A busca pelo conhecimento

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O presente artigo visa apresentar o conceito de conhecimento e diferencia os tipos de conhecimento: empírico, teológico, filosófico e científico. Para tal diferencia o animal que conhece dos demais animais e discute de modo geral as características do conhecimento científico inerentes do espaço universitário.

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A busca pelo conhecimento

  1. 1. 1 A BUSCA PELO CONHECIMENTO: um processo humano e necessário1 Andréa Kochhann2 Ana Paula Costa3 NayBrunio Borges4 RESUMO:O presente artigo visa apresentar o conceito de conhecimento e diferencia os tipos de conhecimento: empírico, teológico, filosófico e científico. Para tal diferencia o animal que conhece dos demais animais e discute de modo geral as características do conhecimento científico inerentes do espaço universitário. PALAVRAS-CHAVE: Conhecimento. Tipos de Conhecimento. Conhecimento Científico. ABSTRACT: This article presents the concept of knowledge and different kinds of knowledge: empirical, theological, philosophical and scientific. For this differentiates the animal who knows of other animals and discusses in general the characteristics of scientific knowledge inherent in the university area. KEYWORDS: Knowledge. Types of Knowledge. Scientific knowledge. INTRODUÇÃO A cada dia que passa olhamos a nossa volta e percebemos que as coisas mudaram, que os homens mudaram, que nós mudamos. Esse constante vai e vem de objetos, materiais e tecnologias fazem com que pensamos que estamos evoluindo. O tempo que nos é cada dia mais precioso, passa tão rapidamente que nem nos damos conta. Nesse cenário de evoluções e transformações, nós estamos inseridos e produzindo conhecimentos e sendo alvo das produções de conhecimento. 1 Artigo elaborado para as palestras ou mini cursos realizados pelo GEFOPI – Grupo de Estudos em Formação de Professores e Interdisciplinaridade, com base nos projetos de extensão e de pesquisa, vinculados à Universidade Estadual de Goiás – Câmpus São Luís de Montes Belos. 2 Pedagoga. Mestre em Educação. Professora efetiva em regime de dedicação exclusiva da Universidade Estadual de Goiás – Câmpus São Luis de Montes Belos. Pesquisadora e Extensionista. Coordenadora do GEFOPI – Grupo de Estudos em Formação de Professores e Interdisciplinaridade. andreakochhann@yahoo.com.br 3 Acadêmica de Pedagogia da Universidade Estadual de Goiás – Câmpus São Luís de Montes Belos. Bolsista PBIC. Componente do GEFOPI – Grupo de Estudos em Formação de Professores e Interdisciplinaridade. paulastrond@hotmail.com 4 Acadêmica de Pedagogia da Universidade Estadual de Goiás – Câmpus São Luís de Montes Belos. Bolsista PBIC. Componente do GEFOPI – Grupo de Estudos em Formação de Professores e Interdisciplinaridade. naybrunio@gmail.com
  2. 2. 2 No intuito de discutir o que vem a ser conhecimento e quais os tipos de conhecimentos, é necessário compreender quem é o ser que conhece. Além do mais é importante que acadêmicos tenham o entendimento do processo de saída do senso comum para o conhecimento científico. Visando alcançar nosso intuito realizamos uma revisão literária que nesse momento apresentamos como um artigo. O CONHECIMENTO E O SER QUE CONHECE: uma discussão necessária Dizer que ninguém produz conhecimento ou que apenas alguns produzem conhecimento é algo inóspito. Todos nós produzimos de uma forma ou outra, conhecimento. Para entendermos essa controvérsia precisamos conhecer o que é conhecimento e como ele se procede. Galliano (1996, p.17) assevera que “conhecer é estabelecer uma relação entre a pessoa que conhece e o objeto que passa a ser conhecido [...] transforma em conceito esse objeto, reconstitui-o em sua mente.”. Conceito esse que induz ao processo de apropriação da realidade, pois o autor ainda afirmar que “O conhecimento leva o homem a apropriar-se da realidade e, ao mesmo tempo, a penetrar nela” (p. 17). Corroborando com essa idéia, Cortella (2008, p. 39) afirma que o conhecimento “[...] por se constituir em entendimento, averiguação e interpretação sobre a realidade, é o que nos guia como ferramenta central para nela intervir [...]”