MONOGRAFIA
ta:/UIIICAMP
Be45q
21A8FEF/684
LUCIANA BERALDI
A QUESTÃO DO RITMO NAS ATIVIDADES DE
EDUCAÇÃO FÍSICA INFANTIL
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LUCIANA BERALDI
A QUESTÃO DO RITMO NAS ATIVIDADES DE
EDUCAÇÃO FÍSICA INFANTIL
TCC/UNICAMP ~-
Be45q "
Monografia exigida pe...
SUMÁRIO
RESUMO..............................................................................................i
AGRADECIMENT...
4.3) A descoberta da la Matriz..............................................................55
4.4) A descoberta da 2" Mat...
RESUMO
Este trabalho objetivou a verificação da aplicação das atividades rítmicas
em aulas de Educação Física Infantil, bu...
Expresso aqui meus agradecimentos
a Deus por ter iluminado e guiado, sempre o meu caminho;
à minha orientadora, Prof". Dr....
iii
DEDICATÓRIA
Aos meus pais,
NIVALDO EMARILENA,
pela minha existência e pelo apoio
em todas as minhas decisões....
INTRODUÇÃO
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O homem é suscetível ao ritmo, po1s VIVe num universo rítmico,
sofrendo dele influência externa; tudo que fazemos, pensa...
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Com o término desta pesquisa, surgiu uma outra inquietação: como
os professores trabalham com as questões do ritmo nas a...
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CAPÍTULO 1: O RITMO- ORIGEM EEVOLUÇÃO
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O ritmo acompanha o homem desde os primórdios da civilização,
pois ele se manifesta na natureza, nas funções orgânicas d...
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A partir dessa definição, percebe-se uma diferenciação entre ritmo e
compasso, mostrando que são coisas distintas, e HAN...
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ordem é a espacial, que através do sentido visual define uma largura,
profundidade, grandeza, entre outros para os movim...
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O ritmo ficou esquecido por um bom tempo no sistema educacional,
voltando somente por volta de 1900, mais especificament...
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deixou de estudar a cultura de seu povo. Nesse período, ele vinculou a sua
vida aos assuntos educacionais, introduzindo ...
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CAPÍTULO 2: A EDUCAÇÃO INFANTIL
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Tentando buscar mais dados esclarecedores às minhas inquietações,
volto agora meus estudos a respeito da Educação Infan...
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aprenderem sobre as coisas que estão à sua volta e sobre o seu próprio
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Essas pesquisas afirmam que não basta apenas a presença do
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Percebe-se o quanto é importante a estimulação durante o seu
crescimento, o que vem enfatizar a função das pré-escolas,...
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Com esses pensamentos, citados anteriormente, é possível
analisar a importância da Educação Física para o bom desenvolv...
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correspondente à educação básica.
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CAPÍTULO 3: A ESCOLHA DO CAMINHAR
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Toda pesquisa tem a sua forma de caminhar, de traçar os caminhos
para decifrar as indagações e tentar entender o objeto...
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I. a exploração- acontece com a seleção e definição de problemas, a
escolha do local e o estabelecimento de contatos, a...
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suas inquietações.
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CAPÍTULO 4: A TRAJETÓRIA PROPRIAMENTEDITA
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primeiros passos, com as observações e as entrev...
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41
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Para ens1nar o drible do basquetebol, utilizou a metade da
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versa. As perguntas foram sobre matemática, geog...
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Ela procura trabalhar com as capacidades motoras como
coordenação, agilidade, destreza e equilíbrio, através de grandes...
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6C= (6c+6e) não se utiliza de nenhum instrumento, ou de palmas, ou da
própria voz para interferir na percepção do movim...
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obstáculos nas mais diferentes posições, e ganhava quem fizesse o
caminho no menor tempo possível.
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A ginástica é um conteúdo trabalhado com as meninas, mas
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trocavam passes de peito, se deslocando até a outra linha da quadra de
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52
A professora não trabalha com atividades rítmicas com a 4'
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53
As categorias foram criadas a partir das reduções das unidades de
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pertencentes a cada uma das Matrizes que serão exibidas logo após a
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  1. 1. MONOGRAFIA ta:/UIIICAMP Be45q 21A8FEF/684 LUCIANA BERALDI A QUESTÃO DO RITMO NAS ATIVIDADES DE EDUCAÇÃO FÍSICA INFANTIL UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS FACULDADE DE EDUCAÇÃO FÍSICA 1997
  2. 2. LUCIANA BERALDI A QUESTÃO DO RITMO NAS ATIVIDADES DE EDUCAÇÃO FÍSICA INFANTIL TCC/UNICAMP ~- Be45q " Monografia exigida pelo curso de Licenciatura da Faculdade de Educação Física da Unicamp. sob a orientação da Prol.' Dr.' Vilma Lení Nista-Piccolo. UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS FACULDADE DE EDUCAÇÃO FÍSICA 1997
  3. 3. SUMÁRIO RESUMO..............................................................................................i AGRADECIMENTOS..........................................................................ii ' DEDICATORIA...................................................................................iii -INTRODUÇAO...................................................................................1 Capítulo 1: O ritmo - origem e evolução........................................................4 Capítulo 2: A educação infantil......................................................................1O 2.1 ) Algumas considerações a respeito da história da infância.................................................................................................................11 2.2) Algumas considerações a respeito das características das crianças.................................................................................................................12 2.3) Breve relato sobre a história da Educação Física.......................................................................................................................15 2.4) Alguns aspectos da Educação Física no âmbito escolar..................................................................................................................-16 Capítulo 3: A escolha do caminhar..............................................................-19 3.1) As fases desse caminhar.................................................................2l 3.1 .1) A exploração........................................................................21 3.1.2) A decisão...............................................................................23 3.1.3) A descoberta........................................................................24 Capítulo 4: A trajetória propriamente dita...................................................25 4.1) As descricões das aulas e das entrevistas..................................26 4.2) A elaboração das categorias.......................................................52
  4. 4. 4.3) A descoberta da la Matriz..............................................................55 4.4) A descoberta da 2" Matriz..............................................................59 Capítulo 5: Um segundo olhar nas descobertas.........................................65 CONSIDERAÇÕES FINAIS...............................................................?6 REFERÊNCIAS BILBIOGRÁFICAS.................................................................8l BIBLIOGRAFIA GERAL.....................................................................................83
  5. 5. RESUMO Este trabalho objetivou a verificação da aplicação das atividades rítmicas em aulas de Educação Física Infantil, buscando com isso enfatizar a importância que o fenômeno ritmo tem no desenvolvimento da criança. A partir de observações das aulas desta disciplina, ministradas em escolas particulares, no educação infantil e fundamental, somadas às entrevistas abertas com os respectivos professores, especializados ou não, foi possível deflagrar um conteúdo ainda não contemplado nos programas curriculares desta área. Um outro aspecto levantado no trabalho é que, em determinados momentos, é possível observar o uso deste elemento em posição secundária, de maneira inconsciente, ou seja, alguns professores utilizam-se do ritmo apenas como meio de instrução pedagógica, sem mesmo saber da necessidade de aprimorar o ritmo individual da criança, ou ainda reconhecer a sua aplicação como um fim em si mesmo. Partindo da ·,déia de que o ritmo expressa uma ordem temporal e espacial ao movimento, intensificando sua estrutura com uma acentuação que vem reforçar sua amplitude, o seu desenho no espaço, é que pensa-se em trabalhar com a educação do ritmo nas aulas de Educação Física Infantil.
  6. 6. Expresso aqui meus agradecimentos a Deus por ter iluminado e guiado, sempre o meu caminho; à minha orientadora, Prof". Dr." Vilma Lení Nista-Piccolo, pela atenção, disponibilidade, confiança e carinho; ao meu noivo Augusto pela sua compreensão e força nas horas mais difíceis; a todos os alunos da turma 94 que conquistei durante esses quatro anos de convivência; às escolas e seus respectivos professores que me ajudaram no caminhar desta pesquisa; e a outras pessoas que de alguma maneira auxiliaram-me ao longo deste processo. 11
  7. 7. iii DEDICATÓRIA Aos meus pais, NIVALDO EMARILENA, pela minha existência e pelo apoio em todas as minhas decisões....
  8. 8. INTRODUÇÃO
  9. 9. 2 O homem é suscetível ao ritmo, po1s VIVe num universo rítmico, sofrendo dele influência externa; tudo que fazemos, pensamos, falamos tem a presença dele. Para se ler uma idéia, o ritmo é um elemento de comunicação universal entre os homens, sendo um componente básico de lodos os movimentos. Esse elemento, tão presente nas nossas vidas, sempre interessou-me, e em meus estudos de bailei clássico, pude conhecer um pouco mais sobre a sua magia e poder, pois em todas as aulas ele se fez presente. Desse modo, também percebi como bailarina, o quanto se torna difícil adequar os movimentos a um ritmo externo proposto pela música. Ao ingressar na Faculdade de Educação Física, foi possível verificar que o ritmo também era bastante requisitado nas aulas, e perceber como as pessoas tinham dificuldade em trabalhar com esse elemento tão comum a todos. Considerando esses dados, fiquei a indagar-me o porquê dessa dificuldade durante as atividades do nosso dia-a-dia. A partir destes questionamentos, surgiu-me a oportunidade de realizar um projeto de iniciação científica com o objetivo de reconhecer a "A contribuição do ritmo para o desenvolvimento da criança': A pesquisa desenvolveu-se na instituição PRODECAD/UNICAMP, no período de agosto/95 à agosto/97. Com os dados desta pesquisa, verificou-se que cada criança tem o seu ritmo próprio e que deve ser respeitado. Entretanto, há necessidade de uma estimulação coerente, para que o ritmo seja aprimorado, visando atingir uma harmonia na sincronização ritmo-movimento. Além disso, foi possível averiguar a importância de realizar um trabalho mais direcionado do ritmo do movimento com as crianças. Através dos testes realizados na pesquisa, observou-se um desenvolvimento mais integral, após vivenciarem as aulas de Educação Física com enfoque no ritmo.
  10. 10. 3 Com o término desta pesquisa, surgiu uma outra inquietação: como os professores trabalham com as questões do ritmo nas atividades da Educação Física Infantil. Isso impulsionou-me à realização desse estudo, que compreende os seguintes capítulos: No primeiro capítulo, o ritmo é apresentado com um enfoque histórico, voltado à evolução do seu conceito e aos educadores que estudaram o ritmo, dando origem a uma pedagogia para sua aplicação. O segundo capítulo procura mostrar uma análise da criança, com as suas características, além de apresentar como a Educação Física, a partir de sua própria história. interage com a Educação Infantil. O terceiro capítulo refere-se à metodologia adotada para investigar a questão do ritmo nas atividades da Educação Física Infantil. Nele, estão inseridas todas as fases da investigação e seus procedimentos. O quarto capítulo é a pesquisa na sua íntegra, isto é, todos os passos que foram dados até chegar às suas primeiras interpretações. O quinto capítulo é o mais empolgante, porque foi nele que as interpretações fluíram mais espontaneamente, a partir de um segundo olhar dos aspectos levantados durante a pesquisa. Foi o que permitiu uma imaginação variativa, e transmitiu-me muita euforia e liberdade para a sua concretização. As considerações finais seguem fechando esse estudo, mostrando a construção dos resultados obtidos durante o caminhar dessa pesquisa. E agora, convido a todos a entrarem nessa trajetória, e viajar no mundo do ritmo do movimento.
  11. 11. 4 CAPÍTULO 1: O RITMO- ORIGEM EEVOLUÇÃO
  12. 12. 5 O ritmo acompanha o homem desde os primórdios da civilização, pois ele se manifesta na natureza, nas funções orgânicas do homem e nas suas atividades do dia-a-dia. O homem primitivo, antes mesmo de se comunicar com a palavra articulada, explora o seu ritmo como elemento de ligação entre a dança e a palavra, para poder transmitir as suas mensagens através dos movimentos criados por determinados ritmos. Se prestarmos atenção à nossa volta, podemos perceber que o ritmo está presente em tudo que existe. Então, como pode uma palavra de apenas cinco letras estar tão presente nas nossas vidas? Para melhor compreensão deste fenômeno, inicio pelo significado que essa palavra tem, e para isso começarei com HANEBUTH (1968), um dos grandes pesquisadores a respeito do assunto. Ele estudou o ritmo com a intenção de trazer mais informações para maestros, técnicos, professores de Educação Física e outras pessoas interessadas no assunto, e em suas pesquisas verificou que o "ritmo" deriva do grego "rhein" que tem o significado de fluir. Para o próprio HANEBUTH (apud NISTA-PICCOLO 1993; 13) "o ritmo constituía coordenação motora e a integração funcional de todas as forças estrvturadoras. tanto corporais como psíquicas e espítituaís". HANEBUTH (1968) verificou que o ritmo tinha esse sentido, devido ao conceito de ritmo dado por GERO que em citação de NISTA-PICCOLO (1993;14) é definido como "uma articulação harmônica de um movimento. como uma ordem e uma necessidade essencial do ser humano diferente de compasso que é exato, sempre igual, contáve/ e mensurável".
