A Capacidade do Agro Brasileiro de Produzir de Forma Sustentável

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Conteúdo elaborado pelo presidente do CCAS José Otávio Menten e pelo membro do conselho Décio Luiz Gazzoni sobre a capacidade do agronegócio brasileiro de produzir de forma sustentável e apresentado no I Seminário Ciência, Tecnologia e Comunicação: Os Desafios na Agro Sociedade.

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A Capacidade do Agro Brasileiro de Produzir de Forma Sustentável

  1. 1. A capacidade do agro brasileiro de produzir de forma sustentávelDécio Luiz Gazzoni1e José Otávio Menten21. IntroduçãoAté o início da década de 1970, a agricultura brasileira – com raras exceções- era incipiente, itinerante e improdutiva, em suma, insustentável. O Brasil era umgrande importador de alimentos, apesar das múltiplas vantagens comparativas, jáevidenciadas à época, e a sua produção ocasionava impactos ambientais e sociaisnegativos . No início daquela década, pressionado pela crise cambial que colocavaem risco a segurança energética e alimentar, e com uma visão de futuro do queseria o segmento mais competitivo da economia brasileira, o Governo Federalimplementou medidas que mudaram completamente a realidade do agronegócionacional, em menos de 40 anos.As principais medidas situavam-se no plano tecnológico, com a criação desistemas de pesquisa e transferência de tecnologia, além de apoio à modernizaçãodo setor, em especial com oferta de crédito em condições favoráveis.Ao alvorecer do século XXI o Brasil pode orgulhar-se de ser um dos principaisatores do agronegócio, rumo ao protagonismo em escala global, respaldado emsólidos fundamentos de sustentabilidade, arvorado no conceito das Nações Unidasque reza “O uso sustentável dos recursos naturais deve suprir as necessidadesda geração presente sem afetar a possibilidade das gerações futuras de supriras suas“.2. Construindo e consolidando a sustentabilidadeAo longo dos últimos 35 anos, a produção de grãos no Brasil constitui-se em umexemplo concreto e dinâmico dos ganhos de sustentabilidade, razão pela qual seráutilizada como paradigma para sua demonstração. A produção de grãos do paísneste período teve um impulso de 294%. Entretanto, a área cultivada com grãoscresceu 43% enquanto a produtividade evoluiu 176%, em função da geração eadoção de tecnologia (Figura 1).Figura 1. Área plantada, produção e produtividade de grãos no Brasil.1Engo. Agro., pesquisador da Embrapa Soja e membro do CCAS.2Engo. Agro., professor da ESALQ/USP e membro do CCAS.-1.0002.0003.0004.00005010015020019771982198719921997200220072012Produtividadekg/haÁrea(Mha)ouProducção(Mt)ÁreaProduçãoProdutividade
  2. 2. O que estes números significam? Examinemo-los do ponto de vista das trêsdimensões da sustentabilidade. Inicialmente é importante salientar que o quesito dasustentabilidade ambiental é levado muito a sério pelos agentes do agronegócio, , oque pode ser comprovado por fatos e números embora esta verdade não sejaamplamente reconhecida.O Brasil possui a legislação ambiental mais rígida em escala global. É dos rarospaíses que impõem a manutenção de áreas de preservação permanente (matasciliares, escarpas, topos de morro, manguezais), à custa do proprietário rural. Ospoucos países, além do Brasil, que legislam sobre o tema, socializam este encargo,que corre a conta de recursos públicos, seja por transferência, incentivos ousubsídios. Brasil e Paraguai são os únicos países do mundo que impõem cotas depreservação de vegetação nativa (reserva legal), também à conta do agricultor. Empaíses desenvolvidos, esta imposição legal é impensável, os custos de proteção daNatureza – quando existem - são rateados entre todos os cidadãos, por meio deinstrumentos como parques e