Thales Guaracy


           O sonho brasileiro

Como Rolim Adolfo Amaro criou a TAM e sua filosofia de negócios
Contra- Capa:




   Este é o relato sem retoque de uma das mais
impressionantes trajetórias do cenário empresarial
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Orelha do Livro Impresso:

       O legado de Rolim Adolfo Amaro apenas agora começa a ser
 completamente compreendido. O ...
Orelha do Livro Impresso:




Thales Guaracy nasceu em 15 de março de 1964. Foi editor de
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“Eu Começaria minha biografia com uma exclamação de Napoleão:
            ‘Ah! Que belo livro daria minha vida’ “
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Sumário

      UM HOMEM E SUAS BIOGRAFIAS (UMA NOTA DO AUTOR) ...............................................................
Agradecimento
 Para escrever este livro, tive de ouvir dezenas de pessoas, tão diferentes
   quanto as relações de Rolim: ...
Um homem e suas Biografias (uma nota do autor)

 O comandante Rolim Adolfo Amaro, dono da TAM, tinha uma paixão
  particul...
tratamento respeitoso ao qual estava habituado, mesmo exagerado para
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Com essa trajetória, que dizia ser a mais difícil, porém de sucesso mais
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Este é o relato sem retoque de uma das mais impressionantes trajetórias do cenário empresarial brasileiro, a do comandante Rolim Adolfo Amaro. De autoria do jornalista e romancista Thales Guaracy, O sonho brasi­leiro acompanha a intimidade e a vida pro­fissional de um administrador carismático e visionário. Protagonista da história econô­mica do país, Rolim dava supremo valor ao ser humano e ao que julgava essencial a seu sucesso: sonhar.

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O sonho brasileiro thales guaracy

