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  1. 1. E O spírito SANTO O Dom de Falar em Línguas e o Espírito Santo Owen D. Olbricht No caso de alguém falar em outra língua, que não sejam mais do que dois ou quando muito três, e isto sucessivamente, e haja quem interprete. Mas, não havendo intérprete, fique calado na igreja, falando consigo mesmo e com Deus (1 Coríntios 14:27, 28). O dom de falar em línguas é uma prática mencionada no Novo Testamento, mas não no Antigo1 . Se a declaração de que Jesus “ontem e hoje, é o mesmo e o será para sempre” (Hebreus 13:8) significa que, em todas as eras, ele realiza os mesmos atos miraculosos, os seguidores de Deus deveriam ter falado em línguas desconhecidas desde a criação. Além disso, se o falar em línguas é um sinal de superioridade espiritual, parece estranho não haver registro algum de que Cristo falasse em línguas. No longo período da história bíblica, o falar em línguas é mencionado somente uma vez em Jerusalém, pelos apóstolos no dia de Pentecostes (Atos 2:1–11); uma vez em Cesaréia, quando as portas do evangelho foram abertas aos gentios (Atos 10:44–46); uma vez em Éfeso, por doze convertidos (Atos 19:6) e em Corinto, por membros da igreja do Senhor (1 Coríntios 12:10, 28; 13:8; 14:2–28). Nada no Novo Testamento indica que a prática continuou em alguma das congregações, exceto na igreja em Corinto. O QUE É O FALAR EM LÍNGUAS? A palavra hebraica leshonah é mais freqüentemente traduzida por “língua” — com referência ao órgão do corpo com o qual produzimos a fala (Juízes 7:5; 2 Samuel 23:2) — ou “língua”, sinônimo de idioma (Ester 1:22; 3:12; Jeremias 5:15; Ezequiel 3:5, 6). A tradução grega do hebraico leshonah é glossa (compare Isaías 28:11 com 1 Coríntios 14:21; gr.: eteroglossois). Glossa significa o órgão do corpo chamado língua (Marcos 7:33, 35)2 , um jato cônico parecido com uma chama (Atos 2:3) ou um idioma (Atos 2:4, 11; 10:46; 19:6). O primeiro exemplo registrado do falar em línguas deu-se através dos apóstolos, no dia de Pentecostes, que foi o milagre de falarem línguas diferentes, e não o de falarem uma só língua que foi entendida em várias línguas diferentes (Atos 2:4–11). Os integrantes da multidão ouviram em suas próprias línguas porque os apóstolos falaram “em outras línguas” (Atos 2:4). Esse era um sinal muito convincente (1 Coríntios 14:22) para os judeus incrédulos que estavam presentes. Depois disso, Pedro levantou-se com os apóstolos e falou à multidão (Atos 2:14). O fato dele ser entendido por todos da multidão não significa que estava falando uma língua, sendo esta entendida por todos os falantes das outras línguas. Os judeus que estavam em Jerusalém oriundos de várias nações (Atos 2:5–11) eram bilíngües; podiam 12 11 Numa ocasião lemos que “o Senhor fez falar a jumenta” de Balaão (Números 22). Veja também Lucas 1:64; 16:24; Atos 2:26; Romanos 3:13; 14:11; 1 Coríntios 14:9; Filipenses 2:11; Tiago 1:26; 3:5, 6, 8; 1 Pedro 3:10; 1 João 3:18; Apocalipse 16:10. 1
  2. 2. entender Pedro quando ele falava em hebraico. Numa ocasião posterior (Atos 20:16), Paulo falou em Jerusalém a uma multidão de judeus (Atos 21:27) com formação multilíngüe. Porque sabiam falar o hebraico, esses judeus conseguiram entender Pedro quando este lhes discursou em língua hebraica (Atos 21:40). O QUE PAULO ENSINOU A RESPEITO DO FALAR EM LÍNGUAS? Até o presente, os debates travados sobre o uso que Paulo fez do termo glossai (plural de glossa), “línguas”, em 1 Coríntios 14, já resultaram em quatro propostas de significados: 1) línguas celestiais, 2) elocuções extáticas que não constituem um idioma, 3) discurso sofisticado que só podia ser entendido pelos mais cultos ou 4) línguas humanas que podiam ou não ser entendidas por quem as falava. Somente o significado apresentado