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  1. 1. Próximo lanç-i : :JO Ensaio» Lingu : us Lüull HIeYtnnL/ A obra d: Mnrun Huber, que apenas começa a scr difundida no Brant! , tomou-ac intcmncionaimentc conhecida c passou a ser dis- cutia: como umn dns fxprcssbcn mnrtanlss da moderno exislcn- cialimro rrüigicso. não so' por sua oríginíl reelaboraçau da mística pietintn do Hassidismo judeu, mas também por sua proposta_ a partir dest. raiz especiíica. dc uma Íilosoüa da Relação, do En- contro e do Diuiogo. Eu t: Tu veia a ser a referência pr wcípal do pcnsamtnlo bubcrlttno. Sem dúvldn é neste livro que ele sc con- centra Jc maneira : mais sialcmitica e é dcate foco que irradia algumas dr: sua¡ proposiçôc¡ mais inovadoras. Fntftlavllo. a medi- tação d: lluber. surdo. como e', uma ¡Idagnçào cm constante proceso d: aprofundamento c captação d universo da existência humnnn como experiência do relnclonan-unto e da revclnçio de Dem n¡ sua criatura Ítnontenal e do homem como ser dia-lou¡ e ¡tucr-humano. não ma' círcunscrlla . um único escrito, por im- ponnttle qu: seja. Na verdade. para nprccndcr ntais prcctsamcnte at¡ idéias e abrangcr a ring. .. e l complexidade dm colocações do mcmrt dialogista, é mister que seu interlocutor-leitor sc ÍamI~ iinrizr com outras axprnsôes d: : sua refiram), um como os en- saiu¡ aqui reunidos. 'Frnnspostos com dcdicatçào e proficiência po¡ Marta L dr baum Queiroz c Regina Vcinberp introduzido¡ pela analise esclarecedora do Prof. Marcelo Dascai. abrirão ccrlamcnle no publico rasilcíro nuvov. RCLWOS itr. vía¡ da capiritualidadc rela- cional r: do humaniamo "enluniianla-o' Uo Dlúiog. ) e do Diaiouicc. I. G. l"'Õ“5CÍ'Í6'TU”O¡G” ' í “oiisówvtct o 3,3.? i2* . A í. ~”»*'= '"'*' . -e »x19 Li . -119- 91h
  2. 2. Coieçío Debates Dime; por . l. Guinshm¡ martin buber no DIÁl. OGO E no DIALOGICO Equipe dc realização - Traduçio: Marta làkstein dc Souza Queiroz e R' WWn-, Prod io amami: : Ma' FD¡ cpm em rg uç e c o no mm l o É ' EDnoRA PERsPEc-"VA tw*
  3. 3. zrrrwwsmm Copyright Raphael BubanTodmoadireitosruet-vados. Areprodltçio desta obra por qualquer meio. tola¡ ou pardal. sem arrumação exprcua da Editora. anjeinrí o infrator. no¡ termos da De¡ 6.895 de 11-12-1980. ¡spenalláanetprcvistarnorarüsos 184o l8õdoCódigoPennLasabcrz : admin da l a4 ano¡ e multa de Cr¡ 10.000,00¡ Cr¡ 50.000,00. EDITORA PERSPECTIVA SA. Av. Brigadeiro Lui¡ Antônio. 3025 01401 - Sto Paulo - Emil Telefone: 280-6388 1982 SUMÁRIO Prefácio do Tradutor . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 7 AldéiadePaz na FilosofladeMBuber -MarceloDascal . ll DIM°G° 33 l. Desçriçio . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 33 I. Recordação Primeira . . . . . . . . . . . . . . . . . . . as 2. Osilbrclaqueéümtudaçtb - - - - - - - ' ° ' ' " 37 3_ A¡ opina¡ goFgm Concreto . . . . . . . . . . . . . 3B 4, calóquioumTornodakdkllo . . . . . . . . . . . . 4o 5_ cabeça; da @temia . . . . . . . . . . . . . . . . . . a. Observar, conmnphr. 70W' “MWM” Intimo . . . . . . . , . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4¡
  4. 4. 7. Ossigno: . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 43 8. Uma Comendo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 46 9. Quem Fala? . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 47 10. Em Cima : Embaixo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 43 ll. Raponmbitidadc . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 49 12. Moral : Rcligüo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . S0 2. limitação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . , . . . 53 l. @Domínios . , . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . S3 2. &Movimento; Básicos . . . . . . . . . . . . . . . . . . 56 3.. Ahofimdidadesanhlavra . . . . . . . . . . . . . . S9 4. DoPemancnto . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 60 5. Eros. .- . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . , . . . . . . 63 6. Comunidade . . . . . . . . . . , . . . . . . . . . . . . . . 65 3. Conñrmaçío . . . . . , . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 69 I. Colóquio com oAdversárío . . . . . . . . . . . . . . . 69 A QUESTÃO QUE SE COIACA AO INDIVÍDUO 1. "O Único e o Indivíduo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 79 2. O Indivíduo e Seu Tu . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 9] 3. o Indivíduo e a Coin Pública . . . . . . . . . . . . . . . . 1o¡ PREFÁCIO D0 "WWW 4. O Indivíduo na Responsabilidade . . . . . . . . . . . . . . 111 5. Tenmim de Dfsociaçlo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 119 o¡ ensaios reunidos nesta coletânea constituem. de 0011¡ 6. A Qncstio . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 129 forma, um¡ evolução e explicitação da filosofia do 61141080 4°' ' : envolvida por Buber em Eu e 714' . COI-TMN** 9°' ma: : ' mais importante obra do autor. O cerne do penumenxl. d: 114 (publicado em 1923) é a ! lo duda fnsc: “1'odn ; el ELEMENTOS D0 NIBRHUMANO m" e encontro”. Bu só existo n¡ medida em_ qu# 4130 I¡ 0° 1. o Social a o InÊer-Hutnano . . . . . . . . . . . . . . . . . . 13s outxo, aceitando-o imstñumente em _sua mandada. com a É 2. Ser e Parecer . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 141 talidade do meu ser, e por ele : ou uam aceno. OEu sam 0 3. O “Toma-se Presente” da Pessoa . . . . . . . . . . . . . . 145 6 Ipem-l um¡ 154113950- 4. imposição e Abemm . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 149 5. A Conversação Genufnn . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 153 s. Observiçio Posterior . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .157 1.n-ducudeNvv'mM“”°"°““"“"“°°“°°m°"°'”" Posfácio: A uma: : do Paincípío Dlnlógíoo . . . . . . . 159 - 9° "W- 19"- 7
  5. 5. Poderíamos compreender asim a conceituação de diálogo e simaçao dialógica. A preocupação para com estes transparece nos escritos de Buber aqui publicados. O próprio autor dia na sua Introdução a Between Man andMan' que "o ensaio Diálogo originou-se do desejo de esclarecer o princípio 'dialógica' apre- sentado em Eu e Tu. de ilustra-lo e de tomar precisa a sua rela- çao com as esfera essenciais da vida”. Parece-nos que esta afir- mação pode abranger toda esta publicação. Para realizar plenamente o seu Bu, o homem precisa entrar em relaçao dialógica com o mundo - ele precisa dizer Tu ao ou- tro. e este dizer -Tu só se fez com a totalidade do ser. E preci- so perceber e aceitar o outro “na sua totalidade. na sua unidade e sua unicidade". É preciso que ele se tome presença para mim. O diálogo genuíno só se da em clima de plena reciprocida. de, quando o indivíduo experiencia a relaçao também “do lado do outro”, sem contudo abdicar i especificidade própria. No ensaio Diálogo (publicado em 1930) Buber distingue en- tre o genuíno diálogo - “que nao necessita de nenhum som. nem sequer de um gesto” - e o monólogo disfarçado de diálogo. “O mais ardoroso falar de um para o outro nao constitua¡ uma conversação. " O encontro. o diálogo verdadeiro, se da quando "cada um em sua alma volta-se-para-o-outro de maneira que. da- qui por diante. tomando o outro presente. falaihe e a ele se di- rige verdadeiramente. . . Aa palavras que nos alo transmitidas traduzem-ae para nos no nosso humano voitar-seum-parao-ou- tro". O que Buber chama de dialógica não e apenas o relaciona- mento dos homem entre si. mas 6 o seu comportamento, a sua atitude um-para-com-ooutro. cujo elemento mais importante e a reciprocidade da ação interior. Numa situaçao dialógica, oho- mem que está face a mim nunca pode ser meu objeto; eu "te- nho algo a ver com ele”. “Talvez eu tenha que realizar algo nele; mas talvezeu apenastenhaqueaprenderalpeaóaetratado meu 'amitart . . O que importa agora é unicamente que eu me encarregue deste responder. " Não é somente nmmttmhomem que se tomaumTu para mim - pode ser um animal, uma arvore, até uma pedra e. atra- vés de todos esses, Deus, o Tu Eterno. "Nada pode se recusar a servir de recipiente à palavra. " B eu devo apenas estar presente, estar ai', atento, abrindo o meu ser em toda sua totalidade para perceber a palavra que me e dirigida pelos acontecimentos do mundo e recebe-la como minha palavra - recebe-la e responder a ela e por ela. B o mimdo atraves dos seus acontecimentos do dia-a-dia que se dirige a mim. Tudo o que me acontece diz algo a mim de uma forma única, numa linguagem nunca antes pronunciada. “Nós respondemos ao instante, mas respondemos ao mesmo tempo por ele, somos responsaveis por ele. . . " A vida dialógica nao implica de forma alguma uma perda de individualidade. Pelo contrario, Buber insiste, justamente a este respeito, na distinçio entre a coletividade e a comunidade: a coletividade mandamento-ae numa moda organizada da existência pessoal; a comunidade. no aumento e na confnmaño desta existência. no interior da redprocidade. Bm A Questão que . re Coloca eo lndlvüm (elaboraçlo de uma conferência pronunciada em 1933) o autor fa: umaseven critica a Kierkegaard para quem o homem deve renunciar ao mundo. a toda e qualquer relação essencial corn o outro, e deve "falar essencialmente consigo mesmo e com Deus". Mas que Deus seria este. que exigiria de nos a renúncia aos outros ho- mens. ã sua propria criaçao? "A criação não eum barreira no caminho que leva a Deus, ela s este proprio caminho. ” Deus e o homem não são rivais. Deus quer que nos venhamos a ele através do mundo que criou e nao atraves da nossa renúncia a ele. "Não 6 possível que a relação da pessoa humana com Deus seja estabe- lecida pela omissão do mundo. " Pelo contrario, o Indivíduo de- veaceitaremsrsaintegralidadeaparoeladomundoqtaslheécon- fiada, ele deve "circunda com seus braços este triste mundo. cu- jo verdadeiro nome e ahead'. Deve aceitar a hora histórica que a ele ae dirige em toda a sua alteridade e perceber a memiüm que nestahoralheédirigida. reeonhecerqueeaelequeaques- tio ae dirige e responder. Buber insiste sobre a posiçao Indivíduo na responsabilidade. BestaposiçlonaosealteunaeomunidadmOgrupon-lowde aliviar-nos da nossa responsabilidade. ele não pode responder por nos.
