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Climatério
Alfredo Vicente da Costa Reis Filho
Belém-Pará
2014
GOVERNO DO ESTADO DO PARÁ
UNIVERSIDADE DO ESTADO DO PARÁ
CENTRO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E DA SAÚDE
GRADUAÇÃO EM MEDICINA
INTERNATO DE SAÚDE DA MULHER
Introdução
Tendência ao envelhecimento populacional: 14% em
2025
Aumento da expectative de vida
Insuficiência dos recursos e sua distribuição
Definições
 Climatério: transição do período reprodutivo (ovulatório) para o não-
reprodutivo. Essa fase é caracterizada por alterações menstruais, fenômenos
vasomotores, alterações físicas, ósseas, cardiovasculares e psicológicas, não
apresentando limite definido de tempo.
 A perimenopausa: início dos sintomas climatéricos até 12 meses após o
término das menstruações.
 A menopausa diagnóstico retrospectivo, caracterizado por amenorreia por
mais de 12 meses. Geralmente ocorre entre os 40 e 51 anos de idade.
Definições
Características Pré-menopausa Transição menopausal Pós-menopausa
Perimenopausa (até 1 ano
após parada dos ciclos)
Precoce Tardia
Duração Variável Variável 4 anos Variável
Ciclos menstruais Regulares Irregular Ausente
FSH Normal Normal ou elevado Elevado
Sintomas principais Ausente Alterações menstruais;
sintomas vasomotores
Sintomas vasomotores; atrofia
geniturinária
Alterações teciduais
Alterações teciduais
 1. Endométrio Inicialmente, no climatério, em razão dos ciclos anovulatórios, o estímulo
estrogênico pode ser prolongado sem a contraposição da progesterona, levando a
sangramentos mais profusos. Tardiamente, a produção estrogênica também decai, levando à
amenorreia ou sangramentos por atrofia endometrial.
 2. Epitélio geniturinário: O hipoestrogenismo resulta em atrofia do epitélio vulvovaginal e
urogenital, com consequente alteração do pH vaginal, facilitando ocorrência de
vulvovaginites.
 3. Sistema nervoso central e simpático: as ondas de calor ocorrem por disfunção do centro
termorregulatório pela falta de estrogênio em nível hipotalâmico. A alteração da libido tem
fatores complexos, entre eles fadiga e estresse, atrofia geniturinária, diminuição dos níveis de
testosterona, disfunção sexual, depressão, baixa autoestima, entre outros. Outros sintomas
comuns são insônia, sono entrecortado, irritabilidade, ansiedade, alteração de humor,
labilidade emocional, depressão, dificuldade de concentração e memorização
Alterações Teciduais
 4. Ossos:, a reabsorção excede a produção óssea, levando a perda anual de 3 a 5% da
massa óssea nos primeiros anos, podendo continuar com taxas de perda de 1 a 2% ao ano.
 5. Sistema cardiovascular: o estrogênio tem impacto favorável no perfil lipídico (aumento do
HDL e diminuição do colesterol total e LDL), aumento dos níveis de prostaciclinas e óxido
nítrico (vasodilatadores e inibidores da agregação plaquetária), vasodilatação por
mecanismos independentes do endotélio (diminui os níveis de ECA e renina), inotropismo
positivo no coração, diminuição da resistência insulínica, atividade antioxidante, ação pró-
fibrinólise, inibição do crescimento e migração do músculo liso vascular (impede o
espessamento da íntima vascular), proteção para lesões endoteliais, inibe a transformação
dos macrófagos em células espumosas, reduz os níveis de homocisteína.
Anamnse
 Consulta:
 Sem intercorrências
 Com intercorrências
 Síndrome Climatérica:
 1. Neurogênicas: ondas de calor (fogachos), sudorese, calafrios, insônia,
palpitações, cefaleia, tonturas, parestesias.
 2. Distúrbios menstruais: sangramento uterino disfuncional (menorragia,
metrorragia, hipermenorreia, amenorreia).
 3. Psíquicas: depressão, ansiedade, irritabilidade.
Anamnese
 4. Sistêmicas: osteoporose, aterosclerose, alteração no metabolismo lipídico (queda do HDL
e elevação do LDL-colesterol).
 5. Urogenitais: vulvovaginite atrófica, prurido vulvar, síndrome uretral (disúria, frequência,
urgência e noctúria sem infecção por micro-organismo), incontinência urinária de esforço,
prolapsos genitais.
 6. Sexuais: diminuição da libido, secura vaginal, dispareunia, sangramento pós-coital,
corrimento vaginal.
