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ABSTRACTThis article aims to investigate under a psychological view of theimportance of affectivity, identifying as affect...
1. INTRODUÇÃOToda criança desde o nascimento tem a necessidadede atenção eafeto para viver num processocontínuo e harmônic...
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Tanto Vygotsky quanto Wallon afirmam que não se pode separarafetividade ecognição. Vygotsky evidencia o pensamento com sua...
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Para que o equilíbrio ocorra, são necessários interlocutores quepossam cumpriresta regra numa relação social e isso só aco...
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Assim como Piaget, Wallon mostra-nos em seus escritos, compartilharda ideiade que emoção e razão estão, intrinsecamente, c...
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E no ambiente escolar, tanto aluno quanto o professor,são livres paraexpor sentimentos acompanhadosde atitudes e comportam...
1.7 A AFETIVIDADE NA RELAÇÃO PROFESSOR-ALUNOO vínculo afetivo que o professor estabelece com o aluno em sala deaula, deve ...
O olhar do professor para o aluno é indispensável para o sucesso daaprendizagem, da autoestima e da valorização do aprendi...
da vivência, da experiência, do reconhecimento e principalmente do respeitoao outro.Os professores exercem um papel import...
conhecimento. A partir do momento que o educador estabelece umarelação social decooperação, teoria defendida por Piaget, o...
ARANTES, V. A. Afetividade na escola: alternativas teóricas e práticas.São Paulo:Atlas, 2003.DANTAS, Heloísa. A afetividad...
WALLON, Henry. Do ato ao pensamento: ensaio de psicologia comparada.Petrópolis:Vozes, 2008.WALLON, Henry. As origens do pe...
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A importância da afetividade para uma educação de qualidade.

  1. 1. FACETED – INSTITUTO DE CIÊNCIAS, EDUCAÇÃO ETECNOLOGIA DARWINDEPARTAMENTO DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISAPÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU EM DOCÊNCIAALEXSANDRO PRATES FREITASA IMPORTANCIA DA AFETIVIDADE PARA UMAEDUCAÇÃO DE QUALIDADEATAMIRA-PA2012
  2. 2. ALEXSANDRO PRATES FREITASA IMPORTANCIA DA AFETIVIDADE PARA UMAEDUCAÇÃO DE QUALIDADEArtigo apresentado, à Faculdade deCiências, Educação e TecnologiaDarwin, como requisito parcial paraconclusão do curso de pós-graduação em docência.Orientadora: Prof.ª Sarita AbadiaAssumpção.ALTAMIRA-PA2012
  3. 3. ALEXSANDRO PRATES FREITASA IMPORTANCIA DA AFETIVIDADE PARA UMAEDUCAÇÃO DE QUALIDADEArtigo apresentado à Banca Examinadora da Faculdade de Ciências, Educaçãoe Tecnologia Darwin, como requisito parcial para obtenção do titulo deEspecialista em docência. Orientador: Professor Mestre Paulo Rogério deOliveiraAprovada em ____/_____/_____Nota:BANCA EXAMINADORA_________________________________________________Prof. Mestre Paulo Rogério de OliveiraOrientador_________________________________________________Prof. Sarita Abadia Assumpção2º Membro da Banca ExaminadoraProf. Thiago Rosa da Silva3º Membro da Banca Examinadora.
  4. 4. A importância da afetividade para uma educação de qualidadeALEXSANDRO PRATES FREITASRESUMOEste artigo tem como objetivo investigar sob uma visão psicológica aimportânciada afetividade, identificandocomo a afetividade entre professorealuno pode contribuir para uma educação de qualidade deformaacolhedora e prazerosa. Objetivando descrever a respeito do aspectosócio afetivo como mola propulsora da ação educativa. A análise sefundamenta nas ideias de pensadores como Vygotsky, Piaget eWallonquenos atentapara afetividade como ponto de fundamental importância,tantopara o professor quanto para o aluno.Essarelação entre ambos, contribuipara umaeducação de qualidade. Os vínculos emocionais que seestabelecem desde onascimento influenciam na construção edesenvolvimento do sujeito, propiciando-lheferramentas necessárias àaquisição da aprendizagem, sua conservação e continuidade.Nestecontexto, o professor é sujeito de sua história pessoal e tem poder decompreender anecessidade de sua participação efetiva e ativa natransformação da sociedade, através doprocesso de construção doconhecimento, e da realidade vivida pelo aluno. Verifica-se,portanto, anecessidade de interação e que esta, esteja associada à afetividade entrealuno eeducador, e também é fundamental que a família esteja inserida ecolabore ativamente desteprocesso.Buscamos assim, por meio deste artigo,contribuir para a reflexão sobre aimportância que a afetividade exerce parauma educação de qualidade queservirá de base para futuros trabalhos.Palavras chaves: Afetividade; Professor; Aluno; Educação de qualidade