na quarta proposta pode estar correto. As línguas de Atos 2:4 e 11, aparentemente, eram as línguas nativas dos judeus que foram a Jerusalém para observar a festa de Pentecostes. Naquele dia, os apóstolos, não-falantes de línguas estrangeiras, falaram as línguas dos vários países ali representados. Falaram nas glossai (“línguas”; Atos 2:11), também chamadas de dialektos (literalmente, “dialetos”, traduzido por “línguas” [Atos 21:40; 22:2; 26:14]). Esses termos são usados no Novo Testamento somente para línguas conhecidas. O Livro de Apocalipse usa glossai com referência às várias classificações ou grupos lingüísticos do mundo (Apocalipse 5:9; 7:9; 10:11; 11:9; 13:7; 14:6; 17:15). O termo não indica a existência de línguas celestiais, falas extáticas ou orações em línguas. Se, em 1 Coríntios 14, Paulo se referia a línguas celestiais ou extáticas (elocuções produzidas por emoção e por pessoas induzidas a um êxtase), ou a um discurso sofisticado, então ele estava usando uma definição para glossai não usada em nenhuma outra parte da Bíblia. Ao usar o termo glossai, Paulo se referia a línguas humanas conhecidas, como é evidente considerando-se os seguintes fatos: 1. Paulo ensinou que “línguas” eram um dom do Espírito Santo (1 Coríntios 12:10) que Deus colocava na igreja (1 Coríntios 12:10, 11, 28). 2. O falar em línguas era para ser usado com propósitos de ensino (1 Coríntios 14:6). 3. O falar em línguas era um sinal para os descrentes (1 Coríntios 14:22). Se os descrentes 2 não podiam identificar se era algo miraculoso que estava acontecendo, o falar em línguas não poderia ser para eles um sinal do poder miraculoso de Deus. 4. As línguas eram para a edificação de quem falava (1 Coríntios 14:4) ou, se interpretadas, para a edificação da igreja (1 Coríntios 14:5). No versículo 4 Paulo não estava dando permissão para que se falasse em línguas na igreja visando à auto-edificação. Pelo contrário, ele estava mostrando que, a menos que houvesse interpretação, o falar em línguas podia beneficiar somente quem estava falando. Mais adiante, ele afirmou que ninguém deveria falar sem um intérprete (1 Coríntios 14:28), visto que a igreja não seria edificada com algo que não entendia (1 Coríntios 14:5). Segundo Paulo, todas as coisas feitas na assembléia eram para a edificação da igreja, não para a edificação pessoal (1 Coríntios 14:5, 12, 26). Se as línguas fossem elocuções extáticas sem significado, não poderiam ser interpretadas e a igreja não poderia ser assim edificada. 5. As línguas de Isaías 28:11, que Paulo citou referindo-se ao dom de línguas em Corinto (1 Coríntios 14:21), eram línguas estrangeiras. Essas “línguas” não eram elocuções extáticas ou línguas de anjos. 6. O grego hermeneus — com suas formas cognatas, incluindo aquelas com prefixos3 — significa “interpretar”, “interpretação” ou “intérprete”. A palavra refere-se a uma tradução de palavras conhecidas para uma língua existente. A única exceção a essa regra é Lucas 24:27, onde o significado é “explicar” passagens não entendidas pelos ouvintes. Isso implicaria que as “línguas” de 1 Coríntios 14 eram línguas que podiam ser interpretadas. Nada é declarado no Novo Testamento a respeito de todos os intérpretes obterem a capacidade de interpretar através do Espírito Santo ou se entendiam determinada língua por terem aprendido essa língua anteriormente. A capacidade de interpretar é mencionada, mas os meios de se fazer essa interpretação nem sempre são citados (1 Coríntios 14:27, 28). Isto pode implicar que uma pessoa que havia aprendido determinada língua podia interpretá-la tanto quanto uma pessoa que, não conhecendo essa 13 Veja Mateus 1:23; Marcos 15:22, 34; Lucas 24:27; João 1:38, 41, 42; 9:7; Atos 4:36; 9:36; 13:8; 1 Coríntios 12:10, 30; 14:5, 13, 26, 27, 28; Hebreus 7:2.
