FORMAÇÃO DE LEITORES:EXPERIÊNCIAS DONJUANESCAS DE LEITURA

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Esta palestra foi apresentada na UNIRIO/2013,por ocasião do curso FILOSOFIA NO ENSINO MÉDIO,para professores.
É o resultado parcial de pesquisa realizada no mestrado em educação e no doutorado em Letras sobre formação de leitores no ensino regular de literatura.
Também comemorava-se 200 anos da obra de Soren Kierkegaard,filósofo dinamarquês,principal referencial teórico dos estudos sobre o mito de Don Juan,em diferentes versões.
A partir do mito literário ocidental foi possível traduzir um perfil de leitor jovem na contemporaneidade,e mostrar o legado deste mito para os estudos literários em interface com a Filosofia.

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FORMAÇÃO DE LEITORES:EXPERIÊNCIAS DONJUANESCAS DE LEITURA

  1. 1. EXPERIÊNCIASEXPERIÊNCIAS DONJUANESCASDONJUANESCAS de leiturade leitura (sob o olhar de soren(sob o olhar de soren kierkegaard)kierkegaard)
  2. 2. RESUMORESUMO  Outros pensadores, críticos e teóricos também formaramOutros pensadores, críticos e teóricos também formaram o ferramental necessário para o desenvolvimento dao ferramental necessário para o desenvolvimento da pesquisa,tais como: María Zambrano;Rolandpesquisa,tais como: María Zambrano;Roland Barthes;Jorge Larrosa;Zigmunt Bauman. Barthes;Jorge Larrosa;Zigmunt Bauman.   Além do texto seminal de Tirso de Molina,Além do texto seminal de Tirso de Molina, El burlador deEl burlador de Sevilla e a ópera de W.A.Mozart,DonGiovanni,Sevilla e a ópera de W.A.Mozart,DonGiovanni, fizeramfizeram parte deste exercício de leitura,as versões mais recentesparte deste exercício de leitura,as versões mais recentes do mito,como o romance brasileiro de João Gabriel dedo mito,como o romance brasileiro de João Gabriel de Lima,Lima,O Burlador de SevilhaO Burlador de Sevilha ;e a peça de teatro de José;e a peça de teatro de José Saramago,Saramago,Don Giovanni,ou o dissoluto absolvidoDon Giovanni,ou o dissoluto absolvido .. 
  3. 3. BREVE BIOGRAFIABREVE BIOGRAFIA
  4. 4. APRESENTAÇÃOAPRESENTAÇÃO  "Algum dia até,não somente os meus escritos,mas a"Algum dia até,não somente os meus escritos,mas a minha vida e todo o complicado segredo do seuminha vida e todo o complicado segredo do seu mecanismo serão minuciosamente estudados.“mecanismo serão minuciosamente estudados.“  Isso foi o que Kierkegaard disse de si mesmo. E aIsso foi o que Kierkegaard disse de si mesmo. E a profecia tornou-se verdadeira com o existencialismoprofecia tornou-se verdadeira com o existencialismo contemporâneo , que se propôs explicitamente comocontemporâneo , que se propôs explicitamente como uma Kierkegaard-Renaissance, trazendo novamente aouma Kierkegaard-Renaissance, trazendo novamente ao primeiro plano, no palco da filosofia, o pensamentoprimeiro plano, no palco da filosofia, o pensamento daquele filósofo solitário que foi Soren Aabyedaquele filósofo solitário que foi Soren Aabye Kierkegaard, nascido e crescido no restrito ambienteKierkegaard, nascido e crescido no restrito ambiente cultural da Dinamarca de então.cultural da Dinamarca de então.
