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Educação física e envelheciment uma reflexão sobre a necessidade

  1. 1. Motriz, Rio Claro, v.16 n.2 p.485-495, abr./jun. 2010 Artigo de Revisão Educação Física e Envelhecimento: uma reflexão sobre a necessidade de novos olhares e práticas Alessandra Galve Gerez 1, 2 Marília Velardi 3, 4 Fabiano Marques Câmara 2, 5 Maria Luiza de Jesus Miranda 3, 4 1 Universidade do Grande ABC – UniABC, Santo André, SP, Brasil 2 Integrante do Grupo de Estudo e Pesquisa Sênior – GREPES e do Laboratório de Estudo e Pesquisa Biopsicossoais do Movimento Humano - LEPEBIMH 3 Coordenadora do Projeto Sênior para a Vida Ativa da Universidade São Judas Tadeu, São Paulo, SP, Brasil 4 Coordenadora do Grupo de Estudo e Pesquisa Sênior- GREPES 5 Faculdades Integradas Metropolitanas de Campinas – METROCAMP, Campinas, SP, Brasil Resumo: Em função do aumento da população idosa tem havido um crescimento significativo dos programas de Educação Física/Atividade Física para esta população, surgindo a necessidade de reflexões criticas acerca dos papéis atribuídos à Educação Física no envelhecimento e dos paradigmas que embasam seus discursos e práticas atuais que, norteados pelos interesses do Capital, tendem a reforçar preconceitos e estereótipos. Assim, o objetivo deste ensaio foi refletir criticamente sobre os papéis da Educação Física no contexto do envelhecimento. Para tanto, foi resgatado o paradigma científico hegemônico que fundamenta e determina as práticas na área da Saúde e, consequentemente, na Educação Física, para, por fim, apontarmos a necessidade de sua superação. Palavras-chave: Educação Física. Idosos. Saúde. Physical Education and Aging: a reflexion on the need of a new approach and practice Abstract: Due to the increase of the aging population, there have been a significant number of Physical Education/Physical Activity programs designed for them. It comes to time when the role of Physical Education in the aging process needs to be critically analyzed as well as the paradigm that the discourse and practice are based on, which, by been guided by economic interests, emphasize prejudice and stereotypes. The aim of this study is to reflect upon the role of Physical Education in the aging context. The hegemonious scientific paradigm, that is the foundation and determinant of the Health practice and thus the Physical Education practice will be analyzed so that the need to go beyond this hegemony can be pointed out. Key Words: Physical Education. Elderly. Health. Introdução 2004). Na área da Educação Física (EF) não é Como já é de conhecimento geral nos últimos diferente, pois a criação de espaços eanos houve um aumento significativo da intervenções destinadas aos idosos crescepopulação idosa mundial (FREITAS, 2004). consideravelmente devido, especialmente, a umParalelamente a este fenômeno, crescem, grande apelo de setores da Saúde Pública e dostambém, programas voltados para o atendimento meios de comunicação para o estímulo da práticadas necessidades médicas, sociais e de atividades físicas (AF) entre esse segmentoeducacionais dos idosos. No Brasil, a maior populacional.frequência de propostas oferecidas a essa Além dos reconhecidos e bem documentadospopulação está voltada para programas de benefícios sobre o controle, tratamento eprevenção e promoção da saúde e as prevenção de doenças, de desordens, distúrbios eUniversidades da Terceira Idade (ASSIS et al., incapacidades funcionais, que são os mais2004; CACHIONI; NERI, 2004; DEBERT e NERI, difundidos e, em geral, metas primeiras das1999; NERI; CACHIONI, 1999; VERAS, et al., propostas de intervenção em AF/EF junto aos
  2. 2. A. G. Gerez, M. Velardi, F. M. Câmara & M. L. J. Mirandaidosos, há iniciativas que se voltam para aspectos foi ampliar o debate sobre os papéis da EF juntocomo integração social, saúde, qualidade de vida, aos idosos, apontado tanto os limites quanto umasocialização e fruição do lazer. Nenhuma dessas provável tendência de esgotamento do modelometas atendidas pelas práticas deixa de trazer biomédico que ainda predomina nas intervençõesconsigo significações sobre a velhice, sobre o em EF. Além disso, propomo-nos a pensar a EFenvelhecimento, sobre o que é viver bem e quais para idosos fundamentada na ideia de autonomiaatitudes e comportamentos podem garantir uma e de emancipação, a partir do que tornar-se-ávelhice bem sucedida. possível a formulação de propostas de intervenção. Por isso há que se reconhecer que a EF étambém uma forma de intervenção sobre a vida Educação Física e envelhecimento:das pessoas e aqui reside a sua natureza política. ampliando o debateIsso traz à tona a necessidade de reflexões Um fato notório e amplamente reconhecido,profundas acerca de quais paradigmas embasam tanto pela comunidade científica quanto pelaos discursos e práticas de AF/EF junto aos idosos sociedade em geral são os efeitos benéficos dae em favor de quais interesses eles se voltam. prática de atividades físicas para a manutenção Essa reflexão torna-se especialmente