  3. 3. língua, foi capacitada pelo Espírito Santo para interpretar (1 Coríntios 12:10, 11). A possibilidade de uma pessoa que aprendeu uma língua interpretar essa língua confirmava que se tratavam de línguas conhecidas. A injunção dessa passagem se aplicaria a um missionário em terra estrangeira. Se ninguém entre os ouvintes pode interpretar a língua do missionário, ele deve permanecer em silêncio. A menos que suas palavras sejam entendidas, os ouvintes não serão beneficiados. Uma elocução precisa ter sentido antes de ser traduzida. Seria impossível interpretar elocuções extáticas e sem significado. A indicação de Paulo de que as línguas em Corinto podiam ser traduzidas (1 Coríntios 14:5, 13, 27) deve significar que o dom de línguas envolvia línguas reais. QUAL ERA O PROPÓSITO DO DOM DE FALAR EM LÍNGUAS? Alguns concluem que “línguas” em 1 Coríntios 14:2 eram línguas de anjos ou orações que ninguém podia entender. Tal conclusão faria Paulo se contradizer no restante do capítulo 14. A observação de Fred Fisher a respeito desse versículo é correta: “Isto não significa necessariamente que ninguém entendia, mas que ninguém dos presentes entendia”4 ; grifo meu. Em 1 Coríntios 14 Paulo deu as seguintes instruções com respeito ao dom de falar em línguas, o que indica que esse dom era para fins de comunicação: 1. As línguas deveriam ser interpretadas para a edificação da igreja (v. 5). Com base nesse fato, podemos concluir que as informações transmitidas pela pessoa que possuía esse dom não eram apenas balbúcias sem sentido nem visavam seu benefício pessoal, mas eram informações que podiam edificar a igreja. Se não fossem interpretadas para a congregação, o único a ser edificado seria o falante (se ele mesmo conseguisse entender a língua). Aquele que falava em línguas deveria orar pela capacidade de interpretar para edificar a congregação (vv. 5, 12, 13). 2. O dom de línguas que beneficiaria a igreja, disse Paulo, deveria ser “por meio de revelação, ou de ciência, ou de profecia, ou de doutrina” (v. 6). Revelação, ciência, profecia e doutrina 14 Fred Fisher, Commentary on 1 & 2 Corinthians (“Comentário de 1 e 2 Coríntios”). Waco, Tex.: Word Books, 1975, p. 220. nesse cenário eram mensagens de Deus (1 Coríntios 12:8, 10, 28–30). A igreja poderia ser beneficiada através de tais mensagens somente se fosse instruída numa língua que pudesse entender. Paulo não diz nada que pressuponha orar em línguas ou emitir elocuções de anjos. 3. Assim como os devidos sons tinham de ser emitidos nos instrumentos musicais para convocar os judeus à adoração ou batalha, as línguas tinham de transmitir uma mensagem distinta, que fosse útil aos que a ouvissem (vv. 7, 8). Aquele que falava tinha de emitir sons que os ouvintes entendessem; de outra forma, ninguém saberia o que foi dito (v. 9). 4. O mundo tem muitas línguas (gr.: phonon, traduzido por “vozes” no v. 10). Vozes e línguas úteis são aquelas que transmitem uma mensagem significativa. Se a língua fosse desconhecida, o ouvinte entenderia tanto quanto se estivesse ouvindo um estrangeiro (v. 11). 5. O propósito do falar em línguas era comunicar de modo que os ouvintes pudessem dar seu consentimento de coração, dizendo: “Amém”. A pessoa que não entendia a língua não podia dizer “amém”, pois não sabia o que fora dito (v. 16). A palavra idiotes (de onde provém “idiota”) é traduzida por “indoutos” nos versículos 23 e 24 e significa aquele que não foi ensinado ou é incapacitado (Atos 4:13; 2 Coríntios 11:6). Isso implica que uma língua podia ser entendida por uma pessoa que tivesse sido educada particularmente nela, mas a pessoa que não havia aprendido a língua não seria capaz de entendê-la. A partir disso, podemos concluir que as línguas eram idiomas que podiam ser entendidos, sem um intérprete, por aqueles que aprenderam essas línguas. 