  5. 5. ABSTRACTThis article aims to investigate under a psychological view of theimportance of affectivity, identifying as affection between teacher and studentcan contribute to a quality education in a warm and pleasant. Aiming todescribe about the socio-affective aspect as springboard for educationalaction. The analysis is based on the ideas of thinkers such as Vygotsky,Piaget and Wallon us attentive to affectivity as a point of fundamentalimportance, both for the teacher and for the student. This relationshipbetween the two, contributing to a quality education.The emotional bondsthat are established from birth influence the construction and development ofthe subject, providing him the necessary tools of learning acquisition,preservation and continuity. In this context, the teacher is the subject of hispersonal story and is able to understand the need for their active andeffective participation in the transformation of society through the process ofknowledge construction, and the reality experienced by the student. There istherefore the need for interaction and that this could be associated with theaffection between student and teacher, and is also crucial that the family isinserted and collaborate actively in this process.We seek well, through thisarticle, to contribute to the reflection on the importance of affectivity has to aquality education that will form the basis for future work.Keywords: Affection, Professor, Student, Education Quality
  6. 6. 1. INTRODUÇÃOToda criança desde o nascimento tem a necessidadede atenção eafeto para viver num processocontínuo e harmônico de socialização eintegraçãofamiliar e social. No ambiente escolar, osalunos que manifestamsentimentos de prazer, desucesso e que são bem sucedidos em sala deaula,são aqueles que os esforços foram encorajados erespeitados.Quando falamos dos alunos menos favorecidosintelectualmente,referimo-nos aos que são frutosde atitudes desencorajadoras. Neles,emergemsentimentos de inferioridade em relação asi mesmo e aos outrosalunos. Isso nos mostra aimportância da afetividade presente na vidadoaluno.Nesse sentido, observamos comportamentos entreprofessor e alunoque muitas vezes não compreendemos.Mas, que despertam nossa atençãoe noslevam a refletir melhor a postura entre ambos.O relacionamento entre professor e aluno, poderesultar emconsequências negativas, gerandoconflitos em sala de aula. Diante disso,questionamosem que momentos os conflitos em sala deaula dificultam aconstrução do conhecimentodo aluno. E como diferentes atitudesemocionaise comportamentais podem interferir na posturapedagógica doprofessor em sala de aula.A afetividade quando demonstrada em sala deaula, resulta emexperiências positivas, trazendobenefícios na aprendizagem do aluno. Asegurançae confiança depositada no professor sãofundamentais para aconstrução do processo deaprendizagem.O afeto no ambiente escolar não está somenteno ato de carinho comoabraçar ou beijar o alunocomo cumprimento de sua chegada a sala deaula.Mas é no olhar confiante do professor em relaçãoà aprendizagem do alunoque proporcionasegurança e equilíbrio entre ambos.O aluno não está preparado para entrar na escolae o afastamento dospais se torna difícil paraele. Diante dessa situação, durante o processodeconstrução de conhecimento o aluno tem necessidadede se sentir aceito e
  7. 7. acolhido dentro de suaslimitações. Por isso, o afeto do professor é opontoprincipal para o aluno interagir com a escola.O professor, também tem a necessidade de seraceito e respeitado.Diante disso, a necessidade deafeto do aluno e do professor se entrelaçanumarelação recíproca que evolui durante o ano letivo.Mas no decorrerdesse período as necessidadesafetivas se modificam e tornando-secognitivas.Este trabalho de pesquisa bibliográfica tem comoobjetivo investigar aimportância da afetividadena aprendizagem, identificando como ainteratividadeentre professor e aluno pode contribuirna sala de aula de formaacolhedora e prazerosa.Para isso, utilizamos o referencial teórico que se atenta paraafetividade como pontode equilíbrio, tanto para o professor quantopara oaluno, contribuindo para uma educaçãode qualidade.1.1 A AFETIVIDADE SEGUNDO VYGOTSKYPara Vygotsky, só se pode compreender por completo o pensamentohumanoquando se compreende a base afetiva. Assim como na teoriawalloniana, acredita quepensamento e afeto são indissociáveis.Quem separa o pensamento do afeto nega de antemão apossiblidade deestudar a influência inversa do pensamento noplano afetivo. […] A vidaemocional está conectada a outrosprocessos psicológicos e aodesenvolvimento da consciência deum modo geral. (VYGOTSKY, 2000apud ARANTES, 2003,p.18)Vygotsky (2000, p.146) escreve que:O aspecto emocional do individuo não tem menos importânciado que osoutros aspectos e é objeto de preocupação daeducação nas mesmasproporções em que o são a inteligênciae a vontade. O amor pode vir a ser umtalento tanto quanto agenialidade, quanto a descoberta do cálculo diferencial.