  13. 13. 6 A partir dessa definição, percebe-se uma diferenciação entre ritmo e compasso, mostrando que são coisas distintas, e HANEBUTH (apud NISTA- PICCOLO 1993;15) para enfatizar essa diferença dizia que: "titmo é o movimento das ondas do mar que se repetem petiodicamente, de forma semelhante mas não idêntica enquanto méttica é a repetição exata que nas mudanças de luzde um farol de trânsito". Outro autor que faz essa distinção é ROETHIG (1963), que também em sua definição de ritmo o difere de compasso, mostrando que o conceito de ritmo está vinculado à tradução de uma correnteza, e não de uma constante mudança. Muitas são as definições de ritmo, no entanto, NISTA-PICCOLO (1993) em sua pesquisa mostra que o conceito evoluiu, quebrando a idéia de que ritmo e compasso significavam a mesma coisa, e de que o ritmo era somente gerado por algo objetivo, automatizante. Com essa ruptura o ritmo passou a ler um sentido mais dinâmico, e começou a considerar o lado subjetivo do indivíduo como um fator gerador do ritmo, onde a sua vontade e a sua participação são expressas no ritmo de um movimento. O ritmo do movimento não é somente gerado pelo ritmo imposto pela música, mas também pela vontade da pessoa em dançar. Portanto, o fenômeno psíquico influencia no ritmo do movimento corporal. podendo variar de pessoa para pessoa, porque os estímulos externos, do próprio ambiente, provocam impulsos que não produzem necessariamente respostas iguais nas pessoas sob a influência do mesmo estímulo. O ritmo expressa uma ordem temporal ao movimento, onde imprime uma duração, uma simetria, pois essa ordem intertere no sentido auditivo e cinestésico, que acaba definindo um estilo ao movimento. A segundo
  14. 14. 7 ordem é a espacial, que através do sentido visual define uma largura, profundidade, grandeza, entre outros para os movimentos. Uma outra estrutura, além do tempo e do espaço que o ritmo imprime ao movimento é a acentuação. Ela intensifica um dos "tempos "da estrutura rítmica tornando-se um ponto de referência para o movimento e que segundo LE BOULCH (1987;176) "a acentuação reforça a intensidade e a amplitude do "tempo" em que ele se situa". Segundo HANEBUTH, (apud NISTA-PICCOLO 1993;25) "o número mínimo de elementos que compõem a formação do ntmo é três, sendo um impulso, um acento e um escoar". Verifica-se, então, que a formação do ritmo se apoio no "princípio básico do ritmo" de BODE (apud NISTA- PICCOLO 1993;25), onde os movimentos ocorrem pelo alternãncia de relaxamento-tensão-relaxamento. Além desses três elementos, o ritmo possui uma unidade funcional indivisível do seu movimento rítmico a partir de quatro fenômenos, força, espaço, tempo e forma que, quando juntos, criam uma energia no movimento, fazendo aparecer seu próprio processo rítmico. Para HANEBUTH (apud NISTA-PICCOLO 1993;22) "é a ntmicidade que impulsiona toda e qualquer função no desenvolvimento do ser humano·: Assim, quem gera um equilíbrio no desenvolvimento humano é o ritmo, pois como os movimentos corporais possuem estruturas rítmicas, eles podem ser utilizados para se atingir uma educação global. Na educação, o ritmo já esteve presente desde os tempos de Aristóteles e Platão. Para eles, era considerado um instrumento de ação pedagógica, pois os movimentos corporais ritmados eram considerados como uma u expressão de uma formação fina" 1• 1 Palavras extraídas por NISTA-PICCOLO (1993;30) do autorSCHELEE (1955) do livro LITERATURSP!EGEL ZUR DISKUSSION ÜBER DEN RHYTHMUS.
  15. 15. 8 O ritmo ficou esquecido por um bom tempo no sistema educacional, voltando somente por volta de 1900, mais especificamente em torno de 1903 a 191 O, quando surge uma proposta de trabalho rítmico denominado "solfejo corporal musical"2, o qual foi criado por Emile Jacques Dalcroze, um pedagogo e compositor suíço. Ele interessou-se pelo assunto ao notar que seus alunos de música, ao escutarem um som, mexiam as cabeças, batiam os pés, estalavam os dedos, tentando de alguma forma marcar o tempo da música, mesmo se o movimento saísse descoordenado. DALCROZE (s/d) doutrinava que o sentimento rítmico corporal se desenvolve por educação do sistema muscular e nervoso na qualidade de transmitir pela expressão a graduação da força e da elasticidade no tempo e no espaço. Ele sentiu necessidade de criar um sistema educativo ( rítmica) capaz de coordenar o movimento corporal com o ritmo musical Para DALCROZE (s/d) seu método tinha a seguinte definição: "a aprendizagem da rítmica não é mais que uma preparação para os estudos atiistícos especializados e não consiste em uma alie em simesma" e sua metodologia procurava "desenvolver e harmonizar as funções motoras e regrar os movimentos corporais no tempo e no espaço" (LANGLADE. 1970. p.38) O seu método foi de grande importância para muitos educadores da época, pois com o trabalho rítmico nas atividades escolares, eles conseguiram estimular a criatividade e a espontaneidade das crianças e jovens, através da relação natural entre o movimento sonoro e corporal. Na década de 1920, outro pedagogo e compositor influenciado pelas teorias de DALCROZE começou a despontar nessa área. Trata-se de Carl Ortf, descendente de uma famma de fazendeiros bávaros, que nunca 2 Visava a ~xteriorização das emoç&!s, expressas nos gestos .aspontâneos, através de vários ritmos, segundo NISTA-PICCOLO (1993;31)
  16. 16. 9 deixou de estudar a cultura de seu povo. Nesse período, ele vinculou a sua vida aos assuntos educacionais, introduzindo idéias inovadoras com uma proposta educacional assentada em três elementos: fala-música- movimento, formando uma unidade presente na expressão inala das crianças e dos povos primitivos. Segundo CAMARGO (1994;52) "ORFF fundamentou a sua obra educacional e artística em sua própria atitude espiritual: voltar o coração e a mente humana para o elementar; para os primeiros impulsos que nascem da natureza do homem". Em sua proposta, ele se utilizou das forças elementares dos ritmos e dos sons, integrando-os à magia das palavras e dos movimentos. Se pensarmos nessas duas propostas educacionais ciladas ac1ma, verificamos que ambas consideram o indivíduo como um ser uno e indivisível, sem discriminar corpo e mente no desenvolvimento geral. Elas estruturam o trabalho com o que cada um tem dentro de si, buscando reconhecer e aprimorar as capacidades que todo ser possui. Todos esses estudos fizeram com que as atividades rítmicas ganhassem um espaço dentro das escolas, ao menos durante essa época, pois para esses educadores (DALCROZE e CARL ORFF), as atividades rítmicas deveriam fazer parte do conteúdo programático das escolas.
  17. 17. lO CAPÍTULO 2: A EDUCAÇÃO INFANTIL
  18. 18. 11 Tentando buscar mais dados esclarecedores às minhas inquietações, volto agora meus estudos a respeito da Educação Infantil, em um primeiro momento, com a finalidade de entender sobre as suas características e a sua história e, num segundo momento, como a Educação Física se encontra nessa área da Educação. 2.1) ALGUMAS CONSIDERAÇÕES A RESPEITO DA HISTÓRIA DA INFÂNCIA Na idade média, as crianças eram vistas como adultos em miniatura, eles não recebiam muita atenção e por isso se afastavam dos pais ainda muito jovens. Entre os séculos XV e XVI, a criança começa a receber mais atenção dos pais, iniciando uma aproximação mais afetiva entre eles. No final do século XVII, as crianças deixaram de ser consideradas seres inferiores pelos seus pais, pois deixaram de colocar as crianças na posição de objeto, e passaram a conviver melhor. No século XIK a criança sai definitivamente do anonimato e acaba polarizando a atenção dos adultos, quando a famnia passa a se organizar em torno dos filhos, e juntamente com o surgimento do capitalismo a pré-escola aparece com a função de guardar as crianças e afastá-las do trabalho. Ainda no século XIX, a pré-escola linha como base uma educação compensatória, onde procurava suprir as carências culturais, lingüísticas e afetivas, porém já se iniciava oferecer um ambiente mais educativo para as crianças que ali permaneciam, A respeito da educação compensatória, KRAMER (1987; 119) diz que essa educação deve ser "despojada de seu caráter pretensamente compensatório, pois este simplesmente antecipa a
  19. 19. 12 marginalização e a discriminação que as crianças das classes sociais dominadas sofrem na escola". O termo Educação Infantil, segundo SCHIAVON (1996) aparece em 1975, quando começou a ser exigido dos educadores que atuavam nessa área a habilitação em Educação primária a nível de 2' grau, devido a mudança do próprio nome do departamento que passou de Educação e Recreio para Departamento de Educação Infantil. A idéia de infância não existiu sempre e nunca foi idêntica, e que segundo KRAMER (1987;20) "o seu conceito é determinado historicamente pela modificação das formas de organização da sociedade". Analisando essas palavras verifica-se que a criança não tem um valor único, ou seja, não existe uma criança universalmente determinada, pois face às diferenças sociais, políticas e econômicas em todo o mundo, as crianças também se diferenciam umas das outras. O aspecto fundamental disso tudo é que deve-se considerar a criança como um sujeito em seu momento específico de vida, e além disso, há necessidade de compreendê-la, dialogar com ela e entendê-la, para poder reconhcê-la como um sujeito na sua totalidade. 2.2) ALGUMAS CONSIDERAÇÕES A RESPEITO DAS CARACTERÍSTICAS DAS CRIANÇAS A criança que vai à pré-escola está na faixa de idade compreendida entre os 2 e 6 anos. A cada ano, ela vai mudando de classe de acordo com a sua idade biológica. Devemos levar em consideração, que a função da pré-escola não é a de simplesmente iniciar a alfabetização, mas acima de tudo, proporcionar às crianças atividades interessantes e prazerosas para as suas realizações, levando-as a
  20. 20. 13 aprenderem sobre as coisas que estão à sua volta e sobre o seu próprio mundo. Durante esses quatro anos em que a criança permanece nesse ambiente, ganha bastante "amiguinhos", brinca muito, aprende a ter responsabilidade, a respeitar os outros e a se conhecer. Portanto, essas escolas têm uma função muito importante, pois estão ajudando as crianças a se desenvolverem e crescerem plenamente. Nessa fase escolar, a criança se encontra num período muito intenso de atividades: as fantasias e os movimentos corporais ocupam quase todo o seu tempo. Concorda LE BOULCH (1992;130) quando afirma que: "a escola matemo/ deve propiciar a chave a cada criança de poder desenvolver-se antes de fazê-la entrar no circuito da marginalização e favorecer ações especializadas que consolidarão a experiência vivida de sua inatítude u. Quando a criança sai da educação infantil ela entra para o primeiro ciclo do 1' grau, que compreende as séries de 1" à 4". Durante esse período, a criança passa por muitas transformações, onde o seu pensamento começa a pertencer mais ao mundo real, mas ainda se encontra no mundo da fantasia; gosta de se expressar e de apresentar trabalhos, porém, às vezes, vive cheia de "segredinhos" e curiosidades. Tem grande amor e afeto pelos animais e admira por demais os adultos, tanto que adora fazer imitações daqueles que a rodeiam. Vários pesquisadores de todo mundo desenvolveram trabalhos, a respeito do cérebro da criança, buscando saber como é construído em termos biológicos e sociais, segundo a reportagem apresentada na REVISTA VEJA em março de 1996.
