofia – 2015 Prof. Antonio Marques Facebook: Antonio Marques Whatsapp: 9634.0288 E-mail: planedoenharmonio@gmail.com Blog: http://buscadacompreensao.blogspot.com.br/ 9 DESCARTES (1596-1650) e RACIONALISMO  Aspectos históricos: Idade Moderna e Renascimento,  Vida e Obra  Regras do Método,  Verdade Primeira,  Dúvida Hiperbólica,  Dualismo corpo-alma,  Os três tipos de ideias ILUMINISMO EMPIRISMO  Empirismo: etimologia, definição, características  A teoria da Tábula Rasa de John Locke  A Origem do Conhecimento para o Racionalismo e o Empirismo DAVI HUME (1711 – 1776)  Biografia  A ―ciência do homem‖: Lado cético- destrutivo e Lado propositivo  Percepção: impressões (sentidos) e ideias (representações mentais)  O problema da causalidade  O problema da indução  A Teoria do Eu como feixe (The Bundle Theory of the Self)  A razão prática, Instrumentalismo, Niilismo, Anti-realismo moral e motivação  O problema do ser - dever ser.  Livre-arbítrio vs. Indeterminismo  Utilitarismo  O problema dos milagres  O argumento teleológico  Teoria da Oscilação (sociologia da religião)
  12. 12. Apostila de Filosofia – 2015 Prof. Antonio Marques Facebook: Antonio Marques Whatsapp: 9634.0288 E-mail: planedoenharmonio@gmail.com Blog: http://buscadacompreensao.blogspot.com.br/ 10 PATRÍSTICA E SANTO AGOSTINHO  A igreja católica exerce forte influência no plano cultural criando um quadro intelectual em que a fé cristã era o pressuposto da vida espiritual;  De acordo com a doutrina católica a fé representava a fonte mais elevada das verdades reveladas;  Assim, toda investigação filosófica ou científica não poderia de modo algum contrariar as verdades estabelecidas pela fé católica. Restava-lhes apenas demonstrar racionalmente as verdades da fé;  Por outro lado surgiram pensadores cristãos que defendiam o conhecimento da filosofia grega. O objetivo era convencer os descrentes pela razão para depois fazê-los aceitar a imensidão dos mistérios divinos, somente acessíveis à fé.  A Patrística (século I a VII) é caracterizada por um saber teológico-filosófico e procurou conciliar as verdades da revelação bíblica com as construções do pensamento próprias da filosofia grega. A maior parte de suas obras foi escrita em grego e latim, embora haja também muitos escritos doutrinários em aramaico e outras línguas orientais. O termo designa, de forma genérica, a filosofia cristã nos primeiros séculos logo após o seu surgimento, ou seja, a filosofia dos Padres da Igreja, da qual se originará, mais tarde, a escolástica. Ela surge quando o Cristianismo se difunde e consolida como religião de importância social e política, e a Igreja se firma como instituição, formulando-se então a base filosófica da doutrina cristã, especialmente na medida em que esta se opõe ao paganismo e às heresias que ameaçam sua própria unidade interna. Predominam assim os textos apologéticos, em defesa do Cristianismo.  A patrística representa a síntese da filosofia grega clássica com a religião cristã, tendo seu início com a escola de Alexandria, que revela um pensamento influenciado pelo espiritualismo neoplatônico e pela doutrina ética do estoicismo.  Os maiores nomes da patrística latina foram santo Ambrósio, são Jerônimo (tradutor da Bíblia para o latim) e santo Agostinho de Hipona. As principais posições defendidas pelos primeiros padres da Igreja eram:  Não pode haver contradição entre as verdades reveladas por Deus e as verdades que o homem descobre a partir de suas capacidades naturais, portanto a fé e a razão são conciliáveis,  Algumas verdades da fé ultrapassam os limites de julgamento da razão natural, como por exemplo, o fato de Deus ser três pessoas em uma mesma substância.  A fé e a razão são suscetíveis de erro, cabe aos homens descobri-los.
  13. 13. Apostila de Filosofia – 2015 Prof. Antonio Marques Facebook: Antonio Marques Whatsapp: 9634.0288 E-mail: planedoenharmonio@gmail.com Blog: http://buscadacompreensao.blogspot.com.br/ 11  A questão dos universais: Um universal é aquilo que se relaciona a todos os indivíduos de uma mesma classe. Universal/ universais (lat. universalis). A questão se origina de um comentário de Boécio ao Isagone, obra do filósofo neoplatônico Porfírio (232 – 305), que é por sua vez um comentário ao tratado aristotélico das Categorias. Encontramos aí a pergunta sobre se espécies (p. ex.cão) e gêneros (p.ex. animal) têm existência real ou se são apenas conceitos; se existem, são coisas materiais ou não; se são conceitos, existem apenas na mente ou independentemente dela? Desta questão surgem três correntes principais: realismo, conceitualismo, nominalismo. Realismo: O realismo considera que os universais existem na realidade. Embora não seja mais discutida nesses termos exatamente, essa questão está longe de estar superada, encontramos ainda hoje uma discussão entre filósofos defensores dessas posições. Essa discussão se dá entretanto geralmente em relação a domínios específicos. P. ex. um filósofo pode ser realista em filosofia da matemática, considerando que objetos abstratos como números e formas geométricas existem por si mesmos, e ser conceitualista em ética, considerando que os valores são apenas ideias, não possuindo nenhuma realidade própria, extrametal. (Dicionário Básico de Filosofia, p. 238-9) Os realistas platônicos vão defender a posição de que os universais são realidades abstratas, existentes independentemente da mente humana, em si mesmas. Os realistas aristotélicos dizem que os universais são as formas, existindo apenas nas substâncias individuais, embora possam ser concebidos pela mente separadamente. Conceitualismo: Doutrina (atribuída a Aberlardo, no século XII) segundo a qual os conceitos ou universais só existem, como ideias, no nosso espírito, não possuindo nada que lhes corresponda na realidade. Em outras palavras, doutrina segundo a qual as ideias gerais que nos servem para organizar nosso conhecimento são instrumentos intelectuais criados por nosso espírito, mas não possuindo nenhuma existência fora dele. (Dicionário, p.53) Para os conceitualistas, os universais são conceitos, entidades mentais. Nominalismo: Os nominalistas consideram os universais como simples “flatus vocis” (emissão de voz humana), entidades lingüísticas, simples termos gerais sem nenhuma realidade específica correspondente. Roscelino de Compiègne (1050 – 1125) é considerado um nominalista na questão dos universais. Nominalismo (lat. nominalis, de nomem: nome). 1. Corrente filosófica que se origina na filosofia medieval, interpretando as ideias gerais ou universais, como não tendo nenhuma existência real, seja na mente humana (enquanto conceitos), seja enquanto formas substanciais (realismo), mas sendo apenas signos lingüísticos, palavras, ou seja, nomes. 2. Há várias formas de nominalismo na história da filosofia. Roscelino de Compiègne (séxulo XI) é considerado o autor da célebre fórmula segundo a qual os universais seriam apenas ―flatus vocis‖, sons vocais, sem nenhuma realidade além desta, e tido como o fundador do nominalismo. O empirismo inglês, sobretudo com Hobbes, defende igualmente o nominalismo, no sentido de que os termos gerais designam apenas generalizações de propriedade comuns aos objetos particulares, não havendo nenhuma realidade específica que corresponda a essas generalizações. Condillac também apóia o nominalismo, afirmando que ―um ideia geral e abstrata em nosso espírito é apenas um nome‖. Essa posição tem consequências importantes para a filosofia da ciência, sendo que o próprio Condillac considera que ―a ciência é apenas uma linguagem bem feita‖, antecipando uma tese adotada depois pelo neopositivismo. O convencionalismo em teoria da ciência pode ser considerado uma forma de nominalismo. 3. Para o nominalismo científico, ponto de vista espistemológico datando da segunda metade do século XIX, a ciência não descreve o mundo tal como ele é, pois apenas constrói um discurso coerente e puramente convencional sobre o mundo. (Dicionário, p.180-1)
  14. 14. Apostila de Filosofia – 2015 Prof. Antonio Marques Facebook: Antonio Marques Whatsapp: 9634.0288 E-mail: planedoenharmonio@gmail.com Blog: http://buscadacompreensao.blogspot.com.br/ 12 Referências: CABRAL, João Francisco P. Teoria da Iluminação natural em Santo Agostinho. Colaborador Brasil Escola. Verbete: Universal/universais. Dicionário Básico de Filosofia, p. 238-9. SANTO AGOSTINHO: A certeza da razão por meio da fé “Compreender para crer, crer para compreender” – Santo Agostinho.  Santo Agostinho é considerado o mais importante filósofo em toda a patrística. Além de sistematizar as doutrinas fundamentais do cristianismo, desenvolveu as teses que constituíram a base da filosofia cristã durante muitos séculos. Os principais temas que abordou foram as relações entre a fé e a razão, a natureza do conhecimento, o conceito de Deus e da criação do mundo, a questão do mal e a filosofia da história. O tratado ―Sobre a doutrina cristã‖ é um dos mais representativos dessa tradição. A principal fonte para o conhecimento de textos de patrística é a Patrologia grega e latina, editada por J.P. Migne no século XIX, publicada em Viena. (Dicionário Básico de Filosofia. p.190)Desenvolvendo sua filosofia a partir do platonismo, Santo Agostinho forneceu as bases para o pensamento cristão medieval, transformando o Bem platônico no Deus cristão, fonte de todo amor e de todo bem.  Aureliano Agostinho (354-430) nasceu em Tagaste, província romana situada na África, e faleceu em Hipona, hoje localizada na Argélia. Nesta cidade ocupou o cargo de bispo da Igreja católica.  Até completar 32 anos, Agostinho não era cristão. Teve uma vida voltada para os prazeres do mundo. De uma ligação amorosa ilícita para a época, nasceu-lhe o filho Adeodato. Foi professor de retórica em escolas romanas.  Em sua formação intelectual, Agostinho sentiu-se despertado para a filosofia de Cícero. Posteriormente, deixou-se influenciar pelo maniqueísmo, doutrina persa que afirmava ser o universo dominado por dois grandes princípios opostos, o bem e o mal, mantendo uma incessante luta entre si.  Mais tarde, já insatisfeito com o maniqueísmo, viajou para Roma e Milão, entrando em contato com o ceticismo e, depois, com o neoplatonismo, movimento filosófico do período greco-romano, desenvolvido por pensadores inspirados em Platão, que se espalhou por