. O que se percebe com a conceituação do termo conhecimento, é que o ser que conhece é o humano. Assim, é importante conhecer o ser humano. Afinal, quem é o ser humano, o ser do conhecimento? Aranha (2006) assevera que o ser humano é o único animal completamente diferente dos demais animais. A autora o define como o ser de cultura. Destarte, Cortella (2008, p. 30) concordando com as exposições de Aranha (2006) assevera que o homem é um animal racional, um bípede implume (concordando com Platão) e cadáver adiado e que “Somos, antes de mais nada, construtores de sentido, porque, fundamentalmente, somos construtores de nós mesmos, a partir de uma evolução natural”. O autor apresenta um passeio pelas nossas origens, demonstrando como foi essa evolução ou construção humana. Segundo Cortella (2008) a origem dos homens bem como a sua evolução vem de uma racionalidade ansiosa, que embasam sua própria evolução. O homem se tornou a espécie dominante no planeta há 35.000 anos. Nessa época não existia outro ser que ameaçasse nosso comando. No entanto, se comparados a outros seres, o homem é um ser frágil, cuidado por
  3. 3. 3 muito tempo pelos pais. Nos primeiros 20 anos de vida de um ser humano acontece a estruturação, ou seja, seu desenvolvimento. A estrutura, a pele, a força física, a estrutura humana é frágil. Logo, o ser humano é adaptado ao seu ambiente, e como afirma Cortella (2008), quando o grau de adaptação é superior ao grau de flexibilidade as mudanças de um dado animal, inclusive o ser humano, pode desaparecer. No que tange a ciência da evolução humana ou a paleoantropologia, Cortella (2008) expõe o homem é da ordem dos primatas, ou seja, tive como ancestrais em algum momento os símios. Há registro de fósseis de mais ou menos 22 milhões de anos. No entanto, comprovadamente não se tem data exata de um ancestral hominídeo ligado a nos seres humanos diretamente. Estipula-se que há5 milhões de anos iniciou-se a separação entre os símios e os hominídeos, como assevera Cortella (2008, p. 32) [...] o fóssil mais aproximado dessa distinção e o do Australopithecus (4,4 milhões de anos), quase certamente o primeiro bípede humano”. Na sequência, tivemos o Homo Habilis (2 milhões de anos), o Homo Erectus(conhecido como o primeiro a migrar para fora do continente africano, nosso mais possível local de origem, há 1,6 milhão de anos), o Homo Neanderthalensis (entre 400 mil e 250 mil anos) e, por fim, o Homo Sapiens mais próximos a nós (35.000 anos) No decorrer desses milhares de anos que se passaram, muitas alterações surgiram no sistema biológico humano o que segundo Cortella (2008) morosamente foi superando a desvantagem da não especialização humana. Estas diferenciações devem ser entendidas sumariamente pelos seres humanos de uma maneira verdadeira. Em partes fantasiosa mas, não irreal. Uma vez que, se considerar a lei de seleção natural de Darwin entender-se-á que quando estes são submetidos às requisições do meio, os que se sobressaem e/ou resistem são os que se adaptam melhor ao meio. Nessa linha de pensamento Cortella (2008) leva a refletir a cerca do desenvolvimento e adaptação dos hominídeos, cujos primeiros ancestrais na África, foram oriundos das regiões de savanas, provavelmente eram arborícolas. Posteriormente, talvez por meio de disputa de território, comida ou por via da mudança do próprio clima, desceram ao chão, pois necessitavam sobreviver, e o solo lhes era a saída. Segundo Cortella (2008, p. 36) a locomoção poderá ter sido a primeira dificuldade encontrada e “diante desse quadro, os nossos antecessores que conseguirão manter-se vivos serão aqueles que, inicialmente, ficaram de pé.”. Posteriormente, houve também por consequência da postura ereta, a agilidade para locomover-se e a possibilidade de liberar as mãos. De forma geral, a evolução do homem, seja da sua diminuição do focinho, aproximação dos olhos na parte frontal da face, a sua posição ereta, a liberação das mãos, o dedo opositor,
