UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO
ESCOLA DE COMUNICAÇÕES E ARTES
DEPARTAMENTO DE RELAÇÕES PÚBLICAS, PROPAGANDA E
TURISMO
A NOVA CO...
UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO
ESCOLA DE COMUNICAÇÕES E ARTES
DEPARTAMENTO DE RELAÇÕES PÚBLICAS, PROPAGANDA E
TURISMO
A NOVA CO...
UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO
ESCOLA DE COMUNICAÇÕES E ARTES
DEPARTAMENTO DE RELAÇÕES PÚBLICAS, PROPAGANDA E
TURISMO
A NOVA CO...
DEDICATÓRIA
Aos anos mais intensos da minha
vida.
3
AGRADECIMENTOS
Agradeço primeiramente aos meus pais que fizeram desse sonho realidade
com seu amor incondicional e os br...
4
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO ................................................................................................... 7...
5
RESUMO
O ser humano está em constante mutação. A mais recente, e
provavelmente uma das mais revolucionárias foi o domíni...
6
ABSTRACT
The human is in constant mutation. The latest, and probably one of the
most revolutionary was the domination of...
7
INTRODUÇÃO
A internet é um meio de comunicação que
permite, pela primeira vez, a comunicação de
muitos com muitos, num m...
8
campos da telecomunicação permitiram que informações e conhecimentos,
antes limitados, pudessem ser compartilhados com t...
9
buscam entender a globalização e a construção de uma sociedade voltada
para a busca de informações, criando uma grande m...
10
1. CONTEXTUALIZAÇÃO DA ERA DA INFORMAÇÃO
Quando, no início da década de 70 em meio a Guerra Fria, a maioria das
pessoas...
11
inteiro. No Brasil, a internet surgiu quando a FAPESP (Fundação de Amparo à
Pesquisa do Estado de São Paulo) realizou s...
12
Sabendo da evolução da internet e como essa tecnologia se posicionou
como principal fonte de conhecimento e transmissão...
13
programas que facilitaram e modificaram a transmissão de conhecimento entre
a humanidade.
Com a comunicação e a informa...
14
complexa e completa que de qualquer indivíduo, onde todo o conhecimento
seria compartilhado.
Acrescentemos à nossa defi...
15
Para que essa estruturação social acontecesse, três fatores do século
XX foram essenciais, segundo Castells (2003): a g...
16
cadeias de restaurantes ou até acompanhando fotos e vídeos da sua família.
Analisando a relação entre a invasão das cul...
17
o mundo, seja através de um tweet10
, de um blog ou de um vídeo postado. É a
geração do instantâneo.
Para Levy (LÉVY, 2...
18
(2007) compara o uso dos vídeogames pelas crianças e jovens com as críticas
levantadas ao cinema quando este surgiu – u...
19
Entender essa nova geração e a revolução da informação nos ajuda a
entender as mudanças que acontecem em diversas áreas...
20
classes sociais. “A circulação de conteúdos depende fortemente da
participação ativa dos consumidores” (JENKINS, 2008, ...
21
sozinhos, agora podemos fazer coletivamente.
(JENKINS, 2006, p.54)
Juntamente com o cenário das gerações Y e Z, o consu...
22
(1998) com as prestações de serviços em prol de melhores resultados para
aquisição de um produto. Para o consumidor, le...
23
Entendendo o cenário criado com a evolução da internet, a modificação
social com o surgimento de uma nova geração total...
24
utilizar das tecnologias como ferramenta de expansão do turismo, já que é feito
a partir das necessidades dos seus cons...
25
personalização do atendimento. (GUIMARÃES;
BORGES, 2008, p.10)
2.1 PERFIL DO CIBERTURISTA
Sabendo das mudanças acarreta...
26
outros. Além disso, evoluções tecnológicas, modelos de consumo, marketing,
fazem com que as pessoas potencializem ainda...
27
Já os fatores determinantes, podem ser pessoais ao turista ou externo a
ele. No primeiro, questões como saúde, renda di...
28
Figura 2 - Fatores externos que influenciam a decisão do turista
Assim, observa-se uma hierarquia de influências nas de...
29
Segundo o IBOPE (2010, online) 16
, a categoria que mais cresceu de
2009 para 2010 nas buscas na internet foi “viagens”...
30
exemplo, o cenário da concorrência e a ação de terceiros, como as agências
de viagem.
De acordo com a pesquisa realizad...
31
A pesquisa ainda indica que os profissionais do turismo acreditam que
apesar do aumento do conhecimento, isso não resul...
32
turista, podem tornar a sua experiência mais completa e mais próxima da
perfeição.
Ainda segundo a pesquisa da Amadeus ...
33
decisórios sejam lentos e demandam soluções
ágeis, o que pode ser viabilizado mediante
sistemas de informações adequado...
34
O que impele um indivíduo a viajar, a procurar lá fora o
que não encontra dentro não é tanto o resultado de um
impulso ...
35
de espaço para suas vontades mais naturais, que então, busca através de
viagens, experiências e divertimentos para pree...
36
último acontece o máximo da interação entre ambas as partes, provocando
mudanças profundas no comportamento do turista....
37
 As experiências turísticas são pessoais e sensoriais, e extremamente
ligadas à imaginação, e a evolução tecnológica a...
38
De acordo com as informações apresentadas anteriormente, uma
viagem é a concretização de vontades, desejos e expectativ...
39
Atualmente, o processo da viagem não termina na viagem, há ainda a
etapa de compartilhamento de informações e experiênc...
40
online). Isso acontece como resposta à ampla quantidade de opções que a
internet oferece, seja na escolha dos destinos,...
41
acordo com o orçamento da viagem. Este site também auxilia na etapa de
planejamento da viagem.
Vídeos e imagens são os ...
42
Ações como essa mostram a importância do destino estar presente na
Internet, onde a maior parte das pessoas fazem suas ...
43
indivíduo avança para a próxima fase onde ele irá buscar mais informações
para concretizar sua idealização, resultado d...
44
Gráfico 5 - Opções que terão maior impacto na maneira que a próxima geração pesquisará informações
turísticas (Amadeus ...
45
inspiração, o turista já está fazendo uma pesquisa sobre determinado local ou
hotel.
É importante ressaltar que, segund...
46
conteúdo diz respeito aos dados mais específicos, como
calendário de eventos, agenda cultural, instalações
hoteleiras, ...
47
acordo com seu ponto de partida e as datas escolhidas, selecionar hotéis,
aluguel de carros, cruzeiros, e ainda, adquir...
48
(http://www.decolar.com/) são bons exemplos de canais de pesquisa,
distribuição e compra de serviços turísticos.
Ainda,...
49
Conforme apresentamos anteriormente, esta abordagem é
extremamente relevante para o ciberturista, que busca na internet...
50
Outra caracteristícas complexa de uma viagem é organizar a logísticas
dos processos, que envolvem principalmente o tran...
51
Para auxiliar na logística no destino, os sites GoScopia
(http://www.goscopia.com) e TransportDirect (http://www.transp...
52
VIAGEM E COMPARTILHAMENTO DE EXPERIÊNCIA
Depois de definido todos os detalhes da viagem, desde meios de
transportes até...
53
nunca antes vista ao consumidor, que agora levar uma marca ao sucesso ou
ao fracasso, sem muito esforço. Segundo pesqui...
54
tendências, associadas à internet, que também participam dessa mudança de
cenário do turismo: a geolocalização e o mobi...
55
adicionado à mapas online e, que foi cada vez mais englobado pelas empresas
como ferramenta de marketing digital. É uma...
56
interesse em um mapa pessoal, escrever uma resenha sobre determinado
restaurante, compartilhar com outros possíveis con...
57
geolocalização, permitindo que os tweets tenham sua localização anexada,
segundo o site Exame27
(2010, online).
Com a i...
58
afinal só no Brasil, são cerca de 212 milhões de celulares mais que a própria
população do país segundo o site Globo28
...
TCC - Alessandra Vieira Rielli (5646476)
TCC - Alessandra Vieira Rielli (5646476)
TCC - Alessandra Vieira Rielli (5646476)
TCC - Alessandra Vieira Rielli (5646476)
TCC - Alessandra Vieira Rielli (5646476)
TCC - Alessandra Vieira Rielli (5646476)
TCC - Alessandra Vieira Rielli (5646476)
TCC - Alessandra Vieira Rielli (5646476)
TCC - Alessandra Vieira Rielli (5646476)
TCC - Alessandra Vieira Rielli (5646476)
TCC - Alessandra Vieira Rielli (5646476)
TCC - Alessandra Vieira Rielli (5646476)
TCC - Alessandra Vieira Rielli (5646476)
TCC - Alessandra Vieira Rielli (5646476)
TCC - Alessandra Vieira Rielli (5646476)
TCC - Alessandra Vieira Rielli (5646476)
TCC - Alessandra Vieira Rielli (5646476)
TCC - Alessandra Vieira Rielli (5646476)
TCC - Alessandra Vieira Rielli (5646476)
TCC - Alessandra Vieira Rielli (5646476)
TCC - Alessandra Vieira Rielli (5646476)
TCC - Alessandra Vieira Rielli (5646476)
TCC - Alessandra Vieira Rielli (5646476)
TCC - Alessandra Vieira Rielli (5646476)
TCC - Alessandra Vieira Rielli (5646476)
TCC - Alessandra Vieira Rielli (5646476)
TCC - Alessandra Vieira Rielli (5646476)
TCC - Alessandra Vieira Rielli (5646476)
TCC - Alessandra Vieira Rielli (5646476)
TCC - Alessandra Vieira Rielli (5646476)
TCC - Alessandra Vieira Rielli (5646476)
TCC - Alessandra Vieira Rielli (5646476)
TCC - Alessandra Vieira Rielli (5646476)
TCC - Alessandra Vieira Rielli (5646476)
TCC - Alessandra Vieira Rielli (5646476)
TCC - Alessandra Vieira Rielli (5646476)
TCC - Alessandra Vieira Rielli (5646476)
TCC - Alessandra Vieira Rielli (5646476)
TCC - Alessandra Vieira Rielli (5646476)
TCC - Alessandra Vieira Rielli (5646476)
TCC - Alessandra Vieira Rielli (5646476)
TCC - Alessandra Vieira Rielli (5646476)
TCC - Alessandra Vieira Rielli (5646476)
TCC - Alessandra Vieira Rielli (5646476)
TCC - Alessandra Vieira Rielli (5646476)
TCC - Alessandra Vieira Rielli (5646476)
TCC - Alessandra Vieira Rielli (5646476)
TCC - Alessandra Vieira Rielli (5646476)
TCC - Alessandra Vieira Rielli (5646476)
TCC - Alessandra Vieira Rielli (5646476)
TCC - Alessandra Vieira Rielli (5646476)
TCC - Alessandra Vieira Rielli (5646476)
TCC - Alessandra Vieira Rielli (5646476)
TCC - Alessandra Vieira Rielli (5646476)
TCC - Alessandra Vieira Rielli (5646476)
TCC - Alessandra Vieira Rielli (5646476)
TCC - Alessandra Vieira Rielli (5646476)
TCC - Alessandra Vieira Rielli (5646476)
TCC - Alessandra Vieira Rielli (5646476)
TCC - Alessandra Vieira Rielli (5646476)
TCC - Alessandra Vieira Rielli (5646476)
TCC - Alessandra Vieira Rielli (5646476)
TCC - Alessandra Vieira Rielli (5646476)
TCC - Alessandra Vieira Rielli (5646476)
Próximos SlideShares
Carregando em…5
×

TCC - Alessandra Vieira Rielli (5646476)

278 visualizações

Publicada em

0 comentários
0 gostaram
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

  • Seja a primeira pessoa a gostar disto

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
278
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
9
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
2
Comentários
0
Gostaram
0
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

TCC - Alessandra Vieira Rielli (5646476)

  1. 1. UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO ESCOLA DE COMUNICAÇÕES E ARTES DEPARTAMENTO DE RELAÇÕES PÚBLICAS, PROPAGANDA E TURISMO A NOVA CONFIGURAÇÃO DO TURISMO: Como a internet mudou a maneira de viajar. Aluna: Alessandra Vieira Rielli Orientador: Professor Dr. Sérgio Bairon São Paulo, 2011
  2. 2. UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO ESCOLA DE COMUNICAÇÕES E ARTES DEPARTAMENTO DE RELAÇÕES PÚBLICAS, PROPAGANDA E TURISMO A NOVA CONFIGURAÇÃO DO TURISMO: Como a internet mudou a maneira de viajar. Alessandra Vieira Rielli Trabalho de Conclusão de Curso apresentado na Universidade de São Paulo como exigência parcial para a obtenção do grau de bacharelado em Turismo. Sob orientação do Prof. Dr. Sérgio Bairon São Paulo, 2011
  3. 3. UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO ESCOLA DE COMUNICAÇÕES E ARTES DEPARTAMENTO DE RELAÇÕES PÚBLICAS, PROPAGANDA E TURISMO A NOVA CONFIGURAÇÃO DO TURISMO: Como a internet mudou a maneira de viajar. Autora: Alessandra Vieira Rielli Aprovado em ________/________/_________ BANCA EXAMINADORA ______________________________________ 1º Membro ______________________________________ 2º Membro ______________________________________ 3º Membro
  4. 4. DEDICATÓRIA Aos anos mais intensos da minha vida.