 7. Osteomusculares: artralgia, mialgia.
 8. Dermatológicas: atrofia epidérmica.
Exame Físico
 IMC + Circunferência Abdominal
 Exame Físico Geral
 Palpação da tireóide
 Edemas
 Avaliação Mamária
 Expressão papilar
 Palpação das axilas
 Inspeção da vulva:
 Trofismo, coloração e adelgaçamento
 Distopias, Roturas Perineais
 Exame Especular
Exames complementares
 Dosagens hormonais: FSH, LH, estradiol e progesterona.
 Beta-HCG
 Glicemia de jejum
 Hemograma completo
 Perfil lipídico: doenças cardiovasculares
 Colpocitologia oncótica: screening do câncer de colo uterino, na menopausa pode ser avaliado também o
índice de maturação celular.
 Colposcopia e vulvoscopia: avaliação de queixas vulvovaginais.
 Pesquisa de sangue oculto nas fezes: rastreamento para o câncer colorretal.
Exames Complementares
 Ultrassonografia pélvica e transvaginal: realizada para avaliar patologias uterinas e ovarianas, e,
principalmente nesse período, avaliar a espessura endometrial na triagem do carcinoma endometrial.
 Mamografia bilateral: prevenção secundária do câncer de mama; entre os 40 e 50 anos de idade, deve ser
realizada bianualmente e, após os 50 anos, anualmente. São considerados fatores de alto risco para
neoplasia:
 Lesão mamária proliferativa com atipia, comprovada por biópsia.
 Parentes de primeiro grau com câncer de mama antes dos 50 anos.
 Parente de primeiro grau com câncer de ovário ou de mama bilateral.
 História familiar de cÂncer de mama masculino.
 Densitometria óssea: avaliação, em longo prazo, da massa, permitindo detecção e tratamento precoces da
osteopenia grave e osteoporose, impedindo a ocorrência de complicações mais graves como fraturas
patológicas; obrigatória para pacientes com fatores de risco (ingesta inadequada de cálcio, dieta rica em
fosfatos, uso prolongado de corticoides ou heparina, hiperparatireoidismo, insuficiência renal crônica,
alcoolismo, sedentarismo, entre outros) para osteoporose. Convém solicitá-la no diagnóstico de
menopausa e 2 anos após, a fim de estabelecer o padrão de perda óssea da paciente.
Diagnósticos Diferenciais
 Ondas de calor:
 Hipertireoidismo :constantes e acompanhadas de sudorese;
 Feocromocitoma: cefaleia pulsátil, palidez cutânea e elevação da PA;
 disfunção límbica: graus variados de ansiedade e depressão.
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 doenças benignas: miomatose uterina, pólipos intracavitários ou cervicais, gestação e
endometriose.
 patologias malignas: câncer do trato reprodutivo (cervical, endometrial e anexial), hiperplasia
endometrial e mola.
 Medicações: ansioliticos, antidepressivos e anticoagulantes, DIU e TRH.
Terapia de Reposição
Hormonal
Guilherme Rocha Junior
Belém-Pará
2014
GOVERNO DO ESTADO DO PARÁ
UNIVERSIDADE DO ESTADO DO PARÁ
CENTRO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E DA SAÚDE
GRADUAÇÃO EM MEDICINA
INTERNATO DE SAÚDE DA MULHER
Referencial Teórico
 Proj. Diretrizes AMB-CFM: Climatério – Atenção Primária e Terapia Hormonal (2008)
 Guia da Disciplina de Endocrinologia (UNIFESP): Terapia de Reposição Hormonal em
Mulheres na Pós-Menopausa (BONDUKI et al, 2001)
 Biblioteca Cochrane: Long term hormone therapy for perimenopausal and
postmenopausal women (MARJORIBANKS, 2012); Hormone therapy in
postmenopausal women and risk of endometrial hyperplasia (FURNESS et al, 2012).
 Scielo: Climatério e Terapia de Reposição Hormonal – Uma Revisão da Literatura
(NAKAOKA et al, 2013)
Introdução
 Processo de envelhecimento: Queda nos níveis hormonais
 Quadro clínico:
- Atrofia da mucosa vaginal
- Osteoporose com risco de fraturas
- Perda da libido
- Distúrbios do sono
- Hipertrigliceridemia e Alteração do Perfil LDL/HDL
 1940 - 2002: Série de estudos avaliando risco-benefício
“TRH promove a proteção contra doenças cardiovasculares (por melhorar o
perfil lipídico) e previne a osteoporose e o desenvolvimento de doenças
neurológicas, como Alzheimer.”