  8. 8. Tanto Vygotsky quanto Wallon afirmam que não se pode separarafetividade ecognição. Vygotsky evidencia o pensamento com sua gênesena motivação, a qual incluitendência, necessidades, interesses, impulsos,afeto e emoção.A emoção não é uma ferramenta menos importante que opensamento. Apreocupação do professor não deve se limitarao fato de que seus alunospensem profundamente e assimilema geografia, mas também que a sintam.[…] as reações emocionais devem constituir o fundamento doprocessoeducativo. (VYGOTSKY, 2003, p.121)A afetividade está sempre presente nas experiências empíricasvividas pelosseres humanos. Quando entra na escola, torna-se ainda maisevidente seu papel narelação professor-aluno.As reações emocionais exercem uma influência essencial eabsoluta em todasas formas de nosso comportamento e emtodos os momentos do processoeducativo. Se quisermos queos alunos recordam melhor ou exercitem maisseu pensamento,devemos fazer com que essas atividadessejamemocionalmente estimuladas. A experiência e a pesquisatêm demonstradoque um fato impregnado de emoção érecordado de forma mais sólida, firmee prolongada que umfeito indiferente. (VYGOTSKY, 2003, p.121)Um professor que é afetivo com seus alunos, favorece que seestabeleça umarelação de segurança e evita bloqueios afetivos e cognitivos,auxiliando no trabalhosocializado e ajuda o aluno a superar erros e aaprender com eles.1.2AFETIVIDADE SEGUNDO PIAGETPara Piaget (1998 apud SALTINI, 1999), o desenvolvimento afetivoestá ligadointrinsecamente e ocorre paralelo ao desenvolvimento moral: acriança vai superando afase do egocentrismo, se apercebe da importânciadas interações com as outras pessoase desenvolve a percepção do eu e dooutro como referência.
  9. 9. Os sentimentos e as operações intelectuais não constituemduas realidadesseparadas e sim dois aspectoscomplementares de toda a realidade psíquica,pois opensamento é sempre acompanhado de uma tonalidade esignificadoafetivo, portanto, a afetividade e a cognição sãoindissociáveis na sua origeme evolução, constituindo os doisaspectos complementares de qualquerconduta humana, já queem toda atividade há um aspecto afetivo e umaspecto cognitivoou inteligente. (PIAGET, 1983, p. 234)Desde o nascimento, o desenvolvimento intelectual é obra dasociedade e doindivíduo. Contudo, segundo Piaget, afirmar que o homem éser social, não significaoptar por uma teoria que explique como o “social”interfere no desenvolvimento e nascapacidades da inteligência humana.O equacionamento que o autor dá para esta questão passa por doismomentos. Oprimeiro: entender o que é ser social. O segundo: fatoressociais explicam odesenvolvimento intelectual (como?).O homem normal não é social da mesma maneira aos seismeses ou aos vinteanos de idade, e, por conseguinte, suaindividualidade não pode ser da mesmaqualidade nesses doisdiferentes níveis. (PIAGET, 1998 apud LA TAILLE,1992, p. 12)Apesar de Piaget considerar que o conhecimento é construído pelacriança emsua interação com o meio, acreditava que todas as crianças sedesenvolvem através deestágios – formas de apreensão da realidade – atéatingirem o pensamento formal, emque são capazes de pensar sobre opensar.Para o autor, o equilíbrio faz parte do desenvolvimento cognitivo. Ocritérioseguido por ele é a qualidade de troca intelectual entre os indivíduose, consequentemente, o ótimo grau de socialização só acontece quandoesta troca atinge oequilíbrio. Em síntese:No total, o equilíbrio de uma troca de pensamentos supõe 1)um sistemacomum de signos e de definições 2) umaconservação de proposições válidasobrigando aquele que asreconhece como tal 3) uma reciprocidade depensamento entreos interlocutores. (PIAGET 1998 apud LA TAILLE, 1992,p. 14)
  10. 10. Para que o equilíbrio ocorra, são necessários interlocutores quepossam cumpriresta regra numa relação social e isso só acontece quandoos sujeitos se encontram nomesmo nível de desenvolvimento.A começar pelo estágio sensório-motor. Para Piaget a partir daaquisição dalinguagem, inicia-se a socialização efetiva da inteligência.Porém, na fase pré-operatóriaalgumas características ainda limitam asocialização equilibrada.Em primeiro lugar, falta “a capacidade de aderir a uma escala comumdereferência, condição necessária ao verdadeiro diálogo.” (LA TAILLE, 1992,p. 15).Umexemplo clássico são os jogos de regras, cada criança tende aseguir as suas.Em segundo lugar, vem a contradição.“Tudo se passa como sefaltasse umaregulação essencial ao raciocínio: aquela que obriga o indivíduoa levar em conta o queadmitiu ou disse, e a conservar esse valor nasconstruções ulteriores.” ( PIAGET, 1998apud LA TAILLE, 1992, p. 15)E, por último, a criança pequena tem dificuldade em se colocar noponto de vistado outro, o que impede a reciprocidade.Essas três características Piaget chamou de “pensamentoegocêntrico”. Como opróprio nome diz, “centrado no eu”. Nesta fase, porexemplo, as crianças sãoinfluenciáveis pelas ideias dos adultos, repetemcomportamentos, acreditando ser seus.Por isso, as interações sociais são precárias, pois a criança ainda éheterônoma.A partir do estágio operatório as interações sociais conseguiram seefetuar commaior equilíbrio. Paralelamente a esta, a criança alcançará o quePiaget define de“personalidade”A personalidade não é o “eu” enquanto diferente dos outros“eus” e refratárioà socialização, mas é o indivíduo sesubmetendo voluntariamente às normasde reciprocidade e deuniversalidade. Como tal, longe de estar à margemdasociedade, a personalidade constitui o produto mais refinadoda socialização.Com efeito, é na medida em que o “eu” renuncia a si mesmopara inserir seuponto de vista próprio entre os outros e securvar assim às regras dareciprocidade que o indivíduo torna-