6. O dom de línguas era um sinal para os descrentes (v. 22). As vozes emitidas só poderiam constituir um sinal se alguém dentre os ouvintes identificasse que se tratava de uma língua concedida por Deus. Pedro disse que o que os judeus ouviram (os apóstolos falando nas línguas das muitas nações presentes no dia de Pentecostes e o som como de um vento forte) era uma prova de que Jesus estava entronizado à destra de Deus (Atos 2:4–11, 33). As línguas eram um sinal visível para esses judeus incrédulos. Os judeus disseram o seguinte a respeito das elocuções dos apóstolos: “Como os ouvimos falar em nossas próprias línguas as grandezas de 3
  4. 4. Deus” (Atos 2:11b). Nenhuma elocução extática ou língua não-humana seria capaz de fazê-los dizer tal coisa, nem haveria um outro discurso que deixasse as pessoas tão atônitas e admiradas (Atos 2:7), como o discurso proferido por galileus falando em línguas que jamais aprenderam. As línguas em que os apóstolos falaram naquele dia eram um “sinal” convincente de que Deus estava falando por intermédio deles. O DOM DE LÍNGUAS ENVOLVE LÍNGUAS DE ANJOS OU ORAR EM LÍNGUAS? Hoje, os que afirmam falar em línguas usam intérpretes em países estrangeiros, em vez de falarem nas línguas dos países onde ensinam. Quando se pergunta a eles a respeito do uso de intérpretes, geralmente tentam escapar do dilema dizendo que “línguas” são orações em línguas ou línguas de anjos. Apóiam-se na expressão “falando consigo mesmo e com Deus” em 1 Coríntios 14:28b. Todavia, essa passagem citada com freqüência também afirma que quem fala em línguas sem um intérprete deve ficar “calado na igreja”. Isto não dá permissão para que se façam murmurações a Deus, em voz alta, na assembléia. “Calado”, traduzido de sigao, significa não emitir som algum (Lucas 9:36; 20:26; Atos 12:17; 15:12, 13 [“guardado em silêncio”]; Romanos 16:25 [“calado”]; 1 Coríntios 14:28, 30, 34). Muitos que clamam falar em línguas afirmam que o propósito do dom de línguas “na oração” é evitar que Satanás entenda o que está sendo dito. Como sabem que Satanás não pode entender essas línguas? Não há nenhuma revelação de Deus a respeito disso. Primeira Coríntios 14:28 não diz que a pessoa que fala em línguas deve falar consigo mesma e com Deus numa língua desconhecida, quando nenhum intérprete está presente. É mais provável que o texto diga que ele deve se comunicar consigo mesmo e com Deus numa língua que ele entenda. Se ele mesmo pudesse entender ou interpretar a língua, haveria um intérprete presente. Ele poderia falar e depois interpretar para proveito da congregação. Se ele não pudesse interpretar, não poderia entender o que estava dizendo a si mesmo ou a Deus. A maioria dos grupos que falam em línguas crêem que possuem em seu meio intérpretes capacitados pelo Espírito. Se isto for verdade, 4 ninguém entre eles deveria fazer orações pessoais em línguas, falando consigo mesmo e com Deus. Conforme tal raciocínio, isto deveria acontecer somente se não houvesse um intérprete presente. Paulo usou afirmações hipotéticas em 1 Coríntios 13:1–3 para enfatizar que sem amor os dons não faziam sentido. Apesar de falar em línguas mais do que todos os coríntios (1 Coríntios 14:18), ele não disse que falava na língua dos anjos, nem que conhecia todos os mistérios, nem que tinha fé capaz de remover montanhas, nem que tinha dado todos os seus bens aos pobres ou que tinha oferecido seu corpo para ser queimado. Igualmente, ele