 Women’s Health Initiative (WHI), em 2002:
- Aumento da incidência de câncer de mama
- Aumento dos eventos cardiovasculares
Introdução
 FEBRASGO-AMB:
“A TRH é eficaz no tratamento dos sintomas neurovegetativos,
neuroendócrinos e urogenitais. Assim, define-se que: quando houver
sintomas, existe indicação para o uso de TRH, pelo menos por curto período;
no entanto, esta não deverá ser prescrita na existência de alguma
contraindicação ou se a paciente, apesar de adequadamente informada, optar
por não usá-lo. Sendo assim, o uso da TRH será individualizado caso a caso,
baseado em comum acordo entre o médico e a paciente, em conformidade
com os riscos e benefícios particulares da mulher”.
Introdução
Indicações
 Síndrome do Climatério com Sintomatologia Pronunciada
 Proteção e manutenção da Saúde Mental e Sexual
 Prevenção da atrofia urogenital e tegumentar
 Prevenção da osteoporose
 Prevenção primária dos distúrbios coronarianos*
- A análise individualizada é fundamental
- Grandes controvérsias
Long Term Hormone Therapy for Perimenopausal and
Postmenopausal Women
 Vinte e três estudos
 42.830 mulheres americanas
 WHI (1998) e HERS (1998): 70% das informações
 Idade média: 60 anos
Terapia hormonal não está indicada na prevenção primária ou secundária
de doenças cardiovasculares ou demência, em mulheres pós-menopausa.
Indicações
Contra-Indicações
Situações Clínicas
 Câncer Colorretal
- Redução observada de 37% na incidência (WHI, 1998)
 Câncer de Endométrio
- Risco de 6 a 8 vezes maior nas que usam estrogênio não-combinado
- Combinados: não foi encontrada diferença na incidência (WHI, 1998)
 Câncer de Ovário
- Não está bem estabelecido
- Risco aumentado em mulheres em uso prolongado de estrogênio não
combinado
 Câncer de mama: evidências pouco consistentes
- Em até 5 anos de uso: risco não se eleva de maneira significativa
- WHI: Em um grupo a TRH foi suspensa por elevar em 26% o risco
 Trombose Venosa
- WHI: Risco 2x maior nas usuárias de TRH
- HERS (Heart and Estrogen/progestin Replacement Study): Risco 3x maior
nas usuárias de TRH
Situações Clínicas
Terapia
 Considerações:
- Indicação individual, com avaliação dos riscos;
- Seguimento ambulatorial;
- Existe indicação quando existe sintoma;
- Avaliar contra-indicações;
- Paciente deve ser informada e consentir.
 Esquemas Cíclicos x Esquemas Contínuos:
Terapia
Cíclicos
• Continua menstruando
• Irregularidade menstrual na
pré-menopausa
Contínuos
• Após a menopausa
• Mioma, endometriose
• Não desejam menstruar
 Principais Vias:
- Oral, transdérmica, intramuscular, intrauterina, intranasal e vaginal;
 Quando a paciente apresenta útero funcionante, é fundamental a
associação com progestogênios, para proteção endometrial
- Evitar a hiperplasia/câncer endometrial
- Hormone therapy in postmenopausal women and risk of endometrial
hyperplasia (FURNESS et al, 2012)
Terapia
Terapia
Osteoporose
Kamilla Garcia
Belém-Pará
2014
GOVERNO DO ESTADO DO PARÁ
UNIVERSIDADE DO ESTADO DO PARÁ
CENTRO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E DA SAÚDE
GRADUAÇÃO EM MEDICINA
INTERNATO DE SAÚDE DA MULHER
INTRODUÇÃO
 Doença sistêmica
 Baixa massa óssea
 Deterioração micro-arquitetural do tecido ósseo
 Susceptibilidade à fraturas
INTRODUÇÃO
 Causa mais frequente: mulher pós menopausa
 Deficiência estrogênica
FATORES DE RISCO
 Idade
 Sexo Feminino
 Fraturas
 DMO colo do fêmur
 Tabagismo
 ↓ IMC
 Álcool
 Glicocorticoide oral
 Artrite Reumatóide
Fonte: National Osteoporosis Foundation,
2008
FATORES DE RISCO
 Maiores
o > 65 anos
o Fratura vertebral
o Fratura por fragilidade após 40
anos
