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“ EVASÃO” ESCOLAR DOS ALUNOS DO CURSO PROEJA-FIC DA  E.M.E.F. LEOPOLDINA VÉRAS DA SILVEIRA Ana Zanella Carlos Alberto Steinmetz Eva Neves Petersen Jamile de Oliveira Martins Mara Salett D`Ávila Martin Michele Felkl Paulo Roberto de Souza Martins Sílvia Rosa Rodrigues Guinchesk Germano E.M.E.F Leopoldina Véras da Silveira Capão da Canoa - RS
A “evasão escolar” de alunos na Educação de Jovens e Adultos do curso PROEJA-FIC, na Escola Municipal Leopoldina Véras da Silveira, no período de agosto de 2010 a agosto de 2011, no Município de Capão da Canoa. Tema e delimitação temática
Caracterização dos espaços e sujeitos Este trabalho foi desenvolvido na Escola Municipal de Ensino Fundamental Leopoldina Véras da Silveira, localizada no Bairro Zona Nova da cidade de Capão da Canoa. A escola possui em média 500 alunos divididos em três turnos: pela manhã as séries finais, pela tarde as séries iniciais e pela noite funciona uma turma com correção de fluxo escolar de séries finais (aceleração) e  turma do PROEJA-FIC. Como sujeitos desta pesquisa temos oito alunos que responderam ao instrumento questionário; destes, quatro evadiram e quatro ainda frequentam às aulas. Já as entrevistas foram realizadas em aula com todos os alunos frequentadores.
Esta turma inicialmente era constituída de 34 alunos oriundos do mesmo bairro, trabalhadores e donas de casa, cuja faixa etária varia de 20 a 40 anos, formada pela maioria mulheres, tendo como escolaridade máxima a 4ª série. Atualmente contamos com dezessete alunos frequentando, dezesseis evadidos e uma transferência. Caracterização dos espaços e sujeitos
Problema central Uma das situações-problema com que convivemos em nossa escola é a de que dos 34 alunos inicialmente matriculados no curso PROEJA-FIC, 16 evadiram. Questões como, por que este aluno para de frequentar as aulas depois de ter tomado a iniciativa de voltar a estudar, tornando-se “evadido”, nos incomodou. Assim, várias hipóteses foram surgindo: a metodologia utilizada em sala de aula, a situação econômica dos alunos (ainda que recebendo bolsa – auxilio), a incompatibilidade de horário com o trabalho e a escola, a inexistência de apoio familiar, a auto-estima baixa, a estrutura educacional, entre outros. Para isso foi necessário saber quem eram esses alunos, ou seja, o perfil destes sujeitos em nosso processo educativo. Investigar se tornou necessário para compreender o fenômeno da evasão escolar.
Objetivos OBJETIVO GERAL Compreender o fenômeno da evasão escolar, suas causas e possíveis formas de superação. OBJETIVOS ESPECÍFICOS Identificar as possíveis causas da evasão escolar. Refletir sobre a nossa prática pedagógica.  Incentivar a permanência dos alunos no curso. Estabelecer metas e ações que evitem a evasão escolar.   
Metodologia A evasão escolar ocorrida durante o período de agosto de 2010 a agosto de 2011 tem gerado infrequência, desmotivação, frustração e desânimo a alunos e professores desta turma. Isto nos levou à indagações e reflexões da situação-problema. Encontramos aí uma situação desafiadora e decidimos buscar as possíveis razões que determinaram este fato. Para isso, iniciamos o trabalho nos embasando com reflexões dos pensadores Freire, Arroyo, Gadotti, entre outros. Como apoio a este estudo, elaboramos e aplicamos dois instrumentos: um questionário e uma entrevista, classificando esta pesquisa como quantitativa e qualitativa, respectivamente.