  1. 1. Thales Guaracy O sonho brasileiro Como Rolim Adolfo Amaro criou a TAM e sua filosofia de negócios
  2. 2. Contra- Capa: Este é o relato sem retoque de uma das mais impressionantes trajetórias do cenário empresarial brasileiro, a do comandante Rolim Adolfo Amaro. De autoria do jornalista e romancista Thales Guaracy, O sonho brasileiro acompanha a intimidade e a vida profissional de um administrador carismático e visionário. Protagonista da história econômica do país, Rolim dava supremo valor ao ser humano e ao que julgava essencial a seu sucesso: sonhar. [2]
  3. 3. Orelha do Livro Impresso: O legado de Rolim Adolfo Amaro apenas agora começa a ser completamente compreendido. O menino pobre que foi caminhoneiro, vendedor de bebidas, mecânico, dormiu embrulhado em jornais e viveu de restos de comida não se tornou apenas o piloto que sonhava. Com a TAM, imprimiu sua marca não só no setor da aviação como no mundo dos negócios no Brasil, e mesmo no exterior, onde multinacionais mantiveram um olho de curiosidade e aprendizado no que fazia o comandante brasileiro. A TAM se transformou em exemplo num tempo em que o Brasil apenas começava a ganhar com a competitividade e a preocupação com o cliente, o deus de Rolim. Mais, Rolim deixou o traço do líder carismático, vibrante, entusiasta, comprometido com o sucesso, que fez a si mesmo porque não teve medo. E do empresário cuja história se confundiu com a modernização do setor aéreo e da própria economia brasileira, em sua transição da ditadura econômica estatizante para um país que fez a opção pelo progresso por meio de um regime de mercado. Construiu sua carreira na maior parte do tempo lutando contra a arbitrariedade do poder constituído, fazendo o que achava correto, até que isso viesse a prevalecer, sem fazer concessões. A herança de ideais e princípios deixada por Rolim não foi resultado de estudos, mas da sua prática. Seu regime de vida, que o levava a se deitar e levantar cedo para estar na TAM antes do dia clarear, dava-lhe autoridade ainda para defender uma ética rigorosa de trabalho. E colocar-se ao lado da brasilidade, mesmo quando contra o governo, como a dizer que estava ao seu lado o verdadeiro espírito nacional. O mesmo espírito que o levou em 1996 a pintar os aviões da TAM com a frase "Orgulho de ser brasileira". [3]
  4. 4. Orelha do Livro Impresso: Thales Guaracy nasceu em 15 de março de 1964. Foi editor de Assuntos Nacionais de Veja, editor executivo da revista Exame e do jornal O Estado de S. Paulo. além de diretor editorial da edição brasileira da revista Forbes, de Gula e Viver Bem, entre outras publicações. Desde 2001 vem se dedicando a escrever livros. Como romancista, é autor de O homem que falava com Deus (Editora Arx) e Filhos da terra (Mandarim), além do infanto-juvenil Na terra do engano (Arx-Jovem) e do infantil Liberdade para todos (Editora Moderna). Agora, com O sonho brasileiro, retorna ao jornalismo para escrever a biografia do comandante Rolim Adolfo Amaro. “ [4]
  5. 5. “Eu Começaria minha biografia com uma exclamação de Napoleão: ‘Ah! Que belo livro daria minha vida’ “ Rolim Adolfo Amaro [5]
  6. 6. Sumário UM HOMEM E SUAS BIOGRAFIAS (UMA NOTA DO AUTOR) ............................................................................................................................................ 8 1. O SONHO SECRETO ........................................................................................................................................................................................ 16 2. VOO SOBRE A SELVA ...................................................................................................................................................................................... 41 3. AS PESSOAS E OS NEGÓCIOS .......................................................................................................................................................................... 79 4. COMANDANTE NA TORMENTA ................................................................................................................................................................... 108 5. TUDO OU NADA ........................................................................................................................................................................................... 174 6. O TAPETE MÁGICO ....................................................................................................................................................................................... 216 7. NUMBER ONE .............................................................................................................................................................................................. 300 8. ONDE O HOMEM SE SENTE MAIS LIVRE ....................................................................................................................................................... 369 “ASSIM É QUE SE FAZ NEGÓCIO” ........................................................................................................................................................................ 409 “NADA SUBSTITUI O LUCRO” ............................................................................................................................................................................. 429 ROLINIANAS .................................................................................................................................................................................................. 437 [6]