  5. 5. 3 AGRADECIMENTOS Agradeço primeiramente aos meus pais que fizeram desse sonho realidade com seu amor incondicional e os braços sempre abertos para me ajudar, me apoiando em todas as minhas escolhas, sendo elas certas ou erradas. Ao meu irmão, por sempre me ajudar a arrumar meu computador. As maricotas, que foram essenciais na conquista desta etapa e com quem aprendi tanto, sei que sem vocês esses últimos cinco anos não teriam sido tão lindos e intensos com foram. A todos os meus amigos que participaram direta ou indiretamente deste processo e que sabem da importância que tiveram, seja como ombro amigo, seja como companheiros de filmes de péssimo gosto ou festas kabulosas, sejam como “chefes” – duas em especial, seja como amigos de sala que sempre me ajudaram a dar um jeitinho de passar em estatística, seja como vizinhos que nunca reclamaram das invasões em busca de internet ou lugar para lavar roupa, seja como um grupo de pessoas tão especiais com quem tive a honra de dividir 14 meses da minha vida e que com certeza permanecerão por muito mais tempo nela.
  6. 6. 4 SUMÁRIO INTRODUÇÃO ................................................................................................... 7 1. CONTEXTUALIZAÇÃO DA ERA DA INFORMAÇÃO................................ 10 2. NOVO CONTEXTO DO TURISMO ........................................................... 23 2.1 PERFIL DO CIBERTURISTA.............................................................. 25 2.2 AS ETAPAS DE UMA DECISÃO ........................................................ 37 3. GEOLOCALIZAÇÃO E MOBILE: NOVAS TENDÊNCIAS ......................... 53 3.1 GEOLOCALIZAÇÃO ........................................................................... 54 3.2 MOBILE............................................................................................... 57 3.3 A UNIÃO DO MOBILE E GEOLOCALIZAÇÃO: FOURSQUARE ........ 63 4. AS FERRAMENTAS DE APOIO AO TURISMO DESENVOLVIDAS PELO GOOGLE.......................................................................................................... 65 4.1 DON‟T BE EVIL, BE GOOGLE ........................................................... 65 4.2 GOOGLE MAPS ................................................................................. 69 4.3 GOOGLE EARTH................................................................................ 78 4.4 AJUDANDO A SOCIEDADE............................................................... 80 4.5 POLÊMICAS ....................................................................................... 83 4.6 GOOGLE E O TURISMO.................................................................... 86 4.6.1 GOOGLE STREET VIEW............................................................. 88 4.6.2 VISITANTO LUGARES PÚBLICOS E FAMOSOS ....................... 90 4.6.3 O GOOGLE ART PROJECT......................................................... 95 4.6.4 GOOGLE CITY TOUR.................................................................. 97 4.6.5 GOOGLE E AS EMPRESAS ........................................................ 99 4.6.6 OUTRAS APLICAÇÕES DO GOOGLE NO TURISMO .............. 101 4.6.7 RELATO DE EXPERIÊNCIA ...................................................... 110 CONSIDERAÇÕES FINAIS ........................................................................... 115 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS............................................................... 117
  7. 7. 5 RESUMO O ser humano está em constante mutação. A mais recente, e provavelmente uma das mais revolucionárias foi o domínio de todas as informações através da internet criando uma grande massa virtual inteligente que impactou diretamente a maneira como as partes se comunicam dentro do turismo. O acesso às informações do setor se tornou muito mais fácil e a relação com o consumidor mais transparente, graças ao que chamamos de internet colaborativa. Além disso, diversas ferramentas surgiram na internet para auxiliar as diversas etapas de uma viagem. Com isso, empresas como o Google desenvolveram diversas opções criativas para aproximar destinos e informações de seus principais consumidores: o turista, através de mapas virtuais, imagens, e diversas outras fontes de informações interativas que ajudaram a completar esse novo cenário do turismo em meio às informações e tecnologias. Palavras chaves: Revolução da Informação, Avanços Tecnológicos, Web 2.0, Ferramentas, Turismo.
  8. 8. 6 ABSTRACT The human is in constant mutation. The latest, and probably one of the most revolutionary was the domination of all the information through the internet, creating a big intelligent virtual mass that has impacted directly the way how the parties communicate within the tourism. The access to the information of the segment has become much easier, and the relationship with the consumer more transparent, thanks to what we call collaborative internet. Moreover, several tools emerged on the internet to assist the various stages of a trip. With that, companies like Google developed several creative options to bring closer the destinations and information of its main consumers: the tourist, through virtual maps, images and various other interactive sources of information that helped to complete the new scene of tourism between the information and technology. Key Words: Information Revolution, Technological Advances, Web 2.0, Tools, Tourism.
  9. 9. 7 INTRODUÇÃO A internet é um meio de comunicação que permite, pela primeira vez, a comunicação de muitos com muitos, num momento escolhido, em escala global (CASTELLS, 2003, p. 8). Desde a época das navegações marítimas, o homem busca sempre encontrar um mundo novo. Seja por sua curiosidade no diferente, ou simplesmente pela vontade de fugir da mesmice. O fato é que, com o passar dos séculos, a distância foi se tornando o menor dos problemas, e hoje, essa barreira é quase mínima. Essa redução das distâncias é perceptível conforme as tecnologias e a capacidade do homem de buscar sempre o novo foram aumentando. Primeiramente foram os grandes navios, depois o avanço dos meios de transporte e a disponibilização destes para as massas (principalmente após a Revolução Industrial, com o avanço do modelo Fordismo), as televisões e telefones, os aviões, e por fim, a internet. Isso, chamamos de globalização. Para o turismo, esta evolução não foi diferente. Quando os custos das passagens de trens ainda eram muito caros, inviabilizando a atividade turística para as massas, Thomas Cook1 resolveu fretar um trem, ainda no século XVIII, e vender as passagens a custos mais baixos para que assim, as viagens se tornassem mais viáveis e acessíveis. Auxiliado com os avanços dos meios de transporte e de telecomunicação, essa atividade foi crescendo cada vez mais, aproximando não apenas lugares, como também, culturas. Para Beni (2004), a globalização do turismo foi consequência da globalização geral dos mercados, sejam eles financeiros, tecnológicos, das telecomunicações, atividades comerciais, mas principalmente a globalização econômica, que permitiu que a sociedade se estabelecesse e estabelecesse atividades em qualquer lugar do mundo. Além disso, avanços tecnológicos nos 1 Considerado o primeiro agente de viagens da história do turismo.
  10. 10. 8 campos da telecomunicação permitiram que informações e conhecimentos, antes limitados, pudessem ser compartilhados com todo o mundo. Um dos resultados dessa revolução tecnológica foi o surgimento da Internet como ferramenta de comunicação em massa e que provocou uma mudança no cenário da comunicação criando novas linguagens, interações, estilos de vida e de sociabilidade. A partir de então, todos puderam participar do mesmo contexto, atuar como criadores de conteúdo, receptores, intérpretes, e divulgadores de forma instantânea, contínua e em constante mutação. Todos fazem parte de uma grande conversa, de um debate permanente, aberto, participativo e democrático, pois todos são iguais e as demandas de interatividade e mobilidade estão presentes. E esse ponto é o que verdadeiramente transformou o cenário das viagens e dos viajantes. Considerando que o turismo é uma atividade baseada nas informações e constituída basicamente por pessoas, era inevitável que essas consequências do pós-modernismo não causassem nenhum impacto. Com isso, tanto o mercado das atividades envolvidas, como o comportamento do consumidor de turismo foram afetados, tornando esse segmento sensível a estas mudanças. Hoje, a internet é fonte de inspiração e organização para o turismo, com suas inúmeras ferramentas e inovações que permitem que o turista modifique seus hábitos de viagem e ainda, utilize a internet como canal de socialização e compartilhamento de suas opiniões, percepções e experiências. Além disso, empresas do segmento e atrativos turísticos tem nos avanços tecnológicos um potencial canal de vendas e marketing que, se utilizado de maneira inteligente e criativa, pode causar grande impacto nas decisões dos turistas. Por isso, o objetivo deste trabalho é apresentar algumas dessas manifestações, a partir da compreensão de como esta revolução tecno-social se estabeleceu no mundo e os impactos que ela gerou nas estruturas sociais e mercadológicas do turismo. No primeiro capítulo, será apresentado o cenário mundial em que a internet se estabeleceu e os impactos que esta gerou na estruturação social e mundial, com base nos pensamento de escritores que
  11. 11. 9 buscam entender a globalização e a construção de uma sociedade voltada para a busca de informações, criando uma grande massa de conhecimento chamada por Lévy (1998) de inteligência coletiva. A seguir, será analisado como essas mudanças afetaram o cenário da atividade turística e como o consumidor do turismo se comporta diante disso, a partir do entendimento do consumidor em geral, das experiências que este consumidor de turismo busca, e por fim, o cenário mercadológico turístico baseado na internet e no compartilhamento de informações. Com estas análises, é possível apresentar então outras opções de fontes de informação que podem servir como base para as fases do ciclo de uma viagem, apresentado pelo empresário Robert Cole, e como elas podem influenciar na decisão final do ciberturista. Para complementar as diversas ferramentas de comunicação provenientes dos avanços tecnológicos, serão apresentadas duas tendências para o mercado geral e turístico que visam aprimorar a comunicação e facilitar o acesso às informações independentemente de suas localização. Por fim, o último capítulo visa englobar todas essas manifestações e possibilidades tecnológicas, digitais e virtuais para o turismo dentro de uma única marca, o Google, mostrando como uma das empresas mais influentes no mundo pode participar ativamente da modernização e virtualização da atividade turística. É importante ressaltar que toda a pesquisa foi realizada através de uma sistematização bibliográfica com leituras documentais a partir de bibliografias relacionadas aos avanços da comunicação e tecnologia, além de sites de notícias e das ferramentas citadas. Porém, foi perceptível a escassez de bibliografias acadêmicas específicas sobre as conexões entre o turismo e sua nova configuração a partir dos avanços da internet. Assim, espero que este trabalho possa complementar os estudos sobre a relação do turismo com a web, a partir do novo posicionamento social em meio aos avanços tecnológicos e a busca por informações, possibilitando novas formas de interação com o trade turístico.
  12. 12. 10 1. CONTEXTUALIZAÇÃO DA ERA DA INFORMAÇÃO Quando, no início da década de 70 em meio a Guerra Fria, a maioria das pessoas acreditava que a grande revolução seria com a chegada do homem a lua, mal sabiam eles que a verdadeira revolução estava dando seus primeiros passos dentro de universidades americanas. A revolução das informações e da comunicação começa com a criação da ARPANET, uma rede de computadores interligados criados pela Advanced Reseacrh Projects Agency (ARPA), em 1969, com o objetivo de compartilhar o conhecimento entre grupos de pesquisas que trabalhavam para essa agência. Aos poucos, essa rede foi crescendo entre as universidades, agências de inteligência militar norte americana e outros órgãos que foram desenvolvendo suas próprias redes internas, que levou a ARPANET se tornar obsoleta por volta de 1990 devido à aparição de diversas outras redes mais eficientes. Outro fator que possibilitou o surgimento da Internet no formato atual foram os bulletin board system (BBS2 ), sistema de armazenamento e compartilhamento de informações que surgiu na década de 70. Depois disso, muitos outros estudantes de universidades americanas desenvolveram sistema de conexão entre computadores. Mas o grande momento do nascimento da web foi com a criação do WWW (World Wide Web), por um programador inglês chamado Tim Berners- Lee, que desenvolveu um projeto onde qualquer usuário que tivesse seu computador conectado em rede, poderia obter e acrescentar informações, de e para qualquer outro computador conectado na rede, que posteriormente, foi acoplado ao software Windows 95, da Microsoft, espalhando o acesso à internet para o mundo inteiro. A partir de então, todas as pessoas tinham a opção de tornarem-se criadoras de conteúdo na internet, que seria disponibilizada para o mundo 2 Um Bulletin Board System (BBS) era um sistema que permitia a conexão via telefone através do um computador. Foi substituído pela internet.