não estava dizendo que orava em espírito numa língua, sem a mente entender a oração. Pelo contrário, ele disse que oraria com o espírito e com entendimento (1 Coríntios 14:15). Paulo afirmou que ele preferia falar “cinco palavras” de instrução a “dez mil” numa língua que eles não pudessem entender (1 Coríntios 14:19). O FALAR EM LÍNGUAS ENVOLVE LÍNGUAS ESTRANGEIRAS? Concluir que as línguas de 1 Coríntios 12 e 14 eram apenas orações e línguas celestiais não priva os falantes de línguas de falarem de maneira ininteligível àqueles cujas línguas eles desconhecem. Os apóstolos só fizeram isso no dia de Pentecostes (Atos 2:4–11). Se hoje uma fé firme ou o dom do Espírito Santo pode conceder a capacidade de falar em línguas como os apóstolos, os atuais falantes de línguas não passaram no próprio teste. Se não podem falar línguas que nunca ouviram, estudaram nem aprenderam como um sinal para os seus ouvintes, então não podem fazer o que os apóstolos fizeram. O falar em línguas que ocorreu no dia de Pentecostes cessou; de outra forma, os falantes de línguas de hoje seriam capazes de ir a qualquer país e falar a língua dali sem estudá-la. O Espírito Santo ainda tem o poder de dar a capacidade de falar em línguas desconhecidas ao falante mas inteligíveis aos ouvintes. Se hoje não se pode repetir o que os apóstolos fizeram, então o dom de falar em línguas realmente cessou. O fato de os grupos que alegam falar em línguas precisarem de intérpretes quando falam com povos de outras línguas é uma prova de que eles não possuem o dom de falar em línguas, concedido aos apóstolos no dia de Pentecostes. Deus deu aos apóstolos o poder de se comunicarem com
  5. 5. aqueles cujas línguas eles não aprenderam. O fracasso em se realizar esse feito hoje não é porque Deus não pode conceder tal poder, mas porque o falar em línguas cessou. Se não tivesse cessado, comunicar-se com outros em línguas desconhecidas pelo falante continuaria acontecendo hoje. As mulheres pertencentes a igrejas que alegam falar em línguas geralmente falam nas assembléias tanto quanto — ou mais que — os homens. Paulo escreveu: “Conservem-se as mulheres caladas nas igrejas, porque não lhes é permitido falar… porque para a mulher é vergonhoso falar na igreja” (1 Coríntios 14:34, 35). As mulheres não devem ser compelidas a falar, pois “os espíritos dos profetas estão sujeitos aos próprios profetas” (1 Coríntios 14:32). Paulo estava escrevendo o mandamento do Senhor (1 Coríntios 14:37). Se todos os membros de uma congregação falassem em línguas de uma vez sem intérprete algum, o descrente que não entendesse pensaria que estão loucos (v. 23). O oposto seria verdade se os que profetizam falassem de uma vez numa língua entendida pelos ouvintes (vv. 24, 31). Os que falavam em línguas deveriam falar um por vez, não sendo permitido que mais de três falassem. Também nesse caso, alguém tinha de interpretar. Se não houvesse intérprete presente, o que falava em línguas deveria ficar calado (1 Coríntios 14:27, 28). Conforme Paulo, o falar em línguas era um dos menores dons (1 Coríntios 14:5), o que também se reflete no fato de o falar em línguas e a interpretação de línguas estarem sempre no fim da lista de dons (1 Coríntios 12:10, 30). Depois de enumerar os dons em ordem de importância, a admoestação de Paulo foi que procurassem “com zelo, os melhores dons” (1 Coríntios 12:31a). A seguir, ele mostrou em 1 Coríntios 13 que o amor era o caminho sobremodo excelente. QUANDO O DOM DE LÍNGUAS DEVERIA CESSAR? A pergunta não é se o dom de línguas deveria cessar, mas quando ele deveria cessar. Primeira Coríntios 13:8 afirma claramente que o falar