  6. 6. Aquele que tem um mestre pode entregam-ü? a ele. pode entregar-lhe sua pessoa física, mas nto sua responsabilidade. Para esta, ele precisa em» pecador o caminho ele mesmo. . . Elementar do Inter-human (de 1953) explora a esfera do “entre”. o espaço onde se realiza o diálogo, o encontro entre Eu e To. 0 sentido deste diálogo não se acha "nem em um dos dois parceiros, nem nos dois em conjunto, mas encontra-se somente neste encarnado jogo entre os dois, neste seu Entre". 0 autor frisa a distinçio entre a esfera do 'ñnter-humano" e a do puramente “social" no qual os homens a acham ligados por experiências e acontecimentos em comum. sem que necessa- riamente haja relações pessoais entre os diferentes membros do ¡WW- Natnralmente o domínio do inter-humano estende-se muito além do domínio da simpatia. . . A única coisa importante é que. para cada um dos dois homens. outro aconteça como este outro determinado; que ca- da um dos dois se teme consciente do outro de tal forma que precisamen- te por isso assuma para com ele um comportamento. que nIo o considere e nlo o trate como seu objeto mas como seu parceiro num acontecimento da vida. mesmo que seja apenas uma luta de boxe. É este o fator decisivo: o nío-serobjeto. . . A esfera do inter-humano é aquela do face a face, do um-¡o-outav; e' o seu desdobramento que chamamos de dialógica. Finalmente o Posfdcío dí-nos um apanhado do clima inte- lectual em que se desenvolve a flosoña do diálogo de Buber. a añnidade do seu pensamento com a busca de outros pensadores preocupados com esta mesma ñlosoñn, cujas obras se desenvol- vem às vezes em caminhos estranhamente paralelos ou conver- gentes 10 A IDÉIA DE PAZ NA FILOSOFIA DE MARTIN BUBER' Marcelo Dam( . .. elhommnmmmbepauquitnpdm JCIPGW-Púífceyeapmyrmbqhpwgmruque WMM MMÍ-'fhtyqueamveapadewlnyaspao- 'MYMMñMñPwuonoaquetcnnpoooaerda/ di- ces, puestlhombn mula . siempre um / ellcldudnb tmdanahalüdekporcünqamkcraruyndefe Iv ! a prendeu dd hombre est¡ pedanman a¡ quawmeiorvloqueea mamona» mean¡ elkebaodeloscklosnohaymndcuquneonqub ter. puedo queallltodon/ anquü emblema. bloónm despeleda, :: Utah 10101000. #vlws-du Mad de seat/ leio, npc» ydelelmhrdlmco- bhdodepcmsyderrut. hcmndamodeu mlrerh. up: : de usar al mdb delcpktllkd nommxbpumuacruywwxeumm medila : n c¡ Retna de Em Mundo. Milo clfpemlar ' Trabalho apresentado na III Semana Internacional da Filosofia. Salva- dor, 17 a 23 dejnlhode 1976. ll
  7. 7. se monitoram nono conhecimento interno pro/ indo e respeito do que cedem Deurà human¡- dnde, Mo ! reduzam um . rd Instale em dizer que lapa. Murdoch¡ Martin Buter Ianneonmruànmaçlo de uma mu, re- mor que exomimr a: muaeqaàtclcr da apto pan: a: queiram ! submetem-deviam modoadrqnrm : cbn em ma: pode# ermrlxar-. re, .tem nenhum fruto. Chana Sonda¡ Peirce À primeira vista, nada mais impróprio do que a justaposição do¡ textos de Buber e Peirce. De um lado, o espiritualismo de Buber. a olhada para “drna". sugerida pela mençlo de Deus. De outro. o pragmatismo de Peirce. colocando como condlçío da própria significação de um: ideia o exame de sua conseqüências práticas. A oposlçío é. porem, apenas aparente. Porque Buber. longe de ser um ñlósofoeapecuhtivo "típico", alheio - em sua rellexlo ñlosôñca -aoquepassaaoseuredoruàpelocon- trlrto, um homemde-açlo no sentido pleno do termo: sua ação política. social e humana e permeada por rua ñlosoñme mare- tlexão ñloróñca é toda eh, mesmo quando parece palm em al- turas místico-mítica. absolutamente alheias i realidade deste mundo, orientada, em última análise, para o concreto. para o homem e sua esfera de açío, para o reino deste mundo. Se, no trubllhlo dos acontecimentos, volta-se para o plano da idéia, pa- r: o espiritual, nloá para encontrar li um refúgio. para escapar à tormenta. ma¡ aim porque acredita no poder da ideia como gula de ação e como instnunento para s compreensão e transforma- ção da realidade. 'A orientação para o concreto. a capacidade de agir sobre ele é, ao¡ olhos de Buber, um elemento constitutivo do eapiritunl e, como tal, deve ligum em qualquer tentativa de defini-lo satisfa- toriamente. É sobretudo por ignorar tal requisito que peca, ee- gundo Buber, a antropologia filosofia de Max Scholar, entre outras. Ao “espírito impotente” descrito por Scheler, um espíri- to que "em sua forma pura e desprovido de qullquer poder" (Huber, 1942, p. l26). Buber opõe a concepção do erpiritunl co- 12 1 mo dotado de poder, talvez nlo no sentido de uma força que produz mudanças imediatas, mas pelo menos como uma "capa- cidade de por em movimento semelhantes forças. de forma dire- ta ou indireta" (1942. p. 127). Face à tentativa de Sdieler de definir o espírito através de seu afastamento da experiência une. dia), de sua nto lmiscuiçio com o concreto, Buber conce- be o espiritual como intimamente entrelaçado com o mundo. com a vida, com a ação. Para ele. “não há outro espírito a não ser aquele que se nutre da unidade da vida e da união com o mundo" (1942, p. 138-139). E, ao contrário de Sclreler. a im¡- gem que nos propõe para ilustrar a natureza do conhecimento não e a do espetáculo em que o espírito contempla. de fora, seu objeto. mas sim a da iniciação, em que o iniciado participa dire- tamente na "dança", "penetra" a realidade que pretende conhe- cer (1942, p. l33)' . Esta concepção do espiritual como orientado para a ação, Buber a retira das profundezas da tradição judaica. "Aquele que estuda sem a intenção de agir", diz o Talmud, "melhor seria que ' nunca fosse criado” (1934, p. l4l). O conceito bíblico de chochmd (sabedoria) e. segundo Buber, profundamente distinto da sofra grega: enquanto este último le refere a um conhecimen- to oonternplativo. valorizado em ai mesmo, aquele se volt¡ intei- ramente para n união entre conhecimento e vide. O saber des- vlncirlado da ação e considerado estéril, um desvirtuamento da função primordial do espírito: Aquele cuja sabedoria ultrapasse su: : ações [c »aumente o blood que nor falnlaqne reparem? Aumairvorecommuitoarsmoeeportus raízes: um vento qualquer a arranca e derruba. Ma¡ aquele cima ceder nlttapualm nlsnbedorlaaqtreteparetaúAumirvoreeompmroorre- l. “(Sd›eler) eprelenta esteexemplomm homem tem uma dor no bra- ço. Ainteligénclapergimucomomrgiuesndorecomopoderhleteli- mimda, e responde à pergunto com a ajuda da ciência. O upílllo toma eu¡ mesmo dor como exemplo da candido essenciaideque o mandou acha nnpregnaoodedamnunwarespeiroamenmanprópn- dare. ainda mai¡ alto. ae pergunta como deve ser o firmamento dll ecstasy! ? queaejapossfvelalgocomrdoremgeralh. .Nloseconheoeeeasencu da dor afamndose o emírlw um, refestehndo-Ie. por mim dim. em uma poltrona para contemplar o espetáculo da dm'. 90ml! “m 010ml! ” realuquele cujo esplriloníollcade fone se dearealiu. ma¡ Ielmíll mudo na dor real. se menta nela. se identifica com ela. ant-hm d# “PM- lmeéentloqueadoraelhe abrI. eIntIliIIt¡III-¡dl<k-N¡°|9°b“m°°' nhedmento mediante a deus-meto. mn sim animam* per-mimo a realidade concreta. . . " (Buba. 1942. p. 132-133)- 13
  8. 8. me¡ mumuitaa nfunmeame se todoroaventosdomundo viessem sao- Pflr sobre ela, nto ae moved¡ (Wi. 141-3). Isto nao implica. porem. uma sloriñcacão da ação per se. um mero ativismo. A açao nao guiada pelo conhecimento su- curnbe inevitavelmente na “problematica abíssal do momento" e é incapaz de "libertar-nos das limitações e ligar-nos ao incondi- cional" (ibid. p. l44). Os sabias do Talmud concluem um deba- te sobre o que é mais importante, ensinamento ou ação. afir- mando unanimemente: “Os ensinamentos silo mais importantes, porque eles engendram as ações". Mas nao se trata de uma con- tradição, explica Buber. Tomadas em conjunto, as duas teses se complementam, apontando para a interdependência essencial, o laço inseparável que une reflexão a ação. Finalmente. para eliminar qualquer dúvida porventura res- tante a respeito da aplicabilidade da exigência de Peirce ao caso de Buber. basta lembrar que durante toda uma longa vida Buber procurou sempre agir e agir de acordo com sua doutrina do “po- der de espírito”. E apesar de ter vivido as duas guerras mundiais e a guerra de independência de Israel. uma ideia de cujo “poder” jamais duvidou e que sempre lhe serviu de guia foi justamente a ideia de paz. Naoe esta a ocasiao para contarahistóriade seus esforços incanáveis em favor da pa. : entre judeus e arabes, uma historia que sem duvida merece ser melhor conhecida'. Creio que a opiniao de Dag Hammarskjõld, que em 1959 propos o nome de Buber como candidato ao Prémio Nobel da Paz, pode ser tornada como uma indicaçao suficiente do valor de tais esfor- 2. Desde seu prirueiro discurso sobre a questao das relações entre ju- deus e irabes no XII Conyesso Sionista. em 1931, até praticamente sua morte. Buber nao deixou jamais de procurar de todas as formas influir so- bre o movimento sionista para que levasse em conta os direitos easpira- ções dos arabes da Palestina. em suas decisões. Depois de irrigar para a Palestina. em 1938. mudou um pupo politico com o nome de Brit-Sha- lom (oPactodaPaz), -emaistardeolohud ou UniaoparaaPalestina - cuja plataforma continha. entre outras coisas, a idéia de um Estado bins- cional írabeiudeu na Palestina. assim como propostas detalhadas de m- rno resolver os diferentes problemas existentes (cf. Buber. Magna¡ e Smilansky. 1946). Também depois da criaçao do Estado de Israel, que aceitou como um fato político ("Aceitei como meu o Estado de Israel, a forma da nova Comunidade Judaica que surgiu da prum'. 1958, p. 257), _continuou lutando pela aproximação com os irabes. infelizmente. suas Idéias radicais a este respeito até hoje sempre foram rnirloritirias. no seio dl comunidade judaica, e encontraram pouco ou nenhum eco na oomuni» dade arabe. 14 ços. Um pequeno episódio servir¡ para ilustrar o profundo enga- gemerrt pessoal de Buber na causa da paz. No inicio da decada de 60, Buber. juntamente com Bertrand Russell. Martin Luther King e outros. concordou em apoiar a formaçao de uma "Briga- da Intemacional da Paz". A cerimônia de fundação da Brigada deveria ser realizada em dezembro de 1961. no Libano. Aos 83 anos de idade, doente. Buber decidiu empreender a jomada ao Libano. cheia de dificuldades previsíveis e imprevisíveis. na es- perança de poder desta forma contribuir para o inicio de um diálogo entre israelenses e árabes. A proibição terminante de seu medico irnpediu-o finalmente de ir, e seu desapontarnento por isso foi índescritlveL . . (Rodes. 1972, pp.72-5). . lustitiea-sc assim, do interior do pensamento e da ação de Buber, a tentativa de esclarecer sua concepção de PII. de deter- minar de maneira mais precisa sua significação. atraves do proce- dimento sugerido por Peirce: o exame de suas "conseqüências de ação”. Nao se trata de procurar emitir um juizo a respeito das ações especificas empreendidas pelo proprio Buber em nome de sua ideia de paz', embora elas possam servir para iluminar um ou outro aspecto dem ideia. Como todo o ser humano, ele pode ter falhado ao passar da ideia a açao concreta. Seria igualmente fútil esperar desta analise uma receita pormenorizada de como cada um deve agir para que a paz seja atingida. Trata-se. antes. de procurar ver como uma certa concepção da paz se associa in- timamente a uma certa filosoña do homem e da sociedade. for- mando astim a base de uma doutrina ética suficientemente espe- cifica para. ao contrário da grande parte da etica contemporânea que aspira a "neutralidade", poder servir de guia global de ação aos que estao dispostos a deixar-se persuadir por seusargumen- tos e adota-la. Talvea o caminho natural a tomar nesta exposição O0- meçar pelas teses de Buber a respeito do ser humano _indlvidlllh passando depois, passo s passo. is esferas do interindlvidual. 00- mo do cultural. do social. do nacional e do político -esta última; esfera em que se costuma definir o conceito 4° P“-“T°'““°¡- porem, o cantinho inverso, ja que parti d! n09” 4° 9d” 5° espirito" em sua fomia mais geral. 3. Uma acao ou amianto de ações nao se "segue" 4° “n” “WW” °" conjunto a: idéias como uma conclua de marcam” Mun"? B” e, m. necessidade logica. No maximo. nur-oww** “WW M' "engcndru" um. año no sentido de cdar uma motivação ! me rm no: dessa forma (d. sobre isto Black. 1975)- 1 5