física e bem-estar psicossocial, principalmenteimportante quando percebemos que vivemos num sobre a população idosa (MATSUDO et al., 2001;momento, conforme já ressaltaram Debert (1999), MAZO et al., 2009; MIRANDA, 2001; OKUMA,Pires (2003), Minayo e Coimbra (2004), no qual 2002; STELLA et al., 2002; VELARDI, 2003).muitos discursos e práticas na área da Saúde Dadas as constatações científicas sobre osempenham-se em fazer da saúde e do estilo de benefícios da prática regular de atividades físicas,vida saudável na velhice uma responsabilidade as discussões em Saúde Pública reconhecemindividual, desconsiderando aspectos atualmente ser de suma importância para asocioculturais e políticos que interferem nas adesão à atividade física, a implementação deescolhas pessoais. Considera-se que o foco na programas educacionais que possam esclarecerresponsabilidade do indivíduo sobre a sua saúde, a população idosa sobre os benefíciosvia de regra, estrutura-se em torno dos interesses decorrentes desta prática, bem como sobre asdo Capital. Os mesmos autores mostram, ainda, recomendações mais apropriadas para que oscomo os manuais de saúde das revistas e dos idosos incorporem atividades físicas em sua vidaprogramas de TV empenham-se em determinar, cotidiana, tendo em vista que a adesão ainda ébaseados no discurso científico, quais são os pequena (CARDOSO et al., 2008; MATSUDO etcomportamentos adequados para que “a boa al., 2002).forma” e a aparência jovem sejam mantidas e osefeitos do envelhecimento sejam retardados. Deste modo, falar em Educação Física eAssim, tanto a negação da velhice, quanto a visão Saúde, remete-nos a um processo amplo eestereotipada de velho e do envelhecimento são complexo, que vai além da prática de atividadesreforçadas. físicas. A educação, constantemente esquecida quando a prática de atividades físicas ocorre fora Notamos que, infelizmente, esse discurso do ensino formal, deve ser parte indissociável detende a ser incorporado pelo profissional de EF e, qualquer intervenção no âmbito da EF. Issopor conseqüência, norteia suas práticas, ainda porque a atuação profissional nessa área,que de maneira ingênua. principalmente quando acontece em ambientes Com base nessas reflexões iniciais, propomos destinados à Educação em Saúde, configura-seuma reflexão crítica sobre o papel da EF no numa relação de ensino na qual o educador e ocontexto do envelhecimento como objetivo desse educando revelam a característicaensaio tendo como intuito a proposição de bases eminentemente pedagógica da EF. No entanto,de um modelo pedagógico em EF para idosos percebemos que, geralmente, não é dada aque se debruce sobre as relações humanas de devida atenção aos aspectos educacionais noscaráter emancipatório. programas de EF destinados ao público adulto. Como bem denotou Carvalho (2001), com Por meio da articulação entre o referencial frequência as preocupações dos educadores comteórico que aproxima EF, Saúde Coletiva e seus educandos manifestam-se por meio daEducação Libertadora na velhice, nossa intenção verificação de medidas classificatórias e486 Motriz, Rio Claro, v.16, n.2, p.485-495, abr./jun. 2010
  3. 3. Educação Física, pedagogia, idososavaliativas, como as medidas antropométricas, as “Não posso ser professor se não percebo cadafaixas etárias, o gênero e a prevalência, vez melhor que, por não poder ser neutra, minha prática exige de mim uma definição. Umaincidência e risco de doenças crônicas não tomada de posição. Decisão. Ruptura. Exige detransmissíveis, além das medidas de aptidão mim que escolha entre isto e aquilo. Não posso ser professor a favor de quem quer seja e afísica e funcional. favor de não importa o quê” (FREIRE, Ainda de acordo com Carvalho (2001), essa 2002:102).forma de conhecer as pessoas aproxima-as mais Assim, conscientes de que toda açãode um ser inanimado do que de um homem, de educativa é intencional, presumimos que há um“carne e osso”, que possui necessidades, modelo de homem e de sociedade que se querdesejos, percepções, aspirações... Isso nos efetivar ou legitimar. Acreditamos que o primeiroconduz à pergunta já feita pela autora: onde está passo dessa reflexão é de caráter eminentementee quem é o sujeito dessas relações? Programas filosófico, ou seja, o primeiro passo é indagar-sede “atividade física e saúde” são implementados sobre o que é saúde e quais os fins a que separa a população, mas os sujeitos a que se destina a educação.destinam essas ações parecem detalhes. Acreditamos, pautados na perspectiva A impressão de que há a prioridade da proposta por Freire (2002), ser essencial a umaconquista de um padrão de saúde ou prática educativa o compromisso ético edesempenho em detrimento do sujeito reflete-se incondicional com o “ser mais” e, por extensão,na produção científica e na atuação com a com o desenvolvimento da autonomia daspopulação idosa, especialmente quando pessoas idosas, aspecto tão valorizado nospercebemos que ainda são poucas as discursos atuais da Promoção da Saúde a partirpublicações e os profissionais da área da