o História familiar de fratura
osteoporótica
o Glicocorticoide > 3 meses
o Má absorção intestinal
o Hiperparatireoidismo primário
o Quedas frequentes
o Hipogonadismo
o Menopausa precoce
o Osteopenia na radiografia
Menores
o Artrite Reumatóide
o História de hipertireoidismo
o Anticonvulsivantes
o Baixa ingestão de cálcio
o Tabagismo
o Alcoolismo
o Ingestão excessiva de cafeína
o Peso inferior a 57Kg
o ↓ peso >10% em relação aos 25
anos
o Uso crônico de heparinaFonte: Sociedade de Osteoporose do Canadá
DIAGNÓSTICO
 Condição já estabelecida ou preventivamente
 Geralmente assintomática
 Dor óssea e redução da estatura
DIAGNÓSTICO
 Densitometria óssea
 Padrão ouro
 Coluna lombar L2 – L4 e trocânter femoral
 Prediz o risco futuro de fraturas
 Monitora a resposta terapêutica
Critérios densitométricos Z-score T-score
Normal <1 ≥ -1
Osteopenia 1 a 2,5 -1 a -2,49
Osteoporose ≥ 2,5 ≤ a -2,5
Fonte: Organização Mundial de Saúde
DIAGNÓSTICO
 Densitometria óssea – Indicações
 Pacientes do sexo feminino com idade ≥ 65 anos;
 Mulheres na transição menopausal com risco aumentado de fraturas,
como baixo peso ou, fratura anterior com mínimo trauma;
 Adultos com história de fratura após 50 anos de idade;
 Adultos com alguma condição clínica associada à osteoporose ou em
uso de medicação associada à perda de massa óssea (glicocorticoide ≥
5mg/dia por ≥ 3 meses);
 Mulheres em terapia de reposição estrogênica em que se deseja
interromper o tratamento;
 Avaliação da resposta terapêutica;
 Mulheres na perimenopausa que estejam cogitando usar terapia de
reposição hormonal, para auxiliar esta decisão.
Fonte: National Osteoporosis Foundation,
2008
TRATAMENTO
 Prevenção
 Medidas para evitar quedas
 Medidas que melhorem a visão
 Incentivo à atividade física
 Dieta Interrupção do tabagismo
 Interrupção de drogas que aumentem a perda óssea
TRATAMENTO
 Terapia de Reposição Hormonal
 Efeitos benéficos somente durante a terapia
 Indicada no início do climatério: sintomas vasomotores
 Não indicada para o tratamento da doença estabelecida
 Quando interrompida fazer controle da DMO
TRATAMENTO
 Moduladores seletivos de receptores de estrogênio – SERM
 Raloxifeno: efeito anti-reabsortivo ósseo
 Prevenção e tratamento da osteoporose da coluna vertebral
 Não recomendado para redução de fraturas não vertebrais
 Somente em mulheres sem sintomas vasomotores
TRATAMENTO
 Fitoestrogênios
 Isoflavonas: grãos de soja e derivados
 Sem estudos que atestem efeitos sobre redução de fraturas vertebrais e não
vertebrais
 Não recomendados para prevenção e tratamento da osteoporose
TRATAMENTO
 Bifosfonatos
 Fármacos anti-reabsortivos ósseos
 Coluna vertebral: alendronato, risedronato, ibandronato e zoledronato
 Fraturas não vertebrais: alendronato, risedronato e zoledronato.
TRATAMENTO
 Calcitonina
 Impede que cálcio se eleve em níveis acima dos fisiológicos
 Efeito analgésico
 Medicação de segunda linha
 Osteoporose pós-menopáusica e redução de fraturas vertebrais
TRATAMENTO
 Ranelato de estrôncio
 Ganho de massa óssea na coluna lombar e no fêmur
 Efeitos adversos: náuseas e diarréia nos primeiros meses de uso
TRATAMENTO
 Teriparatida
 Síntese de osso novo e ganho de massa óssea na coluna lombar e no colo do
fêmur
 Redução do risco de fraturas vertebrais e não vertebrais
 Mulheres pós-menopáusicas de alto risco
TRATAMENTO
 Cálcio e vitamina D
 ♀ > 50 anos: 1200mg de cálcio na dieta
 Suplementação de cálcio na impossibilidade
 800 – 1000 UI de vitamina D ao dia
 Não recomendado o tratamento isolado com cálcio e vitaminaD
 Uso complementar é fundamental para a remineralização óssea.