  9. 9. A comparação com Seheler novamente se impõe. Para Sche- ler a ideia de "paz perpétua" d. em si mesma, absolutamente cla- ra; sem qualquer modificação substancial acompanha o homem desde a Antiguidade ate nossos dias e encontra-se nas mais dife- rentes culturas (Scheler, 1953, p.23). 0 que exige explicação nao e a natureza da ideia de paz, mas sim o fato paradoxal de que. apesar de ter sido defendida pelos maionese mais puros gê- nios da humanidade em todas as épocas, a ideia de paz "não le- vou a praticamente nenhum resultado, nem mesmo a começo: de realização certos e distintarnente reconhecfveis" (ibtd. p.25). Nao seria essa ineficiência no plano da realidade histórica um si- nal de que na algo errado com a ideia de paz perpétua? - per- gunta Scheler. E sua resposta é incisiva: não. Porque o espiritual por si só, a ideia pura ou o puro valor moral, sao desprovidos de poder. A eticdcia que pode vir a ter uma ideia não depende de sua própria natureza, mas sim de seu encontro conjuntura] e for- tuito com “grandes interesses de grupo ou de massa formados segundo suas leis proprias” (mu, p.28). São esses interesses, tendências dinâmicas. impulsos e instintos que constituem a úni- ca fonte de poder. Uma ideia - por mais perfeita. justa e reco- mendável que seja - tem que aguardar pacientemente o surgi- mento de interesses suficientemente podermos, que “aspirem" a ele, para então transformar-se em uma “força”, em uma 'Yon- tade política". A explicação da ineficácia histórica da idéia de paz perpétua toma-se então óbvia: em nenhum momento da his- tória do homem surgiu uma conjuntura de interesses tal que per- mitisse sua realização. Scheler acredita, porem, na existência de certas "leis que dirigem o progresso da evolução”, leis que leva- rão, finalmente. ao surgimento da conjuntura apropriada para o advento da paz perpétua. Em essência. o processo que anteve e um processo de “sublimaçao" do instinto de poder. cujo obje» to se modifica progessivamente: “da violência ao poder, do poder fisico ao poder espiritual, do poder sobre os homens ao poder sobre a natureza, primeiro sobre a natureza orgânica, de- pois sobre a inorganica” (ibid, p.64). Paralelamente, a "guerra" passa por um processo de reorientação: A lata entre homens e entre grupos humanos recebe. . . pouco a pouco, cedendo lugar s luta comum, um combate coletivo, em noopcn. çlo, que a humanidade trava com a natureza infra-humana (ou, pás). Uma vez atinydo esse estágio, o combate coletivo absorve- rd a maior pane do instinto de poder. e a paz perpétua, isto é, a ausencia de guerras intra-humanas, estara praticamente garanti- 16 da'. Aplicado a Etrropa. este principio significa que o que é preciso fazer para promover a paz européia 6 fixar tarefas eum- péiar comuns. “tarefas cuja realização em cooperaçio permitiria aos povos (europeus) unir-se e atenuar suas paixões guerreira” (Ibiá, p. l38). Todas as formas de paciiismo de nada servem pa- ra tal fim. Em particular', de nada serve o "pacifrsmo cultural”, a idéia de uma vasta confederação de intelectuais de todas as na- ções, que se preocuparia, entre outras coisas, em esclarecer os povos a respeito das conseqüências nefastas da guerra. Porque "não é o saber intelectual que põe em marcha nosso viver e nos» so agir, mas sim o possante instinto da vida” (ib¡d. , p. 137). O fundamental para Scheler. portanto, e mobilizar as fontes do poder - instintos. interesses, tendências dinâmicas - sob o estandarte da idéia de paz. Em outras palavras, trata-ee de con- verter a paz no interesse dominante, no barramento principal de satisfação do instinto de poder. Isto não exige, porem, nenhuma transformação radical da estrutura social. cultural e nem mesmo política reinantes. Apenas aquela reorientação do instinto de poder que chamei anteriormente de “sublimaçlo” 6 requerida. E ela pode ser obtida dentro das estruturas vigentes, porque de- pende, em essencia, de uma reorganização apropriada das forças politicas em jogo no cenario mundial' . Muitas veres. a linguagem usada por Buber para descrever varios aspectos do processo de obtenção da paz é extremamente semelhante à de Scheler. Por exemplo, em uma entrevista s re- vista Lrfe, em 1962, Buber sugere que a paz poderia ser obtida 4. 0 equilibrio assim obtido seria devido ao fato do sistema event "eneienternente", isto é. de forma que qualquer modiñcaçío na distribui- çío de "bens" dada (neste caso. incluindo, evidentemente, vanüü” N' lftlcoamilitares, econômicas. etc. ) tivesse sempre que 91510415' 'um membro (estados). t: : mesmo tenãpo que bedrzefidluslath 0:1'”- o" “Í” sem algumrnem teriaaperercomto eq II - Nestpe" sentido. a situaçao existente - a situação de pa! - 96d¡ W** para todos". isto é. seria “interesse” geral mente-la. Entretanto- “W Ri; cipio de eficiência não leva em conta e portanto níoW¡““'-l'”“° distribuição dos "bens". E isto introduz um fator de WÚWÚNILÉ¡ b' mental e requer a aníliae da situaçao em termos 4° “m °“: °n°ç6“'›“_ além do da eñcrêncra, um principio de 1115591" 095w* ! envolvidas por Rawls, 1971. pp. 67-75). 5.a¡ aoscnrertpp. roa-rr9ireieiuamt°°"““°° P** ñsmo juildisdoqjlitrlrcluind: as diferentes formas de 089613** h°"”“¡°' nais existentes (liga das Nações). @um as razões que aleaa dizem respeito, essencialmente. i III 345d** Wu' tica. l 7
  10. 10. se as partes cm conflito distinguissem claramente entre seus inte- resses comuns e seus interesses opostos. e trstassem então de chegar a um compromisso, como "bons mercadores". Esse com- promisso deve ser algo de positivo, ! mlíâmàídfmdamsohtüo dos enormes problemas que en- IBL** *WFFJE . lb nchssatsirs3 ter! ! uva-Is! !- ter crínvüsassenrconnbnnsnsermdorer. stcs. . . descobrem que os inte- resses comuns são realmente maiores, apesar das aparências. que os inte- resses opostos. tentam chegar a um entendimento para resolver os proble- mas comuns. Que eu saiba, nenhum político tentou este caminho (Rodes. 1972. 9.120). Aparentemente. portanto, Buber - como Scheler - acredi- 'ta que a pa: pode ser obtida por meio de um "cálculo de interes- , 503". do qual resultaria a "cooperação" como interesse predomi- nante. Este interesse predominante, além disso, se tomaria o ob- jeto de “uma forte vontade dos povos de explorar e administrar conjuntamente o planeta Terra. seus territórios, jazidas de maté- rias-primas e populações" (Buber. 1950. p. l94); “vontade“ essa que lembra de perto a "vontade politica” e o “instinto de po- der" de Scheler. Entretanto, essa semelhança de linguagem esconde diferen- ças profundas, relativas tanto ñ natureza da paz a ser inspirada quanto ao modo de atingida. Uma paz que consiste apenas na cessação da guerra. obtida por meio de compromissos políticos, não c, segundo Buber, uma verdadeira paz. "A verdadeira paz, a paz que seria uma solução real, é a paz orginica” (Hodes, 1972, p. l i9). Tal “paz orgânica" significa acima de tudo a cooperação das partes para a melhoria de suas condicoes de vida e de sua cultura; e para a eliminação ' das diferenças existentes entre elas. Mas essa cooperação não po- de surgir apenas como o interesse dominante. resultante de um "cálculo de intereses". Ela tem que ser urna cooperação não pu- ramente "mteresseirs", mas mais profunda, resultante de uma -. “mudança nos corações” dos dois lados da fronteira (tbid, p. l 18). Se fala ainda de interesses. Buber opõe os "mtercsses ge- nutnos" aos interesses de momento: só os primeiros são capazes de engendrar s "solidariedade profunda e constante" capaz de superar os interesses e conflitos (ibict, p. 107). Referindo-se - já em 1921! - ao futuro das relações entre judeus e árabes na Pa- lestina. Buber insiste em que somente c reconhecimento por ou- tros dos seus interesses genuíno: far¡ 18 surgir nos corações dos membros das duas nações sentimentos de res peito mútuo e de bos vontade, que atuarão sobre a vida tanto da comuni- dade como de cada um de seus membros. Só então se encontrarão os dois povos em um novo e glorioso encontro históúco (Ibict, p. l 01). E, na sua opiniao, o que mais poderia contribuir para o ad- vento da paz orgânica. da cooperação real, entre judeus e árabes seria "a influência do melhor que Israel produüu, as novas for- mas de vida social, sobre o povo árabe" (ibid. p. u9)°. A verdadeira par. , portanto, requer mudanças profundas, tanto na vida individual de tada um como nas estruturas sociais. Uma mudança no plano puramente organizacional. isto e, polt- tico, de nada serviria. Pelo contrário, a mera criação de institui- ções políticas intemacionais, dotadas de poder suficiente para controlar a exploração conjunta dos recursos do planeta, por exemplo, pode ser muito mais perigosa do que útil. se não for acompanhada por modificações radicais no plano individual e social. 0 perigo. nesse caso, seria o de um centraliamo planetírio, que devoraria toda a comunidade livre. Tudo depende de que nio entreguemos ao princípio político a tarefa de explorar os recursos da terra (Buber. 1950, pp. 194-5). Esse pegFo nada mais e que uma das manifesta s - a mais grave, vez - de um fenomeno que, aos olhos e Buber, constitui um dos problemas cruciais da humanidade, hoje em dia: o problema do acesso de poder (político). Para compreen- dê-lo, é preciso examinar uma das dicotomia: básicas com que opera Bu er. a oposição entre o social e o político. Segundo Butcr. .und9s_cr_r92rnsi: _mmmsume= __= m_ñhr _sofia social e ~ nopassado. como_ no, presente gqconfusiuntw . omoutundamemor dàLüJtemGãnhumanLafunda-mnmmlf- mmçumndammasacmngnmeuo tem uerenennslnicnta com , anocãono poder. dc dominação; com &manaus-HIN- . m 3.o e otsaniucb WMW múúmuie, assimilação sanemuüüm¡ mastal elemento não é de r¡ u u u fonna seu tenciaL . Oêuc eázsscncialng todo aspecto. _ ; $51.54 ato ue "os mens selrgam. ” W' sab a égide làâshsisútsros” (19651. M397). M Q“¡nd'd° d' 6. Ele se refere aqui is formas de vida comunidñl- Püwrggãx' kibutzint. desenvolvidas pelospioncirolÍl-la°“m'hl“un¡tunún , m ¡' esse lipo dt wmunídid* P04** M** d' “Ma” : dtsesrvolvimento do reforma agrária e econômica. indbPem-¡Vd P” ° povo árabe na Palestina. 19
