Seminário francisco de assis por anderson

721 visualizações

Publicada em

Feito para o seminário realizado em novembro de 2012. Em que buscamos publicizar a espiritualidade franciscana, a mística e e a ecopedagogia.

0 comentários
1 gostou
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
721
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
2
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
12
Comentários
0
Gostaram
1
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

Seminário francisco de assis por anderson

  1. 1. Apresentação de Anderson F. Santos
  2. 2. 622. Confiou Deus a certos homens a missãode revelarem a Sua lei?“Indubitavelmente. Em todos os temposhouve homens que tiveram essa missão.São Espíritos superiores, que encarnam como fim de fazer progredir a Humanidade.”(O Livro dos Espíritos)
  3. 3. Versos tentando caminhar nas trilhas de SãoFranciscoIrmão que viveste na úmbriaAcende estas palavras com a tua sombrasilenciosa companheiraFazendo-nos amar os caminhosDesconfia das pedras e ama os pássarosEnsina tua alma amiga a gostar dos ventosVive profunda, indefesamente , a ciênciada esperançaEla é fiel, e a mais lúcida de tuas irmãsEla vive a medida da desmedidaE ousa contemplar o segredo do tempo
  4. 4. Ensina a teus passos caminhar nossonhosQuando vier a hora definitivaEstarás mais próximaNão temas a proximidade da morteGuarda tua emoção como louvor àgrandeza da vidaQuando vês um pobreEle te julga... tu te julgasDEUS te julga: é a hora damisericórdia
  5. 5. A bondade, esta fecunda imensa existência naqual a vida chegaa se abraçar com a morte...a fim de vencê-laSó te inclines diante de DEUSOu diante de alguém que sofraO resto é idolatriaEstamos na travessiaSofre-te e alegra-te com a inquietação daságuasAdmira a beleza do mar e não sejas tonta empedir às vagas e espumasa quietude de um porto
  6. 6. Vives o tempo da coragem, a música doriscoTeu sangue nas veias ignora o que seja aimobilidadeE por isso vivesE essa é a mais fiel imagem do Infinitoe Ardente CristalO tempo assiste a luta entre o afeto e omedoO tempo te desafia clamando: abraça-meou adormeceAmarÚnico verbo a mover-se sobre a ofuscantecerteza da eternidade
  7. 7. Irmão que um dia viveste na úmbriasenhor irmão aceso pelo amorincandesce os nossos caminhosmas tão profundamente, que possamos amar assombrasE sem ódio ou temorver as estrelas perdidas no deserto olhar dolobo.JOSÉ PAULO, primavera de 1981( Apud LeonardoBoff, Ternura e vigor, vozes, 1982.)
  8. 8. O itinerário espiritual de Francisco também decorreu ao longo de 20anos – entre os 25 e os 45, idade com que morreu em 3 de Outubrode 1226 – e desenvolveu-se num clima denso de interioridade, combastantes retoques originais.
  9. 9. "A vida de Francisco Bernardone (o verdadeiro nome foiGiovanni, mas o pai, rico mercador que freqüentementevisitava a França, chamou o filho de "Francesco", isto é,francês)" - di-lo G.D. Leoni (1) - "é bastante conhecida; nem tem muitointeresse para a leitura dos "Fioretti". Todavia, eis as datasfundamentais: nasce em Assis (26 de setembro de 1182), na regiãoitaliana da Úmbria; passa a juventude na alegre companhia de amigos,até que uma doença o faz refletir sobre a fraqueza humana (1206): nomesmo ano outros sinais premonitores convertem definitivamente ojovem, que renuncia aos bens paternos e torna-se "esposo daobediência e da pobreza"; e se dedica à pobreza, à meditação, aoapostolado. Alguns companheiros o seguem (1209): Bernardo deQuintavalle, Pietro Cattani, Egídio de
  10. 10. "A vida contemplativa o Santo substitui agora avida ativa: organiza a Ordem, manda os primeirosmissionários à França, Alemanha, Hungria, Espanha,Tunísia, Marrocos (onde se imolam os primeiros mártires) eele mesmo embarca para o Oriente (1219-1220), indoevangelizar o Egito e visitando a Palestina. VOlta à Itália,reorganiza a Ordem regular, institui a Ordem Terceira(1221), percorre a Península, pregando a humildade e aausteridade num ambiente cada vez mais corrupto e agitado.
  11. 11. "Mas o grande esforço das viagens e asrígidas penitências enfraquecem o corpo doSanto: começam o sofrimento e aglorificação terrena. Em 1224 recebe osEstigmas; um ano depois dita o "Cântico dasCriaturas"; sofre com alegria, aconselha compiedade, morre serenamente, ao pôr do soldodia 4 de outubro de 1226, com quarenta equatro anos."
  12. 12. Para refletirmos a espiritualidade de SãoFrancisco, se faz necessário buscarmosconhecer as suas qualidades humanas,aquela que, no processo de busca e deconversão para o Cristo, foramaprimoradas pela graça de Deus.Francisco era homem de uma inteligênciatransformadora, realizadora, intuitiva,possuía um coração generoso, livre,delicado. No seu agir, prevalecia seutemperamento ativo, concreto, afetivo,sensível e poético. Tudo isto é o ser deFrancisco tudo foi orientado e robustecidopor uma ideia que tomou conta dele comforça divina: voltar ao evangelho.
  13. 13. A espiritualidade de Francisco, éportanto, um caminhar constantena identificação com Cristo.
  14. 14. [Disse Jesus:] Deixai vir os pequeninos amim e não os impeçais, porque dos tais é oReino de Deus. Em verdade vos digo quequalquer que não receber o Reino de Deuscomo uma criança de maneira nenhumaentrará nele(Marcos 10:14-15).
