Apostila de Filosofia - Primeiro ano regular e EJA do Ensino Médio

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Apostila para o Curso de Filosofia ministrado para o Segundo ano regular e EJA do Ensino Médio

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Apostila de Filosofia - Primeiro ano regular e EJA do Ensino Médio

  1. 1. Apostila de Filosofia – 2015 Prof. Antonio Marques Facebook: Antonio Marques Whatsapp: 9634.0288 E-mail: planedoenharmonio@gmail.com Blog: http://buscadacompreensao.blogspot.com.br/ 1 Curso de Filosofia Primeiro Ano Ensino Médio Apostila para o Curso de Filosofia ministrado para o primeiro ano regular e EJA do Ensino Médio Professor Antonio Marques
  2. 2. Apostila de Filosofia – 2015 Prof. Antonio Marques Facebook: Antonio Marques Whatsapp: 9634.0288 E-mail: planedoenharmonio@gmail.com Blog: http://buscadacompreensao.blogspot.com.br/ 2 SUMÁRIO UMA CONVERSA INICIAL  RESPEITO, SILÊNCIO E COOPERAÇÃO  Não nos distraiam  Pergunte sempre que preciso: OBJETIVOS DA MINHA PRÁTICA PEDAGÓGICA  COMPETÊNCIAS E HABILIDADES  METODOLOGIA / ESTRAGÉGIA DE AÇÃO  AVALIAÇÃO POR QUE FILOSOFIA? UM MODELO POSSÍVEL: GRÁFICO DA HISTÓRIA DA FILOSOFIA PROGRAMAÇÃO SIMPLIFICADA PROGRAMAÇÃO TEMÁTICA ATIVIDADE EXTRA 1: Contrato tácito entre as pessoas que se conformam ATIVIDADE EXTRA 2: O Direito de Sonhar - Eduardo Galeano ATIVIDADE EXTRA 3: O Último Discurso - Charles Chaplin ATIVIDADE EXTRA 4: REDAÇÃO: Assista ao filme Waking Life (2001), EUA, de Richard Linklater. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS SUGESTÕES DE VÍDEOS, FILMES, DOCUMENTÁRIOS, MÚSICAS CALENDÁRIO DE LUTAS BIBLIOGRAFIA SUGERIDA FILMOGRAFIA SUGERIDA
  3. 3. Apostila de Filosofia – 2015 Prof. Antonio Marques Facebook: Antonio Marques Whatsapp: 9634.0288 E-mail: planedoenharmonio@gmail.com Blog: http://buscadacompreensao.blogspot.com.br/ 3 UMA CONVERSA INICIAL: Meu trabalho no estado de Minas Gerais é ser professor de filosofia. Recebo meu salário, pago por todos os contribuintes, com a condição de que eu ensine esta disciplina. Uma das maneiras de ensiná-la é apresentando algumas das dúvidas e reflexões que os filósofos ao longo da história da filosofia tiveram. Como são 2500 anos de história não é possível ver todos. Os critérios que utilizo para escolher um filósofo em detrimento de outro é a sua relevância e influência que pode ser percebida pelos livros didáticos, pelos programas de vestibulares e Enems e pelos parâmetros curriculares nacionais. A escolha de um filósofo não é pessoal. Não apresento para vocês apenas as ideias que eu concordo. Tento ser o máximo fiel às ideias de cada autor e cabe a cada um de nós, de modo independente, avaliá-las e aceitá- las ou não. Seria uma desonestidade da minha parte se eu apresentasse apenas os filósofos e/ou ideias que eu concordasse ou que os agradasse. A filosofia é muito mais um espaço para dúvidas do que para as certezas. Estas vocês devem procurar em outros espaços. O que mais há neste mundo são ―certezas‖. Também gostaria que compreendessem que apesar de haver liberdade de pensamento, de haver liberdade para cada um crer naquilo que quiser, as ideias não são todas iguais, muito menos são indiferentes ao nosso destino social, político, econômico, histórico, biológico,etc. Por exemplo: posso acreditar que tenho habilidade para voar, mas talvez ao pular do décimo andar de um prédio eu perceba que minha ideia não estava tão certa assim; posso acreditar que ao construir uma ponte, posso substituir o cimento por isopor, mas irei perceber que minhas crenças não terão a funcionalidade esperada; posso acreditar que aqueles que não creem no mesmo deus que eu, são infiéis e devem ser eliminados da face da terra, mas esta ideia teria uma consequência desagradável para muitas pessoas. Então, por favor, façam um pouquinho de esforço e tente compreender que as ideias, não são apenas ideias e que tudo que há de concreto no mundo e que é feito e construído pelos humanos possuem relações diretas com as ideias. RESPEITO, SILÊNCIO E COOPERAÇÃO Prezados alunos e alunas,  Deixe os únicos 50 minutos por semana para a Filosofia para falarmos de Filosofia. Tenham calma, dediquem um pouco, leiam um pouco mais e entenderão que a Filosofia tem algo de importante a nos dizer.  As minhas aulas são o trabalho que presto para a sociedade, para você, sua família e toda a sociedade. Preciso e quero realizar minhas aulas cada vez melhor. Peço que cooperem para fazermos um bom trabalho. Isto é o melhor para todos nós.  Em toda e qualquer relação é preciso respeito, na relação professor-alun@s, não é diferente. É preciso respeito em sala, de todo e qualquer alun@, assim como também preciso respeitar.  Ao desrespeitar o professor, você está desrespeitando a tod@s. Isto entristece, superficializa e dificulta o Ensino. Não nos distraiam: • Deixe o celular por um momento. Deixe para usar a tecnologia de comunicação a distância quando não houver demanda por comunicação presencial. É isto que ocorre em sala de aula durante uma aula, ocorre um processo comunicacional. Participe dele. Ouvindo,
  4. 4. Apostila de Filosofia – 2015 Prof. Antonio Marques Facebook: Antonio Marques Whatsapp: 9634.0288 E-mail: planedoenharmonio@gmail.com Blog: http://buscadacompreensao.blogspot.com.br/ 4 compreendendo, complementando, perguntando, opinando. • Não fique virando ou virado para trás. • Não saia da sala sem antes comunicar. Estas atitudes impedem que o ambiente seja o mais adequado para a realização do propósito, que é o processo-de-tentar- ensinar-filosofar-estudar-aprender... • Quem não quer cooperar e ainda assim quer ficar em sala de aula: dormindo ou estudando, não é adequado, mas desde que ―não‖ faça barulho, nem movimento, eu compreendo, mas ficar em sala, no coletivo e sabotar o coletivo, atrapalhar e dificultar a aula...Isto não! Conto com todos vocês! Pergunte sempre que preciso: • Pergunte, mas não fale em particular. A conversa em aula é coletiva. Tente isto! • Pergunte sempre que estiver com uma dúvida verdadeira. • Evite perguntas que fuja do assunto em pauta no momento. • Pergunte em sala, pergunte pessoalmente, pelo face (no grupo ou inbox), por e-mail e pelo whatsapp. Sugestão de Música: Fala – Secos e Molhados
  5. 5. Apostila de Filosofia – 2015 Prof. Antonio Marques Facebook: Antonio Marques Whatsapp: 9634.0288 E-mail: planedoenharmonio@gmail.com Blog: http://buscadacompreensao.blogspot.com.br/ 5 OBJETIVOS DA MINHA PRÁTICA PEDAGÓGICA:  Ministrar um curso da história do pensamento filosófico;  Preparar os estudantes para os exames: Enem, Vestibular e avaliações internas;  Pautar assuntos relevantes para os estudantes;  Estimular a reflexão filosófica, o questionamento das próprias ideias e valores e o contínuo exame e consideração dos dados disponíveis;  Estimular a reflexão em torno de todas as formas de discriminação – sexual, étnica, racial, por orientação sexual.  Fazer da sala de aula e da sociedade como um todo um espaço de troca de saberes e fazeres;  Ter no diálogo o instrumento de humanização ao comprometer-se com a libertação dos sujeitos da condição de ―seres para o outros‖ passando a condição de ―seres para si‖;  Desenvolvimento da autonomia individual como sujeitos de direitos. Os sujeitos de direito são indivíduos que se reconhecem nos demais seres humanos como iguais também como sujeitos que devem ter sua autonomia e diversidade respeitadas, valorizam a solidariedade e são pessoas que estão preparadas para estar em permanente vigilância em defesa da dignidade humana.  Construção de um espaço pedagógico democrático capaz de formar cidadãos e cidadãs ativas;  Preocupação com a consolidação da democracia resultante de projetos coletivos e lutas por justiça e paz.  Recuperar a alegria em ser-humano e a ―utopia possível‖.  Norteia a reflexão sobre a experiência tomando como pressuposto a ideia de totalidade e do materialismo histórico dialético, articulada a estudos sobre os modos de produção, antagonismos sociais e relações de poder.  Analisar as demandas pautadas pela ação dos movimentos sociais contemporâneos que, pelo processo civilizatório que desencadeiam, indagam a história em busca das causas estruturantes dos problemas hoje vivenciados.  Dar um sentido ético e político ao trabalho, à formação escolar e à atuação profissional.  Empregar o tempo da vida e o espaço da formação para capacitar atores sociais que ajudem a construir outra realidade possível. COMPETÊNCIAS E HABILIDADES:  Refletir criticamente os problemas do mundo contemporâneo;  Desenvolver a compreensão de si mesmo como um bem social, histórico e em processo de autoprodução;  Ler de maneira filosófica, textos de diferentes estruturas e registros;  Elaborar textos reflexivos;  Debater, assumindo uma posição, defendendo-a através de argumentos significativos e mudando de posição diante de argumentos mais consistentes;  Articular conhecimentos filosóficos e diferentes conhecimentos presentes nas ciências naturais e humanas, nas artes e em outras produções culturais;  Contextualizar conhecimentos filosóficos, nos planos de sua origem específica, sócio-política, histórica, cultural e científico tecnológico;  Diferenciar a filosofia de outros tipos de conhecimento, apontando para sua utilidade, compreender que o seu surgimento se dá a partir do pensamento crítico;  Dialogar sobre os filósofos, buscando perceber seus questionamentos, bem como suas características essenciais;
  6. 6. Apostila de Filosofia – 2015 Prof. Antonio Marques Facebook: Antonio Marques Whatsapp: 9634.0288 E-mail: planedoenharmonio@gmail.com Blog: http://buscadacompreensao.blogspot.com.br/ 6 METODOLOGIA / ESTRAGÉGIA DE AÇÃO  Exposição oral e sistemática das ideias dos filósofos;  Leitura e análise de textos em sala;  Elaboração de estudos dirigidos e pesquisas extra-sala;  Fazer uso de vídeos e músicas,  Preocupação com a coerência entre discurso e prática;  Metodologia de investigação participativa em que a pergunta é utilizada como meio de descoberta conjunta;  O Processo educativo não é para os/as estudantes, mas com as/os estudantes;  Apresentar o contexto sócio-histórico de constituição, formação e desenvolvimento das ideias filosóficas;  Apresentar visão globalizante dos problemas, pela perspectiva multidisciplinar;  Facilitar a aprendizagem, inter- relacionando conteúdos;  Deixar claro os objetivos da aula;  Estruturar o tempo conforme a relevância e complexidade do assunto;  Abordar os principais elementos da temática em questão;  Consolidar ideias principais;  Utilizar exemplos relevantes;  Facilitar a síntese do conteúdo;  Reflexão associada à prática. A reflexão deve se dar por uma participação democrática dos sujeitos refletindo a legítima organização social para a liberdade;  Enfoque pedagógico problematizador e crítico;  Apresentação de seminários;  Participação em projetos e eventos extra-classe; AVALIAÇÃO: A avaliação será contínua e permanente e para todas as aulas será atribuído nota. O processo avaliativo retroalimentará o processo de ensino- aprendizado, servindo como um diagnóstico, que possibilite a correção das falhas e como parâmetro para prognósticos que vise prever novas.