reservas florestais, custeados exclusivamente comrecursos públicos.Por esta razão, mais de 60% do nosso território nacional ainda mantém acobertura vegetal original, comparativamente a menos de 3% da Europa, área essaque é preservada compulsoriamente nos parques nacionais, áreas de conservação ereservas indígenas, ou pela imposição de reserva legal e áreas de preservaçãopermanente aos produtores rurais. Apenas 31% da área do território nacional sãodedicados à agropecuária, conforme exposto na Figura 2. Desse total, 198 milhõesde hectares são representados por pastagens, um segmento que ainda dispõe demuito espaço para modernização, de maneira que prevê-se, nos próximos 30 anos ,a liberação de 35 milhões de hectares para outros usos, em especial agriculturaanual e florestas cultivadasFigura 2. Representação esquemática do uso da terra no Brasil, com destaquepara o setor agropecuário.Conservaçãoe ÍndigenasProteçãopermanenteVegetaçãonativaPastos AgriculturaCanaEtanolBiodieselA liberar depastos paraagriculturaxxxxxxxxxxxxxxx
  3. 3. Figura 3. Área efetivamente com grãos e área“poupada” pelo aumento da produtividade.Os avanços tecnológicosresponsáveis pelo aumento daprodução sem uma expansãoparalela da área cultivadapermitiram uma “poupança” deárea, quando se compara a queseria exigida com aquelaefetivamente utilizada em cadaano, caso fosse mantida amesma produtividade ao longo dotempo, como apresentado naFigura 3.A reduzida taxa deexpansão de terra arável tambéminfluiu na menor taxa dedesmatamento da floresta tropicalna Amazônia, embora se saibaque a maior parcela destedesmatamento não possuivínculo direto com as atividadesagropecuárias. Os desmatamentos recentes, em especial nos últimos 15 anos,decorrem de extração ilegal, cujo objetivo único é a comercialização da madeira, nomercado internacional. Os números referentes ao desmatamento da florestaamazônica são apresentados na Figura 4.Além da área ambiental, as questões sociais também são importantes,havendo interfaces entre os parâmetros de ambas as dimensões.Por exemplo, naFigura 5 sãoapresentados doisíndices: o índice deárea, significandoquantos hectares devemser cultivados parafornecer a quantidadede grãos necessáriapara alimentar umapessoa, em um ano; e oíndice populacionalindicando quantasvezes a produção degrãos no Brasil alimentaa sua própriapopulação.Verifica-se umaclara tendência dedecréscimo linear naquantidade de áreanecessária paraalimentar uma pessoa, que cai de 0,25 ha (1975) para 0,08 (2013), um ganho deeficiência próximo a 200%.Figura 4. Área desmatada e porcentagem anual dedesmatamento da floresta amazônica.0,00,10,20,30,40,50,60,70,805101520253035198819911994199720002003200620092012PorcentagemanualÁreadesamatada(1000km2)Área desmatadaPorcentagem de desmatamento
  4. 4. De outra parte, em1975 a produçãobrasileira de grãospermitia alimentar 1,35vezes a populaçãobrasileira, índice queatingiu 3,11 vezes apopulação do país, em2013. Isto significa que oagronegócio brasileiroalimenta a população denosso país, comexcedentes que permitemalimentar, com folga, doisoutros países de mesmotamanho. Entre 1975 e2013 esse índiceincrementou-se em 230%.A análise conjuntadestes dois índicesreferenda o dueto dasustentabilidade nasdimensões ambiental esocial do agronegócio nacional.Ainda no aspecto social, é importante referir que parcela ponderável dosganhos de eficiência e produtividade do agronegócio foram transferidos para osconsumidores brasileiros.A Figura 6 mostra o índice da cestabásica nacional, calculada pelo DIEESE,exprimindo o número de horas que umcidadão que perceba salário mínimo necessitatrabalhar para adquirir a cesta básica definidaem lei. Observa-se uma queda linearacentuada entre o início do cálculo do índice(valor 100, em 1974) e o valor mais