  15. 15. • INSTRUÇÕES DOS ESPÍRITOS• I – Deixai Vir A Mim Os Pequeninos –JOÃO O Evangelista, Paris, 1863• 18 – Disse o Cristo: “Deixai vir a mim os pequeninos”.Essas palavras, tão profundas na sua simplicidade, nãofazem apenas um apelo às crianças, mas também àsalmas que gravitam nos círculos inferiores, onde adesgraça desconhece a esperança. Jesus chamava a si ainfância intelectual da criatura formada: os fracos,osescravos, os viciosos.
  16. 16. • Ele nada podia ensinar à infância física, presa namatéria, sujeita ao jugo dos instintos, e ainda nãointegrada na ordem superior da razão e da vontade,que se exercem em torno dela e em seu benefício.Jesus queria que os homens se entregassem a ele coma confiança desses pequenos seres de passosvacilantes, cujo apelo lhe conquistaria o coração dasmulheres, que são todas mães. Assim, ele submetia asalmas à sua terna e misteriosa autoridade.
  17. 17. • Ele foi à flama que espancou as trevas, o clarimmatinal que tocou a alvorada. Foi o iniciador doEspiritismo, que deve, por sua vez, chamar a si,não as crianças, mas os homens de boa-vontade. A ação viril está iniciada; não se tratamais de crer instintivamente e obedecer demaneira mecânica: é necessário que o homemsiga as leis inteligentes, que lhe revela a suauniversalidade.
  18. 18. (...)Nós vos mostraremos a correlaçãopoderosa, que liga o que foi ao que é.Eu vos digo, em verdade: amanifestação espírita se eleva nohorizonte, e eis aqui o seu enviado,que vai resplandecer como o solsobre o cume dos montes.
  19. 19. • UM ESPÍRITO PROTETOR• Bordeaux, 1863• 19 – Deixar vir a mim os pequeninos, pois tenho o alimento que fortificaos fracos. Deixai vir a mim os tímidos e os débeis, que necessitam deamparo e consolo. Deixai vir a mim os ignorantes, para que eu os ilumine.Deixai vir a mim todos os sofredores, a multidão dos aflitos e dosinfelizes, e eu lhes darei o grande remédio para os males da vida,revelando-lhes o segredo da cura de suas feridas. Qual é, meus amigos,esse bálsamo poderoso, de tamanha virtude, que se aplica a todas aschagas do coração e as curas? É o amor, é a caridade! Se tiverdes essefogo divino, o que havereis de temer? A todos os instantes de vossa vidadireis: “Meu Pai, que se faça a tua vontade e não a minha! Se te aprazexperimentar-me pela dor e pelas tribulações, bendito seja! Porque épara o meu bem, eu o sei, que a tua mão pesa sobre mim. Se te agrada,Senhor, apiedar-te de tua frágil criatura, dar-lhe ao coração as alegriaspuras, bendito seja também! Mas faze que o amor divino não seamorteça na sua alma, e que incessantemente suba aos teus pés a suaprece de gratidão”.
  20. 20. Esta identificação de Francisco com Cristo, é que estabelecesua comunhão com o mundo dos pobres, colocando se aserviço deles: “amava sempre os pobres e mostrava-sePai de todos os mendigos” ( Tomás de Celano). Tinha grandepredileção para com “os pequeninos” incluindo neste termo,todas as misérias do homem, tanto a do pobre como a dodoente, do desiludido, do desventurado, do infeliz aos quaisdesejava levar, além dos cuidados materiais e do confortofísico, a grandeza do dom de Deus. Francisco entra no meiodos homens de tal maneira que nenhum homem, nemmesmo o mais insignificante, lhe passa despercebido.
  21. 21. "Não amemos de palavra, nem de língua,mas por obras e em verdade." - João. (I João, 3:18.)Por normas de fraternidade pura e sincera, recomendaa Palavra Divina: "Amai-vos uns a outros."Não determina seleções.Não exalta conveniências.Não impõem condicionais.Não desfavorece os infelizes.Não menoscaba os fracos.Não faz privilégios.Não pede o afastamento dos maus.Não desconsidera os filhos do lar alheio.Não destaca a parentela consanguínea.Não menospreza os adversários.E o apóstolo acrescenta: "Não amemos de palavra,mas através das obras, com todo o fervor do coração."O Universo é o nosso domicílio.A Humanidade é a nossa família.Aproximemo-nos dos piores, para ajudar.Aproximemo-nos dos melhores, para aprender.Amarmo-nos, servindo uns aos outros, não deboca, mas de coração, constitui para nós todos oglorioso caminho de ascensão.Emmanuel(extraído do livro "Vinha de Luz"- Francisco Cândido Xavier)AMAI-VOS
  22. 22. Francisco, num movimento incessante, unificatudo em Deus, vai de Deus aos homens e doshomens a Deus. Francisco de Assis amava todosos homens em Deus e cada homem por simesmo e em si mesmo.
  23. 23. 622. Confiou Deus a certos homens a missãode revelarem a Sua lei?“Indubitavelmente. Em todos os temposhouve homens que tiveram essa missão.São Espíritos superiores, que encarnam como fim de fazer progredir a Humanidade.”(O Livro dos Espíritos)
  24. 24. “Com Francisco voltou a primavera deJesus Cristo ao mundo.”
  25. 25. Os homens que se santificam inspiradosno Cristo, são sempre atuais. Eles rompemos limites do tempo e se fazemcontemporâneos de cada tempo e decada homem que está em busca daespiritualidade.