Com o resultado dos dados fornecidos analisamos, refletimos e confrontamos com o nosso referencial teórico, que apontou para duas realidades: Para Arroyo (1986, p.39), “a evasão sugere que o aluno que se evade deixa um espaço e uma oportunidade que lhe foi oferecida por motivos pessoais e familiares. Portanto ele é responsável pela sua evasão. Quando o aluno se evade o professor não tem nada a ver com isso...”  Já para Freire, a evasão é muito grande, mas a questão se coloca também em outro patamar. Dizia antes que, “numa democracia, qualidade social só pode ser avaliada por quantidade total, pois quantidade sem qualidade é mera expressão de massa. O contrário também é arriscado; porque qualidade sem quantidade é privilégio” (FREIRE, 1997, p.35).  Metodologia
De acordo com o pensamento de Freire, o desafio é manter a equidade entre a qualidade e a quantidade, pois cabe ao educador primar por uma qualidade de ensino que atinja a todos, levando em conta os saberes de cada um e aprimorando-os para que o educando encontre a possibilidade de buscar novos conhecimentos, com isso aumentando tanto a qualidade quanto a quantidade. Metodologia
Justificação teórica da Pesquisa “ Uma sociedade desenvolvida tem um sistema educacional, uma educação, segundo seu grau de desenvolvimento. E como não existem sociedades perfeitas não existe também nenhum sistema educacional perfeito, uma educação perfeita.” (GADOTTI, 1988, pg.123). As barreiras sempre irão existir. O que precisamos é despertar nos educandos o senso crítico para que tenham clareza nas suas opções e decisões, façam a sua própria leitura de mundo. Pois quando ele entende o mecanismo do sistema ele deixa de ser manobra de massa e passa a agir conscientemente, se tornando um sujeito agente de sua ação, ou seja, autônomo.  
Justificação social da Pesquisa O PROEJA-FIC é um instrumento valioso para a mudança de qualidade de vida dos nossos educandos, sendo um espaço privilegiado para a construção e democratização do conhecimento. Conforme a LDB, em seu artigo 39, a Educação Profissional integrada às diferentes formas de educação, ao trabalho, à ciência, à tecnologia, conduz ao permanente desenvolvimento de aptidões para a vida produtiva em que o educando participe do desenvolvimento da sociedade.  Sendo assim, nós, enquanto educadores temos a responsabilidade de criarmos uma dinâmica metodológica que atinja o interesse do educando, de maneira que a escola recupere seu objetivo social e supere o fracasso escolar, a repetência e a “evasão”.
Justificação profissional da pesquisa “ A educação será libertadora na medida em que incentivar a reflexão e a ação consciente e criativa das classes oprimidas em relação ao seu próprio processo de libertação” (FREIRE apud BRANDÃO, 2004 pg.111)  Como educadores, acreditamos que o PROEJA-FIC é um espaço de compartilhamento de idéias e experiências que propõe a reflexão e construção de caminhos para o pensar. Este e outros desafios nos estimulam continuamente a buscarmos nosso aperfeiçoamento para ofertar o melhor ensino possível e a superar as dificuldades, a fim de construirmos uma proposta pedagógica cada vez mais de acolhimento e de autonomia que melhor atenda às expectativas dos sujeitos envolvidos.
Análise teoria e prática Ainda de acordo com Gadotti (1988, p.123), no que diz respeito a inexistência de sociedades e sistemas educacionais perfeitos, a nossa realidade também demonstra problemas ligados ao sistema, independentes do contexto escolar, tais como: problemas familiares, empregatícios, socio-econômicos, vulnerabilidade social, situações climáticas, entre tantos outros que afetam diretamente o resultado no processo de aprendizagem e permanência dos alunos na escola, evidenciados pelo índice de evasão constatados em nossa pesquisa, conforme a seguinte tabela:
Compreendemos que a escola deve proporcionar possibilidades para que o aluno descubra um meio de promoção, superação, crescimento pessoal e emancipatório, que crie uma consciência de que o saber formal conduz à cidadania. Análise teoria e prática
“ Bom, pra mim, contribuiu assim, é eu também era tímida assim, eu tinha medo de colocar, ai as vezes eu sabia uma resposta mas ai eu tenho medo será que eu vou errar. Eu aprendi que eu tenho que tentar e arriscar se ta errado eu vou aprender que ta certo, mas eu tentei, eu fui la em colocar em falar e isso me ajudou bastante.. ah, naquele dia la na casa de cultura eu tava morrendo de medo mas eu aprendi que eu consegui ir la e falar saber se é errado, certo mas eu fui.. então é isso que contribui pra mi, me colocar, em eu ir fazer e depois ver se erramos se acertamos e tentar...”  (Depoimento da aluna  P  sobre as contribuições do PROEJA-FIC em sua vida.) Segundo Paro (2007), uma educação democrática tem como fim transformar o homem em sujeito de sua formação, através de métodos adequados que incorporem a participação ativa do educando, e levá-lo a desenvolver condutas relacionadas à lealdade e ao gosto pelo saber. Análise teoria e prática
Encaminhamentos Muito importante seria repensar a distribuição dos tempos para atividades de estudos para que supra dois contratempos; um relacionado à temporada de verão que é de praticamente três meses, e outro que é a questão do inverno frio e chuvoso. Sugerimos um curso organizado em módulos de estudo para que as metas não alcançadas possam ser retomadas; aulas de reforço ou plantões proporcionando um atendimento individualizado. Para esse curso é necessário uma política pública diferenciada que atenda as especificidades da turma de PROEJA-FIC, tais como: verbas para saída de campo (visitas a museus, teatros, pontos turísticos, etc), material didático, parceira com comércio local, por parte do gestor, para práticas e vivências.