  13. 13. 11 inteiro. No Brasil, a internet surgiu quando a FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) realizou sua primeira conexão em rede, em 1988. E o grande salto, foi em 1995, com o surgimento dos primeiros grandes sites da Internet – Yahoo e Amazon, ambos americanos. O uso da internet teve um crescimento vertiginoso. Em 1995 3 havia cerca de 16 milhões de usuários, em 20004 eram mais de 250 milhões, e em 2010 chegaram a 2 bilhões. Ou seja, apenas nos cinco primeiros anos, o crescimento foi de mais de 1462%, enquanto nos últimos 10 ano foi de 700%, um crescimento médio anualizado de 38% ao ano no número de usuários de internet. Só no Brasil, em 2010, eram mais de 51 milhões de usuários, de acordo com pesquisa feita pela Ibope Nielsen Online5 . Nenhum dos principais atores institucionais – Estado ou empresas – planejou deliberadamente, nenhum grande órgão de mídia previu, tampouco anunciou, o desenvolvimento da informática pessoal, o das interfaces gráficas interativas para todos, o BBS ou dos programas que sustentam as comunidades virtuais dos hipertextos ou da World Wide Web(...) nascidos no espírito visionários, transmitidas pela efervescência de movimentos sociais e práticas de base, vieram de lugares inesperados para qualquer „tomador de decisões. (LÉVY, 2007, p.27) Esse crescimento intenso teve como principal responsável o barateamento das tecnologias (computadores, notebooks e celulares), e principalmente a facilitação de acesso às telecomunicações (como internet, banda larga e web mobile), causando uma verdadeira revolução no modo de vida das pessoas. 3 FOLHA ONLINE. Confira os dez momentos mais importantes da Internet. 2005. Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/folha/informatica/ult124u19223.shtml > Acesso em: Abril 2011 4 PORTAL G1. Número de usuários de Internet no mundo alcança os 2 bilhões. 2011. Disponível em: <http://g1.globo.com/tecnologia/noticia/2011/01/numero-de-usuarios-de-internet-no-mundo-alcanca-os-2- bilhoes.html > Acesso em: Abril 2011 5 IBOPE NILSEN ONLINE. Internet no Brasil cresceu 5,9% em Agosto. 2010. Disponível em: <http://www.ibope.com.br/calandraWeb/servlet/CalandraRedirect?temp=6&proj=PortalIBOPE&pub=T&db=caldb& comp=pesquisa_leitura&nivel=null&docid=0A276B95D145374B832577B6007A5F6A> Acesso em: abril 2011
  14. 14. 12 Sabendo da evolução da internet e como essa tecnologia se posicionou como principal fonte de conhecimento e transmissão de ideias é necessário entender como isto afetou as organizações sociais, resultando na globalização do conhecimento e que tipo de cenário ela criou. Assim, em seu livro, The World is Flat (2007), Thomas Friedman mostra a existência de três fases dessa globalização. A primeira delas, Globalização 1.0, de 1492 a meados de 1800, quando Cristóvão Columbus deu início as Grandes Navegações, provando que o mundo era redondo através de uma rota alternativa para o comércio do Novo Mundo com o Velho Mundo. Essa nova rota modificou as estruturas comercias da época, aproximando países e continentes que até então, eram desconhecidos ou mesmo distante demais para serem conectados com a Europa. Friedman (2007) define essa era como a diminuição do mundo do tamanho grande para médio. A segunda globalização, intitulada como 2.0, ocorreu por volta de 1800 até os anos 2000, quando com a Revolução Industrial, o barateamento dos meios de transporte e das telecomunicações tornaram o mundo muito mais próximo e conectado para todos, não apenas para uma determinada camada social. O transporte se tornou cada vez mais rápido, o comércio se estabeleceu em todas e entre todas as regiões do mundo, e a informação era altamente disseminada. As companhias e grandes empresas se globalizaram (surgimento das multinacionais), e que agora poderiam se estabelecer e comunicar com qualquer parte do mundo. O mundo já não era mais médio, mas pequeno. Finalmente, a última globalização, a 3.0, é a que se vive atualmente, na qual o mundo diminuiu de pequeno para minúsculo e ainda, se planificando (principalmente após a queda do muro de Berlin, em 1989, acabando com o separatismo do mundo), ou seja, cada vez mais igual e acessível. É a era que caracteriza a força dada ao indivíduo que agora, colabora e compete com o conhecimento e a informação a nível global, sem qualquer limitação física. É visível a relação entre a dominação do mundo pelos homens, com os avanços tecnológicos. E essa dominação não foi apenas territorial, mas principalmente nos campos da informação e comunicação, áreas provavelmente mais “afetadas”, que resultaram em ferramentas, tecnologias e
  15. 15. 13 programas que facilitaram e modificaram a transmissão de conhecimento entre a humanidade. Com a comunicação e a informação disseminada e amplamente accessível, novas relações sociais e comerciais se estabeleceram. O mundo estava interligado. A limitação à imprensa local foi substituída pelo acesso á imprensas mundiais que permitiam que as pessoas pudessem acompanhar de perto e sem nenhum interceptor as tendências e acontecimentos do mundo, além de colaborar com a produção desse conteúdo complementando a grande rede de acesso às informações: a internet. Para exemplificar essa nova orientação da comunicação, é possível observar o exemplo citado por Henry Jenkins (2008) na qual o lançamento do filme Rok Sako To Rok Lo (2004) foi exibido em vários lugares do mundo, simultaneamente, através de celulares. Até tempos atrás, pensar em transmissão de um filme, com qualidade e em tempo real, já era muito difícil, e através de um aparelho móvel, era ainda mais improvável. Thomas Friedman (2007) também cita que percebeu uma mudança no cenário mundial (o que ele chama de planificação) em uma reunião em Bangalore, Índia, quando, ao entrar em uma sala de reunião, havia pessoas de Singapura, Londres, Nova York, São Francisco e Boston discutindo, conversando e tomando decisões, todos em uma grande tela de computador. Naquele momento, Friedman (2007) mostra a existência verdadeira da globalização, associada em grande parte, aos altos investimentos em tecnologia, ao barateamento de computadores e o avanço de diversos softwares6 que facilitam tanto o acesso, como a conexão entre pessoas no mundo inteiro. Friedman (2007) ainda afirma que com o mundo “plano” todos poderiam estar conectados, bem como seus conhecimentos, todos em uma única rede que nos levaria a uma era de prosperidade, inovações e colaborações entre empresas, comunidades e indivíduos. Isso caracteriza em grande parte o perfil da nova geração e a formação de uma inteligência coletiva, muito maior, 6 Software são conjuntos ou tipos de programas, dados e ferramentas desenvolvidas para computadores, para desempenhar determinadas funções.
  16. 16. 14 complexa e completa que de qualquer indivíduo, onde todo o conhecimento seria compartilhado. Acrescentemos à nossa definição este complemento indispensável: a base e o objeto da inteligência coletiva são o reconhecimento e o enriquecimento mútuos das pessoas, e não o culto de comunidades fetichizadas ou hipostasiadas. (LÉVY, 1998, p. 28). Com a informação sendo transmitida equivalentemente aos povos, essa sociedade conectada pode organizar suas ações de uma maneira superior e equilibrada, já que não há mais tanta exclusividade das informações. Manuel Castells (2003) afirma que com a internet foi implantada uma nova ideologia de liberdade, criada pelos usuários e desenvolvedores da internet. Os personagens principais deste novo cenário da globalização e principalmente da internet como meio de comunicação principal, são todos os indivíduos que se manifestam livremente através das diversas tecnologias e programas na internet, delimitando assim o comércio, as informações e o sucesso das marcas, e até o cenário político, ajudando pessoas antes alienadas a sua realidade local a terem acesso à informação de todo o mundo, mostrando a elas como o mundo é e se comporta. Em fevereiro de 20117 , assistimos a queda do egípcio Hosni Mubarak após uma revolta da população, descontente com o governo que já durava 30 anos. As organizações dos movimentos se deram principalmente através do Twitter8 e do Facebook9 (redes sociais altamente conectadas com o mundo inteiro). Antes disso, na Tunísia, a população usou essas mesmas ferramentas para organizar manifestações que resultaram na destituição do presidente Ben Ali, provando o poder que a internet tem de mostrar certas situações e em impulsionar reações coletivas. 7 SETTI, Renan. Redes Sociais desempenharam papel fundamental na queda de Mubarak, afirmam especialistas. O Globo Online. 2011. Disponível em: <http://oglobo.globo.com/mundo/mat/2011/02/11/redes-sociais- desempenharam-papel-fundamental-na-queda-de-mubarak-afirmam-especialistas-923780668.asp> Acesso em: Maio 2011 8 Twitter é uma rede social onde as pessoas escrevem pequenos textos, de no máximo 140 caracteres, expressando suas ideias, vontades, desejos, reclamações e até ações que estão fazendo. Hoje, o Twitter é altamente utilizado por empresas, como ferramenta de auxilio ao Serviço de Atendimento ao Consumidor, monitorando o que as pessoas falam da marca, e interagindo com esses consumidores. 9 Rede social, criada para aproximar as pessoas do mundo inteiro.
  17. 17. 15 Para que essa estruturação social acontecesse, três fatores do século XX foram essenciais, segundo Castells (2003): a globalização das economias, do capital e das empresas que geraram a valorização da sociedade pelas informações abertas, certo reflexo de muitas ditaduras que aconteceram pelo mundo no final das décadas passadas, e principalmente com a revolução microeletrônica, facilitando o acesso e a compra de computadores e a utilização e massa da internet. Essas questões determinaram o surgimento de uma nova organização social que valoriza a cultura da informação. Uma sociedade que busca sempre saber melhor o que acontece em sua volta e o que existe à sua volta, graças às facilidades disponibilizadas nos meios de comunicação, sem limite e sem qualquer censura. Para essa geração da informação, os limites são diferentes. Para eles, poder conhecer o mundo, seja físico ou informacional, é uma simples questão de desenvolver alguns programas que permitam realizar suas vontades. A referência à frase “redução das distâncias” é real e quase literal, exatamente por essa facilidade em conhecer cada detalhe de cada lugar através da tela de um computador, além de obter informações detalhadas sobre a política, a sociedade e a cultura local (é possível englobar aqui, diversos assuntos como música, arquitetura, história, moda, culinária, dança etc.). Embora esses avanços tecnológicos tenham sido criados para facilitar as relações entre povos e aumentar a liberdade de transmissão de informação entre os mesmos, é importante lembrar que muitas vezes o Estado pode determinar este desenvolvimento e esta liberdade. Hoje, a internet segue determinados protocolos a respeito dos governos de cada país. O governo chinês, por exemplo, tem um controle e censura fortes para alguns conteúdos que são considerados ofensivos a cultura local, alegando que só assim podem preservar a identidade local. Mesmo com essas condições, Friedman (2007) aponta o lado oposto deste movimento, extremamente relevante para a sociedade e suas culturas, já que hoje é possível viver em qualquer lugar do mundo e estar presente na rotina de seu país natal, seja através das notícias, conversas instantâneas, das
  18. 18. 16 cadeias de restaurantes ou até acompanhando fotos e vídeos da sua família. Analisando a relação entre a invasão das culturas nas culturas e a preservação das identidades originais de cada país, Jenkins (2008, p. 44) diz “as promessas desse novo ambiente midiático provocam expectativas de um fluxo mais livre de ideias e conteúdos. Inspirados por esses ideais, os consumidores estão lutando pelo direito de participar mais plenamente de sua cultura”. Pode-se considerar este fluxo, como sendo as mudanças na forma de consumir e produzir os meios de comunicação, os avanços das tecnologias digitais e virtuais, a ruptura com o tradicional e a estimulação da sociedade para novas realidades. Assim, o cenário de globalização que se tem hoje baseia-se na evolução tecnológica e a formação de uma nova estrutura social, extremamente voltada para a busca de conhecimento através das informações amplamente disponibilizadas nas tecnologias digitais. Este cenário afeta a cultura em geral, desde o comportamento social ao comportamento mercadológico, tornando o mundo muito mais acessível sob ponto de vista da comunicação. É a planificação do mundo citada por Friedman (2007) resultado de uma geração que busca cada vez mais a conexão global e o fluxo livre de conhecimentos e informações. Essa geração surge em meio ao nascimento de um novo mundo em que sua participação é fundamental e essencial para que as mudanças continuem. Se no começo do século XX a televisão revolucionou a distribuição da informação, hoje, a internet faz o papel de principal mídia de uma geração de conhecimento. E quem nunca se perguntou: como eu vivia sem internet? Ela se tornou onisciente e onipresente. Criou novas linguagens, nova noção de tempo-espaço e novos estilos de vida. Tornou o todo, um só, o longe, perto, em uma rede conectada, não apenas computadores, mas por pessoas que determinaram o surgimento de uma rede colaborativa. A internet permite que vontades e individualidades sejam divulgadas e dá a chance de conquistar
  19. 19. 17 o mundo, seja através de um tweet10 , de um blog ou de um vídeo postado. É a geração do instantâneo. Para Levy (LÉVY, 2007, p.26) “a prensa de Gutenberg não determinou a crise da Reforma, nem o desenvolvimento dos ideais iluministas e a força crescente da opinião pública no século XVIII – apenas condicionou-as”. O mesmo acontece com a evolução da internet, ela não determinou a modificação das estruturas sociais e da propagação da informação, apenas condicionou a uma nova formação tecno-social. Somado a isso, Conrado Adolpho (2010) afirma que a web muda o que antes era elitista e populista. A informação agora é democrática, onde qualquer pessoa pode ser o que quiser e fazer o que quiser, e ainda, ser reconhecido por isso, sem censura. “Estamos em uma era de transformações que tem na internet apenas sua interlocutora e tradutora, porém, não foi ela que causou toda essa mudança. O consumidor já cobiçava tais modificações em seu cotidiano. Havia uma demanda de desejos e necessidades reprimida por falta de um meio que a entendesse e a acolhesse. Esse meio era a internet.” (VAZ, 2010, p.33). A expansão do computador pessoal, da Internet e das redes digitais abriu espaço para uma nova realidade na distribuição da informação, na relação entre consumidores e fornecedores e no surgimento de novos estilos de vida, onde a comunicação saiu do seu espaço limitado, constituindo o cenário que é chamado por Lévy (2007) como “cibercultura”. Para ele, a cibercultura surge a partir das vontades e inquietações de uma nova geração, que deseja experimentar formas de comunicação diferente daquelas tradicionais, criando um novo espaço chamado de “ciberespaço”, acolhedora de toda essa era da informação virtual. É difícil levantar críticas perante essa cultura que está nascendo, já que não se sabe exatamente as consequências futuras que ela nos trará. Levy 10 Referência à mensagem escrita no site Twitter.