  11. 11. se personalidade. (…) Em oposição aoegocentrismo inicial, oqual consiste em tomar o ponto de vista próprio comoabsoluto,por falta de poder perceber seu carater particular, apersonalidadeconsiste em tomarconsciência desta relatividadeda perspectiva individual e acolocá-la em relação com oconjunto das outras perspectivas possíveis: apersonalidade é,pois, uma coordenação da individualidade com ouniversal.(PIAGET, 1998 apud LA TAILLE, 1992, p. 16-17)Para Piaget, essa busca pelo “equilíbrio” tem bases biológicas, pois épróprio doser vivo procurar o equilíbrio que lhe permita adaptação. Nesseprocesso dedesenvolvimento, é fundamental a ação do sujeito sobre oobjeto, “já que é sobre osúltimos que se vão construir conhecimentos e que,é através de uma tomada deconsciência, da organização das primeiras quenovas estruturas mentais vão sendoconstruídas.” (LA TAILLE, 1992, p. 18).Piaget (1954) que afirma que a afetividade não modifica a estruturano funcionamentointeligência, porém, é a energia que impulsiona a ação deaprender. Poderá acelerar ouretardar o desenvolvimento dos indivíduos,podendo até interferir no funcionamento dasestruturas da inteligência (apudANDRADE, 2007).1.3 AFETIVIDADE SEGUNDOWALLONWallon (1989) atribui imensa importância à emoção e à afetividade,criandoconceitos a partir do ato motor, da afetividade e da inteligência. Asinterações são umprocesso natural para o desenvolvimento e para amanifestação das emoções. Contudo,Wallon (1979 apud GALVÃO, 2003,p.61) diferencia emoção de afetividade:As emoções, assim como os sentimentos e os desejos, sãomanifestações davida afetiva. Na linguagem comum costuma-se substituir emoção porafetividade, tratando os termos comosinônimos. Todavia, não o são. Aafetividade é um conceitomeio abrangente no qual se inserem váriasmanifestações.Para Wallon (1979 apud GALVÃO, 2003), o movimento é a basedopensamento e as emoções que dão origem à afetividade, sendo ela
  12. 12. fundamental naconstituição do sujeito. O autor dá o exemplo de um bebêque ainda não desenvolveu alinguagem e que utiliza seu corpo por meio decontorções, espasmos e outrasmanifestações emocionais, para mobilizar osadultos a sua volta através do afeto. Deacordo com Galvão (2003, p.74),“pela capacidade de modelar o próprio corpo, aemoção permite aorganização de um primeiro modo de consciência dos estados mentaise deuma primeira percepção das realidades externas.”No caso dos adultos, Wallon (1979 apud GALVÃO, 2003) dáimportância àsubjetividade dos estados afetivos vividos por quemexperimenta uma determinadaemoção. Ou seja, na teoria walloniana, a vidaemocional é uma condição para aexistência das relações interpessoais e,para este teórico, as emoções fazem parte davida intelectual, não separandoo aspecto cognitivo do afetivo.Paralelamente ao impacto que as conquistas feitas ao planocognitivo têmsobre a vida afetiva, a dinâmica emocional terásempre um impacto sobre avida intelectual. […] É graças àcoesão social provocada pela emoção que acriança temacesso à linguagem, instrumento fundamental daatividadeintelectual. (GALVÃO, 2003, p.76)Um conceito de sua teoria que tem influência na prática pedagógica éque aemoção estabelece uma relação imediata dos indivíduos entre si,independente de todarelação intelectual.A propagação “epidérmica” das emoções, ao provocar umestado decomunhão e de uníssono, dilui as fronteiras entre osindivíduos, podendolevar a esforços e intenções em torno deum objetivo comum. Permitiria,assim, relações de solidariedadequando a cooperação não fosse possível pordeficiência dosmeios intelectuais ou por falta de consensoconceitual,contribuindo portanto, para a constituição de umgrupo e para as realizaçõescoletivas. (WALLON, 1989, p.162)Considerando este caráter unificador das emoções, no âmbito dapráticapedagógica, torna-se fundamental o fortalecimento da afetividade narelaçãoprofessor/aluno para que a aprendizagem se torne eficaz,favorecendo, assim, aautoestima, o diálogo e a socialização. Vale ressaltar
  13. 13. que a afetividade também éimportante no processo de avaliação, afastandoeventuais riscos de antipatia entreprofessor e aluno.Atribui às emoções um papel de primeira grandeza na formação davidapsíquica, funcionando como uma amálgama entre o social e o orgânico.As relações dacriança com o mundo exterior são, desde o início, relações desociabilidade, visto que, aonascer, não tem“meios de ação sobre as coisas circundantes, razão porque asatisfação das suasnecessidades e desejos tem de serrealizada por intermédio das pessoas adultas quea rodeiam. Por isso, os primeiros sistemas de reação que seorganizam sob ainfluência do ambiente, as emoções, tendem arealizar, por meio de manifestaçõesconsoantes e contagiosas,uma fusão de sensibilidade entre o indivíduo e o seuentourage”(Wallon, 1971, p. 262).1.4 EDUCAÇÃO E AFETIVIDADEPara Freud (1914), o ser humano nasce com seu eu (sujeito