Considerações  finais Este projeto de pesquisa não teve a intenção de resolver o problema de evasão escolar, mas de tentar encontrar respostas simples.  Alertados através de diversos pensadores e pesquisadores  que estudam  o tema, buscamos formular nossa própria teoria e levantar  possíveis causas, socializá-las  com clareza e objetividade com vistas a enfrentar e a analisar o problema fornecendo prováveis e hipotéticas soluções. Escolhendo entre os vários caminhos ou inventando um novo caminho, temos agora  que pensar sobre nossas estratégias de ensino, sobre nossa prática no dia-a-dia. O que deixamos e podemos fazer, para que a situação–problema ou fenômeno como este não se repita.
Ao finalizarmos esta reflexão constatamos que a frustração e a impotência deveras atinge educandos e educadores. Temos a necessidade de uma tomada de decisão, desenvolver uma postura mais critica, introduzir inovações, provocar uma inquietação sadia e pensar qual poderia ser uma estratégia de mudanças que vença resistências, mesmo que provoque conflitos se necessário. Estimular uma curiosidade mesmo que insatisfeita. Devemos acreditar que podemos fazer uma escola com ensino acolhedor, estimulante, dinâmico, inclusivo, que diminua a evasão escolar, onde educandos e educadores possam ser co-gestores de uma educação libertadora e feliz. Considerações  finais
Referencial ARROYO, Miguel G. Ofício de Mestre: Imagens e auto-imagens. Petrópolis, RJ: Vozes, 2000. BRASIL. Lei N° 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as Diretrizes e Bases da Educação. MEC FREIRE, Paulo. Educação como prática da liberdade. 11 ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1980. GADOTTI, Moacir. Educação e Poder-Introdução a Pedagogia do conflito. 8 ed. São Paulo: Cortez, 1988.
Referencial MARQUES, J. Luiz; VARES, Luiz Pilla (Org.). GRAMSCI: Cem anos de um pensamento vivo. Porto Alegre: Palmarinca, 1991. MEKSENAS, Paulo. Sociologia da Educação: Uma introdução ao estudo da escola no processo de transformação social. 2 ed. São Paulo: Cortez, 1992. PARO, Vitor H. Educação como Exercício do Poder: implicações para a prática escolar democrática. 2 ed. São Paulo: Cortez, 2010. Disponível em  http://br.bing.com/search?q=paro+%2B+educa%C3%A7%C3%A3o+como+exerc%C3%ADcio+do+poder&x=0&y=0&form=MSNH55, acessado dia 06/12/2011  Acesso em 6 dez 2011.