  15. 15. Apostila de Filosofia – 2015 Prof. Antonio Marques Facebook: Antonio Marques Whatsapp: 9634.0288 E-mail: planedoenharmonio@gmail.com Blog: http://buscadacompreensao.blogspot.com.br/ 13 diversas cidades do Império Romano, sendo marcado por sentimentos religiosos e crenças místicas.  Cresceu e se aprofundou em Agostinho uma grande crise existencial, uma inquietação quase desesperada em busca de sentido para a vida. Foi nesse período crítico que ele se encontrou com Santo Ambrósio, bispo de Milão, sentindo-se extremamente atraído por suas pregações. Pouco tempo depois, converteu-se ao cristianismo, tornando o seu grande defensor pelo resto da vida.  Agostinho defendeu a superioridade da alma humana, isto é, a supremacia do espírito sobre o corpo, a matéria. A alma teria sido criada por Deus, para reinar sobre o corpo, para dirigi-lo à prática do bem. O homem pecador, entretanto, utilizando-se do livre-arbítrio, costuma inverter essa relação, fazendo o corpo assumir o governo da alma. Provoca, com isso, a submissão do espírito à matéria, equivalente à subordinação do eterno ao transitório, da essência à aparência. Mas a verdadeira liberdade estaria na harmonia das relações ações humanas com a vontade de Deus. Ser livre é servir a Deus, pois o prazer de pecar é a escravidão.  Para Agostinho a vontade é uma força que determina a vida e não uma função específica ligada ao intelecto, tal como diziam os gregos. A liberdade humana é a própria da vontade e não da razão. É nisso que reside a fonte do pecado, o homem peca porque usa de seu livre- arbítrio para satisfazer sua vontade, mesmo sabendo que tal atitude é pecaminosa. Por esta razão, os homens necessitam da graça divina para salvar-se, pois a razão não o salvará.  Somente o íntimo de nossa alma, iluminada por Deus, poderia atingir a verdade das coisas. Da mesma forma que os olhos do corpo necessitam da luz do sol para enxergar os objetos do mundo sensível, os ―olhos da alma‖ necessitam da luz divina para visualizar as verdades eternas da sabedoria.  O erro ocorre apenas por um mau uso das capacidades humanas. Para Platão, o Mal não existe enquanto entidade, só o Bem como ideia ontológica por excelência. O Mal não é uma realidade, é um juízo e uma ação errôneos por ignorância. A partir daí, Agostinho verificou que todas as coisas são boas, porque são obras de Deus e que o Mal é culpa da forma como utilizamos o livre arbítrio.  Ceticismo: O ceticismo se errado ao dizer que o conhecimento não é possível. Se me engano, existo. Mesmo que me engane às vezes, ainda assim posso ter certeza de que existo, pois se não existisse, não poderia me enganar.  Iluminação Divina: Para Agostinho, o conhecimento humano é possível graças à Iluminação Divina. Todos buscam a felicidade e o Bem. E o Bem e a felicidade somente se encontra em Deus, o Bem Supremo, e nós temos esse conhecimento em nosso íntimo, de forma confusa. Desse modo, Agostinho estabelece uma ordem de perfeição, uma graduação ou distinção dos seres para alcançar esse conhecimento que nos levaria a uma vida beata. O corpo é mortal e a alma é seu princípio de vida. Esta distinção vai dos seres inanimados e passa pelos vegetais, animais até o homem. Mas não termina aqui. Acima da razão (do homem) ainda há verdades que não dependem da subjetividade, pois suas leis são universais e necessárias: as matemáticas, a estética e a moral. Só acima destas está Deus, que as cria, ordena e possibilita o seu conhecimento, que deve, agora, ser buscado na interioridade do homem. Nessa ordem e por um processo de interiorização e busca, pode-se encontrar essas verdades porque Agostinho admite que Deus as ilumina, estando elas já anteriormente em nosso espírito. A doutrina da Iluminação divina caracteriza-se por uma luz que não é material e que se atinge quando do encontro com o conhecimento da verdade para que o homem possa ter uma vida feliz e beata. O lembrar-se disto, isto é, o recordar-se de um conhecimento prévio é o que o filósofo/teólogo denomina de rememoração de Deus (herança da teoria da reminiscência platônica).
  16. 16. Apostila de Filosofia – 2015 Prof. Antonio Marques Facebook: Antonio Marques Whatsapp: 9634.0288 E-mail: planedoenharmonio@gmail.com Blog: http://buscadacompreensao.blogspot.com.br/ 14 EXERCÍCIOS QUESTÃO 01 Quando o Império Romano iniciou sua derrocada, havia uma instituição religiosa pronta para assumir a direção do mundo. O Cristianismo se expande através da filosofia dos Padres da Igreja. No esforço de converter pagãos, combater heresias e justificar a fé, os Padres da Igreja daquele século desenvolveram a apologética, discurso racional religioso em defesa do Cristianismo. Essa realidade caracteriza a Primeira Fase da Filosofia (séculos IV aVIII) no período medieval, também conhecida como: A) Reforma B) Patrística C) Contra-Reforma D) Escolástica QUESTÃO 02 Agostinho de Hipona (354 - 430) foi um bispo, escritor, teólogo, filósofo e é um Padre latino e Doutor da Igreja Católica. Agostinho cria e tenta resolver problemas filosóficos pensando em si e nos seus dilemas e inquietudes morais e intelectuais. O que ele expôs como filosofia e teologia foram geralmente respostas para questionamentos seus. As suas investigações têm como centro as próprias características morais e intelectuais. Sobre a filosofia de Agostinho marque (V) para as alternativas verdadeiras e (F) para as falsas:
  17. 17. Apostila de Filosofia – 2015 Prof. Antonio Marques Facebook: Antonio Marques Whatsapp: 9634.0288 E-mail: planedoenharmonio@gmail.com Blog: http://buscadacompreensao.blogspot.com.br/ 15 ( .) Agostinho defendeu a superioridade do corpo, a matéria, sobre a alma humana; ( ) Para o filósofo o corpo teria sido criado por Deus para reinar sobre a alma para dirigí-lo à prática do bem; ( ) Agostinho afirma que a razão revela verdades que nem sempre a fé pode conhecer; ( .) A verdadeira liberdade para Agostinho está na harmonia das ações humanas com a vontade de Deus. Ser livre é servir a Deus, pois o prazer de pecar é a escravidão. A sequência CORRETA das afirmativas é: A) V – V – V – F B) V – V – F – V C) F – F – F – V D) F – F – V – V QUESTÃO 03 Que relação Agostinho estabelece entre corpo e espírito? A) A tese da supremacia do espírito sobre o corpo. B) A tese da supremacia do corpo sobre o espírito. C) A tese da supremacia humana. D) A tese da supremacia de Deus QUESTÃO 04 Para Agostinho, o conhecimento humano é: A) Impossível, a razão pode demonstrar qualquer coisa, sendo que afirmações opostas podem ser igualmente provadas. B) Fruto de uma recordação de experiência vividas pela alma antes da encarnação. C) Possível graças à Iluminação Divina.
  18. 18. Apostila de Filosofia – 2015 Prof. Antonio Marques Facebook: Antonio Marques Whatsapp: 9634.0288 E-mail: planedoenharmonio@gmail.com Blog: http://buscadacompreensao.blogspot.com.br/ 16 D) Possível apenas às pessoas mais inteligentes, escolhidas por Deus para serem salvas no Juízo Final. QUESTÃO 05 Assinale abaixo a alternativa INCORRETA com relação ao pensamento de Santo Agostinho de Hipona. A) Fé e a razão são conciliáveis e o erro ocorre apenas por um mal uso das capacidades humanas. B) A razão natural serve para refutar algumas verdades da fé, o que provoca um enfraquecimento do cristianismo. C) Algumas verdades da fé ultrapassam os limites de julgamento da razão natural, como por exemplo, o fato de Deus ser três pessoas em uma mesma substância. D) Não pode haver contradição entre as verdades reveladas por Deus e as verdades que o homem descobre a partir de suas capacidades naturais. QUESTÕES ABERTAS 1) Por que surgiram conflitos entre a fé e a razão? Explique. 2) O que foi a Patrística? 3) Quais foram os principais filósofos representantes da Patrística? 4) Quem foi Agostinho? 5) Agostinho baseou sua filosofia em qual filósofo antigo? Explique. 6) Defina: a) Maniqueísmo: b) Neoplatonismo: 7) Explique a ―supremacia da alma humana‖ elaborada por Agostinho. 8) O que é a vontade humana para Agostinho? 9) Explique a doutrina da iluminação divina de Santo Agostinho.