EF que do Informe Lalonde e, posteriormente, da carta delidam com essa fase da vida para além do Otawa (BUSS, 2003; OPAS, 1986). A autonomiadeclínio biológico que ocorre com a idade. Essa dos sujeitos, como bem ressalta o ideário daconcepção do ser idoso e de saúde decorre do Promoção da Saúde, é dependente damodelo científico cartesiano que ainda impera na capacitação dos sujeitos e das comunidades, oárea da Saúde (FAGUNDES; BURNHAM, 2005) e que nos traz uma concepção bastante ampliadana EF (NOVAES, 2009). Muitas vezes essa do que significa “promover saúde”. Dessa forma,concepção baliza as práticas junto aos idosos há que se refletir sobre o que se entende peloque, por consequência, tendem a ser conceito de autonomia, que na área de EF, éestereotipadas e preconceituosas, como já constantemente associado à independência físicaindicou o estudo de Teixeira e Okuma (2004). e a níveis satisfatórios de aptidão física e Aceitar um determinado conceito ou ideia de funcional (FARINATTI, 2002; FARINATTI esaúde e (incluímos aqui também) de velhice FERREIRA, 2006). Recorrendo aos referenciaisimplica escolher certas intervenções efetivas da Filosofia, de acordo com Aranha e Martinssobre o corpo e a vida dos sujeitos. Por isso, (1993), a autonomia é entendida como umacomo educadores, consideramos essencial a capacidade eminentemente humana de fazerreflexão sobre quais conceitos e ideias de saúde, escolhas e responsabilizar-se por elas, a qualeducação e velhice fundamentam nossas ações e pode garantir às pessoas, mesmo na presença depor que frequentemente os sujeitos encontram- doenças e limitações físicas, a possibilidade dese, (na maioria das vezes), ocultos nos discursos manter o poder e o controle sobre suas vidas.e práticas em educação física e saúde, conforme Em Freire e Shor (2003), vemos que ojá ressaltou Carvalho (2001). incremento da autonomia assim como o Para nós, compreender essas questões empowerment individual deve necessariamentesignifica o reconhecimento da natureza política da desembocar num ato solidário, num engajamentoação educativa e o primeiro passo para dos sujeitos na luta pela libertação coletiva dematerialização de uma práxis verdadeiramente toda forma de opressão e dominação, o quecomprometida com o ser idoso. Nesta questão, denota seu caráter político.não podemos deixar de recorrer às reflexões de No que se refere aos idosos, diversos estudosPaulo Freire, que nos ajuda a compreender a vem chamando a atenção para as relações entredimensão das perguntas colocadas saúde e autonomia na velhice. Reconhecem queanteriormente: a imagem negativa do envelhecimento associadaMotriz, Rio Claro, v.16, n.2, p.485-495, abr./jun. 2010 487
  4. 4. A. G. Gerez, M. Velardi, F. M. Câmara & M. L. J. Mirandaàs perdas fisiológicas, psicológicas e sociais, que integrando os limites e possibilidades deé predominante na sociedade brasileira conquistar mais qualidade no seu viver. Comocontemporânea, pode provocar a diminuição ou o lidar, por exemplo, com uma sociedadeenfraquecimento da autonomia e isso pode excludente que valoriza o corpo belo e produtivodiminuir a saúde e a qualidade de vida percebida e, ao mesmo tempo, com a própria velhice que se(LIMA, 2000; PALMA; CACHIONI, 2002; evidencia no corpo?TEIXEIRA, 2002; VELARDI, 2003). Isso significa que o senso de pertencimento A autonomia é incrementada, principalmente, a deva passar pela idéia de saúde e que, portanto,partir de processos educacionais, levados a cabo deverá fazer parte dos conteúdos e práticastambém pela EF, seja no ensino formal ou não- pedagógicas da EF com os idosos. Parece ficarformal, como é o caso de sua inserção nas claro que atribuir prioritariamente à boa condiçãopráticas de Educação em Saúde. Por isso, física a possibilidade de estar “incluído” e comconsideramos que encerrar os potenciais da EF “saúde” é simplificar um processo que vai além dana velhice, simplesmente no “fazer” atividade superação dos entraves físicos que podemfísica e na enumeração dos benefícios físicos e ocorrer com a idade.funcionais decorrentes dessa prática seria Santos (1999) ressalta ser preciso organizar adesprezar o sentido latente da palavra reconversão dos processos de socialização e de“educação”, expressa na denominação dessa inculcação cultural para que a inclusão socialárea de conhecimento. Isso é particularmente ocorra de fato. Neste sentido, consideramos querelevante se considerarmos que estamos num a re-construção do modo de olhar a velhice tantomomento em que o discurso gerontológico, como no âmbito individual quanto social, se dará,mostram Néri e Yassuda (2004), traz inúmeros principalmente, a partir das possibilidades deargumentos em favor da educação na velhice, participação em processos educacionais ao longodentre os quais destacam-se a promoção de de toda a vida, inclusive na velhice. Tanto melhorganhos evolutivos, adquiridos a partir da troca de será quanto mais esses processos educacionaisvivências e conhecimentos entre as pessoas, a desenrolarem-se em favor do desenvolvimento eaquisição de