A camada de ozonio

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A camada de ozonio

  1. 1. A Camada de OzônioA surpresa mais perturbadora do final do século XX talvez tenhasido a descoberta da fragilidade do novo meio ambiente. Asflorestas tropicais, que fornecem parte do oxigênio querespiramos, estão desaparecendo a uma velocidade alarmantena África, na América do Sul e principalmente no SudesteAsiático. A camada de Ozônio, que nos protege de radiaçõesnocivas, está sendo destruída.Tudo começou com um fenômeno importante para a manutençãoda vida, foi a transformação de parte do oxigênio que seacumulava na atmosfera em ozônio. Isso graças a interação dasradiações ultravioletas do sol nas altas camadas da atmosfera.Essas reações originaram uma verdadeira barreira de ozônio,filtrando e impedindo a penetração de quantidades excessivas deraios ultravioletas, que são nocivos à vida.A camada de ozônio é uma "capa" desse gás (ATMOSFERA) queenvolve a Terra e a protege de vários tipos de radiação, sendoque a principal delas, a radiação ultravioleta, é a principalcausadora de câncer de pele. No último século, devido aodesenvolvimento industrial, passaram a ser utilizados produtosque emitem Clorofluorcarbonos (CFC), um gás que ao atingir acamada de ozônio destrói as moléculas que a formam (O3),causando assim a destruição dessa camada da atmosfera. Semessa camada, a incidência de raios ultravioletas nocivos à Terrafica sensivelmente maior, aumentando as chances de contraçãode câncer.A origem dos atuais problemas ambientais está no estilo de vidadas nações industrializadas. O aumento da industrialização nohemisfério norte trouxe riquezas materiais às custas do meioambiente. A mineração a céu aberto deixou cicatrizes na árearural, cidades e fábricas se espalharam, liberando substânciasquímicas nocivas no ar. Os carros estão se multiplicando,acrescentando poluentes à atmosfera. O uso generalizado deartigos descartáveis que são "energeticamente ineficientes " éum desperdício de recursos escassos &ndash as pilhas usadasem rádios precisam de 50 vezes mais energia para seremfabricadas, do que àquela que produzem. Se o Terceiro Mundoseguir essas práticas ao se desenvolver, poderá levar a terra aum holocausto ecológico.
  2. 2. Nas últimas décadas tentou-se evitar ao máximo a utilização doCFC e, mesmo assim, o buraco na camada de ozônio continuaaumentando, preocupando cada vez mais a população mundial.As ineficientes tentativas de se diminuir a produção de CFC,devido à dificuldade de se substituir esse gás ,principalmentenos refrigeradores, fez com que o buraco continuasseaumentando, prejudicando cada vez mais a humanidade. Umexemplo do fracasso na tentativa de se eliminar a produção deCFC foi a dos EUA, o maior produtor desse gás em todo planeta.Em 1978 os EUA produziam, em aerossóis, 470 mil toneladas deCFC, aumentando para 235 mil em 1988. Em compensação, aprodução de CFC em outros produtos, que era de 350 miltoneladas em 1978, passou para 540 mil em 1988, mostrando anecessidade de se utilizar esse gás em nossa vida quotidiana. Émuito difícil encontrar uma solução para o problema. Dequalquer forma, temos que evitar ao máximo a utilização dessegás, para que possamos garantir a sobrevivência de nossaespécie.CONSEQUÊNCIADo total da energia que nos chega do Sol, cerca de 46%correspondem à luz visível; 45%, à radiação infravermelha, e9% , à radiação ultravioleta. Essa última contém mais energia e,por isso, é mais perigosa para a vida dos animais e vegetaissobre a superfície da terra. O ultravioleta é a radiação queconsegue "quebrar" várias moléculas que formam nossa pele,sendo por isso o principal responsável pelas queimaduras dapraia.Na atmosfera terrestre. entre 12 e 32 Km de altitude, existe acamada de ozônio (O3) e que funciona como escudo, evitandoque 9% da radiação ultravioleta atinja a superfície da Terra.No início da década de 60 verificou-se que a camada de ozônioestava sendo destruída mais rapidamente que o normal. Oproblema foi agravado pelo aumento do número de automóveis,aviões a jato, aviões supersônicos, foguetes, ônibus espaciais.Em 1984 verificou-se uma perda de 40% da camada de ozôniosobre a Antártida. Calcula-se que a camada de ozônio vemdiminuindo 0,5% ao ano, e que uma redução de 1% na camadade ozônio corresponde a um aumento de 2% da radiaçãoultravioleta que chega à superfície terrestre, o que trará