  19. 19. Apostila de Filosofia – 2015 Prof. Antonio Marques Facebook: Antonio Marques Whatsapp: 9634.0288 E-mail: planedoenharmonio@gmail.com Blog: http://buscadacompreensao.blogspot.com.br/ 17 ESCOLÁSTICA E SÃO TOMÁS DE AQUINO  Escolástica ou Escolasticismo (do latim scholasticus, e este por sua vez do grego σχολαστικός [que pertence à escola, instruído]).  Foi o método de pensamento crítico dominante no ensino nas universidades medievais europeias de cerca de 1100 a 1500. A escolástica surgiu da necessidade de responder às exigências da fé, ensinada pela Igreja, considerada então como a guardiã dos valores espirituais e morais de toda a Cristandade. Por assim dizer, responsável pela unidade de toda a Europa, que comungava da mesma fé.  Intensificou-se a tradução do grego e do árabe das obras de autores da Antiguidade, sobretudo, aquelas de Aristóteles, permitindo o surgimento de um corpo vivo de novas ideias e significações.  Não tanto uma filosofia ou uma teologia, como um método de aprendizagem, a escolástica nasceu nas escolas monásticas cristãs, de modo a conciliar a fé cristã com um sistema de pensamento racional, especialmente o da filosofia grega.  Colocava uma forte ênfase na dialética para ampliar o conhecimento por inferência e resolver contradições.  A obra-prima de Tomás de Aquino, Summa Theologica, é frequentemente vista como exemplo maior da escolástica.  Esse pensamento cristão deve o seu nome às artes ensinadas na altura pelos académicos (escolásticos) nas escolas medievais.  Essas artes podiam ser divididas em: Trivium (gramática, retórica e dialéctica); Quadrivium (aritmética, geometria, astronomia e música).  A filosofia, que até então possuía traços arcadamente clássicos e helenísticos, sofreu influências da cultura judaica e da cristã.  Alguns temas que antes não faziam parte do universo do pensamento grego, tais como Providência e Revelação Divina e Criação a partir do nada, passaram a fazer parte de temáticas filosóficas.  A escolástica é influenciada pelo neoplatonismo e pela filosofia de Aristóteles.  A questão-chave do pensamento escolástico é a harmonização da fé e da razão. O pensamento de Agostinho, mais conservador, defende uma subordinação maior da razão em relação à fé, por crer que esta venha restaurar a condição decaída da razão humana. Enquanto que a linha de Tomás de Aquino defende uma certa autonomia da razão na obtenção de respostas, por força da inovação do aristotelismo, apesar de em nenhum momento negar tal subordinação da razão à fé.
  20. 20. Apostila de Filosofia – 2015 Prof. Antonio Marques Facebook: Antonio Marques Whatsapp: 9634.0288 E-mail: planedoenharmonio@gmail.com Blog: http://buscadacompreensao.blogspot.com.br/ 18 Principais representantes do pensamento escolástico  Os maiores representantes do pensamento escolástico, que estão separados pelo tempo e pelo espaço são: Agostinho de Hipona, nascido no norte da África no fim do século IV, e Tomás de Aquino, nascido na Itália do século XIII.  Outros nomes da escolástica são: Anselmo de Cantuária, Alberto Magno,Robert Grosseteste, Roger Bacon, Boaventura de Bagnoreggio,Pedro Abelardo, Bernardo de Claraval,João Escoto Erígena, John Duns Scot, Jean Buridan, Nicole Oresme. Neoescolástica  O Papa Leão XIII, em sua encíclica Aeterni Patris (1879), afirmou que a doutrina tomista, desenvolvida por Tomás de Aquino, deve ser a base de toda a filosofia que é considerada cristã.  A neoescolástica tentou resgatar o valor da objetividade contra o relativismo, destacando o valor do realismo contra o idealismo e promover o valor do personalismo. EXERCÍCIOS QUESTÃO 01 Surgiram os pensadores cristãos que defenderam o conhecimento da filosofia grega, percebendo a possibilidade de utilizá-la como instrumento a serviço do cristianismo. A filosofia medieval pode ser dividida em quatro momentos. Qual opção abaixo é representada por São Tomás de Aquino? A) Padres Apostólicos. (séculos I e II) B) Padres Apologistas (séculos III e IV). C) Patrística (século IV – VIII). D) Escolástica (século IX – XVI). QUESTÃO 02
  21. 21. Apostila de Filosofia – 2015 Prof. Antonio Marques Facebook: Antonio Marques Whatsapp: 9634.0288 E-mail: planedoenharmonio@gmail.com Blog: http://buscadacompreensao.blogspot.com.br/ 19 (adaptada – UEM/2008) A Filosofia Medieval a partir do século IX é chamada Escolástica. Ensinada nas escolas ou nas universidades próximas das catedrais, a filosofia escolástica tinha por problema fundamental levar o homem a compreender a verdade revelada pelo exercício da razão, todavia apoiado na autoridade (Auctoritas), seja da Bíblia, seja de um padre da Igreja, seja de um sistema de filosofia pagã. Sobre a Escolástica podemos afirmar, EXCETO: A) O pensamento platônico, ou mais exatamente o neoplatonismo de Plotino, porque mais facilmente conciliável com as doutrinas cristãs, foi à única filosofia pagã aceita durante toda a escolástica. B) A fermentação intelectual e o interesse pelo racional na escolástica evidenciam-se pela criação de universidades por toda a Europa; o método de exposição das ideias filosóficas nessas escolas era a disputa: uma tese era colocada e passava-se a refutá-la ou a defendê-la com argumentos retirados de alguma autoridade. C) Um tema recorrente na filosofia escolástica foi à demonstração racional da existência de Deus. Santo Anselmo (1034-1109) formula a prova tradicionalmente chamada argumento ontológico, no qual deduz a existência de Deus da própria ideia de perfeição de Deus. D) O apogeu da escolástica acontece no século XIII com Santo Tomás de Aquino (1225-1274), que, retomando o pensamento de Aristóteles, fez a síntese mais fecunda da filosofia com o cristianismo na Filosofia Medieval. QUESTÃO 03 Após uma longa preparação e um desenvolvimento promissor, a escolástica chega ao seu ápice com Tomás de Aquino. Adquire plena consciência dos poderes da razão, e proporciona finalmente ao pensamento cristão uma filosofia. Assim, converge para Tomás de Aquino não apenas o pensamento escolástico, mas também o pensamento patrístico, que culminou com Agostinho, além do patrimônio de revelação judaico-cristã, bem mais importante. Tomás de Aquino (1225 - 1274) foi um padre dominicano, filósofo, teólogo, proclamado santo e cognominado Doctor Communis ou Doctor Angelicus pela Igreja Católica. Sobre a filosofia de Tomás de Aquino marque a alternativa CORRETA: A) A filosofia de Tomás de Aquino – o Tomismo – nasceu com objetivos claros: não contrariar a fé. A finalidade de sua filosofia era organizar um conjunto de argumentos para demonstrar e defender somente os argumentos da razão. B) Tomás de Aquino propõe quatro provas da existência de Deus: (1) o primeiro motor imóvel, (2) a causa eficiente, (3) ser necessário e ser contingente, (4) os graus de perfeição. C) Além de elementos do aristotelismo a filosofia de Tomás de Aquino tem novos elementos como o conceito de criação do mundo, a noção de um Deus único, a idéia de que o vir-a-ser (a passagem da potência ao ato) não é autodeterminado, mas procede de Deus. D) Tomás de Aquino reviveu em grande parte o pensamento platônico com finalidade de nele buscar os elementos racionais que explicassem os principais aspectos da fé cristã.
  22. 22. Apostila de Filosofia – 2015 Prof. Antonio Marques Facebook: Antonio Marques Whatsapp: 9634.0288 E-mail: planedoenharmonio@gmail.com Blog: http://buscadacompreensao.blogspot.com.br/ 20 QUESTÃO 04 Sobre o período medieval, no contexto da Escolástica, considere as afirmativas a seguir. I – Intensificou-se a tradução do grego e do árabe das obras de autores da Antiguidade, sobretudo, aquelas de Aristóteles, permitindo o surgimento de um corpo vivo de novas ideias e significações. II – Foi palco de intensos debates epistemológicos no seio das Universidades, nas quais surgiu a corrente de pensamento positiva, que concedeu demasiada fé no poder da ciência, substituindo a fé delegada a Deus. III – Foram fundadas as Universidades, que constituíram uma forma institucionalizada de produção e transmissão de saber, permanecendo até os dias atuais um dos grandes sustentáculos da cultura ocidental. Estão corretas apenas as afirmativas: A) I e II. B) I e III. C) II e III. D) I, II e III. QUESTÃO 05 Tomás de Aquino tenta provar a existência de Deus, entre outras formas, através da reflexão sobre o movimento. De acordo com ele: A) Todo ser pode mover-se a si mesmo. B) Somente Deus pode mover-se a si mesmo. C) Algumas criaturas podem mover-se a si mesmo e outros não. D) Todos os seres que se movem são movidos por outros seres distintos deles.
  23. 23. Apostila de Filosofia – 2015 Prof. Antonio Marques Facebook: Antonio Marques Whatsapp: 9634.0288 E-mail: planedoenharmonio@gmail.com Blog: http://buscadacompreensao.blogspot.com.br/ 21 NICOLAU MAQUIAVEL (1469 – 1527)  Maquiavel morava na República de Florença e era um intelectual e político. Foi segundo chanceler do governo e participou de missões diplomáticas na França, na Alemanha e na Itália nas quais conheceu reis, papas e nobres.  O governo do republicano Soderini (que durou 10 anos), para quem Maquiavel trabalhava, foi deposto e os Médicis voltaram à cena política. Contexto histórico: Monarquias Nacionais  Centralização do poder  Fortalecimento do Rei  Estado Moderno Monopólio de fazer e aplicar leis, Recolher impostos, Cunhar moeda, Ter um exército, Monopólio legítimo da força, Aparato administrativo para prestar serviços públicos. XIV - Portugal XV - França, Espanha e Inglaterra Alemanha e Itália continuam fragmentada. A Itália era dividida em principados e repúblicas (cada uma com sua própria milícia mercenária).  O Renascimento trouxe uma série de inovações no campo cultural. Uma delas foi desenvolvida por um autor italiano, Maquiavel, que procurava fundamentar uma filosofia política tendo em vista a dominação dos homens. Essa pretensão tinha como modelo as ciências naturais que estavam em plena descoberta (física, medicina, etc.), estabelecidas por Galileu e com o próprio ideal renascentista de domínio da natureza.  Natureza Humana: Maquiavel pretendia que essa forma de conhecimento fosse aplicada também à política enquanto ciência do domínio dos homens e que tinha como pressuposto uma natureza humana imutável. Para ele, se há uniformidade nas leis gerais das ciências naturais, também deveria haver para as ciências humanas. Isso foi necessário para manter a ordem dentro do Estado burguês então nascente, que precisava desenvolver suas atividades e prosperar. Maquiavel é um realismo político e um pessimista antropológico pois visa falar d‘ ―o que se faz e não se costuma dizer‖, de ―como o homem de fato age‖ (violência e corrupção) e para ele a natureza humana é capaz do mal e do erro.