  7. 7. Agradecimento Para escrever este livro, tive de ouvir dezenas de pessoas, tão diferentes quanto as relações de Rolim: seus familiares, funcionários da TAM de todos os escalões, consultores, banqueiros, capitães de indústria, executivos, políticos, jornalistas, fazendeiros, aviadores, músicos. Além de passageiros das suas empresas e gente que encontrou por acaso. Entre os entrevistados, estão não só amigos de Rolim, como concorrentes e adversários, que colocaram o valor humano acima da rivalidade. A todos esses colaboradores e amigos — entre os quais destaco o escritor Fernando Morais —, que verão muito de si neste trabalho, devo minha gratidão. Fica minha dívida sobretudo com Adriana Conti, que gentilmente me cedeu todo o material gravado por ela com Rolim, sem esperar outra recompensa além de contribuir com a memória do comandante. Precisei ainda consultar centenas de cartas, documentos, fotografias, livros e outras publicações sobre Rolim e a TAM. Fico grato a todas as pessoas e instituições que colocaram seus arquivos à minha disposição, em especial Miguel Pacheco Chaves, que cedeu seu precioso trabalho como fotógrafo ao lado de Rolim, e o Departamento de Documentação da Editora Abril, o Dedoc. Deixo meu reconhecimento à TAM por ter aberto suas portas incondicionalmente para a reportagem, a Mauro Guimarães, a quem este livro deve sua existência, e à família de Rolim, pela compreensão e ajuda sem o desejo ou o sentido da interferência. [7]
  8. 8. Um homem e suas Biografias (uma nota do autor) O comandante Rolim Adolfo Amaro, dono da TAM, tinha uma paixão particular por biografias. Autodidata que não completou o primeiro grau, era um leitor ávido e profundamente interessado na história dos grandes homens do passado, dos quais retirava, assim como daqueles que conhecera pessoalmente, lições de sabedoria. Gostava em especial de Napoleão. Lera tudo o que havia sido publicado a respeito do general imperador. Nas suas passagens por Paris, nunca deixava de visitar o Hospital dos Inválidos, onde está, sob um domo dourado, a tumba do extraordinário herói nacional da França. Na sala de reuniões da TAM, ao lado de seu gabinete com paredes de lambris, figuravam vários retratos de Napoleão e uma extensa e minuciosa árvore genealógica da família Bonaparte. Entre projetos mirabolantes que Rolim adorava inventar, muitos dos quais acabou realizando, estava o de comprar um iate para fazer uma romaria marítima de Santos até a ilha de Santa Helena, onde Napoleão morreu no exílio. Para Rolim, somente o livro podia retratar uma grande vida. No início dos anos 1990, quando já se considerava um homem realizado, e ameaçado por um tumor na garganta, chegou a pagar um jornalista de São Paulo por um período de dois anos para escrever sua história até ali. Ao final, contudo, acabou por superar o câncer. Quanto à biografia já escrita, não se deu por satisfeito. Em 1994, depois de ler o perfil que eu fizera dele para uma revista da Editora Abril, chegou a me mostrar o calhamaço, retirado de uma gaveta na antiga sede do táxi aéreo, onde ainda teimava em "despachar, apesar de a TAM já ser uma grande empresa aérea. E me fez um pedido, com o [8]
  9. 9. tratamento respeitoso ao qual estava habituado, mesmo exagerado para os meus 28 anos de idade à época. — Doutor, leia isso aí e me explique por que eu não gosto. Fiz o que pedia. O texto era uma coleção de histórias, episódios do passado aventuresco de Rolim como aviador. Ele, de fato, tinha muito o que contar nessa área. Carregava uma cicatriz sob o cabelo cuidadosamente implantado, herança de um acidente do qual escapara com vida por um triz. Começara a ganhar dinheiro pilotando monomotores na selva. Andara armado, convivera com índios, empresários pioneiros, vira pilotos como ele morrerem de maneira trágica. Parecia um milagre que Rolim tivesse simplesmente sobrevivido, mas era pouco descrevê-lo como um aventureiro. Fizera-se sozinho, como uma versão brasileira do sonho americano. De piloto de monomotor que dormia embrulhado em jornais para escapar ao frio, contava em 1994 13 jatos Fokker-100 em sua frota. Sua empresa transportava 1,6 milhão de passageiros ao ano e faturava 240 milhões de dólares. Vencera no negócio mais difícil do mundo, uma atividade altamente dependente de capital (para comprar aviões), de gente (no atendimento), de energia (o combustível). Todos fatores que isolados já caracterizariam uma empresa de alto risco. E não era tudo. Rolim abrira seu caminho num país onde a aviação, tornada ultradependente do poder público, sempre subsistira à sombra de favores e negociatas. No entanto, fizera-o a seu modo, pelo caminho inverso. Lutara contra o poder arbitrário no terreno econômico. Associara seu progresso à bandeira da liberdade de empresa, ao culto ao cliente e à devolução do dinheiro que a sociedade lhe entregava na forma de pagamento de impostos e da prestação de serviço honesto, a partir de uma empresa que se orgulhava do seu lucro. [9]
  10. 10. Com essa trajetória, que dizia ser a mais difícil, porém de sucesso mais duradouro quando alcançado, Rolim já em 1994 era um astro do empresariado brasileiro, reconhecido como um empreendedor original, lutador e ousado. Premiado, convidado para palestras, cortejado pelos bancos que outrora lhe davam piparotes, bajulado pelo poder, era também um homem controvertido. Uns o chamavam de "marqueteiro", como se a imagem que construíra não tivesse tanto conteúdo, ou Rolim fosse somente um obcecado pela autopromoção. A imprensa também explorava seu lado caipira, expondo como extravagância o gosto pela música sertaneja, seus ditados às vezes polêmicos e sua paixão declarada por tudo o que dizia respeito ao sexo feminino. Rolim era um homem que apreciava os paradoxos. Tanto fora perseguido no golpe de 1964 como subversivo quanto seria, mais tarde, expoente do liberalismo mais radical. Fez-se amigo igualmente de líderes de esquerda como Luiz Inácio Lula da Silva e ditadores de extrema direita como o general Hugo Banzer, da Bolívia, e Alfredo Stroessner, do Paraguai. Personagem carismático, visionário dos negócios, administrador esperto, criador célebre de aforismos, participante ativo da história econômica do país, Rolim era ainda um sedutor. Cativava amigos instantaneamente, das pessoas simples que achava nos bares em suas viagens de motocicleta a reis e vendedores de armas. Sabia, como poucos, alimentar a mitologia que corria em torno de si mesmo. E tinha apenas 50 anos. Com a certeza de que faria muito mais, Rolim se deixou convencer de que o melhor era adiar sua biografia. Ficou no ar a idéia de que eu, algum dia, viesse a escrevê-la. Em 1995, fui

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