  3. 3. problemas como câncer de pele, catarata, cegueira, queima devegetais, alterações no plâncton e reflexos em toda a cadeiaalimentar marítima.No Brasil, a camada de ozônio ainda não perdeu 5% do seutamanho original, de acordo com os instrumentos medidores doINPE (Instituto de Pesquisas Espaciais). O instituto acompanha amovimentação do gás na atmosfera desde 1978 e até hoje nãodetectou nenhuma variação significante, provavelmente pelapouca produção de CFC no Brasil em comparação com os paísesde primeiro mundo. No Brasil apenas 5% dos aerossóis utilizamCFC, já que uma mistura de butano e propano ésignificativamente mais barata, funcionando perfeitamente emsubstituição ao Clorofluorcarbonos.A FORMAÇÃO DE "O3"Átomos de oxigênio podem se combinar de diferentes formas;esse fenômeno é chamado de alotropia e as formas resultantesdestas combinações são chamadas de formas alotrópicas. Assim,o ozônio é uma forma alotrópica do oxigênio. Ele é formado portrês átomos de oxigênio e tem propriedades físico-químicasmuito diferentes das outras formas alotrópicas.A atmosfera é constituída por aproximadamente 21% de O2 e78% de N2, e essa composição varia muito pouco atéaproximadamente 70Km de altura. À medida que as radiaçõesmais energéticas chegam à superfície da Terra podem serabsorvidas seletivamente por algumas substâncias. Entretanto,antes de chegar à baixa atmosfera, uma parte dessa radiação éabsorvida pelo oxigênio existente na estratosfera,desencadeando uma série de reações. Um mecanismo propostopara explicar uma rota freqüente de formação do ozônio a partirdo oxigênio é:A primeira equação representa a reação de desenlace damolécula de oxigênio, que ocorre quando essa molécula absorvereações energéticas ( de baixo comprimento de onda ).A Segunda equação representa a adição do oxigênio atômico (O)à molécula de oxigênio, O2. A presença de uma molécula (M),por exemplo N2, faz-se necessária para absorver o calor liberadona reação, pois esta é exotérmica. Caso não houvesse uma
  4. 4. terceira molécula para absorver parte da energia liberada pelareação, o ozônio formado sofreria decomposição emaproximadamente 10&ndash13 segundos. Muito provavelmenteé dessa maneira que se forma a importante camada de ozônio naestratosfera.A camada de ozônio formada corresponde a uma faixa deaproximadamente 30 mil metros de espessura, que se iniciaperto de 15Km da superfície terrestre. Se a camada estivessenas condições de temperatura e pressão do nível do mar teriauma espessura de, no máximo, 3 milímetros. Mesmo assim ela éfundamental para a conservação da vida na Terra. O ozônioabsorve intensamente a radiação ultravioleta. Por isso funcionacomo um filtro que impede esta radiação de chegar à superfícieterrestre.Em pequena quantidade, os raios ultravioleta são benéficos: porexemplo, ativam a formação de vitamina D em nossa pele. Masem grande volume causam vários males aos seres humanos,entre eles as conhecidas queimaduras de sol, câncer de pele elesões oculares. Nas plantas e nos fitoplânctons o excesso deradiação ultravioleta determina redução do ritmo de crescimentoe de produtividade.O ozônio também se forma na troposfera, região mais baixa daatmosfera e onde vivemos. Aqui embaixo, sob a ação da luz, oozônio se forma preferivelmente de uma combinação de óxidosde nitrogênio ( produtos formados a partir da combustão dederivados do petróleo, eliminados pelas chaminés de fábricas ecanos de escape dos veículos automotores.). Por se constituirnuma espécie extremamente reativa, um poderoso agenteoxidante, o ozônio ataca uma série de materiais, como obras dearte, plantas, tecidos, borrachas e até os seres vivos, inclusive opróprio organismo humano; portanto, sua presença na baixaatmosfera é indesejável. E, por seu caráter reativo, constitui umimportante causador de vários poluentes secundários.AS REAÇÕES NOCIVASAs moléculas de Clorofluorcarbonos, ou Freon, passam intactaspela troposfera, que é a parte da atmosfera que vai da superfícieaté uma altitude média de 10.000 metros. Em seguida essasmoléculas atingem a estratosfera, onde os raios ultravioletas dosol aparecem em maior quantidade. Esses raios quebram as