CONTROLE DA RESPOSTA
 Osteoporose pós-menopáusica sem outras causas secundárias
 Densitometria óssea a cada 2 anos
 Monitorizar o tratamento farmacológico

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  • 1. Climatério Alfredo Vicente da Costa Reis Filho Belém-Pará 2014 GOVERNO DO ESTADO DO PARÁ UNIVERSIDADE DO ESTADO DO PARÁ CENTRO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E DA SAÚDE GRADUAÇÃO EM MEDICINA INTERNATO DE SAÚDE DA MULHER
  • 2. Introdução Tendência ao envelhecimento populacional: 14% em 2025 Aumento da expectative de vida Insuficiência dos recursos e sua distribuição
  • 3. Definições  Climatério: transição do período reprodutivo (ovulatório) para o não- reprodutivo. Essa fase é caracterizada por alterações menstruais, fenômenos vasomotores, alterações físicas, ósseas, cardiovasculares e psicológicas, não apresentando limite definido de tempo.  A perimenopausa: início dos sintomas climatéricos até 12 meses após o término das menstruações.  A menopausa diagnóstico retrospectivo, caracterizado por amenorreia por mais de 12 meses. Geralmente ocorre entre os 40 e 51 anos de idade.
  • 4. Definições Características Pré-menopausa Transição menopausal Pós-menopausa Perimenopausa (até 1 ano após parada dos ciclos) Precoce Tardia Duração Variável Variável 4 anos Variável Ciclos menstruais Regulares Irregular Ausente FSH Normal Normal ou elevado Elevado Sintomas principais Ausente Alterações menstruais; sintomas vasomotores Sintomas vasomotores; atrofia geniturinária
  • 6. Alterações teciduais  1. Endométrio Inicialmente, no climatério, em razão dos ciclos anovulatórios, o estímulo estrogênico pode ser prolongado sem a contraposição da progesterona, levando a sangramentos mais profusos. Tardiamente, a produção estrogênica também decai, levando à amenorreia ou sangramentos por atrofia endometrial.  2. Epitélio geniturinário: O hipoestrogenismo resulta em atrofia do epitélio vulvovaginal e urogenital, com consequente alteração do pH vaginal, facilitando ocorrência de vulvovaginites.  3. Sistema nervoso central e simpático: as ondas de calor ocorrem por disfunção do centro termorregulatório pela falta de estrogênio em nível hipotalâmico. A alteração da libido tem fatores complexos, entre eles fadiga e estresse, atrofia geniturinária, diminuição dos níveis de testosterona, disfunção sexual, depressão, baixa autoestima, entre outros. Outros sintomas comuns são insônia, sono entrecortado, irritabilidade, ansiedade, alteração de humor, labilidade emocional, depressão, dificuldade de concentração e memorização
  • 7. Alterações Teciduais  4. Ossos:, a reabsorção excede a produção óssea, levando a perda anual de 3 a 5% da massa óssea nos primeiros anos, podendo continuar com taxas de perda de 1 a 2% ao ano.  5. Sistema cardiovascular: o estrogênio tem impacto favorável no perfil lipídico (aumento do HDL e diminuição do colesterol total e LDL), aumento dos níveis de prostaciclinas e óxido nítrico (vasodilatadores e inibidores da agregação plaquetária), vasodilatação por mecanismos independentes do endotélio (diminui os níveis de ECA e renina), inotropismo positivo no coração, diminuição da resistência insulínica, atividade antioxidante, ação pró- fibrinólise, inibição do crescimento e migração do músculo liso vascular (impede o espessamento da íntima vascular), proteção para lesões endoteliais, inibe a transformação dos macrófagos em células espumosas, reduz os níveis de homocisteína.
  • 8. Anamnse  Consulta:  Sem intercorrências  Com intercorrências  Síndrome Climatérica:  1. Neurogênicas: ondas de calor (fogachos), sudorese, calafrios, insônia, palpitações, cefaleia, tonturas, parestesias.  2. Distúrbios menstruais: sangramento uterino disfuncional (menorragia, metrorragia, hipermenorreia, amenorreia).  3. Psíquicas: depressão, ansiedade, irritabilidade.
  • 9. Anamnese  4. Sistêmicas: osteoporose, aterosclerose, alteração no metabolismo lipídico (queda do HDL e elevação do LDL-colesterol).  5. Urogenitais: vulvovaginite atrófica, prurido vulvar, síndrome uretral (disúria, frequência, urgência e noctúria sem infecção por micro-organismo), incontinência urinária de esforço, prolapsos genitais.  6. Sexuais: diminuição da libido, secura vaginal, dispareunia, sangramento pós-coital, corrimento vaginal.  7. Osteomusculares: artralgia, mialgia.  8. Dermatológicas: atrofia epidérmica.
