Transtornos relacionados

2.450 visualizações

Publicada em

0 comentários
2 gostaram
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
2.450
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
2
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
116
Comentários
0
Gostaram
2
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

Transtornos relacionados

  1. 1. Universidade Federal de Uberlândia Faculdade de Medicina Departamento de Clínica Médica Disciplina de Psiquiatria Daniele de Aráujo Góes Dannillo Guimarães Pererira Diego Augusto Ribeiro de Lima Estevão Marques Santos Guilherme César Naves Borges Jander Massuda Hipólito Marcel Pereira Moussa Roger Cardoso Martins Tiago Augusto Fernandes Peres Valmir Tunála Junior Transtornos Relacionados ao Álcool
  2. 2. Introdução  Álcool é o depressor do SNC mais freqüentemente usado, sendo causa de considerável morbidade e mortalidade.  90% dos adultos norte-americanos, em algum momento da vida, tiveram alguma experiência com o álcool,  Em torno de 60% de homens e 30% de mulheres já tiveram um ou mais acontecimentos vitais adversos relacionados ao álcool.
  3. 3. Classificação  O DSM-IV divide os Transtornos Relacionados ao Álcool em dois grandes grupos e seus subgrupos: › TRANSTORNOS POR USO DE ÁLCOOL › TRANSTORNOS INDUZIDOS PELO ÁLCOOL
  4. 4. Classificação  TRANSTORNOS POR USO DE ÁLCOOL: › 303.90 – Dependência de Álcool. › 305.00 – Abuso de Álcool.
  5. 5. Classificação  TRANSTORNOS INDUZIDOS PELO ÁLCOOL: › 303.00 – Intoxicação com Álcool. › 291.81 – Abstinência de Álcool. › 291.0 – Delirium por Intoxicação com Álcool. › 291.0 – Delirium por Abstinência de Álcool. › 291.2 – Demência Persistente Induzida por Álcool. › 291.1 – Transtorno Aminéstico Persistente Induzido por Álcool. › 291.5 – Transtorno Psicótico Induzido por Álcool, com Delírios. › 291.3 – Transtorno Psicótico Induzido por Álcool, com Alucinações. › 291.89 – Transtorno do Humor Induzido por Álcool. › 291.89 – Transtorno de Ansiedade Induzido por Álcool. › 291.89 – Disfunção Sexual Induzida por Álcool. › 291.89 – Transtorno do Sono Induzido por Álcool. › 291.9 – Transtorno Relacionado ao Álcool Sem Outra Especificação.
  6. 6. DEPENDÊNCIA DE ÁLCOOL (DSM-IV 303.90)  Alcoolismo  Em 1856, um médico sueco, Magnus- Huss - alcoolismo” para designar os sinais e sintomas físico-psíquicos surgidos pela excessiva ingestão de doses elevadas, por tempo prolongado, de bebidas alcoólicas.  Grave problema médico-social
  7. 7. DEPENDÊNCIA DE ÁLCOOL (DSM-IV 303.90)  É uma toxicomania ou farmacodependência: › “Um estado psíquico e algumas vezes também físico, resultante da interação entre um organismo vivo e uma substância, caracterizado por um comportamento e outras reações que incluem sempre compulsão para ingerir a droga, de forma contínua e ou periódica, com a finalidade de experimentar seus efeitos psíquicos e às vezes para evitar o desconforto de sua abstinência. A tolerância pode existir ou faltar e o indivíduo pode ser dependente de mais de uma droga.”  Confirmar toxicomania: › Necessidade de aumento progressivo das doses. › Aparecimento da síndrome de abstinência quando da interrupção brusca da substância utilizada.
  8. 8. DEPENDÊNCIA DE ÁLCOOL (DSM-IV 303.90)  OMS › Alcoolismo: é uma doença de natureza complexa, na qual o álcool atua como fator determinante sobre causas psicossomáticas preexistentes no indivíduo e para cujo tratamento é preciso recorrer a processos profiláticos e terapêuticos de grande amplitude. › Alcoólatras: são bebedores excessivos, cuja dependência do álcool chega a ponto de acarretar-lhes perturbações mentais evidentes, manifestações afetando a saúde física e mental, suas reações individuais, seu comportamento socioeconômico ou pródromos de perturbações desse gênero e que, por isso, necessitam de tratamento.