  21. 21. 14 Essas pesquisas afirmam que não basta apenas a presença do cérebro, pois ele, por si só, não é capaz de formar as capacidades básicas. Ele só encarrega-se das capacidades inatas, e para que outras se desenvolvam, é preciso haver um reforço muito grande, presente nas estimulações que a criança recebe durante o seu crescimento. Com essa pesquisa (1996;84) eles descobriram que: "há etapas definidas para o desenvolvimento do cérebro das crianças, e ínfonnam que a inteligência. a sensibilidade e a linguagem podem e devem ser aprimoradas na escola, no clube e, especialmente. dentro de casa". Além disso, descobriram também que: "musicalidade. raciocínio lógico-matemático. inteligência espacial, capacidades relativas ao movimento do corpo, entre outras. dependem de circuitos que são plugados logo na I a infãncia. época em que a criança aprende a aprender (p.86) ". Outras descobertas interessantes também foram descritas, porém a que mais chamou-me a atenção, face ao relacionamento com o objeto de estudo da minha pesquisa. foi a declaração de que (1996; 88): 11 Contar hístótias, pôr música na vitrola, agaffar e beijar, brincar com a fala são estímulos neurais que ajudam o aperfeiçoamento das ligações neurais das regiões sensoriais do cérebro. 'Abrem-se os circuitos da prosódia. da compreensão melódica e poética da linguagem'." Com esta pesquisa tem-se algo de novo sobre o universo da criança, atingindo-se maior compreensão do seu desenvolvimento.
  22. 22. 15 Percebe-se o quanto é importante a estimulação durante o seu crescimento, o que vem enfatizar a função das pré-escolas, e das escolas, que tratam da educação básica. Esta estimulação depende, em grande parte, das aulas de Educação Física que a escola proporciona. É sobre isso que passo a abordar. no próximo item, a respeito da Educação Física na fase da Educação Infantil. 2.3) BREVE RELATO SOBRE A HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA Pode-se dizer que a Educação Física, pela sua história, sofreu e ainda sofre influências de três linhas de pensamento, sendo a primeiro, a linha médica, no período do Brasil-império que através da ginástica, aplicada por médicos, pretendia estabelecer a higienização e eugenização do povo, porque o Brasil precisava mostrar uma raça pura dominante, para evitar o domínio de Portugal e atender aos interesses da classe dominante. Nessa época, o professor de ginástica era visto como agente de saúde e o aluno como um paciente. No século XX, o Brasil começava a se industrializar, logo, era preciso a formação de homens para trabalhar nesse ramo, ou seja, a indústria necessitava de homens disciplinados, dóceis e subservientes para o trabalho fabril. Ainda nesse século, a eclosão da 2° Guerra Mundial fortaleceu a linha militar que se utilizava da Educação Física para a formação de indivíduos fortes, sadios e capacitados para defender a Pátria. A última linha é a esportiva, que influenciou a Educação Física, devido ao avanço da tecnologia, após a 11 Guerra Mundial. E assim, o esporte acabou sendo utilizado pelo sistema capitalista como um meio de alienar a população. Logo. a Educação Física ficou encarregada dessa
  23. 23. 16 função, e no desenvolvimento de suas aulas, o rendimento e a performance física eram trabalhados exaustivamente. Por esse breve resumo da História da Educação Física percebe-se que ainda essas influências são bastante fortes no âmbito escolar, e para um entendimento mais esclarecedor, é preciso que ela seja comp1 eendida como uma ação educativa que se inclui dentro de um projeto pedagógico global, isto é, ela deve ser considerada uma disciplina que possui objetivos e conteúdos a serem aplicados corretamente. 2.4) ALGUNS ASPECTOS DA EDUCAÇÃO FfSICA NO ÃMBITO ESCOLAR Segundo o autor OLIVEIRA (1988;42). a Educação Física deve: "propiciar a oportunidade de envolvimento em atividades motoras adequadas, consideradas os necessidades e caractetistícas e interesses de seus participantes. Tais atividades motoras só irão caracterizar a Educação Física se contribuírem para o desenvolvimento harmônico e global do serhumano". Esse objetivo, colocado por esses autores, vai ao encontro do que NISTA-PICCOLO (1995;65) diz ao abordar a visão de Educação Física que o professor deve ter: "qualquer que seja a teoria do desenvolvimento da criança, é preciso fundamentar as díretrizes do planejamento escolar, mas antes de tudo o professor tem que entender que os três domínios do comportamento podem ser desenvolvidos de forma integrada parque a cdança deve ser compreendida como um ser uno e indivisível que é ".
  24. 24. 17 Com esses pensamentos, citados anteriormente, é possível analisar a importância da Educação Física para o bom desenvolvimento das crianças desse período escolar, e como este profissional precisa estar atento à sua função dentro da escola. Em relação a este aspecto, é conveniente explicar qual é a função do professor, a partir dos pensamentos de THOMAZ (1984) sobre o assunto. O professor não deve pensar que seu conhecimento é absoluto em relação ao seu aluno, pois este também detém conhecimento que deve ser considerado pelo professor; portanto, a função docente é caracterizada pelo ato de ensinar , com implicações sociais, políticas, econômicas e culturais dentro da sociedade. Isto quer dizer que o professor de Educação Física não pode considerar os seus alunos "vazios", eles já sabem correr, saltar, brincar, jogar, já possuem uma gama de movimentos muito grande, basta então, esse profissional levar tudo isto para dentro da escola e utilizá-los como matéria prima para as suas aulas. Um grande problema detectado nas escolas de educação básica nas aulas de Educação Física, é que os professores por ainda sofrerem influências das linhas de pensamento, principalmente da esportiva, acabam exigindo rendimento para todos os movimentos que a criança realiza, ou seja, cobram a perfeição técnica do gesto ao invés de propiciar um conhecimento e um crescimento a respeito do próprio movimento. A Educação Física é muito importante para as crianças. todos os profissionais da área sabem disto, porém ainda não se pode dizer que essas aulas estão sendo bem orientadas e direcionadas, falta um pouco mais de amadurecimento e de crescimento por parte de alguns
  25. 25. 18 professores, para que ela possa ser considerada fundamental na fase correspondente à educação básica.
  26. 26. 19 CAPÍTULO 3: A ESCOLHA DO CAMINHAR
  27. 27. 20 Toda pesquisa tem a sua forma de caminhar, de traçar os caminhos para decifrar as indagações e tentar entender o objeto de estudo da mesma. Pesquisar, segundo o novo dicionário Aurélio da Língua Portuguesa {1995;1320) é "informar-se a respeito de. descobrir ou estabelecer fatos ou pn'ncípios relativos a um campo qualquer do conhecimento". Então o pesquisador determina sua trajetória e estratégias para "descobrir" o que lhe é de interesse e, para isto ele decide por algum tipo de pesquisa. Para este caminhar, utilizou-se uma abordagem qualitativa, que segundo BOGDAN &BIKLEN (apud LÜDKE 1986; 13): "envolve a obtenção de dados descritivos. obtidos no contato direto do pesquisador com a situação estudada. enfatizo mais o processo do que o produto e se preocupa em retratar a perspectiva dos participantes. " A pesquisa qualitativa propicia ao pesquisador um contato direto com o ambiente onde ele vai colher os dados, que são coletados de maneira descritiva e posteriormente analisados através de um processo indutivo. Nesta pesquisa, a pesquisadora estando em contato com as aulas de Educação Física das escolas educação infantil e do ensino fundamental, deverá descrever tudo que for possível em relação à questão do ritmo do movimento expressado, sem permitir ainda uma interpretação dos dados. E por último, a pesquisadora deve destacar as unidades de significados, das descrições feitas, sofrendo com isso reduções para que possam emergir categorias, correspondentes ao toco da pesquisa. A metodologia para realizar esse tipo de pesquisa compreende três etapas conforme diz LÜDKE (1986) :
  28. 28. 21 I. a exploração- acontece com a seleção e definição de problemas, a escolha do local e o estabelecimento de contatos, além dos procedimentos metodológicos e suas realizações. 2. a decisão- consiste no momento em que o pesquisador define as unidades de significados dos dados obtidos, buscando selecionar as mais importantes para a compreensão e interpretação do fenômeno a ser estudado. 3. a descoberta- acontece quando o pesquisador inicia as análises, através das categorias levantadas, buscando confrontá-las com as teorias já existentes a respeito do assunto e aos poucos vai construindo os seus resultados. Para a concretização dessas etapas, as técnicas da observação e da entrevista serão utilizadas. Para que a observação seja válida e considerada dentro da pesquisa, é preciso que ela seja controlada e sistematizada, além de ter claro o toco da investigação. Enquanto isso a entrevista necessita de uma precisão, focalização e fidedignidade. Realizar esse tipo de pesquisa é muito interessante, pois segundo LÜDKE (1986; 18) ela "se desenvolve numa situação natural, ético em dados desctitívos. tem um plano aberlo e flexível e focaliza a realidade de forma complexa e contextualízada". 3.1) AS FASES DESSE CAMINHAR 3.1.1) A EXPLORAÇÃO A l' fase dessa etapa iniciou com o levantamento das instituições de educação infantil (pré- escola) e ensino fundamental na cidade de Jundiaí, para a realização de visitas em aulas de Educação Física, onde os critérios de seleção para a determinação dos sujeitos da pesquisa foram os seguintes:
  29. 29. 22 l. escolas que apresentam aulas de Educação Física com profissionais especializados e; 2. escolas que apresentam aulas de Educação Física com professores de sala. Não serão analisadas as escolas que não oferecem aulas de Educação Física para esta faixa escolar selecionada para a pesquisa. Sendo assim, o levantamento das escolas que apresentam essas características apresentou-se da seguinte forma: • 9 escolas particulares de ensino fundamental e; • 32 instituições particulares de educação infantil (pré- escola). Das escolas particulares de ensino fundamental, todas apresentam aulas de Educação Física com professores especializados, e das 32 escolas de ensino infantil, 25 possuem a mesma característica, ficando somente 7 escolas com aulas de Educação Física desenvolvidas pelo professor de sala. A 2' fase dessa etapa foi a pesquisa de campo, desenvolvida nos meses de maio e junho, constando de visitas em oito escolas, sendo quatro nas de ensino fundamental e quatro nas de educação infantil. O critério adotado para essa escolha foi unicamente a permissão dada pelas escolas, onde serão observadas oito aulas de Educação Física e entrevistados oito professores. Nas instiutições de ensino fundamental as aulas observadas serão com as 4a séries, para que haja uma concordância durante o processo de interpretação que será realizado mais tarde. Os procedimentos metodológicos se aparam nas técnicas da observação e da entrevista aberta. Instrumentos que buscam colher dados relacionados às atividades rítmicas presentes nas aulas de Educação Física, nas escolas já citadas anteriormente.
  30. 30. 23 As observações estão pautadas nos seguintes itens: • verificar se o professor utiliza algum instrumento de percussão ou outro material para comandar sua aula; • reconhecer se o professor privilegia atividades rítmicas durante as suas aulas; • identificar se o professor utiliza o ritmo como elemento coadjuvante ou principal durante as aulas; • saber se o professor explora as variações de espaço, tempo, forma e intensidade nas atividades em que aplica; • detectar se o professor respeita o ritmo individual de cada aluno durante a prática das atividades; • além de outros aspectos que possam se mostrar relevantes para esta análise. As entrevistas abertas visam o reconhecimento sobre: • os conteúdos trabalhados pelo professor responsável da disciplina Educação Física; • atividades relacionadas ao trabalho com o ritmo; • metodologia do trabalho rítmico desenvolvida nas aulas. A análise dos dados deverá ser feita de forma qualitativa, através da interpretação dos aspectos levantados a respeito das aulas em que se privilegiam, ou não, o ritmo. O foco das observações será centrado na metodologia utilizada nas aulas onde o ritmo é contemplado, verificando nesses métodos quando o ritmo é trabalhado como um fim em si mesmo, ou como um meio auxiliar das atividades propostas. 3.1 .2) A DECISÃO Essa etapa acontece em seguida às descrições das aulas observadas, e às entrevistas. Após cada descrição, são levantadas Unidades de Significados, que correspondem às situações que ocorreram
  31. 31. 24 nas descrições e que chamaram à atenção da pesquisadora segundo as suas inquietações. A partir dessas unidades surgem as Reduções, com a finalidade de unir as unidades, de maneira mais sintetizada, ou seja, é uma forma de agrupar as idéias com uma linguagem mais clara e precisa. Com as reduções prontas, a pesquisadora inicia mais um passo nesse caminhar, que é a elaboração de categorias referentes às observações e às entrevistas. Essas categorias representam a união entre as reduções encontradas nas aulas observadas e nas entrevistas de cada escola visitada. A partir delas, o foco da pesquisa começa a ser interpretado. 3.1 .3) A DESCOBERTA Nessa etapa ocorrem as interpretações das categorias levantadas. Para melhor compreensão dos aspectos, surgem as Matrizes, sendo uma correspondente às aulas observadas, e a outra às entrevistas realizadas. Este é momento, onde a pesquisadora pode mostrar as divergências e convergências que aparecem em cada Matriz, podendo confrontá-las com os dados apresentados nos capítulos anteriores desse estudo.