POPPER, Karl; ECCLES, John. O eu e seu cérebro. Tradução: Sílvio Meneses Garcia, Helena Cristina Fontenelle Arantes e Aurélio Osmar Cardoso de Oliveira. 2 ed. Campinas, SP: Papirus, 1995. ROSA, Sammy S. da. Construtivismo e Mudança. 2 ed. São Paulo: Cortez, 1994.  SAVIANI, Dermeval. Escola e Democracia. São Paulo: Cortez, 1985. VYGOTSKY, Lev Semionovich. A Formação Social da Mente. O desenvolvimento dos processos psicológicos superiores. 3 ed. São Paulo: Martins Fontes, 1994. Referencial

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PROEJA-FIC - Evasão Escolar dos Alunos do Curso PROEJA-FIC da EMEF Leopoldina Véras da Silveira - Capão da Canoa-RS

  • 1. “ EVASÃO” ESCOLAR DOS ALUNOS DO CURSO PROEJA-FIC DA E.M.E.F. LEOPOLDINA VÉRAS DA SILVEIRA Ana Zanella Carlos Alberto Steinmetz Eva Neves Petersen Jamile de Oliveira Martins Mara Salett D`Ávila Martin Michele Felkl Paulo Roberto de Souza Martins Sílvia Rosa Rodrigues Guinchesk Germano E.M.E.F Leopoldina Véras da Silveira Capão da Canoa - RS
  • 2. A “evasão escolar” de alunos na Educação de Jovens e Adultos do curso PROEJA-FIC, na Escola Municipal Leopoldina Véras da Silveira, no período de agosto de 2010 a agosto de 2011, no Município de Capão da Canoa. Tema e delimitação temática
  • 3. Caracterização dos espaços e sujeitos Este trabalho foi desenvolvido na Escola Municipal de Ensino Fundamental Leopoldina Véras da Silveira, localizada no Bairro Zona Nova da cidade de Capão da Canoa. A escola possui em média 500 alunos divididos em três turnos: pela manhã as séries finais, pela tarde as séries iniciais e pela noite funciona uma turma com correção de fluxo escolar de séries finais (aceleração) e turma do PROEJA-FIC. Como sujeitos desta pesquisa temos oito alunos que responderam ao instrumento questionário; destes, quatro evadiram e quatro ainda frequentam às aulas. Já as entrevistas foram realizadas em aula com todos os alunos frequentadores.
  • 4. Esta turma inicialmente era constituída de 34 alunos oriundos do mesmo bairro, trabalhadores e donas de casa, cuja faixa etária varia de 20 a 40 anos, formada pela maioria mulheres, tendo como escolaridade máxima a 4ª série. Atualmente contamos com dezessete alunos frequentando, dezesseis evadidos e uma transferência. Caracterização dos espaços e sujeitos
  • 5. Problema central Uma das situações-problema com que convivemos em nossa escola é a de que dos 34 alunos inicialmente matriculados no curso PROEJA-FIC, 16 evadiram. Questões como, por que este aluno para de frequentar as aulas depois de ter tomado a iniciativa de voltar a estudar, tornando-se “evadido”, nos incomodou. Assim, várias hipóteses foram surgindo: a metodologia utilizada em sala de aula, a situação econômica dos alunos (ainda que recebendo bolsa – auxilio), a incompatibilidade de horário com o trabalho e a escola, a inexistência de apoio familiar, a auto-estima baixa, a estrutura educacional, entre outros. Para isso foi necessário saber quem eram esses alunos, ou seja, o perfil destes sujeitos em nosso processo educativo. Investigar se tornou necessário para compreender o fenômeno da evasão escolar.
  • 6. Objetivos OBJETIVO GERAL Compreender o fenômeno da evasão escolar, suas causas e possíveis formas de superação. OBJETIVOS ESPECÍFICOS Identificar as possíveis causas da evasão escolar. Refletir sobre a nossa prática pedagógica. Incentivar a permanência dos alunos no curso. Estabelecer metas e ações que evitem a evasão escolar.   
  • 7. Metodologia A evasão escolar ocorrida durante o período de agosto de 2010 a agosto de 2011 tem gerado infrequência, desmotivação, frustração e desânimo a alunos e professores desta turma. Isto nos levou à indagações e reflexões da situação-problema. Encontramos aí uma situação desafiadora e decidimos buscar as possíveis razões que determinaram este fato. Para isso, iniciamos o trabalho nos embasando com reflexões dos pensadores Freire, Arroyo, Gadotti, entre outros. Como apoio a este estudo, elaboramos e aplicamos dois instrumentos: um questionário e uma entrevista, classificando esta pesquisa como quantitativa e qualitativa, respectivamente.