  5. 5. partículas de CFC (ClFC) liberando o átomo de cloro. Este átomo,então, rompe a molécula de ozônio (O3), formando monóxido decloro (ClO) e oxigênio (O2).A reação tem continuidade e logo o átomo de cloro libera o deoxigênio que se liga a um átomo de oxigênio de outra moléculade ozônio, e o átomo de cloro passa a destruir outra molécula deozônio, criando uma reação em cadeia.O ozônio pode ser destruído pelo freon que é o gás derefrigeração utilizado em geladeiras, freezers, aparelhos de arcondicionado, aerossóis, sprays de perfumes, desodorantes,tintas, etc.UVObserve que ocorre uma reação em cadeia com a formação decloro atômico que dá continuidade à destruição da camada deozônio.Por outro lado, existe a reação que beneficia a camada deozônio: Quando a luz solar atua sobre óxidos de nitrogênio, estespodem reagir liberando os átomos de oxigênio, que se combiname produzem ozônio. Estes óxidos de nitrogênio são produzidoscontinuamente pelos veículos automotores, resultado da queimade combustíveis fósseis. Infelizmente, a produção de CFC,mesmo sendo menor que a de óxidos de nitrogênio, consegue,devido à reação em cadeia já explicada, destruir um número bemmaior de moléculas de ozônio que as produzidas pelosautomóveis.OS EFEITOSA principal conseqüência da destruição da camada de ozônioserá o grande aumento da incidência de câncer de pele, desdeque os raios ultravioletas são mutagênicos. Além disso, existe ahipótese segundo a qual a destruição da camada de ozônio podecausar desequilíbrio no clima, resultando no "efeito estufa", oque causaria o descongelamento das geleiras polares econseqüente inundação de muitos territórios que atualmente seencontram em condições de habitação. De qualquer forma, amaior preocupação dos cientistas é mesmo com o câncer de pele,cuja incidência vem aumentando nos últimos vinte anos. Cadavez mais aconselha-se a evitar o sol nas horas em que esteja
  6. 6. muito forte, assim como a utilização de filtros solares, únicasmaneiras de se prevenir e de se proteger a pele.OS POLUENTESO monóxido de carbono é o contaminante do ar mais abundanteda camada inferior da atmosfera. Outros poluentes são óxidos denitrogênio, óxidos de enxofre, dióxidos de enxofre,hidrocarbonetos (identificaram-se 56 hidrocarbonetos diferentesem áreas urbanas), o ozônio ( o mesmo que exerce um efeitobenéfico na alta atmosfera, protegendo-nos dos raiosultravioleta), chumbo, aldeídos e material particulado.Estas substâncias atingem seres humanos manifestando-seatravés de sintomas distintos: dores de cabeça, desconforto,cansaço, palpitações no coração, vertigens, diminuição dosreflexos (monóxido de carbono, que em concentrações elevadas,pode conduzir à morte), irritação dos olhos, nariz, garganta epulmões (óxidos de nitrog6enio); infiltração de partículas nospulmões formando ácidos sulfurícos (óxido de enxofre); asmaaguda e crônica, bronquite e efisema (dióxido de enxofre);Câncer (hidrocarbonetos); destruição de enzimas e proteínas(ozônio); degeneração do sistema nervoso central e doenças nosossos, principalmente em crianças (chumbo). O materialparticulado causa irritação e entupimento dos alvéolospulmonares. O Brasil é um dos países com maior quantidade dealdeídos na atmosfera, originados pelos carros à álcool.Acredita-se que o aldeído fórmico provoque tumores em cobaias,mas sobre os efeitos no homem ainda não há informações.A CAMADA DE OZÔNIO CONTINUA AMEAÇADAO dia 16 de setembro de 1997 marcou o décimo aniversário daassinatura do Protocolo de Montreal Sobre as Substâncias queDestróem a Camada de Ozônio, um acordo internacionaldestinado a reduzir os trágicos efeitos do desenvolvimentoindustrial sobre o fino escudo atmosférico que protege a Terra -e todos os seres que nela vivem - dos mortais raios ultravioletasB (UV-B).