  9. 9. DEPENDÊNCIA DE ÁLCOOL (DSM-IV 303.90)  Aspectos Gerais: › A falta de controle sobre a ingestão do álcool é considerado um dos critérios mais importantes para se surpreender a toxicomania ainda no início. › O hábito de ingerir aperitivos às refeições, com o aumento progressivo das doses, pode acarretar prejuízos na ingestão de alimentos que agravam as conseqüências do consumo crônico do álcool. › É importante saber que, o uso de álcool diariamente, mesmo que em pequenas doses, é o que conduz maior número de vítimas ao ingresso nas imensas legiões de alcoólatras crônicos.
  10. 10. ABUSO DE ÁLCOOL (DSM-IV 305.00)  O diagnóstico de abuso de álcool requer menos sintomas e, portanto, pode ser menos grave do que a Dependência  Somente é diagnosticado quando for estabelecida a ausência de Dependência.  O abuso de substâncias, em geral, consiste em um padrão mal adaptativo de uso de substância, manifestado por conseqüências adversas recorrentes e significativas relacionadas ao uso repetido da substância.
  11. 11. ABUSO DE ÁLCOOL (DSM-IV 305.00)  Abuso de substância: › Uso recorrente da substância acarretando fracasso em cumprir obrigações importantes no trabalho, na escola ou em casa. › Uso recorrente da substância em situações nas quais isto representa perigo para a integridade física. › Problemas legais recorrentes relacionados à substância. › Uso continuado da substância, apesar de problemas sociais ou interpessoais persistentes ou recorrentes causados ou exacerbados pelos efeitos desta. › Os sintomas jamais satisfizeram os critérios para Dependência de Substância relativos a esta classe de substância. Obs: Entretanto, uma vez que alguns sintomas de tolerância, abstinência ou uso compulsivo podem ocorrer em indivíduos com Abuso, mas sem Dependência, é importante determinar se todos os critérios para Dependência são satisfeitos.
  12. 12. Alcoolismo
  13. 13. Causas do Alcoolismo  A motivação para ingerir álcool pode estar radicada em vários fatores: › Ordem biológica › Ordem psicológica ou social › Muitas vezes uma única razão não é distinguível  De acordo com a maioria dos autores, não há alcoolismo primário, propriamente dito, sendo os casos quase que totalmente secundários a “algo” subjacente à personalidade do paciente.  Outros autores defendem ser o alcoolismo uma doença adquirida à revelia de quaisquer predisposições psicossomáticas preexistentes, sendo decorrente do uso contínuo do próprio álcool. Mas é importante ressaltar que essa hipótese é na maior parte das vezes descartada.
  14. 14. Causas do Alcoolismo  Condições preexistentes de personalidade: › Nível intelectual, › Traços neuróticos ou psicóticos, › Traços epileptóides › Traços depressivos › Fatores sociais (trabalho, profissão)  Tais fatores favorecem o estabelecimento de uma dependência mais precoce em relação ao tóxico e evolução mais grave e rápida da doença alcoolismo.  Muitas vezes o álcool é utilizado como modo de fuga de problemas, onde a ingestão alcoólica leva à uma tranqüilidade passageira  O mesmo acontece com os constitucionalmente deprimidos que alcançam certa estimulação à custa da bebida.
  15. 15. Causas do Alcoolismo  Nas coletividades em que o consumo de álcool é realizado em grupo a freqüência de alcoolismo é menor.  Nos cerimoniais em que o álcool participa como denominador comum, as crianças desde cedo “aprenderiam a beber”, da mesma forma com que aprendem a respeitar os princípios religiosos ou as regras do jogo de futebol.  Nessas condições o álcool não seria ingerido com conotações de prazer ou para produzir relaxamento, à esse uso seria atribuído um papel sobrenatural ou “divino”, ou estaria reservado um significado de “cimento familiar”.  Entre os israelitas, o álcool é ingerindo segundo esse modelo, sendo raramente observado alcoolismo entre eles.