  5. 5. BREVE APRESENTAÇÃOBREVE APRESENTAÇÃO  Kierkegaard veio ao mundo em 5 de maio de 1813, emKierkegaard veio ao mundo em 5 de maio de 1813, em Copenhagen. Seu pai, comerciante, desposara emCopenhagen. Seu pai, comerciante, desposara em segundas núpcias sua própria doméstica. Ao contráriosegundas núpcias sua própria doméstica. Ao contrário do primeiro casamento, que fora infértil, o segundo foido primeiro casamento, que fora infértil, o segundo foi fecundo de nada menos que sete filhos. Soren foi ofecundo de nada menos que sete filhos. Soren foi o último dos sete filhos, tendo nascido quando o pai jáúltimo dos sete filhos, tendo nascido quando o pai já tinha cinqüenta e seis anos e a mãe quarenta e quatro.tinha cinqüenta e seis anos e a mãe quarenta e quatro. Por isso, ele se definiu "filho da velhice".Somente Pedro,Por isso, ele se definiu "filho da velhice".Somente Pedro, que depois tornou-se bispo luterano, lhe sobreviveu.que depois tornou-se bispo luterano, lhe sobreviveu.
  6. 6. POLÊMICOPOLÊMICO  A polêmica de Kierkegaard desenvolveu-se nos noveA polêmica de Kierkegaard desenvolveu-se nos nove fascículos de "O Momento", de maio a setembro defascículos de "O Momento", de maio a setembro de 1855. Foi nela que ele consumiu suas últimas energias1855. Foi nela que ele consumiu suas últimas energias antes de ceder de repente e morrer em 11 de novembroantes de ceder de repente e morrer em 11 de novembro desse mesmo ano.desse mesmo ano.  Alguns anos antes, Kierkegaard escrevera: "MynsterAlguns anos antes, Kierkegaard escrevera: "Mynster pensa provavelmente (e, habitualmente, isso é apensa provavelmente (e, habitualmente, isso é a modernidade) que cristianismo é cultura. Mas essemodernidade) que cristianismo é cultura. Mas esse conceito de cultura é pelo menos inadequado e talvezconceito de cultura é pelo menos inadequado e talvez até diametralmente oposto ao cristianismo quando seaté diametralmente oposto ao cristianismo quando se torna desfrute, refinamento e pura cultura humana."torna desfrute, refinamento e pura cultura humana."
  7. 7. A QUESTÃO DOA QUESTÃO DO CRISTIANISMOCRISTIANISMO  Na opinião de Kierkegaard, o contraste entreNa opinião de Kierkegaard, o contraste entre cristianismo e cristandade estabelecido é claro: "Ocristianismo e cristandade estabelecido é claro: "O cristianismo é de uma seriedade tremenda: é nesta vidacristianismo é de uma seriedade tremenda: é nesta vida que se decide a tua eternidade(...). Ser cristão é sê-loque se decide a tua eternidade(...). Ser cristão é sê-lo como espírito, é a inquietude mais elevada do espírito, écomo espírito, é a inquietude mais elevada do espírito, é a impaciência da eternidade, é temor e tremor contínuo,a impaciência da eternidade, é temor e tremor contínuo, aguçados pelo fato de encontrar-se neste mundoaguçados pelo fato de encontrar-se neste mundo perverso que crucifica o amor e abalado deperverso que crucifica o amor e abalado de estremecimento pela prestação de contas final, quandoestremecimento pela prestação de contas final, quando o Senhor e Mestre retornará para julgar se os cristãoso Senhor e Mestre retornará para julgar se os cristãos foram fiéis".foram fiéis".
  8. 8. TEMPORALIDADESTEMPORALIDADES  Entretanto, depois de mil e oitocentos anos deEntretanto, depois de mil e oitocentos anos de cristianismo, "tudo se tornou superficialidade nacristianismo, "tudo se tornou superficialidade na cristandade atual". E isso porque o cristianismocristandade atual". E isso porque o cristianismo é visto como instrumento capaz de "facilitaré visto como instrumento capaz de "facilitar sempre mais a vida, a temporalidade no sentidosempre mais a vida, a temporalidade no sentido mais trivial". O que se quer é "viver tranqüilo emais trivial". O que se quer é "viver tranqüilo e atravessar o mundo em felicidade". Essa é aatravessar o mundo em felicidade". Essa é a razão por que "toda a cristandade é disfarce,razão por que "toda a cristandade é disfarce, mas o cristianismo não existe em absoluto". mas o cristianismo não existe em absoluto". 