  7. 7. Apostila de Filosofia – 2015 Prof. Antonio Marques Facebook: Antonio Marques Whatsapp: 9634.0288 E-mail: planedoenharmonio@gmail.com Blog: http://buscadacompreensao.blogspot.com.br/ 7 POR QUE FILOSOFIA? ―Se abandonar a ingenuidade e os preconceitos do senso comum for útil; se não se deixar guiar pela submissão às ideias dominantes e aos poderes estabelecidos for útil; se buscar compreender a significação do mundo, da cultura, da história for útil; se conhecer o sentido das criações humanas nas artes, nas ciências e na política for útil; se dar a cada um de nós e à nossa sociedade os meios para serem conscientes de si e de suas ações numa prática que deseja a liberdade a felicidade para todos for útil, então podemos dizer que a Filosofia é o mais útil de todos os saberes de que os seres humanos são capazes.‖ Marilena Chauí ―Do que você precisa, acima de tudo, é de não se lembrar do que eu lhe disse; nunca pense por mim, pense sempre por você; fique certo de que mais valem todos os erros se forem cometidos segundo o que pensou e decidiu do que todos os acertos, se eles foram meus, não seus. Se o criador o tivesse querido juntar muito a mim não teríamos talvez dois corpos distintos ou duas cabeças também distintas. Os meus conselhos devem servir para que você se lhes oponha. É possível que depois da oposição venha a pensar o mesmo que eu; mas nessa altura já o pensamento lhe pertence. São meus discípulos, se alguns tenho, os que estão contra mim; porque esses guardaram no fundo da alma a força que verdadeiramente me anima e que mais desejaria transmitir-lhes: a de não se conformarem‖. Agostinho da Silva, Sete Cartas a um Jovem Filósofo, 1945 ―O que é um filósofo? É alguém que pratica a filosofia, que se serve da razão para tentar pensar o mundo e a sua própria vida, a fim de se aproximar da sabedoria ou da felicidade. E isso se aprende na escola? Tem de ser aprendido, já que ninguém nasce filósofo e já que a filosofia é, antes de mais nada, um trabalho. Tanto melhor, se ele começar na escola. O importante é começar, e não parar mais. Nunca é cedo demais nem tarde demais para filosofar, dizia Epicuro [...]. Digamos que só é tarde demais quando já não é possível pensar de modo algum.‖ COMTE-SPONVILLE, André. Dicionário Filosófico. São Paulo: Martins Fontes, 1991. p.79. "A tarefa da filosofia não é fornecer respostas ou soluções, mas sim submeter as próprias perguntas ao exame crítico; de nos fazer ver como a própria forma pela qual percebemos um problema é um o bstáculo para sua solução. Assim, pode-se dizer que a principal função do intelectual público hoje é fazer com que as pessoas façam as perguntas certas."— Slavoj Žižek
  8. 8. Apostila de Filosofia – 2015 Prof. Antonio Marques Facebook: Antonio Marques Whatsapp: 9634.0288 E-mail: planedoenharmonio@gmail.com Blog: http://buscadacompreensao.blogspot.com.br/ 8 UM MODELO POSSÍVEL: GRÁFICO DA HISTÓRIA DA FILOSOFIA
  9. 9. Apostila de Filosofia – 2015 Prof. Antonio Marques Facebook: Antonio Marques Whatsapp: 9634.0288 E-mail: planedoenharmonio@gmail.com Blog: http://buscadacompreensao.blogspot.com.br/ 9 PROGRAMAÇÃO: Segue abaixo, de modo simplificado os Filósofos que pretendo apresentar-ensinar-aprender em 2015. A proposta está aberta para sugestões. Tem algum outro filósofo ou filósofa, deste período, que você gostaria que fosse incluído na lista? Com poucas exceções, os Filósofos estão organizados em ordem cronológica por ser a mais simples, facilitando as convergências de compreensão. A apresentação nesta ordem não impede de estabelecer o máximo de conexões, tanto com os pensadores do futuro, quanto do passado. PROGRAMAÇÃO SIMPLIFICADA - 2015 PERÍODO HISTÓRICO TEMA OU FILÓSOFO DATA Mito Filosofia PRÉ-SOCRÁTICOS Tales 640 – 548 a.C Anaximandro 610 – 547 a.C Anaxímenes 588 – 524 a.C Pitágoras 571 – 500 a.C Xenófanes 570 – 460 a.C Heráclito 535 - 475 a.C Parmênides 530 – 515 a.C Leucipo Séc. V a.C Anaxágoras 499 - 428 a.C Empédocles 483 – 430 a.C Demócrito 460 – 370 a.C ANTIGUIDADE CLÁSSICA Górgias 483 – 376 a.C Protágoras 481 – 420 a.C Sócrates 469 – 399 a.C Platão 427 – 347 a.C Aristóteles 384 – 322 a.C
  10. 10. Apostila de Filosofia – 2015 Prof. Antonio Marques Facebook: Antonio Marques Whatsapp: 9634.0288 E-mail: planedoenharmonio@gmail.com Blog: http://buscadacompreensao.blogspot.com.br/ 10 PROGRAMAÇÃO TEMÁTICA MITO ANTIGO  Algumas perspectivas sobre o mito:  O mito como estrutura.  Genealogia fabulosa;  Narrado pelo poeta-rapsodo;  Mais de uma versão e mais de uma interpretação;  O mito continua presente  Prometheus (1774) – Wolfgang von Goethe FILOSOFIA  Surgimento e Condições Históricas,  Etimologia,  Características,  Importância,  Campos de investigação. PERÍODOS DA FILOSOFIA GREGA  Pré-socrático (séc. VII e VI a.C)  Socrático ou clássico (séc.V e IV a.C)  Pós-socrático (séc. III e II a.C.) PRÉ-SOCRÁTICOS  Primeiras perguntas,  Principais características,  Arché (conceito e referente) HERÁCLITO (535 – 475 a.C)  O Eterno Fluxo  A Guerra é Pai e Rei de Todas as Coisas  A Harmonia dos contrários PARMÊNIDES (530 -515 a.C)  A Imobilidade do Ser  Sócrates: Ironia e Maiêutica  A Imobilidade do Ser  Sócrates: Ironia e Maiêutica HERÁCLITO E PARMÊNIDES SOFISTAS: a arte de argumentar  O relativismo SÓCRATES  Biografia,  Método argumentativo: a ironia e a maiêutica,  Pressuposto: "Só sei que nada sei." PLATÃO (427 – 347 a.C)  Biografia,  Mito da Caverna: das aparências ao mundo das essências,  Teoria das ideias perfeitas,  Relação Corpo e Alma ARISTÓTELES (384-322 a.C.)  Biografia,  Rejeição do mundo das ideias,  Metafísica: surgimento, etimologia, sentido contemporâneo,  Teoria do Ato e Potência,  Substância, Essência e Acidente,  Teoria das ―Quatro Causas‖,  Primeiro Motor Imóvel  Ética: a justa medida.  Lógica: fundamentos, silogismos e validade.  Quadrado de oposições
  11. 11. Apostila de Filosofia – 2015 Prof. Antonio Marques Facebook: Antonio Marques Whatsapp: 9634.0288 E-mail: planedoenharmonio@gmail.com Blog: http://buscadacompreensao.blogspot.com.br/ 11 IDADE ANTIGA Do Mito ao Logos Os mitos vistos enquanto maneiras fantasiosas de explicar a realidade seriam lendas, fábulas, crendices e, portanto, um tipo inferior de conhecimento, a ser superado por explicações mais racionais. Tanto é que, na linguagem comum, costuma-se identificar o mitoi à mentira.‖ (p.26) Os relatos míticos se sustentam na crença, na fé em forças superiores que protegem ou ameaçam, recompensam ou castigam. ―Como processo de compreensão da realidade, o mito não é lenda, pura fantasia, mas verdade. Quando pensamos em verdade, é comum nos referirmos à coerência lógica, garantida pelo rigor da argumentação e pela apresentação de provas. A verdade do mito, porém, resulta de uma intuição progressiva da realidade, cujas raízes se fundam na emoção e na afetividade. Nesse sentido, antes de interpretar o mundo de maneira argumentativa, o mito expressa o que desejamos ou tememos, como somos atraídos pelas coisas ou como delas nos afastamos. Alguns teóricos do mito:  Bronislaw Malinowski,  Claude Lévi-Strauss;  Ernst Cassirer,  Georges Gusdorf,  Roland Barthes,  Michel Foucault;  Sigmund Freud,  Carl Jung;  Mircea Eliade. Algumas perspectivas sobre o mito: Para Sigmund Freud e Carl Jung o mito é revelador do sonho, da fantasia, dos desejos mais profundos do ser humano. Por exemplo, ao analisar o mito de Édipo, Freud realça o amor e o ódio inconscientes que permeiam a relação familiar. E Jung se refere ao inconsciente coletivoii , que seria encontrável nos grupos e nas pessoas em qualquer época ou lugar. (p.29) O mito como estrutura. Lévi-Strauss pesquisou a estrutura básica que explica os mais diversos mitos, procedimento que valorizou mais o sistema do que os elementos que o compõem. Os elementos, por serem relativos, só tem valor de acordo com a posição que encontram na estrutura a que pertencem. Ou seja, um fato isolado ou um mito isolado não possuem significado em si.‖ (p.29) Enquanto outros teóricos interpretam os mitos pela sua funcionalidade e se baseiam nos elementos particulares, na pura subjetividade ou na história de um determinado povo, Lévi-Strauss buscou os elementos invariantes, que persistem sob diferenças superficiais. Para tanto, interessam- lhe os sistemas de relações de parentesco, filiação, comunicação lingüística, troca econômica etc. comuns a todas as sociedades. Por exemplo, uma regra universal é a proibição do incesto. Esse interdito tem o lado positivo de garantir a exogamiaiii , ou seja, a união com pessoas de outro grupo.‖ (p.30). Segundo Lévi-Strauss, o mito não é, como se costuma dizer, o lugar da fantasia e do arbitrário, mas pode ser compreendido a partir de uma estrutura lógico-formal subjacente, pelo lugar que cada elemento ocupa em determinada estrutura. Assim ele explica: Não pretendemos mostrar como os homens pensam nos mitos, mas como os mitos [através das estruturas] se pensam nos homens, e à sua revelia.iv
  12. 12. Apostila de Filosofia – 2015 Prof. Antonio Marques Facebook: Antonio Marques Whatsapp: 9634.0288 E-mail: planedoenharmonio@gmail.com Blog: http://buscadacompreensao.blogspot.com.br/ 12 O MITO GREGO  A filosofia é grega, por ter nascido nas colônias gregas no século VI a.C. E antes da filosofia era o pensamento mítico que ocupava a mente das pessoas. O mito é o modo de consciência que predomina nas sociedades tribais e que nas civilizações da Antiguidade ainda exerceu significativa influência. Ao contrário, porém, do que muitos supõem, o mito não desapareceu com o tempo. Está presente até hoje, permeando nossas esperanças e temores. (p.26)  Os mitos antigos são genealogias fabulosas, fundamentadas na imaginação, sobre a origem de algo real (o mundo ordenado (cosmologia), as técnicas, os instrumentos, os sentimentos, as paixões, as emoções, a noite...) a partir de forças geradoras divinas, que se aliam, se relacionam sexualmente ou lutam entre si.  O mito é narrado pelo poeta-rapsodo.  Os mitos em geral possuem muitas versões e há mais de uma interpretação possível para os mesmo. A evolução histórica da Grécia Antiga conhece quatro períodos (Pré-Homérico, Homérico, Arcaico e Clássico). Nos dois primeiros, o mito ainda era preponderante na interpretação dos fatos históricos, sendo que no período Homérico ocorre a dissolução dos génos e a conseqüente formação das cidades-estado. Esta fase obscura da história da Grécia Antiga, que se estende do século XII ao VIII a C. é chamada de Período Homérico porque seu conhecimento é baseado na interpretação de lendas contidas em dois poemas épicos atribuídos a um suposto rapsodo cego da Ásia Menor chamado Homero. No primeiro poema chamado A Ilíada, Homero conta a Guerra de Tróia, mostrando sua tomada pelos gregos. O poema concentra-se na figura do herói Aquiles que se negou a combater os troianos devido a sua cólera contra Agamenon que lhe roubou a escrava Briseida. Somente com a morte do amigo Patroclo, Aquiles volta ao combate. Outro momento importante da obra descreve a tomada da cidade pelos gregos, que sem a liderança de Aquiles usaram da astúcia, e por conselho de Odisseu (Ulisses), construíram um grande cavalo de madeira e esconderam em seu interior os soldados mais valentes, que durante a noite saíram do cavalo e abriram as portas da cidade para seus companheiros destruírem Tróia. "A Odisséia", descreve o retorno do guerreiro Odisseu (Ulisses) ao seu reino na ilha grega de Ítaca. Curiosidades: Lilith é uma personagem da mitologia hebraica oral. No folclore popular hebreu medieval, ela é tida como a primeira mulher criada por Deus junto com Adão, que o abandonou, partindo do Jardim do Éden por causa de uma disputa sobre igualdade dos sexos, passando depois a ser descrita como um demônio.