recente,que alcançou o índice 14, em 2012.Interpretando a figura de outra maneira, com omesmo número de horas trabalhadas, umcidadão pode adquirir, em 2012, sete vezesmais alimentos do que era possível em 1974.No quesito de sustentabilidade socialcumpre ressaltar que a legislação trabalhistabrasileira é muito severa, sendo ainda maissevera com o campo, pois houve umaadaptação da legislação urbana ao meio rural,o que impôs condições de trabalho com exigências quase únicas em termos globais.Seria lógico inferir que o atendimento dos quesitos ambientais e sociais dasustentabilidade, impondo pesados ônus financeiros aos agentes das cadeiasprodutivas do agronegócio poderiam levar ao comprometimento de suasustentabilidade econômica e, no limite, à inviabilidade do negócio. Afinal, paraFigura 6. Índice da cesta básica noBrasil.0204060801001201974197819821986199019941998200220062010IÍndice(1974=100)Figura 5. Índices de área e populacional daprodução de grãos no Brasil.0,00,51,01,52,02,53,03,50,000,050,100,150,200,250,300,351975197919831987199119951999200320072011MúltiplospopulaçãoBrasilHectaresparaalimentarumapessoaÍndice áreaIndice populacional
  5. 5. evitar o desaparecimento da sua classe produtora rural, países ricos são pródigosem efetuar transferências d renda e favorecer seus produtores com subsídios dediversas ordens, estimados em mais de US$300 bilhões anuais.O que aconteceria, então, com o produtor agrícola brasileiro, que não éfavorecido por nenhum tipo de subsídios, ao contrário, é penalizado com juroselevados, alta tributação e logística que impõe pesados ônus e restringe o potencialde expansão do agronegócio?A Figura 7 mostra aevolução do PIB do agronegóciobrasileiro, e a sua sustentabilidadepois, apesar de arcar com oscustos da preservação ambiental,que não é imposta a seusconcorrentes, e transferindoparcela ponderável de seusganhos aos consumidores, assimmesmo verifica-se um crescimentosólido, de 74% do PIB setorial, nosúltimos 12 anos.De uma maneiraestereotipada, pode ser inferido ocusto que o conjunto doagronegócio brasileiro arcou paragarantir sua sustentabilidade sociale ambiental, em desfavor do ganho financeiro. Enquanto a produção brasileira degrãos cresceu 217% nos últimos 12 anos, o crescimento do PIB restringiu-se a 74%,denotando a transferência de parte da sua renda para os consumidores urbanos (viaredução de preços dos alimentos) e para o setor ambiental, através das imposiçõeslegais de manutenção das áreas de preservação permanente, reserva legal, alémdas iniciativas voluntárias do setor.Parcela substancial da renda do agronegócio proveio das exportaçõesbrasileiras, o que bem demonstra a sua sustentabilidade, por concorrer emcondições muito adversas com seus competidores de países de países ricos, quenão impõem aos agricultores exigências ambientais às suas custas, não ocorre atransferência de renda para o consumidor, e privilegia seu produtor com subsídios eoutros esquemas de favorecimento. A Figura 8 mostra a evolução do saldocomercial das exportações brasileiras nos últimos 23 anos, destacando oagronegócio dos demais setores.Observa-se na figura que o agronegócio sempre obteve saldos comerciaispositivos. E, a partir da década passada, é o único responsável por manter abalança comercial brasileira positiva, pois o conjunto dos demais setores édeficitário. Portanto, se o Brasil pode importar petróleo, equipamentos, máquinas,bens de consumo e se o cidadão brasileiro pode viajar ao exterior, a turismo ounegócios, isto somente é possível porque a sustentabilidade do agronegóciobrasileiro permite que o país e seus cidadãos possam auferir destes benefícios.Fruto das conquistas que ocorreram ao longo dos últimos 35 anos, em termosde sustentabilidade, em todas as suas dimensões, o agronegócio brasileiro revelou-se arrojado e competitivo em escala global, o que pode ser atestado na Tabela1.Figura 7. PIB do agronegócio brasileiro.4006008001000199019921994199619982000200220042006200820102012US$bilhões