  26. 26. CARTA DA TERRAEstamos diante de um momento crítico na história da Terra,numa época em que a humanidade deve escolher o seu futuro.À medida que o mundo torna-se cada vez maisinterdependente e frágil, o futuro reserva, ao mesmo tempo,grande perigo e grande esperança. Para seguir adiante,devemos reconhecer que, no meio de uma magníficadiversidade de culturas e formas de vida, somos uma famíliahumana e uma comunidade terrestre com um destino comum.Devemos nos juntar para gerar uma sociedade sustentávelglobal fundada no respeito pela natureza, nos direitos humanosuniversais, na justiça econômica e numa cultura da paz. Parachegar a este propósito, é imperativo que nós, os povos daTerra, declaremos nossa responsabilidade uns para com osoutros, com a grande comunidade de vida e com as futurasgerações.
  27. 27. • A humanidade é parte de um vasto universo em evolução. ATerra, nosso lar, é viva como uma comunidade de vidaincomparável. As forças da natureza fazem da existência umaaventura exigente e incerta, mas a Terra providenciou ascondições essenciais para a evolução da vida. A capacidade derecuperação da comunidade de vida e o bem-estar dahumanidade dependem da preservação de uma biosferasaudável com todos seus sistemas ecológicos, uma ricavariedade de plantas e animais, solos férteis, águas puras e arlimpo. O meio ambiente global com seus recursos finitos éuma preocupação comum de todos os povos. A proteção davitalidade, diversidade e beleza da Terra é um dever sagrado.
  28. 28. Francisco mostra uma outra estrutura paralidar com o planeta, assentado não na disputa,mas na ternura, não nos holofotes, no orgulho,na tirania das opiniões fechadas, mas nocoração.
  29. 29. A alma inspirada em Francisco não seorienta em atropelar os outros, priorizarcoisas e não pessoas, mas em aproximarcorações.Longe de ser poesia piegas é atituderadical, definitiva e unilateral.
  30. 30. O sentido da vida humana não se orientaem criar riquezas, mas fraternidade.Assenta-se não no ter, mas no ser. E sercom os outros e não ser mais que osoutros.
  31. 31. A mística franciscana nos inspira aum caminho de interação cósmicacom a realidade, pois faz-noslembrar do que sempre fomos esempre seremos - unos com toda ateia da Vida.
  32. 32. "Todas as trevas do mundo não podem apagar uma velaacesa"
  33. 33. Compaixão, não como palavras ditasmas como sentimento. Pois aFraternidade é uma lei cósmica e nãoum mandamento.
  34. 34. Perceber que o laço que une os homens, nãosão dogmas, imposições, bulas ou rituais. Háum elo real que une toda a Criação. Essa forçaque integra nossos átomos, que segura osuniversos, que nos permite existir, pensar,agir. Isso é real.Unidos não só todos os homens, mas tudoque existe no universo inteiro. Essafraternidade, essa interligação é real. Ocorreagora, já. inteiro em um grande conjunto.”
  35. 35. É um elo de união tão universal e abrangente que nenhum homemou partícula - dos homens aos animais, das folhas de grama aos átomos -pode ficar fora da sua luz.Francisco tem essa percepção. Essa interconexão. Que nos une à todos.
  36. 36. ECOLOGIA – de onde vem essa palavra e o que significaFormada por duas palavras gregas, oikos que significa casa elogos ciência, ecologia é a parte da biologia que estuda a relaçãodos seres vivos com o meio ambiente enquanto que osecossistemas são os grupos de seres vivos que habitamdeterminada região e são separados em flora, fauna emicroorganismos além dos fatores físicos que compõe oambiente como a atmosfera, o solo e a água.
  37. 37. ECOLOGIAJá na antiguidade, nos primeiros documentosescritos, obra dos Sumérios (4.000 a.C.), constavamnormas jurídicas sobre irrigação de lavourasdispostas em forma de terraços , ou seja, ao quetudo indica “as primeiras leis da humanidade, fixadaspor escrito, são códigos que regulam o uso daágua”.Podemos perceber, com isto, que a preocupaçãocom a água, assim como muitos dos demaisaspectos da causa ambiental, não é ofício recentedo atual século. Mesmo que não utilizassem oconceito atual, já existiam sinais claros da práxis.Em linhas gerais, a história do ser humano é, emgrande parte, a história de sua relação com oambiente.
  38. 38. ECOLOGIAEquivale a um interesse global, uma questão de vida emorte da humanidade e de todo o sistema planetário. O termo ecologia: cunhado pelo biólogo Ernst Haechelem 1866. "O estudo da interdependência e da interação entre osorganismos vivos (animais e plantas) e o seu meioambiente (seres inorgânicos)". Hoje: o conceito ultrapassa o horizonte dos seres vivose o exclusivo domínio da natureza. Passa a representar "a relação, a interação e adialogação que todos os seres (vivos ou não) guardamentre si e com tudo o mais que existe", abarcandotambém nisso o universo humano, e o universoespiritual e o Cosmos.
  39. 39. ECOLOGIADom Pedro II, em 1861, ordena plantar a Floresta daTijuca para a garantia de água ao Riode Janeiro, que já sofria sérias ameaças dosdesflorestamentos das encostas dos morros.14 Em 1869o cientista alemão Ernst Haeckel, propõe a ciência“Ecologia” para os estudos das relações entre osseres vivos e sua “casa”. Em 1872 é criado o primeiroparque nacional do mundo, o Yellowstone,nos EUA. Em 1876, o brasileiro André Rebouças sugerea criação de parques nacionais na Ilha deBananal e em Sete Quedas, Brasil. J
  40. 40. ECOLOGIACom o passar da história, o advento do cristianismo, coma revolução industrial e, maisrecentemente, com a oficialização do paradigmacartesiano-newtoniano, as relações em geralsofreram profundas mudanças, onde os sinais ecológicose psicológicos, hoje, confirmam estarealidade, tais como a depressão, solidão, perda desentido na vida, a violência e ganânciageneralizada da humanidade e os problemas ecológicoscomplexos e sistêmicos como efeito estufa,buracos na camada do ozônio e lixo nuclear. Estamosvivendo o momento talvez mais importanteda história do planeta e da civilização humana. Nóssomos quem escolhemos: aproveitar as ricasoportunidades de crescimento pessoal e grupal ou ficarimerso na negatividade do pessimismoapocalíptico.