psíquico)pronto,mas irá constituí-lo a partir de si e de suas relações sociais.Os avanços da psicanálise fomentam o debate sobre a significaçãodo mundoinconsciente e sua importância como suporte da inteligência nãosó operatória, masprincipalmente figurativa e simbólica (SALTINI, 2002). Daía importância dacontribuição dos atores sociais na conjuntura desseprocesso.Partindo do entendimento de que o sujeito só se desenvolve comosujeito a partirdas relações sociais (professor/aluno, pai/filho entre outrossujeitos sociais) e, portanto,da qualidade dessas relações. Neste sentido, aescola deverá encarregar-se da promoçãodo desenvolvimento doconhecimento e das relações sociais.Piaget (1998) em seus estudos considera o quanto o aspecto afetivoé importanteem uma escola. Por exemplo, como acontece a identificaçãoentre um aluno e seuprofessor.Dos estudos da psicanálise começam a emergir novas conexõesentre o somáticoe o simbólico. Isto é, as manifestações e contribuições docorpo via símbolos. Piaget(1998) enfatiza a unidade entre afetividade em
  14. 14. nossas ações cotidianas. O ato deInteligência pressupõe, pois, umaregulação energética interna (interesse, esforço,facilidade). (PIAGET, 1977).Sendo assim, o conhecimento torna-se parte da pessoa quando seencontrainserido no contexto vital, pois a vida se explica somente através desi mesma e buscaexplicação para si mesma (SALTINI, 2002).Claparède (1954), citado por Saltini (2003), fala que, para falarmosdeinteligência e afetividade precisamos nos referir também, e sempre, aemoção, asligações e inter-relações afetivas. Seria impossível entender odesenvolvimento dainteligência sem um desenvolvimento integrado poraquilo que nos desperta o interessee prazer em realizar.De acordo com o exposto, a proposta escolar deveria contemplar oensino comoalgo instigante relacionado com a vida do educando e o que sedeseja ensinar.Paulo Freire (1996) diz ser necessária a reflexão sobre o homem euma análiseprofunda do meio concreto, deste homem concreto a quemdesejamos educar, oumelhor, a quem desejamos ajudar a educar-se.Professores não educam, ajudam aspessoas a se educarem e, ao ajudar,educam-se também. Assim como não existeeducador e educando, poisambos estão na mesma tarefa.Segundo a psicanálise, a razão e emoção, consideradas no contextoescolar,contribuem para a solução de problemas na educação e naformação do professor. Nestaperspectiva, significa que o professor devecontemplar o aluno inserido num contextosocial e plural diante das diversasexpressões de sentimentos e emoções.Goleman (1995) enfatiza a necessidade de se trabalhar a inteligênciaemocionaldo aluno para que este saiba gerir suas emoções e situações deconflito e, na resoluçãode problemas, saiba se relacionar com seus pares eencontre situações criativas naresolução de problema.Wallon, dentro do princípio dialético, identifica a relação entreinteligência euma das manifestações da afetividade a emoção ( LA TAILLE,1992). A relação entreambas é de caráter dialético, pois, se, por um lado,não existe nada no pensamento quenão tinha surgido das primeirassensações, por um lado, a luz da razão dá àssensibilidades um novoconteúdo.
  15. 15. É de se notar que, entre emoção e a atividade intelectualexisteinterdependência,mas também oposição, pois, ao mesmo tempo queestão presentes na unidade dodesenvolvimento, a emoção se esvai dianteda atividade intelectual. É natural sermossurpreendidos por surtos emotivosnão sabendo agir racionalmente. Neste momento,percebe-se a ausência deinterconexão entre a emoção e a razão.Heloysa Dantas (1992) fala sobre a possibilidade de haver etapas dedesenvolvimento da afetividade, pois parece propor uma evolução daafetividade que seinicia nos primeiros dias de vida e se prolonga noprocesso de desenvolvimento, sediferenciando de maneira distinta sob ainfluência do meio social.Na abordagem psicanalítica, o aprender envolve a relação professor-aluno, poisaprender é aprender com alguém. De posse dessa premissa, oprofessor passa a ter umaforte influência sobre o aluno, pois ele, agora, é areferência do conhecimento.Segundo a psicanálise, o que falta para as pedagogias modernas é aconsideraçãoem assuntos como: frustração, agressividade, conflito. Arelação do professor com seualuno depende fundamentalmente de suamaturidade afetiva na qual saberá promovervínculos respeitando aindividualidade e as necessidades de cada aluno. “Todas asamizades evinculações amorosas ulteriores são relacionadas sobre a baseprimitivatenha deixado” (FREUD, 1914, p. 1893).Segundo Violante (1995), muito da “dificuldade de aprender” deve-seà falta deinvestimento do eu na sua própria atividade do pensar. Isto porquea atividade depensar da criança pode não ter sido reconhecida, ou ninguémter investido nela.Piaget, in Kupfer (1997), conclui enfatizando a necessidade de seromper atradicional dicotomia existente entre afetividade e inteligência,mostrando o quanto éproblemático do ponto de vista teórico, dizer que aafetividade é orientada e causadapela inteligência ou, o contrário, presumirque a inteligência dirige a afetividade. Istosignificaria não compreender quetoda a conduta é una e, portanto, pressupõeinteligência e afetividade emconstante interação e interdependência, transformando-se edesenvolvendo-se durante a organização progressiva das condutas.