  13. 13. Apostila de Filosofia – 2015 Prof. Antonio Marques Facebook: Antonio Marques Whatsapp: 9634.0288 E-mail: planedoenharmonio@gmail.com Blog: http://buscadacompreensao.blogspot.com.br/ 13 De acordo a interpretação da criação humana no Gênesis feita no Alfabeto de Ben-Sira, entre 600 e 1000 d.C, Lilite foi criada por Deus com a mesma matéria prima de Adão, porém ela recusava-se a "ficar sempre por baixo durante as suas relações sexuais". Na modernidade, isso levou a popularização da noção de que Lilite foi a primeira mulher a rebelar-se contra o sistema patriarcal e a primeira feminista. Sugestão de Filmes:  A Odisséia;  Tróia;  Os Trezentos Sugestão de Músicas:  Mulheres de Atenas – Chico Buarque;  Os 12 trabalhos de Hércules – Zé Ramalho;  Mulher nova, bonita e carinhosa – Zé Ramalho Faça o teste: Qual é o seu deus do Olimpo? Qual deus do Olimpo mais condiz com a sua personalidade? Um deus poderoso e temível, apesar de assexuado? Uma serena provedora de abundância? Ou talvez o imprevisível senhor dos mares? Identifique qual dos deuses você louvaria. http://pandemicquiz.com/pt/q/answer/qual-e-o-seu-deus-do-olimpo#.VNAMs9LF-So Prometheus (1774) Wolfgang von Goethe (1749-1832) Quando era menino e não sabia Pra onde havia de virar-me, Voltava os olhos desgarrados Para o sol, como se lá houvesse Ouvido pra o meu queixume, Coração como o meu Que se compadecesse da minha angústia. Quem me ajudou Contra a insolência dos Titãs? Quem me livrou da morte, Da escravidão? Pois não foste tu que tudo acabaste, Meu coração em fogo sagrado? E jovem e bom — enganado — Ardias ao Deus que lá no céu dormia Tuas graças de salvação?! Encobre o teu céu, ó Zeus, Com vapores de nuvens, E, qual menino que decepa A flor dos cardos, Exercita-te em robles e cristas de montes; Mas a minha Terra Hás-de-ma deixar, E a minha cabana, que não construíste, E o meu lar, Cujo braseiro Me invejas. Eu venerar-te? E por quê? Suavizaste tu jamais as dores Do oprimido? Enxugaste jamais as lágrimas Do angustiado? Pois não me forjaram Homem O Tempo todo-poderoso E o Destino eterno, Meus senhores e teus? Nada mais pobre conheço Sob o sol do que vós, ó Deuses! Mesquinhamente nutris De tributos de sacrifícios E hálitos de preces A vossa majestade; E morreríeis de fome, se não fossem Crianças e mendigos Loucos cheios de esperança. Pensavas tu talvez Que eu havia de odiar a Vida E fugir para os desertos, Lá porque nem todos Os sonhos em flor frutificaram? Pois aqui estou! Formo Homens À minha imagem, Uma estirpe que a mim se assemelhe: Para sofrer, para chorar, Para gozar e se alegrar, E pra não te respeitar, Como eu!
  14. 14. Apostila de Filosofia – 2015 Prof. Antonio Marques Facebook: Antonio Marques Whatsapp: 9634.0288 E-mail: planedoenharmonio@gmail.com Blog: http://buscadacompreensao.blogspot.com.br/ 14
  15. 15. Apostila de Filosofia – 2015 Prof. Antonio Marques Facebook: Antonio Marques Whatsapp: 9634.0288 E-mail: planedoenharmonio@gmail.com Blog: http://buscadacompreensao.blogspot.com.br/ 15
  16. 16. Apostila de Filosofia – 2015 Prof. Antonio Marques Facebook: Antonio Marques Whatsapp: 9634.0288 E-mail: planedoenharmonio@gmail.com Blog: http://buscadacompreensao.blogspot.com.br/ 16
  17. 17. Apostila de Filosofia – 2015 Prof. Antonio Marques Facebook: Antonio Marques Whatsapp: 9634.0288 E-mail: planedoenharmonio@gmail.com Blog: http://buscadacompreensao.blogspot.com.br/ 17 EXERCÍCIOS QUESTÃO 01 Sobre o mito antigo, analise as seguintes proposições, e assinale a alternativa FALSA: A) O mito, mesmo quando compreendido literalmente, é uma verdade sobre o mundo, já que a verdade é uma mera questão de decisão individual. B) O mito é uma cosmogonia, ou seja, uma narrativa fabulosa sobre a origem do mundo ordenado (sentimentos, paixões, emoções, técnicas, instrumentos), a partir da relação sexual, lutas e alianças entre forças geradoras divinas (sobrenaturais). C) O mito é narrado pelo poeta-rapsodo. D) Com o surgimento da Filosofia, a Mitologia foi criticada por alguns filósofos que viam os deuses e heróis como sendo fruto da imaginação do homem. QUESTÃO 02 Analise os itens abaixo sobre o MITO e marque a alternativa única alternativa FALSA. A) O mito é um relato fabuloso, de caráter religioso, que diz respeito a uma história de deuses, heróis, semideuses e remonta a um tempo primitivo. B) Tanto o Mito quanto a Filosofia buscam fornecer aos homens explicações e respostas para os questionamentos acerca do mundo, o que muda são os critérios válidos para essa explicação. C) Os deuses gregos são entidades superiores da natureza que sempre se mantiveram serenos e amorosos. D) O mito é parte da história narrativa sobre a origem do homem e das coisas da natureza que falam de aspectos da condição humana, sendo portanto parte integrante da história dos povos ao longo dos séculos. QUESTÃO 03
  18. 18. Apostila de Filosofia – 2015 Prof. Antonio Marques Facebook: Antonio Marques Whatsapp: 9634.0288 E-mail: planedoenharmonio@gmail.com Blog: http://buscadacompreensao.blogspot.com.br/ 18 A Caixa de Pandora - Ao homem imprudente e temeroso são atribuidos os males humanos Sobre o Mito antigo, analise as afirmações abaixo e marque aquela a única INCORRETA: A) Dentro do contexto tribal, os mitos são de natureza sobrenatural, pois envolvem a concepção do sagrado e se tornam para as comunidades que os sustentam, um processo de compreensão da realidade que não é tido nem como lenda, nem como fantasia, mas como verdade. B) O conceito de mito envolve outro componente – o mistério – pois ele sempre é um enigma a ser decifrado. C) A filosofia representa uma ruptura radical e imediata em relação aos mitos, uma nova forma de pensamento plenamente racional desde suas origens até o momento presente. D) O mito é essencialmente uma narrativa que não se define apenas pelo tema ou objeto da narrativa, mas pelo seu modo de narrar que recorre ao mágico para descrever o mundo e o homem. O QUE É FILOSOFIA? Não há um consenso sobre a totalidade dos significados do termo ―filosofia‖, e a explicitação do que é filosofia já é uma questão filosófica, mas é possível encontrar algumas ideias mais recorrentes nas tentativas de definição do termo. Etimologicamente, a palavra filosofia (philos-sophia) significa ―amor à sabedoria‖ ou ―amizade pelo saber‖. Pitágoras (séc. VI a.C), filósofo e matemático grego, teria sido o primeiro a usar o termo filósofo, por não se considerar um ―sábio‖ (sophos), mas apenas alguém que ama e procura a sabedoria. A filosofia é um modo e vida, um estado de espírito e uma atitude. É um estado de espírito disposto a estranhar e se surpreender com o óbvio. É uma atitude de pensar e refletir sobre o mundo, na sua totalidade, incluindo, portanto nossa própria vida, nos seus diversos aspectos: pensamentos, sentimentosv , sensaçõesvi , valores e ações... Os campos clássicos da investigação filosófica são: lógica, metafísica, epistemologia, filosofia política, ética e estética. Existe também inúmeras aplicações da filosofia a áreas específicas do conhecimento: Veja alguns exemplos: filosofia da educação, filosofia da linguagem, filosofia do direito, filosofia da religião, filosofia de ―cada uma das ciências‖ (filosofia da matemática, da história, da biologia, da física etc) e assim por diante. As questões filosóficas abrangem uma grande gama de possibilidades e fazem parte do nosso dia-a-dia: Devo votar ou não votar? Se sim, em quem votar? Devo trocar de emprego? Devo
  19. 19. Apostila de Filosofia – 2015 Prof. Antonio Marques Facebook: Antonio Marques Whatsapp: 9634.0288 E-mail: planedoenharmonio@gmail.com Blog: http://buscadacompreensao.blogspot.com.br/ 19 preocupar com minha saúde? Qual o sentido da existência? Por que estamos neste mundo? Para que estamos neste mundo?... e assim por diante. Alguns problemas filosóficos podem permanecer abertos, sem que haja respostas unânimes, enquanto existir o filosofar. O processo de reflexão filosófica ocorre por indagações e conclusões mais ou menos consistentes sobre o problema ou fenômeno em análise. Este processo de busca de compreensão tem como horizonte diversos objetivos, cada filósofo ou filósofa tem o seus, os mais comuns são a sabedoria, o bem-viver, a felicidade, a verdade....Sobre o significado destes termos também não há consenso. Todas as pessoas, na medida em que pensam sobre o mundo, em alguma medida filosofam. Caso desejem isto pode ser aprimorado. Pensar bem e com autonomia intelectual pode ser exercitado estudando o pensamento dos filósofos. No filosofar, se delimita o problema, investiga, explicita e avalia os conceitos relacionados ao mesmo. Seja em qual for o campo, investigar filosoficamente o mundo é investigar os conceitos que utilizamos para compreender este mundo, tornando claros os seus fundamentos e pressupostos. Se avalia as certezas, as supostas soluções, e as hipóteses levantadas....e argumenta, concordando ou discordando total ou parcialmente das mesmas, complementando-as ou ainda apresenta a questão de um outro ponto de vista, que se acha mais adequado, até mesmo criando novos conceitos para esta nova abordagem. O SURGIMENTO DA FILOSOFIA  A filosofia é uma ruptura com o mito, na medida em que inaugura uma nova maneira de explicar os conflitos e as tensões sociais.  O surgimento da consciência filosófica na Grécia do final do século VII a.C, se deve principalmente à conjunção de fatores históricos, como navegações, o aparecimento da escrita alfabética, do calendário, a formação da pólis, o contato entre os povos antigos, a herança recebida de outras civilizações, a experiência de um discurso (logos) público pautado pelo diálogo.  A filosofia está intimamente ligada à cosmologia, tentando oferecer uma explicação racional para a origem e a ordem do mundo.  Por que se filosofa? A filosofia é uma atividade que tem como origem, para Platão, a admiração, o espanto.  Através da Filosofia, os gregos instituíram para o Ocidente europeu as bases e os princípios fundamentais do que chamamos razão, racionalidade, ciência, ética, política e arte.  Tanto o mito como a filosofia buscam responder a questões que incomodam o homem. O homem sempre desejou afugentar a insegurança, os temores e a angústia diante do desconhecido, do perigo e da morte. CARACTERÍSTICAS DA FILOSOFIA  O significado da palavra Filosofia (philos-sophia), com base em sua etimologia é amor à sabedoria. Mas a filosofia não pode ser definida por uma simples frase.  O Filósofo procura a sabedoria. Sabedoria [Sophia] é a ciência sobre os princípios e as causas.  A Filosofia desencoraja as crenças dogmáticas e busca, em suas explicações, coerência, universalidade, logicidade, racionalidade e verdade. Leitura Complementar: Leia mais em: ARANHA, Maria Lucia Arruda e MARTINS, Maria Helena Pires. Filosofando. Introdução à filosofia. volume único.4ª edição. S.P: - Moderna.2009. Cap. 2. A consciência mítica (p.25-34) e Cap. 3. O nascimento da filosofia (p.36-42).
