Aula concordância verbal e nominal

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Aula concordância verbal e nominal

  1. 1. CONCORDÂNCIA VERBAL E NOMINAL * Concordância Verbal A Concordância Verbal é a que diz respeito aos verbos, também podendo (como ocorre com a concordância nominal) ser regular ou irregular. Concordância Verbal regular é aquela em que o verbo concorda em número e pessoa com o seu sujeito, venha ele claro ou subentendido. Exemplos: Tu tinhas razão quando falaste. Nós precisamos voltar aqui. Carlos e Pedro saíram juntos. A maior parte dos sócios deste clube é rica. (“é” concorda com o núcleo do sujeito: “parte”)
  2. 2.  Concordância Verbal irregular é a que se dá por atração ou por elipse de número ou de pessoa (também chamada de concordância ideológica). Exemplos:  A maior parte dos sócios deste clube são ricos (“são” concorda, por atração, com “sócios”, que não é o núcleo do sujeito).  Coisa curiosa é criança em dia de chuva: como ficam irrequietos! (= silepse de número → “ficam” não concorda com “criança” e sim com uma ideia coletiva: eles ficam irrequietos).
  3. 3. Os brasileiros somos um povo esperançoso (=silepse de pessoa → “somos” não concorda com “brasileiros”, mas com o pronome pessoal “nós”, que está elíptico: nós, os brasileiros, somos...).
  4. 4. CASOS ESPECIAIS DE CONCORDÂNCIA → O sujeito, sendo simples, com ele concordará o verbo em número e pessoa. Exemplos:  As saúvas eram uma praga.  Acontecem tantas desgraças nesse planeta!  Por dia, bastam quinze minutos de exercícios.  Apareceram as fórmulas salvadoras.  Surgiram, após acalorada discussão, boas soluções.
  5. 5. → O sujeito, sendo composto e anteposto ao verbo, leva geralmente este para o plural: Exemplos: A esposa e o amigo seguem sua marcha. O Céu e a Terra passarão.
  6. 6. Porém é lícito (mas não obrigatório) deixar o verbo no singular:  Quando os núcleos do sujeito forem sinônimos. Exemplos:  A decência e a honestidade ainda reinava.  A calma e a tranquilidade paira naquele ambiente.  Quando os núcleos do sujeito formarem sequência gradativa. Exemplo:  Uma ânsia, uma aflição, uma angústia repentina começou a me apertar a alma.
  7. 7. → O sujeito, sendo composto e posposto ao verbo, esse poderá ir para o plural ou singular. Exemplos:  Bateram à nossa porta um mendigo e seu filho. (concordância regular)  Reinavam a paz e o silêncio ali. (concordância regular)  “Passará o Céu e a Terra, mas minhas palavras não passarão.” (concordância irregular, por atração)  Chegou Paulo e o seu irmão. (concordância irregular, por atração)
  8. 8. → O sujeito, sendo composto por pronomes pessoais de pessoas diferentes, leva o verbo para o plural, concordando com a menor pessoa (numericamente falando). Exemplos: Eu (1ª) e tu (2ª) vamos ao cinema. (verbo = 1ª pessoa do plural) Tu (2ª) e ele (3ª) sois bons amigos (verbo = 2ª pessoa do plural)
  9. 9. OBSERVAÇÃO: Na linguagem coloquial, se aceita a construção – “Tu e ele são bons amigos” – porque o conjunto tu + ele equivale ao pronome de tratamento vocês.
  10. 10. → O sujeito, sendo composto e ligado por “ou” ou “nem”, leva o verbo para o singular ou para o plural, conforme haja ideia de ação individual (exclusivamente) ou de ação conjunta (alternância). Exemplos:  A neve no inverno ou o sol tropical atraem os turistas. (ação conjunta: os dois atraem).  Pedro ou Luís receberão a resposta, pois ambos devem saber a verdade. (ação conjunta)
  11. 11.  Nem as greves nem a recessão preocuparam o ministro. (ação conjunta: as duas não preocuparam)  O pai ou o filho será escolhido presidente da fábrica. (ação individual: somente um será o presidente.)  Pedro ou Luís receberá a resposta, pois não quero responder a ambos. (ação individual)  Nem João nem Marcos será o juiz da partida. (ação individual)
  12. 12. OBSERVAÇÕES →A expressão “um ou outro” pede o verbo no singular. Exemplos:  Um ou outro pássaro chilreava ao amanhecer.  Uma ou outra estrela brilhava no firmamento. → A expressão “nem um, nem outro” também pede o verbo no singular. Exemplo:  Suspeitava-se que nem um, nem outro disse a verdade.
  13. 13. → A expressão “mais de um” pede verbo no singular, a não ser que esteja repetida ou haja ideia de reciprocidade. Exemplos:  Mais de um orador fez alusão ao aniversário do jornal.  Mais de um povo, mais de uma nação foram arrasados nessa guerra. (repetição)  Mais de um voluntário, corajosamente, deram- se as mãos nessa causa. (reciprocidade)
  14. 14. Verbos HAVER e FAZER O verbo haver (com o sentido de existir) e fazer (indicando tempo) são impessoais; não devem concordar, portanto, com as expressões que os acompanham. Exemplos:  Houve vários debates sobre o assunto.  Havia candidatos despreparados.  Na Bahia, faz verões quentíssimos.  Fez dois anos que ele se formou.
  15. 15. OBSERVAÇÕES: →Numa locução verbal com esses dois verbos, o auxiliar assume as características de impessoalidade do principal. Exemplos:  Deve haver coisas erradas. (Deve = auxiliar; haver = principal; deve haver = sentido de existir, portanto é impessoal).  Está fazendo dois anos que ela nasceu. (Está = auxiliar; fazendo =principal; está fazendo = indica tempo, portanto é impessoal)