  41. 41. Nos dias de hoje , estamos vivenciando o ponto – talvez –extremo da preocupação com a qualidade dos ecossistemas eda vida em geral, devendo-se ao fato de estarmos buscandosuperar o já esgotado paradigma newtoniano-cartesiano, umsistema, como salienta o psiquiatraStanislav Grof, que:“criou uma imagem muito negativa do ser humano,apresentando-o como uma máquina biológica movida porimpulsos instintivos de natureza bestial, e não reconhece,realmente, valores mais altos como consciência espiritual,sentimentos de amor, carência estética ou senso de justiça.Todos esses valores são vistos como derivados dos instintos debase ou de ajustes essencialmente estranhos à naturezahumana. Esta imagem endossa o individualismo, a ênfaseegoística, a competição e o princípio da “sobrevivência do maisforte” como tendências naturais e necessáriamente saudáveis.
  42. 42. A ciência materialista não foi capaz dereconhecer o valor e a importância vitalda cooperação, da sinergia e daspreocupações ecológicas, pois tornou-secega por seu próprio modelo do mundo:unidades separadas que interagemmecanicamente.”
  43. 43. • Tese básica de uma visão ecológica da realidade: tudose relaciona com tudo em todas as direções.A lesma desfalecida no chão com a galáxia maislongínqua, a flor do campo com o "big bang" há bilhõesde anos atrás, a consciência de um ser humano com asparticulas subatômicas mais elementares...Diz Boff: "Para uma visão ecológica, tudo o que existe,co-existe. Tudo o que co-existe, pré-existe. E tudo o queco-existe e pré-existe subsiste através de uma teiainfindável de relações inclusivas”.
  44. 44. Na interdependência de todosos seres, a ecologia redimensionatodas as hierarquias e nega odireito dos mais fortes. Todos osseres contam e possuem suarelativa autonomia; nada ésupérfluo ou marginal. Cada sercompõe um elo da imensa correntecósmica que, na perspectiva da fé,sai de Deus e a Deus retorna.Em suma, a ecologia se definecomo a ciência e a arte dasrelações e dos seres relacionados.
  45. 45. • Danos ao meio ambiente, como resultado daemissão excessiva de compostos químicosindustriais, dióxidos de enxofre e de carbono eoutros agentes poluentes:a chuva ácida (destruidora da fauna e davegetação);o efeito estufa ou aquecimento da atmosfera(favorecendo a elevação do nível do oceano quepoderá ocasionar num futuro bem próximotrágicas inundações);a destruição da camada de ozônio (expondo osseres humanos a radiações ultravioletascancerígenas).
  46. 46. O exorbitante crescimento da populaçãomundial é outro fator preocupante:1950: 2,5 bilhões1989: 5,2 bilhões2000: 6,4 bilhõesA seguir no mesmo ritmo, terá o eco-sistematerrestre nas próximas gerações condições deabsorver tanta gente?Nesse particular, um dilema: a ameaça viria dasuperpopulação ou do padrão exagerado deconsumo e de desperdício, especialmente dospaíses ricos?
  47. 47. «O “eu” de Francisco foi irresistivelmente atraído e tomado pelouno, feito (Francisco) totalmente uno com o Centro.«Não restava nada. As estrelas tinham desaparecido, a noite forasubmersa. O próprio Francisco tinha desaparecido. Somenterestava um TU que tudo abrange acima e abaixo, adiante e atrás,à direita e à esquerda, dentro e fora. [...] Ao sentir-se no seio deDeus, nasceram a Francisco asas de tal envergadura, queabrangiam o mundo de lado a lado. ‘Meu Deus e meu Tudo’.»O Cântico é, pois, a resposta a uma luz que naquela noite oiluminou por dentro
  48. 48. «Meu Deus e meu Tudo». E dá-nos uma sábia lição de que não épossível amar a Deus sem amar a sua obra.«Desejando embora este feliz viandante deixar sem demora a terra,como lugar de peregrinação e desterro, sabia mesmo assim tirar nãopouco proveito das coisas deste mundo. Em todas as criaturas elecantava o Artífice; tudo o que nelas via o referia ao Criador. Exultava dealegria em todas as obras saídas da mão de Deus e, através desta visãoletificante, remontava-se Àquele que é a causa e o princípio que lhes dávida. [...] Pelas marcas impressas na natureza seguia ao encontro doamado. [...] Abraçava todos os seres criados com um amor e umentusiasmo jamais vistos e com eles falava acerca do Senhor,convidando-os a louvá-Lo. [...] Chamava irmãos a todos os animais,embora, entre todos, preferisse os mansos. Porque a Bondade, que éfonte de todas as coisas, já nesta vida se manifestava aos olhos doSanto claramente total em todas elas.»[43]
  49. 49. • . Isso significa que tudo na existência é visto a partir de umnovo olhar• onde o ser humano vai construindo a sua integralidade e a suaintegração com• tudo que o cerca.