  • 8. Com o resultado dos dados fornecidos analisamos, refletimos e confrontamos com o nosso referencial teórico, que apontou para duas realidades: Para Arroyo (1986, p.39), “a evasão sugere que o aluno que se evade deixa um espaço e uma oportunidade que lhe foi oferecida por motivos pessoais e familiares. Portanto ele é responsável pela sua evasão. Quando o aluno se evade o professor não tem nada a ver com isso...” Já para Freire, a evasão é muito grande, mas a questão se coloca também em outro patamar. Dizia antes que, “numa democracia, qualidade social só pode ser avaliada por quantidade total, pois quantidade sem qualidade é mera expressão de massa. O contrário também é arriscado; porque qualidade sem quantidade é privilégio” (FREIRE, 1997, p.35).  Metodologia
  • 9. De acordo com o pensamento de Freire, o desafio é manter a equidade entre a qualidade e a quantidade, pois cabe ao educador primar por uma qualidade de ensino que atinja a todos, levando em conta os saberes de cada um e aprimorando-os para que o educando encontre a possibilidade de buscar novos conhecimentos, com isso aumentando tanto a qualidade quanto a quantidade. Metodologia
  • 10. Justificação teórica da Pesquisa “ Uma sociedade desenvolvida tem um sistema educacional, uma educação, segundo seu grau de desenvolvimento. E como não existem sociedades perfeitas não existe também nenhum sistema educacional perfeito, uma educação perfeita.” (GADOTTI, 1988, pg.123). As barreiras sempre irão existir. O que precisamos é despertar nos educandos o senso crítico para que tenham clareza nas suas opções e decisões, façam a sua própria leitura de mundo. Pois quando ele entende o mecanismo do sistema ele deixa de ser manobra de massa e passa a agir conscientemente, se tornando um sujeito agente de sua ação, ou seja, autônomo.  
  • 11. Justificação social da Pesquisa O PROEJA-FIC é um instrumento valioso para a mudança de qualidade de vida dos nossos educandos, sendo um espaço privilegiado para a construção e democratização do conhecimento. Conforme a LDB, em seu artigo 39, a Educação Profissional integrada às diferentes formas de educação, ao trabalho, à ciência, à tecnologia, conduz ao permanente desenvolvimento de aptidões para a vida produtiva em que o educando participe do desenvolvimento da sociedade. Sendo assim, nós, enquanto educadores temos a responsabilidade de criarmos uma dinâmica metodológica que atinja o interesse do educando, de maneira que a escola recupere seu objetivo social e supere o fracasso escolar, a repetência e a “evasão”.
  • 12. Justificação profissional da pesquisa “ A educação será libertadora na medida em que incentivar a reflexão e a ação consciente e criativa das classes oprimidas em relação ao seu próprio processo de libertação” (FREIRE apud BRANDÃO, 2004 pg.111) Como educadores, acreditamos que o PROEJA-FIC é um espaço de compartilhamento de idéias e experiências que propõe a reflexão e construção de caminhos para o pensar. Este e outros desafios nos estimulam continuamente a buscarmos nosso aperfeiçoamento para ofertar o melhor ensino possível e a superar as dificuldades, a fim de construirmos uma proposta pedagógica cada vez mais de acolhimento e de autonomia que melhor atenda às expectativas dos sujeitos envolvidos.
  • 13. Análise teoria e prática Ainda de acordo com Gadotti (1988, p.123), no que diz respeito a inexistência de sociedades e sistemas educacionais perfeitos, a nossa realidade também demonstra problemas ligados ao sistema, independentes do contexto escolar, tais como: problemas familiares, empregatícios, socio-econômicos, vulnerabilidade social, situações climáticas, entre tantos outros que afetam diretamente o resultado no processo de aprendizagem e permanência dos alunos na escola, evidenciados pelo índice de evasão constatados em nossa pesquisa, conforme a seguinte tabela:
  • 14. Compreendemos que a escola deve proporcionar possibilidades para que o aluno descubra um meio de promoção, superação, crescimento pessoal e emancipatório, que crie uma consciência de que o saber formal conduz à cidadania. Análise teoria e prática
  • 15. “ Bom, pra mim, contribuiu assim, é eu também era tímida assim, eu tinha medo de colocar, ai as vezes eu sabia uma resposta mas ai eu tenho medo será que eu vou errar. Eu aprendi que eu tenho que tentar e arriscar se ta errado eu vou aprender que ta certo, mas eu tentei, eu fui la em colocar em falar e isso me ajudou bastante.. ah, naquele dia la na casa de cultura eu tava morrendo de medo mas eu aprendi que eu consegui ir la e falar saber se é errado, certo mas eu fui.. então é isso que contribui pra mi, me colocar, em eu ir fazer e depois ver se erramos se acertamos e tentar...” (Depoimento da aluna P sobre as contribuições do PROEJA-FIC em sua vida.) Segundo Paro (2007), uma educação democrática tem como fim transformar o homem em sujeito de sua formação, através de métodos adequados que incorporem a participação ativa do educando, e levá-lo a desenvolver condutas relacionadas à lealdade e ao gosto pelo saber. Análise teoria e prática
  • 16. Encaminhamentos Muito importante seria repensar a distribuição dos tempos para atividades de estudos para que supra dois contratempos; um relacionado à temporada de verão que é de praticamente três meses, e outro que é a questão do inverno frio e chuvoso. Sugerimos um curso organizado em módulos de estudo para que as metas não alcançadas possam ser retomadas; aulas de reforço ou plantões proporcionando um atendimento individualizado. Para esse curso é necessário uma política pública diferenciada que atenda as especificidades da turma de PROEJA-FIC, tais como: verbas para saída de campo (visitas a museus, teatros, pontos turísticos, etc), material didático, parceira com comércio local, por parte do gestor, para práticas e vivências.