  20. 20. Apostila de Filosofia – 2015 Prof. Antonio Marques Facebook: Antonio Marques Whatsapp: 9634.0288 E-mail: planedoenharmonio@gmail.com Blog: http://buscadacompreensao.blogspot.com.br/ 20 Sugestão de filme: Waking Life – Despertando para a Vida (2001) – Disponível em: http://www.disclose.tv/action/viewvideo/146645/Waking_Life__Despertando_Para_a_Vida__2001/ Um pouco de diversão: Filosofighters "A vida é um grande combate", dizia o mestre Platão na antiguidade. Desde sua origem, a Filosofia estuda os problemas fundamentais da mente. Teorias foram aclamadas, demolidas e reerguidas por textos apaixonados (e muitas vezes cruéis) saídos das mentes mais brilhantes da humanidade. Nove desses grandes pensadores - de diferentes continentes e escolas - foram convocadas para uma batalha de ideias. Você está pronto para a porrada? http://super.abril.com.br/mul.../filosofighters-631063.shtml EXERCÍCIOS QUESTÃO 01 A respeito do surgimento da consciência filosófica na Grécia do final do século VII a.C marque a alternativa ERRADA: A) Se deve principalmente à conjunção de fatores históricos, como navegações, a escrita alfabética, o calendário, a formação das cidades (as pólis). B) Constitui um milagre grego, um acontecimento extraordinário que não pode ser nem explicado, nem compreendido por ninguém. C) A filosofia está intimamente ligada à cosmologia, tentando oferecer uma explicação racional e verdadeira para a origem e a ordem do mundo. D) A filosofia inaugurou uma nova maneira de explicar os conflitos e as tensões sociais. QUESTÃO 02
  21. 21. Apostila de Filosofia – 2015 Prof. Antonio Marques Facebook: Antonio Marques Whatsapp: 9634.0288 E-mail: planedoenharmonio@gmail.com Blog: http://buscadacompreensao.blogspot.com.br/ 21 Sobre a Filosofia e seu surgimento é correto afirmar, EXCETO: (A) Com o surgimento da Filosofia, a Mitologia foi bastante criticada pelos pensadores (filósofos) que viam os deuses e heróis como sendo fruto da imaginação do homem. Assim sendo a Filosofia é uma superação da Mitologia quando passa a explicar o sentido da vida através do Logos (Razão), do discurso racional rigoroso. (B) Os filósofos a partir das explicações filosóficas tentaram provar que as explicações mitológicas também eram confiáveis. (C) Os homens procuravam formular seus questionamentos filosóficos sem ter de recorrer aos Mitos e passaram a construir um pensamento baseado na experiência e na razão. (D) Os povos antigos explicavam a origem do mundo e do homem como criação dos deuses. QUESTÃO 03 Sobre a Filosofia, assinale a alternativa ERRADA. A) A palavra Filosofia vem do grego philosophia, philein, amor, e sophia , saber, sabedoria.O significado da palavra Filosofia, com base em sua etimologia, é amor à sabedoria. E sabedoria é uma ciência sobre os princípios e causas. Mas sabemos que 2500 anos de diversificada produção filosófica não pode ser resumida numa simples definição etimológica. B) A Grécia é matriz cultural do ocidente, pois desenvolveu um novo modo de pensar e agir diante do mundo, por isso é chamada o berço da Filosofia. Através da Filosofia, os gregos instituíram para o Ocidente as bases e os princípios fundamentais do que chamamos razão, ciência, ética, política e arte. C) O papel da Filosofia é estimular nossa fé nos livros sagrados, que foram todos revelados por Deus, consolidando em nós uma atitude dogmática e fundamentalista diante da vida e do mundo. D) A filosofia tende à reflexão, à racionalidade, à coerência e ao rigor, isto é, o Logos (a razão) com seus princípios e regras, é o critério de explicação do mundo. QUESTÃO 04 Dentre as alternativas abaixo, assinale a que contém alguma afirmação INCORRETA. A) Senso Comum e Filosofia têm significados diferentes, pois o primeiro baseia-se nas experiências do dia-a-dia, enquanto a segunda busca uma fundamentação mais rigorosa para suas explicações de mundo. B) A filosofia é uma atividade que tem como origem, para Platão, a admiração.
  22. 22. Apostila de Filosofia – 2015 Prof. Antonio Marques Facebook: Antonio Marques Whatsapp: 9634.0288 E-mail: planedoenharmonio@gmail.com Blog: http://buscadacompreensao.blogspot.com.br/ 22 C) A filosofia procura a verdade por meio das capacidades humanas, no uso da razão e pelo amor à sabedoria. D) A filosofia deseja oferecer uma explicação conclusiva sobre as coisas e, para consegui-la, se serve do apelo emocional. QUESTÃO 05 Para que serve a filosofia? A) A filosofia nos serve para não aceitarmos como óbvias as ideias, as verdades, os fatos, os valores e comportamentos sem antes investigar e compreender. B) A filosofia nos serve para não aceitarmos de imediato as coisas sem maiores considerações. C) A filosofia nos serve para perguntarmos: O que somos? Por que somos? Como somos? De onde viemos? Para onde vamos? D) A filosofia nos serve para dominar o mundo e obter rapidamente fama, grana, sexo e poder. QUESTÃO 06 São campos de investigação filosófica, EXCETO: A) Teoria do conhecimento: campo de investigação filosófica que abarca as questões sobre o conhecer. B) Estética: a parte da filosofia que discute sobre a beleza e os juízos de gosto.
  23. 23. Apostila de Filosofia – 2015 Prof. Antonio Marques Facebook: Antonio Marques Whatsapp: 9634.0288 E-mail: planedoenharmonio@gmail.com Blog: http://buscadacompreensao.blogspot.com.br/ 23 C) Ética: a parte da filosofia que nos auxilia a responder a pergunta: "como viver?". Lida com valores de bem e de mal, de bom e de mau, de certo e de errado, de justo e de injusto. D) Cinética: é a parte da filosofia que estuda a velocidade das reações e processos e os fatores que as influenciam. QUESTÃO 07 Sobre a Filosofia, marque a alternativa FALSA: A) Desde Tales de Mileto, passando por Heráclito, Descartes e chegando aos ambientalistas de hoje, as explicações sobre o Cosmos (Natureza) são dadas por argumentos, razões plausíveis para que o processo desencadeado pela Physis se comporte de determinada maneira e continue permitindo-nos viver aqui. B) Na história da filosofia, os argumentos são confrontados por outros argumentos e, progressivamente, as concepções tornam-se cada vez mais elaboradas. Desta forma, por conta desse movimento o pensamento filosófico aproxima-se do pensamento mítico. C) A filosofia apresenta uma visão de mundo com base racional e científica que pode ser repensada por meio de argumentação que está sempre sendo revista. D) A Filosofia é um modo de pensar, é uma postura diante do mundo. A Filosofia não é um conjunto de conhecimentos prontos, um sistema acabado, fechado em si mesmo. QUESTÕES ABERTAS 01) O que significa a palavra filosofia? (etimologia da palavra). Explique. 02) Para que serve a filosofia? 03) Comente a seguinte afirmação ―A filosofia grega nasceu procurando desenvolver o logos em contraste com os mitos‖. Procure estabelecer o sentido de logos e de mito. 04) O que é cosmologia? Explique. 05) Qual foi a importância da pólis (cidade-estado) para o nascimento da filosofia? 06) Comente a seguinte afirmação ―A filosofia grega nasceu procurando desenvolver o logos em contraste com os mitos‖. Procure estabelecer o sentido de logos e de mito. 07) (UFMG) Leia este trecho
  24. 24. Apostila de Filosofia – 2015 Prof. Antonio Marques Facebook: Antonio Marques Whatsapp: 9634.0288 E-mail: planedoenharmonio@gmail.com Blog: http://buscadacompreensao.blogspot.com.br/ 24 ―[...] a filosofia não é a revelação feita ao ignorante por quem sabe tudo, mas o diálogo entre iguais que se fazem cúmplices em sua mútua submissão à força da razão e não à razão da força.‖ (Fernando Savater. As perguntas da vida. São Paulo: Martins Fontes, 2001. p.2.) Com base na leitura desse trecho e em outros conhecimentos sobre o assunto, redija um texto destacando duas características da atitude filosófica. 08) Quais foram as condições históricas que possibilitaram o nascimento da filosofia? PERÍODOS DA FILOSOFIA GREGA Pré-socrático (séc. VII e VI a.C). Os primeiros filósofos ocupavam-se com questões cosmológicas, iniciando a separação entre a filosofia e o pensamento mítico. Socrático ou clássico (séc.V e IV a.C). Ênfase nas questões antropológicas e maior sistematização do pensamento. Desse período fazem parte os sofistas, o próprio Sócrates, seu discípulo Platão e Aristóteles, discípulo de Platão. Pós-socrático (séc. III e II a.C.) Durante o helenismo, preponderou o interesse pela física e pela ética. Surgiram as correntes filosóficas do estoicismo (Zenão de Cítio), do hedonismo (Epicuro) e do ceticismo (Pirro de Élida).
  25. 25. Apostila de Filosofia – 2015 Prof. Antonio Marques Facebook: Antonio Marques Whatsapp: 9634.0288 E-mail: planedoenharmonio@gmail.com Blog: http://buscadacompreensao.blogspot.com.br/ 25 PRÉ-SOCRÁTICOS  Os pré-socráticos são considerados os primeiros filósofos e viveram por volta dos séculos VII e VI a.C.  A filosofia começou não na Grécia continental, mas nas colônias da Jônia e da Magna Grécia (sul da atual Itália), onde florescia o comércio.  Filósofos gregos desenvolveram teses para explicar a origem do universo, a partir de uma explicação racional. Suas teses constituem buscas para conhecer o mundo, o cosmo.
  26. 26. Apostila de Filosofia – 2015 Prof. Antonio Marques Facebook: Antonio Marques Whatsapp: 9634.0288 E-mail: planedoenharmonio@gmail.com Blog: http://buscadacompreensao.blogspot.com.br/ 26  Tales de Mileto (astrônomo e matemático) é considerado o primeiro pensador grego, por isso é considerado o pai da filosofia.  Pitágoras foi o que pela primeira vez usou a palavra filosofia.  O mito explica o mundo como criação dos deuses, ou seja, com uma cosmogonia, já para os primeiros filósofos o mundo é incriado e há uma racionalidade constitutiva do mesmo, daí objetivarem explicar racionalmente a natureza da realidade física (Filosofia da natureza), daí a elaboração de diversas cosmologias (estudo do universo).  A perguntarem como diante da mudança encontramos a estabilidade e como diante do múltiplo, descobrimos o uno, os pré-socráticos buscam o princípio (em grego, a arkhé) de todas as coisas, entendido não como aquilo que antecede no tempo, mas como fundamento do ser. Buscar a arkhé é explicar qual é o elemento ou princípio (fundamento) constitutivo de todas as coisas. A unidade que pode explicar a multiplicidade.  Apenas com Sócrates (469-399 a.C) começa as preocupações éticas e, portanto o período socrático é chamado de antropológico.  A maior parte dos escritos desapareceram. Só nos resta fragmentos e referências de filósofos posteriores.  Em geral escreviam em prosa, abandonando a forma poética característica das epopéias, dos relatos míticos. FILÓSOFO CIDADE REGIÃ O DATA ARCHÉ Tales Mileto Jônia 640 a.C – 548 a.C Água Anaximandro Mileto Jônia 610 a.C – 547 a.C Matéria indeterminada, ilimitada, Ápeiron Anaxímenesvii Mileto Jônia 588 a.C – 524 a.C Ar1 Leucipoviii Séc. V a.C Átomos Pitágoras 571 a.C – 500 a.C Número Xenófanes Cólofon 570 a.C – 460 a.C Terra Heráclito Éfeso 535 a.C - 475 a.C Fogo (desacordo, o devir) Anaxágoras Clazôme na 499 aaa.C - 428 a.C Homeomerias (sementes), ordenas pela Inteligência cósmica (Nous, em grego) Empédocles 483 – 430 a.C Terra, água, ar, fogo Demócrito 460 a.C – 370 a.C Átomos (materialista e determinista) Parmênides 530 – 515 a.C Ser Leitura Complementar: Ler da página 39 a 41 do livro Filosofando. Sugestão de filme: Donald no País da Matemágica 1
  27. 27. Apostila de Filosofia – 2015 Prof. Antonio Marques Facebook: Antonio Marques Whatsapp: 9634.0288 E-mail: planedoenharmonio@gmail.com Blog: http://buscadacompreensao.blogspot.com.br/ 27 EXERCÍCIOS QUESTÃO 01 O nascimento da filosofia na Grécia é marcado pela passagem da cosmogonia à cosmologia. Aqui destaca-se os pré-socráticos que tem como abordagem cosmológica: A) O princípio (arché) fundamento de todas as coisas está embasado na cosmogonia, os pré- socráticos, procuraram uma razão filosófica para sustentar as concepções míticas. B) Os pré-socráticos, considerado os primeiros filósofos, têm uma preocupação com uma filosofia antropológica, por isso buscam os princípios éticos e morais da sociedade. C) Heráclito, Parmênides, Empédocles estes chamados de pré-socráticos, buscam a arché — princípio constitutivo de todas as coisas — dentro de princípios teóricos, mas com a preocupação de não obscurecer as concepções míticas existentes. D) A arché, princípio teórico enquanto fundamento de todas as coisas. O pensamento desse momento se caracteriza pela preocupação com a natureza do mundo exterior, o que podemos denominar de uma filosofia da natureza. QUESTÃO 02 Dentre as alternativas abaixo, assinale a alternativa INCORRETA. A) Os filósofos pré-socráticos se preocuparam em encontrar explicações racionais para a realidade física. B) Tanto o mito como a filosofia buscam responder a questões que incomodam o homem. C) O nascimento da filosofia está intimamente relacionado com o domínio D) A filosofia é uma atividade que tem como origem, para Platão, a admiração.