  • 10. Exame Físico  IMC + Circunferência Abdominal  Exame Físico Geral  Palpação da tireóide  Edemas  Avaliação Mamária  Expressão papilar  Palpação das axilas  Inspeção da vulva:  Trofismo, coloração e adelgaçamento  Distopias, Roturas Perineais  Exame Especular
  • 11. Exames complementares  Dosagens hormonais: FSH, LH, estradiol e progesterona.  Beta-HCG  Glicemia de jejum  Hemograma completo  Perfil lipídico: doenças cardiovasculares  Colpocitologia oncótica: screening do câncer de colo uterino, na menopausa pode ser avaliado também o índice de maturação celular.  Colposcopia e vulvoscopia: avaliação de queixas vulvovaginais.  Pesquisa de sangue oculto nas fezes: rastreamento para o câncer colorretal.
  • 12. Exames Complementares  Ultrassonografia pélvica e transvaginal: realizada para avaliar patologias uterinas e ovarianas, e, principalmente nesse período, avaliar a espessura endometrial na triagem do carcinoma endometrial.  Mamografia bilateral: prevenção secundária do câncer de mama; entre os 40 e 50 anos de idade, deve ser realizada bianualmente e, após os 50 anos, anualmente. São considerados fatores de alto risco para neoplasia:  Lesão mamária proliferativa com atipia, comprovada por biópsia.  Parentes de primeiro grau com câncer de mama antes dos 50 anos.  Parente de primeiro grau com câncer de ovário ou de mama bilateral.  História familiar de cÂncer de mama masculino.  Densitometria óssea: avaliação, em longo prazo, da massa, permitindo detecção e tratamento precoces da osteopenia grave e osteoporose, impedindo a ocorrência de complicações mais graves como fraturas patológicas; obrigatória para pacientes com fatores de risco (ingesta inadequada de cálcio, dieta rica em fosfatos, uso prolongado de corticoides ou heparina, hiperparatireoidismo, insuficiência renal crônica, alcoolismo, sedentarismo, entre outros) para osteoporose. Convém solicitá-la no diagnóstico de menopausa e 2 anos após, a fim de estabelecer o padrão de perda óssea da paciente.
  • 13. Diagnósticos Diferenciais  Ondas de calor:  Hipertireoidismo :constantes e acompanhadas de sudorese;  Feocromocitoma: cefaleia pulsátil, palidez cutânea e elevação da PA;  disfunção límbica: graus variados de ansiedade e depressão.  hipertensão.  Alterações menstruais:  doenças benignas: miomatose uterina, pólipos intracavitários ou cervicais, gestação e endometriose.  patologias malignas: câncer do trato reprodutivo (cervical, endometrial e anexial), hiperplasia endometrial e mola.  Medicações: ansioliticos, antidepressivos e anticoagulantes, DIU e TRH.
  • 14. Terapia de Reposição Hormonal Guilherme Rocha Junior Belém-Pará 2014 GOVERNO DO ESTADO DO PARÁ UNIVERSIDADE DO ESTADO DO PARÁ CENTRO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E DA SAÚDE GRADUAÇÃO EM MEDICINA INTERNATO DE SAÚDE DA MULHER
  • 15. Referencial Teórico  Proj. Diretrizes AMB-CFM: Climatério – Atenção Primária e Terapia Hormonal (2008)  Guia da Disciplina de Endocrinologia (UNIFESP): Terapia de Reposição Hormonal em Mulheres na Pós-Menopausa (BONDUKI et al, 2001)  Biblioteca Cochrane: Long term hormone therapy for perimenopausal and postmenopausal women (MARJORIBANKS, 2012); Hormone therapy in postmenopausal women and risk of endometrial hyperplasia (FURNESS et al, 2012).  Scielo: Climatério e Terapia de Reposição Hormonal – Uma Revisão da Literatura (NAKAOKA et al, 2013)
  • 16. Introdução  Processo de envelhecimento: Queda nos níveis hormonais  Quadro clínico: - Atrofia da mucosa vaginal - Osteoporose com risco de fraturas - Perda da libido - Distúrbios do sono - Hipertrigliceridemia e Alteração do Perfil LDL/HDL
  • 17.  1940 - 2002: Série de estudos avaliando risco-benefício “TRH promove a proteção contra doenças cardiovasculares (por melhorar o perfil lipídico) e previne a osteoporose e o desenvolvimento de doenças neurológicas, como Alzheimer.”  Women’s Health Initiative (WHI), em 2002: - Aumento da incidência de câncer de mama - Aumento dos eventos cardiovasculares Introdução