  11. 11. " ao mes o tempo dependentes _tindependentes entre esse tipo de ligação inter-humana, e não a ligação baseada na dominação, a cooperação imposta, caracterís- tica da forma de organizaçío politica. que constitui o "mundo social”, por cuja criação o homem efetivamente se distingue dos demais animais. Uma comunidade baseada no fundamento social é uma mudo entre seres semelhante; Isto garante. por um lado, a autonomia relativa de cada indivíduo em seu selo, s possibili- »fdade desse indivíduo explorar sua capacidade de improvisação, de criação espontânea, e, por outro. atraves do reconhecimento e responsabilidade mútuos de seus membros, a coesão sociar ne- cessária para seu funcionamento orginico (1950, p. l92). Comu- nidades "autênticas" desse tipo sempre existiram como forma de agrupamento humano, nas mais diversas culturas, mas ran- mente foram reconhecidas como tais e claramente distinguida: “das fomtas de organização politica. Um exemplo é a comunida- de camponesa tradicional na China, que serviu de base para a t1- loaoña social de Lao-Tse, onde se reserva um lugar bem defini- _do, entre o indivíduo e o Estado, a esses entes sociais por acel- lence que são a família e a comunidade (Buber, l965a, p.399). Alisociedadc* em geral e composta pao por individuos, mas por 3 agrupamentossociaisdcsse tipo. "Nao só pensava . Comte. mas de . grupos. círculos. comunidades" (ibid, p.409). As &Liütentreenes gmpouoclais _regidas pelos princípios de autonomia funcional. reconhecimento mútuo e responsabilidade 93139950, p. l92). B a existencia de uma pluralidade desse ti- po no seio ds sociedade, intercalando-se entre o indivíduo e a organizaçío politica do Estado, é - segundo Buber - condiçlo drtequononparaa vitalidade dasociedadehumanmparaapre- servaçlo da “espontaneidade social"", frmdamento de toda criau. vidade. ignorar essa pluralidade do social e suas manifestações, e fazer do poder politico o componente principal da vida social, édistorcer perigosamente os fatos. Esse o erro de Russell" e esse 7. Comparcde isto com a tese de Rousseau: "Para que avontade ge- Ill venha acxpressameâpeecisoquenlohala socicdadesparciaismseio do Estado” (citado em Buber, 196!». p. 405). A esta concepclo se opõe nao somente Buber. mas também um filósofo pertencente i tradiçlo ana- lítica, como John Rania. para quem a "sociedade bem ordenada” é uma “uniao social de uniões aoclaB", sendo que uma 'irmao social" 6 uma "comunidade de individuos que tem metas em comum e atividades em comum nlortcdcamumuma" (Ra-ads, 1971, pp. SII-Slâurifo meu). 8. Em Russell. 193801'. Buber, l965a, p. 397). 20 também o erro de Hegel, cuja descrição da sociedade moderna peca, segundo Buber, precisamente por omitir totalmente as ma- nifestações da "sociabilidade": “Myung, ¡ qua¡ mútua. a amizade leaLo entusiasmo ativo ns rulãação de um empreendimento conjunto; falta na dera-ich oferecida por Hegel - toda aqueh espontaneidade social criadora, que. apesar de ndo ser unificada e controlível como o é a força do 551140. 611110 Em abundincia num grande número de fenômenos sociais (1965 I. p. 407)- A grande crise da humanidade, hoje em dia, provém do fato de que, embora não tenha desaparecido totalmente, esse funda- mento “social” tenha sido inteiramerite subjugado pelo fundi- mento político. Buber nao negaa legitimidade e a necessidade da organização politica. como uma das muitas dimensões da inter- -açio humana. 0 que rejeita é a subjugação das demais dimensões pelo fundamento politico. Ial subjugaçao se toma passível amv ves do aparecimento, na sociedade moderna. de um 6100190 de poder", que surge no. intervalo, inicialmente 40:_ pois abisrnal. entre "administração" e “govemo . A administra- ção, que pertence ao fundamento social. 6 definida COMO l autoridade de decido e comando, limitada por condições técnicas dadas. e reconhecida de [un e de [um dentro desses limites. mas que se anula a si mesma caso os ultrapasse. . s) "governon por outro lado. é a _autoridade dedecisío e comando, nao limitada_ por_ ; go-nações técnicas. m. ; apenas por limitações chamadas “constitucionais (quando é limita_- do de alguma fauna) (1965. p.4l1). 0 que toma necessária esta segunda forma é a instabilidade das condições intemas e externas. a situação de crise white! !!- que em qualquer momento pode tomar-se crise real. Mgmt? poderes amplos e obediência indiscutível. Essa "amplitude . m0 é. relativa indefinição, do direito de decidir e camara! !! é que constitui o "excesso de poder", ou o "excesso político . 0111140 uma sociedade vive em "crise permanente”. 0 91°? ” d' N? ” toma-se um fator constante e dominante da OMF? ” “ad- tendendo sempre a subjugar os outros fatores. ° Pmalmmn” a eliminar a espontaneidade social. Esta. Wfoadl- 9° “m” “m fator de instabilidade potencial, e o círculo se complete N ' ae ' a descritas, isto é. S05_ l “KUNG” 0X' clusivaudãofluíilçdantefiñgrtpolitico. um¡ verdadeira PII 9111203"- vel. evidentemente. Tudo que ! c P°d° d"" é n"" Puma' 21
  12. 12. ção"" . Em grande parte, a “paz perpétua" de Scheler. assim como a de Kant, nada mais é do que uma paz política, e portanto, quando muito uma pacificação. A esta concepção, Buber opõe a ideia de uma paz vital. “que arrebate ao princípio político a so- berania sobre o social” (1950. p. 194). Isto e. a verdadeira paz requer o restabelecimento da autonomia das diversas dimensões da inter-ação humana. a não dominação de uma sobre as demais. A “paz vital”, então, esta muito longe de ser uma "paz de túmu- lo”, obtida através da uniformização, da eliminação de todocon- traste ou diferença capazes de gerar conflitos. Pelo contrario, ela “é uma paz “Vital”, precisamente na medida em que a “vida” e possivel graças a um equilíbrio dinâmico entre tendências. ,ór- gãos e funções múltiplos e extremamente diferentes uns dos ou- , tros. A pluralidade de fonnas sociais, de nações. de culturas, e uma tensão ou equilibrio dirtámico entre elas, permitindo a pre- servação de sua autonomia relativamente umas ss outras, e o in- grediente indispensável da paz tal qual concebida por Buber”. Reconhecer s crise atual e um primeiro passo na direção de soluciona-la. O passo seguinte é sabermos para onde queremos ir. que tipo de paz queremos obter. Conhecendo a ideia que de- 9. Apaciñcaãoe a impondo dapagpornmaforçaoiiintereasesu- perionA paaqueasaimseobaéniédoiipodapuxromameudapxbrf- reuniu. Evidentemente, para obter a padfiaçío. a guerra pode ser usada como instnimuito legítimo. e talves necessario. "A paz é o objetivo da para', afirmava Aristóteles. E o próprio Scheler. embora seoponha ao “militarisnio de princípio", que vê na ¡oerra um nm, defende o "milita- vismo instrumental". que vinspuersaumirtmumentoparsaobtençío da pu. ll). Esta valorizado do pluralismo. do equilibrio dialético e nlo ess¡- tico. encontramos em todo o pensamento de Buber. Por exemplo. em sua aentativadecaractninranoçiode“ailtura”-emumensaiosobrea "enénciada cintura" qllbpodeñltbfviqilasoapasamdermdelopam um ensaio bubesiano, inexistente. sobre "a essência da paz" - Buber afir- ma que a "unidade da cultura 6 uma unidade engendrsda através de pro- cessos polares'. Entre esses. distingue quatro formas bisicas de oposiçlo, cuja tensão e equilibrio parantem. segundo ele. a possibilidade rh criati- vidade ailtursl: l) n-adiçlo vs. inovsçío (revolução u. conservado); 2) formação de relações sociais instrumentais concretas vs. «lação de uma esfera independente de produtos e valores culturais; 3) desenvolvi- mento de formas de cultura vs. desenvolvimento da consciencia dessas formas pelo¡ individuos envolvidos em seu desenvolvimento; 4) tendência l autonomia das díerentes formas e esferas de cultura vs. necessidade de manter entre elas algum laço. alguma forma de "unidade" cultural (1965 b, pp. 383-386). A vitalidade de uma cultura depende da coexistência desses pólos: a dominação de um deles sobre os demais traz a estagnaçío e a decadência cultural. 22 ve servir de guia para nossas decisões. a ideia de paz vital, ma; agora procurar determinar de fomia mais precisa suas con- seqüências de ação”. se o problema basico e o do excesso de Paul» que m* 3 'liquidar todo pluralismo, as medidas a serem tomadas nlo po- dem de fomia alguma contribuir para um incremento ainda maior desse excesso. A centralização, portanto. dm 5°¡ Win53' tida. A descentralização. tanto no plano nacional, como no pla- no internacional. deve ser recomendada e implementada. lato implica no abandono dahideia de um universalismo simplislai: : seada na extinção das diferenças entre os grupos humanos. . Buber. o - ¡uúwndhm um, ' ro é, passível de realizaçlo ~ sind¡ 90° : :Higor-po inauditc? É: o urulíersallsmo dos profeta. HW “M” Í ¡ugoiudodassoclcdades nacionaisedesuasrormardeommuciodnll ; im ñ rua reformae WW¡ 5m Wfl”¡““m°5°u965"¡7'4°2›' Esta menção dos profetas leva imediatamente ao estabeleci- mento de uma conexão indisaolúvel entre a idéia de paz e a ideia de justiça: só se pode estabelecer uma pu Hill. Vefdídkífñ. “me sociedades internamentéljiita! " - A W933i" @Wghamm °°' mo moto deste traballio é parte de uni em 'JW 3"' ber, citando Isaías, excita a juvcntudeàudaica a ter sempre em mente a conexao entre paz e jumç* 51°" n” 9mm¡ 3°' "' construida 'por qualquer meio', mas somente bamirhpar (Isaías. 1:27). isto e. somente com jusüçl (Buber. 1932. P337). E m0 se aplica tanto à_ justiça intema. que deve reinar no seio co- rmuiidade judaica em criaçio na tem de Sion, como à 311m9¡ . m urgencia é o ae- e: : em"" s. :'. r=: :°. ."°irss. “°"°$: ;': www” -. m» e. »no n»- nas a ausencia de guerra mas também o _estabelecimento dàiimlild” axial: em cada um dos estados, _iustifica a intervenc” 'm' ° um preenchem os requisitos de ¡unici- 13'51"87** 9"' é. .. .o . m. m». se wsvm' com o meu: : tm”. e: : uma "paz minimalista”. isto e. com I ¡mais! uma _mm . bmw-l paralelamente uni “principio d! Ri? ¡"É““°V¡° de . .nmmon - m. 4' “m” “udmí A "em". 'ñaênm d"? “tr-m extremamente du- cabaseparaatribuirllie qualquervllidld' "' v1'. :. FNM nm¡ vidosa. Faço um breve comentario ache 0 “¡”'"“'° m deste trabalho (Ver também num. 195a. ?- 157)- dg . i2. Pronuncisdo por Buber em 1933- "" "E" °°"""7¡° “m” deusdedicadaaotemaWsraeleaPazMmtdD-l- 23
  13. 13. "cinema", a que diz respeito à atitude dessa comunidade face aos árabes que habitam a Palestina: Nie pretendemos voltar à terra com a qual temos laços históricos e espirituais insepariveis para suprimir um outro povo ou dominí-lo; . . . nosso retorno i tem de Israel. . . nSo ser¡ feito às custas dos direitos de um outro povo _ - afirmava Buber no XII Congresso Sionista, em 1921 (Hades, 1972, p. 106). Só nessas condições podem os dois povos atingir uma “paz vital'. No plano intemo. alem da descentralização do poder, deve haver também uma mudança em sua natureza, isto é. um deslo- camento de uma porção cada vez maior do poder do tipo “go- vemo” para o tipo “administração” (l965a, p.4l2). Ou seja, e preciso a cada momento examinar e reexaminsr em que medida se pode testing; o "excesso de poder", justificado por condi- ções de “crise”, através de uma delimitação e especificação rigo- rosas da autoridade delegada a um indivíduo ou insütuiçío. Aqui o que est¡ em questão d a natureza do socialismo que ser¡ o sistema social da sociedade justa (porque para Buber e eviden- te que a exploração comum dos recursos, a cooperação genuína, só e possivel ae socialista). A simples passagem do controle dos meios de produçlo das mãos doa empresários para as maos da "coletividade", se esta ultima nada mais e que o Estado, de nada serve, segundo Buber (1950, p. l95). Que sejam "representan- tes" dos operários os que tomam decisões por si só não garante a , justiça dessas decisões, nem a revitalizaçao da espontaneidade sor-Jal. 