  20. 20. 18 (2007) compara o uso dos vídeogames pelas crianças e jovens com as críticas levantadas ao cinema quando este surgiu – um manipulador, que hoje, é contemplado e extremamente premiado como arte. Roy Ascott (apud LÉVY, 2007, p. 13) diz que essa revolução da telecomunicação foi o “segundo dilúvio”, o das informações. “[...] é o transbordamento caótico das informações, a inundação de dados, as águas tumultuosas e os turbilhões da comunicação [...]”. Isso reflete potencialmente na formação das novas gerações, conhecidas como geração Y e Z, uma expressão que classifica os jovens nascidos entre 1978 e 1990 e de 1991 até atualmente. Estas gerações foram concebidas já na era digital, na extrema democracia e da ruptura com o tradicional, participando diretamente da evolução da tecnologia. Esse cenário cria um perfil de consumidor totalmente diferente do que as bases tradicionais estão acostumadas. Segundo a revista Galileu11 (2009, online) “99% dos nascidos entre 1980 e 1993 só se mantêm envolvidos em atividades que gostam, e 96% acreditam que o objetivo do trabalho é a realização pessoal”. Além disso, é uma geração caracterizada pela velocidade dos acontecimentos, da informação e da constante mudança. Eles querem fazer tudo os que gostam e as tecnologias e antigas estruturas sociais precisam acompanhar isso. Um estudo realizado pela Enfoque Pesquisa de Marketing no Brasil e apresentado pela Revista Exame12 (2011, online), afirma que se um adolescente da geração Z, passasse 24 horas na frente de uma tela, seria 77% do tempo na internet, 66% da Televisão e 54% do celular. É a prova de que eles não consomem somente a mídia tradicional, mas o conteúdo que os permite interagir e compartilhar conhecimento, experiências e informação. Com isso, as mudanças culturais, na qual mencionado anteriormente, são justificadas e devem ser aceitas como resultado de uma nova era que permeia uma geração totalmente envolvida com as questões digitais. 11 LOIOLA, Rita. Geração Y. Galileu Online. 2009. Disponível em: <http://revistagalileu.globo.com/Revista/Galileu/0,,EDG87165-7943-219,00-GERACAO+Y.html> Acesso em: Abril 2011 12 MELLO, Bruno. Geração @: quem são e como se comportam? Portal Exame. 2011. Disponível em: <http://exame.abril.com.br/marketing/noticias/geracao-quem-sao-e-como-se-comportam> Acesso em: Abril 2011
  21. 21. 19 Entender essa nova geração e a revolução da informação nos ajuda a entender as mudanças que acontecem em diversas áreas, e a adaptação à essa nova realidade é inevitável. É preciso saber acompanhar as necessidades, onde o tradicional já é obsoleto, as inovações são cada vez mais rápidas, e o acesso a informações e variados tipos de fontes de conhecimento devem estar cada vez mais disponíveis, seja na publicidade, no entretenimento, ou no turismo, segmento que será abordado no próximo capítulo. Assim como nos lembramos das Grandes Navegações e da Revolução Industrial como pontos significantes para a formação da sociedade e do mundo, daqui a alguns anos, décadas ou séculos, este momento de mudanças no comportamento social provavelmente será pontuado como um marco, podendo ser chamado de Revolução da Informação, onde todos se tornam um e as informações são amplamente disseminadas, graças às evoluções tecnológicas. Já afirmava Castells (2003, pg. 7) quando disse: “A internet é o tecido de nossas vidas. Se a tecnologia da informação é hoje o que a eletricidade foi na Era Industrial, em nossa época a Internet poderia ser equiparada tanto a uma rede elétrica quanto a um motor (...)”. E não é apenas uma mudança no cenário de tráfego de informação. É principalmente uma mudança social, é o ideal existencialista de Sartre13 sendo personificado pela internet, onde o homem é resultado do meio em que vive, a partir das relações sociais que cada pessoa tem e que, com a internet, essas relações se intensificam e a troca de conhecimento também. Saber já não é mais suficiente. É preciso saber de tudo, experienciar e compartilhar. Hoje a criação de conteúdo na internet é ilimitada, e com isso, são bilhões de páginas que flutuam nesse cosmo digital, criadas por pessoas em todos os lugares do mundo, com todo o tipo de conhecimento e de todas as 13 O existencialismo de Sarte (O ser o e nada, 1943) procura explicar os aspectos da experiência humana. Sartre diz que a única sabedoria do homem que nasce com ele é a biológica; a sobrevivência e o resto se adquirem de tal forma que não vem do sujeito é ensinado a ele pelo mundo exterior.
  22. 22. 20 classes sociais. “A circulação de conteúdos depende fortemente da participação ativa dos consumidores” (JENKINS, 2008, p.27). Além disso, a convergência do mundo apresentada por Jenkins14 (2008) representa uma transformação cultural, surgindo também a cultura participativa, onde os consumidores buscam novas fontes de conhecimento, e deixam de ser meros expectadores para serem atuantes no mundo fortemente delimitado pela internet. É um simples ciclo, que a partir da atuação do indivíduo conteúdos são criados, informações disponibilizadas, tecnologias e softwares adaptados às necessidades, o comércio é agilizado, o acesso as informação fica rápido e fácil, as relações se tornam cada vez mais fortes, mais necessidades digitais e virtuais nascem, inovações em diversos segmentos surgem, e assim por diante. As pessoas estão se conectando umas às outras e conhecendo, cada vez mais, outras culturas, lugares e indivíduos. A criação desse grande conteúdo de informações na internet possibilita aos usuários, interagir e conhecer qualquer coisa que lhe seja interessante e real. Além disso, com essa somatória de conhecimento, alguns tipos de serviços também foram facilitados, item que será abordado a seguir. Pierre Lévy (1998) traz o conceito de inteligência coletiva que é o conhecimento que cada um tem somado em universo acolhedor de todas as informações, já que é impossível saber de tudo. Através das tecnologias disponíveis hoje, a inteligência e as informações são mais bem compartilhadas e se tornam gigantes diante da coletividade que a internet proporciona, de proporções nunca presenciadas antes, criando assim o ciberespaço colecionador de todo esse conteúdo. A inteligência coletiva refere-se à essa capacidade das comunidades virtuais de alavancar a expertise combinada de seus membros. O que não podemos saber ou fazer 14 Em seu livro Cultura da Convergência, Jenkins propõe o conceito de convergência como sendo a transformação social, cultural, mercadológica e tecnológica que a humanidade vive com a valorização da informação e a busca por novas experiências e conhecimentos.
  23. 23. 21 sozinhos, agora podemos fazer coletivamente. (JENKINS, 2006, p.54) Juntamente com o cenário das gerações Y e Z, o consumo de informação tornou-se um processo coletivo e cada vez mais acelerado, já que a partir do perfil psicológico dessas gerações analisados anteriormente, percebe- se a necessidade de mudanças e resultados sempre imediatos. A possibilidade da conexão com o ciberespaço a baixo custo, a independência de um meio intermediador das mensagens, a chance de publicação de informações por qualquer usuário da rede e a grande capacidade de troca dessas informações são alguns dos motivos que resultaram nesse novo modelo social globalizado e de valorização à cultura da informação. Toda essa evolução do mundo e da cultura tem um grande impacto em diferentes setores da economia, já que, tendo total acesso as informações, o consumidor aumenta seu poder perante as marcas, bem como suas exigências em relação ao produto ou serviço. Assim, com as novas possibilidades de interação, com o compartilhamento de informações e o crescimento das grandes empresas de tecnologia e informática, muitas empresas começaram a interessar-se pela Internet como uma grande oportunidade de negócios. A opinião das pessoas perante um estabelecimento ou serviço, agora não permanecem mais nas relações entre a empresa e o consumidor. Com as diversas ferramentas digitais de conexão social mundial, as pessoas conquistaram um poder até então pouco preocupante: a manipulação da opinião alheia, surgindo assim um novo conceito, chamado de Web 2.0 15 , baseado na coletividade e compartilhamento de informações, que evolui de páginas estáticas e da coleta simples de informações para a geração de um conteúdo universal. A Web 2.0 é provavelmente a maneira mais colaborativa de atuação perante os serviços disponíveis hoje. É a união da inteligência coletiva de Lévy 15 Termo criado para identificar o momento em que a internet passa a ser colaborativa e participativa, onde a opinião das pessoas supera a importância da comunicação nas suas bases mais simples.
  24. 24. 22 (1998) com as prestações de serviços em prol de melhores resultados para aquisição de um produto. Para o consumidor, ler opiniões de outras pessoas que utilizaram o serviço ou adquiriram um produto é fundamental para determinar sua decisão final, além de poderem expressar suas satisfações ou insatisfações sobre o que foi adquirido. Já para o mercado, disponibilizar espaços onde as pessoas podem comentar ou classificar o seu objeto de venda, é fundamental para sua sobrevivência neste novo cenário. Além disso, com a redução das distâncias geográficas que a internet proporciona, é possível encontrar produtos e serviços em qualquer lugar do mundo, saber das suas qualidades e das suas referências. Para as empresas é possível encontrar públicos e mercados que se interessem pelo seu produto no mundo inteiro, sem barreiras geográficas. A questão da participação e da experiência está ligada a mudança de perfil da sociedade que recebe essas tecnologias e suas facilidades. Nicholas Negroponte (1990, apud JENKINS, 2009) prevê a formação de produção midiática para públicos determinados, contrastando com os “velhos meios de comunicação passivos” e os “novos meios de comunicação interativos”, algo ainda muito difícil de compreender. Hoje, as produções, sejam elas de entretenimento, tecnológicas ou de qualquer outro segmento, acompanham o ritmo das novas gerações que buscam fugir do tradicional e do padrão, e o resultado disso é o crescimento da interatividade, podendo considerar esses novos consumidores como ativos. Eles controlam suas vontades, direitos com o auxilio de ferramentas que conectam ele com todas as pessoas do mundo, tendo assim uma influência no mercado, que até pouco tempo atrás não era tão visível. É importante entender como funciona este movimento da opinião coletiva para compreender como o mercado do turismo deve se comportar diante dessas mudanças e do estabelecimento da Web 2.0, especialmente porque nesta nova realidade de mercado, a internet deixou de ser apenas um produto para se tornar um serviço às pessoas, de acordo com a conveniência de cada usuário.
