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Duas dimensões antropológicas
básicas e interdependentes
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Dimensão intelectual da fé e
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Do amor à fé
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simultaneamente definitiva e provisória.
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Assumir o relativo
• A fé não é receita contra o relativismo na
história.
• Com a fé o homem vive o relativo, sem cair
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Dois exemplos:
Amor e egoísmo
Amor e violência
Fé cristã e ética, na sociedade
secularizada
A ética cristã, a partir de Paulo
Criadora Progressiva
Social Significativa
Relação entre meios e fins
Os fins
justificam os
meios
Os meios
devem ser
coerentes
com os fins
Exercita-se
flexibilidade
...
Fonte:
Afonso Murad: professor na FAJE, teólogo, escritor e ambientalista. Bolsista de
produtividade em pesquisa do CNPq.
...
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Fé na sociedade plural e secular (Juan Luis Segundo)

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Material de seminário durante o Simpósio internacional da FAJE e PUC Minas sobre "Secularização, Religião e Sociedade"

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Fé na sociedade plural e secular (Juan Luis Segundo)

  1. 1. A fé na sociedade plural e secularizada no pensamento de J.L.Segundo Afonso Murad www.afonsomurad.blogspot.com Simpósio Internacional de Filosofia, Teologia e Ciências da Religião – FAJE e PUC Minas
  2. 2. Fé antropológica • Estrutura da liberdade: impossível testar previamente as possibilidade da existência • Opção de vida em vista da felicidade é aposta irreversível. • Recorre-se a Dados Transcendentes e testemunhas referenciais -> confiança em pessoas. • Lentamente se configuram valores, que norteiam escolhas • Os valores tem diferentes graus de importância e se estruturam em torno de um “valor absoluto”.
  3. 3. Mecanismos de eficácia (ideologia) A fé antropológica necessita se realizar na história. O problema: usar métodos e mecanismos que tem autonomia própria e não se submetem à estrutura significativa. Trata-se de uma dimensão antropológica básica. Sistema de meios constituídos em vista de um fim. Os mecanismos de eficácia tem lógica própria, resistem ao valor e tendem a se erigir como absolutos.
  4. 4. Duas dimensões antropológicas básicas e interdependentes Fé: Estrutura significativa Ideologia: sistemas de eficácia
  5. 5. Duas grandes questões Para que? Como funcionar?
  6. 6. Tensão Fé sem eficácia: idealista, inoperante. Degenera em má ideologia. Sistema de eficácia sem valores: instrumentalidade se absolutiza -> unidimensional.
  7. 7. DADOS TRANSCENTES • Zona de convergência de estrutura significativa e sistema de eficácia. • Até que ponto a realidade permite a realização de determinados valores • É uma aposta, que não pode ser verificada empiricamente e sim existencialmente. • Os DT mobilizam o ser humano para a transformação (utopia + esperança). • Premissas epistemológicas e ontológicas parcialmente autovalidantes (G. Bateson)
  8. 8. Fé antropológica e Revelação • Deus só pode se revelar para quem tem já alguma abertura e sintonia com sua proposta. • Assim, a fé antropológica faz parte do processo da revelação, que é processo educativo de aprender a aprender.
  9. 9. Fé antropológica e religiosa: Elementos comuns • Arrisca, aposta • Confia em Testemunhas referenciais, que criam uma tradição viva • Fundamenta estrutura de valores em dados transcendentes • Tem um escala de valores • Necessita de mecanismos de eficácia. • Organiza-se em torno de um Valor Absoluto (onde estiver o teu tesouro...) • É processo de aprender a aprender
  10. 10. A questão decisiva Referir-se a dados transcendentes a partir dos quais e sobre as bases das quais se aposta seus valores diante de toda a realidade
  11. 11. O salto de qualidade • F.R. é a F.A transformada mediante a revelação, que estrutura o mundo dos valores. • A F.R. confirma a F.A e convida à conversão. • FR: Crer naquilo que Deus comunica, acolher suas testemunhas e a Tradiçao, entrar no processo educativo conduzido por Ele
  12. 12. Fé antropológica <-> fé religiosa • Em culturas cristãs, a estrutura de valores é configurada a partir da fé religiosa. • Mas a religiosidade pode esconder uma estrutura de valores questionável ou impedir as pessoas de alcançarem valores significativos. • Colaboração e conflito: a fé religiosa configura a estrutura de significado. E a estrutura de significado questiona e purifica a fé religiosa. • (Alguns exemplos: a postura em situação de crise) • A resposta de Jesus na parábola do Samaritano que socorre o homem assaltado e ferido.