  6. 6. Figura 8. Evolução do saldo da balança comercial brasileira.O Brasil é, atualmente, o primeiro ou o segundo produtor mundial de oitoprodutos de grande escala comercial, sendo o primeiro exportador de todos eles. Asprojeções de médio prazo mostram o protagonismo que o nosso agronegócioalcançará, alicerçadoem suasustentabilidade,galgando posições naprodução eabocanhandoespaços aindamaiores no mercadointernacional.Resta analisaras causas principaisque garantiram asustentabilidade doagronegóciobrasileiro. Semdúvida a posturaempresarial e visãode negócio dasdiferentes cadeiasprodutivas foi capitalneste processo. Aspolíticas públicas, em especial as macro econômicas, como o final do cicloinflacionário, a estabilização da economia, a garantia de contratos e a abertura demercados, foram essenciais. Porém, os aspectos técnicos, representados pela tríadegeração de tecnologia, a sua transferência aos produtores e a modernização dadefesa agropecuária, foram aspectos essenciais do processo.Neste particular é importante elencar alguns avanços tecnológicos doperíodo recente, que conferiram sustentabilidade ao agronegócio. Senão vejamos:em 1992, tínhamos 1,3 milhões de hectares com plantio direto (4% da área degrãos). Em 2012, passamos de 32 milhões de hectares (75% da área), e a área-80-60-40-200204060801001989 1992 1995 1998 2001 2004 2007 2010Bilhõesdedólares AgronegócioOutrosBrasilTabela 1. Posicionamento global da produção e daexportação brasileira do agronegócioProduto Produção Exportação2012 2025 2012 2025Açúcar 1o1o1o1oSuco de laranja 1o1o1o1oCafé 1o1o1o1oSoja 2o1o1o1oCarne bovina 2o1o1o1oFrango 2o1o1o1oEtanol 2o1o1o1oBiodiesel 2o1o- 1oMilho 3o2o4o2oFrutas 3o2o5o3oProdutos florestais 5o3o4o2o
  7. 7. cresce a cada ano. Aumentamos o plantio direto e reduzimos em 66% o gasto dediesel. Em 1992, um litro de diesel produzia meros 25 kg de grãos. Hoje, o mesmolitro produz entre 105 e 175 kg de grãos, fruto do uso de tecnologias sustentáveis edo crescimento da produtividade. Tomemos a soja como exemplo: lá em 92 eram 70litros de diesel para produzir uma tonelada. E hoje: meros 9 litros!Por falar em energia, em 2011, a área com plantio direto economizou 1,34bilhões de litros de diesel, deixando de emitir 3,59 bilhões de kg de CO2. Nos últimosseis anos, o programa de biodiesel substituiu 7,8 bilhões de litros de diesel, evitandoemissões de 16,5 bilhões de kg de CO2. Entre 2000 e 2011 foram consumidos 95bilhões de litros de etanol hidratado e 75 bilhões de litros de etanol anidro, tendocomo resultado uma redução de 219 bilhões de kg de CO2 que deixaram deemporcalhar a nossa atmosfera e de prejudicar a saúde dos brasileiros, pelasubstituição da gasolina.Do diesel para a água. O consumo de água para produção de 1 kg de arrozirrigado caiu de 4.000 para 1.300 litros em 20 anos. Estamos perto do limite teórico,pois 1 kg de grãos necessita 1.000 litros de água. Já temos até usinas de cana emque a água circula em circuito fechado – consumo zero!No início da década de 90, 20 toneladas de terra fértil eram lavadas de cadahectare com plantio convencional, a cada ano. Passados 20 anos, o plantio diretoreduziu em 96% a perda de patrimônio representado pelo solo agrícola nacional.A nutrição vegetal modernizou-se e tornou-se mais eficiente, sendo a fixaçãobiológica de nitrogênio (FBN) um exemplo acabado de uma tecnologiaintrinsicamente sustentável. A técnica é usada em mais de 75% da área de soja efeijão do Brasil e, anualmente, mais de 16 milhões de toneladas de fertilizantesnitrogenados são substituídos pela