  7. 7. Mas será que há razões suficientes para uma comemoração?Estudos científicos realizados anualmente demostram que acamada de ozônio continua a diminuir, apesar das medidas deproteção impulsionadas pelo Protocolo de Montreal.Dados da agência espacial norte-americana NASA mostram queem 1996 o buraco na camada de ozônio sobre a Antártida atingiuo recorde de 16 milhões de km quadrados - área duas vezesmaior que o Brasil.Em algumas regiões, já foram detectados níveis de raios UV-Bcinco vezes mais altos do que o normal. As conseqüências dessaradiação excessiva são tremendas: câncer de pele, catarata,danos ao sistema imunológico, redução da biodiversidade etc.As grandes inimigas da camada de ozônio são as moléculas decloro [1] e de bromo lançadas na atmosfera em decorrência deprodutos e tecnologias industriais. As principais dessassubstâncias são os CFCs (clorofluorcarbonos), HCFCs(hidroclorofluorcarbonos) e brometo de metila [2]- presentesem ampla gama de produtos - gases refrigerantes, solventes,espumas etc. Esses gases tendem a se acumular nas regiõesmais frias do planeta tais como os pólos. Por isso o buraco naAntártida é tão grande.Os CFCs são gases cumulativos: uma vez na estratosfera, ficampor décadas ou mesmo séculos. Ou seja: mesmo que todo omundo deixasse de produzir CFC hoje, a camada de ozôniocontinuará a sofrer os efeitos por muito tempo.Para manter seus lucros, a poderosa indústria química mundialtêm resistido fortemente aos esforços destinados a proteger acamada de ozônio. Durante anos, seus porta-vozes negaram osefeitos destrutivos do CFC sobre o ozônio, apontados peloGreenpeace e por diversos cientistas. Foi preciso que a NASAconfirmasse a maciça presença de monóxido de cloro sobre aAntártida para que a indústria se rendesse às evidências. Aoadmitir os efeitos do CFC, a indústria química passou a defendero HCFC como alternativa. Alternativa falsa: o HCFC tambémdestrói a camada de ozônio. Outra "solução" proposta pelaindústria, o HFC (hidrofluorcarbono), embora não destrua oozônio, é 3.400 vezes mais poderoso do que o CO² como fator deaquecimento global [3].
  8. 8. Desde 1995, o uso de CFC está proibido em todos os paíseschamados "desenvolvidos" do "Norte"- mas os chamados"países em desenvolvimento" do "Sul"- como o Brasil -ganharam um prazo maior (2005) para substituir o CFC poroutros produtos menos nocivos ao ozônio. Desculpa para essaprorrogação: "proteger" a economia desses países, menoscapazes de competir. Na prática, com a globalização da economiamundial, as empresas dos países desenvolvidos simplesmenteganharam a chance de transferir para os países nãodesenvolvidos suas unidades industriais e tecnologias proibidas.São elas que estão sendo "protegidas".UM TRATADO CHEIO DE FUROSGraças a tudo isso, o tratado internacional destinado a reduzir oburaco na camada de ozônio está ele mesmo cheio de furos:O uso de substâncias destrutivas do ozônio é atualmente de 200kg/ano per capita nos países desenvolvidos. Apesar das medidasadotadas nesses países, o consumo dessas substânciasaumentou 45% na última década.O Fundo Multilateral [4] do Protocolo de Montreal continua afinanciar projetos utilizando HCFCs, contrariando decisões quelimitam o uso dessas substâncias nocivas em aplicações ondenão existem soluções ambientalmente corretas. Um bomexemplo disso é o financiamento de US$ 5 milhões aprovado na19ª reunião do Comitê Executivo do Fundo Multilateral, emoutubro de 1996, para a empresa brasileira Multibrás [5]. Aempresa quer usar os recursos para substituir os CFCs 11 e 12por HCFCs e HFCs em seus produtos.Os recursos do Fundo Multilateral são insuficientes e os atrasosno desembolso desses recursos adiam por vários anos aeliminação das substâncias destrutivas do ozônio.O Protocolo de Montreal não vigora em várias regiões do planeta- tais como a Federação Russa.Substâncias destrutivas do ozônio, como o brometo de metila,sequer são contempladas no Protocolo de Montreal.