  16. 16. Assim como Piaget, Wallon mostra-nos em seus escritos, compartilharda ideiade que emoção e razão estão, intrinsecamente, conectadas (1986).1.5 AFETIVIDADE E INTELIGÊNCIAPiaget (1998) demonstra que as estruturas do conhecimento estãoem constantesmodificações, passando por estágios de desequilíbrio,reequilíbrio para poderinternalizar seu conhecimento. Sendo assim, acriança necessita de vivência qualitativaque possibilite esse intercâmbio deexperiências e informações, conferindo umaaprendizagem significativa.Quando a criança vai à escola, ela se apresenta com grandesexpectativas emrelação ao ambiente, ao conteúdo e, principalmente, pelafigura do professor, aquele queirá mediar esse processo. Neste novocontexto, a percepção positiva de si e do outro éessencial para odesenvolvimento de vínculos e parcerias que irão nortear todo oprocesso.Os PCNs defendem que, se a as primeiras experiências escolaresforem bemsucedidas, o aluno construirá uma representação positiva de simesmo como alguémcapaz de aprender (BRASIL, 1997). E, se de outrasorte, o aluno perderá o interesse e amotivação para aprender.Diante desta perspectiva, a afetividade é um dos principais fatoresque irãonortear a prática educativa, como também possibilitar vivênciasenriquecedoras deaprendizagem (BRASIL, 1997). O aluno constróiconhecimento a partir de suasvivências, estabelece relações com o que estásendo oferecido na sala de aula quandoeste conteúdo tem significaçãoprática.Moreno (1999) ressalta a falta de educação afetiva na escola ou emcasa, e odesconhecimento das formas de interpretação e de respostasadequadas perante asatitudes, condutas e manifestação emotivas dasdemais pessoas deixarão os alunos àmercê das mazelas sociais (a falta dereferencial, o vício, a marginalidade, a ociosidadeentre outros fatores quecorrompem a juventude.A partir disto, podemos pensar numa escola que forme cidadão capazde atuar etransformar a realidade, no ser humano consciente de sua
  17. 17. capacidade, como ressaltaSaltini (2002), da sua consciência, da suacapacidade de transformação, que o serhumano possa encontrar satisfaçãonas relações estabelecidas com o outro em função dacomunicação do seudesejo.Piaget (1998) reforça que o principal objetivo da educação é criarhomenscapazes de inventar coisas novas e não criar meros repetidores demodelos préestabelecidos. A meta deveria ser formar homens criativos,inventivos e descobridores;pessoas capazes de criticar, deduzir, analisar,refletir pessoas livres e autônomas.1.6 PROFESSOR E ALUNO NO CENTRO DAS EMOÇÕESDiante da relação entre emoção e afetividade, consideramosque oprofessor em sala de aula deveestar preparado para trabalhar com asemoçõesdos alunos. Pois, no cotidiano escolar são comunsas situações deconflitos envolvendo professorese alunos, nas quais ambos respondem commanifestaçõesemocionais que podem vir a acarretarsituações agressivas econstrangedoras.Na sala de aula é necessário que o professor observee entenda assinalizações que o aluno demonstraatravés do gesto, da mímica, do olhar eaexpressão facial que as vezes passa desapercebidono cotidiano escolar. Éatravés dessas manifestações da atividade emocional e da afetividadenarelação professor e aluno, que ambos interagemde uma forma ou deoutra.No entanto, Wallon (1999), um dos principais teóricos dodesenvolvimento humano, atribui a emoçãocomo o primeiro sentimento quecria vínculoafetivo entre os indivíduos. De acordo com Wallona emoção fazparte da afetividade:As emoções, assim como os sentimentos e osdesejos, sãomanifestações da vida afetiva.Na linguagem comum costuma-se substituiremoção por afetividade,tratando os termoscomo sinônimos.Todavia, não o são. A afetividade é umconceitomais abrangente no qual se inserem váriasmanifestações.(WALLON 1999, p.61).
  18. 18. A teoria walloriana trata das emoções na vida dascrianças,investigando todos os meios sociais doqual façam parte, entre eles a famíliae a escola.E destaca a importância das emoções na relaçãoprofessor ealuno.Quando o aluno passa a ser o centro das preocupaçõesda escola ese a escola tem como missãocriar oportunidade para aprendizagem, arelaçãoprofessor e aluno torna-se afetiva e produtiva naconstrução doconhecimento.O aluno em sua condição de aprendiz espera queo ambiente escolar,seja diferente do meio emque ele vive, e que o educador, seja diferente daspessoas do círculo de amizades que ele conhece erespeite suasdiferenças sociais e familiares.Diante das colocações feitas pela teoria de Wallon,consideramos queo professor em sala de auladeve saber trabalhar com as emoções. Pois, nocotidianoescolar são comuns as situações de conflitoenvolvendo professorese alunos. A desordem ea agitação motora, a dispersão e as crisesemocionaissão alguns exemplos das reações dos alunosnos momentos deconflito em sala de aula. Nessesmomentos, os alunos manifestam suasemoçõesatravés do choro, da raiva, do desespero e de medosque sãoacompanhados de crises nervosas.Ao se tratar da conduta do aluno, compreendemosque pode serjustificada pela necessidade deexpor seus sentimentos diante de qualquerestímulode conteúdo emocional como a expressãofacial, o tom de voz,pessoas, entre outros. SegundoWallon (1986), não se pode explicar umacondutaisolando-a do meio em que ela se desenvolve.Com os diferentesmeios de que faz parte aconduta do indivíduo pode mudar (p. 369).Embora, determinada conduta do aluno em relação ao professor,pode ocorrer em função dos seuscolegas. Ou seja, o aluno pode quererchamar aatenção dos colegas, por vaidade, por sentimentode inferioridadeou simplesmente pelo desejo decortejá-los. Diante dessa situação, sãosentimentosque se confundem com as emoções.