  4. 4. 4 todas se mantém por ter proporcionado vantagens ao mesmo, para a sua sobrevivência. É preciso considerar também o aumento da massa encefálica, esta que entre tantas as outras dos mais diversos mamíferos é a maior, e também nela há subdivisões como o córtex, este que integra as mais diversas áreas do cérebro lhe proporcionando mais pujança. Percebe-se que há uma confluência de expressões entre Aranha (1989) e Cortella (2008), principalmente no que tange a cultura. Para Aranha (1989, p. 4), os homens se relacionam e interrelacionam para que assim possam produzir sua própria existência, e a cultura pode ser entendida como [...] a transformação que o homem exerce sobre a natureza, mediante o trabalho, os instrumentos e as idéias utilizados nessa transformação, bem como os produtos resultantes. E, mais ainda, nesse processo, o homem se auto-produz, se faz a si mesmo um homem. A autora faz alusão ao processo de objetivação da cultura, exposto de forma clara a correlação existente entre a produção da mesma e o homem, bem como a relação ou inferência do homem na natureza. Nessa perspectiva, Cortella(2008, p. 39) também considera que o meio ambiente, bem como a produção e intervenção do homem esta ligado a cultura, pois “Esse meio ambiente humano, por nós produzido e no qual somos produzidos, é a cultura.”. Há logicamente uma confluência no modo de se pensar a cultura, as considerações de como a mesma é construída, como ela se origina, e por quais mecanismos inicialmente ela perpassa. Desta forma a cultura pode ser entendida como um aglomerado de resultados do ser humano, sobre a natureza, sociedade, ou seja, o mundo. O termo cultura é “de origem romana, originaria de colere, que significa habituar-se, tomar conta, criar e preservar”, segundo Hannah Arendt (apud ARANHA, 2006, p. 68). Segundo Aranha (2006), conceituar cultura é complicado, pois inúmeros pontos foram agregados a esse conceito. No entanto, ela define dois sentidos para conceituá-la, o antropológico e sentido restrito. O primeiro sentido faz alusão ao que difere os seres humanos dos demais animais, pois são produtores de cultura, pensamentos e materiais. De modo amplo, Aranha (2006, p. 58) alude que é possível considerar no sentido antropológico que “[...] cultura é tudo aquilo que o ser humano produz para construir sua existência e atender a suas necessidades e desejos”. Desta forma como o próprio nome faz alusão (antropológico) é imprescindível que o homem é totalmente o foco, para compreender o conceito, que é muito abrangente. No segundo sentido entende-se que há uma referência ao sentido de interesses específicos por isso ou aquilo, seja, nas artes, nas manifestações intelectuais. Nesse segundo sentido considera-se também a possibilidade de acesso a estes fatores, ao modo como isso é
  5. 5. 5 processado e organizado por cada um. Diferentemente do sentido antropológico que abarca como alude Aranha (2006, p. 60) “todas as manifestações culturais”. No sentido restrito o que se faz é um recorte, e desta forma considerar-se-á o seu sentido mais prenotado, seja ele intelectual, filosófico, científico, artístico, literário ou religioso. É como uma subdivisão do todo. Neste sentido é preciso considerar que pessoas de diferentes posições, grupos ocupam diversas formas de expressão cultural. Neste ponto Aranha (2006, p. 60) leva a refletir sobre o processo de pensamento critico. Uma vez que, é preciso considerar que nem todas as pessoas terão acesso a estes bens culturais (grifo nosso) da mesma forma. O que mais uma vez leva a repensar a problemática das classes, de como dentro da própria sociedade a partir de uma lógica cultural é “[...] nítida a separação entre trabalhadores intelectuais e manuais.”. Aranha (2006, p. 60) induz a pensar a cerca da lógica da dominação, da exclusão de como os setores subalternos e/ou “as pessoas do povo são impedidas de elaborar criticamente a sua própria produção cultural e, consequentemente, são excluídas do acesso a esse tipo de bens culturais.”