  9. 9. A ausência de controle estrito sobre o HCFC e brometo de metilaadia ou torna mais lento o declínio da presença de substânciasdestrutivas do ozônio.O comércio ilegal e o consumo de CFCs continua a ameaçar acamada de ozônio.O PROTOCOLO DE MONTREAL SÓ VAI FUNCIONAR:  SE a produção e o uso das substâncias que destróem a camada de ozônio forem banidos. Nós não precisamos delas.  SE os países do Norte desenvolvido mantiverem suas promessas. Eles não estão. E não estão contribuindo com recursos financeiros suficientes para que o Fundo Multilateral possa ajudar os países do Sul, em desenvolvimento, a adotar tecnologias apropriadas.  SE os países do Sul atuarem de forma responsável - eles não o fazem. Alguns insistem em construir fábricas de CFC e fabricar produtos utilizando CFCs alegando não terem recursos para a conversão tecnológica de suas indústrias.  SE o Norte não despejar tecnologia obsoleta e poluente no Sul. Subsidiárias das indústrias químicas do Norte continuam a produzir substâncias destrutivas do ozônio nos países em desenvolvimento. Essas empresas continuam a fabricar seus produtos químicos destrutivos no Norte e a exportá-los.[1] Cloro - é um ávido destruidor da camada de ozônio - naestratosfera, ele "quebra" a molécula do ozônio (O³) e se"apropria" de um átomo de oxigênio para formar monóxido decloro (ClO), um gás pouco estável que gera um processo emcadeia de eliminação do ozônio.[2] Brometo de metila - substância química usadaprincipalmente em agricultura para limpeza do solo, antes doplantio, e na eliminação das pragas. Os principais consumidoresno Brasil são a indústria de fumo (no sul do país) e a indústria dearmazenamento de grãos.[3] Aquecimento global: "esquentamento" gradativo do planetapelos chamados "gases-estufa" gerados pelo processo industrial- tais como o dióxido de carbono (CO²) -, resultantes
  10. 10. principalmente da queima de combustíveis fósseis como opetróleo. Desde 1890, marco da revolução industrial, atemperatura média global do planeta aumentou 0.5 grau Celsius.[4] Fundo Multilateral: fundo criado pelos países-membros doProtocolo de Montreal destinado a financiar a conversão detecnologias e processos destrutivos do ozônio por outros, nãodestrutivos.[5] Multibrás - maior produtor brasileiro de geladeiras, controlaa Brastemp, a Consul e a Embraco. Tem 41% de suas ações emmãos da multinacional Whirpool.(Fonte: Greenpeace Brasil)Laboratórios de pesquisa DO OZÔNIO da estação "ComandanteFerraz" - ANTARTICAA maior atividade do Laboratório de Ozônio é fazer observações,isto é, medidas da Camada de Ozônio usando uma rede deinstrumentos de superfície chamados espectrofotômetros, dotipo Dobson e do tipo mais moderno, o Brewer. No momento,operamos dois instrumentos Dobson, e seis instrumentos Brewerem diferentes estações de medida. Natal, RN e CachoeiraPaulista, SP, são estações Dobson; Natal (RN), Cuiabá (MT),Cachoeira Paulista (SP), Santa Maria (RS), La Paz (Bolívia), ePunta Arenas (Chile), são estações Brewer. Além dosinstrumentos de superfície citados, usamos também a técnicaECC (células de concentração eletroquímica) para medir aconcentração de ozônio em função de altura, na troposfera e naestratosfera, usando balões meteorológicos. Um programa demedidas usando esta técnica está em operação em Natal, RN,desde 1978.A região mais afetada pela destruição da camada de ozônio é aAntártica. Nessa região, principalmente no mês de setembro,quase a metade da concentração de ozônio é misteriosamentesugada da atmosfera. Esse fenômeno deixa à mercê dos raiosultravioletas uma área de 31 milhões de quilômetros quadrados,maior que toda a América do Sul, ou 15% da superfície doplaneta. Nas demais áreas do planeta, a diminuição da camadade ozônio também é sensível; de 3 a 7% do ozônio que acompunha já foi destruído pelo homem. Mesmo menores que na
  11. 11. Antártida, esses números representam um enorme alerta ao quenos poderá acontecer, se continuarmos a fechar os olhos paraesse problema.Campanhas especiais de campo também tem sido feitas,especialmente na região Amazônica, para estudar efeitos naatmosfera das queimadas locais. Mais recentemente,acrescentamos também outros instrumentos de medida daradiação UV-B nas estações da rede.Os dados de ozônio obtidos na troposfera são muito úteis paraestudos das queimadas, e seus efeitos sobre a atmosfera. Esteestudo de queimadas é uma segunda prioridade do Laboratóriode Ozônio. O pessoal do laboratório, em 1997, é formado por 5Doutores, 2 engenheiros, e 5 técnicos. Alguns estudantes demestrado e doutorado completam o time.O laboratório foi criado em 1985 pelo Dr. Volker W.J.H. Kirchhoff,que até o presente é o seu chefe.Esta estação é mantida pela Marinha do Brasil, com apoiologístico da Força Aérea Brasileira. O INPE tem mantido váriosprojetos de pesquisa nesta estação durante os últimos 10 anos,com o apoio financeiro do CNPq. O Laboratório de Ozônio doINPE mantém aí estudos sobre a camada de ozônio, o Buraco naCamada de Ozônio da Antártica, e medidas de Radiação UV-B.O ozônio é uma molécula que existe em toda a atmosfera. Naparte mais baixa, a troposfera, a concentração é relativamentebaixa. Na estratosfera, que fica entre 15 e 50 km de altura, aconcentração do ozônio passa por um máximo aaproximadamente 30 km. Entre 25 e 35 km define-se,arbitrariamente, a região da "camada de ozônio".O ozônio desta região tem uma função muito importante para avida na superfície terrestre. Ela absorve a radiação que vem dosol, o ultravioleta do tipo B, entre 280 e 320 nanometros (nm).Apenas o ozônio, na atmosfera, tem esta propriedade importantede absorver a radiação UV-B, que é prejudicial à vida de homens,animais, e plantas.Explica-se que a vida surgiu na Terra junto com o oxigênio, eportanto o ozônio, e portanto os seres vivos nunca precisaram dese defender contra a radiação que sempre, desde o início,protegeu a Terra contra este tipo de radiação.
