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Pneumonia intersticial usual (UIP)
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1 – Doutor em Radiologia pela Escola Paulista de Medicina – UNIFESP


1 - Introdução

O termo pneumonia intersticial usual, ou UIP, é uma denominação histológica, comum a diversas doenças,
como asbestose, fibrose pulmonar intersticial idiopática (FIPI), colagenoses e reação a drogas. Dentre os
métodos de imagem, a tomografia computadorizada de alta resolução (TCAR) é considerada o de escolha
para diagnóstico. A radiografia simples e a TC convencional têm baixas sensibilidade e especificidade.




2 - TCAR na UIP

Os achados mais comumente encontrados na TCAR são opacidades em vidro fosco, espessamentos
septais irregulares, reticulado, distorção da arquitetura pulmonar, bronquiectasias e bronquiolectasias de
tração e cistos de faveolamento. Estas alterações usualmente predominam nas regiões corticais póstero-
basais dos lobos inferiores, de modo simétrico. As figuras 1 a 3 demonstram aspectos típicos da UIP na
TCAR.




                         Figura 1. Pneumonia intersticial usual. Opacidades em vidro fosco
                         na periferia da região posterior dos lobos inferiores, associadas a
                     espessamentos septais irregulares e cistos de faveolamento subpleurais.




Curso Pneumo Atual de Tomografia Computadorizada de Alta Resolução de Tórax – aula 04                        1
Figura 2. TCAR de paciente com UIP demonstrando alterações intersticiais com
                  sinais de fibrose pulmonar nas regiões periféricas, caracterizadas por opacidades
                  em vidro fosco, reticulado, bronquiolectasias de tração e cistos de faveolamento.




                           Figura 3. Paciente com fibrose pulmonar compatível com UIP,
                       caracterizada por opacidades em vidro fosco e cistos de faveolamento
                        nas regiões póstero-basais dos lobos inferiores, além de reticulado e
                        bronquiolectasias de tração, com distorção da arquitetura pulmonar.




O significado das opacidades em vidro fosco na TCAR de pacientes com UIP é muito discutido, mas
acredita-se que naqueles pacientes com sinais de fibrose o vidro fosco também possa representar fibrose
pulmonar, abaixo da resolução espacial da TCAR. Nos pacientes com pouca ou nenhuma fibrose, o vidro
fosco pode corresponder a áreas de processo inflamatório ativo (alveolite).




Curso Pneumo Atual de Tomografia Computadorizada de Alta Resolução de Tórax – aula 04                     2
Outros achados de imagem na TCAR de pacientes com UIP são linfonodomegalias hilares e mediastinais
(figura 4). Deve-se também estar atento para detecção de eventuais neoplasias pulmonares (figura 5), já
que estes pacientes têm maior risco de desenvolvimento de carcinomas de pulmão que a população geral.




                               Figura 4. Linfonodomegalias mediastinais (setas) em
                                  paciente com fibrose pulmonar por UIP. A seta
                             tracejada demonstra espessamento pleural focal direito.




                                Figura 5. Paciente com UIP com adenocarcinoma
                                           pulmonar (seta) na TCAR.


A TCAR tem eficácia significativa na avaliação da UIP. Se os achados de imagem forem típicos e a clínica
for condizente com UIP, a hipótese está correta em mais de 90% dos casos, podendo-se eventualmente
dispensar a biópsia pulmonar cirúrgica (figuras 6 e 7). Caso o aspecto de imagem não seja típico na TCAR,
o método pode ainda auxiliar nos diagnósticos diferenciais, tais como sarcoidose, pneumonia por
hipersensibilidade e pneumonia intersticial não específica.


Curso Pneumo Atual de Tomografia Computadorizada de Alta Resolução de Tórax – aula 04                      3
Figura 6. Paciente com achados clássicos de UIP na TCAR, com alterações intersticiais e sinais de fibrose nas bases,
  caracterizados por opacidades em vidro fosco, reticulado, espessamentos septais e bronquiolectasias de tração. O
paciente era portador de esclerodermia (a seta aponta para dilatação esofágica na TCAR) e não foi necessário realizar
                                             biopsia pulmonar cirúrgica.




Figura 7. Alterações intersticiais nos lobos inferiores de paciente em uso de amiodarona. Pneumonia intersticial usual,
 caracterizada por opacidades em vidro fosco, espessamentos septais irregulares e bronquiolectasias de tração com
                                            distorção da arquitetura pulmonar.


3 - Leitura recomendada


ATS/ERS International multidisciplinary consensus classification of the idiopathic interstitial pneumonias. Am
J Respir Crit Care Med 2002;165:277-304.
Mueller-Mang C, Grosse C, Schmid K et al. What every radiologist should know about interstitial
pneumonias. RadioGraphics 2007;27:595–615.
Hunninghake GW, Zimmerman MB, Schwartz DA. Utility of a lung biopsy for the diagnosis of idiopathic
pulmonary fibrosis. Am J Respir Crit Care Med 2001;164:193-196.