  28. 28. Apostila de Filosofia – 2015 Prof. Antonio Marques Facebook: Antonio Marques Whatsapp: 9634.0288 E-mail: planedoenharmonio@gmail.com Blog: http://buscadacompreensao.blogspot.com.br/ 28 QUESTÃO 03 Os filósofos da natureza, a partir da explicação filosófica, tentaram provar que as explicações mitológicas não poderiam ser confiáveis, queria significar com a palavra Filosofia: A) O conhecimento crítico das coisas. O amor pelo saber, e, particularmente, pela investigação das causas e dos efeitos. B) A adoração aos seres de inteligência superior. C) O amor pela mitologia grega. D) O amor por tudo que desperta o desejo. QUESTÃO 04 Sobre o início da filosofia, marque a alternativa ERRADA: A) Os pré-socráticos são considerados os primeiros filósofos e viveram por volta dos séculos I e II D.C. B) A filosofia começou não na Grécia continental, mas nas colônias da Jônia e da Magna Grécia (sul da atual Itália), onde florescia o comércio. C) Tales de Mileto (astrônomo e matemático) é considerado o primeiro pensador grego, por isso é considerado o pai da filosofia. D) Pitágoras foi o que pela primeira vez usou a palavra filosofia. QUESTÃO 05 Sobre o início da filosofia e os filósofos pré-socráticos, marque a alternativa ERRADA:
  29. 29. Apostila de Filosofia – 2015 Prof. Antonio Marques Facebook: Antonio Marques Whatsapp: 9634.0288 E-mail: planedoenharmonio@gmail.com Blog: http://buscadacompreensao.blogspot.com.br/ 29 A) O mito explica o mundo como criação dos deuses, ou seja, com uma cosmogonia, já para os primeiros filósofos o mundo é incriado e há uma racionalidade constitutiva do mesmo, daí objetivarem explicar racionalmente a natureza da realidade física (Filosofia da natureza), daí a elaboração de diversas cosmologias (estudo do universo). B) Ao perguntarem como diante da mudança encontramos a estabilidade e como diante do múltiplo descobrimos o uno, os pré-socráticos buscam o princípio (em grego, a arkhé) de todas as coisas, entendido não como aquilo que antecede no tempo, mas como fundamento do ser. Buscar a arkhé é explicar qual é o elemento (princípio, fundamento) constitutivo de todas as coisas. A unidade que pode explicar a multiplicidade. C) Apenas com Sócrates (469-399 a.C) começa as preocupações éticas e, portanto o período socrático é chamado de antropológico. D) Em geral escreviam em prosa, abandonando a forma poética característica das epopéias, dos relatos míticos. Todos os seus escritos, milhares de volumes, foram preservados e se encontram digitalizados e à disposição do público na rede mundial de computadores. QUESTÃO 06 Sobre a Arché proposta por cada filósofo Pré-Socrático, marque a alternativa CORRETA: I. Para Tales de Mileto era a água; II. Para Anaximandro de Mileto era a matéria indeterminada e ilimitada chamada apeíron ou éter; III. Para Anímenes era o ar; IV. Para Demócrito e Leucipo era os átomos;
  30. 30. Apostila de Filosofia – 2015 Prof. Antonio Marques Facebook: Antonio Marques Whatsapp: 9634.0288 E-mail: planedoenharmonio@gmail.com Blog: http://buscadacompreensao.blogspot.com.br/ 30 V. Para Pitágoras era os números; VI. Para Xenófanes era a terra VII. Para Heráclito era o fogo, o desacordo, o devir... VIII. Para Anaxágoras era as homeomerias (sementes cósmicas) ordenadas pela inteligência cósmica (nous). IX. Para Empédocles era os quatro elementos: terra, fogo, ar e água; A) Apenas afirmações I, III e VII estão corretas B) Apenas as afirmações I, VI e IX estão corretas. C) Todas as afirmações estão corretas D) Nenhuma das afirmações estão corretas QUESTÕES ABERTAS 01) O nascimento da filosofia na Grécia é marcado pela passagem da cosmogonia à cosmologia. Aqui destaca-se os pré-socráticos que tem como abordagem cosmológica, a arché, princípio teórico enquanto fundamento de todas as coisas. Qual a principal preocupação do pensamente desse momento? 02) O que diferencia as explicações de mundo dos filósofos pré-socráticos das explicações míticas? 03) Os filósofos da natureza, a partir da explicação filosófica, tentaram provar que as explicações mitológicas não poderiam ser confiáveis. O que queriam significar com a palavra Filosofia? 04) Os pré-socráticos são considerados os primeiros filósofos. A filosofia começou não na Grécia continental, mas nas colônias da Jônia e da Magna Grécia (sul da atual Itália), onde florescia o comércio. Quem foi considerado o primeiro pensador grego? 05) Qual foi o pré-socrático que pela primeira vez usou a palavra filosofia?
  31. 31. Apostila de Filosofia – 2015 Prof. Antonio Marques Facebook: Antonio Marques Whatsapp: 9634.0288 E-mail: planedoenharmonio@gmail.com Blog: http://buscadacompreensao.blogspot.com.br/ 31 HERÁCLITO Heráclito (535 – 475 a.C) nasceu em Éfeso, na Jônia. Sua doutrina, criticada pela filosofia clássica, foi resgatada por Hegel, que recuperou sua importante contribuição para a Dialética (totalidade, mediação, contradição). Sendo Heráclito o primeiro grande representante deste pensamento. Estudioso da natureza e preocupado com a arché, como todo pré-socrático. Sobre sua filosofia podemos afirmar: I. Para o filósofo o Mundo (o ser, o universo) é : incriado (nenhum dos deuses ou dos homens o fez), eterno (sempre foi e sempre será, constante), móvel (oscilante, pulsante, se acende com medida e se apaga com medida), regido pelo Logos e igual para todos. II. Tudo flui (Panta Rei). Sua escola é chamada mobilista. O mundo, todas as coias, a realidade, a vida é dinâmica, é movimento, está em transformação, em mudança constantemente, pela eternidade, permanentemente. ―Não nos banhamos duas vezes no mesmo rio‖. Do arco o nome é vida e a obra é morte. Não há uma identidade do ser. O ser não é mais que o vir-a-ser, o devir. Tudo que é fixo é uma ilusão. III. A Luta dos Contrários é o princípio de todas as coisas e produz a Mobilidade e a Harmonia da realidade. Todas as coisas estão em oposição umas com as outras. ―A guerra é o pai de todos‖. IV. O Fogo é a substância que dá origem a todos os seres e ao próprio Universo. É também uma imagem e uma metáfora que representa a Luta dos Contrários, o desacordo, o Devir, o Logos, a lei unitária sob o qual as coisas nascem e morrem, aparecem e desaparecem. V. O cosmo é harmônico, uma harmonia dos contrários, que advém da permanente tensão e conciliação dos opostos. Como as tensões do arco e das cordas de uma lira, geram uma unidade. Tal unidade expressa a harmonia segundo a qual o kosmos é ordenado num equilíbrio dinâmico de sucessão de opostos, movimento contínuo e pluralidade, cujo Logos é Um. ―Não compreendem como o divergente consigo mesmo concorda; harmonia de tensões contrárias, como de arco e lira‖. Fr. 51, Os Pré-Socráticos. São Paulo: Abril Cultural, 1973, p.84. (Col. Os Pensadores) Segundo Heráclito alguns homens não conseguem compreender a verdadeira natureza da realidade: I. São desatentos: alguns homens ignoram o que fazem quando acordados. II. Esquecem o que fazem quando dormem. III. Seus sentidos são deseducados: As sensações são falíveis, contudo educáveis. ―Más testemunhas para os homens são os olhos e ouvidos, se almas bárbaras eles tem.‖ IV. Inexperientes. Sem experiência não compreendem, nem antes, nem depois que ouvem o logos.
  32. 32. Apostila de Filosofia – 2015 Prof. Antonio Marques Facebook: Antonio Marques Whatsapp: 9634.0288 E-mail: planedoenharmonio@gmail.com Blog: http://buscadacompreensao.blogspot.com.br/ 32 V. Ignoram que ignoram. A si próprios lhes parece que conhecem e percebem. (DK 22 B 17). EXERCÍCIOS QUESTÃO 01 Heráclito nasceu em Éfeso, na Jônia, e viveu entre os séculos VI e V a.C. Sua doutrina, criticada pela filosofia clássica, foi resgatada por Hegel, que recuperou sua importante contribuição para a Dialética. Sendo Heráclito o primeiro grande representante deste pensamento. Estudioso da natureza e preocupado com a arché, como todo pré-socrático. Sobre sua filosofia podemos afirmar: VI. Para o filósofo o Mundo (o ser, o universo) é : incriado (nenhum dos deuses ou dos homens o fez), eterno (sempre foi e sempre será, constante), móvel, oscilante (pulsante, se acende com medida e se apaga com medida), regido pelo Logos e igual para todos. VII. Tudo flui (Panta Rei). Sua escola é chamada mobilista. O mundo, todas as coias, a realidade, a vida é dinâmica, é movimento, está em transformação, em mudança constantemente, pela eternidade, permanentemente. ―Não nos banhamos duas vezes no mesmo rio‖. Do arco o nome é vida e a obra é morte. Não há uma identidade do ser. O ser não é mais que o vir-a-ser, o devir. Tudo que é fixo é uma ilusão. VIII. A Luta dos Contrários é o princípio de todas as coisas e produz a Mobilidade e a Harmonia da realidade. Todas as coisas estão em oposição umas com as outras. ―A guerra é o pai de todos‖. IX. O Fogo é a substância que dá origem a todos os seres e ao próprio Universo. É também uma imagem e uma metáfora que representa a Luta dos Contrários, o desacordo, o Devir, o Logos, a lei unitária sob o qual as coisas nascem e morrem, aparecem e desaparecem. X. O cosmo é harmônico, uma harmonia dos contrários, que advém da permanente tensão e conciliação dos opostos. Como as tensões do arco e das cordas de uma lira, geram uma unidade. Tal unidade expressa a harmonia segundo a qual o kosmos é ordenado num equilíbrio dinâmico de sucessão de opostos, movimento contínuo e pluralidade, cujo Logos é Um. ―Não compreendem como o divergente consigo mesmo concorda; harmonia de tensões contrárias, como de arco e lira‖. Fr. 51, Os Pré-Socráticos. São Paulo: Abril Cultural, 1973, p.84. (Col. Os Pensadores) A) Apenas I, II e IV estão corretas B) Apenas I, III e V estão corretas C) Apenas II, III e IV estão corretas D) Todas estão corretas
  33. 33. Apostila de Filosofia – 2015 Prof. Antonio Marques Facebook: Antonio Marques Whatsapp: 9634.0288 E-mail: planedoenharmonio@gmail.com Blog: http://buscadacompreensao.blogspot.com.br/ 33 QUESTÃO 02 Segundo Heráclito alguns homens não conseguem compreender a verdadeira natureza da realidade, pois: VI. São desatentos: alguns homens ignoram o que fazem quando acordados. VII. Esquecem o que fazem quando dormem. VIII. Seus sentidos são deseducados: As sensações são falíveis contudo educáveis. ―Más testemunhas para os homens são os olhos e ouvidos, se almas bárbaras eles tem.‖ IX. Inexperientes. Sem experiência não compreendem, nem antes, nem depois que ouvem o logos. X. Ignoram que ignoram. A si próprios lhes parece que conhecem e percebem. (DK 22 B 17). A) Apenas I, II e IV estão corretas B) Apenas I, III e V estão corretas C) Apenas II, III e IV estão corretas D) Todas estão corretas QUESTÃO ABERTA 01 - ―Para os que entram nos mesmos rios, correm outras e novas águas. (...) Não se pode entrar duas vezes no mesmo rio‖. (Heráclito. Pré-socráticos. Col. Os Pensadores. Abril Cultural, 1978). A partir do fragmento acima, estabeleça a concepção do ser de Heráclito.