'Nao sera porventura a pior deiicieneia da sociedade mo- dems justamente o fato de deixar-nos representaremdemasia? , pergunta Buber (Ibiá) Onde lui “representação” sempre há c pe- rigo de surumento de um “excesso de poder", pelo distancia- mento inevitivel que se cria entre representante, representado e objetivo da representação". Além disso, ha o empobrecimento do “conteudo comtmitario" na vida dos individuos representa- dos, porque a comunidade "se manifesta sobretudo no trata- mento comum ativo do que é comum, e nlo pode existir sem es. se tratamento” (1950, p. l96). A conclusao e que tudo depende doque seoletividadaaatjss miospasseocontroledor meios de produção torne possível elements. em virtude de asaeatrum- 13. sobre alguns dos problemas e paradoxos da idéia de “representa- ÇÍD". memso em um Estado "demoaíticoÊvct Wolff (1970, pp. 17-27), 24 ra e instituições. a verdadeira vida de comunidade dos diferentes gupos, precisamente até que eles mesmospassemaserossujeitosaenu osdo processo de produçio (teu). Essa verdadeira vida comunitária, cujo modelo e para Buber o ideal da comuna ~ parcialmente realizado nos Idbuzsim israe- lenses - nlo tem nada de puramente sentimental ou místico. sua base e sempre o trabalho comum, o esforço comum: “é comuni- dade de aflição, e só a partir dai, comunidade de esplrito;6 co- munidade de esforço, e só a partir daí comunidade de salvação" (id, p. 197). Mas nem por isso trata-se de algo puramente instn» mental. de uma mera comunidade de interesses que gera uma co- munhio de poder. Nela se forjam relações inter-humanas auto- numas, relações homem-_ltomem e nto relações homem-objeto (id, p. 194). Em termos da ñlosoñs do díilogo - talvez a parte mais conhecida do pensamento de Buber - a verdadeira vide co- munitária 6 aquela que permite a cada individuo relacionar-se com o proximo em termos da relação Eu-Tu, e não em termos da relação Bu-lsto. _A verdadeira comunidade de cujo “renasci- mentorlastgttas depende a : que do genero humano" (1950, p. 199) eaquelacujos membros formam um “Nós” e nto meramen- te um "A gente"_“. Bla pertence. na verdade, a uma dimenslo especial no seio do social. a dimençao do inter-humano (o Zwischennrmschliclte), essa dimenslo que se situa entre o par eu-tu e a multidlo amorfa, dimensão na qual se estabelecem re- lações humanas “essenciais”, dimensloem que c verdadeiro did- Iogo suplanta o mero debate como fomra de comunicaçao bási- caentre oslndívfduos. A paz vital deumasociedadeeentreso- dedadea requer o florescimento dessa dimensío, acima de tudo. Enelaquese toma possiveis 'inudançadoscorsçõeflcdññüm mudei. Buber, 1929, p. 442). pela qual passa necessariamente o caminho para a paz. E e precisamente por exigir algo tão dificil como essa “mu- dança nos corações", que a paz não pode ser obtida de um dia para outro, mas somente atraves de um lento processo de com» 14. "Chamo de 'Nós' uma unllo de pessoas independent”. #09511411 para a individualidade e para s responsabilidade pessolL nmaunrío 'que tem seu fundamento e sua condiçio de possibilidade nessa individualida- deenesaaresponsabilidadepessoaLAnatureaapccullardoWós »Mall na relsçio essencial que existe ou que surge momnaanessnente entre ¡eu! membros. Isto 6, Nós' é permeado pela imediata: ÕIIÍIN fl! ” 5 ' mm: - pggo @uma d. mago “mu, o 'Nós' mntem. _em potendi. o 'ru . Sd indivíduos rapazes de dher vudadeiramente "ni tampo outro sic ca- paaes de dire¡ verdadeiramente. um com o cum» 'Nó' (1941- P- m7)- 25
  14. 14. truçio, que deve tomar varias gerações (1958, p. 253)". &d; 1215 @moles ! entramos queqmderdsnmg idéia. do : spiri- tualcnío consiste em . uma força imesllalamenteeñcaz. masgpe- najagcapacidade dgfpoggrrgmovimento” tais 1055:. Nem por isso a paz é um sonho inatingfvel', ela é um ideal, que nossas ações em todo momento podem tornar mais próximo ou mais distante. As ações relevantes não são projetos humanitário: ou palavras conciliatórias (1932, p. 239). Buber nâo é um pacifista radical". Fazemos paz. ajudamos a engendr-ar a pu mundial onde que: que ie- ja que somos chamados a faze-la: na vida ativa de nossa própria comuni- dade e nos seus aspectos que podem ajudar ativamente pan determinar seu relacionamento com uma outra comunidade. . . E se não agormquan- do? (1932. p. 239). (Logos aspectos fundamentais da vlda_de nom comunida- dtuohmo o . Lodqmgs : rir a ñni. de. .t2 proxima, e, se do Buber, a educação. isso, a ativida- dudmtixa tammaercnidadoarnenieniningzxidadnmppn s§ennipelo homem uix; .nL-. s qllllidades individuais só o inte- 'ummaamdidamllusulelaase pode servir para nele maria: münennum. " (1963 d. pp. 226-27). &rnreo propagandisu e : g9 'fpúblicof l rebelde apenamlzism. nan h¡ qualquer dialogo @ghoxerdadeiro educador. porém. tem por objetivo básico o dexnxolvimentodaa qualidades individual¡ do educando" . e sa- l5. É este o sentido da opção de Buber pelo sioniamo "primo" - que. pan ele. consiste na aiaçíopronusivldeumaoomunidadojudalca em que se regeneram o¡ valores humano¡ e que embelep laços genuíno: com seu¡ vizinhos - tece aosioniamotpolíticoñqun huacaonncessõeie compromisso: da¡ ainda potências. 16. "Nlo sou um radical; nlo creio que sempre ae damn¡- ponder i violência com a nlo-tvioléncla. Eu sei o que a tragédia implica; qunndo M guerra, ela tem que sea' lotada" (1958. p. 256. nota). E no mesmo espírito que Buber rejeitou a : west-lo de Gandhi para que o: jn~ dem : ob o jugo nazista enrpregasmn a tática da nitrvlolência. ¡sao-ã- gmha, por ele preconizada. 17. Também em sua ooneepçío do individuo. Buber coloca o pluralis- rno como aspecto fitndamental. Msim, ele ae recusa a conceber o homem como governado essencialmente por en: ou aquele “instinto” (verem Freud e Scheler). mesmo se o ¡nrtinto púmotdial tor concebido como um "inxfmto ainda', Apesar de reconhecer a importância deaae elemento. Buber. face aos pedagogo¡ que querem definir a educado exclusivamente. em termos do desenvolvimento da "criatividade" da criança. Ipem¡ PIII a pluralidade de componentes ou "batiam" que existem em todo ser hu- mano. e insiste em que n eduaçio nln deve concentrar-ae apena¡ um um deles, ma¡ aim permitir o desenvolvimento orgânico e hamonioso de to- 26 épostuelatravesda e de sua: ideiauobzeo outro, maaaomenie sefornpaz dana; mentefescutar" ao outro. de estabeleceram diálngnautélfttico çomele. A dicotomia propaganda va. educaçlomnnespondgj oposição político n. social. Enquanto que o pmnagandina de. um partido politico ou de uma instituição governamental qual- quer _intenciona "inculcar no público uma vontade pré-fabrica- da, isto e, implantar em cada um a certeza de que essa é sua pro. prix vontade. nascida em seu próprio seio". a intenção da educa- ção social é "despertar e desenvolver em cada um dos educandos a espontaneidade da sociabilidade. que existe potencialmente em todos nos, e que e perfeitamente compativel com¡ vivência e a reilexao individual" (1965. p. 413). Tendo partido da esfera abstrata do puro espirito, chega- mos assim. depois de uma jomada atraves das esferas intermedia- rias. ao âmago da alma individual. onde se deve procesar a transformação básica. capaz de levar não somente à paz. mas também ã concretização de todas as outras dimensões da mora- lidade. Ã pergunta incísiva de Nicolas Berdiaev, "onde deve co- meçar a luta contra o mal? ", Buber responde. de forma n10 mc- nos incisiva: “A luta deve começar na alma de @da ser humano; todo o resto ser( conseqüência disto" (1965 c. p. 326). Ma¡ ao voltar-se para sua alma. a ñm de banir o mal de dentro de si mes» mo. o indivíduo não tem que se encenar em si mesmo. nem tem que se tonarum asceta" (1942, pp. 13031). Dentre a phiralida- de de componentes positivos que descobre em suaalnu encontra- se a tendência a voltar-se para o outro, o "instinto de comunica- ç¡o"; é entio que ele aprendo a “dizer-tu” e, a partir dai. a dizer_ “Nós”. EAÓÀQEOQM, aprende: ,dim ÍÍNósÍ rererindosc 29s ' membros. disua. ,comunidade, é capaz. dcsxunpreenégseeeius 4" 5119113» 49s. MEM! !! d! âtemunidade 5.65295 2125:» dez! ! @stabglecer uma pn_z_vit31.__ 403 (1963 e. pudim). Note-se que o reconhecimento dem pluralidade es- sencial do individuo e seu direito de escolher seu próprio 13min? ” W333' mem talvez : única bue sólida pan uma verdadeira tolerância. 18. Neste ponto, Buber uitica detalhadamente tanto I P059” 'km' como a opçío vital (afastamento do ciumento) odoudl P0' 310153301¡ (Buber, 1963b, pp. 180 e m). 19. Um conto haaafdico, contado por Buber. ilustra vivldamente «se duplo processo de voltar-ne para s¡ mesmo. alnind? ” 9m “É” 9'” ' comunidade. Rubi Aizik. de Kahn, filho de RIM lekil. q* V"" 'm u' trama pobren, recebeu, em um sonho. a ordem de lr até ? M830 FW": l¡ um tesouro enterrado sob a ponte que kvlfo PW** 4° 'd' D? ” ° sonhar três vezes n mesma coisa. pda-ae a
  15. 15. A tudo isto poderia o “realista” objeur: "Muito botlíto. mu trainee de 'pura éticf; uma utopia querer aplícá-la 1 reall- dade; a política mundial nada tem a ver com isso, sua: regras são outras. cruéis; entre o: lobos. não hi lugar pm cordeiros”. Entretanto. num mundo em que todas as receitas para uma "pa. instantânea” até hoje falharam. não seria o caso de ¡bando- nar o Nenhuma" de vista curta e da: uma chance aum 'idealis- mo" com um pouco mais de fôlego? Bibllogmjía BLACK. Mix. 1975: Alguma Questão¡ a Respeito do “Raciocínio híticn" em M. Ducal e A. Baum (orgahokachuleolmcbml, Boat-She- vI. pp. 43-59 (um hebnico). BUBER. Diadema¡ Martin. 1929: "Jñdhcv Nndonanlehn und Naüonah Politik in Palestina". in Kcmefum land. Berlim (19394)). 432451. 1932: “And 1! not now. when? ” h Buber. 1963. pp. 134-139. 1934: "Teaching and dead". in Buber. 1963. pp. 137-145. 1942: QI: a dholnhe? , México (1954). minah¡ ediçla. em hebrai- co. 1942. 1950: Cam-ho¡ de ampla. México (1955): primeira edição. em ¡le- mlo. 1950. ' 1958: “kual and the command o( the spirit”. in Bubem1963. pp. 253-257. 1963: lndand du WGIU. Fmyttnc Nua/ Oiii. New York. 1963uNa Saindo do Diálogo. Jenmlém (em ltebralco). 1963b: “A Panama que : e Coloca ao Indivíduo”, in Buber. 1963a. pa. 157413. 1963C: "A MMM: untada”. in Buber. 1963:, pp. 237-261. Uõâdãg; Fundamentos 6o lnter-hmnnoíin Bubez.1963¡. pp. 215- 1964: Oümlnhodollomansegrmdaabouulmllaxldlmlmn- Em (em monica). 1965: A Feudo Homem - Enudotdcmvvpobgh Hbúñâí» Jero- ulém (em hebraico). que amvagurdadadiaenoltmoquelmpodhdepromaroneuno. Apenrdinsmdhadinvoltavaaohwxeñcnaporuduunoeodhhcei- no. Porümmcommdantednpnroaperwntou-lheoqamàziaporan. RabiMúkeontou-menulonhmaoqneowmandantedanumadu-se »ganham "üminhutetantopwunudeummmIQuson-am osqueaacditammaonhosl Seuuuedimceemsonhosterhqueknti nmlugarmtzito dhmmpolpmctdenxmunnonhoqufmuatê Kahn. l as¡ de umjndcu, nmtaldeMzihñlho dolclçiLcesavam soboseutouoondenmconmumtcnoumlungínesômmnacidade em que a metade dm habituais¡ judcnue chama Maiko noutra metade Iekil. eemmememñaqucdelmdrtoduuunndaddader-Rabl Mzíksaudooevoltoupaneeamudenntenounaewumquemnmb ofogfmeecmuuhumalinngogc (Buber. 1964. pp. 413). 28 196SI: "En| re Sociedade e Estado", in Buber. 1965. pp. 397-413. 196$b: "Sobre a Enênda da Orltun". in Buber. 1965. pp. 377-396. 196Sc: "Flurantes do Bem e do Mal", in Buber. 1965. pp. 325-376. BUBIZR. M. ; MAGNES. Y. e SMILANSKY, M. 1946: Marine - A Ewerton! Sms. New York. HODBS, Ausbtey 1972: Encantar with Marin Buba, London. RAWLS, John 3971: A Theory ofluulu. Oxford. RUSSELL. Bertrand 1938: Pown. london. SCHELER, Ma: 1953: l/ idlc de pala: e: le puclmsne. Paris (induzido do original ale- mão de 1931). WOLFF. Robert Paul 1970: In Defeat: ofAmrdcltm. New York. 29
  16. 16. amooo' AP. Oablano cchtldonundo. üzúndccanxhpch anuidade, Wldznenlacyocdn; Dutldmogo aonftn.