recursos internos para a da realização do ser humano ao invés de seremmanutenção da funcionalidade, para a adaptação instrumentos a serviço do sucesso e dae aceitação da velhice, além do aperfeiçoamento produtividade do sistema econômico.pessoal. Nesta direção, Both (2002: 1113) enfatiza que: Assim, propomos que a EF, considerada como “... a educação, em face da longevidade, nãoprática educativa, seja capaz de promover o pode mais permanecer com o mesmo projetodesenvolvimento humano na direção do daquela que se baliza pelo sucesso produtivo eautocuidado que, em última análise, se refletirá pela manipulação da natureza e das pessoas, cujo fim, não são elas próprias, mas sim, osem melhoras físicas e funcionais. No entanto, interesses do sistema.”como prática educacional, a EF será ainda capazde contribuir no desenvolvimento de uma Para o mesmo autor, os ditames da ciênciaconsciência crítica que permita aos idosos moderna e da tecnologia, que estão calcados narefletirem sobre si mesmos, sobre suas lógica da razão instrumental, não podem ser osrealidades e sobre suas relações com o mundo, parâmetros para uma educação comprometidaabrindo as possibilidades de discussões sobre o com a vida e com a emancipação do ser humano,que significa viver essa etapa da vida. principalmente na velhice. Conforme afirmam Santos e Santos Sá (2000), No entanto, percebemos que muitos discursosao envelhecer as pessoas se defrontam com e práticas destinadas aos idosos, em inúmerasnovos desafios e novas exigências. Além de áreas do conhecimento, ainda são justificados por 1terem que lidar com as limitações de ordem física, argumentos utilitaristas . Na EF, por exemplo,estas são acrescidas daquelas que a sociedade esses argumentos são identificados nos discursosestabelece como preconceitos e estereótipos que epidemiológicos utilizados para estimular a práticapodem contribuem para o processo de exclusãosocial. Dessa forma, as autoras apontam que o 1 Utilitarismo: Segundo Durozoi e Roussel (1996), é umagrande desafio é construir permanentemente o doutrina que coloca a utilidade como critério ou princípio da atividade do ponto de vista moral. É a teoria racional quepróprio caminho, superando as dificuldades e permite determinar as técnicas que garantem o máximo de felicidade individual, reduzindo-se a um cálculo egoísta.488 Motriz, Rio Claro, v.16, n.2, p.485-495, abr./jun. 2010
  5. 5. Educação Física, pedagogia, idososde atividades físicas junto à população em geral a seus instrumentos e as medidas que rotulam opartir da explanação das consequências da cotidiano e a existência dos idosos,inatividade física sobre os fatores de risco desconsiderando a complexidade dos sujeitos eassociados ao sedentarismo. Muitas vezes, uma favorecendo a criação de uma estética para aparte dessa argumentação considera as relações vida que é referenciada em proibições e regrasentre os fatores de risco, o adoecimento e os gerais de comportamento.gastos em Saúde Pública com doenças crônicas, Em conseqüência dessa visão, as relações deou seja, apontam o ônus decorrente da ensino que geralmente se estabelecem e que sesobrecarga sobre as economias dos países estendem também para a EF dão-se, muitasindustrializados como conseqüência de um vezes, dentro de um contexto autoritário,número cada vez mais elevado de pessoas seguindo um modelo de comunicação “unilinear”sedentárias e idosas. e unidirecional, em que o profissional, como Consideramos a importância da argumentação reprodutor das verdades científicas, ditatraçada pela epidemiologia, porém, quando ocorre proibições e regras gerais de comportamentonos termos supramencionados, a perspectiva legitimando os valores dominantes de orientaçãoepidemiológica tende a simplificar a complexidade individualista. Nesse processo, o profissionalinerente ao processo saúde-doença, tende a tratar os indivíduos como receptáculos deprincipalmente se o uso das médias e desvios- informações (BAGRICHEVSKY; ESTEVÃO, 2004;padrão, justifica propostas preventivas utilizando- VIEIRA et al., 1998).se da “teoria do risco” de forma acrítica (MINAYO; Nesse sentido, retomamos osCOIMBRA, 2004). Para Bagrichevsky e Estevão questionamentos propostos por Minayo e Coimbra(2004), é aceitável que haja benefícios orgânicos (2004:13): “será que não existe a possibilidade dedecorrentes da prática de exercícios físicos, no introduzir, na receita do que é saudável, oentanto, é importante compreender que, ingrediente prazer de viver como mote centraladicionalmente: dessa última e decisiva etapa da existência?”