. É preciso não generalizar, elas poderão ter acesso a esses bens, entretanto, nem sempre eles terão uma lógica que correlacione com seu meio cultural. Quando eles “[...] deles se apropriam, tende a prevalecer o consumo da cultura dominante”, como assevera Aranha (2006, p. 60). É preciso considerar também cultura popular e cultura da elite. Mas, também não se deve fazer sobre elas juízos de valor, uma vez que a cultura de elite seria vista como mais organizada e refinada. E a cultura popular seria interpretada como não intelectualizada e inferior. Nessa discussão conceitual, Cortella (2008, p. 37) assevera que cultura é um “conjunto dos resultados da ação do humano sobre o mundo por intermédio do trabalho.”. Alega inclusive que o homem se faz homem inserido e por conta de uma cultura, pois “o Homem não nasce humano, se sim, torna-se humano na vida social e histórica no interior da Cultura.”.Assim, o ser do conhecimento, é o ser da cultura. OS TIPOS DE CONHECIMENTOS: uma compreensão necessária Esse homem de cultura, como apresentado por Aranha (2006) e Cortella (2008), produz conhecimento e ao produzir conhecimento transforma a realidade e si a mesmo. Para Galliano (1996, p. 18) “[...] a realidade é tão complexa que o homem, para apropriar-se dela,
  6. 6. 6 teve de aceitar diferentes tipos de conhecimento.”. Na concepção do autor existem quatro tipos de conhecimento: o vulgar, o teológico, o filosófico e o científico. Corroborando com esses quatro tipos de conhecimento se apresentam Lakatos e Marconi (2003). O conhecimento vulgar também é apresentado como sendo o conhecimento do senso comum ou empírico ou popular, caracteriza-se pelas experiências vividas ou transmitidas por alguém. Decorrente das repetições de experiências e dos exemplos dos outros, com a prática e também com os erros. Corresponde ao conhecimento assistemático, pois consiste em informações desestruturadas e dispersas, por sua vez, trata-se de um conhecimento superficial, porque não questiona as causas e o porquê dos fenômenos, aceita sem se impor, na concepção de Galliano (1996). Todavia, o conhecimento vulgar reporta-se do funcionamento das coisas e nas realizações de tarefas, por isso é considerado superficial e passivo. Embora o conhecimento vulgar seja muitas vezes errôneo e dogmático, constitui um saber válido e indispensável nas tarefas do quotidiano e nos diversos ofícios, até mesmo por evoluir com as convergências e o aprimoramento de geração a geração. Além do que, a linguagem do conhecimento vulgar é utilizada no dia a dia, porém os termos usados são vagos e imprecisos. Corroborando com Galliano (1996), Lakatos e Marconi (2003) asseveram que o conhecimento vulgar ou senso comum, não ultrapassa os limites da vida do cotidiano, pois está estreitamente ligada à percepção e à ação. Sendo que é o modo espontâneo de conhecer e adquirir superficialmente as coisas e os seres humanos. Limitando-se ao campo de vida, podendo ser percebido no dia a dia, também se caracteriza por ser inexato, ou seja, não permite a inquietação e formulação de hipóteses sobre a existência de fenômenos além da percepção objetiva. O conhecimento filosófico segundo Galliano (1996) se caracteriza pelas reflexões do homem e por instrumento exclusivo a racionalidade, com a finalidade de explorar os acontecimentos e dar sentido aos fenômenos do universo, extrapolando os limites formais da ciência. Não se restringe nos dados experimentais, mas reflete e questiona nas inquietações por que é, por que das causas, de onde vem e para onde vai o homem, consistindo na totalidade e não apenas nas aparências particulares do fato. Desse modo, o conhecimento filosófico ultrapassa os dados científicos, já que a essência deste conhecimento reflete na busca pelo “saber”, tratando de abarcar a realidade e os problemas do homem e a sua presença no universo. Constitui nos valores de forma crítica e reflexiva, procurando entender a origem dos problemas e criar respostas coerentes, orientando na vida, nas atividades práticas e intelectuais do homem.