  50. 50. Tudo que existe tem sua vibração apropriada. A conexão com os seresvivos ocorre quando o indivíduo começa a entrar na sintonia cósmica.
  51. 51. Francisco sente o mundo confraternizando com o Espírito.“O Espírito dorme na pedra, sonha nas flores, sente nosanimais e pensa no ser humano”. Ele é a grande forçaunificadora de toda a criação. Por isso, nós temos queintensificar esta concepção que nos leva a assumir omundo não como objeto de nossa dominação, mas comoirmão. O universo constitui um desbordamento dessadiversidade e dessa união. O mundo é assim complexo,diverso, uno, entrelaçado e interconectado
  52. 52. A assistência a todas pessoas, o convívio fraterno ebondoso, a amizade espontânea, o coração aberto, ohábito da reflexão elevada, da concentração mental e doestudo sereno, constante, sucessivo e dirigido paraassuntos avançados e não-mundanos, desenvolve oCorpo mental da consciência.”
  53. 53. • Viver a essa interação permite-nos entrar emsintonia com o universo, a partir do coraçãoaberto, porque abraçamos a tudo como criaturasirmãs, criaturas de Deus numa sinfonia cósmica
  54. 54. Nós vivemos numa realidade, num mundodefinido, por que não dizer, criado pelos nossossentidos. Precisamos aceitar, além das viascientíficas, a existência de outras vias deconhecimento, como a ampliação da consciênciacom a absorção de conteúdos inconscientes e aintuição. O Universo é um todo do qual nóspercebemos somente uma face. Nós não podemosobjetivar completamente os fenômenos, masapenas falar do “mundo que o homem é capaz deconhecer”.
  55. 55. “A mente apenas vê uma fatia darealidade. Em certos estados podemoster acessos ampliados à mundosdesconhecidos e um porção de cores,gostos e cheiros que não vemos emestado comum."
  56. 56. “A iluminação ficou cada vez mais brilhante; o rumorejar,mais alto. Tive uma sensação devertigem e vi-me saindo do meu corpo, totalmente envoltonum halo de luz... Senti o ponto de consciência que eu eraficar mais amplo, cercado por ondas de luz... Eu era entãotodo consciência, sem nenhum contorno, sem nenhumaidéia de acessório corpóreo, sem nenhum sentimento nemsensação vindo dos sentidos, imerso num mar de luz... Eudeixara de ser eu mesmo, ou para ser mais preciso, já nãoera aquilo que sabia ser, um pequeno ponto de percepçãoconfinado num corpo, mas era, em vez disto, um vastocírculo de consciência em que o corpo não passava de umponto, banhado de luz e num estado de exaltação e dejúbilo impossível de descrever.”Gopi Krishna, yoque.
  57. 57. “Os guerreiros que deliberadamenteatingem a consciência total são uma visãoque deve ser preseciada. É nessemomento que queimam por dentro. Ofogo interior os consome. E, em plenaconsciência, eles se fundem àsemanações da Águia e deslizam para aeternidade”.Juan Matus, xamã yaqui
  58. 58. • Francisco viveu a interação cósmica. Issonão pode ser algo apenas teórico, nó sprecisamos viver esse processo cósmico,através de uma mudança de visão demundo. A Fraternidade é uma realidade eatravessar o portal da luz significa maisdo que conceituar sobre esses assuntosmais mergulhar fundo na vivência. Essaverdade precisa ser uma vivencia própria,íntima, pessoal.
  59. 59. É possível expandirmos a consciência numa vastidão tamanha emque nos dissolvemos e nos irradiamos de forma supralúcida portodo e em todo o Cosmos, sentindo a presença viva douniverso, num estado não-dual do ser, numa unidade indivisível,em direção ao absoluto?
  60. 60. Andorinhas -Marcus VianaAmo os peixes e os bichos da águaAmo as aves e os bichos do céuAmo as flores e os seres da Terra.Tudo o que vive e se move nela.Há sempre andorinhas por onde eu vouBrincam no vento, nas asas do amorAmo a vida em toda a extensão.Há um São Francisco em meu coração.As pessoas, as plantas e os animaisSão canteiros do mesmo jardimQuerem a alegria, o amor e a pazAo beijo da vida todos dizem sim.
  61. 61. "Tua missão consiste somente na ação,nunca nos seus frutos; portanto, não deixesque o fruto da ação seja o teu motivo, nemte apegues à inação”Bhagavagad Gita
  62. 62. • Francisco ensinou vivendo. Sua vida , suaentrega, foi plena, profunda , total.
  63. 63. Para Guitiérrez e Prado, existem “chaves demediação que incidem com maiorintensidade na vitalização dos processoseducativos inerentes à Ecopedagogia Faz-seo caminho ao caminhar: se a pedagogia éum fazer, os caminhos que a ela conduzemsão construídos e percorridos nesse fazercotidiano e permanente;
  64. 64. Caminhar com sentido: “no processo de abertura de novoscaminhos é essencial caminhar com sentido” ou seja, “o norteque nos guia nesse percurso não está num horizontepróximo ou distante; nós é que temos que levar esse horizontedentro de nós”.Caminhar em atitude de aprendizagem: “estamos em atitude deaprendizagem quando estamos abertos, receptivos, em busca, àespreita, ou seja, quando agimos como sujeitos conscientesdo processo”; refere-se ao desenvolvimento de capacidadespessoais.
  65. 65. Caminhar em diálogo com o entorno: “Umdiálogo franco, aberto, sincero, real e deempatia obriga a fazer do caminhar umprocesso de intercâmbio ecomunicaçãointerativa com o entorno”.