  32. 32. 25 CAPÍTULO 4: A TRAJETÓRIA PROPRIAMENTEDITA
  33. 33. 26 Esse capítulo mostrará como a trajetória foi construída, desde os seus primeiros passos, com as observações e as entrevistas em cada escola, o aparecimento das unidades de significados, juntamente com as reduções, que acabaram originando as categorias para a descoberta das duas Matrizes. Portanto, a nossa viagem se inicia aqui. 4.1) AS DESCRIÇÕES DAS AULAS OBSERVADAS E DAS ENTREVISTAS COM OS RESPECTIVOS PROFESSORES Escola n• 1(educação infantil) - aula de Educação Física com professora de sala. -+ Observação descritiva: A professora iniciou a aula com a dança do tapete em um espaço bem pequeno, a roda ficou bem estreita e irregular. Os alunos ficavam em círculo cada, um na frente do seu tapete, sendo que uma criança já começava a atividade sem o mesmo. A música utilizada para a atividade foi a do disco da Xuxa, Enquanto a música ficava tocando, na primeira vez, a professora pediu para as crianças andarem em volta dos tapetes com a mão na cabeça. Ao parar a música, as crianças tinham que sentar-se no tapete, porém uma criança não sentou-se, porque não tinha tapete, e acabou saindo da atividade. Na segunda vez as crianças pulavam em volta dos tapetes com um só pé e, na terceira, andavam com um pé na frente do outro, Na quarta, pulavam com os dois pés juntos, na quinta andavam abaixando-se e levantando-se, na sexta andavam mexendo os braços, na sétima andavam chutando a perna para frente e, nas últimas rodadas, a professora deixou a movimentação livre para as crianças que sobraram na atividade. A outro atividade foi o jogo do boliche, realizada no mesmo espaço da 1' atividade, com bolas coloridas e uma bola de plástico
  34. 34. 27 grande. As crianças não ficavam mais em roda, mas todas sentados em frente às garrafas, com uma distância de 2 metros separando-as. Cada criança tinha três chances para acertar as garrafas, e quando acertava na I' ou na 2', não utilizava a outra chance, As garrafas eram pintadas de cores diferentes que valiam pontos e, quando a criança derrubava-as, a professora ajudava-a contar quantos pontos havia feito, mostrando os seus dedos para a criança contar. Das doze crianças que participaram, sete conseguiram somar pontos e cinco não. Na última atividade, a professora apagou a luz, e cada criança ficou com o seu tapete, espalhadas pelo espaço. Mandou que todas deitassem sobre os tapetes fechando os olhos e pensassem em alguma coisa bem gostosa, enquanto a música tocava. Logo em seguida, pediu para que todas sentassem bem devagarinho, e com uma música bem coma de fundo, comandou alguns exercícios de alongamento dos membros superiores. Ela não contava o tempo de cada exercício, e mudava-o aleatoriamente. Unidades de significados: I a. a dança do tapete em um espaço bem pequeno 1b. música utilizada para a atividade: disco da Xuxa I c. ao parar a música as crianças tinham que sentar-se no tapete 1d. na 2' atividade, as crianças não ficavam mais em roda I e. na última atividade, crianças espalhadas pelo espaço I f. uma música bem calma ao fundo 1g. ela não contava o tempo de cada exercício de alongamento, e mudava-o aleatoriamente Reducão: I A= 1I a+ I d+I e) atividades com espaços diferentes 1B= 1I b+ lf) utilização de músicas para duas atividades
  35. 35. 28 l C= (l c) ao parar a música as crianças tinham que sentar-se no tapete l D= (I g) ela não contava o tempo de cada exercício de alongamento e mudava-o aleatoriamente -+ Entrevista descritiva: A professora declarou que faz um planejamento anual e procura utilizá-lo nas aulas de Educação Física, como um reforço para os conteúdos dados em sala de aula. Como exemplo, se os alunos estão aprendendo cores, ela procura oferecer atividades que contemplem esse aprendizado. Dentro do planejamento, o conteúdo refere-se à coordenação motora e à socialização, e algumas vezes à ginástica, aplicando exercícios de polichinelos, corridas, alongamento e outros para cansá-los ou "gastar as energias das crianças". Ela não se utiliza muito da roda cantada e nem de atividades rítmicas, porque a professora de música já os aplica. Nas suas aulas, a música só tem o papel de alegrar. Émuito raro utilizar-se de um instrumento, palmas ou a própria voz para produzir um som durante as atividades, para ajudar na compreensão do movimento, e quanto a percepção espacial, não trabalha muito, porque a escola não tem muito espaço para oferecer. Unidades de significados: la. no planejamento, o conteúdo refere-se à coordenação motora, à socialização e à ginástica l b. não se utiliza muito da roda cantada l c. nem de atividades rítmicas l d. a música só tem o papel de alegrar l e. é raro utilizar-se de um instrumento, palmas ou a própria voz para produzir um som, que possa ajudar na compreensão do movimento l f. quanto à percepção espacial, não trabalha
  36. 36. 29 Redução: 1A~ (1 a+1b) no planejamento, o conteúdo refere-se à coordenação motora, à socialização e à ginástica, e não se utiliza da roda cantada 1B~ (1 d) a música só tem o papel de alegrar 1c~ (l e) é raro utilizar-se de um instrumento, palmas, ou a própria voz para produzir um som, que possa ajudar na compreensão do movimento 1o~ (1 f+ 1c) não trabalha com a percepção espacial e nem atividades rítmicas Escola n• 2 (educação infantil)- aula de Educação Física com a professora de sala. -+ Observações descritivas: A professora começou a aula com as crianças em roda, ordenou um alongamento com exercícios para os membros superiores e inferiores, falando a palavra "troca" a cada mudança de exercício. Depois ela começou a correr por todo o espaço, subindo e descendo a escada, fazendo zigue-zague em círculo, e as crianças correndo atrás em coluna. Na outra atividade, utilizando-se de todo o espaço possível, ela dividiu as crianças em duplas, formando duas fileiras que se defrontavam-se a numa distânda pequena. Cada dupla tinha uma bola de plástico, que era jogada para a outra criança da sua frente sucessivamente sem parar. Ao apito da professora, as crianças das duas fileiras davam um passo para trás, até que todas as crianças encostassem na parede. Na outra atividade, as crianças continuavam com as mesmas duplas, fazendo troca de passes com as mãos, deslocando-se até chegar perto da parede. Ela fez com que as duplas fossem trocando passes e
  37. 37. 30 voltassem sem trocar, repetindo duas vezes, e depois tez com que as duplas trocassem passes na ida e na volta. A próxima atividade foi a do túnel bola. A professora dividiu a sala em duas colunas, uma de meninos e outra de meninas, cada uma com uma bola, A primeira criança de cada coluna tinha que passar a bola para a de trás, que fazia a mesma coisa, até que a bola chegasse na última criança, que deveria correr até à frente para iniciar o novo ciclo. Ganhava a coluna que conseguisse primeiro voltar à formação inicial. A professora, durante a atividade, ficava dizendo: "vai, passa, passa rápido, abre as pernas". A última atividade foi uma cobra-cega diferente. As crianças ficavam em roda, e uma criança no meio com os olhos vendados. Elas ficavam rodando em volta dessa criança, até que, num determinado momento, a professora parava a roda dizendo a palavra "pára", e todas deveriam bater três palmas juntas seguidas, e não podiam sair do lugar. A criança que estava no meio, e com os olhos vendados escutando as palmas, deveria sair procurando um amigo para tentar reconhecê-lo. Conseguindo, invertia-se a posição até que lodos as crianças fossem uma vez no centro da roda. Unidades de significados: 2a. crianças em roda 2b. falando a palavra "troca" a cada mudança de exercício no alongamento 2c. correr por todo o espaço, subindo e descendo escada, fazendo zigue- zague, em círculo 2d. outra atividade, utilizando-se de todo espaço possível 2e. duas fileiras que se defrontavam numa distância pequena
  38. 38. 31 2f. ao apito da professora, as crianças das duas fileiras davam um passo para trás 2g. fazendo troca de passes com as mãos, deslocando-se 2h. a professora, durante a atividade, ficava dizendo: "vai, passa, passa rápido e abre as pernas" 2i. num determinado momento, a professora parava a roda dizendo a palavra "pára" 2j. todas deveriam bater três palmas juntas seguidas 21. escutando as palmas, deveria sair procurando um amigo Redução: 2A= (2a+2c+2d+2e+2g) 1n1c1a o trabalho em roda e aos poucos va1 ampliando o espaço a ser trabalhado pelas crianças 2B= (2f) ao som de um apito as crianças das duas fileiras davam um passo para trás 2C= (2b+2h+2i) a professora, através de palavras, acelera o ritmo de movimento das crianças, freia o movimento da roda e muda de exercício no alongamento 2D= (2j+21) todas deveriam bater três palmas juntas seguidas e, escutando as palmas, deveria sair procurando um amigo -t Entrevista descritiva: O planejamento das aulas é feito mensalmente, e tem como conteúdo o trabalho de uma capacidade motora diferente em cada mês, como equilíbrio, coordenação motora, percepção auditivq visual, e também recreação. A professora não se utiliza muito da atividade rítmica, porque sua intuição diz que os meninos não vão gostar, mas pode ser que um dia venha trabalhar com essa atividade. Às vezes, ela utiliza-se de música nas suas aulas. mas sempre como "pano de fundo" para as atividades.
  39. 39. 32 Quando ela utiliza algum material em sua aula, primeiro mostra às crianças o que o material pode fazer, depois deixa a criança explorá-lo. Mostra qual o movimento que elas devem fazer, e quando sente que elas não compreenderam, utiliza-se de algum instrumento( apito e tambor) ou através de palmas, ou a própria voz para favorecer a percepção do movimento. Segundo essa professora, o trabalho com a percepção espacial acontece quando ela varia o local das aulas de Educação Física. Unidades de significados: 2a. no planejamento, o conteúdo é o trabalho de uma capacidade motora diferente em cada mês e recreação 2b. não se utiliza muito da atividade rítmica 2c. utiliza música como pano de fundo em suas aulas 2d. utiliza-se de algum instrumento ou palmas, ou a própria voz para favorecer a percepção do movimento 2e. o trabalho com a percepção espacial acontece quando ela varia o local das aulas Redução: 2A= (2a+2b) no planejamento, o conteúdo reduz-se na capacidade motora e recreação, e não trabalha com atividades rítmicas 2B= (2c) utiliza a música como pano de fundo 2C= (2d) utiliza algum instrumento ou palmas, ou a própria voz para favorecer a percepção do movimento 2D= (2e) trabalho de percepção espacial acontece com a variação do local da aula Escola n• 3 (educação infantil)- aula de Educação Física com professora especializada.