  17. 17. l. DESCRIÇÃO I. Recordnpfo hbndm Com toda espécie de vníaçõeghvemdepoisde ¡ininter- valo de algnnranou. repete-se pan mim o mesmo sonho. Dow lhe o nome de sonho do duplo a lo. 0 ¡mbinnte em que ele de- compemmçmsempmse tuéummundopobreem aparatos. "primitivo": encontro-me num¡ grande cavemn, como ashtomindesüacumounmnnconsuuçlodehipnqlwm lembn. ao acordar, as aldeias dos feliz; ou então n¡ od¡ de uma floresta ao gigantesca. que niome recordo teninojamabmna semelhante. O sonho começa com n mais climas forma-I. mn sempre, no início, algo extraordinário me acontece: por exem- plo. um pequeno animal, com a aparência de um ñlhote de leão. 33
  18. 18. cujo nome conheço no sonho mas não ao acordar. dilacera-me o braço e eu só o domino com diñculdade. Ora. oestranho é que esta parte do enredo do sonho, a primeira e de longe a de mais interesse. tanto pela aus duração como pela significação exterior dos acontecimentos, desenrola-se sempre num ritmo galopante, eo mo se ela não fosse importante. B entao o ritmo toma-se. subi- tamente. mais lento: eu estou aí e lanço um apelo. A visão glo- bal que 'tenho dos acontecimentos quando estou acordado deve- ria certamente fazer-me supor que, segundo os fatos que o pre- cederam. o apelo fosse ora alegre. ora assustado. ou ainda ao mesmo tempo doloroso e triunfante. Pela manhã. todavia. ml- nha memória não me reporta este apelo tao marcado por senti- mentos nem tio rico em muuções; é toda vez o mesmo apelo, não articulado, mas de um ritmo rigoroso, reasurgindo de quan- do em quando. innando ate atingir uma plenitude que minha la- ringe. em vigília, não suportada; longo e lento, totalmente lento e muito longo, um apelo que e uma emção - e. quando ele ter- mina. me! ! coração cassa de bater. uss_ usar. ao lonzendirire-aamm çutrcxapdnumnntmio msmo: o mencionando o_u @minds Magnum: voz. .e, n? ? 05W* uno mesmomie. nao. gde iorma. aiaumn. ..um 'feed' d§ meu apeimjrnuiiomaiâjul mineira répiisaiiião : :DLULÍSLEQN : :Antunes msuLmsnr-_emsiaurifsirnaa enfraqueçidsç te# eomgpgndendpdespondindga ele; -_tanto__assim, que os meus sgpigggainda himuco não soavam nada interrogativos ao_ mmJLñnrio ouvido, aparecem agora como interrogações, uma . Inngnjnegde, interrogações, que agora recebem todas umzLres- poste_ n19_ interpretam: tanto a resposta quanto a pergunta. E entretanto os apelos que respondem àquele um e mesmo apelo parecem nto seriguaiaentre si. A vozé. : cada vez. uma nova voz. Mas agora que a resposta está tenninada, no momento em que o sont acaba de se desvaneoer, invade-me uma certeu, uma certeza autêntica de sonho: Eis que aconteceu, Nada mais. Ape- nas e precisamente isto. exatamente aasimI &mMntaaaLesdammLmntoLdisiuQomen a . .corar rggliquiuuzdemdefnmrmal eJnduLmáveLa eci- nisnequenrsduonnmmmlo- É desta maneira que o sonho tem retornado todas aa vezes - com excepto de umavez. a última. fazem agoradoisanot. De início. ÍIIÁO se deu como sempre (era o sonho do animal); meu apelo extinguiu-se e novamente meu coração parou. Mas entao houve o silencio. Não veio réplica alguma. Agucei o ouvi- do, porem não percebi nenhum som. É que. pela primeira vez, 34 eu esperava a resposta que sempre me surpreendeu. como se eu dela não tivesse jamais tido a experiência; e a resposta esperada não veio. Mas eis que agora algo aconteceu comigo: como se ate então eu não tivesse possuído outras vias de acesso entre o mun- do e os meus sentidos a não ser aquelas que passam pelos ouvi. dos. eu me descobri: agora como um ser pura e simplesmente provido de sentidos, sentidos revestidos de órgãos e sentidos nus; ofereci-me assim ao espaço distante, aberto a toda recepção, a toda percepção. E então veio, não deste espaço distante, mas do ar bem próximo a mim, eis que veio. silenciosamente; res- posta. Earuiizeui. .Verdade, eia Mor/ sic. ela ; r ggavgjlgjig( 9§“. V.¡. .: talvez Mais) guisa de explicação : :ainda meiLapelo; chester: _simplesmente a¡ e deixouse acolher por minugora que me abri para elmEu a percebi de uma fome tão plena. como só percebem a replica nos meus sonhos anteriores. Se devesse relatar por que meios isto se deu. seria obrigado¡ di- zer: por todos os poros do meu corpo. Corno somente o fizera a replica nurn dos sonhos anteriores. a resposta correspondia, res- pondia. Ela ainda a ultrapassava numa perfeição desconhecida, dificil de se definir, justamente pelo fato de j¡ atestar. Quando eu tinha terminado de acolhe-la, senti novamente, com mais percussão do que nunca, aquela certeza: Bis que acon- teceu. 2 Osilétscia que e' comunicam? . I Assim como o mais ardoroso falar de um pano outro nao : constitui uma conversação (isto é mostrado claramente naquele ! esporte estranho. denominado com justiça de discussão. de &ag- emnção, praticado por pessoas razoavelmente dotadas de inte-. ecto), assim, por sua vez, uma conversação não necessita de som algum. nem sequer de um gesto. A linguagem pode renunciar a toda mediação de sentidos e ainda assim e linguagem. Não estou me referindo. naturalmente, ao terno silêncio doa amantes, inte netrante. a e : são e concórdia m aa- tisfazer-ae em? um olhancgeauzptom a simples ccmpvfnldetlo de uma contemplado rica em relações. Mas também não estou me referindo ao místico silencio com ado. tal como se relata a propósito do franeiscano Egidio e Luís de França (ou. de uma forma quase idêntica, a propósito de dois rabis hasafdicos) que, encontrando-ae uma unica vez. nao proferirarn uma ao palavra, mas, “na retlexão da face divina". expcñàndlnm* 19911100¡- mente; pois h¡ aqui ainda a expressão de um gesto. de uma ati- tude fisica de um para o outro. ~/ _ u. 35
  19. 19. ' .3§1JJ? '”'"'. : ? .°9"3°°°° 1 pulamgdialóslca de Tomarei mais claro aquilo s que me reñro por meio de um exemplo. imaginem-se dois homens, sentados lado a lado, em algum lugar solittno do mundo. Eles n10 falam um com o outro, não olhamum parsooutro, nem sequersevoitaram umparaoou- tro. Eles nao se conhecem intimamente. um nada sabe sobre a vida do outro, conheceram-se hoje cedo em suas perambulaçoes. Nenhum dos dois pensa neste momento no outro; não precisa- mos saber quais os seus pensamentos. Um deles está sentado no banco comum da maneira que, obviamente, lhe e habitual: sere- no. disposto de uma fonna receptiva para tudo que possa acon- tecer; seu ser parece dizer que nio é suficiente estar preparado, que 6 preciso também estar realmente at' presente.0 outro, sua atitude nao o trai. e um homem reservado. controlado. mas quem o conhece sabe que desde sua infância pesa sobre ele um feitiço, que o seu autocontrole é algo mais do que uma atitude, que por trás de Yoda atitude está entrlncheirads a impenetrdvel incapacidade de se comunicar. E agora - irnajncmos que esta seja uma daquelas horas que conseguem romper as sete tirasde feno que envolvem o nosso coração - o feitiço dissolveoe de re- penteJiasmesmoagoraohomesnníodiaumapalavramlomo- ve um dedo. B, entretanto, ele faz alguma coisa. A dissolução do feitiço aconteceu-lhe - pouco importa de onde - sem sua ação; mas eia o que este homem faz entao: libera dentro de n' uma re- serva sobre a quai somente ele tem o poder de ação. Sem reser- vas, a comunicaçao jorra do seu interior e o silencio a leva ao seu vizinho. para quem ela era destinada e que a recebe sem reservas, como recebe todo o destino autêntico que vem ao seu encontro. Ele não poder( contar a ninguem, nem a si mesmo, o que experi- encíou. 0 que "sabe" ele agora do outro? Nenhum saber é mais necessário. Pois nndnuusençía dormem reinou : magnum- v urnarfgrnuvsscramentaL** 3. As Opiniões e o Fate Concrem &Qqaojimmrmugü existir , uma ! ÍSTEOJPQFF de, tornem. . isto @nã um em gesto, a vida que lhe e própriais_ letra pertence ao campo do sig-rio somente em casos especiais, como por exemplo numa reunilo, quando os amigos fazem cir- cular entre si, pela mesa, notas descrevendo o clima reinante); esta existencia sem signo. todavia. não tem fonm objetivamente 36 captável. Por outro lado. um elemento de comunicação - por mis íntimo que seja - parece pertencer à sua essencia. Mas, nos seus momentos mais elevados, o diálogo transcende também es- tes limites. Ele se completa fora dos conteúdos comunicados ou fcomunicáveís, mesmo os mais pessoais; não se completa, no en- tanto, num acontecimento "místico", mas sim num aconteci- mento que é concreto no sentido estrito da palma. 1018111101110 inserido no mundo comum aos homens e na seqüência temporal COIICICÍI. Poderíamos talvez estar inclinados a admitir a validade disto pm o campo especial do erótico. Mas 6 justamente este campo que eu não pretendo trazer aqui para uma explanação. Por: o Eros é, na realidade, muito mais estranhamente composto do que no mito genealógica de Plntío e o erótico não é. de maneira alguma, como tenderiamos s supor, uma pura condenação ou um puro desdobramento do dialogo. Pelo contrário, nlo conhe- 9o outro campo onde, como neste (voltarei a este 1135111110 11111¡ adiante), mdialóücneomnnolóñco se entrelaçam m# 111113111. __tr= o 92g- MmELêeW* 4° 31.13! Iamonuão passam demdçleiturssríganuntçsqxngngrb: prlnpnsihllldãfkêrâluâliíâd” 11111111 11191151119* “LFEFEF Estaria ainda mais propenso a pensar talvez num recinto despercebido e no entanto significativo da existencia: nos olha~ tes que, no tumultodanrgesvoaçamderepenteentredesconhed dos que se cruzam sem mudar de pano; existem. 611116 98134. olhares que, ilutuando sem destino, revelam. 1111134011111. 411!¡ natuseus dialógica. Ma: na realidade só posso demonstrar aquilo que tenho 6111 mente por meio de acontecimentos que desembocam numa Veh dadeira transfonnação da_ comunicação em 0011111111150- P°“"“° numa gorporiñugigiíl BWV" $35.83- Não podemos transmitir &OPLGÉÍDL sob a fortplipje aquilo de que aqui tratamos. emu. 611119 v ' lo por meio de exemplos, contanto que nto tenhslmos receio, quando se trata de assunto importante. de 9106111¡ °“'°' s _ íntimos recesso: da vida pessoal. Por: onde mai¡ P°d°"¡““° °“ oontrar exemplos semelhantes? Minha amizade com um homem j¡ iilecido originou-Ge _ poda-fumos defini! ;não $rlrtecimento que, se qulümznealiím¡ de 1914_ › tinham- Alguns homens pertencentes a diferente! P°V°5°“'°9°'_'” se reunido para preparar, 00111 um “dd-mim pmmnummm de 37