  • 18.  FEBRASGO-AMB: “A TRH é eficaz no tratamento dos sintomas neurovegetativos, neuroendócrinos e urogenitais. Assim, define-se que: quando houver sintomas, existe indicação para o uso de TRH, pelo menos por curto período; no entanto, esta não deverá ser prescrita na existência de alguma contraindicação ou se a paciente, apesar de adequadamente informada, optar por não usá-lo. Sendo assim, o uso da TRH será individualizado caso a caso, baseado em comum acordo entre o médico e a paciente, em conformidade com os riscos e benefícios particulares da mulher”. Introdução
  • 19. Indicações  Síndrome do Climatério com Sintomatologia Pronunciada  Proteção e manutenção da Saúde Mental e Sexual  Prevenção da atrofia urogenital e tegumentar  Prevenção da osteoporose  Prevenção primária dos distúrbios coronarianos* - A análise individualizada é fundamental - Grandes controvérsias
  • 20. Long Term Hormone Therapy for Perimenopausal and Postmenopausal Women  Vinte e três estudos  42.830 mulheres americanas  WHI (1998) e HERS (1998): 70% das informações  Idade média: 60 anos Terapia hormonal não está indicada na prevenção primária ou secundária de doenças cardiovasculares ou demência, em mulheres pós-menopausa. Indicações
  • 22. Situações Clínicas  Câncer Colorretal - Redução observada de 37% na incidência (WHI, 1998)  Câncer de Endométrio - Risco de 6 a 8 vezes maior nas que usam estrogênio não-combinado - Combinados: não foi encontrada diferença na incidência (WHI, 1998)  Câncer de Ovário - Não está bem estabelecido - Risco aumentado em mulheres em uso prolongado de estrogênio não combinado
  • 23.  Câncer de mama: evidências pouco consistentes - Em até 5 anos de uso: risco não se eleva de maneira significativa - WHI: Em um grupo a TRH foi suspensa por elevar em 26% o risco  Trombose Venosa - WHI: Risco 2x maior nas usuárias de TRH - HERS (Heart and Estrogen/progestin Replacement Study): Risco 3x maior nas usuárias de TRH Situações Clínicas
  • 24. Terapia  Considerações: - Indicação individual, com avaliação dos riscos; - Seguimento ambulatorial; - Existe indicação quando existe sintoma; - Avaliar contra-indicações; - Paciente deve ser informada e consentir.
  • 25.  Esquemas Cíclicos x Esquemas Contínuos: Terapia Cíclicos • Continua menstruando • Irregularidade menstrual na pré-menopausa Contínuos • Após a menopausa • Mioma, endometriose • Não desejam menstruar
  • 26.  Principais Vias: - Oral, transdérmica, intramuscular, intrauterina, intranasal e vaginal;  Quando a paciente apresenta útero funcionante, é fundamental a associação com progestogênios, para proteção endometrial - Evitar a hiperplasia/câncer endometrial - Hormone therapy in postmenopausal women and risk of endometrial hyperplasia (FURNESS et al, 2012) Terapia
  • 28.
  • 29. Osteoporose Kamilla Garcia Belém-Pará 2014 GOVERNO DO ESTADO DO PARÁ UNIVERSIDADE DO ESTADO DO PARÁ CENTRO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E DA SAÚDE GRADUAÇÃO EM MEDICINA INTERNATO DE SAÚDE DA MULHER
  • 30. INTRODUÇÃO  Doença sistêmica  Baixa massa óssea  Deterioração micro-arquitetural do tecido ósseo  Susceptibilidade à fraturas
  • 31. INTRODUÇÃO  Causa mais frequente: mulher pós menopausa  Deficiência estrogênica
  • 32. FATORES DE RISCO  Idade  Sexo Feminino  Fraturas  DMO colo do fêmur  Tabagismo  ↓ IMC  Álcool  Glicocorticoide oral  Artrite Reumatóide Fonte: National Osteoporosis Foundation, 2008
  • 33. FATORES DE RISCO  Maiores o > 65 anos o Fratura vertebral o Fratura por fragilidade após 40 anos o História familiar de fratura osteoporótica o Glicocorticoide > 3 meses o Má absorção intestinal o Hiperparatireoidismo primário o Quedas frequentes o Hipogonadismo o Menopausa precoce o Osteopenia na radiografia Menores o Artrite Reumatóide o História de hipertireoidismo o Anticonvulsivantes o Baixa ingestão de cálcio o Tabagismo o Alcoolismo o Ingestão excessiva de cafeína o Peso inferior a 57Kg o ↓ peso >10% em relação aos 25 anos o Uso crônico de heparinaFonte: Sociedade de Osteoporose do Canadá