  66. 66. "Caminhar recriando o mundo: “Ex-pressão é sinônimo deeducação e, nesse sentido, é contrário a re-pressão, de-pressão, im-pressão, su-pressão, com-pressão. (...) Oprocesso educativo será tanto mais rico e frutífero quantasmais possibilidades de expressão sejam facilitadas aosujeito do processo”.
  67. 67. “Noite quente de 14 de outubro de 1991, 21:00h, aproximadamente. Após ojantar, fui para a sala de visitasouvir algumas músicas de minha preferência no intuito de relaxar. Coloquei umCD de músicas clássicas e relaxei. Passado algum tempo, notei que algumasconsciências queriam me contatar. Expandi a mente edeixei que a comunicação acontecesse. Perdi a sensibilidade do corpotemporariamente. Dois espíritos estavam me contatando. Pediram para quefosse ao quintal. Imediatamente levantei e caminhei para lá.Ainda estava no físico. Pediram para que sentasse confortavelmente erespirasse profundamente. Assim o fiz. Enquanto respirava, notei que o céuestava estrelado. Uma leve brisa começou a soprar. Era refrescante.Subitamente meu corpo começou a vibrar. Parecia um choque elétrico sem dorque percorria toda a coluna vertebral. A vibração se concentrou na aprte detrásda cabeça. A sensação era semelhante a algo me puxandopara fora. Vi meu corpo físico ficando e eu subindo. Meu psicossoma se ergueuà altura da casa.
  68. 68. Mais uma vez senti uma vibração. Mas desta vez era diferente. Menos intensa,porém, mais aguda. Notei meu psicossoma ficando e eu subindo. Acheiestranho, pois nunca havia vivenciado tal situação antes.De repente, estava fora do planeta. Fazia parte de todo o cosmo. A sensação foide um explendor magnífico. Via todo o espaço nitidamente. Avistei o So, dooutro lado do planeta Terra. A Lua, parecia que podia toca-la com amão. No entanto, o mais incrível estava por acontecer. Minha mente deixou deestar focada em alguns pontos, mas ampliou-se por todo o universo. O própriouniverso era o foco de minha mente. Sentia como se tudoestivesse dentro de mim. Foi quando tive a sensação mais incrível. Percebiatodas as formas de vida pulsando como se elas fizessem parte da minhaexistência. Passei a ser todos os seres ao mesmo tempo. Estou me referindo atodos os seres que habitam o universo tridimensional e não só habitantes doplaneta Terra. Existi em toda parte ao mesmo tempo. Eu fui o próprio universo.A forte euforia tomou conta de mim. Tudo parecia eterno.
  69. 69. Voltei ao corpo psicossomático e simultaneamente ao corpo físico. Diaspareciam ter se passado. No entanto, haviam decorrido somente algunsminutos. Ao retornar, meu corpo vibrava com intensidade, semelhante a alguémque está em estado febril. Fui normalizando até consegui relaxar• totalmente. Esta experiência nunca mais será esquecida.”(Geraldo• Medeiros Júnior em sua obra “Viagem Extrafísica”, em 1999)
  70. 70. A Consciência planetária, o caminho franciscano:esta consciência faz nascer a necessidade de que“precisamos falar com a Terra, compreendê-la,experimentá-la. É necessário submergir nela, vivercom ela, participar de seu futuro, ser parteintegrante dela mesma”.
  71. 71. O Sal da TerraBeto GuedesAnda!Quero te dizer nenhum segredoFalo nesse chão, da nossa casaVem que tá na hora de arrumar...Tempo!Quero viver mais duzentos anosQuero não ferir meu semelhanteNem por isso quero me ferirVamos precisar de todo mundoPrá banir do mundo a opressãoPara construir a vida novaVamos precisar de muito amorA felicidade mora ao ladoE quem não é tolo pode ver...
  72. 72. A paz na Terra, amorO pé na terraA paz na Terra, amorO sal da...Terra!És o mais bonito dos planetasTão te maltratando por dinheiroTu que és a nave nossa irmã
  73. 73. Canta!Leva tua vida em harmoniaE nos alimenta com seus frutosTu que és do homem, a maçã...Vamos precisar de todo mundoUm mais um é sempre mais que doisPrá melhor juntar as nossas forçasÉ só repartir melhor o pãoRecriar o paraíso agoraPara merecer quem vem depois...
  74. 74. Deixa nascer, o amorDeixa fluir, o amorDeixa crescer, o amorDeixa viver, o amorO sal da terraComposição: Beto Guedes/Ronaldo Bastos
  75. 75. O caminho franciscano: a interação mística levando auma ética ecológicaO caminho da sociedade se radica, em últimaanálise, no caminho da vivido por Francisco. Umanova visão de mundo, não mais antropocêntrica,utilitarista e individualista, mas ecocêntrica,profundamente caridosa, assistencial, empática,respeitadora da alteridade e solidária, capaz deconduzir ao equilíbrio a comunidade terrestre.Tarefa primeira de uma ética espírita: fazer aaliança destruída entre o ser humano e anatureza e a aliança entre as pessoas e povospara que sejam aliados dos outros emfraternidade, justiça e solidariedade, abrindo-separa a verdadeira paz.