  16. 16. Metabolismo do Álcool  Ingestão oral – início do processo de absorção.  Depois de absorvido, distribui-se uniformemente por todo o espaço extracelular.  O álcool se concentra nos tecidos mais ricos em água ou que têm maior poder de oxidá-lo. › No LCR (muita água) o teor alcoólico existente é aproximadamente 25% maior do que no sangue.  Além de poder atingir o sistema nervoso central, o álcool também tem a propriedade de atravessar a placenta, atingindo a circulação fetal. Em virtude disso, nascem crianças intoxicadas, com depressão respiratória, porque as gestantes se alcoolizam às vésperas do parto.
  17. 17. Metabolismo do Álcool  Os produtos finais do metabolismo do álcool no organismo são: › Gás carbônico › Água  Degradação do álcool: › Fígado(principalmente) › Músculos › Outros órgão › Transformado em acetaldeído pela enzima álcool desidrogenase. › Nessa reação o difosfopiridinonucleotídeo (NAD) participa como aceptor de íons hidrogênio liberados do etanol.
  18. 18. Metabolismo do Álcool  Transformação do acetaldeído em acetil-Co- A, reação acelerada pela enzima aldeído- desidrogenase e pelo oxigênio.  A administração de oxigênio por via inalatória pode ser benéfico na redução de muitos sintomas da síndrome de abstinência, devido ao aumento de saturação do mesmo no sangue, facilitando a formação de acetil Co- A.
  19. 19. Metabolismo do Álcool  O estágio final do metabolismo do álcool é a inclusão do acetil- Co-A no ciclo de Krebs, sendo que 90% do álcool ingerido e absorvido segue esse destino: › Produtos finais:  Proteínas  Carboidratos  Gorduras  Colesterol  Corpos cetônicos que são eliminados pela urina  De todo o álcool ingerido 2% é excretado como tal  Quando a ingestão é muito grande, a excreção pode atingir até 10%, na sua maior parte pelos pulmões, pequena parte pelo suor e secreção lacrimal.
  20. 20. Metabolismo do Álcool  O hálito característico: da pessoa embriagada é proveniente das › Vias digestivas › Vias respiratória(principalmente) › Odor do álcool › Substâncias aromáticas da bebiba  A dose letal de etanol introduzida rapidamente no organismo, em aproximadamente uma hora, é de 1,5 a 2,5 g/Kg.
  21. 21. Efeitos Somáticos do Alcoolismo  O álcool compromete o organismo humano severamente, sendo os setores mais intensamente atingidos: › Fígado › Pâncreas › Sistema cardiovascular › Aparelho digestivo › Rins › Aparelho respiratório, › Sangue e tecido hematopoético › Aparelho reprodutor › Musculatura esquelética › Glândulas endócrinas › Sistema nervoso central.