  9. 9. Bibliografia selecionadaBibliografia selecionada  (1840) (1840) O Conceito de IroniaO Conceito de Ironia constantamenteconstantamente Referido a SócratesReferido a Sócrates  (1843) (1843) EntenEnten - Eller- Eller ( (Ou isso, ou aquilo: um fragmento de vidaOu isso, ou aquilo: um fragmento de vida) . inclui ) . inclui Diário de um SedutorDiário de um Sedutor  (1843) (1843) Dois Discursos Edificantes (1843)Dois Discursos Edificantes (1843)  (1843) (1843) Temor e TremorTemor e Tremor  (1843) (1843) Três Discursos Edificantes (1843)Três Discursos Edificantes (1843)  (1843) (1843) A RepetiçãoA Repetição  (1843) (1843) Quatro Discursos Edificantes (1843)Quatro Discursos Edificantes (1843)  (1844) (1844) Dois Discursos Edificantes (1844)Dois Discursos Edificantes (1844)  (1844) (1844) Três Discursos Edificantes (1844)Três Discursos Edificantes (1844)  (1844) (1844) Migalhas FilosóficasMigalhas Filosóficas  (1844) (1844) O Conceito de AngústiaO Conceito de Angústia  (1844) (1844) Quatro Discursos Edificantes (1844)Quatro Discursos Edificantes (1844)  (1845) (1845) Estádios no Caminho da VidaEstádios no Caminho da Vida  (1846) (1846) PostPost ScriptumScriptum Final Não-Científico às Migalhas FilosóficasFinal Não-Científico às Migalhas Filosóficas  (1847) (1847) Discursos Edificantes em Diversos EspíritosDiscursos Edificantes em Diversos Espíritos  (1847) (1847) As Obras do AmorAs Obras do Amor  (1848) (1848) Discursos CristãosDiscursos Cristãos  (1848, publicado em 1859) (1848, publicado em 1859) Ponto de Vista Explicativo da minha Obra como EscritorPonto de Vista Explicativo da minha Obra como Escritor  (1849) (1849) O Desespero HumanoO Desespero Humano  (1849) (1849) Três Discursos para a Comunhão de Sexta-feiraTrês Discursos para a Comunhão de Sexta-feira 
  10. 10. A PESQUISAA PESQUISA  A dissertação(2001):A dissertação(2001):  Lição entre amigas: uma travessia deLição entre amigas: uma travessia de leitores(apontamentos sobre experiênciasleitores(apontamentos sobre experiências de leitura)de leitura)  A tese (2007) :A tese (2007) :  Reflexões sobre experiências de leitura eReflexões sobre experiências de leitura e algumas contribuições do mito de Donalgumas contribuições do mito de Don JuanJuan
  11. 11. Uma epígrafeUma epígrafe  ““Nem a todos é dado tomar banho deNem a todos é dado tomar banho de multidão:tomar banho de multidão é uma arte;emultidão:tomar banho de multidão é uma arte;e só pode fazer,à custa do gênero humano,umasó pode fazer,à custa do gênero humano,uma farta refeição de vitalidade,aquele em que umafarta refeição de vitalidade,aquele em que uma fada insuflou,no berço,o gosto do disfarce e dafada insuflou,no berço,o gosto do disfarce e da máscara,o horror ao domicílio e a paixão damáscara,o horror ao domicílio e a paixão da viagem.”viagem.”  CHARLES BAUDELAIRE,In:CHARLES BAUDELAIRE,In:O homem dasO homem das multidõesmultidões
  12. 12. Teoria de LarrosaTeoria de Larrosa  Eixos: experiência;subjetividade;e formaçãoEixos: experiência;subjetividade;e formação  Categorias:Categorias:  Experiências deExperiências de leitura(instrumental,subjetividade do leitor nãoleitura(instrumental,subjetividade do leitor não afetada)afetada)  Leitura comoLeitura como experiência(formativa,subjetividade do leitorexperiência(formativa,subjetividade do leitor afetada,transformada)afetada,transformada)
  13. 13. Questão de investigaçãoQuestão de investigação  Se as práticas de leitura desenvolvidas pelos jovens não se realizam sempre de acordo com a ideia de leitura como experiência,como traduzir as experiências de leituras efetivadas por esses sujeitos?