  24. 24. Apostila de Filosofia – 2015 Prof. Antonio Marques Facebook: Antonio Marques Whatsapp: 9634.0288 E-mail: planedoenharmonio@gmail.com Blog: http://buscadacompreensao.blogspot.com.br/ 22 Maquiavel define o homem como um ser guiado por interesses, de modo que suas ações são imprevisíveis e inconstantes: ―Nasce daqui uma questão: se vale mais ser amado que temido ou temido que amado. Responde-se que ambas as coisas seriam de desejar; mas porque é difícil juntá-las, é muito mais seguro ser temido que amado, quando haja de faltar uma das duas. Porque dos homens se pode dizer, duma maneira geral, que são ingratos, volúveis, simuladores, covardes e ávidos de lucro, e enquanto lhes fazes bem são inteiramente teus, oferecem-te o sangue, os bens, a vida e os filhos, quando, como acima disse, o perigo está longe; mas quando ele chega, revoltam-se.‖ (MAQUIAVEL, N. O príncipe. Rio de Janeiro: Bertrand, 1991.)  Virtú e Fortuna: Maquiavel lança mão de dois conceitos chaves: virtú e fortuna (em italiano) Virtú: Virtude (grego): Força, valor, qualidade de lutador, guerreiro viril, age com energia Virtude (cristã): bom e justo, virtuoso. Fortuna: Sentido comum: acúmulo de bens e riqueza. Deusa Romana – Fortuna (abundância) move a roda da sorte. Agir bem, na ocasião oportuna/ propícia, precavido, ousado. Acaso, sorte e de circunstâncias. O Príncipe com Virtú é diferente Tirano: O Príncipe é forçado pela necessidade a usar da violência visando ao bem coletivo. O Tirano age por capricho ou interesse próprio.  Maquiavel é responsável por inaugurar o pensamento político moderno.  Realismo Político: Maquiavel procurou desenvolver uma política realista e pauta-se por aquilo que na opnião dele deve se fazer para manter-se no poder. Maquiavel propõem ter uma visão do homem e da política como elas eram e não como deveriam ser. A política deve ater-se ao real, deve preocupar-se com a eficiência da ação e não teorizar, como fazia Platão, sobre a forma ideal de governo. A política normativa (gregos e medievais) são normas que definem o ―bom regime‖ e as virtudes do ―bom governo‖. Desta forma Platão construiu uma utopia.  Ética e Política: uma nova ética: Maquiavel redefine as relações entre ética e política, não julga mais as ações políticas em função de uma hierarquia de valores dada de antemão, mas em função da necessidade dos resultados que as ações políticas devem alcançar. A ética deve ser entendida a partir da política. Para ele, as exigências da ação política implicam uma ética cujo caráter é diferente da ética praticada pelos indivíduos na vida privada. Maquiavel propõem uma nova ética, consequencialista e não principialista, como a cristã. O governante deve agir de acordo com critérios que independam da moral, da religião, da ética privada. O governante deve estar disposto a ser uma pessoa boa ou má conforme a necessidade. O príncipe virtuoso é aquele que governa com virtú, virilidade, firmeza. A manutenção da ordem social baseava-se na conveniência entre o poder tirânico e a moral do príncipe. ―O príncipe, portanto, não deve se incomodar com a reputação de cruel, se seu propósito é manter o povo unido e leal. De fato, com uns poucos exemplos duros poderá ser mais clemente do que outros que, por muita piedade, permitem aos distúrbios que levem ao assassínio e ao roubo (MAQUIAVEL, N. O Príncipe. São Paulo. Martin Claret, 2009).‖ A moral política é diferente da moral privada. A moral política busca o bem comum. Nova ética/moral (não um amoralismo): analisa as ações não mais em função de uma hierarquia de valores dada ―a priori‖, mas sim em vista das consequências dos resultados da ação política. O que é útil à comunidade, qual o bem da comunidade? É dever do príncipe: manter-se no poder a qualquer custo. Às vezes é legítimo o recurso ao mal:  Emprego da força coercitiva do estado  A guerra  A prática da espionagem  Método da violência.
  25. 25. Apostila de Filosofia – 2015 Prof. Antonio Marques Facebook: Antonio Marques Whatsapp: 9634.0288 E-mail: planedoenharmonio@gmail.com Blog: http://buscadacompreensao.blogspot.com.br/ 23  O Príncipe: Em 1513 Maquiavel escreveu ―O Príncipe‖, reflexão sobre a monarquia e a função do governante. Foi dedicado a Lourenço de Médici e foi influenciado pelo Condottiere César Bórgia. Gerou interpretações e controvérsias. À primeira vista parece defender o absolutismo e o mais completo imoralismo, por conta disto surgiu o mito do maquiavelismo, o termo maquiavélico assume a conotação de sem escrúpulos, traiçoeiro, astucioso, usa de mentira e má-fé, para quem ―os fins justifica os meios.‖ Para Maquiavel o poder deve ser conquistado e mantido de modo absoluto mas alcançada a estabilidade é possível e desejável a instalação de um governo republicano.  Maquiavelismo: ―O maquiavelismo é uma interpretação de O Príncipe de Maquiavel, em particular a interpretação segundo a qual a ação política, ou seja, a ação voltada para a conquista e conservação do Estado, é uma ação que não possui um fim próprio de utilidade e não deve ser julgada por meio de critérios diferentes dos de conveniência e oportunidade.‖. (BOBBIO, Norberto. Direito e Estado no pensamento de Emanuel Kant. Trad. de Alfredo Fait. 3.ed. Brasília: Editora da UNB, 1984. p. 14.)  Certamente, a brusca mudança de direção que encontramos nas reflexões de Maquiavel, em comparação com os humanistas anteriores, explica-se em larga medida pela nova realidade política que se criara em Florença e na Itália, mas também pressupõe uma grande crise de valores morais que começava a grassar. Ela não apenas constatava a divisão entre ―ser‖ e ―dever ser‖, mas também elevava essa divisão a princípio e a colocava como base da nova visão dos fatos políticos. (REALE, G.; ANTISERI, D. História da Filosofia. São Paulo: Paulinas, 1990. V. II, p. 127.)  Técnica: O problema para Maquiavel, entretanto, é saber a quem serve a ciência política e o que fazer para se manter no poder. Sua teoria é voltada para a ação eficaz e imediata, portanto uma técnica. Qual é o melhor exercício da arte política. ―Maquiavel não é um mero cientista; ele é um homem de participação, de paixões poderosas, um político prático, que pretende criar novas relações de força e que por isso mesmo não pode deixar de se ocupar com o ‗deve ser‘, que não deve ser entendido em sentido moralista. Assim, a questão não deve ser colocada nestes termos, é mais complexa: trata-se de considerar se o ‗dever ser‘ é um ato arbitrário necessário, é vontade concreta, ou veleidade, desejo, sonho. O político em ação é um criador, um suscitador; mas não cria do nada, nem se move no vazio túrbido dos seus desejos e sonhos. Baseia-se na realidade factual.‖ (GRAMSCI, A. Maquiavel. A política e o Estado Moderno. 5. ed. Trad. de Luiz Mário Gazzaneo. Rio de janeiro: Civilização Brasileira, 1984. p. 42-43.) Maquiavel não trata o ―deve ser‖ na perspectiva ontológica da filosofia clássica. O juízo moral se submete às condições concretas que se apresentam para a conquista e a conservação do poder do Estado pelo príncipe moderno. Obras: Teatro – comédia ―A Mandrágora‖ Poesia, Ensaios diversos, O Príncipe (1513) Comentários sobre a Primeira Década de Tito Lívio EXERCÍCIOS QUESTÃO 01 Leia com atenção o texto de Maquiavel e escolha a alternativa CORRETA:
  26. 26. Apostila de Filosofia – 2015 Prof. Antonio Marques Facebook: Antonio Marques Whatsapp: 9634.0288 E-mail: planedoenharmonio@gmail.com Blog: http://buscadacompreensao.blogspot.com.br/ 24 Como é meu intento escrever coisa útil para os que se interessarem, pareceu-me mais conveniente procurar a verdade pelo efeito das coisas, do que pelo que dela se possa imaginar e muita gente imaginou repúblicas e principados que nunca se viram nem jamais foram reconhecidos como verdadeiros. Vai tanta diferença entre o como se vive e o modo que se deveria viver, que quem se preocupar com o que se deveria fazer em vez do que se faz aprende antes a ruína própria, do que o modo de se preservar; em um homem que quiser fazer profissão de bondade é natural que se arruíne entre tantos que são maus. Assim é necessário a um príncipe, para se manter, que aprenda a poder ser mau e que se valha ou deixe de valer-se disso conforme a necessidade. (MAQUIAVEL, O Príncipe) A) Maquiavel tenta preservar a ética cristã. B) Maquiavel é um pensador socialista, pois vemos traços de não aceitação da desigualdade social em suas palavras. C) O governante deve estar disposto ser uma pessoa boa ou má conforme a necessidade. D) A política de Maquiavel é utópica e pauta-se por aquilo que é eticamente correto para o exercício do poder. QUESTÃO 02 (ENEM 2013 - adaptada) Nasce daqui uma questão: se vale mais ser amado que temido ou temido que amado. Responde-se que ambas as coisas seriam de desejar; mas porque é difícil juntá-las, é muito mais seguro ser temido que amado, quando haja de faltar uma das duas. Porque dos homens se pode dizer, duma maneira geral, que são ingratos, volúveis, simuladores, covardes e ávidos de lucro, e enquanto lhes fazes bem são inteiramente teus, oferecem-te o sangue, os bens, a vida e os filhos, quando, como acima disse, o perigo está longe; mas quando ele chega, revoltam-se. MAQUIAVEL, N. O príncipe. Rio de Janeiro: Bertrand, 1991.