  13. 13. Diferentes linguagens Sistemas de eficácia: linguagem digital, objetiva, objetivante, precisa. Fé: linguagem icônica, aberta a múltiplos sentido, no qual o sujeito se coloca
  14. 14. Intelecto e fé • Intelecto: faculdade de compreender o que realiza, função pela qual o ser humano compreende e estrutura mentalmente sua própria vida. • «Compreender» inclui sempre: tarefa interpretativa, e influxo sobre a vida. • No âmbito da fé: perguntar qual é o impacto da verdade da fé sobre a existência real e as tarefas históricas e sociais. • Anulação da função intelectual da fé: preferência à verdade formulada, em detrimento da verdade pensada, para facilitar a salvação para o maior número de pessoas. • Simultaneamente, a fé que tem conteúdo irrenunciável e está sujeita à interpretação.
  15. 15. Dimensão intelectual da fé e compromisso histórico • Quem só recebeu a fé como como imperativo externo tende a ficar desorientado ante a complexidade do histórico. Aplica a fé sem traduzi-la. • A aceitação acrítica se estende para a prática social -> conformidade com o status quo. • A função do intelecto e a introdução da mensagem cristã em realidades relativas e ambíguas da história serão vistas como perigosas. • Consequência: dualismo entre duas histórias, entre a eficácia da salvação e a da história humana. • Pensar a fé possibilita também julgar as tarefas históricas postas por ela, na relação com demais homens e mulheres.
  16. 16. Intelecto e fé • A fé necessita de compreensão, de pensar ativamente a verdade revelada. «Dar razão» àquilo que se acredita, de maneira inteligente e criadora. • A função intelectual da fé não consiste somente em compreender a doutrina cristã. • Qual seria? Interpretar a história sempre em mudança à luz de fé. Formulação dinâmica, em diálogo, que responde às profundas questões colocadas pela humanidade.
  17. 17. Pensar a fé e a ação humana transformadora • A fé exige adesão pessoal ativa e deve ser pensada. • O discurso sobre o conteúdo da fé requer: - Expressar e interpretar o diálogo Deus – ser humano, - Compreender-se em relação a tarefas humanas atuais.
  18. 18. Do amor à fé • O amor solidário pergunta pela esperança: Vale a pena amar, diante das possibilidades de frustação? A fé responde -> afirma a vitória final do amor de Deus, em meio a (aparentes) reveses da história. • O amor que progride pergunta pela sua amplidão: Vale a pena amar aos que estão fora do seu círculo restrito. A fé cristã sustenta a universalidade do amor que passa necessariamente pelo amor ao mais fraco (Mt 25,40). • Grandes experiências humanas são pré-catequese da fé. Perguntam sobre o sentido da existência. Acontece no mundo, na sociedade.
  19. 19. O diálogo com o mundo purifica a fé • O diálogo obriga a Igreja a repensar elementos que são fruto de deformações e que estão «travestidos» de fé. • A fé corre o risco de se transformar em verbalismo. O Credo ser «verificado» também no nível da existência. • Rever o conteúdo da fé, em confronto com os questionamentos que a evolução da humanidade suscita, não é um gesto desesperado para não perder o trem da história, e sim uma exigência da sua dimensão encarnatória.
  20. 20. Metamensagem da fé tem 2 dimensões Absoluta: parte de Deus e do horizonte dos valores que ele suscita na humanidade. Relativa: acompanha o ritmo de interpretações na história em mudança
  21. 21. Fé encarnada • A tarefa de encarnar a fé no mundo é simultaneamente definitiva e provisória. • A verdade revelada não é uma verdade final, por mais absoluta que seja, mas elemento fundamental para a busca da verdade. • A revelação e a fé são imprescindíveis, numa situação de relação com o mundo e a história.
  22. 22. Assumir o relativo • A fé não é receita contra o relativismo na história. • Com a fé o homem vive o relativo, sem cair no caos ou na oscilação entre valores contraditórios. • Conotação positiva: não é capricho, pragmatismo ou instrumentalização. • Fé religiosa absoluta depende de condicionamentos essencialmente relativos.
  23. 23. Dois exemplos: Amor e egoísmo Amor e violência
  24. 24. Fé cristã e ética, na sociedade secularizada
  25. 25. A ética cristã, a partir de Paulo Criadora Progressiva Social Significativa
  26. 26. Relação entre meios e fins Os fins justificam os meios Os meios devem ser coerentes com os fins Exercita-se flexibilidade histórica
  27. 27. Fonte: Afonso Murad: professor na FAJE, teólogo, escritor e ambientalista. Bolsista de produtividade em pesquisa do CNPq. Blog: afonsomurad.blogspot.com Redes sociais: Afonso Murad

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