  14. 14. Plano simbólicoPlano simbólico  Nas entrevistas,em faseNas entrevistas,em fase exploratória,surge a indicação deexploratória,surge a indicação de admiração da figura de Don Juan,poradmiração da figura de Don Juan,por parte de um dos entrevistados.parte de um dos entrevistados. Nela,sublinha-se o teor de:Nela,sublinha-se o teor de: aventura,mobilidade,variedade,leveza eaventura,mobilidade,variedade,leveza e força da singularidade;força da singularidade;
  15. 15. ““De onde estou,já fui emboraDe onde estou,já fui embora.”.”  Este verso de Manuel de Barros criava umaEste verso de Manuel de Barros criava uma imagem plena para as travessuras e travessiasimagem plena para as travessuras e travessias que aqueles leitores entrevistados cometiam emque aqueles leitores entrevistados cometiam em meio às práticas pedagógicas propostas pelomeio às práticas pedagógicas propostas pelo ensino de literatura ou vivenciadas em situaçõesensino de literatura ou vivenciadas em situações diferenciadas.diferenciadas.  (alunos do curso regular de ensino médio, em(alunos do curso regular de ensino médio, em uma escola da zona centro do município do Riouma escola da zona centro do município do Rio de Janeiro)de Janeiro)
  16. 16. O mito literárioO mito literário  O estudo do mito Don Juan entra comoO estudo do mito Don Juan entra como pós-pós- supostosuposto teórico;teórico;  O mito literário caracteriza-se por ser de autoriaO mito literário caracteriza-se por ser de autoria particular,nem sempre se referir à coletividade,particular,nem sempre se referir à coletividade, em sentido de ser universal,e o “herói” enfatizaem sentido de ser universal,e o “herói” enfatiza o aspecto individual na narrativa;o aspecto individual na narrativa;  Los estádios eróticos inmediatos o lo eróticoLos estádios eróticos inmediatos o lo erótico musical,estudo de Kierkegaard sobre Donmusical,estudo de Kierkegaard sobre Don Giovanni,a ópera de W.Mozart;Giovanni,a ópera de W.Mozart;  El burlador de Sevilla de Tirso de Molina,ou FreiEl burlador de Sevilla de Tirso de Molina,ou Frei Gabriel Tellez(1630);Gabriel Tellez(1630);
  17. 17. Principais linhas de estudosPrincipais linhas de estudos contemporâneoscontemporâneos  A)Don Juan como exmplo de incapacidade deA)Don Juan como exmplo de incapacidade de amar;amar;  B)reafirmação das qualidades tradicionais;B)reafirmação das qualidades tradicionais;  C)paródias jocosas ou imitações de Don Juan;C)paródias jocosas ou imitações de Don Juan;  D)Don Juan ao inverso:medo às mulheres e aoD)Don Juan ao inverso:medo às mulheres e ao amor;amor;  E)recriação do mito;E)recriação do mito;  (Segundo a pesquisadora Carmen Bezerra(Segundo a pesquisadora Carmen Bezerra Soares,1997)Soares,1997)
  18. 18. Algumas contribuições deAlgumas contribuições de KierkegaardKierkegaard  A distinção entre oA distinção entre o enganadorenganador e oe o sedutorsedutor::  o primeiro como umo primeiro como um mentirosomentiroso,sem a consciência do,sem a consciência do método;método;  O segundo,oO segundo,o sedutorsedutor,aquele detém o método,conhece a,aquele detém o método,conhece a linguagem,o código a ponto de transgredi-lo;linguagem,o código a ponto de transgredi-lo;  Na pesquisa,identificamos: o leitor de certa maneiraNa pesquisa,identificamos: o leitor de certa maneira afásico ao lidar com a experiência de leitura;afásico ao lidar com a experiência de leitura;  E o leitor que atravessa e se deixa atravessar pelaE o leitor que atravessa e se deixa atravessar pela prática de leitura,criando experiência e um “saber deprática de leitura,criando experiência e um “saber de experiência”;experiência”;