  22. 22.  No fígado o álcool lesa diretamente o hepatócito, alterando seu metabolismo e provocando morte celular  Essa lesão pode ser demonstrada pela dosagem de TGO, principalmente nas intoxicações agudas de indivíduos não portadores da doença hepática anteriormente.  8% dos alcoólatras crônicos apresentam como complicação tardia cirrose hepática.  A esteatonecrose hepática provoca a hiperprodução de células mesenquimais, fibrose intersticial e cirrose, secundariamente, distúrbio circulatório intra-hepático. Efeitos Somáticos do Alcoolismo
  23. 23.  Em virtude da esteatose, o fígado do alcoólatra é aumentado de volume.  A cirrose é um processo irreverssível e após estabelecida o prognóstico torna-se muito reservado. Suas complicações mais freqüentes são: › Insuficiência hepática › Ascite, › Edema de membros inferiores, › Varizes do sistema porta(hematêmese) › Esplenomegalia › Em fase terminal, coma hepático e morte. Efeitos Somáticos do Alcoolismo
  24. 24.  No pâncreas o álcool age de forma aguda ou crônica.  A pancreatite aguda surge até 24 horas após grandes ingestões alcoólicas, manifestando-se por: › Dor abdominal intensa, em faixa, nos hipocôndrios e epigástrio, menos comumente no tórax e na região dorsal, com duração de vários dias › Amilasemia elevada  Na pancreatite crônica há um comprometimento do pâncreas exócrino levando à digestão difícil e esteatorréia, podendo tardiamente acompanhar-se de comprometimento do pâncreas endócrino.  O alcoolismo crônico compromete o ciclo de Krebs e a permeabilidade celular na fibra cardíaca até mesmo em pacientes normais. Efeitos Somáticos do Alcoolismo
  25. 25.  Existe um tipo de cardiomiopatia alcoólica, conhecida como dos “bebedores de cerveja”, observada em regiões em que essa bebida contém muito cobalto, apresenta-se com insuficiência cardíaca subaguda, com cianose, acidose lática e óbito em 50% dos casos.  Em doses moderadas, o álcool provoca vasodilatação, especialmente dos vasos cutâneos, com calor e rubor da pele.  Pacientes com úlcera gastroduodenal devem evitar a ingestão alcoólica, pois além de seu poder irritante sobre a mucosa, estimula a secreção ácida do estômago, efeito mais grave, sobretudo quando as bebidas ingeridas são destiladas, com concentração até 40% (gastrite crônica, responsável por vômitos) Efeitos Somáticos do Alcoolismo
  26. 26.  Nos rins, o álcool exerce ação sobre os túbulos renais diminuindo a reabsorção de água, o que se deve, por sua vez, à inibição da produção do ADH.  O álcool em pequenas quantidades, por aumentar a oferta calórica ao organismo, pode estimular o ritmo respiratório de forma leve e transitória.  Em maiores quantidades produzem depressão respiratória central, com risco para o paciente, pois níveis muito elevados podem conduzir ao óbito.  Os bebedores são anêmicos crônicos por fatores relacionados à dieta, ao aumento das perdas sanguíneas, à doença hepática e à hemólise por hiperlipidemia, principalmente. Efeitos Somáticos do Alcoolismo
  27. 27.  Nas intoxicações alcoólicas crônicas, o paciente mostra impotência sexual por: › Prejuízo do reflexo medular de que depende a ereção › Redução da produção de andrógenos pela ação direta do álcool sobre os testículos › Deterioração que o paciente sofre no plano ético.  As miopatias alcoólicas são secundárias às polineurites que conduzem às atrofias musculares.  Nos alcoólatras crônicos, após grandes bebedeiras, podem surgir cãibras principalmente nos membros inferiores.  O quadro é completamente reversível, desde que o uso de álcool seja completamente interrompido. Efeitos Somáticos do Alcoolismo
  28. 28.  Supõe-se que o álcool possa induzir à inibição do catabolismo dos aldeídos, resultantes do metabolismo da serotonina e noradrenalina (supra-renal), tóxicos do sistema nervoso central.  Ainda no tecido glandular, o álcool pode ser secretado com a saliva e o leite, através das glândulas salivares e mamárias.  No sistema nervoso central, o álcool é um agente depressor, com atividade preponderante sobre o sistema reticular ativador ascendente. › A diminuição dos reflexos tendinosos, principalmente do patelar e aquiliano, frequentemente observado nos casos crônicos, decorre da polineurite periférica. Efeitos Somáticos do Alcoolismo
  29. 29. Efeitos Psíquicos do Alcoolismo  ALCOOLISMO AGUDO (embriaguez fisiológica): › Observa-se sempre certa proporção entre as quantidades de álcool ingeridas, os índices alcançados pela alcoolemia e a intensidade dos sintomas psíquicos apresentados pelo paciente. › Em níveis perto de 150 mg% surge certa euforia e discreta excitação com aparente vivacidade intelectual, alegria e desembaraço. › Elevações dos níveis até 300 mg% surgem perturbações mais graves, comprometendo-se acentuadamente o nível de consciência, nestas ocasiões a fala torna-se pastosa, surgem tremores das extremidades, a marcha torna-se ebriosa, as pálpebras ficam pesadas, ocorrendo quedas freqüentes. O agravamento da intoxicação causa certo grau de anestesia, diplopia, redução do campo visual e sonolento. › Quando a alcoolemia se encontra em torno de 400 a 500 mg%, segue-se a fase do sono profundo ou coma alcoólico, com anestesia profunda, abolição dos reflexos, hipotermia, depressão cardiorrespiratória.