em línguas cessaria. Em 1 Coríntios 13, Paulo mostrou que o amor é um caminho sobremodo mais excelente que os dons do Espírito (1 Coríntios 12:31b). Suas razões eram as seguintes: 1) sem amor, as línguas eram sons simplesmente vazios (v. 1); 2) sem amor, aquele que recebera de Deus o dom da fé e do conhecimento não era nada (v. 2); sem amor, o ato de dar todos os bens aos pobres e ser um mártir não tinha proveito algum (v. 3); 4) o amor permaneceria, enquanto os dons miraculosos cessariam (vv. 8, 13). A profecia, o falar em línguas e o conhecimento cessariam quando viesse o que é perfeito (1 Coríntios 13:8–10). Paulo explicou isso, comparando-se com a igreja na sua infância. Esses dons eram como brinquedos que Paulo possuíra quando criança, mas pusera de lado ao se tornar um homem (1 Coríntios 13:11). Ele também disse que o uso dos dons era como verse num espelho, que naqueles dias não refletia uma imagem clara. Paulo contrastou a visão ofuscada do espelho com ver algo face a face. Embora fossem necessários à igreja infantil, os dons espirituais miraculosos cessariam quando a igreja estivesse provida de tudo o que precisava para se tornar madura. O significado de “perfeito” (teleios5 ; 1 Coríntios 13:10) é importante para se entender essa passagem. Não significa “sem defeito”, como muitas vezes usamos a palavra “perfeito” hoje, mas o estado de ter atingido um fim ou pleno desenvolvimento — “perfeito” (Mateus 19:21; Efésios 4:13; Colossenses 1:28; Hebreus 5:14), “experimentado” (1 Coríntios 2:6) ou “amadurecido” (1 Coríntios 14:20). O propósito dos dons era suprir a igreja com tudo o que ela necessitasse para se desenvolver plenamente. Várias ajudas foram fornecidas para possibilitar isso (Efésios 4:11–13). Em vez de terem chegado à maturidade, os coríntios permaneciam crianças espiritualmente (1 Coríntios 3:1, 2). Deixaram de colher os benefícios de seus dons espirituais. Aqueles que se sentiam espiritualmente superiores porque criam que tinham dons espirituais deviam reconhecer que os dons não eram um fim em si mesmos, mas muletas para ajudar a jovem igreja a crescer. Quando os cristãos recebessem tudo o que necessitavam para atingir a maturidade, os dons cessariam. O crescimento e desenvolvimento dos cristãos 15 Nas versões da Bíblia para o português “perfeito” é o termo mais usado; “a palavra grega significa, maduro, inteiro, total” (Robert G. Bratcher, A Translator’s Guide to Paul’s First Letter to the Corinthians [“Guia do Tradutor da Primeira Carta de Paulo aos Coríntios”]. Nova York: United Bible Societies, 1982, p. 128). 5
  6. 6. dependiam da Palavra (1 Pedro 2:2), pela qual as pessoas vinham a conhecer Jesus (2 Pedro 3:15– 18) e buscavam crescer até Sua estatura (Efésios 4:13). Até os dons de revelação da Palavra (profecia, falar em línguas e conhecimento) concederam a Palavra por completo, a igreja não teria amadurecido no conhecimento da Palavra de Deus. Quando toda a revelação de Deus fosse dada através desses dons, a igreja teria tudo o que necessitava para aprender a ser “perfeita”. Quando chegasse essa hora, os dons de revelação da Palavra cessariam. Isso aconteceu quando o cânone do Novo Testamento foi concluído. Desde então, nenhuma nova profecia, ou conhecimento divinamente cedido, ou revelação por meio de línguas foi dado. Toda doutrina necessária para o total desenvolvimento da igreja já foi revelada. As Escrituras suprem completamente o que a igreja precisa “a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra” (2 Timóteo 3:17). Paulo certamente não cria que a revelação das Escrituras estava concluída, quando escreveu 2 Timóteo 3:16 e 17. A