  25. 25. 23 Entendendo o cenário criado com a evolução da internet, a modificação social com o surgimento de uma nova geração totalmente voltada para a comunicação e a informação, e as consequências dessas mudanças, é possível começar a entender melhor como se posiciona o turismo neste contexto, e quais impactos este segmento sofreu e sofrerá com o novo modelo tecno-social. 2. NOVO CONTEXTO DO TURISMO O modelo de mundo plano permite que você compartilhe sua cultura local com o mundo (FRIEDNMAN, 2007, p. 478 – tradução livre). Ao longo das análises do cenário que permeia o turismo, observa-se a formação de um novo contexto social que Levy (2007) considera como causa de uma inquietação social com os antigos parâmetros tradicionais da comunicação e da informação e que resultam em um conjunto de mudanças que valorizam a cultura da informação e do conhecimento, a partir das facilidades de acesso aos conteúdos, gerados pelo avanço tecnológico, em particular, com a internet. A velocidade com que essa tecnologia vem acompanhando a formação da nova geração influencia diretamente no comportamento destas diante de suas vontades e necessidades. Como apresentado no capítulo anterior, segundo as pesquisas de perfil das gerações Y e Z, as pessoas que nasceram na era digital exigem cada vez mais informações e decisões rápidas, além de ter a sua disposição a comunicação direta com outros consumidores, podendo levar um empreendimento ao sucesso ou ao fracasso. A partir deste capítulo, será apresentado o cenário do turismo no contexto da Revolução da Informação, como a atividade se comporta diante dessas mudanças, as consequências técnicas que estas facilidades proporcionam para a atividade turística, além de mostrar que é possível se
  26. 26. 24 utilizar das tecnologias como ferramenta de expansão do turismo, já que é feito a partir das necessidades dos seus consumidores (os turistas) e, com isso, é fundamental que todo o trade turístico acompanhe essa evolução, e principalmente participe dela. Por ser composto por informações, as ferramentas decorrentes deste cenário tecnológicos e informacional, são primordiais e recursos essenciais para a evolução da atividade turística. Inúmeros são os produtos em que o turista necessita realizar algumas pesquisas, sendo um segmento amplo e diversificado: opções de destinos, atrativos, áreas naturais, meios de transportes, hospedagens, combinações de rotas, etc. Para Guimarães e Borges (2008) a internet surge como principal canal de obtenção dessas informações e, com isso, recursos como fotografias de destinos e produtos turísticos, vídeos, imagens em tempo real, sons ambientes e textos atualizados, contribuem cada vez mais para subsidiar as tomadas de decisão dos turistas, além de auxiliar na divulgação de destinos e dos fornecedores de produtos e serviços do segmento. Destinos exóticos, desconhecidos, atrações raras ou culturas muito diferentes exigem uma investigação maior e mais detalhada por parte do turista, para que suas expectativas sejam atendidas e os riscos evitados. E, caso o destino possua poucas informações na internet, pouca interação ou conteúdos vagos e mal elaborados, maiores as chances do turista mudar o destino da viagem. Assim, o turista, cada vez mais, tentará aumentar a quantidade e qualidade das informações disponíveis, para que ele tenha uma maior sensação de tranquilidade, esclarecendo suas possíveis dúvidas. O setor do turismo é um grande incorporador de tecnologia, nos seus diversos segmentos, e o seu crescimento sempre depende da capacidade de inovação e do uso da tecnologia para melhoria da gestão, desenvolvimento de novos produtos, aperfeiçoamento da comunicação, otimização das experiências de viagens e
  27. 27. 25 personalização do atendimento. (GUIMARÃES; BORGES, 2008, p.10) 2.1 PERFIL DO CIBERTURISTA Sabendo das mudanças acarretadas com a Revolução da Informação que conforme afirma Jenkins (2008) são consequência de uma vontade de maior participação da cultura, e, como essas mudanças podem impactar o turismo, é fundamental entender primeiramente o comportamento e o perfil do turista neste cenário. Para isso, considera-se o termo ciberturista, sugerido por Guimarães e Borges (2008) para caracterizar este indivíduo que faz suas pesquisas, compras, reservas, e outras ações relacionadas ao turismo, utilizando o ciberespaço de Lévy (2007), ambiente virtual paralelo a nossa realidade. Em primeiro lugar, é importante lembrar que o ciberturista nada mais é que o consumidor do produto turístico, tendo seu comportamento impactado por diversos aspectos. Segundo a teoria de marketing levantada por Yanazi (2007), qualquer produto, de qualquer mercado está vinculado ao seu consumidor. Entender o contexto em que ele vive, suas expectativas e necessidades, é fundamental para o sucesso de qualquer empreendimento. No turismo, não é diferente, por isso, para entender o comportamento do consumidor de turismo, primeiro é necessário entender o comportamento do consumidor em geral. Para isso, Yanazi (2007) considera duas principais determinantes: o instinto (características individuais) e as condições de ambiente e de convívio (características sociais). O primeiro são comportamentos básicos, que nascem com o indivíduo e geralmente estão associados à sua sobrevivência. O segundo modela os instintos básicos, de acordo com o ambiente em que este indivíduo está inserido. Os relacionamentos e a sociedade criam necessidades, e influenciam as pessoas através da cultura, classes sociais, opiniões de família, religião, entre
  28. 28. 26 outros. Além disso, evoluções tecnológicas, modelos de consumo, marketing, fazem com que as pessoas potencializem ainda mais essas necessidades. Segundo a teoria de Abrahan Maslow (apud CARVALHO, 2010), depois de identificada uma necessidade, desejos e impulsos surgem movendo o indivíduo a querer realizá-la. Para ele, o ser humano deve saciar primeiramente suas necessidades fisiológicas, ou seja, aquelas a qual sua sobrevivência depende, depois, as necessidades de seguranças, as sociais, e por último a de autoestima, resultado do contexto social. Concluímos que a partir do momento que o ser humano tem suas atividades básicas saciadas, ele partirá para as necessidades secundárias, estas influenciadas pela sociedade e as relações que esta cria, e se a sociedade está em meio a uma grande revolução, como é o caso da nova geração, os impactos são ainda maiores. Sendo assim, o turismo pode ser encarado como produto de consumo, parte de uma necessidade de conhecimento e experiência, e que também envolve serviços e compras, que será determinado a partir de fatores que afetam a decisão do indivíduo perante uma viagem. Para Swarbrooke e Horner (2002), o processo de tomada de decisão do turista segue fatores motivadores, que incentivam o turista a adquirir determinado produto e fatores determinantes que mostram até que ponto o turista deseja obter algo. Para representar alguns dos principais fatores motivadores, os autores apresentam a figura abaixo:
  29. 29. 27 Já os fatores determinantes, podem ser pessoais ao turista ou externo a ele. No primeiro, questões como saúde, renda disponível, tempo de lazer, conhecimento das destinações, tipo de férias, medos, atitudes perante o turismo, são determinante pessoais para que a viagem aconteça ou não. Os fatores externos ao turista não dependem dele, mas mesmo assim, afetam sua decisão, como apresentamos na figura abaixo: TURISTA FÍSICOS: relaxamento exercício, saúde EMOCIONAIS: nostalgia, romance, aventura, escapismo, fantasia PESSOAIS: visitar amigos e parente, fazer economias, fazer novos amigosDESENVOLVIME NTO PESSOAS: aumentar conhecimento, aprender algo novo CULTURAIS: visita à lugares de interesse, vivência de outras culturas STATUS: exclusividade, fator moda, bom negócio, gastar de maneira ostensiva Figura 1 - Fatores motivadores do turismo, segundo Swarbrooke e Horner
  30. 30. 28 Figura 2 - Fatores externos que influenciam a decisão do turista Assim, observa-se uma hierarquia de influências nas decisões das pessoas. A partir do entendimento dos fatores que podem impactar as decisões dos consumidores do turismo, é necessário conhecer quais os fatores sociais e os cenários que hoje influenciam no comportamento do consumidor de turismo. Sabe-se que a estrutura do turismo é composta principalmente por pessoas e por isso, esta é uma área que precisa se adaptar conforme a sociedade se transforma. Além disso, a tecnologia proporcionou o surgimento de uma nova geração baseada principalmente na informação e nas diversas formas de acesso a ela, como observado no primeiro capítulo. Assim, acompanhando essa evolução tecno-social, o turista busca muito mais agilidade na obtenção dessas informações, economia de tempo e de dinheiro, de modo à sempre fazer a escolha mais viável e que satisfaça suas necessidades, e a internet é o principal meio para isso. FATORES POLITÍCOS, ECONÔMICOS, SOCIAIS E TECNOLÓGICOS EM NÍVEL GLOBAL FATORES POLITÍCOS, ECONÔMICOS, SOCIAIS E TECNOLÓGICOS EM NÍVEL NACIONAL INFLUÊNCIA DA MÍDIA ATIVIDADE DO MARKETING DA INDÚSTRIA DO TURISMO OPINIÃO DE AMIGOS E PARENTES TURISTA
  31. 31. 29 Segundo o IBOPE (2010, online) 16 , a categoria que mais cresceu de 2009 para 2010 nas buscas na internet foi “viagens”, com uma variação de 36,9%, mostrando a forte tendência desse meio de comunicação como fonte de informação para a atividade do turismo. Guimarães e Borges (2008) afirmam que ao navegar, a percepção sensorial do usuário fica mais aguçada, e com isso, ele tende a se concentrar mais na ação e nos conteúdos que está buscando, além de estar disponível a qualquer hora, facilitando as interações principalmente comerciais. Ele adquire conhecimento na internet, sites, blogs, redes sociais, portais de notícias, e todas as outras opções disponíveis no universo digital. Para o turista, utilizar essas ferramentas online significa coletar mais informações e detalhes sobre determinado lugar da maneira que lhe é conveniente, e ainda, ajuda a criar seu próprio filtro das informações disponíveis na internet, é o que Jenkins (2008) chama de luta pela participação da sua própria cultura. Essa superabundância de informações aumenta o poder de barganha e as exigências perante a indústria do turismo, alterando, por 16 IBOPE NIELSEN ONLINE. Número de usuários ativos da internet cresceu 1,8% em Maio. 2010. Disponível em: <http://www.ibope.com.br/calandraWeb/servlet/CalandraRedirect?temp=6&proj=PortalIBOPE&pub=T&db=caldb& comp=pesquisa_leitura&nivel=null&docid=17CCD8DF3C83101C832577460057D746> Acesso em: Maio 2011 Figura 3 - Crescimento do número de usuários únicos de categorias selecionadas no Brasil (IBOPE Nielsen Online, 2010 )
  32. 32. 30 exemplo, o cenário da concorrência e a ação de terceiros, como as agências de viagem. De acordo com a pesquisa realizada pela Amadeus (2009) com as mudanças no comportamento do turista, influenciado pelas questões tecnológicas e os avanços aos acessos à comunicação, especialistas em viagens esperam que grandes mudanças aconteçam nos serviços do turismo nos próximos 10 anos, como observar-se no gráfico abaixo. Gráfico 1 - Expectativas de especialistas para as mudanças de comportamento do turista, influenciados pelas mudanças sociais e tecnológicas (Amadeus – 2009). É possível perceber que mais da metade dos especialistas acreditam que o comportamento do consumidor mudará perante o aumento das informações sobre as opções de viagens e derivados, especialmente ao acesso ilimitado de informações disponibilizados na internet, podendo ocasionar uma maior exigência quanto aos serviços oferecidos para turista. Destaca-se aqui outra característica citada anteriormente: com o perfil das novas gerações sendo modelados a partir das tecnologias de comunicação, estes se basearão inicialmente na internet como fonte de busca para qualquer tipo de informação em relação ao destino, ou qualquer outro item de sua viagem. Jenkins (2008) chama isso de substituição do consumo individualizado e personalizado para um consumo socializado e conectado.
  33. 33. 31 A pesquisa ainda indica que os profissionais do turismo acreditam que apesar do aumento do conhecimento, isso não resultará em uma redução na busca de agências de viagens ou profissionais capacitados como auxiliadores, porém exigirá tanto conhecimento como o que provavelmente o indivíduo pré adquiriu na internet. Apesar disso, o relatório sobre Turismo 2.0 da TerraForum (2011) afirma que com a velocidade de troca de informações através da internet, este cenário enfraquece as atividades das agências e demais canais tradicionais, consequentes da mudança do comportamento do turista. Outra percepção que a pesquisa traz é que o viajante desenvolverá um perfil mais aventureiro, em consequência da disponibilidade de informações na qual ele mesmo pode fazer sua busca. Viagens internacionais e inusitadas são o principal alvo desse indivíduo, pois são situações muito diferentes do seu cotidiano. Como afirmamos anteriormente, este tipo de viagem envolve informações mais detalhadas, que hoje, são possivelmente acessadas a partir da internet. Mais da metade dos entrevistados acredita que a tecnologia modificou ou está prestes a modificar o modo como o viajante interage com o destino, ou com a viagem em sim. Isso se deve a diversas facilidades que lhe é proporcionado: check in online, reserva de hotéis online, informações locais, condições climáticas, mapas, entre tantos outros itens que, disponíveis ao Gráfico 2 - Expectativas de especialistas para as mudanças de comportamento do turista, segundo tipos de viagens e atitudes perante a decisão (Amadeus – 2009)
  34. 34. 32 turista, podem tornar a sua experiência mais completa e mais próxima da perfeição. Ainda segundo a pesquisa da Amadeus (2009), 80% dos especialistas em viagens acreditam ser muito mais difícil construir relações de fidelidade com o cliente no mundo virtual. Isso é causado principalmente pela diversidade de opções que o turista tem na hora da escolha, seja em relação à companhia aérea, hospedagem ou destinos e por sua autonomia na busca desses serviços. Assim, as empresas de turismo que estão acompanhando este processo e se adaptando ao novo cenário do Turismo, provavelmente sofrerão impactos muito menores, que aqueles que preferem ignorar as mudanças, como afirma Vaz (2010). O grupo de hotéis Starwoods Hotels & Resorts adaptaram-se a nova realidade criando uma nova marca chamada Alorf. Desenvolvido em um mundo virtual um programa que o usuário baixa no seu computador que simula um mundo virtual em três dimensões e inteiramente interativo. É como uma experiência de estar em um dos ambientes da rede de hotéis, instigando a curiosidade e o interesse do usuário. (GUIMARÃES; BORGES, 2008) A rapidez da evolução tecnológica mudou o hábito das pessoas, tornando-as mais exigentes e aumentando sua necessidade de informação em curto espaço de tempo. Os consumidores modernos não permitem que os processos Gráfico 3 - Expectativa dos especialistas para o comportamento do turista, de acordo com a tecnologia como fator influenciador (Amadeus – 2009)
  35. 35. 33 decisórios sejam lentos e demandam soluções ágeis, o que pode ser viabilizado mediante sistemas de informações adequados e de pessoal qualificado. (GUIMARÃES; BORGES, 2008, p. 45). Por fim, é importante ressaltar a importância da Web 2.0 no segmento, pois, mais do que nunca, as pessoas buscam informações detalhadas sobre os serviços e destinos, principalmente em redes sociais, fóruns, blogs e referências dadas nos sites, onde se é possível compartilhar opiniões e experiências e que criam um conteúdo que, segundo Jenkins (2008) depende apenas da participação ativa do consumidor. Na figura 2, vimos uma hierarquia de influências nas decisões das pessoas, sendo que a última era a opinião de amigos e parentes, mostrando que essas informações tem grande impacto, se não determinantes, na decisão final do turista. Este é exatamente o ponto onde a web 2.0 se estabelecesse como fonte primordial de informação e compartilhamento e que não deve ser ignorada. Utilizando a internet e suas divisões como fonte de informação, modificamos outra questão que tem grande influência nas decisões do turista e que determinam: as experiências que uma viagem proporciona. Swarbrooke e Horner (2002) afirmam que o pós-modernismo substitui as experiências de massas, onde os consumidores de turismo buscam novas experiências cada vez mais personalizadas, fugindo de padronizações. Esse comportamento também é analisado por Guimarães e Borges (2008), que acredita que os consumidores possuem uma mistura de experiências, motivações e desejos que determinam suas decisões. Já Krippendorf (2001), acredita que o homem rege sua existência em torno de três itens: trabalho, moradia e lazer. Dentro do lazer, ele recebe motivações e influências que o levam ao turismo na busca do anticotidiano, já que a sociedade impõe um ritmo de vida que prioriza o tempo de trabalho ao tempo livre.