. “... esta argumentação torna-se discutível, na medida que pretende sustentar uma política Deslocar o foco para o sujeito, tratando-o de conservadora, uma dimensão moral que fato como sujeito e não como objeto, não é tarefa responsabiliza cada pessoa por seu próprio adoecimento e desconsidera a dinâmica fácil. Exige um esforço considerável por parte dos sistêmica e multifacetária que influencia os envolvidos com a tarefa educativa. Para tanto, é estados de enfermidade necessário revermos as crenças e valores que humana”(BAGRICHEVSKY; ESTEVÃO, 2004: 04). justificam a submissão dos idosos às verdades 2 unilaterais. Para isso é necessário que se Além de induzir à culpabilização da vítima , compreenda a origem dessas práticas e por quenestes discursos não ter doenças parece encerrar os sujeitos estão frequentemente ocultos. Faz-seem si o significado do que é viver. Nessa necessário compreender a estrutura conceitualperspectiva algumas intervenções voltam-se mais que serve de suporte científico para a efetivaçãopara as doenças do que para a autorealização e dessas práticas, bem como as visões de homempara o potencial de desenvolvimento do sujeito e de mundo que as norteiam. A partir disso poder-que vive e está vivo, mesmo na presença de se-á refletir sobre a importância da superação doalguma doença ou limitação física. As modelo tradicional, pautado essencialmente nosmotivações, as necessidades individuais e a posicionamentos ditados pelas verdadesautonomia dos idosos acabam sendo epidemiológicas a fim de que nossa prática estejanegligenciadas. Para Minayo e Coimbra (2004), de fato comprometida com a existência humana.no que concerne à saúde, um grande mercadoconsumidor que gira em torno da Geriatria refina O paradigma biomédico, sua concepção de homem e a influência2 Culpabilização da vítima: Na área da Promoção da Saúde, a na Educação Físicaexpressão é utilizada para fazer uma crítica ao modelo A influência do modelo cartesiano sobre obiomédico que, a partir do reducionismo nos estudos doprocesso saúde-doença, atribui única e exclusivamente ao pensamento médico resultou no chamado modelosujeito a responsabilidade pela suas condições de saúde, biomédico. Descartes, considerando que adesconsiderando que, muitas vezes, ele é submetido a relaçõessociais desiguais impostas pelo seu meio capaz de torná-lo mais materialidade do corpo deveria ser estudada pelavulnerável e sem poder de reação, conforme explica Farinatti ciência e a mente pela reflexão filosófica fundou(2002) e Palma et al. (2003).Motriz, Rio Claro, v.16, n.2, p.485-495, abr./jun. 2010 489
  6. 6. A. G. Gerez, M. Velardi, F. M. Câmara & M. L. J. Mirandaum método que tem como base a dúvida. Para dimensão subjetiva, cultural e social, sendoDescartes, só seria possível conhecer olhado a partir do bom funcionamento orgânico.cientificamente aquilo que é dotado de uma O “normal e o patológico” passaram a serrealidade objetiva, pelo uso de um método capaz circunscritos na perspectiva de esquemasde colocar em suspenso tudo o que chega à calculáveis. Desse modo, a normalidade se defineconsciência através dos sentidos provenientes da em termos de frequência estatística: é aquilo queexperiência no mundo. De acordo com a primeira se encontra em maior quantidade na média daorientação dada em seu “Discurso sobre o população (CAPONI, 2003). Aqui, já percebemosMétodo”, o objeto do conhecimento deveria ser que não há espaços para o diferente.debulhado em quantas partes fossemnecessárias, começando da mais simples para a Assim, essa pretensa “neutralidade” científicamais complexa e, finalmente, submetidas a tende a afastar das suas discussões tanto aenumerações exatas (ARANHA; MARTINS, complexidade inerente ao fenômeno1993). Saúde/Doença quanto os determinantes (sociais, políticos, econômicos, dentre outros) que A partir desse pensamento, parecia clara a interagem e afetam a saúde dos sujeitos. Alémnecessidade de compreensão do corpo humano e disso, a doença é tratada como se tivesse vidado seu funcionamento de modo análogo às própria, o que parece desconsiderar asengrenagens de uma máquina ou ao experiências subjetivas de quem a vive, o quefuncionamento de um relógio submetido às sente, quais são as suas necessidades, valores edeterminações da natureza. Então o corpo passa desejos (CZERESNIA, 2003).a ser estudado em termos de suas peçasobservadas e analisadas separadamente. A No século XX, o método cartesiano continuoucompreensão mecanicista da vida, que tem seu influenciando as Ciências Biomédicas, sendoexpoente, posteriormente na física newtoniana, levado a cabo também pelo Paradigma Positivobusca entender e analisar o funcionamento nas Ciências Humanas, conforme demonstrouorgânico a partir de relações causais Santos (2003). Considerada “a filha emancipada”possibilitadas por abstrações matemáticas, sendo do método cartesiano, a ciência positiva trazo corpo e o seu movimento constantemente consigo o otimismo dos ideais iluministas queassociados à máquina. Dessa forma, uma pessoa conferia à razão o poder de libertar o homem dossaudável passa a ser comparada a um relógio desejos e impulsos e de reorganizar o mundo abem construído, funcionando em perfeitas partir das descobertas das relações previsíveis,condições mecânicas, já uma pessoa doente constantes e necessárias entre os fenômenos. Aseria como um relógio cujas peças estariam partir de então, instaura-se a dúvida de todo edesreguladas (ARANHA; MARTINS, 1993). qualquer conhecimento que não esteja fundado pelos princípios epistemológicos e metodológicos