  7. 7. 7 O conhecimento teológico ou religioso ou místico se caracteriza por basear-se exclusivamente na fé humana, na existência de uma ou mais entidade divinas, também provém das revelações de verdades no qual os homens chegaram, porém não com o amparo da ciência ou de sua inteligência, mas pelo oculto, do mistério, na aceitação de uma mensagem divina. Neste conhecimento, as relações são transmitidas por meio de indivíduos inspirados que apresentam respostas a questões que o homem não pode responder com os seus conhecimentos vulgar aos mistérios da mente humana. O teólogo é essencial para interpretar e explicar os textos divinos, além do que, provar a existência de um ou de vários Deuses. Assim, as revelações nos textos sagrados pelos teólogos são baseadas na fé humana, aceitos como verdades absolutas e indiscutíveis, desprovido de métodos e raciocínio, como afirma Galliano (1996). O conhecimento teológico ou religioso trata-se do sobrenatural, da essência e da existência do ser humano, e da relação Deus com o homem. O conhecimento teológico adquire- se pelas crenças dividas, na existência de um ser superior no qual determina conduta de moral, de adoração e de obediência a serem cumpridas pelos fiéis, pois só o justo entrará no céu. Lakatos e Marconi (2003) expõem o conhecimento teológico como uma doutrina sagrada, suas verdades são consideradas infalíveis e inquestionáveis, demonstrando na teoria da evolução da espécie, nas posições teológica fundamentadas nos textos e livros sagrados. Assim, o conhecimento teológico está sempre implícito na atitude de fé, no que se refere aos conhecimentos selecionados. E, por fim, o conhecimento científico ou crítico se caracteriza por ser metódico, sistemático da realidade, rigoroso, exato e objetivo. Com a finalidade de explicar profundamente os fatos e as causas do ponto de vista lógico e racional, através das observações, investigações e as experiências para desvendar ou desvelar a realidade. Além do que, o conhecimento científico não trata apenas de explicar os fatos, mas de descobrir os fatos além de suas aparências. O conhecimento científico expõe-se de forma informativa, com o intuito de comunicar, com o propósito de expandir as suas potencialidades de ser ratificada ou de contestação. Só assim, o resultado pode ser considerado como um trabalho científico. Uma vez que, a comprovação de um determinado trabalho torna-o verdadeiro, enquanto isso não ocorra, as hipóteses não podem ser ponderadas científicas. Na concepção de Lakatos e Marconi (2003), o conhecimento científico trata de um saber ordenado e lógico, e não conhecimentos dispersos e desconexos. Possuindo uma característica de ser um conhecimento falível, uma vez que, não é definitivo, absoluto ou final,
  8. 8. 8 por ser motivo de desenvolvimento de técnicas que pode ser reformulado a cerca da teoria existente. Desse modo, o conhecimento científico é considerado fundamental, por desempenhar uma ação crucial na vida dos homens, uma vez que trata de reconstruir o todo, por isso não se deve afrontar como passividade, mas como um espírito crítico e problematizador, como assevera Galliano (1996). Destarte é importante discutir que o conhecimento apresenta uma relação com a verdade de maneira relativa, objetiva e racional. Galliano (1996) discute que não podemos afirmar que existe verdade absoluta do conhecimento, pois todo conhecimento é relativo e possuiu cinco características próprias de cada ser que o conhece. Uma dessas características apresentadas por Galliano (1996) como sendo que o ser ou objeto a ser conhecido já existe antes de ser conhecido, ou seja, “O ser precede o conhecimento que temos dele” (p. 20). Outra característica é que qualquer ser ou objeto a ser conhecido por nós atua em nossos sentidos, ou seja, “As sensações dão-nos a imagem do universo real” (p. 20). Outra característica é que somos seres sensíveis e racionais e por esse motivo nossa razão se apoio em nossos sentidos para conhecer a realidade, ou seja, “O conhecimento racional objetivo não dispensa o conhecimento sensível” (p. 21). Outra característica que o autor apresenta é que sempre haverá uma deformação do que de fato é a realidade, devido nossa percepção, ou seja, “A verdade