  30. 30. Efeitos Psíquicos do Alcoolismo  ALCOOLISMO AGUDO: › A embriaguez patológica caracteriza-se pela desproporção entre as pequenas quantidades ingeridas e a riqueza de manifestações na esfera psíquica. › A dipsomania é caracterizada por impulsos de ingestão de grandes quantidades de alcool, que surgem de forma episódica no indivíduo. › Quando não encontra bebidas alcoólicas, desesperado, o dipsômano ingere outras substâncias obtidas no momento, como éter, gasolina, perfumes, querosene ou água de colônia.
  31. 31. Efeitos Psíquicos do Alcoolismo  ALCOOLISMO CRÔNICO: › O delírio alcoólico subagudo:  É o mais freqüentemente observado na clínica, tendo como característica os tremores finos das extremidades digitais, da língua e da musculatura facial, além de movimentos amplos e desordenados dos membros superiores e inferiores.  Na esfera psíquica, insônia rebelde, inquietação, grande sugestibilidade e riqueza de perturbações perceptivas visuais. Em formas mais graves, o paciente apresenta grande dificuldade em falar.  No início ou durante o quadro podem ocorrer convulsões generalizadas. São descritas também perturbações vestibulares combinadas com visões de paredes caindo ou do solo se movendo sob os pés.
  32. 32. Efeitos Psíquicos do Alcoolismo  ALCOOLISMO CRÔNICO: › O delírio alcoólico agudo:  É muito raro, a síndrome é desencadeada por condições “estressantes”, tais como: intervenções cirúrgicas, traumatismos, infecções agudas, principalmente do aparelho respiratório, modificações do regime alimentar e choques emocionais. Tanto se pode observar o desencadeamento da síndrome por aumento da ingestão alcoólica, redução ou interrupção brusca e completa da bebida.  O delírio alcoólico agudo possui duas fases distintas, a fase prodrômica e a fase crítica.  A prodrômica é caracterizada por: distúrbios gastrintestinais, sudorese excessiva, desequilíbrio, incoordenação motora, marcha insegura e algumas vezes crises convulsivas; as queixas mais referidas pelo paciente nesse período são perturbações visuais, secura da boca e da língua, insônia rebelde, intensa ansiedade, sonhos aterrorizantes e alucinações visuais; este período pode durar de 3 a 4 dias.
  33. 33. Efeitos Psíquicos do Alcoolismo  ALCOOLISMO CRÔNICO: › O delírio alcoólico agudo:  O quadro biológico dessa patologia é severo, caracterizado por desidratação maciça, global, com catabolismo intenso do nitrogênio, acúmulos de corpos cetônicos, hipocalemia, hipercaliúria e queda dos eosinófilos circulantes no plano hematológico.  Deve ser realizado diagnóstico diferencial com: quadros infecciosos, síndromes meníngeas, pasicoses epilépticas, síndromes agudas de excitação maníaca, outros delírios tóxicos agudos (éter, cloral, cocaína), porfirias agudas, encefalopatias agudas de origem pancreática, insuficiência supra-renal aguda, encefalite psicósica aguda de Marchand – Coutois, embriaguez alcoólica fisiológica e encefalopatias alcoolicas crônicas.  São complicações desse quadro: colapso cardiovascular, insuficiência renal, insuficiência hepática, perfurações do tubo digestivo, complicações respiratórias e neurológicas.
