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Jornal de Filosofia - Versão Papel - nº1

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Jornal de Filosofia - Versão Papel - nº1

  1. 1. O Sono da Razão Produz Monstros Filosofia para quê? JORNAL DE FILOSOFIA nossa perspectiva sobre uma dada situação esteja distorcida ou seja cega, ou pelo menos ver se há argumentos a favor dos nossos hábitos, ou se é tudo meramente subjetivo. Fazer isto bem é pôr em prática mais alguma engenharia conceptual. Nos últimos 2 mil anos, a tradição filosófica (…)tem insistido na ideia de que uma vida não examinada não vale a pena ser vivida. Tem insistido no poder da reflexão racional para descobrir o que há de errado nas nossas práticas, e para as substituir por práticas melhores. Tem identificado a auto- reflexão crítica com a liberdade — e a ideia é que só quando nos conseguimos ver a nós mesmos de forma adequada podemos controlar a direção em que desejamos caminhar. Uma das séries de sátiras gravadas pelo pintor espanhol Goya tem por título “O Sono da Razão Produz Monstros”. Goya pensava que muitas das loucuras da humanidade resultavam do “sono da razão”. Há sempre pessoas prontas a dizer-nos o que queremos, a explicar-nos como nos vão dar essas coisas e a mostrar- nos no que devemos acreditar. As convicções são contagiosas, e é possível convencer as pessoas de praticamente tudo. Geralmente, estamos dispostos a pensar que os nossos hábitos, as nossas convicções, a nossa religião e os nossos políticos são melhores do que os deles, ou que os nossos direitos dados por Deus anulam os direitos deles, ou que os nossos interesses exigem ataques defensivos ou dissuasivos contra eles. Em última análise, trata-se de ideias que fazem as pessoas matarem-se umas às outras. É por causa de ideias sobre o que os outros são, ou quem somos, ou o que os nossos interesses ou direitos exigem que fazemos guerras ou oprimimos os outros de consciência tranquila, ou até aceitamos por vezes ser oprimidos. Quando estas convicções implicam o sono da razão, o despertar crítico é o antídoto. A reflexão permite-nos recuar, ver que talvez a A filosofia leva-nos a pensar em questões fundamentais sobre nós e sobre tudo o que nos rodeia, a questionar crenças e práticas, fazendo- nos tomar consciência de muitas “visões distorcidas” e preconceitos. Com a filosofia, aprendemos a pensar criticamente sobre as nossas ações, a argumentar para defender os nossos pontos de vista e avaliar outras perspetivas. A filosofia permite-nos ultrapassar o senso comum e alargar horizontes. Como afirmou Descartes “viver sem filosofar é como viver de olhos fechados”. “Uma vida não examinada não merece ser vivida” Página 1 Joana Valadas, 10ºA Simon Blackburn, Pense: Uma Introdução à Filosofia Sumário: O Sono da Razão produz Monstros……………………...………….….1 Filosofia para quê?................. ……….1 Como se avaliam Argumentos? …..2 A Atividade Filosófica ………………….2 A Inevitabilidade da Filosofia ……… 3 Como aprendemos Filosofia? ……....3 O Diálogo Socrático ……………………. 4 Nº1 ( Edição em Papel ) Outubro 2015 10ºA Online - Blogue Jornal de Filosofia/ Blogue|Versão de Papel
  2. 2. A filosofia é uma atividade: é uma forma de pensar acerca de certas questões. A sua característica mais marcante é o usarguo de mentos lógicos. A atividade dos filósofos é, tipicamente, argumentativa: ou inventam argumentos, ou criticam os argumentos de outras pessoas ou fazem as duas coisas. Os filósofos também analisam e clarificam conceitos . Que tipo de coisas discutem os filósofos(...)? Muitas vezes, examinam crenças que quase toda a gente aceita acriticamente a maior parte do tempo. Ocupam-se de questões relacionadas com o que podemos chamar vagamente «o sentido da vida»: questões acerca da religião, do bem e do mal, da política, da natureza do mundo exterior, da mente, da ciência, da arte e de muitos outros assuntos. Por exemplo, muitas pessoas vivem as suas vidas sem questionarem as suas crenças fundamentais, tais como a crença de que não se deve matar. Mas por que razão não se deve matar? Que justificação existe para dizer que não se deve matar? Não se deve matar em nenhuma circunstância? E, afinal, que quer dizer a palavra «dever»? Estas são questões filosóficas. Ao examinarmos as nossas crenças, muitas delas revelam fundamentos firmes; mas algumas não . O estudo da filosofia não só nos ajuda a pensar claramente sobre os nossos preconceitos, como ajuda a clarificar de forma precisa aquilo em que acreditamos. Ao longo desse processo desenvolve-se uma capacidade para argumentar de forma coerente sobre um vasto leque de temas -- uma capacidade muito útil que pode ser aplicada em muitas áreas. Como se avaliam argumentos? A Atividade Filosófica Será que as premissas são verdadeiras? Será que as premissas apoiam a conclusão? Um argumento é válido se, e apenas se, as premissas apoiam logicamente a conclusão . Os lógicos distinguem a validade da solidez. Diz-se que um argumento é válido se a conclusão se segue das premissas. No entanto, para que seja sólido, um argumento tem de ser válido e as premissas têm de ser verdadeiras. Importa fazer outra observação. O grau com que as premissas apoiam a conclusão pode variar. Por vezes as premissas não aprovam absolutamente que a conclusão seja verdadeira, mas proporcionam dados que tornam muito provável que a conclusão seja verdadeira. Página 2 Nigel Warburton, Elementos Básicos de Filosofia A filosofia é diferente da ciência e da matemática. Ao contrário da ciência, não assenta em experimentações nem na observação, mas apenas no pensamento. E ao contrário da matemática não tem métodos formais de prova. A filosofia faz-se colocando questões, argumentando, ensaiando ideias e pensando em argumentos possíveis contra elas, e procurando saber como funcionam realmente os nossos conceitos. Thomas Nagel, O que quer dizer tudo isto? Jornal de Filosofia/ Blogue|Versão de Papel