  40. 40. 33 -+Observações descritivas: A primeira atividade foi um pega-pega simples, onde quem era pego virava pegador, e o espaço para correr era somente o limitado para as aulas de Educação Física. Na segunda atividade, a professora pediu para que as crianças formassem uma coluna na frente de um colchão, onde, uma por uma com a ajuda dela fizeram um rolamento. Com o mesmo material e a mesma formação, ela deu a mão de uma em uma para que andassem em cima do colchão. Na outra atividade, ela fez as crianças escolherem uma bola cada, e formou uma coluna, a uma certa distância de um mini-gol. Cada criança deveria chutar para o gol com o pé direito. Depois ela fez três marcas de pênalti para que as crianças fossem chutando com o pé direito em cada uma delas, à medida que conseguiam acertar o chute na marca em que estava. ( repetiu a mesma atividade com o pé esquerdo) Na próxima atividade, a professora segurava um arco a uma altura de 1 metro e meio perto da parede, e as crianças em posse de uma bolinha de tênis, tinham que acertá-la dentro do arco a uma distância marcada, lançando-a com a mão direita e depois com a mão esquerda. Na última atividade, realizou um alongamento dos membros superiores e inferiores; ela comandava o tempo do exercício, contando até 1Opara mudá-lo. Unidades de significados: 3a. o espaço para correr era somente o limitado para as aulas de E.F. 3b. formou uma coluna, a uma certa distância do mini-gol 3c. tinham que acertar a bolinha dentro do arco, a uma distância marcada 3d. no alongamento, ela comandava o tempo do exercfcio, contando até 10 para mudá-lo
  41. 41. 34 Redução: 3A= (3a+3b+3c) as atividades aconteciam com espaços limitados e marcados 3B= (3d) no alongamento, ela comandava o tempo de exercício contando até I Opara alterar -+ Entrevista descritiva: O planejamento da escola é anual, tendo como conteúdo os movimentos naturais da criança, o andar, correr, saltar, rolar, lançar....Eia procura nas suas atividades explorar bastante a percepção espacial. No planejamento, a professora inclui atividades rítmicas mas não as aplica, porque acha muito repetitivo, já que a escola oferece aulas de balé e de música. Ela se utiliza bem pouco de música durante as suas aulas, e não se utiliza de nenhum instrumento ou palmas, ou a própria voz para ajudar na percepção do movimento. Unidades de significados: 3a. o planejamento tem como conteúdo os movimentos naturais da cnança 3b. procura nas atividades explorar bastante a percepção espacial 3c. o planejamento contém atividades rítmicas, mas não os aplica 3d. utiliza-se bem pouco de música nas suas aulas 3e. não se utiliza de nenhum instrumento ou palmas, ou a própria voz para ajudar na percepção do movimento Redução 3A= (3a+3c) o planejamento tem como conteúdo os movimentos naturais e atividades rítmicas, mas esta não é aplicada 3B= (3b) nas atividades explora bastante a percepção espacial 3C= (3d) utiliza-se bem pouco de música
  42. 42. 35 3D= (3e) não se utiliza de instrumento, palmas, ou a própria voz para ajudar na percepção do movimento Escola n• 4 (educação infantil)- aula de Educação Física com professor especializado. -+ Observações descritivas: A aula foi realizada em uma mini-quadra de esporte. O professor iniciou a aula com a atividade coelhinho sae da toca. Cada criança em uma toca, na forma de um círculo marcado no chão, e uma criança sem círculo determinado andando pelos espaços que sobram. Ao apito do professor, as crianças deveriam trocar de círculo, e a que estava sem deveria entrar em um. Quem ficava sem casa tinha que dançar uma música ou imitar um bicho. Para outra atividade o professor manteve os mesmos espaços da 1°, entretanto aplicou um pega-pega, na primeira vez com um só pegador, onde a criança que foi pega virava pegador e, na segunda vez, ele fez pega-pega ajuda, onde quem fosse pego ajudava o pegador. Na última atividade o professor ensinou a roda-cantada torce- retorce; primeiro ele falou as frases da música para as crianças, depois mostrou a melodia juntamente com os gestos que a acompanhavam. As crianças faziam os gestos e não cqntavam. Ele ia ensinar outra música para as crianças, mas não o fez, pois estavam muito agitadas naquele dia. Unidades de significados: 4a. uma criança sem círculo determinado andando pelos espaços que sobram 4b. ao apito as crianças deveriam trocar de círculo, e aquela que estava sem deveria entrar em um
  43. 43. 36 4c. na segunda atividade o professor manteve os mesmos espaços da pnme1ra 4d. ensinou a roda cantada torce-retorce, mostrando primeiro as frases e depois a melodia com os gestos que a acompanhavam Redução: 4A= (4a+4c) utilização do mesmo espaço para as duas atividades 4B= 14b) ao som de um apito uma criança deveria entrar num círculo, enquanto as outras trocavam 4C= (4d) para ensinar a roda cantada, mostrou pnme~ro as frases da música e depois a melodia com os gestos -+ Entrevista descritiva: O planejamento é feito anualmente, e tem como conteúdo as capacidades físicas e recreação. Como qualidades físicas o professor entende realizar um trabalho de coordenação motora e esquema corporal. Ele procura identificar onde a criança tem mais dificuldade e trabalhar junto, apoiando-a para que ela possa vencê-la. Ele trabalha muita roda cantada no final da aula, para proporcionar uma volta à calma para as crianças. Procura também trabalhar com a percepção espaço/temporal. e para isso utiliza-se do tambor, apito ou palmas, ou a própria voz para que as crianças percebam o movimento a ser realizado Unidades de significados: 4a. o planejamento tem como conteúdo trabalhar a coordenação motora. esquema corporal e recreação 4b. trabalha muita roda cantada no final da aula 4c. procura trabalhar com percepção espaço/temporal
  44. 44. 37 4d. utiliza-se do tambor, apito ou palmas, ou a própria voz para que as crianças percebam o movimento a ser realizado. Redução 4A= (4a+4b) o planejamento tem como conteúdo a coordenação motora, esquema corporal. recreação e trabalha com rodas cantadas 4B= (4c) trabalha com percepção espaço/temporal 4C= (4d) utiliza algum instrumento ou palmas, ou a própria voz para a percepção de movimentos Escola n• 5 (ensino fundamental)- aula de Educação Física com professora especializada. -+Observações descritivas: A aula para a 4' série aconteceu em uma mini-quadra de vôlei, na qual só participaram as meninas porque os meninos tém aula separada. A professora pediu para a sala se organizar em grupos de seis, enquanto ela marcava com giz a quadra dos dois lados com os números de I a 6. Ela marcou o espaço em que cada jogadora tinha que ficar durante o jogo: fez isso porque nesse dia ia ensinar o rodízio nesse esporte. Para ensinar as regras do jogo, a professora poSICionou dois times na quadra e passou a explicá-las: • o jogo tem início com a jogadora que está localizada no espaço no 5, que realiza um passe ( lança a bola com as duas mãos) para alguém do seu time • o último passe precisa ser leito por uma jogadora que esteja no n• I, 2 ou 3 • para passar a bola para o outro lado, o time precisa realizar três passes entre si
  45. 45. 38 o cada vez que um time passa a bola para o outro lado da rede precisa rodar, seguindo os números escritos no chão o o jogo acaba quando um time conseguir fazer cinco pontos primeiro A professora explicava que elas podiam se movimentar perto do seu número, não precisavam ficar paradas em cima do número, podiam dar um passo para frente, para atrás ou para os lados. Para elas não esqueceram de rodar, a professora começou a bater duas palmas seguidas, fazendo o som "tá/tá", e também pedia para o time todo falar a palavra "roda", assim que realizavam o terceiro passe. Quando alguma coisa saía errada, a professora parava o jogo e pedia para a classe explicar o que tinha acontecido. Ela fazia isso para que as meninas que não estavam jogando prestassem atenção. Além disso, ela sempre instigava os times para pensarem em alguma estratégia para fazer ponto. No início da aula, os times estavam fazendo passes lentos e na hora de rodar aconteciam muitas trombadas. Antes de chegar nesse jogo, a professora disse que foi feito um trabalho com outros materiais, como bexiga, bola de tênis, de borracha e outras, para que as alunas pudessem vivenciar o lançar e o rebater. Unidades de significados: 5o. marcou o espaço em que cada jogadora tinha que ficar 5b. podiam se movimentar perto do seu número 5c. podiam dar um passo para frente, para trás ou para os lados 5d. para não esquecerem de rodar, a professora começou a bater duas palmas seguidas, fazendo o som 11 tá/tá" Se. o time todo fala a palavra 11 rodd1 , ass1m que realizavam o terceiro passe 51. os times estavam fazendo passes lentos
  46. 46. 39 5g. na hora de rodar aconteciam muitas trombadas Redução: 5A= (5a+5b+5c) cada jogadora tinha o seu espaço, no qual podia movimentar-se para frente, para trás e para os lados 5B= (5d) para não esquecerem de rodar, a professora batia duas palmas seguidas 5C= (5f+5g) os times faziam passes lentos e na hora de rodar aconteciam muitas trombadas 5D= (Se) todo o time falava a palavra "roda" -+ Entrevista descritiva: Para a 4' série, segundo o planejamento, são dados no 1o semestre o vôlei e o futebol, e no 2°, o basquete e o handebol. A professora esclareceu que o objetivo da aula não é o esporte em si, mas realizar um trabalho de fundamentação para o esporte, priorizando em um 1° plano as capacidades motoras como agilidade, coordenação, destreza e equilíbrio. Para isso ela utiliza-se de vários materiais nas aulas, desde os mais tradicionais chegando aos alternativos. Como 2° plano, priorizo alguns fundamentos esportivos das modalidades, aplicando jogos pré- desportivos. Ao trabalhar o equilíbrio com o banco sueco invertido e na posição normal, ela propõe para as alunas como podem passar pelos bancos, deixando sempre uns minutos de exploração do material, mas em algumas aulas, por exemplo, ela coloca uma música que lenha urna batida de um tempo forte para que as alunas possam bater o pé em cima do banco naquele instante. Quando a aluna não consegue realizar o movimento, ela interfere dizendo algumas palavras ou batendo palmas para a percepção do movimento ficar mais evidente.
  47. 47. 40 A professora afirmou que utiliza muita música nas suas aulas para que as alunas criem coreografias, movimentos com materiais alternativos, e sempre toma o cuidado para que a música não fique de pano de fundo aos movimentos. Ela procura fazer com que as alunas sintam o movimento dentro do tempo da música e afirma que é muito gratificante e valioso realizar atividades rítmicas. Quanto à percepção espacial, inclui em suas aulas o trabalho com atividades que provoquem essa noção, como por exemplo o banco sueco, cria caminhos com ele invertido e na posição normal, para que as alunas sintam a mudança de espaço que um tem e o outro também, além de que, quando possível. limita o espaço de uma atividade e depois o aumenta, ou vai aumentando gradativamente os espaços de uma atividade, como um simples pega-pega. A professora disse que está sempre preocupada com as questões do ritmo em suas aulas e quando pode procura utilizá-lo de maneira específica nas atividades. Unidades de significados: 5a. segundo o planejamento são dados o vôlei, futebol, basquete e o handebol, priorizando em um l' plano as capacidades motoras, como agilidade, coordenação, destreza e equilíbrio 5b. coloca uma música que tenha uma batida de um tempo forte para que as alunas possam bater o pé cima do banco naquele instante 5c. ela interfere com alguma palavra ou batendo palmas para a percepção do movimento ficar evidente 5d. utiliza muita música nas suas aulas 5e. é muito gratificante e valioso realizar atividades ritmicas 5f. cria caminhos com o banco sueco invertido e na posição normal, para que as alunas sintam a mudança de espaço
  48. 48. 41 5g. limita o espaço e depois o aumenta, ou vai aumentando gradativamente os espaços de uma atividade 5h. sempre preocupada com as questões do ritmo em suas aulas 5i. procura utilizá-lo de maneira específica nas atividades Redução: 5A= (5a) no planejamento os conteúdos são o vôlei, futebol, basquete e handebol, e as capacidades motoras presentes são a agilidade, coordenação, destreza e equilíbrio 5B= (5b+5c) para percepção do movimento, utiliza-se de uma música com um tempo forte ou intertere com palavras ou palmas 5C= (5f+5g) para a percepção espacial cria caminhos com o banco sueco em várias posições, limita o espaço e depois vai aumentando gradativamente durante a atividade 5D= (5e+5h+5i) preocupa-se com as questões do ritmo e procura utilizá-lo de maneira específica nas suas atividades, demonstrando ser gratificante e valioso realizar atividades rítmicas 5E= (5d) utiliza muita música em sua aula Escola n• 6 (ensino fundamental)- aula de Educação Física com professora especializada. -+ Observações descritivas: A aula desenvolveu-se em duas partes, sendo que a primeira realizou-se na quadra esportiva. Na primeira atividade com os alunos em formação de roda, a professora iniciou o alongamento dos membros supenores e inferiores; ela contava o tempo do exercício até oito para mudá-lo. Depois, ela mandou que os alunos corressem em volta da quadra, e aqueles que não pudessem correr andavam. Ela não impôs nenhum ritmo para a corrida ou caminhada.