  34. 34. Apostila de Filosofia – 2015 Prof. Antonio Marques Facebook: Antonio Marques Whatsapp: 9634.0288 E-mail: planedoenharmonio@gmail.com Blog: http://buscadacompreensao.blogspot.com.br/ 34 PARMÊNIDES (530 a.C – 460 a.C) Parmênides de Eléia, nasceu no sul da Magna Grécia (sul da atual Itália), filósofo pré-socrático, fundador da metafísica, e autor do poema ―Sobre a Natureza‖. Parmênides de Eléia se concentrou no confronto entre o conhecimento racional e o conhecimento sensível. Ele rejeita a experiência como fonte da verdade. O ser não pode ser percebido pelos sentidos. As percepções sensíveis são feitas apenas de aparências e ilusões. Para o filósofo existe somente uma via para a compreensão e conhecimento da realidade que é o caminho da razão, do pensamento, da essência ou da Filosofia. O ser é imóvel, imutável, eterno e UNO e sempre idêntico a si mesmo. Só o mundo inteligível é verdadeiro e está submetido aos princípios que mais tarde Aristóteles chamou de identidade e de não contradição. Sua formulação se da por meio da seguinte tese defendida pelos Eleatas sobre o ser: "o ser não pode não-ser, o não-ser não pode ser e o devir não existe". Apenas o ser é e pode ser dito e pensando. O ser e o pensar é o mesmo. O não-ser de modo algum é, nem mesmo pensado. E é absurdo uma coisa ser e não ser ao mesmo tempo. Os opostos não podem coexistir ou alternar-se um ao outro. EXERCÍCIOS QUESTÃO 01 Sobre Parmênides de Eléia, sul da Magna Grécia (530 a.C – 460 a.C), filósofo pré-socrático, fundador da metafísica, e autor do poema ―Sobre a Natureza‖ podemos afirmar que , EXCETO:
  35. 35. Apostila de Filosofia – 2015 Prof. Antonio Marques Facebook: Antonio Marques Whatsapp: 9634.0288 E-mail: planedoenharmonio@gmail.com Blog: http://buscadacompreensao.blogspot.com.br/ 35 A) Parmênides de Eléia se concentrou no confronto entre o conhecimento racional e o conhecimento sensível. Ele rejeita a experiência como fonte da verdade. O ser não pode ser percebido pelos sentidos. As percepções sensíveis são feitas apenas de aparências e ilusões. B) Para o filósofo existe somente uma via para a compreensão e conhecimento da realidade que é o caminho da razão, do pensamento, da essência ou da Filosofia. C) O ser é imóvel, imutável, eterno e múltiplo e sempre idêntico a si mesmo. D) Só o mundo inteligível é verdadeiro e está submetido aos princípios que mais tarde Aristóteles chamou de identidade e de não contradição. Sua formulação se da por meio da seguinte tese defendida pelos Eleatas sobre o ser: "o ser não pode não-ser, o não-ser não pode ser e o devir não existe". Apenas o ser é e pode ser dito e pensando. O ser e o pensar é o mesmo. O não-ser de modo algum é, nem mesmo pensado. E é absurdo uma coisa ser e não ser ao mesmo tempo. Os opostos não podem coexistir ou alternar-se um ao outro.
  36. 36. Apostila de Filosofia – 2015 Prof. Antonio Marques Facebook: Antonio Marques Whatsapp: 9634.0288 E-mail: planedoenharmonio@gmail.com Blog: http://buscadacompreensao.blogspot.com.br/ 36 HERÁCLITO E PARMÊNIDES A teoria de Parmênides e Heráclito possuem fundamentos opostos no que diz respeito a concepção de Ser. A tese sobre a realidade ou o Ser de Heráclito pode ser expressa, em síntese, da seguinte maneira: ―O ser é devir‖. Já a tese de Parmênides se resumiria assim: ―O ser é (existe) e o não ser, não é (não existe)‖. Heráclito de Éfeso compreendia a realidade como fluxo ou devir permanente e eterno, concebe toda a physis como um fluxo incessante e como multiplicidade e Parmênides de Eléia defendia que a realidade é aquilo que permanece sempre idêntico a si mesmo e imutável. Embora a concepção do Ser ou da realidade seja para Heráclito e Parmênides bastante distinta e até mesmo oposta, é necessário reconhecer que, tanto para um quanto para outro, os sentidos e o senso comum não alcançam o verdadeiro conhecimento, mas engendram apenas a opinião (doxa). Para ambos, apenas o pensamento (logos) pode conhecer a verdade. EXERCÍCIOS QUESTÃO 01 Sobre a filosofia de Heráclito e Parmênides podemos afirmar, EXCETO: A) A teoria de Parmênides e Heráclito tem o mesmo fundamento, falam sobre o eterno movimento. B) A tese sobre a realidade ou o Ser de Heráclito pode ser expressa, em síntese, da seguinte maneira: ―O ser é devir‖. Já a tese de Parmênides se resumiria assim: ―O ser é (existe) e o não ser, não é (não existe)‖. C) As doutrinas de Heráclito e de Parmênides estão em desacordo quanto a mutabilidade ou não do ser. Heráclito de Éfeso compreendia a realidade como fluxo ou devir permanente e eterno, concebe toda a physis como um fluxo incessante e como multiplicidade e Parmênides de Eléia defendia que a realidade é aquilo que permanece sempre idêntico a si mesmo e imutável.
  37. 37. Apostila de Filosofia – 2015 Prof. Antonio Marques Facebook: Antonio Marques Whatsapp: 9634.0288 E-mail: planedoenharmonio@gmail.com Blog: http://buscadacompreensao.blogspot.com.br/ 37 D) Embora a concepção do Ser ou da realidade seja para Heráclito e Parmênides bastante distinta e até mesmo oposta, é necessário reconhecer que, tanto para um quanto para outro, os sentidos e o senso comum não alcançam o verdadeiro conhecimento, mas engendram apenas a opinião (doxa). Para ambos, apenas o pensamento (logos) pode conhecer a verdade.
  38. 38. Apostila de Filosofia – 2015 Prof. Antonio Marques Facebook: Antonio Marques Whatsapp: 9634.0288 E-mail: planedoenharmonio@gmail.com Blog: http://buscadacompreensao.blogspot.com.br/ 38 PERÍODO ANTROPOLÓGICO, SOCRÁTICO OU CLÁSSICO (V e IV a.C) Os pensadores desse período, embora ainda discutissem questões cosmológicas, ampliaram os questionamentos para a antropologia, a moral e a política. O centro cultural deslocou-se das colônias para a cidade de Atenas. OS SOFISTAS: A ARTE DE ARGUMENTAR  Sofistas. Do grego sophós, ―sábio‖, ou melhor, ―professor de sabedoria‖.  Alguns sofistas são interlocutores de Sócrates: Protágoras, de Abdera (485-411 a.C) (O homem é a medida de todas as coisas.); Górgias, de Leôncio, na Sicília (485-380 a.C); Híppias de Élis Trasímaco, Pródico e Hipódamos  Tal como ocorreu com os pré-socráticos, dos sofistas só nos restam fragmentos de suas obras, reunidas nas doxografias.  Ocupam-se de um ensino intinerante.  Cobravam pelas aulas. (Sócrates os acusavam de ―prostituição‖).  Contribuiram para a sistematização do ensino. Currículo: gramática, retórica, dialética, aritmética, geometria, astronomia e música.  Elaboraram o ideal teórico da democracia, valorizada pelos comerciantes em ascensão e desvalorizada pela aristocracia rural. (Nem Sócrates, nem Platão tinham simpatia pela democracia, por causa do risco da demagogia.)  Após o período pré-socrático seguiu-se uma nova fase filosófica, caracterizada pelo interesse no próprio homem e nas relações políticas o homem com a sociedade. Essa nova fase foi marcada no início, pelos sofistas;  Era uma época de lutas políticas e intenso conflito de opiniões nas assembléias democráticas, assim, as lições dos sofistas tinham o como objetivo o desenvolvimento da argumentação, da habilidade retórica, do conhecimento de doutrinas divergentes;  Essas características dos ensinamentos sofistas favoreceram o surgimento de concepções filosóficas relativista sobre as coisas;  Hegel reabilitou os sofistas no século XIX. Desde então o período iniciado pelos sofistas passou a ser denominado Aufklärung grega, imitando a expressão alemã que designa o Iluminismo europeu do século XVIII.
  39. 39. Apostila de Filosofia – 2015 Prof. Antonio Marques Facebook: Antonio Marques Whatsapp: 9634.0288 E-mail: planedoenharmonio@gmail.com Blog: http://buscadacompreensao.blogspot.com.br/ 39 EXERCÍCIOS QUESTÃO 01 A denominação e o significado atual da palavra ―sofista‖ já está carregada de um forte preconceito histórico e um grande acento ideológico. Foram estes apresentados pela filosofia tradicional como ―vilões‖, demagogos, perversos, imputando-lhes uma culpa eterna pela morte de Sócrates. Assinale a única alternativa INCORRETA: A) Formaram uma grande escola e uma proeminente tradição na ―pólis‖ ateniense, tendo como dois grandes precursores da escola, Protágoras de Abdera e Górgias de Leontini; B) Estes filósofos faziam-se chamar de sábios e iniciaram uma nova sistemática nos seus encargos de ensinar: faziam-se pagar pelos seus discípulos; C) Para eles a educação deve ser dirigida somente aos políticos, pois necessitam de retórica decidida, raciocínio firme e claro, manejo hábil no pensar e no falar em público; D) Para Protágoras ―o homem é a medida de todas as coisas‖ e ensinar é a arte de persuadir, em todas as suas formas. QUESTÃO ABERTA 01) O que eram os Sofistas? O que eles ensinavam?
  40. 40. Apostila de Filosofia – 2015 Prof. Antonio Marques Facebook: Antonio Marques Whatsapp: 9634.0288 E-mail: planedoenharmonio@gmail.com Blog: http://buscadacompreensao.blogspot.com.br/ 40 HELENISMO Com o Helenismo, surge um novo período na filosofia, a ―filosofia helenística‖(cujo início é tradicionalmente associado à morte de Alexandre, em 323 a.C., prolongando-se até o surgimento de Plotino, no século III da nossa era). Designa-se por ―período helenístico‖ (do grego, hellenizein– "falar grego", "viver como os gregos") o período da história da Grécia de parte do Oriente Médio compreendido entre a morte de Alexandre, o Grande, em 323 a.C. e a anexação da península grega e ilhas por Roma em 146 a.C. Caracterizou-se pela difusão da civilização grega numa vasta área que se estendia do mar Mediterrâneo oriental à Ásia Central. De modo geral, o helenismo foi a concretização de um ideal de Alexandre: o de levar e difundir a cultura grega aos territórios que conquistava. Foi naquele período que as ciênciasparticulares tiveram seu primeiro e grande desenvolvimento. As principais escolas filosóficas deste período são:  Estoicismo  Epicurismo  Ceticismo  Cinismo É nesse período do pensamento ocidental que a filosofia se expande da Grécia para outros centros como Roma e Alexandria.