  16. 16. →Já numa locução verbal com verbo pessoal em que o auxiliar é o verbo haver, este se flexiona de acordo com seu sujeito. Exemplos:  Há de surgir uma pessoa interessada. (Há = auxiliar; surgir = principal)  Hão de surgir pessoas interessadas. (Hão = auxiliar; surgir = principal)  Havia aparecido uma mancha de óleo no mar. (Havia = auxiliar; aparecido = principal)  Haviam aparecido manchas de óleo no mar. (Haviam = auxiliar; aparecido = principal)
  17. 17. → O verbo haver com sentido de existir é impessoal, mas o verbo existir não o é. Exemplos:  Há coisas mais sérias a pensar.  Existem coisas mais sérias a penar.  Havia plantas venenosas neste lugar.  Existiam plantas venenosas neste lugar.
  18. 18. → O verbo haver com sentido de comportar- se é pessoal, flexionando-se. Exemplo:  Eles se houveram com dignidade. (eles se comportaram com dignidade)
  19. 19. VOZ PASSIVA PRONOMINAL Em construções do tipo “vendem-se casas, consertam-se calçados, aluga-se um apartamento”, o verbo deve concordar com a expressão que o acompanha, porque ela é o seu sujeito. Se essa expressão, entretanto, vier precedida de preposição, ela não será sujeito e não teremos voz passiva. Assim, por exemplo, na expressão “vendem-se casas”, a palavra “casas” é sujeito. A frase deve ser entendida assim: “Casas (sujeito) são vendidas.”
  20. 20. Observações: → Se o termo que acompanhar o verbo vier preposicionado, não haverá sujeito (porque o sujeito não pode ser preposicionado); o verbo ficará no singular e a voz não será passiva. Exemplos:  Precisa-se de operários.  Necessita-se de secretárias.  Aqui se assiste a bons filmes.  Lá se obedece às autoridades.
  21. 21. Nestes exemplos o “se” é índice de indeterminação do sujeito, e a expressão preposicionada é objeto indireto.
  22. 22. →Atenção! Às vezes, aparece, junto ao verbo, uma expressão preposicionada, estando, porém, o sujeito mais afastado. Exemplos:  Viam-se, além do horizonte, muitos pontos luminosos.  (Muitos pontos luminosos eram vistos além do horizonte.)  Observavam-se, daquele local, os lances da luta.  (Os lances da luta eram observados daquele local.)
  23. 23. SUJEITO COMO EXPRESSÃO FRACIONÁRIA Sempre que a expressão for inferior a duas unidades o verbo ficará no singular. Exemplos:  É uma hora e cinquenta e oito minutos.  Um salário e meio parece pouco, não achas?
  24. 24. VERBOS DAR, BATER, SOAR Os verbos dar, bater, soar e sinônimos concordam com o sujeito, seja ele o número que indica as horas ou outra expressão. Exemplos:  Deram dez horas.  Deu uma hora.  O relógio deu dez horas.  Batiam seis badaladas no sino. (no sino = adjunto adverbial de lugar)  O sino batia seis badaladas. (o sino = sujeito)
  25. 25. LOCUÇÃO DE REALCE É QUE Nas frases em que ocorre a locução expletiva é que, o verbo concorda com o substantivo ou o pronome que a precede, pois são eles efetivamente o seu sujeito. Exemplos:  Os efeitos é que foram diversos.  Eu é que não posso cuidar dos problemas dele.
  26. 26. Observação: A locução de realce “é que” é invariável e vem sempre colocada entre o sujeito da oração e o verbo a que ele se refere. Exemplo:  José é que trabalhou, mas os irmãos é que usufruíram sua riqueza.
  27. 27. SUJEITO COM PLURAL APARENTE Sujeitos formados por nomes plurais de lugares e obras artísticas são tratados como singular se não vierem precedidos por artigo. Se lhes antecede o artigo, o verbo o acompanhará, fazendo-se singular ou plural de acordo com o artigo. Exemplos: Estados Unidos é um país rico. Os Estados Unidos são um país rico.
  28. 28. SUJEITO RESUMIDO POR UM PRONOME INDEFINIDO (APOSTO RESUMITIVO) Quando os sujeitos são resumidos por um pronome indefinido (tudo, nada, ninguém etc.), o verbo fica no singular, em concordância com esse pronome. Exemplos:  A pasta, a caneta, o fichário, o documento, TUDO pertence ao meu colega de firma.  O diretor, o professor, os alunos, NINGUÉM faltou à aula hoje.
  29. 29. VERBO SER Casos em que a concordância é facultativa Exemplos:  O perigo seria as febres.  O perigo seriam as febres.  Na vida, nem tudo é flores.  Na vida, nem tudo são flores. Na primeira frase de cada exemplo, o verbo concorda com o sujeito; na segunda, o verbo vai para o plural, concordando com o predicativo.
  30. 30. → O verbo ser, nas indicações de hora, data ou distância, concorda com a expressão numérica. Esse caso vai aparecer sempre que não houver sujeito ( o verbo ser é impessoal) : a concordância, então, será feita obrigatoriamente com o predicativo. Exemplos:  São cinco horas da madrugada.  Hoje são quinze de abril.  São sete horas.  É meio-dia.  Que horas são?  Amanhã será primeiro de maio.
  31. 31. Observe, porém:  Hoje é dia quinze de abril. (A palavra dia vem expressa –é predicativo –, e o verbo concorda com ela.) → Nas expressões é muito, é pouco, é mais de, é tanto, especificando preço, peso ou quantidade, o verbo vai para o singular. Exemplos:  Duas semanas não é muito para quem tanto esperou.

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