  34. 34. Efeitos Psíquicos do Alcoolismo  ALCOOLISMO CRÔNICO: › O delírio alcoólico agudo:  As crises convulsivas, surgidas alguns anos após a instalação do alcoolismo crônico, foram generalizadas do tipo grande mal e não precedidas por aura, ocorrendo quase sempre no período inicial de abstinência alcoólica e raras vezes no apíce da intoxicação etílica.  Na maioria dos pacientes, as convulsões ocorrem unicamente durante a síndrome de abstinência alcoólica.  Em outros, a convulsão é desencadeada diretamente pela ação tóxica do álcool, que atua como fator precipitante.  Num terceiro grupo, situam-se os epilépticos que, secundariamente, se tornaram alcoólatras.
  35. 35. Efeitos Psíquicos do Alcoolismo  FORMAS DELIRANTES: Os delírios crônicos podem ser de dois tipos:  Delírio de ciúme(associado a personalidade paranóide)  Psicose alucinatória: instala-se bruscamente sob a forma de uma crise onírica ou através de um quadro de automatismo mental ou ainda insidiosamente, sobretudo por distúrbios do humor e do caráter. As alucinações são predominantemente auditivas e visuais. › A alucinose alcoólica é caracterizada sempre por verdadeiras alucinações, em função das quais o paciente pode até cometer crimes pavorosos. › As seqüelas pós-oníricas são a persistência, no consciente, de idéias, convicções e vivências ocorridas durante o período onírico. Evoluem por estágios progressivos, com participação cada vez maior da crítica até a remissão total.
  36. 36.  Deficiência deDeficiência de tiaminatiamina •Ataxia cerebelar •Paralisia do Nervo Abducente •Alterações mentais •Nistagmo Encefalopatia de Wernicke Psicose de Korsakoff •Amnésia anterógrada
  37. 37.  Deficiência deDeficiência de tiaminatiamina •Ataxia cerebelar •Paralisia do Nervo Abducente •Alterações mentais •Nistagmo Encefalopatia de Wernicke Psicose de Korsakoff •Amnésia anterógrada
  38. 38. Lesões talâmicas, dos corpos mamilares, da substância cinzenta periaquedutal mesencefálica, dos colículos superiores e assoalho do IV ventrículo.
  39. 39. Fase inicial: Estado confusional global. Confabulação - invenção ou criação de histórias Incapaz de lembrar-se, utiliza-se de fragmentos de memórias de eventos passados A confabulação não está sempre presente nem é um requisito para o diagnóstico. Fase desenvolvida: Associação de amnésia, fabulação e desorientação. Amnésia - distúrbio da memória anterógrada - dificuldade ou impossibilidade de formar novas memórias Fabulação com falsos reconhecimentos e desorientação têmporo-espacial Quadro de confusão mental que evolui sobre um fundo de euforia. Fase terminal: Fabulações e os falsos reconhecimento são mais freqüentes Desorientação têmporo-espacial Confusão mental e até demência
  40. 40. Duas condições raras. Mielinólise Central Pontina:Mielinólise Central Pontina: • Disfagia, disartria, afonia, dificuldades para engolir, oftalmoplegia completa, falta de reação corneana, quadriparesia ou quadriplegia hipo ou arrefléxica e, até, morte. Doença de Marchiafava Bignami:Doença de Marchiafava Bignami: o Necrose do corpo caloso, manifesta-se por deterioração neurológica rápida. o Agitação, confusão mental, alucinações, negativismo, ataxia, disartria, hipertonia, julgamento prejudicado e desorientação. o Pode haver disfagia, ecolalia, distúrbios da marcha, incontinência urinária e fecal, perseveração do pensamento.
  41. 41. • Alcoolistas com cirrose hepática (8%). • Manifestações encefálicas surgem à medida que se agrava a hipertensão porta. • Perturbações do nível de consciência (obnubilação) e modificações de humor, apatia, irritabilidade ou despreocupação jovial, pueril. • Quadro psíquico - — amônia no sangue • Cura - muito rara
  42. 42.  Anamese com próprio paciente e familiares  Bem conduzida e pormenorizada sobre o uso de alcoólicos, seguida de minucioso exame físico na maioria dos casos assegura ou não a existência da doença. Nas intoxicações agudas a retirada de sangue ou coleta do ar expirado e posterior dosagem do teor alcoólico permitem esclarecer definitivamente o caso.