  12. 12. A partir dos anos 60, percebeu-se uma nítida diminuição doconteúdo da camada de ozônio, a nível mundial, de ano a ano.Esta diminuição, que é da ordem de 4% por década, em média,continua ainda hoje, e deve permanecer nesta tendência porvárias décadas. Sabe-se hoje que o problema da camada deozônio está associado aos chamados CFC´s, substânciasproduzidas artificialmente pelo Homem moderno, e que foram esão muito úteis nos processos de refrigeração, em geladeiras ear condicionado, principalmente. Nestas substâncias existe ocloro, mas que somente pode ser liberado da molécula do CFCquando esta é submetida a altas doses de radiação UV-B. Éexatamente isto que acontece na estratosfera, na altura e acimada camada de ozônio. O CFC é liberado na superfície, e demoramuitos anos para chegar, em parte, na estratosfera.Quando chega na altura certa o cloro é liberado de sua molécula,podendo então reagir quimicamente com o ozônio, numa reaçãoquímica que destrói o ozônio. O cloro, no entanto, é regeneradologo depois, via outra reação química, e pode então, destruirmais moléculas de ozônio. Este tipo de reação catalítica éresponsável pela destruição de milhares de moléculas de ozôniopor apenas um átomo de cloro.Porque o buraco está na Antártica?Em todo o mundo as massas de ar circulam, sendo que umpoluente lançado no Brasil pode atingir a Europa devido acorrentes de convecção. Na Antártida, por sua vez, devido aorigoroso inverno de seis meses, essa circulação de ar não ocorree, assim, formam-se círculos de convecção exclusivos daquelaárea. Os poluentes atraídos durante o verão permanecem naAntártida até a época de subirem para a estratosfera. Ao chegaro verão, os primeiros raios de sol quebram as moléculas de CFCencontradas nessa área, iniciando a reação. Em 1988, foiconstatado que na atmosfera da Antártida, a concentração demonóxido de cloro é cem vezes maior que em qualquer outraparte do mundo.O INPE desenvolve importante programa de observações dacamada de ozônio, mantendo no território nacional uma rede deobservatórios da camada de ozônio e de radiação ultravioleta. Ogrupo é muito ativo em termos de publicações e participação emeventos internacionais. Dois de seus membros já foram parte doIOC, International Ozone Commission. Fora do Brasil, instalou-se
  13. 13. ainda um observatório em La Paz, na Bolívia, para obter dadosde altitude nos Andes, e também no Chile, na região mais australdo continente, em Punta Arenas, com o objetivo de observar oBuraco da Camada de Ozônio, fenômeno tipicamente Antártico.Seguem abaixo dois exemplos de medidas feitas em PuntaArenas, Chile, região da Antártica, onde se pode observar oBuraco na Camada de Ozônio da Antártica.Exemplo do buraco de ozônio da Antártica, mostrandoconcentrações de ozônio em nbar (nanobar) em função de alturaem km, em função do tempo (dias de outubro); a concentração émínima no dia 12, 13, e 14 de outubro de 1995, quando o buracopassa por cima de Punta Arenas.Representação do buraco de ozônio da Antártica, visto em PuntaArenas, em função da variação do conteúdo total de ozônio,medido por duas técnicas diferentes: usando espectrofotômetroe usando sondagens de ozônio.A Radiação Ultravioleta é uma parte sui-generis do espectrosolar, e pode ser separada em três partes: a radiação UV-A, quese estende desde 320 a 400 nanometros (nm); a radiação UV-B,que vai de 280-320 nm; e a radiação UV-C, que vai de 280 acomprimentos de onda ainda menores. O UV-C é totalmenteabsorvido na atmosfera terrestre, e por isto não é de maiorimportância para medidas feitas da superfície da Terra. O UV-A éimportante, porque não é absorvido pela atmosfera, a não serpor espalhamento nas moléculas e partículas, e porque temefeitos sobre a pele humana. A radiação UV mais importante,sem dúvida, é a UV-B. Esta radiação é absorvida na atmosferapelo ozônio, na estratosfera. A pequena quantidade que passapela atmosfera e atinge a superfície é muito importante, porqueexcessos desta radiação causam câncer de pele, e são a grandepreocupação dos médicos dermatologistas. Como a camada deozônio está ainda diminuindo, e vai continuar assim por maisalgumas décadas, acredita-se que o UV-B vai aumentar suaintensidade no futuro.É por isto que as medidas de UV-B, em diversas situações e emvários sítios, é considerada tão importante. Já existe tecnologiaadequada para se medir o UV-B.