  27. 27. Apostila de Filosofia – 2015 Prof. Antonio Marques Facebook: Antonio Marques Whatsapp: 9634.0288 E-mail: planedoenharmonio@gmail.com Blog: http://buscadacompreensao.blogspot.com.br/ 25 A partir da análise histórica do comportamento humano em suas relações sociais e políticas, Maquiavel define o homem como um ser. A) munido de virtude, com disposição nata a praticar o bem a si e aos outros. B) possuidor de fortuna, valendo-se de riquezas para alcançar êxito na política. C) guiado por interesses, de modo que suas ações são imprevisíveis e inconstantes. D) naturalmente racional, vivendo em um estado pré-social e portando seus direitos naturais. QUESTÃO 03 Para Maquiavel a ação política não deve ser julgada por meio de critérios diferentes dos de conveniência e oportunidade. De acordo com esta afirmação pode-se concluir que o governante deve agir de acordo com critérios: A) que dependem da ética, devendo ser orientado por princípios morais válidos universalmente. B) que dependem da religião, conduzidos por parâmetros ditados pela Igreja. C) que independem da moral e da religião, conduzidos por ações restritas ao meio político. D) que independem das pretensões dos governantes de realizar os interesses do Estado. QUESTÃO 04 ―O maquiavelismo é uma interpretação de O Príncipe de Maquiavel, em particular a interpretação segundo a qual a ação política, ou seja, a ação voltada para a conquista e conservação do Estado, é uma ação que não possui um fim próprio de utilidade e não deve ser julgada por meio de critérios diferentes dos de conveniência e oportunidade.‖. (BOBBIO, Norberto. Direito e Estado no pensamento de Emanuel Kant. Trad. de Alfredo Fait. 3.ed. Brasília: Editora da UNB, 1984. p. 14.)
  28. 28. Apostila de Filosofia – 2015 Prof. Antonio Marques Facebook: Antonio Marques Whatsapp: 9634.0288 E-mail: planedoenharmonio@gmail.com Blog: http://buscadacompreensao.blogspot.com.br/ 26 Com base no texto e nos conhecimentos sobre o tema, para Maquiavel o poder político é: A) Dependente da moral e da religião, devendo ser conduzido por critérios restritos a este âmbito. B) Independente da conveniência e oportunidade, pois estas dizem respeito à esfera privada da vida em sociedade. C) Independente da religião, devendo ser conduzido por parâmetros ditados pelos reformistas. D) Dependente da oportunidade, devendo ser orientado por princípios utilitários. QUESTÃO 05 Maquiavel inaugura o pensamento político moderno. Maquiavel tem uma visão do homem e da política como ele acredita que foram e estavam sendo até o momento e não como deveriam ser. Segundo ele, a política deve ater-se ao real, deve preocupar-se com a eficiência da ação e não teorizar, como fazia Platão, sobre a forma ideal de governo. Assim, podemos afirmar que, EXCETO: A) Para Maquiavel, o príncipe virtuoso é aquele que governa com justiça, estabelecendo, entre seus súditos, a igualdade social e uma participação político-democrática. B) Maquiavel redefine as relações entre ética e política, não julga mais as ações políticas em função de uma hierarquia de valores dada de antemão, mas em função da necessidade dos resultados que as ações políticas devem alcançar. C) Na concepção política de Maquiavel, não há uma exclusão entre ética e política, todavia a primeira deve ser entendida a partir da segunda. Para ele, as exigências da ação política implicam uma ética cujo caráter é diferente da ética praticada pelos indivíduos na vida privada. D) Para Maquiavel, a sociedade é dividida entre os grandes, isto é, os que possuem o poder político e econômico, e o povo oprimido. A sociedade é cindida por lutas sociais, não pode, portanto, ser vista como uma comunidade homogênea voltada para o bem comum. QUESTÕES ABERTAS QUESTÃO 01 e 02: Leia o trecho abaixo e responda as questões que se seguem: ―Era necessário que Ciro encontrasse os persas descontentes do império dos medas e os medas muito efeminados e amolecidos por uma longa paz. Teseu não teria podido revelar suas virtudes se não tivesse encontrado os atenienses dispersos. Tais oportunidades, portanto, tornaram felizes a esses homens; e forma as suas virtudes que lhes deram o conhecimento daquelas oportunidades. Graças a isso, a sua pátria se honrou e se tornou feliz.‖ (Nicolau Maquiavel. O príncipe. São Paulo: Abril Cultural, 1973. p. 30. Coleção Os Pensadores.) 01) Explique os fatos descritos usando os conceitos de virtù e fortuna. 02) Em que sentido de virtude para Maquiavel não se confunde com o conceito de moral?
  29. 29. Apostila de Filosofia – 2015 Prof. Antonio Marques Facebook: Antonio Marques Whatsapp: 9634.0288 E-mail: planedoenharmonio@gmail.com Blog: http://buscadacompreensao.blogspot.com.br/ 27 IDADE MODERNA (1453 – 1789) Do Renascimento, no século XV e XVI ao Iluminismo, no século XVIII. A Idade Moderna é um período específico da História do Ocidente. Destaca-se das demais por ter sido um período de transição por excelência. Tradicionalmente aceita-se o início estabelecido pelos historiadores franceses, em 29 de maio de 1453 quando ocorreu a tomada de Constantinopla pelos turcos otomanos, e o término com a Revolução Francesa, em 14 de julho de 1789. As transformações ocorridas a partir do Renascimento e o início da ciência moderna levaram a um grande questionamento sobre os critérios e métodos para aquisição do "conhecimento verdadeiro". Uma das funções da filosofia moderna passou a ser a de investigar em que medida o saber científico atinge o seu objetivo de gerar esse conhecimento. Ocorreu uma mudança de pergunta: De ―As coisas são?‖ Para ―Podemos eventualmente conhecer as coisas? O que é possível conhecer? Qual é o critério de certeza para saber se há adequação entre o pensamento e o objeto? O que é possível a nossa inteligência conhecer? Qual é o limite da nossa razão.‖ Contexto histórico e características gerais A partir do século XV, ocorreu uma série de transformações histórico-sociais na Europa que se refletiam na construção de uma nova mentalidade moderna. São eles:  a passagem do feudalismo para o capitalismo e a ascenção da burguesia;  A formação dos Estados nacionais;  A reforma protestante e a quebra da unidade religiosa européia;  o desenvolvimento da ciência natural, o interesse e a criação de novos métodos científicos;  invenção da prensa de tipos móveis pelo alemão Johannes Gutenberg, por volta de 1450, com base nas prensas de vinhos.  o posterior desenvolvimento industrial;  Modificou o modo de ser e viver das pessoas. As artes, as ciências e a filosofia mudaram ideias, concepções e valores.  O pensador moderno buscava conhecer a realidade e exercer controle sobre ela, ele queria descobrir as leis que regem os fenômenos naturais.  Houve, inicialmente na filosofia, duas vertentes sobre a questão do conhecimento: o racionalismo e o empirismo. No século XVIII surge na filosofia a corrente chamada de idealismo, que considera o conhecimento fundado em ambas: razão e experiência. Um dos grandes filósofos idealistas foi Immanuel Kant (1724 - 1804). QUESTÃO 01
  30. 30. Apostila de Filosofia – 2015 Prof. Antonio Marques Facebook: Antonio Marques Whatsapp: 9634.0288 E-mail: planedoenharmonio@gmail.com Blog: http://buscadacompreensao.blogspot.com.br/ 28 Sobre a diferença da idade média para a idade moderna, podemos afirmar, EXCETO: A) O Estado Moderno tem a posse do território, faz e aplica as leis, recolhe impostos e tem um exército, na idade média este papel era exercido pelo senhor feudal B) Na Idade Média os governados eram súditos e na Idade Moderna eles são cidadãos. C) Na Idade. Média o poder emana de Deus e na Idade Moderna o poder tem origem social, num pacto entre os indivíduos. D) Todas as características da idade média inexistem hoje na idade moderna. QUESTÃO 02 Sobre a Idade Moderna é correto afirmar, EXCETO: A) Entre os séculos XV e XVIII, um volume extraordinário de transformações estabeleceu uma nova percepção do espaço e do tempo, portanto do mundo, que ainda pulsa em nossos tempos. Encurtar distâncias, desvendar a natureza, lançar em mares nunca antes navegados foram apenas uma das poucas realizações que definem esse período histórico. B) Esta série de transformações nas sociedades européias modificaram o modo de ser e viver das pessoas. As artes, as ciências e a filosofia mudaram as ideias, as concepções e os valores também. C) Dentre as transformações ocorridas temos a passagem do capitalismo para o feudalismo, a formação dos Estados Nacionais e o movimento da Reforma. D) Com essas mudanças em vez de uma supervalorização da fé, do teocentrismo (Deus no centro do universo) houve uma tendência antropocêntrica (homem como centro do universo, ou seja, valorização da capacidade humana e seus atributos: a razão e a liberdade).
  31. 31. Apostila de Filosofia – 2015 Prof. Antonio Marques Facebook: Antonio Marques Whatsapp: 9634.0288 E-mail: planedoenharmonio@gmail.com Blog: http://buscadacompreensao.blogspot.com.br/ 29 O RENASCIMENTO (séculos XV e XVI)  É o movimento cultural que marcou as transformações sócio-culturais européias, esse movimento criaria a base e os valores da ciência do século XVII. As transformações estabeleceram uma nova percepção de mundo, que ainda pulsa em nossos tempos. Encurtar distâncias, desvendar a natureza, lançar em mares nunca antes navegados foram apenas uma das poucas realizações que definem esse período histórico. As percepções do tempo e do espaço, antes tão extensas e progressivas, ganharam uma sensação mais intensa e volátil.  Os valores do renascimento contrapunham à mentalidade medieval. Contudo não houve o abandono das questões medievais. O fundo religioso ainda persiste em muitas obras intelectuais e artísticas desse período.  O Renascimento inspirou-se no humanismo, movimento de estudiosos que defendiam o estudo da cultura greco-romana e o retorno de seus dois principais atributos: a razão e a liberdade. Em vez de uma supervalorização da fé, do teocentrismo (o homem como centro do universo), ou seja, uma revalorização da capacidade humana e seus atributos: a razão e a liberdade, o homem é capaz de conhecer, de refletir sobre o homem e sobre o mundo e também é capaz de colocar a fé em segundo plano).  O paradigma de racionalidade que então se delineia é o de uma razão que, liberta de crenças e superstições, funda-se na própria subjetividade e não mais na autoridade, seja do poder político absoluto, seja da religião.  Na modernidade se afirma uma característica importante do pensamento: o racionalismo, a confiança no poder da razão. E uma das expressão mais claras desse racionalismo é o interesse pelo método. QUESTÃO 01 Sobre o Renascimento (séculos XV e XVI). Assinale a alternativa Falsa. A) O Renascimento é o movimento cultural que marcou as transformações sócio-culturais européias, esse movimento criaria a base e os valores da ciência do século XVII.