  49. 49. 42 Para ens1nar o drible do basquetebol, utilizou a metade da quadra de handebol. Dividiu a sala em duas colunas, uma de meninas e outra de meninos, e na frente de cada uma havia quatro cones com um espaço entre eles. Cada aluno deveria ir driblando ao seu ritmo só com a mão direita pelos cones e voltar pelo lado de fora andando ao seu modo, segurando a bola (repetiu 2 vezes). Fez a mesma coisa só que com a mão esquerda (repetiu 2 vezes). Para a outra atividade, ela utilizou o mesmo espaço descrito acima, porém, agora as colunas ficaram mistas: um menino intercalado com uma menina. Ela propôs uma competição entre as duas colunas, onde cada aluno deveria ir e voltar driblando pelos cones com qualquer uma das mãos. Os alunos ficavam gritando o nome de quem estava fazendo e falavam para "ir mais depressa, mais rápido e vem logo". A competição teve três partidas sendo que a 2' coluna ganhou de 2al. A segunda parte da aula transcorreu no campo de futebol, porque a escola possui apenas uma quadra de esporte, e a 5' série iria lazer aula de Educação Física. No campo de futebol, a professora propôs o jogo pie-bandeira, mas a classe não queria fazer, os alunos diziam que estavam cansados de fazer isto1 que ((sempre era esse jogo 11 e que 11 toda aula só era essa atividade". Então, para não criar confusão, a professora ficou discutindo o porquê deles não quererem fazer aquele jogo, e ao mesmo tempo ficava pedindo sugestões de quais eles desejavam. A sugestão foi dada pela professora, que falou sobre o jogo do sim e do não. Ela utilizou o campo de futebol inteiro, formou duas fileiras no meio do campo, uma de costas para a outra. A do seu lado esquerdo era a equipe do sim e do lado direito era a do não. Quando a professora perguntava alguma coisa que tinha como resposta o sim, a equipe do sim deveria virar e sair correndo para pegar a outra equipe que deveria sair
  50. 50. 43 correndo até a linha da grande área, onde ficavam salvos e assim vice- versa. As perguntas foram sobre matemática, geografia. história e conhecimentos gerais. Unidades de significados: 6a. alunos em formação de roda 6b. alongamento ela contava o tempo do exercício até oito para mudá-lo 6c. não impôs nenhum ritmo para a corrida ou caminhada 6d. para ensinar o drible do basquetebol, utilizou metade da quadra de handebol 6e. ir driblando ao seu ritmo 6f. voltar pelo lado de fora andando ao seu modo 6g. para a outra atividade, ela utilizou o mesmo espaço 6h. os alunos falavam para "ir mais depressa, mais rápido e vem logo" 6i. utilizou o campo de futebol inteiro Redução: 6A~ (6a+6d+6g+6i) repetiu o mesmo espaço em duas atividades seguidas, com formações diferentes, só depois alterou o espaço 6B~ (6c+6e+6f) não impôs nenhum ritmo às atividades 6C~ (6b) ela comandava, no alongamento, o tempo do exercício, contando até oito para mudá-lo 60= (6h) os alunos, em competição, participavam acelerando os movimentos dos colegas -+ Entrevista descritiva: Para a 4' série o conteúdo do planejamento é o esporte, onde são ensinados os fundamentos das modalidades esportivas basquete, handebol e futebol. O vôlei não é ensinado porque, para a professora, exige-se muita habilidade dos alunos para aprendê-lo.
  51. 51. 44 Ela procura trabalhar com as capacidades motoras como coordenação, agilidade, destreza e equilíbrio, através de grandes jogos e com a utilização de materiais. Em nenhuma aula utilizou-se de música ou atividades rítmicas. Em todas as atividades, ela não impõe um ritmo externo através de palmas. ou de som com algum instrumento, ou com a própria voz, para interferir no movimento do aluno e para sua melhor percepção, pois, segundo a professora, os alunos não gostam "que fique impondo ou forçando para eles fazerem". A professora afirmou que não trabalha com noções de espaço em suas atividades porque a escola é um pouco restrita nessa questão. Unidades de significados: 6a. o conteúdo do planejamento é o esporte 6b. procura trabalhar com as capacidades motoras como coordenação, agilidade, destreza e equilíbrio 6c. em nenhuma aula utilizou-se de música 6d. nem utilizou-se de atividades rítmicas 6e. não impõe um ritmo externo através de palmas ou de som com algum instrumento, ou com a própria voz, para interferir no movimento do aluno e para sua melhor percepção 61. não trabalha com noções de espaço porque a escola é um pouco restrita a esse assunto Redução: 6A= (6a+6b) no planejamento o conteúdo é o esporte, e trabalha com as capacidades motoras como coordenação, agilidade, destreza e equilíbrio 6B= (6d+6f) não trabalha corn atividades rítmicas e nem com noções de espaço
  52. 52. 45 6C= (6c+6e) não se utiliza de nenhum instrumento, ou de palmas, ou da própria voz para interferir na percepção do movimento para ajudar o seu aluno Escola n• 7 ( enSino fundamental)- aula de Educação Física com professor especializado. -+Observações descritivas: Na aula observada o professor trabalhou com o material bastão com a 4" série. Os alunos ficaram conhecendo o material e, em posse dele, tinham que atravessar o espaço de meia quadra de handebol equilibrando-o das mais variadas formas. O professor, algumas vezes, falava para seus alunos atravessarem mais rápido, dizendo "vai mais rápido11 • Na segunda atividade, o professor continuou u!Hizando o mesmo espaço anterior e seus alunos ficavam andando de cavalinho com o bastão, e quando o professor apitava uma vez, eles tinham que soltar o bastão no chão e sair correndo pelo espaço. Quando o professor apitava duas vezes seguidas, eles deveriam pegar qualquer bastão e voltar a andarem de cavalinho. Para variar, o professor ia tirando um bastão a cada vez que apitava. Portanto, um aluno acabava ficando sem o bastão, mas não saia da atividade. Ele ficava esperando a oportun'1dade para poder pegar um bastão. Na terceira atividade, o professor colocou os alunos em uma roda bem aberta onde ficavam segurando o bastão da maneira mais conveniente para cada um ( de pé, sentado, ajoelhado, com o bastão na horizontal, inclinado ou na vertical). Todos os alunos, um a um, 1am passando pelos amigos, correndo e pulando o seu bastão. O professor cronometrava o tempo de cada aluno ao percorrer a roda com os
  53. 53. 46 obstáculos nas mais diferentes posições, e ganhava quem fizesse o caminho no menor tempo possível. Na quarta atividade, as crianças fizeram uma roda com um diametro menor que a anterior. O bastão ficava na vertical à frente do corpo de cada um. Quando o professor apitava uma vez eles deveriam soltar o bastão e pegar o da sua direita. Ficou um bom tempo para esse lado, depois para a esquerda com o som de um apito também. Para variar, o professor mostrava com a mão um número, onde o 1 era para girar a direita e o 2 era para a esquerda. Na última atividade, as crianças abriram uma roda maior que as anteriores, e colocaram o bastão no chão à frente de cada um. Um por vez sendo que o primeiro começava sem o bastão. Então, o aluno ia pulando os bastões, no sentido horário, quando ouvisse um apito, ele deveria parar na frente do último bastão que pulou e passar por debaixo das pernas do amigo. Feito isso, ele deveria pegar o bastão desse amigo e voltar para o seu lugar pulando os bastões ,no sentido anti-horário, e voltar pulando com um só pé para o seu lugar. Unidades de significados: la. atravessar o espaço de meia quadra de handebol 7b. o professor falava para seus alunos atravessarem mais rápido, dizendo "vai mais rápido" 7c. ele apitava uma vez, eles tinham que soltar o bastão no chão e sair correndo 7d. ele apitava duas vezes seguidas, eles deveriam pegar qualquer bastão e voltar a andarem de cavalinho le. alunos em uma roda bem aberta 7f. percorrer a roda com os obstáculos nas mais diferentes posições 7g. as crianças fizeram uma roda com um diâmetro menor que a anterior
  54. 54. 47 lh. apitava uma vez, eles deveriam soltar o seu bastão e pegar 0 da sua direita li. para a esquerda com o som de um apito também lj. o I era para girar à direita e o 2 era para a esquerda li. abriram a roda maior que as anteriores lm. ia pulando os bastões no sentido horário ln. quando ouvisse um apito deveria parar na frente do último bastão que pulou e passar por debaixo das pernas do amigo lo. e voltar para o seu lugar pulando os bastões, no sentido anti-horário Redução: lA= (la+7e+7g+71) atravessar meia quadra de handebol e formação de três tipos de rodas com diâmetros diferentes 7B= (7c+7d+7h+7i+7n) ao som de um apito, os alunos tinham que soltar o bastão e sair correndo, e pegar o da sua direita, depois o da esquerda também, parar na frente do último bastão havia pulado e passar por debaixo das pernas do amigo. Quando apitava duas vezes seguidas eles deveriam pegar um bastão e voltar a andarem de cavalinho 7C= (7f+7m+7o) percorrer a roda com os obstáculos nas mais diferentes posições, pulando os bastões no sentido horário e voltar para o seu lugar pulando os bastões no sentido anti-horário 70= (7b) o professor pede para seus alunos atravessarem mais rápido 7E= (7j) o I era para girar à direita e o 2 era para a esquerda ... Entrevista descritiva: Para a 4" série, no planejamento, o conteúdo a ser trabalhado é o esquema corporal, noções de espaço/tempo, recreação e iniciação esportiva. O professor disse que começa a ser ensinado um pouco das regras e dos fundamentos do vôlei, basquete, handebol, futebol e atletismo.
  55. 55. 48 A ginástica é um conteúdo trabalhado com as meninas, mas ele afirmou que procura, quando pode, trabalhar com alguns elementos e materiais específicos da ginástica nas suas aulas. Ele se utiliza bastante da música em suas aulas, principalmente para criar jogos em cima dela, buscando desenvolver as noções de espaço/tempo e esquema corporal Segundo o professor, o ritmo é utilizado em suas aulas como um elemento coadjuvante para a iniciação esportiva. Através dele pode ensinar o drible, o tempo de batida da bola, como desarmar o adversário e outras coisas. Para a 4' série também se realiza teatro e mini torneio. Ele não realiza muitas atividades rítmicas em suas aulas porque a escola, por ser particular, acaba exigindo muitas atividades extras como gincanas, campeonatos e apresentações. Unidades de significados: la. no planejamento o conteúdo a ser trabalhado é o esquema corporal, noções de espaço/tempo recreação e iniciação esportiva lb. utiliza-se bastante da música em suas aulas lc. criar jogos em cima dela, buscando desenvolver as noções de espaço/tempo e esquema corporal ld. o ritmo é utilizado como um elemento coadjuvante para rnrcração esportiva 7e, ele não realiza muitas atividades rítmicas em suas aulas Redução: lA~ (la+7e) no planejamento o conteúdo é o esquema corporal, noções de espaço/tempo, recreação e iniciação esportiva, não realizando muitas atividades rítmicas em suas aulas lB~ (lb) utiliza-se da música em suas aulas
  56. 56. 49 7C= desenvolve as noções de espaço/tempo e esquema corporal através de jogos com músicas 70= (7c) o ritmo é utilizado como um elemento coadjuvante para iniciação esportiva Escola n• 8 (ensino fundamental)- aula de Educação Física com professora especializada. -+ Observações descrilivqs: A aula foi dividida em duas partes, e na primeira delas a professora começou com um pega-pego corrente por todo espaço da quadro. Um aluno começava como pegador e quem ele fosse pegando ia formando, a partir dele, uma corrente de mãos dadas para ajudar a pegar os demais alunos. Depois ela dividiu a classe em cinco colunas no final da quadra de handebol. Cada coluna tinha em posse uma bola de basquete, onde um aluno por vez, de cada coluna tinha que ir driblando com a mão direita até a outra linha da quadra de handebol, e voltar fazendo a mesma coisa. Foi feito também com a mão esquerda e paro alguns alunos ela dizia "acelera, acelera a batido e não olha para o chão". A outra atividade os alunos continuavam no mesma posição, e tinham que ir driblando protegendo o bola com a outra mão (posição de defeso) até o final da quadra de handebol. Ela deixou livre para os alunos escolherem com qual mão queriam defender e driblar, e em muitos alunos teve que corrigir o movimento: ela demonstrava o movimento novamente para quem não estava conseguindo, e ficava dizendo "flexiono mais a perna, coloca o braço na frente do corpo". Na outra atividade, as cinco colunas foram reduzidas a duas, que ficavam se defrontando. Saíam um aluno de cada coluna juntos e
  57. 57. 50 trocavam passes de peito, se deslocando até a outra linha da quadra de handebol. Para alguns alunos que não conseguiam acertar o passe com o deslocamento, a professora comandava dizendo para '1 abrir e fechar as pernas e quando abrir as pernas realizar o passe". Na segunda parte da aula, a professora realizou um jogo de handebol, porque há uma semana, ela havia finalizado os fundamentos dessa modalidade, e os alunos queriam jogar mais um pouco. Ela encostou todos na parede e começou a escolher os times, onde formou dois times femininos e dois masculinos. O primeiro jogo foi menina X menina, elas erravam muito as trocas de passes, a bola ficava mais fora do que no jogo, e só as que tinham mais coordenação pegavam na bola. No jogo dos meninos, os passes eram trocados rapidamente , faziam jogadas e a bola dificilmente ia para fora. Unidades de significados: 8a. pega-pega corrente por todo espaço da quadra 8b. cinco colunas no final da quadra de handebol Se. ir driblando até a outra linha da quadra de handebol 8d. ela dizia "acelera, acelera a batida e não olha para o chão" 8e. dizendo "flexiono mais a perna, coloca o braço na frente do corpo" 8f. as cinco colunas foram reduzidas a duas 8g. passes de peito, se deslocando até a outra linha da quadra de handebol 8h. comandava dizendo para "abrir e fechar as pernas e quando abrir as pernas realizar o passe" Si. erravam muito as trocas de passes, a bola ficava mais fora do que no jogo
  58. 58. 51 8j. os passes eram trocados rapidamente, faziam jogadas e a bola dificilmente ia para fora Redução: 8A= (8a+8b+8f) atividade usando todo espaço da quadra, com formações variadas 8B= (8c+8g) dribles e passes com deslocamentos usando a quadra de handebol toda 8C= (8d+8e+8h) comandava os exercícios solicitando que acelerassem realizando os passes 80= (8i+8j} um dos jogos realizados o ritmo de jogo era lento, em outro, fizeram um jogo bem rápido -+ Entrevista descritiva: Para a 4' série, o planejamento tem como conteúdo a recreação e os esportes, sendo no l' semestre o basquete e o handebol, e no 2', o vôlei somente, porque, segundo a professora, exige-se muito tempo para ser ensinado, e a recreação entra para intercalar os esportes, para não ficar enjoativo e com o objetivo de socializar a criança. Ao ensinar os fundamentos do esporte, às vezes ela se utiliza de algum instrumento como o apito, tambor, ou através de palmas, ou da própria voz para comandar o movimento, e para ajudar na percepção do aluno. Citou como exemplo disso ao trabalhar com as passadas do handebol. Como a escola possui uma sala de ginástica com espelho, colchões, som e alguns aparelhos específicos, ela a utiliza realizando um trabalho com esses materiais para a recreação. E para esse tipo de aula utiliza a música fazendo com que os alunos sintam o seu tempo em harmonia com os movimentos que estão realizando. Também deixa eles criarem coreografias em cima das músicas.