  20. 20. catástrofe, uma tentativa de constituir uma autoridade suprana- cional. As conversações eram marcadas por aquela giségçjaja. _mg-gb cisja fecundidade substancial eu raramente tinha expe- rienciado de forma tio intensa; ela agiu de tal maneira sobre to- dos os participantes que tudo que era fictício se desfez e cada palavra era um fato. Quando então diacutíamos a compoaiçio de um circulo mais amplo. do qua! deveria proceder a iniciativa pú- blica (foi resolvido que este círculo reunir-se-ia em agosto do memo ano), um de nós, um homem de oonoentraçio apaixona- da e de um poder de amor próprio de um juiz, levantou a dúvi- da: um número demasiado grande de judeus tinha sido nomea- do. de maneira que alguna paises seriam representados numa proporção indevida por seus judeus. Reflexões semelhantes não me eram estranhas, pois sou da opiniao que e ao dentro de sua comunidade e não como membros dispersos que o Judaísmo po- de tomar parte ativa, mais do que meramente estimulante, na ediñcaçao de um mundo firme de paz. Contudo, as considera- ções assim formuladas pareceram-me prejudicadas na sua legiti- midade. Judeu obstinsdo que sou, protestel contra o protesto. Nao sei mais por que vhs cheguei a falar, dentro deste contexto, de Jesus e dizer que nos. judeus, o conhecíamos do interior, nos impulsos e emoções do seu ser judaico, de urna forms que per- manece inacessível sos povos que estao sob a sua égide. "De urna forma que vos permanece inacessível” - assim falei direta- mente ao antigo padre. Ele levantou-se, também eu estava de pe, olharno-nos. um no fundo dos olhos do outro. "Desapareceu". disse ele, e demo-nos, diante de todos, o beijo fraternsl. A discussao da situaçao entre judeus e cristãos tinha-se transformado numa aliança entre o alatao e o judeumgsujrans ¡W455i! 509519116. &milésim- Opiniões deüpãteceramggçn- teceu 4. Cblóquios em Toma da Religüo Mud? ? 14"¡ d"" 05509508. uma ponderível e outra pode- rosa. * E posível que me objetem: onde se trata de opiniões essen- ciais, opinioes que dizem respeito à "visão de mundo”, nlo é pemsttido que a conversação seja interrompida desta maneira; cadaumtemque seexpordeuma fonnaresieintegraLnasua parcialidsde humanamente inevitável e, justamente por isso, ex- perienciar-se realmente como um ser limitado pelo outro. assim 38 que os dois sofram em comum o destino da nossa contingência e que nele encontrem mino-outro. A isto respondo: a experiencia da nossa llmltaçlo esta oonti~ da nisto a que me refiro, como também esta at contida a expe- riencia da sua airperaçlo comum, que certamente não pode se completar no terreno da “visão de mun ". mas sim naquele da realidade. Nenhum daqueles dois precisa renunciar à sua opiniao; só que. fazendo eles algo de improviso e acontecendo-lhes de promo este algo que se chama um), eles penetram num reino onde não é mais valida a lei da opiniao. sofrem também o desti- no da nossa contingência, mas eles o honram na forms suprema quando. tal como nos e concedido, deixam-na disolver-se por um instante imortal. Q_e_ncontro já se tinha dado anterionnente. quando. cada um em sua alma. voltou-se para-o-outro, de manei- ra que, daqui por diante, cada um, tomando o outro presente, falava-lhe e a ele se dirixia verdadeiramente. A outra objeção, que vem de um lado totalmente diverso, mesmo oposto. diz: isto pode ser verdadeiro dentro dos limites do terreno da opinilo. mas cessa de se-lo para a protisslo de fé. os adeptos de duas crençssreligiomqueudiaputamvehlm" doutrinas interessam-se pela execuçso da vontade divina e nao por um acordo pessoal, panagelro. Quem diante da fe tem uma postura tal que esta preparado a morrer ou a matar por ela. pm ele não pode haver reino onde nao seja mais válida s lei da fé. Cabe a ele ajudar a verdade a sair vitoriosa, ele não se deixa en- ganar por sentimentos. O adepto de uma re diferente. isto e. uma re falsa. deve ser convertido ou. pelo menos, instruído: um cotato direto com ele pode ser conseguido somente fora da defe- sa da te, não a partir dela. Não é pamttido que a tese da ditou! - sío religiosa “desapareça”. A esta objeçlo, cujo poder reside no fato de ala ter a 71°' priedsde de não se preocupar com s falta de 00mm** 'b espirito relativiudo. propriedade esta que e considerada natural. só posso responder de uma forma adequada 17°¡ 'im' ? mam de fé. Não tenho possibilidade de julgar Llltcm- q* “W” 'ahh' rledade a Zwinglio em MarIWIBO¡ °| _| 33mm 4'” 9m? ” ' mta: tede Serveto; poisLuteroeCalvrnoereern1l| _|°'P“: “ Deus tenha descidoentreoshomensde talmancm quee % ser conhecida sem equív°°° o que dm WW” '°' “Im” 39
  21. 21. da dentro de uma forma exclusiva. Não sou desta opinião; a palavra de Deus baixa diante dos meus olhos como uma estrela cadente, de cujo fogo servir¡ de testemunha o meteoro, sem fa- zHo iluminar-se para mim: e eu próprio só posso testemunhar a luz, mas não posso produzir a pedra e dizer: "é esta aqui". En- tretanto, esta diferença de fé não deve, de fonna alguma, ser apenas compreendida como uma diferença subjetiva; ela não se fundamenta no fato de que nós, que vivemos hoje, somos fracos na nosa fe, e ela vai subsistir por mais que a nossa ft se fortale- ça. A propria situação do mundo, no seu sentido mais serio, ou, mais exatamente, a relaçao entre Deus e o homem, modificou- se. E esta mudança certamente não e compreendida na sua es- sência quando se pensa somente no obscurecinrento, que nos é tio familiar, da luz suprema, somente na noite da nossa existên- cia, desprovida de revelação. É a noite de uma expectativa - nao de uma esperança vaga, mas de uma expectativa. Estamos na ex- pectativa de tsmateofanmdaqualnadaconhecemosaniosero seu lugar, e o lugar drama-se comunidade. Nas catacumbas públicas desta expectativa não existe uma palavra divina singular que possa ser inequivocamente conhecida e representada, mas as palavras que nos alo transmitidas mani- festam-se para nós no nosso humano voltar-se-um-para-o-outro. Não há obediência Àquele que vem, sem lealdade para com a sua criaturaAssimterexperienciadoéonossocaminho-nãoum “progreno”, mas um caminho. Uma época de geunlnos colóquios religiosos estí-se inician- do, - nlo dos que assim se denominavam e eram fictícios, nos quais ninguém realmente olhava para seu parceiro e nem a ele se dirigia, mas uma época de diálogos genuinos, de certeza para certeza e também de uma pessoa receptiva para outra pessoa re- oeptiva. Somente entao aparecer( a comunidade autêntica, não aquela de um conteúdo de re sempre idêntico, supostamente cn- ccntrado em todas as religiões, mas a comunidade da situação, da angústia e da expectativa. 5. Colomçlo da Questão i (Ldmóslcaniase limitasotrtfeaodas homens @instale 6. - é assimmedemonstrou ser para nós - um comportamento 4°* “WW "m-mmwutro. que e apenas narra-angulo seu tráfego. Assim sendo. mesmo que se possa prescindir da fala. da co- municação, há contudo um elemento que parece pertencer indis- 40 solos/ cimento). . join seu proprio sentido: a reciprocidade dajdrunterint. D018 homen; que estão dialogicamente ligados devem estar obviamen- '. te voltados um-para-o-outroLgevem, portanto. - (n50 @Pill com que medida de atividade ou mesmo consciência de ativida- de - ter-se voltado umparaooullo- Convém adiantar isto de uma maneira tio crua e fomtal. Pois, por trás da questão formuladora sobre os limites de um¡ categoria em discussão. esconde-se uma pergunta que rompe t0- das as fórmulas. 6, Observar, Conremplar, Tomar Conhecimento ! Íntimo E valido distinguir ue: maneiras pelas quais podemos nam- ber um homem que vive diante dos nossos 01h06 (M0 n” | '°_f"° a' rim objeto cientifico. pois não falo aqui de ciência) O obyeto da nossa percepção não precisa saber nada a nosso respeito e nem saber da nossa presenta; é indlfenn” NW 5° °'° m" “m relacionamento ou um comportamlmw P! " 00m l PMP? ”- teiramente concentrado amam' n¡ sua mente o homem que obsclVí. 9m "m9“'. ¡°". ~.5¡° . ° 95mm e o'de'scnha. _E na verdade ele se empenha em desenhar tanto! "traços" quanto possivel. Ele os vigia para que nenhum lite escl- pe. O objeto e constituido de _traços e sabe-se o que esta 9011143 and¡ um deles. O_conhecrm_e_nto do sustenta ! language fx' pressão assimila sempre de imediato as novas variações Judia- duais que aparecem e ele permanece utilizível. Um rosto md¡ mais é do que uma fisionomia, os movimentos nada_ mg! ?Q2150 que gestos expressivos. início d ovemado Egla intend atàm k* vo usuario-JEI; n59 3.11215 in. 15°". '¡E“°. ¡“° . . - m é não ; fin que ygsimesmtectr. 9159"". 194534" ' . - aleilemãiãrs 9121 r nic serva o u ' Nm reco e como o faz o o serv or. I 5mm °°m° ” 'I' fm” fm' . ragem, ele a revolve e deixa que o s? ! a ilumine- 34min. ("Traçosñ diz, "enganam . ) ão “ r" e nem "ex ressã ". ("O interessante". diz et. .. Mo é “Form” _ o os osgrandes artistas eram contemp - dores. 41
  22. 22. Existe. no entanto, uma percepção que é de uma espécie de- cididamente diferente. 0 observador e o contemplador têm em comum o fato de os dois terem a mesma posição, justamente gjggjgjepgxceber o . homem mn sienadLLrmie 93 hcnrnáamalsâmnhiamünersdanqlqtnmrloigglãgfyg* . por. Munic ser perce- desta for- ma, seja ela uma soma de traços, como acontece com o observa- dor. ou uma existência, no caso do contemplador, não enizt, d.e› lies nenhum ' ' - - dzeatasia, As coins acontecem de outra maneira quando, numa hora receptiva da mu: : vida pessoal, 'M' M m* i9 e °m. SZ°H§ÍHIHD¡ILÚ°. :: maternal : «› nao sísniñca de forma angu- ma que esta coisa me diga como este homem e. o que se passa nele ou coisa semelhante. Mas significa que ele diz algo a ntím, tr ' aisummfaiasinaue ' ' Pode ser algo sobre este homem. por exemplo que ele precise de mim. Mas pode ser também algo sobre mim. _g adnLasmJ9ia3ãu . mina. .nada. _tema ; ele não tem conduta alguma para comigo, certamente nem me percebeu. y. como aquele homem solitário que confemva silenciosamente seu se- gredo ao vizinho de banco; ' ' . Quem compreende aqui o “dizer" como uma metáfora não esta compreendendo. A frase “isto nao me diz nada" desgastou- se metaforicamente; mas o dizer a que me refiro e uma lingua- gem real. Na casa da linguagem ha muitos compartimentos e este e um dos mais íntimos. 0 efeito de ter sido o receptor deste dizer é totalmente dife- rente do efeito de observar e de contemplar. Nao posso retratar nem descrever o homem no qual. pelo qual, algo me foi dito_ na- da posso contar sobre ele: se tentasse fue-lo, já seria o fim do dizer- mebàrto-. ciwzusí a . ter also I ver @mm Talvez tenha que realizar algo nele; mas talvez apenas tenha que aprender algo e só se trata do meu “aceitar”. E possi- vel que eu tenha que responder imediatamente. justamente a es- te homem diante de mirme igualmente possível que o dizer seja precedido de uma transmissão longa e múltipla e que eu deva responder num outro lugar. num outro instante. a uma outra 42 pessoa, quem sabe em que idioma; e o que importa agora e uni- camente que eu me encarregue deste responder. Mas em cada instância aconteceu-me uma palavra que exige uma resposta. Chamamos esta fonna de perceber de ! arruda de mnheci- mento zhrimo. ' Aquilo de que tomo conhecimento íntimo não precisa ser, de forma alguma. um homem; pode ser um minah um¡ PWIÍI. uma pedra. Nenhuma especie de fenômeno. nenhuma espécie de acontecimento e fundamentalmente excluído do rol das coisas atraves das quais algo me e' dito todas as vezes. «aumentada-Littmann »alam- 91<12 4°. .dialmcaauuintitçasiemmbiiisiagetdattomadmde Mills- o gmentg¡ [mim . 7. Os Signos Cada um de nós est¡ preso numa começa. cuja tarefa e repe- lir os signos. Signos nos acontecem sem cesar. Viver 3183155¡ 9°' um a¡ palavra dirigida; nos só precisariamos tomar-nos presen- tes, só precisariamos perceber. Mas o risco nose por demais pe- rigoso. trovões silenciosos parecem ameaçamos de aniqullaçío: e aperfeiçoamos. de geração em geração. 0 ¡Pmm d* “fe”- Toda a nossa ciência nos assegura: Sê uanqitilo, tudo acontece da forma como tem que aconteceram! ! ma¡ é «uma ati, mto se trata de mente é : implemente “o mundo , ru pode: vivencia-io como quem. mas o qpw que' que seta que tm 'i M! nçu, provem de u aumentem-da é exigido de d. a pal-tm n10 t' é 4150' da. tudo e' silêncio. Cada um de nos esta preaonuma couraça que. $179” 3 f"? do hábito, deixa logo de sentir. Slo apenas instante! q” 'm' vessam a couraça e que incitam a alma a receptividade. E 4"** do tal instante agiu sobre nos e nos tornamos entao atentos. P0** gtmtamo-nos: “Que é que aconteceu ai' de peculiar? Nao era 8130 semelhante ao que me acontece todos os diaú". “n” P°d°m_°* nos responder: " 1 A . v l l . . l l . l ¡ aaamimcntssm-esammwwwln-W“'““wm. m ' re m u _gmasanunnlavce › * rianasxçwatamn°LwJ 43