  43. 43.  Fase ProdrômicaFase Prodrômica  Doença AlcoolismoDoença AlcoolismoBebedor sintomático, primeiros “Black-outs”, drinques às escondidas, preocupação pela bebida, copos inteiros em um só gole, negação de beber.  Doença AlcoolismoDoença Alcoolismo Fase crucial ou básica: perda do controle, álibis, reprovação familiar, extravagância, agressão, remorso persistente, bebidas mais concentradas, perda de amigos, perda de trabalho, mudança de hábitos familiares, primeira hospitalização, ressentimentos, curas geográficas, estoque de bebidas, drinques matinais. Fase crônica: grandes bebedeiras, deterioração ética, ambivalência, tremores, inibição psicomotora, necessidade de apoio religioso, bebe para esquecer que bebe, complicações e contradições. Doenças Físicas: hepática, SNC, SNP.
  44. 44. Para estabelecer diagnóstico de forma prática Hayman elaborou um questionário a ser aplicado aos pacientes com suspeita de alcoolismo: Tem usado álcool excessivamente Bebe para fazer confidências ou ter facilidades sociais Aborrece as demais pessoas quando bebe Necessita beber de manhã Bebe sozinho Perde muito tempo de trabalho para beber Já teve algum “Black-out” Teve o desejo de parar de beber e conseguiu ficar abstinente Já esteve preso alguma vez por causa da bebida Tem tremores quando interrompe o uso do álcool
  45. 45.  Se assemelham a transtornos mentais primários ( ex: transtorno depressivo maior X transtorno do humor induzido por álcool, com características depressivas, com início durante intoxicação).  Fraca coordenação e o prejuízo associados com intoxicação com álcool - acidose diabética, ataxias cerebelares, esclerose múltipla  Sintomas de abstinência do álcool – hipoglicemia, cetoacidose diabética e tremor essencial  Intoxicação com álcool - sedativos, hipnóticos ou ansiolíticos.
  46. 46. Porque uns são mais facilmente aprisionados na farmacodependência alcoólica e outros não? Compete ao psicopatologista esclarecer a questão do ponto de vista científico, sem se descuidar no entanto, de que o alcoólatra é antes de tudo, uma pessoa humana, encerrando sempre mais profundamente dentro de si “algo incognoscível”. Estudos cuidadosos mostram que os alcoólatras não se encontram entre grupos sociais marginalizados. Ao contrário, 70% destes vivem em bairros mais diferenciados, na companhia de suas famílias e em profissões de destaque. Os alcoólatras crônicos não se recrutam de um tipo de personalidade determinado, normal ou anormal.
  47. 47. Exames subsidiários: 1)Alcoolemia – intoxicação devida à [álcool] nos órgãos 2)Eletroencefalografia - deve ser realizado em alcoolismo agudo e crônico. A grande maioria dos casos de alcoólatras crônicos é sintomático ou secundário, isto é, a personalidade subjacente dos alcoólatras é sempre anormal. Além disso, o exame permite verificar a existência de lesões irreversíveis do SNC provavelmente ocasionados pelo uso prolongado do álcool.A importância da realização deste exame prende-se às possíveis complicações neurológicas do alcoolismo crônico: paquimeningites, acidentes vascolares cerebrais e traumatismos craniocerebrais a que estes pacientes estão particularmente expostos. 3)Líquor 4)Pneumencefalografia - processo expansivo insuspeito, responsável por distúrbios da conduta ou quadro demencial, como hematomas subdurais, freqüentes nos alcoólatras crônicos. 5)Testes psicológicos 6)Outros exames - TGO, TGP, proteínas totais e frações, amilase, bilirrubinas, fosfatase alcalina, TAP, TTPA, US de abdome a fim de aferir a
  48. 48. Naltrexona - bloqueio da atividade dos opióides. É uma espécie de antídoto para a intoxicação de heroína, morfina e similares Acamprosato - atua mais na abstinência, reduzindo o reforço negativo deixado pela supressão do álcool Ondansetrona - inibidor de vômitos Dissulfiram - substância que força o paciente a não beber sob a pena de intenso mal estar

×