  41. 41. Apostila de Filosofia – 2015 Prof. Antonio Marques Facebook: Antonio Marques Whatsapp: 9634.0288 E-mail: planedoenharmonio@gmail.com Blog: http://buscadacompreensao.blogspot.com.br/ 41 SÓCRATES (469/470 – 399 a.C) ―Enquanto tiver ânimo e puder fazê-lo, jamais deixarei de filosofar, de vos advertir, de ensinar em toda ocasião àquele de vós que eu encontrar, dizendo- lhe o que costumo: ‗Meu caro, tu, um ateniense, da cidade mais importante e mais reputada por sua sabedoria, não te importares nem pensares na razão, na verdade e em melhorar tua alma?‘ E se algum de vós responder que se importa, não irei embora, mas hei de o interrogar, examinar e refutar e, se me parecer que afirma ter adquirido a virtude sem a ter, hei de repreendê-lo por estimar menos o que vale mais e mais o que vale menos .‖ PLATÃO. Apologia de Sócrates, 29 d-e. BIOGRAFIA: Tanto quanto os sofistas, Sócrates se concentrou na problemática do homem. Embora tenha sido em sua época, confundido com os sofistas, (O comediógrafo Aristófanes o ridicularizava incluindo-o entre os sofistas), Sócrates travou uma polêmica profunda com eles, pois procurava um fundamento último para as interrogações humanas (O que é o bem?, O que é a virtude?, O que é a justiça?, etc.); Sócrates procurava compreender o que é a essência do homem. Ele dizia que a essência é a alma do homem, entendendo alma aqui como a razão, o nosso eu consciente. ―Sócrates nasceu e viveu em Atenas, Grécia. Filho de um escultor e de uma parteira, Sócrates conhecia a doutrina dos filósofos que o antecederam e de seus contemporâneos. Discutia em praça pública sem nada cobrar. Não deixou livros, por isso conhecemos suas ideias por meio de seus discípulos, sobretudo Platão e Xenofonte. Acusado de corromper a mocidade e negar os deuses oficiais da cidade, foi condenado à morte. Esses acontecimentos finais são relatados no diálogo de Platão, Defesa de Sócrates. Em outra obra, Fédon, Sócrates discute com os discípulos sobre a imortalidade da alma, enquanto aguarda o momento de beber a cicuta. Na maioria dos diálogos platônicos, Sócrates é o protagonista.‖ (p.21) MÉTODO SOCRÁTICO: A IRONIA E A MAIÊUTICA. Sócrates enfrentou o relativismo moral com um método simples: é preciso conhecer para se poder falar. Ironia: Com isso, Sócrates criou um método que muitos confundem ainda hoje apenas com uma figura de linguagem. A ironia socrática era, antes de tudo, o método de perguntar sobre uma coisa em discussão, de delimitar um conceito e, contradizendo-o, refutá-lo. No sentido comum, usamos a ironia para dizer algo e expressar exatamente o contrário. Por exemplo: afirmamos que alguma coisa é bonita, mas na verdade insinuamos que é muito feia. Diferentemente, para Sócrates, a ironia consiste em perguntar, simulando não saber. Desse modo, o interlocutor expões sua opinião, à qual Sócrates contrapõe argumentos. Ao fazer perguntas, comentando as respostas, refutando e
  42. 42. Apostila de Filosofia – 2015 Prof. Antonio Marques Facebook: Antonio Marques Whatsapp: 9634.0288 E-mail: planedoenharmonio@gmail.com Blog: http://buscadacompreensao.blogspot.com.br/ 42 voltando a perguntar, Sócrates caminha com o interlocutor para encontrar a definição da coisa procurada levando-o à consciência de que seu saber era baseado em reflexões, cujo conteúdo era repleto de conceitos vagos e imprecisos, preconceitos recebidos, imagens sensoriais percebidas ou opiniões subjetivas e não definição buscada, tendo, portanto um caráter purificador, à medida que levava o interlocutor a confessar suas próprias contradições e ignorâncias, a perceber a ilusão do conhecimento, a abandonar os seus pré-conceitos e a relatividade das opiniões alheias que coordenavam um modo de ver e agir e passasse a pensar, a refletir por si mesmo. Esse exercício era o que ficou conhecido como maiêutica, que significa a arte de parturejar. Maiêutica: A maiêutica centra-se na investigação dos conceitos. Para tanto, Sócrates faz novas perguntas para que seu interlocutor possa refletir. Portanto não ensina, mas o interlocutor descobre o que já sabia. Sócrates dizia que, enquanto sua mãe fazia parto de corpos, ele ajudava a trazer à luz ideias. Sócrates julgava ser destinado a não produzir um conhecimento, mas a parturejar as ideias provindas dos seus interlocutores. Significa que ele, Sócrates, não tinha nenhum saber pronto e acabado, apenas sabia perguntar mostrando as contradições de seus interlocutores, levando-os a produzirem um juízo segundo uma reflexão e não mais a tradição, os costumes, as opiniões alheias, etc. E quando o juízo era exprimido, cabia a Sócrates somente verificar se era um discurso verdadeiro, correto ou se tratava de uma ideia que deveria ser abortada (discurso falso, errôneo). Assim, ironia e maiêutica, constituíam, por excelência, as principais formas de atuação do método dialético de Sócrates, desfazendo equívocos que permitiam a introspecção e a reflexão interna, proporcionando a criação de juízos cada vez mais fundamentados no lógos ou razão. O interessante nesse método é que nem sempre as discussões levam de fato a uma conclusão definitiva (diálogos aporéticos, sem passagem) mas ainda assim trazem o benefício de cada um abandonar a sua Doxa, termo grego que designa a opinião, um conhecimento impreciso e sem fundamento. (p.21) PRESSUPOSTO: “SÓ SEI QUE NADA SEI”. Sócrates conversava com todos a partir do pressuposto: ―Só sei que nada sei‖. Por este princípio inicia a interrogação e o questionamento de tudo que parece óbvio. Em certa passagem de a Defesa de Sócrates, na qual se refere às calúnias de que foi vítima, o próprio filósofo lembra quando esteve em Delfos, local em que as pessoas consultavam o oráculoix no templo de Apolo para saber sobre assuntos religiosos, políticos ou ainda sobre o futuro. Lá quando o seu amigo Querofonte consultou Pítia indagando se havia alguém mais sábio do que seu mestre Sócrates, ouviu uma resposta negativa. Surpreendido com a resposta do oráculo, Sócrates resolveu investigar por si próprio quem se dizia sábio. Sua fala é assim relatada por Platão: Fui ter com um dos que passam por sábios, porquanto, se havia lugar, era ali que, para rebater o oráculo, mostraria ao deus: ―Eis aqui um mais sábio que eu, quanto tu disseste que eu o era!‖. Submeti a exame essa pessoa – é escusado dizer o seu nome: era um dos políticos. Eis, Atenienses, a impressão que me ficou do exame e da conversa que tive com ele; achei que ele passava por sábio aos olhos de muita gente, principalmente aos seus próprios, mas não o era. Meti- me, então, a explicar-lhe que supunha ser sábio, mas não o era. A consequência foi tornar-me odiado dele e de muitos dos circunstantes. Ao retirar-me, ia concluindo de mim para comigo: ―Mais sábio do que esse homem eu sou; é bem provável que nenhum de nós saiba nada de bom, mas ele supõe saber alguma coisa e não sabe, enquanto eu, se não sei, tampouco suponho saber. Parece que sou um nadinha mais sábio que ele exatamente em não supor que saiba o que não sei‖. Daí fui ter com outro, um dos que passam por ainda mais sábios e tive a mesmíssima impressão; também ali me tornei odiado dele e de muitos outros.2 2 PLATÃO. Defesa de Sócrates. v.II. São Paulo: Abril Cultural, 1972. P. 15. (Coleção Os pensadores).
  43. 43. Apostila de Filosofia – 2015 Prof. Antonio Marques Facebook: Antonio Marques Whatsapp: 9634.0288 E-mail: planedoenharmonio@gmail.com Blog: http://buscadacompreensao.blogspot.com.br/ 43 Leitura complementar: Filosofando: Sócrates e Sofistas (Cap. 1 – p.21 e 22) e (Cap.13 – p.151 -153 - (parte 3 e 4)). Sócrates Encontra Jesus Este diálogo se chama ―Socrates Meets Jesus‖ (Sócrates Encontra Jesus), embora eu ache que Jesus não seria tão dogmático assim e saberia aderir melhor ao método dialético do que só repetir frases. O locutor em questão parece-me mais com Paulo ou Pedro ou algum cristão moderno. Mesmo assim, traduzo-o aqui para vocês do jeito que estava: Sócrates Bom dia, Jesus, eu ouvi falar dos seus maravilhosos ensinamentos. Sou modestamente um filósofo aqui em Atenas. Disseram-me que você tem grande sabedoria e isso se demonstra pela quantidade de admiradores que lhe seguem pelas ruas. Se você tiver um minuto, eu agradeceria que me iluminasse com algumas respostas para alguns intrincados problemas com os quais tenho me debatido na vida. Jesus Eu sou um pescador de homens em busca de seguidores. Eu trago a verdade de Deus a todos. Procure e encontrarás, pergunte e será respondido, bata à porta e esta lhe será aberta. Sócrates Há uma pergunta básica que sempre me incomodou. Embora para mim seja um obstáculo na busca da verdade e do sentido, estou certo que você me ajudará, que para você será fácil responder e que me achará um velho tolo. Eu tenho ansiado por honra e nobreza, mas parece que nunca conheci algo honrado ou nobre. Com minha compreensão limitada, sempre me pareceu que a vida – com todo seu som e fúria – na verdade não significa nada. Por favor, me diga: como um homem deveria viver, qual o propósito da vida? Jesus Servir e cultuar Deus. Sócrates Qual Deus? Jesus Só existe um Deus. Sócrates Oh. Você deveria morar aqui em Atenas, nós temos vários para escolher. Jesus Só existe um Deus verdadeiro. Sócrates Certo, e qual é o Deus verdadeiro? Jesus O deus verdadeiro é o Senhor Deus. Sócrates Sim, mas quem é o Senhor Deus? Ou o que ele é? Jesus Ele é a sabedoria, amor, compaixão, paz e misericórdia infinitas. Ele é o criador do céu e da terra e de todas as coisas do universo. Sócrates De todas as coisas? Jesus Sim, todas. Ele é onipotente. Ele é mestre e controlador e criador de tudo. Ele é onipresente, nada pode acontecer que ele não saiba antes. Sócrates Ele criou pragas, guerras, morte, sofrimento e o mal? Jesus Não. Essas coisas e todos os outros males e tragédias vieram do Demônio, o príncipe das trevas; ou da fraqueza e natureza maligna do homem. Deus é todo bondade e livre de maldades; somente o bem pode vir de Deus. Sócrates E quem diabos é o demônio? Claro que ele deve ser um deus, já que é capaz de tantas calamidades à humanidade; mas você disse que só há um deus. Você também disse que tudo que existe vem de Deus; e agora você diz que só a bondade vem de Deus e o mal vem de alguém chamado demônio. Isso parece contraditório. Temo que sua religião é complexa demais para entrar nessa minha cabeça de velho. Ainda assim, serei um aluno aplicado e tentarei entender, se você me ajudar. Por favor, explique: quem é o demônio e como todas as coisas podem vir de Deus e ainda não virem de Deus? Jesus: O Demônio é um anjo caído que é ambicioso. Ele se rebelou contra Deus e quer destruir todos os seus trabalhos. Sócrates: E o que, em nome de Zeus, é um anjo? Jesus: Um anjo é um anjo. Sócrates: Claro, isso é uma identidade. Sócrates é Sócrates. Mas, sabe, isso não significa nada para mim, inexperiente que sou na sua religião. Embora seja tão verdadeiro quanto possa ser, não se relaciona a nada que eu compreenda. Compare com algo que eu conheça. Jesus: Um anjo é um anjo. Sócrates: Por favor, perdoe minha impassível ignorância. Entenda que não sou uma autoridade nisso como você. Eu nunca vi um anjo ou ouvi falar de um. Eu soube que você teve muitas visões estranhas no deserto por 40 dias sem comer. Diga-me, qual é a aparência desses anjos? Jesus: Eles têm asas. Sócrates: Os mosquitos também. Você pode ser mais específico?