  36. 36. 34 O que impele um indivíduo a viajar, a procurar lá fora o que não encontra dentro não é tanto o resultado de um impulso pessoal quanto a influência do meio social, que fornece a cada um as suas normas existenciais. A decisão pessoal é, de certa forma, condicionada pela sociedade. (KRIPPENDORF, 2001, pg. 38) O turismo pode ser entendido como uma composição de experiências e sensações novas, desbravamento do desconhecido, imersões em situações ausentes do cotidiano e que vão muito além do turismo massificado que se é vendido. Krippendorf (2001) concretiza as principais razões pelas quais as pessoas viajam. Para o ser humano, viajar é: descansar e recuperar as energias perdidas com a rotina intensa de trabalho e proporcionar saúde física e mental; fugir da realidade cotidiana; tempo de reencontrar pessoas e criar novas relações sociais; conhecer novas culturas e refletir sobre sua vida e para isso buscam experiências profundas. Para Neto e Gaeta (2010) uma verdadeira experiência supera aspectos banais e estereotipados para surgir como uma experiência pessoal, vantajosa, que enriqueça a história do indivíduo e alargam o conhecimento humano. É constituída de emoções, conhecimentos e principalmente da imaginação. “A viagem não é apenas um deslocamento geográfico, cultural ou social, mas uma jornada interior, o que justifica ser uma experiência fundamental na vida das pessoas” (NETO; GAETA, 2010, p.23). Outras duas considerações levantadas por Neto e Gaeta (2010) podem ser analisadas como resultado da busca por algo diferente da rotina, na maior parte das vezes, uma viagem. A primeira é a ideia de fragmentação, decorrente do excesso de estímulos e de demanda sob o qual o ser humano vive hoje. É a perda de si e a cobrança extrema com itens alheios ao seu íntimo (trabalho, compromissos, dinheiro). A segunda ideia é o excesso, que rodeia todas as questões da vida, aumentando a cobrança em decisões, respostas e escolhas que o indivíduo deve fazer. Ambas as questões levam o ser humano ao sufocamento pela falta
  37. 37. 35 de espaço para suas vontades mais naturais, que então, busca através de viagens, experiências e divertimentos para preencher essa lacuna ausente na sua rotina. Com isso, os consumidores do turismo desenvolveram um perfil muito mais exigente, devido principalmente a grande oferta de informações e as várias opções de escolhas, intensificando a busca pela experiência como forma de agregar valor na aquisição. Assim, o turismo vem como complemento para o cotidiano desconectado das pessoas que buscam nas viagens o verdadeiro momento de prazer. Devido a esse cenário atual onde a perda do controle da própria vida é comum, as experiências, sejam elas longas, curtas, caras ou baratas ganham novo papel na sociedade, tornando-se elemento fundamental que aguça os instintos do ser humano, aproximando-o da sua verdadeira essência. Diferentes dos bens materiais que são tangíveis e são rapidamente vivenciados, a experiência se caracteriza por ser memorável e permanecer guardada ao longo do tempo. Essa sensação ajuda a construir o próprio perfil do indivíduo, suas vontades, seus desejos e suas características, e que também sofre alterações com as influências externas, como apresentamos anteriormente ao descrever os impactos da sociedade no consumidor determinando seu comportamento. Neste cenário, a internet impera como facilitador de experiências, através de diversas ferramentas criadas para aproximar o consumidor do seu produto final – a viagem. Essas facilidades ajudam a tornar as experiências mais completas, permitindo que o turista tenha acesso ilimitado às informações, além de poder utilizar este meio como fonte de inspiração e planejamento da sua viagem. No relatório sobre Turismo 2.0 da Terra Forum (2011) o novo contexto social leva o turista a inúmeras influências que o estimularão a praticar determinada viagem. Assim, o estudo classifica as experiências que as ferramentas de apoio ao turismo (provenientes dos avanços tecno-sociais) têm, em níveis de interação podendo ser descritiva, unilateral, ou bilateral. Neste
  38. 38. 36 último acontece o máximo da interação entre ambas as partes, provocando mudanças profundas no comportamento do turista. Assim, não se deve ignorar a importância de ações que provoquem sensações e experiências através de veículos digitais e virtuais criando uma sensação prévia daquilo que o consumidor está prestes a desfrutar facilitando assim suas decisões. Com isso, será apresentado o perfil do consumidor do turismo, o contexto em que ele está inserido e o principal fim ao se fazer uma viagem (buscar a experiência). É possível caracterizar o turista da era da informação, ou o ciberturista como:  Sendo, antes de tudo, um consumidor, que tem seus comportamentos determinados por instintos e modificados por fatores pessoais e sociais.  O consumidor de turismo também recebe influências de agentes internos e externos a ele, sendo a internet um desses itens que estimulam a busca por um novo conhecimento.  É um indivíduo que tem grande acesso às informações sobre toda a atividade turística, desde o destino, até as diferentes opções de hospedagem em determinado local.  Ele tem um perfil mais exigente, devido à essa abundância de informações, cobrando mais dos serviços prestados e é mais ousado por ter a possibilidade de pesquisa e conhecer novos destinos, utilizando os diversos serviços da internet.  Com as mudanças tecnológicas e o acesso ilimitado as informações disponibilizadas na internet, as empresas ligadas ao turismo precisam se adaptar e acompanhar as necessidades e exigências desse turista.  O turista busca complementar suas pesquisas com opiniões de pessoas que já visitaram determinado lugar ou utilizaram algum serviço. Esses relatos podem influenciar potenciais consumidores (é o que chamamos de Web 2.0, citada no capítulo anterior).  Esse consumidor, busca no turismo, uma experiência que traga sensações e situações que o libertem da sua rotina, do seu cotidiano.
  39. 39. 37  As experiências turísticas são pessoais e sensoriais, e extremamente ligadas à imaginação, e a evolução tecnológica ajuda a facilitar a concretização dessas experiências. A partir de agora, com a análise dos principais fatores que afetam o comportamento do ciberturista e o cenário em que ele está inserido, será apresentado um panorama do que essas mudanças provocam no turismo, as ações de busca de informações e como esse turista utiliza a tecnologia para auxiliar no planejamento e na inspiração de uma viagem. 2.2 AS ETAPAS DE UMA DECISÃO Qual país se deve ir? Onde se hospedar? Quanto vai custar a viagem? Quanto tempo terá disponível? Quais os atrativos a serem visitados? A viagem superou as expectativas? O hotel cumpriu com o esperado? São diversas as perguntas que uma pessoa se faz quando está programando uma viagem. Essas perguntas, na maioria das vezes, são respondidas ao longo da sua pesquisa sobre determinado destino ou serviço, outras, apenas após sua experiência. Como apresentado ao longo deste trabalho, as fontes de busca para essas perguntas nunca foram tão acessíveis e completas, e no geral, se voltam para a internet criando o ciberespaço preenchido por uma inteligência coletiva, de acordo com os pensamentos de Lèvy (1998). Assim, com o avanço tecnológico e das mídias sociais, é possível perceber uma experiência turística muito mais sofisticada. De acordo com a pesquisa realizada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas - FIPE (2010), 27,6% dos turistas estrangeiros que vieram ao Brasil em 2008 utilizaram a Internet como principal fonte de informação para a viagem, mostrando a importância que esta ferramenta tem para o turismo.
  40. 40. 38 De acordo com as informações apresentadas anteriormente, uma viagem é a concretização de vontades, desejos e expectativas que o turista tem e que serão superados, ou não, através de experiências que impactarão seu comportamento e sua realização. Para que isso aconteça, é preciso primeiramente entender as diferentes maneiras que podem influenciar e escolha de uma viagem. Robert Cole 17 (2008, online) propõe que o indivíduo passa por um ciclo holístico que resultará em uma viagem. Este ciclo tem sete etapas que juntas determinarão o sucesso ou fracasso da experiência turística. A figura a seguir mostra como essas fases estão disponibilizadas. O ciclo começa com a fase da inspiração, onde determinados fatores e situações motivam o indivíduo a viajar. A seguir, começa a fase de pesquisa de informações que resultará no planejamento detalhado da viagem. Para verificar a veracidade das informações coletadas, o individuo buscar validar as informações, comparando com outros consumidores por exemplo. Tendo esses detalhes definidos e a segurança de que é aquilo que ele quer, ele passa para a fase de reservas (hotéis, aviões, teatros), e por fim a viagem em si. 17 COLE, Robert. How Google can help revolutionize online travel. 2009. Disponível em: <http://www.rockcheetah.com/blog/innovation/how-google-can-help-revolutionize-online-travel/> Acesso em: abril 2011 Figura 4 - Ciclo de fases do processo de uma viagem, segundo Robert Cole.
  41. 41. 39 Atualmente, o processo da viagem não termina na viagem, há ainda a etapa de compartilhamento de informações e experiências, através das diversas redes sociais e sites que permitem um feedback18 da viagem. Neste capítulo, este processo será analisado, desde a decisão até a conclusão da viagem, e as tecnologias disponíveis que podem auxiliar o turista em todas as etapas. INSPIRAÇÃO Inspiração não é criada apenas pela tecnologia, mas a tecnologia pode ajudar as pessoas a se inspirarem (COLE, 2009, disponível em: < www.rockcheetah.com/blog/innovation/how-google-can-help- facilitate-travel-inspiration>. Acesso em: abril de 2011) Filmes, imagens, acontecimentos históricos, construções arquitetônicas, revistas, são inúmeros os itens que podem incitar a curiosidade de um turista para algum destino ou atrativo. Por isso, consideramos que a inspiração é a primeira das sete fases do processo de uma viagem, pois é a partir dela que o indivíduo desenvolverá todas as outras. O processo de inspiração é extremamente individual, e assim como os fatores que influenciam um consumidor, características pessoais e sociais, financeiras, geográficas e até profissionais, influenciarão na decisão da viagem. Para o destino turístico é provavelmente uma das etapas mais importantes, pois é quando o indivíduo escolherá ou não determinado lugar. Por isso, há a necessidade de estar presente nos ambientes que podem impactar o turista, por exemplo, criando conteúdos em sites específicos e relevantes para chamar a atenção e de destacar em meio a tantas opções. Muitos sites surgem para tentar instigar essa inspiração do consumidor. Com o avanço das tecnologias e dos próprios recursos da Internet, é possível perceber um caminho ao mundo ideal, onde aplicativos poderão oferecer mais conteúdos rápidos e extremamente personalizados, segundo Cole (2009, 18 Termo em inglês para retorno de opinião.