A base de todo o conhecimento e do status baseados no rigor da observação, da verificação ecientífico das Ciências da Natureza no século da quantificação.XVIII e XIX, como a Física, a Biologia e aMedicina, desenvolve-se a partir desse Em decorrência das conquistas provocadaspensamento. O corpo mensurável e fragmentado por esse modelo de ciência, principalmente noé desprovido de qualquer significado afetivo, que se refere ao avanço da tecnologia, essasocial, histórico e cultural. Nesse sentido, lógica impõe a ruptura entre o saber do sensoCzeresnia (2003) afirma que o homem acaba comum e o saber científico e cria “o mito dotendo o seu corpo desconectado de todo o cientificismo”, em que o único saber válido e comconjunto de relações que atribuem significado à autoridade é o do cientista (CHAUÍ, 1995). Assim,sua vida. A partir dessa visão, o conceito de a última palavra tende a ser sempre a dosaúde passa a ser delimitado como a ausência de especialista, pois ele possui o discursodoenças, pois os mecanismos biológicos são competente, cientificamente comprovado. Issovistos como a base da vida. significa que, se há os que possuem o discurso competente há, por outro lado, aqueles que são Dessa forma, o que não poderia ser os incompetentes e que devem se submeter aoapreendido através do método científico tendeu a discurso do poder. Isso redunda noutra dicotomia,ser visto como erro ou, ainda, como inexistente. conforme já apontou Aranha (1996): “a teoriaAssim, o conceito de saúde desliga-se de toda a manda porque possui as ideias e a prática490 Motriz, Rio Claro, v.16, n.2, p.485-495, abr./jun. 2010
  7. 7. Educação Física, pedagogia, idososobedece porque é ignorante”, Essa afirmação justifica a sua prática enfatizando o caráterdeixa clara a perda da dialética teoria-prática. “medicinal” dos métodos ginásticos (RINALDI, 2005). Na área da Saúde, isso se reflete nas açõesdos profissionais que “ditam“ os comportamentos De acordo com Soares (2005) os métodosconsiderados saudáveis como padrão normativo, ginásticos que começam a ser introduzidos nasdesconsiderando a necessidade de escolas neste período, tinham como objetivocompreensões complexas sobre aquilo que, para contribuir para formar cidadãos disciplinados ealém dos órgãos possa ter facilitado o saudáveis, para que pudessem aguentar asdesencadeamento dos processos “patológicos”. O longas jornadas de trabalho dentro das fábricas,olhar sobre os quais estão as questões tornando as atividades corporais mais uma formaambientais e os modos de vida impostos sobre as de manter o controle sobre a classe dominada.populações, sobre os quais o indivíduo tem pouco Fora do âmbito escolar, a massificação daou nenhum controle são, geralmente, esquecidos. prática de atividade física ocorreu, principalmente, Como bem mencionou Caponi (2003), as a partir da Segunda Guerra Mundial, por iniciativapráticas em saúde dirigidas através desse modelo dos EUA. Nesse período, a tendência pedagógicatêm como foco principal mudar o comportamento que começa ser difundida em diversos países,individual, ou seja, buscam a normatização de inclusive no Brasil, é o Tecnicismo. Baseada nocomportamentos, pois parece ser mais simples modelo empresarial da objetividade e daatribuir a culpa ao indivíduo do que procurar eficiência, sua principal função é adequar amudar condições perversas de sobrevivência. educação e o comportamento às exigências da sociedade industrial e tecnológica, sendo nítida a Se pensarmos por essa lógica, perceberemos preocupação com a apropriação do sabero quanto as doenças prevalentes na atualidade científico, cabendo ao professor a transmissão e aque atingem com mais frequência as populações execução daquilo que foi projetado pelos “donosque vivem nos grandes centros urbanos, as do saber”, ou seja, técnicos e burocratas dochamadas crônicas não transmissíveis, não ensino (ARANHA, 1996). De acordo com apodem ser pensadas e nem poderiam ser autora, essa vertente apresenta uma fortetratadas fora do ambiente e do contexto político- influência do positivismo e da psicologiaeconômico no qual se desenvolvem: em americana behaviorista. Sendo herdeira doestruturas políticas mais voltadas aos interesses cientificismo, a tendência tecnicista busca, node mercado do que aos interesses humanos, behaviorismo, os procedimentos experimentaisimpondo aos indivíduos más condições de vida, necessários ao condicionamento e ao controle dorelações de dominação, por exemplo, o que comportamento. Daí a preocupação commuitas vezes impede que os sujeitos sejam aspectos observáveis e mensuráveis.saudáveis, além de aumentar a vulnerabilidade àsdoenças, algo já discutido por Carvalho (2001); É interessante notar como esse modelo foiPalma (2000) e Palma (2003). apropriado pela área da educação em saúde. Basta percebermos as campanhas que, até hoje, As condições que concederam status social à tentam estimular, por exemplo, o comportamentoEF deram-se a partir do paradigma das ciências fisicamente ativo. Ser sedentário ou obeso parecebiomédicas, o qual, em