  44. 44. Apostila de Filosofia – 2015 Prof. Antonio Marques Facebook: Antonio Marques Whatsapp: 9634.0288 E-mail: planedoenharmonio@gmail.com Blog: http://buscadacompreensao.blogspot.com.br/ 44 Jesus: Eles se parecem com as pessoas, exceto por terem asas. Sócrates: Que mais? Eles podem voar, suponho. Jesus: Sim, é pra isso que servem as asas. Sócrates: Claro, eu deveria saber. Você diz que eles parecem os homens. Como eles diferem dos homens? Jesus: Eles são muito melhores que os homens, e nunca morrem. Sócrates: Melhores como? Jesus: Mais virtuosos e mais poderosos. Muito mais poderosos. Sócrates: São super-humanos então. Jesus: Sim, absolutamente! Sócrates: Então eles são super humanos e são imortais. Nós em Atenas chamaríamos tais seres de deuses. Jesus: Não! Deus é mais poderoso que eles. Sócrates: Zeus também é mais poderoso que os outros deuses olimpianos, mas os outros ainda são definidos como deuses. Como você definiria o termo Deus? Jesus: Deus é o criador de tudo. Ele é todo poder, conhecimento, sabedoria e exemplo típico de justiça, misericórdia, compaixão, bondade e paz. Sócrates: Essas qualidade são, no entanto, não necessariamente consistentes. Não é possível para uma pessoa ser justa, pacífica e misericordiosa, tudo de uma só vez e em uma só situação. Se uma pessoa ou uma nação merece punição pela regra da justiça, você deve puni-lo ou lançar sua ira sobre eles, mas isso seria uma violação da regra da paz ou da misericórdia. Ninguém poderia ter todas essas qualidades porque elas se contradizem uma a outra, elas não podem existir juntas na mesma pessoa ao mesmo tempo. É como se um homem virasse tanto para a direita como para a esquerda em uma esquina, ao mesmo tempo, enquanto ainda permanecesse inteiro e completo. Jesus: Deus trabalha suas maravilhas de formas misteriosas. Sócrates: Parece que vocês têm vários deuses como nós temos em Atenas, apenas não os chamam de deuses. Jesus: Não! Deus é o todo-poderoso. Sócrates: Então a única diferença é o grau de poder? Jesus: Não. Deus é melhor e mais virtuoso que eles. O pecado é impossível para ele. Sócrates: O que é pecado? Jesus: É um ato de desobediência a Deus. Sócrates: Vejo então que Deus não poderia pecar, porque ele não pode desobedecer a si mesmo. Mas uma vez que o pecado é impossível para ele, isso não é mais uma marca característica de ele ser livre de pecado do que a marca de uma rocha ser a característica de não poder se mover. É meramente uma questão de definição. O que eles fazem, esses anjos? Jesus: Eles são os mensageiros de Deus. Sócrates: Por que, se Deus é todo poderoso, ele precisa de mensageiros? Jesus: Ele gosta assim. Sócrates: Eles são os escravos dele, então? Jesus: Não, eles o servem por vontade própria. Sócrates: O que acontece se não o servirem por vontade própria? Jesus: Existiram vários anjos liderados por Satã, o demônio, que se rebelaram contra Deus e foram lançados para fora do paraíso celeste, para um tormento e punição eternos. Sócrates: O que é o paraíso? Jesus: É um lugar maravilhoso no alto do céu. As ruas são pavimentadas de ouro. Tudo é pacífico e lindo lá. Deus mora lá e todos que acreditam em Deus vão para lá depois de morrer. Os homens têm vida eterna lá e eles ganham asas e cultuam Deus e tocam harpa em felicidade eterna para sempre. Esse é o propósito e objetivo de toda vida humana: ir para o céu quando morrer. Sócrates: Isso parece muito com os relatos que ouvi dados por aqueles comedores de lótus. Se esse é o propósito da vida, não seria mais simples se intoxicar de vinho e drogas e sentir-se assim o tempo todo, como os mendigos e bêbados que vemos do outro lado da cidade? Jesus: A Bíblia diz que você não deve se embriagar de vinho ou bebidas fortes. Sócrates: E, se o único propósito da vida humana é ir para o céu, por que não simplesmente nos matamos e vamos para lá? Jesus: Não matarás. Sócrates: Se Deus queria que o homem fosse para o céu, por que ele colocou o homem na terra? Por que ele não simplesmente colocou o homem no céu desde o começo? Acho difícil acreditar que o homem, com todas as suas capacidades, desejos e complexidades, foi criado meramente para sentar, fazer reverência, passar dificuldade e prestar culto. Certamente não há, nem nunca houve, um humano tirano tão vaidoso e orgulhoso que ele quis que seus súditos simplesmente fizessem reverência e labutassem de forma servil diante dele da alvorada ao crepúsculo, que dirá por toda a eternidade. Eu certamente posso entender por que Satã quis se rebelar contra tal sociedade estática, regimentada, opressora e tediosa. Do que você me disse, eu teria que me juntar a Satã na sua rebelião, pois – embora me considere um homem humilde – eu não poderia me curvar e ralar os joelhos e cantar louvores o dia todo para um ser que ameaça me punir e me dar um tormento eterno se eu não o obedecer. Jesus: O Senhor teu Deus é um deus ciumento e não terás outros deuses antes dele. Sócrates: Por que Satã se rebelou? Ele sabia
  45. 45. Apostila de Filosofia – 2015 Prof. Antonio Marques Facebook: Antonio Marques Whatsapp: 9634.0288 E-mail: planedoenharmonio@gmail.com Blog: http://buscadacompreensao.blogspot.com.br/ 45 que Deus era tão poderoso como você o descreve e que ele com certeza seria derrotado? Jesus: Satã se rebelou porque ele era muito orgulhoso e quis governar o céu sozinho. Ele conhecia parcialmente o grande poder de Deus, que era maior que o dele, mas ele queria tanto o poder que ficou disposto a arriscar. Sócrates: Satã foi certamente muito corajoso então; se debater contra um inimigo que não poderia derrotar. Jesus: Ele foi pecaminoso, porque desobedeceu à vontade de Deus. Sócrates: Parece que a única diferença entre Satã e Deus é o grau de poder. Jesus: Deus é perfeito. Ele é todo-poderoso, todo-conhecimento, e sem pecado. Sócrates: Claro; por definição ele é sem pecado porque ele não pode desobedecer a si mesmo. A única diferença real dos dois é o grau de poder. Portanto, Satã não estava errado ou em pecado ao se rebelar contra Deus, ele só estava errado por perder a rebelião. Se ele tivesse ganho, Deus seria o pecador, porque Deus teria sido desobediente a Satã que seria melhor do que Deus ou os outros anjos porque ele não poderia pecar contra si mesmo, ou seja, ser desobediente a si mesmo, e ele teria se provado o todo-poderoso. Se Satã tivesse ganho, ele teria se tornado Deus, por sua definição, porque ele teria sido todo-poderoso e sem pecado. Quem sabe se não foi isso que aconteceu? Da sua descrição de Deus, a esse ponto eu começo a suspeitar que foi isso o que ocorreu. Jesus: Deus é mais que mero poder e ausência de pecado: ele é justiça, misericórdia, paz e compaixão infinitas. Satã é vicioso, egoísta, destrutivo e mau. Sócrates: O que aconteceu a Satã depois que foi lançado para fora do céu? Jesus: Ele foi jogado no Inferno por Deus, onde ele é atormentado e torturado por toda a eternidade. Sócrates: O que é o Inferno e por que Satã fica lá se é tão doloroso e desagradável? Jesus: Deus o trancou no Inferno e a ele não é permitido sair. Deus criou o Inferno como um lugar para punir Satã e todos os homens que não têm fé em Deus. Trata-se de um fogo infernal de tortura, agonia e tormento: todos os homens pecadores que não pedem perdão a Deus e não têm fé nele vão para lá por toda a eternidade, para serem torturados pelo demônio. Sócrates: Se Deus é justo ou misericordioso, como ele pode fazer isso a um inimigo que lutou com ele em batalha? Por que Deus não simplesmente perdoou Satã depois de derrotá-lo, como os homens normalmente fazem a uma nação capturada depois de derrotada? A humanidade vitoriosa parece ser mais misericordiosa que Deus; pois eles não tratam os vencidos com tantos tormentos terríveis por toda a vida, que dirá pela eternidade. Por que Deus não demonstrou as qualidades que você descreveu, como sua justiça, misericórdia, compaixão e perdão, a Satã? Certamente a natureza guerreira de Deus está em contraste marcante com a sua definição do termo Deus como um ser pacífico, misericordioso e todo- perdão. Jesus: Deus age de formas misteriosas, realizando maravilhas. Sócrates: Se Satã está preso no Inferno, como ele poderia trazer pragas e tormentos à humanidade? E por que Deus permite isso se ele é todo-poderoso e todo-bondade? Se Deus é todo poderoso, como ele permite que o maligno Satã sobreviva? Por que ele não o destrói? Embora eu comece a considerar, a essa altura, se não seria melhor o contrário. Jesus: Deus permite a Satã ser livre para trazer pragas e tormentas à humanidade, a fim de punir o homem por seu pecado no Jardim do Éden. Sócrates: O que é o Jardim do Éden? Jesus: Quando Deus criou o primeiro homem e mulher, Adão e Eva, ele os colocou no Jardim do Éden. Quando eles foram criados, eles eram puros e sem pecado. Eis como Deus os criou. O Jardim do Éden era um lugar lindo, que tinha tudo o que Adão e Eva precisavam. Eles não tinham que trabalhar, era só colher os frutos dos ramos das frondosas árvores. Eles eram tão inocentes e descomplicados quanto crianças, e não sabiam nada sobre o amor carnal. Eles tinham um ao outro como companheiros e adoravam e cultuavam Deus, que os visitava de vez em quando. Sócrates: Por que Deus criou a humanidade? Jesus: Ele se sentiu solitário. Sócrates: Por que ele não simplesmente criou anjos adicionais que eram mais semelhantes a ele do que essa forma inferior de vida que é o Homem? Será que ele não quis escravos servis que ele poderia olhar de cima para baixo, e que o temeriam, reverenciaram e o cultuariam? Jesus: Uma vez que ele é nosso criador, nós devemos a ele nosso culto, reverência e obediência. Sócrates: O filho de um criminoso tem a obrigação de ser obediente a seu pai, ou ele tem o direito de julgar sozinho entre o certo e o errado? Que pecado o homem cometeu no Jardim do Éden? Jesus: No centro do Jardim do Éden, Deus colocou a árvore do conhecimento. Deus disse a Adão e Eva que não deveriam comer o fruto daquela árvore. Satã foi ao Jardim disfarçado de serpente e disse para a Eva que ela poderia ganhar grande conhecimento se comesse do fruto. Satã disse que Deus disse para eles não comerem do fruto porque ele tinha medo de que eles se tornassem tão grandioso quanto ele era. Eva convenceu Adão a comer a fruta. Depois de comerem, eles aprenderam sobre o sexo. Esse foi o pecado original. Sócrates: Você disse que Deus é todo- conhecimento; que ele sabe de tudo o que acontece antes de acontecer. Certamente Deus já sabia como o homem se comportaria em qualquer situação. Jesus: Deus deu o livre-arbítrio para o homem. Era tão possível ao homem ser virtuoso e obediente a Deus
  46. 46. Apostila de Filosofia – 2015 Prof. Antonio Marques Facebook: Antonio Marques Whatsapp: 9634.0288 E-mail: planedoenharmonio@gmail.com Blog: http://buscadacompreensao.blogspot.com.br/ 46 quanto era possível que ele fosse pecador e desobediente à palavra de Deus. Sócrates: Deus sabia que o homem iria pecar? Jesus: Ele sabia que o homem iria pecar, mas ele permitiu ao homem ter o livre arbítrio para fazer sua própria escolha. Sócrates: Deus poderia ter criado o homem para não pecar? Deus poderia ter criado o homem para que ele não tivesse pecado nessa situação específica? Jesus: Sim, uma vez que Deus é todo- poderoso, ele poderia ter feito isso, mas ele não quis que os homens fossem meros marionetes; ele quis que os homens tivessem livre arbítrio. Sócrates: Deus poderia ter criado o homem com duas cabeças e três pernas ou de outra forma, se ele quisesse? Jesus: Deus poderia ter criado o homem do jeito que ele quisesse. Sócrates: Deus criou o homem do jeito que bem entendeu? Ele tinha a intenção que o homem tivesse uma cabeça, duas pernas e a aparência que tem hoje? Jesus: Claro! Deus é perfeito e todo- poderoso, ele não cometeria um erro. Sócrates: Então Deus não errou, mas criou o homem exatamente como pretendia, em todos os sentidos? Jesus: Sim. Sócrates: Então você e eu fomos criados exatamente como Deus pretendia que fôssemos? E Adão e Eva foram criados exatamente como Deus pretendia que eles fossem? Jesus: Sim, foi isso que eu disse. Sócrates: E tudo o que é parte do homem veio de Deus? Jesus: Sim, deus é o mestre e controlador e criador de tudo. Sócrates: O demônio ou outra força qualquer criaram parte do homem? Jesus: Não. Deus é o único criador de tudo. Sócrates: Então, se Deus criou os olhos do homem, pernas e mente, ele também criou os desejos do homem; todos os seus desejos, até seu desejo por conhecimento e sexo. Por que o homem pecou? Jesus: Ele pecou por causa da sua fraqueza e sua natureza maligna. Sócrates: A natureza humana é parte do homem, como as mãos e pés são partes do homem? Jesus: Sim, a natureza do homem é parte do homem. Sócrates: Quem criou o homem? Jesus: Deus. Sócrates: Quem criou as mãos e pés do homem? Jesus: Deus. Sócrates: Quem deu ao homem duas mãos e dois pés e criou-os como são hoje, e exatamente como eram no tempo de Adão e Eva? Jesus: Deus. Sócrates: Quem criou a natureza humana? Jesus: Deus. Sócrates: Quem deu ao homem sua natureza maligna e sua fraqueza? Deus o fez, porque tudo que é parte do homem veio de Deus e apenas de Deus. Jesus: Deus deu ao homem o livre-arbítrio. Sócrates: Quem teve a intenção de que os homens tivessem duas mãos, o demônio? Jesus: Não. Deus que teve a intenção de fazer o homem com duas mãos. Sócrates: Quem teve a intenção de que o homem tivesse fraquezas e uma natureza maligna, o demônio? Não. Deus pretendia que o homem tivesse fraquezas e natureza maligna. Se a humanidade é falha ou má ou fraca, é porque Deus colocou a falta ou a fraqueza lá e teve a intenção de que fosse assim. Deixe-me contar-lhe outra parábola. Você já viu os pássaros matando os peixes no mar? Quem colocou naquele pássaro presas para matar o peixe-voador? Quem irá condenar o homem se o próprio juiz é arrastado para a frente da bancada? Jesus: O homem tem livre arbítrio. Deus não o forçou a pecar. Ele meramente deu- lhe a oportunidade de ser virtuoso ou pecador. O homem não teria valor algum para Deus se ele meramente o fizesse um marionete que não pudesse fazer nada além do bem. Ele quis dar ao homem a oportunidade de ser bom ou mau, de acordo com seu próprio mérito e escolha. Sócrates: É absurdo que Deus puna o homem depois de criá-lo. É como se Homero escrevesse uma ode sobre um porco e depois açoitasse as páginas ou as lançasse ao fogo eterno para serem consumidas só porque as qualidades do animal o desagradam. Ou como se um escultor fabuloso fizesse uma estátua perfeita de um porco e depois o chicoteasse por toda a eternidade porque ele não gostou dos traços do animal. Jesus: Deus não criou o homem com uma natureza maligna que predeterminasse que ele deveria pecar. Sócrates: Então quem fez isso? Jesus: Deus criou o homem para ser inocente e naturalmente bom. Deus colocou o homem em um paraíso, o Jardim do Éden. Ele deu ao homem o livre arbítrio e permitiu a Satã ir ao Jardim do Éden para testar a humanidade. Deus não predestinou que o homem pecaria. Sócrates: Mas Deus criou tudo que estava presente nessa combinação, situação ou ambiente. Quando ele criou cada um dos elementos ou ingredientes da situação, ele sabia exatamente como cada um iria reagir com os outros em qualquer circunstância, porque ele sabia de tudo. Ele teve a intenção de que cada elemento fosse exatamente como era porque ele era todo- poderoso e não poderia cometer um erro. É como se um cientista ou um médico combinassem vários ingredientes para fazer um remédio, os quais – ainda que inofensivos

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