  14. 14. Instrumento que mede a radiação UV-B em vários canaisimportantes do espectro, permite estudos da camada de ozônio edo Buraco na camada de ozônio, e da radiação UV-B. A fotomostra um instrumento instalado na Estação Brasileira daAntártica, Comandante FerrazO INPE mantém uma importante rede de monitores de UV-B noterritório nacional, e tem oferecido estas informações àcomunidade médica. Um dos objetivos do trabalho é divulgar oíndice de UV-B, que é um número sem dimensões que visadefinir quantitativamente se o sol está forte ou fraco. É umnúmero de 0 a 16. No inverno, em S.Paulo, por exemplo, o índiceé da ordem de 5, e no verão da ordem de 12.DENÚNCIA SOBRE OS FABRICANTES DE GELAGEIRAS "FONTEGREENPEACE"GELADEIRAS BRASILEIRAS DESTROEM O OZÔNIO E ESQUENTAMA TERRA.Para os europeus bons produtos, já no Brasil... Brastemp eConsul estão lançando geladeiras e freezers com o selo "SemCFC". A Whirpool, dona dessas marcas, quer nos fazer acreditarque estes modelos são ambientalmente melhores. NÃO ÉVERDADE. Eles contêm duas substâncias nocivas ao meioambiente. No isolamento térmico das paredes, usam o gás HCFC(HidroCloroFluorCarbono), que destrói a camada de ozônio. Aprópria Whirpool já não o usa na Alemanha. Nos sistemas derefrigeração, usam o HFC (HidroFluorCarbono), que causa doisproblemas: primeiro, destrói indiretamente a camada de ozônio,já que e fabricado a partir do CFC; segundo, e um poderoso gásestufa, 3200 vezes mais potente que o gás carbônico noaquecimento global do planeta.Maus Antecedentes:A Whirpool já foi condenada por propaganda enganosa nos EUA.As entidades Ozone Action e Environmental Law Foundationprocessaram-na na Califórnia por etiquetar suas geladeiras como"Amigas do Ozônio". A Whirpool perdeu a causa, e teve desubstituir as "etiquetas verdes" por outras que indicavam que oHCFC destrói a camada de ozônio em menor grau que o CFC.Onde esta a verdade?
  15. 15. A Whirpool produz na Europa as verdadeiras geladeiras verdes -GREENFREEZE - construídas com duas substancias simples(hidrocarbonetos): ciclopentano nas espumas de isolamentotérmico e isobutano nos sistemas de refrigeração. Estassubstancias permitem construir equipamentos com maioreconomia de energia e que não danificam o meio ambiente.A tecnologia GREENFREEZE foi desenvolvida em 1992 peloGreenpeace, em associação com o Instituto de Higiene deDortmond da Alemanha. A tecnologia e de livre acesso e assubstancias utilizadas não são patenteáveis. O HCFC e o HFC, aocontrario, são patenteados por industrias químicas e sãosomente produzidos contra o pagamento de royalties. OGREENFREEZE e hoje produzido por todos os grandes fabricanteseuropeus. Só na Alemanha já se vendeu mais de 9 milhões deaparelhos com as marcas Bosh, Liebherr, Siemens, AEG,Electrolux e Bauknecht (Whirpool). Na China a Kelon produzira800 mil destes aparelhos este ano, e Rússia, Ucrânia,Bielorussia, Turquia, Índia, Bangladesh e Cuba preparam-se parafabrica-los. Na Argentina, depois de forte pressão, a Whirpoolcomprometeu-se com o Greenpeace, publicamente e por escrito,a fabricar greenfreeze ate 1999.Não somos consumidores de segunda!O Greenpeace considera inaceitável que o conglomeradoWhirpool/Brastemp/Consul trate o consumidor brasileiro comode segunda categoria, não se propondo a aqui produzir oGREENFREEZE.A SOLUÇÃO! "GELADEIRA VERDE"Para desmontar as alegações da indústria de que era inviável aprodução de refrigeradores não destrutivos da camada deozônio, o Greenpeace desenvolveu em 1992, na Alemanha, a"geladeira verde" (Greenfreeze), utilizando gaseshidrocarbonetos [1] como elemento refrigerante e na fabricaçãodas espumas isolantes. Foi a primeira geladeira no mundo a nãodestruir o ozônio. A tecnologia foi doada gratuitamente àindústria mundial de geladeiras.A indústria química, que vem pressionando a indústria derefrigeração a adotar os HCFCs e HFCs como alternativa aosCFCs, reagiu de forma dura, lançando uma campanha contra o