afirmação do apóstolo poderia estar incluindo apenas o Antigo Testamento e a parte do Novo Testamento que já estavam escritos àquela época, mais quaisquer porções subseqüentes. Toda revelação antes, durante ou depois do escrito de Paulo supre-nos com toda a verdade necessária. Paulo afirmou: “Porque, em parte, conhecemos e, em parte, profetizamos” (1 Coríntios 13:9). Isso incluía “línguas”, pois eram um veículo pelo qual a “profecia” e o “conhecimento” eram dados (1 Coríntios 14:6). A revelação que fora dada até aquele momento era em parte. A palavra grega usada aqui, merous, significa uma quota, uma parte incompleta, “em contraste com o todo”6 . Merous também aparece em Lucas 11:36; 15:12; João 19:23 e Atos 5:2. Viria um tempo em que o que era em parte estaria completo; então o que era em parte cessaria. Quando a profecia, o falar em línguas e o conhecimento divinamente revelado tivessem cumprido seu propósito — dar à igreja tudo o que ela necessitava para ser “perfeita” — então esses 16 Walter Bauer, A Greek-English Lexicon of the New Testament and Other Christian Literature (“Léxico Grego-Inglês do Novo Testamento e de Outras Literaturas Cristãs”), 2a. ed. rev. William F. Arndt, F. W. Gingrich e F. W. Danker. Chicago, Ill.: University of Chicago Press, 1979, p. 506. 6 dons cessariam. O contraste se dá entre “em parte” e “perfeito” (completo). Se o que era “em parte” era conhecimento e profecia revelados (1 Coríntios 13:9), então o “perfeito” implica a conclusão do que era “em parte”, ou seja, conhecimento e profecia inteiros. Os céus, um estado de perfeição, a vinda de Jesus e o amor não estavam sendo analisados. Embora Paulo tenha exposto o amor em 1 Coríntios 13:1–8, ele fez isso dentro do contexto dos dons (1 Coríntios 12—14), assunto que ele retomou no versículo 8. O desenvolvimento do amor dentro da igreja não era o que determinava o término dos dons; mas eles cessariam por terem cumprido seu propósito em prover o que a igreja necessitava para amadurecer. À medida que a Palavra de Deus foi sendo completamente revelada, ela era confirmada por sinais miraculosos (Marcos 16:20; Atos 14:3; Hebreus 2:3, 4), incluindo o dom de línguas (1 Coríntios 14:22). Quando a revelação terminasse, os sinais miraculosos também terminariam porque teriam cumprido seu propósito. CONCLUSÃO Em alguns casos, Deus usou línguas que os falantes não haviam aprendido como um sinal para os descrentes e para revelar Sua Palavra (Atos 2:11; 10:46; 1 Coríntios 14:6, 22). Essas línguas não deveriam ser usadas com os que não as conheciam, a menos que fossem interpretadas para a edificação dos ouvintes (1 Coríntios 14:16). Quando o dom de línguas e os demais dons miraculosos já haviam cumprido seu propósito, eles cessaram. Jimmy Jividen subdividiu o tema nos seguintes tópicos: “A Necessidade do Dom Cessou”, “Os Meios de se Obter o Dom Cessaram” e “Paulo Previu o Fim dos Dons”7 . Essas idéias resumem bem as provas de que o falar em línguas e outros dons miraculosos cessaram. Sinais são desnecessários agora que a Palavra de Deus foi totalmente revelada e confirmada (Marcos 16:20). Os apóstolos já não estão presentes para conferir os dons pela imposição de suas mãos (Atos 8:14–18; 19:6). Paulo disse que os dons cessariam (1 Coríntios 13:8–10) e isso ocorreu com a morte da última pessoa sobre quem um dos apóstolos impôs as mãos. ■ 17 Jimmy Jividen, Glossolalia: From God or Man? (“Glossolalia: de Deus ou do Homem?”). Fort Worth, Tex.: Star Bible Publications, 1971, pp. 144–47. ©Copyright 2003, 2006 by A Verdade para Hoje TODOS OS DIREITOS RESERVADOS

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