é a realidade” (p. 21). Por fim, o autor apresenta a última característica como sendo que a ciência existe porque existe a possibilidade da verdade objetiva, ou seja, “A negação da verdade objetiva é incompatível com a Ciência” (p.21). O que se pode inferir é que independente do tipo de conhecimento, o ser humano, é o ser que conhece pela racionalidade e objetividade da compreensão da realidade. É conveniente o entendimento de que todo conhecimento tem sua verdade relativa. No caso da universidade a busca pela verdade do conhecimento se estabelece pela passagem do conhecimento empírico para o conhecimento científico. O CONHECIMENTO CIENTÍFICO: uma compreensão imprescindível Como nosso intuito na Universidade é o conhecimento científico, cumpre apresentar que a ciência se embasa na racionalidade e na objetividade, pois para Galliano (1996, p. 25)“Conhecimento científico racional é aquele que: 1. É constituído por conceitos, julgamentos e raciocínios, não por sensações, imagens, modelos de conduta, etc.”. Para o autor o
  9. 9. 9 conhecimento científico objetivo “[...] alcança a exatidão da realidade, segundo o nível dos meios de observação, investigação ou experimentação de sua época.” (p. 25). Nessa linha de pensamento, Lakatos e Marconi (2003, p. 80) apresentam que Entendemos por ciência uma sistematização de conhecimentos, um conjunto de proposições logicamente correlacionadas sobre o comportamento de certos fenômenos que se deseja estudar. ‘A ciência é todo um conjunto de atitudes e atividades racionais, dirigidas ao sistemático conhecimento com objeto limitado, capaz de ser submetido à verificação. O conhecimento científico apresenta características básicas e de fácil identificação segundo Galliano (1996). Para o autor é possível discutir treze características, tais sejam: o conhecimento científico atém-se aos fatos, transcende os fatos, é analítico, requer exatidão e clareza, é comunicável, é verificável, depende de investigação metódica, é sistemático, busca e aplica leis, é explicativo, pode fazer predições, é aberto e útil. Na visão do autor o papel da ciência é desvelar ou desvendar a realidade e para tal é preciso uma investigação sobre os fatos, com a preocupação de não falseá-los. É preciso analisar os fatos tal qual como se apresentam, sem deixar que a interferência humana modifique a realidade dos fatos. Outro dado importante é perceber que enquanto o conhecimento empírico trata da superficialidade e aparência dos fatos, o conhecimento científico visa explicá-lo para além das aparências, o que significa transcender aos fatos. Outra característica do conhecimento científica se alicerça na concepção de análise e para isso é necessário compreender cada parte do todo complexo. Contudo, antes de analisar as partes é preciso compreender o todo. O processo de análise parte do todo para partes e retorna ao todo. Essa análise, segundo Galliano (1996) deve ser realizada com todo cuidado da exatidão e da clareza, principalmente com base na verificação. Caso haja equívocos de exatidão e clareza, isso deve ser o ponto de partida para novas verificações. O conhecimento científico é exato por ser verificado. Na concepção de Galliano (1996, p. 27) o conhecimento científico após ser verificado e comprovado se torna científico, pois “A comprovação é que o torna verdadeiro. Enquanto não são comprovadas, as hipóteses deduzidas da investigação não podem ser consideradas científicas.”. Tanto Galliano (1996) quanto Demo (2006) apresentam que o conhecimento científico ou a pesquisa devem ser comunicadas. De nada serve uma pesquisa engavetada. O pesquisador está a serviço da sociedade e os resultados de sua pesquisa precisam ser divulgados para que a sociedade possa se beneficiar e, inclusive, validar ou negar seu resultado. Galliano (1996, p. 27) assevera que