  32. 32. Apostila de Filosofia – 2015 Prof. Antonio Marques Facebook: Antonio Marques Whatsapp: 9634.0288 E-mail: planedoenharmonio@gmail.com Blog: http://buscadacompreensao.blogspot.com.br/ 30 B) Esse movimento exaltava o homem e seus atributos: como a razão e a liberdade, assim como se contrapunha à mentalidade medieval. C) O pensador moderno buscava conhecer a realidade e exercer controle sobre ela, ele queria descobrir as leis que regem os fenômenos naturais. D) Tudo isso significou não apenas uma ênfase menor, mas o total abandono das questões religiosas. QUESTÃO 02 Sobre a idade e a ciência moderna e sobre o renascimento, marque a alternativa INCORRETA: A) O movimento renascentista está estreitamente ligado a uma série de transformações socioeconômicas iniciadas na Baixa Idade Média. B) Chamou-se "Renascimento" em virtude da redescoberta e revalorização das referências culturais da antiguidade clássica, que nortearam as mudanças deste período em direção a um ideal humanista e naturalista. C) A modernidade revaloriza o Homem que é capaz de conhecer e colocar a fé em segundo plano. D) A Ciência Moderna é harmonizada à Filosofia Antiga e a Fé.
  33. 33. Apostila de Filosofia – 2015 Prof. Antonio Marques Facebook: Antonio Marques Whatsapp: 9634.0288 E-mail: planedoenharmonio@gmail.com Blog: http://buscadacompreensao.blogspot.com.br/ 31 THOMAS HOBBES (1588 – 1679) O Estado como direito e força para domar o lobo do homem Teoria do Direito Divino dos Reis: O fortalecimento do Estado Moderno levou ao absolutismo real. O poder absoluto é sustentando teoricamente pela ―Teoria do Direito Divino dos Reis‖. Defendida por Jacques-Bénigne Boussuet, bispo e teólogo francês, e por Robert Filmer, da Inglaterra. Do Direito Divino ao Contrato Social: Com a secularização do pensamento político, os filósofos procuram um fundamento racional do poder soberano, para legitimá-lo sem recorrer à intervenção divina ou qualquer fundamentação religiosa. As teorias contratualistas:São teóricos do contrato social: Thomas Hobbes, John Locke e Jean- Jacqes Rousseau. Estado de Natureza: Esta hipótese é o ponto de partida do Contrato Social: No Estado de Natureza o homem é dono exclusivo de si e dos seus poderes. No estado de natureza os homens estão entregues a si próprios. É inseguro, instável, infeliz. Os interesses egoístas predominam entre os homens, a ponto de cada indivíduo representar um perigo eminente aos outros indivíduos, de modo que o homem se torna o lobo do próprio homem. Hobbes quer dizer falando de ―guerra de todos contra todos‖, é que, sempre onde existirem as condições que caracterizam o estado de natureza, este é um estado de guerra de todos os que nele se encontram. (BOBBIO, Norberto. Thomas Hobbes. Rio de Janeiro: Campus, 1991. p. 36.) ―(...) condição dos homens fora da sociedade civil (condição esta que podemos adequadamente chamar de estado de natureza) nada mais é do que uma simples guerra de todos contra todos na qual todos os homens têm igual direito a todas as coisas; e a seguir, que todos os homens, tão cedo chegam a compreender essa odiosa condição, desejam (...) libertar-se de tal miséria. Mas isso não se pode conseguir e não se que, mediante um pacto, eles abdiquem daquele direito que têm a todas as coisas‖. HOBBES, Thomas. Do cidadão. São Paulo: Martins Fontes, 1992. p. 18. Transição Estado de Natureza – Sociedade Civil: Passamos de um Estado de Natureza para um Estado Político mediante um Contrato Social. O ponto crucial é a legitimidade da ordem social e política, a base legal do Estado. O homem reconhece a necessidade de renunciar ao seu direito sobre todas as coisas em favor de um "contrato", (um pacto), pelo desejo de autopreservação, a Sociedade Civil. Soberania: Soberania é um conceito criado por Jean Bodin (1530-1596) e fundamental para justificar o poder centralizado das monarquias nacionais, apenas um poder central forte é capaz de manter a unidade do corpo da república. Para Hobbes a soberania é perpétua (por toda a vida) e absoluta, o detentor da soberania estará ―absolvido do poder das leis‖, cabe a ele o poder de ―dar e
  34. 34. Apostila de Filosofia – 2015 Prof. Antonio Marques Facebook: Antonio Marques Whatsapp: 9634.0288 E-mail: planedoenharmonio@gmail.com Blog: http://buscadacompreensao.blogspot.com.br/ 32 anular a lei.‖ Um estado soberano é o que tem a posse de um território no qual o comando sobre seus habitantes se faz pela centralização do poder e o uso da força é legítimo e de direito. O poder resultante do pacto político é ilimitado e absoluto e portanto, não pode ser destituído, podendo utilizar a força das armas para manter a soberania e o silêncio dos súditos. O Contrato social é um contrato de submissão (subectionis), tácito e perpétuo. O Estado político/civil é soberano – tem poderes absolutos, portanto concentrados. Os poderes concentrados são ilimitados e indivisíveis e garantem a soberania do governante. Não há tirania para Hobbes: Hobbes tenta convencer que Estado era sinônimo de governo. Para ele, o Estado perderia a soberania se o seu conceito for desagregado do de governante. Nesse contexto, cabe lembrar a frase do rei Luis XIV, contemporâneo de Hobbes, e um dos mais bem-sucedidos reis de toda a história: "L'État c'est moi" (O Estado sou eu). Não existe tirania para Hobbes, pois não há excesso de poder na visão dele. O título de "tirano" era um mero juízo de valor feito a respeito do governante, uma pura e simples questão de ódio ou amor. EXERCÍCIOS QUESTÃO 01 "Como não há poder político sem a vontade de Deus, todo governo, seja qual for sua origem, justo, injusto, pacífico ou violento, é legítimo; todo depositário da autoridade, seja qual for, é sagrado; revoltar-se contra ele é cometer sacrilégio." (Jacques Bossuet). A citação acima demonstra que: A) o governo, através de seu representante, deve atender aos anseios da comunidade. B) a escolha do governante deve obedecer à vontade de Deus. C) o povo é livre para escolher o chefe da nação. D) o poder do governante está baseado na Teoria do Direito Divino. QUESTÃO 02 (UFU 09/2002) Segundo Hobbes (1588-1679), podemos definir estado de natureza como sendo o lugar onde:
  35. 35. Apostila de Filosofia – 2015 Prof. Antonio Marques Facebook: Antonio Marques Whatsapp: 9634.0288 E-mail: planedoenharmonio@gmail.com Blog: http://buscadacompreensao.blogspot.com.br/ 33 A) todos são bons por natureza, mas a vida em sociedade os corrompe. B) os homens são bons, ―bons selvagens inocentes‖, vivendo em estado de felicidade original. C) todos são proprietários de suas vidas, de seus corpos, de seus trabalhos, portanto, todos são proprietários. D) reina o medo entre os indivíduos, que temem a morte violenta, que vivem isolados e em luta permanente, guerra de todos contra todos. QUESTÃO 03 A justificação de Hobbes para o poder absoluto é estritamente racional e friamente utilitária completamente livre de qualquer tipo de religiosidade e sentimentalismo, negando implicitamente a origem divina do poder. O que Hobbes admite é a existência do pacto social. Esta é a sua originalidade e novidade. Marque (V) para as alternativas verdadeiras e (F) para as alternativas falsas: ( ) Para Hobbes embora o homem viva em sociedade o mesmo possui o instinto natural de sociabilidade; ( ) Onde não houver o domínio de um homem sobre outro, dirá Hobbes, existirá sempre uma competição intensa até que esse domínio seja alcançado; ( ) A conseqüência da disputa entre os homem em seu estado de natureza gera um estado de guerra e de matança permanente nas comunidades primitivas (guerra de todos contra todos); ( ) A única solução para dar fim à brutalidade social primitiva é a criação da sociedade política, através do contrato social administrado pela Igreja. A seqüência correta das alternativas é: A) F, V, V, F B) F, F, V, F C) F, F, F, F D) V, V, V, V
  36. 36. Apostila de Filosofia – 2015 Prof. Antonio Marques Facebook: Antonio Marques Whatsapp: 9634.0288 E-mail: planedoenharmonio@gmail.com Blog: http://buscadacompreensao.blogspot.com.br/ 34 JOHN LOCKE (1632 – 1704) John Locke foi um filósofo político inglês. É considerado, na História da Filosofia, como o fundador do liberalismo político. Segundo este filósofo inglês, o Estado surge através de um contrato entre os indivíduos e deve ter como função básica. Direito Natural: Como teórico do direito natural Locke parte da definição do direito natural como direito à vida, à liberdade e aos bens necessários para a conservação de ambas (propriedade privada). Estado de Natureza: No estado de natureza o homem é juiz de sua própria causa, e é um estado relativamente pacífico. Contrato social: A única finalidade para o homem renunciar a viver no Estado de natureza em prol de um Estado Civil/político é a preservação da sua propriedade. Com a burguesia em expansão, a função do estado é garantir e defender a propriedade privada contra a nobreza e os pobres. Liberalismo e Estado: A teoria liberal, primeiro com Locke, depois com os realizadores da Independência norte-americana e da Revolução Francesa, e finalmente, no século XX, com pensadores como Max Weber, dirá que a função do Estado é tríplice: 1. Por meio das leis e do uso legal da violência (exército e polícia), garantir o direito natural de propriedade, sem interferir na vida econômica donde vem a ideia de liberalismo, isto é, o Estado deve respeitar a liberdade econômica dos proprietários privados, deixando que façam as regras e as normas das atividades econômicas; 2. O Estado tem a função de arbitrar, por meio das leis e da força, os conflitos da sociedade civil; 3. O Estado tem o direito de legislar, permitir e proibir tudo quanto pertença à esfera da vida pública, mas não tem o direito de intervir sobre a consciência dos governados. O Estado deve garantir a liberdade de consciência, isto é, a liberdade de pensamento de todos os governados e só poderá exercer censura nos casos em que se emitam opiniões sediciosas (revoltosa, insurgente) que ponham em risco o próprio Estado. EXERCÍCIOS: QUESTÃO 01 Leia com atenção o texto de Locke abaixo.