  3. 3. Se temos de filosofar, temos de filosofar. Se não temos de filosofar, temos de filosofar. Logo, em qualquer caso, temos de filosofar. O que Aristóteles tinha em mente é que para argumentar que não temos de filosofar, temos de usar um argumento qualquer. Mas que tipo de argumento será? Quando pensamos nisso, vemos que não há argumentos biológicos, físicos, matemáticos ou históricos contra a filosofia. Qualquer argumento contra a filosofia teria de ser filosófico. Portanto, para rejeitar a filosofia temos de filosofar. O que demonstra que a filosofia é inevitável. Argumentar contra a filosofia é como gritar "Não estou a gritar!" Como aprendemos filosofia? Argumentar contra a filosofia é como gritar "Não estou a gritar!" das alternativas, etc.Como aprendemos filosofia? Uma pergunta melhor é a seguinte: como poderemos adquirir destreza de pensamento? O pensamento em questão implica ter atenção a estruturas básicas do pensamento. Isto pode ser bem ou mal feito, de forma inteligente ou inepta. Mas ser capaz de o fazer bem não é, em primeiro lugar, adquirir um corpo de conhecimentos. É mais como saber tocar piano. É tanto um «saber fazer» quanto um «saber que». A personagem filosófica mais famosa do mundo clássico, o Sócrates dos diálogos de Platão, não tinha orgulho na quantidade de coisas que sabia. Pelo contrário, tinha orgulho em ser o único a saber quão pouco sabia (uma vez mais, a reflexão). O que ele fazia bem (...) era expor os pontos fracos das pretensões das outras pessoas ao conhecimento. Processar bem os pensamentos é uma questão de ser capaz de evitar confusões , detetar ambiguidades, pensar numa coisa de cada vez, apresentar argumentos de confiança, ter consciência A Inevitabilidade da Filosofia Página 3 Simon Blackburn, Pense: Uma Introdução à Filosofia Desidério Murcho in Púbico (2008) A filosofia é o que acontece quando se começa a pensar pela própria cabeça. Longe de ser desnecessária, a filosofia é inevitável a partir do momento em que as pessoas deixam de tomar por adquirido as crenças que receberam e, ao invés, começam a pensar nelas com cuidado, autonomamente. A glória da filosofia — e seguramente um dos aspetos imediatamente interessantes para os que se sentem atraídos por ela — é nada estar interdito, nem mesmo o valor da razão, ou, na verdade (embora isto possa parecer paradoxal), o próprio estatuto da filosofia. Não há restrições. Só algo como argumentação e a discussão sem limites parece constante. É uma liberdade (continua pág 4) John Shand , Fundamentals of Philosophy Jornal de Filosofia/ Blogue|Versão de Papel
  4. 4. Ménone - Eu tinha já ouvido dizer, Sócrates, antes de conversar contigo, que só sabias duvidar de tudo, e fazer duvidar os outros; e agora verifico que me fascinas o espírito com os teus sortilégios e malefícios, e me enfeitiçaste de tal modo que estou cheio de dúvidas. Se me permites o gracejo, dir-te-ei que te assemelhas à tremelga, que deixa, como que entorpecido, quem lhe toca (…) Sócrates - Se desperto dúvidas nos outros, não é por saber mais do que eles; pelo contrário, é precisamente por duvidar mais que ninguém que levo os outros a duvidar. Neste caso, ignoro absolutamente o que é a virtude.Talvez tu o soubesses, antes de te acercares de mim. Conquanto agora pareces ignorá-lo. Seja como for, quero examinar e investigar contigo em que ela consiste. Platão, Ménone O DIÁLOGO SOCRÁTICO (continuação pág 3)maravilhosa. Ou somos escravos das crenças que por acaso adquirimos através das circunstâncias contingentes da maneira como fomos educados e do lugar em que o fomos, ou somos até certo ponto filósofos. A filosofia é o bastião do pensamento livre e da exploração de ideias, acima de tudo. A filosofia por vezes trata a questão da maneira como devemos viver. Pode-se argumentar que a própria adopção de uma atitude filosófica é exactamente o modo como se deve viver — tudo o resto é submissão crédula. Claro que se trata de uma questão de grau, mas na maioria dos casos é um bilhete de ida para a liberdade de pensamento: depois de o experimentar ninguém quer regressar à escravidão novamente. Es c o la Sec un d ári a D . Jo ão II SÓCRATES Filósofo Grego (469-399 a.C.) Sócrates interessou-se pelo homem, por questões de natureza moral. Promoveu no homem a investigação em torno de si mesmo “Conhece-te a ti mesmo”. Procurou saber em que consiste a virtude, a justiça e o bem. Através do diálogo, Sócrates levava o interlocutor a procurar racionalmente a verdade (definição de conceitos de caráter ético) . A primeira condição para a procura da verdade é a consciência da própria ignorância. Só quem sabe que não sabe procura saber. O Método Socrático -Diálogo - é constituído por duas partes: Ironia - Sócrates pede ao interlocutor que defina um conceito (justiça, virtude…), e a partir da sua resposta, coloca interrogações sucessivas, levando-o a cair em contradição e a tomar consciência da sua ignorância. Página 4 Prof. Helena Bray Jornal de Filosofia/ Blogue|Versão de Papel

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