  42. 42. 40 online). Isso acontece como resposta à ampla quantidade de opções que a internet oferece, seja na escolha dos destinos, seja nas opções de serviços. O estudo da TerraForum (2011) ainda apresenta a existência de três categorias que se modificaram no cenário do turismo 2.0: o turista, que tornou- se mais independente, como apresentamos anteriormente, as ofertas turísticas que precisaram se adaptar e reinventar suas formas de interações e serviços para acompanhar seus consumidores, e por fim, as organizações que surgiram a partir de oportunidades que a internet proporcionou, criando novas tecnologias e modificando a dinâmica do setor. O site Youniverse (www.youniverse.com), é um exemplo desses novos atores do turismo 2.0, na qual propõe alguns quizes que ajudam a definir o perfil e gostos do usuário. Através de imagens, o individuo responde questões que mais se aproximam da sua personalidade. No final, um pequeno texto descreve as suas características, comportamento, vontades, desejos e questões mais subliminares. Já no site Tripbase (www.tripbase.com) a partir da escolha da data, cidade de partida, e as características da viagem (como mais ou menos vida noturna, restaurantes, compras, natureza e atrações gerais), o site disponibiliza os destinos que se adequam aos desejos do indivíduo, podendo ordená-los de Figura 5 - Imagem do site Youniverse
  43. 43. 41 acordo com o orçamento da viagem. Este site também auxilia na etapa de planejamento da viagem. Vídeos e imagens são os itens que mais estimulam a inspiração das pessoas, pois mostram o local como ele verdadeiramente é. Na maioria das vezes são produzidos de maneira tentadora, expondo as belezas do lugar. Em 2010, a Embratur (Instituto Brasileiro de Turismo) em parceria com o Google, lançou um canal no site Youtube (www.youtube.com/vistbrasil) onde o usuário encontra diversos vídeos dos destinos brasileiros, além de depoimentos de personalidades e de outros turistas que já visitaram os locais, em 68 idiomas. O canal tem acesso ao Google Maps que possibilita o usuário localizar os destinos brasileiros que determinado vídeo aborda. É o primeiro mashup19 do tipo no mundo. 19 Mashup é um website que utiliza outros websites como referência, formando um tipo de aplicativo com diversas funções. Figura 6 - Imagem do site Tripbase
  44. 44. 42 Ações como essa mostram a importância do destino estar presente na Internet, onde a maior parte das pessoas fazem suas buscas, não apenas para motivar a viajar, mas também para ajudar a planejar, item que será abordado a seguir. Outra questão a se destacar é o avanço da web 2.0. Esses espaços de compartilhamento de experiências e opiniões são extremamente importantes, não apenas na fase da inspiração, mas em todo o ciclo, já que o turista observará a experiência e opinião de outros turistas, para então ter alguma decisão, é o surgimento da cultura participativa de Jenkins (2007), onde as pessoas deixam de ser meros expectadores para participarem da criação de conteúdo. Segundo o relatório da TerraForum (p.18, 2011) “o setor turístico tem como objetivo estimular e mobilizar seus públicos para que eles realizem determinada viagem. De tal maneira, o uso das redes sociais deve empregar estratégias que estimulem o viajante e sua decisão, utilizando recursos multimídias, experimentação, depoimentos dentre outras várias possibilidades”. A fase de busca por inspiração ou acontecimentos que inspirem o indivíduo a realizar uma viagem, ajuda a determinar seus objetivos e assim o Figura 7 - Imagem do site Youtube Brasil
  45. 45. 43 indivíduo avança para a próxima fase onde ele irá buscar mais informações para concretizar sua idealização, resultado dos fatores inspiradores. PESQUISA, PLANEJAMENTO, VALIDAÇÃO E RESERVAS. De acordo o Ministério do Turismo (2010), em 2009, a principal fonte de informação de um destino para o turista foi “Amigos e Parentes” com 30,8%, seguido da Internet 30,1%, este com números crescentes desde 2005. Percebem-se aqui duas indicações: a importância que a internet tem tido ao longo dos últimos quatro anos, e a relevância da opinião de outras pessoas, explicando o sucesso das redes sociais na web 2.0 como mencionamos anteriormente. Jenkins (2008, p. 55) afirma que estão se formando comunidades na qual os membros têm interesses parecidos, e que são constituídas basicamente da “produção mútua e recíproca de conhecimento”, que servem como fontes de informações para o bem comum. Gráfico 4 - Principais fontes de informações de um destino (Ministério do Turismo – 2009) A pesquisa da Amadeus (2009) mostra quais ferramentas o turista utiliza para fazer suas pesquisas e reservas turísticas. É possível perceber que cerca de 48% das pessoas indicam as mídias sociais como fator decisivo no planejamento (redes sociais e avaliação de usuários), o que fortalece a ideia do compartilhamento de informações entre os consumidores.
  46. 46. 44 Gráfico 5 - Opções que terão maior impacto na maneira que a próxima geração pesquisará informações turísticas (Amadeus – 2009) Somados às novas características sociais e mercadológicas do século XXI é possível provar a tendência da internet como fonte de informação e a importância de que todos os segmentos envolvidos na atividade turística estejam preparados para essas mudanças. Além disso, a nova organização social voltada para a Web 2.0 mostra participar ativamente da internet como canal de distribuição e comunicação. Guimarães e Borges (2008) concretizam isso ao afirmar que a grande intenção na utilização dos diversos canais de distribuição e comunicação no turismo, é para levar as informações necessárias sobre os itens que ele precisará para realizar sua viagem, além de facilitar as informações sobre determinado destino turístico. “Não dispor de um site na internet significa permanecer inacessível a milhares de consumidores do mundo todo” (GUIMARÃE; BORGES, 2008, p.31). Assim, retomando o ciclo de Cole (2009), após o processo de inspiração para uma viagem, o turista passa pelas fases de pesquisa e planejamento da viagem, consecutivamente, e por fim, a obtenção do produto. Todas essas etapas estão fortemente atreladas à internet. Primeiramente o turista pesquisará sobre o lugar, atrativos, onde se hospedar, onde comer, que transportes utilizar. Esta fase se aproxima da etapa anterior, a inspiração, já que, na maioria das vezes, ao buscar fontes de
  47. 47. 45 inspiração, o turista já está fazendo uma pesquisa sobre determinado local ou hotel. É importante ressaltar que, segundo a pesquisa do Ministério do Turismo (2010), o número de pessoas que não utilizam nenhum serviço de agências é crescente, gerando mais pessoas que buscam organizar sua viagem independentemente, como observamos no gráfico a seguir, consequência das facilidades que a tecnologia proporciona. Com o crescente número de viagens independentes, as pessoas buscam realizar suas vontades mais específicas de acordo com seus objetivos e expectativas, e para isso é necessário buscar informações detalhadas e opções de cada item que for utilizado na viagem (hospedagem, transporte, ingressos de eventos, atrativos a visitar, etc). É importante que o indivíduo pesquise o máximo de informações possíveis para ter certeza da sua decisão. Visitar sites dos destinos e buscar comentários de outros viajantes são coisas fundamentais para firmar sua decisão e seguir para a fase de planejamento, e por isso, quanto mais visível o destino ou serviço estiver na internet, maiores as chances de ser escolhido Segundo Guimarães e Borges “Em plena Era do Conhecimento, a qualidade da informação é decisiva para a sobrevivência dos negócios” (GUIMARÃE; BORGES, 2008, pg.33). Nos sites e portais de localidades turísticas há duas espécies distintas de conteúdo. Uma está ligada aos fatores que atraem o turista, estimulando sua visitação a partir de atrativos naturais, históricos e culturais das localidades, especialmente aqueles que dificilmente são encontrados em outros lugares (...). A segunda forma de Gráfico 6 - Número de pessoas que utilizaram agências de viagem (Ministério do Turismo – 2010)
  48. 48. 46 conteúdo diz respeito aos dados mais específicos, como calendário de eventos, agenda cultural, instalações hoteleiras, serviços turísticos e serviços públicos, que devem ser constantemente atualizados para atender as necessidades dos turistas. (GUIMARÃE; BORGES, 2008, p.34). Muitos fatores influenciarão as decisões, como número de viajantes, distância do destino, dinheiro disponível, objetivo da viagem, etc. Para organizar todas essas questões e decidi-las eficientemente, a internet disponibiliza diversas ferramentas que auxiliam o viajante a construir sua própria viagem. É importante ressaltar que as quatro fases: pesquisa, planejamento, validação e reserva, podem ser feitas simultaneamente nos sites que serão apresentados abaixo. Alguns desses sites se especializaram em determinar as melhores opções de itens em uma viagem, de acordo com as especificações do turista, alinhando todos os itens da viagem em um roteiro ideal, é o que o relatório da TerraForum (2011) chama de agregadores 2.0, que surgem como solução para o excesso de informação disponível na internet, tornando-se referências como fontes de informação. O site Yourtour (www.yourtour.com) disponibiliza roteiros e atividades específicas de acordo com a região escolhida e seus interesses (culturais, arquitetônicos, etc). É muito semelhante ao serviço citado acima (Tripbase), porém, este, além de oferecer roteiros para regiões e não apenas para uma cidade, também tem um mapa que indica a localização de cada atrativo e as rotas que o turista deve seguir, além de dividir as atividades e as cidades visitadas em dias e horários. Definidos o destino e, possivelmente as atividades turísticas encontradas no local, é preciso pesquisar os serviços que serão necessários na viagem. O site Expedia (www.expedia.com) e o TripAdvisor (www.tripadvisor.com) são os dois sites mais conhecidos para pesquisa de serviços turísticos, auxiliando no planejamento e compra desses serviços. Neles, é possível encontrar todas as passagens aéreas e os preços disponíveis para determinado destino, de
  49. 49. 47 acordo com seu ponto de partida e as datas escolhidas, selecionar hotéis, aluguel de carros, cruzeiros, e ainda, adquirir pacotes de viagens oferecidos pelo site. É como uma agência de viagens online, porém, o indivíduo tem muito mais liberdade de escolha e comparação de preços. Definidos estes detalhes, o usuário precisa fazer suas compras e reservas, podendo utilizar os sites citados acima como canais de compra. No Brasil, o Submarino Viagens (http://www.submarinoviagens.com.br) e o Decolar Figura 8 - Imagem do site Expedia Figura 9 - Imagem do site TripAdvisor
  50. 50. 48 (http://www.decolar.com/) são bons exemplos de canais de pesquisa, distribuição e compra de serviços turísticos. Ainda, existem alguns sites que se especializaram em determinados segmentos, como é o caso do Booking (www.booking.com) que disponibiliza uma lista de hotéis classificando-os de acordo com a área de localização, valores da estadia e classificação (as famosas estrelas), e ainda contém informações sobre comodidades, políticas do hotel, horários, contato e fotos. Para acompanhar a tendência de compartilhamento das informações, a maioria destes sites têm espaços para comentários e a classificação dos serviços de acordo com a opinião dos usuários. Aqui, pessoas que já se hospedaram em determinado hotel e fizeram sua reserva pelo site, voltam para relatar sua experiência, e muito provavelmente, influenciam na decisão de um futuro hóspede. Figura 10 – Imagens do site Booking, seguido de um exemplo de compartilhamento de informação.