  37. 37. Apostila de Filosofia – 2015 Prof. Antonio Marques Facebook: Antonio Marques Whatsapp: 9634.0288 E-mail: planedoenharmonio@gmail.com Blog: http://buscadacompreensao.blogspot.com.br/ 35 ―Para bem compreender o poder político e derivá-lo de sua origem, devemos considerar em que estado todos os homens se acham naturalmente, sendo este um estado de perfeita liberdade para ordenar-lhe as ações e regular-lhes as posses e as pessoas conforme acharam conveniente, dentro dos limites da lei da natureza, sem permissão ou depender da vontade de qualquer outro homem.‖ LOCKE, J. Segundo tratado sobre o governo. São Paulo: Abril Cultural, 1978, p. 35. Assinale a alternativa correta, de acordo com o pensamento de Locke. A) A condição natural do homem é estar sob a dependência da vontade de outro homem. B) Locke separa a origem do Estado da condição natural do homem. C) Locke concilia a liberdade dos homens com os limites da lei de natureza, que não dependem da vontade dos homens. D) A origem do poder político está desvinculada do que é conveniente aos homens. QUESTÃO 02 Assinale a alternativa INCORRETA. Segundo John Locke (1632-1704), são proprietários: A) todos que são proprietários de suas vidas, de seus corpos, de seus trabalhos, isto é, todos são proprietários. B) todos os operários, pois fazem parte da sociedade civil, portanto, podem governar como qualquer cidadão, pois é sua prerrogativa. C) todos os homens, já que a primeira coisa que o homem possui é o seu próprio corpo; assim, todo homem é proprietário de si mesmo e de suas capacidades. D) somente aqueles que podem governar, isto é, os homens de fortuna, pois somente esses podem ter plena cidadania. QUESTÃO 03 John Locke justificou a existência do Estado com estas palavras:
  38. 38. Apostila de Filosofia – 2015 Prof. Antonio Marques Facebook: Antonio Marques Whatsapp: 9634.0288 E-mail: planedoenharmonio@gmail.com Blog: http://buscadacompreensao.blogspot.com.br/ 36O motivo que leva os homens a entrarem em sociedade é a preservação da propriedade; e o objetivo para o qual escolhem e autorizam um poder legislativo é tornar possível a existência de leis e regras estabelecidas como guarda e proteção às propriedades de todos os membros da sociedade, a fim de limitar o poder e moderar o domínio de cada parte e de cada membro a comunidade; pois não se poderá nunca supor seja vontade da sociedade que o legislativo possua o poder de destruir o que todos intentam assegurar-se, entrando em sociedade e para o que o povo se submeteu a legisladores por ele mesmo criado. LOCKE, J. Segundo tratado sobre o governo. Trad. de E. Jacy Monteiro. 3 ed. São Paulo: Abril Cultural, 1983, p. 121. Coleção Os Pensadores). Analise as assertivas em conformidade com a citação acima. I . A propriedade privada é contratual, isto é, ela é subseqüente ao nascimento do Estado, que institui o direito à propriedade, distribuindo a cada um aquilo que era propriedade comunal no estado de natureza. II . A propriedade privada surge com o aparecimento da sociedade civil, a geradora do Estado, que é a instituição suprema que tem, inclusive, a prerrogativa de suprimir a propriedade em benefício da segurança do Estado. III . A propriedade privada é parte do estado de natureza, pois o homem possui a propriedade de si mesmo e, com isso, tem o direito de tornar como sua propriedade aquilo que está vinculado com seu trabalho. IV . A propriedade privada é anterior à sociedade civil, portanto, a propriedade antecedeu ao Estado, cuja existência resultou do contrato social e teve a finalidade de preservar e proteger a propriedade privada de cada um. Assinale a alternativa que tem as assertivas corretas. A) III e IV B) I e II C) II e III D) II e IV
  39. 39. Apostila de Filosofia – 2015 Prof. Antonio Marques Facebook: Antonio Marques Whatsapp: 9634.0288 E-mail: planedoenharmonio@gmail.com Blog: http://buscadacompreensao.blogspot.com.br/ 37 JEAN JACQUES ROUSSEAU (1712 – 1778) Jean-Jacques Rousseau (Genebra, 28 de Junho de 1712 — Ermenonville, 2 de Julho de 1778) foi um importante filósofo, teórico político, escritor e compositor autodidata suíço. É considerado um dos principais filósofos do iluminismo e um precursor do romantismo. Biografia: Jean-Jacques Rousseau não conheceu a mãe, pois ela morreu de infeção puerperal nove dias depois do parto, acontecimento que seria por ele descrito como "a primeira das minhas desventuras". Foi criado pelo pai, Isaac Rousseau, um relojoeiro calvinista, cujo avô fora um huguenote fugido da França. Aos 10 anos teve de afastar-se do pai, mas continuaram mantendo contato. Na adolescência, foi estudar numa rígida escola religiosa sendo aluno do pastor Lambercier. Gostava de passear pelos campos. Acaba tendo como amante uma rica senhora e, sob seus cuidados, esenvolvendo o interesse pela música e filosofia. Longe de sua protetora, que agora estava em uma situação financeira ruim e com outra amante, ele parte para Paris. Havia inovado muitas coisas no campo da música, o que lhe rendeu um convite de Diderot para que escrevesse sobre isso na famosa Enciclopédia. Além disso, obteve sucesso com uma de suas óperas, intitulada O Adivinho da Vila. Aos 37 anos, participando de um concurso da academia de Dijon cujo tema era: "O restabelecimento das ciências e das artes terá favorecido o aprimoramento dos costumes?", torna-se famoso ao escrever respondendo de forma negativa o Discurso Sobre as Ciências e as Artes, ganhando o prêmio em 1750. Após isso, Rousseau, então famoso na elite parisiense, é convidado para participar de discussões e jantares para expôr suas ideias. Ao contrário de seu grande rival Voltaire, que também não era nobre, aquele ambiente não o agradava. Rousseau teve cinco filhos com sua amante de Paris, porém, acaba por colocá-los todos em um orfanato. Uma ironia, já que anos depois escreve o livro Emílio, ou Da Educação que ensina sobre como deve-se educaras crianças. O que escreve como peça mestra do Emílio, a "Profissão de Fé do Vigário Saboiano", acarretar-lhe-á perseguições e retaliações tanto em Paris como em Genebra. Chega a ter obras queimadas. Rousseau rejeita a religião revelada e é fortemente censurado. Era adepto de uma religião natural, em que o ser humano poderia encontrar Deus em seu próprio coração. Entretanto, seu romance A Nova Heloísa mostra-o como defensor da moral e da justiça divina. Apesar de tudo, o filósofo era um espiritualista e terá, por isso e entre outras coisas, como principal inimigo Voltaire, outro grande iluminista. Em sua obra Confissões, responde a muitas acusações de François-Marie Arouet (Voltaire). Para alguns, Jean-Jacques Rousseau revela-se um cristão rebelado, desconfiado das interpretações eclesiásticas sobre os Evangelhos. Politicamente, expõe suas ideias no Do contrato social, publicado em 1762. Procura um Estado social legítimo, próximo da vontade geral e distante da corrupção.
  40. 40. Apostila de Filosofia – 2015 Prof. Antonio Marques Facebook: Antonio Marques Whatsapp: 9634.0288 E-mail: planedoenharmonio@gmail.com Blog: http://buscadacompreensao.blogspot.com.br/ 38 A soberania do poder, para ele, deve estar nas mãos do povo, através de um corpo político dos cidadãos. Ainda no ano de 1762, Rousseau começou a ser perseguido na França, pois suas obras foram consideradas uma afronta aos costumes morais e religiosos. Refugiou-se na cidade suíça de Neuchâtel. Em 1765, foi morar na Inglaterra a convite do filósofo David Hume. De volta à França, no ano de 1767, casou-se comThérèse Levasseur. Depois de toda uma produção intelectual, suas fugas às perseguições e uma vida de aventuras e de errância, Rousseau passa a levar uma vida retirada e solitária. Por opção, ele foge das pessoas e vive em certa misantropia. Nesta época, dedica-se à natureza, que sempre foi uma de suas paixões. Seu grande interesse por botânica o leva a recolher espécie e montar um herbário. Seus relatos desta época estão no livro "Devaneios de Caminhante Solitário". Falece aos 66 anos, em 2 de julho de 1778, no castelo de Ermenonville, onde estava hospedado. Citações "O homem nasce livre, e em toda parte é posto a ferros . Quem se julga o senhor dos outros não deixa de ser tão escravo quanto eles." "O verdadeiro fundador da sociedade civil foi o primeiro que, tendo cercado um terreno, lembrou-se de dizer 'isto é meu' e encontrou pessoas suficientemente simples para acreditá-lo. Quantos crimes, guerras, assassínios, misérias e horrores não pouparia ao gênero humano aquele que, arrancando as estacas ou enchendo o fosso, tivesse gritado a seus semelhantes: 'Defendei-vos de ouvir esse impostor; estareis perdidos se esquecerdes de que os frutos são de todos e de que a terra a ninguém pertence.'" "O homem é bom por natureza. É a sociedade que o corrompe." "Maquiavel fingindo dar lições aos Príncipes, deu grandes lições ao povo". "A paciência é amarga, mas seus frutos são doces." Alguns princípios da filosofia rousseauniana: Estado de natureza: O estado de natureza, tal como concebido por Rousseau, está descrito principalmente em seu livro Discurso sobre a Origem e os Fundamentos da Desigualdade entre os Homens. A definição da natureza humana é um equilíbrio perfeito entre o que se quer e o que se tem. O homem natural é um ser de sensações, somente. O homem no estado de natureza deseja somente aquilo que o rodeia, porque ele não pensa e, portanto, é desprovido da imaginação necessária para desenvolver um desejo que ele não percebe. Estas são as únicas coisas que ele poderia "representar". Então, os desejos do homem no estado de natureza são os desejos de seu corpo. "Seus desejos não passam de suas necessidades físicas, os únicos bens que ele conhece no universo são a alimentação, uma fêmea e o repouso".Até então, Rousseau toma posição contra a teoria do estado de natureza hobbesiano. O homem natural de Rousseau não é um "lobo" para seus companheiros. Mas ele não está inclinado a se juntar a eles em uma relação duradoura e a formar uma sociedade com eles. Ele não sente o desejo. Seus desejos são satisfeitos pela natureza, e a sua inteligência, reduzida apenas às sensações, não pode sequer ter uma ideia do que seria tal associação. O homem tem o instinto natural, e seu instinto é suficiente. Esse instinto é individualista, ele não induz a qualquer vida social. Para viver em sociedade, é preciso a razão ao homem natural. A razão, para Rousseau, é o instrumento que enquadra o homem, nu, ao ambiente social, vestido. Assim como o instinto é o instrumento de adaptação humana à natureza, a razão é o instrumento de adaptação humana a um meio social e jurídico.