  • 34. DIAGNÓSTICO  Condição já estabelecida ou preventivamente  Geralmente assintomática  Dor óssea e redução da estatura
  • 35. DIAGNÓSTICO  Densitometria óssea  Padrão ouro  Coluna lombar L2 – L4 e trocânter femoral  Prediz o risco futuro de fraturas  Monitora a resposta terapêutica Critérios densitométricos Z-score T-score Normal <1 ≥ -1 Osteopenia 1 a 2,5 -1 a -2,49 Osteoporose ≥ 2,5 ≤ a -2,5 Fonte: Organização Mundial de Saúde
  • 36. DIAGNÓSTICO  Densitometria óssea – Indicações  Pacientes do sexo feminino com idade ≥ 65 anos;  Mulheres na transição menopausal com risco aumentado de fraturas, como baixo peso ou, fratura anterior com mínimo trauma;  Adultos com história de fratura após 50 anos de idade;  Adultos com alguma condição clínica associada à osteoporose ou em uso de medicação associada à perda de massa óssea (glicocorticoide ≥ 5mg/dia por ≥ 3 meses);  Mulheres em terapia de reposição estrogênica em que se deseja interromper o tratamento;  Avaliação da resposta terapêutica;  Mulheres na perimenopausa que estejam cogitando usar terapia de reposição hormonal, para auxiliar esta decisão. Fonte: National Osteoporosis Foundation, 2008
  • 37. TRATAMENTO  Prevenção  Medidas para evitar quedas  Medidas que melhorem a visão  Incentivo à atividade física  Dieta Interrupção do tabagismo  Interrupção de drogas que aumentem a perda óssea
  • 38. TRATAMENTO  Terapia de Reposição Hormonal  Efeitos benéficos somente durante a terapia  Indicada no início do climatério: sintomas vasomotores  Não indicada para o tratamento da doença estabelecida  Quando interrompida fazer controle da DMO
  • 39. TRATAMENTO  Moduladores seletivos de receptores de estrogênio – SERM  Raloxifeno: efeito anti-reabsortivo ósseo  Prevenção e tratamento da osteoporose da coluna vertebral  Não recomendado para redução de fraturas não vertebrais  Somente em mulheres sem sintomas vasomotores
  • 40. TRATAMENTO  Fitoestrogênios  Isoflavonas: grãos de soja e derivados  Sem estudos que atestem efeitos sobre redução de fraturas vertebrais e não vertebrais  Não recomendados para prevenção e tratamento da osteoporose
  • 41. TRATAMENTO  Bifosfonatos  Fármacos anti-reabsortivos ósseos  Coluna vertebral: alendronato, risedronato, ibandronato e zoledronato  Fraturas não vertebrais: alendronato, risedronato e zoledronato.
  • 42. TRATAMENTO  Calcitonina  Impede que cálcio se eleve em níveis acima dos fisiológicos  Efeito analgésico  Medicação de segunda linha  Osteoporose pós-menopáusica e redução de fraturas vertebrais
  • 43. TRATAMENTO  Ranelato de estrôncio  Ganho de massa óssea na coluna lombar e no fêmur  Efeitos adversos: náuseas e diarréia nos primeiros meses de uso
  • 44. TRATAMENTO  Teriparatida  Síntese de osso novo e ganho de massa óssea na coluna lombar e no colo do fêmur  Redução do risco de fraturas vertebrais e não vertebrais  Mulheres pós-menopáusicas de alto risco
  • 45. TRATAMENTO  Cálcio e vitamina D  ♀ > 50 anos: 1200mg de cálcio na dieta  Suplementação de cálcio na impossibilidade  800 – 1000 UI de vitamina D ao dia  Não recomendado o tratamento isolado com cálcio e vitaminaD  Uso complementar é fundamental para a remineralização óssea.
  • 46.
  • 47. CONTROLE DA RESPOSTA  Osteoporose pós-menopáusica sem outras causas secundárias  Densitometria óssea a cada 2 anos  Monitorizar o tratamento farmacológico

Notas do Editor

  1. HT is not indicated for primary or secondary prevention of cardiovascular disease or dementia, nor for preventing deterioration of cognitive function in postmenopausal women. Although HT is considered effective for the prevention of postmenopausal osteoporosis, it is generally recommended as an option only for women at significant risk, for whom non-oestrogen therapies are unsuitable. There are insufficient data to assess the risk of long term HT use in perimenopausal women or postmenopausal women younger than 50 years of age.