  76. 76. No Brasil, o principal teórico desta linha pedagógicaé o educador Moacir Gadotti , atual presidente do IPF– Instituto Paulo Freire (representante do movimentopela ecopedagogia), que emsua obra “Pedagogia da Terra”, enumera, baseado noeducador Paulo Freire, onze princípios daEcopedagogia. São eles:1. O Planeta como uma única comunidade;2. A Terra como mãe, organismo vivo e em evolução;3. Uma nova consciência que sabe o que ésustentável, apropriado, faz sentido para a nossaexistência;4. A ternura para com esta casa. Nosso endereço é aTerra;5. A justiça sociocósmica: a Terra é um grandepobre, o maior de todos os pobres;
  77. 77. 6. Uma pedagogia biófila (que promove a vida): envolver-se, comunicar-se, compartilhar,problematizar, relacionar-se, entusiasmar-se;7. Uma concepção do conhecimento que admite só serintegral quando compartilhado;8. O caminhar com sentido (vida cotidiana);9. Uma racionalidade intuitiva e comunicativa: afetiva,não instrumental;10. Novas atitudes: reeducar o olhar, o coração;11. Cultura da sustentabilidade: ecoformação. Ampliarnosso ponto de vista.
  78. 78. O caminho da mente: a ecologia mentalO universo se encontra não somente fora,mas no interior de nós mesmos.Agressões ao meio-ambiente: encontramraízes profundas nas estruturas mentais, emsua genealogia e ancestralidade.A ecologia da mente intenta recuperar onúcleo valorativo-emocional do ser humanoem face da natureza.
  79. 79. São Francisco fundou um novo humanismo, umasíntese feliz entre a ecologia exterior (cuidado paracom todos os seres) e a ecologia interior (ternura,amor, compaixão e veneração). Ele que é novo, nóssomos velhos, mesmo tendo vivido mais de 800anos antes de nós”
  80. 80. Ele redescobriu a humanidade pobre de Jesusencarnada nos mais pobres dos pobres que eram oshansenianos (leprosos) com quem foi viver. Inventouo presépio. Fundou uma ordem religiosa itinerante,pois os frades iam pelos caminhos evangelizando nalíngua vernácula do local e não em latim. Foi oprimeiro a ganhar licença de celebrar a missa fora, nocampo e nas praças, desde que houvesse a pedrad’ara (um pedaço de pedra contendo uma relíquia desanto). Mas, fundamentalmente, ficou memorável porseu amor cósmico. Depois de séculos em que oCristianismo se encerrara nos conventos e seconcentrara nas palavras sagradas, Franciscodescobre Deus na natureza.
  81. 81. Até Francisco, o cristianismo vivia a dimensãovertical: todos são filhos e filhas de Deus. Com ele,começou a se viver a dimensão horizontal: se todossão filhos e filhas, então todos são irmãos e irmãs.Não apenas os humanos, mas cada ser da criação.Com enternecimento chamava com o doce nome deirmão ou irmã a estrela mais distante, o passarinhona rama, o sol, a lua e a lesma do caminho. Estaatitude é, hoje, considerada da maior relevância, poisencerra uma dimensão perdida em nossa cultura quese coloca por em cima da natureza, dominando-a eesquece que todos estamos juntos, ao pé um dooutro e formamos a grande comunidade de vida. SãoFrancisco fundou um novo humanismo, uma síntesefeliz entre a ecologia exterior (cuidado para comtodos os seres) e a ecologia interior (ternura, amor,compaixão e veneração). (Leonardo Boff)
  82. 82. São Francisco representa um dos arquétipos da plena realizaçãohumana. Esta é construída a partir de duas forças queconstroem nossa identidade que é a dimensão de anima e adimensão de animus. Com estes termos introduzidos por C. G.Jung , queremos expressar que cada pessoa, homem ou mulher,possui a dimensão de racionalidade, objetividade, de projeto, dedeterminação na superação de obstáculos, de vontade de ser ede poder (animus). Ao mesmo tempo, tanto no homem quantona mulher há a dimensão do afeto, da subjetividade, do cuidado,da intuição e da espiritualidade (anima). Eu traduzo estasdimensões como a convivência e integração do vigor com aternura. Francisco viveu esta integração em sua relação degrande amor com Clara de Assis, exemplo raro na história docristianismo de como dois seres puros e evangélicos podiam seamar de verdade, sem perder o sentido maior de suaconsagração a Deus.Leonardo Boff
  83. 83. Em São Francisco, tudo é simples e direto. Não há nenhumasofisticação nem segundas intenções. Nele, aparece o serhumano em sua inocência original, perdida na história por milinteresses individualistas e pela fome de poder, pela busca decargos e status social e de acumulação de riqueza. Ele mostrouque ser pobre voluntariamente é muito mais que não ter nada,mas a continuada vontade de dar, de mais uma vez dar e de sedespojar de todo interesse para poder comungar diretamentecom as coisas e as pessoas, sem mediações que se interponhama essa vontade de estar junto e de sentir o coração do outro. Nofundo, o ser humano sonha com um mundo no qual reine talinocência, onde todos possam se sentir filhos e filhas da alegriae não seres condenados a viver no vale de lágrimas.Leonardo Boff
  84. 84. Francisco assumia tudo como vindo das mãos de Deus, pois sesentia na palma da mão de Deus. Chamava a tudo de irmão e deirmã. Não apenas as coisas ridentes, mas também as sombrias edolorosas. Chama as doenças de irmãs doenças. A própria morteé chamada de irmã morte. O curioso nele é que fazia daspróprias fragilidades humanas e dos pecados caminhos parachegar a Deus pela via da humildade, da compaixão e da totalentrega à misericórdia divina.Leonardo Boff
  85. 85.  Procura desenvolver a capacidade deconvivência, de escuta da mensagem quetodos os seres lançam por sua presença,por sua relação no todo ambiental, comotambém a potencialidade de encantamentocom o universo em sua complexidade,majestade e grandeza. ". Leonardo Boff
  86. 86. Há disputas por cargos e funções por parte de partidos e depolíticos. Ocorrem sempre negociações, carregadas deinteresses e de muita vaidade. Neste contexto, se ouve citar umtópico da inspiradora oração de São Francisco pela paz “é dandoque se recebe” para justificar a permuta de favores e de apoiosonde também rola muito dinheiro. É uma manipulação torpe doespírito generoso e desinteressado de São Francisco. Masdesprezemos estes desvios e vejamos seu sentido verdadeiro.Há duas economias: a dos bens materiais e a dos bensespirituais. Elas seguem lógicas diferentes. Na economia dosbens materiais, quanto mais você dá bens, roupas, casas, terrase dinheiro, menos você tem. Se alguém dá sem prudência eesbanja perdulariamente acaba na pobreza.