  59. 59. 52 A professora não trabalha com atividades rítmicas com a 4' série, pois nessa fase já não aceitam mais esse tipo de atividade, mas sempre que pode utiliza o ritmo para ensinar as modalidades esportivas durante as aulas. Quanto à percepção espacial, ela disse que a utiliza quando está aplicando os grandes jogos com a classe. Unidades de significados: Sa. no planejamento o conteúdo é a recreação e os esportes 8b. para comandar o movimento e ajudar na percepção do aluno, ela se utiliza de algum instrumento, apito ou tambor, palmas ou a própria voz Se. utiliza a música fazendo com que os alunos sintam o seu tempo em harmonia com os movimentos 8d. não trabalha com atividades rítmicas Se. o ritmo é utilizado para ensinar as modalidades esportivas em suas aulas Sf. percepção espacial ela utiliza-a quando esta aplicando os grandes jogos Redução: 8A= {Sa+ Sd) no planejamento, o conteúdo é a recreação e o esporte, e não trabalha com atividades rítmicas SB= {Sb) utiliza algum instrumento, palmas ou a própria voz para comandar o movimento, e ajudar na percepção do aluno BC= (Se) utiliza a música fazendo o aluno sentir o seu tempo em harmonia com os movimentos SD= (Sd) o ritmo é utilizado para ensinar as modalidades esportivas SE= (81) os grandes jogos exercitam a percepção espacial 4.2) A ELABORAÇÃO DE CATEGORIAS: • a partir de uma redução das unidades encontradas nas observações
  60. 60. 53 As categorias foram criadas a partir das reduções das unidades de significados de cada descrições das oitos aulas observadas pela pesquisadora. Cada categoria será representada por um número romano, que identitica a soma das unidades ou apenas uma unidade. Foram levantadas as seguintes categorias: I. {3B+6C) : utilização de uma contagem numérica para comandar o alongamento; 11. (2C+6D+7D+8C+5D) o movimento é comandado com o auxílio de palavras; 111. (I B+I C+2B+4B+7B) utilização de um instrumento sonoro durante a atividade; IV.(2D+5B): o movimento é comandado por palmas; V. (3A+4A+5A): atividades desenvolvidas em espaços lixos e limitados; VI.(IA+2A+6A+7A+8A): atividades desenvolvidas em espaços variados sem restrição; VII.(7C+ 7E+8B) atividades com mudança de direção e variação de espaço; VIII.(5C+8D) :presença de ritmo de jogo nas modalidades esportivas; IX.(6B): não utilização de um ritmo externo durante as atividades; X.(4C): decomposição de uma atividade rítmica. • a partir de uma redução das unidades encontradas nas entrevistas Através das descrições das entrevistas com cada professor das oito escolas, destacamos, através das unidades de significados, as idéias que chamaram atenção para o observador. A partir delas, houve primeiramente uma redução para depois serem levantadas as categorias, analisadas posteriormente. Da mesma forma, serão identificadas pelos números romanos:
  61. 61. 54 I. {I B+2B+3C) : a música utilizada para alegrar ou como pano de fundo para a atividade; 11. {5E+7B+8C) : a música utilizada como um instrumento didático e como apoio para a percepção do movimento; 111. {2C+4C+5B+8B) : para ajudar o aluno na percepção do movimento o professor se utiliza de algum instrumento, palmas ou a própria voz; IV. {I C+30+6C) : não interfere na percepção de movimento do aluno de nenhuma maneira; V.{20+3B+4B+5C+7C+8E): durante as atividades propostas procura explorar as noções de espaço; VI. {70+80) : o ritmo é utilizado como um elemento coadjuvante para a iniciação esportiva; VIl. {I A+2A+3A+5A+6A+7A+8A+): no planejamento, atividades rítmicas não fazem parte do conteúdo e na escola em que ele está presente no planejamento, não é aplicado; VIII. {4A+50) : no planejamento não faz parte do conteúdo as atividades rítmicas, mas há uma preocupação com as questões do ritmo, trabalhando também com rodas cantadas; IX. (I 0+6B) : o professor não trabalha com atividades rítmicas e nem com noções de espaços. Seguindo o nosso caminhar, partiremos agora para a elaboração das matrizes, sendo uma para as categorias das observações e outra para as categorias das entrevistas. A construção dessas matrizes tem a finalidade identificar, mais claramente, as divergências e as convergências existentes. Nas matrizes, as oito escolas serão representadas pelas letras EI, E2.....E8 e as categorias elencadas em cada uma delas serão descritas de maneira sintetizada. O próximo passo será apresentar as interpretações
  62. 62. 55 pertencentes a cada uma das Matrizes que serão exibidas logo após a Matriz correspondente. 4.3) A DESCOBERTA DA PRIMEIRA MATRIZ El E2 E3 E4 E5 E6 E7 E8 I. comando por uma contagem numérica X X li. comando por palavras X X X X III. comando_por um instrumento sonoro X X X X IV. comando por palmas X X V. nao exploração do espaço X X X VI. exploraçao do espaço X X X X X VII. vartaçao do espaço e de direçao X X VIII. identificaçao de um ritmo de jogo X X IX. nao identificação de um ritmo externo X X. decomposiçao de uma atividade ritmica X As categorias, que foram surgindo a partir das reduções das unidades de significados das aulas observadas, em cada uma das oito escolas, são as mais significativas segundo o meu olhar nesta pesquisa. A intenção é verificar se em uma aula de Educação Física Infantil, o ritmo se faz presente através das minhas observações. Nessa primeira matriz, o maior grau de convergência está representado pelos itens li e V. No primeiro, as escolas (E2,E6,E7,E8) demonstraram durante a aula observada um comando de movimento por palavras; no segundo, as escolas (EI ,E2,E6,E7,E8) apresentaram, durante as atividades, uma exploração do espaço. O item 11 chamou-me a atenção pelo fato do professor comandar um movimento através de palavras, significa dizer que o professor se utilizando-se da sua própria voz para produzir um som com intuito de ajudar o seu aluno a executar os movimentos mais ritmados durante a atividade.
  63. 63. 56 O que aconteceu com as escolas nesse item foi surpreendente, porque com o auxílio de palavras um som era produzido para ajudar na realização do movimento. Ecomo na presença de um som nenhuma parte do nosso corpo fica sem vibrar, sem se manifestar, podemos dizer que o ritmo mostrou-se inerente à natureza do som. Quanto ao item V, é interessante verificar que das oito escolas observadas, cinco propiciaram nas suas aulas, atividades que permitiam ao aluno desenvolver uma noção espacial. Isso ficava evidente dentro de uma mesma atividade, ou na mudança de uma para outra. Ainda vale destacar nessa matriz, a presença de duas divergências significativas, sendo que a primeira aconteceu no item IX (E6) e a segunda no item X (E4). Éinteressante analisar o item IX para comentar que enquanto em uma escola durante a observação da aula, em nenhum momento houve utilização de um ritmo externo para auxiliar no movimento, principalmente, na primeira parte da aula, quando a professora desenvolveu o drible do basquete com os seus alunos e, não se utifizou de nenhum ritmo externo para sincronizar o ritmo do movimento nessa atividade. Agora na escola E4 houve uma decomposição de uma atividades rítmica, onde as frases de uma roda cantada foram ensinadas anteriormente à sua melodia e gestos, criando assim uma sincronização entre o ritmo e o movimento. O número de aspectos levantados nessa categoria são bastante significantes para tentar compreender como as questões do ritmo estão sendo trabalhadas nas aulas de Educação Física Infantil. Portanto, pretendo analisar ainda mais essa primeira matriz, buscando correlacionar os aspectos apresentados e mostrar como essa questão vem sendo trabalhada.