  16. 16. Greenpeace alegando que as "geladeiras verdes" consumiriammais energia, seriam inflamáveis e eram tecnicamente inviáveis.Por trás da campanha, uma lógica: a indústria química tembilhões de dólares investidos em HCFC e HFC. A multinacionalinglesa ICI, grande produtora dessas substâncias, e também deCFC (e alvo de várias ações diretas do Greenpeace), chegou aescrever aos sócios da organização na Inglaterra perguntando:"Será que devemos todos ir para o laboratório e passar ospróximos dez anos verificando se as idéias do Greenpeacepodem ser colocadas em prática?"A ICI precisou de apenas duas semanas para descobrir queestava errada: esse foi o tempo necessário para que aUniversidade de South Bank, na mesma Inglaterra,desenvolvesse um protótipo de "geladeira verde".Em 1993 a indústria alemã DKK/ Foron, que estava emdificuldades financeiras, anunciou a intenção de produzir ageladeira verde em grande escala, depois que milhares de sóciosdo Greenpeace na Alemanha se comprometeram a comprar oproduto. Hoje a empresa é economicamente saudável. O sucessoda Foron levou várias outras indústrias a seguirem seu exemplo.A tecnologia Greenfreeze está largamente difundida na Europa eem outras partes do mundo, presente em geladeiras que não sópreservam o ozônio como são economicamente competitivas emais eficientes do ponto vista do consumo de energia do que astradicionais."Geladeiras verdes" com marcas dos grandes fabricantesmundiais - inclusive Bosch (Continental, no Brasil), Electrolux eWhirpool (Brastemp/Consul, no Brasil) - estão à venda naAlemanha, Áustria, Dinamarca, França, Itália, Holanda, Suíça eInglaterra. E, melhor ainda: empresas do "Sul" já estão optandopela tecnologia desenvolvida pelo Greenpeace: a China já produzGreenfreezers e indústrias da Argentina, Cuba e Índia lançarãoem breve "geladeiras verdes" como resultado de iniciativas doGreenpeace. Falta o Brasil seguir o exemplo.O que é bom para a Europa não é bom para o Brasil?Electrolux, Whirpool e Bosch fabricam greenfreezers em outrospaíses. Mas no Brasil, suas subsidiárias optaram por geladeirasfalsamente apresentadas como "ecológicas". Os modelos da
  17. 17. Electrolux, Brastemp e Consul recém lançados no mercado usamo gás HFC ou HCFC em substituição ao CFC. A Electrolux foi maislonge em sua "maquiagem verde" e recorreu à propagandaenganosa de seu modelo R260, que usa o gás refrigerante R134a(nome de mercado de um dos HFCs), apresentado em anúnciosassim: "Isto é que é geladeira: não deixa nem a temperatura daTerra subir". O HFC é 3.400 vezes mais poderoso agente deaquecimento global do que o CO². O Greenpeace entrou comrepresentação contra a mentira na Delegacia do Consumidor e noConselho de Auto-Regulamentação Publicitária (Cade). O Caderecomendou a retirada da propaganda. Mas a falsa soluçãocontinua à venda.[1] Hidrocarbonetos - gases simples, como o butano, o propanoe o isobutano, excelentes fluidos refrigerantes. Há muito sãoconhecidos pela humanidade, a tecnologia é bastanteexperimentada e eles são totalmente inofensivos à camada deozônio, além de muito mais baratos do que os HCFCs e HFCs.CONCLUSÃODiante de tudo que foi dito, surge uma pergunta: é possívelreconstruir a camada de ozônio? Em tese, sim. Mas há algunscomplicadores práticos. Devido ao longo período de residênciados clorofluorcarbonos na atmosfera e a sua ainda intensaemissão para o ar, eles já se acumularam numa quantidademuito grande. Segundo algumas previsões, mesmo que asemissões se reduzissem a zero, as reações da destruição doozônio continuariam por pelo menos mais 100 anos. Casopersistam as emissões, hoje na ordem de 1,2 milhões detoneladas anuais, o ritmo da destruição da camada de ozônioserá cada vez mais alto, levando eventualmente a mudançassignificativas também na composição da alta atmosfera, emelevadas altitudes. Não dá para prever com certeza o queaconteceria numa situação dessas, pois não se conhece comprecisão como as espécies constituintes da atmosfera reagiriama um ambiente onde o processo de formação-destruição-regeneração do ozônio estratosférico fosse intensificada; alémdisso, não se conhece com exatidão os mecanismos desseprocesso

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