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Pneumonia Intersticial

  • 1. Pneumonia intersticial usual (UIP) 1 Gustavo de Souza Portes Meirelles 1 – Doutor em Radiologia pela Escola Paulista de Medicina – UNIFESP 1 - Introdução O termo pneumonia intersticial usual, ou UIP, é uma denominação histológica, comum a diversas doenças, como asbestose, fibrose pulmonar intersticial idiopática (FIPI), colagenoses e reação a drogas. Dentre os métodos de imagem, a tomografia computadorizada de alta resolução (TCAR) é considerada o de escolha para diagnóstico. A radiografia simples e a TC convencional têm baixas sensibilidade e especificidade. 2 - TCAR na UIP Os achados mais comumente encontrados na TCAR são opacidades em vidro fosco, espessamentos septais irregulares, reticulado, distorção da arquitetura pulmonar, bronquiectasias e bronquiolectasias de tração e cistos de faveolamento. Estas alterações usualmente predominam nas regiões corticais póstero- basais dos lobos inferiores, de modo simétrico. As figuras 1 a 3 demonstram aspectos típicos da UIP na TCAR. Figura 1. Pneumonia intersticial usual. Opacidades em vidro fosco na periferia da região posterior dos lobos inferiores, associadas a espessamentos septais irregulares e cistos de faveolamento subpleurais. Curso Pneumo Atual de Tomografia Computadorizada de Alta Resolução de Tórax – aula 04 1
  • 2. Figura 2. TCAR de paciente com UIP demonstrando alterações intersticiais com sinais de fibrose pulmonar nas regiões periféricas, caracterizadas por opacidades em vidro fosco, reticulado, bronquiolectasias de tração e cistos de faveolamento. Figura 3. Paciente com fibrose pulmonar compatível com UIP, caracterizada por opacidades em vidro fosco e cistos de faveolamento nas regiões póstero-basais dos lobos inferiores, além de reticulado e bronquiolectasias de tração, com distorção da arquitetura pulmonar. O significado das opacidades em vidro fosco na TCAR de pacientes com UIP é muito discutido, mas acredita-se que naqueles pacientes com sinais de fibrose o vidro fosco também possa representar fibrose pulmonar, abaixo da resolução espacial da TCAR. Nos pacientes com pouca ou nenhuma fibrose, o vidro fosco pode corresponder a áreas de processo inflamatório ativo (alveolite). Curso Pneumo Atual de Tomografia Computadorizada de Alta Resolução de Tórax – aula 04 2
  • 3. Outros achados de imagem na TCAR de pacientes com UIP são linfonodomegalias hilares e mediastinais (figura 4). Deve-se também estar atento para detecção de eventuais neoplasias pulmonares (figura 5), já que estes pacientes têm maior risco de desenvolvimento de carcinomas de pulmão que a população geral. Figura 4. Linfonodomegalias mediastinais (setas) em paciente com fibrose pulmonar por UIP. A seta tracejada demonstra espessamento pleural focal direito. Figura 5. Paciente com UIP com adenocarcinoma pulmonar (seta) na TCAR. A TCAR tem eficácia significativa na avaliação da UIP. Se os achados de imagem forem típicos e a clínica for condizente com UIP, a hipótese está correta em mais de 90% dos casos, podendo-se eventualmente dispensar a biópsia pulmonar cirúrgica (figuras 6 e 7). Caso o aspecto de imagem não seja típico na TCAR, o método pode ainda auxiliar nos diagnósticos diferenciais, tais como sarcoidose, pneumonia por hipersensibilidade e pneumonia intersticial não específica. Curso Pneumo Atual de Tomografia Computadorizada de Alta Resolução de Tórax – aula 04 3
  • 4. Figura 6. Paciente com achados clássicos de UIP na TCAR, com alterações intersticiais e sinais de fibrose nas bases, caracterizados por opacidades em vidro fosco, reticulado, espessamentos septais e bronquiolectasias de tração. O paciente era portador de esclerodermia (a seta aponta para dilatação esofágica na TCAR) e não foi necessário realizar biopsia pulmonar cirúrgica. Figura 7. Alterações intersticiais nos lobos inferiores de paciente em uso de amiodarona. Pneumonia intersticial usual, caracterizada por opacidades em vidro fosco, espessamentos septais irregulares e bronquiolectasias de tração com distorção da arquitetura pulmonar. 3 - Leitura recomendada ATS/ERS International multidisciplinary consensus classification of the idiopathic interstitial pneumonias. Am J Respir Crit Care Med 2002;165:277-304. Mueller-Mang C, Grosse C, Schmid K et al. What every radiologist should know about interstitial pneumonias. RadioGraphics 2007;27:595–615. Hunninghake GW, Zimmerman MB, Schwartz DA. Utility of a lung biopsy for the diagnosis of idiopathic pulmonary fibrosis. Am J Respir Crit Care Med 2001;164:193-196. Curso Pneumo Atual de Tomografia Computadorizada de Alta Resolução de Tórax – aula 04 4