  10. 10. 10 [...] todas as investigações, descobertas, novas técnicas e hipóteses da atividade científica devem ser comunicadas, a fim de que se multipliquem as possibilidades de sua confirmação ou refutação. Só assim o resultado de um trabalho pode ser reconhecido como científico. Toda produção científica a ser comunicada advém de uma investigação já verificada e comprovada. Para tal é necessário que o pesquisador tenha um planejamento sistemático de suas ações, com base em princípios metodológicos que visem às análises dos fatos em deturpá- los ou falseá-los. Toda investigação deve ser metódica e bem planejada, para não cair em armadilhas do apriorismo. Salienta-se que existem métodos que promovem a diferença de metodologias ou instrumento de coleta de dados para as análises. O pesquisador deve conhecer esses métodos para escolher as metodologias adequadas a sua investigação. Outra característica importante que o pesquisador deve levar em consideração é que o conhecimento científico busca e aplica leis, ou seja, “À Ciência não basta a descoberta das características singulares dos fatos individuais - o conhecimento científico requer o que eles possuem de universal.”, como assevera Galliano (1996, p. 29). Não cabe à ciência a compreensão do particular, mas na universalidade. Nesse contexto que o conhecimento deve ser explicativo. Não é função do pesquisador descrever os fatos, mas deve analisá-los e compreender suas relações com os fatos, para que como anuncia Galliano (1996) responder às inquietações de maneira de explique os pro quês. Destarte, o conhecimento científico pode apresentar predições. Visto as experimentações já efetivadas e as comprovações já concretizadas, têm condições de anunciar hipóteses com mais probabilidade de comprovação. Como tudo, a predição científica não é infalível. As condições materiais, temporais e humanas de cada época e espaço influenciam nas análises e nos resultados. Isso porque o conhecimento científico é aberto e deve ser revisitado e redesenhado. Para Galliano (1996. p. 30) “O conhecimento científico não é dogmático [...] Essa condição permite que ele se renove [...] são como organismos vivos em constante crescimento.”. É nesse contexto que o conhecimento científico se apresenta como útil. O homem se esforça para dominar a natureza e a si mesmo, pelos caminhos da ciência. Nesse processo de busca pelo conhecimento, uma condição necessária e imprescindível ao desenvolvimento do homem, ele pode subjugar a natureza mas, também a si próprio, com já dizia Horkheimer (apud ARANHA, 2006). O homem como um animal diferente dos demais e produtor de conhecimento inseridos na sua cultura, se faz homem pelo processo de socialização. Nesse processo o conhecimento se estabelece e se fortalece.
  11. 11. 11 NA TENTATIVA DE CONSIDERAR Como o intuito dessas linhas era discutir sobre o ser humano em constante busca pelo conhecimento, apresentamos as características básicas que diferencia o homem dos demais animais, mostrando que o trabalho e a cultura lhe possibilitam a humanização. Grande diferença para os demais animais. Dentre as diferenças está a condição de produção do conhecimento. Conhecimento que pode ser empírico, teológico, filosófico ou científico. Como o espaço universitário visa a saída do senso comum e o alcance do conhecimento científico, ousamos apresentar algumas características do conhecimento científico. A passagem do conhecimento vulgar ao científico não é simples e rápido. A ciência se faz com rigor e sistematização. O que se pode afirmar é que o homem é o único animal produtor de conhecimento científico. Nesse ínterim é preciso despertar nos acadêmicos o gosto pela produção científica e o despertar para a construção do conhecimento pelas próprias mãos. Passar pela universidade sem produzir conhecimento, pode ser uma situação vulnerável para o acadêmico. A universidade é o espaço da produção e disseminação do conhecimento científico. Quem ocupa o espaço universitário tem por obrigação o labor científico. Sintam-se todos convidados ao trabalho. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ARANHA, Maria Lúcia Arruda. Filosofia da educação. São Paulo: Moderna, 1989. ARANHA, Maria Lúcia Arruda. História da Educação e da Pedagogia. São Paulo: Moderna, 2006. CORTELLA, Mário Sérgio. A escola e o conhecimento. 12. ed. São Paulo: Cortez: Instituto Paulo Freire, 2008. GALLIANO, Guilherme. O método científico: teoria e prática. São Paulo: Harbra, 1996. LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. Fundamentos de metodologia científica. 7 ed. São Paulo: Atlas, 2010.

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