  87. 87. Na economia dos bens espirituais, ao contrario, quanto maisdá, mais recebe, quanto mais entrega, mais tem. Quer dizer,quanto mais dá amor, dedicação e acolhida (bens espirituais)mais ganha como pessoa e mais sobe no conceito dos outros. Osbens espirituais são como o amor: ao se dividirem, semultiplicam. Ou como o fogo: ao se espalharem, aumentam.Compreendemos este paradoxo se atentarmos para a estruturade base do ser humano. Ele é um ser de relações ilimitadas.Quanto mais se relaciona, vale dizer, sai de si em direção dooutro, do diferente, da natureza e até de Deus, quer dizer,quanto mais dá acolhida e amor mais se enriquece, mais se ornade valores, mais cresce e irradia como pessoa.
  88. 88. Portanto, é “dando que se recebe”. Muitas vezes se recebemuito mais do que se dá. Não é esta a experiência atestada portantos e tantas que dão tempo, dedicação e bens na ajuda aosflagelados da hecatombe socioambiental ocorrida nas cidadesserranas do Rio de Janeiro, no triste mês de fevereiro, quandocentenas morreram e milhares ficaram desabrigados? Este “dar”desinteressado produz um efeito espiritual espantoso que ésentir-se mais humanizado e enriquecido. Torna-se gente debem, tão necessária hoje.Quando alguém de posses, dá de seus bens materiais dentro dalógica da economia dos bens espirituais para apoiar aos quetudo perderam e ajudá-los a refazer a vida e a casa,experimenta a satisfação interior de estar junto de quem precisae pode testemunhar o que São Paulo dizia:”maior felicidade édar que receber”(At 20,35). Esse que não é pobre, se senteespiritualmente rico.(Leonardo Boff)
  89. 89. Vigora, portanto, uma circulação entre o dar e o receber, umaverdadeira reciprocidade. Ela representa, num sentido maior, aprópria lógica do universo como não se cansam de enfatizarbiólogos e astrofísicos. Tudo, galáxias, estrelas, planetas, seresinorgânicos e orgânicos, até as partículas elementares, tudo seestrutura numa rede intrincadíssima de inter-retro-relações detodos com todos. Todos co-existem, inter-existem, se ajudammutuamente, dão e recebem reciprocamente o que precisampara existir e co-evoluir dentro de um sutil equilíbrio dinâmico.Nosso drama é que não aprendemos nada da natureza. Tiramostudo da Terra e não lhe devolvemos nada nem tempo paradescansar e se regenerar. Só recebemos e nada damos. Estafalta de reciprocidade levou a Terra ao desequilíbrio atual.Portanto, urge incorporar, de forma vigorosa, a economia dosbens espirituais à economia dos bens materiais. Só assimrestabeleceremos a reciprocidade do dar e do receber. Haveriamenos opulência nas mãos de poucos e os muitos pobressairiam da carência e poderiam sentar-se à mesa comendo ebebendo do fruto de seu trabalho. (Leonardo Boff)
  90. 90. Tem mais sentido partilhar do que acumular, reforçar o bemviver de todos do que buscar avaramente o bem particular. Quelevamos da Terra? Apenas bens do capital espiritual. O capitalmaterial fica para trás.O importante mesmo é dar, dar e mais uma vez dar. Só assim serecebe. E se comprova a verdade franciscana segundo a qual ”édando que recebe” ininterruptamente amor, reconhecimento eperdão. Fora disso, tudo é negócio e feira de vaidades.Leonardo Boff
  91. 91. CÂNTICO DAS CRIATURASAltíssimo, onipotente e bom Deus,Teus são o louvor, a glória, a honrae toda benção.Só a Ti, Altíssimo, são devidos,e homem algum é dignode Te mencionar.Louvado sejas, meu Senhor,com todas as Tuas criaturas.Especialmente o irmão Sol,que clareia o diae com sua luz nos ilumina.Ele é belo e radiante,com grande esplendorde Ti, Altíssimo é a imagem.
  92. 92. Louvado sejas meu senhor,pela irmã Lua e as Estrelas,que no céu formastes claras,preciosas e belas.Louvado sejas meu Senhor,pelo irmão Vento,pelo ar ou neblina,ou sereno e de todo tempopelo qual as Tuas criaturas daissustento.Louvado sejas meu Senhor,pela irmã Água,que é muito útil e humildee preciosa e casta.
  93. 93. Louvado sejas meu Senhor,pelo irmão Fogo,pelo qual iluminas a noite,e ele é belo e jucundoe vigoroso e forte.Louvado sejas meu Senhor,pela nossa irmã a mãe Terra,que nos sustenta e nos governa,e produz frutos diversos,e coloridas flores e ervas.Louvado sejas meu Senhor,pelos que perdoam por teu amore suportam enfermidades e tribulações.
  94. 94. Bem aventurados os que sustentam a paz,que por Ti, Altíssimo serão coroados.Louvado sejas meu Senhor,pela nossa irmã a morte corporal,da qual homem algum pode escapar.Louvai e bendizei ao meu Senhor,e dai lhes graçase serví-O com grande humildade.

×