  41. 41. Apostila de Filosofia – 2015 Prof. Antonio Marques Facebook: Antonio Marques Whatsapp: 9634.0288 E-mail: planedoenharmonio@gmail.com Blog: http://buscadacompreensao.blogspot.com.br/ 39 É justamente a falta de razão que possibilita o homem a viver naturalmente: a razão, ou a imaginação que o permite considerar outro homem como seu alter-ego (ou seja, como um ser humano também), a linguagem e a sociedade, tudo isso constitui a cultura, e não são faculdades do estado de natureza. Mesmo assim, o homem natural já possui todas essas características; ele é anti- social, mas é associável: "não é hostil à sociedade, mas não é inclinável a ela. Foram os germes que se desenvolveram, e podem se tornar as virtudes sociais, tendências sociais, mas eles são apenas potenciais."(Segundo Discurso, Parte I). O homem é sociável, antes mesmo de socializar. Possui um potencial de sociabilidade que somente o contato com algumas forças hostis podem expor. Teoria da Vontade Geral: Segundo Rousseau a "Vontade Geral" não é consenso, nem vontade da maioria e muito menos a soma das vontades individuais. Como a sociedade não tem objetivo estabelecido, é auto determinante, a vontade geral não seria constrangida por nada, tendo o "Todo" (sociedade) se submetendo a ela, recebendo cada um parte individual do "Todo". Uma forma de exemplificar tal teoria seria compará-la com Locke, pois a vontade geral entra em contradição com Locke, que diz que o homem não deve se submeter a nada, que ele é livre, mas Rousseau enfatiza que todos devem estar sob a vontade geral. Para atingir a vontade geral é necessário que a sociedade reduza a desigualdade social, pois assim as opiniões, conceitos e principalmente vontades seriam mais próximos e estreitos. Como também maior educação na sociedade. Caso haja o descumprimento da vontade geral ou recusa a aceita-lá, o indivíduo será constrangido pelo corpo, ou seja, pelos demais da sociedade, sendo esse indivíduo forçado a ser livre e independente, sem vínculo com os outros. De acordo com Rousseau o Contrato Social tem por fim a vontade geral. O Contrato Social: A obra ―Do Contrato Social‖, publicada em 1762, propõe que todos os homens façam um novo contrato social onde se defenda a liberdade do homem baseado na experiência política das antigas civilizações onde predomina o consenso, garantindo os direitos de todos os cidadãos, e se desdobra em quatro livros. No primeiro livro ―Onde se indaga como passa o homem do estado natural ao civil e quais são as condições essenciais desse pacto‖, composto de nove capítulos. Primeiramente se aborda a liberdade natural, nata, do ser humano, como ele a havia perdido, e como ele haveria de a recuperar. Dessa forma, já no quarto capítulo, Rousseau condena a escravidão, como algo paradoxal ao direito. A conclusão é que, se recuperando a liberdade, o povo é quem escolhe seus representantes e a melhor forma de governo se faz por meio de uma convenção. Essa convenção é formada pelos homens como uma forma de defesa contra aqueles que fazem o mal. É a ocorrência do pacto social. Feito o pacto, pode-se discutir o papel do ―soberano‖, e como este deveria agir para que a soberania verdadeira, que pertence ao povo, não seja prejudicada. No segundo livro Onde se trata da legislação, o autor aborda os aspectos jurídicos do Estado Civil, em doze capítulos. As principais ideias são desenvolvidas a partir de um princípio central, a soberania do povo, que é indivisível. O povo, então, tem interesses, que são nomeados como “vontade geral”, que é o que mais beneficia a sociedade. Evidentemente, o ―soberano‖ tem que agir de acordo com essa vontade, o que representa o limite do poder de tal governante: ele não pode ultrapassar a soberania do povo ou a vontade geral. Mais a frente no livro, a corrupção dos governantes quanto à vontade geral é criticada, garantindo-se o direito de tirar do poder tal governante corrupto. Assim, se esse é o limite, o povo é submisso à lei, porque em última análise, foi ele quem a criou; sendo a lei a condição essencial para a associação civil.A terceira análise rousseauniana, corresponde ao livro terceiro, se refere às possíveis formas de governo, que são a democracia, a aristocracia e a monarquia, e suas características e princípios. A principal conclusão desse livro é a partir do oitavo capítulo, em que tipo de Estado, que forma de governo funciona melhor – para Rousseau, a democracia é boa em cidades pequenas, a aristocracia em Estados médios e a monarquia em Estados grandes.
  42. 42. Apostila de Filosofia – 2015 Prof. Antonio Marques Facebook: Antonio Marques Whatsapp: 9634.0288 E-mail: planedoenharmonio@gmail.com Blog: http://buscadacompreensao.blogspot.com.br/ 40 Liberdade em Rousseau Liberdade natural: Para Rousseau, a liberdade natural caracteriza-se por ações tomadas pelo indivíduo com o objetivo de satisfazer seus instintos, isto é, com o objetivo de satisfazer suas necessidades. O homem neste estado de natureza desconsidera as consequências de suas ações para com os demais, ou seja, não tem a vontade e nem a obrigação de manter o vínculo das relações sociais.Vale ressaltar que, para Rousseau, o homem se completa com a natureza , portanto não é um estado a ser superado, como Locke e Hobbes acreditavam. A consciência no estado selvagem não estabelece distinção entre bem ou mal, uma vez que tal distinção é característica do indivíduo da sociedade civil. Para Rousseau, o que faz o indivíduo em estado de natureza parecer bom é, justamente, o fato de conseguir satisfazer suas necessidades sem estabelecer conflitos com outros indivíduos, sem escravizar e não sentindo vontade de impor a sua força a outros para sobreviver e ser feliz. Transição do estado de natureza para o estado civil: A transição do estado de natureza para a ordem civil transforma a liberdade do sujeito, ocorrendo durante um período de ―guerra de todos contra todos‖ que se iniciou com o estabelecimento da propriedade privada e da ausência de instituições políticas e de regras que impedissem a exploração entre as pessoas. Não havia cidadania neste período pré-social (esse período, existente antes do contrato social, se caracterizava por uma vida comum de disputas pela propriedade e pela riqueza). Para evitar as desigualdades, advindas da propriedade privada e do poder que devido a ela as pessoas (ricos proprietários) passam a exercer sobre outras pessoas (pequenos proprietários e despossuídos), é firmado o contrato social. Na transição para a vida em sociedade Rousseau é claro em escrever que: ―O que o homem perde pelo contrato social é a liberdade natural e um direito ilimitado a tudo quanto aventura e pode alcançar. O que com ele ganha é a liberdade civil e a propriedade de tudo o que possui.‖ (ROUSSEAU, 1978, p. 36) Liberdade civil: Na resolução do estágio de conflito generalizado é estabelecido o contrato social. Tal contrato é para Rousseau o que forma um povo enquanto tal, sendo precedente à formação do Estado e do governo. Esses são decorrentes da organização e do acordo vigentes na constituição do povo. Aqui Rousseau estabelece um princípio de organização das instituições políticas, no qual a organização de um povo em relação à propriedade, aos direitos e aos deveres de cada indivíduo são estipulados na lei, a partir do contrato social que orienta a constituição do Estado e da legislação. Um dos aspectos normativos do projeto rousseauniano é o de querer demonstrar a lógica dos princípios políticos do Estado e, simultaneamente, medidas utilitárias para a ação política dos indivíduos e do Estado, por exemplo, estipular que a igualdade se dê juridicamente mesmo reconhecendo que o princípio da desigualdade decorrente da propriedade privada ainda se mantém na ordem civil. Assim estipula uma reformulação nas instituições políticas que não dá conta do problema econômico-político, delineado pelo próprio Rousseau, da desigualdade de recursos e de propriedades. Referindo-se a lei, Rousseau não considera as leis vigentes satisfatórias (leis instituídas na monarquia, na aristocracia). Sua intenção é estabelecer um padrão das leis (que seria uma forma de superar as oposições entre indivíduo e Estado), baseado na igualdade, sendo esse critério indispensável para o contrato social. Portanto, a justiça estabelecida na lei deve ter reciprocidade entre os indivíduos, cada um tendo seus direitos e deveres, tanto o soberano quanto os súditos. Por isso, as leis devem representar toda a sociedade, sendo consideradas como vontade geral (não no sentido de uma união das vontades individuais e sim da vontade do corpo político ). As leis estabelecidas no contrato social asseguram a liberdade civil através dos direitos e deveres de cada cidadão no corpo político da sociedade. Mas para isso, cada cidadão deve ―doar-se‖ completamente, submetendo-se ao padrão coletivo. Vale ressaltar que o fator limitante da liberdade civil é a vontade geral, uma vez que ela visa à igualdade (o que torna os indivíduos realmente livres), pois a liberdade no estado civil não se dá apenas pelos interesses particulares, mas também pelos interesses do corpo político. Assim, o contrato social não apenas iguala todos os cidadãos, como também fortalece a liberdade de cada indivíduo, a partir de seus interesses particulares. Uma vez

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