  23. 23. Aquilo Quanumnteuáaalam-qlmm-i-dlríalda- En- @Llutamws mumeacontecemos eternos do mundo : mania- vmaue. Mesão eu mantenha. ci¡- nrmandnnele: naenneidenalavn dinnmémmmcnmueen- de¡ _ aquilo que . me aoomeoe como uma puti-. .dnsammdo _MQ_ . O sistema interligado, esteri- lizado, no quai tudo isto só precisaria ser inserido, e a obra titâ- nica da humanidade. E a linguagem, eia também. foi colocada ao seu serviço. Ser-me-á objetado, do alto desta torre dos tempos. - se a1- gtrtn dos seus guardiães der qualquer atenção a tais vias de pensa- mento - que não pasa de uma espécie de superstição primitiva crer que os fenômenos cósmico: e teiúricos tenham uma signifi- caçio inteligivel e direta para a vida da pessoa humana. Porque, ao invés de compreendermos um fenômeno fisica, biológica ou aocioiogicamente (para o que eu tenho muita consideração, pois sempre tive a tendência de admirar atoa de pesquisa autêntica. quando aqueles que a fazem sabem realmente o que eatlo fazen- doenloperdemdevistaoslimitesdocampoemqueestíose movimentando), procurarfamos. de acordo com a objeção. che- gar por tri: da suposta siytiiicação do fenômeno, significação para a quai nlo M lugar num mnümum espaçotemporai do mundo que obedecem às leis da razlo. Assim, inesperadamente, teria eu caido na companhia de adivinha. de quem existem, como se sabe. variedades modemaa dignas de atenção. Mas. trate-se da leitura do fígado ou das estrelas, seus signos têm a peculiaridade de estarem contidos num dicionario, mesmo que nto necessariamente num dicionário escrito. B. por mais se- cretamente que seja transmitida a informação, aquele que esta à sua busca sabe orímtarse nela, sabe quais as mudanças nas con- junturas da vida que ora este, ora aquele signo significam; e, em- bora o encontro de vários signos de especies diferentes apresente dificuldade¡ especiais de esperar e combinar. há uma possibilida- de de "consulta". A característica comum de todas estas práti- cas é ser "para sempre": elas permanecem sempre iguais, seu re- sultado foi verificado uma vez por todas; suas regras, leise con- clusões analógicas são universalmente aplicáveis. O que é chama- do comumente de superstição, isto e, uma falsa re. parece-me muito mais um falso saber. Da "superstição" relativa ao número treze, uma escada ininterrupta conduz as alturas mais vertigino 44 u¡ d¡ grose; isto nem chega a ser uma imitação simiesca da fé verdadeira. Aje verdadeira - se assim me for permitido denominar o nosso estar presente e o perceber - íniçiíhãe @M40 “W311 Conan¡ aq QSBSJII: acontece. mas o que ele me diz nlo pode ser ¡rcvelado por nenhum informação secreta. poi! em 1180 'uma tinha sido antes pronunciando e nem é composto de sons que já tivessem sido pronunciadas. qgmqrgm-I ' da; não é uma experiencia que possa ser recordada independentemente da situação em que se tenha dado; e algo que permanece a Pmm-mckü» a palm¡ daquele instante, que não pode ser isolada; ela permane- ce a pergunta de um questionados, pergum¡ 9'” "JF 3"¡ m* posta. (A pergunta. Pois é justamente este o outro grande contras- te entre todo o conjulllo de 3381105 4° _Ínmlmuçh “hum ° ' linguagem de signos a que nos ¡efenmos aqui: esta 1111803895¡ nunca e rnronmção. nunca é decisão. nunca é apuizuwnm) A re esta na corrente do acontecimento único. sob 0 tem do conhecimento. São indispensáveis para o trabalho do espirito humano todasas estrutura de emergência dl M1108** 9 d' “F39 gia; mas seria uma fuga' penalti-hs_ @W140 l WWW? 4° “t” pelador dirige-se a ti. _din_ge-ae a rnrm. - tod ito o continuam espaço-WMP” 4° mmâznj_ n¡ su; 33:29 unicamente a reaiidadeodccnereta : o mundo. que me é oferecida constantemente. l Í ° imw_ ' Posso decompõ-la em seus elementos conaututivoliwüúmfew¡ buir estes elementos. comparativamente. entre @mudam menos semelhantes. posso deduzidos de fenôlyfmo no to: posso reduzí-los a mais simples. ~ e. 40901¡ d' ç mmml. rei tocado na minha realidade concreta do mllmàompnmu. incomparlvel- mdumh d' m' °'? " m' ° de Stravinlky o olhar que acontece uma só vez. Assim. H0 N” “na” ao áú_ diretor do teatro ambulante de marionetas 3:61 n” um mu” blioo d¡ feita CIM ° ? M75 que ° “uma” e qtaleando P058. de para' vestido; razao am pedaço, O o Petroiachka sentado no teto da barraca, mmbando de v ° vlw. 45
  24. 24. Q_'L°In§_! °Ld1§Flt9_dLQOnGmIIl§! -@. mEE§.9_§: a criado oj5|§ nos &ajudam; 3¡$¡!9$. ,d? mlamiiilsnési ainda. 8. Uma Conversão Quando eu eia mai¡ jovem, o fenômeno “religioso" consti- tuia-se para mim numa exceção. Havia horas subtraidas ao curso nonnat das coisas. De um lugar qualquer. perfurava-se a sólida crosta do cotidiano. Fraeassava ai a constância ñdedigna das aparências; a agressão que se dava rompia sua lei. A "experiencia religiosa” era a experiência de uma alteridade que não se enqua- drava dentro do contexto da vida. Tudo isto podia iniciar-se com algo corriqueiro, com a observação de qualquer objeto fa- miliar. mas que af se tomava, subitamente, iriisterioso e ameaça- dor, penetrando, por fim. transparente nas trevas do próprio mistério, com neh relampagos fulmiiiarites. Mas era possivel, no entanto, que o tempo se rompesse de imediato - desintegrava-se primeiro a estrutura sólida do mundo, em seguida a certeza de s¡ mais sólida ainda; e o ser. o ser sem substância, que agora era- se somente mas que não se sabia mais, este ser era entregue a plenitude. O fenômeno “religioso” destacou-o, elevando-o. Do lado de u havia agora a vida comum com os seus negócios; mas aqui reinava libertação, revelação, êxtase. sem tempo. sem se- quencia. A propria existência do indivíduo abrangia entao um aqui e um além. entre os qual¡ não havia outro vinculo a não ser o momento afetivo da transição. A ilegitimidade de tal divisão da vida temporal. cujo curso e dirigido para a morte e eternidade. diante das quais ela pode se realizar somente enquanto realiza precisamente a sua temporali- dade, me foi revelada por meio de um acontecimento do dia-a- dia, um acontecimento que julga, que julga com aquela sentença pronunciada com lábios cerrados e olhar imóvel que é do agrado do curso normal das coisas. 0 que aconteceu nada mais foi do que isso: certa vez, após uma manha de entusiasmo “religioso”. recebi a vinte de um jovem desconhecido. sem que eu estivesse a( presente em espiri- to. Aliás. eu não deixei de acolhe-lo amavelmente, não o tratei com descaso maior do que a todos os seus contemporâneos que costumavam procurar-me a esta hora do dia. como a um oráculo acessível a uma discussão; conversei com ele de uma forma aten- ciosa e franca - e deixei apenas de adivinhar as perguntas que ele nto colocou. Fiquei conhecendo o conteúdo essencial dessas 46 perguntas mais tarde, não muito tempo depois. de um amigo do 'ovem - ele próprio ja' não vivia mais; soube que tinha vindo a Jmirn, levado não pelo acaso. mas pelo destino, nao em . busca de uma conversa informal. mas de uma decisão; ele tinha vindo pre- ngmgndqggsgspem os ninesmo 385ml» _ _' 5395x943? etllameriie uma WWW*- POI 'n°10 d* 11"¡ m' é d" to que ele, o sentido. ¡Índl *Xim- Renunciei, desde então. àquele fenómeno "religioso" que não passa de uma exceção, um realce. de _um deiüqlle- d' “m êxtase; ou ele renunciou a mim. Eu -iada mais possuo I não ! H 0 cotidiano do qual nunca sou afastado. O mistério não sc mel¡ mais; desapareceu ou então instalou sua moradia aqui. onde tu- do , e passa da forma como se passa. N! ? 001m9?) m* 9!"" plenitude a nic ser a plenitude da exigência e da responsabllldl- de de cada hora mortal. Longe de estar à sua altura. sei entretan- to que na reivindicação sou reivindicado e ql” M "Wimmfbmd" de me e permitido responder; e sei quem fala e quem exige um¡ resposta. Não saberia dizer muito mais. Se 'isto for religião. então eh é simplesmente tudo. o tudo singelo. vivido» D¡ N¡ Wmhmd** de diálogo. m bg ' para as mais altas fonnas da reli- giao. cp: : qulapnrllgutuersgg e com isto , não te afastaadestatua ma_ mas, pelo contrário, _éjustamentcna prece william# mento se refere a ela, nem que seja apenas pit¡ OH. “°_K¡'1É¡. ?§ÊÊ'¡"S também no inaudito e no surpreendente, quando. d# _se_ eliminado, és requisitado, eleito, investido de podem: erra, a; à ti. com este_ teu Wifi? ? 531.14! ¡n°331! 9"'. 'eua-E o “ré este instante não esta disto excluído, ele se apõil ng_ 036!_ foi e acena ao que ainda resta pot Viver: t". --ó-vm_ uma plenitude sem compromisso. tu é¡ revmdli? ! . .P2 culo de uma comunhão. 9. Quem Fala? A palavra nos e dirigida nos dano! d* 'M' 4'” "°' '°°'“°' ce. Mas quem fala? u¡ _nur_ a. mm locarmo! aqui ° "M" ° eon: :e; st: :: : do o fizssemos do interior daquela hora de- . v - v n, fomos 017595” ' “q'_"°°°' : isdvoacfieeaxfreãrtlxagtcãoubenglgam em que nao nos foi per- 47
  25. 25. mitido conservar nada de transmitido, nada de aprendido. nada de por nos mesmos imaginado. nenhuma ñapo de saber. hora em que fomos mergulhados na noite. Quando dela emergimos para uma vida nova e entao começa- mos a receber os signos, o que podemos saber de que - de quem no-los di? Somente o que nós mesmos experienciamoa. todas as vezes. atraves dos proprios signos. Se chamamos de Deus o emis~ sor desta linguagem. entao ele e sempre o Deus de um momento, um Deus do momento. Quero utilizam-ne agora de um exemplo canhestro, j¡ que nlo conheço nenhum apropriado. Quando compreendemos realmente uma poesia, tudo o que conhecemos do poeta e apenas aquilo que dele ticamos sa- bendo através deste poem - nenhuma erudiçío blogríñca é de valor para a compreensão pura da materia a aer compreendi- da: o Eu que no? interessa é o mjeito desta poesia singular. Mas quando lemos da mesma forma autêntica outras poesias deste poeta. unem-se então os seus sujeitos em toda a sua multiplicida- de, completando e conñrmando-se reciprocamente. para formar a única existencia polifonica da pessoa. Desta maneira. daqueles que dispensam os signos. dos que pronunciam as palavras na vida vivida. dos deuses do momento, constitui-se para nós, por identidade, o Senhor da voz. o Único. 10. Em ama : Embaixo 0 em cima e o embaixo estão ligados um-ao-outro. Amb- m walkman: : falar somos homenagem fall. : mlk». não sueplizegmas I palavra daquele que quer falar com Deus, sem tah( 9018,05. homens, extraviavse. a» Conta-se que um homem cheio de entusiasmo por Deus saiu certa vez dos dominios das criaturas e passou para o grande n. zio. Perambulou por aí. até chegar à porta do mistério, onde ba- teu. Do interior. veio-lhe a voz: "O que queres aqui? " "Eu pro- clamei louvores a ti, nos ouvidos dos mortais", disse ele, “mas eles estavam surdos para tnlm. Venho então a tua presença. para que tu próprio me escute: e me responder". "Volta para trás", veio a voz do interior. “aqui não há ouvido para ti. Mergulhei meu ouvir na surdez doa mortais". AjalamJcfâíddümmtc. dirigida por Deus envia o_ ho- mem ao espaço . da linguagem vivida, onde asvozes das criaturas , 48 paasanLumLperto da. outra e, tateando, conseguem alcançar, precigmentepno desenoontromseu parceirdetemo¡ ' "' ' I I. Responsabilidade 0 conceito da responsabilidade precisa ser recambiado. do campo da etica especializada, de um "dever" que flutua livre- mente no ar. para o domínio da vida vivida. &Mamma; sgmumdexiateonduzusugxcmndo verdadeiro. Responder a quê? Responder ao que nos acontece. que nos e dado ver. ouvir. sentir. Cada hora concreta. com o seu conteúdo do mundo e do destino, designada a cada pessoa. é linguagem para a atençao despertada. Para aquele que esta atento; pois não e preciso mais do que isto para iniciar a leitura dos signos que nos são dados. Como j¡ indiquei, é justamente por isso que é necessario todo o aparato da nossa civilização para preservar o homem deste des- pertar da atenção e das suas conseqüências. Pois o homem que esta atento não poderia mais "donúnar" de imediato a situação que se lhe apresenta neste instante, como o faz de costume: seria exigido dele que a abordasse e nela se lntroduzisse. E para tanto nada lhe ajudam que acreditam possuir de sempre utilizlvel, nenhum conhecimento e nenhuma técnica. nenhum sistema e nenhum programa. pois agora ele estaria lidando com o não clas- sificavel, justamente com a própria concreção. %. @@3.Jm. dns= uuons. kumi. mm6§9 Espera-ae então do homem que está atento que enfrente com firmeza o ato da criaçlo. Este ato acontece na forma da pa- lavra, não da palavra que passa voando sobre nossas cabeça. III” de uma palavra que é dirigida precisamente a ele; e se um indivi- duo perguntasse a um outro se ele também est¡ ouvindo t 6m respondesse añrmativamente, teriam eles concordado somente sobre uma experiência e não sobre algo experlendado. Entretanto, os sons pelos quais e constituida a palm-I - t0' pito isto a ñm de afastar um mal-entendido ainda poarfvel. q"? t consiste em crer qu; esteja me referindo a algo extraordinário. ( de dimensões sobrenaturais - slo os aconteciam? ? 4° J no da pessoa. É neles. como slo 330m “Find” W P°q“°' nos”, que nos e dirigida a palavra e 8411010' q” 31° M” 9°' grandes não fomecem rimos ¡ruim! 90° 0° WW'- 49

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