  19. 19. Os estádios eróticos e oOs estádios eróticos e o musicalmusical  A distinção foi lida como:A distinção foi lida como:  Representações dos leitores que tem graus deRepresentações dos leitores que tem graus de reflexão diferenciados,numa relação com areflexão diferenciados,numa relação com a linguagem,que vai de simples transporte,oulinguagem,que vai de simples transporte,ou seja,de teor informativo,à relação que inclui aseja,de teor informativo,à relação que inclui a percepção abstrata e reflexiva,como um textopercepção abstrata e reflexiva,como um texto literário,por exemplo, requer e a escolaliterário,por exemplo, requer e a escola desenvolve;desenvolve;
  20. 20. Sob o olhar de KierKegaardSob o olhar de KierKegaard  A forma operística apresenta um Don Giovanni(DonA forma operística apresenta um Don Giovanni(Don Juan)como figura absolutamente estética(Juan)como figura absolutamente estética(sensívelsensível););  e musical,ou seja,que prescinde de palavras,mas quee musical,ou seja,que prescinde de palavras,mas que também se perfaz numtambém se perfaz num tempotempo muito singular;muito singular;  Don Juan sai à procura de um objeto;Don Juan sai à procura de um objeto;  Há um encontro,fortuito ou não;Há um encontro,fortuito ou não;  Seu objeto é difuso,portanto, a visão dele éSeu objeto é difuso,portanto, a visão dele é “esfumaçada”,nuvem de desejo;“esfumaçada”,nuvem de desejo;  Finalmente determina o objeto encarnado;Finalmente determina o objeto encarnado;
  21. 21. Os estádios e oOs estádios e o entreentre  Mas os apelos da busca,da procura pelo novo,pelaMas os apelos da busca,da procura pelo novo,pela novidade,exigem o movimento, o trânsito;novidade,exigem o movimento, o trânsito;  Um ciclo que se refaz num contínuo,mas por serUm ciclo que se refaz num contínuo,mas por ser singular,coloca a subjetividade em questão numsingular,coloca a subjetividade em questão num permanente “entre”;permanente “entre”;  Entre-lugar,categoria explorada por SilvianoEntre-lugar,categoria explorada por Silviano Santiago,acerca da compreensão d aprodução cultural eSantiago,acerca da compreensão d aprodução cultural e literária da América latina;literária da América latina;  Também,um entre sem topologias definidas,portanto,Também,um entre sem topologias definidas,portanto, redimensionando a noção de limite;redimensionando a noção de limite;  Um entre,enquanto temporalidade e não espacialidade;Um entre,enquanto temporalidade e não espacialidade;
  22. 22. Por que Don Juan (ainda) canta?Por que Don Juan (ainda) canta?  Walter Benjamin pergunta(-se)Walter Benjamin pergunta(-se)se Don Juanse Don Juan seria um jogador?seria um jogador?  A memória e o legado deste mito queA memória e o legado deste mito que falafala de ede e sobre(Mitologias de Roland Barthes);sobre(Mitologias de Roland Barthes);  ““(...)aqui um exemplo de como se pode(...)aqui um exemplo de como se pode considerar,sem o menor escrúpulo,que Donconsiderar,sem o menor escrúpulo,que Don Juan está presente em toda ópera;o que podeJuan está presente em toda ópera;o que pode descrever-se com mais força ainda,fazendodescrever-se com mais força ainda,fazendo notar que,incluso quando está fora,estánotar que,incluso quando está fora,está presente.”(Kierkegaard)presente.”(Kierkegaard)