  51. 51. 49 Conforme apresentamos anteriormente, esta abordagem é extremamente relevante para o ciberturista, que busca na internet, opções e opiniões sobre determinado produto, podendo assim, validar suas escolhas, e garantir que elas são verdadeiras e adequadas. Para auxiliar o ciberturista organizar as atividades e os roteiros no destino, alguns sites desenvolveram algumas rotas com lugares de grande interesse para o turista visitar. O Google City Tour (http://citytours.googlelabs.com/) cria roteiros com os principais atrativos do local, oferecendo informações que facilitam o planejamento da viagem e das atividades feitas em cada dia, além de auxiliar no levantamento de informações dos principais atrativos, como museus, prédios históricos e igrejas. O site NileGuide (http://www.nileguide.com/) unifica todos os serviços citados para planejamento e ainda oferece um serviço de guia local completo. Ao escolher um destino e período da viagem, o site disponibiliza informações sobre os principais atrativos, classificando-os de acordo com os interesses, lugares para visitar, restaurantes, vida noturna, história do local e dos seus bairros, curiosidades, meios de transportes para o acesso e opções de hotéis, possibilitando a reserva ao redirecionar a página para sites como o Expedia, além de ter um álbum com diversas fotos do destino. O site ainda permite que as pessoas exponham suas experiências e avalie os serviços utilizados. Figura 11 - Imagem do site Nile Guide
  52. 52. 50 Outra caracteristícas complexa de uma viagem é organizar a logísticas dos processos, que envolvem principalmente o transporte, devido as várias opções de veículos, conexões, distância de um lugar ao aeroporto, rotas e estradas a seguir, etc. Para solucionar essas dificuldades, alguns sites foram criados para auxiliar o ciberturista organizar e planejar roteiros mais complexos. Cole (2009) afirma que essas tecnologias, chamadas de door-to-door20 , são extremamente importantes para reduzir as dificuldades que uma viagem pode apresentar, otimizando o tempo e facilitando o acesso ao destino, não apenas na pré-viagem, como principalmente durante ela. O site Zoombu (http://www.zoombu.co.uk/) oferece voos das principais companhias aéreas que atendem a União Europeia, apresentando um gráfico com os dias e os valores de cada voo. Assim, o usuário pode identificar qual data sua viagem será mais barata. 20 Door-to-door é uma referência as tecnologias e empresas que proporcionam soluções de logística do transporte em uma viagem, disponibilizando todas as opções do aeroporto até a porta do hotel. Figura 12 - Imagem do site Zoombu
  53. 53. 51 Para auxiliar na logística no destino, os sites GoScopia (http://www.goscopia.com) e TransportDirect (http://www.transportdirect.info) oferecem todos os meios de transportes, contatos e onde encontrá-los. Além disso, o TransporDirect também oferece roteiros de passeios diários, rotas de bicicleta e dicas de cada localidade. Por fim, é importante que estas ferramentas sejam integradas e alinhadas cada vez mais para que a pesquisa, o planejamento , a verificação e as reservas da viagem se tornem processos fáceis de serem realizados e cada vez mais personalizados, sendo todas as necessidades do viajante atendidas previamente à viagem e podendo utilizar apenas um recurso de informação: a internet. Figura 13 - Imagens do site Scopia
  54. 54. 52 VIAGEM E COMPARTILHAMENTO DE EXPERIÊNCIA Depois de definido todos os detalhes da viagem, desde meios de transportes até os roteiros para cada dia através de websites que facilitam essas ações, é necessário concretizar todas as etapas anteriores. E não por menos, esta é a fase mais importante, pois é quando o turista verdadeiramente comprova tudo o que pesquisou, planejou e comprou: a viagem. Porém, esta ação não é mais isolada e muito menos o ponto final do ciclo. Hoje, é preciso considerar que, simultâneamente à viagem, o turista tem a opção de compartilhar informações e opiniões, facilitado principalmente pelos avanços tecnológicos e pela web 2.0. Em uma entrevista21 , Robert Cole afirma que a experiência mais importante é a utilização dos serviços obtidos e a confirmação do que foi prometido. Por isso, é fundamental que os serviços envolvidos no turismo garantam a qualidade de seus produtos, principalmente no cenário atual em que as mídias sociais se apresentam como grandes influenciadores de opinião, já que um comentário negativo poderá refletir em muitas pessoas que mudem de ideia em relação á aquele estabelecimento ou lugar. O turista passa a utilizar os produtos e serviços, podendo ao mesmo tempo, mandar um tweet ou uma mensagem no Facebook sobre o que está acontecendo com ele, tendo assim uma interação simultânea com o destino e com seu ciclo social. Outra maneira de compartilhar suas opiniões é escrevendo recados nos sites de buscas (como os apresentamos anteriormente) ou no próprio site do serviço, seja ele um hotel, uma companhia aérea, ou no próprio destino. Muitas cidades e países tem nas suas páginas espaços de interação entre os viajantes, que pode impactar um possível turista à escolher ou não aquele destino. Hoje, mais do que nunca, a indústria do turismo precisa valorizar seus clientes e garantir a qualidade dos seus produtos e serviços, pois o acesso disseminado a todos os tipos de informações e os inúmeros veículos e ferramentas que o permitem compartilhar suas experiências, traz uma força 21 COLE, Robert. 7 Steps To Successfull Travel e-business – A Holistc Approach. V TV Channel. Disponível em: <http://vtv.vfmleonardo.com/7-steps-to-successful-travel-ebusiness-a-holistic-approach/> Acesso em: abril 2011
  55. 55. 53 nunca antes vista ao consumidor, que agora levar uma marca ao sucesso ou ao fracasso, sem muito esforço. Segundo pesquisa22 feita pela agência F/Nazca com o Instituto Datafolha, 51% dos internautas brasileiros publicam conteúdos na internet que eles próprios produzem, como atividades ou passeios. Notamos que um novo tipo de estrutura se forma para auxiliar o turista: os serviços virtuais. São sites, ferramentas, programas que vão sendo criados no espaço da internet como forma de facilitador na elaboração de uma viagem. Essas mudanças acontecem simultaneamente com o novo posicionamento do consumidor perante o mercado, e principalmente a sociedade, onde a informação é mais do que nunca, a base da sua decisão. Acompanhar essas mudanças é questão de sobrevivência para o mercado do turismo, e um grande beneficio para o turista, que agora tem muito mais liberdade na sua decisão e mais informações disponibilizadas para isso. É o turismo altamente democrático proveniente das tecnologias e da internet. 3. GEOLOCALIZAÇÃO E MOBILE: NOVAS TENDÊNCIAS Após as diversas análises de cenários e comportamentos do consumidor de turismo do século XXI, pode-se perceber uma forte tendência para o desenvolvimento de serviços e ferramentas na internet que facilitam o processo de uma viagem, seja no planejamento ou na aquisição de serviços específicos. Assim, após entender melhor como funciona o ciclo de decisão, o perfil do ciberturista e a importância de todos os segmentos envolvidos na atividade turística em participar dessas mudanças, buscando aperfeiçoar as experiências turísticas e facilitar o acesso às informações, será apresentados a seguir, duas 22 TECNO TURIS 2010. Web: 69% dos internautas brasileiros compartilham conteúdo online.2010. Disponível em: <http://www.tecnoturis.com.br/index.php?news=Mjk=> Acesso em: Maio 2011
  56. 56. 54 tendências, associadas à internet, que também participam dessa mudança de cenário do turismo: a geolocalização e o mobile23 . 3.1 GEOLOCALIZAÇÃO Pensando nas palavras de Friedman (2007), afirmando que o mundo se tornou plano, é possível perceber o crescimento de outro segmento paralelamente e em consequência da internet, não só para o turismo, mas para o comércio em geral, o mapeamento virtual ou geolocalização, que surge como nova ferramenta de comunicação impulsionando ainda mais a internet colaborativa e interativa. Desde os primórdios da comunicação, as pessoas buscam novas formas de se conectarem umas com as outras, aproximando cada vez mais pessoas e culturas, tentando reduzir os espaços entre elas. Com os mapas não foi diferente. Eles permanecem com sua função primária, a localização, mas, foram englobados na geração X e Y e agora, acumulam mais funções dentro do cenário virtual e digital: a geolocalização ou georefernciamento. A geolocalização é um termo utilizado para a localização geográfica de um objeto em tempo real, que hoje fazem parte de radares, GPS,24 celulares, e na internet. Ela se tornou fundamental no mundo virtual, permitindo que as pessoas encontrem, não apenas as coisas que estão ao seu redor (como lojas, restaurantes, bares) como também permite que as empresas, estabelecimento e comércios enviem informações específicas para as pessoas de acordo com sua posição geográfica. Por isso, está profundamente atrelada à questões do marketing, podendo até ser considerada como estratégia de ponto de venda de algum produto. Além disso, para sanar as necessidades de orientação e unir com comércios, atividades e outros itens, surge um fenômeno conhecido como mashups, que são bases de dados aleatórios sobre determinado assunto, 23 Mobile é o termo em inglês que significa celular. 24 Sistema de Posicionamento Global (Global Positioning System)
  57. 57. 55 adicionado à mapas online e, que foi cada vez mais englobado pelas empresas como ferramenta de marketing digital. É uma maneira simples de juntar informações sobre um local ou sobre uma atividade comercial com um mapa de localização, uma das primeiras fontes de busca do usuário. O site Buildings (www.buildings.com.br), por exemplo, utiliza a ferramenta do Google Maps como forma de apresentar a localização de imóveis na região escolhida, assim, fica mais fácil para o comprador ter uma noção de onde exatamente está o imóvel, ou que imóveis que existem na região que deseja comprar. Outra opção de uso da geolocalização é com sua união nas mídias sociais, possibilitando o compartilhamento de informações com pessoas que estão geograficamente mais próximas, além de receber publicidades de estabelecimentos, e encontrar qualquer tipo de serviço (banco, lojas, restaurantes) sem grandes esforços. Além disso, possibilita a união das informações básicas que devem ser transmitida para um consumidor com a possibilidade de este marcar o local de Figura 14 - Imagem do site Buildings
  58. 58. 56 interesse em um mapa pessoal, escrever uma resenha sobre determinado restaurante, compartilhar com outros possíveis consumidores sua opinião, ou ainda identificar outros estabelecimentos próximos a esse, a fim de garantir o crescimento do conhecimento disponível na internet ou inteligência coletiva segundo Lèvy (1998). Sites de relacionamento, como o Twitter e o Facebook já dispões de geotags25 associados às mensagens enviadas por um usuário e o Youtube, associados aos seus vídeos. Outros sites se especializaram na geolocalização, como é o caso do Foursquare, que será abordado a seguir. Semelhante à proposta do Youtube, sites como o Flickr e o Panoramio utilizam a geolocalização com o mesmo objetivo: associar imagens a lugares do mundo. Esse tipo de função auxilia nas etapas de inspiração, e principalmente na pesquisa de algum destino turístico, pois, além de oferecer o conteúdo visual, também liga as informações cartográficas do local. Já o site Wikloc funciona com a união do sistema de geolocalização e a disponibilização de trilhas feitas pelos próprios usuários. Assim, os usuários podem compartilhar suas imagens, informações, e a própria trilha (por exemplo, em uma montanha) para outros interessados. É a união do conteúdo colaborativo associado aos mapas das regiões citadas. Atualmente, as empresas de eletrônicos, já estão criando aparelhos com a tecnologia de GPS integrada ao sistema, facilitando o acesso às redes de geolocalização entre outras informações que essa tecnologia oferece. Recentemente, a Sony26 lançou uma câmera digital com o sistema de GPS implantado para que assim, o usuário pudesse tirar a foto e ter as informações geográficas gravadas com a imagem. O site de busca Google utiliza a geolocalização com os resultados de busca, exibindo um mapa e a localização do serviço ou estabelecimento que o usuário procura. Já o Twitter, anunciou a parceria com empresas de 25 É o processo de adicionar referências geográficas à determinado arquivo, site, ou plataforma. 26 SONY. Disponível em: <http://www.sonystyle.com.br/br/site/catalog/ProductDisplay.jsp?stockType=A&parentCatId=cat870031&category =cameras&tabNum=1&id=DSC-HX5V_Preto> Acesso: Abril de 2011
  59. 59. 57 geolocalização, permitindo que os tweets tenham sua localização anexada, segundo o site Exame27 (2010, online). Com a integração desses serviços, fica muito mais fácil e rápido para o usuário encontrar endereços e lugares, tanto na cidade em que mora, como em destinos turísticos, além de facilitar para empresas identificar o perfil geográfico do seu consumidor, seus gostos, seus lugares favoritos, e quais tipos de estabelecimento ele considera bom ou não, já que os mapas também funcionam como ótimo estimulante da criatividade para o turista, além de facilitar a definição e a localização de rotas de viagem. Para Aguiar (2009), a análise do comportamento do ser humano pode ser percebida através da geografia, ou seja, com o estudo do espaço-tempo desses indivíduos através dos locais que este frequenta. E esta é mais uma das possibilidades para alavancar o turismo utilizando ferramentas produzidas pelos avanços tecnológicos e da internet. Afinal, a criação e circulação de conteúdos dependem exclusivamente das pessoas segundo Jenkins (2007), e o turista publica a informação na internet simplesmente porque deseja, e não porque o obrigaram a isso. 3.2 MOBILE Lévy (2007) nos mostrou que a inquietação da geração descendente dos avanços tecnológicos e das facilidades que vieram em consequência deste fato, pressionou a sociedade a criar novas alternativas criativas para a comunicação. Um desses avanços foi dentro das tecnologias móveis, conhecidas como mobile, ou celulares. Hoje, o celular é considerado ferramenta essencial e forma mais rápida e instantânea que uma pessoa tem para se comunicar e buscar informações, independente de sua localização. Ele se tornou parte da cultura da sociedade, 27 AGUIARI, Vinicius. Twitter implanta geolocalização nos tuites. Portal Exame. 2010. Disponível em: <http://exame.abril.com.br/tecnologia/twitter/noticias/twitter-implanta-geolocalizacao-tuites-569939> Acesso em: Maio 2011
  60. 60. 58 afinal só no Brasil, são cerca de 212 milhões de celulares mais que a própria população do país segundo o site Globo28 (2011, online). Mais uma manifestação da convergência cultural de Jenkins (2007). Segundo Guimarães e Borges (GUIMARÃES; BORGES, 2008, p.27) “O uso de aparelhos celulares para acessar a internet tem sido bastante inovador, e o setor de telefonia móvel promete ainda muitas novidades para os consumidores, cada vez mais dependentes das tecnologias”. A principal razão de se pensar no turismo com o auxilio do celular é na rapidez que as informações podem chegar e alcançar aquele que é mais interessada. Vai fazer sol amanhã? Haverá uma tempestade de neve? Ainda consigo comprar os ingressos para aquele show de hoje à noite? Que horas o restaurante fecha? Onde estou? Como chego ao museu? Essas são algumas perguntas básicas que qualquer pessoa que esteja visitando algum lugar pode ter, e provavelmente terá enquanto estiver na rua ou em algum passeio. A convergência das tecnologias para os aparelhos móveis tornou-o um dispositivo prático, útil e extremamente necessário, não mais para apenas se comunicar com outras pessoas, mas para receber e-mails, informações, fazer pagamentos e buscar mapas de localização. Facilitar o acesso a informações na internet já não é mais suficiente, é preciso disponibilizar em qualquer lugar durante a viagem, já que nem sempre o turista estará na frente de um computador quando tomar alguma decisão ou verificar alguma informação. Alguns programas disponíveis em celulares mostram essa união da informação benéfica ao turista com a tecnologia do celular. O PhotoTrip registra a localização da imagem através da geolocalização como citamos anteriormente e o Jibbigo, permite a tradução em tempo real de frases em qualquer língua. Jenkins (2009) afirma que a convergência tecnológica e o surgimento de aparelhos que juntam todas as informações e interatividades, estão dentro de um movimento muito maior chamado de Convergência de Mídias “que não se 28 GLOBO. Brasil tem mais celular que gente. 2011. Globo.com. Disponível em: < http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM1517398-7823- BRASIL+TEM+MAIS+CELULARES+DO+QUE+GENTE,00.html> Acesso em: junho 2011

×