FBN, significando uma poupança superior aUS$24 bilhões anuais. Para sua produção, os fertilizantes nitrogenados consomemelevadas quantidades de energia, gerando emissões de gases de efeito estufa. Ouso da FBN permite evitar, anualmente, a emissão de 75 milhões de toneladas degás carbônico.O controle de pragas na lavoura evoluiu de forma dramática nos últimos anos,reduzindo a quantidade de agrotóxicos aplicados nas lavouras, bem como a suatoxicidade para o ambiente ou para seres humanos. Paralelamente, os agricultoresnão mais captam diretamente a água necessária para pulverizações em cursos deágua, evitando a sua contaminação. E as embalagens usadas são recolhidas erecicladas, eliminando um grande passivo ambiental e de saúde publica do passado.Atualmente, cerca de 80% das embalagens de agrotóxicos comercializadas sãorecolhidas e recicladas, significando um volume superior a 200 mil toneladas nosúltimos 10 anos.O que era um ônus até 20 anos – o período de seca na região de Cerrados doBrasil Central – transmutou-se em vantagem competitiva. Com o uso de técnicasmodernas de cultivo, é possível efetuar entre 2 e 3 cultivos anuais, durante o períodode ocorrência de chuvas, seguido pelo uso da área para pastagem de gado, queengorda durante o ciclo de seca, o que era absolutamente inimaginável até poucotempo. O uso deste sistema permite colher, na mesma área, entre 10 e 12 t de grãose produzir até 200 kg de carne, por ano. O ciclo de multi cultivos é apresentado emforma gráfica na Figura 9.
  8. 8. Figura 9. Sistema de multi cultivo anual utilizado no Brasil Central.O avanço tecnológico jácomeça a preparar o futuro dasustentabilidade do agronegóciobrasileiro. As projeções para omédio prazo, até 2030, indicamque a produtividade deveráresponder por mais de 75% daexpansão da produção de grãosdo Brasil. E, o acréscimo de área,estimado em 13 milhões dehectares, será suprido com folgapela redução de 35 milhões dehectares na área de pastagens,devido aos ganhos tecnológicosque, concomitantemente,ocorrerão na pecuária, emespecial no abate precoce, namelhoria do desfrute, no aumentoda lotação por unidade de área,resultado de melhoriastecnológicas no manejo, na nutrição e na sanidade dos rebanhos brasileiros.Os ganhos futuros de produtividade já podem ser antecipados pelosresultados obtidos pelo Comitê Estratégico Soja Brasil (CESB), que promove,anualmente, um desafio de produtividade desta cultura no Brasil. Na ediçãorealizada em 2012, o vencedor do desafio produziu 82% acima da média nacional,uma antevisão dos ganhos sustentáveis de rendimento no médio prazo.Figura 10. Projeções de área, produção eprodutividade de grãos no Brasil.-12345670100200300400197719871997200720172027Produtividadet/haÁrea(Mha)ouprodução(Mt)ÁreaProduçãoProdutividade
  9. 9. Figura 11. Resultados do Desafio de Produtividade de Soja do CESB, em 2012.A cultura da cana-de-açúcar,no passado responsável por passivosambientais, é hoje uma das culturasmais sustentáveis em escala global.Além da produção debiocombustíveis, a cana de açúcar éo epicentro de um negócio moderno,com fulcro no conceito debiorefinarias, em que um dosprodutos é a bioeletricidade, compotencial de superar os 30 Gwinstalados, nos próximos 10 anos, oque significa a geração equivalente a duas usinas de Itaipú, a maior usinahidroelétrica do mundo. A evolução da cadeia produtiva de cana pode servisualizada na Figura 13.01000200030004000500060007000Média Brasil - CONABFrederik Jacob Wolters (SE)Edmilson Ribeiro Santana (CO)Tiago Librelotto Rubert (RS)Ely de Azambuja Germano (S)Demétrio Guimarães Pereira (N/NE)kg/haFigura 12. Projeções de produção debioeletricidade nas usinas de cana.01020304020052010201520202025GWFigura 13. Retrospectiva e cenário para evolução da cadeia da cana-de-açúcar.