  23. 23. Um jovem leitorUm jovem leitor  Narrativas de aventuras,romances policiais,sãoNarrativas de aventuras,romances policiais,são algumas das citações de lembranças ealgumas das citações de lembranças e preferências de leituras;preferências de leituras;  Caracteres:Caracteres: admiração;aventura;sedução;conhecimento;apradmiração;aventura;sedução;conhecimento;apr endizagem;conquista;descontinuidade;paciênciaendizagem;conquista;descontinuidade;paciência ;a-legria;beleza;e determinação;algumas das;a-legria;beleza;e determinação;algumas das palavras usadas para referirem-se àspalavras usadas para referirem-se às experiências de leituras(de livros, filmesexperiências de leituras(de livros, filmes ´,canções,etc...);´,canções,etc...);
  24. 24. O modo de lerO modo de ler  Elementos recorrentes:Elementos recorrentes:  Desejo indeterminado de prazer(querer ler mas nãoDesejo indeterminado de prazer(querer ler mas não sabe o quê);sabe o quê);  Impaciência perante textos que exijam mais atenção eImpaciência perante textos que exijam mais atenção e concentração(o texto literário visto como “complicado”);concentração(o texto literário visto como “complicado”);  ““perda de tempo”,a urgência como apelo do desejoperda de tempo”,a urgência como apelo do desejo difuso;difuso;  Curiosidade exacerbada,mas imediatamente arrefecidaCuriosidade exacerbada,mas imediatamente arrefecida ante a infinita oferta de objetos(variedade deante a infinita oferta de objetos(variedade de possibilidades de vivenciar o prazer);possibilidades de vivenciar o prazer);  Espírito aventureiro colocado ao lado da noção deEspírito aventureiro colocado ao lado da noção de descontinuidade;descontinuidade;
  25. 25. Corpos e buscas na redeCorpos e buscas na rede  Do leitor ao navegador(Do leitor ao navegador(por Rogerpor Roger Chartier)podemos encontrar:Chartier)podemos encontrar:  ““Por cidades,por aldeias,/minha sina é procurar-Por cidades,por aldeias,/minha sina é procurar- te./Onde estás/para onde vou?(Menotti Delte./Onde estás/para onde vou?(Menotti Del Picchia,in:A angústia de Don João)Picchia,in:A angústia de Don João)  Na contemporaneidade,do personagem queNa contemporaneidade,do personagem que alça o lugar de mito literário,chegamos aoalça o lugar de mito literário,chegamos ao arquétipo do “buscador”;arquétipo do “buscador”;  Resta anotar o comportamento de busca,porResta anotar o comportamento de busca,por líquidos nunca antes navegados.líquidos nunca antes navegados.
  26. 26. Do atual no mitoDo atual no mito  ““Tan largo me lo fiás”Tan largo me lo fiás”  OO corpuscorpus exposto no catálogo do sedutor,ou aexposto no catálogo do sedutor,ou a ária de Mozart mais famosa, apresenta o atual eária de Mozart mais famosa, apresenta o atual e o virtual;o virtual;  Don Juan é intermidiático enquanto figuraDon Juan é intermidiático enquanto figura (sensível);(sensível);  ““Nunca te disseram que a repetição faz perder oNunca te disseram que a repetição faz perder o efeito dramático?”(José Saramago)efeito dramático?”(José Saramago)
  27. 27. Por ANGELI ROSEPor ANGELI ROSE  UNIRIO - FACULDADE DE EDUCAÇÃOUNIRIO - FACULDADE DE EDUCAÇÃO  CURSO DE EXTENSÃOCURSO DE EXTENSÃO  ENSINO DE FILOSOFIAENSINO DE FILOSOFIA  RIO,23/9/2013RIO,23/9/2013

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