  • 17. Considerações finais Este projeto de pesquisa não teve a intenção de resolver o problema de evasão escolar, mas de tentar encontrar respostas simples. Alertados através de diversos pensadores e pesquisadores que estudam o tema, buscamos formular nossa própria teoria e levantar possíveis causas, socializá-las com clareza e objetividade com vistas a enfrentar e a analisar o problema fornecendo prováveis e hipotéticas soluções. Escolhendo entre os vários caminhos ou inventando um novo caminho, temos agora que pensar sobre nossas estratégias de ensino, sobre nossa prática no dia-a-dia. O que deixamos e podemos fazer, para que a situação–problema ou fenômeno como este não se repita.
  • 18. Ao finalizarmos esta reflexão constatamos que a frustração e a impotência deveras atinge educandos e educadores. Temos a necessidade de uma tomada de decisão, desenvolver uma postura mais critica, introduzir inovações, provocar uma inquietação sadia e pensar qual poderia ser uma estratégia de mudanças que vença resistências, mesmo que provoque conflitos se necessário. Estimular uma curiosidade mesmo que insatisfeita. Devemos acreditar que podemos fazer uma escola com ensino acolhedor, estimulante, dinâmico, inclusivo, que diminua a evasão escolar, onde educandos e educadores possam ser co-gestores de uma educação libertadora e feliz. Considerações finais
  • 19. Referencial ARROYO, Miguel G. Ofício de Mestre: Imagens e auto-imagens. Petrópolis, RJ: Vozes, 2000. BRASIL. Lei N° 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as Diretrizes e Bases da Educação. MEC FREIRE, Paulo. Educação como prática da liberdade. 11 ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1980. GADOTTI, Moacir. Educação e Poder-Introdução a Pedagogia do conflito. 8 ed. São Paulo: Cortez, 1988.
  • 20. Referencial MARQUES, J. Luiz; VARES, Luiz Pilla (Org.). GRAMSCI: Cem anos de um pensamento vivo. Porto Alegre: Palmarinca, 1991. MEKSENAS, Paulo. Sociologia da Educação: Uma introdução ao estudo da escola no processo de transformação social. 2 ed. São Paulo: Cortez, 1992. PARO, Vitor H. Educação como Exercício do Poder: implicações para a prática escolar democrática. 2 ed. São Paulo: Cortez, 2010. Disponível em http://br.bing.com/search?q=paro+%2B+educa%C3%A7%C3%A3o+como+exerc%C3%ADcio+do+poder&x=0&y=0&form=MSNH55, acessado dia 06/12/2011 Acesso em 6 dez 2011.
  • 21. POPPER, Karl; ECCLES, John. O eu e seu cérebro. Tradução: Sílvio Meneses Garcia, Helena Cristina Fontenelle Arantes e Aurélio Osmar Cardoso de Oliveira. 2 ed. Campinas, SP: Papirus, 1995. ROSA, Sammy S. da. Construtivismo e Mudança. 2 ed. São Paulo: Cortez, 1994. SAVIANI, Dermeval. Escola e Democracia. São Paulo: Cortez, 1985. VYGOTSKY, Lev Semionovich. A Formação Social da Mente. O desenvolvimento dos processos psicológicos superiores. 3 ed. São Paulo: Martins Fontes, 1994. Referencial