meados do século XIX, que virou problema moral, de conduta. Écomeça a provar cientificamente os benefícios da considerado um comportamento nocivo e queprática de exercícios físicos no funcionamento precisa ser normatizado.orgânico. A EF, a partir dos métodos ginásticos,passa a ser fundamentada pelos princípios da Utiliza-se, dessa forma, uma “epidemia deracionalidade técnico-científica, da ordem e números” sobre as doenças causadas pelosdisciplina ditada pela burguesia em ascensão, que males do sedentarismo e que, conforme Fragaé a classe social que representa o poder, tanto no (2005), procura colocar a população emque se refere ao desenvolvimento científico movimento através de uma “pedagogia do terror”.quanto ao avanço do desenvolvimento industrial. Essa “epidemia de números” também se refleteEsse modelo de racionalidade científica também na forma de avaliar as intervenções em atividadesinfluencia fortemente a educação e, físicas. Os “princípios da eficiência” estãoconsequentemente, a formação e a atuação do presentes ainda nos testes de aptidão física queprofissional dessa área. Esse mesmo profissionalMotriz, Rio Claro, v.16, n.2, p.485-495, abr./jun. 2010 491
  8. 8. A. G. Gerez, M. Velardi, F. M. Câmara & M. L. J. Mirandaprocuram mostrar, em números, se o sujeito está também como fio condutor das discussões sobre 3ou não mais apto do ponto de vista físico . o processo de envelhecimento, estimulando reflexões críticas sobre si mesmo e a própria Dificilmente, cabem, nesses discursos, as velhice, para que fosse possível a compreensãoperguntas “mais apto para que, ou para quem?”. das razões que levam o estabelecimento eNão se discute, por exemplo, o lugar da liberdade incorporação dos estereótipos negativos impostoshumana, do direito de escolha, ou ainda, se esse pela sociedade de consumo, o que poderásujeito tem entre o que escolher, considerando contribuir para aceitação e mudança de atitudesque a falta de oportunidade para a construção de ante a própria velhice (GEREZ et al., 2007).sua autonomia, que esbarra na falta de cidadania,permite que se fique mais “vulnerável” a aderir a Considerações Finaisdeterminados comportamentos que podem Em função do aumento da população idosa,influenciar negativamente na saúde individual e percebe-se atualmente um crescimentocoletiva (PALMA, 2001; PALMA et al., 2003). significativo no incentivo à prática de AF e a implementação de programas voltados para o No campo da EF, observamos ainda com atendimento das necessidades dos idosos tendobastante freqüência, embora venha sendo em vista os benefícios biopsicossociais que apaulatinamente superada, ações norteadas por prática pode proporcionar.essa visão. O paradigma biomédico aindaembasa muitas intervenções nessa área, com a Considerando a importância do profissional deênfase dada no “fazer atividade física”. EF na organização e implementação das práticasEntendemos que esse posicionamento reafirma de AF para idosos, é importante que auma visão dicotômica de homem, pois o enxerga consideremos como uma forma de intervençãosomente em termos de seu “corpo biológico” e sobre a vida das pessoas. Como conseqüência,separado das relações concretas que estabelece essa visão trará à tona a necessidade decom o seu mundo social. Isso poderá reforçar os profundas reflexões acerca de quais ideias epreconceitos e a falta de respeito às diversidades ideologias embasam os discursos e práticas daem relação a quem não se enquadra em um EF junto aos idosos. É preciso que tenhamospadrão físico determinado como “bom ou normal” consciência de quais valores estamospela ciência, contra aqueles que vivem em perpetuando, principalmente num momento emsituação de pobreza e vulnerabilidade e, portanto, que os meios de comunicação de massa,não podem se engajar em atividades físicas ou respaldados pelo discurso científico hegemônico,ainda contra aqueles que simplesmente optam empenham-se em transformar a velhice e apor não praticá-la. saúde numa responsabilidade individual. Ao contrário, propomos uma prática Diante disso, para nós parece clara e urgentepedagógica que, por meio da reflexão sobre a a necessidade de reflexões sobre a práticaação, permita a criação de conhecimentos sobre pedagógica em EF para idosos para que, cadaatividade física e o envelhecimento, julgados vez mais, sejam ampliados os espaços denecessários para favorecer as escolhas livres e construção de outros significados e práticas queconscientes e a incorporação, modificação ou acolham a diversidade e a complexidade destamanutenção consciente e crítica de atitudes. Por fase da vida. Neste sentido, nos posicionamos emmeio das aulas práticas, os idosos podem ser favor de uma prática pedagógica consciente eestimulados tanto à reflexão sobre sua realidade engajada em relações humanas e libertárias, quequanto à compreensão da atuação do processo se comprometam com a superação dade envelhecimento sobre os diversos sistemas observação simplista dos fenômenos eorgânicos. Surge daí a necessidade dacompreensão do papel da atividade