  10. 10. A bioeletricidade é um novo segmento do agronegócio brasileiro, comgrandes perspectivas de crescimento no médio e longo prazo, ampliando a gama desua sustentabilidade, por reduzir a participação de outras fontes de energia, maispoluentes e com diversos impactos ambientais negativos, e que pode responder por25-30% da geração elétrica no Brasil. As floresta cultivadas serão um importantecomponente deste segmento, e as projeções de sua evolução se encontram naFigura 14.Figura 14. Projeções de evolução da área com florestas cultivadas no Brasil.E, caso a sociedade assim odeseje, o agronegócio podecontribuir com adicionais desustentabilidade. Por exemplo, comáreas variáveis entre 7 e 10 milhõesde hectares de cana-de-açúcar e de9 a 15 milhões de hectares de dendê(palma de óleo), será possível obtera mesma quantidade de energia queseria extraída das reservas depetróleo do pré-sal. As vantagensdesta substituição estariamclaramente posicionadas nasdimensões da sustentabilidade, commaior geração de emprego e rendapelas cadeias da agroenergia, comdemocratização e oportunidades,interiorização e melhor distribuição da renda, finalizando com menor emissão degases de efeito estufa, conforme mostrado na Figura 15.012345601020304050200920142019202420292034203920442049MilhõesdehectarescolhidosMilhõesdehectaresplantadosÁrea de florestas cultivadasÁrea colhida anualmenteFigura 15. Redução das emissões de CO2por substituição do petróleo do pré salpor biocombustíveis04008001.2001.600201120212031204120512061MilhõesdetdeCO2
  11. 11. 3. ConclusõesPor qualquer ângulo que se examine o agronegócio brasileiro, em qualquerdas dimensões que compõem a sustentabilidade, verifica-se que o houve avançosconsideráveis, dignas de cases mundiais, ao longo dos últimos 35 anos. Atualmenteo agronegócio do nosso país nada fica a dever a qualquer outro país do mundo emtermos de sua sustentabilidade, alicerçada em sólidos princípios científicos.Tornam ainda mais brilhante esta jornada o fato de o nosso país situar-sepredominantemente na faixa subtropical e tropical do planeta, o que exige que atecnologia adequada e intrinsecamente sustentável seja gerada e desenvolvidainternamente, o que tem tornado o Brasil um exportador de tecnologia para regiõessimilares, da América Latina, África e Sudeste Asiático.Igualmente, as adversidades enfrentadas pelas cadeias produtivas doagronegócio, vencendo as barreiras do denominado Custo Brasil, bem como aimposição das severas e exigentes legislações trabalhista e ambiental, apenasratificam a saga de sustentabilidade do nosso agronegócio, prevendo uma sendaainda mais fulgurante nos cenários do médio e longo prazo.Para tanto, o Ministério da Agricultura implementou uma política pública bemsucedida, denominada Programa ABC (Agricultura de Baixo Carbono), cujo objetivoé exatamente financiar a consolidação da sustentabilidade do agronegócio nacional,com fulcro no uso de tecnologias intrinsecamente sustentáveis. Esta política fazdueto com outra implementada anteriormente com grande sucesso, o Sistema deProdução Integrada de Frutas (PIF), calcada no mesmo objetivo de conferirsustentabilidade ao agronegócio.

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