  64. 64. 57 Para uma melhor compreensão das interpretações seria coerente separar as onze categorias em três tipos de percepção, que são: I. percepção temporal- I,II,III,IV 2. percepção espacial - V,VI,Vil 3. percepção rítmica- VIII,IX,X A primeira apresenta o tempo em relação ao movimento, ou seja, como o tempo se foz presente no movimento, não esquecendo que o ritmo acontece dentro de um tempo, unindo o sentido auditivo com o cinestésico. Ao analisar a Matriz percebemos que a escola n' 2 foi a que mais trabalhou com a percepção temporal na sua aula, isto é foi a que mais proporcionou ao seus alunos uma noção do tempo para a execução do movimento. Sendo assim, essa professora utilizou-se do ritmo para que suas crianças realizassem um movimento a partir de um som, que era identificado por um tempo produzido através de algum objeto ou instrumento. E portanto, isso nos mostra que o ritmo expressa uma ordem temporal ao movimento, onde imprime uma duração, uma simetria e acaba definindo um estilo ao movimento. Para esclarecer ainda mais essa questão apresento as palavras de ROETHIG, (apud NISTA-PICCOLO 1993;180) que ensina que é "o ntmo que dá uma ordem temporal ao movimento. impondo-lhe uma certa duração". Então, durante as atividades, é muito importante que o professor tenha consciência da importãncia do ritmo em suas aulas, porque ao ensinar um movimento o tempo se foz presente. Na percepção espacial foram duas escolas que se destacaram, onde ambas desenvolveram atividades com variações de espaço e de direção, ou seja a noção espacial se fez presente nessas duas aulas. Ela é algo fundamental para o trabalho rítmico, juntamente com a
  65. 65. 58 percepção temporal, onde esse todo articulado forma o movimento a partir dos elementos rítmicos. Esses professores ao propiciarem uma variação de espaço, dentro de uma mesma atividade, ou na mudança de uma para outra, acabam realizando um excelente trabalho rítmico com suas crianças, principalmente nessa faixa de idade que engloba a Educação Física Infantil, onde as crianças começam a fazer relações dos movimentos do seu corpo com o espaço que utilizam para realizá-lo. A ordem espacial é algo complexo, pors se refere à consciência que se tem do próprio corpo. Segundo MERLEAU PONTY, em citação de NISTA-PICCOLO (1993;175) "nosso corpo nào está no espaço. ele é o espaço". Logo, a criança a partir do seu espaço inicial. que é seu próprio corpo, aprimora a noção espacial à medida que ela explora todas as possibilidades de ação que seu corpo pode fazer à sua volta. Éimportante frisar que em um trabalho rítmico não há divisão entre as ordens de tempo e espaço. Nesse momento da interpretação, elas foram separadas para melhor compreensão dos fatos ocorridos durante as observações das aulas. Essa separação só acontece na teoria, porque na prática a criança percebe o ritmo em um dado tempo e através dele usa o espaço do seu corpo e da sua volta produzindo movimentos. A terceira percepção é a rítmica. Recebeu essa denominação porque as três últimas categorias levantadas nessa primeira Matriz, dizem respeito a identificação de um ritmo durante as observações das aulas. É interessante mostrar que cada item apareceu em uma escola diferente e não houve concordância entre elas. Depois dessas análises à respeito da Matriz das observações das aulas é possível afirmar que essas escolas, não estão trabalhando com o ritmo em suas atividades. de Educação Física, pois através dos onze itens
  66. 66. 59 levantados e pela classificação das percepções adotadas posteriormente, conclui-se que o trabalho do ritmo não acontece de forma intencional. ou seja, não é feito um trabalho por inteiro a respeito do ritmo. Trabalhar o ritmo de forma consciente é fazer com que as crianças percebam o que estão fazendo e tome consciência disto, pois segundo FRAISSE, em citação de NISTA-PICCOLO (1993;193) "o ofo de perceber é uma reação que se dá no campo espacial e temporal". Logo. o ritmo não é um fato comum no tempo e no espaço, mas um fenômeno do movimento, que determina uma percepção subjetiva de sentir o tempo e o espaço. exigindo da criança a intenção de vivenciá-lo. 4.4) A DESCOBERTA DA SEGUNDA MATRIZ El E2 E3 E4 E5 E6 Ei ESl- I. a música com papel secundário X X X li. a música com Paoel orinciual X X lll. utilizaçao de algum recurso X X X Ip/ a oerceoção do movi/o - ~- sem interferência navercepçao do movi/o X X X V. exvlora as noçoes espadais X X X X X VI. trabalha o ritmo como um meio X VII. nao trabalha com as auestoes do ritmo X X X X X X Vill. trabalha com as auestoes do ritmo X X LIX. não trabalha c/ as questões do ritmo X ~e nem do espaço Após o levantamento das categorias a partir das reduções das unidades de significados das oito entrevistas, pretendemos mostrar se no planejamento, o ritmo se faz presente, com que objetivo ele é utilizado e qual a metodologia adotada para tal desenvolvimento. Nessa matriz, o maior grau de convergência aconteceu nos itens V (explora as noções espaciais) e VIl (não trabalha com as questões X X X )(_ X -- - -
  67. 67. 60 do ritmo). No primeiro, as escolas (E2,E3,E4,E5,El.E8) disseram que procuram explorar as noções de espaço durante as atividades propostas. No segundo, as escolas (El ,E2,E3,E5,E6,E7,E8) afirmam que atividades rítmicas não fazem parte do planejamento. Essa convergência é bastante intrigante pors elas se contradizem a respeito dos pensamentos dos professores, porque se na primeira eles afirmam trabalhar com as noções espaciais, como é possível o ritmo não fazer parte do planejamento? Além disso, as noções espaciais são trabalhadas paralelamente às noções temporais, pois não se pode separar o tempo e o espaço. Isso demonstra a falta de conhecimento a respeito do ritmo, por parte dos professores entrevistados, ou seja, eles parecem ter dificuldades no entendimento da definição de ritmo e acabam fazendo confusões em como utilizá-lo. Outras convergências que aparecem nessa Matriz encontram- se nos itens IV e IX. O primeiro, nas escolas (El ,E3,E6) referindo-se à nenhuma interferência por parte do professor para ajudar seu aluno na percepção do movimento. No segundo, os professores das escolas (El ,E6) não trabalham com atividades rítmicas e nem com noções espaciais. Nessa convergência não ocorre contradição porque os professores dessas escolas não trabalham com o ritmo e afirmam que não se utilizam dele, em suas aulas, durante as atividades propostas. Uma divergência que aparece é referente aos itens I e IJ, onde no primeiro as escolas (El ,E2,E3) utilizam a música com um papel secundário em suas aulas, enquanto que no segundo, as escolas (E5,E7,E8) utilizam-na como um papel principal. Esse aspecto é bastante relevante porque mostra que das oitos escolas, somente três apresentam uma preocupação em utilizar os
  68. 68. 61 elementos da música durante as suas aulas; três dizem que usam a música somente como pano de tunda e duas não utilizam de forma nenhuma em suas atividades. A segunda divergência ocorre nos itens 111 (utilização de algum recurso para a percepção do movimento) e IV (sem interferência na percepção do movimento). No primeiro, os professores das escolas (E2,E4,E5,E8) interferem na percepção do movimento utilizando-se de algum instrumento, palmas ou a própria voz; e no segundo, os professores das escolas (El ,E3,E6) não interferem na percepção do movimento do seu aluno de nenhuma maneira. Éinteressante analisar esses aspectos, pelo fato de que ainda os professores de Educação Física não se deram conta de que o movimento acontece no espaço, no tempo e sob um determinado ritmo. Então, fazer uma interferência na percepção do mov·Imento, não significa adestrar a criança em um certo movimento, mas ao contrário, é proporcionar à criança uma percepção das múltiplas possibilidades que seu corpo pode realizar. Sem terminar as interpretações, apenas enfocando convergências e divergências que a Matriz nos mostra, busca-se, um melhor entendimento dos aspectos apresentados, à respeito do planejamento dos professores de Educação Física Infantil, levantados durante as entrevistas em cada uma das escolas. Para que as interpretações não fiquem inadequadas e soltas, seria viável separar os itens por três tópicos: 1, As questões do ritmo estão no planejamento; 2. Como o ritmo é utilizado; 3. Com que objetivo o ritmo se faz presente.
  69. 69. 62 Ao pnmerro tópico os itens correspondentes são os Vil (não trabalha com as questões do ritmo),VIII (trabalha com as questões do ritmo) ,IX (não trabalha com as questões do ritmo e nem do espaço) da Matriz, que se referem especificamente ao fato de que o ritmo é um conteúdo contemplado dentro do planejamento. A intenção dessa análise não é comprovar que o ritmo precisa fazer parte de um planejamento. mas verificar como os professores o entendem e utilizam-no em suas atividades. Olhando na Matriz percebemos que sete das oito escolas não abordam as questões do ritmo no seu planejamento, onde somente uma escola trata desta questão, porém a professora disse que não aplica porque as crianças já possuem aulas de dança e de música. Percebemos então, como a visão do professor de Educação Física, a respeito do ritmo, é pobre e restrita, porque se nas suas aulas a criança se movimenta, ela o faz partindo de seu ritmo natural, realizando uma sincronização de ritmo-movimento. As palavras de SAUR, em citação de NISTA-PICCOLO (1993;20) complemento esta questão de ritmo-movimento ao dizer: "eu vou de maneira enérgica se contradada, de maneira rápida se afobada, de maneira tranqüila se estiver em paz ou de maneira relutante se estiver com medo". Estando ou não no planejamento, as questões do ritmo se fazem presentes nas aulas de Educação Física. pois em qualquer movimento existe um aspecto rítmico que deve ser ressaltado durante as atividades. É interessante ver também, nesse tópico, que somente duas escolas possuem uma preocupação com as questões do ritmo, ou seja, os professores, mesmo não colocando o ritmo em seus planejamentos,
  70. 70. 63 durante as suas aulas, nas atividades propostas eles procuram instigar a percepção do ritmo na criança. No segundo tópico, o item que aparece é somente o VI (trabalha o ritmo como um meio), onde em duas escolas os professores disseram que o ritmo só é trabalhado como um elemento coadjuvante para a iniciação esportiva. Penso que isso não é errado, pois é também uma forma de estar aprimorando o ritmo, nas aulas de Educação Física, mas no entanto, penso que um trabalho rítmico mais direcionado, com um fim em si mesmo, tem muito mais para oferecer às crianças desse período escolar. Esse pensamento tem como pressuposto as palavras de HANEBUTH, (apud NISTA-PICCOLO 1993;22), o qual afirma que "é a rifmicidade que impulsiona fada e qualquer função no desenvolvimento do ser humano". Logo, utilizar o ritmo de forma mais direcionada é muito mais valioso para o desenvolvimento das crianças, porque ele, segundo NISTA-PICCOLO (1993;22) "passa a uma transposição que transcende qualquer instrumento didáfico"sendo capaz de gerar um equilíbrio no desenvolvimento humano. No terceiro tópico, que aborda com que objetivo o ritmo é trabalhado, percebemos na Matriz os itens 11 (a música com papel principal). 111 (utilização de algum recurso para a percepção do movimento) e V (explora as noções espaciais), afirmando que as escolas trabalham com o ritmo através da música, instrumentos sonoros, palmas, ou própria voz para que as crianças percebam o movimento. Através da exploração do espaço as crianças ampliam seus conhecimentos com os mesmos recursos materiais. Dentro das oitos escolas, somente três professores das escolas E5, E7 e E8, utilizam-se da música como um elemento de apoio didático
  71. 71. 64 para a percepção do movimento. Éimportante lembrar que a música e o movimento se unem pela presença do ritmo, pois já na antigüidade os povos faziam movimentos de acordo com o ritmo locado pelos instrumentos. Além disso, CAMARGO (1994;72) afirma que: "... é difícil encontrar uma única fração do corpo que não sofra a influência dos tons musicais. A razão é simples está nas raízes dos nervos auditivos. cujas ligações. espalhadas largamente pelo corpo. são mais longas que qualquer outros nervos. o que. em si, pode representar um sentido interior bem mais complexo". A música quando integrada ao movimento nas aulas de Educação Física Infantil tem muito a contribuir para os alunos. porque ela afasta o clima de monotonia da aula, sugere o ritmo a ser executado e contribui para a educação dos sistemas psicomotor e neuromuscular. O professor de Educação Física precisa ter claro o que ele pretende com a música durante a atividade proposta, para que ela não fique somente com o papel de alegrar a sua aula. Também não adianta colocar qualquer música, ela precisa estar de acordo com a proposta da aula porque, segundo CAMARGO (1994; 72) da "qualidade da música depende a qualidade do movimento".
  72. 72. 65 CAPÍTULO 5: UM SEGUNDO OLHAR NAS DESCOBERTAS
  73. 73. 66 Após as interpretações de cada Matriz surgiu uma inquietação a respeito de como cada escola se mostrou nos itens analisados, isto é, como as aulas de Educação Física Infantil estão sendo ministradas, tendo como enfoque o ritmo durante as atividades. Portanto ao olhar para cada escola, estou tentando construir mais resultados voltados para o foco da minha pesquisa. Pretendo analisar as escolas, interpretando os dados de cada uma nas duas Matrizes, buscando, assim, compreender de que maneira a escola aborda a questão do ritmo, fundamentando-me na aula que ela oferece, e de acordo com o que o professor(a) relatou durante a entrevista a respeito das atividades desenvolvidas em Educação Física Infantil. A primeira trata-se de uma escola maternal onde as aulas de Educação Física são lecionadas pela própria professora de sala, isto é não há especialista. Foi interessante notar na aula observada que a respectiva protessora se utiliza desse espaço apenas como um reforço dos conteúdos desenvolvidos em sala de aula. Com isso percebe-se que ela não leva em consideração, em nenhum momento, as questões do ritmo nas suas propostas. As Matrizes mostram que esta escola se faz presente nos itens 111 (comando por um instrumento sonoro) e VI (exploração do espaço) da primeira Matriz e nos itens IV (sem interterência na percepção do movimento ), VIl (não trabalha com as questões do ritmo) e IX (não trabalha com as questões do ritmo e nem de espaço). É interessante verificar uma contradição da professora, pois na entrevista ela disse que a música nas suas aulas serve somente como "pano de fundo" para as atividades, porém durante a aula observada, ela se utilizou da música como meio de acompanhamento de um movimento. Isto vem comprovar que o uso da música não é reconhecido como um relevante instrumento de ação pedagógica.

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