O cortiço

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o cortiço de Aluísio Azevedo

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O cortiço

  1. 1. O CORTIÇO 1890 Aluísio Azevedo
  2. 2. ESCOLA LITERÁRIA: NATURALISMO Escola Literária dominante no séc. XIX no Brasil e em toda a Europa. Os romances naturalistas destacam-se pela abordagem extremamente aberta do sexo e pelo uso da linguagem falada. O resultado é um diálogo vivo e extraordinariamente verdadeiro, que na época foi considerado até chocante de tão inovador. O francês Émile Zola foi o idealizador do naturalismo e o escritor que mais se identificou com ele. O romance experimental (1880) é considerado o manifesto literário do movimento.
  3. 3. Características gerais do naturalismo  Impessoalidade / Linguagem simples e enxuta  Engajamento literário (o autor tenta convencer o leitor)  Determinismo (o homem é fruto do meio/ raça/ momento)  Darwinismo social  Positivismo / Cientificismo exagerado. Ambiente e personagens  Ambiente restrito como microcosmo de toda a sociedade  Preferência por grupos humanos marginalizados  Patologias sociais (prostituição, traição, incesto)  Animalização / Zoomorfização dos personagens
  4. 4. Aluísio Azevedo foi o melhor representante da tendência naturalista do Realismo brasileiro. Em seu esforço de conhecimento da realidade, explicitava a vida humana mesmo em seus aspectos mais sórdidos: a baixeza, a exploração, a desonestidade e o crime. No Brasil, a prosa naturalista foi iniciada com a obra “O Mulato” em 1881; esta marcou o inicio do naturalismo brasileiro e a obra “O Cortiço” também de sua autoria marcou essa tendência.
  5. 5. PERÍODO HISTÓRICO A obra o Cortiço foi escrita no ano de 1890, sucedendo a Proclamação da República e a recente abolição da escravatura, onde a sociedade ainda não estava adaptada às novas formações sociais que a política e a economia do momento representavam, sendo que em várias regiões mais distantes da capital levaram-se anos para tomar conhecimento das mudanças que ocorriam nos centros metropolitanos. Durante sua narrativa, Aluísio de Azevedo compara o cortiço a um organismo vivo. E suas personagens, os moradores do cortiço são retratados pelo lado biológico e social, sendo estas duas esferas inseparáveis.
  6. 6. RESUMO DA HISTÓRIA O Cortiço conta principalmente duas histórias: a de João Romão e Miranda, dois comerciantes, o primeiro, o avarento dono do cortiço, que vive com uma escrava a qual ele mente liberdade. Com o tempo sua inveja de Miranda, menos rico mas mais fino, com um casamento de fachada, leva-o a querer se casar com sua filha (e tornar-se Barão no futuro, tal qual Miranda se torna no meio da história). Isto faz com que ele se refine e mais tarde tente devolver Bertoleza, a escrava, a seu antigo dono (ela se mata antes de perder a liberdade). A outra história é a de Jerônimo e Rita Baiana, o primeiro, um trabalhador português que é seduzido pela Baiana e vai se abrasileirando. Acaba por abandonar a mulher, pára de pagar a escola da filha e matar o ex-amante de Rita Baiana. No pano de fundo existem várias histórias secundárias, notavelmente as de Pombinha, Leocádia e Machona, assim como a do próprio cortiço, que parece adquirir vida própria como personagem
  7. 7. João Romão enriquece às custas de sua obsessão pelo trabalho de comerciante, mas também por intermédio de meios ilícitos, como os roubos que pratica em sua venda e a exploração da amante Bertoleza, a quem engana com uma falsa carta de alforria. Ele se torna proprietário de um conjunto de cômodos de aluguel e da pedreira que ficava ao fundo do terreno. Aumenta sua renda e passa a se dedicar a negócios mais vultosos, como aplicações financeiras. Aos poucos, refina-se e deixa para trás a amante. A decadência atinge também outros moradores do cortiço. É o caso de Pombinha, moça culta que aguardava a primeira menstruação para se casar. Seduzida pela prostituta Léonie, abandona o marido e vai viver com a amante, prostituindo-se também.
  8. 8. A ASCENSÃO SOCIAL A ambição de João Romão não é condenada, afinal, ele apenas se aproveita das oportunidades oferecidas pela sociedade capitalista então nascente. O livro retrata bem essas relações, em vários aspectos. João Romão é o sujeito trabalhador que acorda de madrugada e se priva do conforto e, que no fim consegue realizar um sonho de ascensão social. Em seu caso, essa subida se completa pelo desprezo e por uma extrema maldade contra Bertoleza, que trabalha com ele o tempo todo e que no fim é denunciada como escrava fugida.
  9. 9. Ocorre também o contrário, com o português Jerônimo: ele, como milhares de outos portugueses e pessoas de outras origens, vem para o Brasil em busca de oportunidades. Trabalha bem e bastante preservando seus valores. Mas em determinado ponto tudo desanda, porque ele perde a cabeça de paixão. Acaba muito mal, sem nada do que sonhara.
  10. 10. TRAÇOS DO NATURALISMO NO LIVRO O sexo é, em O Cortiço, força mais degradante que a ambição e a cobiça. A supervalorização do sexo, típica de determinismo biológico e do naturalismo, conduz Aluísio a focalizar diversas formas de "patologia" sexual: "acanalhamento" das relações matrimoniais, adultério, prostituição, lesbianismo etc. A homossexualidade retratada em O Cortiço No naturalismo brasileiro o homem é visto como produto do meio e biológico. A questão da homossexualidade é tratada como desvio de conduta, anormal, patológico, animalesca. Assim as personagens apresentam desvios. O naturalismo é material, é do corpo não humano. Retratando a realidade de forma objetiva, descrevendo grupos marginalizados.
  11. 11. CULTURA POPULAR O cortiço relata ,entre outras ricas experiências sociais brasileiras, alguns episódios da cultura popular. Retratando o que de fato aconteceu entre os setores sociais pobres ou remediados , especialmente no Rio de Janeiro daquela época, o livro mostra bailados, danças, gêneros musicais e comportamentos que estão ligados ao começo do samba no Brasil. O samba e o chorinho nascem da mistura entre ritmos afro-brasileiros e europeus e se desenvolvem espontaneamente entre a gente simples. Às vezes tais estilos musicais e de dança servem como diversão pura e simples, como lemos na história de Rita Baiana.

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