física no considerem o contexto no qual se dão suas açõesestímulo a esses sistemas, promovendo para, principalmente, promover aprendizagensadaptações positivas e protetoras. Além disso, sobre a EF e Saúde compromissadas com asessas vivências corporais poderiam servir escolhas e emancipação dos idosos, mesmo que essa escolha seja, eventualmente, não praticar3 Cabe ressaltar aqui que não se trata de questionar a atividade física.importância e a necessidade da realização de testes de aptidãofísica, pois ele faz parte do diagnóstico para a implementação Considerando o contexto exposto, asdas ações nesta área. O que critico, neste ponto, é o fato demuitas práticas junto aos idosos se basearem simplesmente estratégias de Educação em Saúde nonesses parâmetros para chegar a conclusões sobre o sucesso envelhecimento, dentre as quais se encontra ade suas intervenções e da melhora da saúde dos indivíduos.492 Motriz, Rio Claro, v.16, n.2, p.485-495, abr./jun. 2010
  9. 9. Educação Física, pedagogia, idososEF, podem proporcionar mudanças na visão Cachioni, M. (Orgs.). Velhice bem sucedida:negativa do envelhecimento pela diminuição da Aspectos afetivos e cognitivos. Campinas:alienação, como já mencionou Teixeira (2002). Papirus, pag. 46-69, 2004.Isto se daria através da reflexão sobre a ação CAPONI, S. A saúde como abertura ao risco – In.:vivenciada diretamente na prática de atividades CZERESNIA, D; FREITAS, C. M. (orgs).físicas, ou seja, a partir da reflexão sobre a Promoção da Saúde: conceitos, reflexões evivência do movimento, poder-se-ia incrementar tendências. Rio de Janeiro: Fiocruz, p. 55-77,os saberes sobre a atividade física bem como 2003.sobre o processo de envelhecimento, além de CARDOSO, A.S; BORGES, L.J; MAZO, G.Z;estimular o seu engajamento na luta pela BENEDETTI, T.B; KUHNEN, A.P. Fatorestransformação da sociedade opressora. influentes na desistência de idosos em um programa de exercício físico. Revista Acreditamos no potencial que a EF tem em Movimento, Porto Alegre, v. 14, n.01, pag. 225-auxiliar os idosos na construção de um 239, jan/abril, 2008.posicionamento crítico diante da prática, além depossibilitar a abertura do campo de CARVALHO, Y.M. Atividade Física e Saúde: ondeconhecimentos e reflexões sobre os está e quem é o sujeito das relações? Revistadeterminantes da saúde, elevando a consciência Brasileira de Ciências do Esporte, v.22, n.2, p. 9-21, jan/2001.política e as possibilidades de escolhas doindivíduo, deixando-o livre para decidir sobre seus CHAUÍ, M. Convite à Filosofia. 5ª ed., Sãocomportamentos, concretizando, deste modo, o Paulo, Editora Ática, 1995.que Freire (2002) intitulou como uma “pedagogiada autonomia”. CZERESNIA, D. O conceito de saúde e a diferença entre prevenção e promoção – In.: Referências CZERESNIA, D; FREITAS, C. M. (orgs). Promoção da Saúde: conceitos, reflexões eARANHA, M.L.A. Filosofia da Educação. 2ª ed., tendências. Rio de Janeiro: Fiocruz, p. 39-53,São Paulo: Editora Moderna, 1996. 2003.ARANHA, M. L. A; MARTINS, M.H.P. DEBERT, G.G. A Reinvenção da Velhice:Filosofando: Introdução à Filosofia. 2ª ed., São Socialização e Processos de Reprivatização doPaulo: Editora Moderna, 1993. Envelhecimento. São Paulo: Edusp-Fapesp, 1999.ASSIS, M; HARTZ, Z. M. A; VALLA, V.V. DEBERT, G. G; NERI, A. L. (Org.). Velhice eProgramas de promoção da saúde do idoso: uma Sociedade. 1. ed. Campinas: Papirus Editora,revisão da literatura científica no período de 1990 1999.a 2002. Ciência e Saúde Coletiva, v.9, n.3, Riode Janeiro, jul/set., 2004. Disponível em DUROZOI, G; ROUSSEL, A. Dicionário dewww.scielo.br. Acesso em 18/11/2009. Filosofia. 2ª ed. Campinas, SP: Papirus, 1996.BAGRICHEVSKY, M; ESTEVÃO, A. Os sentidos FAGUNDES, N.C; BURNHAM, T.F. Discutindo ada saúde e a Educação Física: Apontamentos relação entre espaço e aprendizagem napreliminares. Revista Arquivos em Movimento, formação de profissionais de saúde. Interface –v.1, nº1, Nov./2004. Comunicação, Saúde, Educacional, v.9, nº16, p. 105-14, set.2004/fev.2005. Disponível emBOTH, A. Longevidade e Educação: www.interface.org.br. Acesso em 01/04/2008.Fundamentos teóricos e práticos. In.: FREITAS,E. V. et al. (orgs). Tratado de Geriatria e FARINATTI, P.T.V. Atividade Física,Gerontologia. Rio de Janeiro: Guanabara Envelhecimento, e Qualidade de Vida. In: VKoogan, p. 1111-1118, 2002. SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE ATIVIDADES FÍSICAS PARA A TERCEIRA IDADE. São Paulo.BUSS, P. M. Uma introdução ao conceito de Anais. p. 79-86, 2002.Promoção da Saúde – In.: CZERESNIA, D;FREITAS, C. M. (orgs). Promoção da Saúde: FARINATTI, P.T.V.; FERREIRA, M.S. Saúde,conceitos, reflexões e tendências. Rio de Janeiro: promoção da saúde e educação física:Fiocruz, p. 15-38, 2003. conceitos, princípios e aplicações. Rio de Janeiro: EdUERJ, 2006.CACHIONI, M; NERI, A.L. Educação e velhicebem–sucedida no contexto das Universidades daTerceira Idade. In.: NERI, A.L; YASSUDA, M.S.;Motriz, Rio Claro, v.16, n.2, p.485-495, abr./jun. 2010 493
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