  19. 19. E no ambiente escolar, tanto aluno quanto o professor,são livres paraexpor sentimentos acompanhadosde atitudes e comportamentos quepossammelhorar a convivência de ambos nummesmo espaço.Para Wallon (1986), as emoções são aquelasexpressõesacompanhadas de reações intensas ebreves do organismo comoo choro, a gargalhadae a paixão. Já os sentimentos são mais duradourosqueas emoções, entre eles, destacamos a amizadee a ternura. Todas essasmanifestações afetivasfazem parte de nossa vida psíquica e nosacompanhama todo o momento e em todas as situações.Na escola não é diferente e a aprendizagem dependeem grande partedessas relações afetivaspedagógicas, estabelecidas entre professoresealunos. No decorrer do ano letivo na convivênciaem sala de aula, surgemhostilidades da criançaem relação ao professor, seja ela por falta de êxitoemsuas tarefas, pela severidade do professor, pormotivos pessoais provindosda família ou outrosde ordem emocional. Por isso, acreditamos queépossível o professor se equivocar, quando nãoestá apto a compreender aconduta do aluno quemanifesta suas emoções de forma agressiva.Diante de situações difíceis e conflitantes na salade aula, o professorprecisa investigar o motivo,conhecer a história de vida familiar e recebersuasatitudes com calma e bom senso. Sendo assim, oprofessor não devetomar a situação de conflitocomo afronta pessoal ou provocação.O professor deve evitar atitudes e indícios dedesagrado, pois, comcerteza essa expressão deviolência ou de agressividade pode serentendidocomo um grito de socorro. Portanto, a interaçãoentre professor ealuno, consiste em açõessimples como a forma que se refere ao aluno,seucomportamento e sua postura perante ele. Naprática pedagógica essasações são importantespara que o aluno valorize e crie vínculos desentimentose de cumplicidade. Por isso, na sala deaula é necessárioidentificar e avaliar as situaçõesde dificuldade e de conflito que cercam orelacionamentoentre professor e aluno.Convém ressaltar que a busca na compreensãodos motivos e reaçõesque levam o aluno a terdiversas atitudes em diferentes momentos, desafiaoprofessor a refletir e pesquisar intervençõeseficazes que contribuam naformação de sua personalidadee de sua aprendizagem.
  20. 20. 1.7 A AFETIVIDADE NA RELAÇÃO PROFESSOR-ALUNOO vínculo afetivo que o professor estabelece com o aluno em sala deaula, deve ter um caráter libertador e de confiança no cotidiano, paracombater o preconceito e os rótulos comuns presentes no ambiente escolar.Dessa forma, o vinculo afetivo estabelecido, favorece a expressão dequestõespessoais entre professor e aluno no cotidiano escolar. Além disso,conduz a autonomia e o sucesso na construção da aprendizagem recíproca,na formação da personalidade dos alunos em adultos seguros e confiantesde si, capazes de pensarde forma crítica o mundo que os cercam.Muitos são os fatores que afetam a aprendizagemdo aluno,principalmente quando a afetividade não faz parte de alguns momentos desua vida cotidiana e escolar.Portanto, a afetividade é capaz de derrubar a baixa estima e rótuloscomuns em sala de aula quando o aluno não aprende.No ambiente escolar, o professor tem que ser equilibradoemocionalmente, além de dar atenção ao aluno, deve se aproximar, elogiar,saber ouvir e reconhecer seu valor, acreditando na sua capacidade deaprender e de ser uma pessoa melhor. Essas ações favorecem a afetividadeno aluno.O professor proporciona segurança e respeito, na forma de expressarseus sentimentos. O carinho e a atenção é parte da trajetória na construçãoda aprendizagem mútua, sendo apenas o começo do caminho a serpercorrido pelo aluno no período de escolarização.Quando observamos nossos alunos, percebemos que o olhar temsignificado de expressividade da alma, são manifestações de sentimentosque podem ser interpretados de forma positiva ou negativa. O olhar doprofessor influencia no comportamento do aluno, quando interpretado deforma negativa, gera desconforto em sala de aula.
  21. 21. O olhar do professor para o aluno é indispensável para o sucesso daaprendizagem, da autoestima e da valorização do aprendiz. É através deuma nova interpretação do olhar para a aprendizagem do aluno que oprofessor descobrirá o talento que cada um possui. Ao refletir sobre aspotencialidades e capacidades dos alunos, o professor fortalece a interaçãoe a compreensão em sala de aula.Isso inclui dar credibilidade as suas opiniões, valorizar sugestões,respeitar seus limites, acompanhar seu desenvolvimento e demonstraracessibilidade. Para isso, o professor deve disponibilizar conversas edebates que possam encorajar o aluno a tentar de novo sem ter medo deerrar. Dessa forma, o professor pode trabalhar várias atividades facilitadorasdo conhecimento.Vale ressaltar que a postura pedagógica do professor deve possibilitarao aluno desafios que propiciem diversas interações, como sujeito doconhecimento e do afeto, favorecendo seu rendimento escolar.No ambiente escolar, a afetividade pode ser demonstrada napreocupação com os alunos e no reconhecimento de indivíduos autônomos.Além disso, a relação de afetividade deve dar sentido a reflexão e ainvestigação sobre quem é o aluno, levando em consideração a experiênciade vida de cada um. Quando o afeto prevalece em sala de aula, todas asconquistas dos alunos contribuem no processo de aprendizagemconstruindo elos entre afetividade e cognição.Apesar de alternarem a dominância, afetividade e cognição não semantêm como funções exteriores uma à outra. Cada uma, ao reaparecercomo atividade predominante num dado estágio, incorpora as conquistasrealizadas pela outra, no estágio anterior, construindo-se reciprocamente,num permanente processo de integração e diferenciação (GALVÃO, 1996,p.45).Quando falamos em afetividade no âmbito escolar, abrangemosmanifestações emocionais que se evidenciam dentro da sala de aula.Portanto, compreendemos a afetividade como sentimento construído através
  22. 22. da vivência, da experiência, do reconhecimento e principalmente do respeitoao outro.Os professores exercem um papel importante no desenvolvimentoafetivo dos alunos, pois estão presentes no processo de ensinoaprendizagem em todos os momentos de sua escolarização. A afetividade écomo um recurso de motivação na aprendizagem do aluno, sendo assim,contribui no desenvolvimento das emoções que se evidenciam dentro dasala de aula.Ao propormos a formação global do aluno nos diferentes contextos, éconsiderável como missão o aprendizado de forma agradável e acolhedora,tomando como foco principal da escola.Tratar da afetividade na relação entre o professor e aluno, é levar emconsideração o estado emocional em que o aluno se encontra no momento,devendo perceber as atitudes e expressões emocionais na sala de aula.1.8 CONSIDERAÇÕES FINAISA realização deste trabalho permitiu pensar a educação a partir dasteorias walloniana, vygotskyana epiagetianaque pressupõe uma ruptura nasfinalidades formativas dos sistemas educativosatuais. Gadotti (2000, p.10)escreve que uma educação assim, visa ao “desenvolvimentointegral dapessoa: inteligência, sensibilidade, sentido ético e estético,responsabilidadepessoal, espiritualidade, pensamento autônomo e crítico,imaginação, criatividade,iniciativa. Para isso, não se deve negligenciarnenhuma das potencialidades de cadaindividuo.”Retoma-se que, para Wallon (1975), a afetividade assume um papelfundamentalna constituição e no funcionamento da inteligência, pois, são osmotivos, necessidades,desejos que direcionam o interesse da criança para oconhecimento e conquista domundo ao seu redor.Vygotsky também acredita que a motivação é a mola propulsora dabusca pelo
  23. 23. conhecimento. A partir do momento que o educador estabelece umarelação social decooperação, teoria defendida por Piaget, o processo deensino/aprendizagem rompe adicotomia entre cognição e afetividade,desmistificando a visão de relação maternal quese atribui aos aspectosafetivos, pois é possível aliar a disciplina, a metodologia, àemoção.A conscientização do educador é fundamental, pois é ele o mediador,quemplaneja as aulas e organiza os ambientes. Quando toma consciênciade sua importânciana formação do aluno, a promoção de espaçosdemocráticos para a construção coletivado conhecimento torna-se umprocesso natural e necessário.As escolas, por sua vez, devem também se preocupar com aformação desteprofissional que, hoje, tem um perfil de mediador, buscandoatuar junto a ele, incluindoem sua visão educacional, a afetividade, que é tãonecessária para o bom desempenhodos alunos e uma educação dequalidade.Hoje, pensamos que educar significa também preocupar-se comaconstrução e organização da afetividade das pessoas. Afinal a escola, paracumprir seupapel, deve ser um lugar de vida e sobretudo de sucesso erealização pessoal para alunose educadores.Desta forma, o estudo da afetividade, no contexto educacional,pretendecompreender a relação professor-aluno, permeada pelaparticipação ativa de ambos,envolvendo acordos e desacordos. Atravésdessa troca, a criança constrói sua visão demundo, baseada nossentimentos, valores e significados que apreende do meio eespecificamentena escola.Diante da discussão até aqui apresentada, fica clara a necessidadedeconstruirmos um sistema educativo que supere a clássica contraposiçãoentre razão eemoção, cognição e afetividade, e que rompa com a concepçãodissociada, relegando osaspectos afetivos e emocionais a segundo plano.O presente artigo é apenas o início de uma reflexão parcial destetema queservirá de base para futuros trabalhos.REFERENCIAS
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